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O novo poder em que uns mandam e outros apenas obedecem

Trump manda e Delcy obedec. Simples assim (Fotomontagem da AFP)
Trump vai dando as cartas e Delcy obedece, num misto de poder. Simples assim (Fotomontagem da AFP)

Do The News para o BCS

Delcy Rodríguez? Donald Trump? Marco Rubio? Quatro dias após a operação que capturou o ditador Nicolás Maduro, ainda não se sabe ao certo quem dita as regras na Venezuela.

Por um lado, você pode responder Delcy Rodríguez. Empossada como presidente interina, a então vice de Maduro e apoiadora do chavismo tenta caminhar numa corda bamba.

Por outro, você poderia dizer Trump. Até porque ele respondeu um simples e direto “Eu”, quando perguntado sobre quem governa o país.

Mas a resposta que parece mais próxima da realidade é… Um mix dos dois. O presidente americano declarou que não haverá eleições na Venezuela nos próximos 30 dias, mantendo indiretamente Delcy no poder.Pode parecer contraintuitivo, uma vez que, em público, ela fala em independência e critica a ação americana. Porém, nos bastidores, a presidente interina mantém canais abertos com Washington e até já sinalizou “cooperação”.

Paz pública e petróleo na mão

Eleições imediatas, assim como entregar o poder à oposição, poderia causar revolta das forças militares, que são alinhadas ao regime de Maduro.

Trump parece querer evitar um caos civil para que as petroleiras americanas consigam retomar suas atividades na Venezuela sem sofrerem pressão.

Bottom-line: Ele estima que, só para “consertar” a infraestrutura do setor, elas devem demorar 18 meses. Na noite de ontem, o presidente americano publicou em suas redes afirmando que a Venezuela concordou em entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo “de alta qualidade” aos EUA.

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Trump anuncia ataque à Venezuela e captura de Maduro

Maduro é ditador venezuelano e Trump mostra força do imperialismo (Foto: Jesus Vargas e Aaron SchwartzCNPBloombergGetty Images)
Maduro é ditador e Trump mostra força do imperialismo (Foto: Jesus Vargas e Aaron Schwartz/CNP/Bloomberg/Getty Images)

Do G1 e CNN

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (3) que forças americanas realizaram um ataque de grande escala contra a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro. A declaração foi feita em uma rede social.

“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea.”

De acordo com Trump, a ação foi conduzida em conjunto com as forças de segurança americanas. O presidente não informou para onde Maduro e a mulher foram levados.

Trump afirmou ainda que mais detalhes sobre a operação serão apresentados durante uma coletiva de imprensa marcada para as 13h, horário de Brasília.

Uma série de explosões atingiu Caracas, capital da Venezuela, na madrugada deste sábado. Segundo a Associated Press, ao menos sete explosões foram ouvidas em Caracas em um intervalo de cerca de 30 minutos.

Moradores de diferentes bairros relataram tremores, barulho de aeronaves e correria nas ruas. Parte da cidade ficou sem energia elétrica, principalmente nas proximidades da base aérea de La Carlota, no sul da capital.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram colunas de fumaça saindo de instalações militares e aeronaves sobrevoando Caracas em baixa altitude.

Venezuela acusa os EUA

Logo após as explosões, o governo da Venezuela publicou um comunicado afirmando que o país estava sob ataque. Segundo a nota, o presidente Nicolás Maduro convocou forças sociais e políticas a ativar planos de mobilização.

“O presidente Nicolás Maduro assinou e ordenou a implementação do decreto que declara o estado de Comoção Exterior em todo o território nacional, para proteger os direitos da população, o pleno funcionamento das instituições republicanas e passar de imediato à luta armada”, diz o texto.

“O país deve se ativar para derrotar esta agressão imperialista.”

O governo venezuelano afirmou ainda que o objetivo da operação americana seria tomar recursos estratégicos do país, principalmente petróleo e minerais. No comunicado, Caracas disse que os EUA tentam impor uma “guerra colonial” e forçar uma “mudança de regime”.

Por fim, a Venezuela declarou que se reserva ao direito de exercer legítima defesa e convocou governos da América Latina e do Caribe a se mobilizarem em solidariedade ao país.

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María Corina Machado, opositora de Maduro, ganha o Nobel da Paz

María Corina tem 58 anos e chegou a ser presa pelo regime de Maduro (Foto: Jonathan Lanza Nur/AFP)
María Corina tem 58 anos e chegou a ser presa pelo regime de Maduro (Foto: Jonathan Lanza Nur/AFP)

Do Canal Meio e outras fontes

Com uma crítica dura ao regime de Nicolas Maduro, o Comitê Nobel da Noruega concedeu o Nobel da Paz de 2025 a María Corina Machado, líder da oposição venezuelana, por seu “trabalho incansável promovendo os direitos democráticos do povo da Venezuela”. De acordo com o Comitê, o país latino-americano passou de “uma nação próspera e relativamente democrática para um regime brutal e autoritário”, responsável hoje por uma grave crise econômica e humanitária, com a oposição sendo reprimida por meio de prisões, perseguição judicial e eleições fraudadas.

María Corina, diz o documento, tem sido uma figura-chave, capaz de unificar as diferentes correntes de resistência ao governo de Nicolás Maduro. A escolha da venezuelana foi também uma crítica à onda de retrocessos na democracia em diversas partes do mundo. “Democracia é uma precondição para uma paz duradoura. Entretanto, vivemos num mundo onde a democracia está em retrocesso, onde mais e mais regimes autoritários desafiam as regras e recorrem à violência”, diz o comunicado do Comitê Nobel. (The Nobel Prize)

Aos 58 anos recém-completados, María Corina Machado é engenheira, filha de uma família rica do setor de siderurgia e faz oposição ao governo da Venezuela desde os tempos de Hugo Chavez por meio da ONG Súmate, que fundou. Antes criticada pela resistência em negociar com o governo, ela assumiu a liderança da resistência ao regime de Maduro e tentou enfrentá-lo nas eleições de 2024, mas teve a candidatura barrada pela Justiça, alinhada.

