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O que aprendemos com a prisão de Collor de Mello

Por Rafael Mafei (Especial para a revista Piauí)

Collor de Mello sofreu processo de impeachment (Foto: Paulo Fridman/Sygma via Getty Images)
Collor de Mello sofreu processo de impeachment (Foto: Paulo Fridman/Sygma via Getty Images)

“Eu vim para enterrar César, não para louvá-lo”, diz o general Marco Antonio na peça Júlio César, de Shakespeare. A famosa citação foi relembrada por Fernando Collor de Mello em 15 de março de 2007, quando ele assumiu o mandato de senador por Alagoas e pôs fim a quinze anos de ostracismo. No plenário do Senado, o ex-presidente discursou por três horas e meia, defendendo sua versão dos fatos que levaram ao processo de impeachment contra ele. Falou sobre “a tortura, a angústia e o sofrimento” que enfrentara. A citação a Shakespeare fechou o solilóquio. “Eu vim para sepultar, com a permissão de vossas excelências, essa dolorosa lembrança.”

Na sexta-feira (25 de abril), Collor deixou a superintendência da Polícia Federal em Maceió rumo ao presídio Baldomero Cavalcanti de Oliveira. Muito mais do que em 2007, parece que só agora foi sepultada a dolorosa lembrança de sua presidência e dos primeiros tropeços da Nova República, que, como sabemos, não foram poucos.

Collor foi um dos muitos políticos que souberam surfar habilmente a transição da ditadura para a democracia. Começou a carreira à sombra do pai, Arnon, que foi suplente de deputado federal, governador e senador por Alagoas. Em quase trinta anos de vida pública, Arnon acumulou não apenas influência política na Arena, partido de sustentação da ditadura pelo qual seu filho Collor militou a partir dos anos 1960, mas também outras vantagens que costumavam beneficiar políticos e empresários alinhados ao regime, como concessões públicas de rádio e televisão.

Arnon não viveu para testemunhar como os conflitos pelo controle dessas empresas de mídia levaram seu filho caçula, Pedro, a fazer denúncias públicas que desaguaram no processo de impeachment contra seu primogênito. Até esse dia chegar, Collor viveu uma ascensão veloz na política, disfarçando com jovialidade o atraso e o conservadorismo que representava. O ex-presidente fez o país acreditar que ele era em tudo diferente, e melhor, do que os políticos brasilienses – mesmo daqueles que, ao contrário dele, haviam lutado pela democracia e pagado o duro preço de ser oposição à ditadura.

Ulysses Guimarães, patrono da Constituição, cheirava a naftalina perto do presidente que fazia jogging e pilotava um veículo aquático chamado jet ski, que àquela altura a maioria dos brasileiros sequer conhecia. No primeiro turno da eleição de 1989, o candidato que chegara à corrida presidencial como um desconhecido ex-prefeito de Maceió e ex-governador de Alagoas teve quase sete vezes mais votos do que Ulysses. No segundo turno, com ajuda de uma cobertura de imprensa enviesada em seu favor, superou Lula por 4 milhões de votos.

Na presidência, Collor foi em alguns sentidos pioneiro. Muito antes de Donald Trump e Steve Bannon adotarem a estratégia de choque e espanto (shock and awe), que consiste em despejar um sem número de políticas que desorientam oposição e imprensa, o mandatário alagoano tomou posse prometendo medidas que deixariam “a esquerda perplexa e a direita indignada”. Promessa cumprida. No primeiro dia do mandato, em março de 1990, Collor editou 22 medidas provisórias e nove decretos, implementando, entre outras coisas, o mais radical plano econômico da história do Brasil. O fracasso retumbante desse plano colaborou depois para sua derrocada.

Mas o maior legado que Collor deixou para nós foi, com alguma ironia, seu impeachment. Tratava-se de um processo pioneiro não só no Brasil, mas na América Latina. Inaugurou-se ali um mecanismo político que, como apontou o cientista político argentino Aníbal Pérez-Liñán, se tornou a nova face da instabilidade política no continente. A interrupção de mandatos presidenciais por atos legislativos substituiu os métodos violentos de outrora, como assassinatos e golpes militares.

O processo contra Collor não foi conduzido sobre bases frágeis e falsos pretextos, como ocorreu com Dilma Rousseff. Tampouco foi um episódio que enfraqueceu um partido importante do sistema político brasileiro, nem deixou traumas e ressentimentos sociais duradouros. Sabendo que a condenação e o afastamento de Collor eram questão de tempo, as autoridades encarregadas, principalmente o Supremo Tribunal Federal – naquela época um tribunal contido, composto por ministros desconhecidos do grande público e unanimemente respeitados na comunidade jurídica –, definiram rapidamente os ritos do processo na Câmara e no Senado, conferindo clareza e segurança jurídica para o deslinde da ação. Com exceção de algumas pequenas alterações definidas muitos anos depois, o rito fixado no caso Collor ainda hoje rege os processos de impeachment presidencial no Brasil.

Entre essas regras está o que chamamos de independência de instâncias, segundo a qual o processo no Senado não se confunde, nem depende, de processos paralelos que corram em outros foros. Por essa razão, Collor pôde, sem contradição, sofrer impeachment e ser absolvido no processo criminal ao qual respondeu no Supremo.

O ex-presidente era acusado de usar contas fantasmas para receber milhões de dólares de Paulo César Farias, o PC, figura obscura que trabalhou como tesoureiro na campanha presidencial de Collor. Documentos e testemunhas apontavam que as tramoias de PC beneficiaram diretamente o ex-presidente, inclusive com pagamentos de despesas pessoais de sua casa. No julgamento político, no Senado, Collor foi condenado e perdeu o mandato: além das vantagens financeiras comprovadas (que, a bem da verdade, eram insignificantes comparadas à sua fortuna familiar), pesou contra o presidente a indignidade trazida para o cargo – não apenas por Collor ter feito de um trambiqueiro como PC Farias a figura central dos negócios da República, mas também por seu comportamento errático durante a crise.

A cada nova descoberta incriminadora, Collor fornecia explicações que eram logo desmentidas por documentos ou testemunhas, fazendo-se parecer dissimulado e indecoroso.

O escândalo, depois disso, teve desdobramentos criminais. Collor teve de responder no STF, com outros oito réus, a uma ação penal por três imputações de corrupção passiva. Numa época em que o Brasil sequer tinha uma legislação sobre interceptações telefônicas, parte das provas colhidas contra o ex-presidente foi anulada. O Supremo entendeu que a gravação de uma conversa usada contra Collor fora obtida ilegalmente, assim como os registros da memória de computadores.

