De vez em quando converso com um amigo sobre o seu estado de saúde. Ele vem atravessando um momento delicado na vida, pois, há algum tempo, foi diagnosticado com uma séria doença, necessitando de tratamento e acompanhamento constantes para debelar o mal.
Porém, o que me deixa admirado é a sua força e a sua fé. Apesar de aqui e acolá ter momentos de fraqueza, o que é natural, ele continua a lutar, a rogar a Deus pela sua plena recuperação. E o faz, diga-se, com uma energia contagiante; não desanima, acredita piamente que sairá dessa. E sairá, se Deus quiser.
Lembro-me de uma passagem do Evangelho na qual Jesus segura na mão de um discípulo e lhe diz: “homem de pouca fé, por que duvidaste? E levantando-se repreendeu o vento e o mar, e se fez calmaria”. (Mateus 14:31).
Com efeito, quem de nós, às vezes, não fica temeroso ao enfrentar uma tempestade na vida? Todos, creio. É comum vacilar, tremer, fraquejar. Entretanto, para quem tem fé, o fardo fica mais leve. Encontra-se força de onde nem se imagina; levanta-se a cabeça e segue-se em frente, firme e forte.
O fato é que ninguém sabe o que o outro está enfrentando. As batalhas da vida muitas vezes são silenciosas, e precisamos de força interior para digladiar com os problemas. Vez outra, como sabemos, perdemos uma batalha. No entanto, o que realmente importa é levantar, bater a poeira, erguer a cabeça e seguir adiante. Se hoje não deu certo, amanhã, certamente, dará.
Por falar nisso, noutro dia eu vi uma carreata pelas ruas de Mossoró que me deixou bastante emocionado. Uma mulher, dentro de um carro, acenava para as pessoas nas ruas e nas calçadas, feliz da vida, pois tinha conseguido vencer a luta contra o câncer. Por onde ela passava, as pessoas acenavam de volta, vibrando com a sua vitória, emanando boas energias.
Bom, não sei quais batalhas você está enfrentado. Só sei que eu tenho as minhas e procuro enfrentá-las com força e fé, tal qual o meu querido amigo. Desistir, decerto, não é uma opção.
Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos
Irmãs Diocesanas do Divino Coração são ligadas à Arquidiocese de João Pessoa-PB (Foto: Arquivo)
A Festa de Santa Luzia 2025 anuncia, com alegria, a apresentação das Irmãs Diocesanas do Divino Coração. Vindas da Arquidiocese de João Pessoa (PB), as religiosas trazem o carisma de ser “elo entre as ovelhas e o Bom Pastor”, conduzindo os fiéis por um caminho de oração, entrega e confiança na ação de Deus.
O show acontece na próxima sexta-feira (12), às 21h, no adro da Catedral de Santa Luzia. Com canções que tocam o coração, como “Fornalha de Fogo” e “Ser Elo”, as Irmãs prometem uma noite marcada pela adoração, pela devoção sincera e pela experiência viva da fé que move a festa da Padroeira de Mossoró e de toda a Diocese.
“Queremos viver esse momento de graça juntos. Venham participar do show das Irmãs Diocesanas e de toda a programação da Festa de Santa Luzia, que segue até o dia 13. Que a luz da nossa Padroeira ilumine cada família e cada coração”, reforçou o padre Antoniel Alves da Silva, coordenador-geral da festa.
Confira a programação completa do dia 12
12° DIA DO TREZENÁRIO
06h – Missa na Catedral de Santa Luzia
07h às 10h – Confissões na Catedral de Santa Luzia
07h às 11h – Adoração ao Santíssimo Sacramento, na Catedral de Santa Luzia
11h30 – Missa na Catedral de Santa Luzia 16h – Trezena na Catedral Pregador: Pe. Ilário Dênis (Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição – Alexandria/RN) 1
8h – XVII MOTO ROMARIA DA LUZ Saída: Motoeste Honda Chegada: Catedral de Santa Luzia
18h – Palco Luz – Música religiosa PraGod, no adro da Catedral
19h30 – Trezena no Catedral, com o pregador Dom Francisco de Assis Gabriel dos Santos (Bispo Diocesano de Cajazeiras/PB)
21h – Show com as Irmãs Diocesanas do Divino Coração
Iniciativa religiosa e social está com preparativos em andamento (Foto: Arquivo)
Seguem os preparativos para a 20ª Caminhada de Santo Expedito, um dos eventos religiosos mais tradicionais da região de Mossoró. Vai reunir centenas de fiéis do santo das causas urgentes e impossíveis.
A caminhada está agendada para sair às 00h19 do dia 27 de abril, da Praça do Rotary, em Mossoró, bairro Nova Betânia, em direção à Capela de Santo Expedito, no Sítio Vertentes, em Baraúna. O percurso é de 21 km.