Apoiou então Edmundo González, derrotado em um pleito cujos documentos de votação jamais foram apresentados. Alvo de ameaças após a eleição, ela passou cinco meses sem aparecer em público e chegou a ser presa no início deste ano ao participar de um comício, libertada horas depois. Apesar disso, não deixou o país e segue como principal voz da oposição. (Estadão)

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Mossoró Oil & Gas 2024 gera R$ 43 milhões em negócios

Nona edição teve participação maciça, internacionalização e bons negócios (Foto: Redepetro)
Nona edição teve participação maciça, internacionalização e bons negócios (Foto: Redepetro)

A nona edição do Mossoró Oil & Gas Energy (MOGE), encerrada no último dia 28, no Expocenter da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), em Mossoró, superou as expectativas. Alcançou números recordes de participantes e de geração de negócios.

Com um total de 9.941 visitantes, a feira movimentou em torno de R$ 43 milhões em negócios.

Segundo a Redepetro RN, entidade realizadora do Mossoró OIl & Gas Energy, o montante é resultado de negócios diretos e indiretos realizados durante o evento, entre 26 e 28 de novembro. Nesse contexto estão inclusos serviços de montagem da feira e de estandes, fardamentos, hotelaria, restaurantes, negociações diretas entre expositores, assim como no Petrosuplly Meeting, as conhecidas rodadas de negócios.

Somente nessas rodadas, as estimativas de negócios giram em torno de R$ 34 milhões. Nos três dias de evento, foram realizados 240 encontros, que reuniram em mesas de negociações empresas fornecedoras de bens e serviços e 11 grandes operadoras do setor (Brava Energia, Halliburton, SLB, Mandacaru Energia, Origem, Perbras, Petroreconcavo, Tecnogera, Pecom, Subsea Drilling e Alvopetro). A iniciativa é realizada pelo Sebrae no Rio Grande do Norte, apoiador do evento, e faz parte das estratégias do Polo Sebrae Onshore.

De acordo com o presidente da Redepetro RN, José Nilo dos Santos, o desempenho reforça a condição do Moge como maior evento de petróleo e gás onshore da América Latina e o consolida como vetor de oportunidades do segmento.

José Nilo acrescenta que, além dos impactos econômicos, os resultados exitosos do evento têm papel decisivo no fortalecimento de todo o onshore, especialmente de Mossoró e do Rio Grande do Norte.

“Todos os números obtidos nos deixam muito felizes e convictos da importância da Mossoró Oil & Gas Energy para o fortalecimento do onshore nacional. Realizar o evento é um grande desafio, mas vimos na edição deste mais um grande êxito, coroado pelo número de participantes e de negócios, que impactam a economia, estimulam a atração de novos investimentos e reforçam o papel importante de Mossoró e do RN para o setor”, avalia José Nilo.

O incremento nos números soma-se ao crescimento estrutural do evento que, na edição deste ano, ampliou para três o número de pavilhões (eram dois no ano anterior), onde foram instaladas as três arenas temáticas (Petróleo e Gás, Inovação e ESG) e área de exposição. Também aumentou o número de estandes, que saltou de 130 em 2023 para 208 em 2024.

Internacionalização

Além de toda a representatividade e protagonismo no Brasil, o Mossoró Oil & Gas Energy se consolida também, em âmbito internacional, diante da crescente participação de empresas e representantes estrangeiros no evento.

Somente na edição deste ano, a feira reuniu participantes de países como Argentina, Belize, Bolívia, Canadá, Chile, China, Colômbia, Equador, Honduras, México, Portugal, Espanha, Estados Unidos, Emirados Árabes, Reino Unido e Venezuela. Oito estandes foram destinados a empresas internacionais, que enxergaram no Moge oportunidades de negócios e ampliação de mercado.

No que se refere a Brasil, o evento alcança praticamente todos os estados da federação, com participação de empresas e/ou empresários de 19 dos 26 estados brasileiros.

Parceria

Ainda conforme o presidente da Redepetro RN, os números positivos do Mosoró Oil & Gas são reflexos diretos da soma de esforços em torno do trabalho em prol do fortalecimento do onshore. Ele lembrou a importância de parceiros, a exemplo do Sebrae RN, Ufersa, patrocinadores e expositores, para o crescimento do evento.

“Um evento grandioso como o Mossoró Oil & Gas Energy se faz com a força de grandes parceiros, que ao lado da Redepetro defendem o fortalecimento do onshore e que, desde o início, acreditaram no protagonismo de Mossoró e do RN no setor”, pontua.

Candidato da oposição enfrenta mandado de prisão

Urrutia teria vencido no voto, e agora também precisa estar preso, segundo Maduro (Foto: Jeampier Arguinzonespicture alliance via Getty Images)
Urrutia teria vencido no voto, e agora também precisa estar preso, segundo Maduro (Foto: Jeampier Arguinzon – via Getty Images)

Do Canal Meio e outras fontes

A Justiça da Venezuela acolheu o pedido da Procuradoria-Geral, ambos alinhados ao regime de Nicolás Maduro, e emitiu um mandado de prisão contra Edmundo González Urrutia, candidato da oposição nas eleições presidenciais de 28 de julho, por “crimes associados ao terrorismo”. Ele já havia sido ameaçado de prisão por faltar a depoimentos sobre a publicação de atas eleitorais do pleito em um site.

