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Um herói mossoroense (Manoel Duarte)

Por Honório de Medeiros

Capela de São Vicente foi ponto decisivo da resistência de Mossoró em 13 de junho de 1927 (Foto: reprodução)
Capela de São Vicente foi ponto decisivo da resistência de Mossoró em 13 de junho de 1927 (Foto: reprodução)

Um preciso tiro de fuzil ecoou no final de tarde nublada do dia 13 de junho de 1927 e, aproximadamente cem metros além, a bala atingiu o meio-da-testa de um caboclo puxado para o negro aparamentado com a indumentária típica do cangaceiro, prostando-o na terra nua, de barriga para cima, a olhos fixos e vazios voltados para o céu acima, bem ali onde a Avenida Rio Branco cruza a Rua Alfredo Fernandes, onde, na esquina, fica a famosa Igreja de São Vicente cuja imagem, do seu nicho decenal, tudo contemplava.

Era o começo do fim.

No alto da casa do Prefeito Municipal – o líder que começara a epopeia -, no telhado, o atirador viu quando outro cangaceiro, de um trigueiro carregado se aproximou, rastejando e disparando, da vítima, e começou a rapiná-lo, retirando freneticamente, de seus bolsos, munição, dinheiro e joias. Calmamente, mirou e aguardou.

Pressentindo o perigo iminente o bandido ergueu o tronco elevando os olhos até o telhado da casa cuja frente fora tomada por fardos de algodão prensados para servirem de barreira. Foi apenas um momento, mas foi fatal.

Outro tiro de fuzil ecoou e, no mesmo local onde seu companheiro jazia sem vida o cangaceiro foi atingido.

O violento impacto da bala derrubara-o momentaneamente e desenhara, em seu tórax, uma rosa de sangue. Seus parceiros, paralisados, perplexos, observavam incrédulos. Começou a debandada.

Enquanto os resistentes percebiam que a ameaça fora sustada e o recuo dos cangaceiros era generalizado, o atirador recolhia o fuzil e fitava a cidade no prumo que tinha a Igreja de Nossa Senhora da Conceição como limite. Olhava e pensava.

Ele tinha morto um cangaceiro e ferido mortalmente outro. Não havia dúvida quanto à importância desse fato para a vitória. Mas cangaceiros são vingativos, cangaceiros são ferozes, cangaceiros são cruéis. Cangaceiros são dissimulados e não esquecem nunca, matutava ele com seus botões.

Se ele aceitasse passivamente as homenagens que lhe seriam tributadas a partir daquele momento tudo poderia, no futuro, desandar no gosto amargo causado pela retaliação de algum anônimo, talvez até mesmo em algum parente, como era prática comum na vida cangaceira. Não que fosse medroso. Ao contrário.

Todos quantos lhe conheciam podiam atestar sua coragem e perícia com as armas, que já ficavam lendárias. Mas era melhor se precaver. Era melhor silenciar. Não seria o caso de negar veementemente, por que não era homem para esse tipo de extroversão mentirosa. Mas ia silenciar. Não ia comentar nada.

Duarte, um herói de verdade

O que estava feito, estava feito, e era de acordo com seu temperamento reservado. Se lhe perguntassem, mudaria de assunto. Se comentassem em alguma roda da qual estivesse fazendo parte, sairia de mansinho. Guardaria a verdade consigo, por muito e muito tempo, e a contaria apenas para alguns escolhidos.

Naquele dia banal, muito tempo depois, sozinho com seu neto de dez anos de idade, sentiu vontade de contar aquilo que nunca contara a ninguém. Era uma necessidade da alma, um anseio de perpetuar um feito honroso, um gesto de heroísmo que o mostrava tão diferente dos que tinham fugido em direção ao mar quando os cangaceiros ciscavam nas portas de Mossoró, um gesto que lhe orgulhava por que defendera sua família e sua cidade a um custo alto, que era o de tirar a vida de alguém.

Olhou para o neto e compreendeu que ali estava o interlocutor perfeito. Não questionaria, não interromperia, não esqueceria. Guardaria a lembrança do dia e do relato. Assim sendo começou a lhe contar todo o episódio, detalhe por detalhe.

O neto apenas olhava intensamente e sentia que estava sendo transmitido, para ele, algo muito importante e que somente no futuro seria plenamente entendido. Acalmou sua inquietude de menino. Não desgrudou o olho do seu avô, aquele homem reservado e pouco propenso a confidências.

No final, quando toda a história havia sido contada, compreendeu que devia guardá-la consigo, até mesmo esquecida, por algum tempo. Em um final de tarde tipicamente mossoroense, de muito calor, em um café, o neto se aproximou de uma roda de estudiosos do cangaço e percebeu que discutiam a participação do seu avô na invasão da cidade pelo bando de Lampião. Uns diziam que havia sido ele o autor dos disparos. Outros negavam e apontavam nomes.

Quase oitenta anos haviam se passado do episódio. O neto, agora, era cinquentão. Sentiu que ali estava o momento certo para contar a história, a sua história, a história do seu avô. Aquela plateia saberia ouvi-lo e entenderia plenamente as razões do silêncio da família.

Contou tudo.

Fechou-se o ciclo.

Dezenas de anos depois já não há mais dúvidas. O atirador postado no alto da casa de Rodolpho Fernandes, o homem que praticamente abortara a invasão lampiônica, o herói entre heróis fora Manoel Duarte. Esta é a verdade, como o sabe sua família e a contou seu neto, Carlos Duarte, jornalista, muitos anos depois, a mim, que registro, aqui, a história, e a Kydelmir Dantas e Paulo de Medeiros Gastão, estes últimos dirigentes da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço – SBEC.

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário do Estado do RN e da Prefeitura do Natal

P.S – Décadas depois desse feito, ele foi homenageado com o nome de um largo à Avenida Rio Branco, além de busto, de frente onde fora sua casa. Mas na construção da chamada “Praça da Convivência” no primeiro governo Fátima Rosado (DEM),  o busto foi retirado.

A peça de bronze foi localizada semanas depois num depósito de ferro velho, pronta para ser derretida. A intervenção de sua família e do então “Jornal Página Certa” fez com que o governo municipal arranjasse um meio de reparar o crime à história e à cultura de Mossoró, doando outro espaço à fixação do busto.

*Texto originalmente publicado no dia de 26 de junho de 2011, nesta página. Portanto, há quase 12 anos e dois meses (veja AQUI).

De malas prontas para trabalho de vulto

Carlos, Cleílma e Anna Júlia: boa nova Foto: rede social)
Carlos, Cleílma e Anna Júlia: boa nova (Foto: rede social)

O economista e consultor de negócios Carlos Duarte vai embarcar no próximo dia 19 para excursão de trabalho a países da Europa.

Aterrissará na Espanha e Alemanha, com possibilidade de esticar estada em outros países na região da Escandinávia.

Ele faz trabalho para holding internacional que aposta investimentos de muitas cifras no Brasil e Rio Grande do Norte, em especial.

Adiou o embarque que deveria ter acontecido mês passado, em face de mais uma ótima notícia: na quarta-feira (20) chegou Anna Júlia, mais uma criança para ele e dona Cleíma Fernandes.

Depois esbarro por aí, para conhecer minha ‘sobrinha’.

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Governo conhece e discute apoio a Polo Cloroquímico

Do G1 RN

Uma proposta de criação do Polo Cloroquímico do Rio Grande do Norte levou o governo do estado a criar um grupo de trabalho para discutir o tema.

O projeto prevê a atração de empresas aos municípios de Mossoró, Macau, Guamaré e Porto do Mangue, na Costa Branca, para aproveitamento de recursos naturais da região, como sal, minérios e petróleo, na produção de insumos usados em várias indústrias.

Economista Carlos Duarte fez apresentação do projeto nessa quarta-feira (Foto: Elisa Elsie)
Economista Carlos Duarte fez apresentação do projeto nessa quarta-feira (Foto: Elisa Elsie)

Segundo o governo do estado, o polo foi idealizada pelo economista e o consultor do Conselho Regional de Economia, Carlos Alberto Duarte Gomes, que fez uma apresentação sobre o assunto, ao governo, nesta quarta-feira (14).

Durante a reunião, a governadora Fátima Bezerra (PT) determinou a criação do grupo de trabalho, que será coordenado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), para discutir a proposta de implantação.

Grupo

O projeto também aponta a necessita de uma alternativa de linha ferroviária para transporte de cargas, acessando os municípios de Areia Branca, Mossoró, Assu, Jucurutu (jazidas de minério de ferro), Afonso Bezerra, Macau, Guamaré, Natal e São Gonçalo do Amarante, e tendo como atracador o Porto do Mangue.

O grupo de trabalho será formado pelo secretário de Desenvolvimento Econômico, Jaime Calado, prefeitos e secretários dos municípios, representantes da Federação das Indústrias do RN (Fiern), além dos idealizadores da proposta e possíveis investidores.

Insumos

Segundo o estudo inicial, o polo poderia usar sal, águas-mães, petróleo e outros minérios da região potiguar para produzir soda-cloro, ácido clorídrico, cloreto de vinila (PVC e CPVC), hipoclorito de sódio, cloropropeno (borracha Neoprene), cloroetanol (poliéster, acrilonitrila), cloropropanol, dicloroetano, hipoclorito de cálcio, percloroetileno, tricoloetileno, cloreto de alumínio e dióxido de cloro.

Ainda de acordo com os idealizadores, esses insumos são usados em diversos setores da indústria, na produção de cerveja, xarope de milho, refino de açúcar, smartfones, fibra ótica, baterias, estabilizadores para plásticos, aceleradores de borracha, equipamentos médicos, tubulação, acessórios sanitários, isolamento elétrico, desinfetantes, mangueiras, entre outros produtos.

Presenças

No ato de apresentação da proposta a governadora esteve acompanhada também do vice-governador Antenor Roberto, Lucas Fagundes, assessor parlamentar, representante do senador Jean Paul; do secretário de Desenvolvimento Econômico, Jaime Calado; o secretário adjunto da Sedec, Silvio Torquato; da presidente da Potigás, Larissa Dantas, Diretor-geral do Idema, Leon Aguiar, assessora de Governança da Potigás, Samanda Alves, coordenador de Desenvolvimento Energético da Sedec, Hugo Fonseca. Também participaram o deputado estadual Souza Neto, prefeitos de Guamaré, Eudes Fonseca, Porto do Mangue, Antônio Faustino, de Macau, José Antônio de Menezes, a vereadora de Mossoró, Marleide Cunha; Vilmar Pereira, presidente da Associação Comercial e Industrial de Mossoró (Acim) e vice-presidente da Fiern, Maria Izabel Montenegro, vice-presidente da Acim, e o secretário de desenvolvimento econômico de Mossoró, Franklin Filgueira.

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Polo cloroquímico de US$ 5 bilhões no RN começa a sair do papel

Por Stella Fontes (Do Valor Econômico)

Um projeto ambicioso, que nasceu há mais de duas décadas com vistas a agregar valor ao sal marinho e a outros recursos naturais abundantes no Rio Grande do Norte, começou a ganhar contornos concretos e poderá atrair US$ 5 bilhões em investimento total para o Estado nos próximos anos.

O plano de construção de um Polo Cloroquímico, na região potiguar que compreende Mossoró e outros três municípios, finalmente assegurou os primeiros investidores e parte, agora, para as fases de normatização, licenciamento e estudos de viabilidade técnica e econômica.Polo Cloroquímico - Matéria na Valor Econômico - 22 de Junho de 2021 - Título e cabeça da página - PRINT CORRETO

Até pouco tempo atrás desconhecido da indústria química brasileira, um consórcio formado pelas empresas Koyo Intership Trading, do Panamá, e TFB & Energy, constituída no país para investir em energia renovável, assinou protocolos de intenção com as prefeituras de Mossoró e Guamaré, referentes à primeira fase de implantação do polo. Essa etapa englobará complexo de produção de cloro-soda e derivados, incluindo PVC, usina solar com 350 megawatts (MW) de potência e um terminal portuário, com investimentos da ordem de US$ 2,5 bilhões.

Na solenidade de assinatura do compromisso com a Prefeitura de Mossoró, há cerca de dez dias, estiveram presentes autoridades do município, representantes do consórcio e de instituições financeiras, entre as quais XP Investimentos e Banco Safra, que atuam como assessores financeiros do consórcio (veja AQUI). Haveria ainda outros investidores estrangeiros interessados, apurou o Valor.

