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O autoritarismo que vive na democracia

Por Wilson Gomes

Arte ilustrativa do Canal Meia
Arte ilustrativa do Canal Meia

Há 75 anos, em 1950, saía a público um livro de fôlego incomum, resultado de mais de uma década de pesquisa coletiva em psicologia social, sociologia e teoria crítica: The Authoritarian Personality (A personalidade autoritária), de Theodor W. Adorno, Else Frenkel-Brunswik, Daniel J. Levinson e Nevitt Sanford. O projeto nasceu sob o patrocínio do famoso Instituto de Pesquisa Social — “transplantado” de Frankfurt para os Estados Unidos — dirigido por Max Horkheimer, em colaboração com a Universidade da Califórnia em Berkeley.

A pergunta que guiava a empreitada era simples e perturbadora: como explicar que tantos cidadãos comuns, em sociedades modernas e supostamente democráticas, pudessem se tornar terreno fértil para o antissemitismo, o etnocentrismo, o preconceito e a intolerância — em uma fórmula sintética, para o fascismo?

Creio que a grande inovação da abordagem de Adorno e colegas consistiu em uma espécie de virada copernicana na forma de representar o fascismo. No centro do sistema, em vez das ideologias, partidos e instituições, de um lado, e das circunstâncias históricas, de outro, como se costuma fazer, é posto o indivíduo e suas atitudes.

O livro nos convida a buscar a fonte da adesão massiva a movimentos antidemocráticos não simplesmente em discursos políticos ou conjunturas históricas, mas nos padrões subjetivos (e intersubjetivos) que levavam certas pessoas a buscar ordem em líderes fortes, a reagir com hostil intolerância diante da diferença e a aceitar certas explicações, em vez de outras, para problemas complexos.

No centro está a “personalidade”, definida como uma estrutura relativamente estável de atitudes, predisposições e modos de interpretar o mundo que orienta a experiência política e social. A pesquisa assumiu como pressuposto que, sob determinadas condições históricas e discursivas, disposições autoritárias — que moldam as nossas personalidades e estão latentes e prontas para serem ativadas — podem ser despertadas e trazidas à tona, abrindo espaço para formas patentes de autoritarismo, até o limite da eclosão do fascismo.

Aceito esse pressuposto, o fascismo e outras formas de movimentos sociais e políticos intolerantes, autoritários e violentos contra a alteridade perdem grande parte do seu excepcionalismo. Há sempre, em qualquer sociedade, um estoque considerável de disposição autoritária, mesmo em democracias estáveis. E ele pode se manifestar em muitos tipos de pessoas, inclusive naquelas que pouco se ocupam de ou se interessam por política.

Essa é a premissa mais perturbadora do livro: o fascismo e toda forma de intolerância política não são excepcionais, não desaparecem de fato e não são extintos.

Permanecem em estado latente nas pessoas, até serem despertados por apelos autoritários que conseguem vencer os freios sociais que os recalcam.

Essa inovação dá a medida do significado do livro. Ao combinar teoria crítica — herdeira da tradição frankfurtiana de crítica marxista e freudiana à razão instrumental e às ideologias reificadas — com os instrumentos empíricos da psicologia social americana, A Personalidade Autoritária inaugurou uma agenda de pesquisa que atravessou 75 anos de debates sobre intolerância política e as bases psicológicas do autoritarismo.

O livro marcou época não apenas por suas teses, mas pelo conjunto de inovações teóricas e metodológicas que trouxe. Pela primeira vez, aplicou-se em larga escala uma pesquisa que unia psicanálise, psicologia, sociologia e estatística em um único programa coerente.

Entre as inovações mais notáveis estão as escalas padronizadas de opinião — entre elas a célebre Escala F (de fascismo) —, as entrevistas clínicas em profundidade e os testes projetivos. O projeto não se limitava a medir preconceito; pretendia oferecer uma “biografia metodológica” das escalas criadas, registrando seus limites, vieses e o aprendizado obtido em cada tentativa. Tudo documentado em uma obra monumental de mais de mil páginas.

