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Cajucultura é tema de debate sobre suas perspectivas econômicas

Audiência pública aconteceu na Câmara Municipal de Serra do Mel (Foto: ALRN)
Audiência pública aconteceu na Câmara Municipal de Serra do Mel (Foto: ALRN)

Com uma produção nacional liderada pelo Ceará e seguida pelo Piauí, o RN ocupa o terceiro lugar no ranking da cajucultura e em 2022 apresentou o maior aumento de produtividade, com 354 toneladas por hectare, contra as 233 do ano anterior. A projeção, segundo estudos do Sebrae/RN, é que o Estado lidere a produção nacional, mas para atingir esse objetivo, precisa avançar em vários pontos. O tema “Os desafios e oportunidades da cajucultura no RN” foi debatido pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, através do mandato do deputado Isaac da Casca (MDB), numa audiência pública em Serra do Mel, nesta segunda-feira (28).

O debate foi em parceria com a Câmara Municipal do município. Serra do Mel é onde se concentra a maior parte da produção e a audiência reuniu produtores, lideranças políticas e representantes do governo do Estado, Sebrae, Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Instituto Caju Brasil, Fiern, Fecomércio. Entre outros.

Estiagem, envelhecimento dos pomares, necessidade de inovação fizeram a produção cair no RN. Com quase 50 mil hectares plantados, o Estado produz atualmente cerca de 10,9 toneladas de pedúnculo (fruto) e 5 mil toneladas de castanha por ano, segundo o IBGE.

Luta conjunta

Ao propor o debate, o deputado Isaac da Casca, que é empresário no ramo, destacou o início da sua vida profissional em Serra do Mel e a necessidade de fazer o setor avançar: “Esta é uma luta conjunta, onde é preciso cada vez mais assistência técnica para o produtor”, disse o parlamentar, que levou especialistas para apresentarem um estudo detalhado sobre a produção no RN, detalhado antes do debate.

Uma das propostas do estudo é fortalecer o modal rodoviário para escoamento da produção e da distribuição, além de redução de tributos para a atividade, a fim de consolidar o RN como líder sustentável da cadeia produtiva e aumentar as importações. O deputado, inclusive, já apresentou projeto de lei que tramita no Legislativo do RN para que o governo estadual inclua a fruta na merenda escolar e em refeições de presídios e hospitais públicos.

O prefeito recém eleito de Serra do Mel, Kênio Azevedo, também reforçou a necessidade de aumento da produtividade e citou o aumento dos custos para os produtores: “Todos os custos aumentaram, como combustível, insumos, mas a castanha não sofreu aumento de preços e de nossa parte iremos continuar disponibilizando mudas e manter parcerias com Senar, Ufersa e outros órgãos”, disse.

Presidente da Câmara Técnica da Cajucultura, Elano Gomes Pinto reforçou a necessidade de que os parlamentares destinem emendas para a Câmara Tênica, a fim de que ela continue fazendo o seu papel: “A Câmara representa os produtores e tem membros do Sebrae e outros importantes parceiros que formam um aglomerados de pessoas preocupadas com o futuro da cajucultura”, disse.

Agente de Desenvolvimento do Banco Nordeste, Sérgio Luiz destacou o desenvolvimento que a atividade leva aos municípios. “Severiano Melo não tem mendigos, porque a atividade emprega mais de 10 mil pessoas. No entanto é preciso uma reforma tributária que beneficie o pequeno produtor”, disse. O representante do Banco do Nordeste, Sérgio Luiz, ressaltou a importância da atividade: de cada 100 contratos rurais do RN firmados pelo banco, 97 são proveniente da cajucultura.

Inovação

A inovação tecnológica para a atividade foi defendida em praticamente todos os pronunciamentos. Franco Marinho, do Sebrae, citou a parceria de cinco anos com o município de Serra do Mel, na qual mais de 480 produtores foram atendidos na busca de inovar suas práticas. “Acreditamos que iremos ampliar ainda mais essas parcerias para o desenvolvimento da cajucultura”, disse.

Também se pronunciaram o deputado federal Sargento Gonçalves (PL); o gerente de economia da Federação das Indústrias do Estado do RN (FIERN), Pedro Albuquerque; e o vice-presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do RN (FECOMÉRCIO/RN), Michelson Frota. Finalizando, Isaac da Casca afirmou: “A cajucultura é uma atividade essencial ao desenvolvimento econômico. Vamos somar esforços, buscar todo o apoio da bancada federal e lutar pela reforma tributária.”

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Setor industrial cresce 24,4% no 1º quadrimestre

Planta industrial primária terá investimentos exponenciais (Foto ilustrativa)
Desempenho é importante, mas alguns setores têm retração  (Foto ilustrativa)

O primeiro quadrimestre do ano, a indústria nacional registrou avanço médio de 3,5% nos 18 estados pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – a única exceção foi o Pará com desempenho de -1,7%. Na área de atuação do Banco do Nordeste, com disponibilidade de dados para sete estados, o destaque ficou com o Rio Grande do Norte, que cresceu 24,4%. Ceará (7,6%) e Espírito Santo (6,2%) vêm na sequência.

A indústria potiguar garante, assim, a liderança nacional no acumulado do ano, posição que vem mantendo de forma ininterrupta há dez meses, desde julho de 2023. O desempenho no quadrimestre foi puxado pela alta de 74,3% na produção de derivados do petróleo e biocombustíveis, em especial óleo diesel e gasolina automotiva, e ainda pelo crescimento de 23,2% do setor de confecção e vestuário.

Retração

Os dados, compilados pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), do Banco do Nordeste, e divulgados no Informe Macroeconômico nº 143, só não são melhores para o estado potiguar pela retração de -69,9% na indústria extrativista – óleos brutos de petróleo, sal e gás natural – e, na indústria alimentícia, de -12,9%.

“A performance positiva da indústria do Rio Grande do Norte decorre em razão da combinação de uma série de fatores, como a atividade econômica em aceleração, sobretudo na indústria de transformação, estimulada pela expansão da demanda, por meio do consumo das famílias”, explica o gerente executivo do Etene, Allisson Martins.

