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Um herói mossoroense (Manoel Duarte)

Por Honório de Medeiros

Capela de São Vicente foi ponto decisivo da resistência de Mossoró em 13 de junho de 1927 (Foto: reprodução)
Capela de São Vicente foi ponto decisivo da resistência de Mossoró em 13 de junho de 1927 (Foto: reprodução)

Um preciso tiro de fuzil ecoou no final de tarde nublada do dia 13 de junho de 1927 e, aproximadamente cem metros além, a bala atingiu o meio-da-testa de um caboclo puxado para o negro aparamentado com a indumentária típica do cangaceiro, prostando-o na terra nua, de barriga para cima, a olhos fixos e vazios voltados para o céu acima, bem ali onde a Avenida Rio Branco cruza a Rua Alfredo Fernandes, onde, na esquina, fica a famosa Igreja de São Vicente cuja imagem, do seu nicho decenal, tudo contemplava.

Era o começo do fim.

No alto da casa do Prefeito Municipal – o líder que começara a epopeia -, no telhado, o atirador viu quando outro cangaceiro, de um trigueiro carregado se aproximou, rastejando e disparando, da vítima, e começou a rapiná-lo, retirando freneticamente, de seus bolsos, munição, dinheiro e joias. Calmamente, mirou e aguardou.

Pressentindo o perigo iminente o bandido ergueu o tronco elevando os olhos até o telhado da casa cuja frente fora tomada por fardos de algodão prensados para servirem de barreira. Foi apenas um momento, mas foi fatal.

Outro tiro de fuzil ecoou e, no mesmo local onde seu companheiro jazia sem vida o cangaceiro foi atingido.

O violento impacto da bala derrubara-o momentaneamente e desenhara, em seu tórax, uma rosa de sangue. Seus parceiros, paralisados, perplexos, observavam incrédulos. Começou a debandada.

Enquanto os resistentes percebiam que a ameaça fora sustada e o recuo dos cangaceiros era generalizado, o atirador recolhia o fuzil e fitava a cidade no prumo que tinha a Igreja de Nossa Senhora da Conceição como limite. Olhava e pensava.

Ele tinha morto um cangaceiro e ferido mortalmente outro. Não havia dúvida quanto à importância desse fato para a vitória. Mas cangaceiros são vingativos, cangaceiros são ferozes, cangaceiros são cruéis. Cangaceiros são dissimulados e não esquecem nunca, matutava ele com seus botões.

Se ele aceitasse passivamente as homenagens que lhe seriam tributadas a partir daquele momento tudo poderia, no futuro, desandar no gosto amargo causado pela retaliação de algum anônimo, talvez até mesmo em algum parente, como era prática comum na vida cangaceira. Não que fosse medroso. Ao contrário.

Todos quantos lhe conheciam podiam atestar sua coragem e perícia com as armas, que já ficavam lendárias. Mas era melhor se precaver. Era melhor silenciar. Não seria o caso de negar veementemente, por que não era homem para esse tipo de extroversão mentirosa. Mas ia silenciar. Não ia comentar nada.

Duarte, um herói de verdade

O que estava feito, estava feito, e era de acordo com seu temperamento reservado. Se lhe perguntassem, mudaria de assunto. Se comentassem em alguma roda da qual estivesse fazendo parte, sairia de mansinho. Guardaria a verdade consigo, por muito e muito tempo, e a contaria apenas para alguns escolhidos.

Naquele dia banal, muito tempo depois, sozinho com seu neto de dez anos de idade, sentiu vontade de contar aquilo que nunca contara a ninguém. Era uma necessidade da alma, um anseio de perpetuar um feito honroso, um gesto de heroísmo que o mostrava tão diferente dos que tinham fugido em direção ao mar quando os cangaceiros ciscavam nas portas de Mossoró, um gesto que lhe orgulhava por que defendera sua família e sua cidade a um custo alto, que era o de tirar a vida de alguém.

Olhou para o neto e compreendeu que ali estava o interlocutor perfeito. Não questionaria, não interromperia, não esqueceria. Guardaria a lembrança do dia e do relato. Assim sendo começou a lhe contar todo o episódio, detalhe por detalhe.

O neto apenas olhava intensamente e sentia que estava sendo transmitido, para ele, algo muito importante e que somente no futuro seria plenamente entendido. Acalmou sua inquietude de menino. Não desgrudou o olho do seu avô, aquele homem reservado e pouco propenso a confidências.

No final, quando toda a história havia sido contada, compreendeu que devia guardá-la consigo, até mesmo esquecida, por algum tempo. Em um final de tarde tipicamente mossoroense, de muito calor, em um café, o neto se aproximou de uma roda de estudiosos do cangaço e percebeu que discutiam a participação do seu avô na invasão da cidade pelo bando de Lampião. Uns diziam que havia sido ele o autor dos disparos. Outros negavam e apontavam nomes.

Quase oitenta anos haviam se passado do episódio. O neto, agora, era cinquentão. Sentiu que ali estava o momento certo para contar a história, a sua história, a história do seu avô. Aquela plateia saberia ouvi-lo e entenderia plenamente as razões do silêncio da família.

Contou tudo.

Fechou-se o ciclo.

Dezenas de anos depois já não há mais dúvidas. O atirador postado no alto da casa de Rodolpho Fernandes, o homem que praticamente abortara a invasão lampiônica, o herói entre heróis fora Manoel Duarte. Esta é a verdade, como o sabe sua família e a contou seu neto, Carlos Duarte, jornalista, muitos anos depois, a mim, que registro, aqui, a história, e a Kydelmir Dantas e Paulo de Medeiros Gastão, estes últimos dirigentes da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço – SBEC.

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário do Estado do RN e da Prefeitura do Natal

P.S – Décadas depois desse feito, ele foi homenageado com o nome de um largo à Avenida Rio Branco, além de busto, de frente onde fora sua casa. Mas na construção da chamada “Praça da Convivência” no primeiro governo Fátima Rosado (DEM),  o busto foi retirado.

A peça de bronze foi localizada semanas depois num depósito de ferro velho, pronta para ser derretida. A intervenção de sua família e do então “Jornal Página Certa” fez com que o governo municipal arranjasse um meio de reparar o crime à história e à cultura de Mossoró, doando outro espaço à fixação do busto.

*Texto originalmente publicado no dia de 26 de junho de 2011, nesta página. Portanto, há quase 12 anos e dois meses (veja AQUI).

Sandálias para um novo caminhar de Allyson Bezerra

Pároco da Catedral de Santa Luzia e vigário-geral da Diocese de Santa Luzia de Mossoró, o padre Flávio Augusto Forte Melo compareceu ao aniversário do prefeito Allyson Bezerra (Solidariedade) na Prefeitura de Mossoró, à manhã desta sexta-feira (12).

