Blindagem atende aos interesses do petismo e do bolsonarismo (Foto: Vinícius Loures/Câmara dos Deputados)
Do Canal Meio para o BCS
O temor do estrago que as investigações das fraudes do Banco Master podem provocar no meio político faz o Legislativo se blindar. A cúpula do Congresso quer evitar a criação de uma CPI, defendida pela oposição bolsonarista, para investigar o banco e suas ligações com autoridades.
Em troca, oferece derrubar em março o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao PL da dosimetria, que reduz as penas dos condenados pela tentativa de golpe de Estado em 2022, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O Planalto já identificou que o escândalo do Master tem potencial negativo para o governo por criar no eleitorado uma ideia de corrupção generalizada. Lula, que vinha ressaltando a ação contra banqueiros, foi aconselhado a tocar menos no assunto. (Folha)
Por trás do alvoroço na classe política, segundo Malu Gaspar, está a percepção de que o novo relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, além de fortalecer a ação da Polícia Federal, dá fôlego à CPMI do INSS, foco de desgaste do governo, e fragiliza políticos do Centrão, em particular o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). (O Globo)
Brasília, o epicentro do poder e o núcleo das diferenças que se transformaram em fosso (Foto: Reprodução do Canal Meio)
Há quem considere que chegamos a um nível de polarização intransponível. Há quem resista à noção de polarização por negar que os extremos sejam equivalentes. Há ainda quem responsabilize sempre o outro pela situação. Só não há quem ignore que o Brasil vive um momento de divisão acentuada — e que, ao interditar o diálogo, essa cisão corrói a qualidade da nossa democracia.
Compreender o que nos polariza politicamente é o único caminho para superar esse afastamento. Pensadores de diferentes formações vêm se dedicando à tarefa de investigar, por meio de pesquisas, a polarização no Brasil. O Meio ouviu os quatro maiores especialistas no tema para extrair lições que possam iluminar as portas de saída.
Pablo Ortellado é filósofo, professor de Gestão de Políticas Públicas na Universidade de São Paulo e diretor-executivo da More in Common Brasil. Felipe Nunes é cientista político, CEO da Quaest e diretor do ConnectLab, novo laboratório de estudos da escola de economia da FGV-SP. Mauricio Moura é economista, fundador do Instituto Ideia e professor da Universidade George Washington. Renato Meirelles é comunicólogo, escritor e presidente do Instituto Locomotiva. Todos esquadrinham, indo a campo, o que nos divide. Aqui, eles apontam algumas de suas conclusões.
Ortellado e Nunes concentram seus achados na polarização afetiva, a divisão que supera aquela diferença de opiniões e de preferências partidárias, saudável num ambiente democrático. Ambos oferecem dados inéditos de suas pesquisas para explicar o movimento de calcificação de identidades que torna o outro, o diferente, tão ameaçador — e, portanto, um inimigo a ser eliminado.
Moura e Meirelles analisam os efeitos eleitorais dessa cisão. A maneira binária como o Brasil elege presidentes da República, em dois turnos, e a onipresença do PT e de Lula, direta ou indiretamente, desde 1989 consolidaram os polos entre petismo e antipetismo — mas há alguma porosidade a ser explorada entre as duas pontas. A seguir, alguns dos principais pontos das conversas com os quatro pesquisadores.
O outro como a negação de mim
Há sete anos, o Brasil fervia às vésperas do segundo turno que levaria Jair Bolsonaro à Presidência da República. No dia 21 de outubro de 2018 — exatamente uma semana antes do pleito —, o Hino Nacional ecoava na Praia de Copacabana. Um buzinaço atravessava todas as faixas que ligam o Museu da República ao Congresso Nacional em Brasília. E, em São Paulo, a Avenida Paulista se tingia de verde e amarelo.
Agitando o público paulistano, falando pelo telefone — ele estava em casa de casa se recuperando da facada —, Bolsonaro bradou: “Petralhada, vai tudo vocês (sic) pra ponta da praia. Vocês não terão mais vez em nossa pátria porque eu vou cortar todas as mordomias de vocês. Será uma limpeza nunca vista na história do Brasil”. Seu discurso foi entrecortado pelos gritos dos manifestantes: “Mito, mito, mito!”.
Aquele era, essencialmente, o mesmo público que se reunira um ano antes em apoio à Lava Jato. Mas algo havia mudado no âmago do movimento.
Em março de 2017, no ato liderado por Vem Pra Rua, Movimento Brasil Livre (MBL) e Revoltados Online, apenas 31% dos manifestantes se definiam como de direita. Outros 27% se colocavam no centro; 4% se diziam de esquerda, mas estavam ali. A maioria, 36%, não se encaixava em nenhum espectro. Nem mesmo os valores os uniam: 47% se consideravam muito conservadores, 34% pouco e 15% nada conservadores. O que realmente os conectava era o antipetismo: 85% se reconheciam nesse sentimento.
Em outubro de 2018, a autopercepção dos manifestantes da Paulista havia mudado. A direita dominava: 72% se declaravam assim. O centro minguara a 17%. A esquerda sumiu daquela cena. Apenas 9% continuavam sem se encaixar em nenhum lado. O antipetismo cresceu ainda mais: 91% eram muito antipetistas, 5% pouco e 3% nada. Nos costumes, 74% se diziam muito conservadores, 23% pouco e apenas 2% nada conservadores.
Com o passar do tempo, ser de direita, conservador e bolsonarista foi se consolidando em uma única identidade. Numa outra manifestação, em setembro de 2022, 82% dos entrevistados já se reconheciam no campo da direita (3% permaneciam no centro e outros 3% continuavam fora de qualquer etiqueta política); 80% muito conservadores, e 77% muito antipetistas.
Os dados colhidos pelo Monitor do Debate Político da USP revelam que, nesse intervalo, os manifestantes afinaram suas identidades políticas. O que antes se apresentava como um levante antipetista, mas diverso, passou a movimento alinhado: mais do que antipetistas, aquelas eram pessoas de direita e conservadoras. E essa, segundo Pablo Ortellado, é uma das chaves para entender a polarização.
Primeiramente, ele observa que há dois tipos de polarização que preocupam mais os cientistas sociais. A primeira é a polarização de opinião, que mede a migração gradual da opinião pública para os extremos. A segunda, e mais alarmante, é a polarização afetiva. “É a animosidade de quem adota uma identidade por quem adota a identidade adversária”, explica. “É a ojeriza e o desgosto de uma pessoa de esquerda por uma de direita — e vice-versa.” O problema, segundo ele, é que os estudos recentes indicam que a polarização afetiva tem avançado mais rápido do que a de opinião.
Na tentativa de compreender esse descompasso, Ortellado se apoia nos estudos da cientista política americana Lilliana Mason, da Universidade Johns Hopkins. Suas pesquisas se enraízam na Teoria da Identidade Social, desenvolvida a partir de um experimento clássico conduzido em 1971 pelo psicólogo britânico Henri Tajfel.
