Urnas eletrônicas e sua segurança são o foco de decisão (Foto: TRE/RN/Arquivo 2022)
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou ontem, por unanimidade, medida proposta por seu presidente, o ministro Alexandre de Moraes, excluindo as Forças Armadas da lista de entidades que fiscalizam o sistema eletrônico de votação.
Na mesma decisão, Moraes propôs a retirada do Supremo Tribunal Federal como fiscalizador. “Não me parece que seja a competência do Supremo, guardião da Constituição, órgão competente para julgar e analisar recursos, fazer parte do rol de fiscalizadoras”, disse.
“Da mesma maneira, não se mostrou necessário, razoável e eficiente a participação das Forças Armadas. Demonstrou-se absolutamente incompatível com as atribuições constitucionais, e também a participação na comissão de transparência eleitoral”, acrescentou Moraes, que afirmou ainda que as Forças Armadas são indispensáveis para a organização do processo eleitoral.
Por meio da nova resolução, o TSE incorporou o teste de integridade com biometria proposto pelos militares.
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Lula tem boa dianteira em relação a Bolsonaro (Fotos: Evaristo Sá e Marcos Corrêa)
Separar senso de justiça e dever do que seja revanchismo, é um grande desafio do Governo Lula (PT).
E a questão não é apenas de ordem moral, ou mesmo política.
Também pode ter várias implicações.
Há sinalizadores das Forças Armadas, segundo a chamada Grande Imprensa, apontando para incômodo na quebra de sigilo de 100 anos, que foi decretado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em relação a incontáveis pontos e pautas.
A fabricação de cloroquina pelo Exército, os voos oficiais em aviões da FAB e o processo disciplinar aberto e arquivado contra o general e ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, hoje deputado eleito, estão entre as apreensões dos militares.
A Controladoria Geral da União (CGU) faz um pente-fino e entregará ao presidente Lula em 30 dias um parecer apontando, sob a ótica constitucional, o que pode ter sigilo devassado.
Aspectos relacionados à segurança nacional, intimidade dos membros do governo anterior, agendas administrativas e políticas de Bolsonaro etc., com certeza estão sob análise.
O que será revelado e por qual razão? O que não será, delicado, pode ser usado como objeto de chantagem política contra o clã Bolsonaro e sua linha-dura?
O terreno em que a nova gestão caminha é minado. Não é tão simples como parece aos olhos da massa que já em sua posse urrava pedindo fim de qualquer tipo de anistia.
O presidente eleito, astuto na política, talvez acabe não avançando muito, para não tensionar mais ainda relações com setores – como Forças Armadas -, desestabilizando o país. Convulsionar a política é tudo que Lula não quer. A vindita pode ficar para depois ou não.
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Foto maior (de hoje) com faixa tentando apoio das Forças Armadas à intervenção militar (Fotomontagem do Canal BCS)
O movimento que defende “intervenção militar”, com concentração há vários dias em frente ao Tiro de Guerra 07/010, em Mossoró, segue em sua rotina diária de mobilização do bolsonarismo na cidade e região.
No fim de semana as concentrações continuaram, mas arrefeceram bastante num comparativo com seu início, logo após as eleições do dia 30 último..
À manhã desta segunda-feira (7), às 9h15, uma fotografia (maior) mostra que apenas quatro pessoas estavam no local.
Entre sexta-feira e domingo, até carros particulares foram de novo usados na interdição de um trecho da rua José Otávio, endereço do TG, balizando os manifestantes.
Uma tenda abriga os ativistas nesta segunda-feira, a exemplo de outros dias. Numa faixa, a mensagem escrita em português indigente, com versão em inglês, eles apelam: “Forças Armadas, não abadone (sic) seu povo.”
Semana passada viralizou vídeo do local com pessoas, em marcha, cantando hinos patrióticos.
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No final de mobilização concentrada em frente ao Tiro de Guerra 07/010 à noite desta quarta-feira (2), Dia de Finados, em Mossoró, bolsonaristas fizeram oração com conteúdo antidemocrático.
Em coro e com lanternas de celulares acesas, eles pediram “intervenção” militar em nome de “Deus, Pátria, Família e Liberdade”.
A concentração começou às 8h, com um ritual organizado e distribuído previamente em redes sociais. Hinos, música nacionalista da época da ditadura militar de 1964, discurso de fervor cívico, marchas, gente de joelhos e cartazes com defesa de suas ideias foram destaques nesse período.
Veja abaixo as orientações:
ORIENTAÇÕES PARA O DIA
02 DE NOVEMBRO · 2022
#MossoróResiste 🇧🇷
#ResistênciaCivilnoRN
#PotiguaresResistem
– Chegue cedo ao local:
Tiro de Guerra no Centro de Mossoró;
– Vá vestido de Verde e Amarelo e com a Bandeira do Brasil;
– Leve Cartazes com os dizeres:
INTERVENÇÃO FEDERAL
RESISTÊNCIA CIVIL
O PODER EMANA DO POVO
O POVO BRASILEIRO É SOBERANO
VERDADEIRA DEMOCRACIA JÁ
NÃO AO COMUNISMO
DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA E LIBERDADE
– Leve sua garrafa de água;
– Leve e use protetor solar;
– Leve sua marmita ou algo para comer;
– EXECUÇÃO DO HINO NACIONAL às 8h15;
– Oração de joelhos e mãos dadas às 8h30;
– Levem seus celulares com bateria 100% carregada;
– Estejam com o celular conectado a dados móveis;
– Inicie uma Live pelo Instagram, Facebook ou YouTube;
– Tire Fotos e faça Vídeos;
– Poste fotos e vídeos marcando os seguintes perfis:
@exercito_oficial
@marinhaoficial
@fab_oficial
@prfoficial
@jairmessiasbolsonaro
@tg07010_exercitobrasileiro
– Venha preparado, ficaremos em frente ao TG das 8h às 20h;
Convoque Mais Patriotas!
