O deputado federal General Girão (PSL) disparou uma ação extrajudicial contra o jornalista e blogueiro Bruno Barreto. Cobra reparos de comentários do profissional, que estariam o associando à defesa de golpismo militar.
Avisa, nesse instrumento ‘amigável’, que se não houver recuo o jornalista-blogueiro “vai arcar com as providências cabíveis”. Ou seja, presume-se, uma ação judicial (e não extrajudicial) por danos morais. É o normal numa democracia ou simulacro disso, que é o que experimentamos.
Numa ditadura seria diferente. Provavelmente, Bruno estaria dando explicações num bate-papo reto com a turma dos porões. Seria “convencido” a não pecar novamente ou “jamais”, caso voltasse de lá. Entende?
Minha solidariedade a Bruno Barreto é irrestrita, absolutamente completa, integral; em terra, ar e mar, no ambiente virtual e qualquer galáxia. Por princípios, não por compadrio ou corporativismo. Até porque, considero que o direito subjetivo de quem se apresenta como ofendido, maculado, tem no ambiente judicial a seara natural e civilizada a seu arrimo.
Vi o material que ele produziu e não sei onde possa ter ocorrido leviandade ou excessos.
Preferiria testemunhar o deputado Girão ser mais atuante em defesa dos interesses do povo do RN em vez de se notabilizar como centurião perpétuo e anteparo permanente do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o que é legítimo, que se diga. Se é sua vontade, vá lá! Seus eleitores parecem satisfeitos.
Um estado pobre como o nosso, com bancada tão minúscula (apenas oito deputados e os três senadores comuns aos demais entes federados), precisa e merece mais. Dele e dos demais parlamentares.
Não fosse a prerrogativa das emendas orçamentárias impositivas, boa parte dos nossos representantes em Brasília não teria absolutamente nada a mostrar como acervo de iniciativas pró-povo e pró-RN.
Confesso-lhe: eu tenho nojo, absoluto nojo de qualquer ditadura, da esquerda à direita e vice-versa. Do híbrido Getúlio Vargas a Fidel Castro; do generalato que comandou o país por décadas a Nicolae Ceauşescu (Romênia); de Francisco Franco (Espanha) a Josef Stalin (URSS).
A liberdade não é um meio, deve ser um fim.
“O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente, de modo que os grandes homens são quase sempre homens maus”, classificou o professor e filósofo Lord Acton. Como o dogma da “infabilidade papal” (um dos grandes absurdos da Igreja Católica), querem nos fazer acreditar que os mandarins não erram jamais. Estão sempre certos e não devem ser questionados.
Para os que defendem esse modelo de autoridade restritiva, acreditando na liberdade, é preciso entender que eles são excludentes. Há um conflito inconciliável. Um pouco de estudo, mesmo raso, vai lhe mostrar que milhares de apoiadores e defensores da ditadura de 1964, acabaram perseguidos por ela – por discordâncias internas. De militares a civis influentes.
Houve, entre os fardados, quem sempre foi contra a quebra da legalidade e acabou tratado pelo regime como “inimigo do povo”, caso do marechal Henrique Teixeira Lott. Foi preso, desterrado da vida pública e em seu sepultamento no Rio de Janeiro, em 1984, lhe negaram até honras militares. Coube ao governador carioca e ex-expatriado politico, Leonel Brizola, ofertar-lhe o mínimo de dignidade com luto oficial de três dias.
Daqui a décadas e séculos, quando forem estudar essa época, com profundidade e distanciamento (inclusive do tempo), pode ter certeza: as referências confiáveis não serão o Twitter oficial de nenhum político e qualquer blog partisan.
Vão farejar dados de quem teimou em seguir a regra básica da “pirâmide invertida” (técnica do jornalismo à matéria factual), buscando resposta às perguntas de sempre: O quê? Quem? Quando? Onde? Por quê?
O jornalista tem um ofício vitalício. Alguns políticos o são hoje, amanhã terão o ostracismo.
Queiram ou não queiram!
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