A oposição sustenta que teve acesso a 83,5% das atas e que, segundo elas, Urrutia venceu com 67% dos votos. Até hoje o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), dominado pelo chavismo, não divulgou os documentos que permitiriam comprovar a suposta reeleição de Maduro, apesar da pressão de boa parte da comunidade internacional. (g1)

Pouco depois, Maduro foi à TV e pediu uma “revolução dentro da revolução”, afirmando que, quando for o momento, dará lugar a outro chavista. “Sou o primeiro presidente chavista e, quando eu entregar o comando, quando chegar a hora, eu o entregarei a um presidente chavista”, afirmou. (Globo)

Já a líder da oposição, María Corina Machado, afirmou que o governo “perdeu completamente o contato com a realidade”. “Ao ameaçar o presidente eleito, apenas conseguem nos unir mais e aumentar o apoio dos venezuelanos e do mundo a Edmundo González. Serenidade, coragem e firmeza. Seguimos em frente”, afirmou no X. (El País)

Mais cedo, os Estados Unidos anunciaram que apreenderam na República Dominicana o avião de Maduro, dizendo que sua aquisição viola as sanções impostas ao país e envolve outras questões criminais. A aeronave Dassault Falcon 900EX foi levada para a Flórida. O avião foi comprado de uma empresa no estado americano, segundo o Departamento de Justiça, e exportado ilegalmente em abril de 2023. A Venezuela classificou o ato como “pirataria”. (CNN)

Enquanto isso… Veículos independentes da Venezuela estão usando apresentadores criados por inteligência artificial – o casal “El Pana” e “La Chama” – para divulgar notícias protegendo a identidade dos jornalistas. Pelo menos dez profissionais de imprensa foram presos desde meados de julho. (g1)

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EUA reconhecem vitória da oposição; Lula anda em círculos

Protestos já levaram milhares de pessoas à prisão, diz Maduro (Foto: Getty Images)
Protestos já levaram milhares de pessoas à prisão, diz Maduro (Foto: Getty Images)

Do Canal Meio e outras fontes

Um dia após o governo americano sinalizar que estava perdendo a paciência com a Venezuela, devido à demora na apresentação das atas de votação das eleições do último domingo, o secretário de Estado, Antony Blinken, afirmou em comunicado que o resultado anunciado pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), controlado por Nicolás Maduro, “não representa a vontade do povo venezuelano.” Na mesma mensagem, parabenizou o candidato da oposição, Edmundo González Urrutia, “pelo sucesso de sua campanha”.

Os Estados Unidos, assim como o Brasil, não haviam reconhecido a reeleição de Maduro e cobravam a apresentação dos boletins eleitorais. No texto, Blinken afirma que a rápida declaração do CNE de que Maduro venceu o pleito com 51,2% dos votos não apresentou quaisquer provas. E destaca que a oposição, por outro lado, publicou mais de 80% das atas recebidas diretamente das assembleias de votação.

“Essas atas indicam que Edmundo González Urrutia recebeu o maior número de votos nesta eleição por uma margem intransponível. Observadores independentes corroboraram estes fatos e este resultado foi também apoiado pelas sondagens de boca de urna e pelas contagens rápidas no dia das eleições. Nos dias que se seguiram às eleições, consultamos amplamente parceiros e aliados em todo o mundo e, embora os países tenham adotado abordagens diferentes na resposta, nenhum concluiu que Nicolás Maduro recebeu o maior número de votos nestas eleições”, afirma Blinken. “Agora é a hora de as partes venezuelanas iniciarem discussões sobre uma transição respeitosa e pacífica, de acordo com a lei eleitoral do país e os desejos do povo.” (Meio)

Prisões em massa

Maduro não dá qualquer sinal de recuo e disse já ter preparado dois presídios de segurança máxima para receber as mais de mil pessoas presas em protestos desde a madrugada do último domingo. “Temos mais de 1.200 capturados e estamos procurando mais 1.000 e vamos pegar todinhos porque eles foram treinados nos Estados Unidos, no Texas; na Colômbia, no Peru e no Chile”, afirmou. (Globo)

Pouco antes, os governos de Brasil, Colômbia e México divulgaram uma nota conjunta sobre as eleições na Venezuela. O texto cobra das autoridades eleitorais a apresentação dos dados da votação e sua verificação imparcial e defende que os questionamentos ocorram por “vias institucionais”. “Acompanhamos com muita atenção o processo de escrutínio dos votos e fazemos um chamado às autoridades eleitorais da Venezuela para que avancem de forma expedita e divulguem publicamente os dados desagregados por mesa de votação”, diz o comunicado, que estava sendo discutido pelos três países desde segunda-feira e dependia de um alinhamento diplomático sobre pontos como a forma de cobrar a apresentação das atas de votação, mantendo o respeito à soberania da Venezuela. (Meio)

Antes de o texto conjunto ser divulgado, o presidente Lula conversou com seus colegas Manoel Lopez Obrador, do México, e Gustavo Petro, da Colômbia, sobre a crise eleitoral na Venezuela. E, mais cedo, Maduro pediu ao Palácio do Planalto uma conversa telefônica com Lula. Segundo a Presidência da República, não há previsão de um diálogo entre os dois. Caso ocorra, o telefonema será o primeiro contato direto Lula e Maduro desde o pleito do último domingo. (Meio e Estadão)

Em artigo publicado no Wall Street Journal, a líder da oposição venezuelana María Corina Machado afirma estar escondida e temer por sua vida. Ela reitera a derrota de Maduro, por 67% a 30%, e diz que sabia que ele fraudaria os resultados. “Nós, venezuelanos, cumprimos nosso dever. Votamos pela saída de Maduro. Agora, cabe à comunidade internacional decidir se tolera um governo comprovadamente ilegítimo. A repressão deve parar imediatamente, para que possa ser alcançado um acordo urgente que facilite a transição para a democracia”, escreve. (Wall Street Journal)

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O muro do racismo

Por François Silvestre

Lembram do muro de Berlim?

