Arquivo da tag: fanatismo

Bolsonaro e o bolsonarismo seguirão perturbadores

Jair Bolsonaro tem nomes à direita, mas está longe de querer ser apenas cabo eleitoral (Foto: arquivo)
Jair Bolsonaro tem nomes à direita, mas está longe de querer ser apenas cabo eleitoral (Foto: arquivo)

Jair Bolsonaro (PL) está inelegível por oito anos. A decisão – esperada – foi do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no dia passado (veja AQUI). É o fim? Não mesmo. Nem do bolsonarismo nem do próprio Bolsonaro, apesar de tantas comemorações em redes sociais e no mundo real, após o julgamento.

O ex-presidente, que é tratado por seus seguidores como “mito,” pode se transformar nisso: um mártir, vítima, herói. Ainda mais porque existe possibilidade processual de que lá adiante venha a enfrentar prisão, devido ações penais que se movimentam nos escaninhos do Judiciário.

Assim como o atual presidente Lula (PT), que foi imolado com uma prisão de mais de 500 dias, e saiu mais forte, o mesmo poderá acontecer com Bolsonaro. Não duvide nem zombe.

Que papel ele terá daqui para frente, na oposição, como líder de um movimento político de direita que saiu derrotado, em 2022, é uma das indagações do momento. Transferir votos, converter apoio em eleição de outrem, sempre é uma tarefa difícil. Contudo em duas eleições nacionais – 2018 e 2022 – Bolsonaro ensejou a eleição de muitos aliados. O Congresso Nacional é exemplo disso.

Entretanto, muito do que ocorrerá adiante, também dependerá de Lula – o inimigo íntimo de Bolsonaro. Como seu governo vai lidar com a economia, em especial, as suas relações com os outros poderes e a sociedade, vão pesar na formação do cenário de 2026, ano de sucessão presidencial.

Sem Bolsonaro, Lula está com caminho livre à reeleição? A princípio, nominalmente não tem adversário. Porém, nem assim deve se deitar em berço esplêndido. Por tudo que fez e deixou de fazer, o ex-presidente exumou Lula. O inverso poderá acontecer logo à frente. Todavia, Lula não é tão estúpido quanto o seu adversário.

O bolsonarismo e a direita, mesmo sem Bolsonaro elegível, seguem perturbadores. Nomes como dos governadores Tarcísio de Freitas (Republicano) e Romeu Zema (Novo), governadores de São Paulo e Minas Gerais, respectivamente, estão em ascensão e ocupam espaços importantes. Mas, é claro que Bolsonaro não quer apenas ser um cabo eleitoral e, personalista como é, está longe de aceitar a tarefa simplória de passar o bastão.

Sem nada de novo, alternativo e forte na política brasileira, Lula e Bolsonaro continuarão falando pros seus devotos e mantendo o Brasil imerso no populismo-fanatismo. A razoabilidade seguirá como um dom e atitude para poucos no “país do futuro.”

Acompanhe o Blog Carlos Santos (Canal BCS) pelo Twitter AQUI, Instagram AQUI, Facebook AQUI e YouTube AQUI.

Para onde vamos?

Por Ney Lopes

A pesquisa do Datafolha é o retrato 3×4 do atual quadro eleitoral brasileiro. Confirma-se que não há provável vencedor ou vencido, por antecipação.

Há dúvidas sobre certos movimentos e reações do eleitor brasileiro, ainda não totalmente fotografados nas pesquisas.bolsonaro-lula-prismada-848x477

O país assiste a disputa do segundo turno entre Lula e Bolsonaro, que é o terceiro mais apertado, desde 1989.

A balança eleitoral mantem-se imprevisível.

O “gargalo” de Lula é o crescimento de Bolsonaro em SP, RJ, MG e o Sudeste em geral, o maior colégio eleitoral do país.

Com a “zebra solta” ambos candidatos tentam evitar a abstenção.

Em 2018, 3% do eleitorado que votou no primeiro turno não foi votar no segundo.

Se isso acontecer em 2022, significaria que mais 4 milhões e meio de pessoas deixariam de votar.

A incógnita é saber de quem seriam esses eleitores.

Como mero palpite, admito que dois fatores centrais influirão decisivamente na decisão final do eleitor.

