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Mossoró Realiza é pensar grande e na frente

Por Carlos Santos

Foto de Genário Freire foi feita à noite dessa sexta-feira, 12, em Mossoró
Foto de Genário Freire que retrata uma lua com ‘cara’ de sol, num agosto de 2022 em Mossoró

Do volume de mais de 300 milhões do programa Mossoró Realiza, que no dia passado teve assinatura de ordens de serviço e abertura de processo de licitação para 42 obras (veja AQUI), cerca de R$ 63,1 milhões terá aplicação na chamada “Fase 1”. É para logo, este ano.

Numa conta rasa, ainda faltarão mais de 236 milhões a serem aplicados nesse Plano de Metas de Investimento Multissetorial, pela Prefeitura Municipal de Mossoró.

É preciso minimamente saber desses dados e entender a natureza do Mossoró Realiza, para não ficar soltando disparates em redes sociais, por puro desconhecimento. Por má-fé é compreensível, haja vista que não interessa mesmo a informação correta e que algo possa dar certo, mas a desinformação e o fracasso do programa desenvolvimentista. Coisa de gente pequena.

Querem tudo e tudo de uma vez? Isso é impossível, mesmo com tanto dinheiro em caixa. A burocracia e as limitações técnicas causam natural lentidão em todas as etapas da missão no serviço estatal.

A propósito, esse é um diferencial que torna o Mossoró Realiza já viabilizado, diferente do que se fez no passado com uso de maquetes e discursos fantasiosos: os recursos estão no erário, ‘ouvindo a conversa.’ E a grande maioria dos projetos existe; pronto ou em gestação. Ontem mesmo, 22 ordens de serviços foram emitidas e mais 17 licitações tiveram o start para serem abertas com agilidade.

O Mossoró Realiza não é um programa de gestão, mas que enxerga o futuro. É plurianual e multidecenal. Não lida com tapa buraco e limpeza de rua ou troca de lâmpadas do poste em minha rua. Essas são tarefas que a administração pública cotidianamente já trata e precisará sempre melhorar, como dever regular, comum, ordinário.

É imprescindível que se compreenda, ainda, que muitas obras terão desdobramentos imediatos ou em sequência, produzindo vasos comunicantes em busca do bem-estar social. É o caso do núcleo comercial (camelódromo) que abrigará todos os camelôs que hoje lotam calçadas e ruas do Centro da cidade. A partir daí, o governo municipal caminhará à padronização de calçadas, com acessibilidade e possível zona azul para estacionamento disciplinado.

Duplicação da Avenida Francisco Mota/BR-110, com pontes ligando essa rodovia à BR-304 (saída para Fortaleza-CE), é outro empreendimento com diversas implicações positivas: supervalorização de uma área territorial vasta, melhoria na mobilidade urbana e facilidade no escoamento de riquezas da região, como o sal.

Saneamento, resgate do rio Mossoró, maior aproveitamento de espaços sociais comuns, reorganização urbana e de distritos industriais, qualificação de jovens e adultos, bem como aposta em parcerias com organizações sociais, entidades de classe e universidades, vão nessa esteira progressista. Cria-se um ambiente para quem quer investir, empreendedor local e o grande capital externo.

Parece muito, demais ou até delírio? É pensar grande e na frente. Só isso. Muito além do próprio umbigo, da próxima eleição e da retórica pusilânime. Serão 50 anos em 5, como definiu Juscelino Kubitschek em seu plano de metas, em janeiro de 1956? Talvez não. Porém, com certeza, não enxerga Mossoró para trás – no século passado.

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Autran Dourado resgata em livro histórias de Juscelino Kubitschek

Por Euler de França Belém

Juscelino tem aspectos de sua vida, na presidência, narrados por quem viveu o dia a dia Foto: Reprodução)
Juscelino tem aspectos de sua vida, na presidência, narrados por quem viveu o dia a dia (Foto: Reprodução)

Juscelino Kubitschek (1902-1976), eleito presidente da República com 36% dos votos (a maioria, 64%, votou contra sua candidatura), deixou o governo consagrado. Na sua gestão, o país cresceu, em média, 7%. Seus adversários — os que avaliam que a função do governo é cortar gastos, não investir — criticavam, com acidez, a inflação de 30% ao ano e o endividamento externo (a dívida saltou de 1,9 bilhão para 3,1 bilhões de dólares). “Não houve crescimento [da dívida] tão grande como se alardeou”, assinala o coronel Affonso Heliodoro dos Santos, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Brasília.

O JK dos dados está devidamente documentado, o que falta, mesmo, é ressaltar os traços do indivíduo que, articulada e rapidamente, se tornou estadista — embora não fosse, e embora quisesse ser, um Winston Churchill (na verdade, era tão malicioso quanto Franklin D. Roosevelt). Os livros de história, necessariamente sisudos, não dão conta do homem-personagem. Daí que as memórias, que podem destacar o indivíduo do meio da massa, possibilitam conhecer Juscelino, ou, pelo menos, facetas desse personagem que, se nos lembra o homem comum, era, na verdade, mais complexo do que nos garante a vã historiografia.

Daí a relevância de trabalhos como os de Josué Montello e, mais recentemente, o do escritor mineiro Autran Dourado. “Gaiola Aberta — Tempos de JK e Schmidt” (Rocco, 228 páginas), de Autran Dourado, é magnífico e, naturalmente, polêmico (o jornalista Mauro Santayana o atacou duramente). O resgate do poeta Augusto Frederico Schmidt vale o livro. Lendo Autran Dourado estamos bem próximos do homem Juscelino. O filé do livro é isto: a redescoberta do ser humano de carne e ossos (e sex appeal?).

Autran Dourado foi secretário de Imprensa de Juscelino durante oito anos, em Minas Gerais (JK governador) e Rio de Janeiro (JK presidente). É óbvio que o escritor-auxiliar sabe mais do que contou. Por discrição, ou não se sabe o quê, optou por calar-se. No entanto, há insinuações mais maliciosas do que maldosas.

O livro de Autran: JK no centro (Foto: reprodução)
O livro de Autran: JK no centro (Foto: Reprodução)

Certa vez, Schmidt, sempre espirituoso, disse a Autran Dourado: “Administrar e governar um país é uma coisa muito secundária”. O escritor mineiro riu e disse: “Muitíssimo”. Irritado, JK perguntou de que estavam rindo. Schmidt mentiu: “De uma história do poeta e anjo Jaime Ovale”. O presidente, não muito culto, sugeriu que Ovale fosse convidado para visitar o Palácio das Laranjeiras. Schmidt explicou que era impossível: “Ele morreu antes de você tomar posse”.

Íntimo de JK, Autran despachava com o presidente até em locais poucos ortodoxos. “A minha intimidade com JK ia a tal ponto que chegava mesmo ao ridículo de eu despachar com ele no banheiro, o que não me agradava muito. Me incomodava sobretudo ele ficar se ensaboando na banheira.” Mas, esclarece rápido Autran, “não havia nele o mais longínquo traço de homossexualismo. Uma vez, como ele mergulhasse o corpo na banheira, me deu uma aflição enorme, cuidando que ele ia estragar o relógio de ouro que tinha no pulso. Não resisti e disse ‘o relógio’! ‘Você é mesmo um capiau do sul de Minas, este relógio é à prova d’água’, disse ele. É a última novidade. JK sempre foi muito progressista e novidadeiro”.

Há um debate interminável sobre a retidão de JK: roubou ou não roubou? Não morreu rico, pelo menos (o presidente-general Ernesto Geisel disse que a investigação procedida pelos militares não provou nada contra o político de Diamantina). Como não poderia deixar de ser, JK fez seu tráfico de influência, mas, como Getúlio Vargas, se não roubava, deixava roubar (ou roubavam sem que ele soubesse ou pudesse impedir).

Autran Dourado é econômico nessa questão, mas conta uma história curiosa: “Eu estava no Palácio do Catete quando me chegou às mãos um papel da maior importância, um desses assuntos perigosos e inadiáveis, relativo a uma negociata em andamento, de um aparentado do Juscelino, que as más-línguas diziam ser sócio dele, não sei se verdade ou não. A fim de que a bomba não estourasse na minha mão, resolvi ir ao Palácio das Laranjeiras, residência presidencial”.

Enfurecido, JK jogou os papéis no chão. Esperou que Autran Dourado se abaixasse para pegá-los, mas o escritor continuou em pé. Então, JK abaixou-se, colheu os documentos e perguntou ao auxiliar o que deveria ser feito. “Eu disse como seria a melhor maneira de ser detida a negociata, e sobretudo que não aparecesse o nome do seu aparentado. Ele releu, e ficou algum tempo de cara amarrada, sem dizer nada; acabou concordando comigo. Ao nos despedirmos, disse ‘não fale disso a ninguém. Muito obrigado’.”

Oscar Niemeyer, arquiteto , e Juscelino Kubitschek: dois dos “construtores” de Brasília (Foto: reprodução)
Oscar Niemeyer, arquiteto , e Juscelino Kubitschek: dois dos “construtores” de Brasília (Foto: Reprodução)

Como qualquer pessoa normal, JK não gostava de portadores de mensagens ruins, mas, diferentemente dos imbecis, sabia examiná-las com isenção. “A serviço del-Rei, prudência; el-Rei de perto queima, de longe esfria”, a frase do padre Antônio Vieira era uma espécie de mantra para Autran.

Josué de Castro era um condestável para o meio intelectual, devido, sobretudo, ao seu livro “Geografia da Fome”. O livro de Autran Dourado deixa a imagem de Josué de Castro um tanto arranhada, até porque o trecho é pouco esclarecedor. Josué de Castro, deputado pelo PTB, “disse ao presidente que Jango estava de acordo com sua nomeação para ministro da Agricultura”. JK mandou o secretário de Imprensa encaminhar o ato para publicação. “Não sei que inspiração maldita me assaltou o espírito, que resolvi guardar o ato na minha gaveta e esperar para ver”, conta.