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Comerciantes são regularizados e têm caminho a crédito e qualificação

Frank, Lecy, Sérgio, Moisés, Francisca e Ucleberton participaram de evento com exposição do prefeito (Fotomontagem do BCS)
Frank, Lecy, Sérgio, Moisés, Francisca e Ucleberton participaram de evento com exposição do prefeito (Fotomontagem do BCS)

A Prefeitura de Mossoró entregou nesta quinta-feira (14) mais de 400 carteiras a permissionários que atuam nos mercados públicos da cidade. A solenidade, realizada no Ginásio de Esporte Engenheiro Pedro Ciarlini Neto, integra o Programa de Valorização dos Mercados Públicos, que oferece também uma série de outras melhorias como cursos e capacitações, linhas de crédito e regularização contábil e jurídica, a partir de parcerias firmadas pelo Município.

“Essas centenas de pessoas e familiares são enxergados como empreendedores. Passam a estar documentados e vão receber assessoria de alto nível, gratuita, para que possam crescer mais ainda, ampliando seus negócios e horizontes. Não estamos investindo apenas em estrutura física, reformas e ampliações de mercados, mas em gente”, comentou o prefeito Allyson Bezerra (UB).

As carteiras de identificação foram elaboradas pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Turismo (SEDINT), a partir de um intenso trabalho de cadastramento dos permissionários realizado ao longo dos últimos meses. O documento habilita esses profissionais a continuarem exercendo suas funções nos mercados públicos mossoroenses.

“Nós iniciamos esse trabalho em março desse ano, fazendo uma análise de caracterização dos comerciantes, da estrutura dos mercados, e ao longo desse período, nós fomos trabalhando a organização jurídica deles. Agora, todos  estão com termo de permissão do Município, com segurança jurídica”, mostra Frank Felisardo, titular da Sedint.

Sebrae, BNB, Ufersa

Por meio desse programa, os comerciantes terão acesso, por exemplo, a palestras e oficinas promovidas pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), abordando temas como atendimento ao cliente, manipulação segura de alimentos, marketing digital, vendas, finanças, formação de preço, entre outros, como destaca o analista técnico do Sebrae em Mossoró, Lecy Gadelha:

– “O objetivo é trabalhar a gestão, que é a expertise do Sebrae. Vamos ter, além das oficinas voltadas para a gestão, também a parte de marketing, cortes de carne, valorizando mais ainda os produtos que são oferecidos, como também os fluxos de organização dentro dos mercados públicos, fazendo com que toda a população tenha uma identidade dos mercados de Mossoró e servindo como referência.”

Já a Universidade Federal Rural do Semi-árido (UFERSA) se soma ao programa com o projeto “Regulariza”, executado pelo curso de Ciências Contábeis, disponibilizando emissão de certificado digital, consulta de pendências fiscais, entre outros serviços. “O nosso objetivo é regularizar esses empreendedores que estão com alguma dificuldade, seja no âmbito tributário, financeiro, fiscal. Havendo alguma pendência, o comerciante vai receber uma assessoria contábil, jurídica e gerencial de forma gratuita com professores e alunos da Ufersa”, afirmou Moisés Ozório, coordenador do projeto.

O Banco do Nordeste do Brasil (BNB) também é parceiro do Município, oferecendo linhas de crédito tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas. “A ideia é que a gente consiga chegar, desde o pequeno, da pessoa física, feirante, até aqueles que são formalizados, que já se estruturaram. Com essa organização, esse recadastramento, a gente vai ter uma pujança, ou seja, eles vão se formalizar mais, vão necessitar de capital de giro, de uma modificação em sua estrutura física, e o banco tem essas linhas de crédito”, comentou Sérgio Freire, agente de desenvolvimento do BNB em Mossoró.

Repercussão

Os comerciantes elogiaram a entrega das carteiras e os demais anúncios feitos pela prefeitura. O comerciante Paulo Almeida, do Mercado do Vuco-vuco falou: “É uma benção a Prefeitura está ajudando o comércio. Gostei de tudo que foi anunciado. A carteirinha é um documento muito importante pra gente que é comerciante, a legalização é muito importante, porque a gente fica seguro no comércio. Antes não tinha segurança de nada.”

“Os cursos são muito importantes, porque vão nos trazer grande conhecimento, porque todo dia é dia de aprender. Sem conhecimento você não anda, não avança”, disse Francisca Cabral, que trabalha na Central de Abastecimento Prefeito Raimundo Soares (COBAL) há 26 anos.

“Para mim, está tudo ótimo, perfeita a organização, que antes não tinha, e agora está tudo o.k. Estou muito feliz com isso. E essas parcerias anunciadas vão ajudar muito os comerciantes pequenos,” acrescentou Gildene Siqueira, que atua no Mercado Central.

Entrega de carteira a permissionários e informações diversas foram no Ginásio Pedro Ciarlini Neto (Foto: Lucas Bulcão)
Entrega de carteira a permissionários e informações diversas foram no Ginásio Pedro Ciarlini Neto (Foto: Lucas Bulcão)

Ucleberton Morais, que há 24 anos comercializa seus produtos no Vuco-Vuco, também ressaltou a importância do programa de valorização. “É uma oportunidade para todos os comerciantes. Traz motivação, empreendedorismo, crescimento. A gestão está de parabéns, porque vem dando essa atenção ao comércio”, relatou.

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RN sedia plenária estadual do PPA do Governo Federal

O Governo Federal, com o apoio do Consórcio do Nordeste, do Banco do Nordeste e de governos estaduais, realiza, em todos os 26 estados brasileiros e no Distrito Federal, plenárias do Plano Plurianual (PPA) participativo. Nesta quinta-feira (25), das 15h às 18h, no auditório Master da Escola de Governo, no Centro Administrativo de Natal, acontece a plenária do Rio Grande do Norte. DIVULGAÇÃO PPA

O objetivo é escutar a sociedade sobre as prioridades para investimentos de recursos e políticas públicas para os próximos quatro anos. A discussão contará com a participação de entidades de representação como conselhos, associações, sindicatos e ONGs. Na oportunidade, o Governo do RN lançará o aplicativo para seu Plano Plurianual Participativo — o “RN Participativo”.

As inscrições para participar podem ser feitas previamente por meio da página do PPA Participativo (//www.gov.br/participamaisbrasil/ppa-plenarias) ou presencialmente antes de cada plenária. 

Coletiva

Para falar sobre a importância da plataforma e da participação popular, uma coletiva, às 14h40, no miniauditório da Escola de Governo, contará com a presença da Ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, do ministro chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macedo, e da governadora Fátima Bezerra (PT).

