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Rir para não chorar

Por Odemirton Filho 

Angenor de Oliveira ou, simplesmente, Cartola, era natural do Rio de Janeiro, o mais velho dos oito filhos do casal Sebastião Joaquim de Oliveira e Aída Gomes de Oliveira. O seu nome, por um erro no momento do registro, ficou como Angenor, ao invés de Agenor.

Cartola e Dona Zica (Foto: Web)
Cartola e Dona Zica (Foto: Web)

Nascido no bairro do Catete, tempos depois, em razão de dificuldades financeiras, foi com a família morar no morro da Mangueira. Ali, conheceu Carlos Cachaça, parceiro do compositor em dezenas de sambas.

Inicialmente trabalhou como tipógrafo e, posteriormente, veio a ser pedreiro. Com a profissão de pedreiro surgiu o apelido. Para que o cimento da obra não caísse sobre sua cabeça, começou a usar um chapéu-coco, parecido com uma cartola, como diziam os colegas de profissão.

Após sair de casa depois da morte de sua mãe, por desentendimentos com o seu pai, começou a viver com Deolinda, sete anos mais velha, mas que se apaixonou pelo jovem e futuro sambista.

Foi um dos fundadores da Estação Primeira de Mangueira, compondo o primeiro samba-enredo. Entre as suas inúmeras composições, destacam-se: O sol Nascerá, Preciso Me Encontrar, O Mundo é Um Moinho, As Rosas Não Falam.

Tempos depois, já vivendo com d. Zica, criaram o “Zicartola”, um bar no qual reuniam-se sambistas, compositores e músicos. Foi um marco na música popular brasileira. Em 1970, organizou uma série de shows, onde se apresentavam vários nomes do samba.

Por que resolvi escrever sobre Cartola? Porque, dia desses, fiquei curioso, após ouvi uma linda canção. Já tinha ouvido a música em outras ocasiões é certo, mas resolvi pesquisar sobre o autor. Sim, eu sabia quem era, entretanto, não fazia ideia da sua inestimável contribuição para a música brasileira.

É fato que existem outras passagens da vida do compositor. Aqui, tem-se um resumo. De toda forma, seria um pecado deixar o grande sambista cair no esquecimento.

Pois é.  

“Deixe-me ir, preciso andar, vou por aí a procurar, rir pra não chorar, quero assistir ao sol nascer, ver as águas dos rios correr, ouvir os pássaros cantar, eu quero nascer, quero viver” …

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

Jean-Paul Prates assume vaga do RN no Senado

Jean: posse em Brasilia (Foto: rede social)

O advogado, economista, consultor e empresário carioca Jean-Paul Terra Prates (PT), 50, tomou posse nesta quinta-feira (3) em Brasília, como novo senador pelo Rio Grande do Norte.

É o substituto da governadora empossada Fátima Bezerra (PT), paraibana de origem, que fora eleita ao Senado em 2014, tendo-o como primeiro suplente.

Prates tem quatro anos de mandato pela frente.

Fixado no RN desde 2005, ele assumiu a Secretaria de Estado de Energia do Rio Grande do Norte na primeira gestão Wilma de Faria (já falecida).

É formado em direito pela Universidade do Estado do RJ (UERJ) e Economia pela Pontifícia Universidade Católica do RJ (PUC-RJ). Tornou-se mestre em Planejamento Energético e Gestão Ambiental pela Universidade de Pensilvânia nos Estados Unidos e concluiu mestrado em Economia de Petróleo e Motores, pelo Institut Français du Pétrole (IFP) na França.

O RN terá como senadores, além de Prates, o Capitão Styvenson Valentim (Rede) e Zenaide Maia (PHS).

José Agripino (DEM) não tentou a reeleição e foi derrotado em disputa à Câmara Federal ano passado e Garibaldi Filho (MDB) não logrou êxito ao tentar se reeleger.

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Não choro por ti, Marielle!

Início deste mês, uma menina de 5 anos morreu em decorrência de espancamento provocado pelos próprios país, segundo atestou um inquérito policial no interior de São  Paulo. Na segunda-feira (12), mais um policial, pai de família, foi morto na Linha Amarela – Rio de Janeiro.

Os dois casos ocorreram em estados distantes do lugar em que vivo; nenhuma das pessoas envolvidas era figura pública, midiática etc.

Como não se comover com essas barbaridades?

Seus nomes? Não sei, francamente nem procurei saber. Evito o detalhismo sádico de casos dessa natureza.

Acho que isso é compaixão: sentir a dor por outro, absorver o sofrimento alheio.

Agora me aparece Marielle, Marielle Franco, uma vereadora carioca, descendente de negros, nascida e criada no complexo de favelas da Maré. Mãe, ativista social, lésbica, esquerdista.

Pelo que vi em relatos jornalísticos e num vídeo, houve execução sumária. Com ela, o jovem motorista Anderson Gomes, casado, pai de uma criancinha que exige cuidados especiais.

Nunca tinha ouvido falar sobre Marielle. Quanto a Anderson, menos ainda. Dois desconhecidos para mim, até agora há pouco.

Mas suas históricas me comovem. Sinto uma dor, absorvo o sofrimento de seus familiares, amigos também.

Não parei para pensar o que eram, faziam, pensavam. Nem sei por que foram executados daquela forma.

Claro que eles morreram como tantos outros tombam diariamente em qualquer parte do Brasil, com crueldade e frieza. Serão estatísticas, talvez virem símbolo de uma luta contra a violência, sei lá.

Poderão ser esquecidos adiante, quando surgir outro caso capaz de gerar comoção nacional e planetária.

Paralelamente a essa catarse, o que me choca é a reação de tantas pessoas de bem, esclarecidas e por enquanto salvas de barbárie semelhante, julgando a vereadora assassinada. Punindo-a novamente.

Quase nenhuma dessas pessoas advoga a elucidação dos homicídios, a prisão dos criminosos, como se fosse justificável matar a sangue frio, sem nenhuma chance de defesa.

Aflora em mim a ditadura do “lead” (cabeça da matéria, jargão do jornalismo para definir a informação básica no inicio do texto). Como diria o folclórico “Cosme Dantas da Rocha, o “Vovô”, nos tempos primários de minha vida em “O Mossoroense”, a matéria tem que ter “quem matou, quem morreu e a arma do crime”.

Perdemos a capacidade de ter compaixão e passamos a ser seletivos na indignação. Antes de pedirmos investigação ágil, séria e eficiente, com julgamento e punição de culpados, sentenciamos uma das vítimas por ela ter ideias contrárias às nossas convicções. Não ser um dos nossos.

A revolta é contra o cadáver.

Empírico, sem estudo de doutor para compreender o ser humano sob uma ótica cientificista, da psicologia à sociologia, tenho mais perguntas a fazer do que respostas a dar nesse episódio. Quero aprender mais, quero repassar conhecimento.

Contudo tenho o direito de achar estranho que muitos vejam como uma insanidade o Talibã decapitar ou queimar vivo seus inimigos ou o Boko Haram na Nigéria sequestrar, estuprar e matar centenas de mulheres, mas não aceitem que a morte de uma carioca ‘desconhecida’ cause pesar em todo o mundo.

Não choro por ti, Marielle. Minha dor é por nós mesmos, seres humanos ‘civilizados’.

Vá em paz!

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