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Ex-deputada Sandra Rosado é internada com Covid-19

Laíre, Larissa e Sandra: preocupação (Foto: redes sociais)
Laíre, Larissa e Sandra: preocupação (Foto: redes sociais)

Em postagem em suas redes sociais, a vereadora Larissa Rosado (PSDB) comunica que seus pais e ex-deputados federais Laíre Rosado e Sandra Rosado estão com Covid-19. No caso de Sandra, maior preocupação.

Veja abaixo o que Larissa postou, com texto subscrito também por seus irmãos Lahyrinho Rosado Neto e Cid Augusto:

Queremos dividir com vocês notícias sobre a saúde de nossos pais, Laíre e Sandra Rosado, que estão em tratamento contra a Covid desde 22 de fevereiro.

Nosso pai apresenta apenas sintomas leves. Nossa mãe também, mas, fazendo parte do grupo de risco em decorrência da hipertensão e do diabetes, foi internada preventivamente ontem à noite no hospital Wilson Rosado, seguindo orientação médica.

Ela passa bem, respira sem a necessidade aparelhos e deve ter alta nos próximos dias.

Agradecemos a todos pelas orações e palavras de conforto. Do mesmo modo, nossa família está solidária e ora por todas aquelas que enfrentam o drama da pandemia.

Cid, Larissa e Lahyre.

Nota do Blog – Estamos na torcida pela recuperação de ambos e, também, na fé e luta por todos, dos mais conhecidos e próximos àquelas pessoas anônimas.

Amém!

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Jornalista alerta para golpe com uso de seu nome e foto

O jornalista, advogado e professor Cid Augusto alerta que seu nome está sendo usado por golpista (as), que utiliza sua foto em perfil de WhatsApp, para pedir dinheiro.

Ele esclarece o caso e orienta quem venha a sofrer esse tipo de abordagem:

ATENÇÃO! – Um criminoso utilizando minha foto no perfil do WhatsApp nº (84) 8184-0792 está se passando por mim para pedir dinheiro.

Não mande, é golpe! E, por favor, se você for abordado, faça o print da tela do celular e comunique o fato à polícia.

Grato,

Cid Augusto.

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A história de vida do “Doutor Vingt” vai virar livro

Cid: missão biográfica (Foto: arquivo)

O advogado, professor, jornalista e poeta Cid Augusto tem agendado um projeto muito especial à sua vida.

Depois de concluir doutorado, entre outras metas, já definiu que vai produzir a biografia do seu avô, “Doutor Vingt”, como trata o ex-deputado federal Vingt Rosado, falecido em 2 de fevereiro de 1995.

Vingt Rosado começou sua carreira política como vereador em Mossoró (1948). Depois foi prefeito, deputado estadual e deputado federal por sete mandatos consecutivos.

Formou-se em farmácia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e em contabilidade, também em Recife, pela Faculdade de Comércio. Foi ainda oficial da reserva do Exército

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Conselho para sobreviver num mundo tóxico

O escritor e jornalista cearense Lira Neto posta no Twitter um conselho, sábio, para sobrevivermos no mundo tóxico em que estamos mergulhados, sobretudo nesse ambiente virtual.Um leitor lhe perguntou como seguir saudável nessa maré de obscurantismo.

“Ler literatura, assistir bons filmes, frequentar exposições de arte, ir à roda de samba, dançar forró, amar”.

É importante “cultivar subversiva alegria”, afirma Lira. É a “anarquia da felicidade”.

Conheci Lira Neto primeiro em formato impresso; pessoalmente, depois. Consumi alguns livros sob sua assinatura, como a série “Getúlio”. José de Alencar, Castello Branco, Maysa Matarazzo e Padre Cícero também foram biografados por ele.

No dia 11 de agosto de 2012, há quase sete anos, conversei com Lira Neto sobre jornalismo e literatura na 8ª Feira do Livro de Mossoró (no Expocenter), além de intermediar bate-papo dele com leitores e curiosos no mesmo evento (veja AQUI como foi).

O restante da noite e parte da madrugada foram melhores ainda: boa prosa à mesa etílica do Bistrô Lyon na Praça da Convivência, com os jornalistas Larissa Gabrielle, Carlão de Souza e Cid Augusto, além do próprio autor.

Como se diz por aí…”bom demais, Júnior!”

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Campanha deixará candidatos com pouca margem para erros

Por Carlos Santos

O que testemunharemos adiante, com o início da campanha eleitoral no Rio Grande do Norte, a partir de 16 de agosto? Na prática, é possível se perceber nas ruas, redes sociais e através de pesquisas mais recentes, uma polarização entre dois nomes ao governo estadual: senadora Fátima Bezerra (PT) e ex-prefeito natalense Carlos Eduardo Alves (PDT).

Corre por fora, o governador e pré-candidato à reeleição Robinson Faria (PSD), como uma espécie de “azarão” (veja comentário mais abaixo). Aposta na “estrutura” do governo, que se diga, cooptando apoio de partidos e lideranças.

Fátima e Carlos: erros e acertos (Foto: arquivo)

Fátima tem sustentado considerável estabilidade na dianteira, mas não pode se achar uma “governadora em férias”. Conta com o desgaste do governo estadual e uma chapa “pesada” com Alves-Maias-Rosados no palanque de Carlos, como “principais reforços” ao seu projeto eleitoral.

Em todas as projeções, aparece como hipotética vencedora em embates no primeiro e segundo turno. Contudo precisa alargar o alcance de sua postulação além dos guetos e ambientes de organização sindical/partidário/ideológico.

Carlos Eduardo vende imagem de bom gestor, político experiente, em contraposição à própria Fátima (sem qualquer vivência executiva) e à delicada gestão Robinson Faria. Da mesma forma que acredita somar com as mais tradicionais forças políticas do estado, também se fragiliza, num momento de grande desgaste desses grupos.

Com 45 dias de campanha (sendo 35 com uso de rádio e TV), os candidatos terão reduzido espaço para erros e a obrigação de acertos cirúrgicos.

Quando chegar outubro, aí cada um de nós dirá muito do que acontecerá ao RN nos próximos.

PRIMEIRA PÁGINA

Prefeita não convence ninguém a assumir Saúde Municipal – Há semanas que a prefeita mossoroense Rosalba Ciarlini (PP) roda para conseguir um nome para substituir o enfermeiro Benjamim Bento na pasta da Saúde. Até o momento, sem sucesso. Já tivera essa dificuldade pouco antes de ser empossada, também ouvindo recusas de outras pessoas sondadas. A propósito, é um setor campeão de críticas na gestão.

O improvável êxito de Robinson Faria – Com 80% de reprovação administrativa, 54% de rejeição eleitoral e apenas 9% de intenções de voto, conforme pesquisa do Ibope/Tribuna do Norte (veja AQUI), o governador Robinson Faria (PSD) tem como vencer o pleito sucessório que se avizinha? Repito um lugar-comum que sempre uso: “Não existe impossível em política, mas o improvável”. Esse é um caso típico de situação improvável. Impossível, não. Na verdade, não sei, nunca vi ou ouvir falar que alguém tivesse conseguido tamanho feito com tanta sobrecarga nas costas. É um sacrifício de “Sísifo”, personagem da mitologia grega condenado a empurrar uma rocha até o topo da montanha, sem êxito. No caso de Robinson, há uma missão não visível: criar os meios à reeleição do filho Fábio Faria (PSD) à Câmara Federal e eleger uma bancada minima à Assembleia Legislativa. São pedras que podem ser levadas ao alto da montanha. Não é impossível.