Ao longo dessas duas décadas, a caminhada se consolidou como um momento especial de espiritualidade, reunindo, a cada ano, um número crescente de peregrinos, que fazem o percurso em agradecimento ou em busca de bênçãos.
O evento, que começou com promessa pela recuperação da saúde de uma doença grave, hoje movimenta centenas de participantes, devotos de Santo Expedito.
Quem desejar participar dessa iniciativa poderá optar por adquirir a camiseta oficial da 20ª Caminhada de Santo Expedito, disponível nas Lojas Aleatory (ND Mall). Com a camiseta, o participante concorre a vários sorteios que acontecem na concentração do evento.
Parte do valor arrecadado será revertido para entidades filantrópicas.
Acompanhe todas as atualizações e registros do evento no perfil oficial: @caminhadadesantoexpedito
A procissão de Santa Luzia foi concluída à noite desta sexta-feira (13), com a chegada da imagem da padroeira no adro da Catedral que leva seu nome, em Mossoró.
A fé e a religiosidade marcam os festejos (Goto: Igor Melo)
Iniciada no dia 1º de dezembro, a festa de Santa Luzia de Mossoró segue com ampla programação até a próxima sexta-feira (13), Dia de Santa Luzia.
Nesta semana, têm continuidade as missas, novenas, palcos de músicas religiosas e culturais, Oratório de Santa Luzia, confissões e adoração ao santíssimo.
Na quinta-feira (12), tem o show de padre Nunes, logo após a apresentação do oratório. Já de meia noite tem início a Procissão da Luz, com saída da Catedral de Santa Luzia em direção a Igreja Matriz de São Manoel.
No dia 13, a programação é extensa com missas na Catedral às 5h, 6h30, 8h, 10h e 14h. O bispo diocesano Dom Francisco de Sales preside a missa solene das 10h.
Às 15h, tem missa no Santuário de Santa Clara.
No mesmo horário, ocorre a Revoada da Luz, que sai do município de Tibau, com a imagem de Santa Luzia, com destino ao Aeroporto Dix-sept Rosado, em Mossoró. Já às 17h tem a tradicional procissão de Santa Luzia, com saída do Santuário de Santa Clara, passa pela Avenida Presidente Dutra e chega a Catedral de Santa Luzia de Mossoró, seguida do Grande Sorteio.
Toda a programação é transmitida ao vivo pelo Youtube da Paróquia de Santa Luzia e pela Rádio Rural de Mossoró (AM 990).
Confira a programação completa desta semana.
DIA 10.12 – TERÇA-FEIRA
TEMA: O Pai-nosso: a oração dos filhos. “Quando orardes dizei: “Pai, santificado seja o teu nome…” (Lc 11, 2)
NOITEIROS: Paróquia Menino Jesus, Comunidade Boa Nova, Comunidade Fides in Deum, Comunidade Shalom, Pastoral do Batismo, Pastoral dos Surdos, Pastoral Catequética, EJOC – Encontro de Jovens Católicos.
Veja sequência da programação hoje:
16h – Novena. Pregador: Pe. José Alves de Paiva Júnior (UniCatólica)
18h – Louvor & Luz – Música religiosa – Chris Duarte
19h30 – Novena. Pregador: Dom João Santos Cardoso – Arcebispo de Natal
21h – Palco Eventos Culturais – Música ao vivo
21h – Oratório de Santa Luzia
DIA 11.12 – QUARTA-FEIRA
TEMA: A oração, grito confiante do coração elevado a Deus. “Apresentai a Deus todas as vossas necessidades pela oração e pela súplica, em ação de graças…” (Fil 4, 6)
NOITEIROS: Paróquia Nossa Senhora de Fátima, Lar da Criança Pobre de Mossoró, Comunidade Renascer, Pastoral Social, Comissão dos Diáconos Permanentes, CÁRITAS, Serviço de Apoio aos Projetos Alternativos Comunitários – SEAPAC.
06h – Missa na Catedral de Santa Luzia
07h às 10h – Confissões na Catedral de Santa Luzia
07h às 11h – Adoração ao Santíssimo Sacramento – Catedral de Santa Luzia
11h30 – Missa na Catedral de Santa Luzia
16h – Novena. Pregador: Marcos Maciel de Souza Araújo (Seminário Santa Teresinha)
18h – Louvor & Luz – Música religiosa – GVT Ministério Fica Senhor Comigo, Comunidade Padre Pio
19h30 – Novena. Pregador: Pe. Edson Medeiros de Araújo – Adm. Diocesano de Caicó
21h – Palco Eventos Culturais – Música ao vivo
21h – Oratório de Santa Luzia
DIA 12.12 – QUINTA-FEIRA
TEMA: A oração, necessidade vital para o discípulo. “Com orações e súplicas de toda sorte, orai em todo o tempo, no Espírito…” (Ef 6, 18)
NOITEIROS: Seminário Santa Teresinha, Associação Santa Teresinha, Filhos ausentes, PASCOM, Pastoral Vocacional.