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O professor e o flanelinha

Por Marcos Mairton

Quando ingressei no Curso de Direito da Universidade de Fortaleza, em 1986, estava com vinte anos de idade, mas já trabalhava no Banco do Nordeste. Um bom emprego, que me permitia pagar com tranquilidade as mensalidades do curso, além de assistir às aulas sem o estresse de quem ainda busca uma vaga no mercado de trabalho.

O curso era noturno. Lembro que, no primeiro dia de aula, cheguei quando o sol ainda nem havia acabado de se por e deixei o carro no estacionamento externo do campus. Naquela época, não havia muita preocupação com assaltos ou furtos.

(Foto: Iago Ribeiro)
(Foto: Iago Ribeiro)

Um rapazinho de uns quatorze anos, que estava por ali, com uma flanela no ombro, prontificou-se a cuidar do carro até que eu voltasse:

– Posso ficar “pastorando” aí, Louro? – perguntou.

Pastorar” é um verbo que no idioma cearês significa “cuidar de uma coisa alheia, sem tocar nela; manter sob vigilância”. A palavra consta dos dicionários de língua portuguesa como sinônimo de “pastorear”, que vem a ser a atividade do pastor ao cuidar do rebanho. O sentido é praticamente o mesmo.

“Louro” é uma das muitas maneiras de se tratar alguém cujo nome se desconhece.

– Pode! – respondi, de pronto, imaginando que ele pretendia receber alguma paga pelo serviço de vigilância, mas tendo certa dúvida se um jovenzinho daquela idade estaria a postos quando eu retornasse, lá pelas dez da noite.

E fui para minha aula. Quando retornei ao estacionamento, ao final, lá estava ele. Não pediu nada. Seu cumprimento – “Diz aí, Louro!” – foi o sinal para que eu lhe desse algum dinheiro.

A partir daquele dia, deixava costumeiramente o carro naquela área do estacionamento, sob os cuidados do jovem que passei também a chamar de “Louro” – o que fazia até mais sentido, porque, diferentemente de mim, ele tinha os cabelos loiros.

Foi assim durante todo o meu curso de Direito. Estacionava, cumprimentava o Louro e ia assistir às aulas. Ao voltar, encontrava-o esperando o pagamento, ou, o “trocado”, como ele preferia chamar.

Mas nem sempre ficava nisso. Várias vezes dei-lhe camisas e sapatos, em bom estado de conservação, que não mais usava. Era quase uma amizade. Não chegava a tanto, porque a conversa nunca passou de “Diz aí, Louro!”“Beleza, Louro!” e coisas assim. Logo, nunca fiquei sabendo onde o Louro morava, nem quem seria sua família, se é que tinha família e casa. Tampouco ele mostrava interesse na minha vida pessoal.

A par disso, recordo que muitas vezes cheguei a me questionar sobre o rumo que toma a vida de uma pessoa, conforme ela tenha oportunidade de estudar. E conforme faça uso dessa oportunidade.

Imaginei que o Louro, apenas uns cinco anos mais jovem que eu, deveria ter nascido em uma casa não muito mais pobre que a minha, na periferia de Fortaleza. Talvez tenha frequentado os primeiros anos do ensino fundamental em uma escola pública, como eu. Mas, em algum momento da vida, perdeu o interesse pelos estudos ou a condição de lhes dar sequência. É possível – talvez provável – que tenha sido incentivado pelos próprios pais a deixar o colégio, para contribuir com a renda da família. O contrário do que acontecera comigo, sempre estimulado a buscar nos estudos o caminho para melhorar de vida.

Independentemente dessas conjecturas, o fato é que, durante alguns anos, frequentamos a mesma universidade. Eu assistindo às aulas, ele “pastorando” meu carro. E, ao final daquele período, eu iria receber meu diploma de bacharel em Direito, enquanto ele continuaria sendo um “pastorador” carros, um “flanelinha”.

Passou o tempo. De bacharel em Direito, fiz o exame da Ordem dos Advogados do Brasil e tornei-me advogado; comecei a advogar no escritório de um amigo, e depois, no próprio departamento jurídico do banco onde trabalhava; entrei para o Mestrado em Direito Público da Universidade Federal do Ceará; passei em concurso para Procurador do Banco Central do Brasil; e concluí o mestrado.

Em 1999, já com o título de mestre, voltei à Universidade de Fortaleza, agora como professor do Curso de Direito, do qual fora aluno.

As aulas começavam às sete da noite, mas, no meu primeiro dia, cheguei à UNIFOR um pouco antes de anoitecer. Talvez por nostalgia, abri mão do estacionamento dos professores e deixei o carro na mesma área onde estacionava quando aluno.

Mal acabava de desembarcar, quando ouvi uma voz:

– Diz aí, Louro!

– Fala, Louro! – respondi com entusiasmo. – Tu ainda tá por aqui?

– Todo dia!

– Vai “pastorar” o meu?

– Claro!

– Tô de novo na área – falei sorrindo. – Mas agora como professor.

– É isso aí! Fez bonito! O senhor sabe que o estacionamento de professor é lá dentro, né? Mas, se quiser deixar aí, ninguém “bole”, não.

Bole” é a terceira pessoa do singular do verbo “bulir”, que tem muitos significados na língua portuguesa. No idioma cearês é sempre utilizado no sentido de “tocar ou mexer em alguma coisa”.

Mas a palavra usada por ele que me chamou mais a atenção foi “senhor”. Era a primeira vez que se dirigia a mim daquela maneira. Certamente por respeito à minha, agora, condição de professor, demonstrando que, apesar de continuar frequentando a universidade apenas para vigiar os carros, reconhecia o valor dos que se dedicam ao ensino.

Iniciava-se, assim, mais um período de vários anos em que frequentei a Universidade de Fortaleza. Todas as noites, de segunda a sexta-feira. Raramente via o Louro, porque, como ele mesmo havia me alertado, o estacionamento dos professores ficava do lado de dentro do campus.

Nessa mesma época, fiz outros concursos. Fui advogado da União, depois tornei-me juiz federal. Deixei de ensinar em 2005, quando me afastei de Fortaleza, para assumir a primeira vara federal de Juazeiro do Norte. Dali, passei por Mossoró, Sobral e Quixadá. Até retornar a Fortaleza, em 2012.