Os ministros também concluíram não haver prova de que, por meio de um ato presidencial, Collor havia compensado as vantagens recebidas. Essas considerações, que resultaram na absolvição de Collor, dificilmente teriam lugar no STF atual, pois mudaram tanto as leis quanto a disposição do Judiciário para usar o direito penal contra próceres do sistema político.

A condenação que levou Collor à prisão na semana passada nada teve a ver com os fatos que levaram ao seu afastamento da presidência. Foi, em vez disso, um desdobramento das grandes operações de combate à corrupção, que atingiram em cheio o alto empresariado e a política brasileiro nos anos 2010. Esse capítulo da Nova República deve muito à Constituinte de 1985, que deu poderes e independência inéditos ao Ministério Público. Deve também ao desenvolvimento de outros órgãos de investigação e controle, sobretudo os que monitoram transações financeiras.

Quase nada disso existia quando Collor escapou de sua primeira acusação criminal por corrupção. Desta vez foi diferente. Provas documentais de repasses feitos ao ex-presidente foram encontrados em posse do doleiro Alberto Youssef. Comprovou-se, além disso, que o senador atuou para garantir contratos ilegais junto à BR Distribuidora. A condenação por lavagem de dinheiro, que ajudou a levar Collor à cadeia, foi embasada em uma lei que sequer existia nos tempos de PC Farias.

Outra diferença fundamental entre esses dois momentos históricos é que, de uns anos para cá, a Justiça brasileira conheceu as alegrias e tristezas de protagonizar grandes empreitadas anticorrupção. Um tribunal célebre pela maneira como se expõe publicamente, seja como instituição ou por iniciativa pessoal de seus ministros, percebeu que há louros a serem colhidos por uma performance pública de justiça – e poucas coisas geram tanto engajamento, para usar uma palavra da moda, quanto colocar na cadeia um político percebido por todos como um representante da linhagem “como pode esse cara nunca ter sido preso?”. O difícil, nessa arte, é saber equilibrar o espetáculo da comunicação pública com as exigências jurídicas de um processo criminal legítimo, conduzido em obediência às regras do devido processo.

Neste caso, infelizmente para Collor, é difícil contestar o julgamento. Por ter corrido do começo ao fim no STF – já que o ex-presidente exerceu cargo de senador entre 2007 e 2023 e tinha foro privilegiado –, a ação penal contra ele não sofreu as mesmas máculas que prejudicaram os inquéritos da Lava Jato vindos de instâncias inferiores. Em maio de 2023, oito dos onze ministros do Supremo concluíram haver indícios robustos contra Collor, que foi condenado então a 8 anos e 10 meses de prisão.

Semiaberto

Seguiu-se uma série de recursos que terminaram na semana passada, quando o ministro relator do processo, Alexandre de Moraes, ordenou a prisão do ex-presidente. A decisão foi referendada pelo plenário na segunda-feira (28). Nessa quinta-feira, 1º maio, Moraes concedeu o regime semiaberto em caráter humanitário a Collor.

Eis uma importante lição que essa condenação nos deixa: nas ações que correm no STF do começo ao fim, a margem para questionamentos de natureza processual é consideravelmente menor. Questões de incompetência territorial, como as que anularam as ações contra Michel Temer na Justiça Federal do Rio de Janeiro, simplesmente não existem em casos assim. Mas não só isso: nesses processos, a autoridade que pode eventualmente reconhecer uma nulidade processual é a mesma que a causou – isto é, o próprio Supremo. Não há outra instância à qual recorrer, sobretudo em casos como o de Collor, que foi julgado diretamente no órgão máximo do tribunal, o Pleno.

A impossibilidade de recorrer é uma mitigação do direito de defesa que, há muitos anos, rende reclamações justas. Isso poderia ser atenuado por meio de reformas legislativas e regimentais, mas nem Congresso nem Supremo dão sinais de que tomarão providências. Não é bom agouro para Jair Bolsonaro.

Rafael Mafei é advogado e professor de Direito na USP e na ESPM. Publicou Como Remover um Presidente: Teoria, História e Prática do Impeachment no Brasil (Zahar)

STF condena Collor por corrupção e lavagem de dinheiro

O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, nesta quinta-feira (25), em Brasília, o ex-senador e ex-presidente Fernando Collor por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em um processo da Operação Lava Jato.

Brasília  - O senador Fernando Collor de Mello participa da sessão do Senado destinada a analisar e votar projetos orçamentários. Entre os projetos o PLN 5/15, que ajusta a meta fiscal (Valter Campanato/Agência Brasil)
Ex-senador Fernando Collor de Mello pode recorrer em liberdade (Valter Campanato/Agência Brasil)

Para o tribunal, como antigo dirigente do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Collor foi responsável por indicações políticas para a BR Distribuidora, empresa subsidiária da Petrobras, e recebeu R$ 20 milhões em vantagens indevidas em contratos da empresa.

Após seis sessões de julgamento, o placar da votação terminou oito votos a dois pela condenação. Os ministros prosseguem com o julgamento para definir a pena de Collor, que poderá recorrer em liberdade.

O relator do caso, ministro Edson Fachin, sugeriu pena de 33 anos e 10 meses de prisão para o ex-presidente. Dois ex-assessores também podem ser condenados no caso.

O STF julga uma ação penal aberta em agosto de 2017. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-presidente da República teria recebido pelo menos R$ 20 milhões de propina pela influência política na BR Distribuidora. Os crimes teriam ocorrido entre 2010 e 2014.

Com informações da Agência Brasil e outras fontes.

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Supremo forma maioria para condenar ex-presidente

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nessa quinta-feira (18) para condenar o ex-senador e ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL) por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa no âmbito da Operação Lava-Jato.

Collor: entrevista (Foto: arquivo)
Collor de Mello está sem mandato atualmente (Foto: arquivo)

O relator, Edson Fachin, sugeriu pena de 33 anos e dez meses de prisão, mas o apenamento só deve ser decidido após o julgamento de eventuais recursos. Collor é acusado de receber propina para facilitar negociações da BR Distribuidora (atual Vibra Energia) entre 2010 e 2014.

Votaram integralmente com Fachin, Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux e Cármen Lúcia. André Mendonça votou pela condenação, divergindo em dois pontos, e Kássio Nunes Marques absolveu Collor.