De um lado, o temor da tendência autoritária de Bolsonaro que, caso saia fortalecido pelas urnas, poderá tentar implantar uma “democracia” ao seu modo no país, no estilo de Erdogan, na Turquia.

Bolsonaro também se considera irmão do político de ultradireita na Hungria, Viktor Orban que combate o sistema judiciário húngaro e entidades de direitos humanos.

De outro lado, o temor de que se repitam os fatos públicos e notórios de corrupção nos governos petistas, com devoluções de somas astronômicas de dinheiro público.

Todos esses temores são agravados, em razão do lulismo e do bolsonarismo terem seguidores, que embora não sendo maioria, formam verdadeiras seitas, com “bolsões” de fanáticos, intolerantes, descompensados, que não raciocinam, apenas repetem “chavões” e se consideram acima do bem e do mal.

O que se observa é que a polarização leva consigo um aprisionamento ao passado dos dois candidatos e o medo de que por isso o futuro seja comprometido.

Não há preocupações com propostas e visões do futuro do país.

A força de Lula surge no ódio a Bolsonaro.

A força de Bolsonaro do ódio a Lula.

A história das eleições presidenciais brasileiras mostra que as campanhas eram diferentes.

Tradicionalmente, antes da explosão do ambiente polarizado, campanhas presidenciais envolviam o mínimo de proposições sobre o futuro, num jogo onde o eleitor aceita perspectivas de um futuro melhor do que o existente.

Hoje nada disso existe.

Situação muito difícil.

Para onde vamos?

Deus nos proteja!

Ney Lopes  é advogado, jornalista e ex-deputado federal

Amizades e saúde mental

Estou seguindo à risca um objetivo para esse período asfixiante de campanha eleitoral doentia, carregada de ódio e fanatismo: preservar amizades e minha saúde mental.

Se não der a primeira, quero assegurar a segunda.

Tudo passa!

Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo Twitter AQUI, Instagram AQUI, Facebook AQUI e YouTube AQUI.

A morte da cordialidade

Foto ilustrativa
Foto ilustrativa

Quanta gente tem-me surpreendido ao vivo e virtualmente nos últimos anos.

Constatamos a morte da cordialidade em família e sociedade.

Surtos de cultura artificial, profundo desconhecimento sobre tudo, fanatismo e ódio, acuaram a civilidade e o bom senso.

Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo Twitter AQUI, Instagram AQUI, Facebook AQUI e Youtube AQUI.

Um Brasil finalmente unido

Rayssa Leal faz uma manobra na final (Foto: Ezra Shaw-Getty Images)
Rayssa Leal faz uma manobra na final (Foto: Ezra Shaw-Getty Images)

Bom saber que nessa madrugada, o Brasil finalmente se uniu, deixando de lado a estupidez, as fake news, fanatismo e ódio.

Torceu pela menina skatista Rayssa Leal, 13 anos, Prata nas Olimpíadas de Tóquio.

Meninos eu não vi, mas gostei demais.

Viva a maranhense Rayssa!

Saiba mais sobre essa vitória gigante clicando AQUI.

Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI e Youtube AQUI.

O mal é o que sai da boca do homem

O largadão "Greg", o insano Tim Jones e o presidente que faz e prega o contrário do que seu governo diz (Fotomontagem Canal BCS)
O largadão “Greg”, o insano Jones e o presidente que faz e prega o contrário do que seu governo diz (Fotomontagem Canal BCS)

Eu era bem mais jovem do que sou hoje. O ano? Estávamos em 1983. Na Rede Globo de Televisão havia uma novela de muito sucesso e catalisadora da atenção de telespectadores em todo o país, no horário das 8 da noite: Champagne.

Um dos personagens, lembro bem o nome do ator, Cássio Gabus Mendes, aparecia como um jovem largadão e tinha como um dos ornamentos à mostra, certo colar feito com fio ondulado de telefone e fechado por uma trava comum a chaveiros levados à cintura de calças/bermudas.

A força de influência da televisão, daquela figura e da narrativa, eu pude verificar na comunidade de Ponta do Mel em Areia Branca, coisa aí de uns 67 quilômetros de Mossoró.

Ainda em boa parte com estrada carroçável, a gente chegava por lá de moto e desfrutava daquela beleza idílica, de uma paz celestial e da convivência generosa com sua gente.

