Antônio Gastão, uma amizade de muitos anos (Foto: BCS)
Nessa quarta-feira (26), eu tive o privilégio de tomar café e conversar por horas com um amigo de longas datas: médico Antônio Gastão, um pernambucano de Triunfo, que desde 1959 chegou a Mossoró e jamais deixou para trás esse amor por nossa terra. “Como eu sou feliz por ser mossoroense,” transpirou.
Aos 92 anos, Gastão tem uma memória impressionante, além de vasta cultura e inteligência. O tempo voa em sua companhia. Mas, nos permite viajar pelas obras de Flaubert e Tolstói (“eu queria ter conhecido esse cara”), passear pela política na época do senador Duarte Filho, pisar no solo árido do Sertão, discutir os primados dos Jesuítas e saber muito mais sobre o ser humano, a medicina, o mundo virtual, imprensa, arquitetura etc.
A gente vai voltar a se ver. Essa amizade começou no labirinto físico do jornal Gazeta do Oeste e, segue, nesses dias turvos do século XXI. Há muito ainda a tangermos.
Há certos hábitos que mantemos por convicção, ou seja, com base em opinião firme a respeito de algo ou razões íntimas, ou como resultado de persuasão ou influência de outro, ou apenas crença. Tem quem fale que é coisa de quem não se rende aos novos tempos.
De fato, hoje tudo acontece numa velocidade estonteante. E quando falamos disseminação de informações, falamos hoje em fração de segundos.
Penso que o avanço tecnológico das plataformas de comunicação e interação é irreversível. Entretanto, é plenamente possível conciliar o modelo tradicional com o moderno. Um não anula o outro, na perspectiva de transmissão de informações. Entretanto, reconheço, não é tarefa fácil.
Lembro de meu saudoso pai revezando a sua leitura diária, ora debruçado no seu birô da biblioteca, ora numa mesa de desenho que ficava na varanda da casa e que ele adotou após eu desistir de ser arquiteto.
Ele manteve o hábito da leitura por toda sua vida. Não apenas pelo fato de ser professor, mas tinha sede de conhecimento, como quem precisa tomar um copo da água quando está com sede.
Quando comprou o seu primeiro computador, em 1993, aquela maravilha moderna ficou encaixotada na sua biblioteca por algumas semanas. Ele sequer sabia como montá-lo. Foi salvo por um colega professor da universidade que o montou.
Era um profundo admirador de tecnologia, porém, jamais deixou de lado seus cadernos de anotações. Contabilizei dia desses em sua biblioteca, mais de cem cadernos que ele fez anotações desde o início dos anos 1970.
Embora desde criança ponha os olhos nesses cadernos, nesse dia, o que me chamou atenção foi a sistematicidade em suas anotações. Nem mesmo sua caligrafia mudou em quase cinquenta anos de registros manuscritos. Diferentemente do que ocorre hoje, quando estamos destreinados até mesmo para rubricar.
De tal maneira, repito, não é tarefa fácil manter um costume nos tempos de hoje. Nem para quem produz conteúdo ou mesmo quem o consome, especialmente impresso. São muitos os fatores.
Entretanto, é muito prazeroso. E um deles, é ler jornal impresso. Chega a ser nostálgico.
Claro que a notícia que chega na palma de nossa mão de forma instantânea é uma maravilha, e interatividade que temos hoje é algo incrível e que não se pode abrir mão. É fato.
Me incluo, sem hesitar, no universo de leitores dessa modalidade. Aliás, o meu primeiro trabalho remunerado foi aos 14 anos, utilizando aquele primeiro computador que meu pai comprou.
Acordava todos os dias de madrugada para inserir as notícias do dia de um jornal local na sua página da internet, a extinta Gazeta do Oeste. Sim, do dia. Embora fosse a versão eletrônica, só era atualizado uma vez ao dia.
Ainda que seja cada vez mais difícil ter acesso a um jornal impresso por onde andamos, há locais que fazem questão de mantê-lo disponível para seus clientes, pois seu público mantém esse hábito. Diga-se, não é fácil quando não se está em um grande centro urbano ter acesso a jornais impressos.
E um deles são os cafés.
Aliás, os cafés deveriam ser considerados patrimônios da humanidade por diversos aspectos.
É hoje um local multicultural. Não se restringe apenas a tomar um bom café e comer algo numa pequena pausa.
Podemos ver um público muito variado nos cafés, que outrora era frequentado preponderante por pessoas com mais idade, transmitindo uma falsa impressão de que era um local sem graça e enfadonho.
Arrisco a dizer que muita gente tem incluído os cafés nos seus roteiros em busca de um novo estilo de vida, o que é muito bom sob vários aspectos. Eu mesmo levo meus filhos e eles adoram.
A leitura de um jornal impresso hoje é uma leitura mais despretensiosa, bem diferente daquela instantaneidade da notícia eletrônica atualizada a cada minuto.
Pra mim, passou a ser uma leitura para relaxar. Por inúmeras vezes aquela notícia já me é familiar, porém, leio novamente como se fosse a primeira vez.
Essa notícia, tida como velha por alguns, pode virar assunto ali no momento e render uma boa conversa. Há frequentadores nos cafés que lhe surpreendem com o conhecimento sobre determinados assuntos.
Outro dia, ao chegar num modesto restaurante, localizado numa cidadezinha minúscula chamada San Giovanni di Sinis, na Sardenha, quase no meio do nada, presenciei algo bem interessante, que há muito não via.
Ao chegar no local, havia um jornal numa cadeira junto à mesa ocupada por um casal e sua filha pequena. Meu amigo que me levou para conhecer o local, logo ao entrar, perguntou ao dito casal se poderia pegar o jornal para ler. O detalhe é que esse meu amigo, há pouco, havia se queixado da falta de tempo para ler em razão do trabalho.
De pronto disseram que sim e conversaram um pouco aos risos e apontavam para o jornal. Observei de longe a cena.
Após ele vir ao meu encontro, perguntei se ele conhecia aquele casal. Disse que não.
Almoçamos, e quando estávamos tomando um café, um senhor que acabara de entrar no restaurante, se dirigiu à nossa mesa, apontou para o jornal que estava na minha frente e perguntou se poderia pegá-lo para ler.
Fiquei imaginando quantas pessoas poderiam fazer isso durante o dia inteiro ali e lembrei da importância de se ter um jornal impresso em determinados momentos.
Aquele jornal fez mais que informar.
Tenho a impressão de que, em verdade, o jornal desperta esse interesse em todas as pessoas que põe os olhos nele.
Por vezes, é só questão de disponibilidade, nem tanto de hábito.
Aquela gargalhada que fica, na sensibilidade de Ricardo Lopes, no lançamento de meu segundo livro em 21 de junho de 2011
Nesta terça-feira (28), a gente se despede do padre Sátiro Cavalcanti Dantas, falecido dia passado.
Meu adeus é à amizade polida por mais de 34 anos, entre gargalhadas, conversas sérias, muita camaradagem e lições. Não entra na conta temporal, o período em que dona Maura me levava às bancadas da Igreja de São Vicente, em missas dominicais.
Eu, o menino mirrado, disperso, achava mais interessante a batina do que a homilia do padre.
