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O quinteto fantástico

Por Marcos Ferreira

Marcos Ferreira, Genildo Costa, Caio César Muniz, Cid Augusto e Rogério Dias (Fotomontagem e edição de imagem do BCS)
Marcos, Genildo, Caio, Cid e Rogério (Fotomontagem e edição de imagem do BCS)

Agora estou aqui a cismar com os meus botões sobre os antigos e os novos rumos de minha vida até o presente instante. Penso com carinho, e também de forma saudosa, nos vínculos de amizade estabelecidos ao longo de minha trajetória. Avalio essas questões e constato o quanto me distanciei fisicamente (ou nos distanciamos) de algumas pessoas queridas. Sim, apenas do ponto de vista físico, sem aquele calor fraterno e cotidiano de outrora.

Hoje estamos, como se diz, distanciados. Aqui e acolá nos avistamos nas esquinas das redes sociais, nos recantos da blogosfera.

Por uma razão ou por outra, manipulados pelos destinos que a vida nos reserva ou impõe, fomos na direção de outros horizontes e prioridades. Apesar desse afastamento físico, o nosso elo permanece, sobreviveu à diáspora que envolve a busca pelo pão. O papo tête-à-tête tornou-se raro, contudo volta e meia a gente se abraça através dos filamentos “internéticos”, recursos como (por exemplo) WhatsApp e Instagram.

Uma vez ou outra me aparece aqui um Túlio Ratto e mexemos no baú do passado, bebemos café, catamos retalhos de memórias ainda do tempo da Revista Papangu em papel, recordações com cheiro de naftalina, “pensamentos idos e vividos”, como clássico soneto “A Carolina”, de Machado de Assis, o Bruxo do Cosme Velho.

É isto. Já não existe aquela nossa interação amiúde, tão intensa e salutar. Dessa época de ouro, mágica e extremamente profícua em nosso universo de verdes sonhos e primordiais atividades literárias, quero me dirigir com um abraço bem caloroso a quatro indivíduos dos quais nunca me esquecerei. Refiro-me aos senhores Rogério Dias, Genildo Costa, Cid Augusto e um tal de Francisco Caio César Urbano Muniz.

Formávamos, naquela metade dos anos noventa para os anos dois mil em diante, o que ora denomino de Quinteto Fantástico. Apenas para afrontar a Marvel.

Caio César Muniz foi o cara que me tirou da minha toca no Santa Delmira, num tempo em que eu tinha muito pouco acesso àquela Mossoró das letras, da cultura, da prosa, da poesia. Fomos apresentados pelo então poeta underground Cid Augusto e daí por diante Muniz (assim como Cid) me mostrou o caminho das pedras. Na sequência, por sermos articulistas do Caderno 2 do Jornal O Mossoroense, topamos com o trovador Genildo Costa.

Pouco após, por intermédio de Genildo, Cid e Caio, fui apresentado ao publicitário, poeta e artista plástico Rogério Dias. Eu e Muniz visitávamos o QG, a “oficina irritada” e multicor de Rogério quase que diariamente. Rogério é o sujeito do pavio mais curto, o tipo mais sensível e fascinante que já conheci.

Desempregado à época, pois ainda não havia conseguido o trabalho de revisor e copidesque no jornal, eu não tinha um tostão furado. Caio César Muniz pagava até mesmo as minhas passagens de ônibus para irmos ao Centro. Noutras ocasiões ele também não tinha grana, vinha a pé lá do Conjunto Integração e de minha casa a gente se mandava a pé para O Mossoroense ou para o ateliê de Rogério.

No mais das vezes eu primeiro manuscrevia meus textos e depois passava a limpo em uma bela Olivetti Línea 88 que ganhei de Rogério. A seguir entregava os poemas ou crônicas ao jornal. Daí a pouco, então, formamos isso que hoje denomino de Quinteto Fantástico. Cid era o crânio, o Homem Elástico. Rogério era o Coisa, o Homem de Pedra, porém com um coração de manteiga.

Muniz era o Tocha Humana, o elemento que incendiava nossos ânimos, tocava fogo no circo, inflamava plateias nos bares, escolas públicas, particulares e universidades, sempre audaz, intrépido. Eu, naturalmente, era o Homem Invisível, mais tímido do que uma jovenzinha recém-chegada a um lupanar. Isso no tempo em que ainda existiam essas casas de tolerância.

Foi nesse período que nos deparamos com figuras emblemáticas da poesia, da cultura mossoroense e potiguar, personagens de grande relevo como Luiz Campos, Apolônio Cardoso, Onésimo Maia, Lenilda Santos, Nonato Santos, Tony Silva, Augusto Pinto, Crispiniano Neto, Luiz Antônio, Raimundo Soares de Brito, Vingt-un Rosado, Aluísio Barros, Leontino Filho, Zenóbio Oliveira, Laércio Eugênio e o vate Zé Lima. Uma elite intelectual que nós olhávamos com reverência.

Genildo Costa era (ainda é) um músico e tanto. Naqueles primórdios, sem dúvida, ele representava o grande menestrel do grupo, autêntico cantador, dono de uma voz poderosa e ótima presença de palco. Artista nato, oriundo de uma família de excelentes escultores do verso, musicou alguns poemas de minha autoria, em especial o soneto “Caminhos Opostos”, os poemas “Minha Casa” e “Cores e Caminhos”. Este último Genildo usou para intitular o CD que ele conseguiu lançar na marra.

Além de mim, o mossoroense de Grossos musicou poesias de Luiz Campos, Rogério Dias, de Caio César, Cid Augusto, Maurílio Santos, Antônio Francisco e Crispiniano Neto. Em suma, é justo dizer que o Costinha gravou uma verdadeira antologia poética.

Reacendemos a chama da Poesia nesta vila, levamos a arte do verso para os coretos e vários outros pontos culturais da urbe. Naquela vitrine do Caderno 2, encontravam-se poetas e prosadores como Kalliane Amorim, Gustavo Luz, Líria Nogueira, Francisco Nolasco, Jomar Rego, Margareth Freire, Ricarte Balbino, Fátima Feitosa, Airton Cilon, Goreth Serra, Gualter Alencar, Silvana Alves, Clauder Arcanjo, Antônio Cassiano, Graciele Callado, Tales Augusto, Kézia Silmara, Misherlany Gouthier, Symara Tâmara e o nosso hoje estelar cordelista Antônio Francisco.

Eram poetas e prosadores às pampas. Tantos e tantas que esta minha memória de Sonrisal em copo d’água não consegue abarcar. Temos hoje antigos e novos talentos que coexistem de maneira harmoniosa. Indivíduos de uma quadra remota ao lado de uma turma jovem e não menos talentosa. Então, apesar da eterna falta de incentivo por parte dos governos municipal e estadual, a literatura ainda resiste. “Se foi assim, assim será”. Como na famosa canção do Milton Nascimento.

Marcos Ferreira é escritor

Conheça um pouco das últimas 14 eleições municipais de Mossoró

Por Carlos Santos

Município teve Lei Complementar aprovada semana passada, tratando da questão (Foto: PMM)
Sede da Prefeitura Municipal de Mossoró, o Palácio da Resistência  (Foto: PMM/Arquivo)

Como fazemos há várias eleições municipais de Mossoró, postamos um resumo de pleitos ao longo das últimas décadas. Neste 6 de outubro de 2024, novamente apresentamos reportagem especial para fomento ao bom debate, disseminação de informações importantes e para aguçar a curiosidade de interessados em geral.

O levantamento atualizado de resultados e cenários políticos das eleições municipais de Mossoró começa por 1968, até o ano de 2020, eleições que ensejaram a eleição do jovem deputado estadual Allyson Bezerra (SDD, hoje no UB), num embate tenso e renhido.

Ao todo, nós viajamos juntos por 14 eleições municipais – o que compreende 56 anos de história.

O esforço é no sentido de continuarmos ofertando produto diferenciado aos nossos webleitores. Fruto de muita pesquisa e levantamento em arquivo próprio, além de outras fontes, bem como a colaboração de pessoas interessadas no tema.

Ao mesmo tempo, reitero que no uso de dados parcial ou por completo, não esqueça de citar a fonte. É uma questão de ordem legal, mas principalmente respeito ao trabalho árduo que realizamos em quase 40 anos de profissão e perto de completarmos 18 anos com o domínio Blog Carlos Santos.

Bom proveito:

Eleições de 1968: 

– Antônio Rodrigues (Arena 2/verde) – 11.132 votos;
– Vingt-un Rosado (Arena 1/vermelha) – 11.034 votos;
– Maioria pró-Antônio Rodrigues – 98 votos.

O pleito municipal de 1968 foi emblemático. Quem viveu essa disputa testemunhou (participou) da mais renhida campanha municipal mossoroense de todos os tempos.

Antônio Rodrigues : 98 votos

A vitória de “Toinho do Capim” (Antônio Rodrigues) foi comandada nas últimas 72 horas pelo ex-governador Aluízio Alves, que fez mais de 170 comícios-relâmpagos, com resultado tida até então como improvável, sobre Vingt-un Rosado.

O líder enfrentou e contrariou grupo de aliados locais na escolha de Toinho, pois desejavam o médico Cid Duarte, filho do senador Duarte Filho, como candidato a prefeito.

*Fonte:  Vingt-un Rosado, Coleção Mossoroense.

Eleições de 1972: 

– Dix-huit Rosado (Arena) – 16.194;
– Lauro Filho (MDB) – 11.995;
– Brancos – 205;
– Nulos – 296;
– Maioria Pró-Dix-huit Rosado –  4.199 votos.

O eleitorado habilitado ao voto era de 28.690. Dix-huit venceu as eleições tendo o professor Canindé Queiroz como vice, deixando para trás a chapa Lauro Filho-Emery Costa avalizada pelo aluizismo.

Os Rosados, com a vitória, retomavam o poder em Mossoró, após o hiato provocado pelo feito de Antônio Rodrigues de Carvalho em 1968, que suplantou Vingt-un Rosado nas urnas por apenas 98 votos de maioria.

*Colaboração de levantamento de números de Bruno Barreto.

Eleições de 1976:

– João Newton da Escóssia (Arena 1) – 20.165
– Leodécio Néo (MDB 1) – 10.840
– Assis Amorim (MDB 2) 6.970
– Antônio Rodrigues de Carvalho (Arena 2) – 1.327
– Maioria Pró-João Newton sobre a soma dos emedebistas  – 2.355 votos.

Neste ano, o regime militar em curso produziu o casuísmo da “sublegenda”, permitindo que o mesmo partido pudesse ter mais de um candidato. Vivíamos fase do bipartidarismo (Arena e MDB). A ideia era sufocar a “oposição consentida”, feita pelo MDB, que possuía bem menor representatividade em todo o país, com condições raquíticas de lançar mais de um candidato a prefeito.

Em Mossoró, com melhor representatividade oposicionista, o MDB chegou até a apresentar duas candidaturas, mas o cunhado do líder Vingt Rosado (Arena), João Newton da Escóssia, levou a melhor com folga – tendo o empresário Alcides Fernandes, o “Alcides Belo”, como vice.

*Dados numéricos com colaboração do Blog do Barreto.

Eleições de 1982:

Dix-huit: cartaz de campanha em 82 (Foto: Arquivo)

– Dix-huit Rosado (PDS) – 21.510 (41,68%);
– João Batista Xavier (PMDB) – 15.466 (29,97%);
– Canindé Queiroz (PDS) – 4.388 (8,50%);
– Mário Fernandes (PT) – 428 (0,83%);
– Paulo R. Oliveira (PTB) – 48 (0,09%);
– Brancos – 8.145 (15,79%);
– Nulos – 1.621 (3,14%);
– Abstenção – 15.435 (23,02%);
– Maioria Pró-Dix-huit – 6.044 (11,71%).

O eleitorado habilitado ao voto era de 67.041, em 275 secções. Compareceram 51.606 (76,98%) eleitores. A abstenção atingiu um recorde com 15.435 (23,02%) votantes.

Neste ano também ocorreram eleições para Governo do Estado, deputado estadual, deputado federal, além de uma vaga ao Senado e Câmara Municipal. Foram as primeiras eleições com a retomada do pluripartidarismo, na reta final do regime militar de 1964. O mandato dos prefeitos/vereadores foi de 6 anos em vez de 4, como temos desde o pleito de 1988.

Com a existência do casuístico instituto da sublegenda, cada partido poderia lançar mais de um candidato a prefeito, foi o que ocorreu em Mossoró. O grupo Rosado, unido, lançou Dix-huit Rosado pelo PDS.

Já o sistema Maia apresentou o jornalista Canindé Queiroz, pelo mesmo partido, para dar suporte à candidatura a governador do engenheiro e ex-prefeito indireto de Natal, José Agripino Maia (PDS). Agripino venceu seu principal adversário, o ex-governador Aluízio Alves (PMDB), com mais de 107 mil votos de maioria no estado.

Eleições de 1988:

– Rosalba Ciarlini (PDT) – 37.307 (49,7%);
– Laíre Rosado (PMDB) – 30.226 (40,2%);
– Chagas Silva (PT) – 2.507 (3,3%);
– Brancos – 3.594 (4.8%);
– Nulos – 1.503 (2%);
– Abstenção – 5.180 (6,44%);
– Maioria Pró-Rosalba – 7.081 (9,5%).

Rosalba foi eleita três vezes, a começar de 1988 (Foto: reprodução do Blog Carlos Santos)

O eleitorado habilitado ao voto era de 80.397, em 275 secções. Compareceram 75.217 eleitores. As abstenções foram de 5.180 votantes. Pela primeira vez na história, dois integrantes da família Rosado disputam o voto diretamente, na luta pela Prefeitura de Mossoró.

Rosalba, mulher do então deputado estadual Carlos Augusto Rosado (PFL), leva a melhor em chapa ao lado do empresário Luiz Pinto (genro do vice-prefeito à ocasião, empresário Sílvio Mendes).

O prefeito Dix-huit Rosado, só no mês final de campanha anuncia seu apoio à Rosalba, num momento em que ela já tinha dianteira em relação a Laíre Rosado (PMDB) e de sua vice Rose Cantídio (PMDB).