Como reflexo da novela, vi incontáveis adolescentes e adultos com aquele troço enroscado no pescoço.

Passados tantos anos, as imagens ainda estão em minha memória e, tenho certeza, que a moda bizarra logo passou, sem que causasse nenhum prejuízo pessoal ou coletivo àquela comunidade. Sei, sem dúvidas, que milhares de outras pessoas em todo o Brasil, das cidades grandes aos rincões, imitaram Cássio Gabus Mendes e seu personagem legal.

Agora, deparo-me com um presidente da República do meu pais insistindo, como o fez desde o começo da pandemia, para que não se use máscara à proteção contra o coronavírus (Covid-19). Se antes era por estímulo próprio de seu mau exemplo, dessa feita orienta e estimula seu ministro da Saúde (Marcelo Queiroga) a diligenciar providências para que seja derrubada qualquer obrigatoriedade (veja AQUI) dessa peça preventiva, universalizada no mundo.

Ao contrário de “Greg”, interpretado por Cássio Gabus Mendes, um punk boa gente, divertido e inofensivo naquele seu figurino maluco, Jair Bolsonaro não é uma invenção da dramaturgia. Promove um mal de grandes proporções e por sua influência pessoal – como o faz desde o princípio, repito – pode levar milhares e milhares de pessoas à morte.

Sua postura não é motivo de graça ou mesmo piada, mas de apreensão. Um homem que é “mito” para tantos milhões de pessoas, com o poder de influenciá-las, cada vez que contraria a lógica, a ciência e passa por cima de um pingo de bom senso, arrasta consigo multidões de fanáticos e ignorantes a comportamento espelhado, repetitivo e letal.

É uma versão atualizada e numa dimensão muito maior, do pastor norte-americano Jim Jones, que em 18 de novembro de 1978, na Guiana, levou 918 pessoas a morrerem em um misto de suicídio coletivo e assassinatos.  Se você não conhece essa história verdadeira e aterradora, pesquise.

A forma de agir e linguagem de Bolsonaro são tão nocivas, que não adianta muitos de seus escudeiros pagos ou não, como o ministro Fábio Faria (PSD), dissertar sobre medidas do governo na distribuição de vacinas e bilhões ao enfrentamento da Covid-19. A pessoa que melhor poderia guiar a massa depõe contra a própria propaganda oficial.

O governo é Bolsonaro, o que ele faz e fala; o governo não é o que Fábio Faria espalha.

O pastor Jim Jones arranjou um concorrente à altura. Infelizmente. E não estamos na Guiana nem nos anos 70. Que boas lembranças da figuraça do Greg e da inocência daqueles tempos em Ponta do Mel. O mal é o que sai da boca do homem.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo  TwitteAQUIInstagram AQUIFaceook AQUI e Youtube AQUI.

Tudo pode piorar

O Brasil está sem ministro titular na Saúde (veja AQUI) há quase uma semana, batendo recordes de mortes pela Covid-19.

Paralelamente, é incessante a guerra política entre duas manadas de fanáticos.

Se você acha que tudo pode piorar, é possível que estejas certo.

Leia também: O país de Bolsonaro e de Lula;

Leia tambémPaís chega a quase 18 mil óbitos por Covid-19.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo  TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUIYoutube AQUI.

O funil do fanatismo

Por François Silvestre

Tudo tem limite. Tudo. A terra não é plana, mas limita-se. No entorno dela, aconchega-se a atmosfera. É um limite.

No momento em que um astro maior atrai um menor, que também o atrai, os atraentes se compõem e se limitam. Não fosse assim, o Sol engoliria a Terra e a Terra engoliria a Lua.

Isso não ocorre pela limitação gravitacional. Na relação direta do produto das massas e inversa do quadrado das distâncias. Newton descobriu, mas disse que o fez por postar-se nos ombros de gigantes.

Einstein subiu nos ombros de Newton e viu mais longe do que ele. Nos ombros de Einstein subiu Stephen Hawking.

Assim dito, o registro da tristeza de ver o fanatismo invadir o cérebro de pessoas inteligentes, de conhecimento antigo, professando estupidez como se dialética fosse.