Tajfel provou, num experimento, o quanto o simples fato de pertencer a um grupo já bastava para que as pessoas favorecessem “os seus” e hostilizassem “os outros”, mesmo sem motivos concretos.
Mason transpôs essa lógica para o campo político. Até os anos 1990, media-se a polarização apenas pela radicalização das ideias. O afastamento das opiniões para os extremos parecia bastar para explicar o todo. Mas, em meados de 2010, ela notou que as peças não se encaixavam. Sim, as opiniões estavam mudando, se radicalizando. Só que este deslocamento aos extremos se dava lentamente, enquanto a hostilidade entre os grupos crescia rapidamente.
“Era muito comum a pessoa ser republicana e liberal, ou conservadora e democrata”, lembra Ortellado. Essas identidades cruzadas, as sobreposições, funcionavam como amortecedores. Impediam o choque direto entre mundos. Havia zonas de contato, frestas por onde o outro ainda parecia humano, familiar, possível.
Com o tempo, essas frestas se estreitaram. As identidades começaram a se cristalizar, a se empilhar umas sobre as outras até formarem blocos densos, compactos. A lealdade ao grupo cresceu — e, com ela, o reflexo automático da hostilidade. O outro deixa de ser apenas alguém que pensa diferente: virou a negação de tudo o que sustenta o meu mundo. E, por isso, passa a ser visto como uma ameaça à minha própria existência.
Ortellado vê o mesmo processo em curso no Brasil — e embasa essa percepção com dados inéditos, que compartilhou com o Meio. Alguém que antes se dizia apenas antipetista, ao se reconhecer também como de direita e conservador, passa a fazer parte de uma constelação inteira de identidades alinhadas. E, dentro desse alinhamento, o confronto ganha potência.
“A vida é um mosaico de identidades. Quando elas se equilibram, os efeitos são suavizados.” Mas, segundo o professor, atravessamos um momento em que o movimento é inverso: o mosaico está sendo fundido em um bloco único. As peças se colam, e seus efeitos não apenas se somam. Se amplificam.
Para testar a hipótese, a More in Common, em parceria com a Quaest, convidou participantes a se posicionarem em três eixos: esquerda ou direita, bolsonarista ou petista, progressista ou conservador. Depois, pediram que avaliassem o quanto gostam ou desgostam dos pares e dos opostos. O resultado demonstrou que, quanto mais coerentes e alinhadas as identidades, maior o ódio ao grupo adversário.
Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS
Mas que adversário? Outra pesquisa, feita em São Paulo, buscou desenhar o rosto desse ódio. Os entrevistados foram convidados a se definir ideologicamente e a definir os grupos no polo oposto. “Cada grupo projetou no adversário aquilo que nega em si mesmo”, explica Ortellado.
Na prática, as descrições ficaram assim: a direita, em sua maioria (36%), se vê como guardiã da família, da ordem e dos valores tradicionais. Mais 22% se enxergam como pessoas de bem, contra a corrupção e os bandidos. E como eles veem a esquerda? Para eles, 17% são contra a família, a ordem e os valores tradicionais; e 12% são corruptos, bandidos e a favor da corrupção.
Do outro lado, ficaram assim: 56% da esquerda se define como defensora dos trabalhadores e dos mais pobres. Mais 38% são a favor dos direitos humanos e do direito de mulheres, negros e população LGBT. E como eles veem a direita? Para eles, 22% são capitalistas, ricos ou egoístas e a favor das desigualdades sociais; e 16% são contra os direitos humanos ou contra o direito de mulheres, negros e população LGBT.
Ortellado traduz o que esses números expressam: “Quando você projeta no outro a negação de si mesmo, ele deixa de ser apenas alguém diferente. Vira uma ameaça existencial. Não enxergamos a diferença, mas a contradição. Ou melhor: nem enxergamos — imaginamos. E o outro se torna, na nossa cabeça, o oposto absoluto de quem somos”.
A ferocidade do outro
A reação a uma ameaça depende também da dimensão atribuída a ela. Quanto maior o medo, maior a energia empenhada na autoproteção e no contra-ataque. Um dos efeitos da polarização que o Brasil vive apareceu em uma parte ainda inédita da pesquisa Polarização Política no Brasil – 2025. O estudo foi coordenado pelos professores Felipe Nunes, Nara Pavão, Fred Batista e Natalia Bueno, todos pesquisadores do ConnectLab, da FGV.
“A polarização afetiva só existe porque eu tenho medo de que o outro seja uma ameaça a mim”, explica Nunes. Essa percepção de ameaça acaba sendo um terreno fértil para a desumanização do outro. Para se ter uma ideia do grau que isso atinge, os pesquisadores incluem entre as perguntas uma sobre em que grau de evolução estaria o grupo político oposto ao seu. Eles usam aquela foto que todos já vimos na escola, da evolução humana representada do macaco ao Homo sapiens. Lulistas colocam os bolsonaristas na escala macaco. Bolsonaristas fazem o mesmo com lulistas. Todos se veem como mais evoluídos, e isso mostra que o Brasil está num padrão parecido com o dos Estados Unidos de desumanização do outro.
Além disso, cada grupo numa das pontas percebe a si próprio maior do que realmente é. A pesquisa faz questão de segmentar os grupos de maneira a identificar e dimensionar os polos, separando-os dos campos maiores em que eles estão inseridos. Assim, nas proporções autodeclaradas, os lulistas são 20% dos entrevistados. Aqueles da esquerda não-lulista são 15%. Os bolsonaristas são 13%. A direita não-bolsonarista chega a 22%. E os que não se identificam com nenhuma ideologia, os independentes, são 29%. “Ou seja, o lulismo é maior do que a esquerda. A direita é maior do que o bolsonarismo. Isso diz muito sobre como o bolsonarismo consegue ser ruidoso dentro da direita, mesmo não sendo majoritário, e como a esquerda identitária consegue ser ruidosa, mesmo não sendo majoritária na esquerda.”
Mas Nunes e seus colegas queriam extrair mais dessas autopercepções e passaram a perguntar também o seguinte: Qual você acha que é o tamanho do bolsonarismo na sociedade brasileira? E o do lulismo?
A surpresa foi grande. Os lulistas acreditam ser 41% da sociedade, quando são 20%. Do outro lado, os bolsonaristas acham que são 46% do Brasil, quando são 13%. Ambos subestimam grandemente os independentes. As percepções de tamanho de cada segmento estão totalmente distorcidas.