Contas de supostos “campeões” passam de 250 mil votos – Alguns pré-candidatos à Câmara Federal e próceres muito próximos não param de esticar previsões para as urnas em outubro deste ano. Tem gente falando em 250 mil votos. Sei não… sei não. No pleito de 2014, o campeão de votos foi Walter Alves (MDB), com 191.064 votos (12,09%). O mais próximo foi Rafael Motta (Pros, hoje no PSB), com 176.239 (11,15%). O quociente eleitoral ficou em 197.608. Tivemos 1.580.871 votos válidos. Ah, só para lembrar: foram 82 candidatos à Câmara Federal. Este ano os números devem passar de 120.

Fechamento de chapa e apoio rosalbista têm mão de Agripino – A satanização do nome do senador José Agripino (DEM) faz parte de jogo de cena político, para o rosalbismo inflar sua imagem perante sua plateia e patuleia. Nos bastidores, o senador e pré-candidato à Câmara Federal participou da costura para atração do grupo da prefeita Rosalba Ciarlini (PP) no apoio à postulação de Carlos Eduardo Alves. Também passou por ele montagem de chapa proporcional que pode viabilizar a reeleição do deputado federal Beto Rosado (PP). O resto é lero-lero.

Pontuação e posição de Geraldo Melo chamam a atenção – Na pesquisa recém-divulgada do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE), por encomenda do impresso Tribuna do Norte, a posição que mais me chamou a atenção foi do pré-candidato ao Senado e ex-governador e ex-senador Geraldo Melo (PSDB). Emergiu em segundo lugar e com 22% (veja AQUI), atrás apenas de Garibaldi Filho (MDB), com 24%. Não tive acesso a planilhas e metodologia empregada pelo Ibope na soma de preferências (1º e 2º votos), comprometendo uma análise mais amiúde. A princípio, acho difícil ele sustentar ou elevar essa posição. Não é o que percebemos nas ruas. Mas esperemos a campanha (curtíssima) de apenas 45 dias.

Geraldo: números (Foto: arquivo)

Coronel e Renato Fernandes podem fazer dobradinha no PSC – O ex-candidato a prefeito de Mossoró, além de ex-vereador em Caraúbas e Mossoró, Renato Fernandes (PSC), empreende trabalho para concorrer à Câmara Federal. Quem pode fazer dobradinha com ele na região de Mossoró e outros setores geopolíticos do estado é o coronel Alvibá Gomes, pré-candidato a deputado estadual. Até aqui, ainda sem legenda definida.

Carlos Eduardo soma num território de enormes desafios – Com o apoio do grupo da prefeita Rosalba Ciarlini (PP) em Mossoró, o pré-candidato ao governo Carlos Eduardo Alves (PDT) passou a ter um hipotético capital que não dispunha no município. Menos mal. Quanto à prefeita, impõe-se a obrigação de levá-lo à vitória em sua comuna, num momento de profundo desgaste pessoal e da sua gestão. A chapa terá seu filho Kadu Ciarlini (PP) como vice, tornando ainda mais impositiva (até para o futuro do seu grupo), puxá-la à vitória local.

Os grandes favoritos à Assembleia Legislativa e Câmara Federal – Com a quantidade diluviana de pré-candidatos a deputado estadual e deputado federal que teremos no RN, não é fácil aparecer e ser ungido pelos eleitores. A princípio, os grandes favoritos são os que já possuem mandato e estão em grande exposição há anos. Paralelamente, também são os que mais sofrem ataques e desgastes. Podemos ter alguma surpresa? Algumas, sim. Mas ninguém aposte ou espere uma “renovação” impactante. A minirreforma política, a engrenagem partidária coronelista/centralizadora e a cultura política que temos refreiam maiores solavancos – pelas urnas – nesse modelo de perpetuação de nomes e grupos.

EM PAUTA

Sucesso – Foi um retumbante sucesso o 12º Festival de Gastronomia e Cultura de Martins. Hotéis e pousadas lotados, bares e restaurantes com grande movimentação; boa música, tranquilidade e aumento no meio circulante do município. Parabéns à organização.

Cid: livro publicado (Foto: Instagram)

Cid Augusto e Adriano Lopes – A Editora da Universidade Federal do RN (UFRN) acaba de publicar o livro “Ideologia, Poder e Discurso da Seca na Mídia”, do jornalista, escritor e advogado Cid Augusto e do professor Adriano Lopes Gomes. Está disponível gratuitamente para download (baixe cópia clicando AQUI) no repositório da Biblioteca Zila Mamede.

Jazz e Bossa Nova – Confirmado o Fest Bossa & Jazz 2018 de Mossoró. Será entre os dias 14 e 15 de setembro próximo, na Estação das Artes Eliseu Ventania. Merece apoio essa iniciativa diferenciada.

Fantástica fraude – Diversas lojas especializadas na venda de veículos usados, com endereço em Natal, foram o foco de reportagem especial do programa “Fantástico” (veja AQUI), da Rede Globo de Televisão nesse domingo (22). Veículos foram vendidos e estão rodando pelas ruas e pelas estradas brasileiras, numa fraude que altera o registro da quilometragem dos carros. Há um agravante à segurança: centenas também estão com indicadores de problemas em freio, óleo e air-bag desligados de forma fraudulenta.

Daniel Boaventura – Será no próximo dia 3 de agosto, às 21 horas no Teatro Riachuelo em Natal, o show do cantor e ator Daniel Boaventura, matéria-prima do seu novo DVD gravado no México: “Sinatra e Jobim”. Ele é um intérprete de alto nível.

Boaventura: grande intérprete (Foto: Web)

Arrecadação – A arrecadação do RN no 1º semestre ultrapassou a barreira dos R$ 2,9 bilhões – um crescimento real de 4,83% na comparação com o mesmo período do ano passado. São 200 milhões a mais. O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) foi responsável por 96% de todo o volume das receitas próprias estaduais, deixando o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos (ITCD) com 4% juntos.

Aeroporto – Bandidagem arrombou parte da cerca de proteção do Aeroporto Dix-sept Rosado em Mossoró na última quinta-feira (20), na cabeceira 5, limítrofe com o Clube Aspetro. Um vigilante também foi assaltado no mesmo episódio. Não é a primeira vez que ocorre isso.

Direito Eleitoral – O Instituto Novo Eleitoral realiza esta semana (sábado, 28), o “Curso Direito Eleitoral: Atualização e Prática”, abordando os principais temas relacionados às Eleições Gerais do ano de 2018.O evento será realizado  no auditório da OAB-Natal, no horário de 8h às 18h e concederá ao participante certificado de 10 horas/aula. Saiba mais detalhes e faça inscrição clicando AQUI.

SÓ PRA CONTRARIAR

Para toda e qualquer pesquisa supostamente “fraudada”, só existe um grande e infalível remédio: publicar a “verdadeira”.

GERAIS… GERAIS… GERAIS…

Esta segunda-feira (23) é de muitos vivas. Saudações Tricolores, saúde e paz para Erasmo Carlos, o comandante-em-chefe e general plenipotenciário do Blog Tio Colorau. Aniversariante ilustre e amigo dos bons.

