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Congresso tenta evitar CPI do Master agradando petistas e bolsonaristas

Blindagem atende aos interesses do petismo e do bolsonarismo (Foto: Vinícius Loures/Câmara dos Deputados)
Blindagem atende aos interesses do petismo e do bolsonarismo (Foto: Vinícius Loures/Câmara dos Deputados)

Do Canal Meio para o BCS

O temor do estrago que as investigações das fraudes do Banco Master podem provocar no meio político faz o Legislativo se blindar. A cúpula do Congresso quer evitar a criação de uma CPI, defendida pela oposição bolsonarista, para investigar o banco e suas ligações com autoridades.

Em troca, oferece derrubar em março o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao PL da dosimetria, que reduz as penas dos condenados pela tentativa de golpe de Estado em 2022, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O Planalto já identificou que o escândalo do Master tem potencial negativo para o governo por criar no eleitorado uma ideia de corrupção generalizada. Lula, que vinha ressaltando a ação contra banqueiros, foi aconselhado a tocar menos no assunto. (Folha)

Por trás do alvoroço na classe política, segundo Malu Gaspar, está a percepção de que o novo relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, além de fortalecer a ação da Polícia Federal, dá fôlego à CPMI do INSS, foco de desgaste do governo, e fragiliza políticos do Centrão, em particular o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). (O Globo)

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Álvaro entra no lugar de Rogério como pré-candidato a governador

Rogério apresentou Álvaro e contou com Styvenson para reforçar anúncio (Foto: Alexis Regis)
Rogério apresentou Álvaro e contou com Styvenson para reforçar anúncio (Foto: Alexis Regis)

O ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (Republicanos) será o candidato a governador pela corrente bolsonarista. Depois da desistência do senador Rogério Marinho (PL) e do senador Styvenson Valentim (PSDB) refugar, Dias topou o desafio. É o jeito.

O anúncio foi feito nesta quarta-feira (21), na sede do PL, em Natal.

Rogério apresentou o pré-candidato e enalteceu seu perfil e qualidades para defender a bandeira oposicionista.

Além de Rogério e Álvaro, Styvenson participou do evento político, que contou com a presença do prefeito natalense Paulinho Freire (UB), bem como a deputada federal Carla Dickson (UB).

“Acabou a época de promessa, viu, gente? Acabou a época de enganar as pessoas”, alertou Valentim.

Dia passado, Rogério deixou claro que não manteria sua pré-candidatura ao governo (veja AQUI). A justificativa? cumpriria missão política nacional, participando de coordenação de campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

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Os limites éticos do ‘poder moderador’ da República

Por  Christian Lynch

Sede do STF em Brasília (Foto: EBC)
Sede do STF em Brasília (Foto: EBC)

O Supremo Tribunal Federal (STF) não se tornou o centro do sistema político brasileiro por acaso, nem por voluntarismo de seus ministros. Esse deslocamento é resultado de um longo processo iniciado com a Constituição de 1988, aprofundado pela fragmentação do sistema partidário, acelerado pela crise de governabilidade do presidencialismo de coalizão e consolidado após 2013, quando a política passou a transferir sistematicamente seus impasses para o Judiciário. Desde então, o STF deixou de ser apenas uma corte constitucional para se tornar instância arbitral permanente de conflitos estruturais — eleitorais, federativos, econômicos e culturais — que a política já não consegue resolver por si mesma.

Essa centralidade produziu efeitos ambivalentes. Em momentos críticos, como durante a erosão democrática do ciclo bolsonarista, o Supremo funcionou como dique de contenção institucional. Ao mesmo tempo, acumulou um poder simbólico e decisório inédito na história republicana, aproximando-se, na prática, de um papel moderador informal. Não foi apenas entre os militares que prosperou, desde a instauração da República, o imaginário de herdeiros do quarto poder imperial. Ele também se difundiu entre atores jurídicos, com a diferença de que, nesse caso, o papel foi atribuído ao Supremo. Na discussão relativa à criação dessa função na Constituinte de 1890, enquanto o ministro da Justiça do governo provisório enunciava as atribuições da nova corte, o deputado Gonçalves Chaves não hesitou em intervir em aparte: “É o poder moderador da República”.

Quanto mais concentrado o poder, mais estreita se torna a margem para ambiguidades

É precisamente aí que surge o problema: instituições que ocupam posições excepcionais não podem operar segundo padrões éticos ordinários. Quanto mais concentrado o poder, mais estreita se torna a margem para ambiguidades. Como titular do Poder Moderador do Império, Dom Pedro II teve decisões frequentemente contestadas no plano político, mas nunca se colocou em dúvida, de modo sério, sua imparcialidade ou sua honestidade pessoal. Ao contrário: entrou para a história republicana como uma figura paradoxalmente celebrada — a do “imperador republicano”. O próprio Rui Barbosa, que participou do golpe republicano, o reconheceria em discurso de 1914: “No outro regime, o homem que tivesse certa nódoa em sua vida era um homem perdido para todo o sempre —

as carreiras políticas lhe estavam fechadas. Havia uma sentinela vigilante, de cuja severidade todos se temiam e que, acesa no alto, guardava a redondeza, como um farol que não se apaga, em proveito da honra, da justiça e da moralidade gerais”.

Em chave distinta, foi também em nome de uma missão regeneradora que o chamado judiciarismo, ao longo da República, atribuiu ao Supremo Tribunal papel de velar — e às vezes de garantir — contra as tendências oligárquicas, autoritárias e patrimoniais do novo regime os princípios democráticos, liberais e republicanos inscritos em suas constituições. Não foi outro o sentido da pregação do próprio Rui Barbosa e de outros juristas liberais, alguns dos quais vieram a ocupar cadeiras no Supremo Tribunal Federal: Pedro Lessa, João Mangabeira, Levi Carneiro, Aliomar Baleeiro. A frustração dessas expectativas marcou a posição de outros, como Afonso Arinos de Mello Franco, que preferiu apostar no parlamentarismo.

Desde 1988, porém, afastado o Exército como concorrente, o Supremo passou aparentemente a corresponder às expectativas do judiciarismo, chegando mesmo ao exagero de oferecer, na década passada, pleno respaldo institucional ao chamado “tenentismo togado” da Lava Jato. Juízes e promotores de Curitiba e seus aliados — a começar pelo então procurador-geral da República — apresentaram esse movimento como esforço indispensável para “passar o país a limpo”. Foi também o período em que o ministro Luís Roberto Barroso sustentava ser função da Corte exercer um papel “contramajoritário, representativo e iluminista”, capaz de “atender demandas sociais que não foram satisfeitas a tempo pelo Legislativo” e de atuar em “conjunturas nas quais é preciso empurrar a História”.

O problema é que esse discurso republicano do atual “poder moderador” da República vem sendo, nos últimos anos, comprometido pela opacidade da atuação de alguns de seus próprios membros.

O debate recente sobre a atuação profissional de familiares de ministros do STF — em especial no campo da advocacia — deve ser compreendido nesse registro. Não se trata, ao menos em sua formulação séria, de imputar ilegalidade ou de insinuar corrupção. O próprio Supremo, em julgamento anterior, entendeu não haver impedimento jurídico para que cônjuges ou parentes próximos mantenham escritórios de advocacia, inclusive com atuação perante a Corte, desde que o ministro diretamente relacionado se declare impedido. Essa solução pode ser defensável à luz de uma leitura estritamente processual das regras de impedimento. O que ela ignora é a transformação institucional do próprio Supremo.

A distinção clássica entre conflito de interesses real e aparente deixa de ser um detalhe técnico para se tornar questão de legitimidade

O STF contemporâneo não é mais um tribunal de cúpula discreto, voltado predominantemente à guarda abstrata da Constituição. É um ator que interfere diretamente na economia política do país, produz efeitos regulatórios profundos e afeta expectativas de mercados, governos e agentes privados. Nesse contexto, a distinção clássica entre conflito de interesses real e aparente deixa de ser um detalhe técnico para se tornar questão de legitimidade.

Cortes constitucionais não sobrevivem apenas da correção formal de suas decisões, mas da confiança difusa de que elas não estão atravessadas por vínculos privados, ainda que lícitos.

É aqui que o precedente do próprio Supremo revela sua fragilidade. Ao tratar a questão como se estivesse diante de um juiz comum, o Tribunal aplicou a si mesmo um padrão ético pensado para instituições que não concentram tamanho poder. O resultado foi a abertura de uma zona cinzenta que não gera necessariamente ilegalidades, mas produz ruído institucional permanente — ruído que corrói a autoridade da Corte e alimenta, paradoxalmente, campanhas de deslegitimação conduzidas tanto por adversários de má-fé quanto por críticos sinceros do hipertrofismo judicial.

Não é irrelevante que essa controvérsia emerja num país cuja história é marcada pela confusão persistente entre o público e o privado. O Supremo não opera no vácuo institucional de democracias consolidadas; atua num ambiente social profundamente desconfiado, no qual a percepção de privilégios costuma preceder — e muitas vezes substituir — a prova de abusos. Ignorar esse dado é subestimar o contexto no qual a Corte exerce sua autoridade.

Segurança sanitária é uma das prioridades do ministro Barroso na condução do pleito (Foto: arquivo)
Luís Roberto vê papel da Corte como poder “contramajoritário” (Foto: arquivo)

Por isso, a adoção de um código de ética claro, público e vinculante para os ministros do STF não deveria ser vista como concessão a pressões externas nem como gesto moralista. Trata-se de um movimento de autorrestrição institucional, compatível com o novo lugar ocupado pelo Tribunal no sistema político. Códigos desse tipo não existem para punir desvios, mas para reduzir ambiguidades antes que elas se convertam em crises de legitimidade.

