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Campanha eleitoral

Por Odemirton Filho

Quem gosta de política lembra-se, com saudade, das campanhas eleitorais de outros tempos.

Em minha memória guardo a campanha ao Governo do Estado do Rio Grande do Norte, em 1982, entre Aluízio Alves (Cigano Feiticeiro) e José Agripino (Jajá).

Ainda criança, lembro-me da magia que cercava aqueles momentos, levado pelos meus pais para acompanhar essas movimentações políticas.

Decerto não entendia nada, gostava era de ver as figuras que faziam a alegria das movimentações políticas. Ramos de árvores nas mãos dos eleitores, o homem do carneiro verde, discursos inflamados, passeatas com uma multidão a perder de vista.

Candidato ao Senado Carlos Alberto de Sousa, governador Lavoisier Maia, ex-governador Tarcísio de Vasconcelos Maia e José Agripino Maia com o filho Felipe Maia nos braços na campanha eleitoral de 1982 no RN (Foto: autoria não identificada)

A tradicional descida do Alto de São Manoel sempre foi o ponto alto das campanhas em Mossoró. O candidato que conseguisse reunir maior número de pessoas estava a um passo de ser eleito, segundo a lenda eleitoral.

Era, sem dúvida, uma festa popular.

A campanha de 1986 entre João Faustino (João do Coração) e Geraldo Melo (o Tamborete) foi memorável. Ali, já adolescente, me envolvi com maior atenção, pois tínhamos tido, recentemente, a redemocratização do país.

Até hoje não ouvi uma música de campanha que embalasse tanto os eleitores como as do “tamborete”, que “soprava o vento forte”.

Existia, em Mossoró, o chamado Largo do Jumbo, onde hoje se localiza o Ginásio de Esportes Engenheiro Pedro Ciarlini Neto.

Naquela época era possível a realização dos showmícios. O candidato que contratasse um cantor de nome nacional conseguiria impressionar, pois reuniria um número maior de pessoas, não necessariamente seus eleitores.

Simultaneamente tínhamos dois comícios. Um realizado no Largo do Jumbo e o outro no Largo da Cobal. As pessoas, então, ficavam circulando entre um e outro, para ver qual tinha mais gente e curtir as atrações musicais.

Em 1988 a disputa foi entre Laíre Rosado, o favorito, e Rosalba Ciarlini, a novidade. Em uma campanha acirrada que teve a adesão do prefeito Dix-Huit Rosado, a “Rosa” sagrou-se vencedora.

Mais uma vez acompanhei tudo de perto. Naquela campanha o Partido dos Trabalhadores (PT) lançou Chagas Silva/Zé Estrela a prefeito e vice-prefeito de Mossoró.

Em um arroubo de minha juventude, depois de uns goles a mais, fui repreendido pelo meu saudoso avô Vivaldo Dantas, comunista histórico, quando menosprezei uma movimentação do PT que se fazia em frente à sua residência.

Na campanha de 1989 votei pela primeira vez. Era o “Caçador de Marajás”, Fernando Collor, contra Lula, em sua primeira disputa à Presidência da República.

Em 1992 tudo caminhava para a vitória de Luiz Pinto, candidato de Rosalba, contra o ex-prefeito Dix-Huit Rosado. Porém, apresentando toda sua força, o “velho” alcaide mostrou que era a grande liderança de Mossoró e foi eleito para um terceiro mandato.

Para mim essas campanhas eleitorais são inesquecíveis.

Com o passar dos tempos a alegria dos comícios foi substituída pela responsabilidade que deveria ter ao escolher os meus representantes. Era mais do que uma festa.

Sem dúvida, nas cidades interioranas todos têm suas campanhas favoritas. Quanto menor a cidade, maior o acirramento. Move-se pela paixão, não pela razão.

No dia de eleição, ao sair às ruas, se as cores do seu partido estivessem em maioria, provavelmente o candidato ganharia. A pesquisa, nas cidades pequenas, era feita de acordo com a quantidade de camisas no dia da eleição.

Quem não se lembra das vigílias na véspera do dia da eleição? Os correligionários dos candidatos passavam à noite percorrendo os bairros da cidade, “vigiando” os adversários para que não praticassem a compra de voto.

As pessoas ficavam nas calçadas durante toda a madrugada a espera de um agrado dos candidatos.