E os pesquisadores foram além. Questionaram ainda sobre o que cada grupo acha que o outro lado quer fazer com o seu. Mais de 80% dos lulistas acreditam que bolsonaristas apoiam a violência contra o seu grupo. A estatística se repete na mão contrária. Na prática, estão todos achando que são muitos e que o lado de lá quer atacar. “A polarização existe na cabeça dos brasileiros. Há uma crença equivocada de que seu grupo é ‘fortão’. Mas por que a polarização persiste na cabeça das pessoas? Porque temos medo que o outro grupo possa nos atacar. Todo mundo, mesmo os independentes, tem medo de que o outro, qualquer outro, faça algo para lhe prejudicar”, acrescenta Nunes.
Seria possível imaginar, então, que conforme o líder de um dos polos se retire do cenário político-eleitoral, já que Jair Bolsonaro está inelegível e preso, essa polarização diminua?
Nunes não é otimista aqui. Isso porque, para ele, grande parte da polarização que o Brasil vive tem uma fonte institucional importante, que é o sistema eleitoral brasileiro de dois turnos. No livro Biografia do Abismo, que escreveu com Thomas Traumann, já havia começado a explorar a diferença de polarização em sistemas presidenciais de primeiro turno e de segundo turno. “ O segundo turno reforça a tese de que você, eleitor, tem de ter um lado e força esse eleitor a escolher o time logo no primeiro turno, abrindo mão do voto sincero e já adotando o estratégico.”
A decorrência é que há um padrão recorrente de votação nos municípios, nos estados, e que está tornando cada vez mais difícil mudar a opinião das pessoas, porque, quando vestem uma camisa, elas sentem a obrigação de defender aquele time mesmo depois que o jogo já acabou e se ele não for tão bem. “Essas camisas estão sendo vestidas cada vez com mais antecedência e mais constância”, diz Nunes. Prova disso é que o índice de correlação de uma eleição anterior para outra, na comparação de urnas, beira os 95%. Ou seja, se o PT teve 800 votos numa urna, numa eleição, ele tende a ter 800 nessa urna na eleição seguinte. “A identidade de time, de grupo, reforçada pela ameaça de que o outro grupo pode te aniquilar, é tão forte hoje na mentalidade brasileira que isso está calcificando preferências eleitorais. Mesmo sem Bolsonaro, mesmo sem Lula, a gente tende a ter uma certa organização da política em torno dos afetos a essas duas lideranças.”
O antipetismo como vetor
E se tem um afeto que polariza é o antipetismo. É em torno dele que o Brasil se divide, ao menos eleitoralmente, na visão de Mauricio Moura. Ao destrinchar o conceito de polarização, ele revisita a ameaça existencial citada por Ortellado, a desumanização por Nunes e reforça a camada da rejeição.
“Ao demonizar o opositor, o eleitor vai para a urna convicto de que qualquer coisa é melhor do que o adversário. É o que chamamos de batalha de rejeições. No Brasil, isso se potencializa pelo sistema binário de escolha. Não temos apenas dois partidos, mas temos um segundo turno que obriga o eleitor a transitar entre um polo e outro”, explica Moura. Ele argumenta que o parlamentarismo tende a frear isso. Na Alemanha, por exemplo, há uma extrema direita crescente, mas ela não governa o país justamente pelo sistema parlamentarista — assim como na Holanda.
O binarismo brasileiro se dá, para Moura, com o agravante de que Lula e o PT estão na urna, no segundo turno, de alguma maneira desde 1989. “Isso faz com que seja muito difícil encontrar alguém que não tenha uma opinião forte sobre Lula e PT, certo? Seja uma opinião anti-Lula ou anti-PT, seja uma opinião favorável.” E, embora a polarização nas eleições estaduais seja bem menos acentuada, com maior trânsito dos eleitores entre os grupos, como elas coincidem com as presidenciais acabam contaminadas.
Ficando estabelecido que em um polo está o PT ou o lulismo, no outro, sabemos que o bolsonarismo, em si, tem uma representatividade perto dos 13%. Mas ele conta, a cada nova eleição, com o que Moura chama de “antipetismo de chegada”. Já no primeiro turno, eleitores abriram mão, em 2018, de votar em Geraldo Alckmin, Ciro Gomes e qualquer outro, apenas para votar em quem tinha mais condição de derrotar o PT. Em 2022, idem. E, assim, o polo bolsonarista parece se fortalecer, mas o que dita mesmo o polo oposto é o antipetismo.
Moura admite que Lula é maior que o antipetismo, tendo testemunhado aquele estranho fenômeno de pessoas que diziam, em 2018, que votariam em Bolsonaro só porque Lula não era o candidato. O que acontece, então, se Bolsonaro sai de cena? O grande desafio do lulismo, no ciclo de 2026, é mobilizar seu eleitorado a ir votar, diz Moura. Afinal, sempre que se trata de uma tentativa de reeleição, o presidente incumbente é o protagonista. A pergunta que polariza é se aquele presidente deve permanecer no cargo.
Ocorre que, tradicionalmente, incluídos no alto índice de abstenção, estão eleitores de baixa renda e baixa escolaridade, perfis que tendem a votar no PT. Não raro, as pesquisas indicam o candidato lulista na frente por mais de 10 pontos e, no dia da eleição, ele ganha por 3 ou 4. “E na segunda-feria todo mundo diz que as pesquisas erraram. Não se trata disso. Só que muitos daqueles que diziam que votariam no candidato do PT simplesmente não comparecem.”
Além disso, há uma pequena massa de insatisfeitos, ali na casa dos 3%, que não entram automaticamente na lógica da polarização, a serem conquistados. Sim, para Moura, ela é pequena assim. Do ponto de vista quantitativo, a prova disso é que, quando se pergunta ao eleitor de Bolsonaro no segundo turno qual a avaliação do governo Lula, a resposta é taxativa. “Não tem ninguém que votou no Bolsonaro que aprova esse governo. E isso independe de elas serem bolsonaristas convictas.” Hoje, embora em alta, a aprovação de Lula é menor do que a do primeiro trimestre do governo. O teto dele é baixo.
Arte ilustrativa
A porosidade eleitoral
Se à primeira vista a polarização parece um muro intransponível, Renato Meirelles insiste em procurar as brechas. À frente do Instituto Locomotiva, ele investiga onde ainda há espaço para diálogo. Um compilado de estudos revela que, por trás dos ruídos estridentes, persistem zonas de contato entre os brasileiros. São territórios em disputa – e excedem os 3%.
A partir do comportamento eleitoral e do autoposicionamento ideológico, o Locomotiva traçou um mapa do que nos divide. E descobriu que 7 em cada 10 brasileiros vivem nesse terreno movediço que separa um polo do outro. É gente que se inclina, hesita, muda de ideia. É o eleitorado da permeabilidade, que transita de um lado a outro, mas resiste a se fixar.