Eleições de 1992:

– Dix-huit Rosado (PDT) – 37.188 (47,79%);
– Luiz Pinto (PFL) – 32.795 (42,15%);
– Luiz Carlos Martins (PT)– 6.557 (8,43%);
– Paulo Linhares (PSB) – 1.273 (1,64%);
– Brancos – 5.669 (6,49%);
– Nulos – 3.913 (4,48%);
– Eleitores Aptos – 99.623
– Abstenção – 11.381 (11,42%);
– Maioria pró-Dix-huit Rosado – 4.393 (5,64%)

O eleitorado cadastrado à época era de 99.623. Compareceram 87.395, as abstenções chegaram a 11.381 e os votos nominais atingiram 77.813.

Tendo Sandra Rosado (PMDB) como vice, sua sobrinha e filha do irmão Vingt Rosado (deputado federal), Dix-huit retoma hegemonia política. Em 1988 os dois irmãos tinham rompido politicamente, devido o apoio de Dix-huit à Rosalba.

Eleições de 1996:

Sandra e Francisco José (pai): humilhação (Foto: reprodução)

– Rosalba Ciarlini (PFL) – 57.407 (62,64%);
– Sandra Rosado (PMDB) – 26.118 (28,50%);
– Jorge de Castro (PT) – 4.878 (5,32%);
– Valtércio Silveira (PMN) – 3.237 (3,53%);
– Brancos – 1.549 (1,60%);
– Nulos – 3.802 (3,92%);
– Válidos – 91.640 (94,48%
– Abstenção – 17.227 (15.08%)
– Maioria pró-Rosalba Ciarlini de 31.289 (24,14%).

Existiam 114.218 eleitores aptos, mas compareceram 96.991. As abstenções atingiram 17.227 (15.08%), com 91.640 sendo a votação nominal.

Rosalba tem vitória acachapante, graças principalmente ao desgaste do prefeito Dix-huit Rosado, que lançou o engenheiro e seu ex-secretário de Obras Valtércio Silveira como candidato governista. Sandra Rosado, dissidente do prefeito e tio, enveredou por candidatura própria. Teve a companhia do deputado estadual Francisco José (pai), mas experimentou resultado humilhante.

Eleições de 2000:

– Rosalba Ciarlini (PFL)– 57.369 (54,86%);
– Fafá Rosado (PMDB) – 42.530 (40,67%);
– Socorro Batista (PT) – 4.447 (4,25%);
– Mário Rosado (PMN) – 228 (0,22%);
– Brancos – 1.757 (1,59%);
– Nulos – 4.395 (3,97%);
– Abstenção – 17.168 (13.42%)
– Maioria pró-Rosalba Ciarlini de 14.839 (14,19%).

Existiam 127.894 eleitores aptos, mas compareceram 110.726. As abstenções atingiram 17.168 (13.42%), com 104.574 (94.44%) sendo a votação nominal em 358 urnas.

Rosalba foi candidata utilizando o novo instituto da reeleição. Enfrentou o grupo da adversária e prima Sandra Rosado, que temendo novo fracasso direto apostou no nome da enfermeira (e prima) Fafá Rosado, que nunca disputara uma campanha eleitoral.

Num comparativo com as eleições de 1996, esses números guardam uma preciosidade. Rosalba obteve menos votos do que na eleição anterior.

Enquanto em 96 tinham sido 57.407 em eleitorado de 114.218 aptos, em 2000 – contra Fafá, conseguiu 57.369 num contingente de 127.894 aptos. Ou seja, 38 votos a menos, apesar de aumento de 13.676 votantes.

Eleições de 2004:

– Fafá Rosado (PFL) – 57.743 (49,06%);
– Larissa Rosado (PMDB) – 34.688 (29,45%);
– Francisco José (PSB) – 21.210 (18,02%);
– Crispiniano Neto (PT) – 4.083 (3,47%);
– Brancos – 2.063 (…);
– Nulos – 5.708 (…);
– Abstenção – 17.376 (12%);
– Maioria pró-Fafá Rosado de 23.075 (19,61%).

Existiam 143.235 eleitores aptos, mas compareceram 125.475. As abstenções atingiram 17.376 (12%).

Nesta eleição, Fafá foi cooptada pelo primo Carlos Augusto para ser candidato do seu grupo, na sucessão de Rosalba. Venceu com relativa facilidade à deputada Larissa Rosado, filha de Sandra.

Eleições de 2008:

– Fafá Rosado (PFL) – 65.329 (53,01%);
– Larissa Rosado (PSB) – 46.149 (37,44%);
– Renato Fernandes (PR) – 11.306 (9,17%);
– Heronildes Bezerra, “Heró”  (PRTB) – 464 (0,38%);
– Brancos – 3.678 (2%);
– Nulos – 7.400 (5%);
– Abstenção – 18.701 (12%)
– Maioria pró-Fafá Rosado de 19.018 (16%).

Existiam 153.027 eleitores aptos, mas compareceram 134.326. Desse volume, 123.248 foram considerados válidos. As abstenções atingiram 18.701 (12%). Existiam 416 seções eleitorais.

Outra vez a força do rosalbismo e estrutura da Prefeitura deixaram a filha de Sandra Rosado, a deputada estadual Larissa Rosado, em segundo lugar.

Eleições de 2012:

Larissa e Cláudia: disputa acirrada (Foto: arquivo)

– Cláudia Regina (DEM) – 68.604 (50,90%);
– Larissa Rosado (PSB) – 63.309 (46,97%);
– Josué Moreira – 1.932 (1,43%);
– Raimundo Nonato Sobrinho, “Cinquentinha” (Psol) – 948 (0,70%);
– Edinaldo Calixto (PRTB) – 0 (0%);
– Brancos – 2.323 (1,61%);
– Nulos – 6.737 (4,68%);
– Abstenção – 21.122 (12,80%);
– Maioria pró-Cláudia Regina de 5.295 (3,93%).

Existiam 164.975 eleitores aptos. Desse volume, 134.793 (93,70%) foram considerados válidos a prefeito, 137.463 votos válidos à Câmara Municipal, entre votos diretos aos candidatos (283 ao todo) e os votos de legenda. O comparecimento ocupou 460 secções organizadas pela Justiça Eleitoral.

As abstenções atingiram 21.122 (12,80%).

A chapa Cláudia Regina-vice Wellington Filho (PMDB), apesar de eleita por pouca margem de votos em relação à Larissa Rosado (PSB)-vice Josivan Barbosa (PT), terminou sendo cassada em 4 de dezembro de 2013, quando faltava poucas semanas para completar o primeiro ano de gestão. Vereadora, recebera maciço apoio das estruturas da Prefeitura e do Governo do Estado, ocupados respectivamente pelas aliadas Fafá Rosado (DEM) e Rosalba Ciarlini (DEM).

Eleições de 2014 (Pleito Suplementar):

– Francisco José Júnior (PSD) – 68.915 (53,31%);
– Larissa Rosado (PSB) – 37.053 (27,55%);
– Raimundo Nonato Sobrinho, “Cinquentinha” (Psol) – 3.825 (4,90%);
– Josué Moreira (PSDC) – 3.025 (3,88%);
– Gutemberg Dias (PCdoB) – 2.265 (2,90%);
– Brancos – 4.428 (3,29%);
– Nulos – 15.000 (11,15%)
– Abstenção – 30.429 (18,45%);
– Maioria pró-Francisco José Júnior de 31.862 (25,76%).

A apuração apontou ao final o total de 134.511 (81,55%) votos válidos, no dia 4 de maio de 2014. Mossoró tinha 164.940 eleitores aptos ao voto.

Houve alto percentual de abstenção, com 30.429 (18,45%) votos. Foi a primeira eleição suplementar da história de Mossoró, em face da cassação e afastamento da prefeita eleita em 2012, Cláudia Regina (DEM), no dia 4 de dezembro de 2013. Ela ainda tentou concorrer no pleito suplementar, mas não obteve registro e seu partido não promoveu substituição.

A Justiça Eleitoral tinha colocou em funcionamento 514 urnas eletrônicas distribuídas pelos 72 locais de votação durante o pleito. Pela primeira vez, também, foi utilizado o sistema biométrico de identificação do eleitor. Foram juízes no pleito os magistrados Ana Clarisse Arruda (34ª Zona) e José Herval Sampaio Júnior (33ª Zona).

Eleições de 2016:

– Rosalba Ciarlini (PP) – 67.476 (51,12%)
– Tião Couto (PSDB) – 51.990 (39,39%)
– Gutemberg Dias (PCdoB) – 11.152 (8,45%)
– Josué Moreira (PSDC) –  1.370 (1,04%)
– Francisco José Júnior (PSD) – 602 (Votos inválidos)
– Branco – 2.974 (2,06%)
– Nulo – 9.416 (6,54%)
– Válidos – 131.988 (91,40%)
– Eleitores Aptos – 167.120
– Abstenção – 22.683 (13,59%)
– Maioria pró-Rosalba Ciarlini de 15.486 (11,73%).

Tião e Jorge: estreia em 2016 (Foto: arquivo)

O pleito municipal de 2016 foi marcado por um acontecimento incomum, em se comparando com diversas eleições anteriores desde o fim dos anos 80 do século passado: o clã Rosado juntou suas principais forças, que se digladiavam há quase 30 anos.

O grupo da ex-prefeita (três vezes), ex-senadora e ex-governadora Rosalba Ciarlini (PP) atraiu o sistema da prima e ex-deputada federal Sandra Rosado (PSB), numa aliança que parecia não ter adversários.

Mas, o movimento “Mossoró Melhor” que começou a se desenhar em meados de 2015, em costura dos empresários Michelson Frota, Tião Couto e Jorge do Rosário, acabou apresentando chapa que cresceu dentro da própria disputa, ameaçando uma “vitória certa” de Rosalba e sua vice Nayara Gadelha (PP).

A campanha teve ainda pela desistência (AQUI) de candidatura do prefeito Francisco José Júnior (PSD), que tinha sido eleito em maio de 2014 à municipalidade, em eleição suplementar. Com altos índices de reprovação, custou a tomar essa decisão, quando tudo indicava bem antes da campanha, que não teria a menor condição de competir.

Veja clicando AQUI, uma série de matérias especiais que resumem como foi essa disputa vencida por Rosalba e Nayara.

Eleições de 2020:

– Allyson Bezerra (SDD) – 65.297 (47,52%)
– Rosalba Ciarlini (PP) – 59.034 (42,96%)
– Isolda Dantas (PP) – 8.051 (5,86%)
– Cláudia Regina (DEM) – 4.046 (2,94%)
– Professor Ronaldo Garcia (Psol) – 611 (0,44%)
– Irmã Ceição (PTB) – 378 (0,28%)
– Branco – 2.282 (1,57%)
– Nulo – 6.052 (4,15%)
– Válidos – 137.417 (94,28%)
– Eleitores Aptos – 175.932
– Abstenção – 30.181 (17,15%)
– Maioria pró-Allyson Bezerra de 6.263 (4,56%).

Allyson, Cláudia, Ceição, Isolda, Ronaldo e Rosalba estão na disputa municipal deste ano (Fotomontagem: BCS)
Allyson, Cláudia, Ceição, Isolda, Ronaldo e Rosalba estavam na disputa de 2020 (Fotomontagem: BCS)

O êxito nas urnas de Allyson Bezerra, eleito deputado estadual em 2018, foi emblemático. Sua vitória teve enredo de grande dramaticidade durante toda a campanha e na apuração, também. Com problemas no processo de contabilização eletrônica da Justiça Eleitoral, só após as 21 horas do dia 15 de novembro é que houve anúncio oficial do resultado.

Ele derrotou Rosalba Ciarlini (PP), que estava em seu quarto mandato como prefeita, além de ter sido senadora e governadora. Era considerada imbatível, não obstante grande desgaste.

Allyson era um ‘azarão’, sendo tratado com chacotas no governismo – onde termos como “deputadozinho”, “doido”, “idiota” e “lesado” substituíam seu nome nos diálogos em redes sociais e cotidiano de gestores e aliados.

Na campanha, ele enfrentou além do de Rosalba, seu nome e estrutura municipal, adversários mais tradicionais que terminaram se juntando à própria Rosalba Ciarlini, nos últimos dias de campanha, para combater seu crescimento e iminente vitória – que se confirmou.

A campanha atípica, também teve uma carga emocional adicional, pois Mossoró e país viviam a atmosfera pesada da Covid-19, com milhares de mortes. O próprio calendário eleitoral sofreu alteração e em vez do pleito acontecer no dia 4 de outubro, acabou se efetivando no dia 15 de novembro.

Allyson Bezerra, saída da zona rural, engenheiro, servidor federal concursado e que durante vida sempre estudou em escola pública, fazia história. Empalmou 65.297 (47,52%) votos, contra 59.034 (42,96%) da prefeita.

O resultado final apontou maioria de 6.263 votos, ou seja, 4,56 pontos percentuais.

Fracasso

Os demais concorrentes tiveram votação pífia.

A terceira colocada, deputada estadual Isolda Dantas (PT), empilhou apenas 8.051 (5,86%) votos.

Já a ex-prefeita Cláudia Regina (DEM) não passou de míseros 4.046 (2,94%) votos.

Professor Ronaldo Garcia (Psol) somou 611 (0,44%) votos e Irmã Ceição (PTB) teve microscópicos 378 (0,28%) votos.

Números

Os números definitivos das eleições a prefeito em Mossoró mostraram grande percentual de abstenções, num comparativo com o pleito anterior em 2016. Foram 30.181 (17,15%) eleitores ausentes, enquanto que em 2016 atingiu 22.683 (13,59%) votantes.

No pleito, 7.498 eleitores a mais do que em 2016 preferiram não votar em 2020, ou seja, 3,56 pontos percentuais a mais do que na votação municipal quatro anos antes.

Série Especial

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Campanha mais disputada ainda vive 56 anos depois

Por Cassiano Arruda Câmara

Campanha do "Touro" nas ruas de Mossoró em 1968 (Foto: Arquivo Relembrando Mossoró)
Campanha do “Touro” nas ruas de Mossoró em 1968 (Foto: Arquivo Relembrando Mossoró)

Depois de 56 anos, acho, que todos os fatos importantes daquela eleição já foram registrados, analisados, discutidos.