Descrentes das divindades espirituais virarem adoradores de divindades humanas, e o pior, no que há de mais escatológico nesses adorados. Sem qualquer avaliação inteligente sobre o risco ridículo das suas crenças.

De tal natureza, que o limite da tolerância não se esgota. Mas se agasalha no limite da complacência.

E se Newton disse que descobrira coisas novas por postar-se nos ombros de gigantes, pensadores antes dele, o fanático inteligente usa ombros de anões pra ver mais perto do que poderia ver a sua própria inteligência.

François Silvestre é escritor

Um fio que liga bolsonarista e lulista intimamente

Lula e Bolsonaro têm o poder de 'controlar' multidões que os veem como perfeitos e infalíveis e vítimas (Foto: Web)

Cada dia que passa o bolsonarista está mais parecido com o lulista. Posso jurar que são irmãos siameses.

Impressionante.

Cara de um, focinho do outro.

Em tudo enxergam conspiração contra seu amo (todos tramam contra eles).

São adeptos do dogma da infalibilidade (eles nunca erram).

A culpa é sempre de outra pessoa ou instituição (complexo de transferência de culpa).

Tudo isso se explica com uma palavra: fanatismo.

É um estado psicológico de fervor excessivo, completamente irracional e fica entranhada no indivíduo por qualquer coisa ou tema. Essa paranoia se aproxima do delírio, com consequências muitas vezes imprevisíveis e incontroláveis.

* Essa postagem não contém tarja preta, consciente de que pode causar raiva vulcânica em bolsonarista e lulista.

Calma!

Leia também: Errar é humano, mas não para Lula, Bolsonaro e Pompeia.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo  TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUIYoutube AQUI.

O fanatismo e a idade

Por François Silvestre

Na juventude, o fanatismo pode ser ingenuidade ou lavagem cerebral.

O da ingenuidade se cura com o amadurecimento.

O da lavagem cerebral se gruda à mente feito tatuagem, e deságua no fundamentalismo.

É assim o fanatismo da mocidade.

Na idade adulta, o fanatismo nasce decorrente da esclerose intelectual. Não tem cura.

O único jeito é evitar o contato, que não produz contágio mas enche o saco…

François Silvestre é escritor

Rio, do verbo rir…

Por François Silvestre

Não posso evitar, e rio. De rir e não de Grande do Norte ou de Janeiro. Mas é engraçado. Notícias do ocorrido são seletivas, dependendo da opinião do noticiante. Jornalismo? Pode ser, pois tudo agora pode ser.

Queiroz aconteceu, Flávio 01 também. Até pescaria em angra, coisa de rico. Num lado, alarde, mais que notícia. No outro, silêncio, ignorando a notícia.

Noticia-se a possível candidatura de Moro. A prefeito? Não. Vereador? Não. A vice-presidente.

Mas a próxima eleição é para presidente? Não. Só daqui a três anos. Pois é. Bolsonaro lança Moro provável candidato a vice, pra daqui a três anos, e vira notícia. Futurismo do fanatojornalismo.

Desvio de atenção do real. Papa na boca dos bestas. Mesmo assim, rio.

Nem do Norte, nem do Mês. do verbo rir de como riem as hienas.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo  TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUIYoutube AQUI.

Capitalismo de quintal

Por François Silvestre

O capitalismo brasileiro é pré-feudal, o socialismo brasileiro é pré-burguês e a política do Brasil ainda cisca no terreiro da caverna.

Tudo no contorno infindável da promiscuidade público-privada, estuário institucionalizado da trampolinagem e demagogia. Horta fértil de cujo estrume brotam “salvadores da pátria”.

A dialética, no Brasil, não tem tese. Só antítese, sem síntese.

Desordem institucional, desonestidade administrativa e farsa de controle.

O único governo que tentou reformas de base, inclusive agrária, foi João Goulart, um latifundiário. E caiu por isso. Imprensado no meio da guerra fria, travada pelo império capitalista americano contra o império militarista da burocracia soviética.

A pátria dos quartéis vendeu-se.

A pátria dos políticos prostituiu-se.

O povo recebeu a sucata da pátria, cujo conserto, hoje, atropela-se na dialética da mediocridade.

Só a vontade coletiva poderá romper o fracasso.

Uma seita não faz oposição, propõe canonização.

