Senhores dirigentes de entidades representativas do empresariado, aqui particularmente me refiro a Mossoró, mas cabível a qualquer comuna neste país, descruzem os braços. Saiam de suas cadeiras e salas com condicionador de ar.
Não esperem apenas medidas profilácticas do poder público.
Vocês precisam se reunir e definirem um plano emergencial para enfrentamento de uma crise sanitária que também lhes diz respeito.
O avanço do coronavírus em outros países não tem provocado apenas confinamento de multidões, mas crescente número de mortes e solavanco na economia.
Mossoró, apesar de ser um “país” à parte, sem lei, ou da lei de quem está no poder, não ficará imune a essa expansão em escala geométrica do novo vírus.
Associação Comercial e Industrial de Mossoró (ACIM), Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Sindicato do Comércio Varejista (SINDIVAREJO), Sindicato da Indústria da Construção Civil (SINDUSCON), entidades ligadas ao setor salineiro e supermercadistas, tomem medidas que salvaguardem funcionários e clientes e vocês mesmo.
Ainda há tempo de agir.
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Parece documentário do History Channel. Os marinheiros de Veneza, em tempos de peste bubônica, inventaram a quarentena: chamavam-na Lazareto. O ano era 1347. Para evitar espalhar doenças pelo país, todo mundo que chegava pelo Mediterrâneo era submetido a um isolamento de 40 dias. A inspiração era o tempo de quaresma.
Segundo um breve Google, isso tinha de ocorrer porque “ainda não tinham inventado o antibiótico”. O engraçado é que essa explicação vem, no site da Galileu, como “A bizarra história de 4 ilhas de quarentena“.
Ruas vazias num bairro popular de Milão, na Lombardia, na Itália (Foto: Calciopédia)
A matéria curiosa já está no ar há uma eternidade, desde 2015. Naquele tempo, ninguém conseguiria sequer supor que a Itália inteira seria submetida a uma quarentena. Esta aqui é a minha bizarra história de já estar há 22 dias em casa. E de ter me dado conta, há uns 10 minutos, de que só cheguei à metade do percurso. Eu poderia me sentir um marinheiro de Veneza, me submetendo a um sacrifício em uma ilha deserta, mas a história é meio diferente quando o ano é 2020.
Um dia antes de os jornais falarem que o Covid-19 tinha saído de controle em uma cidade vizinha à minha, eu bebia vinho e comia pizza com umas 50 pessoas depois de ter pego dois metrôs. O clima era de apreensão com a notícia do primeiro contágio perto de Milão. Fez-se fila para lavar as mãos no restaurante.
Com o vinho na cabeça, ensinei uns 20 italianos a dançarem até o chão ao ritmo de Kevinho – Olha a explosão.mp3. Gastei meu italiano, voltei pra casa feliz. Quando a gente já trabalha de casa, ter contato com seres humanos parece sempre uma ocasião especial.
Isolamento
E, então, aconteceu. Eu iria com o meu marido a uma cidade próxima acompanhar Lecco x Pro Patria por uns euros. Aproveitaria para passear. O frio finalmente dava uma trégua. O brasileiro sente uma saudade louca de sol, até os mais vampirões. As cidades da Lombardia foram se fechando aos poucos. Cancelamos o freela, a viagem e, do início da quaresma para frente, a cultura do cancelamento foi longe demais na Itália. Começou pelas aulas, chegou à semana de moda, ao futebol, às missas, à Lombardia e, depois, a todo o país. Já se passaram 528 horas.
Dessas 528 horas, eu chutaria que passei metade na internet. Duvido que quem passasse 40 dias isolado por peste bubônica sequer soubesse o que significa a palavra “bubônica”. Eu gastei um tempo na internet pesquisando.
Papa Francisco: benção à praça vazia (Foto: Calciopédia)
Vem da palavra grega βουβών, que quer dizer “virilha”. Diferentemente da vanguarda da quarentena, eu acredito que meu tempo vai passar mais rápido se eu souber de mais coisas. E que, quanto mais eu souber, menos ansiosa eu vou me sentir. Não é difícil adivinhar como essa história evoluiu.