Allyson, Flávio, secretário do Desenvolvimento Social Erison Natécio e Charles Lamartine: sandálias (Foto: Célio Duarte)
Allyson, Flávio, secretário do Desenvolvimento Social Erison Natécio e Charles Lamartine: sandálias (Foto: Célio Duarte)

Com uma caixa em mãos, e na companhia do padre Charles Lamartine, capelão da capela de São Vicente, diretor da Faculdade Católica do RN e do Colégio Diocesano Santa Luzia (CDSL), ele justificou o presente.

A princípio, admitiu, daria uma “rede, mas vi que não dava certo.” O prefeito ganhou um par de sandálias de couro, “para combinar com seu chapéu e simplicidade”, justificou.

Segundo padre Flávio, é um artefato para quem “gosta de trabalhar, andar, que não fica parado.”

Na terça-feira (9), o prefeito participou da Missa em Ação de Graças pelo aniversário de Flávio Augusto, na Catedral de Santa Luzia.

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Sejam felizes, então!

Baixou minha porção Ivonete de Paula (in memoriam), amiga e companheira inesquecível de redação; grande repórter social. Vou tentar caprichar na postagem. Preste atenção aí de cima, “De Paula”. O.K?

Mateus e Ingryd casam-se à noite deste sábado em Mossoró (Foto: cedida)
Mateus e Ingryd casam-se à noite deste sábado em Mossoró (Foto: Waltemberg)

Alegria por passar mais uma boa notícia.

Casam-se neste sábado (23), às 19h30, na Capela de São Vicente em Mossoró, os médicos Ingryd Leite Lacerda de Medeiros e Mateus Silveira, filhos respectivamente de Eudson Lacerda-Ilza Leite e Inavan Lopes Silveira-Joseane Fernandes.

Vindos de boa origem e pelo muito que transpiram de comunhão, parabenizo-os pelo “sim” de hoje, há muito fixado no “nós”, como laço, e não apenas um pronome. Sem partes, vocês são uno. Indivisíveis.

Sejam felizes, então!

Amém!

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Morre Canindé Queiroz e o jornalismo de extremos e extremado

Faleceu à madrugada dessa quinta-feira (7), no Hospital Wilson Rosado (HWR), em Mossoró, o professor, economista, consultor político, ex-presidente da Fundação Universidade Regional do RN (FURRN, hoje UERN), ex-vice-prefeito e jornalista Canindé Queiroz, 79.

Faria 80 anos no próximo dia 14.

Canindé Queiroz morre no Dia do Jornalista, deixando uma marca como iconoclasta, polemista e às vezes inconsequente Foto: arquivo BCS)
Canindé Queiroz morre no Dia do Jornalista, deixando uma marca como iconoclasta, polemista e às vezes inconsequente Foto: Reprodução Canal BCS)

Ele estava internado desde a noite de terça-feira (5), quando começou a ter falta de oxigenação. Constatou-se avanço de uma infecção e logo acomodado em leito de UTI, sendo intubado. Veio a óbito como desdobramento desse problema.

Canindé deixa seis filhos, nove netos e a viúva, promotora de Justiça aposentada Maria Emília Lopes Pereira.

O velório acontecerá na Capela São Vicente, centro da cidade, com família estimando que tenha início às 13h. O sepultamento será às 8 horas de amanhã (sexta-feira, 8), no Memorial Jardim das Palmeiras, Mossoró.

Polemista

Francisco Canindé Queiroz e Silva morre justamente no Dia do Jornalista. Fundou o jornal (já extinto) Gazeta do Oeste em 30 de abril de 1977, transformando sua coluna “Penso, logo…” num fenômeno de leitura e repercussão em todas as classes da pirâmide social.

Polemista, iconoclasta, por vezes inconsequente, Canindé e seu impresso foram durante décadas uma marca forte da imprensa do RN defendendo grandes causas. Sua sala no jornal – sede na Avenida Cunha da Mota, centro de Mossoró -, foi por muito tempo um ponto obrigatório de circulação das figuras mais influentes da política, economia e outros segmentos da atividade humana do RN e país.

Era um homem de extremos e extremado. Sem rodeios. Intenso e incomum.

Nota do BCS (Blog Carlos Santos) – Estou tentando me refazer. Para mim é uma perda sofrida, por tudo que vivi e vivemos. São tantas histórias, algumas cômicas, outras de alegria contagiante, muitas tensas, que não caberiam num livro. Nem os sentimentos envolvidos, de paixão comum pelo jornalismo e nosso jornal. Afinação, desafinação, arengas, reconciliações; tem de tudo um pouco nesses anos todos. Também choros comuns ou a distância. De minha parte, só gratidão pelos momentos mais marcantes de minha vida, que me trouxeram até aqui com o mesmo apetite para ser jornalista até o último suspiro. Enquanto der, dará. Beijos. Vá em paz!

Vídeos acima foram veiculados no programa “Mossoró de Todos os Tempos (MTT)”, da TV Cabo Mossoró (TCM), com apresentação do professor e ex-reitor da Uern Milton Marques de Medeiros, veiculados em 2003, há quase 20 anos.

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Morre em Mossoró dona Hilda de Medeiros Leite

Dona Hilda, missão dignamente cumprida (Foto: cedida por sua família)
Dona Hilda, missão dignamente cumprida (Foto: cedida por sua família)

Uma notícia muito triste que veiculamos agora: faleceu na manhã dessa terça-feira (22), dona Hilda de Medeiros Leite, 91 (14 de dezembro de 1930), viúva de Aldemar Duarte Leite, 12 filhos (um já falecido).

Dona Hilda estava internada no Hospital Wilson Rosado (HWR) em consequência de uma pneumonia que acabou a levando à falência múltipla de órgãos.

Seu velório acontecerá na Capela de São Vicente no centro de Mossoró.

O sepultamento será às 16h de hoje no Cemitério São Sebastião, centro.

Mas, antes, às 15h, ocorrerá missa de corpo presente.

Ela era mãe de amigos como o professor-escritor David Leite, bancária Fátima, assistente social Helena.

Aluizista histórica, conservava em sua casa o que se denominou de “Acervo Bacurau”, um conjunto de peças (santinhos, livros, flâmulas, fotos etc.) que retrata sua identificação com o líder político Aluízio Alves. “Bacurau” legítima.

Que descanse em paz! Missão dignamente cumprida.

Leia também: Promessa de aluizista (Só Rindo – Folclore Político);

Leia também: A voz de Salomão (Só Rindo – Folclore Político);

Leia também: Outra ‘inleição’ (Só Rindo – Folclore Político);

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Incêndio atinge loja no centro de Mossoró

Um incêndio na loja Transfusão, localizada à Avenida Alberto Maranhão, Centro de Mossoró, em frente à Capela de São Vicente, ganhou grandes proporções à manhã dessa quarta-feira (17). Começou por volta de 11h15.