O que não diminui a importância do episódio político para hoje e para o futuro.

O assunto fluiu porque – na minha opinião – foi a maior expressão eleitoral que o RN viveu nos últimos 200 anos.

Não tenho notícia de eleição mais disputada e com tanta participação. – Em todos os sentidos.

Começando pelas lideranças politicas do município, num confronto de vida e morte: Rosados X Aluízio Alves.

Os Rosados liderados pelo senador Dix-huit, então Presidente do INDA (criador da ESAM), Escola Superior de Agricultura de Mossoró, hoje Universidade Federal Rural do Semi Árido. E candidato ao Governo do Estado em 1970

Aluízio se preparando para volta ao Governo do Estado em 1970.

A participação dos candidatos começava pelo apelidos: Vingt-un (21 no Jogo do bicho chamado de “Touro”), e Antônio Rodrigues, ex-prefeito de Mossoró, o “Capim”, personagem de um popularismo personagem de um programa de rádio do Ceará, com um personagem do Ferroviárío,  o Ferrim, que virou Capim– “é o Capim, meu filho”.

Foram as maiores disputas da história. Até a apuração.

Vitoria do Capim: 98 votos.

Eleições de 1968 (Fonte:  Vingt-un Rosado, Coleção Mossoroense):

– Antônio Rodrigues (Aena 2/verde) – 11.132 votos;
– Vingt-un Rosado (Arena 1/vermelho) – 11.034 votos;
– Maioria – 98 votos a favor de Antônio Rodrigues.

Eleito, Antônio Rodrigues fez um Governo, discreto. Formado em Direito, concluiu o curso de Medicina e tornou-se Médico. Ainda disputou eleição a estadual, mas sem êxito. Preferiu atuar em trabalho voluntário.

Vingt-un Rosado, assumiu a condição de intelectual da família Rosado, professor, escritor, palestrante e não disputou mais nenhum cargo público, à exceção da vereança em 1973, e sempre atuando ao lado dos irmãos Dix-huit e Vingt.

Para os cientistas políticos das nossas universidades, o que não falta é pauta. Começando por 56 anos depois não ter sobrado ninguém (ou sucessor) com o discurso daquela campanha inesquecível.

Antônio Rodrigues foi o nome de Aluízio à disputa memorável (Foto: Arquivo do Relembrando Mossoró)
Antônio Rodrigues foi o nome de Aluízio à disputa memorável (Foto: Arquivo do Relembrando Mossoró)

E pela primeira vez, em muitos anos, em Mossoró, se está iniciando uma campanha eleitoral sem nenhum Rosado candidato, nem nenhum sucessor de Aluízio.

Série Eleições Municipais 2024

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Cassiano Arruda Câmara é professor, jornalista e editor da coluna Roda Viva (Tribuna do Norte)

Doar livros

Por Jânio Rêgo

Foto ilustrativa
Foto ilustrativa

Muito tempo depois da morte de Marcos Porto, apareceu a história em Areias Alvas que o filho de seu Chico Porto e dona Maria do Carmo havia aparecido, daquele jeito como era ele, chupando quixaba, no meio dos bodes, ao pingo do meio dia, sob a frondosa quixabeira onde pôs fim à própria vida naquela sombria e marulhosa tarde de junho. Como vento nas dunas, essa história, contada sob glórias e aleluias por sete mulheres na Igreja Pentecostal Sal do Senhor, ecoou pelos povoados de Gado Bravo, Retiro, Pau de Légua, Barra e chegou até a vila do Tibau e Mossoró.

A Igreja Pentecostal Sal do Senhor, olhando direitinho, foi fundada por ele quando voltou de uma temporada de quase uma dúzia de anos no Amazonas. Quando voltou tinha os cabelos brancos e compridos mas cortados na fronde como os índios. Toinha Bateria foi encontrá-lo deitado na rede no primeiro andar da casa da mãe dele enviuvada. Fez aquela festa, bichim, levantou-se com aqueles braços compridos e disse assim: Toinha e Maria Bolsa Velha. E calou-se, só abrindo a boca para pregar naquela duna grande ao lado da casa de Gado Bravo onde instalou a sede da sua irmandade, que era assim que ele chamava.

Por que doar livros (4):

Quando ainda era mais criança que hoje ele leu toda a coleção de Alexandre Dumas, aquele dos 3 Mosqueteiros, uns trinta e tantos volumes, de capa grossa, esverdeada com naipes dourados nas bordas. Sabe tudo sobre França, mais ainda que agora ano passado revirou in loco os locais onde o Richelieu e tantos cardeais e reis pisaram, com a meticulosidade com que folheia os seus compêndios de filosofia do direito.

Tenho a impressão que o Blog da Feira o trará no momento em que os livros da Coleção Mossoroense estejam passando às mãos da Feira representadas em Tarcízio Pimenta e José Carlos Barreto. E esse ano é França Brasil/Feira França. E nada mais francês, mais jacobino que Massilon, o cangaceiro cuja história Honório de Medeiros escreve.

Por que doar livros (3):

Quando o conhecemos ele já nem ensinava mais nem francês. Mas era para nós o professor de latim com quem não estudaríamos mais. Era um padre que perambulava pelos corredores do colégio, talvez revendo velhos amigos do Diocesano Santa Luzia, indo pro refeitório quando morava no colégio. Depois mudou-se e não ouvi mais falar dele, a não ser as histórias que contavam sobre sua sabedoria latínica. “An argento patia”, era uma palavra que ele criara com radicais do latim para significar Doença da falta de dinheiro do que ele sempre reclamava.

Gostava de beber cerveja e não passara de monsenhor na cruel hierarquia católica. Era isolado. Quando morreu estava na Tribuna da Bahia e meu colega Eduardo Costa me chama do arquivo para um telefone com uma notícia que lhe dava um amigo meu antes mesmo d´eu atender o telefone: e Eduardo ecoaria pela Redação: Jânio herdou a biblioteca de um monsenhor, e já eram bem 10 mil livros. Era uma mentira mossoroense, claro, mas a Redação da Tribuna acreditou que era herdeiro do Monsenhor Sales.

Porque doar livros (2):

Professor Vingt-Un Rosado foi meu diretor na Escola de Agronomia de Mossoró, hoje tornada Universidade Federal do Semi-Árido (UFERSA) com cursos que não se conta mais nos dedos como no tempo de Esam. Naquele tempo deixei a Rural de Pernambuco com medo da perseguição da ditadura e fui continuar agronomia sob a proteção da família e da terra mater. A Esam era, como é, uma respeitável escola e somente os arroubos de adolescência permitidos pela minha família liberal haviam me deixado fazer vestibular e passar em Recife. Quando cheguei Vingt-Un estava na sua segunda fase de poder na instituição que já passava dos 10 anos. Conheci a Coleção Mossoroense naqueles anos e já era levada pela obstinação quixotesca do velho cientista agrônomo.

Por que doar livros (1):

Fazendo uma campanha em Ribeirão Preto, em 2004, encontrei um professor universitário de malas prontas para um congresso sobre apicultura em Natal e ele dizendo-se um discípulo de padre Huberto Brunning cujo trabalho havia conhecido através da Coleção Mossoroense. A imprensa de Natal tratou-o no dia do congresso como uma das maiores sumidades em abelha jandaira uma melífera em extinção no Nordeste.

A cultura nordestina é assim, atraente e brota nos locais menos prováveis. Somente o padre Huberto merece um livro, é um personagem, tão estranha a figura e tão importante foi ele para uma geração norte riograndense. É um pouco dessa cultura que o Blog da Feira pretende plantar com livros aqui na Terra de Lucas. A Transportadora Bonfim nos informou há pouco que os livros devem estar aqui amanhã. É uma honra e uma alegria.”

Jânio Rêgo é jornalista e editor do Blog da Feira

*Texto originalmente publicado no Blog da Feira.

Contas surreais assustam e revoltam consumidores

Dívida, devedor, contas a pargar, economia,A Companhia de Águas e Esgotos do RN (CAERN) tem filas diárias em seu escritório na cidade de Mossoró. Muitos consumidores assustados e, revoltados, empunham contas com valores surreais.

O detalhe repugnante e revoltante é que seus respectivos endereços quase não recebem o “precioso líquido,” como falavam antigos repórteres do rádio.

A saga da água em Mossoró parece sem fim.

Vivo, o professor, pesquisador e escritor Vingt-un Rosado teria muito a relatar sobre essa epopeia.

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Igreja quer colocar vigário Antônio Joaquim no seu devido lugar

Catedral, com Praça Vigário Antônio Joaquim em frente; ao lado, a Praça DIx-sept Rosado onde é construído o Memorial das Vìtimas da Covid-19 (Imagem do Google Eart)
Catedral, com Praça Vigário Antônio Joaquim em frente; ao lado (círculo verde), a modesta praça Dix-sept Rosado onde é construído o Memorial das Vítimas da Covid-19 (Imagem do Google Earth)

A Diocese de Mossoró vai propor à Prefeitura Municipal de Mossoró, o deslocamento do busto do vigário Antônio Joaquim do local onde é construído o Memorial das Vítimas da Covid-19 (veja AQUI), para a praça que leva o seu nome, em frente à Catedral de Santa Luzia. O assunto será levado ao prefeito Allyson Bezerra (UB) ainda essa semana.

O vigário-geral da catedral, padre Flávio Augusto Forte Melo, falou sobre a proposta durante missa dia passado (31 de dezembro), às 19h. Em meio à liturgia, ele perguntou aos presentes que lotavam a matriz, se concordavam com a mudança. Ouviu o “sim” de forma maciça.

Na Praça Vigário Antônio Joaquim está uma estátua do governador Jerônimo Dix-sept Rosado Maia  (25/03/1911-12/07/1951). Segundo o padre Flávio Augusto, a colocação do busto não implicaria na retirada da homenagem a Dix-sept Rosado. Ou seja, o pensamento é que os dois ilustres nomes da história local coabitem o mesmo logradouro.

O bizarro nesse enredo de muitas décadas, é que onde está o busto do vigário Antônio Joaquim é a “Praça Dix-Sept Rosado,” ao lado da catedral.” A ‘troca’ aconteceu no início dos anos 50 do século passado. Valeu o peso político do emergente clã Rosado na hora de botar a estátua do governador na praça mais importante da cidade.

História

Busto do vigário foi inaugurado pouco mais de dois meses após homenagem a Dix-sept Rosado (Foto: Reprodução)
Busto do vigário foi inaugurado pouco mais de dois meses após homenagem a Dix-sept Rosado (Foto: Reprodução)

Nascido na vila de Aracati-CE (hoje município) em 5 de novembro de 1820, Antônio Joaquim Rodrigues faleceu em Mossoró dia 9 de setembro de 1894. Foi religioso e político que empreendeu luta para elevar o povoado de Santa Luzia ao status de vila e, depois, cidade. Teve carreira política como deputado provincial (equivalente hoje a deputado estadual) em sete mandatos e exerceu papel religioso por mais de 50 anos na terra que o adotou.

Desde o dia 2 de dezembro de 1953 o seu busto foi fixado na Praça Dix-sept Rosado, ao lado da catedral, obra produzida pelo escultor Osísio Pinto, sob encomenda do industrial mossoroense José Rodrigues de Lima.

Pouco mais de dois meses antes da inauguração do busto do vigário Antônio Joaquim, na Praça Dix-sept Rosado, no dia 30 de setembro de 1953 a estátua de Dix-sept Rosado foi inaugurada no local. A obra foi executada por Ottone Zorlini, (Treviso, Itália, 1897-São Paulo-SP, 1967), reconhecido escultor ítalo-brasileiro. Ela tem 3 metros e 80 centímetros de altura e pesa 1.300 Kg. É ladeada por dois grupos de homens, mulheres e crianças, em tamanho natural, além de outros detalhes que lembram integrantes do seu governo, mortos no mesmo ano.

As esculturas foram esculpidas em bronze e o seu pedestal, em granito róseo, originário do município de Angicos-RN.

Ex-prefeito de Mossoró, Dix-sept Rosado morreu em acidente aéreo em Sergipe, no dia 12 de julho de 1951. Estava no cargo de governador do RN há pouco mais de cinco meses (posse dia 31 de janeiro de 1951).

Monumento a Dix-sept Rosado está na Praça Vigário Antonio Joaquim (Foto: Arquivo)
Monumento a Dix-sept Rosado está na Praça Vigário Antonio Joaquim (Foto: Arquivo)

*Fontes de informações e pesquisas históricas: Câmara Cascudo, Raimundo Soares de Brito, Geraldo Maia, Raimundo Nonato da Silva e VIngt-un Rosado.

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Mais um 10 de Abril na cacunda

Por Marcos Ferreira

Pensei em gazear este domingo, em não dar as caras. Seria, além de satisfatório para alguns leitores, ainda que não para todos, algo bastante plausível da minha parte. Afinal de contas, embora isto não interesse a ninguém, muito menos à distinta e respeitável categoria dos colunistas sociais, hoje é o dia dos meus anos. Exatamente. É mais um 10 de abril na minha cacunda, uma data por inteiro obscura e desimportante no calendário sociocultural deste município e estado elefantino.velas, aniversário, soprando velas,

Não maldigo o esquecimento dos colunistas. Não sou mesmo colunável. Aqui, por exemplo, ao contrário do tratamento dispensado a outros poetas e prosadores, realizam uma feira de livros há uns vinte anos e nunquinha me convidaram. Decerto porque não me consideram escritor, ou não conseguem me perdoar por eu ter sido premiado num bom número de concursos literários de âmbito nacional.

Entendo que isto soa imodesto, presunçoso e tudo o mais. No entanto, doa a quem doer, ache ruim quem quiser, não estou contando nenhuma lorota, nem expondo méritos e conquistas que não obtive. Por muito menos gregos e troianos, borra-papéis e literômanos são paparicados e ovacionados na terra de Santa Luzia. Há quase duas décadas, pois, salvo exceções, certo comerciante de livros e egos posa de abnegado e amante da arte literária. Competência, seja dito, ele tem de sobra.