Entre os que pendem à esquerda, 27% votaram no PT em 2022 e não se arrependem, embora não necessariamente tenham feito o mesmo em 2018, ou sequer se reconheçam como parte da esquerda. Do outro lado, 18% tendem à direita. E há ainda um grupo expressivo que se descolou completamente de qualquer polo: 26% de desiludidos, desmotivados, abstenções, votos nulos, arrependimentos. Esses percentuais deixam de fora os extremos do espectro político e descrevem justamente o espaço intermediário, a área onde predominam as nuances e as mudanças de rota. É a fatia do meio.
Nesse cenário de instabilidade, Meirelles identifica os primeiros sinais de frestas para romper a polarização. Duas cenas ilustram a permeabilidade: dos inclinados à direita, 39% defendem que o Estado deve intervir na economia para garantir o crescimento do país. Entre os que se aproximam da esquerda, 36% acreditam que o aborto deveria continuar sendo considerado crime. “Isso é importante porque você começa a entender onde estão os pontos de porosidade dentro dessa suposta calcificação do eleitorado — e percebe também algumas incoerências.”
Longe de serem apenas paradoxos, essas contradições apontam caminhos possíveis. “Quando pensamos em superar a polarização, precisamos perder menos tempo com os convictos e caminhar em direção ao grupo mais intermediário”, defende. É um eleitorado que, muitas vezes, não se envolve o suficiente para sequer ir votar. Ou que decide o voto na ponta do laço.
A cada eleição, o Brasil repete um velho padrão: indecisão prolongada e alta abstenção. No último pleito presidencial, 1 em cada 5 eleitores não compareceu às urnas no segundo turno, e 14% escolheram o candidato apenas na véspera ou no próprio dia. Ao acompanhar o mesmo grupo de eleitores por quatro semanas, durante o segundo turno, o Locomotiva encontrou 30% de volatilidade — votos que mudavam de direção entre uma rodada e outra. A instabilidade se concentrava entre os mais pobres, os mais jovens e os menos escolarizados. Destes, 18% alteraram o voto efetivamente depositado nas urnas em relação à intenção declarada três dias antes do pleito.
E a oscilação passou longe de se encerrar no domingo da eleição. Atravessou o tempo, ressurgiu nas conversas, nas avaliações de governo, no vai e vem das opiniões. A volatilidade tornou-se quase um modo de estar na política. Mesmo com o governo avançando para o último ano, cerca de um terço dos eleitores ainda se declara disposto a mudar de opinião sobre Lula. Em números, isso significa que o presidente pode alcançar até 56% de aprovação, enquanto o teto do descontentamento se estabiliza em 43%. Esse movimento no centro reverbera nas bordas do espectro político.
Mesmo nas extremidades do debate, onde o ruído é mais intenso, Meirelles identifica pequenas rachaduras. São os territórios mais rígidos — 11% de petistas convictos e 18% de bolsonaristas fiéis —, mas nem eles escapam das contradições. Quando provocados em temas como tributação, porte de armas, aborto e drogas, até os mais convictos vacilam. Entre os petistas ferrenhos, 69% sustentam opiniões progressistas em três desses temas ou mais; entre os bolsonaristas, 63% mantêm posturas conservadoras.
Percepções que, aliás, também não estão tão distantes quanto parecem. O instituto presidido por Meirelles replicou no Brasil uma pesquisa da Pew Research, feita nos Estados Unidos, e perguntou a eleitores de Lula e Bolsonaro sobre temas de costumes e de Estado. Identidade de gênero, posse de armas, família, casamento, eficiência do governo, programas sociais e auxílios entraram no balaio. “Na dimensão dos costumes, há 19 pontos percentuais separando eleitores de Lula e Bolsonaro. Na visão de Estado, 16 pontos. Ou seja, em média, o que divide os brasileiros são 18 pontos percentuais — contra 50 nos Estados Unidos, entre eleitores de Donald Trump e Kamala Harris. Temos, portanto, uma polarização real, mas muito menos profunda que a norte-americana”, afirma.
O retrato pintado por Meirelles revela um país menos aprisionado em trincheiras e mais como um solo vivo, que se reorganiza a cada passo. A polarização, pondera, é real, mas jamais inquebrável. As fissuras no eleitorado abrem pequenas frestas de diálogo, passagens tênues por onde o sopro da conversa pública ainda circula. É por essas aberturas que surge a possibilidade de reconstruir pontes e dar novo fôlego à democracia.
Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS
Fatos e mais fatos seguem vindo à tona, com demonstração de que o colaboracionismo mútuo e a junção de forças entre petistas e bolsonaristas, em Mossoró, seguem firme e forte. O modelo até foi exportado para o plano estadual, com ingresso de novos corsários cibernéticos, alugados à promoção de insultos e à propagação de julgamentos à sua semelhança.
Esse quasímodo político em algum momento vai ser abortado, até por necessidades conflitantes e excludentes dos dois lados dessa oposição municipal tosca, onde brilham afinidades de pouco substrato moral. E não faltam exemplares com Transtorno de Personalidade Narcisista (TPN) – distúrbio de saúde mental caracterizado por um padrão persistente de grandiosidade, necessidade de admiração e falta de empatia.
O bolsopetismo, engendrado na pré-campanha municipal de 2024, fortaleceu-se na própria disputa (veja AQUI) – até com candidatas a vice-prefeita das duas chapas ‘adversárias’ tendo agenda conjunta (veja AQUI). Essa aliança é na verdade uma demonstração de fraqueza mútua, mediocridade partilhada e da inexistência de lideranças de verdade. Sobre ideia, nem podemos falar. Inexiste onde abunda ódio.
É a oposição sem rosto e sem votos, como o próprio resultado das urnas demonstrou (veja AQUI). Sem cérebro, lógico. Recalcada, indócil, e que faz do submundo a sua casa e causa, seu ambiente natural, onde patinha com destreza de catitos de esgoto.
Bate saudades do verde contra o encarnado, do Rosado x Rosado. Carecemos demais de uma oposição inteligente e diligente. Até para o governo de agora, inquilino do Palácio da Resistência, ter esse tipo de duelista é muito ruim. Pode causar comodismo e autossuficiência.
Todos somos afetados, inclusive nas relações sociais/pessoais, onde muitas amizades não resistem à tanta pequenez. Eu perdi umas poucas, porque acreditam que insultar e espalhar leviandades são uma forma de se valorizar perante seus pares e amos. Calo-me, não para lhes ofertar com o silêncio uma razão que tanto procuram. Poupo-os e poupo-me, para não lhes ferir e também me magoar com o próprio verbo.
Foi dada a largada oficial à sucessão da governadora Fátima Bezerra (PT) no sistema governista estadual.
A passagem vapt-vupt do presidente Lula da Silva (PT) pelo RN, hoje, é o ponto de partida à formação de chapa e palanque que estão indefinidos para 2026.
O pré-candidato apresentado é Carlos Eduardo Xavier, o “Cadu Xavier”, atual secretário de Estado da Fazenda.