A ação do Corpo de Bombeiros, Prefeitura Municipal de Mossoró e algumas pessoas com caminhões-pipa proporcionou combate eficiente contra a propagação do fogo.

Dirigentes, empregados e clientes da empresa saíram a tempo, sem que houvesse qualquer registro de feridos ou algo mais grave com qualquer pessoa.

Rescaldo

Bombeiros ainda estão no local e trabalham para complementar o serviço de rescaldo.

O incêndio foi controlado cerca de uma hora e meia depois.

A informação preliminar, é de que o fogo não alcançou outros imóveis contíguos, mas a fumaça podia ser vista de várias partes da cidade, tamanho o seu alcance.

Incêndio começou por volta de 11h15 e foi debelado antes que se alastrasse por prédios vizinhos (Fotomontagem BCS)
Incêndio começou por volta de 11h15 e foi debelado antes que se alastrasse por prédios vizinhos (Fotomontagem BCS)

A Transfusão trabalha com lubrificantes, seu carro-chefe comercial e de serviços.

Centro Empresarial Caiçara e outros imóveis comerciais e residenciais ficaram encobertos por fumaça (Foto: BCS)
Centro Empresarial Caiçara e outros imóveis comerciais e residenciais ficaram encobertos por fumaça (Foto: BCS)

Depois daremos mais detalhes.

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Guia turístico

Por Marcos Ferreira

Seja bem-vindo. Esta é Mossoró, a minha cidade. O ‘minha’, claro, é mera força de expressão; mais pertenço que possuo. Bom, eis a famosa Mossoró, terra da liberdade, conforme apregoam há quase um século. Município este que, segundo a lenda, expulsou o destemido Lampião e justiçou o também cangaceiro Jararaca quando os fora da lei invadiram esta província lá pelos idos de 1927.

Particularmente, embora os doutores do cangaço torçam o nariz, não me orgulho nem um pingo dessa história de brabeza de Mossoró. No fim das contas, depois de tanta chuva de bala, os bandoleiros dominaram esta comuna na trincheira da cultura. Sim.

Mossoró em um trecho do seu centro urbano, com destaque à Capela de São Vicente (Foto: Giovanni Sérgio)
Mossoró em um trecho do seu centro urbano, com destaque à Capela de São Vicente (Foto: Giovanni Sérgio)

Hoje ninguém mais fala nos resistentes, mas tão só no bando de salteadores. Olhe ali, por exemplo, o espaço denominado Arte da Terra: dois bonecos gigantes de Lampião e Maria Bonita bem na frente, dando boas-vindas.

Isto sem falarmos num Memorial da Resistência que não resistiu à tentação de oferecer mais destaque aos invasores do que aos defensores. Hoje em dia, sendo otimista, talvez apenas uma dúzia de nomes que defenderam este fim de mundo à época do ataque ainda seja lembrada pelos mossoroenses de um modo geral, como o então prefeito Rodolfo Fernandes. Pudera, trata-se do prefeito.

Outra coisa. Jararaca, ferido com um balaço e enterrado ainda vivo no São Sebastião, de acordo com alguns historiadores, foi alçado à condição de santo milagreiro pelo povo desta cidade e adjacências. É o que estou dizendo. O sujeito passou de facínora a santo da noite para o dia. A sua cova no São Sebastião é simplesmente a mais visitada no Dia de Finados. Já o túmulo do herói Rodolfo Fernandes, sepultado no mesmo cemitério, salvo exceções, ninguém sabe onde fica.

Aquele prédio imponente ali era o glorioso Cine Pax, ora transformado em loja de roupas. Foi inaugurado em janeiro de 1943 e funcionou por mais de seis décadas. Fechou de vez as portas no ano de 2008, se não me engano. Assisti a ótimos filmes nesse importante símbolo da vida cultural mossoroense. O ponto alto do fim de semana das pessoas do meu tempo era ver um filme no Pax.

Cuidado com a moto! Melhor subirmos na calçada. Nosso trânsito é um bicho traiçoeiro. Aqui não se pratica direção defensiva, mas predatória. Alguns donos desses carrões, sobretudo, só faltam passar por cima da gente. Parece até que eles têm aversão a pedestres, a ciclistas e motociclistas. Tipos arrogantes, tanto os condutores dos carrões quanto os motoqueiros. A maioria vira para um lado e para o outro sem ligar a seta. Em especial os referidos donos dos carros luxuosos.

Está quente, não? Pois bem, meu amigo. Mossoró, entre outras características, é a terra do calor, do siroco em tardes mormacentas como esta e de eventuais madrugadas com uma cruviana gostosa. Durante o inverno, quando há, é uma maravilha, apesar do Centro alagar com facilidade. As noites costumam ser bastante aprazíveis, e os bairros periféricos ficam cheios de cadeiras nas calçadas.

Esta é a Praça Vigário Antônio Joaquim. Mas o busto do vigário se encontra escondido naquela pracinha ao lado da Catedral de Santa Luzia. Por incrível que pareça, a enorme estátua que você está vendo no centro da Praça do Vigário não é do vigário. Esse é um monumento em homenagem ao ex-prefeito desta urbe e ex-governador do Rio Grande do Norte Jerônimo Dix-sept Rosado Maia, que morreu no auge da carreira política em acidente aviatório no ano de 1951.

Como eu disse, ali é a Catedral de Santa Luzia, onde os fiéis curvam os joelhos com peditórios ao Todo-Poderoso. Em geral, apesar da nossa estatística de homicídios ser uma das maiores do planeta, o mossoroense é um povo religioso, com supremacia católica. Aqui predomina a política do olho por olho, dente por dente, contudo as pessoas morrem de medo de ir parar no Inferno. Então, como se buscassem uma espécie de habeas corpus celeste, correm para os pés de Jesus.

Vamos para o outro lado. Que calor, hein? Mossoró não é para amadores, nem para turistas desavisados. Beba sua aguinha gelada, se ainda estiver gelada. Ali é o Mercado Central, primeiro shopping de Mossoró. Eu e meus irmãos ficávamos animadíssimos quando chegava o domingo e meu pai nos trazia, antes do sol raiar, para fazermos algumas compras no Mercado. Era uma festa!

Tempos idos e vividos. Tenho saudades de muita coisa daquela época, embora o pão fosse tão caro e a liberdade pequena, como no poema do Ferreira Gullar. Hoje, entretanto, o pão voltou a custar muito caro, e a liberdade vive sob constante ameaça, se me faço entender. Mas voltemos ao pujante Mercado de outrora. Fico com a boca cheia d’água só de me lembrar do pastel quentinho, feito naquela horinha, que a gente devorava com um copázio de vitamina de abacate.