Os municípios — além de Mossoró e Guamaré, Porto do Mangue e Macau serão abrangidos pelo projeto — têm 150 dias, a partir da assinatura dos protocolos, para garantir aos investidores as condições de execução do projeto, incluindo base legal, e então serão iniciados os desembolsos efetivamente. Embora estudos preliminares de impacto ambiental já tenham sido executados, será preciso produzir um novo EIA-Rima.

Pelo projeto original, a primeira etapa do polo entrar em operação no segundo semestre de 2024. Os desembolsos iniciais somam US$ 800 milhões, direcionados à infraestrutura para geração de energia, estudos e aquisição de tecnologia.

O projeto industrial, propriamente, virá na sequência e receberá US$ 1,3 bilhão — há ainda necessidade de outros investimentos para garantir as condições de operação, que resultam nos US$ 2,5 bilhões previstos na primeira fase. Na segunda etapa, que será executada futuramente e quando a produção de cloro-soda já estiver estabelecida, o plano é produzir também barrilha—beneficiando-se também da reserva de calcário no Estado —, fertilizantes e outros produtos químicos. Nessa etapa, os investimentos estão estimados em mais US$ 2,5 bilhões.

Eteno e a Clara Camarão

Em grandes números, o polo cloroquímico poderá produzir até 500 mil toneladas anuais de PVC, até 600 mil toneladas anuais de barrilha e 600 mil toneladas anuais de cloro-soda e seus derivados. Em geração de emprego, serão 7 mil postos de trabalho direto e indireto quando todas as fases estiverem em operação — a expectativa é atrair transformadores de PVC para a região do polo, cujos custos devem ser favorecidos pela proximidade das principais matérias-primas (sal e calcário, no segundo momento).

Mossoró produz cerca de 95% do sal marinho consumido no país e pretende usar o insumo também na cadeia vinílica. Na indústria petroquímica, o insumo concorre com o sal-gema, que era extraído pela Braskem em Alagoas para a produção de cloro-soda e EDC, matéria-prima do PVC. Hoje, a companhia importa do Chile todo o sal que utiliza na produção de cloro-soda em Maceió.

Além de valorizar o sal marinho, o projeto pode revitalizar a Refinaria Clara Camarão (RPCC), diz o economista Carlos Duarte, idealizador do projeto do polo. A refinaria, colocada à venda pela estatal, tem capacidade instalada para 50 mil barris de óleo por dia, mas o refino tem girado em torno de 18 mil e 20 mil barris diários.

O eteno ali produzido, hoje queimado ou consumido pela própria Petrobras, é essencial na produção do PVC e garantir sua oferta é um dos grandes desafios do projeto potiguar, na avaliação de fontes da indústria petroquímica.

Conforme Duarte, o projeto que começou a ser desenhado há cerca de 25 anos ganhou maior visibilidade a partir do ano passado, após chegar ao ministro Rogério Marinho, do Desenvolvimento Regional. Os prefeitos que iniciaram mandato no ano passado também abraçaram a proposta e, mais recentemente, o Estado demonstrou interesse. “Esse projeto pode reconfigurar a economia do Rio Grande do Norte. Ainda está em estágio inicial, mas está caminhando, com interesse firme de investidores e do poder público”, diz o economista. Hoje, o Brasil importa 100% da barrilha (usada na fabricação do vidro) e cerca de 40% do PVC que consome.

Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico de Mossoró, Franklin Filgueira, somente no município, a expectativa é a de que sejam gerados 2,5 mil empregos diretos. Entre outras iniciativas para viabilizar o projeto, que ganhou o apoio do prefeito Alysson Bezerra, a prefeitura vai oferecer cursos de qualificação de mão de obra. Até novembro, afirma Filgueira, o consórcio deve apresentar o cronograma físico e financeiro do projeto e a previsão é a de que obras sejam iniciadas no terceiro trimestre de 2022.

Se for assinante, veja AQUI a publicação na edição dessa terça-feira (22) do Valor Econômico.

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Governo Federal oferece apoio ao Polo Cloroquímico de Mossoró

Prefeito ouviu do assessor que governo conhece e sabe de importância do Polo Cloroquímico (Foto: Elisângela Moura/FM 95)
Prefeito ouviu do assessor que governo conhece e sabe de importância do Polo Cloroquímico (Foto: Elisângela Moura/FM 95)

O representante do Governo Federal Aldo Aloísio Dantas da Silva, assessor especial do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), teve audiência nessa segunda-feira (15) com o prefeito Allyson Bezerra (Solidariedade) de Mossoró.

Acompanhado do consultor de negócios e economista Carlos Duarte, autor do projeto do Polo Cloroquímico Koyo-PCK que será instalado em Mossoró, com ramificações em Guamaré e Porto do Mangue, o assessor apresentou disposição do Governo Jair Bolsonaro (sem partido) para apoio à iniciativa. Esse projeto já é do conhecimento desse Ministério e outras instâncias governamentais.

Necessidades iniciais

O Governo Federal veio levantar necessidades iniciais do projeto, considerando logo os investimentos técnicos.

Quem também participou da audiência foi o professor e economista Franklin Filgueira, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo.

Investimento nesse complexo no RN é estimado em 5,5 bilhões de dólares; em Mossoró a ideia é de aporte de 1,3 bilhão de dólares (6,590 bilhões de reais), sendo 800 milhões de dólares na primeira fase e já pactuado com o Protocolo Municipal de Intenções e 500 milhões de dólares a serem divulgados com os acertos técnicos (nos próximos 120 dias).

O protocolo foi assinado na última quarta-feira (9) – veja AQUI.

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Economista mostra projeto de Polo Cloroquímico em Brasília

O economista e consultor de negócios mossoroense Carlos Duarte (criador e editor do extinto Jornal Página Certa) apresentou nessa quinta-feira (16) em Brasília, no Ministério do Desenvolvimento Regional, projeto de sua autoria para implantação do Polo Cloroquímico e Industrial de Guamaré (RN). Atendeu a convite do ministro titular da pasta, ex-deputado federal Rogério Marinho.

Carlos Duarte (de pé) apresenta projeto a técnicos, ministros e convidados em Brasília (Foto: cedida)

Numa exposição com suporte de elementos gráficos, por mais de três horas Duarte mostrou a viabilidade econômica do empreendimento, que tornará o Brasil um dos grandes referências mundiais no setor, haja vista as condições naturais na área, e outros aspectos, à sua operacionalização. “Também revitalizará a indústria salineira”, previu.

O Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura) também participou da reunião, mas por videoconferência.

O deputado federal e coordenador da bancada federal do RN, Rafael Motta (PSB), deputado estadual Hermano Morais (PSB) e o prefeito de Guamaré, Adriano Diógenes (MDB), estiveram na palestra de Carlos Duarte como convidados pelo ministério.

Amplitude

A amplitude do Polo Petroquímico e Industrial de Guamaré para a indústria nacional e exportação é algo revolucionário. Seu alcance, sendo viabilizado, alcançará diversos setores, com componentes obrigatórios em produtos farmacêuticos, refrigerantes, solventes, lavagem a seco, algicidas, bactericidas, desodorantes, desinfetantes para piscinas, purificadores de águas portáteis, aditivos para óleos e detergentes, produtos químicos para papel, amaciantes, cosméticos, lubrificantes, defensivos agrícolas, vestuário, tintas, plásticos etc.

– Estou muito satisfeito por ter sido, finalmente, ouvido. Há muito tempo apresentei esse projeto no meu estado, mas nada saiu do lugar, nada avançou. Graças à intermediação de outras pessoas e uma conversa preliminar com o ministro Tarcísio Gomes, chegamos a ter essa oportunidade – comentou Carlos Duarte com o Blog Carlos Santos.

“Apresentamos o projeto para uma plateia de ministros, técnicos e outros convidados, que compreenderam a dimensão dele e a capacidade transformadora para fortalecimento da indústria nacional e sua independência de insumos em diversos campos de produção. A riqueza do RN é desmedida, temos tudo, tudo para avançarmos com fortalecimento do PIB (Produto Interno Bruto), empregos, renda e tributos”, projetou.

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Talvez o pior ainda esteja por vir

Por Carlos Duarte

Neste final de semana, o RN bateu a triste marca de 1.000 assassinatos, de acordo com informações do Observatório de Violência do RN (Obvio). O milésimo homicídio aconteceu em Mossoró, sábado (23/06), no bairro Belo Horizonte.

Apesar da marca brutal de violência, o governo Robinson Faria (PSD) ‘comemora’ a tragédia como se fosse um “dado positivo” de seu governo, uma vez que houve redução numérica de 14,5%, em relação a 2017 (quando 1.169 foram vítimas de homicídios em todo o Estado).

Por outro lado, neste ano, 44 pessoas foram mortas, vítimas de latrocínios, indicando um crescimento de 33,33% nesse tipo de crime.

Enquanto as forças de segurança aguardam medidas administrativas – como as reposições de efetivos, que nunca acontecem ou só acontecem tardiamente – a onda de violência já tirou a vida de 16 policiais, no mesmo período.  E o que é ainda pior: nos últimos vinte dias, a curva de homicídios aponta crescimento agudo no RN.

No quesito segurança pública, o atual governo do RN repete o mesmo equívoco intrínseco das pastas de saúde, educação, economia e demais setores vitais da gestão pública.  À deriva, sem plano estratégico viável, ou qualquer referencial de eficiência mínima, o governo Robinson Faria sequer consegue pagar, em dia, os salários de servidores e aposentados, bem como as dívidas de fornecedores.

As inúmeras denúncias de escândalos e corrupção imputadas ao chefe do executivo do RN, comprometem severamente a ética, a moralidade e, principalmente, a confiança – indispensáveis à boa conduta da gestão pública.

Portanto, os milhares de homicídios, apontadas pelo monitoramento do Obvio, a cada ano, são apenas a parte mais visível de um cenário criminoso decorrente de gestões incompetentes e não comprometidas com os deveres constitucionais e de cidadania.

Ah, tudo é culpa de Robinson? Não, é também culpa dele, principalmente por ter criado uma expectativa em campanha de que seria “O governador da segurança”, sem ter dimensão do problema.

Em outras esferas da gestão estadual, a mesma ineficácia concorre para que se agravem outros problemas. A insegurança é parte das queixas.

O quadro na saúde não é menos aflitivo, apesar de muitas promessas. Déficit previdenciário incontrolável, salários atrasados, com pauta de exportação pífia e à base de commodities, sem uma política de industrialização que contemple o interior, por exemplo, o RN parece sem futuro.

Para qualquer direção em que colocamos os olhos, tudo é assustador.

Que Vossa Excelência faça um exame de consciência, uma reflexão profunda, e se digne a um gesto de humildade para pedir desculpas às milhares de pessoas vítimas da mediocridade e incompetência administrativa de seu governo.

Quanto ao futuro, talvez o pior ainda esteja por vir. Nada parece sinalizar para algo melhor ou menos ruim. A corrida eleitoral é o retrato de uma prova de sobrevivência, um vale-tudo que já tem um perdedor certo: o povo do Rio Grande do Norte.

Carlos Duarte é economista, consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa

Rosalba insiste em vícios que levam Mossoró pro rumo errado

Por Carlos Duarte

O desabamento (veja AQUI) de um dos camarotes do Mossoró Cidade Junina (MCJ) 2018, no primeiro dia de apresentação dos grandes shows, no polo Estação das Artes Elizeu Ventania, é apenas a consequência previsível de uma série de práticas de condutas criminosas e contumazes, do atual governo Rosalba Ciarlini (PP). Não é de hoje nem de ontem e a gente sabe que vai continuar.

Prospera livremente sob os olhares complacentes das autoridades constituídas – que deveriam, por dever de ofício, agir com celeridade para impedi-las de acontecer e punir severamente os culpados.

Mesmo provocados por inúmeras denúncias, ações liminares de mandados de segurança, entre outras evidências, essas autoridades omitem-se ou agem com letargia, sabe-se lá por quais motivos, especificamente quando se trata dos desmandos da Prefeitura do município de Mossoró.

Será que existe alguma blindagem? Será que existe troca de favores, algum relação de escambo nesse enredo, como nepotismo cruzado que envolva gente do Judiciário e do Ministério Público do RN (MPRN)?

MPRN, o Tribunal de Contas do Estado (TCE), a Justiça, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA/RN), o Corpo de Bombeiros, a Câmara Municipal de Mossoró, e, até mesmo, as entidades representativas de classes, precisam e deveriam se pronunciar.