Erasmo, o "Tio" aniversariante (Foto: arquivo)

Obrigado à leitura do Nosso BlogKydelmir Dantas (Nova Floresta-PB), Westerlay Ramalho (Mossoró) e Gracinha Oliveira (Natal).

A Faculdade Diocesana de Mossoró (FDM) está com Plano Diretor pronto, que a projeta para status de universidade. Trarei novidades.

Veja a edição anterior da Coluna do Herzog (16/07) clicando AQUI.

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Laíre Rosado deixa CDP do Apodi e vai para regime semiaberto

O ex-deputado Laire Rosado deixou o Centro de Detenção Provisória (CDP) do Apodi e já está em seu apartamento em Mossoró. Saiu do CDP sob monitoramento de tornozeleira eletrônica, por volta de 18h10 deste sábado (30), em veículo de sua família.

Laíre atendeu apenados na prisão (Foto: arquivo)

À saída, teve a companhia da mulher-vereadora Sandra Rosado (PSDB), além dos filhos deputada estadual Larissa Rosado (PSDB) e jornalista-advogado Cid Augusto.

Ele poderá trabalhar normalmente durante o dia, recolhendo-se à noite ao seu domicílio, ou seja, entre 5 e 20h.

No último dia 18 de junho, Laíre Rosado teve pena reduzida no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), caindo de 11 anos e dois meses para 6 anos e 8 meses de prisão.

Condenação

O médico, ex-deputado federal e ex-deputado estadual Laíre Rosado Filho (PSB), 72 (28 de agosto de 1945), foi preso por volta de 12h20 de 22 de março deste ano, em Mossoró. Ele estava em serviço de plantão na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) Raimundo Benjamim Franco, no bairro Belo Horizonte (veja AQUI).

O mandado de prisão foi expedido pela 7ª Vara da Justiça Federal do Mato Grosso. Deriva ainda do rumoroso caso denominado de “Máfia dos Sanguessugas”, desencadeada pelo Ministério Público Federal (MPF) e Polícia Federal em 2005.

No período de cárcere, Laíre Rosado participou de programa de remissão de pena, como a leitura de livros (com produção de resenha), cursos online e clinicou em favor de outros apenados. A propósito, quando estava à saída do CDP, vários detentos o aplaudiram.

Acompanhe o caso nos links abaixo:

Leia também: Ex-deputado tem rotina com leitura em prisão;

Leia tambémLaíre Rosado terá tratamento com “respeito e dignidade”;

Leia tambémLaíre Rosado é transferido de Mossoró para Apodi;

Leia tambémFamília de Laíre diz em nota que confia na justiça.

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Fatos forjados na história de Mossoró

Por Marcos Pinto

Tenho encontrado, não raros fatos, descritos por alguns historiadores e pesquisadores desta “Província” (Mossoró) completamente divorciados da realidade geradora da história. Em uns percebe-se a intenção deliberada de ocultar algum libelo ou vício que recai sobre um protagonista, em outros a evidência em proteger algum parente ou amigo, arrolados pela prática de não heroico nunca praticado.

Cito como exemplo a versão criada pelo clã Rosado e remuneradamente adotada por Câmara Cascudo, Edgar Barbosa e Raimundo Nonato da Silva, de que a viagem em que perecera Dix-sept Rosado tinha como objetivo ultimar empréstimo de trinta milhões de cruzeiros com os quais ampliaria os serviços de abastecimento d`água de Natal, Mossoró e Caicó.

O renomado João Maria Furtado, em sua inexpugnável obra intitulada “Vertentes”, publicada no Rio de Janeiro em 1976, pela gráfica Olímpica, contesta esta deslavada versão com argumentos eivados de rasgos de veracidade, cuja tese contestatória consta no livro “A(Re)Invenção do Lugar – Os Rosados e o País de Mossoró” do Prof. Dr. José Lacerda Alves Felipe, com o seguinte teor:

“Outras vozes davam objetivo diferente e menos mitológico à referida viagem, pois seu sentido real, estava relacionado à resolução de problemas criados com a partilha dos cargos estaduais entre lideranças e os partidos que elegeram Dix-Sept e que compuseram, portanto, a “Aliança Democrática” na qual Café Filho, julgando-se Presidente da República, nomeara apenas seus correligionários para os cargos federais do Estado”.

Em que pese os relevantes serviços prestados à cultura, pelo prof. Vingt-un Rosado, observa-se a intenção deste em fixar o falecido irmão Dix-Sept como herói cívico, como mártir que se sacrificou pela resolução do problema de água em Mossoró e no RN, afirmando que a “água era a própria história dos Rosados a começar do velho patriarca” (vide livro de sua autoria “O protocolo de Mossoró; …Coleção Mossoroense – 1998) ”.

Quando Vingt Rosado foi eleito prefeito de Mossoró em 1952 teve como uma das primeiras metas adotadas, a contratação dos historiadores Câmara Cascudo e Edgar Barbosa para, sob o “incentivo” de larga remuneração, utilizarem seus conhecidos naipes literários para traçarem uma espécie de culto à personalidade, atribuindo conotações heroico/históricas às pessoas de Jerônimo Rosado, Dix-sept Rosado e Ana Floriano, respectivamente pai e irmão de Vingt, e bisavó paterna da esposa de Vingt.

Assiste razão a Juarez Távora quando afirma que “O memorialista conta o que quer, o historiador deve contar o que sabe”.

A história deve ser contada a partir de documentos oficiais, e estes sepultam definitivamente a versão de que Ana Floriano comandou o famoso Motim das Mulheres. Senão vejamos. Em oficio datado de 4 de setembro de 1875, o então Juiz de Direito de Mossoró, Bel. José Antônio Rodrigues, comunica ao Presidente da Província do RN, dentre outros itens:

– “Presenciaria esta cidade a farsa mais ridícula de um grupo de 50 a 100 mulheres mal-aconselhadas por seus maridos e parentes, e capitaneadas por D. Maria Filgueira, mulher de Antônio Filgueira Secundes, D. Joaquina de Tal, mulher do camarista Silvério Ciriaco de Souza e D. Ana de Tal, mãe de Jeremias da Rocha Nogueira… (Vide livro “Escócia – 2ª Edição pag. 130:133 – Coleção Mossoroense – Vol. 989). D. Maria Filgueira era a mãe do Major Romão Filgueira.

O pesquisador historiador Lauro da Escócia fez, ainda os seguintes insertos históricos inexplicáveis:

– “Que o Motim das Mulheres” era composto por cerca de 300 mulheres, que Ana Floriano se armara com um espeto de ferro e postara-se na Agencia Consular Portuguesa em Mossoró, em uma escada defendendo o filho Jeremias José Damião e Ricardo Vieira do Couto, no atentado praticado por Rafael Arcanjo da Fonseca e outros, no dia 1º de janeiro de 1875. Que Ana teria dito: “quem subir a escada morre na ponta deste espeto”.