“No dia seguinte os jornais publicaram a notícia e a foto. Juscelino mandou me chamar. Quando me viu, perguntou ‘o que você fez com o ato de nomeação do Josué’. O coração em pânico, disse guardei-o, ou mandei-o para o Sette (Câmara), não me lembro. Juscelino ergueu os braços e disse ‘bendita inspiração! O Jango esteve aqui e me disse não concordar com a nomeação’”. Autran Dourado não diz se Josué mentiu ou se João Goulart recuou.

A história julga com muito rigor os governantes que só se preocupam em conter despesas e em acatar as ordens dos organismos internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI). Nesse sentido, melhor do que Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso, Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek negociavam com mais perspicácia. Cumpriam pouco do que estava prescrito nos acordos. Autran Dourado acredita que JK, por ser “ingênuo”, achava que poderia iludir o FMI. No Ministério da Fazenda, JK colocou um ministro rigoroso, Lucas Lopes (pai de Chico Lopes, o que esteve no Banco Central), mas não atendia seus rogos de cortar os gastos públicos. “JK era um homem imaturo. Mas, sem os homens imaturos que têm um grande sonho, o que seria do mundo?”

Jânio enganou JK

Não há político bobo — há, isto sim e às vezes, político inculto. Mesmo os incultos aplicam rasteiras nos intelectuais e jornalistas. Um auxiliar de Juscelino, Geraldo Carneiro, julgando-se muito esperto, caiu na lábia de Jânio Quadros.

João Goulart, Jânio Quadros e Juscelino Kubitschek: histórias que vem à tona (Foto: Reprodução)
João Goulart, Jânio Quadros e Juscelino Kubitschek: histórias que vem à tona (Foto: Reprodução)

Se dizendo depressivo por causa da morte do pai, a barba por fazer, Jânio Quadros dizia a Geraldo Carneiro: “Vou renunciar ao governo de São Paulo. Diga ao presidente que não tenho recursos e vou precisar de um emprego”. Geraldo contou a história a JK, que apresentou uma solução: “Vai haver em Paris uma reunião da Unesco. O Jânio se licencia do governo de São Paulo e eu o nomeio delegado do Brasil. Ele vai ganhar uns 10 mil dólares e descansar e beber em Paris. Quando voltar, estará outro. Calmo, reassumirá, e se chegará mais a mim”.

Habilidoso, Jânio Quadros exigiu uma carta de JK nomeando-o para a “missão”. No fim, por recomendação de Autran Dourado, JK mandou apenas um telegrama. “Três dias depois Jânio reuniu a imprensa e leu o telegrama. ‘Infelizmente não posso no momento abandonar o povo de São Paulo’, disse ele. ‘Não aceitarei o convite do presidente’. Quando eu entrei no gabinete de JK, ao contrário do que esperava, ele estava sorridente. Perguntei se ele havia lido o jornal de São Paulo que eu lhe enviara. Ele disse que sim, mais uma vez aprendera que em política qualquer moleque pode lhe passar a perna”. JK, como diz Autran Dourado, foi ludibriado como um patinho, por confiar no auxiliar.

Se Jânio Quadros era maneiroso, João “Jango” Goulart, pelo contrário, era “pouco” inteligente. “Jango era sabidamente muito ignorante. Eu guardava comigo uns bilhetes que ele escrevia ao presidente, sempre pedindo alguma coisa para os seus pelegos. A fim de não cair em erro de regência, ele os escrevia à maneira de mensagem telegráfica. Que esperto, o mocorongo, disse San Thiago [Dantas]. O que não impede de ser de uma ignorância comovedora. E se dobrou de rir. Quando viu o que tinha dito, recolheu o riso.”

Com uma viagem de JK para Portugal, Jango assumiu, e, conversando com Augusto Frederico Schmidt e Autran Dourado, disse que a Europa era muito velha, não tinha nada de interesse maior. “Que o Brasil, sim, era o país do futuro. O Schmidt, embora eu lhe segurasse o braço, se levantou e disse ‘um homem da sua posição, pelo seu cargo, não tem o direito de dizer uma bobagem dessas’. E se levantou, dizendo baixinho para mim: ‘Diga ao Juscelino que foi um gesto impensado, volto mais tarde para explicar’”.

O John Kennedy dos Trópicos

Juscelino, conclui Autran Dourado, amava mesmo as pessoas humildes, que também o adoravam. Tanto que era favorito para as eleições de 1965. JK só pensava nelas (eleições e, vale acrescentar, mulheres).

Juscelino era uma espécie de Kennedy patropi. Como Kennedy, adorava as mulheres, o poder, divulgar o que fazia. Ao contrário de Kennedy, não era bonito, mas sua simpatia abundante virava beleza depois de alguns minutos de conversa, pelo menos para as mulheres, que o achavam irresistível. Mas talvez JK fosse mais parecido, do ponto de vista político, com outro norte-americano, Franklin D. Roosevelt. JK, como Roosevelt, avaliava que o Estado devia, sim, financiar o desenvolvimento.

No final do livro, Autran Dourado diz: “Não conseguira entender bem o homem Juscelino, tão contraditório, que havia atrás do mito que eu ajudara a criar”.

Resgate de Augusto Frederico Schmidt

Nos governos há “personagens” que, mesmo decisivos, não são captados pelos historiadores, sempre em busca dos grandes homens, como Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. A história esquece quem não está na proa. Ao recuperar a figura de Augusto Frederico Schmidt — visto em outras memórias tão-somente como lobista ou autor de frases grandiloquentes postas na boca de Juscelino Kubitschek —, Autran Dourado praticamente justifica o livro.

As relações de Autran Dourado e Schmidt eram boas, mas às vezes tensas. “Se eu fosse você, não teria junto de mim um escritor com uma capacidade de observação como a dele, como demonstra nesse livro. E sabendo o que ele deve saber de você”, disse Schmidt a Juscelino.

Autran Dourado demorou a escrever as memórias, e só o fez instado pelo escritor e crítico literário Silviano Santiago. A rigor, com o livro, não prejudica, em nada, a imagem do mineiro JK. Deixa o mais nuançado, digamos.

Schmidt é visto amorosa e criticamente por Autran Dourado. “O Schmidt seria um belo exemplo de homem político que nunca exerceu cargo público, exceto sua missão à ONU, mas influenciou bastante o governo de JK. Ele só se prejudicava por ser um homem extremamente vaidoso e de apetite às vezes desmedido. Era o ghost-writer (escritor fantasma, numa tradução literal) de JK, que a ele confiava os discursos realmente importantes, nos quais desejava dizer alguma coisa.

O presidente não carecia de dizer o que queria, o poeta era de um faro e de uma visão impressionante sobre o Brasil. Depois de escrito o discurso, JK dizia ‘é incrível, Schmidt, era isso mesmo que eu queria dizer!’ Eu ria escondido”, escreve Autran Dourado. (Hoje, em vez de ir adiante do que pensa o governante, os auxiliares costumam ficar aquém. Preferem preservar os empregos a dizer uma verdade inadiável ao chefe.)

Se há exageros nos elogios a Schmidt, pelo menos Autran Dourado dimensiona uma voz que estava silente. “O poeta foi muito injustiçado, e boa parte dessa injustiça se deve ao fato de ter sido ele rico, intelectual, muito inteligente e de grande visão [era amigo de Valéry Larbaud]. É preciso que se diga, e disso dou testemunho: metade da grandeza do governo de JK se deve a ele, e eu lhe faço agora justiça. Em geral os políticos brasileiros gostam de aves de voos rasteiros, das rolinhas por exemplo, tão à maneira de seus espíritos acanhados. Para mim, uma das virtudes de JK foi ter sabido escolher o Schmidt e saber usá-lo. Mas JK no fundo tinha inveja da grandeza, brilho e capacidade dele.”

Juscelino Kubitschek, Autran Dourado (ao centro, escondido) e Augusto Frederico Schmidt com bastidores do poder (Foto: Reprodução)
Juscelino Kubitschek, Autran Dourado (ao centro, escondido) e Augusto Frederico Schmidt (Foto: Reprodução)

Um fato irritava JK: Schmidt escrevia seus discursos e não guardava segredo da autoria. “Outro defeito de Schmidt era introduzir nos discursos interesses seus de natureza não muito canônica.” Num discurso, Schmidt introduziu ideias para favorecer a Orquima, empresa que presidia (na verdade, a empresa era dirigida por Kurt Weill. Delicado, Autran Dourado diz que Schmidt era “uma espécie de relações públicas”, sinônimo de lobista). Para evitar contratempos, o secretário de Imprensa podava trechos e insistia para JK ler os discursos antecipadamente. JK não lia e ainda dizia para Autran: “Vá pentear macaco”. JK não tinha paciência para ler textos extensos e, mesmo, curtos. Registre-se que Schmidt ficava irritado com os cortes.

O presidente Café Filho — aliado de militares e de Carlos Lacerda (que dizia: “Juscelino não será candidato, se for candidato não será eleito, se for eleito não tomará posse, se tomar posse não governará”) — mostrou a JK um manifesto dos militares que vetavam a sua candidatura.