Dia 02 / 11 é Dia de Luta ou de Luto!
“Eis que um Filho teu não a Luta…”
“…é ficar a Pátria Livre ou morrer pelo Brasil…”
Não pode passar despercebido neste momento de tanta intolerância política, o gesto democrático do TSE, aprovando nessa última semana (veja AQUI), à unanimidade, a proposta de projeto-piloto de fiscalização das urnas eletrônicas apresentado pelas Forças Armadas, na Comissão de Transparência das Eleições.
Projeto piloto vai ocorrer com participação de voluntários (Foto: TSE)
O projeto-piloto será executado com eleitores voluntários.
Após votar, eleitores e eleitoras serão convidados a participar em um lugar à parte, a fim de testar o sistema.
O Teste de Integridade é uma votação pública, aberta e auditada, realizada em urna já pronta para a eleição.
Em processo filmado, votos em papel são digitados na urna, contados e o resultado comparado à totalização da urna.
O projeto é flexível, adequando-se às possibilidades dos Tribunais Regionais Eleitorais.
Envolverá entre 5% e 10% do total de urnas eletrônicas destinadas ao Teste de Integridade, o que significa que o piloto envolverá de 32 a 64 urnas em pelo menos cinco capitais estaduais e o Distrito Federal.
O Teste de Integridade já ocorre há 20 anos nas eleições.
É um dos eventos mais relevantes para atestar o grau de confiança nas urnas eletrônicas, que ocorre nos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) no mesmo dia do pleito, e é acompanhado por empresa de auditoria externa.
Em 2022 serão incorporadas sugestões de segurança, sobretudo de parte das Forças Armadas.
Durante a fiscalização, ainda é verificado se há coincidência entre as cédulas; os boletins de urna; os relatórios emitidos pelo sistema de apoio à auditoria e o Registro Digital do Voto (RDV), a tabela digital em que são assinalados os votos eletrônicos.
Até hoje, não foi constatada nenhuma divergência.
Todo o processo é filmado, conta com a participação de entidades fiscalizadoras e pode ser acompanhado por qualquer pessoa interessada no local de realização do teste.
Muitos regionais, inclusive, transmitem os Testes de Integridades ao vivo pela plataforma YouTube.
A testagem, com a presença das Forças Armadas, articulado com o ministro da Defesa, amplia a lisura do processo eleitoral, que jamais foi contestado e é tido como exemplo para o mundo.
Do ponto de vista político garante a antecipação de paz política no Brasil após as eleições. São públicas e notórias as ameaças de medidas excepcionais de parte dos seguidores do presidente Bolsonaro, no sentido de impugnar a urnas eletrônicas, somente se ele perder a eleição.
Significa verdadeira espada de Dâmocles sob a cabeça da democracia brasileira.
Agora, espera-se que este assunto esteja superado e o país caminhe para o 2 de outubro, com a certeza de paz sobre a credibilidade das urnas eletrônicas e que a vontade da maioria seja colhida, respeitada e os eleitos tomem posse, na forma da Constituição.
Isto é o que a maioria esmagadora do povo brasileiro quer e deseja.
Ney Lopes é jornalista, advogado e ex-deputado federal
Bolsonaro grita histericamente num palanque: “Povo armado não será escravizado”. Mas não diz, “homem armado não será assaltado”. Por que será que não diz? Vou contar.
Vinha o ex-capitão do exército, Jair Bolsonaro, numa motocicleta bombada, de capacete, com sua pistola do exército, dos tempos de militar da ativa, na cintura. Brummmmm. Passava numa rua do Leblon, no Rio de Janeiro, quando um pivete, com um revólver calibre trinta e dois, mandou ele parar.
“Pára, cara. Perdeu”. Mandou Bolsonaro tirar o capacete. Mandou Bolsonaro levantar os braços, meteu a mão na cintura do “valente” armado e lhe arrancou a pistola. Depois, mandou que ele descesse da moto, empurrou-o pra longe, montou na moto e foi embora.
Pra que serviu Bolsonaro armado? Pra armar um pivete delinquente. Imagine quantos outros bandidos não se armaram, até agora, com tanta gente, sem experiência, andando armada pelas ruas e estradas. Tudo pra ajustar o discursofascista de um frouxo, que exige o sacrifício dos outros para se manter no poder.
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O chamado golpe preventivo foi consequência de uma profunda crise político-institucional que se abateu sobre o Brasil no segundo governo de Getúlio Vargas. A oposição a Vargas tinha se fortalecido desde o surgimento da União Democrática Nacional (UDN).