Mas, ninguém garante minimamente que ele chegue inteiro e viabilizado à disputa.
Natália (entre Lula e Fátima) sai com enorme capital das eleições (Foto: Ricardo Stuckert)
A deputada federal Natália Bonavides (PT) perdeu as eleições à Prefeitura de Natal? Sim, é fato. Perdeu. Mas, a história e a verdade não devem ser contadas de forma tão simplista e pragmática assim. Não se trata de passar outra versão ou fabricar novo resultado. Longe disso.
A advogada, ativista social e petista/lulista de carteirinha Natália Bastos Bonavides, 36, teve o que pode ser definido como “A queda para o alto.” Esse oxímoro nos remete a 1982, nos primeiros anos da reabertura política do país, quando livro com esse título foi lançado pela Editora Braziliense, biografia dilacerante da jovem Sandra Mara Herzer, ou Anderson Herzer.
Sem resumos ou spoiler quanto ao conteúdo, contexto e abordagem revolucionária da obra, nos prendemos ao paradoxo do título e seu fio de identidade com as urnas na capital potiguar em 2024, 42 anos depois. Claro que a vitória do também deputado federal Paulinho Freire (União Brasil) no primeiro e segundo turnos é legítima, épica (veja AQUI e AQUI). Contudo, existem outros vencedores e, entre os derrotados, quem também venceu.
Natália Bonavides não será prefeita, óbvio, porém carrega um capital pro futuro que a transporta para outro nível no quadro de forças em seu partido, à esquerda das correntes ideológicas no RN e no tabuleiro de nomes proeminentes da política do RN. Bonavides não é mais da prateleira de baixo, do segundo escalão. Furou a oligarquia petista de décadas, que era formada pelo binômio Fátima-Mineiro (deputado federal Fernando Mineiro).
Ela superou a própria rejeição antiPT que contaminou sua candidatura, além da bigorna de algumas toneladas de repulsa popular personificada na governadora Fátima Bezerra (PT). Com dignidade, diga-se, não se escondeu nem escamoteou a presença da apoiadora. Subiu degrau a degrau nas pesquisas e afeição popular, mesmo com essa sobrecarga nas costas a puxando para baixo.
Ex-vereadora, deputada federal em segundo mandato como campeã de votos, a candidata driblou descrenças internas, oráculos externos (como deste jornalista que vos escreve), intolerâncias diversas e virou a grande estrela do PT. Perdendo no voto, que se repita. Bonita, inteligente, inquieta, carismática, de boa extração familiar, mas que a direita prefere resumir no epíteto de “Patricinha Bolivariana” (criação genial do jornalista Gustavo Negreiros), Natália Bonavides venceu, sim senhor.
O grupo de 3.123 cidades que deu vitória a Lula no 2º turno de 2022 elegeu no domingo (6.out) só 217 prefeitos do PT nas eleições municipais de 2024. Ou seja, o partido do presidente conseguiu conquistar a prefeitura de só 7% dos municípios que votaram majoritariamente no petista nas últimas eleições gerais. Fica em 7º lugar no ranking de prefeitos das cidades “lulistas”.
Apesar disso, o resultado do 1º turno (248 prefeitos em todo o Brasil) já representa um avanço em relação a 2020, quando havia conquistado só 182 cidades, o pior número em duas décadas. Os partidos que têm ministérios no governo se saíram melhor. PSD, MDB, PP, União Brasil e Republicanos lideram o número de prefeituras conquistadas nessas cidades.
O crescimento do PL nestas eleições se deu majoritariamente nas 2.445 cidades em que o ex-presidente Jair Bolsonaro venceu no 2º turno há 2 anos. A sigla conquistou 377 desses municípios. É mais do que havia conquistado no Brasil todo em 2020.
Os partidos de centro foram os mais vitoriosos nestas eleições. A maioria teve desempenho levemente superior nas cidades mais alinhadas a Bolsonaro, mas também foram bem nas alinhadas com Lula.
Arte do Poder 360
Eis 3 destaques sobre a eficiência dos partidos em municípios que se alinharam mais a Lula ou Bolsonaro em 2022:
PP – tem 15,6% dos municípios “bolsonaristas” contra 12% dos “lulistas”. Em número absoluto, porém, detém praticamente a mesma quantidade de prefeituras de cada lado (375 X 373, respectivamente);
Republicanos – o partido conservador vai melhor nas cidades que deram vitória a Lula. São 267 prefeituras conquistadas nesse grupo ante 169 dentre as cidades que votam mais no Bolsonaro;
PT e PL – das 248 prefeituras petistas, 217 (ou 88%) vieram das cidades mais “lulistas”. Do lado oposto, 377 das 512 conquistas do PL (74%) vieram dos municípios mais alinhados a Bolsonaro.
O bolsonarismo recalibra estratégia e tática para a disputa municipal em Mossoró. A prioridade do discurso ideológico/antipetista está sendo abandonada.
O foco é confrontar e desconstruir o prefeito Allyson Bezerra (UB). Começou a tentativa de polarizar com ele, puxando-o à planície.
Quanto ao PT, entende-se, vai definhar mais ainda, sozinho. O desgaste corrosivo da governadora Fátima Bezerra (veja AQUI) e o pânico da deputada estadual Isolda Dantas (PT), em ser candidata, falam tudo.
Não compensaria gasto de energia e atenção com o partido, que sequer tem pré- candidato a prefeito e poderá ter um apenas para marcar posição.
O bolsonarismo aposta em crescimento célere do pré-candidato Genivan Vale (PL), inclusive com adesões de peso. Novidades não faltam para os próximos dias.
Afastadas todas as preferências pessoais ocorreram recentemente em Brasília, dois fatos que encorajam um futuro de paz e conciliação para o Brasil.
De um lado, o ministro da Defesa – general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira – enviou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) relatório de fiscalização do processo de votação que não aponta qualquer fraude eleitoral e ainda reconhece que os boletins de urnas e os resultados divulgados pelo TSE são idênticos.
Ou seja, o boletim que a urna imprimiu registrando os votos dados ao final da votação confere com o resultado da totalização divulgada pelo tribunal.
A única sugestão, considerada normal, é que seja feita uma investigação técnica sobre eventuais riscos à segurança das urnas.
De outro lado, o presidente eleito Lula visitou Brasília, encontrou-se com os chefes dos poderes Legislativo e Judiciário e deu esclarecedora entrevista à imprensa.
Os dois fatos distensionam o cenário político e institucional.
Embora não fosse competência das Forças Armadas fazer auditoria nas urnas eleitorais, o TSE agiu com cautela e atendeu o pedido.
Agiu corretamente e o resultado é que as Forças Armadas seguiram a sua tradição de seriedade e escreveram no relatório o que viram.