Era uma comoção universal. O símbolo maior da ruindade soviética, que era ruim mesmo.

Lembram do discurso de Kennedy?“Aqui, eu conclamo. Quem quiser saber a diferença entre Democracia e opressão venha a Berlim”. Disse e foi ovacionado pelos berlinenses. Pois bem. O tempo passou, que é do seu destino, e o que vemos? Vemos a pátria-mor da democracia, segundo Kennedy, erigir um muro mais vergonhoso do que o de Berlim.

Separando dois países amigos, para proteger-se dos miseráveis. Não são bandidos, não são inimigos ideológicos, não são deformados. São apenas miseráveis, escorraçados pela mais degradante de todas as misérias que é não poder viver na terra onde nasceu.

E a justiça da pátria-mor da liberdade avalizou essa barbárie. Lincoln e Kennedy reviram-se nas covas. E os chamados países do primeiro mundo, que tanto criticaram justamente o de Berlim, silenciam sobre o do México.

Prefiro o quintal desse meu quarto mundo.

Agora, senhores da estupidez estabelecida, defendam essa coisa. Mas o façam justificando o ato, que se for convincente o argumento eu contesto ou retiro a queixa. Não me venham com Venezuela, Cuba, Maduro ou Castro. Isso não é argumento, é latido.

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O fim da cultura ocidental

Por Honório de Medeiros

Quem vai jogar a última pá de terra na sepultura da civilização ocidental? A China? A Rússia? As organizações terroristas muçulmana? A criminalidade transnacional? O marxismo-leninismo?

A corrupção generalizada em todos os segmentos da Sociedade?

O sonho da Europa unida se desfaz.A União Europeia é uma quimera, um sonho de uma noite de verão. A fragmentação é lenta, mas persistente e aparentemente definitiva.

Os EUA são uma pálida caricatura do que foram antes. A guerra de ideias (1), sempre e em qualquer instância anterior a das armas, foi perdida, sem que saibamos, ainda, quem seja o vencedor. Ou quais são os vencedores, e se trabalharam juntos.

O ideário político ocidental liberal agoniza, e sua derrota estimula o radicalismo de esquerda e direita, irmãos siameses de cores diferentes, e ideias e práticas semelhantes em relação à obtenção e manutenção do Poder.

O avanço desse amálgama de ideias vitoriosas aparentemente díspares, unidas formal ou informalmente quanto ao inimigo comum – a cultura ocidental – lembra predadores fomentando o caos para depois avançarem e iniciarem a partilha dos despojos da guerra.

Na Venezuela, se são verdadeiras as informações, essas ideias estão todas lá, pelas mãos de títeres: a China, a Rússia, o Hezbollah, os narcotraficantes, os bolivarianistas, e a corrupção que mantém a estrutura de Poder no entorno de Maduro.

No dizer leninista, a Venezuela é, hoje, o “elo frágil da corrente” (2).

Quem vai jogar a última pá de terra?

(1) “Entre 1804 e 1807, Clausewitz tomou plena consciência de que os fins da guerra deviam dominar os fins na guerra” (Raymond Aron, em Pensar a Guerra, Clausewitz. Quando à noção de que ideias antecedem ações, ver a epistemologia de Karl Popper e Gaston Bachelard.

(2) A passagem supracitada refere-se à obra As Tarefas Imediatas do Poder Soviético (1918), fruto de manuscrito em forma de teses, de autoria de Lênin. O texto foi encaminhado à reunião do Comitê Central do Partido Comunista Russo em 26 de Abril de 1918.

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Governo do RN

Capitão da PM do RN comandará Força Nacional em fronteira

Craveiro: comando (Foto: cedida)

Capitão da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, Gustavo Henrique Craveiro Costa foi designado para comandar o efetivo da Força Nacional que se encontra no município de Pacaraima no Estado de Roraima, na fronteira com Venezuela.

Cerca de oitenta militares da Força Nacional estão nesse momento em Pacairama apoiando a Polícia Federal no controle de entrada de venezuelanos no Brasil, a Polícia Militar no patrulhamento ostensivo da cidade e o Exército Brasileiro com um efetivo sempre em prontidão para controle de distúrbios civis e ameaça à soberania do Brasil.

O Capitão Craveiro, potiguar de origem, integra a PM do RN e a Força Nacional. Esteve também integrando a equipe de segurança do então governador Robinson Faria (PSD).

Força Nacional

A Força Nacional é um programa de cooperação federativa coordenado pelo Ministério da Justiça. Composto por policiais militares, bombeiros, policiais civis e peritos que são cedidos pelos Estados, e em troca recebem armamentos,equipamentos, viaturas e etc, por parte do Governo Federal.

Para integrar nessa tropa de elite, é preciso passar em varios testes e ter uma conduta irrepreensível nas suas respectivas corporações estaduais.

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Luta pela democracia

Por Odemirton Filho

Há tempos que as sociedades travam uma renhida luta contra desmandos autoritários. Sempre existem aqueles que querem se perpetuar no poder, como forma de garantir a eternização de seus privilégios.

Em quase todos os quadrantes do mundo a coletividade precisou se unir para derrubar regimes autocráticos.

De início, aqueles que assomam ao poder mostram-se dispostos a oxigenar o regime, mas, alçando ao comando de seu país, mostram as garras afiadas do autoritarismo.

Ilustração: Luísa Vasconcelos

Não precisamos ir longe. Cá por essas bandas, fomos vítimas de pessoas que, a pretexto de garantir a estabilidade da nação, usurparam do povo o seu mais basilar direito: escolher seus representantes.