Ao sair do gabinete de Café Filho, JK ligou para Schmidt, que desconfiava da coragem do pessedista. Autran Dourado confirmou que JK era corajoso. E sugeriu uma frase para o discurso que marcaria a posição de Juscelino a respeito do veto dos militares: “Deus poupou-me o sentimento do medo”. “É bonita e de muito efeito, disse Schmidt. Mas será que o nosso homem a dirá? Vamos ver, acho que sim, experimentemos, disse eu.” JK e o general Nelson de Melo encresparam-se com a frase. A mulher do general Nelson, Odete, foi chamada para “decidir”. Convencida por Schmidt de que Nelson seria o chefe da Casa Militar, Odete deu o “parecer”: “Pode dizer, numa hora como esta é preciso se mostrar homem. É o que se espera”.

Pronunciado o discurso, a frase ficou famosa. “JK parecia realmente convencido de que era muito corajoso”, ironiza Autran Dourado. Adiante, contemporiza: “O convívio veio me revelar, junto a um certo lado mesquinho, um Juscelino para mim desconhecido: corajoso, firme, decidido, generoso ao extremo, tendo mesmo a coragem de enfrentar o general Lott, que, já no governo e intramuros, com muito sentimento é verdade, ele chamava de o Condestável, cuja presença o incomodava, talvez por ver nele seu protetor e vigilante. Quando Lott teve de deixar o Ministério para se candidatar à Presidência, JK me disse todo alegre e eufórico: ‘até que enfim fiquei livre do Condestável’”.

Num de seus livros de memórias, Juscelino se diz o único criador da Operação Pan-Americana. Autran Dourado resgata a história do verdadeiro formulador — o poeta Schmidt, que tinha o hábito de receber os amigos pelado (“gordo, grande e peludo, o sexo à mostra”, anota o escritor).

Autran Dourado contou ao poeta que o vice-presidente dos Estados, Richard Nixon, foi recebido pelo povo em Caracas a pedradas, “depois de ser cuspido em Lima”. Schmidt perguntou: “O que o Juscelino pretende fazer? Ele me telefonou para que fosse providenciado um telegrama formal de solidariedade ao Eisenhower, disse eu”.

Inteligente, Schmidt percebeu a oportunidade de um gesto mais grandioso. “Nada disso, um telegrama é muito miúdo e provinciano. Juscelino não é mais simples mineiro, mas o chefe da nação, a quem compete dirigir a nossa política externa. Onde está o homem?”

Localizado JK, Schmidt disparou a metralhadora: “Chegou o momento de você crescer internacionalmente, afirmar-se como um grande estadista. Na carta que me proponho a escrever, você deve manifestar-se a sua convicção de que alguma coisa necessita ser feita para recompor a face da unidade continental, que foi duramente atingida. Dizer-lhe que você ainda não tem um plano minucioso, detalhado e objetivo, apenas umas ideias sobre o pan-americanismo, cujo destino o preocupa. Que poderá expor-lhe oportunamente o que pensa, se a ocasião se apresentar. Vou escrever uma carta memorável!”

Schmidt desligou o telefone e disse: “Tenho até o nome, Operação Pan-Americana”.

José Maria Alkmim perguntou quem havia escrito a carta, e JK, sem sequer corar, disse: “São umas ideias antigas que eu tinha sobre pan-americanismo, o Schmidt foi apenas a mão que escreveu”. Alkmim, língua de trapo, replicou: “Só a mão?” JK enfureceu-se: “Você está querendo insinuar, na presença deles (Sette Câmara e Autran), que eu sou um mentiroso!?”

Chanceler Foster Dulles foi recebido por Juscelino (Foto: Reprodução)
Chanceler Foster Dulles foi recebido por Juscelino (Foto: Reprodução)

O Departamento de Estado Norte-Americano espantou-se com a proposta de JK-Schmidt. O chanceler Foster Dulles veio ao Brasil e sugeriu que os investimentos maciços fossem apenas no país, não para os vizinhos. Schmidt disse “não” e Juscelino repetiu o “não” — queria apoio para toda a América Latina.

Depois da Operação Pan Americana (OPA), os Estados Unidos aumentaram os investimentos na América Latina, até em empresas estatais, como a Petrobrás. Schmidt acreditou que, até por gratidão, seria nomeado ministro das Relações Exteriores.

Mas JK vetou. E explicou o “motivo” para Autran Dourado: “‘O Schmidt está certo de que será o ministro do Exterior. Eu mesmo um dia tive a leviandade de chamá-lo de ministro. Procure o homem e lhe diga que eu, por poderosas razões políticas, não tenho outro jeito senão nomear o San Thiago Dantas’, disse o presidente. Mas o senhor vai mesmo nomear o San Thiago? disse eu. Ele sorriu e disse ‘não’, é porque o Schmidt é inimigo do San Thiago e, à ideia da nomeação do San Thiago, ele abrirá mão de suas pretensões. Mas por que o Schmidt, com tantos títulos e serviços prestados, não pode ser ministro? disse eu”.

Autran Dourado diz que “JK demorou a responder, vi que ele se sentia envergonhado diante de mim”. Mas teve coragem de dizer: “Por vários motivos, principalmente porque ele é um homem muito inteligente e brilhante. Diga a ele que pode indicar quem quiser para ministro e que quem vai mandar na política externa do Brasil é ele. O outro será pro forma. Sugira alguém medíocre como o Negrão de Lima, que é quem na verdade me convém”.

Ao ser informado do veto, Schmidt chorou e disse: “O Juscelino é um canalha!” Depois, mais contido, arranjou uma explicação: “É, Autran, a política não é feita por homens de alma delicada como a nossa”. Autran Dourado diz que JK tinha inveja de Schmidt. “Se Schmidt tivesse ido para o Itamaraty, por seu jeito de ser, pelo seu grande talento, a grande figura da política externa brasileira seria ele e não o presidente. A OPA é realmente de quem a concebeu: de Augusto Frederico Schmidt”. Justiça, tardia, mas feita.

Um JK mulherengo

Juscelino Kubitschek era mulherengo, dos piores (ou melhores, dependendo da ótica). Cantava até as mulheres dos amigos, as que davam sopa, lógico. Amigos contam que algumas mulheres achavam JK charmosíssimo — não era raro ser cantado por mulheres do primeiro escalão da beleza.

A atriz Kim Novak ficou impressionada com a conversa e o charme daquele homem “feio”, mas jeitosíssimo com as mulheres. Segundo o biógrafo Claudio Bojunga, nada aconteceu entre eles. Não por falta de vontade de Kim Novak e, sobretudo, de JK. Mas não deu tempo.

A bela Kim Novak gostou do "feio" Juscelino Kubitschek (Foto: Reprodução)
A bela Kim Novak gostou do “feio” Juscelino Kubitschek (Foto: Reprodução)

Os casos de Juscelino eram muitos. O amor por Maria Lúcia Pedroso parece ter sido o mais intenso. “Maria Lúcia era linda, apesar da baixa estatura. Loiríssima, era parecida com a atriz Kim Novak”, conta João Pinheiro Neto, autor do sensacionalista “Juscelino — Uma História de Amor”.

Maria Lúcia, casada com o deputado José Pedroso, era ciumenta: “Ou você dissolve seu comitê feminino, ou nunca mais vai me ver”. JK não dissolveu, nem Maria Lúcia (Lucinha, segundo Autran Dourado) sumiu. Pinheiro Neto, fofoqueiro exemplar, garante que JK quis se casar com Maria Lúcia.

No seu “Gaiola Aberta”, Autran relata uma desavença com o marido de Maria Lúcia: “O deputado José Pedroso mandou me dizer que ia me dar um tiro na cara”. O coronel Nélio Cerqueira Gonçalves ofereceu um revólver para o escritor: “Eu agradeci a gentileza e disse ‘do José Pedroso eu só tenho medo de chifrada’. O Nélio riu, sabia o que eu queria dizer, no Palácio do Catete não era segredo”.

Sarah, a oficial, metia medo em JK, que a chamava, para os amigos, de “tigre” e “onça”. Certa vez, apaixonado, disse para seus auxiliares mais próximos: “Não volto mais para o Rio. Para a Sarah, jamais! Para a Presidência, não sei”. Dias depois, JK estava bem, sorrindo, “lampeiro”, como diz Autran Dourado.

Juscelino, segundo o bem informado Geraldo Carneiro, teve várias paixões, mas, “descabeladas”, só três.

Homem descuidado, Juscelino perdeu uma parte de seus diários, que foi encontrada por um chantagista. O escroque exigiu que JK o indicasse para diretor financeiro de uma empresa privada. JK conseguiu a nomeação.

Sarah Kubitschek, Maria Lúcia Pedro e Juscelino Kubitschek: poder e alcova (Foto: Reprodução)
Sarah Kubitschek, Maria Lúcia Pedro e Juscelino Kubitschek: poder e alcova (Foto: Reprodução)

O infarto do presidente 

Medo de político Autran Dourado não tinha, mas pelava de medo de Sarah Kubitschek. “Como Juscelino, como toda gente, eu tinha medo dela.” Chamado por Sarah, às 7h30, o secretário de Imprensa ficou arrepiado.

“Chamamos você aqui porque o Juscelino teve um infarto, disse ela. Queríamos saber a sua opinião, você que é o secretário de Imprensa. Todos aqui são favoráveis a que não se divulgue nada. A minha opinião, dona Sarah, é que se deve revelar o fato. De jeito nenhum, disse ela. Primeiro tem o Jango, vice-presidente, que é figura suspeita para os militares. Juscelino não pode demonstrar fraqueza.”

Os jornalistas desconfiaram e começaram a cobrar informações sobre a doença do presidente. Para enganá-los, Autran colocou o chapéu de JK e entrou num helicóptero. “A uma certa distância acenei para os jornalistas, como fazia JK.”

Em Belo Horizonte, Autran ligou para um jornalista, que falou do infarto. Resposta do secretário de Imprensa: “Infarto coisa nenhuma, você quer uma declaração dele? Redigi uma declaração de JK sobre um fato qualquer importante, li para o meu amigo, que informou ao Rio que o presidente estava bem e que tudo não passava de boato”.