Mais do que isso, é preciso reconhecer que o Supremo pode — e talvez deva — revisar o entendimento que autorizou a atuação de escritórios de advocacia de familiares junto à própria Corte. A revisão de precedentes não é sinal de instabilidade; é parte da adaptação institucional a novas circunstâncias. O STF já revisou entendimentos sobre prisão, execução penal, financiamento de campanhas e competências federativas. Não há razão para tratar a própria ética institucional como tema imune à revisão.

Ao impor limites mais rigorosos a si mesmo, o Supremo não estaria enfraquecendo sua autoridade, mas tentando preservá-la num ambiente político cada vez mais hostil às mediações institucionais. A alternativa é manter o arranjo atual e aceitar que, a cada decisão sensível, a Corte pague o preço da suspeita — não necessariamente justa, mas socialmente eficaz.

O problema, em suma, não é jurídico em sentido estrito. É político-institucional. Um tribunal que se tornou central demais para errar precisa ser também central na construção de seus próprios freios. Caso contrário, continuará a exercer poder em condições de legitimidade decrescente, sustentado menos pela confiança pública do que pela ausência de alternativas institucionais. E esse é, historicamente, um terreno instável para qualquer corte constitucional.

Christian Lynch é cientista político, editor da revista Insight Inteligência e professor do IESP-UERJ

*Publicado originalmente no Canal Meio

Minorias que berram e maiorias silenciosas

Por Wilson Gomes, do Canal Meio

Arte ilustrativa do Canal Meio
Arte ilustrativa do Canal Meio

A direita brasileira é bem maior do que o bolsonarismo, mas o bolsonarismo continua se comportando como se fosse a única e verdadeira direita — e, acima de tudo, como se fosse a voz autêntica do nosso povo. De fato, uma pesquisa recente do Instituto Ideia, feita a pedido do Meio, ajuda a distinguir com precisão as coisas quando se trata do perfil da direita no país: apenas 12% dos brasileiros são efetivamente de direita e bolsonaristas, enquanto 26% se encaixam na direita, mas não são bolsonaristas — uma proporção de um terço para dois terços.

No detalhamento, a diferença é marcada: o núcleo bolsonarista é mais rico, mais escolarizado e mais radicalizado; a outra direita é mais pobre, mais preocupada com segurança pública e custo de vida, menos interessada em guerra cultural. O bolsonarismo, como era de se esperar, é vinculado pessoal e organicamente ao seu líder e coloca a sobrevivência dele acima de outros valores; a direita não bolsonarista tem outras prioridades. São dois mundos com alguma interseção no que diz respeito à autocompreensão ideológica, mas que se afastam em tudo o mais.

A direita bolsonarista é pequena, barulhenta e convicta de que fala pela maioria. A direita não bolsonarista é numericamente maior, mas hesitante, dispersa e, sobretudo, menos visível. A primeira ocupa as redes, pauta o noticiário e define o clima político; a segunda assiste a tudo com muito menor ímpeto missionário e fervor crédulo no seu papel de “salvar o país”. Acontece que, em política, como em muitos domínios da vida pública, a visibilidade costuma valer mais do que a quantidade: quem fala mais alto convence-se (e convence os outros) de ser mais numeroso; quem fala sozinho tem certeza de que todos concordam.

Um levantamento ainda mais recente, produzido pelo think tank More in Common, em parceria com a Quaest, mostra com números e nomes que o Brasil não é simplesmente uma arena dividida entre duas metades que se odeiam. A pesquisa, que entrevistou 10 mil pessoas em todas as regiões, identificou seis grupos politicamente coerentes:

  1. Progressistas Militantes: 5%
  2. Esquerda Tradicional: 14%
  3. Desengajados: 27%
  4. Cautelosos: 27%
  5. Conservadores Tradicionais: 21%
  6. Patriotas Indignados: 6%

Desses seis conjuntos, apenas dois, situados sintomaticamente nos polos — os Progressistas Militantes e os Patriotas Indignados — formam os extremos vocais da polarização política. Juntos, contudo, somam meros 11% da população. Os Desengajados e Cautelosos, que respondem por 54%, constituem o grosso da “maioria silenciosa”: gente que quer tranquilidade, talvez até ver os problemas sociais resolvidos pela política, mas não por cruzadas morais.
No debate público, o que se ouve são os 11%.

Pablo Ortellado, diretor da More in Common no Brasil, explicou que entre os conservadores a diferença entre “tradicionais” e “patriotas” é de intensidade: ambos pensam parecido, mas os patriotas vivem a política como identidade e se reconhecem como bolsonaristas. Já entre os progressistas, a diferença é de pauta: os militantes concentram-se em temas de opressão de gênero e raça, enquanto a esquerda tradicional ainda organiza sua visão de mundo em torno da desigualdade social.

As vanguardas políticas — isto é, as pessoas mais ativas, vocais e envolvidas — não se definem por ideologia, mas por uma atitude principal: a convicção de que representam não apenas o círculo restrito que veem ao seu redor, mas uma massa que não quer ou não pode falar, embora pense e sinta exatamente como elas. O que define um militante — alguém que não apenas se interessa por política, mas já tem um lado escolhido e está convencido de que tem uma missão na mudança do mundo — não é o conteúdo do que ele pensa, e sim a certeza de que pensa pelo país.

Ao acreditar que ‘todo mundo pensa assim’, o indivíduo protege a autoestima e reduz a ansiedade que sente quando se percebe socialmente isolado

Essa certeza é um fenômeno estudado há décadas pela psicologia social e tem nome: viés de falso consenso. Trata-se da tendência que muitos de nós temos de superestimar o grau de concordância dos outros com nossas próprias opiniões. Em bom português: o sujeito toma sua maneira de ver o mundo como padrão supostamente adotado por “todo mundo”. É um atalho cognitivo, mas também um mecanismo de conforto emocional e moral. Ao acreditar que “todo mundo pensa assim”, o indivíduo protege a autoestima e reduz a ansiedade que sente quando se percebe socialmente isolado.

Ocorre que essa ilusão de maioria se transforma, com frequência, em combustível político.

Quanto mais moralizada é a disputa, mais forte o viés. Grupos ideológicos intensos — sejam progressistas, conservadores, religiosos ou identitários — tendem a viver dentro de círculos de semelhança, as tais “bolhas”, o que reforça a impressão de unanimidade. Redes de afinidades, como as redes sociais digitais, somadas à segmentação algorítmica, completam o serviço: como as pessoas acabam sendo expostas quase exclusivamente a quem pensa de forma semelhante, encontram nos outros principalmente versões de si mesmas. O resultado é uma percepção distorcida da sociedade, em que cada facção acredita representar integralmente o verdadeiro povo brasileiro.

A polarização, nesse sentido, decorre menos de um confronto entre ideias e mais de uma competição de maiorias imaginárias.

O falso consenso pode ter efeitos políticos profundos. Ele legitima a intolerância, porque transforma discordância em desvio moral. Se “a maioria pensa como eu”, quem discorda não está apenas errado: está fora da comunidade moral. Daí para a prontidão de calar o outro, punir, excluir ou ridicularizar é um passo curto. O mesmo mecanismo que sustenta o populismo — “eu sou o povo” — alimenta também a arrogância moral de vanguardas políticas, de qualquer polo do espectro ideológico, que se julgam porta-vozes da civilização. Em ambos os casos, o resultado é o mesmo: desaparece o espaço do dissenso legítimo.

A política brasileira recente fornece exemplos de sobra. Patriotas indignados veem em Lula a usurpação de um poder que, por direito, pertenceria à “maioria conservadora”. Setores progressistas radicais, por sua vez, tratam opiniões divergentes sobre costumes ou segurança como se fossem agressões intoleráveis a direitos humanos. Ambos acreditam estar do lado certo — e, mais grave, do lado da maioria. Por isso estão mais dispostos a soltar a voz em público, a transformar seus sentimentos de ultraje moral em performances de punição ou reivindicação, a realizar manifestações e protestos.

Por outro lado, a psicologia tem mostrado que, quanto maior a intensidade da certeza, maior a ilusão de consenso. Ou seja: quanto mais certo se está do que se pensa, do valor da própria causa e do papel que se exerce na transformação do mundo, menos se percebe o mundo real à volta.

As pesquisas citadas revelam um país muito mais fragmentado do que frequentemente supomos. Há múltiplas minorias políticas disputando atenção, recursos e legitimidade. Nenhum grupo chega perto de representar sozinho um terço do eleitorado. Mesmo assim, as minorias mais engajadas dominam a esfera pública porque falam alto, alimentam conflitos e sabem usar os algoritmos da visibilidade. São pequenas em número, mas enormes em ruído.
E o ruído, em tempos digitais, é a nova métrica da força.

Esse descompasso entre barulho e tamanho tem efeitos corrosivos. Ao obter visibilidade desproporcional, minorias militantes criam a ilusão de que o país está rachado em duas metades equivalentes. O cidadão comum, cercado por gritos de um lado e do outro, sente-se compelido a escolher um campo — ou a calar-se. É assim que a “maioria silenciosa” se torna, de fato, quieta e aparentemente aquiescente: não por falta de opinião, mas porque sua voz não se faz ouvir na algazarra política geral.