Hoje a realidade é outra. As campanhas eleitorais saíram das ruas e estão nas redes sociais. O medo de ir às ruas para acompanhar uma movimentação política impede uma maior concentração de eleitores.

Ademais a sociedade encontra-se em desalento, pois há tempos que vem sendo manipulada pelas falsas promessas que ano após ano se repetem.

A intolerância é marca registrada da campanha eleitoral deste ano. A violência campeia. Chegamos ao absurdo de um candidato ser esfaqueado e uma mobilização de outro ser alvejada por tiros disparados a esmo.

Outros tempos. A festividade de outrora perdeu o brilho.

O rigor da legislação eleitoral, para se evitar os muitos abusos que eram praticados, arrefeceu as mobilizações políticas.

A sociedade parece que cansou do circo.

Agora, mais do que nunca, precisa é do pão.

Odemirton Filho é professor e oficial de Justiça

IPTU que já queimou rosalbismo, começa a queimar de novo

Dix-huit e o irmão Vingt Rosado em 1992: fogo no IPTU na campanha (Foto: arquivo)

Em 1992, o então candidato a prefeito Dix-huit Rosado (PDT) venceu as eleições municipais contra o candidato da então prefeita Rosalba Ciarlini (PFL na época), sob a promessa de “queimar os carnês do IPTU” que estavam com valores exorbitantes.

Ele não cumpriu a promessa (nem poderia, em face de impedimento legal), mas incinerou o adversário Luiz Pinto (vice-prefeito do PFL) e freou o projeto de continuidade do rosalbismo.

Agora, 25 anos depois, pela quarta vez prefeita de Mossoró, Rosalba está se queimando com o mesmo problema.

Pelo menos este ano não tem eleição.

No próximo, sim.

O fogo é branco ainda, mas avança à cumeeira do seu grupo político e governo.

Anote, por favor.

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“Rosalbismo” vive período de trevas e com futuro incerto

“Aluízio morreu! Aluízio morreu!!” Esse brado de meninos levados e irrequietos, sitiando uma esmoleira insana pelas ruas de Mossoró, anos 70, parecia atestar não apenas o falecimento político do líder popular e populista Aluízio Alves, mas a orfandade patológica da “gentinha”, sua massa de seguidores.

Carlos e Rosalba: tarefa hercúlea para repetir o passado no futuro (Foto: Governo do Estado)

A molecagem que impulsionava a louca a vomitar palavrões às mães dos endiabrados meninos,  além de arremessar pedras contra eles, o tempo tratou de sepultar. E, esse mesmo tempo, provou que a meninada errante exagerava: Aluízio não morrera.

Sua cassação política no final dos anos 60, pelo regime militar que apoiara, o deixou por dez anos fora de cena. Parecia morto e sepultado.

Retornou às ruas e a uma disputa ao governo estadual em 1982, sofrendo fragorosa derrota por mais de 107 mil votos de maioria para o engenheiro e ex-prefeito biônico de Natal – José Agripino Maia (PDS). Nos anos seguintes, sua liderança fez crescer seu grupo, colecionando vitórias e expandindo influência.

“Mas Aluízio era Aluízio”,  poderia afirmar qualquer estudioso da política potiguar do século passado e deste. Gênio político. Fenômeno. Outra pessoa teria fôlego para tamanha recuperação e saída do desterro obrigatório?

A ex-prefeita mossoroense por três vezes, Rosalba Ciarlini (DEM), caminha para ser cobrada quanto a essa capacidade quase mitológica, de renascer das cinzas.

Governadora do Rio Grande do Norte, com passagem pelo Senado, e “divindade” mercadológica do que se denominou de “rosalbismo”, neologismo que deriva do seu nome, Rosalba está na coxia dos acontecimentos políticos, esse teatro de guerra. Mesmo sendo governadora, está alheia e excluída do próprio processo sucessório.

Eleição ao Senado em Mossoró (2006)

– Rosalba Ciarlini (PFL) – 90.660 (83,33%)
– Fernando Bezerra (PTB) – 14.049 (12,91%)
– Votos Apurados – 129.082

Eleição ao Governo do Estado em Mossoró (2010)

– Rosalba Ciarlini (PFL) – 98.964 (84,86%)
– Iberê Ferreira (PSB) – 16.043 (13,76%)
– Votos Apurados –  158.920

É pouco provável que sequer seja candidata à reeleição, por força de decisão judicial que a torna inelegível ou por imposição de comando partidário, o DEM, que não a deseja candidata. Ela é um peso, um estorvo para o Democratas.