Essa disposição de articular teoria social, psicologia individual e técnicas estatísticas em uma só empreitada científica conferiu à obra um caráter pioneiro. Décadas antes de a psicometria se consolidar, A Personalidade Autoritária já oferecia instrumentos sofisticados para medir tendências antidemocráticas e, mais importante, para conectar essas medidas ao diagnóstico social.

Uma das contribuições mais originais do livro é a formulação de um padrão de personalidade autoritária como uma constelação de disposições interligadas — que chamo de “poliedro de nove faces”. Em vez de reduzir o autoritarismo a um único traço, Adorno e colegas o descreveram como a combinação recorrente de diferentes dimensões.

Entre elas, o convencionalismo (adesão rígida a valores e convenções), a submissão à autoridade percebida como legítima pelo grupo de pertencimento, a agressividade autoritária dirigida contra grupos externos, a superstição e a estereotipia como modos simplistas de interpretar o mundo, a valorização da força em detrimento da compaixão, uma visão cínica e fatalista da vida social, a projeção de impulsos reprimidos sobre inimigos externos e a preocupação exagerada com questões sexuais (a repulsa ao sexo).

O instrumento metodológico que formularam servia basicamente para mostrar que essas facetas da personalidade não são independentes, mas se reforçam mutuamente. Quem pontua alto em convencionalismo tende a repetir o mesmo em agressividade contra grupos externos e submissão à autoridade, por exemplo.

É por isso que os autores preferiram falar em “constelação autoritária”: um arranjo de tendências que, tomadas em conjunto, revelam um padrão reconhecível de intolerância e predisposição antidemocrática.

Esse poliedro foi operacionalizado por meio da Escala F, mas também por inventários de valores, questionários de opinião e técnicas qualitativas. O resultado era mais do que um índice de preconceito: era um mapa de como diferentes disposições se articulam para produzir uma atitude política intolerante ao pluralismo, agressiva com o diferente e decididamente autoritária.
Um dos aspectos mais inovadores da Escala F foi justamente sua tentativa de captar predisposições autoritárias de modo indireto, sem despertar as defesas conscientes dos entrevistados. As escalas anteriores — como a A-S (Anti-Semitism Scale), voltada a medir atitudes antissemitas, e a E (Ethnocentrism Scale), focada na hostilidade contra grupos minoritários em geral — lidavam de forma muito explícita com preconceito, mas esse caráter direto induzia respostas socialmente desejáveis: muitos preferiam se apresentar como democráticos e igualitários.

A tentativa intermediária, a PEC (Politico-Economic Conservatism Scale), buscou contornar o problema evitando referências étnicas ou raciais, mas acabou excessivamente ideológica e transparente, o que a tornava fácil de “decifrar” pelos participantes. A Escala F nasce dessa lacuna: formular itens que, sem mencionar minorias nem recorrer a enunciados políticos óbvios, pudessem revelar tendências de fundo da personalidade — padrões de autoridade, convencionalismo, estereotipia, rigidez moral — que se manifestariam tanto em opiniões ideológicas quanto em temas aparentemente neutros da vida cotidiana. Com isso, pretendia-se medir não apenas crenças superficiais, mas disposições latentes, muitas vezes inconscientes, que estruturavam a abertura ou o fechamento de cada indivíduo ao pluralismo democrático.

Os efeitos do livro foram imensos. Ele inspirou pesquisas fundamentais sobre intolerância política (como o estudo de Samuel Stouffer em 1955), sobre preconceito e identidade social, sobre as bases cognitivas e motivacionais do autoritarismo, até os debates atuais sobre polarização, populismo e desinformação digital.

Right-Wing Authoritarianism Scale de Bob Altemeyer, nos anos 1980, foi herdeira direta do modelo frankfurtiano-berkeleyano. E mesmo estudos recentes sobre left-wing authoritarianism e intolerância progressista continuam dialogando com o legado de 1950.

A fortuna crítica, contudo, não foi menor. Muitos acusaram o livro de “psicologizar” (antes, psicanalisar) o fascismo, dando peso excessivo à personalidade em detrimento de fatores históricos e estruturais.

Um dos limites mais discutidos de The Authoritarian Personality está na forma como a Escala F foi concebida e operacionalizada. A intenção era medir predisposições latentes ao fascismo como uma síndrome de atitudes e traços de personalidade, mas muitos itens acabaram confundindo posições políticas legítimas com traços psicológicos autoritários.