Quando não era uma abacatada com pastel, traçávamos uma panelada com molho de pimenta-malagueta. O bucho ficava em tempo de espocar, e o suor porejava na testa. “Caiu na fraqueza”, dizia meu pai caçoando de mim e dos meus irmãos. De outra feita, menino já taludo, trabalhei algumas vezes no entorno do Mercado, pastorando as bicicletas da clientela para descolar uns tostões.

Agora quero lhe mostrar o Teatro Municipal Dix-huit Rosado, suntuosa construção que homenageia outro político da tradicional família Rosado e também ex-prefeito desta província, morto no ano de 1996. Jerônimo Dix-huit Rosado Maia, isso é algo fácil deduzir, é irmão do ex-governador Dix-sept Rosado, cuja impressionante estátua, como o senhor constatou, se encontra no meio da Praça do Vigário. Aí está, portanto, o Teatro Municipal, palco da cultura mossoroense.

Veja aquela casa de drinques do outro lado da rua, na Avenida Rio Branco. Ali, durante uns bons anos, funcionou a Livraria Café & Cultura. Lugar excelente, ponto de encontro da intelectualidade local. Escritores, jornalistas, poetas, historiadores, médicos, advogados, professores, juízes, arquitetos, artistas, enfim, toda uma constelação pensante ocupava as cadeiras e mesas da Café & Cultura.

Era uma livraria como hoje não mais existe neste município, administrada e mantida pela senhora Ticiana Rosado. Nesse endereço, permita-me a autopropaganda, fiz o lançamento da primeira edição do meu livro de poemas A Hora Azul do Silêncio, que contou com público expressivo. Foi no ano de 2006.

Atualmente, ouso dizer, no tocante a uma livraria de verdade, com amplo acervo de autores e obras, disponibilizando um bom café para a clientela, estamos órfãos.

Bem, acredito que o senhor está cheio desse papo de letras. Vamos agora a um reduto não menos cultural e emblemático desta aldeia: o Alto do Louvor. Já ouviu falar no Alto do Louvor? Não?! Então, meu caro, apresentá-lo-ei, como diria, cheio de mesóclises, o missivista federal Michel Temer. Trata-se do berço recreativo e sifilítico deste fim de mundo. Mal comparando, vir até aqui e não conhecer o Alto do Louvor é mais ou menos como você ir a Roma e não ver o Papa.

Alto do Louvor é a nossa extinta zona de meretrício. Muitos dos nossos ilustres e respeitáveis homens (não foi o meu caso!) foram iniciados sexualmente nesse antro do amor remunerado. O antes glamouroso Alto do Louvor fechou as portas há muito, porém a lenda das suas casas de tolerância e mulheres de vida nada fácil sobrevive até hoje no imaginário popular como uma ferida benigna.

Beba mais água. O senhor está ofegante.

Marcos Ferreira é escritor

Comunicado de Falecimento de Sérgio de Souza Freire

Sérgio: velório na São Vicente (Foto: Web)

A família Fernandes Freire comunica a todos os amigos o falecimento de Sérgio de Souza Freire, fato que ocorreu hoje (26.8.2019) à tarde no Hospital Wilson Rosado.

O velório acontece na Capela da São Vicente, desde as 21h de hoje (26.08) e o sepultamento no Cemitério São Sebastião, amanhã (terça-feira, 27.08) às 16h30.

A família agradece todas as manifestações de solidariedade e carinho de todos os familiares, amigos e conhecidos.

Esposa Gorete Fernandes Freire; seus filhos: Sérgio Freire, Karenine Fernandes Freire e Carol Fernandes Freire; e netos Renata, Lucas, Maria, Sérgio e Victor.

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“Caminhada Histórica de Mossoró” vai acontecer no sábado

Um expressivo número de pessoas deverá participar do projeto “Caminhada Histórica de Mossoró – História e Cultura, Passo a Passo”, no próximo sábado (11). Começará às 15 horas, na Praça do Museu Municipal Lauro da Escóssia, centro.

Podem participar pessoas de todas as idades, interessadas em conhecer um pouco mais da história dos monumentos da cidade.

Praça Vigário Antônio Joaquim quando tinha conservação (Foto: não identificada na Web)

A Caminhada irá percorrer os 17 monumentos históricos que compõem o corredor cultural da cidade, até chegar a Estação das Artes Eliseu Ventania, passando pela Loja Maçônica “24 de junho”, Praça da Redenção “Dorian Jorge Freire”, Estátua da Liberdade, Prédio da União Caixeiral, Praça Vigário Antônio Joaquim, Monumento ao Governador Dix-Sept Rosado Maia, Catedral de Santa Luzia, Largo Monsenhor Huberto Bruening, Câmara Municipal de Mossoró, Praça Rodolfo Fernandes, Praça do Codó, Capela de São Vicente, Palácio da Resistência, Memorial da Resistência, Teatro Dix-huit Rosado e Estação das Artes Eliseu Ventania.

A Caminhada foi inspirada em pesquisa histórica dos monumentos que compõem o percurso realizada pelo historiador Geraldo Maia.

Em todo o percurso será explicado aos participantes, a importância histórica de cada monumento, constituindo-se assim, em uma grande aula de história ao ar livre.

A Caminhada Histórica de Mossoró 2017 é uma iniciativa do GEPHAM, Grupo de Estudos do Patrimônio Histórico Arquitetônico de Mossoró, estando à frente o professor de História da Arte Thalles Chaves Costa e o também professor e arquiteto Alexandre Lopes, além dos Estudantes de Arquitetura que compõe o Grupo de Pesquisa e da Universidade Potiguar (UnP).

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Prefeitura libera seu camarote na justiça, mas problemas seguem

Através de um mandado de segurança, com pedido de liminar, a Prefeitura Municipal de Mossoró conseguiu a liberação do “camarote institucional” (onde a municipalidade recebe seus convidados) na “Estação das Artes Elizeu Ventania”, para apresentação da banda “Aviões”, que iniciou à noite passada ciclo de shows nessa área.

A petição foi apresentada às 22h01 e o despacho foi dado às 23h15 dessa quinta-feira (15) pelo juiz plantonista da 9ª Vara Cível da Comarca de Natal, Mádson Ottoni de Almeida Rodrigues. Ele arrimou sua decisão em dois laudos técnicos de engenheiros civis da própria municipalidade, contestando a inspeção do 2º Subgrupamento do Corpo de Bombeiros, sediado em Mossoró.

O camarote estava interditado em face de laudo do Corpo de Bombeiros encontrar uma série de irregularidades que comprometeriam a segurança dos eventuais ocupantes do espaço. Houve uma inspeção no dia 14 (quarta-feira) e outra à noite passada, às 18h, ratificando os problemas.

O Corpo de Bombeiros assegurou que apenas o palco da apresentação das bandas seria liberado, permanecendo interditado o camarote institucional, a “Cidadela” (área de barracas no entorno da Capela de São Vicente, centro), estrutura do espetáculo “Chuva de Bala no País de Mossoró” (no adro da Capela de São Vicente) e a “Arena das Quadrilhas” na Avenida Rio Branco, bairro Doze Anos.