A quarentena dos anos 2020 vem com uma mistura muito diferente de sensações. Nós, os millennials que trabalhamos além da conta, pensamos “meu sonho um isolamentozinho: vou ler uns livros que queria ler há muito tempo, meditar, fazer ioga, ouvir os podcasts atrasados, escrever o primeiro capítulo do meu livro, assar um bolo, fazer aromaterapia, escalda-pés, ver os filmes do Oscar”.
Barulho sem fim de ambulâncias
Mas o meu isolamento não é tão isolado se eu continuo trabalhando home office normalmente, peguei freelas, ganhei mais de mil seguidores no Twitter falando de coronavírus, o WhatsApp não para, filmo a cantoria da janela e coloco no Instagram, passo muito tempo por dia tranquilizando a família. Desligar de tudo isso dá mais medo que pegar coronavírus.
Quando eu arrisco tirar tudo isso para tentar viver o isolamento dos sonhos, o que sobra é uma versão um pouco mais modernete da quarentena de 1347.
A rua é silenciosa, exceto pelo barulho sem fim das ambulâncias, preciso preencher um documento se quiser ir ao mercado repor o estoque de vinho, o cenário é exatamente o mesmo todos os dias, eu cozinho todas as refeições, dou faxina, olho as bandeiras pela janela. Ainda faltam 19 dias. 456 horas. Me segue lá no Twitter, vamos conversar.
P.S – Blog Carlos Santos – A autora da matéria informa em seu twitter, que só neste domingo (15), “a Lombardia registrou 252 mortos com #coronavirus na região. É como se um avião caísse por dia. Ainda assim, as medidas de isolamento parecem funcionar”.
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A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) decidiu suspender, a partir de hoje e por 30 dias, as atividades presenciais de ensino, pesquisa, e extensão em todos os seus campi.
Orienta faculdades e departamentos a adotarem sistemas online para conclusão das aulas e demais atividades do semestre 2019.2, que tem seu encerramento marcado para o dia 28 de março de 2020.
A medida segue a política de ações preventivas e de proteção da comunidade acadêmica, orientada pela declaração de pandemia decorrente da contaminação com o novo coronavírus (COVID-19), da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 11 de março de 2020, e pelo Decreto Estadual 29.512, de 13 de março de 2020.
Por Carlos Fioravanti (Da Revista Pesquisa Fapesp, para o UOL)
Quando chegou ao Brasil, em fevereiro, o mais recente coronavírus que emergiu na China encontrou uma equipe de pesquisadores preparada, que já trabalhava com o agente causador da dengue, dominava uma técnica de mapeamento genético rápida e não perdeu tempo para mergulhar no sequenciamento das amostras de vírus colhidas dos primeiros pacientes atendidos na cidade de São Paulo.
À frente desse grupo está a médica Ester Sabino, paulistana de 60 anos. Ela faz um alerta:
– Como a transmissão desse vírus é muito rápida e difícil de ser contida, aqui deve ocorrer o mesmo que na Itália e no Reino Unido. É impossível estimar o número de casos, mas temos ainda um mês ou dois antes de a epidemia complicar. O pico deverá ser entre o fim de abril e começo de maio, que é o auge das doenças respiratórias no Brasil. Espero que não junte com o aumento também no número de casos de dengue. Seria uma confusão total.
Mais problemas
Ester é pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IMT-FM-USP) e coordenadora do Centro Conjunto Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (Cadde), financiado pelo Medical Research Council, do Reino Unido, e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
Para ela, um problema próximo é o próprio atendimento em hospitais.
– O maior problema são os hospitais. Porque podem ser focos de transmissão do vírus. Em Wuhan, na China, muitas pessoas infectadas foram para os hospitais e transmitiram o vírus para outras. Por isso, é importante não ir para o hospital sem necessidade. Não há sistema de saúde do mundo que dê conta de atender muita gente ao mesmo tempo. Muitos morreram na China porque não havia médicos ou respiradores para atender a todos ao mesmo tempo. A maioria das pessoas tem um caso de gripe, que passa em alguns dias. Temos de deixar os hospitais apenas para os casos mais graves.
Manifestação tem apoio pessoal do presidente, ignorando recomendação do seu próprio governo (Foto: reprodução BCS)
É, imagino como deve estar se sentindo o grande ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandeta, com desatinos do seu superior.