Entretanto o maior sinalizador desse período de trevas foi a recente campanha municipal suplementar de Mossoró, seu berço político e até bem pouco tempo espécie de possessão. Sequer teve candidatura própria a comandar e apoiar.

Viu-se no papel de figura distanciada do pleito. Obrigou-se a anunciar numa entrevista que estaria cumprindo postura de “neutralidade”, poucas horas antes do dia da eleição.

Abdicou de ser proativa e pontificar onde era seu próprio “reino”.

Para quem se habituou a afirmar em círculos fechados com apaniguados e xeleléus, que “quem manda em Mossoró é Rosalba”, ficar longe das ruas e das urnas foi um choque para a mãe do rosalbismo. Ela até tentou construir uma candidatura, mas pesquisas encomendadas revelaram rejeição assombrosa da quase-ungida Kátia Pinto, sua secretária de Infraestrutura do Estado. Reflexo de sua própria imagem desgastada como governante, que chegou a Mossoró.

Teve que aceitar goela abaixo a imposição de Cláudia Regina (DEM), que não aceitou retirada de postulação, mesmo sendo prefeita cassada, afastada e inelegível para o pleito especial. A “Rosa” terminou sem Cláudia ou qualquer outra candidatura.

Estava entre a cruz e a espada: apoiar a deputada estadual Larissa Rosado (PSB), filha da prima e adversária – deputada federal Sandra Rosado (PSB); apoiar o prefeito provisório e ex-aliado Francisco José Júnior (PSD), que assentado na ‘Prefeitura de Rosalba’ resolveu enfrentar quase 70 anos da força oligarca dos Rosado. Acabou optando por sair de cena. Nenhum nem outro.

Após 26 anos participando diretamente de eleições municipais mossoroenses, o rosalbismo ficou fora. Foi um coadjuvante oculto.

Rosalba ficou alijada de um processo no qual tinha interesse direto e indissociável. Em duas eleições estaduais, Mossoró lhe ofertou votações estelares, consagradores e determinantes em sua vitória ao Senado (2006) e Governo do Estado (2010).

Pilatos

Ficar ausente do pleito, mesmo que indiretamente, lavando as mãos com um Pilatos, pode ter sido um atestado de óbito à própria carreira política.  Ou não. Enfim, é precipitado se fazer afirmação categórica nesse sentido e nesse instante.

"O Jornal de Hoje" documentou Rosalba agradecendo gestão de Wilma; depois, o racha

Rosalba, sob a liderança inconteste do marido e chefe do Gabinete Civil do Estado, ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado (DEM), já tivera outro momento em que se viu obrigada a tomar decisão delicada diante de uma bifurcação aflitiva. Estava também entre a cruz e a espada. Mas assumiu um lado.

Foi em 2002.

Àquele ano, Carlos Augusto era candidato a vice-governador na chapa do então senador Fernando Bezerra (PTB, hoje no PMDB). Sequer foi para o segundo turno. Quem chegou lá foi seu primo e adversário, deputado federal Laíre Rosado (PMDB, hoje no PSB). Era vice do governador Fernando Freire (PP).

Carlos emitiu sinais, que foram claramente entendidos pela candidata Wilma de Faria (PSB). Apoiaram-na e reforçaram seu palanque vitorioso no segundo turno, evitando uma ascensão iminente para o plano estadual, do grupo de Laíre e sua esposa Sandra Rosado.

Fizeram parte do Governo Wilma por alguns meses, exaltando sua gestão, até se incompatibilizarem com ela e seu estilo também impositivo.

Agora, mesmo equidistante e sob “neutralidade”, Rosalba não pode ser vista como um zero à esquerda, peso morto ou completamente alheia ao pleito municipal.

Sobrecarga

Seu silêncio seguiu tendência majoritária de sua militância e eleitores. Nitidamente, houve um descarrego no nome de Francisco José Júnior, ajudando-o sobremodo a alcançar o patamar de 68.915 votos válidos no pleito do último dia 4.