Só muitos anos depois conheci outro Sátiro nos escaninhos do Gazeta do Oeste. Veio daí um carinho mútuo e a liberdade de tratá-lo, na intimidade, por “Padreco.”
É dessa pessoa que estou me despedindo: única. E sem aquela conversa a mais que nos faltou, mesmo que programada. Vamos nos falando assim mesmo.
*Nas fotos de Ricardo Lopes, lançamento do meu segundo livro em junho de 2011 (há mais de 12 anos), com dedicatória a ele; nosso último encontro em maio deste ano, em lançamento de livro com sua biografia e, por último, em festa realizada por Caby da Costa Lima (in memoriam), em 2016.
Outro registro de Ricardo Lopes no dia 21 de junho de 2011
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O Clube Aceu, antes das ruínas em que se encontra atualmente, foi palco de muitas alegrias. Antes denominado Ipiranga, o clube abrigava os ricos da época em grandes festas.
Prédio está em ruínas, diferente do glamour de décadas anteriores (Reprodução)
O prédio foi construído nos anos 30 para auxiliar no trabalho amador do time de futebol. E foi crescendo até começar a derrocada nos anos 60/70.
Quando o Ipiranga perdeu o seu glamour de outrora, o prédio ficou praticamente abandonado. Até que dois convênios passaram o patrimônio do extinto clube de futebol para a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).
A sociedade mossoroense acreditava que a entidade, passando para a Uern, seria soerguida e as atividades socioculturais retomadas.
No inicio, parecia que iria dar certo. Até meados dos anos 80, atividades culturais e recreativas aconteciam com frequência, mas os anos 90 marcaram um triste capitulo na história do clube.
O prédio for abandonado e hoje serve apenas de depósito de material, arquivo e como sede do Sindicato dos Funcionários da Uern (SINDIFURRN).
O abandono é tanto que no inicio deste ano parte do pavimento superior caiu e deixou os funcionários apreensivos.
Foi feita uma inspeção e constatou que o prédio não poderia ser utilizado por não oferecer segurança Mas o atual reitor da Uern, Walter Fonseca, parece não se importar.
O clube Ipiranga é um dos mais tradicionais de Mossoró. O historiador Ra imundo Soares de Brito relembra os momentos das grandes festas e bailes pro- movidos no local onde hoje funciona a Associação Cultural e Esportiva Universitária (ACEU).
O lugar abrigava festas grandiosas e chegou a ser reduto da aristocracia mossoroense. Mas o que levou ao surgimento da Aceu foi mesmo o futebol. “Existia uma rivalidade entre dois clubes importantes na época: o Ipiranga e o Humaitá”, disse o historiador. Ambos não existem mais.
Do Ipiranga, restam apenas escombros da sede social, que estão à disposição da Uern.
Um dos sócios-fundadores, Enéas Negreiros, em entrevista à GAZETA, disse desconhecer as fórmulas de como todo o patrimônio passou para o nome da Uern, sem que os mais de 200 associados tomassem conhecimento.
Com a rivalidade no futebol, os diretores do clube resolveram, então, montar a sua sede. A principio, o futebol praticado pelo Ipiranga era considerado amador. O time não fazia parte do esquema profissional, nem seus jogadores tinham remuneração, mas o sonho de levantar uma sede social era grande, principalmente pelos dirigentes.
Houve uma certa facilidade de levantar o empreendimento. Os diretores do Ipiranga eram empresários respeitados e detentores de influência na sociedade.
Antes, o clube funcionava num prédio alugado na Praça da Redenção, mas o sonho de ver o Ipiranga um time profissional era grande. A Prefeitura apoiou a iniciativa, doando o terreno. “O padre Mota foi um dos grandes responsáveis pela construção do clube”, disse Raimundo Soares.
Enéas Negreiros explicou que a empreitada para levantar o Clube Ipiranga recebeu o apoio de pessoas como Dix-neuf Rosado, Pedro Fernandes Ribeiro e Manoel Fernandes Negreiros. “Eles se mostraram muito solícitos para apoiar a iniciativa”, comentou.
Prédio foi construído por forte patrocinador
O padre Mota doou o terreno para a construção do clube Ipiranga. Este clube, antes funcionando num prédio alugado, estava com mais de duzentos sócios cadastrados, e isso mostrava a importância que era não apenas para o futebol amador, mas para o entretenimento mossoroense.
Com a doação, seriam necessárias as campanhas para arrecadação de mate- rial de construção para levantar o prédio. Alguns abnegados começaram, então, a pedir apoio. Até mesmo os alto-falantes, muito utilizados no início do século.
Mas os apoios não eram suficientes para tocar a obra adiante. Até que o empresário Badeu Fernandes de Negreiros foi contatado.
Badeu era representante das Tintas Ipiranga em Mossoró. Ele e um grupo de abnegados do Ipiranga.
Usaram um argumento que pesou muito na hora de fechar o negócio: o clube existia em função da marca da tinta. O patrocínio foi fechado e doado uma grande quantidade.
A doação foi tão grande que apenas 20% das tintas davam para pintar todo o prédio. Os 80%, segundo Enéas Negreiros. foram vendidos e transformados em material de construção. O clube ficou pronto em meados dos anos 30.
Cessão à universidade é questionada
Um dos fundadores do Clube Ipiranga, Enéas Negreiros, em reportagem publicada na GAZETA no final do mês passado, questiona a forma como o antigo clube Ipiranga passou a ser propriedade da Uern. “Não recebi qualquer comunicação como sendo um dos sócios. Nem eu, nem ninguém”, disse.
Enéas Negreiros foi um dos fundadores (Foto: Familiar)
Na época da transição, nos final dos anos 70, o Ipiranga contabilizava mais de 200 sócios, mas o clube vivia momentos difíceis por causa da fracassada administração.
Assim, os projetos culturais do Clube Ipiranga foram se enfraquecendo até chegar ao abandono do prédio.
Não parecia mais o Ipiranga dos anos 50 com as grandes festas e carnavais e a forte concorrência com a ACDP e AABB.
O presidente da Associação dos Docentes da Uern (ADFURRN), Carlos Filgueira, disse que a entidade vai se mobilizar para que o prédio – agora abandonado pela atual gestão da Uern – possa ser reformado. “E lamentável o estado em que se encontra o clube Aceu atualmente”, desabafou Carlos Filgueira
Segundo ele, que acompanhou o processo de cessão da estrutura do Aceu para a Uern, a sociedade local acreditava que a universidade pudesse zelar pelo patrimônio e reativar as atividades cultural e esportiva do clube. “Infelizmente isso terminou não acontecendo”, relatou.
Adfurrn protestará contra o abandono da Uern
A Adfurrn vai mobilizar a categoria para pressionar o reitor Walter Fonseca a iniciar os trabalhos de restauração do prédio da Aceu.
A última recuperação no edifício foi em 85, quando o processo de revitalização estava em andamento e o Diretório Acadêmico e outras entidades trabalhavam com atividades socio-recreativas no clube. Mas na década de 90 a Aceu não recebeu mais incentivo algum. Pelo contrário. Tornou-se um prédio abandonado, que mais serve de dispensa que para a sociedade mossoroense.
No inicio, as pessoas achavam que a Aceu serviria como antigamente, para festas e atividades culturais, mas não for isso que aconteceu. Agora, a Aceu é tratada com desdém”, disse o presidente da entidade Carlos Filgueira.