Um conluio fascista não faz reformas, arruma rifa entre amigos.

Só a consciência coletiva, se ainda tivermos, apontará um Norte. Seja da estrela Polar ou do Cruzeiro do Sul.

François Silvestre é escritor

Os extremos estão cada dia mais próximos

Os extremos estão cada dia mais próximos na política brasileira.

Em boa monta, esse é um fenômeno derivado do fanatismo.

Repelem a razão e ignoram qualquer argumento que não atenda à sua adoração extremada.

Como se parecem.

“Os extremos se encontram”, ensina um provérbio português.

Com certeza.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUIYoutube AQUI.

Cangaço e coronelismo no Rio Grande do Norte

Por Honório de Medeiros

Quem critica o Cangaço hostiliza a História e não entende o que é o Poder. O Cangaço lança luz sobre a História e o Poder, em intrincada trama com o Coronelismo e o Fanatismo (Misticismo).

São os seguintes os principais cangaceiros que escreveram parte de sua história no Estado do Rio Grande do Norte: José Brilhante de Alencar Souza (o “Cabé”), nascido em Pombal, na Paraíba, em 1824, e morto em Pão de Açúcar, Alagoas, em 1873; Jesuíno Alves de Mello Calado (o “Jesuíno Brilhante”), nascido em Martins, RN, em 1844, e morto em Belém de Brejo do Cruz, novembro/dezembro de 1879; Macilon Leite de Oliveira (o “Massilon”), nascido em Timbaúba dos Mocós, 1897, e morto em Caxias, Maranhão, em 1928; e Virgolino Ferreira da Silva (o “Lampião”), nascido em 4 de junho de 1898, em Serra Talhada, Pernambuco, e morto em 28 de julho de 1938, em Poço Redondo, Sergipe.

O único norte-rio-grandense era Jesuíno Brilhante, o primeiro dos cinco grandes da história do cangaço: Jesuíno, Antônio Silvino, Sinhô Pereira, Lampião e Corisco, eis a ordem cronológica.

José Augusto: liderança (Foto: arquivo)

Existe a suspeita de que Virgínio Fortunato da Silva (o “Moderno”), viúvo de uma irmã de Lampião, Angélica Ferreira da Silva, era dos Fortunado de Alexandria, no Rio Grande do Norte, mas isso nunca foi comprovado.

E são os seguintes os fatos na História do Rio Grande do Norte nos quais Coronelismo e Cangaço estão fortemente entrelaçados: a invasão de Martins por Jesuíno em 1876; a invasão de Apodi por Massilon em 1927; a invasão de Mossoró por Lampião e Massilon em 1927.

Todos essas atividades cangaceiras estão conectadas com o coronelismo.

Não houve Coronelismo no Sertão nordestino sem entrelaçamento com o Cangaço; não houve Cangaço sem Coronelismo.

Acrescente-se a esses ingredientes o Fanatismo (Messianismo) e teremos um ponto-de-partida para a real história da época dos coronéis e cangaceiros. Sempre tratamos esses fatos pelo como aconteceu, de forma folclórica, no sentido negativo do termo, mas precisamos nos indagar o porquê factual que os originou.

Tanto o coronelismo quanto o cangaço são expressões particulares do momento histórico específico que caracteriza o fim da República Velha no Sertão nordestino, muito embora seu padrão, enquanto disputa pelo Poder, seja recorrente na história das civilizações, sob outras formas, haja vista, por exemplo, o feudalismo europeu e japonês, e sua semelhança com esse objeto de estudo.

As invasões de Apodi e Mossoró são indissociáveis, e se constituem em epicentro de um processo político que durou aproximadamente dez anos e dizem respeito a disputas políticas entre famílias senhoriais do Sertão paraibano e potiguar, tendo como fio-condutor, protagonista, o cangaceiro Massilon.

Em 1924 José Augusto Bezerra de Medeiros, legítimo representante da fina flor da aristocracia rural algodoeira do Rio Grande do Norte, chegou ao poder. Seu intento, segundo cronistas da época, era construir uma oligarquia semelhante a dos Maranhão.