06h – Missa na Catedral de Santa Luzia
07h às 10h – Confissões na Catedral de Santa Luzia
07h às 11h – Adoração ao Santíssimo Sacramento – Catedral de Santa Luzia
11h30 – Missa na Catedral de Santa Luzia
16h – Novena. Pregador: Pe. Antoniel Alves da Silva (Paróquia de Encanto)
18h – Louvor & Luz – Música religiosa – Conceição e Huederson
18h – XVI MOTO ROMARIA DA LUZ
Saída: Motoeste Honda
Chegada: Catedral de Santa Luzia
19h30 – Novena. Pregador: Dom Agnaldo Temóteo da Silveira – Bispo de Garanhuns
21h – Palco Eventos Culturais – Música ao vivo
21h – Oratório de Santa Luzia
23h – Show de Padre Nunes.
24h – PROCISSÃO DA LUZ
Saída: Catedral de Santa Luzia
Chegada: Paróquia São Manoel
DIA 13/12 – SEXTA-FEIRA
5h – Missa na Catedral de Santa Luzia
Presidida por: Pe. Francisco Cornélio Freire Rodrigues
6h30 – Missa na Catedral de Santa Luzia
Presidida por: Pe. José Victor dos Santos
Romeiros de Santa Luzia
Local: Escola de Artes
Café da manhã às 7h
Almoço 11h
8h – Missa na Catedral de Santa Luzia
Presidida por: Pe. Francisco Isaias da Costa
10h – MISSA SOLENE na Catedral de Santa Luzia
Presidida por: Dom Francisco de Sales Alencar Batista, O. Carm.
14h – Missa na Catedral de Santa Luzia
Presidida por: Pe. Eliseu Wilton de Maria
15h – Missa no Santuário de Santa Clara
Presidida por: Pe. Demétrio de Freitas Júnior
15h – Revoada da Luz
Saindo de Tibau/RN com destino ao Aeroporto Dix-sept Rosado
Imagem de Santa Luzia é símbolo da religiosidade cristã (Foto: Glauber Soares/Arquivo)
Veja a programação da Festa de Santa Luzia, padroeira de Mossoró, nesta quinta-feira (05):
TEMA: A Palavra, alimento da Oração. “Meditarei teus preceitos e considerarei teus caminhos” (Sl 119,15)
NOITEIROS: Paróquia de São José, Projeto Esperança Pe. Guido Tonelotto, Movimento Apostólico Mãe Rainha de Schöenstatt, Terço dos Homens, Abrigo Amantino Câmara, Consagração a São José, Comunidade Obra Nova.
06h – Missa na Catedral de Santa Luzia
07h às 10h – Confissões na Catedral de Santa Luzia
07h às 11h – Adoração ao Santíssimo Sacramento – Catedral de Santa Luzia
11h30 – Missa na Catedral de Santa Luzia
16h – Novena. Pregador: Padre Francisco Crisanto Borges de Araújo (Paróquia São José)
Santuário da Divina Misericórdia em Cracóvia, na Polônia Foto: Bruno Ernesto)
Aviso ao eventual leitor desavisado que, antes que ele perceba, não me julgo tão religioso quanto você pensa. Todavia, tenho fé e não sou ateu, embora creia genuinamente em Deus.
Após minhas férias e, pois, retomar o rumo da vida terrena da minha insignificância que alguns tantos julgam ser – embora, íntima e nitidamente, tenham sentido minha ausência -, logo que coloquei os pés na minha amada cidade, rumei para o templo sagrado do elixir mais democrático que existe – mais até que as famosas “Landsgemeinde” dos Cantões suíços -, me pus a saborear um café espresso bem prensado, tão reconfortante, feito quem volta o berço em busca de afago materno.
Há três coisas que são excelentes, quando bem prensadas: café, livros e paçoca de carne seca.
Já registrei em outras oportunidades que as cafeterias são um mundo à parte e você, não raro, se depara com toda sorte de gente, assuntos e acontecimentos: ordinárias e extraordinários.
Lembro ao querido leitor que também já mencionei em outras crônicas, que há pessoas que não têm qualquer cerimônia ao conversar em viva-voz em ambientes públicos, de modo que, nos ternos das normas sociais e jurídicas, o que se fala passa a ser de domínio público. Ninguém pode obrigar o outro a desescutar. E digo, caro leitor: a maldade de gente boa é tão pior que a bondade de gente ruim.
Explico: tudo girava em torno de um portão quebrado. Não suportavam tanto descaso do condomínio com o portão de acesso dos veículos que ora quebrava, ora voltava a quebrar.
– É um absurdo! Total falta de absurdo! Diziam.
Pelo menos a reunião semanal no salão de festas do condomínio para mais um ciclo de orações estava mantida.