Mas há algo de mais profundo. O falso consenso não é apenas um engano perceptivo; é também uma autorização moral. Quem acredita falar em nome da maioria sente-se no direito de agir em seu nome. É daí que brota o populismo autoritário — a ideia de que há um “povo verdadeiro”, homogêneo e virtuoso, traído por elites ou minorias espúrias. Essa convicção não é exclusiva da extrema direita. Há versões ilustradas e progressistas do mesmo mito: a crença de que a sociedade decente coincide com “o campo democrático”, e que os demais são bárbaros a serem educados ou cancelados.

Ambos os lados, ironicamente, se sentem nos braços da maioria silenciosa.

O resultado é o que se vê: uma democracia cansada, em que o diálogo cede lugar à catequese

O autoengano tem custo alto. Ele dispensa o trabalho de ouvir, de argumentar, de negociar. Se a maioria já está comigo, por que conversar? A política vira palco de performances morais, não de persuasão racional. Em vez de disputar ideias, disputam-se virtudes. O adversário não é alguém a convencer, mas um inimigo a derrotar. O resultado é o que se vê: uma democracia cansada, em que o diálogo cede lugar à catequese.

Há quem veja nisso um traço inevitável das redes. Mas as redes apenas potencializam uma distorção antiga. Desde os anos 1970, estudos sobre o viés de falso consenso mostram que o ser humano tem dificuldade estrutural de imaginar que os outros pensam diferente. O digital apenas transformou esse traço cognitivo em epidemia política. O que era tendência virou arquitetura: algoritmos alimentam certezas, certezas alimentam engajamento, engajamento alimenta lucro.

E assim se constrói a ilusão reconfortante de que “a maioria está comigo”.

O problema é que não está. O Brasil das pesquisas mostra um país múltiplo, hesitante e menos extremado do que seus intérpretes. Há conservadores pobres que votam à direita sem idolatrar Bolsonaro; há progressistas tradicionais que não se reconhecem na pauta identitária; há milhões de cidadãos que rejeitam tanto a demagogia quanto o moralismo.

Mas esse centro difuso não tem narrativa nem heróis — e, portanto, quase não existe na política.

Reconhecer a ilusão de consenso é um passo essencial para reconstruir o espaço comum. Enquanto cada tribo se imaginar a voz do povo, o país continuará refém de minorias ruidosas. A democracia precisa de maiorias reais, feitas de discordâncias administráveis, não de unanimidades imaginárias.

Wilson Gomes é doutor em filosofia, professor titular da Universidade Federal da Bahia e autor de “Crônica de uma Tragédia Anunciada”

Lições sobre a polarização brasileira

Por Flávia Tavares e Giullia Chechia (Canal Meio)

Brasília, o epicentro do poder e o núcleo das diferenças que se transformaram em fosso (Foto: Reprodução do Canal Meio)
Brasília, o epicentro do poder e o núcleo das diferenças que se transformaram em fosso (Foto: Reprodução do Canal Meio)

Há quem considere que chegamos a um nível de polarização intransponível. Há quem resista à noção de polarização por negar que os extremos sejam equivalentes. Há ainda quem responsabilize sempre o outro pela situação. Só não há quem ignore que o Brasil vive um momento de divisão acentuada — e que, ao interditar o diálogo, essa cisão corrói a qualidade da nossa democracia.

Compreender o que nos polariza politicamente é o único caminho para superar esse afastamento. Pensadores de diferentes formações vêm se dedicando à tarefa de investigar, por meio de pesquisas, a polarização no Brasil. O Meio ouviu os quatro maiores especialistas no tema para extrair lições que possam iluminar as portas de saída.

Pablo Ortellado é filósofo, professor de Gestão de Políticas Públicas na Universidade de São Paulo e diretor-executivo da More in Common Brasil. Felipe Nunes é cientista político, CEO da Quaest e diretor do ConnectLab, novo laboratório de estudos da escola de economia da FGV-SP. Mauricio Moura é economista, fundador do Instituto Ideia e professor da Universidade George Washington. Renato Meirelles é comunicólogo, escritor e presidente do Instituto Locomotiva. Todos esquadrinham, indo a campo, o que nos divide. Aqui, eles apontam algumas de suas conclusões.

Ortellado e Nunes concentram seus achados na polarização afetiva, a divisão que supera aquela diferença de opiniões e de preferências partidárias, saudável num ambiente democrático. Ambos oferecem dados inéditos de suas pesquisas para explicar o movimento de calcificação de identidades que torna o outro, o diferente, tão ameaçador — e, portanto, um inimigo a ser eliminado.

Moura e Meirelles analisam os efeitos eleitorais dessa cisão. A maneira binária como o Brasil elege presidentes da República, em dois turnos, e a onipresença do PT e de Lula, direta ou indiretamente, desde 1989 consolidaram os polos entre petismo e antipetismo — mas há alguma porosidade a ser explorada entre as duas pontas. A seguir, alguns dos principais pontos das conversas com os quatro pesquisadores.

O outro como a negação de mim

Há sete anos, o Brasil fervia às vésperas do segundo turno que levaria Jair Bolsonaro à Presidência da República. No dia 21 de outubro de 2018 — exatamente uma semana antes do pleito —, o Hino Nacional ecoava na Praia de Copacabana. Um buzinaço atravessava todas as faixas que ligam o Museu da República ao Congresso Nacional em Brasília. E, em São Paulo, a Avenida Paulista se tingia de verde e amarelo.

Agitando o público paulistano, falando pelo telefone — ele estava em casa de casa se recuperando da facada —, Bolsonaro bradou: “Petralhada, vai tudo vocês (sic) pra ponta da praia. Vocês não terão mais vez em nossa pátria porque eu vou cortar todas as mordomias de vocês. Será uma limpeza nunca vista na história do Brasil”. Seu discurso foi entrecortado pelos gritos dos manifestantes: “Mito, mito, mito!”.

Aquele era, essencialmente, o mesmo público que se reunira um ano antes em apoio à Lava Jato. Mas algo havia mudado no âmago do movimento.

Em março de 2017, no ato liderado por Vem Pra Rua, Movimento Brasil Livre (MBL) e Revoltados Online, apenas 31% dos manifestantes se definiam como de direita. Outros 27% se colocavam no centro; 4% se diziam de esquerda, mas estavam ali. A maioria, 36%, não se encaixava em nenhum espectro. Nem mesmo os valores os uniam: 47% se consideravam muito conservadores, 34% pouco e 15% nada conservadores. O que realmente os conectava era o antipetismo: 85% se reconheciam nesse sentimento.

Em outubro de 2018, a autopercepção dos manifestantes da Paulista havia mudado. A direita dominava: 72% se declaravam assim. O centro minguara a 17%. A esquerda sumiu daquela cena. Apenas 9% continuavam sem se encaixar em nenhum lado. O antipetismo cresceu ainda mais: 91% eram muito antipetistas, 5% pouco e 3% nada. Nos costumes, 74% se diziam muito conservadores, 23% pouco e apenas 2% nada conservadores.

Com o passar do tempo, ser de direita, conservador e bolsonarista foi se consolidando em uma única identidade. Numa outra manifestação, em setembro de 2022, 82% dos entrevistados já se reconheciam no campo da direita (3% permaneciam no centro e outros 3% continuavam fora de qualquer etiqueta política); 80% muito conservadores, e 77% muito antipetistas.

Os dados colhidos pelo Monitor do Debate Político da USP revelam que, nesse intervalo, os manifestantes afinaram suas identidades políticas. O que antes se apresentava como um levante antipetista, mas diverso, passou a movimento alinhado: mais do que antipetistas, aquelas eram pessoas de direita e conservadoras. E essa, segundo Pablo Ortellado, é uma das chaves para entender a polarização.

Primeiramente, ele observa que há dois tipos de polarização que preocupam mais os cientistas sociais. A primeira é a polarização de opinião, que mede a migração gradual da opinião pública para os extremos. A segunda, e mais alarmante, é a polarização afetiva. “É a animosidade de quem adota uma identidade por quem adota a identidade adversária”, explica. “É a ojeriza e o desgosto de uma pessoa de esquerda por uma de direita — e vice-versa.” O problema, segundo ele, é que os estudos recentes indicam que a polarização afetiva tem avançado mais rápido do que a de opinião.

Na tentativa de compreender esse descompasso, Ortellado se apoia nos estudos da cientista política americana Lilliana Mason, da Universidade Johns Hopkins. Suas pesquisas se enraízam na Teoria da Identidade Social, desenvolvida a partir de um experimento clássico conduzido em 1971 pelo psicólogo britânico Henri Tajfel.

Tajfel provou, num experimento, o quanto o simples fato de pertencer a um grupo já bastava para que as pessoas favorecessem “os seus” e hostilizassem “os outros”, mesmo sem motivos concretos.

Mason transpôs essa lógica para o campo político. Até os anos 1990, media-se a polarização apenas pela radicalização das ideias. O afastamento das opiniões para os extremos parecia bastar para explicar o todo. Mas, em meados de 2010, ela notou que as peças não se encaixavam. Sim, as opiniões estavam mudando, se radicalizando. Só que este deslocamento aos extremos se dava lentamente, enquanto a hostilidade entre os grupos crescia rapidamente.

“Era muito comum a pessoa ser republicana e liberal, ou conservadora e democrata”, lembra Ortellado. Essas identidades cruzadas, as sobreposições, funcionavam como amortecedores. Impediam o choque direto entre mundos. Havia zonas de contato, frestas por onde o outro ainda parecia humano, familiar, possível.