O fato não fica restrito aos indícios de condutas fraudulentas da licitação do MCJ, que o Blog Carlos Santos tem coberto com extrema precisão, apontando uma longa história de vícios, fraudes, favorecimentos e impunidade, com milhões em jogo.

Pelas notas de esclarecimentos, até agora divulgadas, ninguém assume a responsabilidade de nada. Certamente estão à procura de algum culpado, desde que não seja a prefeita Rosalba Ciarlini ou alguém de alta patente do seu grupo. A gente já percebe que até mesmo gente que sempre colaborou com o grupo, sacrificou-se pelo grupo, poderá ser “queimada” para salvar quem assinou contratos com vício na origem.

modus operandi continua o mesmo de sempre.

O que se tem de certo nisso tudo é o prejuízo do contribuinte mossoroense, que assiste atônito e, ainda passivo, ao declínio de um evento que já teve dias melhores, embora controversos.

A verba de 4 milhões de reais, aprovada pelos vereadores na Câmara Municipal, para a edição do MCJ 2018, se administrada com planejamento e seriedade, daria para executar um evento digno e muito superior ao que está sendo realizado.

O resultado do MCJ, deste ano, tem-se constituído em uma fraude ao consumidor, ao contribuinte, aos comerciantes e à população. Os improvisos, com a utilização de materiais desgastados e com estruturas de aspectos sucateadas, se refletem num visual de desorganização estética e favelização do evento.

Adiamentos e mudanças de cronograma geram prejuízos aos patrocinadores e desmotivam os atores do espetáculo. Isso tudo implica na relação de custo e benefício – que está bem aquém daquela divulgada nas propagandas e em entrevistas oficiais.

O MCJ 2018 supera, com louvor, a edição do ano passado e assume a posição do Pior Mossoró Cidade Junina de todos os tempos. Ano passado eu escrevi que esse título cabia à edição daquele ano (veja AQUI). Mas a versão 2018 vai superá-la.

Caberia à prefeita Rosalba Ciarlini um gesto de grandeza (que ela certamente não terá) em reconhecer tamanho desastre de sua atual gestão, pedir desculpas pelos erros cometidos e procurar repensar tais condutas em prol de uma administração transparente, planejada e com projetos inteligentes e exequíveis, alinhados às normas legais vigentes, claro.

Precisa cair a “ficha” da prefeita. Aquele orçamento superavitário (inflado pelo dinheiro dos royalties), existente sazonalmente em seus mandatos anteriores, não é a realidade de hoje. O momento é de excepcionalidade, não sendo coerente insistir em maquiagem, propaganda e omissões que vão continuar levando Mossoró pro rumo errado.

Carlos Duarte é economista, consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa

Rosalba repete desastre de 2017 no “Cidade Junina” 2018

O início conturbado do Mossoró Cidade Junina (MCJ) 2018 não é novidade ou fato isolado na gestão Rosalba Ciarlini (PP).

Os acontecimentos dos últimos dias e horas se assemelham ao ano passado. Tudo é feito no improviso, numa corrida contra o relógio, sem um pingo de respeito ao dinheiro público e a vidas humanas.

Um dos acidentes ano passado causou ferimentos (Foto: arquivo)

Em 2017, o MCJ foi lastimável, principalmente em termos de organização. Leia: O pior Mossoró Cidade Junina de todos os tempos.

Se em 2018 o desmoronamento (veja AQUI) de um camarote privado marca a abertura do ciclo de shows, ano passado não foi diferente.

O pórtico de acesso à Estação das Artes Elizeu Ventania desabou, mas não feriu ninguém, no dia 16 de junho de 2017.

Ferimentos

Na mesma tarde, um pouco mais cedo, mureta de proteção/contenção do Camarote Institucional caiu sobre dois veículos (um carro e uma moto), chegando a causar danos materiais e ferimentos leves num casal (veja AQUI).

Porém muitos outros problemas foram registrados.

Portanto o caso não é de azar ou simples imprevisto etc. É prova reiterada de despreparo, desleixo, falta de planejamento, desorganização e incompetência.

Como em 2017, este ano também existe o aspecto legal que exala forte odor. Algumas empresas que cuidam das estruturas, claramente não têm condições de atender às exigências constantes do Termo de Referência licitado. E daí?

Vamos aguardar o surgimento de algum cadáver, ou será que finalmente essa bandalheira será tratada com rigor por quem tem o dever de fazer valer a lei? Sim, porque essa culpa não cabe apenas aos caríssimos ocupantes do Palácio da Resistência.

Entende?

Leia também: Cidade Junina começa marcado outra vez pela desorganização.

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A escuridão de uma cidade e a nebulosidade da Cip

Por Carlos Duarte

Quanto é a arrecadação da Contribuição de Iluminação Pública (CIP) de Mossoró?

Essa caixa preta precisa ser aberta e o governo Rosalba Ciarlini (PP) tem o dever de esclarecer à população o motivo de a cidade ficar às escuras, por falta de reposição de lâmpadas e da precária manutenção do serviço.

A CIP é um tributo definido no artigo 149-A da Constituição Federal de 1988 e tem a finalidade, exclusiva, de custear a operação, a manutenção, a expansão e o consumo de energia elétrica dos serviços de iluminação pública prestados pela prefeitura.

No entanto, por ocasião da aprovação da lei municipal que regulamentou a CIP, houve a incorporação de uma dívida milionária, referente a todos os débitos existentes da prefeitura para com a Cosern – que os parcelou em vinte anos. Isso nunca ficou bem esclarecido à população e o assunto sempre foi tratado com desprezo pela Câmara Municipal de Mossoró, Ministério Público, políticos e entidades de classes (OAB, Acim, Sindivarejo, CDL, entre outras).

Na época, o extinto Jornal Página Certa foi o único veículo de comunicação da imprensa local a veicular a possível ilegalidade, porém, não foi repercutido e nem ouvido pelas autoridades competentes, apesar das provocações pertinentes.

Em suma, a CIP foi concebida, em sua origem, com dívidas não relacionadas à sua finalidade legal. Hoje o silêncio ainda é total e ninguém questiona o fato. Não há prestação de contas do serviço, nem mesmo por meio do Portal da Transparência do Município, e tudo continua na mais completa “escuridão” como antes.

Agora, os efeitos tardios desse “arrumadinho” estão reverberando, negativamente, no cotidiano de todos os cidadãos mossoroenses. Com o aumento da violência urbana e da criminalidade superlativa, em Mossoró, o pânico da população se potencializa.

Os “mano” agradecem a “Contribuição Irresponsável da Prefeitura (CIP)”. A penumbra e escuridão das praças, ruas e logradouros públicos da cidade é o cenário perfeito para assaltos, roubos, drogas, estupros e toda sorte de violência. Somam-se a falta de efetivo policial e o descaso do governo Robinson Faria (PSD) para com a segurança pública de todo o RN.

Continuamos entregues à própria sorte. Lamentável e preocupante.

Que Deus proteja a todos!

SECOS & MOLHADOS

Preocupante – Uma pesquisa do Datafolha e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta um dado preocupante: o Brasil é terreno fértil para líderes autoritários. Diante da implacável violência urbana, o medo faz com que a maioria das pessoas deixe de lado as leis e os planos políticos em busca de um “salvador da pátria”. Ou seja, o povo brasileiro começa a flertar com o desmanche do Estado democrático de direito. E, de acordo com a pesquisa, parcela significativa do eleitorado brasileiro não vê nenhum problema nesse desmonte. É nesse cenário que progridem candidaturas como a de Jair Bolsonaro.

Delação – Desde que foi aprova a lei 12.850 (que regulou as delações premiadas), em 2013, as prisões por corrupção cresceram 288%. Passaram de 135 (2013) para 524 (2016). Essa lei só passou no Congresso porque os congressistas acharam que ela só iria atingir o crime organizado (ligado ao narcotráfico). Estavam pressionados pelas manifestações populares à época. Mas a lei afetou as máfias indistintamente, com exceção dos crimes financeiros – onde a materialidade do delito é mais complexa.

Crédito – O volume total do saldo devedor de pessoas físicas e jurídicas no Rio Grande do Norte atinge R$ 30,3 bilhões, em abril deste ano. Os dados são do Banco Central. Nos últimos 12 meses, a oferta de crédito caiu 6% no Estado.

Descapitalização – De acordo com a CPI da Previdência, no Senado, o Rio Grande do Norte e Natal estão entre os nove estados e as sete cidades do país que usaram os recursos dos fundos previdenciários para pagamento de despesas correntes. Somente no período de dezembro de 2014 a dezembro de 2015, a descapitalização do fundo previdenciário do governo do estado do RN foi de R$ 589 milhões, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU). No total, atualizado, a cifra chega à casa de quase R$ 1 bilhão. As consequências danosas dessa atitude dos governadores Rosalba Ciarlini e Robinson Faria (PSD) virão, com mais vigor, a partir de fevereiro de 2020, quando o Estado terá que devolver os recursos.

Mudança – O governo Temer estuda utilizar o FGTS (o saldo e a multa de 40%) para substituir o pagamento do seguro-desemprego. O estudo é ainda embrionário e já tem protestos de sindicatos. O assunto promete muitas discussões e polêmicas futuras.

Carne – O embargo da exportação de carne fresca para os EUA deve causar maior prejuízo aos exportadores pelo seu impacto negativo de imagem do produto brasileiro do que pela parte financeira. A suspensão foi decidida porque 11% da carne exportada pelo Brasil aos EUA, desde março, não passou nos testes de qualidade nos Estados Unidos. Segundo as autoridades americanas, os efeitos da vacina contra a febre aftosa provocaram “calombos” na carne. De acordo com a Associação Nacional de Agricultura (SNA) isso em nada altera a qualidade do produto. Mas, na dúvida, visando a proteção do consumidor americano, as autoridades dos EUA preferiram embargar. Enquanto isso, no Brasil, comemos os tais “calombos”, sem problemas.

* Veja coluna anterior clicando AQUI.

Carlos Duarte é economista, consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa

O pior “Mossoró Cidade Junina” de todos os tempos

Por Carlos Duarte

O Mossoró Cidade Junina (MCJ), deste ano, continua se arrastando com inúmeros problemas, inclusive, alguns considerados graves. No decorrer do tempo, o evento – que teve uma ótima concepção de ideia inicial – vem regredindo. Esta 2017 já é considerada a pior de todas.

Mas, nada disso está acontecendo em vão. Os erros, que se repetem, a cada ano, não são corrigidos e tudo é feito com um amadorismo impressionante, sem qualquer planejamento, tendo como objetivo principal, apenas, o marketing político e pessoal dos governantes.

Essa imagem foi da realidade do projeto "Cidadela" em sua estreia no final de semana (Foto: redes sociais)

Os cantores de bandas já sabem: têm que berrar o nome do prefeito (a) da ocasião, para justificarem cachê. Essa é a prioridade.

Um evento dessa magnitude, que precisa ser projetado e planejado com, pelo menos, um ano de antecedência, fica limitado às improvisações de ultima hora. A licitação sempre acontece a poucos dias do início do evento e o edital é a cópia do ano anterior, sem correções, até mesmo, ortográficas.

Na prática, a Lei das Licitações (8.666) não é observada, principalmente em seu artigo 3º que diz: “A licitação destina-se a garantir o principio constitucional da isonomia e a selecionar a proposta mais vantajosa para Administração, observando-se os princípios básicos…”.

A proposta mais vantajosa não significa que seja, apenas, a proposta mais barata. A falta de critérios rígidos na escolha das empresas ganhadoras do certame atrai empresas desqualificadas, mal intencionadas, sem quaisquer projetos executivos e, até mesmo, empresas de laranjas – desclassificadas por falta de condições de execução dos serviços em outras licitações de cidades em estados vizinhos.

Na grande maioria dos polos do evento, a estrutura montada não corresponde ao Termo de Referencia licitado, o que acaba resultando num flagrante crime à Lei das Licitações. Ou seja, há uma grande diferença entre a estrutura que está montada, bem como o serviço prestado, e o que determina o contrato licitado.

Na decoração, na “Cidadela” e em diversos polos são feitos aproveitamentos de materiais sucateados de anos anteriores, o que resulta no acabamento precário e no impacto visual de aspecto favelado do evento, com prejuízo de reputação da imagem.

Por fim, o MCJ acaba saindo muito caro, desorganizado, perigoso, empobrecido, suscetível a ilícitos, trazendo transtornos sérios para a população, vizinhança, prejuízos para o contribuinte, desrespeito ao patrocinador e aos turistas. O deste ano chega a ser criminoso e por pouco não causou mortes (veja AQUI).