Vez ou outra, sussurravam contorcendo conto da boca, rogando a Deus que certos vizinhos não fossem orar dessa vez. Por fidelidade à informação, quase indaguei o motivo da insurgência. Por sorte, pontuaram que nem todos do ciclo, são tão fervorosos.
Foi aí, então, que avisaram no grupo de whatsapp do condomínio que o portão continuaria “enteditado” até o início da noite.
– Absurdo! Disseram.
– Faz dois anos que ele diz portão entedidato!
Quando falaram sobre a casinha do lixo, pelo fato de um dos sacos de lixo ter se rasgado acidentalmente no dia anterior e deixado cair seu conteúdo no chão da casinha, disseram que o lixo deveria ter caído bem no meio da sala do condômino, como castigo, ao invés de sujar a casinha do lixo do condomínio.
– Absurdo! Quem já se viu, sujar a casinha de lixo do condomínio! Que suje o seu apartamento como merecido! Multa! Deveriam olhar as câmeras!
A par da situação, ouvindo aquela destilação de ódio bem ali na minha frente, sem maior cerimônia, reverberava na minha mente o que o saudoso Rubem Alves dizia a respeito de religiosidade.
Dizia ele ninguém oferece à Deus algo de bom. As pessoas pensam que Deus é sádico. Sempre oferecem sofrimento em troca de uma bênção – subir quatrocentos degraus de joelhos se alcançar uma graça -, quando Deus – dizia Rubem Alves –, em verdade, quer apenas um jardim de delícias, e não sofrimento.
Ao que parece, ao invés de estar florido pelo ciclo de orações semanal, o jardim permanece verde, no que pertine à genuinidade religiosa de alguns de seus frequentadores mais fervorosos.
Vendo isso, apesar do medo escatológico, vejo que eu, que não participo de nenhum ciclo de orações, talvez escape do inferno.
Crer, orar e agradecer a Deus sozinho e sem alarde, dentro ou fora de um templo religioso, me parece mais genuíno.
Como Chico César canta: Deus me proteja de mim, e da maldade de gente boa. Da bondade da pessoa ruim. Deus me governe e guarde, ilumine e zele assim.
Quando os caminhos de algumas pessoas se cruzam, talvez, seja a mão de Deus, talvez, o destino. Não sei. Mas, de vez em quando, esses encontros podem mudar a vida de uma pessoa; pode ser o início de uma nova caminhada, de um olhar diferente para um horizonte que, às vezes, encontra-se nublado.
Pois bem. Na semana passada, ao intimar uma jovem lá na cidade de Grossos, tive uma grata surpresa. Ela me disse que há algum tempo se encontrava triste, pois a sua família estava atravessando dificuldades financeiras, numa situação delicada, além do que, a sua mãe tentara suicídio.
Disse-me que na ocasião, ao intimá-la, eu conversei um pouco com ela, dizendo-lhe para levantar a cabeça, seguir em frente, com fé, e que nunca deixasse de estudar.
Ela me agradeceu, emocionada, dizendo-me que eu tinha sido um instrumento nas mãos de Deus para que não desistisse de tentar concretizar os seus sonhos. Disse que atualmente está cursando Pedagogia, prestando alguns concursos públicos e, se Deus quiser, mudará a sua vida e da sua família.
Confesso que fiquei encabulado com as palavras de agradecimento. Não lembrava de tal fato. Por outro lado, fiquei bastante feliz por ter, de alguma forma, ajudado àquela moça. Nunca pensei que algumas palavras de motivação, de forma despretensiosa, pudessem realmente ser um farol a iluminar caminhos. Com certeza, o mérito é todo daquela jovem, pois a sua força de vontade a fez trilhar outro rumo.
Contudo, fiquei a pensar como as palavras podem ser fundamentais para ajudar uma pessoa. É claro que um gesto concreto tem a sua importância. Todavia, em certos momentos da vida, as palavras certas podem aplacar um coração que se encontra dolorido. Quem não gosta de ouvir um elogio? De uma palavra de conforto? De esperança?
Num mundo marcado pelo ódio e o radicalismo, sobretudo nas redes sociais, as palavras de motivação devem fazer parte do nosso vocabulário. Palavras que inspirem pessoas, dando-lhes força para mudar de vida e seguir em busca de seus objetivos.
Vez ou outra as palavras que dissemos nos servem também. Muitas vezes, o que estamos a dizer é uma resposta aos nossos questionamentos e angústias.
Se é assim, façamos a nossa parte, sejamos mensageiros da esperança e da fé.
Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos.
Catedral de Santa Luzia em Mossoró (Foto: autoria não identificada/Blog Telescope)
Você já reparou que é crescente a prática de se rememorar algum acontecimento do dia?
Essa prática é especialmente adotada por uma enciclopédia digital muito conhecida, a Wikipedia, desde que iniciou as suas atividades.