O rapaz é articulado, arregimentou as igrejinhas e panelinhas e há muito goza da boa reputação que construiu junto a patrocinadores, governos municipal e estadual. É trabalhador, sabe captar os recursos entre o cipoal burocrático. Tem lucro no negócio, nada mais justo, porém afeta total desprendimento, abnegação, amor aos livros, anseio puro e simples de instigar leitores e autores locais.

Bem, agora é tarde para o referido convite, senhor dono da feira. Prossiga com o seu boicote ao meu nome, continue ignorando a minha existência e desempenho enquanto literato neste município. Hoje, para o seu incômodo, eu lhe dou de presente esta pequenina bronca com um enorme atraso. A mim cogitei presentear com outro soneto. Todavia, pensando melhor, não vou “colecionar mais um soneto”. Não me animo a metrificar nem rimar, não obstante a simetria destes parágrafos.

Acho que esta crônica, com alguns traços de acerto de contas, e ferina que nem faca de dois gumes, já equivale a um presente para mim nesta data que um dia haverá de ser lembrada e referida. Isso, contudo, só bem depois que eu vestir o meu ordinário traje de pínus e ir estudar a geologia do São Sebastião. Pois não espero, sobretudo das mãos desses feirantes de livros, receber flores em vida.

“Entre o mofo, a poeira, o cansaço e a alegria”, como escrevi num alexandrino em homenagem a Raimundo Soares de Brito e a Vingt-un Rosado, quando ainda eram vivos, beberico uma caneca do meu café escoteiro. Não abro mão da rubiácea. Esta é uma manhã de pardais, rolinhas, bem-te-vis e céu azul. Há pouco também tomei meus remedinhos controlados, embora recentemente um atencioso leitor me tenha sugerido diminuir a posologia. Meu psiquiatra, por enquanto, discorda.

Estou mais velho, sim, e menos tolerante com determinadas sabotagens. Ao contrário de antigamente, tempo que parece que foi ontem, não tenho mais saco nem estômago para seguir engolindo sapos. Isto não quer dizer, porém, que me tornei um bárbaro, um tipo incivil, misantropo. Não. Nem oito nem oitenta. Reconheço, entretanto, que faço uso da minha sociabilidade com maior parcimônia.

Sei que alguns amigos (a esta hora não são muitos) vão me telefonar após lerem esta crônica ranheta a fim de me oferecer os parabéns por meu natalício. Destaco que pouca gente sabe deste evento galáctico. Minha data de nascença, eu que vim à luz no extinto Hospital da Caridade, não consta nas redes sociais. Serão (os parabéns) todos bem-vindos, agradecerei a cada um honesta e alegremente. Convidá-los-ei para “um café qualquer dia” e nenhum se sentirá menos querido.

No mais, tirando a hipertensão, a bipolaridade, os estados maníaco-depressivos, o arsenal de antipsicóticos e meus atuais oitenta quilos (antes eram setenta), estou ótimo, esbanjando saúde e simpatia. Não sei por que não me deram, nessas votações que ocorreram recentemente, o prêmio de “homem mais simpático do ano”. É assim que me sinto sempre que se aproxima a data do meu aniversário.

De repente, como num transe divino, meu espírito converge para o bom humor e a concórdia. Sou tomado por súbita e excepcional empatia para com os meus semelhantes, em particular os intelectuais desta província, os homens de imprensa, de letras e da cultura. Essa fauna de alinhados e nobres senhoras e senhores me suscita uma enorme admiração. Hoje, se eu pudesse, a cada um deles presentearia com um panegírico entusiástico, quiçá um impecável soneto em decassílabos heroicos.

Vida longa aos nossos intelectuais e leitores!

Sinto que devo, melhor avaliando, conceber uma obra de grande estatura em homenagem à minha querida terra e conterrâneos, adotivos e os forasteiros. Mossoró e seus habitantes mais do que merecem um presente dessa magnitude. Afinal de contas, estufando o peito de orgulho, admito que isto aqui é um país. Trata-se, no mínimo, da Capital Brasileira da Cultura. Não é pouca bosta, não.

Assim, querido povo de Mossoró, já sei (através da literatura, em especial por meio de um romance parrudo, corpulento) como imortalizar esta cidade, e projetar o nome de Mossoró para o Brasil, quem sabe além fronteiras brasilianas. Um povo nobre feito este, com políticos honestíssimos e que, historicamente, sempre valorizaram e lutaram de maneira incansável por nossa cultura, é digno de todas as honras e aplausos. Tais políticos, a propósito, ganharão capítulos exclusivos.

Agora me deem licença. Hoje não quero fazer mais nada. Sequer escrever. Vou apenas brincar um pouco na rede com Pitucha, minha gatinha, que na última quarta-feira completou três meses de vida. À noite, ao voltar da casa de Natália, acessarei a Netflix (coisa que o amigo Elias Epaminondas compartilhou comigo). Então verei um filmezinho bacana. Será outro momento relax do meu dia.

Marcos Ferreira é escritor

Cemitério de livrarias

Por Marcos Ferreira

Desde quando ingressei nesse universo dos homens de letras, mais especificamente no âmbito de Mossoró, já me dei conta de que o ramo de livros era (e sempre será) bem menos um comércio do que uma ideologia. Sim. As pessoas que empreenderam, ou ainda empreendem, na seara da literatura não podem ser vistas tão só como empresários, mas, sobretudo, como idealistas. Quem semeia livros, como alertava o bardo condoreiro Castro Alves, é deveras bendito.fechado, portas cerradas, fim de negócio, quebrado, falência

Aqui tivemos, entre outros bibliófilos, um Raimundo Soares de Brito e um Vingt-un Rosado, dois titãs de nosso meio literário que dedicaram as suas vidas à fomentação e promoção dos livros nesta sociedade mais propensa e receptiva a uma cultura lampiônica (com muita chuva de bala e cheiro de pólvora) do que à valorização dos seus escritores e da sua produção livresca.

Sob o aspecto urbanístico e demográfico, Mossoró cresce de maneira notável. O censo de 2021 aponta que já ultrapassamos os trezentos mil habitantes. Todavia, enquanto avançamos do ponto de vista econômico, urbanístico e populacional, encolhemos no tocante ao interesse dos mossoroenses por livros. Basta, parodiando o também poeta Vinicius de Moraes, darmos uma olhada na explosão de bares pela cidade, todos cheios, salvo exceções, de pessoas vazias.

Tirando-se as exceções, como eu destaquei, trata-se de uma gente endinheirada, elite posuda e altiva que não frequenta uma livraria — que dirá um sebo! — nem pega num livro porque teme, ao que parece, que os dedos lhe caiam pelo tronco. Muitos aqui nasceram, cresceram e enricaram sem nunca terem lido um gibi ou revista Caras. Por incrível que pareça, isso não é impossível.

Ter bastante dinheiro, luxo, riqueza material e status, outra vez recordando que há honrosas exceções, são prioridades da manada inculta e bela, como diria o parnasiano Olavo Bilac. Livro por aqui, como em vários lugares, é uma excrescência, uma futilidade, perda de tempo. O mossoroense prafrentex, habitué de todas as baladas e inferninhos das sextas e sábados à noite, não troca uma dúzia de Heineken pelo solitário exercício de queimar pestanas com livros.

Hoje em dia, infelizmente, a exemplo do que ocorre com as árvores e com o nosso agonizante rio, Mossoró perdeu ainda mais a sua pouca tradição no estímulo às letras locais. Somos, entre outras coisas a serem lamentadas, um cemitério de livrarias. Todas as principais livrarias que abriram aqui tiveram curta existência. A melhor delas foi a Café & Cultura, da senhora Ticiana Rosado.

De portas abertas, podemos citar a Livraria Independência, no Centro, e a L Cultural, no Partage Shopping. Entretanto esses dois estabelecimentos, por razões opcionais ou físicas, não disponibilizam mesas, cadeiras nem café para sua clientela. Isto, na minha concepção romântica de casa de livros, representa um ponto negativo, pois dessa forma tais endereços perdem duas coisas que considero relevantes numa livraria: a interatividade e a ambiência entre o seu público.

Na Café & Cultura, a propósito, além do ótimo acervo literário, usufruíamos dessa interação e de bate-papos regados a cafezinhos de primeira qualidade. Ali eu despertei e retribuí amizades que conservo até hoje, como o advogado André Luís e o magistrado Jessé de Andrade Alexandria, este que assina o prefácio do meu primeiro livro de crônicas, a ser lançado até meados deste ano.

O livro é imprescindível para a formação de uma sociedade mais justa, igualitária e humanitária. E se não existem casas comerciais para a venda desses produtos, enfim, a naturalmente arisca população só tende a se distanciar do interesse pela leitura. Pois, como sabemos, quem ou aquilo que não é visto não é lembrado. Aposta-se uma dinheirama nesta cidade em toda sorte de negócios, contudo os investimentos no comércio de livros não podem ser vistos a olho nu.

Todo dia abre-se um novo bar em Mossoró, uma casa de pasto, um magazine no Centro quanto no Partage, despontam arranha-céus nas áreas nobres, pipocam farmácias, drogarias em toda parte, surge outro não sei o quê mall, uma igreja aqui, um bordel acolá, no entanto o pessoal cheio da grana não arrisca um centavo sequer na abertura de uma nova e autêntica livraria neste município.

Triste Mossoró que um dia se candidatou, para vexame daqueles com um mínimo de pudor, ao título de “Capital Brasileira da Cultura”. Tal arroto publicitário encontrou muitos entusiastas sem um pingo de semancol. A imprensa, instigada monetariamente pelo Palácio da Resistência, boatava isso num dia sim, no outro também. O último balde d’água fria nesse delírio coletivo, pelo que recordo, foi em 2007, quando escolheram a cidade mineira de São João del-Rei.

Nessa vasta e imprevisível lavoura da literatura, portanto, sou um mero campônio do verso e da prosa com a esperança de que nossa paróquia de Santa Luzia ainda cumpra o seu ideal. Para mim, por exemplo, é motivo de grande inspiração termos em Mossoró, contando atualmente com noventa e sete anos de idade, um escritor da importância e tenacidade de um Obery Rodrigues.

No dia 13 de janeiro de 2017, por uma dessas trapaças do meu antigo correio eletrônico, tive um e-mail de Obery Rodrigues extraviado. Somente esta semana, enfim, minha Natália conseguiu resgatá-lo.A hora azul do silêncio de Marcos Ferreira

Naquela oportunidade, para minha honra e alegria, o senhor Obery me cumprimentava pelo lançamento da segunda edição do meu livro de poemas A Hora Azul do Silêncio, que lhe fora dado de presente por sua prima Conceição, viúva de Souzinha, do Parque Elétrico.

Julgo oportuno transcrever o e-mail:

“Sr. Marcos Ferreira,

Recebi de presente de minha prima conceição, viúva de Souzinha e, atualmente, uma das principais sócias do Parque Elétrico, o livro ‘A Hora Azul do Silêncio’, de sua autoria. Não o conheço pessoalmente, mas soube que é mossoroense, meu conterrâneo. Quero felicitá-lo pelo livro, o melhor que eu já li da poesia de Mossoró.

Seu livro está excelente, seus sonetos — gênero da minha preferência — são primorosos. Quando eu era adolescente tinha três desejos: ser poeta, aprender a dançar e a tocar violão. Nem sou poeta, nem sei dançar e nem toco violão. Mas consegui outras coisas e, embora já aposentado com 92 anos, me considero um homem realizado familiar e profissionalmente.

Parabéns pelo seu excelente livro — Obery Rodrigues”.

Enquanto houver pessoas como Obery Rodrigues, a esta hora em plena atividade literária, creio que nem tudo está perdido.

“O pulso ainda pulsa”, como na letra daquela famosa canção dos Titãs. E assim, quem sabe diante desta crônica esperançosa de hoje, na minha maneira romântica de enxergar a questão, algum indivíduo bom de bolso resolva abrir mais uma livraria neste município.

Marcos Ferreira é escritor

Saudades do Menino do Poré

Por Marcos Ferreira

Quando meu pai e minha mãe morreram, exatamente nesta ordem, ele com apenas cinquenta e quatro anos de idade e ela com sessenta e dois, demorei alguns anos até conseguir escrever umas linhas (versos, aliás) sobre a partida e a ausência de ambos. Uma ausência irremediável e nunca confortada.

Senti algo semelhante, no sentido de me ver bloqueado, sem palavras, por ocasião do passamento dos mestres Dorian Jorge Freire, Raimundo Soares de Brito e Vingt-un Rosado. Pois é. Foram estes os três primeiros indivíduos de grande representatividade nos meios intelectuais de Mossoró que enxergaram o meu então microscópico talento naqueles começos da minha aparição nas letras.O Menino do Poré - livro

Raimundo Soares de Brito (carinhosamente sintetizado Raibrito) recortava todas as poesias e croniquetas que eu publicava aos domingos no caderno de cultura do Jornal O Mossoroense. “Você precisa publicar um livro com essas produções”, disse-me ele uma vez. Algum tempo depois, com apoio financeiro de Vingt-un, lancei o meu primeiro livro, Um Poema de Presente. Isto em 1996.

Dorian Jorge Freire, por mais de uma vez, brindou-me com notas de estímulo à minha escrita em sua coluna dominical na Gazeta do Oeste. Até que um dia, quando a Petrobras se ofereceu para relançar um livro de crônicas do emérito estilista, Os Dias de Domingo, o próprio Dorian fez este pedido a Clauder Arcanjo, então gerente da Base-34: “Quero que Marcos Ferreira seja o revisor”.

Ou seja, uma demonstração e tanto de prestígio, uma enorme honra e carinho para com um ex-sapateiro e Dom Pixote da literatura. Que me perdoe o prezado leitor Amorim, que há poucos dias me deu um carão aqui no Canal BCS (Blog Carlos Santos) por eu haver me autoproclamado Dom Pixote.

Todo este nariz de cera, chamemos dessa forma, é para evocar a memória de outro grande homem, filantropo e mecenas da cultura mossoroense, embora sempre discretíssimo nas suas ações: Milton Marques de Medeiros, o Menino do Poré, falecido aos 22 de abril de 2017, “a pouco menos de três meses de completar 77 anos”, conforme noticiou o Blog Carlos Santos no último 3 de julho.