Enquanto ele orienta prevenções ao coronavírus, Jair Bolsonaro insufla e participa de um bizarro #coronaday.
O presidente apareceu neste domingo (15) para tirar selfie e cumprimentar manifestantes em Brasília. Há poucos dias, tinha aparecido ao lado do ministro, com máscara, recomendando cuidado com a propagação do vírus (veja AQUI).
A sensatez durou poucos dias.
O mundo previne, Bolsonaro promove.
Ele mexe com planejamento sanitário do seu próprio governo, que segue recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) contra a pandemia do novo vírus.
Em São Luís-MA, manifestantes que defendem intervenção militar, além de fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF), chegaram a divulgar que o coronavírus é uma grande mentira. “Ninguém morre desse vírus”, afirmou um orador.
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Para prevenção do Covid-19 (coronavírus), a Câmara Municipal de Mossoró suspendeu sessões solenes, audiências públicas, reuniões de frentes parlamentares, visitação institucional, projetos Momento de Fé e Câmara Cidadã, até decisão contrária (tempo indeterminado).
Mantêm-se sessões ordinárias e reuniões de comissões.
Pelo mesmo motivo, o acesso ao Palácio Rodolfo Fernandes fica restrito.
No seu imóvel-se, a circulação passará a ser restrita a vereadores, servidores, estagiários, prestadores de serviços, profissionais de mídia, representantes de instituições, todos previamente credenciados, salvo prévia autorização da Presidência.
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A Assembleia Legislativa passa a determinar a suspensão, por tempo indeterminado, de audiências públicas, sessões solenes, reunião das comissões, homenagens e eventos coletivos, nas dependências da Casa.
Outras medidas também são confirmadas, como restrição de circulação de pessoas à Casa, em face de preocupações com a pandemia planetária do coronavírus.
O decreto assinado pela Mesa Diretora – que será publicado neste sábado (14) – determina um conjunto de regras e procedimentos com o objetivo de evitar a propagação da doença.
De acordo com a normativa assinada pelo Legislativo, fica estabelecido que só terão acesso à sede e anexos da Assembleia Legislativa os deputados, servidores, terceirizados e demais prestadores de serviços, além dos profissionais da imprensa, de entidades e órgãos públicos e quem, por justificativa, necessitar do ingresso para tratar de questões urgentes, salvo situações excepcionais autorizadas pela Diretoria-Geral da Casa.
Deputados estaduais, servidores do legislativo e prestadores de serviços que apresentem sinais da doença ou que tenham circulado em locais onde houve infecção por Coronavírus (COVID-19), devem ser temporariamente afastados do exercício de suas atividades, por até 14 (quatorze) dias, a partir do seu reingresso ao domicílio.
A Assembleia Legislativa do RN caminha para suspender sessões e audiências públicas, além de outros trabalhos que aglomerem muitas pessoas.
Sede da Assembleia Legislativa terá drástica mudança em sua rotina (Foto:arquivo)
Também deverá tomar medidas quanto à circulação de pessoas em seus vários setores físicos, como gabinetes de deputados.
Irá facilitar o trabalho modelo homo office (em casa), principalmente para funcionários de alto risco e com sintomas respiratórios que possam indicar presença do novo vírus.
É o temor do coronavírus, sobretudo porque boa parcela dos deputados tem idade mais avançada, além de seu corpo funcional.
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O presidente Jair Bolsonaro usou máscara em uma transmissão ao vivo que fez no início da noite desta quinta-feira (12) por uma rede social, o “live” do Facebook.
Ministro Mandetta e Bolsonaro e a intérprete de libras estiveram todo tempo com máscaras (Foto: reprodução)
Ele estava acompanhado do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e de uma intérprete de libras, ambos também de máscaras.
Durante a transmissão, o presidente falou sobre a pandemia de coronavírus.
“Estou de máscara porque uma das pessoas que veio no meu voo (veja AQUI) desceu em São Paulo, fez exames e deu positivo. Não tem o resultado do meu ainda. Estão dizendo que deu negativo. Tomara que esta fake news seja verdade”, afirmou.
Viagem
Em viagem aos Estados Unidos nessa semana, o presidente chegou a ironizar o noticiário no Brasil e mundo sobre o coronavírus, apontado pela Organização Mundial da Saúde como uma “pandemia”.