Para mim, o dia 14 de julho é um dia bastante especial, pois é a data de nascimento do meu pai. Dia 14 de julho, também é a data que se comemora a queda da Bastilha, ocorrida em 1789, evento central que marcou a Revolução Francesa, ocorrida durante o reinado de Luis XVI e da famosa rainha Maria Antonieta, aquela a quem se atribui a famosa e controversa frase de que “Se não há pão, que o povo coma brioche.” A respeito de Maria Antonieta, reputo como melhor biografia a de autoria de Antonia Fraser.
Na primeira metade do Século XIX, havia em Mossoró um padre de nome Francisco Longino; nascido em Mossoró no dia 15 de março de 1802, batizado na então Capela de Santa Luzia, atual Catedral de Santa Luzia, em 04 de abril de 1802, e, depois de ordenado em novembro de 1826, exerceu o sacerdócio em Mossoró, e que, apesar de ser padre, colecionou muitas inimizades em Mossoró, em especial com a família dos Ferreira Butrago.
A situação se agravou tanto com o passar dos anos, que o padre Longino teve que arregimentar um grupo armado para não ser morto pelos seus inimigos. Chegando, inclusive, a renunciar ao mandato de vereador da cidade de Apodi, cargo a que foi eleito na época, após tantas emboscadas no trajeto de Mossoró a Apodi.
Tanto o padre Francisco Longino, quanto os Ferreira Butrago, se enfrentavam feroz e constantemente, no intuito de exterminar um a outro. Em bom vernáculo: um queria matar o outro por rixa pessoal, algo muito comum naquela época. E dessa rixa, de fato, muitos morreram na cidade de Mossoró. Tudo correu nas imediações da Catedral de Santa Luzia e do Mercado Público Municipal, no Centro da cidade.
Há um fato que ocorreu na noite do dia 14 de julho de 1841 na cidade de Mossoró, que reputo igualmente marcante. Embora pouco conhecido dos mossoroenses.
Num desses embates ocorridos entre o padre Francisco Longino e os Ferreira Butrago, o ocorrido no dia 14 de julho de 1841, foi um dos mais violentos. O fato se deu em frente à então Capela de Santa Luzia, onde se localizava a casa do padre Francisco Longino.
No intento de assassinar o padre, João Ferreira Butrago e seu grupo, por volta de catorze homens armados, na total escuridão daquela noite, deitaram-se no patamar da Capela de Santa Luzia e, de tocaia, atacaram logo que a porta de uma casa se abriu e, ao avistarem aquela pessoa, abriram fogo.
O infeliz que foi o primeiro a ser assassinado naquela noite, sangrenta, foi o sacristão da Capela de Santa Luzia, Felipe de Mendonça, que guardava o costume de orar toda noite na capela e acabou sendo confundido com o padre Francisco Longino. Estava no lugar errado e na hora errada.
Após esse primeiro assassinato, o grupo dos Ferreira Butrago avançaram em direção à casa do padre Longino, sitiando-a e, durante a noite toda, travaram um feroz combate, trocando tiros uns contra os outros, havendo baixa de ambos os lados. Porém, o padre Francisco Longino sobreviveu ao feroz ataque.
Há registros de que a casa do padre Longino, que foi alvo daquele embate, e que anos depois passou a ser a morada do famoso Jeremias da Rocha Nogueira, fundador do primeiro jornal impresso de Mossoró, em 17 de outubro de 1872, preservava 63 marcas de tiros que foram disparados naquela noite de combate.
Decerto que muitos outros combates ocorreram após esse do dia 14 de julho de 1841, além de que o padre Francisco Longino não recuou em seus malfeitos, como a história tem registrado.
Assim, quando você estiver nos arredores da Catedral de Santa Luzia ou do Mercado Central, olhe em sua volta. Ali tem muito mais história do que você pode imaginar.
Ao que parece, nem só de fé e devoção o homem viveu na terra de Santa Luzia.
Certo amigo meu, até recentemente ateu, me contou acerca de sua conversão.
Disse-me ele que na meia-idade do conhecimento, na qual chegou por caminhos tortuosos, após perambulações de toda a ordem no universo da vida e dos livros, deu-se conta que era o momento de fazer um balanço em regra de sua vida passada e fazer um planejamento, mesmo que capenga, para o resto dos seus dias.
Um assunto, em especial, clamava por atenção: sua relação com a Fé.
Após esse primeiro ponto firmado, pôs-se a examinar o tema por um viés, digamos assim, oblíquo: entendeu que o importante era pensar acerca do mundo tal qual o estava encontrando, naquele momento. Colocou as mãos à obra.
Em sua procura, olhando para os lados, para trás e em frente, por todos os ângulos, de todas as formas, somente encontrou o horror, a escuridão mais negra, uma história de sangue e dor, excetuando-se um ou outro ponto de luz a sobreviver sabe-se lá como, nem por quê.
