Noturnos, os poetas se emudecem no silêncio das madrugadas, a fim de encontrarem a raiz poética, (re)encarnada na cumeeira do vazio.
Enquanto a cidade dorme, a poesia se apresenta, antes do nascer do sol, como oferenda legítima e mundana do (des)colorido atormentado da vida.
Pois não sou este espírito a esmo
Que me busca entre sombras e abalos
Na infinita procura de si mesmo.
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Os passos
no corredor,
a luz acesa.
O perfume
da inocência
brincando
entre as mãos
pervertidas
do vento.
— Poeta Marcos Ferreira, há sempre em nós uma confissão tardia! — Assombra-se Carlos Meireles, entre palavras de pecado e farta remissão.
Eu olho para a parede alta e nua à nossa frente. Um fero obstáculo a nos usurpar da liberdade de flertar com a arquitetura das nuvens, de antever o bulício dadivoso dos arrebóis.
Apenas o céu
emoldurado
na janela,
a tia nas orações
— tateando
o paraíso
nas contas
encardidas
do rosário.
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Perdi meu romantismo. Não sou mais
O amante, o cavalheiro, o menestrel
— O ingênuo cantador de madrigais.
O que se perde, Poeta, mais se nos (re)define. Defino-me mais pelo que abandonei, desrespeitoso com meus despojos, do que pelo que levo na algibeira das minhas certezas vãs.
Hoje, neste ranzinza habitáculo em que meu corpo habita, quero recobrar os meus românticos perdidos, mas o mundo, cruel engenho, já cuidou dos seus funerais.
A poesia só me encontra quando me perco, pecador por palavras, nos seus cruentos madrigais.
Estremeço à tua passagem
e meu olhar de chumbo
se afunda na ilusão movediça
do teu colo de aromas.
A tarde boceja envolta
num pijama de arrebol
e as últimas cardigueiras
desaparecem na linha
ensanguentada do horizonte.
&&&
Ontem voltei à rua dos
meus tempos de criança…
O fantasma do amor imberbe
atravessou-me num abraço diáfano.
Sobre a laje negra do asfalto
brincava o doido esqueleto
do meu cavalinho de pau.
A infância usurpa o nosso presente. De quando em vez, joga seus espectros em nossa frente. E, cabisbaixos e saudosos do ontem, caqueticamente, nos tornamos fantasmas do nosso passado.
Hoje, Poeta, esperarei a assombração do eu-menino com a roupa de homem, em frente à porta da frente. Se ele passar por mim e entrar… Bendito seja eu, Ferreira!
&&&
Acho que a velha casa
dos meus sonhos mirins
ameaçou um sorriso de janelas.
Ainda hoje sonho com a velha casa de Licânia. Entre os meus, colhido pelos tipos da rua, recebi as minhas lições de maior valia. Na nossa rua, não havia pobres nem ricos, existiam amigos e amigas. Gente boa, gente crédula, gente simples.
Cresci e me formei. E o mundo, Poeta, depois de Licânia, só me deseducou; e, hoje, não sonho mais com o sorriso do nosso janelão da frente. Lições de menos-valia.
— E quando retornarás a Licânia?, você me indaga.
E Licânia algum dia saiu de mim?! Se tu te referes a este meu esqueleto, ele será plantado na terra que me viu chorar, e muito sorrir no peito.
Mesmo que a luz
de nossas almas
se apague e o tempo
nos arraste para
o mundo das sombras
e da saudade,
haverá sempre esta
candeia de esperança
ardendo na solidão
lacrimosa do meu peito.
&&&
Ontem concebi
um poema
bastardo.
Cumpre-me agora
escrevê-lo,
pois larguei-o
entre as águas
do banho
e ele se afogou
na garganta
escura do ralo
Há versos concebidos na antevéspera do escarro; outros, na comunhão de um afago; alguns, não raros, no lusco-fusco da esperança. São raros os que resistem ao tempo, juiz cruel de muito enfado.
Não adianta te cercares das lições comezinhas dos vates de outrora, nem das homilias poéticas dos modernosos de agora, pois o poema, aprendiz de poeta, só se entrega (e se revela) a quem nunca o espera, e dele se torna um fiel escravo.
Um sopro de angústia vai movendo
as dobradiças do silêncio.
As teias do tempo se espalharam
por todos os cômodos e móveis.
Sequer o velho relógio de pêndulo
reagiu à minha súbita presença.
Vê, em frente ao teu espelho, o sopro lívido da tua última quimera se esvair por entre as nesgas do silêncio, e se acomodar nas engrenagens das horas extremas.
O mais é tudo sombra e frialdade.
&&&
É tarde… Um galo canta no vizinho.