"Cidadela" de 2015, visto como desorganizado, acabou sendo superado por este ano de 2017 (Foto: Blog Pádua Campos)

Que esses problemas sirvam para acordar os gestores do evento e alertar as autoridades constituídas para elaborarem um projeto sério, que torne o evento verdadeiramente viável e sem as costumeiras soluções paliativas.

A culpa é dos gestores e não adianta ficar culpando terceirizados, vencedores de licitação, ex-prefeitos etc. O povo consciente, sabe disso. Os órgãos fiscalizadores, omissos, também o sabem. Vamos ver quem vai agir primeiro dessa feita.

SECOS & MOLHADOS

Regulamentação – Para atrair recursos significativos de patrocinadores para o MCJ e/ou para quaisquer outros eventos é necessários que a Câmara Municipal de Mossoró (CMM) aprove a Lei do Patrocinador – que regulamenta a exposição de marcas e o adequado uso e ocupação de solo nas áreas de âmbitos dos eventos. Essa é mais uma proposição que fazemos, utilizando esse espaço do Blog Carlos Santos, provando que seu editor e essa página são colaboradores permanentes com ideias, debates sérios e críticas, objetivando a boa condução dos serviços públicos.

Explicação – A empresa D K Monteiro Coelho Produções e Eventos-Eireli, uma das ganhadoras da licitação do MCJ 2017, encarregada da montagem de parte da estrutura na Estação das Artes, bem que poderia esclarecer o que de fato provocou a queda do pórtico principal e o desabamento de parte do camarote institucional, na última. Com a palavra, a senhora Dany Monteiro – proprietária da empresa contratada. Não foi por falta de alerta desta coluna e Blog (veja AQUI).

Descaso – O que já é um caos poderá ficar ainda pior: em seis meses deste ano, pelo menos, 200 soldados da Polícia Militar pediram para entrar na reserva, com medo de perderem os direitos com a possível aprovação da reforma da Previdência Social. Além do baixo efetivo, a PM do Rio Grande do Norte acumula várias dívidas, entre elas, está o débito com o fornecedor de munições, que gira em torno de R$ 700 mil. Isso, sem contar com as dívidas de mão de obra de serviços de manutenção e de peças de reposição de viaturas. Fruto do descaso e da mediocridade do governo Robinson Faria.

Meio-ambiente – Preocupado com a gestão dos resíduos sólidos, em Mossoró, o articulista Gutemberg Dias (veja AQUI) chama a atenção para a necessidade de discussão sobre o assunto e enfatiza a geração de Resíduos Sólidos da Construção Civil (RCC). A esse respeito, acrescentamos a total falta de conformidade com que a grande maioria das empresas coletoras de RCC, no município, destina os resíduos coletados. Muitas delas coletam, juntamente com os resíduos sólidos da construção, resíduos orgânicos, bem como, resíduos contaminados de características Classe I. Um crime ambiental que precisa ser combatido pelos órgãos fiscalizadores, com a maior brevidade possível.

Queixa – Quem é a empresa Samic, que ganhou a licitação do MCJ 2017 para montagem do polo Arena das Quadrilhas e que não concluiu os serviços? O concurso de quadrilhas acabou sendo realizado de modo improvisado na quadra de uma escola, nas proximidades, e tudo acabou na Delegacia de Plantão (veja AQUI), por queixa dos vizinhos.

Cidadela – Depois de atrasar a estreia do ‘Chuva de Bala’, a Ferdebez Produções e Eventos, conclui (também com atraso) o polo Cidadela, porém bem reduzido e com acabamento precário. Os participantes, barraqueiros e ambulantes reclamam da decadência do evento. Mossoró segue sua sina e seu povo, “gado”, conformado com tudo que recai sobre si, acreditando que é “vontade de Deus” e não culpa de quem é escolhido para governá-lo.

Carlos Duarte é economista, consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa

Gestão dos resíduos sólidos é um caminho sem volta

Por Gutemberg Dias

Estamos no mês que se comemora a semana do meio ambiente. Atualmente essa temática tem um apelo muito forte no âmbito da gestão pública. Mas será que as gestões locais deram ou dão uma atenção forte a esse segmento?

Mossoró é uma cidade de médio porte já com seu sistema de gestão ambiental consolidado, ou seja, a gestão pública é responsável pelo licenciamento ambiental de vários segmentos e, também, pela fiscalização. Trocando em miúdos, a gestão municipal pode interferir de forma consistente nessa temática, podendo imprimir uma nova dinâmica na concepção do cuidar do meio ambiente.

Digo isso pois acredito que a gestão municipal além de cumprir seu papel no tocante ao licenciamento e fiscalização no âmbito do meio ambiente, ela deveria, também, encontrar soluções para os desafios que as cidades do porte de Mossoró apontam quanto à gestão ambiental do uso do solo.

Depois de grande esforço, técnico e financeiro, o município conseguiu implantar um aterro sanitário que do ponto de vista legal, havia se tornado uma exigência. Com isso foi garantido, em tese, o fechamento do lixão das Cajazeiras que se tornou um fator positivo em relação à melhoria da gestão ambiental do uso solo.

Infelizmente a gestão dos resíduos sólidos urbanos está além da dos resíduos sólidos domésticos. A geração de resíduos sólidos provenientes da construção civil e, também, das podas passou a ser, na atualidade, um grande desafio para a municipalidade. Haja vista que esses resíduos estão sendo descartados em áreas sem o mínimo controle ambiental.

Quem trafega pelas ruas de Mossoró não tem como não se deparar com entulhos provenientes de restos construtivos e, também, restos vegetais provenientes das podas feitas nas residências. Esses resíduos deixam a cidade suja e feia esteticamente, bem como, contribuem para o aumento de vetores como ratos, baratas, pernilongos entre outros, que podem causar doenças à população.

Parte desse problema repousa nos donos das residências que insistem em cometer um crime ambiental ao sujar o meio ambiente e, a outra parte, na gestão municipal que não coíbe essa prática e nem cria os mecanismos necessários para assegurar o descarte correto desses resíduos.

Pelo porte de Mossoró, já está passando da hora de se ter um aterro destinado aos resíduos sólidos da construção civil devidamente licenciado e operacional. Inclusive com perspectiva de se instalar uma usina de reciclagem na área do mesmo. Essa usina poderia vir de uma PPP (Parceria Público-Privado) com os maiores geradores de resíduos ou com alguma empresa que quisesse empreender nessa área, no caso iria transformar o que hoje é refugo em matéria prima novamente. Indago a gestão atual se algo do gênero está sendo pensado?

Vale destacar que com as podas temos os mesmos problemas. Nesse caso é preciso levar em consideração que além dos munícipes que fazem podas em suas residências, a própria prefeitura é responsável, também, pela geração quando é ela executa a poda das árvores nas áreas públicas. Hoje não sei para onde esses resíduos são destinados, lembro que até a gestão da ex-prefeita Fafá Rosado (PMDB), o destino era o antigo lixão das Cajazeiras.

Diante do problema é mister afirmar que estruturar no âmbito da prefeitura um setor que passe a cuidar paulatinamente desse assunto é uma exigência para ontem. Principalmente no que tange a criar todo o processo de regulação da geração, manejo e descarte dos resíduos sólidos da construção civil e das podas, com objetivo de organizar toda a cadeia, que se inicia com o gerador, passa pelas empresas de papa-entulho e termina no descarte final.

Deixo aqui mais uma singela contribuição à atual gestão, a Mossoró e ao seu povo, como tenho feito ao longo de uma série de artigos no Blog Carlos Santos, a convite do seu editor, jornalista Carlos Santos.

Coloco o tema dos resíduos sólidos urbanos na pauta de discussão da gestão ambiental do uso do solo, como esta página já desencadeara através de postagens especiais (veja AQUI) e do também articulista Carlos Duarte. Não podemos simplesmente fechar os olhos para esse problema que só se avoluma ao longo dos anos.

Planejar algo consistente hoje para sanar essa deficiência poderá representar num futuro próximo o cuidado com o meio ambiente, bem como, a geração de uma outra cadeia de valor com a regulação desses resíduos.

Espero que a equipe de meio ambiente e, também, da limpeza urbana pensem foram do quadrado e nos traga boas novas quanto a esse tema.

Gutemberg Dias é graduado em Geografia, mestre em Ciências Naturais e empresário.

Os “mano” agradecem à força do “Governador da Segurança”

Por Carlos Duarte

A presidente da Câmara Municipal de Mossoró, Izabel Montenegro (PMDB), viveu os momentos de terrores que criminosos impõem aos cidadãos de bem – veja AQUI, em Mossoró. Felizmente, os bandidos preservaram a sua vida e de seus familiares. Os danos foram, apenas, materiais e emocionais.

No dia seguinte, o funcionário da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), Hiroito Gonçalves Falcão – veja AQUI, não teve a mesma sorte e foi assassinado dentro de sua residência, vítima de latrocínio.

Os dois casos lamentáveis, que tiveram grandes repercussões, são o recorte da realidade do avanço impiedoso da criminalidade, em Mossoró e em todo o RN.

O cidadão de bem, que já estava apavorado, ao sair de casa, agora se ver acuado em seu próprio lar. Isso é o resultado de longos anos de descasos de gestores para com a segurança pública. E o que está ruim irá ficar ainda pior, com a atual falta de políticas públicas e estratégias eficazes para a segurança do RN.

Por outro lado, o “Governador da segurança” Robinson Faria (PSD), que não tem o que mostrar em seu governo, inaugurou com festa pomposa, poucos dias atrás, a reforma de um pavilhão destruído na rebelião do presídio de Alcaçuz, enquanto quase uma centena de presos ultimavam os preparativos para fuga em massa no presídio de Parnamirim.

Pura insensatez, motivada pelo desejo de fabricar exposição com “agenda positiva”, em que não faltaram até “colunistas sociais” se esbaldando de risos em selfies, num lugar onde teriam morrido oficialmente 26 presos trucidados por colegas. Mas até hoje, há suspeita de que esse total possa ter chegado a uma centena.

Seria mais sensato e humano que o governador do RN reconhecesse a mediocridade de seu governo, decretasse estado de calamidade e buscasse a intervenção federal para a segurança pública do Estado. Mas, falta-lhe humildade para uma atitude grandiosa como esta.

O menino nascido em “berço de ouro”, que anda em carro blindado e com escolta diuturna, à custa do contribuinte norte rio-grandense, não tem parâmetro de avaliação comparativa à realidade do cidadão comum.

Os marginais, agora divididos em facções, percebem a inapetência e falta de combatividade efetiva do governo e prosperam com ações de maiores truculências, neste momento oportuno.

A gestão desastrosa do governo Robinson Faria acaba, involuntariamente, sendo a maior parceira e aliada de bandidos e criminosos que ora aterrorizam o RN.

Os “mano” agradecem. A população, entregue à própria sorte, se desespera.

SECOS & MOLHADOS

Pesquisa – Uma pesquisa do Datafolha aponta que 61% dos parlamentares não têm um favorito óbvio para uma eleição indireta, caso Michel Temer saia do governo. Isso revela que Temer  só tem resistido à crise porque ainda não existe um consenso sobre quem o substituirá.

Regalias – O projeto da Nova Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), dentre outras aberrações, prevê: auxílio-educação para filhos de juízes desembargadores e ministros do Judiciário, com até 24 anos, em escolas e universidades privadas; auxílio-moradia equivalente a 20% do salário; transporte, quando não houver veículo oficial; reembolso por despesas médicas e odontológicas não cobertas por planos de saúde; e licenças para estudar no exterior, com remuneração extra.

Desclassificada – A empresa D K Monteiro Coelho Produções e Eventos-Eireli, uma das ganhadoras da licitação do Mossoró Cidade Junina 2017, foi desclassificada de uma licitação do gênero, no município de Euzébio (CE), após diligências que comprovaram que a empresa não tinha condições pra executar o objeto da licitação.

D.K. Monteiro Coelho tem uma "sede" que diz tudo (Foto: cedida)

Produção – A alta de 0,6% na produção industrial, no último mês de abril, apesar de ser um dado positivo, não significa a consolidação da recuperação produtiva da indústria brasileira e não garante taxas positivas em trajetórias futuras. No acumulado dos últimos doze meses, a produção industrial ainda acumula uma queda de 3,6%. Os efeitos da crise política também não estão bem claros na economia.