A Prefeitura e a empresa responsável por todas essas estruturas, a Ferdebez Produções e Eventos Ltda. esperam poder conseguir atender hoje às exigências técnicas dos bombeiros para liberação desses demais equipamentos.

Nota do Blog – A Estação das Artes recebeu grande público e graças a Deus não houve qualquer incidente ou acidente nas estruturas liberadas.

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Só Rindo (Folclore Político)

Conversa com Huberto Bruening

Espigado, voz tonitruante, sempre metido em sua impecável batina e extremado em suas crenças, o Cura da Catedral de Santa Luzia em Mossoró, monsenhor Hubert Bruening, mantém o hábito de zanzar pela cidade e aqui e acolá arranchar à calçada de amigos para uma boa prosa.

Um desses endereços fica nos arrabaldes da Capela de São Vicente, onde mora o médico e ex-deputado estadual caraubense Maltez Fernandes e sua família.

Já acomodado em sua cadeira de estimação à boquinha da noite, Maltez convida o longilíneo amigo de quase dois metros de altura para se acomodar também.

– Sente-se, padre Huberto!

Ele, estacado, friccionando as mãos empalmadas à altura do próprio tórax, não se mobiliza a ‘descer’ à cadeira já pronta à sua disposição.

– Não, obrigado. Estou bem aqui! – responde o religioso.

Assim mesmo, os dois entabulam as primeiras conversas a essa distância. Mas o pequeno anfitrião de pouco menos de 1,60 metro resolve insistir na fidalguia: “Sente-se!”

– Maltez, eu estou bem, já disse – continuou Huberto.

Aí Maltez Fernandes consegue demovê-lo da teimosia com uma boa justificativa, já cansado de repuxar o pescoço para cima:

– Eu sei disso. Quem não está bem sou eu.

Morre Elder Andrade de Medeiros

Quem faleceu às primeiras horas deste domingo (14), foi Elder Andrade de Medeiros, 82, o “Maninho”.

Teve parada cardíaca.

Era pai dos médicos Eider Medeiros e Eduardo (Dudu) Medeiros.

O corpo será velado na Capela de São Vicente (Centro de Mossoró) e o sepultamento às 17h no Cemitério São Sebastião – também Mossoró.

Nossa solidariedade à família e amigos.

Que descanse em paz.

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Gerais… Gerais… Gerais… Gerais

Julierme: Caixa da Ufersa (Foto: Web)

O jornalista e economiário Julierme Torres está de volta à boa terra, Mossoró. Depois de  um ano gerenciando a Caixa Econômica Federal (CEF), em São Miguel, desembarca em sua cidade para igual cargo na CEF da Ufersa. Sucesso (mais ainda), meu caro.

Hoje a noite é do Chicabana, principal atração em Tibau, no Cândidus Beach, pertinho do Hotel Dunas. Sucesso, pessoal.

No próximo sábado (8), a Maçonaria mossoroense promoverá mais uma edição de sua Carneirada. Será no Álibi, em Tibau, a partir do meio-dia. Se o muro fosse mais baixo, certamente eu ‘apareceria’. Sucesso.

Boa parte do comércio mossoroense não abriu as portas hoje. Com  um ano que promete, em termos de economia, deve ser bom presságio.

Com a suspensão temporária das promoções sem data para publicação, as associações de praças e oficiais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do RN convocaram uma Assembleia Geral Unificada para o próximo dia 11 de janeiro (segunda-feira) às 9 horas em frente à Governadoria do Estado. O impasse seria por conta de questionamentos feitos pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Cardápio ótimo, atendimento impecável e um ambiente clean, descolado. Essas são as características do Joe’s, sanduicheria à Avenida Rio Branco, centro de Mossoró, ao lado do Teatro Municipal Dix-huit Rosado. Até para um Liso Estável como eu, é um ótimo lugar.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou seis mortes no período de reveillon no Rio Grande do Norte, em estradas sob sua vigilância.

Vai começar na próxima segunda-feira (4), as inscrições para o processo seletivo temporário da Prefeitura de Mossoró para a área da Saúde. A municipalidade oferece 101 vagas.

Capela de São Vicente, no centro de Mossoró, não terá sua tradicional missa dominical amanhã (3), às 7h. Só retomará esse rotina no dia 17, no mesmo horário.

Safadão na Arena (Foto: divulgação)

O Sábado (9) vai ter Wesley Safadão, É o tchan, João Neto Pegadão, Aline Reis e Dayvid Almeida no Arena, em Tibau. Vendas em Mossoró no Centro Empresarial Caiçara e em Tibau no Comercial Zé Félix. 84 33265366.

A Polícia Federal descobriu novo rombo. A rapinagem teria atingido o Fundo de Pensão dos Correios, denominado de Postalis. Os quadrilheiros teriam desviado coisa aí de R$ 5 bilhões (veja AQUI).

A poderosa banda inglesa Iron Maiden vai desembarcar em Fortaleza-CE no dia 24 de março deste ano, em show às 21h na Arena Castelão.

Para celebrar o Dia Nacional da Fotografia, a Associação Potiguar de Fotografia (Aphoto) promove a 2ª Caminhada Fotográfica de Natal pela Ponte Newton Navarro, do Forte até o Mercado Público da Redinha. O evento acontecerá no próximo dia 09 de janeiro (sábado), a partir das 09h00, com ponto de encontro na Feirinha de Artesanato da Fortaleza dos Reis Magos. (Por Revista RN).

Glênio Soares retornou aos quadros da Clínica Sommos, de Armando Duarte. Deixou marca de trabalho reconhecido na Nossa Clinica. Ambas funcionam com muito sucesso em Mossoró. Sucesso, meu caro.

ART&C – Agência da Cabo Telecom em Natal, a Art&C pode expandir sua atuação com a marca em outros endereços no país. Uma aposta que tende a se confirmar neste 2016.

Obrigados a todas as pessoas que lembraram de mim, nesse último Natal e Ano Novo, enviando manifestações de boas festas. Em troca, o de sempre: saúde e paz a todos vocês.

Bom demais encontrar, no primeiro dia do ano, o radialista Diassis Linhares. Ele é um dos responsáveis por minha vida entregue ao jornalismo, nos primórdios dos anos 80. Abração, meu querido.

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Cidade Junina ainda tem interdições, mas caminha à superação

Parte da estrutura do Mossoró Cidade Junina (MCJ) amanhece esta sexta-feira (12) sob interdição do Corpo de Bombeiros.

Expectativa é de que Prefeitura e empresa produtora da festa superem essa dificuldade técnica hoje.

Ontem (quinta-feira, 11), estreou o espetáculo “Chuva de bala no país de Mossoró” no adro da Capela de São Vicente, sob a direção de Diana Fontes.

De hoje em diante, é torcermos para que os problemas sejam contornados. Ao mesmo tempo, que os ânimos sejam aplacados.

Dia passado, nas redes sociais, não foram poucos os chiliques, destemperos, vilanias, provocações e baixarias.

Vale lembrar um velho ensinamento hindu:

– “Tudo passa!”

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Prefeitura estuda, com Igreja, melhor aproveitamento de capela

O prefeito eleito Francisco José Júnior (PSD) recebeu nessa quinta-feira (15), visita do Padre Charles Lamartine que veio solicitar da Prefeitura o apoio para reforma da Capela de São Vicente. Ela é utilizada como palco para o espetáculo “Chuva de Bala no País de Mossoró”.

Prefeito e comissão conversaram sobre capela (Foto: Prefeitura de Mossoró)

O pároco aproveitou para convidar o chefe do Executivo para a Festa de Santo Antônio que será realizada de 3 a 13 de junho, concomitante com o Mossoró Cidade Junina.

Francisco José Júnior recebeu as reivindicações do padre e se comprometeu em estudar uma forma legal de dar este apoio, que entraria como compensação pela utilização do espaço para a realização do mais importante espetáculo ao ar livre do São João do Nordeste.

Tombamento histórico

“Havendo previsão legal, logo após o Chuva de Bala teremos toda a atenção em atender ao pleito da igreja”, disse o prefeito.

Uma saída para esta questão, lembrou o prefeito, seria o tombamento histórico do prédio, uma vez que se trata de um dos palcos da batalha do povo de Mossoró ao bando de Lampião no ano de 1927. O padre disse que possui um projeto para implantar na entrada da igreja um memorial fotográfico contando a história de sua construção, bem como da invasão dos cangaceiros.

Segundo Francisco José Júnior, estas questões interessam à municipalidade, mas serão analisadas do ponto de vista legal.

Com informações da Secretaria de Imprensa da Prefeitura de Mossoró.

Nota do Blog – Esse templo religioso transformou-se num equipamento multiuso de enorme valor histórico, espiritual, cultural e turístico. Precisa ser melhor aproveitado.

Inadmissível com tanto valor imaterial, não ter melhor utilização por Mossoró.

No campo econômico, quase sempre fechado e sem um memorial ou guia turístico, deixa de potencializar o turismo com uma histórica tão densa e rara, que envolve o cangaceirismo, tema estudado em todo o mundo e de permanente interesse.

 

Padre Sátiro é homenageado por seu trabalho

O padre Sátiro Cavalcante Dantas, referência como religioso e educador em Mossoró, foi homenageado domingo (16) no adro da Capela de São Vicente. Ocorreu antes da apresentação do espetáculo teatral “Chuva de bala no país de Mossoró”, no mesmo local.

Sátiro agradece homenagem num cenário que conhece bem (Carlos Costa)

A homenagem foi realizada pela Prefeitura de Mossoró. A prefeita Cláudia Regina (DEM) falou em nome da municipalidade.

Ele recebeu uma placa comemorativa aos 57 anos na condição de capelão da Capela de São Vicente, localizada no centro de Mossoró.

O bispo diocesano Dom Mariano Manzana prestigiou a homenagem e também fez a entrega de uma placa ao padre.

“Padre Sátiro Cavalcanti Dantas é mestre de todos os tempos. Apóstolo do conhecimento e ícone de nossa história. Sua vida é feita de palavras e gestos que exemplificam fé, esperança e caridade. A ele o justo reconhecimento pelos 57 anos como Capelão de São Vicente”, diz o texto da placa de homenagem.

“A história de Padre Sátiro se confunde com a história da nossa cidade. Um homem que tem dedicado parte da sua vida à formação cidadã dos mossoroenses. Me sinto muito feliz por poder reconhecer este trabalho”, disse a prefeita.

O padre Sátiro Cavalcanti aproveitou a oportunidade para doar à Secretaria Municipal da Cultura uma bala de rifle que havia sido retirada da torre da Igreja de São Vicente, remanescente do combate entre os cangaceiros de Lampião e os resistentes mossoroenses.

Mais 5 balas de fuzil, encontradas na trincheira do antigo Grande Hotel (Avenida Santos Dumont, Centro), em 1927, também foi entrega à secretaria pelo padre.

Nota do Blog – Em seu pronunciamento, Sátiro relembrou sua convivência com a comunidade em torno da Capela de São Vicente.

Puxou coisas de um tempo remoto, de uma Mossoró bucólica, provinciana, em que meninos levados da vizinhança aprontavam todas.

Padre Sátiro Dantas será homenageado

A Prefeitura de Mossoró e a comunidade católica que frequenta a Capela (histórica) de São Vicente vão promover uma homenagem ao padre Sátiro Cavalcanti Dantas, no domingo (16). Justa homenagem, que se diga.

O evento vai acontecer no adro da própria capela, às 20h, “pelo testemunho vivo de fé, de pastor e pela sua enriquecedora dedicação e contribuição durante 57 anos como capelão da São Vicente”, justifica a municipalidade.

Em seguida, haverá mais uma apresentação do espetáculo “Chuva de bala no país de Mossoró”, tendo a Capela de São Vicente como palco.

Nota do Blog – Justa homenagem, repito.

E o que acho mais importante, é a iniciativa alcançar o “padreco”, como o trato de forma carinhosa, vivo e ativo.

Todos os vivas para padre Sátiro!

Amém!

Capela é ignorada para fomento do turismo

Alguns mossoroenses e amigos seus que desembarcam na cidade, curiosos pelas histórias e lendas do cangaço, não entendem por que a Capela de São Vicente não fica aberta a visitações, em horários comerciais.

Eu, também não.

Subaproveitamos um tema tão intrigante e que mexe com o imaginário popular. Em qualquer parte do mundo que profissionalizou o turismo, o que temos ensejaria números milionárias.

Mossoró poderia ter receitas consideráveis com essa modalidade de turismo, mas quase nada acontece.

Isso é uma mistura de falta de visão com desleixo.

A prefeita Cláudia Regina (DEM) e o secretário Gustavo Rosado (Cultura) precisam se mexer. Num momento em que se fala tanto em encolhimento do meio circulante, abalo na economia do município, o turismo associado à saga dos mossoroenses que combateram Lampião, não pode ser tratado com tamanho desdém.

Fica a proposta. Mais uma, desta página.

Carlos Santos é um outsider

Por Honório de Medeiros

* Talvez o conceito do sociólogo judeu-alemão Norbert Elias não o abarque, mesmo tangencialmente. Não importa. Vou me apropriar do termo e utilizá-lo para o fim visado.