Com o tempo, essas frestas se estreitaram. As identidades começaram a se cristalizar, a se empilhar umas sobre as outras até formarem blocos densos, compactos. A lealdade ao grupo cresceu — e, com ela, o reflexo automático da hostilidade. O outro deixa de ser apenas alguém que pensa diferente: virou a negação de tudo o que sustenta o meu mundo. E, por isso, passa a ser visto como uma ameaça à minha própria existência.

Ortellado vê o mesmo processo em curso no Brasil — e embasa essa percepção com dados inéditos, que compartilhou com o Meio. Alguém que antes se dizia apenas antipetista, ao se reconhecer também como de direita e conservador, passa a fazer parte de uma constelação inteira de identidades alinhadas. E, dentro desse alinhamento, o confronto ganha potência.

“A vida é um mosaico de identidades. Quando elas se equilibram, os efeitos são suavizados.” Mas, segundo o professor, atravessamos um momento em que o movimento é inverso: o mosaico está sendo fundido em um bloco único. As peças se colam, e seus efeitos não apenas se somam. Se amplificam.

Para testar a hipótese, a More in Common, em parceria com a Quaest, convidou participantes a se posicionarem em três eixos: esquerda ou direita, bolsonarista ou petista, progressista ou conservador. Depois, pediram que avaliassem o quanto gostam ou desgostam dos pares e dos opostos. O resultado demonstrou que, quanto mais coerentes e alinhadas as identidades, maior o ódio ao grupo adversário.

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS
Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Mas que adversário? Outra pesquisa, feita em São Paulo, buscou desenhar o rosto desse ódio. Os entrevistados foram convidados a se definir ideologicamente e a definir os grupos no polo oposto. “Cada grupo projetou no adversário aquilo que nega em si mesmo”, explica Ortellado.

Na prática, as descrições ficaram assim: a direita, em sua maioria (36%), se vê como guardiã da família, da ordem e dos valores tradicionais. Mais 22% se enxergam como pessoas de bem, contra a corrupção e os bandidos. E como eles veem a esquerda? Para eles, 17% são contra a família, a ordem e os valores tradicionais; e 12% são corruptos, bandidos e a favor da corrupção.

Do outro lado, ficaram assim: 56% da esquerda se define como defensora dos trabalhadores e dos mais pobres. Mais 38% são a favor dos direitos humanos e do direito de mulheres, negros e população LGBT. E como eles veem a direita? Para eles, 22% são capitalistas, ricos ou egoístas e a favor das desigualdades sociais; e 16% são contra os direitos humanos ou contra o direito de mulheres, negros e população LGBT.

Ortellado traduz o que esses números expressam: “Quando você projeta no outro a negação de si mesmo, ele deixa de ser apenas alguém diferente. Vira uma ameaça existencial. Não enxergamos a diferença, mas a contradição. Ou melhor: nem enxergamos — imaginamos. E o outro se torna, na nossa cabeça, o oposto absoluto de quem somos”.

A ferocidade do outro

A reação a uma ameaça depende também da dimensão atribuída a ela. Quanto maior o medo, maior a energia empenhada na autoproteção e no contra-ataque. Um dos efeitos da polarização que o Brasil vive apareceu em uma parte ainda inédita da pesquisa Polarização Política no Brasil – 2025. O estudo foi coordenado pelos professores Felipe Nunes, Nara Pavão, Fred Batista e Natalia Bueno, todos pesquisadores do ConnectLab, da FGV.

“A polarização afetiva só existe porque eu tenho medo de que o outro seja uma ameaça a mim”, explica Nunes. Essa percepção de ameaça acaba sendo um terreno fértil para a desumanização do outro. Para se ter uma ideia do grau que isso atinge, os pesquisadores incluem entre as perguntas uma sobre em que grau de evolução estaria o grupo político oposto ao seu. Eles usam aquela foto que todos já vimos na escola, da evolução humana representada do macaco ao Homo sapiens. Lulistas colocam os bolsonaristas na escala macaco. Bolsonaristas fazem o mesmo com lulistas. Todos se veem como mais evoluídos, e isso mostra que o Brasil está num padrão parecido com o dos Estados Unidos de desumanização do outro.

Além disso, cada grupo numa das pontas percebe a si próprio maior do que realmente é. A pesquisa faz questão de segmentar os grupos de maneira a identificar e dimensionar os polos, separando-os dos campos maiores em que eles estão inseridos. Assim, nas proporções autodeclaradas, os lulistas são 20% dos entrevistados. Aqueles da esquerda não-lulista são 15%. Os bolsonaristas são 13%. A direita não-bolsonarista chega a 22%. E os que não se identificam com nenhuma ideologia, os independentes, são 29%. “Ou seja, o lulismo é maior do que a esquerda. A direita é maior do que o bolsonarismo. Isso diz muito sobre como o bolsonarismo consegue ser ruidoso dentro da direita, mesmo não sendo majoritário, e como a esquerda identitária consegue ser ruidosa, mesmo não sendo majoritária na esquerda.”

Mas Nunes e seus colegas queriam extrair mais dessas autopercepções e passaram a perguntar também o seguinte: Qual você acha que é o tamanho do bolsonarismo na sociedade brasileira? E o do lulismo?

A surpresa foi grande. Os lulistas acreditam ser 41% da sociedade, quando são 20%. Do outro lado, os bolsonaristas acham que são 46% do Brasil, quando são 13%. Ambos subestimam grandemente os independentes. As percepções de tamanho de cada segmento estão totalmente distorcidas.

E os pesquisadores foram além. Questionaram ainda sobre o que cada grupo acha que o outro lado quer fazer com o seu. Mais de 80% dos lulistas acreditam que bolsonaristas apoiam a violência contra o seu grupo. A estatística se repete na mão contrária. Na prática, estão todos achando que são muitos e que o lado de lá quer atacar. “A polarização existe na cabeça dos brasileiros. Há uma crença equivocada de que seu grupo é ‘fortão’. Mas por que a polarização persiste na cabeça das pessoas? Porque temos medo que o outro grupo possa nos atacar. Todo mundo, mesmo os independentes, tem medo de que o outro, qualquer outro, faça algo para lhe prejudicar”, acrescenta Nunes.

Seria possível imaginar, então, que conforme o líder de um dos polos se retire do cenário político-eleitoral, já que Jair Bolsonaro está inelegível e preso, essa polarização diminua?

Nunes não é otimista aqui. Isso porque, para ele, grande parte da polarização que o Brasil vive tem uma fonte institucional importante, que é o sistema eleitoral brasileiro de dois turnos. No livro Biografia do Abismo, que escreveu com Thomas Traumann, já havia começado a explorar a diferença de polarização em sistemas presidenciais de primeiro turno e de segundo turno. “ O segundo turno reforça a tese de que você, eleitor, tem de ter um lado e força esse eleitor a escolher o time logo no primeiro turno, abrindo mão do voto sincero e já adotando o estratégico.”

A decorrência é que há um padrão recorrente de votação nos municípios, nos estados, e que está tornando cada vez mais difícil mudar a opinião das pessoas, porque, quando vestem uma camisa, elas sentem a obrigação de defender aquele time mesmo depois que o jogo já acabou e se ele não for tão bem. “Essas camisas estão sendo vestidas cada vez com mais antecedência e mais constância”, diz Nunes. Prova disso é que o índice de correlação de uma eleição anterior para outra, na comparação de urnas, beira os 95%. Ou seja, se o PT teve 800 votos numa urna, numa eleição, ele tende a ter 800 nessa urna na eleição seguinte. “A identidade de time, de grupo, reforçada pela ameaça de que o outro grupo pode te aniquilar, é tão forte hoje na mentalidade brasileira que isso está calcificando preferências eleitorais. Mesmo sem Bolsonaro, mesmo sem Lula, a gente tende a ter uma certa organização da política em torno dos afetos a essas duas lideranças.”

O antipetismo como vetor

E se tem um afeto que polariza é o antipetismo. É em torno dele que o Brasil se divide, ao menos eleitoralmente, na visão de Mauricio Moura. Ao destrinchar o conceito de polarização, ele revisita a ameaça existencial citada por Ortellado, a desumanização por Nunes e reforça a camada da rejeição.

“Ao demonizar o opositor, o eleitor vai para a urna convicto de que qualquer coisa é melhor do que o adversário. É o que chamamos de batalha de rejeições. No Brasil, isso se potencializa pelo sistema binário de escolha. Não temos apenas dois partidos, mas temos um segundo turno que obriga o eleitor a transitar entre um polo e outro”, explica Moura. Ele argumenta que o parlamentarismo tende a frear isso. Na Alemanha, por exemplo, há uma extrema direita crescente, mas ela não governa o país justamente pelo sistema parlamentarista — assim como na Holanda.

O binarismo brasileiro se dá, para Moura, com o agravante de que Lula e o PT estão na urna, no segundo turno, de alguma maneira desde 1989. “Isso faz com que seja muito difícil encontrar alguém que não tenha uma opinião forte sobre Lula e PT, certo? Seja uma opinião anti-Lula ou anti-PT, seja uma opinião favorável.” E, embora a polarização nas eleições estaduais seja bem menos acentuada, com maior trânsito dos eleitores entre os grupos, como elas coincidem com as presidenciais acabam contaminadas.