Com a morte de Getúlio, o país ficou profundamente comovido, fato que levou parcela significativa da população a ficar contra os opositores do ex-presidente. Getúlio foi sucedido por Café Filho, que era o vice-presidente à época.
Heneral Henrique Lott, um prestígio e força em defesa da legalidade (Foto: FGV)
Durante o governo de Café Filho houve a pretensão de se anular as eleições de 1955. Entretanto, Café afirmava que as eleições aconteceriam dentro da normalidade, como estava previsto, porém, há quem afirme que apoiava, discretamente, o golpe.
De todo modo, as eleições foram realizadas em outubro de 1955, na qual Juscelino Kubitschek obteve 36% dos votos contra 30% dos votos para Juarez Távora, 26% de Ademar de Barros e 8% de Plínio Salgado. A vitória de Juscelino enfureceu, ainda mais, os oposicionistas ligados à UDN.
Carlos Lacerda, então, fez um apelo para uma intervenção dos militares, tendo o apoio de outros grupos políticos, acusando Juscelino de ser comunista, entre outros argumentos, tudo para negar a posse de JK.
No dia primeiro de novembro daquele ano, o coronel Jurandir Mamede defendeu, abertamente, o golpe militar contra a posse de Juscelino Kubitschek e João Goulart.
Contudo, entrou em cena um ardoroso defensor da legalidade e, por consequência, da posse de Juscelino e seu vice. Trata-se do general Henrique Teixeira Lott. O general era Ministro da Guerra e tinha prestígio dentro das Forças Armadas. Segundo conta a história, Lott combatia tanto os chamados comunistas, como os radicais conservadores.
Lott exigiu do presidente Café Filho uma punição ao coronel Mamede por causa dos seus arroubos. Café, todavia, afastou-se da Presidência por motivo de saúde. Carlos Luz, presidente da Câmara dos Deputados, que o sucedeu, apoiava os rompantes golpistas e não atendeu aos apelos de Lott.
Em consequência, Lott pediu exoneração do Ministério da Guerra e iniciou o chamado golpe preventivo. Narra-se que “O general Lott mobilizou tropas militares no Rio de Janeiro e realizou um golpe militar fulminante. As tropas lideradas por Lott tomaram o controle de unidades militares e invadiram prédios governamentais, além de estações de rádio e jornais. Além disso, anunciou a deposição do presidente interino Carlos Luz”.
Os deputados federais, posteriormente, ratificaram a deposição de Carlos Luz, sendo a Presidência assumida por NereuRamos, presidente do Senado. Dessa forma, Lott assegurou a legalidade, confirmando a posse de JK para 1956. Dias depois, Café Filho tentou reassumir a presidência do Brasil, sem sucesso. Assim, o país ficou em Estado de Sítio até a posse de Juscelino, em 31 de janeiro de 1956.
Pois bem.
Os fatos descritos acima são apenas um fragmento de nossa história política. Concorde-se ou não com o ocorrido, o fato é que o general Lott garantiu a legalidade naquele momento de tensão político-institucional. Foi através de seu golpe preventivo, ou contragolpe, que Juscelino assumiu o Poder, já que fora legitimamente eleito.
Hoje, vivemos noutros tempos. Tempos nos quais deve existir o respeito ao Estado democrático de Direito e às instituições que formam a República Federativa do Brasil.
E qual o papel das Forças Armadas no atual contexto da sociedade brasileira?
De acordo com o artigo 142 da vigente Constituição Federal, “as Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”.
Ou seja, devem agir em defesa da Pátria, garantindo os Poderes constitucionais (Executivo, Legislativo e Judiciário), visando a assegurar a independência e o respeito de suas funções. Além, é claro, de assegurar a legalidade e a ordem.
“Constituem, assim, elemento fundamental da organização coercitiva a serviço do Direito e da paz social. (…) são, portanto, os garantes materiais da subsistência do estado e da perfeita realização dos seus fins. Em função da consciência que tenham da sua missão está a tranquilidade interna pela estabilidade das instituições”, ensina o professor José Afonso da Silva.
É o que se espera das Forças Armadas.
Nem mais. Nem menos.
Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça
Desde que iniciou o mandato, o presidente Bolsonaro montou um comitê de chantagem. E tem usado direta ou indiretamente referências a ações ilegais a serem referendadas pelas Forças Armadas. Esse é o angu.Porém, entretanto, mas porém, (né Zé Limeira?), sabemos lá no Sertão profundo que angu dos bons tem de ter caroço. Isto é, alguma mistura consistente que dê sustança ao alimento. Pose ser um ovo cozido ou um chambão de boi.
Começou com “acabou, porra”! Lembram? foi lá no início. E o que foi que acabou? Nada. Ele continuou mentindo, o país sofrendo e as instituições funcionando. É bem verdade que ele comprou um Procurador Geral da República, um senhor Aras, que em nada tem arado. Mas, mesmo na sujeira da venalidade, preservou-se a capa formal da legalidade.
De lá pra cá, as chantagens são continuadas e repetidas. De tão repetidas, ninguém põe fé nelas. Um general dá entrevista e diz: “Não estiquem a corda”. A única corda esticada é a engolida pelo próprio general. Aí vieram notas, indiretas e bobagens que só desmoralizam os chefes das Forças. Hoje, mais uma ameaça. Cadê o caroço? O caroço é o golpe? Pois mostrem. Aqui, ó!
