
Jair Bolsonaro (PL) está inelegível por oito anos. A decisão – esperada – foi do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no dia passado (veja AQUI). É o fim? Não mesmo. Nem do bolsonarismo nem do próprio Bolsonaro, apesar de tantas comemorações em redes sociais e no mundo real, após o julgamento.
O ex-presidente, que é tratado por seus seguidores como “mito,” pode se transformar nisso: um mártir, vítima, herói. Ainda mais porque existe possibilidade processual de que lá adiante venha a enfrentar prisão, devido ações penais que se movimentam nos escaninhos do Judiciário.
Assim como o atual presidente Lula (PT), que foi imolado com uma prisão de mais de 500 dias, e saiu mais forte, o mesmo poderá acontecer com Bolsonaro. Não duvide nem zombe.
Que papel ele terá daqui para frente, na oposição, como líder de um movimento político de direita que saiu derrotado, em 2022, é uma das indagações do momento. Transferir votos, converter apoio em eleição de outrem, sempre é uma tarefa difícil. Contudo em duas eleições nacionais – 2018 e 2022 – Bolsonaro ensejou a eleição de muitos aliados. O Congresso Nacional é exemplo disso.
Entretanto, muito do que ocorrerá adiante, também dependerá de Lula – o inimigo íntimo de Bolsonaro. Como seu governo vai lidar com a economia, em especial, as suas relações com os outros poderes e a sociedade, vão pesar na formação do cenário de 2026, ano de sucessão presidencial.
Sem Bolsonaro, Lula está com caminho livre à reeleição? A princípio, nominalmente não tem adversário. Porém, nem assim deve se deitar em berço esplêndido. Por tudo que fez e deixou de fazer, o ex-presidente exumou Lula. O inverso poderá acontecer logo à frente. Todavia, Lula não é tão estúpido quanto o seu adversário.
O bolsonarismo e a direita, mesmo sem Bolsonaro elegível, seguem perturbadores. Nomes como dos governadores Tarcísio de Freitas (Republicano) e Romeu Zema (Novo), governadores de São Paulo e Minas Gerais, respectivamente, estão em ascensão e ocupam espaços importantes. Mas, é claro que Bolsonaro não quer apenas ser um cabo eleitoral e, personalista como é, está longe de aceitar a tarefa simplória de passar o bastão.
Sem nada de novo, alternativo e forte na política brasileira, Lula e Bolsonaro continuarão falando pros seus devotos e mantendo o Brasil imerso no populismo-fanatismo. A razoabilidade seguirá como um dom e atitude para poucos no “país do futuro.”
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