Claro que poderíamos dizer: ele é um gauche, nos lembrando de Carlos Drummond de Andrade. Aplica-se, aqui, o mesmo raciocínio anterior. Prefiro outsiders, à Elias, pelo significado etimológico que o dicionário estudantil, o Michaelis, mostra: s. estranho, intruso.

Os outsiders – todos eles -, como eu já disse em outro tempo e lugar, em algum momento de suas vidas foram moídos por aqueles no meio dos quais conviviam. Foram mastigados, deglutidos e vomitados. Seus jeitos de ser o sistema não assimilava. Não se tratava de oposição externa ou interna ao Poder. Não se tratava de irridência, sublevação, contestação por contestação.

Nada disso.

Nada mais seus jeitos de ser eram que estranhamento em relação ao estamento ao qual, até então, o outsider pertencia, apesar de outsider. Ser tal qual foi sua glória e sua tragédia. Fez com que fosse deglutido e depois expelido. Deglutido graças ao talento, à competência individual – nada que se assemelhe à conseqüência de um compadrio, de um afilhadismo, de um parentesco qualquer.

E expelido porque impossibilitado, graças ao que seria uma excentricidade moral, ou psicológica, ou filosófica, ou todas juntas, de acompanhar a carneirada e sua vocação para ser usado pelos lobos ao custo de balangandãs, bijuterias, penduricalhos materiais ou simbólicos. Pois Carlos Santos é assim, talvez porque nascido no território imagético composto pelas ruas cujo epicentro é a histórica Capela de São Vicente, coração da Mossoró libertária – não a outra que o Poder tornou sem substância há quase ruins cem anos.

Território com população pequena e selecionada por uma dessas felizes circunstâncias que a história mostra ser tão rara, e soberania construída via permanente e anárquica tensão afetiva entre o matriarcado implícito/patriarcado explícito e a insubmissão das gerações mais novas. E logo fez parte da geração que se distanciou da infância, entre alegre e triste, a golpes indisciplinados de leituras de todos os matizes e para todos os gostos, nos anos 70.

Fez-se e se diz repórter, Carlos. Nada mais, segundo ele.

Podo ser, mas há controvérsias. Embora conheça tudo de jornal – até fundou um -, é engano o que diz, e esse dizer nasce de um exercício crítico da razão tolhida pela modéstia e certo laivo de manha.

Como todos nós que nascemos na nossa República Independente de São Vicente, tem Carlos uma base comum sobre a qual construímos, ao longo do tempo, nossas distinções de personalidade, muito mais que de caráter: aquela educação ministrada pelos exemplos, tradição dos mais antigos, consolidada por intermédio de orações e devaneios à luz mortiça da Capela, nas longas noites das novenas de Santo Antônio, a cantar as ladainhas e aspirar o doce aroma do incenso que o turíbulo aspergia conduzido por nossas ciosas mãos de meninos.

Qualidades morais, mas há as outras, para além da decência de suas atitudes, que o expõem como muito mais que repórter, entretanto louvado e respeitado seja esse mister.

Por que naqueles dias nos quais o homem que cada um de nós seria amanhã ia sendo produzido nas leituras, bate-papos e discussões – às vezes aguerridas – havia, como que permeando sutilmente nosso presente e preparando o futuro, uma romântica angústia metafísica por Justiça (assim mesmo, com J maiúsculo) nascida do olhar sensível e da razão aguçada que percebiam, mas ainda não entendiam o que se passava no nosso entorno, sorvida nos rios literários nos quais nos dessedentávamos, aguardando uma práxis qualquer que nos tornasse mais Sanchos Panças e menos Quixotes largando mão da retórica adolescente contra os moinhos de vento da Ditadura.

Era um tempo no qual o máximo de ousadia consistia em ouvir, antes da meia-noite, as transmissões da Rádio de Moscou. Falávamos mal dos que não estavam na Oposição. Criticávamos o Regime.

Ansiávamos por mudar o mundo e as pessoas.

Então cada um foi para o seu lado, sempre Quixotes, quase nunca Sanchos. Encruzilhadas, conquistas, fracassos.

Da nossa geração, da nossa República, tivemos políticos, escritores, empresários, de tudo um pouco, até mesmo alguns, tão especiais que o Céu, cedo, os levou. E tivemos jornalistas como Carlos, que também é escritor, pois escolheu ler, escrever e pensar as coisas e as pessoas, as pessoas e as coisas, cada uma no seu tempo, cada tempo uma vez ou tudo.

E de suas crenças construiu respeito; de suas idéias, a admiração; de suas escolhas, o afeto, sem perder a sede por Justiça.

Quem o lê, diariamente ou não, em seu blog, logo percebe tal e se gratifica com suas análises políticas e algumas esparsas crônicas, mas anseia por outras incursões literárias, tais quais ensaios, críticas, que tenham sua assinatura, algumas guardadas – ainda não tornadas públicas – junto aos livros que, aos poucos, tomam os espaços restantes do seu bunker, mas não esquece, também, outra faceta sua: o talento com o qual, como ele mesmo diz ao descrever “Só Rindo 2,” retrata disparates, rompantes inteligentes, gafes homéricas e cenas picarescas em narrativas condensadas, como se fossem esquetes teatrais.

Pelo que diz, e como diz, já temos uma noção da qualidade do texto. Daí porque um jornalista que é escritor; um escritor que é jornalista.

Claro que quereremos mais, nós que o lemos sempre. É esse seu débito para conosco, no geral.

No particular, a República deseja que se mantenha no que escreve, mesmo quando cuida de advertir divertindo, com esse compósito de profundidade e ironia – a boa ironia – esculpida a pinceladas incisivas, rascantes, argutamente postas, celebrando a vida no que ela tem de flores e lama: desde o homem que ascende para além dos limites de suas circunstâncias até o homem que mergulha no opróbrio de seus instintos vis de predador social.

Pois a Justiça de ontem em seu coração é a Justiça de hoje em sua razão.

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Estado do RN

* Texto de apresentação do livro “Só Rindo 2 – A política do bom humor do palanque aos bastidores”, de autoria do editor e criador deste Blog

Rosalba testa popularidade após vaias em Mossoró

Depois de uma vaia que acabou sofrendo em plena “Cidade Junina”, no sábado (18), precisamente no entorno da Capela de São Vicente, em Mossoró, a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) topou passar por outro teste público. Deu-se bem.

A governadora esteve na Estação das Artes Elizeu Ventania no sábado (25) à noite e circulou por barracas e outros ambientes da festa. As manifestações foram de incentivo, crença em recuperação de seu governo e apoio textual ao seu trabalho.

Menos mal.

No dia 25, quando um locutor anunciou atraso à apresentação do espetáculo teatral “Chuva de Bala”, por se aguardar sua presença, o eco das vaias cortou a noite fria de Mossoró, no centro da cidade.