Fina flor da intelectualidade

Talvez por ser “inculto” (ma non troppo), mas não bobo, Juscelino Kubitschek cercou-se da mais fina flor da intelectualidade de seu tempo. Cristiano Martins, tradutor da “Divina Comédia”, a obra-prima de Dante, de Goethe e Rilke, escrevia para JK. Suas muito bem escritas cartas nada diziam, conta Autran Dourado. O governante precisa de cartas desse estilo que, aparentando dizer muito, nada dizem.

Os poetas Alphonsus Guimaraens e Nilo Aparecida Pinto, além de Cristiano, cuidavam da correspondência. O diplomata Sette Câmara — competente, segundo Autran Dourado — era subchefe de gabinete. A tese de direito de Sette Câmara, “The Retification of International Treatise”, ganhou prefácio de Hans Kelsen.

Cyro dos Anjos, escritor, era da equipe de Juscelino Kubitschek (Foto: Reprodução)
Cyro dos Anjos, escritor, era da equipe de Juscelino Kubitschek (Foto: Reprodução)

O grande crítico literário Álvaro Lins (que começou bem e terminou mal) era o chefe da Casa Civil. O secretário de Lins era Francisco de Assis Barbosa (biógrafo de Lima Barreto). O subchefe do gabinete civil era o autor de “O Amanuense Belmiro”, Cyro dos Anjos, que contava com o apoio de Darcy Ribeiro (que, jovem, já era bem falastrão). O contista Murilo Rubião foi chefe de gabinete do JK governador de Minas.

“JK, que tinha mania de escritor, nunca teve nenhum problema de corrupção com qualquer dos seus escritores de estimação”, sustenta Autran Dourado.

Se adorava seus escritores, ou pelo menos fingia, JK não tolerava intelectuais, sobretudo os pedantes. Os do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (Iseb), JK achava meio ridículos, mas tolerava. O Iseb tinha como membros notórios “o filósofo Roland Corbisier, de pensamento muito confuso, Hélio Jaguaribe e o diplomata Oscar Lourenzo Fernandes, que vinham tentando atuar no governo da República desde o segundo período de Getúlio Vargas, sem muito êxito, e que eram motivo de chacota”.

Embora inteligente e, politicamente, muito esperto, JK, na opinião de Autran Dourado, “tinha às vezes ideias que à primeira vista me pareciam brilhantes, mas ele não se detinha nelas, não as aprofundava. Assim como apareciam, iam embora como o vento. E surpreendentemente uma ideia insignificante o prendia de maneira estranha. Eu atribuo o fato ao seu entourage, de que ele gostava tanto, de algo grau de ignorância e mesmo cafajestismo”.

De novo, o autor de uma ideia “original” não foi JK, mas Augusto Frederico Schmidt. “Logo no início do governo JK, o Schmidt aconselhou-o a conviver com gente mais culta e inteligente. Cafajeste é para campanha, para carregar nos ombros, disse ele. Já tenho os meus escritores, que não me dão problemas, disse JK. Mas você não convive com eles, não os convida para almoçar e jantar, não lhe dá importância, disse o poeta. Eles são máquinas de trabalhar, mas de qualquer maneira dão nome ao seu governo. Quando chega a hora de jantar estão mortos de cansaço.”

JK disse para Schmidt sugerir um intelectual. Schmidt indicou Afonso Pena Júnior. “Aquela múmia ainda está viva? disse JK dando uma enorme gargalhada, no que foi seguido pelo entourage. Um grupo de intelectuais da altitude de Afonso Pena Júnior jamais faria coro de gargalhada a um dito que o presidente considerava brilhante ou inteligente.” É por isso que todo governante “precisa” ter, ao seu lado, gente que não pensa, mas que sabe seguir e adornar o poderoso. JK “não se sentia muito à vontade diante dos homens cultos ou eruditos”.

Certa vez, sentindo-se só, JK mandou chamar Autran Dourado. Depois de conversas miúdas, pediu sugestão sobre um bom estudo a respeito de políticos. O escritor indicou “Mirabeau ou o Político”, do filósofo espanhol José Ortega y Gasset. “Filósofo? disse ele franzindo o nariz.”

As relações de Juscelino com os donos de jornais e os jornalistas eram muito boas. Pompeu de Sousa, diretor do “Diário Carioca” (DC), procurou Autran Dourado e disse: “Depois de amanhã o jornal não sai mais. É que o Horácio [de Carvalho, dono do jornal] raspou o caixa, foi para Paris, não temos dinheiro para pagar o pessoal da redação e da oficina, e já estamos no dia 12”.

Autran Dourado contou a história a Juscelino, que disse: “O jornal não pode parar. Telefone para o Sebastião”. Sebastião Paes de Almeida, o empresário-presidente do Banco do Brasil. Paes de Almeida pediu que Autran Dourado levasse uma mala ao Copacabana Palace. “No outro dia, lá estava eu com a mala. Cumprimentei o Sebastião, que chamou alguém. Veio um jovem com outra mala, apanhou a minha, trocou-a pela dele, cheia de dinheiro. Meu coração batia descompassadamente.”

Machado de Assis 

No governo de Juscelino, a obra de Machado de Assis ainda não estava sob domínio público e, por isso, as edições “oficiais”, da Jackson Inc., eram muito descuidadas. Autran Dourado decidiu, então, pregar uma mentira. Disse ao amigo Marco Aurélio Matos que “o presidente estava interessadíssimo em desapropriar a obra do grande escritor ou declará-la de domínio público, só carecia de apoio popular e cultural, sobretudo jurídico, pois lhe teriam dito que a obra era legalmente da Jackson Inc. E ele lê Machado? disse Marco Aurélio. Pelo tipo psicológico [católico e sentimental] não parece. Algum amor mal contrariado, ultimamente só tem lido o mestre, disse eu”.

Empolgado, Marco Aurélio reuniu grandes jornalistas, como Carlos Castelo Branco, Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos, Armando Nogueira, todos machadianos, que começaram a defender a “desapropriação” da obra de Machado de Assis. Autran Dourado também agiu: “Procurei o dr. Gonçalves de Oliveira, consultor-geral da República, a quem disse que o presidente estava interessadíssimo em considerar a obra de Machado de Assis de domínio público. O caso é sério, diga a ele que eu preciso de uma semana para estudar bem o assunto e dar o meu parecer”.

Machado de Assis: autor de “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (Foto: Reprodução)
Machado de Assis: autor de “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (Foto: Reprodução)

Com o parecer nas mãos, Autran convocou a imprensa para o dia seguinte, “quando o presidente assinaria o ato. Levei comigo para o palácio o meu exemplar de ‘Dom Casmurro’, disse ao presidente que fingisse que estava lendo. O que você está me aprontando, me perguntou. Basta assinar aqui, amanhã o senhor vai ver que maravilha. No alto do parecer estava escrito apenas APROVO. JK assinou sem me perguntar o que era”.

“No dia seguinte foi fotografia de JK na primeira página de todos os jornais. Quando entrei no seu gabinete, ele disse isso, sim, é que é serviço. Eu não entendo a imprensa: fiz uma coisinha de nada e veja que repercussão.” Os machadianos deveriam agradecer, de joelhos, a mentira, uma mentira verdadeira, de Autran Dourado.

Um intelectual, Álvaro Lins, sai malíssimo do livro de Autran Dourado. Era honesto, concede Autran Dourado. O refinado crítico literário — que escreveu por exemplo sobre Proust — queria ser governador de Pernambucano.

Chefe do Gabinete Civil de JK, Álvaro Lins “tinha um hábito muito engraçado. Quando um parlamentar ou político importante ia procurá-lo, ouvia atenciosamente, tomava nota num papelucho, deixava-o sobre a mesa, e nele parecia não mexer mais. Como os assuntos não se resolvessem, alguns políticos procuravam principalmente o oficial de gabinete Geraldo Carneiro, que ficava mais perto do presidente”.

Eleito para a Academia Brasileira de Letras, Álvaro Lins compareceu no dia da posse bêbado e com um discurso enorme e confuso. A “Tribuna da Imprensa” destacou a bebedeira de Lins. JK nomeou-o embaixador em Portugal. Não satisfeito com os problemas que deixara no Brasil, o embaixador começou a conspirar contra Salazar.

“Sobre a sanidade mental do Álvaro nada posso dizer com bastante certeza, somente dar dois indícios. O primeiro se refere à visita da rainha Elizabeth a Portugal, quando numa carta ao presidente ele disse que fez questão de se sentar ao lado dela para melhor lhe dizer como era Juscelino, traçar um retrato perfeito do grande estadista que ele era. Seguia-se uma narrativa um tanto ou quanto estapafúrdia, que não fazia muito sentido”, registra, com certo mau-humor, Autran Dourado.

Noutra carta, Álvaro Lins foi ainda mais ridículo: “Álvaro dizia que havia levado consigo alguns discos com discursos do presidente. Para matar a saudade, ele se deitava no chão e se punha a ouvir a voz de JK. O presidente não leu a carta, passou-a para mim”, diz, maldoso, Autran Dourado.

Quase sessões de análise

O trabalho pesado na Presidência da República comia o tempo de Autran Dourado, que acabava praticamente nada escrevendo. Estafado, tentou se matar: “Acabei o resto do uísque, fui para o banheiro. Fechei o basculante e liguei o aquecedor. E comecei a sentir muito forte o cheiro de gás. E acreditei ouvir nitidamente uma voz feminina me dizer, estranhamente soando nítida dentro de mim, não faça isto, não se deixe vencer. Não se deixa vencer pelo demônio. Na sua mesa, no escritório, há uma coisa para você”. De fato, havia.