Então ele retorna e continua
Os versos que deixou pelo caminho.
Levanta, Marcos, os raros leitores de poesia aguardam o recital do teu soneto esquecido na última tarde. O primeiro quarteto, em alexandrinos perfeitos, ultrajava a dor que te tornara forte; o segundo, rimado e bem urdido, decantava a flor que tu havias tido; o primeiro terceto, arejado e reverente, tecia a família que, de ti, se orgulhava. Já a última estrofe, Poeta, toma cuidado!, pois daqui antevejo o traquinas Chico de Neco Carteiro a tentar escandir-lhe os versos, com sua voz rascante de augusta e rutilante matraca.
É de lábios
e línguas
este anseio
que deriva
da curva
do teu medo
e se gruda
nos fios
do silêncio.
Na curva do arremedo, os poetastros cevaram os espectros dos seus pretensos poemas. De paletó e gravata, cercados de muitos festejos, eles se esqueceram de convidar a musa humilde.
Acharam, por certo, que, para eles, não havia segredo. Cumularam-se de saberes, outorgaram-se detentores de uma fama de araque… e se defrontaram, fatal desencanto, com o “poema” oco, perdido na tepidez funérea do vazio.
Abracei-a com força, mas não creio
Ter podido prendê-la muito assim…
Ela foi e eu fiquei ali no meio
Do silêncio noturno do jardim.
No silêncio da noite, sem a algaravia dos falsos arpejos, aprendi que a graça da poesia só nos alumbrará se riscada em laivos transparentes, pendidos, com a força solfejante da cola de uma mísera rima, sob a platitude lírica do abismo.
Não te maldigas pela sorte escassa
Nem pela vida muita vez tão dura…
Aqui no mundo nada sai de graça,
Ainda mais quando se tem ternura.
Quando a última ternura me caiu no colo opresso, nem percebi quando se deu tão sublime esmola, obrou-se o milagre de me ver em festa, quando todos lá fora se consumiam em desenganos.
E, se ao fim e ao cabo, tu, ternura, me tornares imprestável para a lida cotidiana, só me restará a lira… e a sina malsinada de me fazer poeta.
Hoje amanheceu bonito
Como fosse primavera…
Sem metáforas de sombra,
Nem pedaços de quimera.
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Declaro, para todos
os fins que se fizerem
necessários, que não possuo
bem algum neste mundo
em que os homens
declaram a guerra
e sonegam a paz
E tu, Marcos Ferreira, cuida de assinar o teu último armistício poético; eu, por aqui, rabiscarei o testamento do meu degredo.
Entre os fulgores da morte, as sonegações da paz, nós, tortos poetinhas, finalizaremos o nosso espólio, declarando fé no amanhã, apesar do risco de sermos fuzilados por isso.
No coração da noite segue uma tristeza
Com passos muito lentos e desmotivados
Obs.: os trechos em itálico foram extraídos do livro A hora azul do silêncio, de Marcos Ferreira. — 2ª edição — Mossoró: Editora Verboletras, 2016.
Clauder Arcanjo é escritor e editor, membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras
A Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) promove entre os dias 16 e 18 de novembro a primeira edição do Macambira – Festival Literário da Ufersa, com extensa programação cultural envolvendo o mundo da literatura, dança, artes cênicas, exposições fotográficas, jogos educativos, oficinas, palestras e lançamentos de livros.
O premiado cearense Mailson Furtado é um dos nomes do evento cultural (Foto: divulgação)José Almeida Júnior é mossoroense com sucesso de público e crítica em seus trabalhos (Foto: divulgação)
Para abrir a programação, dia 16, a partir das 18h, o Festival recebe o poeta cearense Mailson Furtado Viana, vencedor do Prêmio Jabuti 2018 nas categorias Poesia e Livro do Ano. Na noite do dia 17 será a vez do escritor mossoroense José Almeida Júnior compartilhar a sua produção literária. Proeminente no estilo romance histórico, Almeida é vencedor do Prêmio Sesc e finalista dos prêmios Jabuti e São Paulo de Literatura.
Na noite de encerramento, sexta, dia 18, serão anunciados os vencedores do primeiro Concurso Literário da universidade. Lançado em julho, a chamada pública recebeu mais de 50 textos inéditos nos gêneros crônica, conto e poesia. Os selecionados serão publicados em um livro pela Editora Universitária da Ufersa (EdUfersa).
Teatro
A programação é integralmente gratuita e acontece na lateral da Biblioteca Orlando Teixeira, Lado Leste, Campus Sede, em Mossoró. Além de literatura, o evento será abrilhantado com a apresentação dos grupos de teatro Cia Escarcéu, Grupo Baobá da Ufersa, Pessoal do Tarará e GRUTUM, Maracatu Reis de Paus, o rapper Cumpadi Caboclo e os artistas Airton Cilon e Álex Martins.