Rosalba e Fafá navegam em águas diferentes e separadas (Foto: Carlos Costa, em abril de 2008, bairro Ilha de Santa Luzia)

O que o futuro reserva para Rosalba e seu rosalbismo,  pós-Governo do Estado, é uma incógnita. Há uma sobrecarga de maus presságios por ações e omissões do casal Carlos-Rosalba, além de fatores alheios à sua vontade.

Seu grupo encolheu e ocorreram dispersões (caso da ex-prefeita Fafá Rosado-PMDB, ex-vereador Chico da Prefeitura-DEM). Não se renovou em quadros, até pelo excessivo culto personalista à própria Rosa e pode ter pela frente uma inelegibilidade por oito anos (a contar de 2012), punindo-a e à Cláudia Regina por todo esse período.

Aposta na reeleição do deputado federal Betinho Rosado (PP) no pleito de outubro, mas não tem nomes a estadual até aqui. A ex-deputada e ex-vice-prefeita Ruth Ciarlini, irmã da governadora, está às voltas com problemas de indiciamento por estelionato e inaptidão à própria política.

O rosalbismo não existe além da própria Rosalba e o comando centralizador de Carlos. Eles não permitem a prosperidade de qualquer outro nome, desde sua primeira vitória em 1988, vencendo a prefeitura como “zebra”, ao superar Laíre Rosado. Cláudia Regina foi um “aborto”. Tiveram que engoli-la, porque ela conseguiu se viabilizar contra a vontade do casal.

Eleições à Prefeitura de Mossoró (1988)

– Rosalba Ciarlini (PDT) – 37.307 (49,7%);
– Laíre Rosado (PMDB) – 30.226 (40,2%);
– Chagas Silva (PT) – 2.507 (3,3%);
– Brancos – 3.594 (4.8%);
– Nulos – 1.503 (2%);
– Maioria Pró-Rosalba – 7.081 (9,5%).

Esse grupo sobreviveu a solavancos noutros momentos, como a perda da prefeitura em 1992, com a chapa Luiz Pinto (PFL)-João Batista Xavier (PCB) – derrotada por Dix-huit Rosado(PDT)-Sandra Rosado (PMDB), e o próprio fracasso de Rosalba como candidata a vice-governador de Lavoisier Maia (PDT), em 1994. Contudo renasceu à prefeitura em 1996, em circunstâncias completamente favoráveis.

De 2014 para frente, tudo pode ter outro rumo. A própria estada do prefeito Francisco José Júnior na prefeitura dirá muito sobre o que será o rosalbismo adiante, até mesmo com a hipótese do que parece improvável no momento: a reunificação dos Rosado.

Rosalba, que sempre revelou muita fibra, com incrível poder de recuperação e crescimento em campanhas, tem muito capital próprio ainda. Porém o tempo e atmosfera que se forma, não estão a seu favor.

A história pode ainda nos reservar surpresas e se repetir, ou apenas confirmar um adágio hindu que tem aura de uma verdade absoluta para Rosalba, para Francisco José Júnior e qualquer um de nós, pobres mortais:

– “Tudo passa!”

Veja matérias já publicadas da série “Ecos das eleições suplementares”:

– Novo prefeito ganha para dividir história ou confirmar os Rosado AQUI;
– Pleito de Mossoró causa efeitos diferentes para jogo estadual AQUI;
– Futuro já começou para Larissa Rosado após 4º insucesso AQUI.

DEM de Mossoró fica fora de pleito após seis disputas

Depois de seis campanhas municipais mossoroenses seguidas, como cabeça de chapa, o DEM (sucedâneo do PFL) estará fora de uma disputa municipal em Mossoró.

Todas as decisões judiciais, nas três instâncias (Mossoró, Tribunal Regional Eleitoral-TRE e Tribunal Superior Eleitoral-TSE), apontam para esse fim.

Retrospecto

Em 1992, o PFL perdeu o pleito com o então vice-prefeito Luiz Pinto;

Em 1996, Rosalba Ciarlini venceu as eleições;

Em 2000, com o advento do instituto da reeleição, Rosalba obteve novo mandato;

Em 2004, Fafá Rosado foi eleita e reeleita em 2008;

Em 2012, a ex-vice-prefeita e então vereadora Cláudia Regina saiu vencedora. Ficou pouco mais de 11 meses no cargo.