Ficando estabelecido que em um polo está o PT ou o lulismo, no outro, sabemos que o bolsonarismo, em si, tem uma representatividade perto dos 13%. Mas ele conta, a cada nova eleição, com o que Moura chama de “antipetismo de chegada”. Já no primeiro turno, eleitores abriram mão, em 2018, de votar em Geraldo Alckmin, Ciro Gomes e qualquer outro, apenas para votar em quem tinha mais condição de derrotar o PT. Em 2022, idem. E, assim, o polo bolsonarista parece se fortalecer, mas o que dita mesmo o polo oposto é o antipetismo.

Moura admite que Lula é maior que o antipetismo, tendo testemunhado aquele estranho fenômeno de pessoas que diziam, em 2018, que votariam em Bolsonaro só porque Lula não era o candidato. O que acontece, então, se Bolsonaro sai de cena? O grande desafio do lulismo, no ciclo de 2026, é mobilizar seu eleitorado a ir votar, diz Moura. Afinal, sempre que se trata de uma tentativa de reeleição, o presidente incumbente é o protagonista. A pergunta que polariza é se aquele presidente deve permanecer no cargo.

Ocorre que, tradicionalmente, incluídos no alto índice de abstenção, estão eleitores de baixa renda e baixa escolaridade, perfis que tendem a votar no PT. Não raro, as pesquisas indicam o candidato lulista na frente por mais de 10 pontos e, no dia da eleição, ele ganha por 3 ou 4. “E na segunda-feria todo mundo diz que as pesquisas erraram. Não se trata disso. Só que muitos daqueles que diziam que votariam no candidato do PT simplesmente não comparecem.”

Além disso, há uma pequena massa de insatisfeitos, ali na casa dos 3%, que não entram automaticamente na lógica da polarização, a serem conquistados. Sim, para Moura, ela é pequena assim. Do ponto de vista quantitativo, a prova disso é que, quando se pergunta ao eleitor de Bolsonaro no segundo turno qual a avaliação do governo Lula, a resposta é taxativa. “Não tem ninguém que votou no Bolsonaro que aprova esse governo. E isso independe de elas serem bolsonaristas convictas.” Hoje, embora em alta, a aprovação de Lula é menor do que a do primeiro trimestre do governo. O teto dele é baixo.

Arte ilustrativa
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A porosidade eleitoral

Se à primeira vista a polarização parece um muro intransponível, Renato Meirelles insiste em procurar as brechas. À frente do Instituto Locomotiva, ele investiga onde ainda há espaço para diálogo. Um compilado de estudos revela que, por trás dos ruídos estridentes, persistem zonas de contato entre os brasileiros. São territórios em disputa – e excedem os 3%.

A partir do comportamento eleitoral e do autoposicionamento ideológico, o Locomotiva traçou um mapa do que nos divide. E descobriu que 7 em cada 10 brasileiros vivem nesse terreno movediço que separa um polo do outro. É gente que se inclina, hesita, muda de ideia. É o eleitorado da permeabilidade, que transita de um lado a outro, mas resiste a se fixar.

Entre os que pendem à esquerda, 27% votaram no PT em 2022 e não se arrependem, embora não necessariamente tenham feito o mesmo em 2018, ou sequer se reconheçam como parte da esquerda. Do outro lado, 18% tendem à direita. E há ainda um grupo expressivo que se descolou completamente de qualquer polo: 26% de desiludidos, desmotivados, abstenções, votos nulos, arrependimentos. Esses percentuais deixam de fora os extremos do espectro político e descrevem justamente o espaço intermediário, a área onde predominam as nuances e as mudanças de rota. É a fatia do meio.

Nesse cenário de instabilidade, Meirelles identifica os primeiros sinais de frestas para romper a polarização. Duas cenas ilustram a permeabilidade: dos inclinados à direita, 39% defendem que o Estado deve intervir na economia para garantir o crescimento do país. Entre os que se aproximam da esquerda, 36% acreditam que o aborto deveria continuar sendo considerado crime. “Isso é importante porque você começa a entender onde estão os pontos de porosidade dentro dessa suposta calcificação do eleitorado — e percebe também algumas incoerências.”

Longe de serem apenas paradoxos, essas contradições apontam caminhos possíveis. “Quando pensamos em superar a polarização, precisamos perder menos tempo com os convictos e caminhar em direção ao grupo mais intermediário”, defende. É um eleitorado que, muitas vezes, não se envolve o suficiente para sequer ir votar. Ou que decide o voto na ponta do laço.

A cada eleição, o Brasil repete um velho padrão: indecisão prolongada e alta abstenção. No último pleito presidencial, 1 em cada 5 eleitores não compareceu às urnas no segundo turno, e 14% escolheram o candidato apenas na véspera ou no próprio dia. Ao acompanhar o mesmo grupo de eleitores por quatro semanas, durante o segundo turno, o Locomotiva encontrou 30% de volatilidade — votos que mudavam de direção entre uma rodada e outra. A instabilidade se concentrava entre os mais pobres, os mais jovens e os menos escolarizados. Destes, 18% alteraram o voto efetivamente depositado nas urnas em relação à intenção declarada três dias antes do pleito.

E a oscilação passou longe de se encerrar no domingo da eleição. Atravessou o tempo, ressurgiu nas conversas, nas avaliações de governo, no vai e vem das opiniões. A volatilidade tornou-se quase um modo de estar na política. Mesmo com o governo avançando para o último ano, cerca de um terço dos eleitores ainda se declara disposto a mudar de opinião sobre Lula. Em números, isso significa que o presidente pode alcançar até 56% de aprovação, enquanto o teto do descontentamento se estabiliza em 43%. Esse movimento no centro reverbera nas bordas do espectro político.

Mesmo nas extremidades do debate, onde o ruído é mais intenso, Meirelles identifica pequenas rachaduras. São os territórios mais rígidos — 11% de petistas convictos e 18% de bolsonaristas fiéis —, mas nem eles escapam das contradições. Quando provocados em temas como tributação, porte de armas, aborto e drogas, até os mais convictos vacilam. Entre os petistas ferrenhos, 69% sustentam opiniões progressistas em três desses temas ou mais; entre os bolsonaristas, 63% mantêm posturas conservadoras.

Percepções que, aliás, também não estão tão distantes quanto parecem. O instituto presidido por Meirelles replicou no Brasil uma pesquisa da Pew Research, feita nos Estados Unidos, e perguntou a eleitores de Lula e Bolsonaro sobre temas de costumes e de Estado. Identidade de gênero, posse de armas, família, casamento, eficiência do governo, programas sociais e auxílios entraram no balaio. “Na dimensão dos costumes, há 19 pontos percentuais separando eleitores de Lula e Bolsonaro. Na visão de Estado, 16 pontos. Ou seja, em média, o que divide os brasileiros são 18 pontos percentuais — contra 50 nos Estados Unidos, entre eleitores de Donald Trump e Kamala Harris. Temos, portanto, uma polarização real, mas muito menos profunda que a norte-americana”, afirma.

O retrato pintado por Meirelles revela um país menos aprisionado em trincheiras e mais como um solo vivo, que se reorganiza a cada passo. A polarização, pondera, é real, mas jamais inquebrável. As fissuras no eleitorado abrem pequenas frestas de diálogo, passagens tênues por onde o sopro da conversa pública ainda circula. É por essas aberturas que surge a possibilidade de reconstruir pontes e dar novo fôlego à democracia.

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Jorge do Rosário anuncia volta ao PL e nova pré-candidatura a estadual

Rosário foi entrevistado por Joãozinho GPS para a Rádio DIfusora (Foto: Reprodução do BCS)
Rosário foi entrevistado por Joãozinho GPS para a Rádio DIfusora (Foto: Reprodução do BCS)

Do Diário Político (Vonúvio Praxedes) e BCS

Em entrevista ao repórter Joãozinho GPS, da Rádio Difusora, durante evento da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do RN (FCDL/RN), realizado no Hotel Garbos no fim de semana, o empresário e engenheiro Jorge do Rosário confirmou seu retorno ao Partido Liberal (PL) e oficializou sua pré-candidatura a deputado estadual para as eleições de 2026. Ele concorreu à Assembleia Legislativa do RN (ALRN) pelo Avante em 2022.

Jorge lembrou que não é a primeira vez que integra os quadros da legenda. “Eu já fui presidente do PL em Mossoró, em 2016, durante a campanha ao lado de Tião Couto à Prefeitura de Mossoró. Agora estou retornando com muita honra e assumirei novamente a presidência do partido”, declarou.

O engenheiro também ressaltou que volta ao PL em um novo contexto político, desta vez representando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no município. “É uma responsabilidade grande, mas que assumo com disposição de contribuir com o fortalecimento do partido e com o debate político no Rio Grande do Norte”, afirmou.

Até agora, o partido é comandando pelo farmacêutico-bioquímico Genivan Vale, ex-vereador e ex-candidato a prefeito de Mossoró na eleição de 2024.

Retrospecto 

Nome vitorioso na atividade empresarial, na construção civil, Rosário não tem bom retrospecto na política, onde os resultados são diametralmente opostos. Em 2016, foi candidato a vice-prefeito de Tião Couto, com chapa derrotada por Rosalba Ciarlini (PP)-Nayara Gadelha (PP).

Em 2018, na primeira tentativa à Assembleia Legislativa do RN (ALRN), não vingou.

Já em 2020, a adversária de 2016 o cooptou para vice. De novo, não deu certo. Rosalba e ele foram derrotados pelo deputado estadual Allyson Bezerra (SDD).

Nas eleições de 2022, outra frustração: No Avante, que assumiu, Jorge do Rosário não prosperou à ALRN pela segunda vez consecutiva. E apoiou a reeleição da governadora Fátima Bezerra (PT).