Durante os três dias, estarão à disposição dos visitantes mostras fotográficas e exposições de HQ’s, competição de grupos de K-Pop e, para o público infantil, será montada a Casa de Leitura, uma iniciativa destinada à contação de história e recreação.
O Macambira – Festival Literário da Ufersa nasce com o objetivo de promover um ambiente pluricultural na instituição a partir da valoração das diversas linguagens artísticas e literárias.
Foi o que pensei ao imaginar este verso fotográfico, ajustando a câmara, para registrar a fisionomia deste tempo de trevas. Aí descobri que não é hora de poesia.
Não é. Mesmo a aroeira parindo brotos de futuras flores, informando que suas raízes começam a sugar a seiva doce do massapê, mesmo a moita do mofumbo soltando as primeiras flores que só cheiram ao nascer, mesmo o riacho descendo em busca de uma foz raquítica, mesmo as águas do baixio no aluvião convidando ao plantio do milho e do feijão, mesmo o canto da mãe-da-lua informando que a madrugada não tem destino, mesmo o correr do calango fugindo da baladeira do moleque ainda existente, mesmo a jitirana enfeitando a subida das grotas, mesmo a espingarda de pederneira pendurada inútil num armador do alpendre, mesmo o sonho de uma mãe que esperou do filho retirante uma carta ou um mimo, mesmo a desmama de um bezerro preso à pata traseira da vaca para oferecer leite à mama do filho do tirador do seu leite, mesmo o som do trovão informando o desgosto de Tupã.
Não dá pra fazer poesia. Não dá.
É hora de arregaçar mangas, não de colhê-las. O momento é de luta e luta feroz. Dizer abertamente que vamos vencer e quem não aceitar a derrota que se prepare pra luta.
Se perdermos, aceitaremos. Se vencermos, venceremos sem medo de arreganhos ou ameaças.
O Brasil impõe o desafio: É vencer ou vencer!
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É hoje! Sábado, 12 de março de 2022, é dia de poesia no Teatro Lauro Monte Filho em Mossoró. A partir das 18h, a gente tem o Grande Encontro de Poetas, idealizado pelo músico, compositor e poeta Zé Lima.
A entrada será de dois quilos de alimentos não perecíveis, que serão doados a artistas que estejam em dificuldade por conta da pandemia.
O evento é uma forma de comemoração do Dia Nacional da Poesia (14 de março), alusão ao aniversário do poeta baiano Castro Alves, o “poeta dos escravos” (1847-1871).
No palco, o próprio Zé Lima, Antônio Francisco, Nildo da Pedra Branca, Lalauzinho de Lalau, Zé Cardoso, Geraldo Amâncio, Moisés Marinho, Caio César Muniz, André da Mata e Symara Tâmara recitarão seus poemas e interpretarão poemas musicados.
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Busco nas cerdas invisíveis do vento uma suave escova que deslize sobre meus cabelos despenteados. Hoje estou carente desses afagos imateriais. Quero o beijo da aragem. Deixo-me estar à janela de minha alma, com vista para a rua de pedras e areia trazida pelas chuvas. Há estrelas cintilando no céu, grilos e sapos executam suas típicas sinfonias nos escaninhos da noite. Alguns audazes morcegos, como pequenos aviões de caça furtivos, cortam os ares arrojadamente.
O rock metálico do trânsito indica que as pessoas têm pressa de viver. Sim, a vida pulsa sobre o paralelepípedo e nos corações, apesar desse desgoverno nefasto que atua em desfavor dos pobres, da maldade de sua política contra a mesa e o prato dos brasileiros. Meu povo, neste Brasil e cidade, come lagartos, carcaças, cartilagens, e cerca caminhões de lixo à procura de comida.
Estou sempre sujeito (quem não está?) às influências do meio. Ou, para ser mais preciso, às influências do inteiro, do completo, do geral. Da vida, do mundo, enfim. Exatamente. Sou, como todos somos, influenciável. Embora algumas vezes eu também exerça alguma influência sobre terceiros. Basta uma lua obesa no céu, como aquela que ora contemplo, para a minha alma de poeta suburbano pensar num verso estratosférico, numa estrofe e rimas de brilho emprestado.
A vegetação nos campos, como em toda parte, após muito tempo trajando o grave cinza da estiagem, cobriu-se de verde. O útero do solo voltou a ser fecundado e a procriar com o milagre da água que o céu tem vertido sobre nós. Que importa que os enxames de muriçocas estejam de volta com redobrado apetite por sangue? Isso, diante do benefício do inverno, é café pequeno.