Seguindo conselho do psicanalista Hélio Pellegrino, Autran se curou escrevendo. JK, ao saber das sessões de análise, disse que, ao acabar o governo, faria análise.

Fidel Castro e Juscelino Kubitschek : conversa chata e discurso para botar qualquer um para dormir (Foto: Reprodução)
Fidel Castro: conversa chata e discurso para botar qualquer um para dormir (Foto: Reprodução)

Mijar para se livrar de Fidel

O construtor de Brasília, Israel Pinheiro, detestava gastar dinheiro com publicidade. Talvez por isso a imprensa bombardeava a construção da capital — a Ferrovia Norte-Sul da época. Autran Dourado, ampliando ideia do coronel Afonso Heliodoro, sugeriu que Juscelino Kubitschek convidasse o escritor inglês Aldous Huxley e o ministro da Cultura da França, André Malraux, para visitar Brasília.

Malraux apaixonou-se por Brasília, a capital da esperança. Huxley, sempre extravagante, depois de ter viajado de Ouro Preto para Brasília, disse: “Uma viagem do ontem para o amanhã, do que terminou ao que vai começar, das velhas realizações para as novas promessas”. Sucesso absoluto, Malraux e Huxley.

Dos visitantes de Brasília, Fidel Castro foi o mais entediante. Escreve Autran Dourado: “Mal nos assentamos e o carro se pôs em movimento, dois policiais cubanos treparam nos para-lamas dianteiros e começaram a dar pancada em quem tentasse se aproximar de JK e Fidel. JK, que não gostava de seguranças e guarda-costas, me disse depois ter ficado horrorizado. Eles não careciam daquilo, os candangos são gente calma e pacífica, desejavam apenas nos ver de perto e saudar o visitante”.

Enjoado do papo-quase-cabeça de Fidel Castro, JK chamou Autran, que não pôde atendê-lo. “Quando me dirigia para o interior da biblioteca, fui barrado pelo barbudo que ali estava como guardião. Estranhei e disse alto que a casa era minha, que eu era secretário de Imprensa do presidente. Mesmo assim o barbudo não me deixava entrar. Vendo o meu estado, JK me perguntou o que estava acontecendo. É este barbudo que não quer me deixar entrar, disse eu. Não tenho o interesse pelo que estão conversando, o senhor é que me chamou, mas eu só fico de fora se aquele outro barbudo sair. Era nada mais, nada menos do que o famoso revolucionário Che Guevara, viria a saber depois.”

A confusão foi proveitosa para JK. “Estou louco para mijar, não aguento mais este cucaracha!” Na hora do banquete, Fidel Castro fez um discurso de uma hora. Até os pratos, certamente, “dormiram”.

Darcy Ribeiro e a Universidade de Brasília

Darcy Ribeiro tentou convencer o escritor Cyro dos Anjos a levá-lo a Juscelino Kubitschek. Darcy queria sugerir a construção de uma universidade em Brasília. Autran Dourado disse: “Posso tentar, mas não leve nada escrito para ler (sabia de sua fama)”.

Darcy Ribeiro e Oscar Niemeyer, nomes importantes em Brasília (Foto: Reprodução)
Darcy Ribeiro e Oscar Niemeyer, nomes importantes em Brasília (Foto: Reprodução)

Quando Autran Dourado relatou a ideia de Darcy, o presidente fechou a cara. “Não, de jeito nenhum! Não quero nem estudante nem soldado em Brasília, no máximo corpo de guarda.” O secretário de Imprensa retrucou: “…(a universidade) será a base cultural da cidade. O senhor está pensando que constrói uma cidade monumental, uma capital modelo e, no final das contas, está fazendo a maior cidade do interior, acanhada e provinciana. JK arregalou os olhos e disse é capaz de você ter razão, vou pensar no assunto”.

Convencido de que a ideia era boa, e daria repercussão, JK recebeu Darcy, que, falando demais, agradou o presidente, que não queria, porém, ouvir nada sobre currículos. “O que interessava mesmo a ele era dizer que estava erguendo a mais importante e moderna universidade do Brasil. Era o que ele mais perguntava ao Darcy. O Darcy percebeu logo esse lado de JK e era sobre o que ele mais falava.”

Euler de França Belém  é editor do Jornal Opção(Goiânia-GO) e essa resenha especial foi publicada originalmente em 2000 e reeditada em março de 2020.

Ainda sobre militares

Lott: candidato derrotado (Foto: arquivo)

Por François Silvestre

Pra se ter uma ideia da politização nas Forças Armadas, até a década dos anos sessenta, basta observar o quadro eleitoral da redemocratização após o Estado Novo, não houve uma eleição presidencial, de 1945 a 1960, em que não estivesse na disputa um militar general.

Em 1945, foram dois. O General Eurico Dutra contra o Brigadeiro Eduardo Gomes. Brigadeiro é o general da Aeronáutica. E só nessa eleição ganhou um militar. Dutra.

Em 1950, novamente o Brigadeiro Eduardo Gomes disputou a Presidência, tendo sido derrotado pelo ex-ditador Getúlio Vargas.

Em 1955, o General Juarez Távora foi o candidato da UDN, tendo sido derrotado pelo candidato do PSD, Juscelino Kubitschek.

Em 1960, o candidato do PSD foi o General Henrique Teixeira Lott, que foi derrotado por Jânio Quadros.

Depois disso, veio a escuridão. Vinte anos de Ditadura, com a presidência transformada em carreira militar.

Leia também: O quartel não me assusta.

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O surto de vaias no futebol, na política e redes sociais

O Seleção do Brasil de futebol foi campeã da Copa América versão 2019, em jogo nesse domingo (7) no Estádio Maracanã (RJ).

Impôs placar de 3 x 1 no Peru (veja AQUI).

Mas nas redes sociais, boa parte das postagens, neurônios e tempo foi consumida com um lengalenga sobre vaias sofridas pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) – em meio também a aplausos.

Bolsonaro enfrentou vaias, mas recebeu também aplausos, com tempo para posar ao lado de jogadores e taça (Foto: Z1)

Quanta perda de tempo, gente.

Torcida de futebol vaia até o próprio time de paixão e sua Seleção, imagine presidente da República, figura episódica lá por Brasília.

Há poucos dias, nessa mesma Copa América, o selecionado brasileiro saiu de campo sob vaias uníssonas.

Ontem, aplaudido.

Dilma Rousseff (PT) foi vaiada ruidosamente no mesmo Maracanã no final da Copa do Mundo de 2014 e no início, no Estádio de Itaquera (SP).

Lula (PT) – maior estrela da política nacional nas últimas décadas – enfrentou igual sentimento da massa nos Jogos Panamericanos de 2007. Ficou de tal modo abalado, que desistiu de fazer a declaração formal de abertura. Onde? No Maracanã.

– “É reação do ser humano”, julgou Lula ao falar sobre o assunto, minimizando o mal-estar.

Juscelino Kubitschek foi coberto por vaias em um evento oficial na condição de presidente da República. Saiu-se do embaraço com maestria:

– “Feliz do país que pode vaiar seu presidente”.

O jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues falava que “os admiradores corrompem”. Tratava a vaia com reverência, bem ao seu estilo controverso.

Vamos cuidar de coisas mais importantes e sérias para o país. O tempo urge e ruge. Copa América já passou. O Governo Jair Bolsonaro está só começando – com ou sem vaias.

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Presidente eleito pode ter total de ministérios da era militar

Figueiredo: 16 ministérios (Foto: IHGB)

Bem antes de tomar posse na Presidência da República, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) anuncia que pretende enxugar a máquina pública. Talvez, o seu governo venha a ter no máximo 16 ministérios.

No primeiro governo federal instalado em Brasília no início dos anos 60, na gestão Juscelino Kubitschek, eram 11 ministérios e cinco órgãos da Presidência, com status de ministério. Dezesseis, portanto.

No último governo do regime militar, do general João Batista Figueiredo, eram 16 ministérios e dez órgãos da presidência.

Após essa fase, a administração mais parcimoniosa em número de ministérios foi o de Fernando Collor, eleito em 1989, com apenas 15 ministérios, além de 13 órgãos da Presidência — total de 28 pastas.

O governo Dilma Rousseff (PT) chegou a ter 24 ministérios e 15 órgãos da presidência, mantidos na era Michel Temer (MDB).

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Lula será o 5º ex-presidente preso, o primeiro por corrupção

Do Correio Braziliense

Quando se apresentar efetivamente à Justiça, o petista Luiz Inácio Lula da Silva será o quinto ex-presidente a ser preso na história do Brasil. A diferença entre os demais é que ele será o primeiro condenado em um processo criminal, por corrupção.

Juscelino Kubitschek foi levado por agentes do regime militar na noite da promulgação do AI 5 (Foto: Arquivo CB/D.A Press)

Presidente entre 1910 e 1914, o marechal Hermes da Fonseca foi preso em julho de 1922, acusado de conspiração no levante militar conhecido como a Revolta dos 18 do Forte de Copacabana.

Após 6 meses preso, ganhou um habeas corpus.

O próximo ex-presidente preso foi Washington Luiz, que comandava o governo quando teve início a Revolução de 1930. Deposto, ele foi preso e conduzido ao Forte de Copacabana em 24 de outubro. Em 7 de novembro, o Governo Provisório estabeleceu seu banimento.

Juscelino

No dia 20, partiu com sua família em o exílio para a Europa.

Já Arthur Bernardes, presidente entre 1922 e 1926, foi preso em 1932 em Minas Gerais por participar da Revolução Constitucionalista. Depois foi mandado ao exílio.