O julgamento será retomado na semana que vem com os votos de Gilmar Mendes, Dias Toffoli (que foi internado com covid-19) e da presidente Rosa Weber. (UOL)

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Ex-PTC, o “Agir 36” começa reformulação no Rio Grande do Norte

Fábio Bernardino e Anderson Bezerra: filiações em breve (Foto: divulgação)
Fábio Bernardino e Anderson Bezerra: filiações em breve (Foto: divulgação)

Em reunião com o subsecretário de estado do Distrito Federal e vice-presidente Nacional do AGIR 36, Fábio Bernardino, o Advogado Anderson Bezerra assumiu a presidência estadual do legenda no RN, nessa quarta-feira (3). O Agir 36 é presidido nacionalmente por Daniel Tourinho.

O AGIR 36 mudou de denominação. Era o Partido Trabalhista Cristão (PTC).

No estado, ele passará por grande reformulação, inclusive sendo modificadas todas as direções municipais. Também haverá campanha para filiação de novos filiados.

O partido realizou formalização em convenção da mudança em maio desse ano. Tinha sido criado em 1985. Foi formado com o nome de Partido da Juventude (PJ) e entre 1989 até 2000 chamou-se Partido da Reconstrução Nacional (PRN).

A sigla abrigou o ex-governador alagoano e atual senador Fernando Collor de Mello na campanha vitoriosa à presidência da República, em 1989.

Em 2018, o então PTC elegeu o ex-prefeito de Lajes Benes Leocádio como deputado federal. Porém, ele migrou para o Republicanos.

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Difusora entrevista outro ex-presidente em seus 70 anos

Collor: entrevista (Foto: arquivo)

Do Blog Toda Informação

No último dia 10, a rádio Difusora de Mossoró deu início a uma série de entrevistas com grandes nomes da política brasileira, em comemoração aos seus 70 anos de história.

O primeiro entrevistado foi o ex-presidente da República, Lula da Silva (PT).

Nessa terça-feira (21), às 9 horas, será a vez do senador pelo Estado de Alagoas, Fernando Collor de Mello (PROS-AL).

O senador será entrevistado pela equipe do Programa Politica em Debate, Paulo Linhares e Wellington Moraes, dentro do programa Super Manhã Difusora, apresentado por Haroldo Jácome.

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Crápula? Sempre tem um pior

Roberto Jefferson: outro presidente (Foto: Folhapress)

Por François Silvestre

Essa teoria recebe agora um recheio de confirmação. Pra quem achava que não haveria crápulas piores do que o time bolsonariano, dos filhotes e cúmplices, dos Queiroz, do ministraço de relações exteriores e do seu irmão siamês da educação e finalmente da namoradinha do Brasil, taí confirmado. Um crápula, que se escondia na penumbra do chiqueiro, disfarçando com a lama de porco a sua lama de vida, botou o focinho de fora.

Roberto Jefferson. O quadrilheiro, corrupto e ladrão confesso. Mamou e roubou do erário durantes décadas. Bajulou Brizola, foi baba-ovo oficial de Collor, paparicou Lula e dividiu com Zé Dirceu a liderança de uma quadrilha. Preso, depois tornozeleira eletrônica, prisão domiciliar. Ainda não terminou de cumprir a pena por corrupção. E só no Brasil, um bandido confesso, condenado, dirige um partido político.

Lembram quando ele disse a Zé Dirceu: “Zé, saia daí, para não sujar um inocente”. Quem ele chamava de inocente? O mesmo Lula, que hoje ele chama de ladrão. Mas naquela hora Lula ainda era presidente, e ele, cretino profissional, queria continuar mamando.

Pois bem. Nenhum dos crápulas citados antes consegue chegar ao nível de crapulice desse sacripanta consagrado. O rei dos pústulas.

Agora o governo se completa. Tem em Roberto Jefferson o porta-voz de Bolsonaro junto ao Congresso. Será que ainda tem um pior?… Deus nos salve!

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Rosalbismo tem regras próprias para manter adversários longe

O primeiro Torneio de Tapa na Cara para homens da Rússia aconteceu em Krasnoyarsk, na gélida Sibéria, logo após o fim dos Jogos de Universitários de Inverno, em março deste ano.

O vencedor, com 168k, foi Vasily Kamotsky (essa figura rotunda da foto abaixo, frações de segundo antes de derrubar o oponente com um tabefe no rosto).A regra do “bateu, levou” é bastante clara. Ninguém pode se esquivar do tapa adversário. Quem bate, leva.

Na política de Mossoró, o grupo da prefeita Rosalba Ciarlini  (PP) criou e exercita um esporte parecido, mas com normas próprias e um objetivo oculto: evitar qualquer debate (como recentemente mostrou o Blog do Barreto em artigo). A prefeita esquiva-se de qualquer discussão sobre seu governo, tamanha a fragilidade do próprio.

Insiste em atacar, antes que seja questionada, criticada ou denunciada por algum agente político de maior peso.

O exemplo de Collor

Não é exatamente um bateu, levou que foi uma máxima do então presidente Collor de Mello (1990/1992), prestes a cair. Ele deixava claro, que ninguém ficaria sem levar o troco à altura se o azucrinasse.

O rosalbismo faz diferente: não espera a crítica ou o ataque. Escala sua mídia para bater, bater, bater em quem se mexer.

A estratégia é cada dia mais usual, sobretudo porque o grupo da prefeita não sabe exatamente quem esmurrar. Seus alvos são variados e às vezes escolhidos ao acaso da perturbação quanto ao próprio futuro sucessório. É movido pelo medo da não reeleição (Leia: Entrincheirados, Rosados veem adversários em todos os lados) e O triunfo do medo na prévia eleitoral mossoroense).

Vai chegar um momento em que a prefeita precisará debater. Não conseguirá se esconder para sempre por trás da ferocidade crítica da imprensa amiga, que só enxerga defeitos em quem parece ser uma ameaça. Aí vai ser bateu, levou. Os efeitos podem ser mais dolorosos do que o vividos pelos participantes russos do Torneio de Tapa na Cara.

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Excelências no limbo

Por Walter Gomes

FHC, Sarney, Lula, Collor e Dilma apresentam resultados aquém das exigências eleitorais deste ano (Fotomontagem)

Preso em Curitiba, onde cumpre pena por condenação em segunda instância – corrupção passiva e derivados –, ex-presidente Lula da Silva é referência eleitoral na campanha deste ano, mas não como seus aliados esperavam.

Fernando Henrique Cardoso, personagem que governou o Brasil e citado com destaque nos veículos de comunicação, não conseguiu evitar eliminação de Geraldo Alckmin, seu candidato, no primeiro turno do pleito para o Planalto.

José Sarney acompanhou, sem condições de reverter, a derrota prevista de dois filhos. Roseana caiu na primeira fase do embate para voltar ao governo do Maranhão e o deputado Zequinha foi derrotado nas urnas para o Senado.

Dilma Rousseff, governante cassada pelo Legislativo com aquiescência do Judiciário, foi massacrada no pleito em que buscava uma das duas vagas para o Senado. Ficou em quarto lugar com baixo índice de apoio dos conterrâneos mineiros.

Fernando Collor, outro com passagem no poder nacional, renunciou ao mandato presidencial para evitar o impeachment anunciado. Desistiu de tentar o retorno ao governo de Alagoas, por subnutrição eleitoral. Continua senador até janeiro de 2023.

(*) Texto da coluna ‘Fatos e bastidores’.

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Do “Sapo barbudo” ao Capitão Bolsonaro

Por Carlos Santos

Na primeira eleição presidencial pós-regime militar de 1964, ocorrida em 1989, a disputa do segundo turno confrontou Luiz Inácio Lula da Silva do PT e o ex-governador alagoano Collor de Melo (PRN).

Nome forte àquela disputa, tido como herdeiro político do ex-presidente João Goulart e do trabalhismo de Getúlio Vargas, Leonel Brizola (PDT) acabou sobrando. Nem por isso deixou de participar do segundo turno, quando apoiou o “sapo barbudo”, alcunha que aplicou em Lula.

Brizola e Lula em 1989, união tática em torno do "sapo barbudo" (Foto: RAR/CV)

Mestre dos apelidos, Brizola justificou que assim o definia, porque a política seria “a arte de engolir sapos” e queria ver a elite brasileira engolir “o Lula”, o sapo barbudo.

Na sucessão presidencial 2018, 29 anos depois, Jair Bolsonaro (PSL) parece encarnar esse papel de sapo. Em verdade, o capitão não é barbudo e já não precisa mais ser empurrado goela abaixo de boa parte da aristocracia, plutocracia e burguesia nacionais, que o vê como palatável.

É príncipe e batráquio ao mesmo tempo.

Provoca um turbilhão de sentimentos ambivalentes, muito parecidos com o que Lula instigava àquele tempo e instiga até hoje: admiração e antipatia, paixão e ódio, esperança e temor.

Guardadas as características ideológicas de cada um e tantas outras diferenças, além de conjunturas distintas e contexto, estamos diante de um personagem também controvertido. Surge num momento de desalento e muitos medos.

O que veremos adiante é uma incógnita, em caso de vitória de Bolsonaro. Sobram suposições, como assim acontecia em relação a Lula àquela época. As urnas vão dizer que direção tomaremos, com ou sem o capitão.

PRIMEIRA PÁGINA

Reta final pode reservar surpresas numa campanha – Na reta final da campanha presidencial de 2014, a então presidente Dilma Rousseff (PT) chegou a somar 36% de intenções de voto e tinha Marina Silva com 33% em sua cola. Havia empate técnico. Mas aí surgiu Aécio Neves (PSDB) lá de trás, atropelando Marina e encostando em Dilma. Tivemos o segundo turno, com vitória de Dilma. Vale lembrar que Marina emplacou impulso em determinada fase da contenda, ao substituir Eduardo Campos (PSB), falecido em acidente aéreo.

Capitão Styvenson é o segundo fenômeno político na Net no RN – Depois do deputado estadual Kelps Lima (Solidariedade), certamente o Capitão Styvenson Valentim (REDE), candidato ao Senado da República este ano, é o segundo grande fenômeno político no estado que é fermentado na Internet, pelas redes sociais. É algo que boa parte da classe política ainda não conseguiu aproveitar melhor, repetindo fórmulas surradas de campanha de rua e estratégias que já não alcançam e mexem com o eleitor. Styvenson tende a ser um nome de projeção nacional numa eventual vitória, algo muito difícil de acontecer noutro cenário, num mundo que antes era analógico.

Ciro sendo Ciro coloca em risco de novo seu projeto presidencial – Mais uma vez candidato à Presidência da república, o candidato Ciro Gomes (PDT) coloca em risco a viabilidade de seu nome. De novo, é protagonista de destempero público. Mas um caso para seu vasto acervo de episódios grosseiros. Dessa feita, com dedo em riste (sempre), esculachou e mandou “prender” um jornalista em Roraima. Outro viés analítico chega a atenuar o incidente, dando-lhe conotação de estratégia de marketing eleitoral, para demonstrar que o candidato não aceita provocações e ser emparedado etc. Francamente! 

Boa prosa sobre política com Eduardo Mendes – Conheci nesse último fim de semana o Eduardo Mendes, “Dudu”, vereador mirim em Mossoró. Conversa para lá de boa. Inteligente, sóbrio, articulado e com uma bagagem de conhecimento de fazer inveja a muita gente madura, Dudu deixou-me ótima impressão. Abração, meu caro.

Alckmin tem presença protocolar no RN – O candidato a presidente pelo PSDB, Geraldo Alckmin, teve passagem rápida pelo estado e sem maior desdobramento. Desembarcou na Sexta-feira (14) e teve a companhia de apoios representativos da política no RN, como senador e candidato à Câmara Federal José Agripino (DEM), ex-senador e candidato ao Senado Geraldo Melo (PSDB) e o presidente do PSDB no estado e da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira.

Nova rodada de pesquisa do Ibope sairá na próxima sexta-feira – O Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE) está com trabalho de campo em andamento. Na próxima sexta-feira (21) deverá apresentar os números da disputa estadual dentro da programação da InterTV Cabugi, empresa contratante do serviço. Veja AQUI os últimos números do Ibope ao Governo do RN, divulgados dia 17 de agosto. Veja AQUI os números ao Senado e AQUI a avaliação do Governo Robinson Faria (PSD).

Dama de Espadas esconde buraco ainda maior na Assembleia Legislativa – A delação da ex-procuradora da Assembleia Legislativa Rita das Mercês Reinaldo ao Ministério Público Federal (MPF), que causou redemoinho na vida pública do estado, poderia ter sido ainda maior se ela tivesse falado tudo que sabe. Foi seletiva e agradou aos procuradores do MPF. Imagine você, se “Ritinha” abre a caixa preta de empréstimos consignados e outras pérolas. Mas tem tempo ainda. É fichinha o rombo de pouco mais de R$ 9,5 milhões que se levantou como desvios através de folha de fantasmas, diante do que foi omitido capciosamente para salvar a boiada restante.

Memória artificial está matando um adágio da política – “O povo tem memória curta.” Esse adágio que se inseriu na cultura política brasileira está seriamente ameaçado de morte. A memória cognitivo/biológica está sendo reavivada pela “memória artificial” do mundo cibernético. As ferramentas de busca como Google trazem à tona declarações, fotos, vídeos e outras manifestações que muitos políticos gostariam de esquecer e torcem para ninguém lembrar. É, os tempos são outros…

“Canteiro da Rosa” virou terra de ninguém – A região dos bairros Santo Antônio, Barrocas e adjacências em Mossoró virou terra de ninguém na atual campanha eleitoral. Já foi o “Canteiro da Rosa”, tratado como possessão do rosalbismo para qualquer conquista eleitoral. Guarda maior contingente de eleitores do município e faz parte de um cinturão de pobreza e precariedade de serviços públicos, que até hoje não foi atenuado a contento. A própria Rosalba Ciarlini (PP) está com dificuldade em pontificar na área. Em recente carreata, a Rosa teve que conviver com a indiferença de muitos e até gestos grosseiros de alguns populares à porta de casa e calçadas. É, os tempos são outros…

Cálculos para estadual e federal estão sendo refeitos – Muitos estudiosos da política do Rio Grande do Norte começam a fazer e refazer contas sobre quociente eleitoral para deputado estadual e deputado federal. O cotidiano da campanha tem demonstrado que o alheamento e a repulsa do eleitor são bem maiores do que esperado. Por isso, muitos candidatos e assessorias admitem contingente superlativo de votos em branco, nulo e abstenções. Em 2014, o quociente para estadual ficou em 69.097. Para federal foi de 197.608. Empurrem esses números realmente para baixo, bem para baixo.

EM PAUTA

TV WR – O empresário mossoroense Wilson Fernandes, que teve nome cotado para ser vice ao Governo do RN, na chapa da senadora Fátima Bezerra (PT), trabalha na montagem documental e estrutural da TV WR. A emissora deverá ficar entre a Rua Rui Barbosa e Avenida Felipe Camarão, centro da cidade de Mossoró. Fernandes fazia parte do projeto da TV Metropolitano na cidade, mas saiu de sua composição societária.

Advogado – O ex-vereador Joel Canela, de Felipe Guerra, está a pleno vapor em suas atividades como operador do direito. Ocupa elenco de advogados do escritório de Getúlio Andrade em Mossoró e endereço próprio em sua cidade. Atua no Direito Previdenciário, além de áreas Cível, Penal e Eleitoral. Sucesso, meu caro.

Elba e Geraldo – A área de evento do Partage Shopping, de Mossoró, vai receber à noite do dia 3 de outubro (um feriado estadual) a dupla Elba Ramalho-Geraldo Azevedo. A promoção é da Gondim & Garcia. Atrações supimpas, que se diga.

SESAP – A Secretaria de Estado da Saúde Pública (SESAP), com sede à Avenida Deodoro em Natal, vai mudar provisoriamente de endereço para que o imóvel possa passar por séria reforma. A maior parte de sua estrutura ficará à Rua Floriano Peixoto, onde funcionava o Ministério Público. Outra parte continuará no prédio a ser restaurado.

Fenômeno – O alagoano Carlinhos Maia, que tem mais de 9 milhões de seguidores no Instagram, bateu recorde em Mossoró no final de semana. Realizou três apresentações consecutivas à noite de sábado (15) no Teatro Dix-huit Rosado, com casa lotada. Além disso, conquistou ainda mais seus fãs no próprio teatro, hotel e aeroporto, recebendo dezenas deles, incansavelmente. Aplausos, xará. Você merece demais.

Combustíveis – Em Natal, os preços de combustíveis subiram às alturas, em valores muito próximos posto a posto. Odor de cartelização.

SÓ PRA CONTRARIAR

Não conheço um único político que diz duvidar de pesquisa, que não trabalhe com pesquisa.

GERAIS… GERAIS… GERAIS…

Gente, de quem foi a ideia de edificar um terminal de passageiros de ônibus no adro da Igreja de Nossa Senhora de Fátima no abolição II, em Mossoró? Será que não sobrou um pinguinho de bom senso na municipalidade? Caramba! Francamente!

Obrigado à leitura do Nosso BlogAlvany Barros (Mossoró),  Aldo Medeiros Filho (Natal) e  Regina Alves (Apodi).

Veja a edição anterior da Coluna do Herzog (10/09) clicando AQUI.

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A mentira-mor

Por François Silvestre

Reformar, no Brasil, não é apenas uma mentira. É a mãe das mentiras. A mentira-mor da nossa farsa. Agrária, tributária, política, previdenciária, tudo embuste. Meia-sola institucional.

Papai Noel de ilusão, defronte da garotada, que animada pela festa prefere fazer de conta ser de fato o velhinho com um saco cheio de presentes saídos da imaginação, e não do bolso dos parentes. Nas “reformas”, do bolso do contribuinte.

Os enganadores precisam da fé dos enganados. E fazem desse mercado de trocas uma acomodação de interesses.

Sobre as reformas de faz de conta há uma lição literária que resume como arquétipo as outras imitações. “Il Gattopardo” de Giuseppe Tomasi de Lampedusa.

O autor trata da decadência da aristocracia siciliana, durante o Risorgimento italiano, quando as lutas de unificação sinalizavam para uma nova ordem política, social e econômica.

O resumo da obra se dá no diálogo entre os personagens Don Fabrizio, príncipe decadente de Salina, com o sobrinho Tancredi, picareta príncipe de Falconeri. “É preciso que tudo mude, para que fique tudo do mesmo jeito”. Visconti adaptou a obra para o cinema, com Burt Lancaster, Alain Delon e Cláudia Cardinale.

O Brasil conseguiu superar a lição de Lampedusa. Aqui nem se muda nada para que tudo continue como sempre foi. E não raramente para pior do que era.

O golpe republicano apenas transformou a aristocracia monárquica em aristocracia republicana. Não foram os republicanos históricos que assumiram o poder. Quem tomou conta das decisões foram os próceres da Monarquia, agora republicanos.

O movimento de 1930 derrubou a República Velha sob o comando de um ex-ministro do governo decaído. E os antigos aliados do regime velho viraram sustentadores do regime novo.

A redemocratização de 1945 foi sustentada pelos mesmos sustentadores da ditadura Vargas. E o primeiro Presidente da nova ordem fora o avalista militar da ordem antiga.

O golpe de 1964 foi endossado pelos mesmos que se serviam do governo deposto. Partidos e imprensa. Os partidos foram extintos e a imprensa levou pé na bunda.

Ao cair a Ditadura, não foram os seus inimigos que assumiram o poder. Foram os seus aliados. Tancredo Neves negociou com militares e políticos que sustentavam o regime de violência. Quem assumiu o poder foi José Sarney, acólito político da Ditadura.

Lula representava o antimalufismo. Onde estão? Do mesmo lado, em todos os sentidos.

Collor foi a encarnação do antilulismo, o instrumento que evitou naquele momento a vitória do barbudo que assustava empreiteiros e classe média alta. Onde estão? Do mesmo lado, em todos os sentidos. Os empreiteiros, antes assustados, aliaram-se a Lula e ficaram íntimos. Papão e papados foram papar juntos.

No Brasil, a geografia fotografa Deus e a pátria revela Macunaíma.

Té mais.

François Silvestre é escritor

* Texto originalmente publicado no Novo Jornal.

Senador Lindbergh Farias participará de debate em Natal

Farias: ex-cara-pintada (Foto: Senado)

A convite da senadora Fátima Bezerra (PT-RN), o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) estará em Natal, nesta sexta-feira (13), amanhã.

Sua programação será na Federação dos Trabalhadores na Agricultura do RN (FETARN).

Ele vai debater temas como eleições diretas e a repactuação de um novo rumo para o Brasil às 17h.

Líder da oposição no Senado, Lindbergh Farias surgiu no cenário político nacional como líder estudantil no início dos ano 90. Era uma das lideranças populares na defesa do impeachment do então presidente Collor de Mello, hoje seu colega de Senado.

Fazia parte do movimento “cara-pintada”.

Nota do Blog – Não é só o mundo que dá muitas voltas, mas a própria política.

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Saiba mais sobre impeachment e acordão que aliviou Dilma

Às 13h34 desta quarta-feira (31), Dilma Rousseff (PT) sofreu impeachment e encerrou seu mandato frente à Presidência da República. Em discurso após a votação no Senado, Dilma disse que sofreu um segundo golpe e prometeu uma oposição “firme e incansável”.

Às 16h49, Michel Temer (PMDB) deixou a vice-presidência oficialmente e foi empossado presidente.

Mais tarde, na primeira reunião ministerial, respondeu aos opositores, prometendo não levar “desaforo para casa”: “golpista é você”.

Após 73 horas, o julgamento do impeachment no Senado terminou com o veredicto de condenação de Dilma por crime de responsabilidade, pelas “pedaladas fiscais” no Plano Safra e por ter editado decretos de crédito suplementar sem autorização do Congresso Nacional.

Foram 61 a favor e 20 contrários ao impeachment, sem abstenções.Saiba como votou cada senador. Em uma segunda votação, os senadores decidiram manter a possibilidade de Dilma disputar novas eleições e assumir cargos na administração pública.

Governistas surpresos com a segunda votação prometeram recorrer.

Segundo o colunista Gerson Camarotti, a divisão foi costurada entre PT e PMDB para aliviar Dilma. O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) decidiu entregar o cargo, mas Temer não aceitou.

O senador Fernando Collor, que sofreu impeachment em 1992, criticou: “dois pesos, duas medidas”.

Saiba mais sobre esses acontecimentos clicando AQUI.

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A ciência da história

Por François Silvestre

Todas as ciências são de origem natural. Menos uma. Sim, porque há uma ciência de origem cultural. Isto é, criada pela ação humana. E mesmo assim essa criação humana não ocorre de forma controlada ou consciente. É a História.

Não se confunda História com historiografia. A História é o resultado da ocorrência das relações humanas; que vão desde os desdobramentos das conquistas naturais, sociais, políticas, de conhecimento, de arte e do pensamento. A historiografia é uma disciplina histórica, narradora, limitada pelo ponto de observação do historiador. A História produz o fato. A historiografia narra ou interpreta o fato histórico.

Possuir leis e disciplinas é a marca configuradora das ciências. A numismática, a heráldica e a historiografia são algumas das disciplinas da História. A imutabilidade do fato ocorrido é uma lei da ciência histórica.

Na História, o fato ocorrido é único e imutável. Na historiografia, um mesmo fato pode acolher várias versões. Dizia Thomaz de Aquino que “contra o fato ocorrido nem a interferência de Deus tem eficácia”.

O mais que se pode fazer contra o fato ocorrido é conjecturar. Imaginar ou supor consequências diferentes caso o fato houvesse sido outro e não o que realmente aconteceu.

Exemplos de conjecturas? Se Lott houvesse vencido Jânio Quadros, em 1960, não teríamos tido uma Ditadura militar. Se JK houvesse sido eleito, em 1965, o Brasil seria outro país.

Hegel afirmou que fatos e personagens da História repetem-se em épocas diferentes. Marx, na abertura d’O 18 Brumário, confirma essa assertiva de Hegel, mas observa que na repetição, de fatos ou pessoas da História, esta se dá com o segundo fato ou personagem sendo a farsa do primeiro, que foi a tragédia.

A redemocratização advinda pelo fim da ditadura Vargas deu-se com sucessivos fatos trágicos. Dentre eles, o suicídio de Getúlio, a renúncia de Jânio, a deposição de Jango. Foi a tragédia.

A redemocratização nascida da negociação de milicos, pelegos, raposas e similares, é a farsa. Vivemos a farsa de hoje, que repete uma caricatura da tragédia de ontem.

Na tragédia, estabeleceu-se um governo provisório para preparar a democracia. Foi o Presidente do Supremo, José Linhares, que governou por três meses.

Na farsa, o governo provisório durou cinco anos. Sarney foi a farsa de Linhares. Collor, a farsa de Jânio. E Lula é a farsa de JK. Ninguém ainda quis ser a farsa de Getúlio.

O Congresso Nacional de 1964 foi vencido pela força dos tanques e pelo conluio do fascismo civil com os quartéis politizados. O de hoje é a quitanda das leis.

A farsa nem sempre é mais suave. A Ditadura militar, implantada em 64, farsa do Estado Novo, foi muito mais sangrenta e brutal. A farsa, neste caso, pariu a tragédia da farsa que somos.

Té mais.

François Silvestre é escritor

* Texto originalmente publicado no Novo Jornal.

Collor tacha procurador de “filho da puta”; o que é ótimo

O senador e ex-presidente Collor de Mello (PTB-AL) tachou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de “filho da puta”.

Foi em discurso na própria tribuna do Senado, nessa quarta-feira (5). Está revoltado por ter seu nome envolvido na Operação Lava Jato, por suposto uso de empresa de fachada para desvio de recursos milionários.

Janot não deve ficar apreensivo ou indignado.

Pior seria um elogio do Collor.

Veja detalhes AQUI.

Dilma se aproxima de Collor em rejeição, diz pesquisa

A presidente Dilma Rousseff alcançou a menor taxa de popularidade de seus dois mandatos, conforme mostrou pesquisa Datafolha divulgada na noite deste sábado. O levantamento mostra que 65% do eleitorado considera a gestão da petista como ruim ou péssima. Apenas 10% consideram como bom ou ótimo o governo de Dilma.

Ainda de acordo com o instituto, esse índice de insatisfação só não é mais baixo que o do ex-presidente e atual senador Fernando Collor. Ele teve 68% de reprovação em setembro de 1992, pouco antes de sofrer impeachment.

Antes disso, a pior marca de Dilma tinha sido os 30% que foram medidos pouco depois das manifestações de junho de 2013. Em relação à pesquisa realizada em abril, a reprovação subiu cinco pontos porcentuais.

A pesquisa ainda mostra que 24% avaliam como regular a presidente. Apenas 1% não souberam avaliar. O Datafolha ouviu 2,840 pessoas em 174 municípios.

O levantamento foi feito nos dias 17 e 18 deste mês com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

A “reforma” do leopardo

Por François Silvestre

Volta e meia, ou meia-volta, os políticos do Brasil voltam a falar de reforma política. Não é apenas uma mentira a mais. Não. É a mãe das mentiras. A mentira-mor da nossa farsa.

Ou o papai Noel que se fantasia na frente da garotada, que animada pela festa bela prefere fazer de conta que aquele é de fato o velhinho com um saco de presentes saídos da imaginação e não da compra dos parentes.

Os enganadores precisam da fé dos enganados. E fazem desse mercado de trocas uma acomodação de interesses.

Sobre as reformas de faz de conta há uma lição literária que resume como arquétipo as outras imitações. “Il Gattopardo” de Giuseppe Tomasi de Lampedusa.

No “Leopardo”, o autor trata da decadência da aristocracia siciliana, durante o Risorgimento italiano, quando as lutas de unificação sinalizavam para uma nova ordem política, social e econômica.

O resumo da obra se dá no diálogo entre os personagens Don Fabrizio, príncipe decadente de Salina, com o sobrinho Tancredi, picareta príncipe de Falconeri.

“É preciso que tudo mude, para que fique tudo do mesmo jeito”. Visconti adaptou a obra para o cinema, com Burt Lancaster, Alain Delon e Cláudia Cardinale.

O Brasil conseguiu superar a lição de Lampedusa. Aqui nem se muda nada para que tudo continue como sempre foi. E não raramente para pior do que era.

O golpe republicano apenas transformou a aristocracia monárquica em aristocracia republicana. Não foram os republicanos históricos que assumiram o poder. Quem tomou conta das decisões foram os próceres da Monarquia, agora republicanos.

O movimento de 1930 derrubou a República Velha sob o comando de um ex-ministro do governo decaído. E os antigos aliados do regime velho viraram sustentadores do regime novo.

A redemocratização de 1945 foi sustentada pelos mesmos sustentadores da ditadura Vargas. E o primeiro Presidente da nova ordem fôra o avalista militar da ordem antiga.

O golpe de 1964 foi endossado pelos mesmos que se serviam do governo deposto. Partidos e imprensa. Os partidos foram extintos e a imprensa levou pé na bunda.

Ao cair a Ditadura, não foram os seus inimigos que assumiram o poder. Foram os seus aliados. Tancredo Neves negociou com militares e políticos que sustentavam o regime de violência. Quem assumiu o poder foi José Sarney, acólito político da Ditadura.

Lula representava o antimalufismo, em São Paulo e no Brasil. Onde estão? Do mesmo lado. Collor foi a encarnação do antilulismo, o instrumento que evitou naquele momento a vitória do barbudo que assustava a burguesia e a classe média alta. Onde estão? Do mesmo lado.

Cada país tem sua pátria e cada pátria tem o seu caráter.

No Brasil, a geografia fotografa Deus e a pátria revela Macunaíma.

Té mais.

François Silvestre é escritor

“Cinema catástrofe” e disputa eleitoral

Gênero que fez muito sucesso na “7ª arte” nos anos 70 foi o “Cinema Catástrofe”.

Na disputa presidencial brasileira, a propagação do pânico é recorrente. Filme que se repete.

Sempre o marketing faz uso desse expediente, para apontar que a vitória do adversário vai representar uma catástrofe.

Esquerda e direita usam. Todos patinham nesse pântano.

Em 1989, o candidato Collor de Mello pregou que a eleição de Lula seria uma catástrofe.

Agora é a própria campanha de Dilma Rousseff (PT) que faz uso do expediente.

O analfabetismo político do povo e a ignorância da maioria, ajudam sobremodo a prosperidade do gênero.

A catástrofe costuma ser sucesso de público, renda e votos.

Os voos do “nosso” Morcego Negro

Sempre prodigiosa, Mossoró tem sua versão própria para a célebre aeronave “Morcego Negro”, que nos anos 90 virou um símbolo quase mitológico da corrupção política brasileira.

Era o avião do serelepe “PC Farias” (veja AQUI), figura nebulosa que teria como sócio oculto o então presidente Collor de Mello.

O “Morcego Negro” mossoroense tem peculiaridades próprias. Foi “parido” há cerca de dois meses.

Mas não o confunda com o Batman: esse é personagem fictício e, sabemos, do bem.

Normalmente, ele levanta voo à sombra noturna, levando figuras ilustres e outras nem tanto.

Pousos e decolagens fazem a alegria de seus três “criadores”.

Diz a sabedoria cabocla, nesse sertão de meu Deus, que “quem se acompanha com morcego, dorme de cabeça para baixo”.

Faz sentido.

Decifra-me ou te devoro!