Mas ele precisa manter o angu. É o angu que mantém aceso o aboio ao gado. Pra ir tocando a boiada. Que espera ele chegar num cavalo fogoso ou numa motocicleta turbinada, feito Sinésio, o alumioso, com seu capacete dourado, entrando ao meio dia em Taperoá. Né, não, Ariano?
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Algumas representações institucionais e sociais vão sair muito desgastadas dessa era de poder, no país: Forças Armadas, imprensa, Supremo Tribunal Federal (STF) e evangélicos.
Muita coisa a ser posta à reflexão necessária.
Cada um no seu quadrado é importante ao país, mas não como testemunhamos hoje.
Veremos.
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Essa excrescência chamada “poder moderador” não tem referência ou prescrição na ordem constitucional do Brasil.Zero referência. Ponto.Nem nas anteriores Constituições da República. Incluindo as constituições ditatoriais dos regimes de exceção. A Polaca, de 1937, a Milicada de 1967 e a emenda do soneto de 1969. Nenhuma ousou essa estupidez.
A única Constituição que elege um Poder Moderador é a Constituição de 1824, após D. Pedro I fechar a Constituinte de 1823, e outorgar a Constituição do Império. Outorgando-se o Poder Moderador. Ele era o próprio. Mas, faça-se justiça, ele seachava menos deus do que Bolsonaro. Tanto que acabou abdicando, ao perceber a perda de apoio e sustentação do aparato do poder. Nem o Poder Moderador o sustentou.
Temos três poderes. Só. E poderes atípicos por independência de atribuições,Ministério Publico e Tribunais de Contas.Só. Mas, com acento constitucional para convocar as Forças Aramadas, só os três nominados na Constituição: Executivo, Legislativo e Judiciário.Só. E mais ninguém. O Presidente da República é o chefe supremo das Forças Armadas, atribuição de hierarquia militar sobre elas. Porém, nãoautorizado pela Constituição a mobilizá-las contra qualquer dos outros poderes. Coisa que qualquer dos poderes pode fazê-lo para manutenção da ordem e da lei. Manutenção da ordem e da lei é referência a distúrbio social e não controle de um poder sobre os outros poderes. Ponto.
As Forças Armadas se constituem numa instituição permanente. Isto é, não podem ser dissolvidas. E nessa condição, subordinadas aos poderes da República. Isso é o Direito.
Vamos à linguagem. O que não é poder substantivo não pode virar poder adjetivado.Se as Forças Armadas não são um poder, e não são, não podem, por adjetivação de moderadora, suplantarem os Poderes constitucionalmente constituídos. Elementar, meu caro Watson.
Aí vêm os arautos da hermenêutica de botequim, saudosos do fascismo tupiniquim, valerem-se dos pareceres “jusfilosóficos” de jurista famoso enviesando a disposição de um artigo da Constituição. Ora, nessa esperteza jurídica tem uma vaga do Supremo no meio do caminho, no meio do caminho tem uma vaga do supremo. Como a pedra no poema de Drummond. Onde disputam as vagas pastor evangélico, filho do jurista referido e procurador geral de republiqueta. (a antiga e morta vaga de Moro) E a torcida mórbida pra que morra algum ministro antes do fim do mandato. O próprio capitão já falou na hipotética terceira vaga.
Balela, balela e esperteza dos poderosos da esculhambação. Só se for o poder esculhambador.
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O presidente Jair Bolsonaro atuou para favorecer policiais na reforma da Previdência e líderes da Câmara chegaram a fechar um acordo nesse sentido, mas a categoria continuou insatisfeita, o que derrubou as negociações.
Presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva, disse à Folha que a proposta feita pelo governo “não resolve o nosso problema”.
Os policiais querem que quem está perto de se aposentar tenha que trabalhar 17% a mais do período que falta para cumprir o tempo mínimo de contribuição. Esse é o mesmo “pedágio” previsto para Forças Armadas, policiais militares e bombeiros dos estados.
No Palácio do Planalto, as Forças Armadas viraram solução para tudo.
Violência no Rio de Janeiro, Operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em Brasília e dispersão de protesto de caminhoneiros já exigiram a presença delas.
Daqui a pouco terão outra utilidade.
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Nesta sexta-feira (25), segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), vários pontos de bloqueios foram montados nas BRs que cruzam o estado. Abaixo, confira onde foram registradas interdições e qual a situação atual.
Na BR-101, bloqueio ocorre em frente ao Parque de Exposições Aristófanes Fernandes (Foto: Kleber Teixeira/Inter TV Cabugi)
BR-101
Parnamirim (kms 105 e 111) – com bloqueio parcial.
São José de Mipibu (km 125) – com bloqueio parcial.
Touros (Km 06) – com bloqueio parcial.
BR-226
Santa Cruz (Km 109) – com bloqueio parcial.
BR-304
Mossoró (Km 33) – com bloqueio parcial.
Assu (Km 106) – rodovia liberada às 14h50.
BR-405
Apodi (Km 72) – com bloqueio parcial.
BR-406
João Câmara (Km 103) – com bloqueio parcial.
BR-427
Caicó (Km 104) – com bloqueio parcial.
A Polícia Militar também registrou protestos com interdições parciais em rodovias estaduais. São elas:
RN-118, em Ipanguaçu.
RN-015, em Baraúna
RN-160, em Macaíba.
RN-221, em São Miguel do Gostoso.
RN-086, em Parelhas.
RN-269, em Nova Cruz.
Saiba mais detalhes sobre o movimento no RN clicando AQUI;
O governo federal publicou nota “defendendo” as Forças Armadas sobre documento da Agência de Inteligência Americana, CIA, que informa sobre a tortura e assassinato de brasileiros durante a Ditadura Militar.
Peraí.
As Forças Armadas do Brasil não têm nada a ver com isso. Foram generais politiqueiros, com o apoio de políticos reacionários, que usaram a força militar para implantar uma Ditadura sanguinária, que não poupou nem seus aliados originários, exemplo de Carlos Lacerda.
As Forças Armadas, Instituição Permanente e indispensável à vida e soberania do Brasil, não é acusada de nada.
Quando foi usada indevidamente, não teve culpa. Foi usada.
Por generais corruptos da democracia e politiqueiros desde os Anos Vinte. Coronéis dos anos Quarenta e generais dos anos Cinquenta.
As Forças Aramadas de hoje, com exceções desprezíveis, cumprem seu papel constitucional.
O governo Temer quer por cortina de fumaça no embaçado do seu desgaste.
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Em suas redes sociais na Internet, o ministro da Defesa do Governo Michel Temer (MDB), Raul Jungmann, anuncia que as Forças Armadas vão continuar no Rio Grande do Norte, mesmo com o retorno de policiais militares e civis às suas atividades normais.
Jungmann: esclarecimento (Foto: arquivo)
Jungmann assinala que dos 2.800 homens convocados ao estado, a pedido do governador Robinson Faria (PSD), pelo menos mil deverão ainda permanecer por mais um tempo.
E avisou: “Em condições de pronto emprego, caso se faça necessário e o Presidente determine. Missão cumprida.”
No caso de Mossoró, a remoção da tropa de 300 homens que chegou à cidade no dia 30 do mês passado, já começou a acontecer gradualmente.
Esclarecimento do ministro
Ele lembra, que “sobre pedidos ajuda das Forças Armadas, apenas governadores, em caso de segurança pública (Garantia da Lei e da Ordem-GLO), podem fazê-los”. Porém destacou: “mas não pode ser preventivamente”.
No caso das tropas que foram destinadas a Mossoró, a Prefeitura Municipal chegou a divulgar informação inverídica de que “uma carta” da prefeita Rosalba Ciarlini (PP) ao presidente Temer teria sido determinante à decisão (veja: Prefeita atrai para si mérito da chegada de tropas federais).
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O general de brigada da reserva, Eliéser Girão Monteiro Filho, deu as boas vindas à tropa das Forças Armadas, que desembarcou hoje (sábado, 30) em Mossoró.
Secretário da Segurança do município, ele discursou em nome da prefeitura, ladeando a vice-prefeita Nayara Gadelha (PP), no Ginásio Poliesportivo Engenheiro Pedro Ciarlini Neto.
Girão foi enfático em aconselhar os militares a terem extremo cuidado e serem firmes em seu papel:
– Não relaxem. É melhor que eu tenha dez bandidos enterrados do que um soldado. Reajam à altura da ameaça que sentirem aqui.
O general do Exército Antônio Hamilton Mourão, que em setembro sugeriu que pode haver intervenção militar no Brasil, se o Judiciário não conseguir resolver “o problema político”, voltou a falar na possibilidade de atuação das Forças Armadas, caso haja uma situação de caos no país.
Mourão falou para uma platéia no “Clube do Exército” em Brasília, nessa quinta-feira (7). Atendeu convite do grupo denominado de “Tertuna” (Terrorismo, Nunca Mais).
Em sua palestra, ele criticou os governos Lula e Dilma Roussef do PT. Mas também tratou o presidente Michel Temer (PMDB) sem rodeios. Afirmou incisivamente que ele promove “um balcão de negócios” para tentar chegar ao fim do governo.
Alertou que as Forças Armadas estão atentas, para “cumprir a missão” que cabe a elas.
Com a nova denúncia apresentada contra si, e encaminhada pelo STF à Câmara, Michel Temer começou o processo de liberar emendas parlamentares. Será, em uma primeira penada, um pouco mais de um bilhão. O objetivo é claro: obter, dos parlamentares, o arquivamento da denúncia.
Quando da primeira denúncia, não somente foi liberado muito dinheiro, bem mais que um bilhão, mas também foram distribuídos cargos públicos aos que integram aquilo que se convencionou chamar de “base de sustentação”.
Enquanto isso continua o processo de cortar recursos dos outros setores da administração pública. Alguns, senão todos, vitais. Por exemplo: as Forças Armadas. O corte dos seus recursos orçamentários foi da ordem de quarenta e quatro por cento, o que as colocou perto do colapso.
Três fatos ocorreram estes dias e estão conectados entre si.
Primeiro: O Alto Comando do Exército reuniu-se em Brasília, em sua 314ª edição, com cinco dias de duração e, com certeza, mais do que certeza, o quadro político nacional foi analisado em suas entranhas, detalhadamente.
Segundo: o General Mourão, que não está sozinho quanto a suas idéias, e tampouco representa somente ele mesmo, aborda claramente, em palestra, a intervenção militar no País, em decorrência da “grave crise ética, político-institucional”.
Terceiro: as Forças Armadas dão demonstração de poderio invadindo a Rocinha, cercando-a, e nela passando um pente-fino. Tanques, helicópteros, homens, armamento pesado, tudo quando se possa imaginar em termos de poderio bélico está sendo utilizado lá.
É de se levar em consideração que hoje segmento expressivo da população clama por intervenção militar no Brasil, bem como é de se levar em consideração que as Forças Armadas compreenderam substancialmente a importância de atuarem com força na chamada “rede social”, de forma inteligente e eficaz na construção de uma imagem sólida de honradez e competência. Basta acompanhar na mídia.
Mas a elite governante do País, o Executivo, Legislativo e Judiciário agem e reagem como se vivessem em uma bolha, desconectada da realidade pela qual passa o Brasil.
Temer, sem qualquer outro objetivo senão salvar a si mesmo, deixa de lado os últimos resquícios de uma dignidade outrora existente, e ao invés de renunciar, persiste em comandar o afundamento do barco.
O Legislativo, integrado por políticos profissionais, vive uma crise de credibilidade, inteligência e honestidade sem igual na história do País. Há as exceções de praxe, cada vez mais isoladas e desanimadas. Pedro Simon que o diga.
O Judiciário segue achando que é o fiador da República e que paira acima do bem e do mal. Quando precisam, são legalistas, quando não, são legitimistas. E de marmota em marmota jurídica, vão insultando a Constituição e se apequenando aos galopes. E aqui nem se há de falar nas vantagens remuneratórias que golpes de esperteza jurídica lhes vêm assegurando ao longo do tempo, em detrimento das outras categorias do serviço público que não pertencem a esse panteão de deuses da Pátria.
Pois bem: quem imagina que as Forças Armadas não acompanham o que se passa no País, integralmente, comete erro crasso. Não somente acompanham como têm quadros muito bem preparados para fazer isso.
E além de terem quadros muito bem preparados, seus integrantes estão espalhados pelo Brasil e sua grande maioria vem da base da pirâmide social ou da classe média e escutam e observam, diariamente, no seio de suas famílias, a ira popular contra tudo que compõe a realidade política, social e econômica do Brasil de hoje.
Principalmente contra os “príncipes” da República.
Portanto…
Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Governo do RN
O ocaso do Estado Novo, a inclusão do Brasil no rol dos combatentes aliados, a expectativa de liberdades democráticas, num processo irreversível de redemocratização criaram no intestino das Forças Armadas um clima de confronto ideológico.
Tudo isso acentuado após o fim da Segunda Guerra. O Exército brasileiro, agente ativo de todas as mobilizações políticas desde a proclamação da República, torna-se, no fim dos anos Quarenta, e nas décadas seguintes, um conglomerado político e politizado. E como é da essência política, dividido.
A divisão da caserna, nesse quadro, guardava contornos típicos de uma agremiação partidária heterogênea. Duas alas, antes restrita ao Clube Militar, assumiam suas posições conflitantes, com influência na vida político-partidária do país.
Uma ala à direita, sob a liderança do general Canrobert Pereira da Costa, e outra à esquerda, liderada pelo general Estillac Leal.
Em três de Outubro de 1955, ocorrem as eleições para presidente e vice-presidente da República. O voto não era vinculado, cada cargo tinha disputa independente. Disputaram a presidência Juscelino Kubistchek, Juarez Távora, Adhemar de Barros e Plínio Salgado. Para vice-presidente eram candidatos João Goulart, Milton Campos e Danton Coelho.
Juscelino e Jango foram os vencedores. A UDN, sob a liderança de Lacerda e Afonso Arinos, induziram o presidente Café Filho a não dar posse aos eleitos. Sob a alegação de que JK não obtivera mais de cinquenta por cento dos votos. A lei de então não continha essa exigência, e a Justiça eleitoral não considerou procedente o esperneio da UDN.
No último dia de Outubro, morre o general Canrobert Pereira da Costa, líder da ala direita do Exército. Estillac Leal morrera antes das eleições. No sepultamento de Canrobert, na presença do Ministro da Guerra, general Lott, o coronel Bizarria Mamede (general em 64) faz um discurso político, exigindo novas eleições e negando a posse dos eleitos.
Nas memórias de Lott ele conta que não prendeu Mamede, naquele momento, por respeito à família do morto. Mas cobrou do presidente Café a punição do coronel.
Sob pressão Café “adoeceu”, internou-se e passou a presidência a Carlos Luz, presidente da Câmara dos Deputados. Lott pediu audiência ao interino para cumprir a punição de Mamede. Após duas horas de espera, na antessala da presidência, Carlos Luz recebeu Lott e desautorizou a punição. “Não há nada nem ninguém para ser punido”.
Lott pediu demissão. Carlos Luz aceitou e cometeu o erro de adiar a posse do novo ministro.
Já em casa, o general Lott comunica-se, por um rádio de campanha, com o colega Odílio Denys. Conta o ocorrido. O general Denys pergunta quem era o novo ministro. Lott responde que não sabia e que a posse do mesmo ficara para o dia seguinte. Odílio Denys orienta: “Então você ainda é o Ministro. Sua saída será o desrespeito ao resultado das eleições. Os eleitos não tomarão posse”.
Lott pôs os tanques na rua, depôs Carlos Luz e colocou na presidência o presidente do Senado, Nereu Ramos. Mamede foi punido.
A UDN articulou a volta de Café à presidência, pois o mesmo declarara-se “curado”. Teixeira Lott cercou o apartamento de Café Filho, em Copacabana, e declarou que ele continuava “doente”.
Em primeiro de Janeiro de 1956, Juscelino e Jango tomaram posse. No início do governo JK sofreu duas tentativas de golpes, Jacareacanga e Aragarças. Mas isso é outra história. Té mais.
Em conversa à noite de ontem com um amigo, advogado, ele exprimiu uma opinião sobre o conturbado dia em Brasília, com mobilizações populares que terminaram em baderna e depredação do patrimônio público e privado:
– Pelo menos Michel Temer (PMDB) provou que as Forças Armadas ainda obedecem ao comando dele.
Discordo parcialmente, argumentando.
As Forças Armadas jamais vão cruzar os braços à perturbação da ordem, sob a justificativa de direito alheio à “liberdade de expressão”.
Cenas de guerra foram vistas em Brasília num movimento que poderia ser ordeiro, pacífico e legítimo (Foto: Fábio Rodrigues)
O caso não é ter – ou não – comando sobre as Forças Armadas, mas a fácil identificação de ausência de legitimidade em movimentações que descambaram para a violência. Se é o caso de existência de “elementos infiltrados”, como se defenderam organizadores do evento, que denunciem os culpados e os entreguem aos agentes de segurança pública.
Os denominados “movimentos populares” não ganham corpo, porque seguem atrelados a uma banda podre da própria política que atacam. Sujos que falam de mal lavados. Mesmo que entre eles exista tanta gente de boa-fé e decente.
Não lutam contra a corrupção e o saneamento da atividade pública. Vociferam pela deposição de um presidente podre e o estabelecimento de um atalho para retomada da cadeira presidencial, novamente como “salvadores da pátria”.
Por essas razões não conseguem ejetar o presidente da cadeira, nem conseguirão as “diretas já”. Temer deverá sair, mas sem dúvidas grudou mais na cadeira presidencial, em face dos atos antidemocráticos de ontem.
É importante salientar, que essa barbárie nem de longe tem semelhança com o “Diretas Já” do início dos anos 80 ou mesmo o movimento dos “Caras-pintadas” (com o “Fora, Collor”) que foi às ruas pelo impeachment do então presidente Collor de Mello em 1992.
Em nenhum deles, havia gente mascarada à promoção da delinquência. Em ambos prevaleceu a força pacífica de multidões, que deram voz cívica à vontade da maioria do povo brasileiro, nas duas épocas distintas.
Na primeira, a aspiração de retomada de eleições diretas à Presidência da República – em pleno regime de exceção; na segunda, a pressão de jovens (entre eles o líder estudantil Lindberg Faria, hoje senador da República, envolvido em denúncias de corrupção), que lutavam pela saída de um presidente corrupto.
Nas duas situações, quem foi às ruas tinha a utopia de dias melhores em contraposição ao escárnio da ditadura e a abjeta esperteza presidencial, na imatura “democracia”.
Hoje, não.
Paira a desesperança, o desapontamento, a revolta contra o modelo político que transformou um simulacro de democracia e uma imberbe república (com menos de 130 anos de vida), numa possessão de bandidos.
O caso do Grupo JBS, pulverizando quase dois mil políticos e 28 partidos com farto dinheiro (veja AQUI) prova isso. PT e PMDB – que hoje estão às turras pelo poder – foram os mais beneficiados pela dinheirama.
Os principais líderes visíveis e invisíveis da baderna ou dos gritos de “Fora, Temer”, não são muito melhores do que ele. Transformaram-se em despachantes de negócios de banqueiros e de outros tubarões plutocratas, ao lado de quem hoje execram.
Querem enganar a quem?
A massa-gente percebe isso. Não é completamente parva.
Por isso prospera a violência em vez da garganta e o sentimento de amor à pátria amada… Brasil!
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O Brasil vive uma violenta guerra civil disfarçada. E isto não apenas pela violência rasteira que ceifa centenas de vidas e molesta o patrimônio das famílias e empresas diariamente, mas, sobretudo, pela atuação de milícias armadas com artefatos de guerra e de alto poder de destruição (fuzis de assalto, metralhadoras calibre 50, uso de dinamite e outros explosivos etc.) que, aliás, superam em muito qualquer capacidade de reação das forças de segurança (instituições de polícia militar e de polícia judiciária) mantidas pelos Estados e Distrito Federal, além das empresas de segurança privada.
A enorme crise fiscal que ora se abate sobre as unidades federativas mais ainda tem precarizado o financiamento das atividades das forças de segurança estaduais, impedindo-lhes de adquirir os bens imprescindíveis (instalações prediais, veículos, armamentos, equipamentos de comunicação, melhoria do apoio logístico etc.) às operações policiais, ademais da possibilidade de manter um fluxo de recrutamento de pessoal, além da capacitação continuada desses recursos humanos. Com efeito, nas organizações policiais são os recursos humanos que compõem as suas carreiras a espinha dorsal desses sistemas, embora este não seja efetivamente o pensamento preponderante das autoridades gestoras dos Estados e Distrito Federal.
Mesmo o Departamento de Polícia Federal (DPF), hoje uma das mais eficientes polícias do mundo, tem ficado equidistante do olho desse furacão de violência multiforme que grassa em todos os recantos do país, deslocado que tem sido para uma atuação midiática e pontual no combate à corrupção. A população está amedrontada e sem nenhuma capacidade de reação, inclusive porque despida da condição de autodefesa decorrente das dificuldades de acesso civil às armas de fogo.
No entanto, para manter o foco da questão a ser trazida nesta reflexão, que é o crescimento dos bandos armados e de grande poder de fogo, verdadeiras, poderosas e cada vez mais agressivas milícias combatentes, abstraiam-se as mazelas já relatadas acima, en passant. Sem embargo, é urgente uma tomada de posição do Estado brasileiro diante das ações generalizadas de explosão de caixas eletrônicos bancários, agências bancárias, agências dos Correios, assaltos a carros fortes e empresas privadas de guarda e transporte de valores, realizadas por essas milícias que, aliás, começam a atuar nas regiões de fronteiras do Sul brasileiro, a exemplo do mega assalto que se realizou recentemente em Ciudad del Este, Paraguai, quando a sede local da empresa Prossegur foi invadida por cerca de 40 bandidos fortemente armados e dali deparam 40 milhões de dólares norte-americanos.
Esse é uma versão agravada do problema. Grave é que inúmeras cidades do interior deste Brasil continental estão privadas de suas agências bancárias porque as milícias fortemente armadas aterrorizam as populações locais, desmoralizam os modestos aparelhos de policiamento local e geram, por algumas horas, um estado de anomia, ou seja, um território sem lei, sem Estado, em que populações inteiras ficam à mercê de malfeitores.
As funções institucionais das Forças Armadas federais – Exército, Marinha e Aeronáutica – são fundamentalmente para proteger nossa nação de agressões externas. Contudo, ao Exército brasileiro é cometida a competência de fiscalização de produtos controlados, a cargo de um órgão denominado Serviço de Fiscalização de Produtos Controlados (SFPC), de modo que uma empresa que utilize a dinamite (explosivo de alto poder energético) para suas atividades deve seguir critérios de armazenamento e uso prescritos em regulamentos cujo controle cabe justo ao Exército brasileiro, sem dúvida uma das instituições mais importantes do Estado brasileiro. Toda fabricação e venda de explosivos para fins industriais, armas e munição, sua importação e exportação, o uso desses artefatos para prática esportiva, tudo é fiscalizado pelo SFPC.
Carro-forte atacado por bandidos nas proximidades do Posto Zé da Volta na BR-304, município de Mossoró, em março deste ano (Foto: arquivo)
No entanto, o que tem ocorrido é a proliferação de bandos que assaltam e amedrontam cidades, inclusive capitais, com destruições de caixas eletrônicos, empresas privadas de guarda e transporte de valores, sem que as forças de segurança estaduais possam enfrentá-las, mesmo porque destituídas dos recursos bélicos para tanto: esses bandos criminosos, verdadeiras milícias dotadas de armamentos somente equiparáveis aos das Forças Armadas brasileiras, devem ser enfrentados por quem lhes tenham “paridade de armas”. E os crimes que cometem, alguns cinematográficos até, utilizam artefatos explosivos e equipamentos bélicos cujo controle está na competência do SFPC/EB.
Por isso é que o Exército brasileiro, numa exceção, deve ser autorizado a atuar no plano interno, para enfrentar e desbaratar esses grupos que tanto desassossego têm causado à população, sobretudo, por denotar ausência do Estado numa perigosa omissão.
O modelo dessa atuação, inclusive os seus limites, deve ser formatado pelo Congresso Nacional, de modo a preservar o equilíbrio federativo, além da necessária integração com os organismo de segurança pública da União (Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal) e dos Estados e Distrito Federal (Polícias Militares e Polícias civis). Nessa hipótese, não há qualquer impedimento constitucional ou legal. Basta ver o que reza o artigo 142, da Constituição:
“As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem“.
Para que não reste dúvidas quanto ao que se afirma aqui, nada a ver com o besteirol de pedir o retorno dos militares ao poder, da volta da ditadura ou coisa que o valha, como parcela da classe média tem bradado em manifestações públicas e nas redes sociais.
Portanto, a atuação das Forças Armadas, em especial do Exército brasileiro, no combate a essas organizações criminosas se daria inteiramente segundo a letra da Constituição, para garantia da lei e da ordem, das instituições jurídico-políticas enfeixadas no Estado Democrático de Direito.
Curioso é que o lema do Exército Brasileiro é “braço forte – mão amiga”. Fiquemos com o primeiro termo dessa equação. Essa pode ser umas das formas de restaurar a autoridade do Estado brasileiro e a autoestima de seu povo. Então, que venha esse “braço forte”!