Não voltei mais a ensinar, mas alguns anos depois do retorno a Fortaleza, fui convidado a dar uma palestra em um seminário na Unifor.

Um carro da universidade foi me buscar no fórum. Terminada a palestra, caminhei até a área externa, onde minha mulher me esperava em nosso carro. Passando pelo local onde costumava estacionar, lembrei dos tempos de aluno do curso de Direito.

O relógio marcava vinte e duas horas e mais um punhado de minutos. Alguns estudantes transitavam por ali, andando apressados em direção ao ponto de ônibus ou ao local onde haviam estacionado seus carros. Formava-se um engarrafamento na avenida que passa em frente à universidade. Alheio a todo aquele movimento, um homem de cabelos grisalhos estava sentado no meio-fio, demonstrando cansaço. Os braços apoiados nos joelhos, a testa apoiada nos antebraços.

No instante em que eu passava por ali, ele ergueu a cabeça e falou sorrindo:

– Diz aí, professor!

Era o Louro.

Marcos Mairton da Silva é poeta, escritor, compositor e juiz federal

Enfim, uma atividade prazerosa!

Por Paulo Menezes

Na década de 2000, após 30 anos de trabalho em um banco de rotina exaustiva e estressante, explorador de funcionários, com muitos números, balancetes e agiotagem oficial, entrei em uma nova fase da minha vida. Ufa, até que enfim, férias.

Definitiva.abelha jandaíra

A aposentadoria  chegou.

Sair de um trabalho intenso e parar de repente podia com isso entrar num estado depressivo por me sentir inútil ainda relativamente jovem. Pensando dessa maneira, pouco antes de “pendurar as chuteiras”, me preparei para exercer outra atividade qualquer.

Resolvi abrir uma empresa para preencher meu tempo e auferir algum lucro. “Som Laser” foi a firma criada para vender equipamentos de som e cds, que à época, era o que de melhor perspectiva se apresentava para o que almejava.

A falta de capital e a chegada de grandes grupos empresariais do mesmo segmento fez com que “Som Laser” tivesse vida curta.

Fechada e empresa, parti para outra opção dentro do mesmo ramo e fundei uma locadora de vídeos e cds. Nascia a “Som Laser Locadora”, que teve também uma existência breve. A nova firma foi detonada com a “febre” da pirataria dos produtos que a empresa ofertava aos clientes.

Parece que não nasci mesmo para o comércio. Novo insucesso no ramo empresarial. E agora? O que fazer?

Como se diz que três é a conta certa, a terceira empreitada felizmente deu certo. Me dediquei com afinco ao manejo de abelhas sem ferrão da espécie Jandaíra, iniciado no distante ano de 1983, e que por falta de tempo não dava a assistência necessária para aludida atividade.

O amor e a dedicação pela abelha sertaneja só cresceu mais e mais com o decorrer do tempo. Passei então a participar de congressos nacionais e até internacionais relacionados à apicultura e a  meliponicultura, em busca do conhecimento  sobre a arte prazerosa de criar abelhas.

Manejando a “rainha do sertão”, expandi o meliponário e com o apoio da Prefeitura Municipal de Mossoró e Sebrae, implantei alguns projetos de reinserção da abelha Jandaíra em regiões degradadas pela ação predatória do homem e  em áreas de assentamentos rurais no Rio Grande do Norte e Ceará. Colaboramos na capacitação de grande número de crianças e pequenos produtores rurais.

Nesse trabalho gratificante que desenvolvia no campo, dava também minha  contribuição à mãe natureza. Devemos destacar que a criação da abelha Jandaíra tem que ser considerada uma atividade para o desenvolvimento sustentado. Ela inclui restauração ambiental, através da preservação e plantio de árvores que servem de locais para nidificação, além do importante papel que elas desenvolvem com a polinização na mata nativa, tão ameaçada de extinção nos dias atuais.

Com o aumento do número de colmeias e da produção da colheita do mel, um produto, nobre, raro e de alto valor comercial, unindo o útil ao agradável, surgiu então a empresa “Mel Menezes”, que diferente dos afazeres pregressos, terminou sendo para mim uma grande terapia ocupacional.

Na meliponicultura tudo que faço é com enorme prazer. Diverso dos trabalhos anteriores, rotineiros e estressantes que felizmente ficou na poeira do tempo que o vento levou.

A empresa tornou-se conhecida e conceituada a ponto de hoje comercializar o delicioso e saudável mel de Jandaíra para todo o país. A propósito, Miguel de Cervantes em sua famosa obra “Dom Quixote de La Mancha”, assim se refere ao mais útil dos insetos:

-“Nas quebradas dos penhascos, no recôncavo das árvores, formavam suas repúblicas as solícitas abelhas, oferecendo  a qualquer mão, sem interesse algum, a fértil colheita do seu dulcíssimo trabalho”.

Paulo Menezes é cronista e meliponicultor

Um exemplo de Pernambuco para a sofrida Caern

Por Josivan Barbosa

A nossa sofrida Companhia de Águas e Esgotos do RN (CAERN) poderia se espelhar no exemplo da Companhia Pernambucana de Saneamento (COMPESA), estatal de abastecimento de Pernambuco. A empresa tem em seu portfólio um contrato de Parceria Público-Privada (PPP) que prevê investimento de cerca de R$ 3,5 bilhões do parceiro privado, a BRK Ambiental, além de R$ 1 bilhão do próprio caixa e do tesouro do Estado de Pernambuco.A concessão deve implantar 9.000 quilômetros de redes de esgoto, beneficiando 3,7 milhões de pessoas e aumentando a cobertura de esgoto na região de 30% para 90% nos próximos 12 anos.

No ano passado, a Compesa teve receita líquida de R$ 2,14 bilhões, alta de 17,75% em relação à 2017.

Até o fim do terceiro trimestre deste ano, a receita líquida somava R$ 1,54 bilhão.

Compesa na bolsa

A empresa enviou solicitações de propostas para coordenação da sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês).

A Compesa não é a única estatal de saneamento a planejar um IPO. A Saneago, estatal de Goiás, também já contratou os bancos que vão coordenar a oferta. Outras companhias, como a gaúcha Corsan, também estudam essa possibilidade, embora ainda em estágio menos avançado.