Impostos – Mais de 40% do rendimento médio do brasileiro é utilizado para pagamento de impostos e tributos. Na prática, isso corresponde a 153 dias de trabalhos (até a última quinta-feira, 01 de junho). Em 2017, o brasileiro já pagou R$ 917 bilhões em impostos. Absurdo.

Recessão – Temer comemora: “Acabou a recessão!”. Ainda é muito cedo para comemorações. O resultado é incerto e deve ser visto com cautela. O resultado se deve integralmente à safra recorde do setor agropecuário e exportações (consequência da referida safra recorde). É preciso observar a economia como um todo, principalmente a demanda.

Crise – A prisão (veja AQUI) do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) deverá implicar o presidente Michel Temer e agravar a crise política, no decorrer desta semana. Os desdobramentos da crise podem resultar na antecipação da denúncia e/ou abertura de mais um inquérito (sobre o decreto dos Portos). Deverá também impactar politicamente no julgamento do TSE, que analisa a cassação da chapa Dilma-Temer. A expectativa de Temer é que Loures assuma sozinho a responsabilidade pela mala de dinheiro.

Ilegalidade – Enquanto ruas e terrenos baldios de Mossoró são invadidos por lixo, em meio a uma coleta precária, a maioria dos grandes geradores – que deveriam pagar pela destinação de seus resíduos – são contemplados, graciosamente, pela Prefeitura de Mossoró, com a coleta feita em seus empreendimentos. Se a lei pertinente fosse cumprida, rigorosamente, haveria uma economia de gastos da municipalidade na ordem de 30-40%, o que poderia se reverter em melhorias da coleta domiciliar. Silentes, como sempre: Câmara Municipal e MPE, entre outros que deveriam investigar e fiscalizar o caso.

Veja coluna anterior clicando AQUI.

Carlos Duarte é economista, consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa

Nova citação de governador põe em xeque seu ‘berço de ouro’

Por Carlos Duarte

Mais uma vez o governador Robinson Faria (PSD) é citado nas delações da Lava-Jato. Desta vez, a acusação foi feita pelo diretor de Relações Institucionais e Governo da J&F – empresa holding controladora da JBS – Ricardo Saud.

De acordo com as revelações de Saud, o governador do RN e seu filho, deputado Federal Fábio Faria (PSD), receberam R$ 10 milhões, em propinas (veja AQUI), na campanha eleitoral de 2014. A moeda de troca seria a concessão dos serviços de água e esgotos, ora controlados pela Caern.

O que chama a atenção é o modus operandi da transação criminosa: o delator exigiu que o grupo empresarial indicasse um “secretário de estado” de sua confiança, cuja finalidade seria a condução do processo de privatização da Caern e o seu direcionamento para o grupo J&F. A exigência foi prontamente aceita pelo, então, candidato Robinson Faria.

Segundo o delator, a exigência se deu porque o grupo não tinha confiança no candidato.

“Esse secretario vai acompanhar tudo de perto, porque eu sei que o senhor não é muito confiável”, disse Saud a Robinson durante as negociações do esquema criminoso.

A propina teria sido dada em dinheiro vivo e em notas fiscais, relata o delator. “Tudo dissimulado!” assegurou Saud, que enfatizou que a operação com Robinson era um “negócio indigesto”, em virtude do assédio de Fábio Faria – que passou a ir diariamente à empresa cobrar a propina e querer mais dinheiro. “Arranjou até um supermercado para descontar”, disse Saud.

Por fim, o delator reclama: “E o mesmo dinheiro que tomou da gente tomou das duas outras também (OAS e Odebrecht) dizendo que iria vender a água e o esgoto”. Ou seja, se tudo isso for mesmo verdade (torço até que não), o ‘berço de ouro’ em que foi criado o governador não o educou a respeitar sequer os seus comparsas de crimes.

Imagine qual o grau de compromisso que poderia ter com os eleitores e cidadãos potiguares. Nenhum.

O caso expõe, novamente, que sobram competência e habilidades para a prática de atos delituosos do governador Robinson Faria, enquanto faltam-lhe planejamento, gerenciamento e atos de probidade em sua gestão.

O resultado não poderia ser diferente: a atual mediocridade da administração publica do RN, em todos os segmentos. Lamentável.

SECOS & MOLHADOS

Rombo – O rombo nas contas da Previdência Social do estado do Rio Grande do Norte, neste ano, poderá chegar a R$ 1,8 bilhão. Esse valor equivale a 14,60% de todo Orçamento Geral do Estado. De acordo com a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) sobrarão, apenas, parcos 3,80% do Orçamento serão destinados ao investimento (R$ 467 milhões). Para o final de 2018, a previsão é que este valor do rombo atinja R$ 2,2 bilhões. Ou seja, maior dificuldade de gestão à frente.

Silêncio – Apesar de serem gravíssimas, as acusações feitas pelo delator da J&F, ao governador Robinson Faria, ainda estão eclipsadas pela repercussão mundial em que se transformou o caso Michel Temer. Todos silentes, mas não surpresos.

Estranho – É estranho o silêncio da sociedade organizada, das entidades empresariais, do Legislativo, do MP e da maioria da imprensa, em relação ao escândalo das seguidas dispensas milionárias de licitação da limpeza urbana (veja AQUI e AQUI) em Mossoró. O Blog Carlos Santos é uma voz rara e contundente a cuidar do assunto, com equilíbrio e segurança nos dados levantados e não contestados. Mossoró tem perdas milionárias com esse tipo de negócio que passa de governante para governante, como linha de passe de ‘bola’ no futebol.

Petróleo – O Sindicato das Empresas de Petróleo e Gás do Rio Grande do Norte (Sipetro/RN) calcula que a Petrobras reduziu, pelo menos, R$ 200 milhões em investimentos, nos últimos dois anos no RN. A Bacia Potiguar, que chegou a produzir mais de 100 mil barris de petróleo, por dia, agora, oscila entre 60-70 mil barris equivalentes, por dia. Nos Estados Unidos mais de 20 mil empresas (grandes e pequenas) operam no setor de exploração de petróleo. No Brasil, são cerca de 20 empresas.

Incerteza – O pior ainda está por vir. Muita lama irá escorrer no esgoto fétido do submundo do crime de corrupção institucionalizada nas altas esferas dos poderes constituídos do Brasil. Mais um choque negativo para a economia do País, com sérios entraves ao desenvolvimento. O presidente Michel Temer não terá mais condições de conduzir o governo e nem o Congresso Nacional também terá condições éticas e morais para realizar uma eleição indireta. O povo quer eleições diretas e deverá ocupar as ruas com manifestações, cada vez mais densas. Ninguém poderá prever como tudo isso vai acabar. Preocupante.

Selic – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deverá ter mais cautela, daqui em diante, com relação à redução dos juros (taxa Selic). É que os efeitos desastrosos da delação da JBS mudaram o perfil do comportamento do mercado financeiro. Poderá haver eventual impacto inflacionário do dólar e com as incertezas do andamento das reformas.

Carlos Duarte é economista, consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa

Nossa sonegação de cada dia

Por Carlos Duarte

Um levantamento do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz) aponta que o volume de impostos sonegados no Brasil é bem maior do que os desvios por atos de corrupções. O estudo, com base em 2016, revela que o rombo nas contas públicas, via sonegação, está estimado em R$ 571,5 bilhões, enquanto a corrupção embolsou mais de R$ 200 bilhões, no mesmo período.

Neste tipo de crime, o Brasil é o segundo lugar do mundo, perdendo, apenas, para a Rússia. A omissão do pagamento pode chegar a quase 10% do PIB, se considerados somente os principais impostos. Isso equivale a 84,4% de tudo o que foi arrecadado, no ano passado, pelos Estados e Municípios (R$ 638 bilhões).

Somente no Rio Grande do Norte, a evasão de impostos, chegou a 1,2 bilhões no período estudado. Algo de muito errado existe com os atuais métodos de controles de arrecadação de impostos no Brasil.

Nem a Receita Federal e nem os órgãos de arrecadações de estados e municípios conseguem minimizar tamanha sonegação. Não é à toa que prosperam os “caixa 2” – que alimentam a corrupção, num ciclo vicioso perfeito para os marginais que agem nas cúpulas dos poderes. Esses órgãos só parecem eficientes para cobrar impostos dos pequenos contribuintes e assalariados.

Adicione-se a esse montante a inadimplência tributária e bilionária dos “grandes” grupos empresariais do Brasil, incluindo-se os bancos.

Se houvesse uma política eficaz de combate à sonegação, o contribuinte brasileiro poderia pagar até 30% a menos pelos produtos comercializados, sem prejuízo da arrecadação dos governos. Tantos procedimentos negativos não são meras coincidências. No Brasil, no que se refere á sonegação, há uma lei que a tipifica como crime e outra que a abranda (leis 9.249/95 e 8.137/90).

Por outro lado, o sacrificado contribuinte nunca ver o seu dinheiro do imposto revertido em contrapartidas decentes para a sociedade.

SECOS & MOLHADOS

Previdência – O déficit da Previdência poderia ser todo financiado pela sonegação fiscal brasileira. Se fosse estancada a sangria da corrupção, sobraria muito dinheiro para investimentos em outras áreas, como educação e saúde. O problema do Brasil não é de falta de dinheiro. É falta de vontade política e de honestidade dos mandatários dos poderes.

Selo – Já está em vigor a lei 10.075/16, que obriga o uso do selo fiscal para os garrafões de água mineral (10 e 20 litros). A medida visa aumentar a arrecadação de impostos desta atividade, bem como otimizar o controle de qualidade do produto, em parceria com outros órgãos fiscalizadores. A previsão é que, com esta medida em vigor, o preço do garrafão de água mineral possa aumentar em até 80% do que é praticado atualmente.

Enem – Começará às 10h desta segunda-feira (8) e terminará às 23h59 do próximo dia 19 de maio as inscrições para o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem/2017). A taxa de inscrição é de R$ 82,00. As provas serão realizadas nos dias 05 e 12 de novembro. O tempo é mais que suficiente para uma boa preparação do candidato.

Roubos – Os roubos e assaltos prosperam em ritmo acelerado no RN. Em Natal, somente nas últimas 24 horas (sábado para o domingo), foram registrados 23 roubos de veículos. Quase um a cada hora. “Acelera, Robinho!”

Presentes – Um relatório do IPDC/Fecomércio RN aponta que os mossoroenses irão gastar, em média, R$ 106,02 com as compras do dia das mães. O valor é 3,2% maior que o registrado no ano passado. O comércio ainda sofre os efeitos da crise. O consumidor está cauteloso, mas disposto a não deixar a data passar em branco.

Aterro – Já tínhamos alertado, aqui (e o próprio Blog também), que o Aterro Sanitário de Mossoró (veja AQUI e AQUI) – que virou um lixão “controlado”, seria uma bomba-relógio de efeito retardo. O mecanismo de explosão já foi acionado e os efeitos já são nefastos para o meio ambiente, para os empreendimentos aos arredores e para própria população de Mossoró. Tudo sob os olhares complacentes da Promotoria de Meio Ambiente do MPE, do Idema, Ibama e da Câmara Municipal de Mossoró.

Aliás, terrenos baldios, ruas e avenidas e esgotos a céu aberto, em Mossoró, já representam o espelho do próprio descaso das autoridades constituídas para com a limpeza urbana município – que tem impacto negativo direto na saúde e bem-estar da população. Mas, isso dá muito trabalho para essas autoridades, que preferem punir os pequenos empreendimentos. É mais fácil.

Lava Jato – O juiz Sérgio Moro pede, através das redes sociais, que se evitem manifestações para impedir o depoimento do ex-presidente Lula – marcada para a próxima quarta-feira (10). Um sinal de alerta. Mas a cúpula do PT faz diferente. O seu presidente Rui Falcão convoca reação em cadeia em todo o país, se houver punição severa ao ex-presidente Lula. País conflagrado há tempos, carregado por intolerância de lado a lado.

Veja AQUI a coluna anterior.

Carlos Duarte é economista, consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa

Temos sinalização de avanço com a reforma trabalhista

Por Carlos Duarte

O projeto de lei que dispõe sob a reforma trabalhista, recentemente aprovado na Câmara de Deputados, sinaliza um grande avanço no caminho do desenvolvimento e do crescimento econômico do país. É claro que isso não agrada aos sindicatos – que sempre foram corporativos grupos de pressão junto ao Estado, motivados pela generosa arrecadação da Contribuição Sindical “obrigatória”.