Em nota, o TSE agradeceu o envio do documento e destacou justamente que o trabalho dos militares não aponta qualquer fraude ocorrida na eleição.
“TSE informa que recebeu com satisfação o relatório final do Ministério da Defesa, que não apontou a existência de nenhuma fraude ou inconsistência no processo eleitoral de 2022″.
Havia, de parte das áreas radicais do bolsonarismo, a expectativa do apoio oficial das Forças Armadas, levantando dúvidas na votação, para a formalização de um longo debate no país, em busca da anulação do pleito.
Isso não ocorreu e independente de apoio à Lula, ou Bolsonaro, irá prevalecer a vontade popular.
De outro lado, cabe observar a entrevista dada pelo presidente eleito, após encontrar-se com autoridades da República.
A exemplo do que aconteceu com o bolsonarismo radical, as palavras de Lula significaram um balde de água fria no petismo radical.
O ex-presidente foi claríssimo, ao dizer que fará um governo de coalizão com todos os partidos que aceitem com ele conversar.
Disse que irá procurar os “eleitos”, que representam o povo e desmistificou a tendência de isolamento do chamado “centrão” que atua no Congresso.
A perspectiva é que haja uma mudança de água para o vinho nas relações do Executivo com o Congresso.
A ideia é que cada poder eleja os seus dirigentes, sem interferência do outro.
No momento, pelo que declarou Lula, a prioridade será a PEC de transição para possibilitar atender reivindicações sociais inadiáveis.
O presidente eleito deixou clara a sua tese de que “gastos sociais” são investimentos no sentido de justificar o bolsa familia, merenda escolar, habitação popular, farmácia popular.
Realmente, sobretudo após a pandemia, os governos democráticos têm se orientado pela prioridade social, um discurso que não pode ser propriedade privada dos chamados “progressistas”.
Esse discurso é de quem tenha sensatez e defenda a paz social.
Por último, a visita de Lula à Brasilia pôs um ponto final no choque entre os Poderes, principalmente entre o Executivo e o Supremo, ao defender a harmonia entre eles.
Sempre repeti que não há saída para o momento atual do Brasil, senão através de um pacto de diálogo.
E é isso que começa a despontar no horizonte, não significando adesismo, nem adesões aos vitoriosos.
Significa apenas a lição de que a democracia exige todos superando as suas diferenças, transcendendo as suas lutas pessoais para somarem forças numa única luta que é a preservação das liberdades, custe o que custar.
Ney Lopes é advogado, jornalista e ex-deputado federal
Beto e Rosalba, lados opostos, momentaneamente, na política (Foto: arquivo)
A decisão da ex-prefeita Rosalba Ciarlini (PP) de aboletar-se (veja AQUI) no grupo da governadora Fátima Bezerra (PT), causa estragos notórios ao projeto de reeleição à Câmara dos Deputados do seu sobrinho-afim, Beto Rosado (PP).
Compreensível.
Parcela considerável do perfil de seu eleitor tem posição refratária ao petismo. É, digamos, bem mais puxada pro bolsonarismo, com quem o parlamentar se alinhou durante todo esse mandato e a quem apoiou, com o rosalbismo, no pleito presidencial de 2018.
‘Virar PT’ como força acessória da governadora na reta final de campanha, quando luta voto a voto (segundo sequência de pesquisas) com o estreante Major Brilhante (PP), é um desatino. Serve à “Rosa”, que busca visibilidade nesse extremo, para somar à vitória da governadora, que já se desenha certa e acachapante em Mossoró – sem ela.
Comunicado espalhado pela assessoria do deputado federal é quase um exorcismo, para se livrar da vinculação ao PT e à Fátima – temendo um desastre nas urnas. “Beto Rosado reafirma que seu caminho, nessas eleições, não será o da governadora Fátima Bezerra (…). Explica que respeita a decisão da ex-prefeita Rosalba Ciarlini, e que durante a convenção já havia comunicado aos filiados do partido que eles poderiam escolher seus nomes para o governo”.
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Nos últimos anos o Brasil vive uma triste realidade da divisão entre as famílias por causa da política após a ascensão do bolsonarismo que radicalizou o debate no país.
Carla abraça Bolsonaro e Alexandre é Lula na disputa presidencial (Fotomontagem: Blog do Barreto)
As crises familiares se tornaram comuns. Alguns sabem lidar, outros não. Há os que deixam as disputas para as urnas e mantém o respeito interno ainda que saiam candidatos.
É o caso do médico Alexandre Motta (PT) e da bioquímica e capitã da Polícia Militar Carla Câmara (PL). Eles são irmãos que serão candidatos a deputado federal.
Em conversa com o Blog do Barreto os dois demonstraram um profundo amor um pelo outro e o cuidado em colocar a família acima das diferenças políticas.
Alexandre já foi candidato ao Senado em 2018 obtendo 242.465 votos, ficando na sexta colocação. Em 2020 ele perdeu as prévias do PT para ser candidato a prefeito do Natal para o senador Jean Paul Prates. Carla Câmara, ou Capitã Carla, como se apresenta, é estreante em disputas eleitorais.
Integridade e carinho
Alexandre disse ao Blog que as integridade familiar está preservada mesmo com as candidaturas e diferenças políticas. “A integridade da família pra mim precisa ser mantida. Ela continua, e continuará, sendo minha irmã, apesar das visões de mundo diferentes”, disse. “E continuará merecendo meu respeito e meu carinho, mesmo defendendo o que defende”, frisou.
Carla não escondeu a admiração que tem pelo irmão. “Tenho o maior carinho pelo meu irmão, grande homem e profissional, uma das melhores pessoas que conheço. Entretanto, os posicionamentos pertencem a cada um”, disse.
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O guarda municipal Marcelo Aloizio de Arruda, 50 anos, morreu na madrugada deste domingo (10.jul.2022), depois de ser atingido por tiros disparados pelo policial penal federal Jorge José da Rocha Guaranho, em Foz de Iguaçu (PR). O ataque havia sido no final da noite de sábado (9.jul.2022), pouco antes da meia-noite, em Foz do Iguaçu (PR).
Marcelo Aloizio de Arruda e Jorge José da Rocha Guaranho tiveram confronto armado (Fotomontagem: Metrópoles)
A motivação do crime é política, deixando Marcelo morto e o agressor Jorge gravemente ferido, em face do revide – também com arma de fogo – da vítima fatal.
O confronto deu-se durante festa de aniversário de 50 anos de Marcelo, que fez a celebração enfeitada com elementos que remetiam ao PT, em cores vermelhas. O aniversariante vestia uma camiseta com a foto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A Polícia Civil do Paraná disse que a Delegacia de Homicídios de Foz do Iguaçu está apurando o caso, para esclarecer a motivação do crime. Segundo a corporação, “tratou-se uma discussão em uma festa de aniversário”.