Assim, religiosidade intensa, apego à tradição, moralidade sexual convencional ou respeito a autoridades foram frequentemente tratados como sinais de fragilidade do ego e predisposição antidemocrática. A operação psicanalítica, ao traduzir essas atitudes em sintomas de repressão, projeção ou rigidez cognitiva, reforçava essa equivalência. O resultado foi uma tendência a patologizar disposições culturais conservadoras, aproximando-as do fascismo, mesmo quando poderiam existir em democracias estáveis sem comprometer sua vitalidade.

Esse viés não decorre de uma formulação explícita de Adorno e seus colegas, mas de decisões teóricas e metodológicas que deixaram em aberto a confusão entre conservadorismo e autoritarismo. Ao não distinguir claramente a deferência racional à autoridade da submissão acrítica, ou a religiosidade tradicional de uma hostilidade ativa ao pluralismo, a escala alimentou uma leitura segundo a qual apenas estilos de vida liberais e progressistas estariam em sintonia com a democracia.

Essa ambiguidade permitiu que, mais tarde, se difundisse no senso comum de esquerda a tendência de classificar posições de direita como “fascistas” ou “patológicas”. A crítica posterior — de Stouffer a Sullivan, de Altemeyer a Marcus — buscou corrigir esse excesso, refinando os instrumentos de medida para separar o apego a normas convencionais das atitudes francamente intolerantes e antidemocráticas.

Do ponto de vista normativo, esse legado é ambíguo. Por um lado, a obra foi pioneira em mostrar que predisposições psicológicas importam na compreensão do autoritarismo; por outro, deixou como herança a suspeita de que o conservadorismo seria intrinsecamente incompatível com a democracia.

A literatura posterior, sobretudo com o conceito de Right-Wing Authoritarianism de Altemeyer, mostrou que o problema não está em valores tradicionais ou em sociedades hierárquicas em si, mas na forma patológica como certos indivíduos transformam a obediência em subserviência, a moralidade em intolerância e a religiosidade em dogmatismo repressivo.

A grande lição, então, é dupla: se a pesquisa de 1950 revelou o perigo real das predisposições autoritárias, também mostrou como as próprias lentes intelectuais podem gerar distorções, confundindo diversidade cultural e ideológica com ameaça à democracia.

Outros questionaram a validade da Escala F e a homogeneidade sociocultural da amostra. Essas críticas são importantes e, em parte, justas. Mas seria injusto ignorar que o livro sempre insistiu na interação entre predisposições individuais e ambiente social: sem crises, ameaças e discursos mobilizadores, os potenciais autoritários permanecem latentes.

Essa noção de autoritarismo como predisposição ativável antecipou, em linguagem própria, o que décadas mais tarde se tornaria central na psicologia política. Hoje sabemos que cidadãos que se autodefinem tranquilamente como democratas convictos podem, sob condições de ameaça real ou imaginada, apoiar medidas intolerantes contra adversários políticos.

A atualidade do livro salta aos olhos. Democracias vivem sob pressão de forças que exploram exatamente esses mecanismos: líderes e movimentos que, ao amplificar medos e fabricar inimigos, despertam tendências latentes à intolerância e ao dogmatismo.

A ascensão da extrema direita digital, que organiza ressentimentos e oferece explicações simplistas para crises econômicas, culturais e identitárias, é prova disso. Mas não apenas ela: também movimentos progressistas identitários, ao reivindicar censura e punição de vozes dissidentes, alimentam novas formas de intolerância política.

A lição dos frankfurtianos e de seus colegas de Berkeley continua válida: sociedades democráticas não podem se dar ao luxo de ignorar as predisposições autoritárias que residem nelas mesmas. Reconhecer sua existência, estudá-las com rigor e criar mecanismos institucionais e culturais para neutralizá-las é parte essencial da defesa da democracia.

Se em 1950 a questão era entender o fascismo europeu, hoje é compreender como a intolerância se reinventa dentro de democracias que ainda se pretendem abertas.