Explicou-me essa constatação fazendo um paralelo: “imagine”, disse ele, “o milagre da sobrevivência da Igreja no auge da Alta Idade Média, após a queda de Roma, quando iniciou o período que os historiadores antigos chamavam de ‘Idade das Trevas’”.
“O mundo se transformara, então, em um caos. A Igreja, entretanto, sobreviveu graças aos monges irlandeses, que no silêncio e na solidão de seus monastérios, copistas que eram, crentes integrais, legaram ao futuro a doutrina de Cristo”.
“É como se hoje em dia vivêssemos um período semelhante. Horror e escuridão, novamente, ou sempre, e o mal lutando com unhas-e-dentes para dominar, para ser hegemônico. Guerras, genocídios, estupros, roubos, torturas, infanticídios… A lista é infindável”.
“Se há o mal”, disse-me ele, para concluir, “então há o Bem. Se há o Bem, então há Deus”.
E, assim, por intermédio dessa estranha conclusão, de forma alguma absurda, ele chegou à Fé. E que Deus o tenha em seu regaço.
Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura de Natal e do Governo do RN
*Crônica extraída do livro De uma longa e áspera caminhada, pela Editora Viseu.
Devotos do ‘santo’ popular em Juazeiro do Norte (Foto: Kid Júnior/Diário do Nordeste)
Ao pé da estátua do Padre Cícero Romão Batista, em Juazeiro do Norte, Ceará, centenas de pessoas, sob um sol escaldante, sentindo o mormaço, olham para o alto, escrevem seus nomes no monumento, e pedem a benção do Padim Ciço. São crianças, jovens, adultos, idosos; gente de todos os recantos do país, principalmente do Nordeste.
Romeiros andam pra lá e pra cá. Vários ônibus lotados de fiéis sobem ao local onde se encontra o monumento, algumas pessoas fazem o percurso a pé. Lojinhas vendem os mais variados produtos, terços, rosários, chaveiros, imagens etc. Visita-se à casa azul, na qual os romeiros fazem os seus pedidos, pagam suas promessas, veem fotos e objetos que pertenceram ao Padre Cícero.
A cidade do Juazeiro vive e respira a memória do Padre Cícero. Em quase todos os estabelecimentos comerciais se vê uma estátua ou foto; creio que em boa parte das residências também seja assim, apesar do Padim não ter sido declarado Santo pela Igreja Católica.
No livro Padre Cícero, Santo dos Pobres, Santo da Igreja, de autoria da religiosa Annete Dumoulin, o Bispo emérito de Crato, Dom Fernando Panico, diz que em 2006 foi entregue à Congregação para a Doutrina da Fé um pedido de reabilitação histórica e canônica do Padre Cícero. O Pedido, segundo ele, foi sustentado em sólidos argumentos, fruto de profunda reflexão dos membros de uma comissão, composta por doutos em várias ciências.
Por outro lado, não vi nenhuma menção ao encontro entre o Padre Cícero e Lampião, no qual o sacerdote concedeu uma falsa patente de capitão ao cangaceiro, quando este visitou o município. Além disso, como sabemos, há outros fatos que maculam a biografia do Padre.
Entretanto, para a maioria das pessoas que visita o Juazeiro nada disso importa. O que vale é a fé e a devoção no Padim.
Consta que dois milhões de pessoas visitam anualmente a cidade. Há um forte turismo religioso, movimentando a economia da região metropolitana do Cariri, pois as acolhedoras cidades de Barbalha e de Crato são vizinhas do Juazeiro do Norte.
A região é quente, abafada; até mais que Mossoró. Lá estando, aproveitando a mítica do lugar, com a alma leve, também fiz as minhas orações. Agradeci a Deus pelo dom da vida; roguei aos céus saúde e paz para mim e os meus.
Lembrei-me da pretensão de se construir em Mossoró um monumento em homenagem à nossa padroeira Santa Luzia. Será que conseguiremos? Quem sabe. Sendo assim, socorro-me do Evangelho: “Homem de pouca fé, por que duvidastes”?
Aliás, a fé alimenta a alma de milhões de pessoas, sejam católicas ou não, por isso a tolerância religiosa deve ser cultivada em uma sociedade que pretende ser plural e inclusiva, pois de acordo com a Constituição Federal é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.
Devo confessar que achei agradável conhecer Juazeiro do Norte (calor para mim não é novidade), presenciando a fé e a devoção das pessoas. Será ignorância do povo? Ora, quem somos nós para julgá-lo?
Talvez, as palavras do Bispo Fernando Panico, um dos arautos do Padre Cícero Romão Batista, lancem luzes para explicar tamanha devoção:
“Pelo testemunho perene dos romeiros e romeiras na Terra Sagrada do Juazeiro do Norte, não era possível acreditar que Padre Cícero fosse o “heresiarca sinistro” que Euclides da Cunha descrevia no seu livro Os Sertões. Certamente Padim Ciço tem algo de muito especial para ser objeto da” devoção de milhões de pessoas que vêm a Juazeiro para “visitá-lo”.
Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça
Será no próximo dia 16, domingo, a 18ª Caminhada de Santo Expedito em Mossoró.
A saída acontecerá na Praça do Rotary no bairro Nova Betânia, à meia-noite e 19 minutos, com destino à comunidade de Vertentes em Baraúna-RN, pegando pequeno trecho do Complexo Viário da Abolição até alcançar a RN-015 (Mossoró-Baraúna).
O percurso é de 21 km, com programação sendo concluída com missa na capela em Vertentes.
Organização formada por grupo de devotos recomenda que os participantes portem uma lanterna, garantindo a hidratação em carros de apoio, seguranças, ambulância e outras necessidades em todo o percurso.
Paróquia de Baraúna
A Paróquia de Baraúna fará na mesma data, paralelamente, a 17ª Caminhada de Santo Expedito. Ocorrerá a partir das 2h30, saindo da Praça da Matriz, na cidade, também com destino a Vertentes.
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Na semana passada o Brasil, mais uma vez, viu-se diante de uma tragédia. Crianças foram mortas e outras feridas. Não consigo imaginar a dor dos pais. Sinto compaixão; rezo por eles.
Tragédias como a de Blumenau-SC nos mostram como humanidade anda desumana. Casos como esses, segundo especialistas, não devem ocupar tanto espaço na mídia, evitando-se visibilidade para incentivar outras situações análogas. Contudo, esperemos que o autor do crime hediondo seja devidamente punido.
Desde a pandemia que a humanidade vem enfrentando uma situação delicada. O isolamento social causou instabilidade emocional, dizem. As redes sociais, palco de uma exposição exacerbada, contribui para a busca de holofotes.
Vivenciou-se o período da quaresma. Para a Igreja Católica, momento de reflexão, de penitência e jejum, um preparo espiritual para a Páscoa.
Neste domingo, celebra-se a Ressureição de Jesus Cristo. Para quem acredita, devemos renascer também para uma nova vida, resgatando valores deixados para trás, no dia a dia de nossas tribulações. Em um mundo no qual a vaidade, a competitividade, a ganância e a violência são marcas registradas, torna-se difícil olhar o outro com bons sentimentos.
Porém, diz a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (Co 5,6b-8):
“Irmãos: Acaso ignorais que um pouco de fermento leveda a massa toda? Lançai fora o fermento velho, para que sejais uma massa nova, já que deveis ser sem fermento. Pois o nosso cordeiro pascal, Cristo, já está imolado. Assim, celebremos a festa, não com velho fermento, nem com fermento de maldade ou de perversidade, mas com os pães ázimos de pureza e de verdade”.
Quando Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, no primeiro da semana, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo, disse a Simão Pedro e àquele discípulo que Jesus amava:“tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”.
Que o Senhor ressuscitado seja colocado no coração de cada um de nós. Apesar de tudo, não devemos perder a fé em dias melhores.
“Fé na vida, fé no homem, fé no que virá”.
Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça
O cantor e compositor Dorgival Dantas é atração confirmada para o próximo dia 12 de dezembro, na Festa de Santa Luzia.
Bispo Dom Mariano Manzana, Dorgival e padre Flávio Augusto (Foto: Glauber Soares)
A confirmação veio através das redes sociais do padre Flávio Augusto Forte Melo, coordenador dos festejos da padroeira de Mossoró.
Dorgival vai se apresentar no adro da Catedral de Santa Luzia, no período da noite, na data que antecede o Dia de Santa Luzia, feriado municipal.
Logo após a apresentação do cantor, começa a Procissão da Luz, de 0h, com saída da Catedral e chegada ao Colégio Diocesano Santa Luzia, iniciando a extensa programação do dia da padoeira.
A Festa de Santa Luzia iniciou no dia 1º de dezembro e segue até a próxima terça-feira (13), com o tema “Corações ardentes, pés a caminho”.
“Diariamente, temos uma programação ampla, com novenas, shows, missas e muita devoção e agradecimento a Deus e a nossa padroeira. Convidamos a todos para participarem dos festejos”, disse padre Flávio.
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Catedral de Santa Luzia é o foco de todo o envolvimento de dezenas de pessoas (Foto: Glauber Soares)
A Festa de Santa Luzia 2022 está em andamento.
Na prática, a cruzada para realização dos eventos sociais e religiosos é diligenciada há meses, mesmo que o período oficial deles aconteça entre 3 e 13 de dezembro em cada ano.
E um ‘exército’ de colaboradores anônimos, gente voluntária, de mais de 600 pessoas, torna possível esse que é o maior evento religioso do RN e um dos maiores do país.