O jogo da campanha e a força da boa pré-campanha

A campanha municipal de Mossoró deste ano traz algumas peculiaridades, que não são detectadas em outras tantas do passado. Reflexo de uma conjuntura diferente e pré-campanhas distintas de governistas e oposicionistas.

Pela primeira vez, uma candidatura de oposição tem mais partidos coligados do que o governismo: a Coligação Mossoró Feliz da deputada estadual Larissa Rosado (PSB) amealhou 14, enquanto a vereadora e concorrente governista – Cláudia Regina (DEM) – possui nove.

A mesma Coligação Mossoró Feliz tem 124 candidatos a vereador, contra 120 da Coligação Força do Povo, de Cláudia.

Em se tratando de tempo em rádio e TV, há também dianteira de Larissa em relação à adversária do governo.

Larissa possui 13min32s por dia, mais 1.218 inserções soltas na programação; Cláudia Regina desponta com 10min15s,  mais 923 inserções.

Quando o assunto é pesquisa, o cenário discrepante continua. Em seis pesquisas divulgadas até o momento, por quatro institutos diferentes, Larissa Rosado vence em todas. De 1992 para os dias atuais, esse “fenômeno” não tinha se verificado. Os governistas sempre foram os destaques.

Mas há algo muito favorável à Cláudia, também quebrando a “normalidade” das campanhas mossosoenses: pela primeira vez, desde 1992, uma candidatura a prefeito tem apoio do governismo municipal e estadual.

Em 1992, essa situação favoreceu o então vice-prefeito Luiz Pinto (PFL), apoiado pela prefeita Rosalba Ciarlini (PFL) e pelo governo estadual do hoje senador José Agripino (PFL).

Contudo, Luiz perdeu o pleito para o ex-prefeito Dix-huit Rosado (PDT), numa maioria de 4.393 (5,64%) votos.

Parte desse quadro foi construído paulatinamente, ao longo de meses e meses de pré-campanha. No dia 19 de março deste ano, o Blog postou matéria sob o titulo “Pré-campanha, um segredo para vencer” (veja AQUI) .

Nessa matéria é defendida a importância de se trabalhar bem a pré-campanha, costurando política de alianças, montando equipe de trabalho e tomando outras providências. Em parte, é isso que assegurou à Larissa Rosado certa robustez e afinação para a contenda de forma oficial.

Enquanto ela fora lapidada e tivera uma candidatura moldada para a disputa, Cláudia Regina foi escolhida após um dramático processo de exclusões, decorrente da queda-de-braço e interesses conflitantes entre o grupo da governadora Rosalba e o esquema da prefeita de fato Fafá Rosado(DEM).

A governadora frustrou-se por não viabilizar sua irmã, a vice-prefeita Ruth Ciarlini (DEM). O “fafaísmo” passou meses tentando cevar o nome do então secretário da Cidadania, Chico Carlos (PV), sem sucesso. E nenhum dos dois queria Cláudia, não obstante saberem de seu melhor perfil à campanha.

Sem saída, rosalbismo e fafaísmo engoliram a postulação de Cláudia, que se fez pelo próprio esforço.

A boa pré-campanha ajuda sobremodo o candidato, mas não lhe assegura vitória.

Como se diz na gíria do futebol, “treino é treino, jogo é jogo”.

O jogo está sendo jogado.

Campanha repete ‘coincidências’ de 1992 noutro contexto

Quando foi a última vez que alguém teve apoio da estrutura da Prefeitura e do Governo do Estado para ser candidato em campanha a prefeito (a) de Mossoró? Responda em cinco segundos. Dou-lhe mais tempo: vamos a um minuto. Contando…

Pergunte às pessoas mais próximas, consulte seus alfarrábios, puxe pela memória. Nada ainda?

Cláudia (centro), Wellington (à sua direita) para repetir 92 ou outro jeito de caminhar (Carlos Costa)

Foi em 1992. O então vice-prefeito Luiz Pinto (PFL, hoje DEM) tinha o apoio da prefeita Rosalba Ciarlini (PFL-DEM), atual governadora do Estado, e do governador José Agripino (PFL-DEM). Enfrentou como principal adversário o ex-prefeito e ex-senador Dix-huit Rosado. Sua sobrinha Sandra Rosado (PMDB) era a vice.