Setenta e cinco anos depois, o diagnóstico permanece perturbador: o autoritarismo não é uma anomalia distante, mas uma sombra que acompanha a democracia, sempre à espera de novas oportunidades históricas para se manifestar.

Em tempo: Não tenho conhecimento de traduções de The Authoritarian Personality em português, mas a editora da Unesp traduziu, em cerca de 600 páginas, vários dos seus capítulos principais, e nomeou o livro Estudos sobre a personalidade autoritária, cuja leitura recomendo.

Wilson Gomes é doutor em filosofia, professor titular da Universidade Federal da Bahia e autor de “Crônica de uma Tragédia Anunciada”

Concórdia

Por Bruno Ernesto

Igreja de São Pedro, Zurique/Suíça (Foto: Bruno Ernesto)
Igreja de São Pedro, Zurique/Suíça (Foto: Bruno Ernesto)

Não é de hoje que há determinados temas que devem ser abordados de forma cautelosa, tais como futebol, política e religião.

Como é natural, cada pessoa tem suas preferências, convicções e posicionamentos ideológicos. Algo que beira a cosmovisão, ou seja, a forma que determinado indivíduo enxerga o mundo.

Essa tríade tem um potencial enorme para desencadear sentimentos antagônicos, beirando o radicalismo e, em certas ocasiões, o extremismo.

Sou um profundo admirador de quem respeita a opinião do outro, embora discordando do ponto de vista de seu interlocutor, afinal, todos nós temos o direito de acreditar em algo e ninguém tem o direito de impor ideias, opiniões e crenças a ninguém. E quando impõe, a história tem inúmeros registros de verdadeiras revoluções mundo afora.

Decerto que as questões relacionadas à convicção e práticas religiosas sempre enfrentaram e continuam enfrentando, um grande desafio.

Atualmente, é corrente o debate e constatação de que as designações religiosas vêm, cada vez mais, perdendo espaço em meio a debandada de fieis e o surgimento de uma geração pouco afeita às práticas religiosas, embora não se julguem ateus.

Há quem procure abordar temas espinhosos, do ponto de vista artístico e literário, de modo a lançar uma análise ou mostrá-lo sob uma outra perspectiva, diferente daquela que é comum de observarmos.

Veja, por exemplo, que a sátira é o estilo literário mais utilizado para fazer esse tipo de abordagem, que nada mais é, ao final, que uma maneira de se fazer uma crítica aos costumes sociais em forma de ironia e sarcasmo, beirando por vezes a comédia, mas que, no fundo, aborda um tema espinhoso e delicado.

Esse estilo remonta à Grécia antiga, e com as redes sociais, explodiu na forma de memes e pequenos vídeos e que, certamente, você já deve ter repassado para alguém conhecido. Nem que tenha sido na forma de uma figurinha de WhatsApp.

No Brasil, um clássico desse estilo é o Auto da Compadecida, de autoria do paraibano Ariano Suassuna, que, apesar de ter sido um homem bastante religioso, não deixou de lançar mão desse estilo literário, quando condicionou o recebimento da herança da cadela ao seu enterro com exéquias em latim.

Na década de 1960, surgiu o grupo de comediantes inglês chamado Monty Python, que produziu uma série de vídeos e filmes, abordando temas sensíveis, como filosofia e religão, dentre os quais, o filme “A Vida de Brian” (1979), uma sátira bastante ácida sobre o cristianismo, na qual o jovem Brian, nascido no mesmo local e período de Jesus Cristo, foi confundido com o verdadeiro messias, e que na época de seu lançamento gerou grande repercussão e reações dos cristãos.

Para quem se interessar e quiser assistir ao filme, o mesmo está disponível na íntegra no YouTube na versão dublada do estúdio Maga, que pode ser acessado por este link: //www.youtube.com/watch?v=Cv3qr1yD0Ao&t=76s  .

A intolerância religiosa que se espalha nas redes sociais hoje, e que antes parecia bem distante de nós e de pessoas do nosso convívio, em verdade, apenas deixou de ser velada, passando a ser tangível, de certa forma, o que tem causando bastante espanto, independentemente da religião que se professe, ou mesmo naqueles que sequer são adeptos a alguma prática religiosa ou mesmo num ateu.