Entretanto, por característica desta região semiárida, o astro-rei continua dando as cartas. Predomina na maior parte do tempo. Em Mossoró ninguém morre de hipotermia. Não há qualquer dificuldade, por exemplo, para secagem de roupas expostas nos varais. Desde os tecidos mais leves aos mais pesados, tudo fica sequinho em minutos. Mofo?! Nada de mofo! A umidade relativa do ar está quase ao nível dos nossos pés. Aqui se frita, como se diz, ovo no asfalto.
A máquina fotográfica de um relâmpago iluminou momentaneamente o quintal. Esperei por um trovão, mas ele não veio. Talvez tenha preferido não interromper a cantoria dos sapos e grilos. Sem pudor, um gato e uma gata se amam em algum terreno ou telhado próximo. Discrição nunca foi o ponto forte desses adoráveis seres de patinhas acolchoadas. Circula um vento úmido.
Apesar das chuvas, ainda não há fartura. Nem sei se haverá. Não para as pessoas humildes. Muitas continuam nos semáforos exibindo cartazes pungentes, pedidos de socorro. São indivíduos que não têm o que comer. Outros não têm o que vestir nem onde morar. Fala-se muito na fartura dos grandes empresários agrícolas, porém essa riqueza toda é somente para eles próprios. Vai tudo para os bolsos deles, cuja maioria parece incapaz de oferecer um pão a um doido.
Bom, hoje não quero me alongar. Vim apenas dizer, entre outras coisas, que uma orquestra de sapos e grilos cantadores, além de uma constelação intermitente de vaga-lumes, trouxe um pouco mais de poesia para estas minhas horas de ócio criativo. Deixo à margem, em prol do lirismo, a horrenda metáfora da fome representada por tanta gente podre de rica, mas miserável de espírito.
Nós até resistimos, damos voltas no corpo, suportamos uma vida sem pão, sem teto e sem outras dignidades que nos negam e furtam, entretanto creio que a gota d’água de nossa existência será o dia em que nos faltar poesia. Porque poesia é a chama, é a força que nos faz resistir e lutar por dias melhores, é o nosso talento e pendor para a superação, mesmo perseguidos por inúmeras adversidades e privações. Poesia é a nossa coragem para sorrir na cara da tristeza.
Portanto, que nunca nos falte poesia. Coisa esta que não representa meramente uma composição em versos, mas a graça, o encantamento que estar vivo deve significar. Daí advém a poesia escrita, que é o retrato literal da humanidade e do mundo. Se esses sapos e grilos cantantes, além dos morcegos nos seus voos acrobáticos, se tudo isso não for poesia, então não sei o que é poesia.
Marcos Ferreira é escritor
*Texto originalmente publicado na revista Papangu na Rede.
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.
Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade.
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.
Amadeu Thiago de Mello (1926-2022) foi poeta e tradutor, com obras traduzidas para mais de 30 idiomas
*“Os estatutos do homem” é o vídeo em que o autor declama sua poesia, acompanhado do Duo GisBranco (Bianca Gismonti and Claudia Castelo Branco – dois pianos), no Circo Voador, Rio de Janeiro, na abertura do Poesia Voa 2.0 | Festival Poesia Direitos Humanos – 10 de dezembro de 2006.
As décadas são das crianças/ os anos, dos adultos./
Os meses são dos devedores./ Isso mesmo, somos todos devedores./
Não há credores na vida./ Até os ricos, que nada devem aos seus, devem à vida./ E ela cobra./ E a promissória é a quitação da morte./
As semanas são invenções,/ com os atropelos das Segundas/ e as ilusões dos Sábados./ Nada mais que isso./
Sobram os dias./ E quem viveu tão ilusoriamente pouco/ chegando aos Setenta/ só se aboleta na tenda dos dias./ Não mais pra viajar/ ou adiar sonhos,/ apenas e a valer a pena, esperar o nascer de cada sol./
O dia não é só do sol./ É dele e da lua na noite./ Os dois completam o dia./ Ele nasce cedo, frio, e apressadamente esquenta./ Sem sequer esquentar a esperança da demora./ A lua, matreira, tem fases./ Some, novilúnia, após minguar,/ depois cresce, suave,/ e se enche de luminosidade falsa,/ como sói ser falsa toda luminosidade./ Plenilúnio da ilusão./
Sobra a tarde./ O último e único momento honesto do Dia./ O sol descambando no poente,/ o chumbo das nuvens no nascente,/ e a semelhança do ocaso/ com a dívida da vida. Viva o dia!/ O único tempo do calendário/ que dispensa medição do tempo.