“No meu entender, muito mais fantasia, a questão do coronavírus, que não é isso tudo que a grande mídia propala ou propaga pelo mundo todo”, disse o presidente nos Estados Unidos.
Hoje, Bolsonaro estaria em Mossoró, mas cancelou a viagem (veja AQUI e AQUI).
Ele está percebendo, na pele, como é inconsequente se tratar com pouco zelo ou ironia, algo tão sério.
Em sua live, chegou até a aconselhar que manifestações contra o Congresso Nacional e de apoio ao seu governo, marcadas para ocorrerem no país no próximo dia 15, sejam adiadas. Há poucos dias defendeu o movimento, depois de ter negado essa postura inicialmente – em mais uma polêmica com a imprensa e congressistas.
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A governadora Fátima Bezerra (PT) convocou uma reunião para a próxima segunda-feira (16), às 15h, na Escola de Governo.
Em pauta, a discussão de um plano de ações de prevenção e combate à propagação do coronavírus no Rio Grande do Norte.
Os dirigentes do Tribunal de Justiça, Assembleia Legislativa, Ministério Público, Defensoria Pública e Tribunal de Contas já confirmaram presença no evento.
Também foram convidados todos os prefeitos do RN, secretários municipais de Saúde, igrejas, federações patronais e centrais sindicais. Participarão da reunião equipes da Secretaria de Estado da Saúde Pública (SESAP) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).
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A barbárie que modelou o processo de expansão do domínio europeu sobre povos internos e distantes, conquistas e colonizações, marcou a ferro o lombo da História.
No Oriente, não foi diferente. Mesmo assim pode-se dizer que a intolerância daí decorrente demarcava-se em espaços limitados e em tempos distintos.
E tudo se configurando num quatro de conquistadores oprimindo conquistados. Portanto, intolerância endêmica. Aquela que se limita por fronteiras claras.
“Evoluímos” para a epidemia, rompendo fronteiras e expandindo a intolerância. Evolução de domínio, involução de caráter.
Hoje, a epidemia já produz saudade. A intolerância virou pandemia. Não respeita mais qualquer limitação, nem fronteiras.
As guerras, com toda a força de estupidez que comportam, servem-se de todos os pretextos. Até as denominações religiosas, que sempre foram disfarces de interesses econômicos, agora elevaram o nível da intolerância à beira do céu. Onde vendem lotes às almas ingênuas, prometendo entrega após depositarem na terra os seus corpos mortos.
É um mercado macabro, cuja enganação agrega ao pacote a intolerância sem limite.
Ortega y Gasset dizia que o “homem não possui natureza, possui história”. Isto é, a natureza no homem é tão somente orgânica, não social; diferentemente dos irracionais, que possuem sociabilidade por natureza e não pela história.
A pandemia da intolerância, que vai da praça ao quintal, do continente ao município, do mar ao poço, do front da guerra ao campo de futebol, da igreja ao oratório, do parlamento ao bar, do tribunal ao cartório, do jornal ao fuxico, do bate-papo à internet, da arte à depressão.
E não é mais preciso uma diferença ideológica, política ou religiosa. Não. Basta discordar de qualquer bobagem para furar o fato e derramar as tripas.
Os veículos de comunicação viraram palanques. Cada um com a copidescagem pré-montada. Não importa informar ou questionar. “Meu lado é o bom e o resto não presta”. Nenhum espaço à tolerância.
A internet é uma praça de guerra. E no meio da luta fratricida, não há lugar para ponderações.
As revistas semanais e os grandes jornais do Sudeste promovem a regressão mental do jornalismo, para prover a “notícia” de facção. Informar com isenção deixou de ser um princípio. E é esse princípio que legitima a liberdade de imprensa.
Uma coisa é discordar. Outra é transformar a discordância em inimizade. E essa inimizade nasce fundamentada apenas na intolerância, sem que os contendores precisem de qualquer covivência pessoal ou relações sócias.
Conviver apenas com quem tem opinião convergente é facílimo. E muitas vezes chatíssimo. É o cansaço da concordância, não raramente fruto da preguiça de pensar.
O difícil e belo é conviver com a divergência. No respeito ao contrário. Na beleza do contraditório.