Conforme relatos de amigos de Marcelo aos quais o Poder360 teve acesso em grupos de mensagens, o policial penal federal teria parado com um carro por volta de 23h30 de sábado em frente ao local onde era realizada a festa –na sede social da Associação Recreativa Esportiva Segurança Física de Itaipu (conhecida pela sigla Aresf).
“É Bolsonaro, seus filhos da puta!”
De dentro do carro, um Hyundai modelo Creta, branco, placa RHR2G14 (do Paraná), Jorge José da Rocha Guaranho, teria gritado contra os presentes na festa. Segundo relatos de amigos de Marcelo, Jorge José teria gritado: “É, Bolsonaro, seeus filhos da puta. Seus desgraçados. É o mito!”
Ao ouvir os gritos, Marcelo foi a até a porta do local para ver o que se passava. Jorge José teria então mostrado uma arma (uma pistola Taurus 24/7 calibre .40) pela janela do veículo e apontado para o aniversariante. Marcelo estava com um copo de chope na mão, jogou a bebida em José Jorge e se escondeu.
No carro também estava uma mulher e uma criança. A mulher faz um apelo e pediu que Jorge José saísse do local. O carro começou a se movimentar para sair do lugar, mas o motorista gritou –segundo relatos de amigos de Marcelo– que voltaria ao local para “matar todos vocês”.
Em cerca de 15 a 20 minutos depois, pouco antes da meia-noite de sábado, Jorge José voltou ao local. Marcelo nesse tempo já havia ido buscar sua arma que estava guardada no carro, no estacionamento do local. Era uma pistola Taurus PT 59 .380.
A partir daí houve o confronto, com tiros dos 2 lados. Há relatos de amigos de Marcelo afirmando que Jorge José deu o primeiro tiro, que teria atingido uma das pernas do aniversariante. Aproximou-se então e teria desferido outro tiro. Nesse momento, Marcelo virou-se e teria atirado 5 vezes em direção ao bolsonarista.
Segundo o boletim da ocorrência registrado por policiais de Foz do Iguaçu (leia a íntegra do BO (127 KB), ao chegar ao local foram encontrados 2 corpos no chão. O de Marcelo, “a princípio com duas perfurações de arma de fogo”, e o de Jorge José “a princípio com 3 perfurações de arma de fogo”.
Nota do Canal BCS (Blog Carlos Santos) – Já escrevi, comentei em outras plataformas de mídia, repito: teremos um banho de sangue na disputa eleitoral que se aproxima. Esse caso é apenas uma mostra do que vem por aí, em decorrência do ambiente de intolerância, fanatismo, estupidez e insanidade que testemunhamos. Está ruim? Vai piorar.
Arruda era tesoureiro do PT em Foz do Iguaçu, e foi candidato a vice-prefeito na cidade em 2020. Também era diretor do Sismufi (Sindicato dos Servidores Municipais de Foz do Iguaçu). A Prefeitura de Foz do Iguaçu lamentou a morte de Arruda. Em nota de pesar, disse que ele foi da 1ª turma da Guarda Municipal, e que estava na corporação há 28 anos.
A bolsonarização do Partido Liberal (PL) no Rio Grande do Norte não é automática ou mesmo pacífica.
Na Assembleia Legislativa, por exemplo, o partido é governista-petista, da base de apoio da governadora Fátima Bezerra (PT).
Nesse poder, Kleber Rodrigues, Ubaldo Fernandes e George Soares são filiados ao PL. George, inclusive, já foi líder governista.
Até aqui, o impasse está longe de uma solução harmoniosa e capaz de transformar a legenda às eleições do próximo ano, no estado, em um modelo ‘total-flex’, híbrido.
Não é possível ser bolsonarista e petista ao mesmo tempo.
São correntes excludentes.
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Foi mixuruca a movimentação desse domingo (12), aqui e ali, no país, contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
Pouca gente nas ruas e avenidas do país, nos poucos lugares em que houve mobilização.
Luta por impeachment de Bolsonaro envolve Lula, mas o ex-presidente está longe e fora dessa cruzada ((Reprodução Web)
Algumas cenas que se propagaram pelas redes sociais são até constrangedoras para quem se meteu na organização.
Em São Paulo-SP, por exemplo, a Secretaria de Estado da Segurança Pública estimou que não passavam de pouco mais de 6 mil pessoas o aglomerado.
A mobilização do Movimento Brasil Livre e Vem Pra Rua, pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro, acabou servindo também para hostilizar o ex-presidente Lula.
O pouco barulho foi uma tentativa de sinalizar para terceira via na política brasileira, estancando a polarização entre lulistas e bolsonaristas. Contudo, na verdade, apenas confirmou que esse duelo está mais vivo do que nunca e caminha para ser ‘celebrado’ nas urnas.
Um precisa do outro e vice-versa.
Morta-viva
A oposição de centro-direita segue como zumbi, morta-viva. E olhe que às ruas foram lideranças de peso como o governador João Doria Júnior (PSDB-SP) e o controverso Ciro Gomes (PDT).
Soou engraçado até, convocação deles para que o PT aparecesse e encorpasse o movimento.
O PT e Lula não abrem mão do protagonismo no enfrentamento ao bolsonarismo. Tem razão de pensar assim, até aqui. E quem luta por uma terceira via tem que pavimentar seu próprio caminho.
Não adianta ser como Ciro Gomes, que na Avenida Paulista defendeu “um acordo com a direita e um centro democrático”, pelo impeachment de Bolsonaro.
Se não se exceder muito mais na verborragia e apostar na ruptura a qualquer custo, Jair Bolsonaro vai seguir até o fim, para o juízo final das urnas. A inteligência estratégica de Lula quer assim. A saída dele por impeachment poderia ser um mal maior aos planos político-eleitorais dessa esquerda.
Michel Temer, o ex-presidente que negociou armistício (veja AQUI e AQUI) entre o seu sucessor e o Supremo Tribunal Federal (STF), não estará no palanque de Bolsonaro no próximo ano. Ele e o seu MDB, sabemos, é novamente um sonho de consumo de Lula, mesmo com calafrios de muitos próceres e militantes Brasil afora.
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Um mês depois deassumir a cadeira de Isolda Dantas (PT) na Câmara Municipal de Mossoró, o vereador Gilberto Diógenes (PT) resolveu aceitar assumir a liderança da bancada de oposição.
Ele deverá cumprir a missão que os demais colegas de bancada rejeitaram, de unir a bancada esfacelada depois das divergências geradas pela verba de gabinete, além de articular a fraca oposição a Rosalba Ciarlini (PP).
A solução para o nome se deu após muitas reuniões entre a bancada e a autorização do Partido dos Trabalhadores.
Há cerca de um mês, o vereador Ozaniel Mesquita (PR), até então líder, anunciou que deixaria o posto.