A exemplo de Vingt-un, Raibrito e Dorian Jorge Freire, o Dr. Milton Marques não tardou a conquistar minha admiração e benquerença. Sobretudo após nos tornarmos mais próximos devido à nossa participação enquanto articulistas da Papangu, no início de 2004. Milton assinava a coluna Entrelinhas.

Assim como Dorian Jorge Freire, o Menino do Poré confiava a mim a revisão dos escritos que enviava, por e-mail, à revista do Túlio Ratto: “Ferreira, dê uma olhada aí, por favor. Escrevi meio à pressa. Deve ter algum escorrego”, dizia-me, vez por outra, algo desse tipo em telefonema para a redação da Papangu. Dificilmente eu encontrava qualquer escorrego. Texto limpo, de boa sintaxe.

Um pouco antes, véspera da minha estreia na Revista Papangu, Milton me convidou a entrevistar, junto com ele e o jornalista Marcos Antônio, da Rádio Rural, o professor João Batista Cascudo Rodrigues, de saudosa memória, para o canal TCM – TV Cabo Mossoró. Foi uma das seis primeiras entrevistas do marcante programa “Mossoró de Todos os Tempos”, apresentado por Milton.

Imaginem uma coisa dessas, prezado leitor e gentil leitora. Eu, um tímido incurável, que nunca ousara pedir uma música no rádio, súbito me vi diante de uma câmera de televisão. Era manhã, 22 de novembro de 2003. Ouvimos o entrevistado na Fundação Ozelita Cascudo Rodrigues, situada no Centro.

O depoimento de João Batista, impelido pela boa atuação dos outros dois entrevistadores, eu entrei mudo e quase saí calado, foi de uma riqueza ímpar. Sobretudo pela vasta cultura de João e por sua enorme capacidade de juntar o passado com o presente, num belo desfile de experiências e recordações.

Transcorridos vários anos, no finzinho do primeiro semestre de 2016, os papéis se inverteram e passei à condição de entrevistado do “Mossoró de Todos os Tempos”. Uma noite, ao nos reencontrarmos num evento cultural nesta urbe, Milton me convidou. E lá fui eu, de novo, para diante das câmeras.

Houve outras oportunidades em que Milton demonstrou atenção e carinho para com a minha pessoa e meu exercício literário. Foi desse modo enquanto atuei como editor de cultura, durante três anos, à frente do caderno Universo, em O Mossoroense, como também durante os mesmos três anos que passei ajudando a editar a brava Revista Papangu, ora de volta em plataforma eletrônica.

Ainda em 2016, ao me envolver na arriscada aventura de realizar a edição comemorativa de dez anos do meu livro de poemas A Hora Azul do Silêncio, que em 2005 conquistou o primeiro lugar nos “Prêmios Literários Cidade de Manaus”, sendo lançado no ano seguinte pela editora da Universidade Federal do Amazonas, Milton tocou no meu ombro e disse: “Conte comigo, Ferreira”.

Não só me disponibilizou os jardins da TCM para a noite de autógrafos, isto no dia 11 de novembro, como adquiriu significativa quantidade de exemplares. Nessa noite, entre outras personalidades da cultura mossoroense, como Elder Heronildes, Wellington Barreto e o saudoso João Sabino, falecido recentemente, Milton pediu a palavra e fez uma tocante apresentação deste autor.

Esse notável Menino do Poré, cuja simplicidade e bom trato humano lhe eram apenas duas entre tantas características admiráveis, está fazendo enorme falta a esta província tão carente de figuras sensíveis às letras e às artes como um todo. Era um homem imprescindível o Dr. Milton Marques.

Esta pequena e extemporânea homenagem deságua do meu peito agora em que me chega às mãos, com afetuosa dedicatória da amiga Zilene Medeiros, viúva do homenageado, a edição póstuma de Memórias de Milton Marques de Medeiros — O Menino do Poré, obra organizada pela jornalista, youtuber e escritora Lúcia Rocha. Belíssima história de vida de um cidadão fora de série.

Hoje, portanto, decorridos mais de quatro anos do falecimento do médico, do pai amoroso e marido de toda uma vida, homem de letras e autêntico visionário Milton Marques de Medeiros, peço licença ao prezado leitor e à gentil leitora para ofertar este singelo e emotivo tributo a tão estimado amigo.

Assim, caro Menino do Poré, onde quer que você esteja, saiba que não esqueci de você. Um grande abraço e até qualquer dia.

Marcos Ferreira é escritor

Fundação Vingt-un Rosado reorganiza seu acervo aberto à cultura

Vingt-un e Dix-sept Sobrinho (Coleção Mossoroense)
Vingt-un e Dix-sept Sobrinho (Coleção Mossoroense)

A Fundação Vingt-un Rosado e sua Coleção Mossoroense emitem um importante comunicado aos amantes da leitura, da pesquisa, estudantes e aficionados pela literatura. Veja abaixo:

1. A Fundação Vingt-un Rosado/Coleção Mossoroense está situada no terceiro andar na Biblioteca Municipal Ney Pontes Duarte, localizada na praça Dorian Jorge Freire, 17 – Centro – Mossoró/RN.

2. Estamos reorganizando todo o acervo lá. Continuamos dispondo para pesquisa, empréstimo, vendas e doação,  dependendo da disponibilidade da obra.

3. Um site das instituições citadas está disponível no www.colecaomossoroense.org.br

4. Continuamos publicando obras pelo selo da Coleção Mossoroense.

5. Raniele Alves continua nos prestando seus serviços.

6. Eriberto Monteiro é o nosso editor e quem deve ser contatado na Biblioteca Ney Pontes Duarte no interesse de publicações.

7. Estamos aguardando sua visita virtual ou presencial. Como disse tantas vezes Vingt-un Rosado: ” A Coleção Mossoroense está viva”!

Cordialmente,

Dix-sept Rosado Sobrinho – Presidente da Fundação Vingt-un Rosado.

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Vivendo um pesadelo

Paulo Menezes olhando o marPor Paulo Menezes

Estou hoje, recolhido no meu “cantinho”, na praia do meio, em Natal. Isolado do mundo. Diferente de tantas outras vezes, em que do meu pequeno,  porém aconchegante apartamento, me mostrava um cenário de uma beleza sem par.

Ao fundo a ponte Newton Navarro, o estuário do rio Potengi e a beleza do majestoso oceano, que em dias ensolarados, como hoje, limpava a vista, extasiado com a beleza da cor verde azulada do sagrado mar.

Só que hoje, o que vejo é um cenário totalmente diferente. Triste, interrogativo e indefinido. Mesmo assim, esperançoso, pois sou um homem de fé.

É que apesar de ter tomado duas doses da vacina para a Covid-19, o cuidado de sempre usar dupla máscara, preocupado com o distanciamento social, até por pertencer ao grupo de risco, para minha surpresa, após um exame laboratorial, na tarde de hoje (sexta-feira, 6), testei positivo para  a horrível praga.

Como a viagem não estava prevista, fui convocado de última hora por meus filhos e noras em caráter de emergência, alegando os mesmos que aqui teriam mais condições de me darem uma assistência maior. E é o que tem ocorrido.

Nessa mudança de endereço, que com a graça de Deus, creio, será temporária, deixei em Mossoró, meus livros de cabeceira, que nessas horas difíceis, serve como um verdadeiro bálsamo para o espírito. “Dias de Domingo” e “Veredas do meu Caminho” do mestre Dorian Jorge Freire, que segundo o professor Vingt-Um Rosado, era o gênio da raça mossoroense.

Esses companheiros que sempre conduzo comigo, no atropelo da viagem, deixei na terrinha e está me fazendo muito falta. Mas, como dizia no início dessa narrativa, hoje o que se apresenta para mim é um misto de dúvida e interrogação. A doença é cruel e traiçoeira.

Entra em nossa vida sem pedir licença, para infernizar nossos dias e nos privar de ver nossos entes mais queridos, razão maior de nossa vida nos dias atuais.

Deus, me deu a graça de ter Simone, minha companheira há 57 anos, dois filhos maravilhosos, duas noras admiráveis e quatro netos que todo avô gostaria de ter. Por isso mesmo, tendo a família formidável que tenho, acometido da terrível doença, me vejo questionando sobre a vida.

E sobre o tema, alguém usando o anonimato afirmou que: “A vida é imprevisível e é isso que a torna bonita. Não podemos saber o que o futuro reserva, portanto, tudo é possível. Não somos a mesma pessoa a cada acontecimento em nossa vida. Nos reinventamos constantemente depois dos tropeços, das dores, das feridas, dos dissabores, buscando na fé e na vontade de seguir, um motivo a mais para continuar nossa caminhada”.

Paulo Menezes é meliponicultor e cronista

Nota do Blog – Vai dar tudo certo, Paulo! Estamos todos na torcida e na fé!

Amém!

*Crônica (e Nota do Blog) publicada no dia 9 de maio último (veja AQUI), quando o autor revelou estar com a doença que acabou provocando sua morte no dia passado (veja AQUI). É uma singela homenagem do Nosso Blog, local que abrigou inúmeras crônicas e artigos seus.

Descanse em paz, Paulo.

Veja AQUI série de textos publicados por Paulo Menezes em nossa página.

Vivendo um pesadelo

mar e sol, águas do mar, oceano,Por Paulo Menezes

Estou hoje, recolhido no meu “cantinho”, na praia do meio, em Natal. Isolado do mundo. Diferente de tantas outras vezes, em que do meu pequeno,  porém aconchegante apartamento, me mostrava um cenário de uma beleza sem par.

Ao fundo a ponte Newton Navarro, o estuário do rio Potengi e a beleza do majestoso oceano, que em dias ensolarados, como hoje, limpava a vista, extasiado com a beleza da cor verde azulada do sagrado mar.

Só que hoje, o que vejo é um cenário totalmente diferente. Triste, interrogativo e indefinido. Mesmo assim, esperançoso, pois sou um homem de fé.

É que apesar de ter tomado duas doses da vacina para a Covid-19, o cuidado de sempre usar dupla máscara, preocupado com o distanciamento social, até por pertencer ao grupo de risco, para minha surpresa, após um exame laboratorial, na tarde de hoje (sexta-feira, 6), testei positivo para  a horrível praga.

Como a viagem não estava prevista, fui convocado de última hora por meus filhos e noras em caráter de emergência, alegando os mesmos que aqui teriam mais condições de me darem uma assistência maior. E é o que tem ocorrido.

Nessa mudança de endereço, que com a graça de Deus, creio, será temporária, deixei em Mossoró, meus livros de cabeceira, que nessas horas difíceis, serve como um verdadeiro bálsamo para o espírito. “Dias de Domingo” e “Veredas do meu Caminho” do mestre Dorian Jorge Freire, que segundo o professor Vingt-Um Rosado, era o gênio da raça mossoroense.

Esses companheiros que sempre conduzo comigo, no atropelo da viagem, deixei na terrinha e está me fazendo muito falta. Mas, como dizia no início dessa narrativa, hoje o que se apresenta para mim é um misto de dúvida e interrogação. A doença é cruel e traiçoeira.

Entra em nossa vida sem pedir licença, para infernizar nossos dias e nos privar de ver nossos entes mais queridos, razão maior de nossa vida nos dias atuais.

Deus, me deu a graça de ter Simone, minha companheira há 57 anos, dois filhos maravilhosos, duas noras admiráveis e quatro netos que todo avô gostaria de ter. Por isso mesmo, tendo a família formidável que tenho, acometido da terrível doença, me vejo questionando sobre a vida.

E sobre o tema, alguém usando o anonimato afirmou que: “A vida é imprevisível e é isso que a torna bonita. Não podemos saber o que o futuro reserva, portanto, tudo é possível. Não somos a mesma pessoa a cada acontecimento em nossa vida. Nos reinventamos constantemente depois dos tropeços, das dores, das feridas, dos dissabores, buscando na fé e na vontade de seguir, um motivo a mais para continuar nossa caminhada”.

Paulo Menezes é meliponicultor e cronista

Nota do Blog – Vai dar tudo certo, Paulo! Estamos todos na torcida e na fé!

Amém!

Veja resultados e história de 52 anos de eleições municipais

Blog Carlos Santos volta a publicar trabalho ímpar para servir aos seus webleitores, que tem se tornado referência em cada campanha eleitoral nos últimos anos. Trata-se de levantamento atualizado de resultado e cenário político das eleições municipais de Mossoró desde 1968.

Ao todo, damos um resumo de 13 eleições municipais – o que compreende quase 52 anos de história.

É um exaustivo levantamento sobre os pleitos municipais mossoroenses, tarefa que na verdade nunca está completa. Novos dados se incorporam, informações são ajustadas, leitura e releitura de fatos são feitas, bastidores e conjuntura de cada pleito são dissecados.

O esforço é no sentido de continuarmos ofertando produto diferenciado aos nossos webleitores. Ao mesmo tempo, reitero que no uso de dados parcial ou por completo, não esqueça de citar a fonte. É uma questão de ordem legal, mas principalmente respeito ao trabalho árduo que realizamos.

Aproveite!

Eleições de 1968 (Fonte:  Vingt-un Rosado, Coleção Mossoroense):

– Antônio Rodrigues (Arena 2/verde) – 11.132 votos;
– Vingt-un Rosado (Arena 1/vermelha) – 11.034 votos;
– Maioria – 98 votos a favor de Antônio Rodrigues.

O pleito municipal de 1968 foi emblemático. Quem viveu essa disputa testemunhou (participou) da mais renhida campanha municipal mossoroense de todos os tempos.

Antônio Rodrigues : 98 votos

A vitória de “Toinho do Capim” (Antônio Rodrigues) foi comandada nas últimas 72 horas pelo ex-governador Aluízio Alves, que fez mais de 170 comícios-relâmpagos, com resultado tida até então como improvável, sobre Vingt-un Rosado.

O líder enfrentou e contrariou grupo de aliados locais na escolha de Toinho, pois desejavam o médico Cid Duarte, filho do senador Duarte Filho, como candidato a prefeito.