Investimentos da Petrobrás longe do RN-CE

A cada dia fica mais difícil acreditar que a Petrobrás retomará os investimentos na região RN-CE. A empresa prevê investimentos de US$ 75,7 bilhões até 2024, 10% abaixo do estimado no plano anterior (2019-2023). A nova versão do plano de investimentos é mais enxuta e focada em exploração e produção de petróleo e gás, área que receberá 85% (US$ 64,3 bilhões) dos recursos projetados para os próximos anos.

Parece muito claro que a prioridade da empresa será a exploração em águas profundas e ultra-profundas, especialmente no pré-sal o que distancia do RN-CE e que os períodos áureos do petróleo aqui na região passam a apenas para a história.

Cheque à mão

A partir do próximo ano, cada deputado federal e senador terá R$ 7,5 milhões de dinheiro público para distribuir, livremente, ao governador e aos prefeitos que o apoiam.

Depois de aprovado o Orçamento da União de cada ano, o parlamentar definirá o valor que deseja transferir à prefeitura de sua escolha ou ao governador de seu Estado.

Ele mesmo vai autorizar a transferência, precisando, para isso, apenas digitar o CNPJ da prefeitura ou do governo estadual no Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (SIOP). É como se ele tivesse um talão de cheque com um limite para gastar de R$ 7,5 milhões.

Um bom exemplo de gestão pública

A Fundação Tide Setúbal desenvolveu competência para elaborar um indicador de regionalização do orçamento municipal. Isto é importante porque apontar no território onde serão gastos os recursos públicos é uma das formas mais eficientes de combate à desigualdade nas cidades.

O indicador de regionalização monitora continuamente a distribuição geográfica do gasto do município, uma ferramenta considerada fundamental para uma cidade muito heterogênea e desigual como é o caso da nossa horizontal Mossoró.

O indicador foi desenvolvido para a cidade de São Paulo, mas, pode ser replicado para outras cidades.

Fora do Brasil, as cidades praticam a regionalização do orçamento em diferentes graus.

Mais eólica na Serra

A Echoenergia vai investir cerca de R$ 1 bilhão na construção de um novo complexo eólico no Rio Grande do Norte. Com 206 megawatts (MW) de capacidade, o empreendimento, chamado de Serra do Mel 2, está previsto para entrar em operação em janeiro de 2022 e fornecerá energia para quatro consumidores livres com os quais a companhia assinou recentemente contratos de compra e venda de energia no longo prazo.

Com relação ao novo parque Serra do Mel 2, a Echoenergia está analisando as alternativas de financiamento para o projeto. A opção tradicional seria o Banco do Nordeste do Brasil (BNB), porém a companhia já captou R$ 1,3 bilhão em 12 meses com a instituição e atingiu o teto de financiamento.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)

Economistas combatem qualquer ideia separatista do Nordeste

O presidente do Conselho Federal de Economia (COFECON), Wellington Leonardo da Silva, entregará carta da Comissão de Desenvolvimento Regional da entidade ao Consórcio Nordeste, colegiado de governadores nordestinos que está reunido (veja AQUI) nesta segunda-feira (16), em Natal.  O documento confere apoio ao movimento dos governantes e no seu arcabouço traz sugestões e ações “que podem e devem ajudar no processo de busca por um caminho menos árduo para o desenvolvimento e uma saída segura para o Nordeste”.

Welington: propostas sem separação (Foto: reprodução)

Paralelamente, o Confecon deixa clara sua posição política na relação dos governadores com a União: “O Cofecon rejeita que a iniciativa possa vir a ser usada para disseminar ideias separatistas. O Brasil não existe sem o Nordeste. Somos a composição de cinco regiões que, mesmo com diferenças socioeconômicas, compartilham a formação histórica e a cultura que nos define”.

Entre as sugestões dos economistas, eis alguns pontos:

– Ampliar e melhorar as condições de crédito, que dependerá do exito de gestões junto ao Governo Federal, que vão deve ser fácil. Dos recursos liberados pela Caixa Econômica Federal, este ano, para estados e municípios, apenas 2,2% foram para o Nordeste, enquanto em 2018 essa parcela foi 21,6%. Nesse campo, merece destaque a defesa da manutenção e ampliação das atividades do Banco do Nordeste (BNB).

– Dinamizar projetos estruturantes, como os portos de Suape e Pecem, concluir a Ferrovia Transnordestina e complementá-la com ramificações que coloque o transporte ferroviário de mercadorias entre os principais modais regionais.

– Exigir atuação mais efetiva da Sudene para favorecer ao desenvolvimento do Nordeste, finalidade para a qual foi idealizada por Celso Furtado, o mais destacado economista da Região, cujo centenário de nascimento ocorrerá em 2020.

– Reverter a recente contração da cadeia produtiva de petróleo e gás na Região, ocorrida com as reduções das operações da Petrobrás e a privatização do sistema de distribuição por gasoduto.

– Reivindicar a disponibilização de Aval Soberano, com lastro nas reservas internacionais do país, para financiamento externo junto organismos multilaterais, como o Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento e Banco dos BRICs, para estados e municípios adimplentes e com espaço para ampliar captações externas, nos termos da Lei de Responsabilidade Fiscal.

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O exemplo que vem do vizinho

Por Josivan Barbosa

Enquanto o Governo do nosso RN sem sorte enrola-se para construir o restante da Estrada do Melão (trecho BR 304 – BR 437), o vizinho Estado do Ceará implementa importante programa de infraestrutura rodoviária, mesmo em tempo de ajuste fiscal.

O Governador Camilo Santana anunciou que o programa Ceará de Ponta a Ponta contará, a partir de março, com R$ 500 milhões para investimento. O valor será aplicado em recuperação, pavimentação e duplicação de rodovias. A estimativa é de que cerca de 500 km sejam beneficiados em todo o Estado.

A primeira etapa do programa contou com R$ 1,9 bilhão e beneficiou mais de 2 mil km de rodovias e a segunda etapa investiu mais de R$ 400 milhões, contemplando cerca de 300 km em 27 municípios e 3,7 milhões de habitantes.

Mossoró precisa se antecipar

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Mossoró precisa se antecipar caso seja do seu interesse manter os empregos que a empresa de call center instalada no Bairro Paraíba oferece à população de Mossoró. Se o município não atentar para a formação de um novo tipo de profissional que estas empresas estão necessitando, corre-se o risco de uma redução contínua na quantidade de empregos do setor na cidade.