Dizem que, atualmente, não se assalta o poder através de golpes. Ao contrário, são eleitos, o que denota um contrassenso, pois pessoas com viés autoritário assumem o poder e, lá estando, tentam desestabilizar as Instituições para se amoldarem aos seus caprichos.

Uma democracia tem como base eleições diretas, uma Poder Judiciário independente e uma imprensa livre. Quando se começa a minar essas bases é o primeiro passo para a ruína do regime democrático.

O exemplo recente é a vizinha Venezuela. Um grupo assumiu o poder e quer se tornar eterno à frente dos destinos do país. Agora, em uma cruzada democrática, um dos líderes da oposição tenta derrubar o regime que vem causando uma grave crise humanitária ao seu próprio povo.

Embora a oposição tenha apoio de boa parte da comunidade internacional não se sabe quando o regime bolivariano irá ruir. E se irá ruir.

Com efeito, qualquer forma de autoritarismo é repugnante, seja de matiz à direita ou à esquerda.

Dessa forma, na luta em defesa da democracia, não cabe qualquer armistício, pois os arroubos autoritários sempre estão à espreita.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

Gastança e falta de planejamento afundaram país

Marcia Carmo (BBC News)

Durante quase 30 anos, entre as décadas de 50 e 80, os salários e a renda per capita dos venezuelanos eram os mais altos da América Latina, como lembram analistas, ex-imigrantes do país e moradores de Caracas entrevistados pela BBC News Brasil.

Era uma época de crescimento constante e estabilidade econômica, bem diferente do cenário atual.

Hoje, a Venezuela vive uma profunda crise econômica, política e social. Segundo dados da ONU, 3 milhões de venezuelanos já deixaram o país.

Nos anos 1970, com a alta no preço do petróleo, a Venezuela era conhecida como um 'oásis' na América Latina (Foto: Reuters)

Na década de 70, por exemplo, enquanto o mundo passava por um aperto devido à crise do petróleo, a Venezuela era inundada por dólares.

Afinal, a restrição da oferta da matéria-prima catapultou seu preço no mercado internacional.

Essa riqueza levou o país a ser batizado de “Venezuela Saudita”, em alusão à Arábia Saudita.

Isso também se refletiu no estilo de vida. O argentino Miguel Ángel Diez, que morou em Caracas entre 1977 e 1982, lembra que a capital venezuelana era popularmente chamada de “a sucursal do céu”.

Aquela Venezuela próspera e dos ‘petrodólares’ (dólares obtidos com a exportação de petróleo) atraiu intelectuais, psicanalistas, psicólogos, entre outros profissionais, além de imigrantes latino-americanos e europeus, que buscavam oportunidades econômicas no país democrático.

Em contraste com o Brasil, a Argentina, o Uruguai e o Chile, que viviam ditaduras militares, a Venezuela era governada por presidentes eleitos pelo voto popular. O país já havia passado por golpes de Estado e ditaduras.

Durante vários anos, como lembrou o economista e analista político venezuelano Luis Vicente León, da empresa de pesquisa e análises Datanalisis, a Venezuela investiu a renda do petróleo em infraestrutura, na construção de escolas e de universidades e na distribuição de bolsas de estudo no exterior para os venezuelanos.

‘Herança’

Para ele, o problema, porém, foi que o país vinha “administrando bem” essa riqueza desde os anos 1950, mas “se deslumbrou e errou no excesso de gastos” com os preços altos do petróleo dos anos 1970. Foi uma bolha que acabou estourando, diz.

“Era dinheiro demais e em vez de ter sido investido em mais medidas de longo prazo, foi gasto sem planejamento. Quando o preço do petróleo caiu, no inicio dos anos 1980, e o boom dos anos 1970 acabou, o país tinha dívidas. Foi como receber uma herança e não saber administrá-la”, lembra León.

Inflação na Venezuela deixa uma pilha de bolívares necessária para comprar um papel higiênico (Foto: Reuters)

Sem a renda do petróleo, sua principal mercadoria, e com desorganização econômica, a Venezuela passou a registrar alta da inflação e queda no Produto Interno Bruto (PIB).

Esse revés, contudo, não afetou tanto os segmentos mais ricos da população, que continuavam a desfrutar de uma vida com mais privilégios em relação a seus vizinhos sul-americanos, como lembram os entrevistados pela reportagem da BBC News Brasil.

‘Pêndulo’

Especialistas venezuelanos costumam dizer que o petróleo é o bem e o mal do país.

Isso porque a Venezuela possui uma das maiores reservas comprovadas da matéria-prima no mundo, mas dele é “dependente demais”, ressalvam. Sucessivos governos deixaram de desenvolver a indústria local e privilegiaram um modelo de importação de bens de consumo o que acabou por acentuar a dependência.

O petróleo é o principal produto exportado pela Venezuela, que importa grande parte do que consome em outros setores, incluindo alimentos. Na prática, quando o preço do petróleo cai, o país arrecada menos, dependendo da sua capacidade de produção.

Nos anos 1980 e 1990, a Venezuela registrou episódios marcantes em sua história como o chamado ‘Caracazo’, que foi uma revolta nas ruas contra medidas econômicas do então presidente Carlos Andrés Pérez (1974-1979 e 1989-1993); o golpe de Estado liderado por Hugo Chávez; períodos de expansão, na era do eleito Chávez; crise econômica e a hiperinflação dos últimos anos.

Uísque

Mas na época da bonança, principalmente na metade dos anos 1970, morar na Venezuela era sinônimo de segurança política, oportunidade de trabalho e ascensão econômica, como lembrou o jornalista Miguel Ángel Diez, atualmente diretor da revista Mercado, de Buenos Aires.

Ele contou que chegou à cidade com apenas US$ 800 e que conseguiu casa imediatamente. Na sequência, sua mulher e seus dois filhos pequenos se mudaram para Caracas, onde também puderam usufruir das benesses da vida no país.