A nova proposta irá permitir acordos negociados, com benefícios positivos para os dois lados (patrões e empregados) de forma autônoma.

Veja pequeno resumo da enxurrada de dinheiro em 2016 que desembarcou em entidades sindicais

Trará mais flexibilidade às relações de trabalho e minimizará o cerco burocrático, que tanto degrada o ambiente de negócio. Retirará a trava que impede o progresso, trazendo para a realidade atual, as ultrapassadas normas da CLT, que estão em vigor há mais de 70 anos.

Com a terceirização e a reforma trabalhista, o setor produtivo terá a oportunidade de buscar novas alternativas e soluções que irão gerar enormes ganhos de competitividade, garantindo a empregabilidade de grande parte dos mais de 14 milhões de desempregados atualmente no Brasil.

É evidente que outros percalços ainda precisam ser retirados do caminho da prosperidade, como a urgente necessidade de uma reforma tributária, fiscal e ambiental, além de se rever a excessiva regulação dos direitos dos consumidores.

SECOS & MOLHADOS

Eike – O ministro do STF Gilmar Mendes manda tirar da cadeia Eike Batista, que agora vai ficar em prisão domiciliar. O que corre nos bastidores é que o falido empresário é cliente do escritório de advocacia em que a esposa (Guiomar) do ministro trabalha ou é sócia. Se essa acusação for procedente, o STF se iguala ao Congresso em termos de imoralidade. Como o jornalista Carlos Santos costuma asseverar, “o STH tem de tudo, menos o direito”.

Desemprego – Várias projeções de especialistas apontam que no ritmo de desemprego que se encontra o Brasil (atualmente com mais de 14 milhões de desempregados), ao final deste ano, poderá contabilizar cerca de 18 milhões. Muito preocupante mesmo.

Estrago – Nos últimos dois anos, o PIB brasileiro teve uma queda de 8%. Para recuperar esse estrago, o cenário mais otimista aponta que serão necessários de oito a dez anos. É o resultado da política econômica desastrada e irresponsável do PT de Dilma e Lula.

Homicídios – Dados atualizados do Observatório da Violência Letal Intencional do RN (OBVIO), ontem, sábado (28) apontam que em 118 dias, deste ano, o numero de homicídios no RN chegou a 801. A cada dia, 6,8 pessoas são assassinadas no estado, cuja bandeira principal de campanha do governador Robinson Faria era a Segurança Pública. O quantitativo é 30,67% maior do que igual período do ano passado e 51,14% maior do que igual período de 2015. Isso equivale a 22,84 assassinatos para cada grupo de 100 mil habitantes. No mesmo período, Mossoró contabiliza 87 assassinatos (e um recorde neste mês – AQUI, apesar das “grandes virtudes” do programa “Ronda Cidadã”, enfatizado na propaganda do Governo do Estado.

Transposição – Em entrevista à Tribuna do Norte, o engenheiro Rômulo Macedo, que foi coordenador potiguar da transposição do rio São Francisco, faz uma revelação surpreendente. Diz que “a água que virá para os rios potiguares não terá utilidade para o RN. E o pior: todos os cidadãos irão pagar por ela, usando-a ou não”. Faltam obras complementares e não há investimentos em perímetros irrigados para produção agrícola. Pobre RN!

Protestos – Os sindicatos, partidos políticos e entidades que convocaram a manifestação da greve geral, na última sexta-feira (28), vão ser responsabilizados pelos atos de vandalismo ao patrimônio público, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Motoristas que interditaram o trânsito receberam multa de R$ 5.800,00 por infração, considerada gravíssima, além de sete pontos na carteira e da suspensão de poder dirigir. O ato de manifestação é um direito de todos, mas não com vandalismo. Mossoró deu um bom exemplo de civilidade com manifestações pacíficas.

Palocci – O ex-ministro Antônio Palocci contratou uma banca de advogados especialistas em delação. Já sinalizou que o alvo vai ser Lula e ainda com grandes respingos em Dilma, mega empresários, ministros, deputados, governadores, marqueteiros, fundações… . Não quer mofar sozinho na cadeia. Mas, autoconfiante, Lula acha que Palocci vai entregar todo mundo, menos ele.

Contrária – A vereadora e presidente da Câmara Municipal de Mossoró, Izabel Montenegro (PMDB) se posiciona contrária às reformas trabalhista e previdenciária, da forma como estão propostas. Segundo ela, a classe empresarial tem que abrir mão de parte do percentual de seus lucros. “Essas reformas não podem ser feitas sem passarem por uma grande e ampla discussão com a sociedade”, diz através de seu perfil no Facebook.

Belchior – Faleceu na manhã deste domingo (30), na cidade de Santa Cruz (RS), aos 70 anos, o cantor e compositor Belchior. A notícia saiu no Jornal do Povo, de Fortaleza. Mais uma noticia triste para o cenário artístico musical brasileiro. Belchior era natural de Sobral (CE), onde será sepultado.

Veja clicando AQUI nossa coluna anterior.

Carlos Duarte é economista, consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página

Promessas novas e oportunismo de sempre com a Porcellanati

Por Carlos Duarte

Não dá para acreditar nas promessas feitas pelo Gerente de Reestruturação do grupo Itagrês (veja AQUI), a qual pertence a Porcellanati Revestimentos Cerâmicos Ltda.

Vários créditos de confiança já foram dados a esse grupo empresarial, que sempre teve o apoio de políticos e gestores públicos locais e do Estado. Contabilizam-se inúmeros incentivos fiscais concedidos e de dezenas de milhões de reais tomados em empréstimos, com carências e juros baixos, mas o grupo empresarial nunca conseguiu mostrar a real viabilidade de seu projeto.

A Porcellanati veio para Mossoró atraída, em 2002, pela então prefeita de Mossoró, Rosalba Ciarlini (PP). Seu governo tratava a chegada da unidade fabril como a panaceia do desenvolvimento econômico de Mossoró e, todos os esforços foram concentrados nesse sentido, expurgando-se qualquer outro projeto de empreendimento local, por mais bem concebido que pudesse parecer.

À época, a mídia oficial do governo “Adoro Mossoró” explorou bastante esse feito, enfatizando a promessa de geração de milhares de empregos, renda e arrecadação.

O tempo mostrou que tudo não passou de má-fé, incompetência e utopia.

A Porcellanati nunca produziu o que prometeu, não gerou os milhares de empregos projetados e jamais promoveu arrecadação ou teve qualquer impacto na renda e/ou na balança comercial do município. Ao contrário, aumentou sua dívida contraindo novos contratos de empréstimos, deu calote nos fornecedores e prestadores de serviços e não pagou os direitos trabalhistas de seus funcionários, deixando diversas famílias desamparadas e com sonhos frustrados.

Agora, o governo da prefeita Rosalba Ciarlini ocupa outra posição nessa história, mas vai na mesma direção utópica. Não tem qualquer participação na atual fase de entendimentos. Porém pega carona num movimento iniciado por grupo de ex-empregados da empresa, que tem pressionado a  Justiça do Trabalho para recebimento de direitos trabalhistas e suposta reabertura dela em Mossoró.

Se os trabalhadores receberem esses direitos e a empresa for reaberta, veremos nova onda de propaganda irreal, atribuindo ao governo municipal esses novos “feitos”. Se der tudo errado, a culpa é transferida. Mas temos aí as redes sociais vigilantes.

O Blog Carlos Santos é um dos raros órgãos de imprensa da cidade e do estado que tem coberto esse enredo, dando a sua real situação.

SECOS & MOLHADOS

Reforma – O parecer do relator da Reforma Trabalhista, deputado Rogério Marinho (PSDB), altera, entre outros pontos, a concessão de férias dos trabalhadores – que poderão gozar férias em até três períodos diferentes; a contribuição sindical – que ficará restrita aos trabalhadores e empregadores sindicalizados; e a prestação de serviços – que poderá ser de forma descontinua, cabendo ao empregador o pagamento pelas horas efetivamente trabalhadas.

Boff – O teólogo Leonardo Boff, antes ferrenho defensor de Lula, abre os olhos dos míopes e dos que preferem distorcer a realidade dos fatos a qualquer custo, fugindo da realidade do lamaçal da corrupção brasileira. Veja o que ele escreve em sua página na Net:

“Formou-se entre nós, praticamente, uma sociedade de ladrões e de bandidos que assaltaram o país, deixando milhões de vítimas, gente humilde de povo, sem saúde, sem escola, sem casa, sem trabalho e sem espaços de encontro e lazer. E o pior, sem esperança de que esse rumo possa facilmente ser mudado. Mas tem que mudar e vai mudar. É crime demasiado. Nenhuma sociedade minimamente humana e honesta pode sobreviver com semelhante câncer que vai corroendo as forças vitais de uma nação”. Leia restante do texto e artigo que ele avaliza, da jornalista espanhola Carla Jiménez (El Pais), clicando AQUI.

Placar – De acordo com um levantamento do jornal “O Estado de São Paulo”, até a última sexta-feira (21/04), o número de parlamentares contrários à Reforma da Previdência subiu para 186, enquanto o número de parlamentares que se posicionaram a favor subiu para 70. Ainda 43 estão indecisos e 89 não quiseram responder. Os demais não foram encontrados.

Pesar – Mossoró perde uma das figuras humanas mais decentes que este articulador já conheceu. Perde um grande homem. Que Deus conforte toda a família do Dr. Milton Marques.

Ranking – Um levantamento atualizado do Instituto Igarapé, divulgado pela revista The Economist, aponta Mossoró como a 18º cidade mais violenta do mundo (veja AQUI). O que está ruim vai ficar ainda pior, se o governo da “segurança”, Robinson Faria, insistir nas práticas ineficazes e medidas paliativas de combate à violência pública. Já foram contabilizados 81 homicídios (até o último dia 22). Nesse ritmo, infelizmente, daqui a alguns meses, poderemos disputar a liderança do ranking da violência com a cidade de San Salvador – campeã de violência em todo o mundo.

Palocci – A disposição do ex-ministro Antônio Palocci em fazer um acordo de delação premiada com a Operação Lava-Jato aumenta o temor de muita gente envolvida no esquema. Palocci foi captador de recursos das campanhas dos ex-presidentes Lula e Dilma. Como titular das pastas da Fazenda e Casa Civil, ele editou várias medidas de governo que podem ter beneficiado empresas, em troca apoio partidário. Também foi consultor de bancos e empresas importantes do País. Se realmente abrir o bico, não deixará pedra sobre pedra.

Veja a coluna anterior clicando AQUI.

Carlos Duarte é economista, consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa

Todos os poderes da Odebrecht

Por Carlos Duarte

As delações da Odebrecht expõem, ainda mais, sem qualquer pudor, o modus operandi da corrupção no submundo do crime organizado – que congrega uma elite de políticos, gestores públicos, partidos políticos e empresários. Por enquanto, os membros das quadrilhas, vinculados ao Poder Judiciário, estão sendo preservados, como estratégia para não enfraquecer as investigações ora em andamento.

“Há bandidos escondidos atrás da toga”…e, “muita coisa virá à tona”, é o que afirma a ex-ministra aposentada do STJ e ex-corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon.

Em entrevista à Folha de São Paulo, ela enfatiza que os políticos corruptos nunca temeram a Justiça e o Ministério Público. “O que eles temem é a opinião pública e a mídia”, completa.

Ou seja, o Poder Judiciário também é parceiro no esquema de corrupção que está sendo investigado pela Lava Jato. Por sua vez, o Congresso Nacional já toma providências no sentido de que não haja punição dos parlamentares e políticos ora envolvidos.

Vão encontrar uma solução política para aliviá-los do pior. É aí que irão inibir a parte sadia do Ministério Público e da Justiça, aprovando a lei do abuso de autoridades, entre outras. Resumo da ópera: grandes possibilidades de um “acordão”.

Enquanto isso, aqui no RN, “Bonitão” (governador Robinson Faria), “Bonitinho” (deputado Fábio Faria), “Lento” (senador Garibaldi Alves), “Pino” (senador Agripino Maia), e “Carrossel” (Rosalba Ciarlini), além de Henrique Alves (“Henriquinho”), Wilma de Faria (“Cobra”) e outros denunciados, buscam desculpas para justificarem os seus supostos envolvimentos no esquema de corrupção.

O governo de “Bonitão” não está nada bonito e o RN se aprofunda no caos, principalmente da segurança pública e da saúde.