Resultado: a toda-poderosa chapa foi derrotada. Uma vitória que entrou para a história dos grandes embates paroquiais de Mossoró.

Neste ano de 2012, a vereadora e ex-vice-prefeita de Mossoró Cláudia Regina (DEM) tem essa primazia para disputa da sucessão da prefeita de direito Fátima Rosado (DEM), a “Fafá”. É a candidata do governismo municipal e do situacionismo estadual, através da governadora Rosalba.

“A besta”

Portanto, 20 anos depois a situação se repete e coloca Cláudia com esse poder de fogo, um diferencial considerável. Outra coincidência: também após 20 anos o grupo de Rosalba e seu marido-líder Carlos Augusto Rosado (DEM) formam uma chapa majoritária sem os sobrenomes Rosado e Ciarlini.

Cláudia tem como vice o advogado Wellington Filho (PMDB), nome sem histórico de militância no próprio partido, filho da ex-vereadora Gilvanda Peixoto (DEM). Em 1992, Luiz ficou na cabeça de chapa e o vice era o professor universitário e ex-candidato a prefeito pelo PMDB em 1982, João Batista Xavier (PCB).

A besta não vai voltar!

A frase, acrescida de um sorriso sarcástico, era lugar-comum do então deputado estadual Carlos Augusto Rosado (PFL) em 1992. Fazia alusão ao tio, ex-prefeito Dix-huit Rosado, que apoiara Rosalba na eleição municipal de 1988, mas que logo foi descartado por ele após a vitória.

Com mais de 74% em aprovação administrativa, governo que apostava num conceito de gestão baseada em obras de visibilidade e promoção personalista, Rosalba estava também empavonada. Era a prefeita de direito, o marido o gestor de fato. Governavam a quatro mãos. Podiam tudo. Até eleger o anódino Luiz Pinto. Para complementar, ainda somavam o reforço do governo de José Agripino, líder estadual de seu grupo, com gestão de desempenho razoável.

Quem poderia derrotar essa força descomunal? Dix-huit. Com o reforço do esquema do ex-deputado federal Vingt Rosado, seu irmão com quem ficara rompido desde a eleição de 1988, o ex-prefeito fez uma campanha que nos últimos 20 dias atropelou o favorito, destroçando os adversários. “Chame o velho” bordão usado por seu marketing, deu o tom do seu perfil de gestor experiente e virou brado de vitória no dia 3 de outubro de 1992.

RESULTADO DAS ELEIÇÕES DE 1992:

– Dix-huit Rosado – 37.188 (47.79%);
– Luiz Pinto – 32.795 (42.15%);
– Luiz Carlos Martins (PT)– 6.557 (8.43%);
– Paulo Linhares (PSB) – 1.273 (1.64%);
– Brancos – 5.669 (6.49%);
– Nulos – 3.913 (4.48%);
– Maioria pró-Dix-huit Rosado – 4.393 (5.64%)

O eleitorado cadastrado à época era de 99.623. Compareceram 87.395, as abstenções chegaram a 11.381 e os votos nominais atingiram 77.813.

Na campanha deste ano, Cláudia – que não é Rosado/Ciarlini – vai enfrentar uma legítima herdeira da oligarquia Rosado. Baterá de frente com a deputada estadual e filha da deputada federal Sandra Rosado (hoje no PSB), Larissa Rosado (PSB). Mesmo tendo atrás de si as máquinas do Estado e da Prefeitura, Cláudia convive com outra conjuntura. Existem consideráveis diferenças num comparativo com 1992.

De antemão, ela chega à condição de candidata muito mais por um processo de exclusão do que de opção. Não era a favorita de Carlos e Rosalba, que queriam a vice-prefeita Ruth Ciarlini (DEM) – irmã da  governadora – em seu lugar.

Padrinhos

Também não era dos mimos do subgrupo incrustado no “rosalbismo”, liderado pelo chefe de Gabinete e prefeito de fato de Mossoró, agitador cultural Gustavo Rosado (PV). Ele trabalhou durante cerca de um ano e meio a postulação de seu lugar-tenente e ao mesmo tempo espécie de guru, professor Chico Carlos (PV), secretário da Cidadania. Não vingou. Em todas as pesquisas o índice de aceitação nunca passou de 1%.