“Havia uma demanda enorme por mão de obra qualificada e a Venezuela, além de próspera, era generosa com os imigrantes”, lembra. Diez, junto com o ex-senador argentino Rodolfo Terragno e com o escritor Tomás Eloy Martínez fundaram, naqueles chamados anos dourados, o periódico ‘El Diário de Caracas’, que ganhou prestígio regional.

Tomás Eloy Martínez (1934-2010) ficou conhecido no Brasil pelo livro Santa Evita, sobre a ex-primeira-dama argentina Eva Perón, e costumava lembrar com nostalgia de sua vida na Venezuela, dizendo que era um país “que buscava o futuro.”

Caracas, contou Diez, vivia com restaurantes e cinemas cheios e desconhecia a inflação – que é hoje a mais alta da América Latina.

Na época do boom do petróleo, lembra, Caracas já registrava engarrafamentos diários, porque a maioria das pessoas tinha carro e o combustível, com a farta produção petrolífera, era ‘regalado’ (praticamente de graça).

“Para nós, tudo chamava a atenção. Era comum, por exemplo, comprar bebida importada, uísque e champanhe, nos supermercados, quando aqui na Argentina isso era inimaginável”, conta.

O nível de exigência dos venezuelanos também era alto, acrescenta.

Venezuelanos protestam por conta da pobreza: salário não lhes permite sequer comer (Foto: Guillermo Olmo/BBC Mundo)

“Uma vez dei uma garrafa de uísque red label, caro, para um conhecido e ele me explicou, que para um venezuelano, gentileza era presentear um black label. Ou seja, que era ainda mais caro. Fiquei surpreso. Eram luxos de consumo que não tínhamos em Buenos Aires”, afirmou.

A fartura era tal, disse, que festas “para 100 pessoas chegavam a ter 100 garrafas de uísque importado”.

Viagens

Em conversa com a BBC News Brasil, o especialista em comunicação corporativa Federico Olioso, de 56 anos, que mora em Caracas, diz que era comum para a classe média realizar várias viagens de lazer ao exterior.

“Sou de uma família de classe média. E fazíamos duas viagens internacionais por ano. Havia bonança e não só de dinheiro, mas também com a atenção que se dava ao setor de educação e à qualidade de vida”, diz.

Ele também lembra como Caracas era animada, com restaurantes, cinemas, praças e comércio cheios, além de festivais de teatro. E que era “normal” planejar o futuro, o que hoje ficou mais difícil.

“Hoje, o cenário é muito diferente e muito triste. De noite, tudo fechado, ruas vazias e sem luz. Não há mais aquela festa de antes. E ficou muito complicado planejar, pensar no longo prazo”, lamenta.

Olioso é filho de um imigrante italiano e de uma venezuelana, neto de um colombiano e de uma portuguesa.

Famílias como a dele retratam o histórico de imigração na Venezuela. “Fomos durante muitos anos um país que causava inveja na América Latina. Hoje, é totalmente o contrário”, disse Olioso.

Ele acha que “nunca mais” voltará a viver no seu país como naqueles tempos. “Eu e meus amigos saíamos às ruas sem medo da violência. Isso não existe mais”, disse ele.

Olioso contou que é um dos poucos da sua família que continua em Caracas. Os sobrinhos e os amigos moram hoje nos Estados Unidos e na Europa. “Meus sobrinhos, que são jovens, não viveram a Venezuela que eu vivi”, disse.

Rio de Janeiro

A venezuelana Patricia Aloy, que é filha de um brasileiro e de uma cubana, conta que viajava três vezes por ano ao Rio de Janeiro.

“Meu pai era publicitário e minha mãe professora e costumávamos viajar três vezes por ano ao Rio de Janeiro para ver a família. Talvez este fosse nosso maior luxo”, diz ela à BBC News Brasil.

Designer de formação e apresentadora do programa Venezuela Sinfónica, transmitido pela internet, Aloy, de 44 anos, era criança quando a Venezuela “esbanjou e não cuidou das contas públicas”, na visão de analistas.

“Íamos a bons colégios e não era loucura pagar por isso. Podíamos comprar café, farinha, açúcar normalmente nos supermercados. Podíamos planejar o orçamento familiar. Podíamos pegar um crédito num banco. Nada disso é luxo. É sinônimo de vida normal. Mas infelizmente não na Venezuela dos dias de hoje”, diz Aloy.

Casada com o designer uruguaio Eduardo Maurin, que chegou a Caracas ainda criança com a família em 1974, ela disse que sua infância, adolescência e idade adulta foram marcadas por uma vida que hoje é “normal” em outros países da região.

“Agora, aqui, o dinheiro é curto demais e nossa vida é pensar como e onde comprar a comida, como tentar dar um mínimo de bem-estar aos nossos filhos. E também nos preocupamos muito com a violência”, diz Aloy.

O argentino Diez lembra que, nos anos 1970, as casas de Caracas já tinham porta metálica, por segurança, e que ouvia notícias sobre assaltos à mão armada e furtos.

“Mas jamais vi um caso de violência. Era tranquilo andar nas ruas e ir aos restaurantes à noite era parte do nosso cotidiano”, diz.

Nos últimos tempos, contudo, num caminho contrário ao que trilhou, Diez tem recebido venezuelanos em Buenos Aires. Tenta ajudá-los a conseguir empregos em diferentes profissões, de eletricistas a médicos. Também contratou venezuelanos na revista que comanda atualmente.

“Tento ajudar o máximo que posso. Fui muito feliz na Venezuela. Mas hoje é triste ver que jovens venezuelanos, em torno dos 25 anos, dizendo que não querem mais voltar, que não veem futuro no próprio país, no país que acolheu a mim e a milhares de outras pessoas do Cone Sul, de Portugal, da Espanha e de tantos países”, diz Diez.