Juscelino Kubitschek foi preso em 13 de dezembro de 1968, quando foi levado por agentes do regime militar na noite da promulgação do Ato Institucional número 5 – que recrudesceu a força governamental, com diversas cassações de direitos políticos e restrições à sociedade.

No momento em que foi preso, ele deixava uma cerimônia de formatura no Teatro Municipal do Rio. Juscelino passou alguns dias encarcerado e depois seguiu para prisão domiciliar até finalmente ser liberado em definitivo.

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O ódio e o perdão na relação do rosalbismo com Agripino

Por Carlos Santos

Guru e ideólogo do rosalbismo, grupo que formou sob a imagem populista da sua mulher, ex-governadora e atual prefeita mossoroense Rosalba Ciarlini (PP), Carlos Augusto Rosado é adepto do pragmatismo político. Tudo depende do contexto e da necessidade para inversão de papeis, se for o caso. Feio é perder.

Ele adota a máxima de Juscelino Kubitschek: “Não existe inimigo para sempre nem amigo eterno na política”. A trajetória do casal Carlos-Rosalba e do seu grupo já provou e ratificou essa assertiva incontáveis vezes.

No dia 1º de abril de 2014 (Dia da Mentira), cinco meses antes das eleições estaduais, o Blog Carlos Santos publicava essa postagem: Rosalbismo pode dar troco com ‘voto útil’ também no estado. Alijada do próprio processo sucessório e deixada no acostamento por lideranças do PMDB e do DEM (seu partido na época), a então governadora meses depois apoiou Robinson Faria (PSD).

Contribuiu para derrotar o adversário e ex-aliado deputado federal Henrique Alves (MDB), ao governo estadual. Vingou-se.

No seu index de vinditas ainda falta o senador José Agripino (DEM), a quem não perdoa por ter ficado sem a sigla para tentar a reeleição, mesmo com mais de 80% de reprovação àquele ano. A mesma situação vivida agora por Robinson Faria em termos de rejeição popular.

Quando perguntada se vai apoiar Agripino à reeleição este ano, a “Rosa” desconversa, procura sair pela tangente ou literalmente escafeder-se.

Esperar apoio dela e de seu grupo a José Agripino em 2018, é perder tempo. Mas claro que há uma esperança pro senador e primo de Carlos Augusto. Basta citarmos o Conde de Chesterfield:

– “Os políticos não conhecem nem o ódio, nem o amor. São conduzidos pelo interesse e não pelo sentimento“.

PRIMEIRA PÁGINA

Fábio Faria falha em nova tentativa de se apropriar de partido – É, não tem sido fácil nas últimas semanas a vida para o deputado federal Fábio Faria (PSD). Tem corrido aqui e ali, para se apropriar de um partido a mais para “chamar de seu”, mas tem batido com a cara nas portas. A mais recente tentativa foi com o PHS, após errar a mão com o PP (veja AQUI). Como noticiou o jornalista Heitor Gregório, a própria direção nacional da legenda disse não. Prioridade é receber a pré-candidata ao Senado, deputada federal Zenaide Maia (PR), além de outros novos e importantes filiados. No RN, o PHS é comandado por Leandro Prudêncio, que articula com o deputado estadual Manoel Cunha Neto, o “Souza”, esse fortalecimento com vistas ao pleito que se aproxima.

Lula da Silva está ameaçado de ser preso em breve; Henrique enfrenta situação há mais de nove meses (Fotos: Web)

A prisão de Lula e o efeito na campanha de Fátima Bezerra – Muita gente aposta que numa eventual prisão do ex-presidente Lula da Silva (PT), a postulação ao governo da senadora Fátima Bezerra (PT) deva adernar. Paralelamente, subiria vertiginosamente o capital de intenções de voto do prefeito natalense Carlos Eduardo Alves (PDT). O raciocínio deve ser feito também em sentido inverso: e a prisão há mais de nove meses do ex-deputado federal, líder do grupo Alves e primo de Carlos, Henrique Alves (MDB), não afeta em nada o adversário da senadora? Ô!

Cláusula de Desempenho destroça sistema partidário – A Cláusula de Desempenho que obriga os partidos a priorizarem eleições à Câmara Federal este ano, em vez de disputas majoritárias (Leia: Cláusula de Desempenho prioriza luta à Câmara Federal) está destroçando de vez o sistema partidário brasileiro. Até mesmo as legendas mais ideológicas estão se prostituindo, topando qualquer parada, para poderem continuar vivas. É o fim. Nesse ritmo, sem o fortalecimento partidário e sem espaços para siglas ideológicas, melhor exumar as candidaturas avulsas, que existiam até a chamada República Velha (1889-1930).

Bancada indócil pode criar problemas – A bancada da prefeita mossoroense Rosalba Ciarlini (PP) tem aumentado o tom de críticas à gestão ou adotado o silêncio em sua defesa, em sessões da Câmara Municipal. Voltou muito indócil das longas férias. Ela pode ter problemas maiores adiante.

Pesquisa para deputados federal e estadual – Depois de apresentar na sexta-feira (9) números para corrida ao Governo do Estado, Senado da República, Presidência da República e avaliações governamentais, nesta semana a FM 98.9 e o Instituto Consult vão divulgar números da mesma pesquisa para a Câmara Federal e Assembleia Legislativa.

Empresário mossoroense é cotado para vice de Fátima Bezerra – O empresário mossoroense Wilson Fernandes (empresa WR Industrial e outros negócios) é nome cotado para vice ao governo, na chapa da senadora Fátima Bezerra (PT). Ele é um nome de alto conceito em Mossoró e região, com comportamento extremamente sóbrio, sem afetações ou esnobismos.

Apodi terá pelo menos três candidatos – O município do Apodi terá pelo menos três candidatos este ano, na corrida eleitoral. A ex-prefeita Gorete Silveira (MDB) disputará vaga à Assembleia Legislativa, mesma faixa da vereadora Soneth Ferreira (Solidariedade). O também vereador Gilvan Alves (Avante) concorrerá à Câmara Federal.

Uma bandeira forte para rodar o país – O marketing do empresário e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Rocha (sem partido), acerta em cheio com o “Movimento Brasil 200”. Não há originalidade na estratégia, mas há perspicácia e senso de oportunidade na ação, que permitem ele rodar o país inteiro com uma bandeira suprapartidária e apartidária. Será candidato? O futuro próximo dirá. Se conseguir levantar voo a bons índices de intenções de voto até final de julho, sim.

Raniere e Karla: com Raimundo (Foto: Aline Bezerra)

Avante vai apoiar deputado estadual de outra sigla à reeleição – Apesar de pegar o Avante (ex-PTdoB) no RN para comandar através de sua mulher Karla Veruska, o presidente da Câmara Municipal do Natal – Raniere Barbosa (Avante) não aposta prioritariamente no partido em todas as faixas eleitorais. Foi convencido a apoiar o deputado de longo curso (oito mandatos) Raimundo Fernandes  (PSDB) à reeleição. Karla Veruska está escalada para concorrer à Câmara Federal e Barbosa achou mais prudente não disputar vaga à Assembleia Legislativa. Entendi!

– Carreata pró-Bolsonaro está definida – Está definida para o domingo (18) em Mossoró, a carreata em apoio à pré-candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) à Presidência da República e em defesa do voto impresso. A concentração começará às 15h na Avenida Presidente Dutra, ao lado da Igreja do Alto de São Manoel. Será finalizada na Estação das Artes Elizeu Ventania.

Robinson convive com a perfídia de aliados – O empenho de alguns aliados para que o governador Robinson Faria (PSD) saia do governo é maior do que a vontade dos adversários e o povo em vê-lo pelas costas. O poder é sempre um serpentário repleto de ressentidos e conspiradores, verdugos e tartufos; gente acostumada à idolatria e à perfídia. A dissidência do seu vice e o que se trama na Assembleia Legislativa dirão muito do que veremos nos próximos dias. Leia: Robinson está ameaçado de sair por bem ou por mal.

Isaura Amélia aguarda substituto para sair de fundação – A professora Isaura Amélia Rosado apresentou seu pedido de exoneração da Fundação José Augusto (FJA) na quarta-feira (7), mas até agora não teve publicada oficialmente sua saída. O governador Robinson Faria (PSD) pediu-lhe um tempo para encontrar substituto, de modo a publicar sua exoneração. Isaura tem pressa em sair, para cuidar da campanha à reeleição do sobrinho Beto Rosado (PP), deputado federal. Também ficou insatisfeita com a tentativa do grupo do governador de se apropriar do PP no RN, comandado por seu irmão e ex-deputado federal Betinho Rosado

EM PAUTA

Cidade Junina – Palmas para a prefeita Rosalba Ciarlini (PP) e sua equipe da área de cultura. Apresentou à semana passada projeto preliminar com cronograma de ações para o Mossoró Cidade Junina (MCJ). Faltam as principais atrações que arrebanham público, mas é um bom começo para revitalização do evento, que foi o mais desorganizado e fraco dos últimos anos em 2017.

Carrefour – Circula informação de que o grupo transnacional Carrefour (Comércio & Indústria Ltda. no Brasil), nascido na França em 1959, tem planos para desembarcar em Mossoró. Na cidade já existe um de seus braços, o atacarejo Atakadão.

Francisco Paulo Ramon Rocha Paiva vem de origem humilde e escola pública (Foto: redes sociais)

APP e Câncer – O jovem mossoroense de origem humilde e oriundo da escola pública, Francisco Paulo Ramon Rocha Paiva, 22 anos, criador do Game Super K vs Câncer, foi convidado para palestrar na Campus Party Brasil 2018 (11 a 15 de abril no Centro de Convenções em Natal), evento de alcance planetário voltado para o universo da Net. Ele criou um APP (software desenvolvido para ser instalado em um dispositivo eletrônico móvel, como smartphone) utilizado no tratamento a pacientes infanto-juvenis com câncer.  Uma história edificante. Aplausos. Saiba mais clicando AQUI.