Eleições de 1972 (Colaboração: Bruno Barreto):

– Dix-huit Rosado (Arena) – 16.194;
– Lauro Filho (MDB) – 11.995;
– Brancos – 205;
– Nulos – 296;
– Maioria Pró-Dix-huit Rosado –  4.199 votos.

O eleitorado habilitado ao voto era de 28.690. Dix-huit venceu as eleições tendo o professor Canindé Queiroz como vice, deixando para trás a chapa Lauro Filho-Emery Costa avalizada pelo aluizismo.

Os Rosado, com a vitória, retomavam o poder em Mossoró, após o hiato provocado pela vitória de Antônio Rodrigues de Carvalho em 1968, que suplantou Vingt-un Rosado nas urnas por apenas 98 votos de maioria.

Eleições de 1976 (Colaboração: Bruno Barreto):

– João Newton da Escóssia (Arena 1) – 20.165
– Leodécio Néo (MDB 1) – 10.840
– Assis Amorim (MDB 2) 6.970
– Antônio Rodrigues de Carvalho (Arena 2) – 1.327
– Maioria Pró-João Newton sobre a soma dos emedebistas  – 2.355 votos.

Neste ano, o regime militar em curso produziu o casuísmo da “sublegenda”, permitindo que o mesmo partido pudesse ter mais de um candidato. Vivíamos fase do bipartidarismo (Arena e MDB). A ideia era sufocar a “oposição consentida”, feita pelo MDB, que possuía bem menor representatividade em todo o país, com condições raquíticas de lançar mais de um candidato a prefeito.

Em Mossoró, com melhor representatividade oposicionista, o MDB chegou até a apresentar duas candidaturas, mas o cunhado do líder Vingt Rosado (Arena), João Newton da Escóssia, levou a melhor com folga – tendo o empresário Alcides Fernandes, o “Alcides Belo”, como vice.

Eleições de 1982:

Dix-huit: cartaz de campanha em 82 (Foto: Arquivo)

– Dix-huit Rosado (PDS) – 21.510 (41,68%);
– João Batista Xavier (PMDB) – 15.466 (29,97%);
– Canindé Queiroz (PDS) – 4.388 (8,50%);
– Mário Fernandes (PT) – 428 (0,83%);
– Paulo R. Oliveira (PTB) – 48 (0,09%);
– Brancos – 8.145 (15,79%);
– Nulos – 1.621 (3,14%);
– Abstenção – 15.435 (23,02%);
– Maioria Pró-Dix-huit – 6.044 (11,71%).

O eleitorado habilitado ao voto era de 67.041, em 275 secções. Compareceram 51.606 (76,98%) eleitores. A abstenção atingiu um recorde com 15.435 (23,02%) votantes.

Neste ano também ocorreram eleições para Governo do Estado, deputado estadual, deputado federal, além de uma vaga ao Senado e Câmara Municipal. Foram as primeiras eleições com a retomada do pluripartidarismo, na reta final do regime militar de 1964. O mandato dos prefeitos/vereadores foi de 6 anos em vez de 4, como temos desde o pleito de 1988.

Com a existência do casuístico instituto da sublegenda, cada partido poderia lançar mais de um candidato a prefeito, foi o que ocorreu em Mossoró. O grupo Rosado, unido, lançou Dix-huit Rosado pelo PDS.

Já o sistema Maia apresentou o jornalista Canindé Queiroz, pelo mesmo partido, para dar suporte à candidatura a governador do engenheiro e ex-prefeito indireto de Natal, José Agripino Maia (PDS). Agripino venceu seu principal adversário, o ex-governador Aluízio Alves (PMDB), com mais de 107 mil votos de maioria no estado.

Eleições de 1988:

– Rosalba Ciarlini (PDT) – 37.307 (49,7%);
– Laíre Rosado (PMDB) – 30.226 (40,2%);
– Chagas Silva (PT) – 2.507 (3,3%);
– Brancos – 3.594 (4.8%);
– Nulos – 1.503 (2%);
– Abstenção – 5.180 (6,44%);
– Maioria Pró-Rosalba – 7.081 (9,5%).

Rosalba foi eleita três vezes, a começar de 1988 (Foto: reprodução do Blog Carlos Santos)

O eleitorado habilitado ao voto era de 80.397, em 275 secções. Compareceram 75.217 eleitores. As abstenções foram de 5.180 votantes. Pela primeira vez na história, dois integrantes da família Rosado disputam o voto diretamente, na luta pela Prefeitura de Mossoró.

Rosalba, mulher do então deputado estadual Carlos Augusto Rosado (PFL), leva a melhor em chapa ao lado do empresário Luiz Pinto (genro do vice-prefeito à ocasião, empresário Sílvio Mendes).

O prefeito Dix-huit Rosado, só no mês final de campanha anuncia seu apoio à Rosalba, num momento em que ela já tinha dianteira em relação a Laíre Rosado (PMDB) e de sua vice Rose Cantídio (PMDB).

Eleições de 1992:

– Dix-huit Rosado (PDT) – 37.188 (47,79%);
– Luiz Pinto (PFL) – 32.795 (42,15%);
– Luiz Carlos Martins (PT)– 6.557 (8,43%);
– Paulo Linhares (PSB) – 1.273 (1,64%);
– Brancos – 5.669 (6,49%);
– Nulos – 3.913 (4,48%);
– Abstenção – 11.381 (11,42%);
– Maioria pró-Dix-huit Rosado – 4.393 (5,64%)

O eleitorado cadastrado à época era de 99.623. Compareceram 87.395, as abstenções chegaram a 11.381 e os votos nominais atingiram 77.813.

Tendo Sandra Rosado (PMDB) como vice, sua sobrinha e filha do irmão Vingt Rosado (deputado federal), Dix-huit retoma hegemonia política. Em 1988 os dois irmãos tinham rompido politicamente, devido o apoio de Dix-huit à Rosalba.

Eleições de 1996:

Sandra e Francisco José (pai): humilhação (Foto: reprodução)

– Rosalba Ciarlini (PFL) – 57.407 (52,64%);
– Sandra Rosado (PMDB) – 26.118 (28,50%);
– Jorge de Castro (PT) – 4.878 (5,32%);
– Valtércio Silveira (PMN) – 3.237 (3,53%);
– Brancos – 1.549 (1,69%);
– Nulos – 3.802 (…);
– Abstenção – 17.227 (15.08%)
– Maioria pró-Rosalba Ciarlini de 31.289 (24,14%).

Existiam 114.218 eleitores aptos, mas compareceram 96.991. As abstenções atingiram 17.227 (15.08%), com 91.640 sendo a votação nominal.

Rosalba tem vitória acachapante, graças principalmente ao desgaste do prefeito Dix-huit Rosado, que lançou o engenheiro e seu ex-secretário de Obras Valtércio Silveira como candidato governista. Sandra Rosado, dissidente do prefeito e tio, enveredou por candidatura próprio com a companhia do deputado estadual Francisco José (pai), mas experimentou resultado humilhante também.

Eleições de 2000:

– Rosalba Ciarlini (PFL)– 57.369 (54,86%);
– Fafá Rosado (PMDB) – 42.530 (40,67%);
– Socorro Batista (PT) – 4.447 (4,25%);
– Mário Rosado (PMN) – 228 (0,22%);
– Brancos – 1.757 (1,59%);
– Nulos – 4.395 (3,97%);
– Abstenção – 17.168 (13.42%)
– Maioria pró-Rosalba Ciarlini de 14.839 (14,19%).

Existiam 127.894 eleitores aptos, mas compareceram 110.726. As abstenções atingiram 17.168 (13.42%), com 104.574 (94.44%) sendo a votação nominal em 358 urnas.

Rosalba foi candidata utilizando o novo instituto da reeleição. Enfrentou o grupo da adversária e prima Sandra Rosado, que temendo novo fracasso direto apostou no nome da enfermeira (e prima) Fafá Rosado, que nunca disputara uma campanha eleitoral.

Num comparativo com as eleições de 1996, esses números guardam uma preciosidade. Rosalba obteve menos votos do que na eleição anterior.

Enquanto em 96 tinham sido 57.407 em eleitorado de 114.218 aptos, em 2000 – contra Fafá, conseguiu 57.369 num contingente de 127.894 aptos. Ou seja, 38 votos a menos, apesar de aumento de 13.676 votantes.

Eleições de 2004:

– Fafá Rosado (PFL) – 57.743 (49,06%);
– Larissa Rosado (PMDB) – 34.688 (29,45%);
– Francisco José (PSB) – 21.210 (18,02%);
– Crispiniano Neto (PT) – 4.083 (3,47%);
– Brancos – 2.063 (…);
– Nulos – 5.708 (…);
– Abstenção – 17.376 (12%);
– Maioria pró-Fafá Rosado de 23.075 (19,61%).

Existiam 143.235 eleitores aptos, mas compareceram 125.475. As abstenções atingiram 17.376 (12%).

Nesta eleição, Fafá foi cooptada pelo primo Carlos Augusto para ser candidato do seu grupo, na sucessão de Rosalba. Venceu com relativa facilidade à deputada Larissa Rosado, filha de Sandra.

Eleições de 2008:

– Fafá Rosado (PFL) – 65.329 (53,01%);
– Larissa Rosado (PSB) – 46.149 (37,44%);
– Renato Fernandes (PR) – 11.306 (9,17%);
– Heronildes Bezerra, “Heró”  (PRTB) – 464 (0,38%);
– Brancos – 3.678 (2%);
– Nulos – 7.400 (5%);
– Abstenção – 18.701 (12%)
– Maioria pró-Fafá Rosado de 19.018 (16%).

Existiam 153.027 eleitores aptos, mas compareceram 134.326. Desse volume, 123.248 foram considerados válidos. As abstenções atingiram 18.701 (12%). Existiam 416 seções eleitorais.

Outra vez a força do rosalbismo e estrutura da Prefeitura deixaram a filha de Sandra Rosado, a deputada estadual Larissa Rosado, em segundo lugar.

Eleições de 2012:

Larissa e Cláudia: disputa acirrada (Foto: arquivo)

– Cláudia Regina (DEM) – 68.604 (50,90%);
– Larissa Rosado (PSB) – 63.309 (46,97%);
– Josué Moreira – 1.932 (1,43%);
– Raimundo Nonato Sobrinho, “Cinquentinha” (Psol) – 948 (0,70%);
– Edinaldo Calixto (PRTB) – 0 (0%);
– Brancos – 2.323 (1,61%);
– Nulos – 6.737 (4,68%);
– Abstenção – 21.122 (12,80%);
– Maioria pró-Cláudia Regina de 5.295 (3,93%).

Existiam 164.975 eleitores aptos. Desse volume, 134.793 (93,70%) foram considerados válidos a prefeito, 137.463 votos válidos à Câmara Municipal, entre votos diretos aos candidatos (283 ao todo) e os votos de legenda. O comparecimento ocupou 460 secções organizadas pela Justiça Eleitoral.

As abstenções atingiram 21.122 (12,80%).

A chapa Cláudia Regina-vice Wellington Filho (PMDB), apesar de eleita por pouca margem de votos em relação à Larissa Rosado (PSB)-vice Josivan Barbosa (PT), terminou sendo cassada em 4 de dezembro de 2013, quando faltava poucas semanas para completar o primeiro ano de gestão. Vereadora, recebera maciço apoio das estruturas da Prefeitura e do Governo do Estado, ocupados respectivamente pelas aliadas Fafá Rosado (DEM) e Rosalba Ciarlini (DEM).

Eleições de 2014 (Pleito Suplementar):

– Francisco José Júnior (PSD) – 68.915 (53,31%);
– Larissa Rosado (PSB) – 37.053 (27,55%);
– Raimundo Nonato Sobrinho, “Cinquentinha” (Psol) – 3.825 (4,90%);
– Josué Moreira (PSDC) – 3.025 (3,88%);
– Gutemberg Dias (PCdoB) – 2.265 (2,90%);
– Brancos – 4.428 (3,29%);
– Nulos – 15.000 (11,15%)
– Abstenção – 30.429 (18,45%);
– Maioria pró-Francisco José Júnior de 31.862 (25,76%).

A apuração apontou ao final o total de 134.511 (81,55%) votos válidos, no dia 4 de maio de 2014. Mossoró tinha 164.940 eleitores aptos ao voto.

Houve alto percentual de abstenção, com 30.429 (18,45%) votos. Foi a primeira eleição suplementar da história de Mossoró, em face da cassação e afastamento da prefeita eleita em 2012, Cláudia Regina (DEM), no dia 4 de dezembro de 2013. Ela ainda tentou concorrer no pleito suplementar, mas não obteve registro e seu partido não promoveu substituição.

A Justiça Eleitoral tinha colocou em funcionamento 514 urnas eletrônicas distribuídas pelos 72 locais de votação durante o pleito. Pela primeira vez, também, foi utilizado o sistema biométrico de identificação do eleitor. Foram juízes no pleito os magistrados Ana Clarisse Arruda (34ª Zona) e José Herval Sampaio Júnior (33ª Zona).

Eleições de 2016:

– Rosalba Ciarlini (PP) – 67.476 (51,12%)
– Tião Couto (PSDB) – 51.990 (39,39%)
– Gutemberg Dias (PCdoB) – 11.152 (8,45%)
– Josué Moreira (PSDC) –  1.370 (1,04%)
– Francisco José Júnior (PSD) – 602 (Votos inválidos)
– Branco – 2.974 (2,06%)
– Nulo – 9.416 (6,54%)
– Válidos – 131.988 (91,40%)
– Eleitores Aptos – 167.120
– Abstenção – 22.683 (13,59%)
– Maioria pró-Rosalba Ciarlini de 15.486 (11,73%).

Tião e Jorge: estreia em 2016 (Foto: arquivo)

O pleito municipal de 2016 foi marcado por um acontecimento incomum, em se comparando com diversas eleições anteriores desde o fim dos anos 80 do século passado: o clã Rosado juntou suas principais forças, que se digladiavam há quase 30 anos.

O grupo da ex-prefeita (três vezes), ex-senadora e ex-governadora Rosalba Ciarlini (PP) atraiu o sistema da prima e ex-deputada federal Sandra Rosado (PSB), numa aliança que parecia não ter adversários.