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Não. Ninguém é. Até quem não crê em nada, crê no nada. E o nada é um deus. Cada povo, cada gente, cada tribo, cada aldeia, cada ser pensante tem um deus. Mesmo negando os deuses dos outros. Por que deus é angústia. E a humanidade, angustiada, é uma fornalha de parir deuses. Uma maternidade de deuses. Enfermaria de crenças, com berços de amparo aos desvalidos que tentam explicação do que não entendem.
Nasci e me criei sob o tacão do deus hebraico. Nunca viajei com Abraão saindo de Ur, da Suméria, em busca do Golfo Pérsico. Não. Nasci no sertão mais peba dos sertões. Que nem é o de Guimarães Rosa. Mas, fui obrigado a dobrar os joelhos pro deus de Abraão.
Contar pecados no confessionário para emissários do deus hebraico. Punhetas e troca troca. Rezar orações sem saber o que significavam.
Aí, cresci. Aprendi e descobri o meu deus. Que não possui templos, não tem padres castos de mentira nem pastores picaretas. Bandidos que em nome do deus hebraico, coitado deus, enganam, roubam e assassinam o próprio deus.
Aprendi ainda jovem, com Spinoza, quem era Deus. A Natureza. Deus onipresente, que está em todos os lugares. Não há lugar onde ele não esteja. Não há. Ele é a rosa que desabrocha e é também a erva daninha que mata a roseira.
E como todos os lugares têm seu deus; os deuses da China, da Índia, do Tibete, das tribos africanas, dos hebreus, dos judeus, o Brasil também tem seu deus original. É Tupã. Sem templos, sem orações, sem cobranças.
Sua túnica é a sombra do jacarandá, no sol. Seu amparo é o caramanchão de bambus, na chuva. Taí meu deus. Tupã. Que não ampara nem justifica hipócritas santificados de exploração dos tolos.
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A procissão de Santa Luzia foi de novo um mar de gente, de fé, de relação de afeto e identidade do povo de Mossoró com a sua padroeira.
Outro 13 de dezembro para marcar.
Para ficar na memória de milhares de pessoas, desde o começo dessa caminhada no fim da tarde na Capela de Mãe Rainha no Ulrick Graff (Alto de São Manoel), até a Catedral de Santa Luzia (Centro), já à noite.
Mossoró, com alegria, saudou Santa Luzia!
*Fotos de Glauber Soares
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Tudo quanto formava a unidade entre as pessoas, como a crença em Deus, a fé na Razão, a vida comunitária, se desfaz lentamente.
Não nos damos mais as mãos, exceto quanto temos algum interesse a alcançar.
O altruísmo morre lentamente, prevalece o egoísmo.
Todos são, individualmente, desde algum tempo, donos de uma verdade única, e agem como se quem não concordasse consigo fosse um inimigo a ser destruído.
Breve esse individualismo exacerbado, que se firma nos nossos defeitos, e não no que nos engrandece, há de nos conduzir para uma realidade na qual cada um será por si, e ninguém por todos.
Então, será o fim.
Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Governo do RN
Está marcado para o dia 18 de dezembro o lançamento do documentário “Messiânicos”, sob a direção do jornalista Tárcio Araújo. A obra audiovisual narra evento religioso ocorrido na serra de João do Vale-RN no ano de 1899, e, que reuniu milhares de fiéis sertanejos em torno da pregação do místico e beato Joaquim Ramalho.
O documentário tem duração de 23 minutos e sua narrativa traz depoimentos dos próprios moradores da localidade, através de memórias orais dos seus antepassados que vivenciaram o acontecimento. Escritores e estudiosos do assunto também participaram das gravações que ocorreram entre maio e agosto de 2020 na própria comunidade.
O documentário será lançado na serra de João Vale com a presença dos moradores e participantes do filme. Para 2022, a obra será exibida em festivais de cinema e vídeo, dentro e fora do Rio Grande do Norte.
O jornalista Tarcio Araujo conta que a intenção é difundir um acontecimento que segundo ele ainda é desconhecido pela historiografia potiguar. “Guardada as devidas proporções, o evento liderado pelo beato Joaquim Ramalho se assemelha no seu contexto histórico e social ao que ocorreu em Canudos e outras localidades durante o século XIX, quando o chamado messianismo dos sertanejos era uma das saídas para as mazelas do povo”.
“É importante que as pessoas saibam que no Rio Grande do Norte houve messianismo sim. Isso não pode passar ao largo da nossa história”, comenta.
Documentário será lançado na própria comunidade, onde boa parte da produção foi feita (Foto: Everton Maia)
A Serra de João do Vale, a cerca de 730m de altitude, estendida por 277km² entre os municípios de Jucurutu, Campo Grande e Triunfo Potiguar no Rio Grande do Norte e Belém do Brejo do Cruz na Paraíba. Fica a 130 quilômetros de Mossoró e 275 de Natal.
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