Um episódio que gerou bastante repercussão em Mossoró, ocorreu no ano de 1886, três anos após o Ministro evangelista norte-americano, Dr. De Lacy Wandlaw, primeiro missionário protestante celebrar um culto na cidade, ter retornado à Mossoró.

Após a primeira celebração protestante em Mossoró, no ano de 1883, com o casamento de Ricardo Vieira do Couto com Maria Tereza Davina de Jesus, em 1885, efetivou-se instalação da congregação religiosa da igreja presbiteriana na cidade, sob o comando de João Mendes, que passou a ser hostilizado pelos locais, chegando, inclusive, a ponto de o telhado da casa do ministro evangelista, por diversas vezes, ter sido apedrejado por radicais, fanáticos, desocupados e até por ateus.

O ponto máximo da intolerância, se deu em 1886, como acima dito, quando o evangelista norte-americano, Dr. De Lacy Wandlaw, tendo retornado à cidade de Mossoró para assumir a igreja presbiteriana local, também passou a ser hostilizado, tal qual seu antecessor.

Diante da situação, formou-se um grupo que, em resposta às hostilidades, aguardaram mais um ataque ao telhado da casa de Dr. De Lacy, para revidá-lo.

Entretanto, ao invés de pedras, revidaram com disparos de armas de fogo, e mesmo que o embate daquele dia não tenha deixado ninguém de corpo ferido, a confusão pôs fim às hostilidades crescentes, reinando, até hoje, a concórdia em Mossoró, ficando esse infeliz episódio apenas nos registros históricos.

Bruno Ernesto é professor, advogado e escritor

A arte de ter paz

pés na areia, passeio na praia, mar, pegadas na areia,Há muito, muitos anos, li “A arte de ter razão” de Arthur Schopenhauer, um clássico da dialética erística lançado no século XIX. Em síntese, a erística é a técnica de debate utilizada para vencer a qualquer custo. Sem que você, necessariamente, tenha razão.

Nesses tempos de tanta intolerância, o livro pode ser vital para quem gosta de bate-bocas (por natureza beligerante), queira alimentar seu ego ou deseje puxar seguidores nas redes sociais.

E daí?

Prefiro a paz dos que não possuem certeza. Quero a companhia dos que não perderam a capacidade de ouvir e que, talvez, me escutem.

Tem-me feito um bem caudaloso.

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As pegadas da intolerância

Sem Anistia!O silêncio de alguns e declarações de outros que tentam se distanciar da fúria destruidora de ontem, em Brasília, são carta de seguro à cata de proteção.

Mas suas pegadas estão por aí, preservadas, fossilizadas na Net.

Anistia, nem pensar.

Punição severa.

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O mal do “nós contra eles”

bolsonaro-lula-prismada-848x477Por Carlos Santos

Estou em grupos de WhatsApp bolsonarista e lulista. Nos dois lados a prioridade é atacar o adversário, em vez de exaltar méritos do seu ídolo. Psicologia explica: falar mal do outro é uma forma de projeção do que somos, mas não aceitamos ou desconhecemos em nós. Ego refletido.

Entre os participantes desses grupos, com quem consigo interagir com urbanidade, pergunto por que não destacam realizações e pensamentos do seu candidato. As respostas são estrábicas. A rotina diária é a mesma e sempre compulsiva: polarização de sentimentos doentios.

Digo-lhe: torço que a eleição possa promover armistício, aplacar esse ódio coletivo, instigar recomposição de amizades, sarar famílias e pacificar o país.

Mas, duvido.

Seja lá quem vença, seguiremos vítimas da intolerância, movidos pelo “nós contra eles.”

Doentes.

Carlos Santos é fundador e editor do Canal BCS (Blog Carlos Santos)

A intolerância incurável e a normalidade do ódio

medo, prisão, ódio, tensão, angústia, correntes, portaSegundo um campo da psicanálise, a intolerância é “incurável”. Porém, pode ser controlada.

Alojado em vários grupos de WhatsApp com tendências bolsonarista ou lulista, não coloco em dúvida essa corrente de pensamento, a partir do que testemunho passivamente. Menino, eu vejo.

A frequência com que cada lado vomita impropérios e despeja conteúdo contra o opositor, é revelador do vínculo umbilical entre ambos. Há maior prazer em insultar o ídolo alheio do que exaltar seu amo.

O oposto do amor é o ódio? Vários pensadores asseguram que não. Seria a indiferença.

Como leigo no tema, diletante no conhecimento cientificista, mas metódico na observação em considerável tempo de vida, raciocínio que o indiferente não é alguém imune ou liberto de quem odiou ou odeia. Apenas superou a dominação.

O intolerante está doente.

Se incurável, que cada um pelo menos consiga administrar sua normalidade.

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Deputado transborda preconceito e o próprio partido o repreende

Empossado semana passada (veja AQUI) para mandato interino, por licença do titular Kelps Lima (Solidariedade), o deputado estadual suplente Michael Diniz (Solidariedade), de Parnamirim, transbordou em preconceito e avaliações ‘científicas’ próprias, para mostrar sua repugnância às pessoas LGBTI+. Foi nessa quarta-feira (22).

Michael Diniz tem 120 dias para mostrar quem é; começou hoje (Foto: AL)
Michael Diniz tem 120 dias para mostrar quem é; começou hoje (Foto: AL)

No plenário da Assembleia Legislativa do RN, Diniz, 27 anos, formado em Administração, acadêmico de Enfermagem, declarou: “Eu demonstro meu repúdio, demonstro meu desprezo por todo esse movimento. Sinceramente, eu acredito que esse povo precisa de um tratamento psiquiátrico urgente.”

Citada no discurso, a deputada estadual Isolda Dantas (PT) reagiu: “O deputado estreante na ALRN está disposto a representar o bolsonarismo. Mas o tratamento pro preconceito deve ser no rigor da lei.”

Mas, veio do próprio partido do imberbe parlamentar a mais dura estocada contra a intolerância dignosticada. O Solidariedade emitiu uma nota pública bem esclarecedora. Veja no boxe abaixo:

O Partido Solidariedade RN não concorda nem possui entre suas atividades posições de cunho de preconceito ou discriminação de qualquer forma.

Muito pelo contrário, o partido é formado sob a base de que todos devem e podem encontrar em na agremiação uma plataforma para discutir e defender suas ideias com tolerância e respeito.

As posições do deputado Michael Diniz não refletem a opinião formal do partido e não fazem parte das bandeiras partidárias.

Janiel Hercilio – presidente do Solidariedade RN.

Nota do Canal BCS (Blog Carlos Santos) – Ainda bem que Diniz passará pouco tempo na Casa (120 dias), onde não tem nada a acrescentar, é visível. Jovem ainda, mais do que a política, a vida vai lhe ensinar. O aprendizado pode ser muito longo e doloroso. Porém, já começou.

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Meus limites na melhor rede social

TwitterEstou tranquilo sobre mudanças no Twitter (veja AQUI), rede social favorita.

Tenho meus limites: não insulto quem discorda de mim, não uso palavras de baixo calão, não tenho endereço falso, não compartilho ou produzo fake news, não tenho seguidores.

Quem tem seguidor é líder de seita.

Basta me acompanhar.

Leia também: Elon Musk compra Twitter por 44 bilhões de dólares.

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Gente feliz, gente infeliz

Felicidade e infelicidade, alegria, raiva -= 2Por Gilson Cardoso

3 de Agosto – O ambiente da internet (me refiro às redes sociais) tá cada vez mais perigoso.

Hoje, a cantora Walkiria Santos perdeu seu filho adolescente.

As críticas que o menino sofreu por conta de uma brincadeira postada foram o suficiente. Por que as pessoas se metem tanto na vida alheia?

Por Canal BCS (Blog Carlos Santos)

4 de Agosto – Pessoas infelizes dedicam boa parte do seu tempo a tornarem a vida alheia infeliz.

Há uma carga viral insana, contaminando muitas outras para mesmo fim: infelicitar os outros.

Quem está bem consigo, com seu entorno e mundo, está muito ocupado em desfrutar a vida e espalhar o bem.

*Diálogo travado na plataforma Twitter com o radialista Gilson Cardoso.

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Um Brasil finalmente unido

Rayssa Leal faz uma manobra na final (Foto: Ezra Shaw-Getty Images)
Rayssa Leal faz uma manobra na final (Foto: Ezra Shaw-Getty Images)

Bom saber que nessa madrugada, o Brasil finalmente se uniu, deixando de lado a estupidez, as fake news, fanatismo e ódio.

Torceu pela menina skatista Rayssa Leal, 13 anos, Prata nas Olimpíadas de Tóquio.

Meninos eu não vi, mas gostei demais.

Viva a maranhense Rayssa!

Saiba mais sobre essa vitória gigante clicando AQUI.

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Candidato a vice-prefeito é denunciado por divulgar fake news

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou uma Ação Civil Pública (ACP) contra o ex-candidato a deputado estadual e candidato a vice-prefeito de Mossoró, Daniel Sampaio (PSL). Ele teria divulgado notícias falsas – as chamadas fake news – envolvendo a Universidade Federal Rural do Semi-árido (UFERSA), alunos de forma generalizada, e demais universidades federais.

Daniel deu entrevista ao programa Cenário Político da TCM; ele é candidato a vice-prefeito (Foto: reprodução)

Em entrevista à TV Cabo Mossoró (TCM), programa Cenário Político, dia 7 de maio de 2019, “ele acusou falsamente essas instituições de não prestarem conta dos recursos recebidos, de promover o vício em drogas entre os alunos e ainda tratou com preconceito os estudantes que usam tatuagens”.

O MPF alerta que essas informações falsas prejudicam a imagem não só das instituições, como de todos os profissionais por elas formados, e requer do réu o pagamento de indenização em danos morais coletivos no valor de R$ 500 mil.

Difamação, preconceito, ódio e intolerância

“A afirmação do réu é difamatória e preconceituosa e não corresponde à realidade dos professores e alunos”, enfatizam os procuradores da República Emanuel Ferreira e Fernando Rocha, autores da ACP, para quem a omissão diante desse tipo de comportamento estimularia novas manifestações de ódio e de intolerância, passando longe da legítima liberdade de expressão.

“Eu como médico psiquiatra estou acompanhando os alunos que estão saindo das universidades federais, e acompanho jovens que entraram na universidade com sonhos e estão saindo com tatuagens, dependências químicas, principalmente em álcool e maconha, doenças mentais graves. Isso é um alerta aos pais: se minha filha fosse aprovada numa universidade federal, eu não deixaria ela cursar”. (Daniel Sampaio)

Na oportunidade, ele ainda considerou “esquisita” as manifestações culturais desenvolvidas na universidade e alegou que muitos alunos entram nessas instituições “sem nenhuma dependência química, sem nenhuma tatuagem e estão saindo cheios de tatuagens com dependências químicas”, resultando em doenças mentais graves. Atribuiu ainda às universidades o aumento dos casos de suicídio entre jovens.

Ufersa reage

A Ufersa lembrou ao psiquiatra, que “os transtornos mentais e do comportamento têm origem e desenvolvimento multicausais, dada a influência dos fatores sociais, culturais, genéticos, neurobiológicos e psicológicos”, não sendo obviamente resultado de um único fator, muito menos da frequência a uma universidade federal.

Para o MPF, as declarações do ex-candidato mostram – além de preconceito e desconhecimento – uma visão autoritária de cultura que admite somente uma visão de mundo possível, a do próprio réu, a respeito de uma esfera de ensino público no qual devem vigorar o pluralismo de ideias, a vedação da censura e a proteção à liberdade de expressão.

Daniel é médico psiquiatra, originário de Fortaleza, 45 anos, presidente estadual do PSL e candidato a vice-prefeito da ex-prefeita Cláudia Regina (DEM) – veja AQUI e AQUI.

Acesse e baixe AQUI a íntegra da ação.