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Obrigado, Chaplin. E o local da minha vida é o Nordeste; e do Nordeste, o Rio Grande do Norte.
Mesmo que esteja longe, este é o meu assunto fundamental.
O fascismo foi escorraçado na minha terra, derrotando os fascistas tradicionais e os oportunistas, que procuraram abrigo no fascismo para se beneficiarem das circunstâncias de oportunidade.
Ao pegarem carona na carroceria do oportunismo perderam a eleição e sujaram a biografia.
Confesso que mudei de voto, pois votaria da história pessoal de quem sempre me pareceu digno do meu voto. Em quem já votei antes. Não renego meu voto antigo, mas sinto-me satisfeito por ter mudado de voto.
Não preciso de políticos nem de governo. Não sou petista, não sou fascista, não sou covarde. Sou sobrevivente da resistência democrática, e assim morrerei.
Resistente ao fascismo, que é a maior invenção maléfica de quantas a imaginação humana conseguiu erigir em honra à desumanidade.
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Ronaldo, Gustavo, Fátima, George e Antenor (vice de Fátima): apoio (Foto: redes sociais)
O deputado estadual George Soares (PR) anunciou que ele e seu grupo vão apoiar a candidata petista ao Governo do RN, senadora Fátima Bezerra.
Com ele, seu irmão Gustavo Soares (PR), atual prefeito do Assu.
Há alguns dias, quem praticamente antecipou o posicionamento do deputado e do prefeito foi o pai de ambos, o ex-prefeito e ex-deputado estadual Ronaldo Soares.
O Blog Carlos Santos noticiou a hipótese de apoio há pouco mais de duas semanas (veja AQUI).
A posição política dos irmãos deputado e vice tem respaldo do comando estadual do PR. Apesar de firmar aliança com o PSD do governador Robinson Faria (PSD), nome à reeleição, liberou filiados e detentores de mandatos à qualquer decisão em contrário.
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Nunca mais ninguém falou sobre o processo de impeachment em “tramitação” na Assembleia Legislativa, que atingiria a governadora Rosalba Ciarlini (DEM).
Imagina-se que fizeram um pacto blindando a governante. Nesse conchavo, oposição, governismo, sistema Alves, petistas e grupo de Robinson Faria (PSD).
O processo de inelegibilidade, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), também parece enterrado como se fosse lixo nuclear. Sob chumbo.
Passadas as eleições, os dois temas definitivamente perderam importância.
Tucídides, historiador e comandante naval que viveu em 460 antes de Cristo sobreviveu à peste e a descreveu, objetiva e subjetivamente, como depoimento pessoal e como testemunha ocular dos fatos narrados em curto e contundente relato.
Assim pode escrever que, enquanto homens morriam como mosquitos, à sua volta, “nenhum temor às leis divinas os refreava”. Era cada um por si e pela hora da morte.
Escreveu e pôs em palavras a própria experiência que desde então dá uma descrição da peste.
Como uma presa da epidemia que avassalou Atenas, sentiu Tucidides em seu íntimo – como os seus demais companheiros de infortúnio – que uma sentença bastante mais severa lhes fora, irrevogavelmente, proferida e esta anulava decretos e costumes humanos. E, antes que a sentença se cumprisse, queriam todos ainda extrair algum prazer da vida.
Ora, a ordem do mundo se inverte tão logo a peste é reconhecida, adverte-nos Elias Canetti [1905-1994] em sua obra magna de pensador provocado pelo fenômeno das massas, quando ele se reporta em um denso e curto ensaio sobre o horror que reina sob o domínio da peste. Sabe-se já que a peste não desaguará em outra coisa senão na morte conjunta de todos, e isto, por si, explica toda descrença e revolta.
Na iminência do extermínio físico, os vínculos morais entre os homens são extintos e prevalece como padrão a ânsia e o instinto de sobrevivência que faz o homem, ainda que agonizante, lutar pela vida até o último suspiro. Eis, pois, o que a peste tem em comum com o terremoto: a aniquilação total, segundo a síntese de Tucidides que a vivenciou na alma e na própria pele.
Em sua ação cumulativa, parece ter a peste sobre os homens o efeito de um cataclisma. No começo da peste, poucos são os apanhados. E no fim do ciclo pestilencial – que pode durar meses e até um ano inteiro -, poucos são testemunhas de uma grande mortandade, como nos terremotos.
Por um processo semelhante ao da peste, sorrateiramente, um partido da mais alta periculosidade, encapuzado de PT, infiltrou-se por toda a parte contaminando com o vírus deletério da corrupção a máquina do Estado e, de maneira contundente desconstruindo os costumes, urdindo em surdina a dissolução da família e estimulando conflitos raciais e de fé entre brasileiros que antes não se digladiavam e viviam em paz.
E, como resultado desse processo de desmonte da nação, instituições abaladas; corrupção e impunidade como faces de uma mesma moeda em que se transformou, aos olhos do mundo, o país de Macunaíma regido pelo lullupetismo.
Foi o que aconteceu no último decênio que solapou a paz pública sob a bandeira de um partido – ou facção partidária – oriunda do sindicalismo e amamentada de ideias marxistas e gramscianas, em uma permanente luta pelo poder através da doutrinação e do aparelhamento do estado por hordas de militantes dispostos a tudo.
O Brasil tornou-se um subproduto dessa ideologia que aspira ao totalitarismo. A república da esbórnia, do crime e duma pseudo democracia, isto é, do populismo irresponsável e incontinente, para ludibriar incautos.
Nenhum partido terá produzido entre nós uma herança mais deletéria. O PT, do qual resultou esse caldo de culturas socialistas que contaminou e infeccionou a democracia, fazendo do país o que é sob o desgoverno petista.
Mancomunados com dirigentes das mais execráveis tiranias – como as que integram o Foro de São Paulo -, armou o PT uma teia criminosa e tem tentado em todas as ocasiões controlar e amordaçar a imprensa e a internet, privando-nos a todos da liberdade de opinião, dos principais pilares de uma democracia firme.
Promoveu a cultura dos trabalhadores que, como sabemos, prega o ressentimento, separa e confronta, acirrando a luta de classes.
A participação de membros do governo ou dele beneficiários em confrontos de rua, agindo como vândalos, tenta desacreditar um movimento que brotou da indignação dos brasileiros. Todo esse descalabro sem nome sedimentou-se e expandiu-se ao longo desses últimos dez anos sem que nos déssemos conta da sabotagem do PT contra a democracia e o seu empenho incansável em domesticar a opinião e manietar a imprensa, sempre em seu ansiado projeto de transformação do Brasil em um gulag bolivariano.
Em resumo, o PT tem sido uma peste em nossas vidas. E, se Hannah Arendt tivesse conhecido essa realidade que todos de alguma maneira vivenciamos a cada momento, diria: Quem sobreviver ao lullismo viverá entre ruínas.