Grupo Gentil – O Grupo Gentil Negócios, que agora tem a franquia da marca O Boticário em Mossoró e outros municípios da região, inaugurou sua loja principal na cidade nessa quinta-feira (8). Saudou sua chegada brindando a cidade com um evento de bom gosto com o grupo de dança Diocecena e crianças e adolescentes do Instituto Gentil de Campo Grande-RN. Parabéns!

Turismo – Com saída de Natal já confirmada para o dia 22 de Julho, a Arituba Turismo já iniciou as reservas para o pacote turístico promocional com destino a Itália, Grécia, Croácia, Montenegro e inclui um Cruzeiro de sete dias a bordo de um transatlântico internacional que sairá do porto de Veneza.

Balada do Tuca – Será no próximo sábado (17), no Cândidus Restaurante em Mossoró, a “Balada do Tuca”, a partir das 17h. O show de Tuca Fernandes (ex-vocalista da banda Jammil e Jheremmias Não Bate Córner) terá a janela do grupo Sax in the House. Vendas de ingressos na San Lorenzo do Partage Shopping  e do Shopping liberdade.

Amarn – Será nessa sexta-feira (16) as eleições para nova diretoria da Associação dos Magistrados do RN (AMARN) para o triênio 2018/2021. O pleito tem duas chapas em disputa e ocorrerá entre 8 e 17 horas. Azevêdo Hamilton Cartaxo (Chapa 1) e José Herval Sampaio Júnior (Chapa 2) concorrem ao pleito. São 247 judicantes da ativa e 57 aposentados (total de 304) que formam o eleitorado.

Basta – Abaixo-assinado de 100 professores da Universidade do Estado do RN (UERN) cobra convocação de assembleia extraordinária para esta semana (quarta-feira, 14), da Associação dos Docentes da Uern (ADUERN). O documento foi formalizado. Querem que o movimento que chega neste domingo (11) aos 122 dias, tenha um basta. Somado à paralisação anterior (147 dias em 2015) atinge 269 dias. Na gestão Rosalba Ciarlini (DEM, hoje PP) foram também duas greves (uma com 106 e outra de 66 dias) que chegaram a 172 dias. Enfim, em cerca de sete anos, já são 441 dias de greve. Por enquanto.

SÓ PRA CONTRARIAR

Eu sei que você sabe que eu sei.

GERAIS… GERAIS… GERAIS

Valeu a dica, cara Fábia Albuquerque. A Coluna do Herzog segue a observação logo hoje.

Lamento neste espaço a morte em circunstância trágica do bacharel em direito e agente penitenciário Ricardo Alexandre. Fomos vizinhos colaborativos e respeitosos. Que descanse em paz!

Obrigado à leitura do Nosso BlogArturo Arruda (Natal), Pituleira (Caicó) e Tércio Pereira (Mossoró).

Veja a Coluna do Herzog do domingo (04/03) passado, clicando AQUI.

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De Lacerda a Aécio

Por François Silvestre

A política se faz em ciclos, lições e consequências. O grave é que os ciclos não se completam coerentemente, as lições não são apreendidas e as consequências fogem do controle.

Quando o governo Jango chegou às vésperas das eleições presidenciais, marcadas para 1965, o próprio Jango pensava num saída legal para ser candidato. O PSD já lançara, em convenção, a candidatura de Juscelino Kubistchek, e a UDN fizera o mesmo lançando Carlos Lacerda.

Nas paredes dos muros do Brasil havia a chamada do marketing da época: JK-65. Lacerda flutuava favorito, nas pesquisas. E Jango “incendiava” o país com a proposta das reformas de base. Brizola promovia agitação das massas.

Jango fazia o jogo da oposição. Oposição quer instabilidade. O comício da Central do Brasil, no início de Março de 64, foi o pretexto que a Direita precisava para estimular o apoio material, e militar se necessário, dos Estados Unidos, ao golpe de Estado que vinha sendo costurado desde a eleição de JK, em 1955.

A disputa entre americanos e soviéticos, pelo domínio e controle do planeta, punha o Brasil na condição estratégica do interesse do Tio San. Não suportariam uma “grande Cuba”. E era essa a impressão que a Direita demonstrava aos EEUU com as fotos e filmes daquele comício.

Nos quartéis, havia um partido político sem filiação eleitoral. Aqueles generais nunca foram militares, no sentido castrense do termo. Políticos desde que tenentes, nos Anos Vinte; coronéis, nos Anos Quarenta; e generais, nos Anos Sessenta. Políticos e politiqueiros. Só o PSD e a UDN não percebiam isso.

O golpe retirou Jango da disputa e da vida pública. Lacerda participara do núcleo da conspiração. Queria caminho livre. Juscelino apoiou o golpe, depois de consumado, e votou em Castelo Branco, que lhe prometera manter a calendário eleitoral.

Se Castelo fosse militar teria cumprido a promessa. Mas era político, e mentiu. Cassou Juscelino. Lacerda, dessa forma, pensava livrar-se dos únicos candidatos capazes de vencê-lo.

Só que os políticos da caserna tinham outros planos. No segundo governo da Ditadura, Lacerda foi preso e cassado. Para tirar Jango do jogo, Lacerda e Juscelino caíram do cavalo e foram pastar no ostracismo. Sem o apoio deles, a milicada não teria chegado ao poder.

Sem fazer comparação de mérito com o quadro atual, por serem absolutamente distintos, numa coisa há semelhança: A sucessão.

Aécio Neves quase derrota Dilma. Tinha tudo para chegar ao pleito de 2018 na condição de líder inconteste da oposição. Tinha. Passado imperfeito.

A queda de Dilma, acusada de “pedaladas”, mudou o cenário. Primeiro pela fragmentação política da liderança de Aécio, depois pelo seu envolvimento nas mesmas práticas que tanto denunciara.

Pobre de líderes o cenário aposta na mediocridade. Os fanáticos não aposentam os chavões; à direita e à esquerda. Há de tudo, menos Inteligência política e espírito público. Nunca, como agora, a ignorância foi tão atrevida.

Té mais.

François Silvestre é escritor

O último rei dos canalhas

Por François Silvestre

Juscelino Kubitschek foi o último governo que tivemos. O último rei legítimo dos canalhas, como o definiu David Nasser, na primeira página da Revista “O Cruzeiro”.

Depois dele um farsante, Jânio Quadros, ditador frustrado.

Juscelino: o presidente (Foto:arquivo)

Depois, um latifundiário populista, Jango, vendendo reforma agrária.

Aí vieram os políticos recalcados da caserna. Castelo Branco, figura parda de uma “Sorbonne” de coturnos. “O anjo da rua Conde Laje”, na definição de Lacerda.

Costa e Silva, preterido por Jânio numa promoção de mérito, pelo crime de ter ficado ao lado de Lott, na tentativa de golpe da UDN. Depois vingou-se, cassando Jânio e Lacerda.

Médici, comandante da AMAM, Academia Militar das Agulhas Negras, em 1963, mandou a um dos dos grupos em confronto, o recado: “Aqui vocês não têm nem pão nem água”.

Geisel, discípulo e mestre da “Sorbonne”, aprendeu com Golbery do Couto e Silva, mestre em conspiração, e ensinou a João Figueiredo, filho do Coronel Euclides Figueiredo, opositor e perseguido pela ditadura Vargas.

Depois, a lástima da farsa abocanhou as últimas fibras da tragédia. Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula, Dilma e Temer.

De todos esses todos, o último rei dos canalhas, JK, ainda não teve substituto. Faria, após 1965, a maior revolução agrícola do país. Seríamos o celeiro fornecedor do mundo.

Com que currículo?

Com a experiência de ter tirado o Brasil da manufatura rural para o desenvolvimento. Esse crime não foi perdoado pelo recalque dos representantes do atraso, da esquerda à direita. Nem pelos perdedores contumazes de eleições.

Não precisamos de salvadores da pátria.

Precisamos de canalhas honestos, criado es, entusiastas e construtores de uma pátria adiada.

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Tragédia, farsa e vice-versa

Por François Silvestre

Todas as ciências são de origem natural. Menos uma. Sim, porque há uma ciência de origem cultural. Isto é, criada pela ação humana. E mesmo assim essa criação humana não ocorre de forma controlada ou consciente. É a História.

Não se confunda História com historiografia. A História é o resultado da ocorrência das relações humanas; que vão desde os desdobramentos das conquistas naturais, sociais, políticas, de conhecimento, de arte e do pensamento.

A historiografia é uma disciplina histórica, narradora, limitada pelo ponto de observação do historiador. A História produz o fato. A historiografia narra ou interpreta o fato histórico.

Possuir leis e disciplinas é a marca configuradora das ciências. A numismática, a heráldica e a historiografia são algumas das disciplinas da História. A imutabilidade do fato ocorrido é uma lei da ciência histórica.

Na História, o fato ocorrido é único e imutável. Na historiografia, um mesmo fato pode acolher várias versões. Dizia Thomaz de Aquino que “contra o fato ocorrido nem a interferência de Deus tem eficácia”.

O mais que se pode fazer contra o fato ocorrido é conjecturar. Imaginar ou supor consequências diferentes caso o fato houvesse sido outro e não o que realmente aconteceu.

Exemplos de conjecturas? Se Lott houvesse vencido Jânio Quadros, em 1960, não teríamos tido uma Ditadura militar. Se JK houvesse sido eleito, em 1965, o Brasil seria outro país.