Mas, o movimento “Mossoró Melhor” que começou a se desenhar em meados de 2015, em costura dos empresários Michelson Frota, Tião Couto e Jorge do Rosário, acabou apresentando chapa que cresceu dentro da própria disputa, ameaçando uma “vitória certa” de Rosalba e sua vice Nayara Gadelha (PP).

A campanha teve ainda pela desistência (AQUI) de candidatura do prefeito Francisco José Júnior (PSD), que tinha sido eleito em maio de 2014 à municipalidade, em eleição suplementar. Com altos índices de reprovação, custou a tomar essa decisão, quando tudo indicava bem antes da campanha, que não teria a menor condição de competir.

Veja clicando AQUI, uma série de matérias especiais que resumem como foi essa disputa vencida por Rosalba e Nayara.

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O Touro e o Capim

Por Odemirton Filho

“Não sei por quantos votos, mas vamos ganhar a eleição”. (Aluízio Alves)

Diz o jornalista Zuenir Ventura, em seu livro “1968: O ano que não terminou”, que naquele ano o mundo pegou fogo. Foi um ano que incendiou corações e mentes, explodiu em canções, filmes, passeatas, revoluções e guerras.

Toinho: vitória apertada (Foto: arquivo)

No “país” de Mossoró não foi diferente. Em 1968 a disputa eleitoral a prefeitura entre Jerônimo Vingt-un Rosado Maia e Antônio Rodrigues de Carvalho “pegou fogo”.

De um lado, Vingt- un Rosado (vinte e um em francês), homem das letras e de família tradicional na política. No jogo do bicho, o número vinte e um é o do “touro”, daí o surgimento do apelido na campanha eleitoral.

Já Antônio Rodrigues de Carvalho era do sítio Capim Grosso, município de Upanema, por isso o chamaram, naquele pleito, “Toinho do Capim”.

Vamos aos fatos, de acordo com as reminiscências de Aluízio Alves.

Segundo Aluízio, Mota Neto, político de Mossoró, o procurou, pois queria impor uma derrota aos Rosados na campanha eleitoral, achando que Antônio Rodrigues de Carvalho era o candidato certo.

Aluízio não se opusera, porém quis consultar as “senadoras”, um grupo de mulheres de Mossoró que dava sustentação ao seu projeto político. Elas insistiam que o nome deveria ser do próprio sistema, com preferência por Cid Duarte, rebento do senador Duarte Filho.

O candidato foi Toinho, que já tinha sido eleito em 1957 à prefeitura, com apoio dos Rosados.

Duarte ficou longe da campanha. Numa carta a Aluízio assumiu essa posição e avisou que votaria em Vingt-un.

No início da campanha tudo caminhava para a vitória do “Touro”. As pesquisas encomendadas pelo grupo de Aluízio apontavam que o “Capim” perderia por número esmagador.

Entretanto, o grupo do “capim” foi à luta. As “senadoras” organizaram uma passeata de 72 horas no “Caminhão da Esperança”, com parada de meia em meia hora, na quais o “cigano feiticeiro” pudesse discursar.

Sob o sol escaldante de Mossoró, Aluízio começou a maratona eleitoral. No decorrer das 72 horas muitos fatos ocorreram. Assim, era comum que, ao término das aulas, os estudantes e professores seguissem a passeata.

As empregadas domésticas foram convidadas a participar, largando as cozinhas e as casas, trazendo nas mãos uma colher como símbolo de identificação, às vezes, gritando o nome de suas patroas.

A passeata, também, passou pelo comércio de Mossoró, fazendo com que parte dos comerciantes fechasse as lojas, pois clientes e empregados começaram a segui-la.

Ou seja, uma multidão começou a acompanhar a passeata no decorrer das 72 horas. Algumas pessoas carregavam um ramo verde nas mãos. Uma “floresta ambulante”, lembra Aluízio.

Alves, de igual, modo percorreu parte da zona rural do município de Mossoró, até a divisa com o Ceará, levando o nome de seu candidato.

Começara a virada.

Após uma desgastante campanha eleitoral, fechadas as urnas, era o momento de aguardar a contagem dos votos.

Quando começou a apuração o “touro” saiu à frente. As urnas sendo apuradas e Vingt-un ganhando. Alguns de seus correligionários, no calor, apostavam dinheiro na vitória e soltavam fogos de artifícios.

Contudo, Aluízio acalmava os eleitores do “capim” que estavam desolados com a perspectiva da derrota. As nossas urnas vão chegar, dizia.

E chegaram.

No final da apuração, Antônio Rodrigues de Carvalho, “Toinho do capim”, ganhou a eleição para prefeito de Mossoró por 98 votos de maioria sobre Vingt-un Rosado, o “ Touro”.

Foi uma festa. Das grandes. “É o capim, meu filho”!

Há, ainda, um “causo” hilário, contou-me meu pai.

Vingt-un, com sua comitiva, em andanças na campanha eleitoral pelos lados da cidade de Baraúna, foi visitar a bodega que pertencia a uma pessoa da região, conhecida por “Priminho”. O vereador Expedido Bolão, seu correligionário, era o guia nessas visitas.

Lá estando, sentou-se à mesa e começou a comer o que o dono do estabelecimento lhe oferecia.

“Priminho” estava feliz da vida, pensava que venderia muito, pois era uma ruma de gente que acompanhava o candidato. “Mais um “queijim”, Dr. Vingt-un”“Aceito, é bom”. E o “Touro” continuava a comer.

Lá pra tantas Vingt-un se levantou e, pensando que o lanche era uma cortesia de “priminho”, apertou a sua mão, agradeceu e foi embora sem pagar.

Eleições de 1968 (Fonte:  Vingt-un Rosado, Coleção Mossoroense):

– Antônio Rodrigues (Aena 2/verde) – 11.132 votos;
– Vingt-un Rosado (Arena 1/vermelho) – 11.034 votos;
– Maioria – 98 votos a favor de Antônio Rodrigues.

“Priminho”, cabisbaixo por causa do prejuízo, chamou uma das pessoas que acompanhava Vingt-un e implorou, quase chorando: “por favor, nunca mais traga esse “touro” aqui”.

Se é verdade, não sei, mas é mais uma das muitas histórias que ilustraram aquela memorável campanha.

Pois é. Realmente 1968 foi um ano atípico em todo o mundo. E dizem, cá por estas bandas, que a disputa entre o “touro” e o “capim” foi a mais bela campanha eleitoral que Mossoró já viu.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

Respeite-se a Coleção Mossoroense

Por Marcos Ferreira

Quando dei meus primeiros passos nessa difícil jornada da literatura, “eu era apenas um rapaz latino-americano”, um mossoroense de súbito apanhado pelo feitiço das palavras. Mas não fazia ideia do quanto penoso era (e continua sendo) subsistir como literato em Mossoró. Pois aqui, infelizmente, e desde sempre, toma-se por cultura, na esteira de insânias outras, a poluição sonora, a promíscua fuzarca dançante protagonizada por bandas de forró coprofílico na Estação das Artes, espaço este que não honra tanto, como se sugere, a memória do poeta repentista Elizeu Ventania.

Em mais um exemplo, resumem nossa expressão artística a grandiosos e pirotécnicos shows teatrais no patamar da São Vicente. Tais shows, verdade seja dita, possuem seus méritos, fazem jus aos patrocínios que obtêm. Todavia, projetos caça-níqueis, como os famigerados carnavais fora de época, abocanham consideráveis cifras do erário e de certas empresas que se vendem como sensíveis ao engrandecimento da cultura desta cidade farsesca.Enquanto isso, na Sala de Injustiça, ignora-se solenemente — tem sido assim desde os primórdios — a indiscutível importância de uma batalha abnegada, de fato louvável, em favor da nossa arte e literatura. É o que ainda nos oferece, a duras penas, a Coleção Mossoroense. Trabalho hercúleo (dane-se o lugar-comum), pensado, regido e nutrido até o seu último fôlego por um homem pertinaz, incansável, que empenhou a vida para que essa Coleção vivesse.

Mais que um mecenas, Vingt-un Rosado foi um lutador, um Dom Quixote que enfrentou todas as probabilidades de fracasso, todo o descaso, insensibilidade e mesquinhez de um Executivo e de um Legislativo que apregoam, entre outras anedotas, trabalhar pela educação, arte e cultura deste país de Mossoró.

Alquebrada, ferida de morte pela inanição financeira, a Coleção Mossoroense ultrapassa os setenta anos no limite de suas forças. Sua existência está por um fio. Isso é uma lástima, representa uma nódoa inamovível, uma vergonha para esta cidade.

É imoral que uma obra de fato imprescindível, relevante para a nossa cultura, seja tratada assim, com frieza, menosprezo. Respeite-se a Coleção Mossoroense! Respeite-se o legado e a memória de Vingt-un!

Ao contrário do que ocorre em Mossoró, mesmo em estados e cidades com menor arrecadação fiscal, vemos prefeituras e secretarias municipais e estaduais de cultura incentivando os seus escritores de forma respeitosa, efetiva. Portanto, devido a tanta insensibilidade, tanto desdém, descaso, sinto que estou malhando em ferro frio, pregando no deserto, produzindo literatura em uma terra em que os donos dos erários municipal e estadual não dão a mínima para o trabalho do homem de letras, não se interessam por assistir nem concorrer para a fomentação e relevância da literatura.

Ache ruim quem quiser, abomino esse expediente vergonhoso que os governos, empresas e organizações adotam perante a Coleção Mossoroense. Colocam em menor conta os esforços vingt-unianos que já foram empreendidos para fecundar e promover o surgimento de novos valores no universo desta província iletrada.

Vingt-un, acrescento, foi um bravo, um guerreiro.

É incrível como reuniu tanta força, tanta perseverança para carregar essa Coleção nas costas durante décadas a fio. Um homem desses, ouso asseverar, merece uma estátua monumental em praça pública. Quem sabe em algum ponto da Praça Rodolfo Fernandes (popularmente conhecida como Praça do Pax, hoje extirpada de árvores, de sombra, reduzida a concreto e cerâmica), que tem servido muito mais para depósito de fezes e recreio de pombos.

Nada contra os columbiformes.

Marcos Ferreira é escritor

Noite da Cultura faz homenagem a Vingt-un Rosado

Vingt-un: cultura (Foto: arquivo)

Às 19h30 desta quinta-feira (27), no Templo da Loja Maçônica Jerônimo Rosado, em Mossoró, acontecerá o evento “Noite da Cultura” e a “29° Sessão Magna Pública”. O homenageado será o saudoso professor Jerônimo Vingt-un Rosado Maia.

Antes, a partir das 18 horas, começará exposição de artes plásticas e literárias, intervenções artísticas e música instrumental.

Na Sessão Magna Pública haverá palestra sobre o tema “Cultura e Ética”, com a professora Vanda Maria Jacinto, além de apresentação instrumental com o pianista Gideão Lima.

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Encontro de Genealogia homenageará Vingt-un Rosado

Caicó vai sediar de 19 a 22 de julho o “Encontro Nordestino de Genealogia”. Acontecerá no Salão Nobre da Prefeitura Municipal e no Templo do Family Search.

Palestras e Mesas Redondas Nordestinas & Exposições vão marcar o evento.

Também haverá homenagem no dia 21, a Vingt-un Rosado (já falecido), professor, pesquisador, escritor, genealogista e criador da Coleção Mossoroense, o maior acervo de livros do país, com enfoque especial do Nordeste.

O que é Genealogia? A genealogia é uma ciência auxiliar da história que estuda a origem, evolução e disseminação das famílias e respectivos sobrenomes ou apelidos. A definição mais abrangente é “estudo do parentesco”.

Conheça AQUI a história da Coleção Mossoroense.

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Vicente Serejo fala sobre Vingt-un e Coleção Mossoroense

Serejo: Coleção Mossoroense (Foto: Blog CS)

O jornalista e escritor Vicente Serejo profere hoje (segunda-feira, 25), às 19h, a palestra “Vingt-un: Uma militância Editorial”, falando sobre a “Coleção Mossoroense”, vasta produção editorial criada pelo homenageado.

Será no Teatro Municipal Dix-huit Rosado em Mossoró.

O evento faz parte do Seminário “Cultura: O País Vingt-un – Contribuição do professor Vingt-un Rosado para a Cultura Potiguar”, promovido pela Fundação José Augusto (FJA), Fundação Vingt-un Rosado, Prefeitura Municipal de Mossoró e Sociedade Amigos da Pinacoteca.

Na mesma noite será lançada a biografia autorizada “O Criador do País de Mossoró”, assinada pelo pesquisador Geraldo Maia, que versa sobre a vida e obra de Vingt- un. O livro tem a orelha assinada por Maria Lucia Rosado e ilustrações do artista visual Iran.

A programação se estenderá até amanhã.

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Loja Maçônica vai homenagear Vingt-un Rosado amanhã

Será amanhã (quinta-feira, 21), às 19h30, a XXVIII Sessão Magna Branca em homenagem ao professor Jerônimo Vingt-un Rosado Maia (já falecido).

A iniciativa é da Loja Maçônica Jerônimo Rosado, situada à Rua Inácio Vale, 600, Planalto 13 de Maio.

O evento está incluído dentro da XLIII Noite da Cultura da Jerônimo Rosado.

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O boi de dr. Chico e o voto de Vingt-un

Por Marcos Pinto

As pelejas eleitorais têm deixado um manancial de fatos folclóricos superpostos nos anais do tempo. Em Mossoró não tem sido diferente. As pugnas envolveram personagens de diferentes matizes personalísticos e partidários. Esforços inauditos enalteceram protagonistas que se distinguiram pelo espírito de renúncia.

O pleito do ano de 1957 revestiu-se de um caráter especial, dado o inusitado fato do líder Vingt Rosado ter reassumido o cargo de prefeito (afastara-se em licença por quase um ano) para, diante urna cidade atônita, lançar e apoiar decisivamente a candidatura do médico Antônio Rodrigues de Carvalho à prefeitura de Mossoró, enfrentando a candidatura do também médico Francisco Duarte Filho.