Em Mossoró, o “Carrossel” gira e volta ao ponto inicial e inercial: nada o que mostrar, em mais de cem dias de governo. Apenas o engodo de sempre, que todos já tinham conhecimento e que a grande maioria dos eleitores pagou para vê-lo novamente.

SECOS & MOLHADOS

Violência – No Rio Grande do Norte, o número de homicídios para este mês de abril, até o momento, está 85% maior, em comparação com igual período de 2016. As estatísticas do Observatório da Violência Letal e Intencional do RN (Obvio) apontam que o número de homicídios no estado já atingiu a marca de 700 (na última quinta-feira, dia 13/04). No acumulado do ano, isso significa um aumento de 30,5%. Nesse ínterim, Mossoró já contabiliza 72 homicídios e responde por mais de 10% desse tipo de crime em todo o estado. Isso é assustador!

Projeto – O Sebrae do RN, em parceria com os principais grupos empresariais do setor de energia eólica, instalados no Rio Grande do Norte, vai investir cerca de R$ 8,5 milhões em ações de capacitações, acessos a mercados, assessoria técnica e empreendedorismo para pequenos produtores. A ideia do projeto é fomentar negócios economicamente rentáveis que busquem soluções para os problemas sociais e ambientais de comunidades produtoras.

Veículos – Enquanto o mercado de carros novos no RN aponta queda de 5,31%, em fevereiro, o mercado de carros usados aumenta 23,27% – em comparação com igual período de 2016. São os efeitos da crise. Com as garantias de fábricas estendidas, o mercado de seminovos não está mais segmentado por classes sociais.

Faturamento – A Odebrecht movimentou R$ 10,6 bilhões, de 2006 a 2014. Mas, esse valor representa, apenas, 0,5% a 2% do faturamento da empresa, no período. Por outra via, os valores ilegais estimados de superfaturamentos de licitações públicas chegam à casa dos 30%. O grupo chegou a faturar R$ 100 bilhões, por ano, em média. Sem dúvida, um grande “negócio”.

Cachaça – De acordo com ex-diretor executivo da Odebrecht, Hilberto Mascarenhas, os pagamentos de propinas só aconteciam de terças a quintas-feiras. O pagamento fora desse cronograma só era autorizado em caso de “emergência” (?). O motivo: “cachaça de final de semana”. Era mesmo uma grande farra. Inacreditável!

Loterias – O governo Michel Termer pretende reforçar o caixa do Tesouro Nacional com a privatização de jogos e loterias. Atualmente, o setor é um monopólio da Caixa Econômica Federal e arrecada cerca de R$ 6 bilhões em impostos. A projeção é dobrar para R$ 12 bilhões, com a iniciativa privada. Inicialmente, o governo federal pretende dividir o conjunto de loterias em duas empresas, que serão leiloadas: a Lotex (loterias instantâneas, como a raspadinha) e a “SportingBeting” (loteria de apostas no time que vai ganhar, placar do jogo – tudo feito pela internet).

Preocupação – O novo modelo de loterias, que o governo federal pretende implantar, permite que as apostas possam ser feitas por smartphones. Isso vem causando preocupação de perda de clientes do setor de lotéricos. A migração para a plataforma online põe em risco cerca de 13 mil pontos de casas lotéricas no País, que, juntas, empregam mais de 200 mil pessoas.

Proposta – O relatório da reforma trabalhista, que tramita no Congresso Nacional, prevê extinção de contrato de trabalho com pagamento da metade do aviso prévio e metade da multa de 40% sobre o saldo FGTS, se houver consenso entre as partes. Também, prevê que o trabalhador poderá sacar até 80% do saldo de sua conta do FGTS. Nesse caso, perderá o direito ao seguro desemprego.

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Carlos Duarte é economista, consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa.

A realidade e a metodologia num RN entregue à violência

Por Carlos Duarte

Na semana passada o “governo da Segurança”, Robinson Faria (PSD), divulgou uma nota contestando a metodologia de uma pesquisa internacional, divulgada pela ONG Mexicana Conselho Cidadão para a Segurança e Justiça Penal. O estudo aponta que Natal é a 10ª cidade mais violenta do mundo, com 69,56 homicídios para um grupo de 100 mil habitantes, em 2016.

Independentemente da metodologia adotada, o fato é que os índices revelados são sempre crescentes e compatíveis com a realidade de zonas de guerras e grandes conflitos internacionais.

Em Mossoró, o índice de homicídios (homicídios/grupo de 100 mil habitantes) é ainda bem maior do que os registrados em Natal. A nota do governo do RN expõe o que todos já sabem: as medidas são pontuais, inconsistentes e estão longe de coibirem os crescimentos da violência no estado.

O crime de violência é uma epidemia do mal que se alastra com celeridade e precisa de antídotos urgentes e eficazes para combatê-lo à altura. Não dá para ficar esperando por resultados de ações paliativas e mal coordenadas por gestores públicos medíocres – que, por incompetência, acabam fomentando o crime, com riscos de tornarem-se, involuntariamente, “criminosos passivos”.

A cada instante e em qualquer lugar, o cidadão de bem é roubado, assaltado, violentado ou assassinado por criminosos que agem à vontade, sem a devida repressão dos órgãos de segurança do Estado. Até quando a sociedade irá aguentar esse descaso?

SECOS & MOLHADOS

Decisão – A recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) desobriga a administração pública pelo pagamento de eventuais dívidas trabalhistas de empresas terceirizadas contratadas por órgãos públicos. Essa decisão do STF tem repercussão geral e, a partir de agora, terá que ser seguida por todas as instâncias da Justiça. Atualmente, tramitam mais de 108 mil ações sobre esse tema. Caso o poder público viesse a ser responsabilizado pelas dívidas trabalhistas de terceirizadas, o prejuízo para o erário público poderia ser superior a R$ 870 milhões.

Cultura – A prefeita Rosalba Ciarlini acertou em cheio na escolha do novo secretário de Cultura de Mossoró. O arquiteto Eduardo Falcão é um profissional muito qualificado, atualizado, bem intencionado e conhecedor dos bastidores da administração pública. Boa sorte e sucessos nessa nova jornada!

Homicídios – Nos 92 primeiros dias deste ano, o Rio Grande do Norte já contabiliza 622 assassinatos. Um aumento de 28,78%, comparando-se com igual período de 2016. Ou seja, no RN 6,76 pessoas são assassinadas, por dia.

Inflação – A crise de demanda no País empurrou a inflação para baixo. Neste 1º trimestre de 2017, o IPCA (índice que mede a inflação) subiu 0,96%. O menor índice registrado da série histórica, desde 1994, para o período. Com o desemprego em alta e a renda em queda, o consumo está retraído. As pessoas só compram, apenas, o essencial – quando dá para comprar.

Varejo – Um estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar) aponta que a liberação dos saques das contas inativas do FGTS terá impacto mínimo nas vendas do varejo. A tendência é que o dinheiro seja direcionado para o pagamento de dívidas. Aliás, as perspectivas do Ibevar não são nada otimistas. A previsão é de que a queda real nas vendas do varejo, em 2017, possam atingir 7%, em comparação a 2016. Os consumidores revelaram que 22,5% de seus orçamentos estão comprometimento com dívidas assumidas no passado. Apenas 7,8% do orçamento irão sobrar para possíveis intenções de compras, a partir do segundo semestre de 2017.

MCJ – É sensata atitude da prefeita Rosalba Ciarlini para o encolhimento do Mossoró Cidade Junina (MCJ) de 2017. O MCJ precisa ser planejado com, pelo menos, um ano de antecedência. A prefeita tem pouco mais de 100 dias e não terá mais tempo para isso. Fará um evento pequeno, porém, dentro da atual realidade financeira e orçamentária do município. Depois, terá tempo para planejar um evento autossustentável para os próximos anos.

Cultura – A cultura de Mossoró tem que ser repensada além do eixo cultural da Avenida Rio Branco.

Turismo – Fala-se muito no polo turístico da Costa Branca. Mas,  sobrea ponte de ligação dos municípios de Grossos-Areia Branca, importante para a integração do projeto, ninguém mais fala sobre o assunto. Silêncio total.

Aeroporto – Mais um adiamento na data de início dos voos comerciais da Azul. Agora, a data é 12 de junho. Véspera de Santo Antônio. Sem vontade política, nem com promessas ao santo milagreiro, acontecerá o milagre.

100 dias – A prefeita Rosalba Ciarlini completa o ciclo de cem dias de seu atual governo sem ter o que mostrar à população. Pelas tímidas ações e estratégias implementadas, até o momento, certamente não terá o que mostrar, sequer, ao final deste ano. Quem sabe, em 2018? Tomara que não repita o ciclo desastroso quando foi governadora do RN. Aguardemos.

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Carlos Duarte é economista, consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa

“Cidade Junina” exige mudanças nas mãos de quem o criou

Por Carlos Duarte

O Mossoró Cidade Junina (MCJ), deste ano, começou a ser discutido pela prefeita Rosalba Ciarlini, no sábado (01/04). Na prática, a exiguidade de tempo, cerca de sessenta dias, é um fator altamente negativo para que se possa executar, com eficácia, um projeto dessa magnitude.

O que dá para ser feito nesse curto espaço de tempo são, apenas, os mesmos arranjos paliativos e gambiarras das edições anteriores – suscetíveis às críticas, desconfianças, denúncias e às fiscalizações exaustivas de sempre.

A prefeita tem a oportunidade de mudar o formato do evento, tornando-o maior e verdadeiramente autossustentável. Para isso, precisa elaborar um planejamento de caráter plurianual, que se estenda além de seu mandato, criando as condições necessárias e imprescindíveis para a captação de recursos, com objetivos predefinidos e integrados que contemplem cultura, entretenimento, turismo e economia, entre outros.

Um dos primeiros passos para atrair captações de recursos privados é o estabelecimento de normas que regulem e garantam segurança jurídica aos investimentos dos patrocinadores. É imperativo também que as licitações ocorram com antecedência suficiente capaz de garantir que os prazos recursais e de contratação não atrapalhem o cronograma de execução do evento.

Esse procedimento diminuirá os custos e poderá gerar maior transparência.

Para edição de 2017, o tempo que resta só vai dar para corrigir e ajustar alguns pontos polêmicos e negativos do evento. Mas, há um ponto que, sugerimos, não deverá ser negligenciado e nem poupado os seus recursos de execução: Trata-se do Plano Estratégico de Segurança Pública do evento.

Rosalba, que criou o MCJ, há vinte anos, tem agora a chance de repaginá-lo, inclusive expurgando-o do objetivo prioritário de promoção midiática de gestores, para torná-lo um evento cultural grandioso que insira Mossoró, definitivamente, na rota dos destinos turísticos de época, em âmbito nacional e internacional.

Isso fará do MCJ um projeto de viabilidade econômica, com fomento de sustentabilidade para o ano inteiro. Não, apenas, o incremento sazonal de subemprego da economia informal, como acontece atualmente.

SECOS & MOLHADOS

Milton – Pensamentos positivos e orações para o ex-reitor da Uern e empresário Milton Marques que passa por sérias complicações de saúde. Pessoa iluminada, competente e de bom coração. Deus está ao seu lado, Milton!

Segurança – Os números da violência, traduzidos pelos homicídios no RN, mostram a falta de eficácia do governo da Segurança contra o crime instalado. Na verdade, um verdadeiro fiasco que continua expondo o cidadão potiguar à própria sorte. Até o último dia 31 de março, foram 601 homicídios no estado do RN. Em Mossoró, 63.

TCU – A Operação Lava Jato continua revelando práticas do submundo do crime, que causam perplexidade e desesperança: quatro dos nove ministros titulares do Tribunal de Contas da União (TCU) são investigados ou citados em inquéritos que apuram praticas de corrupção. Lembrando que esses ministros são os responsáveis por analisarem e julgarem as contas dos administradores de recursos públicos federais.

Páscoa – Uma pesquisa nacional feita pela Fecomercio-RJ/Ipsos aponta um aumento de 2% no número de brasileiros que pretendem ir às compras de Páscoa. Um aumento tímido, mas que é visto como um sinal indicador de confiança do consumidor.

Rotativo – Entra em vigor, a partir da segunda-feira (03/04), a nova regra para o pagamento da fatura do cartão de crédito. Agora, o consumidor só poderá permanecer no crédito rotativo até o vencimento da fatura seguinte. Ou seja, o limite do crédito rotativo será de apenas 30 dias. Se atrasar, o valor será pago ou financiado por meio de linha de crédito parcelada, oferecida pela operadora do cartão. A expectativa é que melhorem as condições de pagamento do débito, com juros menores e prazos maiores.