João e Luiz: sem ânimo

Mesmo assim, Cláudia é candidata porque se fez candidata, por não desistir e pavimentar o próprio caminho, obrigando grupo e subgrupo governista a fazê-la candidata. Legitimou a candidatura de hoje com seu esforço sobre-humano e tenacidade. E num comparativo com Luiz Pinto, é insofismável que sua capacidade política é infinitamente superior. Proativa, articulada, a candidata não é tão dependente dos padrinhos como foram Luiz e seu vice João. Tem prumo, rumo e ânimo.

Importante asseverar, que a Mossoró de 2012 tem outro contexto e atmosfera político-social. A própria Rosalba que à época era prefeita incensada, na atualidade é soterrada por enorme desgaste como governadora, que parece respingar em seu prestígio em Mossoró. Afeta Cláudia. A gestão de Fafá nunca chegou ao nível de aprovação obtida por Rosalba na prefeitura, os 74% que deram combustão à candidatura de Luiz Pinto.

Pode ser assinalado ainda, que os instrumentos de fiscalização da sociedade civil e de organismos de Estado, do Ministério Público Eleitoral (MPE) à Justiça Eleitoral, estão bem mais atuantes e eficazes, no freio aos excessos com a coisa pública.

O que acontecerá em outubro deste ano, nas eleições municipais mossoroenses? O Blog não tem bola de cristal. As urnas dirão se 1992 vai se repetir ou se teremos outro final. A caminhada começou.

DEM, 20 anos depois, tem chapa sem Rosado-Ciarlini

Campanha deste ano em Mossoró parece igual àquelas que passaram, mas terá sensíveis diferenças. A chapa do DEM, por exemplo, sem um Rosado ou Ciarlini.

A última vez que isso ocorreu foi em 1992. São 20 anos. Àquela época, a chapa foi encabeçada pelo empresário e vice-prefeito Luiz Pinto e o professor João Batista Xavier como seu companheiro.

A dupla perdeu para oposição Rosado ao quadrado: Dix-huit  Rosado a prefeito e sua sobrinha Sandra Rosado como vice.

Aguardemos para o resultado desse 2012 com Cláudia Regina (DEM) e Wellington Filho (PMDB).

Aguardemos.

Nota do Blog – Bom deixarmos claro que esse “avanço” do DEM não é uma questão de estratégia, mas resultado da força das circunstâncias e conjuntura.

A prioridade do casal Carlos Augusto Rosado (DEM)-Rosalba Ciarlini (DEM) era botar a vice-prefeita Ruth Ciarlini (DEM) como candidata. Porém, como a ala comandada pelo prefeito de fato de Mososró, Gustavo Rosado (PV), acabou vetando a renúncia da prefeita de direito Fátima Rosado (DEM), a “Fafá”, para viabilizar legalmente a postulação de Ruth, o grupo teve que recuar.

Só Rindo (Folclore Político)

O ateu e o prato com os olhos da santa

Candidato a vice-prefeito de Mossoró na chapa do empresário pefelista-governista Luiz Pinto, o professor João Batista Xavier é satanizado pelos adversários. Espalham que ele é ateu, para mexer com a religiosidade popular.

O ano é 1992.

Apesar disso, João segue em campanha e o marketing procura suavizar a pecha com uma série de providências, apesar do bombardeio adversário.

Mesmo assim, não há trégua.

O advogado Paulo Linhares, do PSB, um dos três candidatos a prefeito pela oposição, é abordado por uma eleitora humilde e católica fervorosa, que lhe pergunta:

– É verdade que esse homem (João Batista) não acredita em Deus e vai destruir a imagem da santa?

Com a delicadeza de um punzer alemão, Paulo não alivia:

– Veja bem, minha senhora… eu ouvi dizer que ele anda com um martelo para quebrar aquele prato que tem os olhos de Santa Luzia.

A “Lei de Lavoisier” na política de Mossoró

“Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.”

A célebre frase do pai da química moderna, o francês Antoine de Lavoisier, aplica-se bem à política chinfrim de Mossoró.

O programa “Prefeitura nos Bairros”, feito para alavancar o nome do vice-prefeito Luiz Pinto, à prefeitura, em 1992, agora é “Caravana da Cidadania”, na gestão da prefeita de direito Fátima Rosado (DEM), a “Fafá”.