Um herói mossoroense (Manoel Duarte)

Por Honório de Medeiros

Um preciso tiro de fuzil ecoou no final de tarde nublado do dia 13 de junho de 1927 e, aproximadamente cem metros além, a bala atingiu o meio-da-testa de um caboclo puxado para o negro aparamentado com a indumentária típica do cangaceiro, prostando-o na terra nua, de barriga para cima, a olhos fixos e vazios voltados para o céu acima, bem ali onde a Avenida Rio Branco cruza a Rua Alfredo Fernandes, onde, na esquina, fica a famosa Igreja de São Vicente cuja imagem, do seu nicho decenal, tudo contemplava.

Era o começo do fim.

No alto da casa do Prefeito Municipal – o líder que começara a epopéia -, no telhado, o atirador viu quando outro cangaceiro, de um trigueiro carregado se aproximou, rastejando e disparando, da vítima, e começou a rapiná-lo, retirando freneticamente, de seus bolsos, munição, dinheiro e jóias. Calmamente, mirou e aguardou.

Pressentindo o perigo iminente o bandido ergueu o tronco elevando os olhos até o telhado da casa cuja frente fora tomada por fardos de algodão prensados para servirem de barreira. Foi apenas um momento, mas foi fatal.

Outro tiro de fuzil ecoou e, no mesmo local onde seu companheiro jazia sem vida o cangaceiro foi atingido.

O violento impacto da bala derrubara-o momentaneamente e desenhara, em seu tórax, uma rosa de sangue. Seus parceiros, paralisados, perplexos, observavam incrédulos. Começou a debandada.

Enquanto os resistentes percebiam que a ameaça fora sustada e o recuo dos cangaceiros era generalizado, o atirador recolhia o fuzil e fitava a cidade no prumo que tinha a Igreja de Nossa Senhora da Conceição como limite. Olhava e pensava.

Ele tinha morto um cangaceiro e ferido mortalmente outro. Não havia dúvida quanto à importância desse fato para a vitória. Mas cangaceiros são vingativos, cangaceiros são ferozes, cangaceiros são cruéis. Cangaceiros são dissimulados e não esquecem nunca, matutava ele com seus botões.

Se ele aceitasse passivamente as homenagens que lhe seriam tributadas a partir daquele momento tudo poderia, no futuro, desandar no gosto amargo causado pela retaliação de algum anônimo, talvez até mesmo em algum parente, como era prática comum na vida cangaceira. Não que fosse medroso. Ao contrário.

Todos quantos lhe conheciam podiam atestar sua coragem e perícia com as armas, que já ficavam lendárias. Mas era melhor se precaver. Era melhor silenciar. Não seria o caso de negar veementemente, por que não era homem para esse tipo de extroversão mentirosa. Mas ia silenciar. Não ia comentar nada.

Duarte, um herói de verdade

O que estava feito, estava feito, e era de acordo com seu temperamento reservado. Se lhe perguntassem, mudaria de assunto. Se comentassem em alguma roda da qual estivesse fazendo parte, sairia de mansinho. Guardaria a verdade consigo, por muito e muito tempo, e a contaria apenas para alguns escolhidos.

Naquele dia banal, muito tempo depois, sozinho com seu neto de dez anos de idade, sentiu vontade de contar aquilo que nunca contara a ninguém. Era uma necessidade da alma, um anseio de perpetuar um feito honroso, um gesto de heroísmo que o mostrava tão diferente dos que tinham fugido em direção ao mar quando os cangaceiros ciscavam nas portas de Mossoró, um gesto que lhe orgulhava por que defendera sua família e sua cidade a um custo alto, que era o de tirar a vida de alguém.

Olhou para o neto e compreendeu que ali estava o interlocutor perfeito. Não questionaria, não interromperia, não esqueceria. Guardaria a lembrança do dia e do relato. Assim sendo começou a lhe contar todo o episódio, detalhe por detalhe.

O neto apenas olhava intensamente e sentia que estava sendo transmitido, para ele, algo muito importante e que somente no futuro seria plenamente entendido. Acalmou sua inquietude de menino. Não desgrudou o olho do seu avô, aquele homem reservado e pouco propenso a confidências.

No final, quando toda a história havia sido contada, compreendeu que devia guardá-la consigo, até mesmo esquecida, por algum tempo. Em um final de tarde tipicamente mossoroense, de muito calor, em um café, o neto se aproximou de uma roda de estudiosos do cangaço e percebeu que discutiam a participação do seu avô na invasão da cidade pelo bando de Lampião. Uns diziam que havia sido ele o autor dos disparos. Outros negavam e apontavam nomes.

Quase oitenta anos haviam se passado do episódio. O neto, agora, era cinqüentão. Sentiu que ali estava o momento certo para contar a história, a sua história, a história do seu avô. Aquela platéia saberia ouvi-lo e entenderia plenamente as razões do silêncio da família.

Contou tudo.

Fechou-se o ciclo.

Dezenas de anos depois já não há mais dúvidas. O atirador postado no alto da casa de Rodolpho Fernandes, o homem que praticamente abortara a invasão lampiônica, o herói entre heróis fora Manoel Duarte. Esta é a verdade, como o sabe sua família e a contou seu neto, Carlos Duarte, jornalista, muitos anos depois, a mim, que registro, aqui, a história, e a Kydelmir Dantas e Paulo de Medeiros Gastão, estes últimos dirigentes da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço – SBEC.

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário do Estado do RN e da Prefeitura do Natal

P.S – Décadas depois desse feito, ele foi homenageado com o nome de um largo à Avenida Rio Branco, além de busto, de frente onde fora sua casa. Mas na construção da chamada “Praça da Convivência” no primeiro governo Fátima Rosado (DEM),  o busto foi retirado.

A peça de bronze foi localizada semanas depois num depósito de ferro velho, pronta para ser derretida. A intervenção de sua família e do então “Jornal Página Certa” fez com que o governo municipal arranjasse um meio de reparar o crime à história e à cultura de Mossoró, doando outro espaço à fixação do busto.

Chuva de bala para o mundo, via TCM

Todo Rio Grande do Norte poderá ver o maior espetáculo teatral do Estado através da TV e Internet.

Neste domingo (19), a partir das 21h, a TV Cabo Mossoró (TCM) e o www.portaltcm.com.br transmitem ao vivo “O Chuva de Bala no País de Mossoró”.

O espetáculo é encenado ao ar livre e conta a história da resistência dos mossoroenses ao bando de Lampião, fato ocorrido no dia 13 de junho de 1927.

A encenação acontece em cenário real, a Capela de São Vicente, mesmo local da batalha travada entre resistentes e cangaceiros.

Com direção de João Marcelino, o “Chuva de Bala no País de Mossoró” virou cartão postal da cultura local e do Mossoró Cidade Junina.

A 10ª edição tem 60 atores em palco e um elenco de crianças do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), além de participação especial de atiradores do Tiro de Guerra 07-010.