Conta-se, ainda hoje, que neste embate observa-se o emprego virulento da maledicência, da calúnia, da delação, da vingança e toda essa caterva de paixões inimiga da felicidade, acumuladas em alguns expoentes da politicagem de aldeia. A nobre seriedade com que Dr. Chico Duarte respondia aos ataques que lhe eram feitos revelava que era um homem de caráter marcado, de personalidade alheia a condicionamentos eventuais, contrastando com a servil postura de seu opositor.

A candidatura de Antônio Rodrigues significava o endosso e urna idolatria que confundia coisas distintas e cobria intuitos oligárquicos. Por sua vez. A de dr. Duarte Filho refletia a necessidade de mudança, de adoção de novos métodos administrativos em consonância com os reais anseios popa ares.

Naqueles remotos dias a plebe ignara tinha a mente intoxicada pela peçonha do ódio e da paixão, dividindo famílias, inimizando antigos companheiros, num caudal de traições sem precedentes. O médico Duarte Filho descendia de tradicionais estirpes, troncos de colonizadores e homens de negócios que desenvolveram atividades na Ribeira de Santa Luzia de Mossoró era um homem filiado à velha escola das definições partidárias e seriedade dos compromissos assumidos, de atitudes claras e rumos definidos. A todos dispensava a fidalguia do trato e a opulência de sua mesa.

Impressionava o cenário envolvente os comícios dos dois candidatos. Nas passeatas de Duarte entoava-se, à plenos pulmões a célebre canção do Pisa na Fulô. 0 povo cantava num ritmo frenético, cadenciado e sincronizado com o forte bater do pé direto no chão (o que provocava intensa poeira) e cantavam: Pisa na Fulô, pisa na Fulô, Dr. Chico piá prefeito e depois pra governador!…

No dia da acirrada eleição ouvia-se mesma canção, com diferente paródia, assim expressa: Pisa na Fulô/ Escorrega no capim/ comi do boi de Duarte/ms votei foi em Tonhim.

A quadrinha expressa o fato de que era costume, à época, fornecerem-se almoços os eleitores no dia da eleição, abatendo-se vários bois para atender à contento o eleitorado de cada um dos candidatos nos comícios de Antônio Rodrigues foi adotado, por Vingt, a tática do contágio emocional, deliberando em levar o povo a cantar o hino de sua campanha a prefeito em 1952, reavivando na memória popular o irmão falecido tragicamente há seis anos. E o eleitor de Vingt, que votava em Tonhim, cantava fervorosamente: Vingt Rosado surge agora/ como guia, um condutor/ todo povo aplaude e segue/ Num tributo a seu valor/ vamos todos para a luta/ uma vez com um homem só/ pela terra brasileira se levante Mossoró!…

Duarte Filho tinha, ainda, os velhos compadres que as rusgas e as desinteligências da política não conseguiram superar, nem diminuir a confiança e a estima. Era visível a sua liderança, o bem querer que lhe devotavam seus eleitores. Genildo Miranda era o seu companheiro de chapa, disputando o cargo de vice-prefeito. Tinha uma verve estonteante, hipnotizante. Os seus carismáticos discursos espraiavam intensa identificação junto à mesa eleitoral. Era deveras administrado por todos e querido pela maioria. Punha a condição da serenidade acima das paixões do partidarismo dominante.

Aproximava-se o dia da eleição. O frenesi tomava conta da cidade. Observa-se que a candidatura de Chico era amplamente acolhida e festejada, com claros sinais de iminente vitória. Há quem diga à boca miúda que, diante da crescente candidatura de dr. Chico Duarte, preconizando sucesso, iniciou-se um curso sigiloso nos escaninhos da memória maquinal, objetivando pregar uma “brejeira” nas urnas de Baraúna, já que as de Mossoró sinalizavam para uma vitória de Duarte.

Diz-se que um determinado tabelião era senhor de uma versatilidade assombrosa no ramo de forjar títulos eleitorais para beneficiar candidatos ligados à situação, agindo em consonância com deliberações preliminares para tal fim. Hipnotizavam os contrários na degradação abominável dos conchavos. Antônio Rodrigues era candidato entregue absolutamente ao personalismo dos homens do poder.

Diante as movimentações eleitorais escusas, pressentia-se o degringolar da derrota de dr. Duarte. Apuradas as umas de Baraúna. Houve reiteração à tese dos “arranjos” que se aprestaram às escondidas para garantir a vitória de Antônio Rodrigues.

O embate eleitoral de 1957 em Mossoró, fez escola. Aluízio Alves, tendo tomado ciência da “brejeira” nas urnas de Baraúna, desse mesmo “artifício “para, em 1968, infligir derrota à Vingt-un Rosado, beneficiando assim, outra vez, o sr. Antônio Rodrigues de Carvalho.

“Não há amigos nem inimigos políticos em se largando o mando e as pretensões a ele”.

Inté.

Marcos Pinto é escritor e advogado

Coleção Mossoroense vai sobreviver, garante seu presidente

O Blog Carlos Santos recebe correspondência do médico Dix-sept Rosado Sobrinho, presidente da Fundação Vingt-un Rosado, que dividimos com nossos webleitores.

Trata da Coleção Mossoroense, rico acervo intelectual produzido por essa entidade multidecenal, que é fonte de pesquisa dentro e fora do país.

Leia:

Prezado Amigo Carlos Santos:

Alguns esclarecimentos:

1. No  1º andar do Museu Lauro da Escóssia estão

a) o escritório da Fundação Vingt-un Rosado;

b) o Memorial sobre Vingt-un Rosado;

c) a Biblioteca Particular de Vingt-un Rosado – organizada e catalogada.

c) No andar térreo estão algumas peças da gráfica da Fundação Vingt-un Rosado para ser organizada uma mostra de parte da história da Coleção Mossoroense. Uma peça, a guilhotina, que pesa toneladas, está do lado de fora do museu, aguardando ser colocada para dentro.

d) Reativamos o site da Fundação Vingt-un Rosado que pode ser acessado no www.colecaomossoroense.org.br.

Nele temos notícias oficiais, um grande acervo a ser consultado sem custos e outras informações.

2. Foi transportado para a Biblioteca Ney Pontes Duarte, sob meu pagamento e consentimento com a ajuda de um caminhão cedido pela Prefeitura Municipal de Mossoró, grande parte do acervo da Fundação Vingt-un Rosado/Coleção Mossoroense.

3. Por iniciativa, muito louvável dos que fazem a Biblioteca, iniciou-se uma grande tarefa, a de organizar esta parte da Coleção Mossoroense. O intuito é ficar com 5(cinco) volumes de cada obra, doar a instituições interessadas o restante e atualizar o Catálogo Geral da Coleção Mossoroense.

4. Não autorizamos ninguém a falar oficialmente sobre a Fundação Vingt-un Rosado/Coleção Mossoroense.

5. Apesar da torcida contrária de alguns, a Fundação Vingt-un Rosado/Coleção Mossoroense continua VIVA!

Atenciosamente,

Dix-sept Rosado Sobrinho – Presidente da Fundação Vingt-un-un Rosado.

Nota do Blog – Torço para que todos nós, ligados ou não  umbilicalmente à fundação, possamos garantir a vida desse patrimônio incomensurável às próximas gerações.

Conte conosco.

* À semana passada postamos material retratando situação vivida pela Coleção Mossoroense e providências adotadas, em socorro, pela PMM (veja AQUI).

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Vereadores reagem a exonerações e põem Jório na ‘parede’

Pelo menos 17 vereadores da atual legislatura na Câmara Municipal de Mossoró reagem conjuntamente, subscrevendo uma Nota de Esclarecimento, em contraponto à decisão do presidente desse  poder, vereador Jório Nogueira (PSD), de exonerar quase todos os assessores dos parlamentares, deixando cada um apenas com seu Chefe de Gabinete.

Eles também questionam e censuram justificativas às exonerações, que Jório Nogueira apresentou através de texto oficial distribuído à tarde de hoje à imprensa, denominado de “Comunicado da Presidência” (veja AQUI).

Fundação com custo da ordem de R$ 600 mil este ano é questionada na nota contra Jório (Foto: CMM)

Abaixo, na Nota de Esclarecimento, os vereadores apontam indícios de má gestão e favorecimentos, que na verdade estariam comprometendo as finanças do Legislativo:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Os vereadores da Câmara Municipal de Mossoró que subscrevem este documento, vem a público em primeiro lugar para se solidarizar com os 126 homens e mulheres, trabalhadores, que se esforçam para servir à Mossoró e que, justamente no mês natalino, recebem através de redes sociais a notícia de que foram demitidos, sem receber seus direitos trabalhistas e sem prévia comunicação, colocando-os em muita dificuldade.

Queremos também repudiar nota emitida pela Presidência da Câmara municipal e solicitar esclarecimentos ao vereador Jório Nogueira quanto ao desastre da sua gestão financeira e orçamentária.

O presidente divulgou inicialmente que a Casa precisava demitir assessores dos gabinetes dos vereadores, para solucionar o déficit orçamentário e financeiro estimado em R$ 1,5 milhão. Agora, poucos dias depois, indica que a necessidade de ajuste é da ordem de R$ 1,085 milhão.

Os vereadores exigem explicações em relação aos seguintes questões:

1. Qual o motivo pelo qual a gestão não identificou e divulgou esse problema no início de sua gestão em 2015, propondo e discutindo os ajustes necessários?;

2. No mês de abril de 2016, o presidente declarou, na Presença todos os vereadores, que não havia problema financeiros ou orçamentários na casa. Ele não sabia o que estava acontecendo ou estava mentindo?;

3. Se não havia dinheiro para assumir as despesas, como a gestão criou, ainda em 2015, a Fundação Aldenor Nogueira, que custa R$ 600.000 por ano?;

4. A situação não é justificável, pois a Casa recuperou R$ 800 mil de crédito junto ao INSS. Some-se a esse valor, cerca de R$ 2,3 milhões, que constavam no orçamento para pagamento da verba indenizatória e despesas com comunicação que não efetuadas, totalizando R$ 3,1 milhões de “folga” financeira e orçamentária;

5. Além disso, registram-se aposentadorias de diversos servidores efetivos;

6. Contudo, ao contrário de apresentar saldo, o presidente apresenta um déficit de R$ 1,085 milhão, fato incompreensível;

7. Com a realização de demissão em massa no último mês do ano, Jório vai deixar os recursos necessários para pagamento de todas as rescisões trabalhistas, com indenizações por férias, 1/3 de férias, etc?;

8. O presidente não apresentou justificativas para diversas despesas realizadas, sem as quais a situação seria totalmente diferente, prefere tentar esconder sua incompetência gerencial no termo “gestões anteriores”, sem assumir que aumentou as despesas da casa;

9. O presidente fala que “reconheceu dívida com o Instituto de Previdência dos Servidores da Prefeitura de Mossoró”. A dívida é do exercício corrente, sob comando do próprio Jório Nogueira, que atrasou o pagamento;

10. Jório afirma ainda que o sétimo assessor causou “déficit”, mas não informa que, mesmo com orçamento menor, até 2013 todos os gabinetes tinham 07 (sete) assessores;

11. Jório não explica por que paga gratificação a cargos comissionados, ou porque antecipou seletivamente o pagamento a diversas pessoas que foram demitidas e, ainda mais por que pagou em dinheiro a licença prêmio-vencida (servidor, que foi um dos coordenadores da campanha do presidente, vendeu a licença prêmio). Isso é legal?;

12. Em crise financeira, Jório indenizou as férias da servidora Renata Isadora Melo da Silva (namorada do filho do procurador da Casa), num total de R$ 11.995,20, no mês de outubro, conforme consta no Portal da Transparência;

13. Em 2014, a Casa gastava em média R$ 18,7 mil por mês com aluguel; em 2015 saltou para R$ 23,4 mil; e em 2016 saltou para impressionantes R$ 31 mil por mês;

14. Em sua gestão, a empresa BARBARA GRACIELY DA SILVA BEZERRA recebeu na gestão do atual presidente quase R$ 100.000 para manutenção dos ar-condicionado do plenário. Quantas máquinas foram assistidas? Pois dos gabinetes é custeada pelos vereadores.

15. Mesmo não compreendendo essa situação, pela qual exigimos explicações, convidamos o presidente para que ele apresentasse documentos oficiais com a situação, para discutirmos propostas para solucionar esse desastre gerencial, porém não obtivemos.

16. Entre outras possibilidades, a Casa deve rescindir contratos com empresas privadas em valor equivalente à necessidade orçamentária, já que estamos para encerrar o ano legislativo, que recomeçará em fevereiro de 2017. Nesse caso, é possível suspender despesas com manutenção dos gabinetes, material de expediente, limpeza e segurança, entre outras.

17. Se o presidente é tão honesto quanto diz, por qual motivo NUNCA respeitou o Art. 52, VIII da Lei Orgânica do Município e Art. 26, VII, C e Art. 37 do Regimento Interno, que determina que a Mesa Diretora apresente prestação de contas do mês anterior em plenário, apesar de exaustivamente cobrado pelos edis?

18. Para finalizar, o repasse mensal do Duodécimo em 2014 foi de R$ 1.369.409,05; em 2015 saltou para R$ 1.478.307,10; já em 2016, até outubro, o repasse mensal ficou em R$ 1.563.236,03. Aumento de cerca de R$ 200.000 mensais de 2014 para 2016.

Percebe-se que a palavra crise financeira não caberia para a gestão Jório Nogueira, que viu seus repasses aumentar mês a mês.

Alex do Frango, Alex Moacir, Celso Lanches, Cícera Nogueira, Flávio Tácito, Francisco Carlos, Genilson Alves, Genivan Vale, Heró Alves, Izabel Montenegro, Lahyre Neto, Lucélio Guilherme, Nacízio Silva, Ricardo de Dodoca, Soldado Jadson, Tassyo Mardony, Vingt-Un Rosado.

Os vereadores Tomaz Neto (PDT), Manoel Bezerra (PRTB) e Claudionor dos Santos (PEN) não endossaram a nota.

Nota do Blog – O conteúdo desta nota é nitroglicerina pura. Ministério Público, sinta-se provocado. Ou não?

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