Vejamos o que diz o sobrinho-neto de Lauro, o jornalista Cid Augusto, em seu livro acima citado – pag. 153: “Contrariando a versão mencionada anteriormente, Jeremias presta, em seu texto, solidariedade a José Damião e ao Agente Consular Frederico Antônio Carvalho, o que pode significar que ele e Ricardo Vieira do Couto não estavam presentes no local do acontecimento, a Agência Consular Portuguesa. Em momento algum, Jeremias se refere a Ana Floriano”.

Jeremias faleceu em 1881.

Há que ressaltar que o próprio Cid Augusto, homem de reconhecido talento literário, procura, de forma incontida e insubsistente, infundir a ideia  de que Jeremias da Rocha Nogueira (seu ascendente) encarnaria a ideia abolicionista.

Todos os documentos são unânimes na configuração de que Mossoró teve desencadeado o movimento libertário somente em janeiro de 1883, culminando em 30 de setembro do mesmo ano. O resto é coisa para ser contada no “arco da velha” ou na “Povoa do Varzim”.

Inté!

Marcos Pinto é advogado e escritor

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“Coleção Mossoroense” retrata face real da “Capital da Cultura”

Por Caio César Muniz

Conheci a Fundação Vingt-un Rosado um ano após a sua criação. Fui levado por Cid Augusto para iniciar o processo de publicação do meu primeiro livro. Naquele ano também surgiriam para a nossa literatura os poetas Marcos Ferreira e Genildo Costa, Cid Augusto já estava na seara, já era gente grande.

Em 1999 fui procurado por Vingt-un Rosado para digitar UM livro, depois, sem uma conversa prévia, digitei dois, três, mil livros… Me tornei um auxiliar próximo de Vingt-un. Que sorte a minha! Não pelo emprego, mas pela oportunidade da convivência. De 1999 a 2005 tive um aprendizado sem igual.

Acervo da "Coleção Mossoroense", um trabalho de muitas décadas, virou amontoado de papel e caixas (Foto: Caio César Muniz)

O dinheiro da Fundação vinha de pequeno convênio quase permanente com a Prefeitura Municipal de Mossoró. Nos tempos de Vingt-un ele comprava de papel, de insumos gráficos, depois, com a necessidade de sairmos do ambiente familiar da casa de Vingt-un e ocuparmos um espaço mais neutro, este pequeno convênio servia para pagar o custeio da Fundação: (aluguel, água, luz, telefone, funcionários).

Nunca foi pago em dia, mas saía. Firmamos convênios paralelos, mas específicos para fins de publicação, não podiam ser aplicado e outros fins.

Desde o final do último mandato da prefeita Fafá Rosado (PMDB) a coisa começou a ganhar conotações catastróficas. Os atrasos se tornaram muito grandes e as renovações não aconteceram. Também foram ignorados por Cláudia Regina (DEM) e por Francisco José Júnior (PSD).

Com isto, há cerca de quatro anos, a coisa se tornou insustentável. Era preciso Reduzir custos ao máximo e a Fundação deixou uma sede ampla e acolhedora para ganhar rumos incertos.

Uma organização do acervo, realizado por professores e alunos do curso de História da UERN, foi por água abaixo. Três ano de trabalho e recursos jogados fora.

Aquela mudança dividiu o acervo: uma parte para o Museu do Sertão, na comunidade de Alagoinha, mal acondicionado, empilhado, exposto à umidade e poeira. Outra parte foi para uma residência em um bairro de Mossoró.

Nestas mudanças, sem pessoas qualificadas para tal, só Deus sabe o quanto foi perdido de obras raras da biblioteca particular de Vingt-un, de documentos, de obras da Coleção.

No final do mandato de Francisco José Júnior, para dar uma resposta, mesmo que rasa e paliativa, os acervos foram novamente transferidos de ambiente, agora para o piso superior do Museu Lauro da Escóssia.

Empilhado, empoeirado, sem acesso ao público. Novamente imagine-se no quanto se perdeu do acervo pela má condução.

Nós, os funcionários, fomos dispensados, não havia mais como arcar com a bola de neve que estava se tornando o atraso de salários. A gráfica foi desativada.

Há de se ressaltar aqui o empenho do diretor-executivo Dix-sept Rosado Sobrinho. Somos testemunha do seu esforço, até aqui em vão para erguer a Fundação.

Retirou do seu próprio bolso, comprometendo inclusive seu patrimônio pessoal, recursos consideráveis até aqui.

Agora o acervo faz a sua quarta mudança de local. Vai para a Biblioteca Pública Ney Pontes Duarte. Confio na inteligência e experiência de pessoas como Eriberto Monteiro e Maurílio Carneiro, além de Raniele Costa,que continua realizando o seu trabalho junto à Fundação.

Acho que, enquanto a Fundação Vingt-un Rosado não tiver uma sede própria, ela não estará segura. Assim, mesmo sem apoios financeiros, ela estará guardada em definitivo em local apropriado.

Aos chefes da política e da da cultura de Mossoró, só um pedido: não deixem este patrimônio se perder (mais ainda), tenham sensibilidade para com o nosso passado para que tenhamos um futuro mais digno.

PS: Hoje (06 de abril) a Fundação Vingt-un Rosado completa 22 anos. Em sua história, nada, nunca foi fácil, mas agora está muito, mas muito pior.

Nota do Blog – Em Mossoró, há a disseminação errônea de que vivemos numa “Capital da Cultura”. O epiteto não lhe cabe. É outra falácia, outra mentira deslavada que faz parte da construção de um imaginário de poder, carregado de personalismo politiqueiro.

Na verdade, Mossoró é cemitério da cultura. Os casos se multiplicam, com destruição do seu corredor cultural arquitetônico – também por muitos Rosado, que se apresentam em propaganda como seus guardiões.

E tudo pode ficar ainda pior, pois a prioridade é a “política de eventos”, para parecer que se faz cultura e continuar mitificando gente que entende e gosta de cultura, tanto quanto eu de física nuclear.

Pobre Mossoró!

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Mossoroense por ascendência, por nascimento e por vocação

Por Cid Augusto (O Mossoroense)

Ernani: entrevista para O Mossoroense mostra um pouco de sua vida (Foto: Web)

“Eu sou mossoroense por ascendência, por nascimento e por vocação”. Assim se define o médico Carlos Ernani Rosado Soares, 70, que no dia 1º de dezembro tomará posse na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, passando a ocupar a cadeira nº 2 daquela instituição, cujo patrono é a escritora Nísia Floresta Brasileira Augusta e pela qual passaram Henrique Castriciano, Hélio Galvão e Grácio Barbalho. O futuro imortal é médico pela antiga Faculdade de Medicina do Recife e licenciado em Língua e Literatura Inglesas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A sua obra é vasta e inclui desde escritos memorialistas a artigos publicados em revistas científicas do Brasil e do exterior. Ele foi professor de todos os médicos graduados na UFRN, até 1995, e ajudou a implantar a Faculdade de Ciência da Saúde da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), a qual lhe concedeu o título de Doutor Honoris Causa. Nesta entrevista, Ernani, um conformado sofredor do Flamengo, narra também como se tornou locutor esportivo da Rádio Iracema, de Fortal eza-CE, e da campanha de Dix-sept  Rosado para o governo do Estado,  em 1950.

* Entrevista originalmente feita pelo jornalista Cid Augusto, para o jornal O Mossoroense, veiculada na edição do periódico no dia 30 de novembro de 2004. É uma homenagem do Blog ao professor-médico-escritor Ernani Rosado, falecido (veja AQUI) ontem.

O Mossoroense – Até que ano você morou em Mossoró?

Ernani – Até 1938 ou 1939. Meu pai era comerciante, teve dificuldades no comércio, procurou um emprego e conseguiu. Foi nomeado para a primeira Previdência, que se chamava Caixa de Aposentadoria e Pensões dos Operários da Estiva (Capoe). Ele começou a carreira previdenciária em Areia Branca, na Rua da Frente. Essa permanência em Areia Branca, da qual tenho boas recordações, marcou uma coisa: o agente morava no Instituto. A sede ficava na frente e o agente morava nos fundos. Foi assim em Areia Branca, em Cabedelo, em São Luís e em Manaus.

O Mossoroense – Como foi participar do esforço pela implantação da Faculdade de Medicina da Uern?

Ernani – Muito gratificante, porque tudo o que diz respeito a Mossoró me toca profundamente. Eu sou mossoroense por ascendência, por nascimento e por vocação. Foi batalha por Mossoró, eu já estou na linha de frente.

O Mossoroense – Antes desse trabalho, você já era Doutor Honoris Causa da Uern…

Ernani – Já, porque na realidade, sem falsa modéstia, eu dei algumas contribuições à Uern. E ela, generosamente, reconheceu essas contribuições. Eu trabalhei em favor da Escola de Serviço Social. Eu e doutor Hélio Santiago. Posteriormente, contribuí com a implantação da Escola de Enfermagem, que deu um trabalho muito grande e hoje é uma das mais florescentes da Universidade.

O Mossoroense – Você se tornou médico por decisão pessoal ou encaminhamento familiar?

Ernani –  Opção pessoal. Não houve influência de ninguém lá de casa para coisa nenhuma. Houve até uma fase que eu pensei em ser engenheiro, porque sempre fui bom aluno de matemática.

O Mossoroense – Há muitos médicos na família e…

Ernani – Talvez tenha sido isso. Eu não sei exatamente, lá se vão mais de 50 anos, qual foi o fator preponderante dessa escolha.

O Mossoroense – E a formatura em Letras?

Ernani – Formei-me depois, em 1965. Eu me formei em medicina em 57, aí eu tinha o diploma de proficiência em inglês da Universidade de Michigan. Toda vida estudei inglês, sabia falar bem inglês, e havia uma lei que nos facultava a matrícula na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, fazendo apenas o último ano, que era a parte de didática. E eu fiz, me licenciei em Língua e Literatura Inglesas. Eu, Dalton Melo, dona Marieta Guerra, Patriota, Zé Melquíades.

O Mossoroense – É verdade que, até há poucos anos, você foi professor de todos os médicos formados pela UFRN?

Ernani – É verdade. Eu vim para cá em 1958 e a Faculdade de Medicina tinha começado em 1956. O cirurgião com quem eu trabalhava, doutor Travassos Sarinho, era professor da cadeira de Técnica Operatória, que começava no quarto ano, como começou em 1959. Então, eu peguei desde a primeira turma até 1995, quando me aposentei forçado pelas circunstâncias, porque sempre ameaçaram e continuam ameaçando o funcionalismo público, o professorado, e eu não podia correr certos riscos. Mas confesso que me aposentei constrangido.

O Mossoroense –  Dizem que a sua memória é prodigiosa. Então, vamos ao teste: qual o filme exibido na inauguração do Cine Pax?

Ernani – “Formosa Bandida”. Nós morávamos em Manaus e chegou a notícia de que havia sido inaugurado outro cinema em Mossoró, que ainda era do tempo do Cine Almeida Castro.

O Mossoroense – Como as notícias de Mossoró chegavam a Manaus naquela época?

Ernani – Longas cartas que demoravam muito tempo para chegar e telegramas inseguros, quando era o caso, porque naquela época, 42, 43, 44, morar em Manaus era morar no fim do mundo, era uma aventura cívica. Não havia praticamente comunicação. Telefone nem pensar. Navios lentos, que seguiam pelo rio Amazonas, aviação incipiente.

O Mossoroense – Como foi participar, na condição de locutor, da campanha de Dix-sept Rosado?

Ernani – Essa é uma página que relembro com extrema saudade, porque rádio é uma coisa que injeta, fica no sangue, nunca sai. Tenho muita saudade do meu tempo de rádio e, inclusive, um dia desses pensei em ir ao campo de futebol. Transmitir, eu acho que não saberia mais não, mas fazer o comentário do jogo, lá no campo, para reviver aqueles tempos, eu tenho vontade.

O Mossoroense – Você chegou a ser locutor profissional de rádio?

Ernani – Muito tempo. E bom!

O Mossoroense – Qual emissora?

Ernani – Rádio Iracema, de Fortaleza. Essa história é engraçada. Durante muito tempo eu fui filho único e possuía uma coleção de botões, mas não tinha com quem jogar, aí eu botava os dois times para jogar e jogava só. E como toda vida gostei de ouvir futebol, acompanhei meu pai com o Flamengo dele, de 1943. Eu transmitia os jogos de futebol de botão. Era aquela gritaria em casa. Aí o meu padrinho sugeriu: “Messias, cuidado, se não Ernani vai acabar ficando doido”…

O Mossoroense – Quer dizer que você é da “terceira” divisão?

Ernani – Não! Não! Eu ainda não entreguei os pontos… Pois bem, papai tinha um amigo na rádio, o nome dele era Peixoto de Alencar. Papai contando essa história para ele, Peixoto disse “Mande ele falar comigo lá na rádio, pode ser que ele tenha jeito”. E eu fui, e teve jeito. Comecei a trabalhar na Rádio Iracema, dando as notícias do Sul do País. Depois me mandaram fazer uns escritos, eu fiz. Depois comecei a me insinuar e, um dia, deixaram eu transmitir um pedaço de jogo. Eu me tornei um bom locutor. Eu era renomado no Ceará.

O Mossoroense – E onde entra a campanha de Dix-sept?

Ernani – Muito fácil. Na campanha de Dix-sept houve um mutirão da família Rosado para ajudar. Naquele tempo, não havia tanta facilidade quanto há hoje. Eu vou lhe dar alguns exemplos que marcaram a época de Dix-sept. Seguramente foi a primeira campanha com músicas de campanha, que tio Duó (Duodécimo Rosado) conseguia no Rio de Janeiro, através de amigos.

O Mossoroense – Quem eram esses amigos?

Ernani – Outro dia conversando com uma pessoa, ela me disse que aquelas letras eram de Elano de Paula, irmão de Chico Anísio. Os discos de acetato eram rodados na campanha, na amplificadora e nos jeeps volantes. Em Natal, o grande locutor da campanha foi o jornalista Marcelo Fernandes. Por todo Estado, nós tínhamos Zé Leite de Aragão Mendes, Edmilson Andrade e Jin Borralho Boa Vista. Eu fiquei em Mossoró, na amplificadora, que era ali, perto da Câmara Municipal. O estúdio era lá e as bocas de som ficavam na Rua do Comércio, na Praça do Pax e em outros pontos estratégicos. Hélio Santiago redigia os textos. Eventualmente eu fazia campanha nos bairros.

O Mossoroense – Então, você foi um dos pioneiros na locução de campanhas políticas.

Ernani – Nessa parte de locução política, acredito que sim.

O Mossoroense – Voltando à Faculdade de Medicina, por que você foi contra a realização do vestibular este ano?

Ernani – Eu tinha receio de que acontecesse o que aconteceu. O serviço público tem uma série de obstáculos, uma liberação de verba aqui, uma firma que não entrega acolá, uma licitação que não se completou, essas coisas. O reitor José Walter achou que devia fazer – ele realmente é muito obstinado – e fez o vestibular. Como os equipamentos ainda estavam para chegar, não havia como se ministrar as aulas práticas do primeiro período. Aí a gente teve de adotar uma solução para contornar o problema. Qual foi essa solução? Foram colocadas para o primeiro período disciplinas que não exigem laboratório. O importante é que não haverá prejuízo.

O Mossoroense – Qual a expectativa para a posse na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras?

Ernani – Essa Academia de Letras… Eu sou um homem amante das letras, eu não sou um literato. Os meus escritos são escritos esparsos. São instantes de vida, são recordações. A minha vertente de escrita é uma vertente essencialmente memorialista. As honrarias que recebi de meus alunos na Faculdade de Medicina, em ser paraninfo e dar aulas da saudade. Eu tenho uma coleção grande disso. Na realidade, elas devidamente enfeixadas dão uma panorâmica na vida médica do Estado e do País. Eu também escrevi a respeito de vários vultos da medicina potiguar que já nos deixaram do doutor Sarinho, do doutor Silvino Lamartine, do primeiro Raul Fernandes da medicina potiguar – houve três -, Varela Santiago, Sérgio Guedes. A memória de vários médicos ilustres foi resgatada por mim.

O Mossoroense – Mas a sua produção acadêmica também é vasta.

Ernani – Eu tenho mais de 40 trabalhos publicados no Brasil e no estrangeiro. E tenho também uma coisa que me agrada muito, porque é um exercício muito interessante: eu fui honrado através do tempo em fazer sucessivas apresentações de livros.

O Mossoroense – O elogio ao patrono e ao seu antecessor já está pronto?

Ernani – O elogio ao patrono e aos antecessores, que são três. Sabe quem é o meu patrono? Nísia Floresta Brasileira Augusta. E sabe quem foi o primeiro ocupante da cadeira? Henrique Castriciano, primeiro presidente da Academia, seguido por Hélio Galvão, outra grande figura, e por Grácio Barbalho, a quem eu estou substituindo. O meu grande problema é enxugar o discurso. O negócio é comprido.

O Mossoroense – A Academia tem alguma finalidade prática?

Ernani – Poderia ter mais. A reunião dos acadêmicos com maior regularidade ensejaria a realização de uma série de movimentos culturais. São cabeças muito boas que estão ali reunidas. A academia é um corte transversal da intelectualidade, então, quando ela aceita e pode receber as mais variadas tendências intelectuais, pode atuar em qualquer campo. Talvez esteja faltando um diálogo maior entre a academia e a sociedade.

O Mossoroense – Quem lançou a sua candidatura foi Vingt-un…

Ernani – Ave Maria! Foi quem inventou essa candidatura. E teimar com doutor Vingt-un dá um trabalho danado.

O Mossoroense – Você foi eleito por unanimidade, logo após uma crise entre os grupos de Vingt-un e de Diógenes da Cunha Lima, num episódio que culminou com a vitória de Elder Heronildes. O seu nome pacificou a Academia?

Ernani – Qualquer candidatura que doutor Vingt-un lance tem um respaldo muito grande. Por outro lado, eu vivo nesta cidade (Natal) há quase cinqüenta anos e tenho muitos amigos dentro da academia, amigos pessoais, e eu fui a cada acadêmico, porque a academia é, acima de tudo, um exercício de humildade e de pertinácia.

O Mossoroense – Você morou em Recife, Manaus, Fortaleza…

Ernani – Falta ainda: Areia Branca, Cabedelo, Natal pela primeira vez, em 1941, São Luís do Maranhão, Manaus, Belém do Pará, Fortaleza, Natal a segunda vez, em 1951, Recife, Maceió e Natal pela última vez, em 1958, de onde não saí mais.

O Mossoroense – Por que Natal?

Ernani – Nós estávamos todos cansados de andar para cima e para baixo. Nessa época, eu já estudando medicina, passava as férias em Natal trabalhando com doutor Sarinho, e doutor Sarinho me convidou para trabalhar com  ele em Natal logo que terminasse o curso. Papai perguntou se eu viria para Natal, eu disse que sim, e ele pediu transferência, terminando aqui o ciclo dele como funcionário da Previdência.

O Mossoroense – Família?

Ernani – Uma beleza. Minha mulher e meus filhos fazem o encanto da minha vida, ao lado do meu irmão, que é o único irmão que eu tenho, Roberto. E dentro de tudo isso, uma saudade enorme de meus pais.

O Mossoroense – Esquecemos alguma coisa?

Ernani – Esquecemos! Você falou mal do meu Flamengo, deu uma insinuação altamente maliciosa e, antes do final, eu quero dizer que times como o Flamengo e o ABC, que também anda ruim das pernas, são velhos guerreiros. E os velhos guerreiros nunca morrem.

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“O Mossoroense” encerra ciclo impresso e fica apenas Online

O jornalista Cid Augusto anuncia agora, dentro do programa Observador Político (TV Mossoró e FM 93), a migração do jornal “O Mossoroense” para a plataforma apenas on line (AQUI).

Segundo ele, 2016 começa com essa mudança radical, mas comenta que “não é motivo para tristeza”. Mostra números que apontam o ambiente da Internet como mais favorável ao jornalismo de O Mossoroense que existe há 143 anos.

“Não estamos vivendo um momento ruim, é um momento bom”, assegura.

Impresso

Diretor de redação do impresso, Cid diz que não descarta a hipótese de um dia O Mossoroense retornar ao formato impresso como semanário ou até mesmo “revista”, com conteúdo mais analítico-opinativo e material especial.

O jornalista considera a sobrevivência dos três jornais impressos em Mossoró – O Mossoroense, Gazeta do Oeste e Jornal de Fato – como extremamente difícil. Em sua avaliação, sem maciça injeção de anunciantes públicos, todos estão fadados ao fim. “A menos que mostre o fundo das calças”, comenta jocosamente.

Nota do  Blog – Sucesso ao ‘novo’ O Mossoroense.

A migração não é o fim, mas um outro começo nesse admirável mundo novo.

Senhor Alguma Coisa

Por Cid Augusto

A arqueologia filosófica de Michel Foucault, um dos grandes pensadores do século XX, destrói o poder como algo onipotente, onisciente, monolítico, exercido do centro para as extremidades por força soberana implacável, única, o senhor frente aos escravos, o governo que domina cidadãos por meio de seus aparelhos repressores e ideológicos.

Segundo ele, as relações de poder são heterogêneas e se realizam em níveis complexos atravessados por outros níveis coletivos e particulares. A imagem que me vem à mente, lendo Michel Foucault, é a de uma teia de aranha, ou melhor, de uma teia social em que todo fio e cada conexão são pontos instáveis de reflexo e refração de vários poderes.

Há, no entanto, quem se deixe iludir pela interpretação errônea do poder absoluto e tente exercê-lo pela força institucional dos cargos, até perceber – se tiver sorte – a ingenuidade da pretensão. O poder é cachaça envelhecida em barril de sândalo, que domina tanto pelo cheiro quanto pelo álcool, e embriaga até os homens que se declaram sóbrios.

Conheço excelentíssimos camaradas de fino trato, equilibrados nas feições, fiéis à palavra de Deus, que, contrariados, encarnam a besta-fera. Os menos tarimbados lançam mão do relho, e batem, e berram, e berram, e batem, enquanto as raposas fustigam sem perder a serenidade, mas com o mesmo objetivo de humilhar demonstrando quem manda.

A propósito, ouvi de Ariano Suassuna, numa aula espetáculo, como é triste a redução do indivíduo à condição de autoridade. Meu avô materno, passado na casca do alho na lida com seres humanos em “estado de cargo”, prevenia quem arrotava intimidade com figurões, para ter cuidado com as mudanças que a giroflex promove no espírito do sujeito fraco.

Quando me deparo com um tolo inebriado pelo poder que exerce, estilo Luís XIV, incorporando-o como algo intangível, lembro-me na hora de Pateta. Pateta, aquele cachorro Bloodhound do desenho animado de Walt Disney, no episódio inspirado na obra “Strange Case of Dr. Jekyll & Mr. Hyde”, para nós “O Médico e o monstro”, de Robert Louis Stevenson.

Brilhante metáfora das mudanças de comportamento das pessoas, conforme os aparelhos de poder disponíveis, a animação descreve os conflitos morais da personagem central. É a história do Senhor Andante, cidadão honrado, gentil, incapaz de machucar uma mosca, que, ao entrar no carro, vira o Senhor Volante, um monstro infernal, incontrolável.

Igual Pateta na armadura automotiva, muita gente se transforma no Senhor Alguma Coisa no breve e efêmero contato com instrumentos de exercício de poder, até ser consumido e desmoralizado. Aprendi com Foucault que o poder não existe, sendo a figura do plenipotenciário uma falsa percepção da realidade, e aqui digo eu, que embriaga os idiotas.

Diante de criaturas dessa ordem, recomendo a humildade destemida, pois, voltando às lições do meu saudoso avô, por vezes precisamos abrir os braços para não sermos engolidos. Na maior parte do tempo, contudo, basta observá-las piedosamente, enquanto, a exemplo do catoblepas, animal da mitologia etíope, comem os próprios pés. E caem.

Cid Augusto é jornalista, advogado e escritor (cronista, poeta)

* Do Blog Canto de Página

 

Gerais… Gerais… Gerais… Gerais

Ótima notícia para começar a semana: nasceu Mariana, filha do bioquímico-farmacêutico José Filho e Tereza. Mais uma neta para o “Reverendo Zezinho“, José Maria Viana-Goreti. Saúde e paz para essa benção, uma boa nova, sem dúvidas.

Ana Raquel e Eudson Lacerda: dia de vivas

Nesta segunda-feira (21), reservo espaço maior para saudar Ana Raquel Mendes da Silva, gerente de relacionamento do Banco Itaú em Mossoró e primeira-dama do auditor fiscal Eudson Lacerda. Aniversário que merece comemoração ruidosa, por seu enorme valor como ser humano. De mim, os desejos de saúde e paz. O resto você faz e conquista.

Michelson Frota do Grupo Repet tem uma ótima notícia para sua clientela. Adianta que toda a sua gráfica rápida está instalada no endereço da Galpão Leste-Oeste da Repet – Indústria de Comunicação Visual (84-3316-0032, Mossoró), com maior estrutura e amplo estacionamento próprio.  Beleza, meu querido. Sei da competência sua e de sua equipe. Bom demais.

O professor José Walter Silva vai iniciar agenda de palestras como havia postado há alguns meses nas redes sociais, sobre  o tema “Violência e defesa pessoal (incluindo bullyng)“. Contatos para agendamento podem ser feitos por este número de celular (84) 9929-2745. Iniciativa sem fins lucrativos e patrocínio objetiva alcançar especialmente as escolas públicas. Sucesso, meu caro.

Areia Branca tem semana movimentada. Sessão Solene da Câmara Municipal no dia 22 (amanhã, terça-feira), às 9h, no Ivipanim Clube, deve ser um dos principais eventos dentro da programação dos 86 anos de Emancipação Política e Administrativa do município.

A segunda edição da Tarde Beauty, idealizada pela Hair Stylist Vilani Torres, terá muitas novidades para o público presente. O evento acontecerá no próximo dia 10 de novembro, no Requinte Buffet. Na ocasião, serão apresentadas as novas tendências em cabelo e maquilagem, além de desfiles exclusivos de grifes locais apresentando as novidades para a próxima estação. (Coluna de Paulo Pinto, O Mossoroense).

Um grupo de torcedores do Potiguar passou a adotar o hábito de visitas regulares ao local onde está sendo construído o Centro de Treinamento Manoel Barreto Filho, no bairro Alto do Sumaré, margem esquerda da BR-110 (Mossoró-Upanema). Com o olho dos “donos”, a obra tende a crescer de forma mais vertiginosa.

O casal jornalista-advogado Cid Augusto-advogada Samara Morais passou grande aflição há poucos dias, mas já superada. Jerônimo, filho de ambos, de cinco anos, foi submetido à cirurgia avaliada como simples, mas que teve desdobramento angustiante. Porém tudo foi sanado. Amém!

Está liberado o primeiro dos cinco viadutos do Complexo Viário da Abolição, em Mossoró. É o que permite o tráfego no sentido da BR-405, Mossoró-Apodi. Outros, arrastam-se há anos. O que está “pronto” sobre a BR-304, no Grande Alto de São Manoel, saída para Natal, não pode ser utilizado. Ouvimos versão de que há um gravíssimo erro técnico, que precisa ser corrigido. Se fosse na iniciativa privada, o caso seria gravíssimo. No serviço público, não. A gente paga a conta e a incompetência é premiada.

A moradora Ceição Xavier clama por calçamento a paralelepípedos na Rua José Erasmo de Moura. Segundo ela, até abaixo-assinado foi feito para que pudessem ter a obra, mas não há sinalizador de tal benefício. Fica no Alto do Sumaré. Recado e clamor assinalados, minha querida. Espero que sejamos ouvidos pela municipalidade.

Há tempos eu não via o “craque” varzeano José Nilton, também conhecido por Nilton Baresi. Trabalha na edição de nova revista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Subseccional de Mossoró. Depois botaremos a prosa em dia, pois um flash de conversa na sexta-feira (18) não foi suficiente.

Recebo convite do padre Francinaldo Macário, de Upanema, para participar da Festa de Nossa Senhora da Conceição, entre os dias 28 de novembro e 8 de dezembro – nesse município. Nota do Blog – Prometi pessoalmente à dona Maria José Bezerra, ex-vereadora e amiga, que estarei aí em data ainda a ser confirmada, levando uma penca de amigos. O Blog, ao mesmo tempo, será espaço divulgador da programação.

Obrigado a leitura deste Blog ao publicitário Jozeíldo Rodrigues (Mossoró), Rita Almeida (Natal) e bacharel em direito Osório Sampaio (Mossoró).