O jogo de cena é o mesmo. Ganhou outra roupagem para ter o mesmo fim politiqueiro, sem resultado prático e eficaz em termos de necessidades à população.

Toda semana, a Prefeitura arma uma estrutura itinerante em bairro pobre, periférico, ofertando serviços diversos à população carente e normalmente ignara. Essa gente, em sua maioria, não percebe a migalha recebida para se converter adiante em voto, como se fosse favor e gesto nobre a iniciativa do poder público.

Alô, Ministério Público! Pode fazer campanha antecipada, usar estrutura da prefeitura, pessoal comissionado, gratificações etc., apenas com fim eleitoreiro?

A história que pode se repetir em campanha mossoroense

O líder do “rosalbismo” – ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado (DEM) – sempre utilizou o critério da boa performance em pesquisa, que encomendava, para justificar suas escolhas à campanha eleitoral. Foi assim, por exemplo, em 1988.

Ele apareceu como o melhor nome à disputa à Prefeitura de Mossoró, contra o primo e deputado estadual Laíre Rosado.

Sua mulher, pediatra Rosaba Ciarlini, despontava num empate técnico com o marido, mas terminou ungida e venceu a disputa que parecia impossivel de ser superada.

As sondagens indicavam que doutora Rosalba tinha maiores chances de crescimento do que Carlos. A tese foi sustentada e defendida pelo jornalista Canindé Queiroz, “pai” de sua postulação, “engenheiro” de sua ascensão àquele tempo.

Em 1992, prefeita aclamada pelas pesquisas, Rosalba não tinha o instituto da reeleição a seu favor. O jeito foi escolher um substituto.

Carlos utilizou a tática de “fermentar” o nome do vice-prefeito pefelista Luiz Pinto durante vários meses, para chegar ao período de convenções como “candidato natural”. Assim aconteceu.

Porém houve um porém em 1992.

O próprio Carlos promoveu um “rally” entre o empresário Manoel Barreto e o professor e ex-candidato a prefeito pelo PMDB, em 1982, João Batista Xavier, à seleção do vice. Ele queria João, então inscrito no PCB, para dar uma aura miscigenada à chapa com Luiz Pinto, do PFL (hoje, DEM).

Só que Manoel teve melhor desempenho. Aí o jeito foi Carlos Augusto convencê-lo que depois o compensaria com outra candidatura no plano estadual, o que nunca ocorreu.

Não precisou pesquisa para que Rosalba voltasse a ser candidata em 1996. A voz das ruas apontava que ela seria eleita. E assim aconteceu.

Em 2000, com o instituto da reeleição assegurado, Rosalba repetiu a vitória obtida antes, como todas as pesquisas indicavam.

Entretanto em 2004, Carlos Augusto voltou ao faz-de-conta do estratagema da pesquisa. Atraiu a ex-adversária e prima Fátima Rosado  (Fafá)  pro seu grupo e a fez prefeita eleita nesse ano. Em 2008, trabalhou por sua reeleição, o que ocorreu.

Nesse enredo, entretanto, existe outro porém.

Em 2004, desde o princípio que Carlos Augusto tinha “Fafá” como a candidata. Mas “bolou” outro “rally”  a ser aferido em pesquisa, para justificar a escolha. Terminou submetendo a própria Fátima Rosado e a assistente social Cláudia Regina (ambas do PFL, hoje DEM) a uma disputa interna estressante e humilhante. Uma farsa que só elas não sabiam que estava acontecendo.

E agora, nos meses que antecedem as eleições de 2012, será que pesquisa vai outra vez nortear a escolha?

Se essa for a “bússola”, é provável que Carlos prove do próprio “veneno”, sendo obrigado a aceitar o que seus aliados do Palácio da Resistência querem. Fafá & irmãos dão as cartas, até o momento, com a “receita” de Carlos à mão.

“A história se repete”, afirmou o filósofo Karl Marx. Segundo ele, “a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”.

Será?

Para o também filósofo Friedrich Hegel, a história não tinha um “destino cego”. Há uma razão para tudo.

Na política paroquial nada é por acaso. O embuste tenta dar razão a tudo, principalmente à vontade dos que estão no poder.