Até 2020, a expectativa é que os robôs responderão por 30% da receita das grandes empresas de call center. Não é difícil entender o motivo da digitalização crescente. As margens desses serviços são mais elevadas e os custos, menores. Em média, uma posição de atendimento tradicional custa R$ 6 mil por mês, pela qual o contratante paga R$ 7 mil. Já a despesa média com o robô é de R$ 2,4 mil e preço cobrado do cliente é de R$ 4 mil. A margem operacional chega a ser 60% superior, muito atrativa em um setor cujos ganhos costumam ser pequenos.

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico precisa capacitar os funcionários de call center para que possam fazer as negociações mais complexas ou de retenção de clientes, o que fará com que o ser humano continue indispensável. A tendência é ter menos pessoas nos call centers com o avanço da automação. Entretanto, os profissionais que estiverem no setor estarão mais preparados, com qualificação e salários maiores. Os serviços mais simples serão feitos por robôs e os mais complexos continuarão sendo feitos pelos humanos.

Nas empresas menores, a participação dos serviços feitos por robôs costuma ser mais alta. A automação exige mudanças que as companhias maiores nem sempre conseguem fazer rapidamente e, por isso, preferem, no primeiro momento, uma opção híbrida, com a integração das operações entre atendentes humanos e softwares.

Eleições 2018

O cenário eleitoral está marcado por uma série de questões: fragmentação partidária, desconfiança do eleitorado em relação aos partidos e políticos e a busca açodada de um candidato de centro. O saldo dessas incertezas se reflete na dificuldade das lideranças partidárias em construir coalizões eleitorais que reapresentem à sociedade valores e programas que respondam não só às suas preferências e interesses, mas também abram perspectivas de melhor governança.

A tarefa de análise não será fácil diante de tantas dúvidas, inclusive sobre as forças políticas que devem exercer um papel de protagonismo na eleição. O eleitor, por sua vez, está indignado e amargo com os políticos, reflexo direto das investigações da Lava-Jato e da crise política e econômica. O país enfrenta a crise mais grave do período republicano, que colocou em xeque não só a economia, mas o funcionamento de todo o sistema político. Isso levou a uma descrença e desconfiança muito grande da população em relação aos políticos, em particular o Congresso Nacional e os partidos.

Apesar da insatisfação generalizada com a classe política, haverá baixa renovação (em torno de 40%) no Legislativo federal e estaduais. O fato de a campanha deste ano no rádio e na televisão ser mais curta (redução de 45 para 35 dias) e com menos recursos por causa das restrições de financiamento, os candidatos mais conhecidos ou que já possuem algum cargo devem ser beneficiados. Os candidatos novos, que em tese representam a renovação desejada pelo eleitor, serão prejudicados pelo desconhecimento, pois não haverá tempo ou dinheiro suficientes para fazer uma boa campanha de apresentação ao eleitor.

Transnordestina

O megaprojeto da ferrovia Transnordestina está paralisado há mais de um ano e não há decisão sobre o seu destino. Há quem, no governo, defenda uma solução radical para o impasse: abandonar a obra. Deixar o mato crescer, a essa altura, sairia mais barato, argumenta-se entre os técnicos do governo.

O grupo de trabalho criado no ano passado, logo após a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), que em janeiro suspendeu os repasses de recursos públicos para a construção da ferrovia, concluiu que a CSN não tem uma proposta viável para o seu término. Somente quando a companhia entregar o projeto executivo — o que está previsto para março – será possível ter uma noção do que dá para ser feito. Isso, depois que metade do projeto já foi executado ao custo de mais de R$ 6 bilhões e oito anos de atraso. O governo previa entregar a ferrovia pronta em 2010.

Em meio a esse imbróglio de grande dimensão que envolve a CSN, a estatal Valec, os fundos regionais, o BNDES e o Banco do Nordeste, há questões de difícil compreensão. De um lado, por exemplo, o empresário argumenta que tem dinheiro a receber do governo e o governo, por sua vez, sustenta que tem crédito junto a companhia. A discordância é da ordem de bilhões.

Com 1.728 km de extensão e uma das estrelas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo anterior, a Transnordestina tem dois trechos planejados: um de Eliseu Martins (PI) ao porto de Suape (PE) e outro de Salgueiro (PE) ao porto de Pecém (CE).

Royalties do petróleo

A arrecadação de royalties sobre a produção de óleo e gás começou 2018 com uma alta de 40% em janeiro, ante igual mês do ano passado. Segundo dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), as atividades da indústria petrolífera geraram receitas de R$ 1,553 bilhão para Estados, municípios e a União, no mês passado.

Barril em alta (Foto: arquivo)

Os Estados arrecadaram, ao todo, R$ 440 milhões, o que representa aumento de 38% frente a janeiro do ano passado. No Rio de Janeiro, houve um crescimento de 45,5% nas receitas, para R$ 278 milhões. Já a arrecadação dos municípios subiu 40,9%, para R$ 534 milhões, enquanto a União ficou com R$ 441 milhões (40%).

O aumento das receitas reflete, sobretudo, a valorização dos preços do petróleo no início deste ano. Segundo a ANP, a cotação do Brent subiu 38%, para uma média de US$ 62,62 em janeiro. Para efeitos de comparação, no início do ano passado o barril era negociado a US$ 45.

A expectativa é que as receitas dos royalties mantenham a trajetória de crescimento iniciada em 2017. No ano passado, houve uma alta de 71% na arrecadação, para R$ 30,47 bilhões, incluindo participações especiais, e que interrompeu uma sequência de três anos seguidos de queda.

Infelizmente, o nosso RN sem sorte e a Terra de Santa Luzia passarão longe de sentir os benefícios desses aumentos nos repasses de royalties da indústria do petróleo. Não aproveitamos os tempos áureos para instalar outras indústrias e agora choramos o leite derramado.

Marina

Em entrevista neste final de semana ao Valor Econômico a presidenciável Marina Silva disse: “Vou continuar como tem sido o percurso desde 2010, apresentando um programa de desenvolvimento sustentável para o Brasil. A ética não pode ser bandeira de ninguém, mas condição sine qua non para qualquer atitude na vida.

Tem que ter políticas públicas voltadas para prevenir e combater a corrupção e promover uma gestão pública republicana. Não podemos ter supervalorização de uma coisa em detrimento da outra. É fundamental que a política se recupere e também a economia do país. Mas dentro de critérios que não negligenciem políticas sociais que são estratégicas”.

Marina: mesmo foco (Foto: arquivo)

Marina disse ainda: “A segurança pública virou um caos e é uma prioridade. A recuperação do emprego é prioridade, temos 12 milhões de pessoas desempregadas e mesmo com o que já foi recuperado, ainda há muitos em empregos precários. A sociedade foi encontrando meios de sobreviver, não é porque temos uma recuperação mais estruturada da nossa economia.

Saúde é um caos no nossos país, a educação também. Qual é o Brasil dos próximos 20 anos? Qual o Brasil que queremos? É como está fazendo a China, investindo altíssimo em energia eólica e mexendo com a matriz energética global, ou perderemos até o que ganhamos? Tínhamos 45% de matriz energética limpa, hoje regredimos e estamos em 43%. Qual o novo ciclo de prosperidade econômica, tecnológica, de conhecimento, social e cultural que queremos para o país?”

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)

Indústria do turismo não avança em Tibau e Costa Branca

Por Josivan Barbosa

O prefeito de Tibau, Josinaldo Marcos (PSD), o “Naldinho”, está muito insatisfeito com o tratamento que tem recebido do governo Robinson Faria (PSD). A Secretaria de Turismo deu as costas para o principal projeto turístico de Tibau, a requalificação da orla da Praia das Emanuelas. A Praia das Emanuelas nas décadas de 80 e 90 tornou-se o principal ponto de atração turística de visitantes de Mossoró e circunvizinhança, além de turistas oriundos do Vale do Jaguaribe (Quixeré, Jaguaruana, Russas, Itaiçaba, Limoeiro do Norte e Tabuleiro do Norte) e de municípios da Paraíba, principalmente da região de Souza.

A partir dos anos zero, não houve melhoria na infraestrutura da orla e isto contribuiu muito para afastar o visitante.

Era comum o aproveitamento da praia nos finais de semana esticados, na Semana Santa, nas férias do meio do ano e a partir do segundo semestre, além claro, no período de veraneio tradicional. Hoje, o visitante deslocou-se para outras praias com melhor infraestrutura, principalmente a qualidade das barracas.

Praticamente, só percebe-se o uso mais intenso da Praia das Emanuelas nos finais de semana do veraneio. O visitante sumiu nas outras épocas do ano, deixando os empreendedores em situação caótica durante o ano todo.

Costa Branca

O projeto de requalificação da orla da Praia das Emanuelas seria o diferencial do governo estadual para devolver a Tibau o atrativo turístico e contribuir para o empreendedorismo local. A praia é belíssima e apresenta excelentes condições de balneabilidade durante o ano todo, mas, só isto não é suficiente para atrair o turista regional. As pessoas tornaram-se mais exigentes e não admitem pagar caro por serviços de péssima qualidade. Esse projeto de requalificação precisa urgentemente entrar no radar do próximo governo estadual e ser desenvolvido em sintonia com o Banco do Nordeste e com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE).

Costa Branca II

Outro aspecto que contribuiu muito para afastar o turista regional de Tibau foi a decadência da Praia do Ceará. Nos anos 80 e 90, praticamente todo final de semana havia muito movimento de visitantes naquela praia. A partir dos anos zero iniciou-se uma debandada, chegando ao ponto de se tornar deserta.

A exemplo da Praia das Emanuelas, a orla da Praia do Ceará não recebeu nenhuma melhoria. Aquela região da Costa Branca tornou-se um local sem pai e sem mãe. Como é a última praia do município de Icapuí-CE, não recebe nenhuma atenção. Icapuí espera por Tibau e Tibau espera por Icapuí. E assim, perde a Costa Branca e perde o empreendedor de Tibau.

Costa Branca III

Além da situação difícil que vive os empreendedores da área de serviços de alimentação e turístico (restaurantes, bares, lanchonetes, pousadas, hotéis e similares) de toda a região da Costa Branca, a decadência dessas praias está contribuindo também para a redução na construção de casas de veraneio, o que deixa a mão de obra desses municípios sem ter o que fazer.

Nos últimos anos houve um deslocamento forçado das construções ao longo da Costa Branca (trecho Tibau-Grossos) para as praias de Gado Bravo e Areias Alvas, mas, mesmo assim, há vários empreendimentos inacabados ou abandonados, principalmente condomínios de veraneio. Na década passada era muito comum se falar na região da negociação de terrenos para futuros empreendimentos hoteleiros ou de condomínios de veraneio. Hoje, os terrenos encalharam e não há boas perspectivas. E assim, a Costa Branca vai sendo abandonada pelo turista e pelo governo estadual.

Securitização das dívidas

O Rio Grande do Norte assim como o município de Mossoró poderá contar com recursos extras em 2018. Estes recursos serão provenientes da chamada securitização das dívidas que está sendo aguardada por vários governadores que disputarão a reeleição como a salvação para as suas pretensões eleitorais.

Aprovado em dezembro pelo Senado, e uma das prioridades da Câmara dos Deputados na volta do recesso parlamentar, o projeto, de autoria do senador José Serra (PSDB-SP), é a aposta dos atuais mandatários estaduais para um significativo reforço de caixa no curto prazo.

Devido a ineficiência do setor público, na média, o fluxo de receita proveniente de créditos tributários, arrecadado em 2015, foi equivalente a 0,7% do estoque a receber, sendo esse índice de recuperação nas prefeituras (2,5% maior do que nos governos estaduais (0,65%). Ambos maiores do que aquele verificado no governo federal (0,41% do respectivo saldo de dívida ativa).

Investimento em pesquisa… no Ceará

Uma boa notícia em do Ceará e gostaríamos muito que isto estivesse acontecendo com a nossa Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do RN (FAPERN). O governo do Ceará vai destinar 1,01% da receita tributária líquida do Estado do Ceará para a Funcap, neste ano de 2018. O governador Camilo Santana assumiu o compromisso de chegar a 2% dessa receita, como manda a Constituição, gradativamente, em um período de 10 anos.