Ano passado, ele articulou nominata à vereança do Avante, porém a sigla não elegeu qualquer nome.

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Patriotismo reacionário não é nacionalismo

Por Christian Lynch

Foto ilustrativa de Nelson Almeida da AFP
Foto ilustrativa de Nelson Almeida da AFP

Na longa duração, nota-se uma tendência irreversível à integração pela mundialização e à democratização das relações entre países e no interior de cada um — formas políticas cada vez mais livres e igualitárias. À ordem de impérios e colônias sucederam os Estados-nação; às autocracias, as democracias liberais. O processo, porém, não é linear. Alterna fases de expansão — globalização, animada por ideologias cosmopolitas e idealistas — e de retração — desglobalização, guiada por ideologias particularistas e “realistas”. Renascimento, Iluminismo, Belle Époque e pós-Guerra Fria foram fases de expansão; Contrarreforma, Restauração e o “curto século 20” (1914-1989), de retração.

Nos últimos dez anos consolidou-se novo ciclo de desglobalização, conduzido por setores outrora dominantes que se julgam prejudicados pelo nivelamento anterior. No plano internacional, querem conter novas potências; no doméstico, frear grupos historicamente subalternizados. É nesse cenário que florescem ideologias nacionalistas nos EUA e na Europa, potências que se percebem em declínio. A extrema direita recorre a revisionismos históricos para reabilitar hierarquias étnicas, culturais e religiosas — a chamada “guerra cultural”.

Esses movimentos, contudo, variam conforme o contexto. Nos EUA, fala-se em “nacionalismo cristão”: projeto de restauração da glória nacional, que legitima governos de exceção e políticas imperialistas agressivas, sustentado na mística do Destino Manifesto. Parte da ideia de que a decadência decorreu do abandono da matriz europeia, cristã e empresarial que, no século 19, fez do país uma superpotência, substituída no pós-guerra por políticas cosmopolitas voltadas a negros, mulheres e hispânicos. A solução seria restaurar antigas hierarquias.

Esse nacionalismo integra a chamada Internacional Facho-Reacionária, que articula governos e militantes autoritários — de Netanyahu e Orbán a Milei e Bolsonaro. Ao mesmo tempo, a violência do imperialismo norte-americano desperta resistências que também se expressam em nacionalismos.

No Brasil, dizer que o lulismo arrebatou a bandeira nacionalista da extrema direita é erro. O patriotismo bolsonarista nunca foi nacionalista e, até onde eu saiba, nunca reivindicou esta condição, nem esta palavra. Disseram-se sempre “patriotas”, e com razão.

Nacionalismo quer dizer valorização da nação como expressão de uma entidade nacional singular por suas características culturais. Mas ele se apresenta de forma diversa nos países cêntricos e nos países periféricos. Nestes últimos, o nacionalismo não se apresenta na forma de uma mística de superioridade cultural, nem como tradução no exterior de uma política imperialista. Ao contrário, nacionalismo se apresenta tradicionalmente como uma reação voltada para garantir a sobrevivência da nacionalidade num contexto de agressão do imperialismo estrangeiro.

Nada melhor do que recorrer aqui àquele que pode ser considerado o pai do nacionalismo brasileiro, Alberto Torres. O patriotismo era definido por ele em 1914 como o sentimento de solidariedade entre os brasileiros, o elo afetivo que ligava as pessoas numa história comum. O nacionalismo era o passo seguinte: transformar esse sentimento em programa de ação, disciplinando a sociedade, fortalecendo as instituições, protegendo a economia e conservando as riquezas naturais. Em Torres, portanto, patriotismo e nacionalismo não se opõem — complementam-se. O primeiro é sentimento; o segundo, doutrina prática. O sentimento patriótico leva ao nacionalismo, movimento político que põe a nação acima de tudo. É neste sentido que falam os nacionalistas brasileiros, quando se referem inclusive ao que querem dizer por patriotismo.

Pergunta-se : é possível falar em nacionalismo cristão?

Em regra, não. Trata-se de um oxímoro, ou seja, uma junção de palavras cujos significados são contraditórios. Um nacionalismo cristão seria aquele que consagraria o cristianismo como a característica suprema da cultura nacional, devendo seus mandamentos prevalecer na tomada de toda e qualquer decisão política. A política fica assim sujeita à sanção última de autoridades religiosas e não daquelas representativas da particularidade da nação. E o cristianismo é, por definição, universalista, porque foi Deus que criou o universo e incumbiu depois sua igreja, centralizada no Vaticano e tendo o papa como seu representante supremo, de preservar a integridade da ordem por Ele criada. É por isso que em regra não se pode falar de nacionalismo cristão, porque o cristianismo é universalista e o nacionalismo, por óbvio, não.

Há, porém, duas exceções possíveis. A primeira é a Itália, que pode falar em nacionalismo cristão, ao menos de matriz católica, porque o Vaticano fica dentro do seu território, em Roma. Da mesma forma, pode-se falar de nacionalismo cristão nos Estados Unidos, potência cuja matriz religiosa é originariamente protestante. Suas autoridades eclesiásticas supremas estão dentro do país, e os católicos que o seguem não reconhecem a autoridade papal desde que a Igreja deixou de ser reacionária na década de 1960. Principal potência mundial, a autoridade religiosa última dos reacionários norte-americanos está hoje reunida naquela de seu atual chefe de Estado: Donald Trump. Trump é o chefe da Internacional Reacionária, que faz hoje as vezes de uma igreja ou congregação universal, da qual figura como papa. Não à toa, por ocasião da eleição do papa Leão XIV, Trump se fez apresentar em suas redes sociais paramentado como sumo pontífice em seu lugar.

O presidente dos Estados Unidos, para os reacionários, é ao mesmo tempo autoridade religiosa máxima do mundo. Por isso mesmo, no resto do mundo, não se pode falar em nacionalismo cristão. Os reacionários brasileiros não podem ser “nacionalistas”, porque colocam a religião e, por extensão, a autoridade da igreja acima da nação e das autoridades seculares que representam.

E a autoridade suprema da igreja, como centro decisório último da política legítima, está fora do território nacional, assentado na Casa Branca. Como universalistas, porém, os reacionários podem ser “patriotas”, exigindo como pressuposto de patriotismo, porém, que seu amor ao Brasil decorra primariamente de seu pertencimento ao cristianismo.

Não por acaso, um dos mais célebres doutrinários reacionários do século 20 brasileiro, Gustavo Corção, foi um crítico virulento do nacionalismo, tal como entendido por Alberto Torres. O patriotismo exigia que a pátria fosse cristã, e cristãos os cidadãos da pátria. O nacionalista era um vicioso, que não amava a pátria real, mas uma invenção abstrata do que a pátria deveria ser. Idolatrava uma pátria futura e se fechava à justiça universal de Cristo, cujo supremo guardião era o papa assentado no Vaticano. O patriotismo, ao contrário, era uma virtude moral, prolongamento do amor e reverência à autoridade do pai de família e de fidelidade ao passado, baseado em uma ordem supostamente natural representada pela família, pela paróquia, pelas instituições corporativas municipais. Dispensável acrescentar que Corção foi um dos maiores entusiastas do golpe militar de 1964.

Daí por que o patriotismo bolsonarista, orientado por um universalismo periférico reacionário, não é nacionalista, mas universalista de tipo entreguista, não tendo qualquer escrúpulo em recorrer à intervenção estrangeira para garantir que o Brasil seja governado de acordo com os princípios divinos do nacionalismo cristão… dos norte-americanos. Assim como, para os reacionários do passado, não era demérito nenhum que o Brasil fosse uma província de Roma, com o papa dando as ordens na nossa política interna, para os reacionários de hoje, também não é nenhum demérito ser satélite ou província dos EUA, como são o Panamá ou Porto Rico.

É desse barro que é feito o tal patriotismo da extrema direita brasileira.

Christian Lynch é cientista político, editor da revista Insight Inteligência e professor do IESP-UERJ

“A salvação da pátria amada” ganha o Prêmio Jabuti Acadêmico

Capa do livro vencedor (Reprodução do BCS)
Capa do livro vencedor (Reprodução do BCS)

A obra “A Salvação da Pátria Amada – religião e extrema direita no Brasil,” da Paulus Editora, foi consagrada como a vencedora da 2ª edição do Prêmio Jabuti Acadêmico na categoria Ciências da Religião e Teologia. Promovido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), a cerimônia de premiação aconteceu na terça-feira, 5 de agosto, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo-SP.

Para os organizadores do título, João Décio Passos e Wagner Lopes Sanchez, esta obra ser escolhida como a grande vencedora do Prêmio Jabuti Acadêmico 2025 “representa o reconhecimento do esforço individual de trabalho, a relevância do estudo sobre religião e política na conjuntura atual, importância da pesquisa feita em grupo na Universidade e a relevância da Ciência da Religião no conjunto das ciências humanas”.

Sobre a obra

Este livro, resultado de dois Ciclos de Debates sobre Religião e Extrema Direita no Brasil, tem como objetivo analisar as relações entre religião e poder político no Brasil, desde o governo de Vargas até os anos mais recentes, com a chegada da extrema direita bolsonarista, bem como examinar o impacto do governo de extrema direita instalado em 2019 sobre alguns segmentos da sociedade brasileira.

Os diversos textos reunidos no livro pretendem contribuir com o debate sobre as raízes e características da articulação da religião e da extrema direita, com o intuito de ajudar a compreender com mais clareza os desafios que temos pela frente na sociedade brasileira.

Adquira o livro AQUI.