Aquela Caracas, “sucursal do céu”, conclui, não existe mais.

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Pedido de socorro do Ceará ensina relações políticas ao RN

Mal começou o ano com novas gestões nos estados e no país e o governador petista reeleito do Ceará, Camilo Santana, pede socorro ao Governo Jair Bolsonaro (PSL).

Perfeito. Providência necessária de reforço à Segurança Pública com tropas federais no estado, determinada pela União.

– “Jamais faremos oposição ao povo de qualquer estado”, disse hoje o presidente Bolsonaro.É assim mesmo que funciona numa república federativa, quando um ente federado precisa de socorro a uma necessidade aquém de suas forças e meios.

A situação emergencial no Ceará decorre da reação de facções criminosas a medidas no sistema prisional. Daí pipocaram vários ataques a prédios públicos, bens privados e transportes coletivos, na Grande Fortaleza e interior (veja AQUI).

É possível que muito em breve haja necessidade do gênero do Governo do RN ou de outra ordem.

Bom a governadora Fátima Bezerra (PT) estar atenta a esse episódio no vizinho Ceará. Ele é muito pedagógico. Ensina como funcionam as relações político-administrativas entre gestores – mesmo que adversários.

A campanha política passou. A governadora não é mais militante nem partidária do PT, mas acima de tudo gestora de um estado federado falido, que precisará do socorro do estado federal.

Numa urgência do gênero, a governadora deve recorrer ao presidente Bolsonaro e não a Maduro na Venezuela ou Ortega na Nicarágua.

Elementar, meu caro Watson.

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Contextualização da geopolítica e os reflexos na América Latina

Por Gutemberg Dias

O que está acontecendo no Brasil não é um fato isolado. A grande mídia procura imprimir na consciência do cidadão brasileiro que tudo que estamos vivenciando é algo de Brasil, ou seja, para o senso comum o que acontece aqui é único e restrito ao nosso país.

Não é possível fazer uma análise do Brasil sem olhar para o contexto internacional. O mundo vem ao longo dos últimos anos passando por grandes mudanças no que tange ao reposicionamento geopolítico das grandes potenciais mundiais.

Um grande exemplo disso é o cenário com a China tomando a dianteira frente ao EUA no quesito economia. Essa transição vem alterando as relações de poder no âmbito dos continentes.

Já no contexto das pendengas belicosas a Rússia reassume um papel importante como potencia militar e recomeça a peitar os americanos e seus aliados históricos. Hoje a principal disputa nesse campo é em relação à Síria. Os americanos têm interesse na deposição do presidente daquele país e os russos vem cacifando a permanência de Bashar Al Assad.

Russos claramente se opõem à política de expansão americana no âmbito do oriente médio que começou com a guerra contra o Iraque e, posteriormente, com a manutenção da guerra contra o terrorismo.

Temos o surgimento do BRICS, acrônimo em língua inglesa de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, formado por países emergentes que passaram a pautar temas que atacam frontalmente os interesses do Fundo Monetário Internacional (FMI). Consequentemente, os interesses americanos no âmbito das nações que compõem esse bloco e, também, na franja de países que estão atrelados por algum motivo a essas nações.

Então o deslocamento de poder começa a mexer na engrenagem da geopolítica e, principalmente, com os EUA que passam a ser a potência mais atingida com essas mudanças. Daí é fácil se perceber que colocam em movimento sua máquina de guerra, seja bélica, comercial ou diplomática para reverter suas perdas em relação à hegemonia.

Esse movimento tem grande reflexo na América Latina. Se pararmos para analisar, veremos os eventos que vêm sendo desencadeados desde o final dos anos 1990, quando se inicia uma ascensão de governos de cunho progressista à frente dos países da América Latina, notadamente, pela eleição de Hugo Chàvez na Venezuela.

Com a mudança do perfil diretivo nesses países a influência norte-americana aos poucos veio sendo solapada e novas aglutinações de interesses passaram a se sobrepor aos interesses dos EUA. A própria reestruturação do Mercosul e o sepultamento da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) são exemplos claros do enfrentamento desse bloco progressista em relação a política internacional norte-americana.

À medida que os países passavam a se contrapor aos interesses americanos, ocorria uma alinhamento com outros parceiros, no caso específico dos países da AL, a China começa a entrar com maior força nas relações comerciais. Não é à toa que o Brasil passa a compor esse novo bloco econômico (BRICS) numa perspectiva de romper definitivamente com a subserviência ao capital e poder norte-americano.

Essas mudanças levam os americanos a investir no processo de desestabilização política dos países que fizeram a mudança para governos progressista de linha socialista. As ações contra a Venezuela, ainda, quando Chávez estava à frente daquele país, mostra claramente essa nova investida imperialista que se iniciou por um viés militar, mas logo substituído pela associação do capital rentista, judiciário e grande mídia.

Nessa batida se inicia uma operação com foco numa bandeira de combate à corrupção, onde o estado americano passa a investir na formação de representantes do poder judiciário e policiais oriundos dos países da América Latina, bem como tem início processos de golpes contra os governos, como em Honduras (2009), Paraguai (2012) e Brasil (2016).

Todos eles possuem um viés associativo entre o poder legislativo, judiciário e à grande mídia, dando dessa forma ares de constitucionalidade às deposições dos governos legítimos eleitos pelo voto popular.

Nesse cenário são claras as movimentações das grandes potências, notadamente os EUA, que se movimentam para manter sua hegemonia internacional no campo econômico e militar ante o avanço da China e Rússia, que passam a capitanear o bloco de oposição a essa hegemonia.

Tudo isso tem impacto direto nos recentes  acontecimentos no âmbito do Brasil.

Gutemberg Dias é graduado em geografia, professor da Universidade do Estado do RN (UERN) e empresário.