O repasse desses recursos representará, no final de 2027, mais de 3 bilhões de reais para a ciência e tecnologia. O anúncio foi feito pelo secretário da Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Inácio Arruda, e pelo presidente da Funcap, Tarcísio Pequeno, durante a reunião de planejamento do Sistema Secitece (Funcap, Nutec, Centec, Uece, UVA e Urca).

Fotografia da crise fiscal do RN

Em 2014, a receita total do Estado do RN somou R$ 10 bilhões e em 2017 foi apenas de R$ 9,79 bilhões, com a receita líquida caindo de R$ 6,26 bilhões em 2014 para R$ 6,15 bilhões em 2017. Em relação às transferências da União houve volume de R$ 4 bilhões em 2014 para somente R$ 3,63 bilhões no ano passado. O déficit previdenciário mensal avançou de R$ 50,7 milhões em 2014 para R$ 132 milhões em 2017.

Além disso, a deterioração na segurança pública é explosiva. O número de homicídios dolosos por 100 mil habitantes avançou de 11,3 em 2004 para 44,9 em 2015.

Desemprego no país temeroso

Entre os terceiros trimestres de 2014 e 2017 o número de pessoas em idade de trabalhar no Brasil expandiu-se em 6,3 milhões. Desse contingente, cerca de 1 milhão de pessoas não se revelaram disponíveis para o trabalho. Assim, a força de trabalho sofreu um acréscimo de 5,3 milhões, pulando de 99 milhões para 104,3 milhões de pessoas. Desses potenciais trabalhadores, 91,3 milhões estavam ocupados no terceiro trimestre de 2017 ante 92,3 milhões três anos antes, indicando que houve uma contração de 972 mil postos de trabalho no período.

Complementarmente, os desocupados que eram 6,7 milhões em 2014 tornaram-se 13 milhões no terceiro trimestre de 2017, um salto de 6,3 milhões de pessoas. Conclusão: simplesmente, é como se nesses três anos todos os brasileiros que chegaram à idade de trabalhar não tivessem encontrado ocupação ou que todos os que perderam o emprego tenham ido para o desalento e todos os que se incorporaram à força de trabalho tenham permanecido desempregados. Não parece ter existido na história econômica brasileira contemporânea um triênio com desempenho do mercado de trabalho tão alarmante.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)

I Encontro Potiguar de Redes e Centrais de Negócios é hoje

Começa hoje (21), a partir das 9h, o I Encontro Potiguar de Redes e Centrais de Negócios tem como tema “Associativismo: novos rumos pedem novas posturas”.

O evento acontecerá no auditório da Casa do Empresário. Na programação, abordagem sobre o cenário econômico, linhas de financiamento, liderança e associativismo, tributação, processos administrativos e marketing.

Entre os palestrantes estarão o publicitário Pedro Ratts, auditor fiscal e ex-secretário de Finanças de Caicó Marcos Mairton.

Apoios

O evento é promovido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) e pela Referência Comunicação, com patrocínio do Banco do Nordeste e Governo Federal.

Ainda conta com apoio da Universidade Potiguar (UnP) e das entidades empresariais de Caicó – Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Caicó (ACISC), Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e Sindicato do Comércio Varejista (SINDIVAREJO) de Caicó.

Não há taxa de inscrição. Participantes devem ofertar material de limpeza que será destinado à ONG – Associação Caicoense de Proteção aos Animais e o Meio Ambiente (ACAPAM).

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Outra agência bancária no RN é atacada por bandidos

Dia amanheceu com agência do Banco do Nordeste (BNB) em São Gonçalo do Amarante, na Grande Natal, indo pelos ares.

Muitos danos materiais e levantamento, ainda em curso, indica que não conseguiram levar dinheiro dos caixas eletrônicos.

Foi a segunda tentativa este ano à agência do BnB dessa cidade.

A bandidagem continua na dianteira.

Rotina.

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Transnordestina tem valor duplicado e entrega atrasada

O Estado de São Paulo

Com dois anos e meio de atraso, as obras da Ferrovia Transnordestina, uma das grandes promessas do governo Lula, ainda não estão nem na metade, mas o orçamento não para de crescer. Começou com R$ 4,5 bilhões, em 2007; foi reajustado para R$ 5,4 bilhões, em 2010; e acaba de ser revisto para R$ 7,5 bilhões. O detalhe é que o aumento do custo não vai parar por aí: por contrato, o valor é corrigido pela inflação e, segundo pessoas envolvidas no projeto, já estaria em mais de R$ 8 bilhões.

Embora seja uma obra privada, a Transnordestina nasceu como um projeto para ser executado pelo governo federal. Sem verbas e enrolada na burocracia, a obra nunca saiu do papel e foi repassada como uma missão à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), do empresário Benjamin Steinbruch. Ele já tinha a concessão de uma ferrovia no Nordeste e o direito de operar a nova Transnordestina.

A estrada de ferro começa no sertão do Piauí e seus 1.728 km de trilhos passarão por cerca de 80 cidades em três Estados, até chegar aos portos de Pecém (CE) e Suape (PE). Foi desenhada para escoar a produção de novas fronteiras agrícolas da região e incentivar investimentos no semiárido, como exploração de ferro e gesso.

Ao transferir o projeto para a CSN, a administração federal prometeu financiamentos de bancos e órgãos públicos, como o (BNDES) e o Banco do Nordeste. Por esse motivo, a revisão do orçamento, pleiteada desde 2011, dependia do aval do governo.

O acordo fechado com a CSN vai além do preço da obra e inclui ainda a prorrogação do contrato de concessão da Transnordestina por mais três décadas, novo prazo para entrega das obras, renegociação de dívidas e a criação de uma nova estrutura empresarial. O Ministério dos Transportes confirmou o acordo, por meio de nota. A CSN não quis se manifestar.

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Carcaça de animais mortos é retrato de desespero

Cena forte para começar o dia, em plena madrugada, mas que mostra o tamanho do desespero do homem do campo nordestino.

Criadores e agricultores paraibanos expõem carcaças de animais mortos em pleno centro de cidade, diante de um banco

Endividados e reclamando do tratamento recebido, agricultores e criadores paraibanos despejaram carcaça de gado morto devido a fome no campo, em frente à agência do BNB de Guarabira-PB.

A estiagem, velha conhecida do sertanejo, é tão comum quanto a incapacidade do setor público em minimizar tamanho sofrimento.