Em 1927 o Rio Grande do Norte, cujas principais regiões eram Natal, o Oeste e o Seridó, pareciam sob seu controle político, excetuando-se o crescimento político e econômico dos Fernandes cujas raízes estavam fincadas na Região que começava em Mossoró, passava por Pau dos Ferros, e terminava em Luis Gomes, fronteira com a Paraíba.

Rafael: eleição (Foto: arquivo)

Em 1928 Zé Augusto elegeu seu sucessor, o sobrinho-afim Juvenal Lamartine. Mas em 1930 veio a Revolução que culminou com o golpe político que elevou Getúlio Vargas ao Poder. E Getúlio entregou o poder, após uma série de interventores, a Mário Câmara, aliado de Café Filho e dos adversários de Zé Augusto no Estado.

Zé Augusto reagiu. Driblou as pendengas com os Fernandes, afinal faziam parte da mesma base econômico-política, a aristocracia rural algodoeira que dominava o Seridó e o Oeste, e juntos criaram o Partido Popular para lutar contra a candidatura de Mário Câmara em 1934.

E assim, na mais cruenta eleição que jamais houve no Rio Grande do Norte, o Partido Popular saiu vitorioso, e Rafael Fernandes, o líder da família Fernandes, foi eleito Governador do Estado. Zé Augusto elegeu-se Deputado Federal.

Durante a campanha foram assassinados o Coronel Chico Pinto, em Apodi, e Otávio Lamartine, filho de Juvenal Lamartine. Espancamentos, ameaças, humilhações, depredações, foram incontáveis. O Coronel Chico Pinto era ligado aos Fernandes; Otávio Lamartine a Zé Augusto.

À sombra de ambos, tramando contra, outros coronéis; à sombra desses coronéis, os cangaceiros…

Honório de Medeiros é escritor professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Governo do RN

O meu lado de ver e sentir

Por François Silvestre

Fui carola do catolicismo na infância. De rezar, confessar, comungar. Mãe Guilé foi minha primeira influência, no afago do seu jardim florido e no afeto que guarda minhas melhores lembranças da infância. Nunca mais eu tive nada parecido com a casa da minha avó. Seu jardim de jasmins e resedás.

Por essa dívida eu ainda concordo com Mãe Guilé? Não. A ela devo gratidão, mas abomino tudo que ela tentou impor-me de crenças e opiniões. Guardo seu colo, reverencio seu coração, mas dispenso seu pensamento. 

Depois, o Diocesano de Caicó. A primeira janela para o mundo. No trem sem linha, cujos catabis, nas estradas, de um velho caminhão de mangai eu ingressei na primeira e única universidade da minha iniciação.

Foi lá, nesse Colégio de padres, por quem guardo admiração reverencial, que comecei a duvidar dos deuses de Mãe Guilé. Monoteísmo de três deuses. Nada contra.

São os mitos mais fantásticos da criação humana. E o homem na ânsia de explicar-se criatura acaba criando os deuses que explicam sua existência. Criador criatura dos seus criadores.

Aí vem o fim da adolescência, o contato com teses revolucionárias, a constatação das injustiças sociais, o apelo à luta dosada de romantismo e esperança. Valia tudo pelo sacrifício pessoal. A negação do indivíduo, sacrificado pelo bem coletivo.

No que resultou? Na criação de mais um mito. Os deuses negados foram substituídos por novas divindades. Tudo mantido e alimentado no campo fértil do fanatismo.

Até que a ficha despenca. Ou despenha, igual a bananas maduras no cacho esquecido da bananeira.

A constatação histórica da falência dessa crença não me levou ao conluio com a crença antagônica. A esquerda foi a negação da minha esperança. A direita é a confirmação de que eu estava certo, mesmo errando.

Aqui eu mando um recado aos fanáticos. Tenho pena de vocês. Bocós. Vocês são manipulados e manipuláveis nesse embate de espertos aproveitadores da sua ignorância.

Rebanho. Cada lado cego da safadeza dos seus. E ávidos cobradores da sacanagem dos não seus. Mas todos são seus. Todos. E todos sobrevivem nessa patifaria porque contam, cada lado, com a burrice dos seus seguidores. De um lado e do outro.

A esquerda, que trocou o sonho pelo populismo esmoler; E a direita cujo sonho continua sendo a ganância.