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Filhos de Bolsonaro lideram pressão contra governo e parlamento

Parlamentares ocuparam mesa diretora e impediram sessão (Foto: Saulo Cruz/Agência Senado)
Parlamentares ocuparam mesa diretora e impediram sessão (Foto: Saulo Cruz/Agência Senado)

Do Canal Meio e outras fontes

Os parlamentares da oposição amotinados e que exigem pauta no Congresso Nacional pela anistia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), impeachment do ministro Alexandre de Moraes e PEC do fim do foro privilegiado (veja AQUI) são liderados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Nessa terça-feira (05) eles paralisaram Câmara dos Deputados e Senado e o tom foi de ameaça.

Flávio afirmou que os protestos só terminariam se as duas casas aceitarem pautar o que ele batizou de “pacote da paz”, com o objetivo de “abrandar” as relações entre os três Poderes da República. (Estadão)

Dos Estados Unidos, o filho 03, Eduardo Bolsonaro deputado federal pelo PL de São Paulo, disse à jornalista Bela Megale que segue trabalhando para que Donald Trump imponha mais sanções ao Brasil e afirmou que, ao não pautar o impeachment de Moraes e a anistia, Alcolumbre e Motta “estão no radar” do governo americano. “Ou tenho 100% de vitória, ou 100% de derrota. Ou saio vitorioso e volto a ter uma atividade política no Brasil, ou vou viver aqui décadas em exílio.” (Globo)

O Planalto recomendou cautela aos integrantes do governo nos comentários e publicações sobre a prisão de Bolsonaro. O esforço para baixar a temperatura tem sido capitaneado pelo secretário de Comunicação da Presidência, Sidônio Palmeira, que nesta terça-feira conversou com figuras-chave do governo. O objetivo é não reforçar a narrativa de que Bolsonaro é vítima de um processo de perseguição política — como acusa o governo americano. Lula seguiu o conselho de Sidônio e, em um evento em Brasília, se recusou a falar sobre Bolsonaro. (Folha)

STF em instabilidade interna

Malu Gaspar: “Integrantes do Centrão e do bolsonarismo acreditam que o relaxamento das medidas impostas a Marcos Do Val pode ser a senha de que os parlamentares precisam para distensionar o ambiente no Congresso e permitir a retomada dos trabalhos no Legislativo”. (Globo)

A colunista da Folha Mônica Bergamo, relata que a decisão de Moraes de prender Bolsonaro irritou alguns ministros do STF, que acreditam que a ação enfraquece o Supremo em um momento em que a Corte está sob ataque. Para eles, há a possibilidade de Moraes reverter a prisão domiciliar. (Folha)

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Duelo de informações, versões e opiniões dá vantagem à direita

Arte ilustrativa
Arte ilustrativa

Um estudo mostra que os bolsonaristas dominaram as interações nas redes sociais sobre a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) – veja AQUIAQUI, dobrando a participação da esquerda.

Há poucos dias, o advogado de esquerda e amigo do presidente Lula (PT), Antônio Carlos de Almeida Castro, o “Kakay”, já alertava que era notório o banho da direita sobre a esquerda nesse ambiente e também em mobilizações de rua.

Leia tambémAdvogado amigo de Lula diz que ele “não faz política; está isolado”

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Outro aspecto dessa controvérsia em torno da denúncias da PGR, é o posicionamento do bolsonarismo:  gerou reações divididas entre seus aliados. Enquanto alguns mantêm o silêncio, outros tentam se posicionar de olho no cenário eleitoral de 2026.

PT e PL elegem mais prefeitos do que em 2020, mas centro se sobressai

Arte ilustrativa do Poder 360
Arte ilustrativa do Poder 360

Por Tiago Mali (Do Poder 360)

O grupo de 3.123 cidades que deu vitória a Lula no 2º turno de 2022 elegeu no domingo (6.out) só 217 prefeitos do PT nas eleições municipais de 2024. Ou seja, o partido do presidente conseguiu conquistar a prefeitura de só 7% dos municípios que votaram majoritariamente no petista nas últimas eleições gerais. Fica em 7º lugar no ranking de prefeitos das cidades “lulistas”.

Apesar disso, o resultado do 1º turno (248 prefeitos em todo o Brasil) já representa um avanço em relação a 2020, quando havia conquistado só 182 cidades, o pior número em duas décadas. Os partidos que têm ministérios no governo se saíram melhor. PSD, MDB, PP, União Brasil e Republicanos lideram o número de prefeituras conquistadas nessas cidades.

O crescimento do PL nestas eleições se deu majoritariamente nas 2.445 cidades em que o ex-presidente Jair Bolsonaro venceu no 2º turno há 2 anos. A sigla conquistou 377 desses municípios. É mais do que havia conquistado no Brasil todo em 2020.

Os partidos de centro foram os mais vitoriosos nestas eleições. A maioria teve desempenho levemente superior nas cidades mais alinhadas a Bolsonaro, mas também foram bem nas alinhadas com Lula.

Arte do Poder 360
Arte do Poder 360

Eis 3 destaques sobre a eficiência dos partidos em municípios que se alinharam mais a Lula ou Bolsonaro em 2022:

PP – tem 15,6% dos municípios “bolsonaristas” contra 12% dos “lulistas”. Em número absoluto, porém, detém praticamente a mesma quantidade de prefeituras de cada lado (375 X 373, respectivamente);

Republicanos – o partido conservador vai melhor nas cidades que deram vitória a Lula. São 267 prefeituras conquistadas nesse grupo ante 169 dentre as cidades que votam mais no Bolsonaro;

PT e PL – das 248 prefeituras petistas, 217 (ou 88%) vieram das cidades mais “lulistas”. Do lado oposto, 377 das 512 conquistas do PL (74%) vieram dos municípios mais alinhados a Bolsonaro.

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Veja íntegra dessa matéria especial AQUI.

Bolsonarismo leva vantagem sobre lulismo em grandes municípios

Nacionalização de discurso interessa aos dois lados; um se alimenta do outro (Montagem de Brenda Silva)
Polarização nos grandes colégios mantém Lula e Bolsonaro duelando (Montagem de Brenda Silva)

A informação é do jornal Folha de São Paulo: Há mais candidatos apoiados por Jair Bolsonaro (PL) na liderança dos 103 maiores municípios do país — com mais de 200 mil eleitores — do que aliados do presidente Lula (PT).

Bolsonaristas estão em primeiro lugar em pesquisas em 23 desses municípios, sendo em 11 deles de forma isolada. Já os preferidos de Lula lideram em 16 cidades, sendo cinco isoladamente.

A vantagem de Bolsonaro se dá mesmo com o petista apoiando 81 postulantes, 17 a mais que o ex-presidente.

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Cargos de ex-apoiadora de Fátima Bezerra são cobiçados

Arte ilustrativa (Portal pos)
Arte ilustrativa (Portal pos)

Cargos que a ex-prefeita Rosalba Ciarlini (PP) tem no Governo do Estado estão sendo cobiçados. Com razão. Aliada governista ela não é mais.

Rosalba estava aliada de Fátima Bezerra (PT) desde o fim do primeiro turno da campanha de 2022, quando foi anunciada como apoiadora à reeleição dela, quando faltavam dez dias para o pleito (veja AQUI). Mas há poucos dias, se bandeou de novo pro bolsonarismo, tendência que adotou na eleição presidencial de 2018.

A ex-prefeita resolveu apoiar o ex-vereador Genivan Vale (PL) à Prefeitura de Mossoró este ano, descartando seguir Fátima na disputa paroquial (veja AQUI).

Em Mossoró, a governadora e seu partido têm o atual presidente da Câmara Municipal, Lawrence Amorim (PSDB), como candidato à sucessão do prefeito Allyson Bezerra (UB).

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Chapa bolsonarista vai estrear na casa do rosalbismo

Genivan recebeu anúncio de apoio de Rosalba no domingo (Foto: Carlos Costa)
Genivan recebeu anúncio de apoio de Rosalba no domingo (Foto: Carlos Costa)

A chapa Genivan Vale (PL)-Nayara Gadelha (PL) vai estrear reunião política na casa do rosalbismo.

Será segunda-feira (12), às 19 horas.

Os candidatos a prefeito e vice do bolsonarismo serão recepcionados pela ex-prefeita Rosalba Ciarlini (PP) no Sítio Cantópolis, zona central de Mossoró, endereço residencial e de encontros políticos do seu grupo desde os anos 80.

Rosalba anunciou apoio a Genivan e a Nayara (sua ex-vice-prefeita no período 2017-2020) no domingo (04), durante convenção partidária do seu partido (veja AQUI).

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Lula ataca presidente do BC e diz não aceitar volta do bolsonarismo

Lula diz que "fascistas" e "trogloditas" do bolsonarismo não voltarão (Foto: O Globo)
Lula diz que “fascistas” e “trogloditas” do bolsonarismo não voltarão (Foto: O Globo)

Do Canal Meio e outras fontes

Em dia de reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM) e véspera de decisão sobre os juros, o presidente Lula voltou a atacar o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Em entrevista à CBN, afirmou que o economista “não tem nenhuma capacidade de autonomia, tem lado político e trabalha muito mais para prejudicar o país”.

Lula citou o jantar do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em homenagem ao presidente da autarquia, dizendo que o ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL) tem mais influência nas decisões de Campos Neto do que ele, como presidente da República.