A Adfurm prepara um documento protestando contra o abandono. “Não se pode deixar um prédio daquele cair. Deveria ser tombado como patrimônio histórico. Ele existe há mais de 60 anos e conta uma história bonita de Mossoró, relata Filgueira. “Estamos prontos para encampar a luta. Não entendo por que os dirigentes da Uem não se importam com as tradições da Aceu, se é deles a responsabilidade”.
Sociedade confiou que Uern zelaria Aceu
O Clube Ipiranga estava mal das pernas nos anos 70, e a administração do clube era considerada desastrosa. Não havia mais atividades culturais no local e, aos poucos, tudo foi ficando abandonado.
Até que um convênio entre o clube e a então FURRN for assinado pelo reitor da época, João Batista Cascudo Rodrigues, para administrar a quadra de esportes, no fundo do clube.
Alguns anos depois, o convenio se estendeu a todo o prédio. Os sócios não foram comunicados do convênio, nem houve uma assembleia para definir o destino do Ipiranga, mas mesmo assim o acordo for fechado. Segundo um dos sócios na época, o professor Carlos Filgueira, a sociedade mossoroense acreditava que o Ipiranga pudesse ser revitalizado e voltar as movimentações de outrora.
“O convenio com a universidade era considerado como algo bom para quem não queria ver as tradições do clube morrerem”. disse ele. No inicio, o Aceu foi revitalizado, mas aos poucos foi esfriando, até ser definitivamente abandonado.
Prédio está em ruínas
O prédio da Associação Cultural e Esportiva Universitária (ACEU) está em ruinas. O edifício, que não recebe manutenção desde 85, pode a qualquer momento vir abaixo.
E, com ela, toda a história da cultura local, do esporte e de atividades, como os da Luízas de Marilac – que promoviam eventos para angariar fundos para os pobres e idosos
Em maio, a parte superior caiu e o laudo constatou que o prédio não tem condições de uso. Mas isso parece não intimidar o reitor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), Walter Fonseca.
Mesmo sabendo da ameaça da parte superior cair novamente, os funcionários do Sindicato dos Funcionários da Uern (SINDIFURRN) continuam trabalhando normalmente, e claro, apreensivos.
Vice-reitor diz que instituição espera Governo
O vice-reitor da Uern, Lúcio Ney, disse que o “abandono” do clube Aceu não é mais problema da instituição. Segundo ele, foi enviado um documento à Secretaria Estadual de Infra-estrutura relatando todos os problemas na estrutura do prédio.
Em maio, parte do andar superior do Aceu veio abaixo. Daí, o reitor da Uern, Walter Fonseca, determinou a inspeção do prédio. Foi constatado que caiu por falta de manutenção. “Pessoalmente fui a Natal entregar os laudos sobre o Aceu”, disse o vice-reitor. No laudo, ficou constatado que a parte superior não tinha as mínimas condições e que precisa de reforma urgente.
“Até o momento não há uma sinalização de quando será”, disse Lúcio Ney, acrescentando que um engenheiro fez todo levantamento dos curso da reforma, mas o valor não foi fornecido. “O prédio está sem condições”, garante. Mesmo com o perigo iminente, não houve qualquer interdição, e os funcionários da Uern continuam trabalhando normalmente.
Na Aceu, funciona o Sindicato dos Funcionários da Uern, o arquivo e o almoxarifado. “A situação é pior porque não temos recursos”, disse Lúcio Ney.
O clube Ipiranga, nas primeiras décadas do século passado (Acervo do IBGE)
*Reportagem especial publicada no jornal Gazeta do Oeste em 19 de dezembro de 1999, assinada pelo jornalista William Robson, que agora em blog com seu nome reproduz matérias diferenciadas que fez ao longo de décadas de profissão. Essa série tem o nome de “Acervo” (veja AQUI).
A Internet se tornou uma necessidade em Mossoró, de uns meses para cá. Somente em 99, três novos provedores surgiram, entre eles os dois maiores do pais. Isso mostra que o mercado local é promissor para o comércio virtual. Muitos lojistas estão de olho na idéia. A rede mundial de computadores fascina crianças, jovens e adultos.
Tela do Mirc, onde estava o Canal Mossoró (Reprodução de arquivo do Gazeta do Oeste)
Acredita-se que mais de dois mil computadores estão conectados à rede somente em Mossoró. Um número impressionante, que deverá aumentar, de forma considerável, nos próximos anos. A Embratel estima que, em 2003, serão oito milhões de computadores brasileiros na Internet. Hoje, são quatro milhões.
Esse meio de comunicação chegou para revolucionar o mercado e, o que é melhor, gerar mais empregos. A Internet possibilita que muitos mossoroenses trabalhem, seja na criação de sites, ou na parte técnica, ou ainda nos serviços oferecidos pelos provedores.
Internet abre inúmeras oportunidades de trabalho
Muitos mossoroenses estão fazendo da internet a sua profissão. E estão se dando bem. Além dos proprietários de provedores, a internet possibilitou a criação de mais empregos como os chamados webdesigners (aqueles que criam os sites) ou programadores, que simplesmente atualizam o conteúdo das home-pages.
Cliff Oliveira é webdesigner (Reprodução: Arquivo Gazeta do Oeste)
Um dos webdesigners mais requisitados em Mossoró é Cliff Oliveira (www.serv2000.com.br/cliff). Ele trabalhava na Rádio Rura, mas se desligou a fim de se dedicar à criação de sites. Chegou a receber grandes encomendas e, ao mesmo tempo, terminou contratado por muitas empresas para fazer o trabalho de atualização. Agora, foi convidado para trabalhar na Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN), cuidando das empresas filiadas, em Natal.
“O mercado de Internet em Mossoró é uma tendência inevitável”, comentou Cliff. O técnico em Internet, José Luís, que trabalha no provedor Netrn (www.netrn.com.br) disse que a linguagem do futuro será a Internet. “Antes, a preocupação era adaptar o computador à vida cotidiana. Agora é a rede”, disse.
Outro envolvido com Internet é o webdesigner conhecido como DJ Papa. Ele elaborou a página do concurso de moda Top Face, que recebeu mais de 1.500 visitas em menos de 15 dias. “Sou viciado em Internet”, disse.
Zé Maria, um dos coordenadores do IRC Mossoró (sala de bate-papo entre internautas mossoroenses), também faz sucesso com sua página de variedades e dedicada aos jovens locais. O endereço é www.nextway.com.br/zemaria.
Este ano foi marcado no campo da Internet com a chegada de dois dos mais importantes provedores de acesso do Brasil. O Universo On Line (UOL, www.uol.com.br) e o Zaz (www.zaz com br) se instalaram em Mossoró no segundo semestre deste ano. com a intenção de aboca- nhar uma fatia dos consumidores virtuais. O Universo On Line (UOL) é o maior provedor do Brasil e responde por 65% dos internautas do pais. O Zaz é o segundo maior, e pertence a um grupo de comunicação do Rio Grande do Sul.
Em Mossoró, o Universo On Line (UOL) aproveitou os equipamentos de um provedor já instalado, a Servpro. “Não se trata de um serviço de franquia”, deixa bem claro o diretor Hélio Duarte. “Na verdade, é uma parceria entre nós e o provedor paulista”. Com a chegada do Uol, houve um crescimento impressionante de usuários no Servpro. “Temos a perspectiva de dobrar no ano que vem”, comentou Hélio, em recente entrevista à GAZETA.
A parceria consiste na cessão dos equipamentos da Servpro para o Uol. O Uol, por sua vez, faria uma intensa campanha de divulgação e cuidaria de atrair novos assinantes Hélio explicou que o assinante paga ao Uol, que remete um percentual à Servpro.
No caso do Zaz, não se trata de uma parceria, mas de uma franquia. O Zaz no Estado é administrado pela CabugiSat, que percebeu um avanço no mercado virtual em Mossoró O provedor foi instalado há menos de um mês e já contabiliza mais de 50 usuários cadastrados A responsabilidade do Zaz em Mossoró é do comerciante Paulo Maia, que há tempos trabalha com informática.
Zaz, uma franquia de provedor, um dos primeiros a atuar em Mossoró (Reprodução: Arquivo do Gazeta do Oeste)
Linha 321 dificulta acesso à rede
A linha 321 da Telemar vem se transformando num pandemônio para os usuários de Intemet. Os especialistas no assunto disseram que ela não e apropriada à rede mundial de computadores. Ciente disso, a Telemar já iniciou o processo de mudança do prefixo Acontece que o 321 estava provocando muitas quedas na conexão e demora no carregamento dos sites. “Isso faz com que qualquer usuário perca a paciência”, disse o diretor da Nextway, Wadih Asfora
Um dos que perderam a paciência foi o comerciante Porfírio Negreiros. Ele instalou Internet em sua empresa, mas percebeu que a conexão era constantemente interrompida. “Logo liguei para a Telemar e eles fizeram a mudança para um 316”, contou.
O 321 e uma das linhas telefônicas mais antigas de Mossoró e seu processo de funcionamento ainda é analógico. Para a Internet, as linhas apropriadas são as digitais, que oferecem mais resistência e rapidez. “A transmissão de dados na linha 321 e lenta, por isso os sites demoram a carregar (aparecer na tela do computador)”, explicou Wadih. Quanto às quedas o modem não suporta o alto nível de ruído da central 321”.
Para se ter uma ideia de como o 321 é lento para a internet, os provedores calculam a velocidade de acesso em bps Com a linha 321, a velocidade é de 28 800 bps. Com linhas digitais como o 316, 318 ou 312, passa a ser de 50 600 bps.
Internautas mossoroenses promovem festas pela net
Grande parte dos usuários de Internet gosta de Internet para trocar e-mails (correspondências eletrônicas) ou entrar nos chats (salas de bate-papo). Existe uma infinidade de salas na Internet. Mas, para o público mossoroense, existe uma que recebe uma média de 150 pessoas por dia. É o Canal Mossoró, que através da Internet promove até eventos de cultura e lazer, como aconteceu ontem à noite no Complexo Calimar
Um dos coordenadores do canal é o internauta Zé Maria. Ele organiza eventos, marca reuniões e promove uma confraternização entre os usuários do canal. “É interessante porque as pessoas acabam se identificando muito com outras através do computador”, diz. Os usuários não costumam usar seus nomes verdadeiros. Usam pseudônimos, que são chamados no mundo virtual de “nickname”. “Nas festas, muita gente fica conhecida pelos nicks”, diz Zé Maria, cujo nick é zZzZz.
Para poder acessar o canal e preciso ter o programa “The Seven Deadly Sins”, facilmente encontrado na página da Nextway. Depois de instalar, é só criar um nick, escolher o canal Mossoró (#mossoro) e conversar com as pessoas. Por esse programa e possível o bate-papo reservado em salas particulares.
Provedores oferecem vantagens a assinantes
Provedores em Mossoró em 1999 (Reprodução: Arquivo Gazeta do Oeste)
Os provedores cobram uma taxa mensal para que seus assinantes possam “viajar” pela Internet. Em compensação, oferecem, além do serviço de conexão, uma série de outras vantagens exclusivas. O Universo On Line, por exemplo, disponibiliza todo o conteúdo de jornais e revistas Quem não é assinante, não tem acesso. No Uol, existe também o “discador automático”, que procura linha desocupada.
Mas o Uol é o que cobra mais caro a taxa de acesso ilimitado (sem limite de horas). Custa R$ 34 mensais, mas há planos mais baratos. No caso da Nextway, cuja tarifa de acesso ilimitado é de R$ 30, o cliente pode usufruir de alguns privilégios, como hospedagem de domínio próprio, montagem e manutenção em rede com plataforma Windows 95/NT e desenvolvimento de software personalizados e serviços on line.
“O mercado está cada vez mais competitivo e ganha o provedor que oferecer mais vantagens”, comentou José Luis, da Netrn, que coloca o usuário na Internet por R$ 29,90 (acesso ilimitado). O Zaz, que cobra em Mossoró R$ 34,00, vai sortear computadores com seus assinantes.
Empresas locais estão aderindo à nova fórmula
Algumas empresas mossoroenses estão um passo a frente dispondo seus produtos ao consumidor via Internet. Outras planejam entrar no esquema até o próximo mês. Existem muitas, como a Refimosal, lojas de informática como a Logus, locadora como a Visão Vídeo (que vai abrir um sistema de aluguel pela net) e de automóveis e motos, como é o caso da Motoeste.
“Isso mostra que muitos empresários estão com uma visão de futuro e eles sabem que isso é uma nova modalidade de venda”, diz o internauta Glauber Alves, que está estudando a criação da página da Glênio CD na Internet. “Esta página seria um catálogo do acervo da loja. O cliente pediria, nós deixaríamos em casa e discutiríamos a melhor forma de pagamento”, explicou. O empresário Glênio Soares é simpatizante da idéia e acredita que esta será uma nova fórmula de venda de discos, já que no Brasil as maiores vendas on line são do mercado fonográfico
Hoje, o comércio de Mossoró utiliza a Internet em escala impressionante Os negócios feitos a prazo levavam dias na análise do crédito do consumidor. Através da Internet, a análise é feita em dez minutos. “Isso é um avanço e mostra que temos que entrar nesta nova modalidade de venda o quanto antes”, disse Glauber.
Crescimento em 2000 deve ficar em 20%, prevê especialista
Segundo Wadih Asfora, as empresas estão sentindo a necessidade de se conectarem à Internet. “Hoje não faz sentir você possuir um computador e não ter internet”, disse. A Nextway, que foi instalada em Mossoró há três meses, é considerado um dos grandes provedores de Mossoró, mesmo diante dos maiores que chegaram recentemente.
A necessidade de Internet vem surgindo, em maioria, dos empresários locais, porque eles perceberam que através da rede poderiam divulgar seus produtos de uma forma mais completa e bem mais barata. Uma página na Internet custa em média R$ 300, variando de acordo com a qualidade gráfica apresentada.
Mas o crescimento de computadores domésticos também é grande “Temos um grande número de usuários que têm seus computadores em casa mesmo”, disse o diretor da Nextway. Ele acredita que no ano que vem haverá um aumento de novas conexões em torno de 15% a 20%. A Embratel informou que existem conectados em todo o país 4 milhões de com- putadores e que este número vai dobrar até o ano 2003.
“Os recursos que a Internet oferece são impressionantes. Tem tudo que você possa imaginar. E acaba saindo bem mais barato e cômodo para o usuário”, disse Wadih.
*Reportagem especial publicada no jornal Gazeta do Oeste em 12 de dezembro de 1999, assinada pelo jornalista William Robson, que agora em blog com seu nome reproduz matérias diferenciadas que fez ao longo de décadas de profissão. Essa série tem o nome de “Acervo” (veja AQUI).
William Robson é jornalista de longo curso, além de doutor nesse campo (Foto: divulgação)
O jornalista William Robson, que milita na imprensa mossoroense há uns 30 anos, passará a publicar em seu blog (veja AQUI) matérias importantes que fez nos anos 90 e 2000.
Temas como a morte de Eliseu Ventania, cobertura de micaretas, inauguração da ETFRN, hoje IFRN etc.
Excelente ideia.
Nota do Canal BCS – William começou no Gazeta do Oeste, onde cheguei um pouco antes. Também fomos parceiros no Jornal de Fato.
Além de jornalista-doutor, é professor com largo cabedal de conhecimento teórico e na prática, o que faz uma diferença enorme na hora de fomentar o saber.
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O jornalista e professor-doutor em jornalismo, William Robson, teve artigo de sua autoria publicado na Folha de São Paulo.
Gabriela Biló é fotojornalista da Folha de S. Paulo, autora da foto feita com técnica de múltipla exposição
Ele faz abordagem analítico-opinativa sobre polêmica foto veiculada por essa mídia impressa/virtual, sob o título “Quando a imagem jornalística recorre ao fake”.
Nota do Canal BCS – Independentemente de concordar ou discordar da visão analítica de William, manifesto minha alegria por essa projeção nacional do colega de redação desde os tempos do Gazeta do Oeste, no início dos anos 90.
Valeu, By! Você merece.
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Censo é trabalho realizado pelo IBGE (Foto: arquivo)
Do Blog Tio Colorau
O censo em curso me fez remontar ao ano de 1997, quando trabalhei como recenseador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Na oportunidade bati à porta do jornalista Carlos Santos, que à época mantinha o Herzog Press, um jornal via Fax.
Eu já o conhecia das páginas da Gazeta do Oeste, mas não ele a mim, então um jovem arrimo de família com 19 anos.
Dali a alguns anos nos conhecemos e somos amigos até hoje.
Daquele momento me recordo de sua cordialidade e dos vários livros espalhados pela casa.
Nota do Canal BCS (Blog Carlos Santos) – Ontem, à porta de casa, fui entrevistado por um recenseador do IBGE. Tudo ágil, sem delongas, com celular à digitação.
Veio à lembrança esse episódio narrado por você. Abração.
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O editor desta página e o verdadeiro “mito – Inácio Rodrigues, o “Pé-de-quenga” (Foto: BCS)
Encontro casual nesta quarta-feira (13) com o “mito” Inácio Rodrigues, o “Inácio Pé-de-quenga”, 63 anos, imortalizado por Canindé Queiroz na coluna “Penso, logo…”.
Inácio foi objeto de notas de Canindé em centenas e centenas de publicações, sempre bem humoradas. Ficou tão famoso que muitas visitas/entrevistados ao chegarem ao Gazeta do Oeste queriam conhecê-lo pessoalmente.
Era assessor direto de Canindé Queiroz para tudo e qualquer coisa e virou uma pessoa tão próxima, que ficou indispensável. Mesmo assim, várias vezes seu chefe tinha erupções de humor e o mandava embora para, imediatamente, ordenar sua volta.
Não conseguia viver sem ele.
Eu tenho cada história dessa relação entre os dois…
Inácio faz parte de minha vida e história até hoje. Do Gazeta do Oeste. Mito de carne e osso, com popularidade consagrada até nossos dias.
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Faleceu à madrugada dessa quinta-feira (7), no Hospital Wilson Rosado (HWR), em Mossoró, o professor, economista, consultor político, ex-presidente da Fundação Universidade Regional do RN (FURRN, hoje UERN), ex-vice-prefeito e jornalista Canindé Queiroz, 79.
Faria 80 anos no próximo dia 14.
Canindé Queiroz morre no Dia do Jornalista, deixando uma marca como iconoclasta, polemista e às vezes inconsequente Foto: Reprodução Canal BCS)
Ele estava internado desde a noite de terça-feira (5), quando começou a ter falta de oxigenação. Constatou-se avanço de uma infecção e logo acomodado em leito de UTI, sendo intubado. Veio a óbito como desdobramento desse problema.
Canindé deixa seis filhos, nove netos e a viúva, promotora de Justiça aposentada Maria Emília Lopes Pereira.
O velório acontecerá na Capela São Vicente, centro da cidade, com família estimando que tenha início às 13h. O sepultamento será às 8 horas de amanhã (sexta-feira, 8), no Memorial Jardim das Palmeiras, Mossoró.
Polemista
Francisco Canindé Queiroz e Silva morre justamente no Dia do Jornalista. Fundou o jornal (já extinto) Gazeta do Oeste em 30 de abril de 1977, transformando sua coluna “Penso, logo…” num fenômeno de leitura e repercussão em todas as classes da pirâmide social.
Polemista, iconoclasta, por vezes inconsequente, Canindé e seu impresso foram durante décadas uma marca forte da imprensa do RN defendendo grandes causas. Sua sala no jornal – sede na Avenida Cunha da Mota, centro de Mossoró -, foi por muito tempo um ponto obrigatório de circulação das figuras mais influentes da política, economia e outros segmentos da atividade humana do RN e país.
Era um homem de extremos e extremado. Sem rodeios. Intenso e incomum.
Nota do BCS (Blog Carlos Santos) – Estou tentando me refazer. Para mim é uma perda sofrida, por tudo que vivi e vivemos. São tantas histórias, algumas cômicas, outras de alegria contagiante, muitas tensas, que não caberiam num livro. Nem os sentimentos envolvidos, de paixão comum pelo jornalismo e nosso jornal. Afinação, desafinação, arengas, reconciliações; tem de tudo um pouco nesses anos todos. Também choros comuns ou a distância. De minha parte, só gratidão pelos momentos mais marcantes de minha vida, que me trouxeram até aqui com o mesmo apetite para ser jornalista até o último suspiro. Enquanto der, dará. Beijos. Vá em paz!
Vídeos acima foram veiculados no programa “Mossoró de Todos os Tempos (MTT)”, da TV Cabo Mossoró (TCM), com apresentação do professor e ex-reitor da Uern Milton Marques de Medeiros, veiculados em 2003, há quase 20 anos.
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O jornalista e economista Julierme Torres assume a Superintendência Executiva da Caixa Econômica Federal (CEF) em Mossoró. Essa direção regional tem alcance de cerca de 62 municípios.
Ele estava na gerência da CEF em Caicó.
Julierme já tinha sido gerente-geral da Caixa em Mossoró. No jornalismo, atuou em jornais locais como Gazeta do Oeste e Jornal de Fato, além de ter sido Secretário de Comunicação do Governo Cláudia Regina (DEM).
Ele substitui no cargo o gestor financeiro Gilson Pedro Ramos, natural de Curitiba (PR).
A Superintendência Executiva da Caixa Econômica Federal de Mossoró é a segunda do RN, depois de Natal. Foi instalada em 2020.
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Porque hoje é domingo, e os domingos são especialíssimos para mim, embora muita gente goste mais das sextas-feiras e dos embalos do sábado à noite, bateu-me esta saudade romântica, singular quanto plural. Coisa de um passado ainda jovem, desabrochado numa quadra de 1997. Ano mágico em que fundamos neste município a Poetas e Prosadores de Mossoró (Poema).
Aqui tento remoçá-la — a saudade — pelo rememorar de sons, cores, olfato, legendas, fotografias. Pois é. As saudades possuem cheiro, têm ruídos, são imagéticas e quase palpáveis.
Retomo a pauta da morte material dos jornais, mortandade que se alastrou por todos os lugares deste país e do mundo. Em solo tupiniquim, entre outros vetustos diários que deixaram o suporte do papel ou faliram por completo, permito-me citar quatro veículos: Diário de Pernambuco (1825), Jornal do Commercio (1827), jornal O Mossoroense (1872) e o Jornal do Brasil (1891).
Exceto pelo Jornal de Fato, que resiste e prossegue sob a batuta de César Santos, jornalista vocacionado e gestor meritório (devemos dar a César o que é de César!), todos os veículos impressos de Mossoró quebraram. Foi assim, por exemplo, com a Gazeta do Oeste (1977).
Ao contrário de O Mossoroense, hoje limitado à sua plataforma on-line, a Gazeta extinguiu-se completamente. “Sua última edição foi às ruas no dia 31 de dezembro de 2015”, conforme registrado no blogue do Carlos Santos à época. Em tempo, Carlos é um dos pioneiros da blogosfera local.
Antes do primeiro galo bicar o sol e abrir os olhos da manhã, os jornais impressos afloravam no útero mecânico das rotativas; flores de tinta e celulose cujas pétalas-páginas revelavam a fragrância e o flagrante, o escândalo e a moral, a paz e a guerra, o Deus e o Diabo de cada novo amanhecer.
Ao menos para mim, que tive a honra de fazer parte de duas redações enriquecedoras, em O Mossoroense e na Revista Papangu, ter em mãos os veículos impressos (semanários, diários ou mensários) era algo incomensurável, uma experiência indescritível. Não havia nada mais urgente ou importante que o jornal que líamos naquelas primeiras horas do domingo.
Os jornais chegavam aos lares e leitores tão naturalmente como chegavam o leite e o pão. E, estando os três na mesa (o jornal, o pão e o leite), não raro alimentávamos primeiro os olhos.
Era uma necessidade inadiável de muita gente. Em seu bojo de alegrias e dores, sempre tão esquadrinhado, diverso e único, o jornal representava o pregão dos pregões: “Olha o jornal!”, exclamavam jornaleiros nalguns pontos do Centro, comerciando notícias ainda fresquinhas àquela época.
Eu pensava em coisas desse tipo a cada edição, especialmente quando um texto de minha autoria (um soneto, uma crônica ou conto) estava gravado em páginas do velho O Mossoroense ou da Papangu. Assim, cada qual com sua tiragem, periodicidade e público, os veículos impressos tomavam rumos imprevistos. Gostávamos de tocar o papel, manejar as folhas, sentir-lhes a textura, o olor da tinta.
Aquilo possuía vida, densidade, tinha a cara, o cheiro e a fala do povo. Eu me sentia, repito, orgulhoso de fazer parte daquela engrenagem, apesar de alguns indícios de mordaça, da tácita censura que rondava a nossa expressão escrita.
Encaramos obstáculos, uma antipatia velada, subjacente, rancores, ímpetos de ranço e prepotência, reprimendas. Mas, com a alegria com que os passarinhos anunciam cada raiar do sol, não emudecemos, tecemos nossa teia verbal, vencemos a intolerância, a ferocidade e o cerco das hienas.
Hoje tudo está modificado. Vivenciamos a hegemonia dos portais eletrônicos, dos sites, das redes sociais e da blogosfera. Jornalistas outrora assalariados, dançando conforme a música que os patrões tocavam, sem tanto crédito nem opinião própria, agora são donos das suas vozes, adquiriram autonomia para dizer o que querem ou aquilo que lhes convém.
Como está na moda falar, são empreendedores, chefes de si mesmos. Não todos, pois ainda há aqueles sob a regência do patronato, contudo grande parcela é autossuficiente. Em meio a esses, talvez em número expressivo, há homens e mulheres admiráveis, dignos de respeito.
Vejo no mister de jornalista, como em poucos outros, uma paixão e um glamour típicos. É aí que muitos, literalmente, dão o sangue pela missão de informar. Tornam o público ciente dos acontecimentos nas mais diversas esferas da sociedade, rompendo a barreira do medo e da mordaça.
Nunca fui nem me pretendi jornalista, mas tive a oportunidade de trabalhar e interagir com admiráveis pessoas desse ramo, quando o sangue e a tinta (no tempo da tinta) corriam pelas veias expostas do homem de imprensa. Desse universo advém todo o seu penar e a sua delícia, o seu torpor e o seu ópio.
Pouca coisa lhes importa mais do que isso. Até eu, na época dos impressos, lembro de que várias vezes, movido por aquela sensação do dever cumprido, não fui para casa não sem antes passar pela oficina e pôr o meu exemplar debaixo do braço.
Sentia-me atraído pela sala de impressão, gostava da voz metálica da rotativa, daquele matraquear que geralmente se estendia pela madrugada. Só depois, portanto, eu deixava a oficina com o sentimento de que fizera a minha parte, satisfeito com a crônica, o conto ou poema ali gravado.
O jornal em papel era uma espécie de viajante do tempo que noticiava e que era notícia. Quantos homens e mulheres não se uniram e se deixaram por meio de suas folhas; quantas carreiras não foram construídas e arruinadas ao longo do seu expediente e curso. Havia em sua esteira factual um ciclo de apogeu e debacle, mortes e nascimentos, otimismo e desesperança. Entre outros veículos, a mídia escrita e impressa era a mais charmosa, romântica e sedutora.
Oito e dez. Dia nublado, aspergido por uma suave garoa. Bateu-me esta saudade do papel. Penso que num domingo assim, antes de provarmos o leite e o pão, estaríamos à mesa lendo um jornal impresso.
Veja na caixa de vídeo abaixo, estreia do projeto experimental Carlos Santos – AOS VIVOS, em que batemos papo com o jornalista Saulo Vale do Blog Saulo Vale.
Esse novo canal do Blog Carlos Santos foi implantado em nosso endereço no Instagram (veja AQUI). Foi ao ar nessa segunda-feira (18), às 21h.
Conversamos sobre jornalismo (rádio, TV, webjornalismo e impresso), Universidade do Estado do RN (UERN), pandemia, vida pessoal do entrevistado, política estadual e municipal, papel da Justiça Federal e Ministério Público na luta contra a Covid-19, além de algumas abobrinhas.
Experiência
O Carlos Santos – AOS VIVOS é um projeto experimental, embrionário e laboratorial. Antecede investimento mais esmerado desta página, a ser desenvolvido adiante, em que pretendemos instigar o colaboracionismo de internautas e convergência de mídias num ambiente multiplataforma.
É um canal para a gente jogar conversa fora, não fazer um monte de coisas e sei lá o quê, semanalmente – sempre às segundas-feiras, às 21 horas.
* Inscreva-se em nosso canal no Youtube (acesse clicando AQUI) para avançarmos nesse projeto jornalístico.
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Jornalista com passagens marcantes no Jornal De Fato e Gazeta do Oeste onde liderou equipes vitoriosas e premiadas, William Robson Cordeiro conseguiu um feito histórico para Rio Grande do Norte ao se tornar o primeiro doutor em jornalismo do Nordeste com formação em universidade brasileira.
William Robson e sua mulher Janaína Holanda em momento especial em Santa Catarina (Foto: Facebook)
Aluno da segunda turma, do primeiro doutorado em jornalismo do país, PÓSJOR da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), William defendeu a tese “Hiperinfografia: uma proposta para o infográfico de quarta geração”, nesse último dia 24 (quinta-feira).
William é graduado em comunicação social com habilitação em jornalismo pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e mestre em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). “Esse é o único doutorado em jornalismo da América Latina e eu fui o primeiro nordestino a entrar no curso”, frisou.
Sobre o trabalho ele disse que foi fruto de muito esforço. “Não foi fácil, teve muita renúncia, muita luta e esperança. Mas tenho orgulho de ser o primeiro doutor em jornalismo do Nordeste, proveniente de uma universidade brasileira. Feliz e disposto a seguir com os desafios da pesquisa no campo”, declarou nas redes sociais.
Ele foi orientado pela professora Raquel Ritter Longhi.
O segundo doutor em jornalismo do Nordeste com formação no Brasil também será do Rio Grande do Norte. Edwin Carvalho está concluindo sua pesquisa sobre o ensino de jornalismo nos países de língua portuguesa na África.
Nota do Blog Carlos Santos – Vi “By William” (como o chamávamos no Gazeta do Oeste há mais de 25 anos) nascer para o jornalismo. Levamos seu talento para editar o Jornal de Fato, quando fundamos e lançamos o periódico no início dos anos 2000. Bom vê-lo em permanente crescimento. Aplausos, aplausos de pé, muitos aplausos. Deus proteja-o mais ainda. Amém!
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O comerciante Lailson Lopes e o Pastor Gilson Neudo foram condenados pelo Tribunal do Júri Popular a 14 anos de prisão por serem mandantes da execução do radialista e jornalista F. Gomes, assassinado a tiros em Caicó-RN no dia 18 de outubro de 2010, aos 46 anos.
Julgamento terminou no final da noite dessa terça-feira em Caicó (Foto: Jenully Cristiano)
A sentença foi divulgada às 23h20h desta terça (16), no Fórum Municipal Miguel Seabra Fagundes, em Caicó.
Lailson Lopes ou “Gordo da Rodoviária”, foi defendido pelo Advogado Anesiano Ramos. Lailson poderá recorrer da decisão em liberdade.
Já o pastor Gilson Neudo, que continuará preso, recebeu os trabalhos advocatícios de Serjano Marcos.
Executor
O assassino de Francisco Gomes de Medeiros, o F. Gomes, foi condenado dia 6 de agosto de 2013. Trata-se do mototaxista João Francisco dos Santos, mais conhecido como ‘Dão’. Recebeu pena de 27 anos.
F. Gomes era da Rádio Caicó AM e fazia constantes denúncias que mexeram com interesses dos condenados dessa terça-feira e outros.
Nota do Blog – F.Gomes era um repórter na expressão da palavra. Quando comecei trabalho de expansão do extinto Gazeta do Oeste no Seridó, no início dos anos 90, fui direto no seu nome para representar o jornal. Não errei. Que descanse em paz.
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Provedores de aplicações na internet, com sites de busca, têm responsabilidade subjetiva pelo conteúdo de terceiros. Segundo entendimento da 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), se, depois de avisados sobre conteúdo ofensivo, o provedor não tomar providências, ele também deve responder pela ofensa.
Com essa tese, o colegiado confirmou uma condenação do Google Brasil e considerou legal a ordem judicial que determinou a exclusão do “Blog do Paulo Doido”, com conteúdo danoso a terceiro. Por unanimidade, o colegiado seguiu o voto da relatora, ministra Nancy Andrighi, em sessão no último dia 12, com publicação de acórdão (decisão do plenário) nessa quinta-feira (21).
Nancy Andrighi: voto seguido (Foto: STJ)
O caso, que ganha dimensão de jurisprudência no ordenamento jurídico brasileiro, teve como ponto de partida a cidade de Mossoró.
Gustavo Rosado, o mentor
Em ação desencadeada pela então deputada federal, ex-prefeita e hoje vereadora Sandra Rosado (PSB), o rastreamento judicial alcançou como mentor da página apócrifa o então chefe de Gabinete da Prefeitura Municipal de Mossoró, agitador cultural Gustavo Rosado, irmão da prefeita à época, Fafá Rosado (DEM, hoje no PMDB).
Segundo a ministra, o Marco Civil da Internet considera o provedor de aplicação responsável por conteúdo gerado por terceiro a partir da data do descumprimento da ordem judicial.
Sandra pediu judicialmente a retirada da página do ar e a identificação do responsável pelo blog. Tinha conteúdo ofensivo contra ela e seus familiares, não poupando sequer seus netos menores de idade. Em primeiro grau, o pedido foi julgado procedente pelo juiz José Herval Sampaio Júnior.
O magistrado determinou a suspensão do endereço eletrônico de conteúdo ofensivo, com multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento. O blog foi retirado da internet pelo próprio usuário, anônimo.
Há poucos meses, através de um acordo judicial, Sandra Rosado recebeu indenização pecuniária em um dos processos. Parte da quadrilha do Paulo Doido preferiu compensar seus pecados em dinheiro.
Entre os condenados, o ‘jornalista’ Neto Queiroz – que era colunista do jornal Gazeta do Oeste, assessor do então deputado estadual Leonardo Nogueira (DEM), cunhado de Gustavo Rosado, e o ex-secretário de Comunicação da Prefeitura de Mossoró Ivanaldo Fernandes Júnior. Este ano, voltou a ganhar cargo comissionado na municipalidade, equipe da prefeita Rosalba Ciarlini (PP).
O “Blog de Paulo Doido” foi criado em 18 de fevereiro de 2010. Sua saída do ar ocorreu em 13 de julho do mesmo ano, coincidentemente na data em que a Justiça mandou o Google apontar sua origem.
Nota do Blog – O episódio do Blog Paulo Doido é um dos mais abjetos da “política” de Mossoró. As decisões judiciais jamais vão reparar o que aquela corja promoveu, inclusive atingido com baixarias e ameaças de violência física o editor do Blog Carlos Santos e um filho.
Nunca reagimos à altura nem recorremos ao Judiciário, onde respondemos a quase 30 processos desencadeados por Gustavo e similares, com objetivo de nos asfixiar moralmente, financeiramente e profissionalmente. O cerco falhou.
O jornalista Bruno Barreto ultima providências para lançamento em data, horário e local ainda a serem definidos, do seu primeiro livro. “Os Rosados Divididos: como os jornais não contaram essa história” é o título da obra.
Sairá sob o selo da Editora Sarau das Letras, dos editores David Leite e Clauder Arcanjo.
“A capa está pronta e a missão de tornar palpável ao grande público a história sobre a divisão política dos Rosados na década de 1980 está cada vez mais real”, assinala ele.
A publicação é fruto da dissertação de mestrado que aborda o tema a partir da cobertura dos jornais Gazeta do Oeste e O Mossoroense (ambos já extintos). “Estou em processo de ajustes na linguagem para ter um caráter mais jornalístico”, esclarece.
Para viabilizar o projeto, Bruno Barreto iniciou essa semana a pré-venda do livro. Quem tiver interesse em adquirir deve entrar em contato por dois números de celulres – (84) 98889-3574 e (84) 99680-1920 – ou por suas redes sociais no Facebook ou Instagram!
Nota do Blog – Assisti ao vivo a apresentação do trabalho à sua aprovação na Universidade do Estado do RN (UERN).
Gostei. Gostarei mais ainda do livro.
Já encomendei alguns exemplares para mim e para presentear amigos.
Sucesso, Velho!
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O governador Garibaldi Filho desenvolve o Programa de Adutoras no Rio Grande do Norte, mas em Mossoró o grupo da então prefeita Rosalba Ciarlini faz campanha contra o empreendimento do adversário político.
Na Câmara Municipal, o vereador rosalbista e médico Hugo Brasil é entrevistado pelo jornalista Gutemberg Moura do jornal Gazeta do Oeste, divergindo de seus líderes quanto ao assunto.
– O senhor é a favor ou contra? – indaga Moura.
– Eu sou a favor da adutora! – afirma o entrevistado.
Cobrado em seguida nos bastidores, devido o embaraço que criou para Rosalba e o governismo municipal, ele faz contorcionismo para sair bem na “fita”.
E esclarece o mal-entendido, digamos: “Eu disse que era a favor da ‘doutora‘ (Rosalba é pediatra). Ele (o jornalista) deve ter entendido mal.”
Ah, tá!
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O relatório de auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE), referente ao período legislativo de 2014, conforme o Blog Carlos Santos apresentou em primeira mão – em resumo – (veja AQUI ou abaixo), é um trabalho que dissecou o uso de recursos públicos na manutenção da Câmara Municipal de Mossoró e seus componentes.
O relatório está concluído desde o dia 11, já disponível no site do TCE (veja AQUI). O relator foi o conselheiro Renato Dias.
Nesse trabalho técnico, os auditores do TCE relatam ao longo de dez capítulos várias irregularidades que precisam ser sanadas, além de não mais repetidas pela Casa.
Veja um resumo abaixo:
I – Indevida destinação de recursos financeiros aos gabinetes dos Vereadores para custeio de despesas administrativas (Verba de Gabinete).
“A transferência habitual de determinado valor (mensalmente), ainda que limitado por lei, aos Vereadores, com vistas à realização de discricionárias despesas de custeio dos gabinetes, de caráter ordinário e habitual, ou seja, que se repete durante todo o exercício, seja mediante repasse prévio (regime de adiantamento) ou repasse a posteriori (ressarcimento), reputa-se irregular, sendo irrelevante, nesse caso, a nomenclatura conferida para caracterizá-la. Tais despesas devem ser submetidas ao regular processo de planejamento e execução pela administração da Câmara, sob pena de configurar indevida descentralização orçamentário-financeira dos gastos públicos”, cita o relatório.
Propaganda personalista/ausência de interesse público
“Dos referidos dispositivos constitucionais, infere-se, portanto, que a observância à necessária publicidade em harmonia com o princípio da impessoalidade exige que a publicidade das ações realizadas por agentes públicos deve sempre visar o interesse público, jamais envolvendo, sob qualquer forma ou pretexto, elementos que promovam a imagem pessoal do agente. 52. Outro ponto que merece destaque, é a imperiosa distinção que deve ser feita entre divulgação “da atividade parlamentar” e divulgação “do parlamentar”, cita.
“Nos diversos documentos analisados, foi possível verificar despesas com: divulgação das ações individuais dos vereadores em carro de som, em programas de rádio, televisão, jornal, redes sociais e outdoors; confecção de encartes, panfletos e folders para distribuição; criação e manutenção de blogs e sites pessoais; serviços fotográficos e de filmagem; produção de banner, faixas e bandeiras e veiculação de matérias pagas em jornais, tais como o “Gazeta do Oeste” e “Jornal de Fato”. Todas as referidas despesas encontram-se detalhadamente relacionadas no Anexo I do presente relatório”, assinala.
III – Despesas com combustíveis – Ausência de comprovação da finalidade pública/
IV – Despesas com aquisição de peças e serviços para veículos particulares – Ausência de comprovação da finalidade pública.
VI – Violação às regras constitucionais e legais de exigência de licitação.
VII – Despesa com locação de imóvel – inexistência de interesse público.
VIII – Despesa com assessoria e consultoria – ausência de documentos hábeis a comprovar a efetiva prestação do serviço.
IX – Despesas com Refeições/Alimentação – Ausência de comprovação da finalidade pública.
X – Despesas com material gráfico – aquisição com empresa impedida de contratar com a Administração Pública.
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A TV Tropical (Rede Record de Televisão) fechou sua sucursal em Mossoró. Fim da linha. No futuro, quem sabe, seja reaberta.
No final do ano passado, deram adeus os jornais impressos O Mossoroense e Gazeta do Oeste. O primeiro ainda resolveu apostar na plataforma online; o outro, nem isso. Fim mesmo.
A TV Costa Branca (afiliada da Rede Globo de Televisão) foi inaugurada em março e em dezembro fez demissão em massa. Ficou reduzida a uma sucursal da InterTV Cabugi do Natal.
No dia 29 de junho de 2013, o vespertino diário Correio da Tarde saía com sua última edição.
A maioria das rádios enfrentam enormes dificuldades de sobrevivência. Quase todas estão com salários em atraso, sucateamento físico e de material.
Não é o fim do jornalismo, logicamente, mas um momento de reflexão e séria discussão sobre a gestão de empresas do setor e formação da própria mão-de-obra.
O jornal Gazeta do Oeste chegou ao fim. Decisão já fora tomada ano passado, há meses até. Vinha sendo adiada, empurrada com a barriga.
Sua diretora-geral, Maria Emília Lopes, hoje fez comunicado oficial a todo o quadro de empregados.
Sua última edição foi às ruas no dia 31 de dezembro de 2015.
Ao contrário de O Mossoroense (veja AQUI) que tomou igual decisão no final do ano passado, mas preservando a plataforma online, o Gazeta do Oeste abdica dessa possibilidade.
É o fim mesmo.
História iniciada em 1977 com Canindé Queiroz, portanto há quase 39 anos, foi a marca mais importante do jornalismo interiorano do estado no meio jornalístico – por muitos anos.
Definhou por vários fatores, mas em parte à própria asfixia generalizada – em todo o mundo – do impresso.
Nota do Blog – Que descanse em paz.
De mim, o agradecimento pela oportunidade de longa trajetória por lá, amizades que conservo até hoje.
Mágoas?
Nem dos que o utilizaram por incontáveis vezes para tentar me fazer mal e a meus filhos.