SETOR IMOBILIÁRIO – Vem aí a Casa Mix 2013III Feirão Imobiliário Sinduscon, de 23 a 26 deste mês na Praça de Eventos em Mossoró. O setor imobiliário aposta nessa iniciativa para potencializar mais o mercado, com ambientes decorados por nomes consagrados da arquitetura local.

O jornalista e escritor José de Paiva Rebouças vai lançar seu livro “Cruviana – Contos” em Mossoró no próximo dia 26, às 20h, no Cafezal, Memorial da Resistência. Antes, amanhã, a mesma publicação será apresentada ao público de Pau dos Ferros, às 19h, no auditório da Cameam. Já no dia 8 de novembro, será a vez da noite de autógrafos em Natal, na Livraria Nobel da Avenida Salgado Filho, às 18h. Nota do Blog – Aguarde-me em qualquer um desses “batlocais“. Eu chego a tempo.

Paiva: Cruviana à mão

Estive sábado (19) no residencial Quintas do Lago (Mossoró). Não conhecia. Fiquei encantado com estrutura já instalada e franca ocupação do lugar, que gradualmente promete ser uma boa referência de moradia para os mais abonados. Bom demais.

O empresário do setor de show business, Valmir Mendonça, que há muitos anos atua a partir do mercado natalense, adquiriu imóvel no residencial Costa Branca (Tibau). Promete fazer do lugar um endereço para frequentes descansos e referência para acolher amigos.

O pastor João Leandro da Silva, de formação presbiteriana, ficou indignado com a passeata denominada de “Caminhada da Paz”, promovida pela Assembleia de Deus de Mossoró, sábado (19). A iniciativa percorreu ruas da cidade até promover um “abraço” para “amarrar” a sede da Prefeitura de Mossoró. Crítico severo, ele esbraveja para o Blog: “Jesus já afirmava que os templos são covis de salteadores”. Para o pastor, os organizadores do evento “são doidos”, pois referendam interesses partidários usando a fé, quando deveriam se mobilizar em defesa do povo e não de um governo. “É um absurdo. Nunca vi isso”, protestou.

A última rodada da Série B foi sofrível para os times potiguares. O América perdeu por 3 x 2 para o Boa Esporte, jogando fora de casa. Já o ABC, que vinha embaladíssimo, acabou demolido pelo Guaratinguetá em seu estádio, o Frasqueirão, pelo placar de 2 x 4. O inusitado foi a expulsão de dois jogadores do alvinegro potiguar, que trocaram safanões entre si, em campo, ainda no primeiro tempo: Flávio Boaventura e Giovanni Augusto.

Alceu Valença vai se apresentar em Natal. Fará um show acústico dia 1º de novembro, uma sexta-feira, às 21h, no Teatro Riachuelo. O inquieto artista pernambucano é sempre um show-man e não deverá ser diferente com essa performance acústica.

Questão de estética

Por Cid Augusto

Meus avós paternos mudaram-se para Natal na década de 1960, a fim de acompanhar os filhos que já se encontravam por lá, estudando. Moraram na Deodoro e, por fim, na Cônego Leão Fernandes, logradouros coincidentemente transversais da rua Mossoró.

O velho se chamava Jerônymo Lahyre de Mello Rosado. Farmacêutico e inspetor de ensino, além de boêmio inveterado, tinha vastos conhecimentos gerais e uma memória prodigiosa. No aniversário de 90 anos, três antes de nos deixar, recitou poemas de Augusto dos Anjos e explicou as declinações do Latim.

Tranquilo, conciliador, era dono de um senso de humor singularíssimo, entre a gaiatice e a ingenuidade.

A jovem atendia pelo nome de Francisca Gurgel da Frota Rosado. Dona de casa, dedicou dias e noites numa máquina de costura para ajudar a garantir a educação dos filhos. Nasceu em Pau dos Ferros e lamentava-se por não conhecer a própria terra, de onde saiu criança.

Braba, austera, talentosa, assisti-a ministrar cursos de pintura de vitrais – até pintei uma arara sob sua orientação – e de congelamento de alimentos, coisa inovadora no Rio Grande do Norte da época. Deixou-nos aos 87.

Faz algumas semanas, conversei sobre os dois com Ernani Rosado, logo após receber do primo uma joia de família, da qual me nomeou guardião vitalício: o caderno original dos poemas manuscritos por Jerônimo Rosado Filho, avô de Ernani, meu bisavô, acompanhado da obrigação de romper seu ineditismo, missão a ser brevemente cumprida.

Rosadinho, só para ilustrar, foi o primeiro dos 21 “numerados” de Seu Rosado, embora não tenha recebido um número por nome. Médico humanitário, poeta, colaborador de vários jornais, autor da tese “Da Bacilemia”, morreu no verdor dos 30 anos.

Disse-me Ernani, na mesma oportunidade em que me designou curador da obra, que, ao se mudar da Deodoro para a Cônego Leão Fernandes, dona Francisca plantou várias samambaias em jarros e xaxins.

As plantas eram tratadas a pão de ló – sol, adubo, água fresca -, mas não se desenvolviam nem por cem e uma cocada, enquanto as da vizinha, embora sem cuidados, eram enormes, pomposas, com aqueles galhos viçosos que pareciam “trançados de cordas”, fazendo jus à origem tupi de sua denominação: çama-mbai.

Certa feita, à mesa do jantar, família reunida, ela desabafou. Disse, um muito amargurada, desconhecer por qual motivo suas “pteridófitas” não respondiam ao tratamento, enquanto as da casa ao lado só faltavam falar.

Eis que o velho Lahyre, meio sem jeito, fez uma inesperada confissão e pôs fim ao mistério. Quando as samambaias começavam a crescer, para impedi-las de ultrapassar a circunferência dos jarros, ele, na melhor intenção de agradar à mulher, passava-lhes a faca, por “questão de estética”.

Moral da história: o gosto, já dizia Edgar Allan Poe, é o único juiz da beleza.

Cid Augusto é jornalista, poeta, cronista e advogado

Língua

Por Cid Augusto

Minha língua é a foz da velha trama
Da saliva que brota no arrepio,
Quando a boca no peito se derrama
Inaugurando o leito deste rio.

Desce ao sopé florido da montanha,
Sobe noutra, mas antes que se instale,
Seduzida no ardor, já não se acanha,
Desembesta dançando pelo vale.

Vai correndo com lânguida destreza,
Levando em ziguezague a correnteza
De suor, d’água doce e de fissura.

Rodopia sem pressa, segue em frente,
Atravessa a floresta e, de repente,
Penetra o mar que geme de loucura.

Cid Augusto é cronista, poeta, escritor, jornalista e advogado

Tatuagem

Por Cid Augusto

O colibri que habita aquelas costas,
Sugando a carne fresca com o  bico,
É a quem nestes versos eu suplico
O caminho secreto das respostas.

Serás por entre gritos, entre espasmos,
Passarinho liberto e prazenteiro
Ou apenas um reles prisioneiro
Do corpo, da fogueira, dos orgasmos?

Quais perfumes seduzem teus sentidos,
Os aromas sutís da castidade
Ou a força motriz dos corrompidos?

Por fim, que se declare e me revele,
Por quais razões trocaste a liberdade
Para amar tatuado à flor da pele.

Cid Augusto é jornalista, escritor e advogado