Ele também afirmou que não permitirá que “um fascista” e “trogloditas” voltem a governar o país. Disse que não quer discutir a reeleição de 2026, que “tem muita gente boa para ser candidato”, mas, “se for necessário”, disputará a eleição. “Pode ficar certo que meus 80 anos virarão 40. Mas não é a primeira hipótese.”

Inflação

A inflação, segundo Lula, está totalmente controlada e o Brasil tem alta de empregos. “Nós só temos uma coisa desajustada no Brasil neste instante: o comportamento do BC”, disparou. Sobre a provável manutenção da Selic em 10,5% ao ano, Lula disse que o país não precisa disso. E em alusão ao convite que Tarcísio teria feito para que Campos Neto seja seu ministro da Fazenda, em caso de vitória na eleição de 2026, Lula indagou se o presidente do BC “está disposto a fazer o mesmo papel que Moro fez, paladino da justiça com rabo preso com compromissos políticos”. (CBN)

Tarcísio de Freitas disse a interlocutores que os juros altos “obviamente” atrapalham a administração do estado, mas afirmou que não vai rebater Lula publicamente, conta Raquel Landim. Na visão de Tarcísio, a queda dos juros tem que vir acompanhada de responsabilidade fiscal e não dá para “cortar os juros na marra, como aconteceu na época do governo Dilma”. (UOL)

PT escolhe Lawrence a prefeito, poupa bolsonarismo e ataca Allyson

Isolda, militantes e filiados treinam apoio fazendo o "L" de Lawrence (Foto: divulgação)
Isolda, militantes e filiados treinam apoio fazendo o “L” de Lawrence (Foto: divulgação)

Como estava decidido há vários meses, mas sendo protelado até aqui, a presidente local do PT e deputada estadual Isolda Dantas (PT) informou: não será novamente candidata à Prefeitura de Mossoró. Em plenária bastante tensa do PT ocorrida à manhã deste sábado (15), no Hotel VillaOeste, foi anunciado apoio partidário ao pré-candidato Lawrence Amorim (PSDB).

Sobre a plenária e suas deliberações, o PT de Mossoró informou em comunicado oficial que vai pleitear espaço como vice na chapa de Lawrence Amorim (atual presidente da Câmara Municipal), o que não está garantido. Porém, defende de antemão a montagem de uma Frente Ampla de oposição.

Na mesma nota, poupou a pré-candidatura bolsonarista do ex-vereador Genivan Vale (PL) e atacou o prefeito Allyson Bezerra (UB), descrito como a cara da “nova extrema-direita e contrário aos interesses da classe trabalhadora e à transformação liderada pelo presidente Lula (PT), governadora Fátima Bezerra (PT) e o PT.”

Para o partido, a campanha é contra o prefeito “responsável pela precarização dos direitos dos servidores, desmonte das políticas culturais, descaso com a saúde da população, abandono dos bairros periféricos, enfraquecimento das instâncias democráticas e participação social do município”.

Logo após a reunião partidária, militantes e filiados favoráveis à escolha posaram para fotos. Todos formaram com os dedos indicador e polegar a letra “L”, alusão a Lawrence Amorim.

Depois traremos mais detalhes dos bastidores, com informações exclusivas.

Leia tambémNas mãos de Isolda, PT some da sucessão mossoroense;

Leia também: Lawrence “pinga” no grupo de Fátima Bezerra e Isolda;

Leia tambémPT deve ser descartado até mesmo como vice;

Leia tambémPT admite ‘terceirização’ de candidatura temendo vexame (07 de novembro de 2023).

Chapa ‘puro sangue’ pode ser solução para bolsonarismo

Arte ilustrativa de Inteligência Artificial - BCS
Arte ilustrativa de Inteligência Artificial – Web

Sem conseguir um nome a vice que possa ser representativo e reforce chapa majoritária, o PL mossoroense pode terminar montando chapa ‘puro sangue’ à prefeitura.

Até o momento, não houve sucesso algum nas tentativas de escolha do companheiro do pré-candidato a prefeito Genivan Vale (PL).

O sonho do bolsonarismo era contar com algum representante do rosalbismo, mas aos poucos esse grupo foi-se esquivando.

Plano B chegou a ser o escorregadio vereador e líder oposicionista na Câmara Municipal, Tony Fernandes (Avante). Esse também saiu serpenteando para longe.

Ô luta medonha!

Pré-candidato, Lawrence quer juntar Isolda, Rosalba e bolsonarismo

Anunciado oficialmente como pré-candidato a prefeito de Mossoró nesta sexta-feira (10), o presidente da Câmara Muncipal, Lawrence Amorim (PSDB), não quer perder tempo. Já tem como uma de suas metas, articular palanque com o PT da deputada estadual Isolda Dantas, a ex-prefeita Rosalba Ciarlini (PP) e o bolsonarismo.

Segundo Amorim declarou ao Blog Thaísa Galvão, todos os adversários da gestão do prefeito Allyson Bezerra (UB) vão ser contactados para montagem de plataforma conjunta de oposição, mesmo aqueles já com pré-candidaturas lançadas, como é o caso do PL, com o nome do ex-vereador Genivan Vale.

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Subiu ao telhado o apoio “certo” do rosalbismo ao bolsonarismo

Índio, Apache, Sioux, Cheyenne, Comanche, Cherokee, Navajo - ouvido ao chãoSubiu ao telhado o apoio “certo” da ex-prefeita Rosalba Ciarlini (PP) à pré-candidatura a prefeito de Mossoró do ex-vereador Genivan Vale (PL).

Vai ser difícil descer de lá.

Astuto, o rosalbismo moeu até aqui o embarque no palanque bolsonarista, numa negociação com nuances impublicáveis.

Paralelamente, nunca fechou a porta a outras possibilidades.

Ouvido ao chão como bom índio Sioux, Apache, Cherokee, Comanche, Navajo ou Cheyenne.

Lawrence “se afastou agora dia 1º” do prefeito, anuncia Genivan Vale

Em entrevista ao programa “Jornal da Noite” da 96 FM de Natal, nessa segunda-feira (6), o pré-candidato bolsonarista a prefeito de Mossoró, ex-vereador Genivan Vale (PL), afirmou que o presidente da Câmara Municipal de Mossoró, Lawrence Amorim (PSDB), não faz mais parte do governismo municipal:

– “O presidente da Câmara (…) se afastou agora dia 1º, comunicou que está se afastando do prefeito.”

As costuras políticas que ocorrem desde ano passado devem levar Amorim não apenas pro palanque do PL, mas à composição de chapa majoritária.

Genivan Vale e Lawrence Amorim travavam há tempos uma luta silenciosa para lugar de vice do prefeito Allyson Bezerra (UB). Nenhum dos dois prosperou.

O palanque oposicionista que se forma deverá contar ainda com Tião Couto (PL), ex-candidato a prefeito; Jorge do Rosário (Avante), ex-candidato a vice-prefeito do próprio Tião, além de vice também da ex-prefeita Rosalba Ciarlini (PP).

Nos últimos dias, a propósito, a “Rosa” estreitou contatos do seu grupo com Genivan e com o próprio Lawrence, para apressar essa ruptura entre o vereador e o prefeito que a derrotou em 2020, na chapa com Jorge do Rosário. Vão formar uma ampla frente para a campanha municipal, mas ela não será candidata à prefeitura ou vice.

O canto da sereia e Ulisses no semiárido mossoroense

Pintura "Ulisses e as Sereias" de Herbert James Draper - 1909 (Reprodução)
Pintura “Ulisses e as Sereias” de Herbert James Draper – 1909 (Reprodução)

Conselho ao pé do ouvido, que o presidente estadual do PSDB e da Assembleia Legislativa, deputado Ezequiel Ferreira, passou a um neoaliado mossoroense que há meses ouve o canto da sereia do bolsonarismo, na voz quase inaudível, em sussurros e inconfundível, do senador Rogério Marinho (PL):

– Tenha cuidado. Ele só está pensando nos próprios interesses.

E emendou: “Em 2022, Rogério queria que eu fosse o candidato a governador dele, só para ter um palanque…”

Pelo visto, nosso Ulisses do semiárido não entendeu ainda ou não leu a Odisseia de Homero, em especial no seu Capítulo XII.

Alguém vai precisar desenhar, Ezequielzinho.

Quem começa?

Você ou eu, presidente?

Está por pouco o apoio de Rosalba ao nome bolsonarista a prefeito

Rosalba abraça o 'mito' Bolsonaro, dia 21 de agosto de 2020, em Mossoró (Foto: arquivo)
Rosalba abraça Bolsonaro, dia 21 de agosto de 2020, em Mossoró, quando ainda era prefeita (Foto: arquivo)

Está por pouco, peinha de nada, o apoio da ex-prefeita Rosalba Ciarlini (PP) à pré-candidatura bolsonarista à Prefeitura de Mossoró.

Tratativas seguem e podem fazê-la embarcar no palanque do pré-candidato Genivan Vale (PL).

A ex-prefeita esperava anunciar em janeiro sua pré-candidatura à municipalidade. Porém, não decolou.

Houve costura para ser a candidata da governadora Fátima Bezerra e do PT.

Teve a crença de que uniria a oposição contra o prefeito Allyson Bezerra (UB), vitorioso contra ela em 2020.

Não fechou entendimento com o petismo e a ideia de candidatura única pelo oposicionismo fracassou.

O Plano B, ou C, é ser cabo eleitoral do bolsonarismo, com quem seu grupo esteve nas campanhas de 2018 e 2022. Portanto, afinidade não falta.

Tratativas seguem.

Aí são outros quinhentos, fala a sabedoria sertaneja.