Ambas irmãs, diferentes apenas na forma. O conteúdo é o poder, pra cujo alcance não há escrúpulo.

Não existe combatente mais fácil do que o estúpido. E o fanatismo é o estuário confortável da estupidez. Té mais.

François Silvestre é escritor

Cangaço, coronelismo e fanatismo são manifestações do poder

Por Honório de Medeiros

O coronelismo e o cangaço, assim como o fanatismo (misticismo) tão característicos de certo período histórico do Sertão nordestino brasileiro, são manifestações do fenômeno do Poder, de como ele é obtido, se instaura  e é mantido em qualquer circunstância.

A forma como o Poder se instaura diz respeito a fatores circunstanciais, mas o conteúdo permanece o mesmo desde que o Homem surgiu na face da terra.

Exemplos que comprovam essa afirmação são quaisquer processos políticos que aconteceram ao longo da história, tais quais os descritos em farta literatura acerca de Atenas, Roma, a Inglaterra vitoriana, ou qualquer outro que seja. A forma se modifica ao longo do tempo em decorrência do avanço tecnológico, por exemplo.

Se antes o Homem combatia com arcos e flechas, hoje usa mísseis teleguiados.

Assim, o coronelismo, o cangaço e o fanatismo são “cases” do fenômeno do Poder próprios de uma determinada circunstância histórica. São semelhantes, em sua estrutura, ao feudalismo europeu e japonês.

As narrativas acerca do coronelismo, cangaço, e fanatismo devem ser estudadas levando-se em consideração o fator de “ocultamento” que é próprio da lógica de atuação dos que detêm o Poder. Nesse sentido, escrever, omitir, manipular, direcionar os textos, tudo isso e mais, cumprem o papel de impor a lógica dos que podem impor sua percepção das coisas e dos fenômenos.

No Rio Grande do Norte, por exemplo, é difusa, porém persistente, a concepção de que os coronéis da política eram homens afastados da lide com o cangaço, bem como é persistente a concepção de que o cangaço, excetuando a invasão de Mossoró por Lampião, pouca relevância teve no Rio Grande do Norte.

São “esquecidos” José Brilhante, o Cabé; Jesuíno Brilhante; a invasão de Apodi por Massilon; a invasão de Mossoró por Lampião e Massilon; e a morte de Chico Pereira.

Não se estuda, como deveria ser estudado, a invasão de Apodi por Massilon e sua relação com a invasão de Mossoró por Lampião pouco mais de um mês depois. Bem como não se estuda a participação do coronelato da Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte no evento.

E perdemos todos pois, na verdade, em essência, o que se deve estudar quando analisamos fatos históricos como esses, é o fenômeno do Poder, tão onipresente quanto a existência do Homem na face da terra.

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Governo do RN

O “ismo” que deforma

Por François Silvestre

O fanatismo é o sarampo da inteligência. Lênin dizia que o esquerdismo era a doença infantil do comunismo. A revolução de 1917, que pariu a União Soviética, desaguou no fundamentalismo stalinista. Uma praga que só serviu ao capitalismo, presenteando-o indevidamente com a bandeira das liberdades fundamentais.

O fanatismo antissemita produziu o holocausto, que de tão violentamente brutal, dispensa comentário. O seu antípoda, o sionismo, tem praticado intolerância e violência a dificultar a implantação do Estado palestino.

Tudo com base em interesses do poder e da economia, onde deuses e religiões, mitos e seitas justificam tudo. E nessa seara tudo é poder e dinheiro. O ser humano, se é que há, fica na rabeira da fila.

Os tiranos não são fanáticos. Fanáticos são os seus seguidores. Os idiotas que se imolam para manter viva a violência fundamentalista. Seja no poder de tiranias de Estado ou de grupos dispersos, onde a estultice fabrica tragédias.

Os chefes ou “líderes”, no fundamentalismo”, agem como os traficantes de droga. Traficam, vendem, mas não usam. O uso fica para os viciados. Nenhum líder fundamentalista se veste  de bombas para explodir junto com suas vítimas. Isso é tarefa dos estúpidos, reduzidos à condição de esterco pensante. Terrorista e torturador são excrementos, que nem pra adubo servem.

A palavra não é só resultado do processo adâmico. Ela tem a força da bomba ou a fraqueza do lodo.