Agricultura – A Central de Agricultura Familiar, inaugurada na última segunda-feira (27), para comercialização direta do pequeno agricultor, deverá diminuir o impacto do atravessador e aumentar a renda em até 40%. Bem que o governo Robinson Faria poderia trazer essa ideia para Mossoró, como forma de minimizar os percalços dos agricultores da região oeste. No RN a agricultura familiar concentra cerca 91,3 mil agricultores (considerando apenas os assistidos pela Emater). Em 2016, o setor movimentou R$ 136 milhões, apenas pela via do BNB. Os principais arranjos produtivos estão no polo Assu-Mossoró.

Desinvestimento – A Petrobras vai anunciar, daqui a duas semanas, os procedimentos de desinvestimentos da empresa. A meta é atingir U$ 21 bilhões no período 2017-2018. Entre os projetos, estão as sessões de direitos de um conjunto de campos terrestres, nos quais estão inclusos a produção da estatal no Rio Grande do Norte (maior produtor do Brasil). De acordo com o projeto original de desinvestimento, a Petrobras previa que os ativos colocados à venda no RN representariam cerca de 23% de toda a produção em terra no estado. Equivalente a aproximadamente 15.000 por dia.

Retração – De acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada pelo IBGE, o comercio do Rio Grande do Norte entrou pelo 19º mês consecutivo em retração de vendas. A queda, em janeiro, foi de 8,8%. São sinais preocupantes da economia do RN. Os principais fatores são: aumento do desemprego e diminuição de renda.

Corte – A frustração de receitas foi o principal motivo que levou o governo do RN a proceder o corte de R$ 43,1 milhões na execução orçamentária do Estado, no primeiro bimestre deste ano.

Previdência – O presidente Michel Temer fechou questão e diz que a idade mínima de 65 anos para aposentadoria é fundamental e que não negocia esse ponto na reforma previdenciária proposta pelo seu governo. Na proposta de reforma enviada ao Congresso, o tempo mínimo de contribuição é de 25 anos.

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Carlos Duarte é consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa

A força da “Carne Fraca” em Mossoró

Por Carlos Duarte

A Operação Carne Fraca continua gerando repercussões em todo o mundo. Mas, é oportuno também trazer a discussão do problema para bem próximo da nossa realidade.

Em Mossoró, a população consome, anualmente, cerca de 1,5 milhão de aves que são abatidas sem as mínimas condições de higiene, em ambientes fétidos, insalubres e contaminados – capazes de causarem náuseas a qualquer pessoa. Ao todo, são 28 “abatedouros clandestinos” que operam com precarização total, no que se refere às legislações de meio-ambiente, de saúde e de proteção ao consumidor.

Frango, Carne Fraca e vista grossa da lei

Se a “carne é fraca”, em Mossoró, as relações dos abatedouros clandestinos, com políticos, empresários e órgãos de fiscalizações são fortes.

O que está exposto à venda nos mercados públicos, supermercados, mercadinhos e alguns restaurantes – que comercializam principalmente a “carne de sangue quente” e resfriada – não atende minimamente aos critérios e parâmetros legais exigidos.

Em 2015, houve uma patética audiência pública para tratar do assunto na Câmara Municipal de Mossoró. Estranhamente, o foco era legalizar o ilegal, pela via do Sistema de Inspeção Municipal (SIM) sob a alegação de proteção do (sub) emprego. Nada prosperou e, ao contrário, houve uma blindagem do cartel dos abatedouros clandestinos de aves. Com isso, a população continuou consumindo, desavisadamente, a carne fraca produzida nos “abatedouros” de Mossoró.

Se a população está desavisada, o mesmo não ocorre com os órgãos de fiscalizações (Idema, Idiarn e Covisa) e promotorias do Ministério Público Estadual (MPE). Sabem nome e endereço de cada ponto clandestino. Já foram provocados, há anos.

Os abatedouros clandestinos não são exclusividades do setor de carnes de aves, em Mossoró. Situações ainda piores são encontradas nos “abatedouros” de carnes de suínos (alimentados por lavagem de comida de restaurantes), carnes de bovinos e ovinos, instalados nas áreas periféricas da cidade e em condições extremamente impróprias.

É hora de agir e reagir.

SECOS & MOLHADOS

Terceirização – A Lei de Terceirização aprovada pela Câmara Federal não é unanimidade. Traz vantagens e desvantagens. Como desvantagem, poderá reduzir alguns direitos fundamentais dos trabalhadores e gerar insegurança jurídica transitória nos contratos de trabalho. Por outro lado, poderá dar maiores oportunidades de trabalho, com redução do desemprego, embora com perspectiva de diminuição da renda, dos níveis de qualidade dos serviços e de bem-estar do trabalhador. As consequências ainda estão por vir. A travessia não será fácil, mas tem que se iniciar por algum ponto.

Alternativa – O Senado quer votar a PLC-30/2015, como alternativa mais branda ao projeto aprovado no plenário da Câmara. O projeto do relator Paulo Paim (PT-RS) prevê a terceirização em todas as áreas da empresa, porém, com mais garantia para o trabalhador.

Cartel – A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recomendou a condenação de 20 empresas e três entidades sindicais do setor por formação de cartel do sal marinho. O caso ainda será julgado pelo Tribunal do Cade. A alegação é de que durante 28 anos (1984-2012) essas empresas venderam o sal com sobre preço médio de 20%. O assunto é polêmico e afeta, diretamente, o desempenho do setor na economia local.

Tributos – O Ministério da Fazenda fez uma revisão para baixo do PIB brasileiro, em 2017. Baixou de 1,% para 0,5%. Pretende, agora, fazer um contingenciamento (corte de verbas) da ordem de R$ 58,2 bilhões do Orçamento. Entretanto, esse valor poderá ser reduzido porque há grandes possibilidades de decisões judiciais favoráveis para o aumento de tributos federais – previsto para ser anunciado na próxima terça-feira, 28.

Estrago – Como consequência da Operação Carne Fraca, as exportações brasileiras de carne caíram de U$ 63 milhões para, apenas, U$ 74 mil, na terça (21). Os dados são da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE). O estrago na economia brasileira é evidente e ninguém poderá prever onde isso vai chegar.

Saúde – O caos na saúde publica do estado do RN é apenas mais um dos muitos problemas a ser enfrentado pela medíocre gestão do governador Robinson Faria (PSD). O governo não sabe como vai resolver a reposição de 157 novos leitos de UTI, que são alvo de ações do MPF/MPERN, desde 2014 – quando foi detectado o déficit de mais de 300 leitos de UTI. Não tem dinheiro sequer para mantê-los em funcionamento, caso consiga a verba para instalá-los.

Saúde II -Além de não ter dinheiro para investimentos, o governo Robinson Faria acumula dívidas com fornecedores da Sesap que ultrapassam R$ 50 milhões (os dados são da própria Sesap). Faltam coisas básicas para simples procedimentos nos atendimentos emergenciais das unidades de saúde. O quadro de pessoal tem uma defasagem de cerca de 2 mil trabalhadores. Nos últimos três anos, 449 médicos se aposentaram e não foram repostos. Certamente, o governador irá usar o seu modus operandi de protelação, enquanto vítimas inocentes morrem à mingua.

Prioridade – Todos nós sabemos que a saúde não é a prioridade do governador Robinson Faria (que se autodenominou o governador da Segurança). A prova material disso é que dos R$ 240 milhões anuais, minimamente necessários para o custeio da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap), a Secretaria de Planejamento (Seplan) estima repassar, apenas, R$ 165 milhões, em 2017. Isso vai de encontro ao aumento da violência urbana, que está fora do controle do governo da Segurança, cujas vítimas acabam nos leitos dos hospitais de urgência ou no cemitério. O cidadão potiguar continua entregue à própria sorte.

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Carlos Duarte é economista, consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa

A Carne Fraca e podre de bandidos fortes

Por Carlos Duarte

A Operação Carne Fraca, desencadeada pela Polícia Federal, revela o grau de promiscuidade e de putrefação entre empresários, políticos e fiscais de órgãos que deveriam proteger a saúde dos cidadãos brasileiros. A podridão, ora exalada, que emana do submundo do crime de corrupção, embrulha o estomago de qualquer pessoa.

Mesmo que a prática de reembalagem de comida estragada, misturadas aos papeis e papelões, maquiadas pelo uso de produtos químicos de alta dosagem e com substâncias cancerígenas, seja uma situação pontual de apenas alguns frigoríficos, é inadmissível que isso ocorra num país que vem se firmando como um dos maiores exportadores de carnes do mundo.

Os grampos divulgados na operação da PF mostram também que a bancada ruralista é quem dá as ordens no Ministério da Agricultura, quem nomeia, demite fiscais e quem controla as ações sanitárias. Em um trecho das ligações grampeadas, o próprio ministro da Justiça, Osmar Serraglio, trata um suspeito, líder da facção criminosa, de “grande chefe”.

Não é à toa que o setor do agronegócio financiou cerca de R$ 400 milhões na campanha de 2014, com destaque para a JBS. Toda essa quadrilha de bandidos tem que ser presa e responsabilizada pelos atos hediondos que cometeram.

A “Carne Fraca” já causou impactos negativos na economia brasileira e abriu precedentes para que o protecionismo de outros países, como os EUA, cancele as compras de nossos produtos alimentícios. Poderá ser mais um obstáculo na retomada do combalido crescimento econômico brasileiro.

Com esse episódio, as exportações de carnes brasileiras poderão deixar de agregar valores aqui no Brasil para serem exportadas de forma “in natura”, gerando, assim, agregação de valores (emprego e renda) em países de primeiro mundo, a exemplo do ocorre hoje com o café brasileiro.

SECOS & MOLHADOS

Previdência – O rombo previsto do Sistema Previdenciário do Estado do Rio Grande do Norte é de R$ 1,6 bilhão, somente para este ano de 2017. Os números de aposentados e pensionistas servidores do Estado totalizam 47 mil. Esse é o resultado de um sistema falido, em todo o País, que nunca entrou na pauta de prioridades dos governos. Um caos anunciado que ainda irá causar mais prejuízos aos contribuintes e favorecidos.

Desinvestimento – O Tribunal de Contas da União (TCU) revogou a medida cautelar que impedia a venda dos ativos da Petrobras, na sessão da última quarta-feira (15/03). A decisão pode afetar o Rio Grande do Norte com a venda de mais da metade dos campos de petróleo do Estado. Inicialmente, envolverão 38 campos dos 104 existentes. Ainda não há data de quando serão iniciadas as vendas dos ativos da Petrobras no RN, com a nova política de desinvestimento da estatal.

Esperança – Neste dia de São José, as esperanças do sertanejo e dos devotos nordestinos se renovam em toda a região. Chuvas vigorosas em todos os estados do Nordeste, o verde brotando e os açudes jorrando. Sinais de recuperação da economia sazonal das pequenas cidades e elevação da autoestima do homem do campo. Que venham as chuvas, com a benção de São José!

Robinson – Sem ter o que mostrar, mais uma vez, o governador Robinson Faria (PSD) veio a Mossoró para parcas ações administrativas, neste final de semana. A falta de organização de sua agenda revelou a desarmonia de seus assessores. Apesar da chacina, destruição de unidades de BICs, tiros à 2ª DP e rebelião no Presídio Agrícola Mário Negócio, nenhuma explicação a respeito foi dada pelo governador.

HMAC esperava uma palavra de alento para não fechar e deixar bebês e mães à própria sorte (Foto: arquivo do Blog)

Robinson II – Lamentável ainda seu silêncio doloso em relação a pagamentos assumidos perante à Justiça, para o Hospital Maternidade Almeida Castro (HMAC) e Liga Mossoroense de Estudos e Combate ao Câncer (LMECC) e algumas categorias médicas. Parturientes, bebês e pessoas acometidas de câncer com vidas ameaçadas e o governador não diz nada, não emite um alento. Nada, nada, nada.

Caos – O lixo e os buracos tomam conta das ruas de Mossoró. A combinação de lixo e água resulta em doenças causadas por vetores como mosquitos e moscas. Até agora a prefeita Rosalba Ciarlini (PP) não emitiu nenhuma satisfação aos mossoroenses sobre mais esse caos de sua administração. Ah, claro que a culpa é do antecessor, como fora na época em que passou pelo Governo do Estado e não foi vista como tal, em Mossoró. Como esse povo gosta de sofrer e ser humilhado!

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Carlos Duarte é economista, consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa