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Diário do RN chega à edição 500 nesta quinta-feira

Print da capa da edição 500
Print da capa da edição 500

Nossos parabéns aos jornalistas Túlio Lemos e Bosco Afonso, além de toda a equipe desse periódico.

Nesta quinta-feira (24), o jornal impresso “Diário do RN” chega a um número emblemático: edição 500.

Fazer impresso hoje, minha paixão eterna, não é fácil.

Mais sucesso, gente.

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Uma impressão

Por Bruno Ernesto

Foto do próprio autor da crônica
Foto do próprio autor da crônica

Há certos hábitos que mantemos por convicção, ou seja, com base em opinião firme a respeito de algo ou razões íntimas, ou como resultado de persuasão ou influência de outro, ou apenas crença. Tem quem fale que é coisa de quem não se rende aos novos tempos.

De fato, hoje tudo acontece numa velocidade estonteante. E quando falamos disseminação de informações, falamos hoje em fração de segundos.

Penso que o avanço tecnológico das plataformas de comunicação e interação é irreversível. Entretanto, é plenamente possível conciliar o modelo tradicional com o moderno. Um não anula o outro, na perspectiva de transmissão de informações. Entretanto, reconheço, não é tarefa fácil.

Lembro de meu saudoso pai revezando a sua leitura diária, ora debruçado no seu birô da biblioteca, ora numa mesa de desenho que ficava na varanda da casa e que ele adotou após eu desistir de ser arquiteto.

Ele manteve o hábito da leitura por toda sua vida. Não apenas pelo fato de ser professor, mas tinha sede de conhecimento, como quem precisa tomar um copo da água quando está com sede.

Quando comprou o seu primeiro computador, em 1993, aquela maravilha moderna ficou encaixotada na sua biblioteca por algumas semanas. Ele sequer sabia como montá-lo. Foi salvo por um colega professor da universidade que o montou.

Era um profundo admirador de tecnologia, porém, jamais deixou de lado seus cadernos de anotações. Contabilizei dia desses em sua biblioteca, mais de cem cadernos que ele fez anotações desde o início dos anos 1970.

Embora desde criança ponha os olhos nesses cadernos, nesse dia, o que me chamou atenção foi a sistematicidade em suas anotações. Nem mesmo sua caligrafia mudou em quase cinquenta anos de registros manuscritos. Diferentemente do que ocorre hoje, quando estamos destreinados até mesmo para rubricar.

De tal maneira, repito, não é tarefa fácil manter um costume nos tempos de hoje. Nem para quem produz conteúdo ou mesmo quem o consome, especialmente impresso. São muitos os fatores.

Entretanto, é muito prazeroso. E um deles, é ler jornal impresso. Chega a ser nostálgico.

Claro que a notícia que chega na palma de nossa mão de forma instantânea é uma maravilha, e interatividade que temos hoje é algo incrível e que não se pode abrir mão. É fato.

Me incluo, sem hesitar, no universo de leitores dessa modalidade. Aliás, o meu primeiro trabalho remunerado foi aos 14 anos, utilizando aquele primeiro computador que meu pai comprou.

Acordava todos os dias de madrugada para inserir as notícias do dia de um jornal local na sua página da internet, a extinta Gazeta do Oeste. Sim, do dia. Embora fosse a versão eletrônica, só era atualizado uma vez ao dia.

Ainda que seja cada vez mais difícil ter acesso a um jornal impresso por onde andamos, há locais que fazem questão de mantê-lo disponível para seus clientes, pois seu público mantém esse hábito. Diga-se, não é fácil quando não se está em um grande centro urbano ter acesso a jornais impressos.

E um deles são os cafés.

Aliás, os cafés deveriam ser considerados patrimônios da humanidade por diversos aspectos.

É hoje um local multicultural. Não se restringe apenas a tomar um bom café e comer algo numa pequena pausa.

Podemos ver um público muito variado nos cafés, que outrora era frequentado preponderante por pessoas com mais idade, transmitindo uma falsa impressão de que era um local sem graça e enfadonho.

Arrisco a dizer que muita gente tem incluído os cafés nos seus roteiros em busca de um novo estilo de vida, o que é muito bom sob vários aspectos. Eu mesmo levo meus filhos e eles adoram.

A leitura de um jornal impresso hoje é uma leitura mais despretensiosa, bem diferente daquela instantaneidade da notícia eletrônica atualizada a cada minuto.

Pra mim, passou a ser uma leitura para relaxar. Por inúmeras vezes aquela notícia já me é familiar, porém, leio novamente como se fosse a primeira vez.

Essa notícia, tida como velha por alguns, pode virar assunto ali no momento e render uma boa conversa. Há frequentadores nos cafés que lhe surpreendem com o conhecimento sobre determinados assuntos.

Outro dia, ao chegar num modesto restaurante, localizado numa cidadezinha minúscula chamada San Giovanni di Sinis, na Sardenha, quase no meio do nada, presenciei algo bem interessante, que há muito não via.

Ao chegar no local, havia um jornal numa cadeira junto à mesa ocupada por um casal e sua filha pequena. Meu amigo que me levou para conhecer o local, logo ao entrar, perguntou ao dito casal se poderia pegar o jornal para ler. O detalhe é que esse meu amigo, há pouco, havia se queixado da falta de tempo para ler em razão do trabalho.

De pronto disseram que sim e conversaram um pouco aos risos e apontavam para o jornal. Observei de longe a cena.

Após ele vir ao meu encontro, perguntei se ele conhecia aquele casal. Disse que não.

Almoçamos, e quando estávamos tomando um café, um senhor que acabara de entrar no restaurante, se dirigiu à nossa mesa, apontou para o jornal que estava na minha frente e perguntou se poderia pegá-lo para ler.

Fiquei imaginando quantas pessoas poderiam fazer isso durante o dia inteiro ali e lembrei da importância de se ter um jornal impresso em determinados momentos.

Aquele jornal fez mais que informar.

Tenho a impressão de que, em verdade, o jornal desperta esse interesse em todas as pessoas que põe os olhos nele.

Por vezes, é só questão de disponibilidade, nem tanto de hábito.

Bruno Ernesto é advogado, professor e escritor

Meus tempos de imprensa

Por Marcos FerreiraIlustração para Meus tempos de imprensa 1

Ninguém perguntou, mas hoje quero contar a história de um rapaz ordinário. Aqui ordinário vai no sentido de comum, antes que se pense outra coisa acerca dessa palavra consagrada com sentido pejorativo. Naquela idade (vinte e quatro anos) esse moço ainda vivia sem eira nem beira. Falto de grana para quase tudo, virando-se apenas com biscates.

Só que o rapazinho, desde os breves tempos de escola, adquirira o hábito de escrever versos e, enquanto leitor, possuía uma estrada considerável. Na verdade, o hábito da leitura veio antes dos poemas revestidos com açúcar.

Até que um dia (sempre há um dia!) um renomado advogado e poeta destas penhas tomou conhecimento de que ali próximo à casa de sua nora havia um moço que compunha versos e tinha dois cadernos cheios dessas coisas que agora se escreve primeiramente em celulares e computadores e, logo depois, vão parar nos sites e nos blogues.

O nome do eminente advogado e literato era Apolônio Cardoso, autor de um texto musicado não sei por quem, tendo obtido bastante sucesso à época.

O título da então música de Apolônio Cardoso era (ainda é) “Flor do mocambo”, cujos versos admito não recordar. Então, com olhos indulgentes, esse consagrado homem de letras folheou e examinou uns dez poemas de minha autoria, em especial sonetos, e me pediu, pousando a mão no meu ombro, que eu o procurasse em seu escritório advocatício no dia seguinte, num prédio de primeiro andar nas imediações da Praça Vigário Antônio Joaquim.

Fui ao encontro de Apolônio no dia combinado, e ele repetiu elogios que me havia dito na véspera. Deu-me um papelzinho, um bilhete para que eu fosse ao Jornal O Mossoroense e lá procurasse o também poeta Cid Augusto. O tal bilhete abonava a minha participação no centenário como colaborador.

Cid Augusto de pronto botou os olhos naqueles sonetos carregados de influências clássicas, prenhes do estilo passadista de uma centena de autores, aprumou os óculos e balançou a cabeça afirmativamente: “Muito bem, senhor Ferreira, você fará parte da nossa equipe de colaboradores dominicais. Venha cá, eu quero lhe apresentar ao rapsodo Caio César Muniz”, disse o inveterado e jovem boêmio com quem (mesmo sem ser boêmio) mantenho uma consistente amizade até os dias de hoje.

Graças a Apolônio, portanto, eis que ingressei na imprensa desta província, muito embora continuasse na pindaíba, sem um tostão furado. Uma tarde, infelizmente, tomei conhecimento da morte do autor de “Flor do mocambo” e de outras composições de expressividade em nossa literatura e além fronteiras potiguares. Súbito, então, me senti como que órfão, desapadrinhado no contexto literário.

Em uma outra tarde, quando cheguei à redação de O Mossoroense para entregar minha colaboração para o caderno do domingo, fui chamado pelo diretor financeiro e este me comunicou que havia uma vaga para revisor de textos e que Cid Augusto me indicara.

Fiz um teste gramatical à época, já que existiam outras pessoas interessadas no cargo, e obtive a maior nota, embora minha situação escolar não fosse além da sétima série ginasial. É isto, sou um autodidata por convicção.

Decorrido cerca de um ano e meio, também por indicação de Cid Augusto, ascendi ao cargo de editor de cultura, conciliando com a tarefa de revisor. O emprego no jornal, se eu não disse ainda, foi o primeiro trabalho onde me senti de fato visto como alguém com outro potencial que subempregos anteriores não me proporcionaram. Isto sem sugerir aqui que esse ou aquele emprego não seja digno.

De minha parte, todavia, me encontrava num lugar com o qual me identificava, fazendo o que sabia e gostava. É verdade, contudo, que a função de repórter cultural era algo que não me agradava tanto quanto as demais atividades correlatas: revisor de textos e copidesque.

Um dia, como tudo se finda, minha ligação com O Mossoroense ruiu (não sou um elemento fácil de ser domesticado) e fui respeitosamente convidado a sair. Aqui e acolá, então, me bate uma sincera saudade daqueles bons tempos. Em especial do bardo Apolônio Cardoso. Fiquei no ora-veja.

Por outro lado, segundo Ernest Hemingway: “Todo bom escritor tem que passar por uma redação de jornal. Mas, para ser bom mesmo, ele tem que sair dela”. Não sei se me tornei bom, no entanto saí.

Marcos Ferreira é escritor

Sobre paixão e vida no jornalismo

Obrigado ao âncora Nilton Giacomelli e à TV Cidade Oeste pelo convite para participar do programa “Do seu jeito”, à manhã desta quinta-feira (26).

Oportunidade para falar sobre minha profissão-paixão, amigos, família, redações, micos, alegrias, desapontamentos e vida.

Um papo tão leve, que nem senti o tempo passar.

Do Meu jeito.

Divido com você, webleitor do Canal BCS – Blog Carlos Santos.

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Saudades do papel

lendo jornal, jornal impresso, leitor de jornal, homens lendo jornalPor Marcos Ferreira

Porque hoje é domingo, e os domingos são especialíssimos para mim, embora muita gente goste mais das sextas-feiras e dos embalos do sábado à noite, bateu-me esta saudade romântica, singular quanto plural. Coisa de um passado ainda jovem, desabrochado numa quadra de 1997. Ano mágico em que fundamos neste município a Poetas e Prosadores de Mossoró (Poema).

Aqui tento remoçá-la — a saudade — pelo rememorar de sons, cores, olfato, legendas, fotografias. Pois é. As saudades possuem cheiro, têm ruídos, são imagéticas e quase palpáveis.

Retomo a pauta da morte material dos jornais, mortandade que se alastrou por todos os lugares deste país e do mundo. Em solo tupiniquim, entre outros vetustos diários que deixaram o suporte do papel ou faliram por completo, permito-me citar quatro veículos: Diário de Pernambuco (1825), Jornal do Commercio (1827), jornal O Mossoroense (1872) e o Jornal do Brasil (1891).

Exceto pelo Jornal de Fato, que resiste e prossegue sob a batuta de César Santos, jornalista vocacionado e gestor meritório (devemos dar a César o que é de César!), todos os veículos impressos de Mossoró quebraram. Foi assim, por exemplo, com a Gazeta do Oeste (1977).

Ao contrário de O Mossoroense, hoje limitado à sua plataforma on-line, a Gazeta extinguiu-se completamente. “Sua última edição foi às ruas no dia 31 de dezembro de 2015”, conforme registrado no blogue do Carlos Santos à época. Em tempo, Carlos é um dos pioneiros da blogosfera local.

Antes do primeiro galo bicar o sol e abrir os olhos da manhã, os jornais impressos afloravam no útero mecânico das rotativas; flores de tinta e celulose cujas pétalas-páginas revelavam a fragrância e o flagrante, o escândalo e a moral, a paz e a guerra, o Deus e o Diabo de cada novo amanhecer.

Ao menos para mim, que tive a honra de fazer parte de duas redações enriquecedoras, em O Mossoroense e na Revista Papangu, ter em mãos os veículos impressos (semanários, diários ou mensários) era algo incomensurável, uma experiência indescritível. Não havia nada mais urgente ou importante que o jornal que líamos naquelas primeiras horas do domingo.

Os jornais chegavam aos lares e leitores tão naturalmente como chegavam o leite e o pão. E, estando os três na mesa (o jornal, o pão e o leite), não raro alimentávamos primeiro os olhos.

Era uma necessidade inadiável de muita gente. Em seu bojo de alegrias e dores, sempre tão esquadrinhado, diverso e único, o jornal representava o pregão dos pregões: “Olha o jornal!”, exclamavam jornaleiros nalguns pontos do Centro, comerciando notícias ainda fresquinhas àquela época.

Eu pensava em coisas desse tipo a cada edição, especialmente quando um texto de minha autoria (um soneto, uma crônica ou conto) estava gravado em páginas do velho O Mossoroense ou da Papangu. Assim, cada qual com sua tiragem, periodicidade e público, os veículos impressos tomavam rumos imprevistos. Gostávamos de tocar o papel, manejar as folhas, sentir-lhes a textura, o olor da tinta.

Aquilo possuía vida, densidade, tinha a cara, o cheiro e a fala do povo. Eu me sentia, repito, orgulhoso de fazer parte daquela engrenagem, apesar de alguns indícios de mordaça, da tácita censura que rondava a nossa expressão escrita.

Encaramos obstáculos, uma antipatia velada, subjacente, rancores, ímpetos de ranço e prepotência, reprimendas. Mas, com a alegria com que os passarinhos anunciam cada raiar do sol, não emudecemos, tecemos nossa teia verbal, vencemos a intolerância, a ferocidade e o cerco das hienas.

Hoje tudo está modificado. Vivenciamos a hegemonia dos portais eletrônicos, dos sites, das redes sociais e da blogosfera. Jornalistas outrora assalariados, dançando conforme a música que os patrões tocavam, sem tanto crédito nem opinião própria, agora são donos das suas vozes, adquiriram autonomia para dizer o que querem ou aquilo que lhes convém.

Como está na moda falar, são empreendedores, chefes de si mesmos. Não todos, pois ainda há aqueles sob a regência do patronato, contudo grande parcela é autossuficiente. Em meio a esses, talvez em número expressivo, há homens e mulheres admiráveis, dignos de respeito.

Vejo no mister de jornalista, como em poucos outros, uma paixão e um glamour típicos. É aí que muitos, literalmente, dão o sangue pela missão de informar. Tornam o público ciente dos acontecimentos nas mais diversas esferas da sociedade, rompendo a barreira do medo e da mordaça.

Nunca fui nem me pretendi jornalista, mas tive a oportunidade de trabalhar e interagir com admiráveis pessoas desse ramo, quando o sangue e a tinta (no tempo da tinta) corriam pelas veias expostas do homem de imprensa. Desse universo advém todo o seu penar e a sua delícia, o seu torpor e o seu ópio.

Pouca coisa lhes importa mais do que isso. Até eu, na época dos impressos, lembro de que várias vezes, movido por aquela sensação do dever cumprido, não fui para casa não sem antes passar pela oficina e pôr o meu exemplar debaixo do braço.

Sentia-me atraído pela sala de impressão, gostava da voz metálica da rotativa, daquele matraquear que geralmente se estendia pela madrugada. Só depois, portanto, eu deixava a oficina com o sentimento de que fizera a minha parte, satisfeito com a crônica, o conto ou poema ali gravado.

O jornal em papel era uma espécie de viajante do tempo que noticiava e que era notícia. Quantos homens e mulheres não se uniram e se deixaram por meio de suas folhas; quantas carreiras não foram construídas e arruinadas ao longo do seu expediente e curso. Havia em sua esteira factual um ciclo de apogeu e debacle, mortes e nascimentos, otimismo e desesperança. Entre outros veículos, a mídia escrita e impressa era a mais charmosa, romântica e sedutora.

Oito e dez. Dia nublado, aspergido por uma suave garoa. Bateu-me esta saudade do papel. Penso que num domingo assim, antes de provarmos o leite e o pão, estaríamos à mesa lendo um jornal impresso.

Marcos Ferreira é escritor

Carlos Santos – Ao Vivos estreia como laboratório jornalistico

Veja na caixa de vídeo abaixo, estreia do projeto experimental Carlos Santos – AOS VIVOS, em que batemos papo com o jornalista Saulo Vale do Blog Saulo Vale.

Esse novo canal do Blog Carlos Santos foi implantado em nosso endereço no Instagram (veja AQUI). Foi ao ar nessa segunda-feira (18), às 21h.

Conversamos sobre jornalismo (rádio, TV, webjornalismo e impresso), Universidade do Estado do RN (UERN), pandemia, vida pessoal do entrevistado, política estadual e municipal, papel da Justiça Federal e Ministério Público na luta contra a Covid-19, além de algumas abobrinhas.

Experiência

O Carlos Santos – AOS VIVOS é um projeto experimental, embrionário e laboratorial. Antecede investimento mais esmerado desta página, a ser desenvolvido adiante, em que pretendemos instigar o colaboracionismo de internautas e convergência de mídias num ambiente multiplataforma.

É um canal para a gente jogar conversa fora, não fazer um monte de coisas e sei lá o quê, semanalmente – sempre às segundas-feiras, às 21 horas.

* Inscreva-se em nosso canal no Youtube (acesse clicando AQUI) para avançarmos nesse projeto jornalístico.

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Copiar e colar sem pudor

É cada dia mais caudaloso o uso, sem o devido crédito, de matérias do Blog Carlos Santos.

Em rádios, páginas virtuais, impressos etc., o fazem sem pudor, respeito à lei e ao autor.Usam-nas na íntegra, trechos ou reproduzem opiniões minhas como se fossem suas.

Aviso aos infratores da lei e do respeito, que agora passo a adotar medidas austeras, mas justas, para proteger o fruto do meu trabalho suado e dedicado.

A valoração dele cabe ao webleitor. Ele diz se é bom ou ruim.

Fui claro?

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Internet não pode ser vista como uma ameaça para a imprensa

Por Jordi Pérez (El País)

O professor Jeff Jarvis tem um dos trabalhos mais infelizes do mundo: guru do futuro do jornalismo. A longa crise do ofício resiste por enquanto a todos os tipos de profecias. Mas Jarvis, professor da City University de Nova York, continua sugerindo novas ideias apesar de previsões erradas anteriores. Seu entusiasmo é contagiante: a Internet mudou tudo, mas continua existindo demanda de informação.

Continuamos em uma transição que talvez dure mais uma década. Nos Estados Unidos, com mais de 3.000 demissões, esse ano ruma para ser o pior para jornalistas em uma década: e isso porque entre 2009 e 2017 as redações norte-americanas já perderam 23% de seus repórteres. Jarvis, pelo visto, acha que deve ser mais radical.

Falou com o EL PAÍS em sua passagem por Madri para o encontro da Associação Internacional de Pesquisa de Imprensa e Comunicação (IAMCR na sigla em inglês), realizado na Faculdade de Ciências da Informação da Universidade Complutense de Madri.

O professor Jeff Jarvis em entrevista ao El País em Madrid tenta enxergar um futuro ainda muito confuso (Foto Carlos Rosillo)

Pergunta. O senhor está há mais de 10 anos tentando adivinhar como será o jornalismo do futuro.

Resposta. Não fui bem-sucedido.

P. Nesses 10 anos ocorreram histórias de sucesso: New York TimesWashington PostGuardian. Mas jornais menores e países e regiões com audiências menores continuam sofrendo.

R. Isso acontece por serem negócios fantásticos. Em muitas cidades dos Estados unidos eram monopólios. Existiam jornais que no ano 2000 ganhavam 40 milhões de dólares (150 milhões de reais) somente com anúncios classificados. E puf, tudo desapareceu. É muito difícil se desmembrar e se recompor. É difícil abandonar algo que deseja que continue sempre assim.

P. Há anos o senhor tenta encontrar soluções que desmoronam.

R. Posso ser um farsante. Não defendo que eu tenha razão.

P. O jornalismo empreendedor, por exemplo.

R. Sim, acreditava que os blogues superlocais seriam um pilar do ecossistema do futuro. Mas é muito difícil e arriscado. Os jornalistas não querem vender e tocar um negócio. Eu me enganei. Não é um pilar. Também existem coisas interessantes em jornalismo sem fins lucrativos: Texas TribuneThe City em Nova York, Propublica. É excitante, mas não há financiamento suficiente para resolver todo o problema.

P. A solução é um mistério, mas e o problema?

R. A evidência é clara: precisamos mudar. Há muitas oportunidades. Enquanto enxergarmos a Internet como uma ameaça, ficaremos incomodados. Se olharmos a Internet como a base para mudar nossa relação com o público, há base para algo. Na verdade, acho que não fui radical o bastante.

P. Mas sem dúvida é o mais radical.

R. Não fui radical o suficiente com o futuro. Agora penso assim: precisamos repensar para que serve o jornalismo em uma sociedade, começar a enfrentar os problemas e aprender com outras disciplinas. Se estamos muito polarizados e as comunidades não se entendem entre si, é preciso construir pontes. Temos também que aprender com os antropólogos e perguntar a eles como entender uma comunidade, como escutá-la, como conseguir evidência, como se conectar. Há também uma crise de Inteligência: como é possível que 40% dos americanos achem que Donald Trump vale a pena? Precisamos olhar a neurociência. O que diz a ciência sobre o fato das pessoas se enganarem sobre seus melhores interesses?

P. O senhor usa uma metáfora sobre uma casa em chamas. Enquanto ela queima, a indústria deve construir uma nova moradia diferente em outro lugar. Mas não é mais correto dizer que estamos reconstruindo a mesma casa enquanto queima?

R. Sim. As empresas continuam dependendo do volume: os anúncios do papel, os cliques, a publicidade programática online. Estão fechadas em um ciclo. Não podem reconstruir a casa em chamas e ao mesmo tempo criar mais chamas.

P. É difícil se libertar?

R. Olhamos o Google e o Facebook, vemos seu alcance e queremos ser como eles. Continuamos no negócio das massas. É um problema fundamental. Temos que aprender a personalizar, temos que aprender valor. Devemos repensar nossa economia ao redor da variável usuário valioso. O Telegraph optou por um muro de pagamento (pay wall), o Guardian por ter membros, mas os dois passaram por um processo de redução do conteúdo. Antes só produziam páginas visualizadas.

P. O problema é onde cortar.

R. Um, deixe de copiar os outros. Seja único. Não faça notícias baratas, comuns. Algumas devem ser feitas, mas não gaste dinheiro nisso. Dois, procure valor. O que é valioso na vida das pessoas? O que posso fazer que elas realmente irão usar? Isso inclui jornalismo investigativo, inclui agir como vigilantes do poder. Mas não falo de oferecer somente jornalismo. Tenho uma posição única no mercado. Um jornal de Seattle está premiando os jornalistas pela quantidade de assinaturas que conseguirem com seus artigos. Também não irá funcionar. Porque, primeiro, acontece só uma vez. Segundo, é mais uma métrica, mas há algo que cause retenção? Precisamos de novas métricas sobre valor. É necessário inventar algo novo.

P. O negócio do jornalismo era o conteúdo.

R. Já não pode ser a única recompensa. É preciso oferecer acesso a membros de uma comunidade, a contatos com jornalistas, a eventos, descontos, educação.

P. É fácil imaginar jornalistas lendo isso e pensando ‘que complicado’.

R. Sim. Mas com um muro de pagamento você limita as conversas, separa seus leitores. Os que gostarem muito de você, pagarão. Mas limita sua influência.

P. Os muros de pagamento não são uma salvação?

R. Estamos enganados se acreditamos que são a salvação. Sempre esperamos o próximo messias: tablets, publicidade programática, muros de pagamento. Acabo de ver um estudo do Instituto Reuters de Oxford e descobriram que a metade dos pagamentos de assinaturas digitais vai para três marcas: New York TimesWashington PostWall Street Journal. De modo que se você é o Cleveland Plain Dealer seguir adiante é um desafio: não tem a mesma audiência e alcance, a mesma conversa leitor-assinante, não pode cobrar o mesmo, irá perder mais assinantes porque não é tão valioso. Os muros não irão salvá-lo.

P. Algumas marcas irão se salvar.

R. Trabalho com o Guardian, que optou por não erguer um muro para que seu jornalismo estivesse disponível para todos, com o que concordo. Trabalho com eles em seu programa de membros. Imediatamente percebemos que não se tratava de membros, e sim de mendigar. E pedir esmola funciona.

P. Funciona nos Estados Unidos e no Reino Unido.

R. Funciona nos Estados Unidos e um pouco menos no Reino Unido. Há oportunidades para que uma empresa de comunicação obtenha dinheiro do consumidor. Isso não significa necessariamente um muro. Muita gente dá dinheiro ao Guardian e não entra regularmente, mas está preocupada pelo meio ambiente. Por que o Guardian não cria um movimento ambiental? Têm uma oportunidade de comunidade: não pertencer ao Guardian e sim ao clube. É preciso procurar novas afinidades. As pessoas estão aí não só porque gostam de nossa marca. Sei que é difícil.

P. A reputação da imprensa é baixa. Talvez o jornalismo precise deixar de ser feito por alguém chamado jornalista?

R. Temos um papel diferente. Já não se trata somente de produzir conteúdo. É preciso pensar o que fazer com a sociedade. Meu conselho é ter coragem e testar novas ideias malucas.

P. Qual é sua opção agora?

R. Uma estratégia baseada na relação com comunidades. Precisamos ampliar a definição de comunidade. Quando pergunto aos meus alunos de jornalismo social em Nova York de quais comunidades são membros, começam com obviedades: moro no Queens, sou estudante. Então alguém na classe diz: ‘Tenho problemas de saúde mental’. Bum, a discussão muda. Há outro que diz o mesmo e, de repente, há uma conexão. É uma pequena comunidade. Temos que ampliar o conceito de comunidade além do óbvio da geografia e da demografia. Uma comunidade não são os millenials, e sim os proprietários de gatos e pais jovens. Não existem muitas notícias sobre cocô de bebê e fraldas, mas por que não podemos oferecer-lhes um mapa de sua cidade acessível aos carrinhos?

P. Mas isso ganha relevância? Serve para grandes redações?

R. Sempre ouço que não. Vamos trabalhar com diabéticos em Madri. Vamos fazer bem feito. Aprendendo a fazê-lo, poderemos repetir para muitas outras comunidades. Não acho que tenha sido feito em jornais. Quero ver.

P. Pode ser outra invenção fracassada.

R. Claro. Continua sem estar demonstrado. Há uma pequena empresa, a Spaceship Media, que por enquanto funciona em algumas cidades. Pode crescer? Talvez.

P. Alguns veículos de comunicação podem pensar que lhes resta a opção de pedir dinheiro a pessoas poderosas?

R. E que recebam o dinheiro e ouçam: se comportem. Não é o que aconteceu nos últimos 15 anos em tantos países da Europa? É algo que prejudica sua reputação. Por desespero vão à fonte do dinheiro. Também acontece com os jornais locais nos Estados Unidos. É um assunto de relevância.

P. Não parece bom.

R. É complicado. Sempre uso a invenção de Gutemberg. Ele introduziu a imprensa em 1450. Mas o primeiro jornal é de 1605. Algo que agora vemos como óbvio levou um século e meio. E os primeiros jornais fracassaram porque não tinham modelo de negócio. De modo que agora estamos como em 1475. Nos primeiros dias. O caso do Guardian é fascinante. Tinham um bilhão de dólares (4 bilhões de reais) no banco, estavam tranquilos até que lhes disseram: nesse ritmo de gasto irão durar oito anos. Isso lhes motivou. Agora não perdem dinheiro, mas continuam sofrendo. Ficaram motivados ao ver uma data de morte certa.

P. Mas continuam sofrendo.

R. Sempre. Mas só precisam sobreviver.

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Nomes de expressão do jornalismo vão estrear

O jornal Tribuna do Norte reforça seu timaço com nome de expressão do jornalismo impresso do RN nas últimas décadas.

A estreia será na edição de terça-feira (2).

Rubens Lemos, Alex Medeiros, Cassiano Arruda e Vicente Serejo: um timaço na Tribuna (Foto: divulgação)

Como o Blog Carlos Santos antecipou em primeira mão (veja AQUI) no último dia 4 de junho, Cassiano Arruda, Alex Medeiros e Vicente Serejo farão colunas diárias nesse impresso.

Quem chega também é Rubens Lemos Filho, o “Rubinho”.

Sucesso, pessoal.

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Alex Medeiros, Cassiano Arruda e Vicente Serejo em nova casa

Aguarde.

Comecinho de julho, três nomes de peso do velho e resistente jornalismo impresso do RN vão desembarcar em novo endereço: jornal Tribuna do Norte.Alex Medeiros, Cassiano Arruda e Vicente Serejo terão colunas diárias nas páginas do tradicional periódico da Rua Tavares de Lira, nº 101, no bairro da Ribeira (Natal).

O Tribuna do Norte foi fundado em 24 de março de 1950 por Aluízio Alves. Passa e passará por profundas mudanças.

Nada mais posso adiantar, apesar da vontade.

Acionem as máquinas.

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A mão grande de Pezão

Sempre fui apaixonado por títulos/manchetes, herança de anos em trabalho diário no jornalismo impresso, paixão arrebatadora que me mantém vivo até esses dias, há mais de 33 anos no ofício.

Título e foto se juntam num acasalamento perfeito nessa capa do Extra do Rio de Janeiro (Foto: reprodução)

E, de lá, trago uma vivência diferenciada à produção no webjornalismo, onde estou cotidianamente há mais de 12 anos. Todos os dias utilizo elementos do impresso na confecção do material virtual no Blog e em nossas outras plataformas digitais.

Nesse caso, a simbiose de foto com manchete que focaliza prisão do governador carioca, Luiz Fernando Pezão (MDB) – veja AQUI, merece dez com louvor.

Capa do jornal Extra dessa sexta-feira (30).

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“Diocesano Informa” volta à vida em lançamento hoje

Nesta quinta-feira (1º), O Colégio Diocesano Santa Luzia (CDSL) de Mossoró volta a lançar o seu jornal impresso – Diocesano Informa.

O coquetel de lançamento acontecerá às 19h30, na área de convivência do Ensino Médio.

O impresso renasce após nove anos de sua última veiculação.

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‘New York Times’ vê ‘ilhas de crescimento’ para impressos

Do jornal O Globo

Para o “New York Times”, o digital é o futuro. Mas seu diretor executivo, Mark Thompson, afirma que “não vai desistir do impresso”. Após divulgar os resultados do “NYT” no primeiro trimestre, Thompson afirmou em entrevista à agência de notícias Reuters que o jornal vai se dedicar a “ilhas de crescimento” na sua versão impressa.

Operador da Bolsa de Nova York lê jornal durante o pregão - Andrew Harrer / Bloomberg News

O jornal teve um prejuízo de US$ 14 milhões no primeiro trimestre, puxado por gastos extraordinários com uma ação na Justiça e por uma queda no lucrativo segmento de publicidade impressa. O resultado operacional melhorou e ficou em US$ 59 milhões, contra US$ 57 milhões em igual período do ano passado.

— O digital é a principal área de crescimento. Mas onde podemos investir no que chamamos de “ilhas de crescimento” na versão impressa, nós investiremos — explica o executivo.

A circulação digital média do NYT cresceu 14,2%, para 1,55 milhão. A circulação digital do domingo subiu 10,7%, para 1,48 milhão. No impresso, a média de circulação de segunda-feira a sexta-feira caiu 6,8%, para 625.951; aos domingos, caiu 5,2%, para 1,15 milhão. O número de assinantes digitais subiu 20%, para 957 mil.

Segundo o executivo, o jornal mantém seus planos de cobrar assinatura no seu aplicativo para celulares e tablets, hoje gratuito, a partir de maio.

A versão em papel do jornal ainda representa mais de dois terços da receita total de publicidade. No impresso, a seção Casa e Automóveis foi descontinuada recentemente.

Mas nasceu a seção mensal “Men’s Style”, focada em moda e estilo de vida para homens, no mês passado. Em fevereiro, o NYT relançou a “New York Times Magazine”. A revista e a “T: The New York Times Style Magazine”, vêm ampliando receita, afirmou Thompson.

— Estamos determinados a fazer tudo o que podemos para preservar a publicidade impressa — disse Thompson.

O “NYT”, como outros jornais, vem sofrendo pressão para encontrar novas vias de crescimento num momento em que a receita da propaganda impressa está encolhendo e se desloca em direção aos anúncios digitais, que custam menos e oferecem retorno rápido e mensurável.

A receita com a venda de anúncios impressos caiu 11% no período, enquanto a do digital subiu 10,7%. No total, a receita com publicidade recuou 5,8%.

Celulares e Tablets

O estudo “State of the News Media”, divulgado nesta quarta-feira pelo Pew Research Center, traz um retrato do mercado de mídia dos Estados Unidos. Com dados da Nielsen, o relatório aponta que 56% dos consumidores que leem um jornal fazem a leitura dessa publicação exclusivamente no papel, contra 55% em 2013. Outros 11% também a leem em computadores; 5% também acessam esse noticiário apenas por dispositivos móveis; e 11% o leem em todas as plataformas.

Por outro lado, o relatório aponta que cada vez mais americanos estão usando celulares e tablets para se manterem informados. Dos 50 maiores sites jornalísticos do país, 39 recebem mais tráfego via dispositivos móveis que por computadores, segundo dados de janeiro da comScore. Entre os sites de jornais, o fenômeno é ainda mais claro: dos 25 maiores, o tráfego mobile supera o gerado por desktops em 19, em cinco há um empate e em apenas um, o “Houston Chronicle”, as visitas por computadores superam as geradas por dispositivos móveis.

Para os grandes jornais, aponta o relatório, a audiência digital ultrapassa de longe a circulação. O “New York Times”, por exemplo, registrou circulação média da versão impressa de 650 mil em setembro de 2014. Por outro lado, ele possui 1,4 milhão de assinantes digitais e, em janeiro deste ano, o site e seus aplicativos receberam 54 milhões de visitantes únicos.

Esse dado aparentemente contradiz o estudo da Nielsen, que aponta que a leitura de jornais se dá predominantemente no impresso. Para os pesquisadores do Pew, a resposta está no tipo de uso de cada mídia.

“O visitante chega por um link visto em uma rede social ou recebido por e-mail, e, por isso, pode não considerar a experiência como ‘ler um jornal’, mas apenas navegar por um artigo on-line”, afirma o estudo.

Publicidade em alta

Atrás dos leitores, vai a publicidade. No ano passado, foram investidos US$ 19 bilhões em anúncios móveis, alta de 78% em relação a 2013, de um total de US$ 50,7 bilhões gastos em publicidade digital, mas a maior parte deste montante fica com companhias de tecnologia. Apenas o Google abocanha 38% do total.

Os jornais impressos ainda se recuperam da crise do fim da década passada e disputam o mercado de publicidade digital. No ano passado, a receita com anúncios em sites e aplicativos cresceu 3% em relação a 2013.

Contudo, o resultado não foi suficiente para compensar a queda de 5% na publicidade impressa. Ao todo, o setor faturou US$ 16,4 bilhões com anúncios, queda de 4% frente a 2013.

A circulação das versões impressas interrompeu a trajetória de alta dos últimos três anos e registrou queda de 4% em 2014 na média semanal, após registrar alta de 22% entre 2012 e 2013; e de 3% entre 2013 e 2014.

Jornal, qualidade e relevância

Por Carlos Alberto di Franco (O Estado de São P aulo)

A internet é, frequentemente, o bode expiatório para justificar a crise do jornalismo. Os jovens estão “plugados” horas sem-fim. Já nascem de costas para a palavra impressa. Será? É evidente que a juventude de hoje lê muito menos. Mas não é somente a moçada que foge dos jornais. Os representantes das classes A e B também têm aumentado a fileira dos navegantes do espaço virtual.

O público dos diários, independentemente da faixa etária, é constituído por uma elite numerosa, mas cada vez mais órfã de jornalismo de qualidade. Num momento de ênfase no didatismo, na infografia e na prestação de serviços – estratégias convenientes e necessárias -, defendo a urgente necessidade de complicar as pautas. O leitor que devemos conquistar não quer, como é lógico, o que pode conseguir na internet. Ele quer conteúdo relevante: a matéria aprofundada, a reportagem interessante, a análise que o ajude, de fato, a tomar decisões.

Para sobreviverem os grandes jornais precisam fazer que seja interessante o que é relevante. O jornalismo impresso deve ser feito para um público de paladar fino e ser importante pelo que conta e pela forma como conta. A narração é cada vez mais importante.

Quem tem menos de 30 anos gosta de sensações, mensagens instantâneas. Para isso a internet é imbatível. Mas há quem queira entender o mundo. Para estes deve existir leitura reflexiva, a grande reportagem. Será que estamos dando respostas competentes às demandas do leitor qualificado? A pergunta deve fazer parte do nosso exame de consciência diário.

Antes os periódicos cumpriam muitas funções. Hoje não cumprem algumas delas. Não servem mais para nos contar o imediato, o que vimos na televisão ou acabamos de acessar na internet. E as empresas jornalísticas precisam assimilar isso e se converter em marcas multiplataformas, com produtos adequados a cada uma delas. Não há outra saída!

O que se nota é que os jornais estão lentos para entender que o papel é um suporte que permite trabalhar em algo que a internet e a rede social não podem: a seleção de notícias, o jornalismo de alta qualidade narrativa e literária.

Gay Talese, um dos fundadores do New Journalism (novo jornalismo) – uma maneira de descrever a realidade com o cuidado, o talento e a beleza literária de quem escreve um romance – é um crítico do jornalismo sem alma e sem graça. É preciso “contar a história de uma forma que nenhum blogueiro faz, algo para ser lido com prazer”. É isso que o público está disposto a pagar.

A fortaleza do jornal não é dar notícia, é se adiantar e investir em análise, interpretação e se valer de sua credibilidade.

Estamos numa época em que informação gráfica é muito valiosa. Mas um diário sem texto é um diário que vai morrer. O suporte melhor para fotos e gráficos não é o papel. Há assuntos que não é possível resumir em poucas linhas. Assistimos a um processo de superficialização dos jornais.

Queremos ser light, leves, coloridos, enxutos. O risco é investir na forma, mas perder no conteúdo. Olhemos para o sucesso da revista britânica The Economist. Algo nos deveria dizer. Não é verdade que o público não goste de ler. O público não lê o que não lhe interessa, o que não tem substância, o que não agrega, não tem qualidade. Um bom texto, para um público que compra a imprensa de qualidade, sempre vai ter interessados.

Daí a premente necessidade de um sólido investimento em treinamento e qualificação dos profissionais. Para mim, o grande desafio do jornalismo é a formação dos jornalistas. O jornalismo não é máquina, tecnologia, embora se trate de suporte importantíssimo. O valor dele se chama informação de alta qualidade, talento, critério, ética, inovação. Por isso são necessários jornalistas com excelente formação cultural, intelectual e humanística. Gente que leia literatura, seja criativa e motivada.

O conteúdo precisa fugir do previsível. O noticiário de política, por exemplo, tradicionalmente forte nos segmentos qualificados do leitorado, perdeu vigor. Está, frequentemente, dominado pela fofoca e pelo declaratório. Fazemos denúncias – e é importante que as façamos -, mas, muitas vezes, faltam consistência e apuração sólida.

O resultado é a pauta superada por um novo escândalo. Fica no leitor a sensação de que não aprofundamos, não conseguimos ir até o fim. O marketing político avançou além da conta. Estamos assistindo à morte da política e ao advento da era do declaratório e da inconsistência.

Políticos e partidos vendem uma bela embalagem, mas fogem da discussão das ideias e das políticas públicas. Nós, jornalistas, somos – ou deveríamos ser – o contraponto a essa tendência. Cabe-nos a missão de rasgar a embalagem e mostrar a realidade. Só nós, estou certo, podemos minorar os efeitos perniciosos do espetáculo audiovisual que, certamente, não contribui para o fortalecimento de uma democracia sólida e amadurecida.

Uma cobertura de qualidade é, antes de mais nada, uma questão de foco. É preciso declarar guerra ao jornalismo declaratório e assumir, efetivamente, a agenda do cidadão. O nosso papel é ouvir as pessoas, conhecer suas queixas, identificar suas carências e cobrar soluções dos governantes. O jornalismo de registro, pobre e simplificador, repercute o Brasil oficial, mas oculta a verdadeira dimensão do País real. Precisamos fugir do espetáculo e fazer a opção pela informação. Só assim, com equilíbrio e didatismo, conseguiremos separar a notícia do lixo declaratório.

Somente um sério investimento em qualidade, rigor e relevância garantirá o futuro dos jornais. Ninguém resiste a uma boa história, ao texto bem apurado, ao ímã mágico de uma bela reportagem.

Carlos Alberto di Franco é doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra.

O último dia de um jornal

Hoje, o jornal Correio da Tarde – com sede em Mossoró – sai com sua última edição. Não resistiu aos novos tempos.

O jornalismo impresso passa por dificuldades em todo o mundo.

Ah, mas não me venha culpar a Internet, por favor!

A chamada “plataforma impressa” continuará por tempos insondáveis sendo utilizada como meio de comunicação.

Entretanto é fácil identificar, que sua vida será muito mais um exercício de romantismo do que de lógica.

É como você ter duas armas para defesa de sua família, em casa, com opção de utilizar a mais eficiente ou a mais primitiva nessa missão.

Vai sacar do armário um arco e flecha ou um fuzil AK-47, que dispara 600 projéteis por minuto?

O arco e flecha é o jornal. O fuzil, a internet e seus vários canais de compartilhamento e vazão (PC, smartphone, tablet, TV´s etc.).

O futuro é online. Papel, pura poesia. E caríssimo.

Como em todo e qualquer tempo da existência humana, o darwinismo provará sua tese outra vez: sobreviverão os que melhor se adaptarem às novas exigências de mundo.

Que descanse em paz!

O fim do “furo” e do “fechamento”

Por Carlos Castilho

A cultura do “fechamento” está com os dias contados no jornalismo. A rotina já acabou porque as novas tecnologias ja impuseram o ciclo 24 horas sete dias da semana na produção de noticias. Mas um hábito entranhado há décadas morre mais lentamente. Esta é a razão para problemas como o ocorrido esta semana nos Estados Unidos, a propósito de uma decisão judicial sobre um tema complexo.