Hegel afirmou que fatos e personagens da História repetem-se em épocas diferentes. Marx, na abertura d’O 18 Brumário, confirma essa assertiva de Hegel, mas observa que na repetição, de fatos ou pessoas da História, esta se dá com o segundo fato ou personagem sendo a farsa do primeiro, que foi a tragédia.

A redemocratização advinda pelo fim da ditadura Vargas deu-se com sucessivos fatos trágicos. Dentre eles, o suicídio de Getúlio, a renúncia de Jânio, a deposição de Jango. Foi a tragédia.

A redemocratização nascida da negociação de milicos, pelegos, raposas e similares, é a farsa. Vivemos a farsa de hoje, que repete uma caricatura da tragédia de ontem.

Na tragédia, estabeleceu-se um governo provisório para preparar a democracia. Foi o Presidente do Supremo, José Linhares, que governou por três meses.

Na farsa, o governo provisório durou cinco anos. Sarney foi a farsa de Linhares. Collor, a farsa de Jânio. Temer é a farsa de Itamar Franco. Lula é a farsa de JK. Ninguém ainda quis ser a farsa de Getúlio.

O Congresso Nacional de 1964 foi vencido pela força dos tanques e pelo conluio do fascismo civil com os quartéis politizados. O de hoje é a quitanda das “leis”.

A farsa nem sempre é mais suave. A Ditadura de 64, farsa do Estado Novo, fez da tragédia uma imagem pífia. A farsa, neste caso, pariu a tragédia da farsa que somos.

Té mais.

François Silvestre é escritor

* Texto originalmente publicado no Novo Jornal.

Ainda sobre golpes

Por François Silvestre

Após a publicação do texto de Domingo passado, recebi várias perguntas sobre os golpes não mencionados naquele texto. Essas questões só reforçam as teses ali defendidas, sobre a nossa vocação golpista.

Pouco tempo após a posse, Juscelino enfrentou a primeira tentativa. Aeronáuticos e insatisfeitos do Exército, de tradição antigetulista, organizaram uma revolta, com base em Jacareacanga, no Pará. Pretendiam bombardear palácios do governo e órgãos estratégicos da segurança oficial.

Controlada a revolta, os envolvidos fugiram do país. JK, num gesto de serenidade, enviou ao Congresso um projeto de anistia irrestrita, excluindo qualquer punição aos revoltosos.

Mas não recebeu de volta o mesmo gesto. Esse mesmo grupo, cerca de dois anos depois, organizou outra tentativa de golpe. Agora, com base em Aragarsas, no Goiás. Com o mesmo objetivo e mesma estratégia. Novo fracasso.

Nesse segundo levante, Carlos Lacerda, ao perceber a fragilidade estratégica, traiu os companheiros, informando as manobras e localizações. Quem conta isso? O próprio Lacerda, nas suas memórias.

Juscelino fora militar, médico da Polícia, tinha noção do ideário da caserna. “Não tema o que o inimigo quer contra você. Tema o que ele pode contra você”, costumava repetir o General Odílio Denys.

Certa vez, o Ministro da Guerra, Teixeira Lott, informou que iria prender um Major subordinado do Gen. Juarez Távora, que perdera as eleições para JK. Juscelino então desautorizou. “Não, Ministro. Se o senhor prender o Major, Juarez me derruba. Prenda Juarez, que o Major se recolherá e o general nada poderá fazer”. E assim foi feito e nada aconteceu.

JK só errou e feio no episódio de 64. Acreditou em Castelo Branco, que lhe prometera eleições, e apoiou o golpe consumado. Votou em Castelo, no Congresso. Tancredo Neves vaticinou: “Você vai pagar caro por esse voto”. E pagou.

Ao assumir a Presidência, Prudente de Morais adoeceu e foi substituído pelo Vice Manoel Vitorino. Ao sentir-se melhor, Prudente informou a Vitorino a decisão de reassumir o cargo. Vitorino ignorou e manteve-se no posto.

Após quatro meses, sem que Manoel Vitorino desse sinais de atender a determinação do titular, Prudente de Morais informou-se sobre a hora de início do expediente de Vitorino. Ao saber, deslocou-se ao Palácio e ocupou a sua Cadeira.

Quando Vitorino chegou, encontrou Prudente devidamente sentado, que disse secamente: “Reassumi meu posto, sem formalidade de transmissão. Reassuma a Vice-presidência”.  Talvez tenha sido, na história dos golpes, a única tentativa que foi frustrada por um traseiro na cadeira.

Trata da desmistificação da nossa historiografia o livro que estou escrevendo. Do golpe de 1889 até a eleição negociada de Tancredo Neves com a Ditadura moribunda.

Té mais.

François Silvestre é escritor

* Texto originalmente publicado no Novo Jornal.

Cada discurso serve a uma necessidade de ocasião

Elite do poder do RN confirma máxima de Juscelino Kubitschek, de que “não existe inimigo para sempre ou aliado eterno” em política.

Só conveniência.

Hoje, Rosalba Ciarlini (DEM) diz que as bases não aceitam DEM e PMDB juntos. Mas essa composição serviu à ela para ser eleita ao Senado e ao Governo, em 2006 e 2010.

Simples assim.

O ex-deputado federal Ney Lopes (DEM) também não entende o DEM com o PMDB, mas foi vice de Garibaldi em 2006, depois de afirmar – semanas antes, – que Alves e Maia eram como ‘água e óleo’, não poderiam se unir.

Rosalba se sente escanteada no projeto pessoal de reeleição, mas considerou natural que Alves e Maia juntos, em 2006, inviabilizassem candidatura de Geraldo Melo (PSDB, hoje no PMDB) ao Senado, para favorecê-la.

Enfim, os exemplos não faltam, provando que cada discurso serve à ocasião, conforme a necessidade.

O povo é um detalhe.

Sobram sofismas, ou seja, argumentos falsos, que não resistem à história e à realidade dos fatos.

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Testemunha e perito apontam que JK pode ter sido assassinado

Do UOL

Em entrevista exclusiva exibida no SBT Brasil na noite desta sexta-feira (8), o caminhoneiro Ademar Jahn, que testemunhou os últimos minutos de vida do ex-presidente Juscelino Kubitschek em 1976, na rodovia Presidente Dutra, em Resende (RJ), contou que, quando o carro em que JK estava atravessou o canteiro da via, o condutor do Opala já estava debruçado sobre o volante.

Apesar de ter contado a versão à Polícia Rodoviária na época, ele afirma que nunca foi procurado pelas autoridades.

A versão oficial aponta que o motorista de ônibus da empresa Cometa Josias Nunes de Oliveira teria provocado o acidente que matou JK, mas ele nunca assumiu a culpa e lembra que viu o carro em que o presidente estava perder o controle em uma curva.

Segundo o motorista do ônibus, ele recebeu oferta de dinheiro para mudar o depoimento na Comissão da Verdade, mas conta que não aceitou.

O perito Alberto Carlos, que reabriu o caso em 1996, acredita que Juscelino foi vítima de uma trama que envolveu a participação de um atirador de elite que teria baleado o motorista de JK.

O legista, que acompanhou a exumação do corpo do motorista do ex-presidente, afirma que havia uma perfuração no crânio dele.

Veja reportagem em vídeo clicando AQUI.

A vaia, o aplauso e o grande incêndio

Vaia é uma manifestação legítima. É o “aplauso” dos insatisfeitos.

Kubitschek: a vaia emudecida

Inaceitável é a agressão.

Espontânea ou não, a vaia é legítima. Faz parte.

O maior ícone da vida pública nacional nas últimas décadas, Lula, teve um Maracanã o vaiando em coro. Getúlio Vargas ouviu vaias. Normal.

Rosalba colhe o que tem plantado. Não está acostumada, sente mais.

Como prefeita, nunca enfrentou greve, não teve oposição ou crise alguma. Voou sempre em céu de brigadeiro.

Na gestão estadual, é diferente. Atores e situações são diferentes.

Infelizmente, ela não se preparou para essa relação e convivência diferentes.

O que a governadora encarou ontem em Ceará-mirim, era previsível. Tem convivido com isso até em sua terra, Mossoró.

Em qualquer parte do RN onde bota os pés, tem sido assim.

A vaia é a antítese da claque (com seus aplausos remunerados).

Mesmo assim, tem muitas semelhanças com ela, a claque.

Pode ser espontânea e fabricada ou misto de ambas.

Não deve ser ignorada, que se diga.

Juscelino Kubitschek, certa vez, coberto por vaias em um evento, revidou de modo genial:

– “Feliz do país que pode vaiar seu presidente”.

Emudeceu os manifestantes. Arrancou alguns aplausos, em seguida.

Existe um ditado entre bombeiros, que precisa ser adaptado à política também:

– “Nenhum incêndio começa grande”.

Há tempos que Rosalba arde.

Da mesma forma que a governadora não deve se iludir com suas claques, não pode se enganar com as vaias.

A primeira costuma ser falsa. A segunda, pode ser. As duas sempre dizem alguma coisa.

Nada é por acaso. Vale perceber que tudo faz sentido. É uma relação de causa e efeito.

Vazio

Por Augusto Frederico Schmidt

A poesia fugiu do mundo.
O amor fugiu do mundo —
Restam somente as casas,
Os bondes, os automóveis, as pessoas,
Os fios telegráficos estendidos,
No céu os anúncios luminosos.

A poesia fugiu do mundo.
O amor fugiu do mundo —
Restam somente os homens,
Pequeninos, apressados, egoístas e inúteis.
Resta a vida que é preciso viver.
Resta a volúpia que é preciso matar.
Resta a necessidade de poesia, que é preciso contentar.

Augusto Frederico Schmidt (1906-1965) – Escritor, poeta, editor de livros, empresário  e amigo-assessor do presidente Juscelino Kubitsheck.