Poucas palavras têm a força da edificação que habita o substantivo “fundamento” e o adjetivo “fundamental”. Pois bem; basta uma desinência para desmoralizá-los.

Há um sufixo prostituto que deforma a semântica dos fundamentos. É o “ismo”. Quando se agrega a uma palavra dificilmente lhe preserva a dignidade originária. Vírus semântico. É o caso do fundamentalismo.

O fundamentalismo está espalhado em todo o mundo. À espreita em cada canto, angariando adeptos e recrutando idiotas.

No Brasil, onde tudo tem um toque de hipocrisia, há formas disfarçadas de fundamentalismo. Basta ver os blogs e twitters durante a última campanha eleitoral. Nos dois lados.

Sem falar no fundamentalismo “ético”, da cretinice que inverte o princípio da presunção de inocência, ao transformar acusação em julgamento. Todo moralista carrega escondido no íntimo da sua alma penada um matulão de “defeitos”, que lhe motivam ira ou preconceito.

Sartre dizia que o inferno eram os outros. Assim também ocorre nas discussões políticas que embalam as redes sócias: fanático é quem discorda de você.

Há também que se levar em conta uma realidade que sai do campo político e vai desaguar nos mananciais da antropologia.

Não somos ainda a Humanidade. Somos o elo intermediário entre os ancestrais de onde viemos e a Humanidade que há de vir. Somos pré-humanos. De tecnologia evoluída e humanidade embotada. Tribais da barbárie, intelectualmente desnutridos.

A Humanidade corre o risco de nunca existir, pois depende da nossa sobrevivência para nos suceder. Ao nos destruirmos impediremos seu nascimento. Té mais.

François Silvestre é escritor

Fanatismo – a manifestação de força dos fracos

Por Carlos Santos

O fanatismo é a única forma de força de vontade acessível aos fracos“.

(Friedrich Nietzche)

O fanatismo – principalmente religioso e político – só levou a humanidade ao atraso, ao obscurantismo, à segregação e a estupidezes. Fanatismo é uma fortaleza perene no Rio Grande do Norte e demais recantos desse vasto mundo terreno e da alma humana.

Num passeio pela história do homem até nosso tempo, é fácil identificar como o fanatismo freia a evolução da espécie: da ciência à organização social. 

O fanático é um autista. Para ele, há um mundo próprio, com valores ortodoxos.

Seus dogmas, lógico, estão certos e são indiscutíveis. Sempre.

Nessa cegueira, o fanático estabelece o maniqueísmo como bússola, julgando tudo e a todos sob a bifurcação do bem e do mal. O bem, o seu lado. É o que ele defende, muitas vezes sem saber exatamente o que advoga como verdade.

O que seria de nós sem o Iluminismo, a democracia e o ponto de interrogação, em contraponto às trevas, o cesarismo e às maria-vai-com-as-outras?

Reflitamos quanto ao que nos aprisiona.

Na cela insalubre do fanatismo, ninguém pode se sentir ou se imaginar livre. É súdito da limitação.

Vejo duas modalidades de fanáticos: o que se tornou besta-fera por restrição cognitiva e o outro, que age assim para tirar proveito próprio, como um “fanático esclarecido”.

Nos dois casos, uma só vítima: o homem.

De ambos, a mesma conduta deletéria: um, tangido pela ignorância primária; outro, pela esperteza torpe.

Não… não insista. Não adianta discutir com ele.

O fanático é antes de tudo um idiota, o senhor da razão – pensa.

Mantenha-o ocupado; seja indiferente…

Intolerante, o fanático não debate, agride.

O fanático não conversa, ruge.

O fanático não se contrapõe a argumentos, ataca o argumentador.

Quem é o fanático?

É aquele indivíduo que ironizou Cristo na cruz, o SS nazista que cumpriu ordens do III Reich para queimar judeus ou aquele borra-botas que só vê virtudes em seu líder político.

Todos, cada um em seu contexto histórico e circunstância, age como fanático, incapaz de se portar com prudência e racionalidade.

Somos as suas vítimas até hoje.

Esse homem-bomba, como todo homem-bomba, é o primeiro a morrer em seus delírios.

Deixe-o ir só às profundezas de sua pobreza e insanidade.

Sejamos indiferentes…