O veredito da Suprema Corte provocou interpretações divergentes entre jornais, redes de TV, sites de notícias e noticiários radiofônicos. Mas a polêmica que interessa é a que se estabeleceu entre os jornalistas sobre qual a forma correta de lidar com uma situação como esta. Pela primeira vez em muitos anos, em vez de recriminações mútuas os profissionais trataram de achar a solução.

O caso da decisão judicial americana mostra como a pressa em ser o primeiro entra em conflito com a necessidade de informar corretamente. A conclusão geral foi de que a pressa deve ser sacrificada, o que significa uma virtual sentença  de morte para a cultura do “furo” jornalístico.  Mas a preocupação em ser o primeiro não é a única vítima nessa mudança de hábitos, rotinas e valores nas redações e fora delas.

A necessidade de imprimir notícias levou os jornais a parar a produção de informações num momento determinado, que ficou conhecido como hora do fechamento, ou deadline.  É a hora fatal para o profissional, pois ela determina se ele foi o não bem sucedido na sua missão de obter tudo aquilo que o leitor precisa saber.

As novas tecnologias de comunicação e informação (TICs)  acabaram também com essa tradição jornalística ao permitir que as notícias possam ser publicadas na web sem hora de fechamento.  Isso não significou apenas o fim de uma rotina, mas também uma mudança no conceito de notícia. Ela deixou de ser algo com prazo de validade para se transformar num processo, já que a internet permite atualizações e reformulações a qualquer momento.

Isso muda bastante a rotina das redações, mas também a dos leitores. Para os jornalistas, a mudança afeta a forma como tratam a informação, especialmente as mais complexas e especializadas. Em vez da obsessão com o furo e com o fechamento, os profissionais  passam a se preocupar com o processo de produção da informação.

Em vez de entregar um pacote informativo fechado em prazos determinados,  os jornalistas passam a produzir uma sucessão de detalhes, novos enfoques, percepções e contextos de forma cumulativa, num processo que pode implicar em correções e recuos.  O erro, quando reconhecido e corrigido, deixa de ser um pecado mortal para ser um acidente normal de percurso investigativo.

No lado do leitor, ele terá que,  gradualmente, passar a encarar  a notícia como um processo de descoberta da realidade e formação de conhecimento individual.  Isso fará com que ele tenha que substituir  a postura passiva atual por outra proativa, já que ele não receberá mais um produto acabado, mas algo em permanente construção.

Essas mudanças estão sendo estimuladas pela avalancha informativa deflagrada pela internet e pela web, responsáveis diretas pela maior percepção da complexidade das informações transmitidas aos leitores. A complexidade sempre existiu,  mas nós não tínhamos condições de percebê-la  porque os dados disponíveis era poucos.  Como hoje o número de versões  e percepções cresceu exponencialmente, os leitores  passaram a ter um trabalho extra de selecionar e interpretar noticias, em vez de digeri-las sem reflexão.

Carlos Castilho escreve para o portal “O observatório da imprensa”

Nota do Blog – Tenho escrito há tempos sobre os dois enfoques de Castilho, usando justamente este espaço, além de redes sociais como Twitter (eis nosso endereço AQUI) e Facebook. O gol de placa do jornalismo, o “furo”, hoje não passa de um ‘furinho’, com o advento da notícia em tempo real, com o Control C/Control V replicando tudo (muitas vezes sem respeitar o crédito).

A notícia bem-elaborada, o outro lado da notícia e o aprofundamento do fato ganham ainda maior importância. “Fechar o jornal” não encerra os acontecimento. Nada fica mais pro dia seguinte.

A vida após a “morte” do nosso jornal impresso

No Dia do Jornalista, recebo uma pergunta recorrente pelas redes sociais: “O jornal impresso vai morrer?”

Minha resposta é monossilábica: “Não”. Mas acrescento algumas observações e análises nesta página.

O jornal impresso terá que se renovar. O pior para um jornal impresso não é a morte e, sim, ser um zumbi, um morto-vivo, sem opinião própria, incapaz de mudar o curso do rio.

Alguns são até bonitinhos, mas ordinários. Não irão longe. Em vez de jornalismo promovem “assessoria de incenso” ou “vendem proteção”, como bandos de jagunços ou forças mercenárias à margem da lei.

O mundo passou a ser digital, meu caro.

O arco e flecha ainda existem, como esporte e arma de uns poucos em operações de comandos especiais militares espalhados pelo mundo. Entretanto, ninguém deixa de ter um AK-47 (fuzil criado em 1947, é símbolo de arma eficiente, apesar de tantas outras, mais modernas, terem surgido) para empunhar arco e flecha primitivos.

Como o AK-47 que continua vivo, mas reciclado, o jornal precisa se adaptar. O jornal continuará vivo, como ainda temos máquina datilográfica e disco de vinil. Porém, será que numa escolha fria, desprovida de saudosismo e paixão, ficaremos com uma Olivetti e LP ‘bolachão” em vez de um Macintosh e um Ipod de 60 Gigas?

Os tempos são outros.

Um Fusca e uma Ferrari podem ir naturalmente da Cidade Alta à Ponta Negra, em Natal. Mas qual o melhor, heim? Qual oferecerá melhor conforto, segurança, agilidade, eficiência etc.?

Digo-lhes com metáforas e alegorias o que nem precisaria ser sustentado em rodeios para ficar tão translúcido: O mundo é digital, sem celulose e tinta. Eis o fato. O webjornalismo não é um caso de futuro: é o presente, com base no passado.

A hegemonia analógica, o pontificado da teledifusão e o reinado da voz pelas ondas do rádio, estão passando. A palavra chave é “convergência”. Ninguém vai morrer de morte matada, mas muitos desaparecerão por um cruel ‘harakiri’ (suicídio oriental, em que literalmente se corta a barriga). Pior, que sem um pingo de honra, como os guerreiros samurais.

A informação não tem mais dono e desaba a cada dia o monopólio da opinião. A Web é irreversível e não chegou para aniquilar outros meios de comunicação. Ela é a ‘prancha’, mas que precisará sempre de um bom surfista para deslizar do Hawaii à Ponta do Mel, da redação do Le monde à taba do Xingu.

O melhor disso tudo, em se tratando de jornalismo, é que em qualquer tempo, meio – ou época, a principal ‘ferramenta’ continuará sendo o homem, força-motriz de todas as transformações. Falamos em cibernética, bytes, plataformas, convergência, mídias, visão colaborativa, redes sociais, hiperlink etc., mas o homem, esse bicho antigo de alguns milhões de anos, será sempre “o cara”.