O medo em campanha eleitoral

Por Gaudêncio Torquato (Coluna Porandubas Políticas)

O PT passou a adotar o medo como alavanca de campanha. Dilma representa a garantia de que as conquistas do povo não serão tiradas. Os adversários, se chegarem ao poder, eliminarão os benefícios. Essa é a mensagem embutida no programa partidário e anúncios publicitários. Pois bem, vamos aos fatos : em 1989, Fernando Collor ganhou usando o medo. Se Lula vencer o Brasil será um inferno. Mário Amato, então presidente da Fiesp, prometia : 800 mil empresários irão embora do Brasil. Em 1994, Fernando Henrique ganhou o mandato com o conforto (e a esperança) do Plano Real. Em 1998, ganhou no primeiro turno com o discurso do medo, tendo a volta da inflação como motivação.

Sarney, Lula, Dilma, FHC e Collor: cada um a seu tempo com o medo a seu favor (Foto: reprodução)

O medo – II

Em 2002, José Serra usou também o medo. A atriz Regina Duarte apareceu como porta-voz das trevas caso o PT ganhasse. Deu errado. “A esperança venceu o medo”. Lula chegava ao poder. Em 2006, Lula também se valeu do medo, desta feita contra Geraldo Alckmin, acusando-o de que, eleito, ele privatizaria a Petrobras, a CEF e o BB. Deu certo. Em 2010, Serra voltou a usar o medo, tentando mostrar a ligação do PT com Farcs (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, movimento com envolvimento no narcotráfico). Deu errado. Dilma ganhou com discurso da continuidade das políticas sociais de Lula. Hoje, o PT insiste no medo como alavanca de campanha. Dará certo ? Vejamos.

A teoria do medo – I

O medo não elege. Pode, sim, fazer parte do composto do discurso. Vejamos. Collor sinalizava a inovação na gestão. Era o novo, encarnava o espírito do tempo. O medo era apenas o pano de fundo da paisagem social. Fernando Henrique encarnou, por sua vez, a luta contra a inflação, era o artífice-mor do Plano Real. Foi eleito sob esse escudo duas vezes. Da mesma forma, Lula representou o contraponto à velha política. Era o ícone da dinâmica social. Comandou gigantesco programa social, tirando parcela da base da pirâmide social para o meio. E Dilma ganhou seu mandato sob essa engrenagem. A pergunta que agora se faz é : qual é a paisagem brasileira ? Como está o Produto Nacional Bruto da Felicidade ?

A teoria do medo – II

O que significa o medo como discurso de campanha ? 1. Ameaça de retorno do cidadão a uma situação pior do que a vivida por ele hoje ; ameaça de perdas de benefícios ; 2. Risco do país entrar numa era obscura, com volta da inflação e de ganhos obtidos pelas pessoas em diversas frentes. Lembremos que tais ameaças e riscos se manifestam ante os quatro impulsos do ser humano : a. o impulso combativo ; b. o impulso nutritivo ; c. o impulso sexual e d. o impulso paternal. Os dois primeiros impulsos estão ligados à conservação do indivíduo. A luta pela sobrevivência implica competitividade, oferta de emprego, dinheiro no bolso para cuidar das necessidades básicas do cidadão e de sua família. Nesse sentido, inflação, emprego, mais dinheiro no bolso, barriga cheia, harmonia social, segurança – são ingredientes do discurso eleitoral.

A teoria do medo – III

Ocorre que os programas sociais implantados pelo governo Lula e continuados no governo Dilma – que estão no foco dos impulsos acima mencionados – perderam muito sua capacidade de moeda eleitoral. O Bolsa Família já deu o que tinha de dar em matéria de voto. Pode cooptar as massas assistidas, mas grande parte delas considera que esse é um dever do Estado, a cargo de qualquer governante. Este é um fato que, possivelmente, o PT não tenha percebido. As manifestações de rua por todo o território abrem novos horizontes. Surgem no panorama os grupos do slogan : “queremos mais”. Saúde, educação, segurança, transportes. Coisas e equipamentos melhores e em maior quantidade.

A teoria do medo – IV

O medo só funciona quando as pessoas fazem a comparação : “estou no paraíso e poderei ser recambiado para o inferno”. Donde emerge a pergunta : estamos no paraíso ? As pessoas se sentem saudáveis, com saúde, com dinheiro no bolso, tendo fortes estruturas de segurança e meios de mobilidade urbana ? Se não estão vivenciando uma boa situação, o medo do amanhã arrisca a ser um bumerangue sobre a cabeça de quem patrocina o terror. Esta é a leitura que se deve fazer nesse momento sobre o medo. Incutir medo só dá certo quando o Produto Nacional Bruto da Felicidade for alto. A recíproca é verdadeira. Cuidado com o discurso do medo, senhores marqueteiros.

Nota do Blog Carlos Santos – Disse tudo, professor. Excelente exposição.

A estratégia não é nova ou artifício do PT. É recorrente. Serve a todas as ideologias em qualquer tempo ou conjuntura.

Quanto maior a ignorância da massa, mais fácil de a mensagem ser absorvida.

Um partido que chega aos 32 anos de vida

O Partido dos Trabalhadores (PT) faz festa para comemorar seus 32 anos. Uma história de altos e  baixos, mas com rara força à longevidade, coisa pouco comum na história partidária do país.

O partido que nasceu das entranhas do movimento sindical metalúrgico paulista, bem à esquerda, ao longo do tempo foi ajustando discurso e práticas, para chegar ao poder.

Lula, seu ex-presidente e ex-presidente da República, é o que talvez melhor simbolize esse enredo. Deixou de ser o “sapo barbudo” na campanha de 1989, para sair do governo em 2010 (após dois mandatos), como uma nova versão do “pai dos pobres”.

Em nome da “governabilidade”, um eufemismo que escondeu a prática de corrupção e acordos com nomes nefastos para o outrora PT, vide Collor de Mello, Antônio Carlos Magalhães e José Sarney, o novo PT chegou ao topo e nele permanece. Resta saber se essa “fatura” não será cobrada adiante, com pesado ônus para a sigla e o país.

Em termos de Rio Grande do Norte, o PT está devendo. Contraditório em alguns momentos, não soube aproveitar a performance da sigla no campo nacional, para também ocupar maior espaço.

Arrasta-se há tempos na manutenção de dois mandatos de destaque (deputada federal Fátima Bezerra e deputado estadual Fernando Mineiro), mas não consegue maior projeção em disputas majoritárias. Contenta-se em ser apêndice de outras legendas ou apenas mais uma sigla na sopa de letrinhas partidárias que povoam a política potiguar.

Esse é o PT.