O poder letal da “ditabranda”

Num editorial publicado em sua edição do dia 17 de fevereiro de 2009, sob o título “Limites a Chávez”, com críticas ao endurecimento do regime discricionário do Governo Hugo Cháves na Venezuela, o jornal Folha de São Paulo utilizou o termo “ditabranda” (aglutinação das palavras ‘ditadura’ e ‘branda’) para compará-la com o regime militar brasileiro (1964-1984).

Na avaliação do impresso, o Brasil teria abrigado uma ditadura “branda” (ou seja, amena), que bancou o funcionamento das instituições de estado e da sociedade como um todo, sem maiores excessos, ao contrário da crescente asfixia imposta pelo ditador venezuelano ao seu país.

Agora, com as recentes revelações de que os presidentes militares brasileiros Ernesto Geisel e João Batista Figueiredo transformaram o assassinato de inimigos do regime numa política de estado (veja AQUI), como o jornal avalia seu disparate?

* A expressão ditabranda surgiu na Espanha (“dictablanda”) nos anos 30, em pleno regime ditatorial do general Dámaso Berenguer. Vendeu a imagem de que seu governo era mais flexível do que o de seu antecessor, o general Primo de Rivera, tido como violento. Entretanto, oficialmente promoveu mais penas de morte do que Rivera.

Nota do Blog – Toda ditadura é nojenta. De direita à esquerda e vice-versa. Não existe ditadura boa.

Todo poder absoluto tende a agir sem limites. A palavra “ditadura” tem origem latina (‘dignidade de magistrado ou regente supremo, dignidade do ditador’), definindo manifestação de poder nascida na república romana.

O ditador era escolhido pelo cônsules (colegiado de maior poder nessa fase), tendo um período específico (a princípio eram seis meses) para agir em defesa da preservação da república em momentos delicados como revoltas internas ou cerco inimigo. Mas com o passar do tempo se transformou no que conhecemos hoje.

“O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente” (Lord Acton).

Leia também: Cai a máscara.

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Juízes federais são condenados. Na Argentina!

Por François Silvestre

Juízes Federais condenados na Argentina. Recebo de Laurence Nóbrega texto informando a condenação de quatro juízes federais à prisão perpétua, por crimes contra a humanidade.

Os crimes dizem respeito à conivência com a Ditadura Militar que devastou a democracia no país vizinho.

Contemporânea, e de menor duração, com a MESMA Ditadura Militar que devastou as liberdades fundamentais no Brasil. Lá, até os colaboradores são condenados.

Aqui, não se condenam nem os torturadores. E o pior, vez ou outra vemos “operadores do Direito” defendendo esse passado nojento. E alguns até pedindo o retorno. Coisa da venezuelona brasilis.

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Comitiva de senadores é hostilizada na Venezuela

O Globo Online

Depois de muita expectativa, a missão com senadores brasileiros que chegou a Caracas enfrentou algumas adversidades e ainda não conseguiu deixar os arredores do aeroporto.

A comitiva contou ter passado por momentos de pânico logo depois de desembarcar. Já em um ônibus, a cerca de um quilômetro do aeroporto, o veículo ficou parado no trânsito e um grupo de cerca de 50 manifestantes começou a bater no carro e gritar.

A comitiva informou que o presidente do Senado, Renan Calheiros, vai cobrar uma posição da presidente Dilma Rousseff.

— Fora, fora. Chávez não morreu, se multiplicou – gritavam os manifestantes diante do ônibus.

Três batedores acompanham a comitiva, mas nada fizeram segundo os brasileiros. No veículo estavam os senadores e as mulheres dos políticos.

“Não conseguimos sair do aeroporto. Sitiaram o nosso ônibus, bateram, tentaram quebrá-lo. Estou tentando contato com o presidente Renan (Calheiros, do Senado)”, declarou no Twitter o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO).

Aecio Neves fez um post semelhante.

O potiguar José Agripino compõe comitiva que quer visitar o líder oposicionista preso pelo Governo Maduro, Leopoldo López.

Presidente Hugo Chávez morre na Venezuela

Da Revista Època

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, morreu nesta terça-feira (5), aos 58 anos, no em Caracas. O anúncio foi feito pelo vice-presidente, Nicolás Maduro, em cadeia nacional. Segundo a Constituição, a morte de Chávez obriga a Venezuela a realizar novas eleições presidenciais num prazo de 30 dias.

Hugo Chávez lutava contra o câncer há alguns anos

Chávez lutava contra um câncer na região pélvica desde junho de 2011. No mesmo mês, foi operado pela primeira vez em Cuba. Em fevereiro de 2012, anunciou a reincidência da doença. Passou por uma nova cirurgia e foi submetido a radioterapia em Havana, onde ficou até abril. Em julho, disse que estava totalmente curado. Mas a doença retornou e, em dezembro do ano passado, Chávez viajou para Havana pela terceira vez. Voltou a Caracas em 18 de fevereiro, segundo uma mensagem em sua conta de Twitter. No entanto, seu estado de saúde já era terminal.

Em outubro, Chávez fora eleito pela quarta vez presidente da República, cargo que ocupava desde 1999. A cerimônia de posse estava marcada para o dia 10. Os últimos dias de tratamento em Cuba provocaram um cenário de incerteza na Venezuela sobre o futuro político do país.

Hugo Rafael Chávez Frías nasceu dia 28 de julho de 1954 em Sabaneta, no Estado de Barinas. Segundo de sete filhos de um casal de professores, Hugo foi mandado para viver na casa da avó, Rosa Inéz Chávez, junto com seu irmão Adán. Os três se mudaram para a cidade de Barinas, capital do Estado, para que os dois irmãos pudessem frequentar a única instituição de ensino médio da região.

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