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Em tempos de pós-verdade

Por Francisco Edilson Leite Pinto Júnior

Em tempos de “Pós-Verdade”, onde  os fatos objetivos têm menos influência que os apelos às emoções e às crenças pessoais, nada mais atual do que ler o livro do escritor e estudioso digital Gil Giardelli:

– “Nesse mundo em rede, podemos estar solitários, mas jamais estaremos sozinhos. São dezenas de amigos em seu Inbox, Messenger, Facebook, Twitter, Foursquare, Blog, Instagram, Pinterest… Contudo, passamos a viver em uma zona de neblina entre a vida real e a virtual (…)

– “O mundo on-line parece um grande palco de teatro de espelhos, no qual o tímido se torna extrovertido, o calmo se torna visceral, o rude se torna romântico. A inconveniência da verdade é criar um alter ego digital acima da lei, viver uma vida paralela completamente diferente da real (…)

– “Quando você dá sua opinião, curte, divulga, comenta, segue, lê, escreve, redireciona, divide, fala sobre e faz mais gente saber sobre algo, usando os recursos digitais, já está compartilhando. Sua existência digital, sua reputação, é medida pelo que você COMPARTILHA, pelo quanto influencia os outros e pelo modo como faz a diferença no mundo (…)

– “Eu amo a internet, vanguardista e revolucionária, que tem como principal e mais vantajosa característica a pura e simples liberdade de expressão. A ideia de que todo progresso tem seu preço talvez seja tão velha quanto a invenção da roda e o primeiro acidente por ela provocado. E o preço da internet é que ela potencializa e amplifica tudo, inclusive a idiotice”…

Pois bem, se comecei com o livro do Gil Giardelli, vou terminar agora fazendo uma advertência do sempre atual Nelson Rodrigues:

– “Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos”…E como são muitos os idiotas que passam o dia fazendo Fake News, distribuindo ódio e amargura pelo mundo, só porque não conseguem amar a si mesmo e nem amar ao próximo… “Ó tempos, ó costumes” (Cícero, orador romano).

Que o Brasil acorde, antes que seja tarde demais…

Francisco Edilson Leite Pinto Júnior é professor, médico e escritor

A civilização contra o fascismo

Por François Silvestre

As manifestações de sábado (29), pelo Brasil e pelo mundo, foram um sobro de espanto que fez os fascistas usarem o velho e surrado escudo da mentira.

Vi e participei da movimentação na Cinelândia.

Indescritível a beleza do movimento.

Enquanto isso, alguns resíduos do fascismo esperneavam em Copacabana. O que apareceu, nalguns focos da net, foi uma foto da época do Impeachment como se ontem fora.

Em todo o Brasil as mulheres deram uma lição de democracia e civilidade. Só no Brasil? Não. No mundo. E não foi em Cuba ou Venezuela. Foi na Dinamarca, Noruega, Irlanda, França, Alemanha, Austrália, Argentina, Inglaterra, África do Sul e vários outros países.

Quem apostou nas experiências da direita fascista começa a arrepender-se.

Veja o caso emblemático da Argentina.

A autocrítica feita pela Itália, Espanha e Portugal.

O fascismo andava escondido, com vergonha do holocausto e das ditaduras latino-americanas. Mas a estupidez de algumas “esquerdas” personalistas e desonestas ressuscitaram o fascismo.

É preciso acabar essa história de Esquerda e Direita. São duas merdas testadas e comprovadamente maléficas. A saída é a Democracia, o socialismo democrático. Sem amarras da burrice ideológica.

Viva a Liberdade, vivam a tolerância e a paz!

Fora o fascismo, de qualquer lado.

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Um país em marcha batida para algo ainda pior

Candidato à presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL) disse nessa sexta-feira (28) que não vai aceitar o resultado da eleição, caso não seja o vencedor.

– Pelo que eu vejo nas ruas, não aceito resultado das eleições diferente da minha eleição – assinalou em entrevista gravada no Hospital Albert Einstein em São Paulo (SP), ao jornalista José Luiz Datena do programa “Brasil Urgente”, da rede de TV Band.

Já o ex-ministro José Dirceu (PT) afirmou ao jornal El País (Espanha) que “é uma questão de tempo pra gente tomar o poder”.

Seguimos céleres, em marcha batida, para o aprofundamento de uma crise que parece sem fim, marcada pela intolerância, pela incapacidade de um armistício, sem um necessário entendimento nacional.

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Alvos provisórios

Pelos próximos dias alguns jogadores da Seleção do Brasil ainda serão alvos preferenciais da intolerância e da ira nacionais.

Depois voltaremos à normalidade daquela luta psicótica entre embutidos e salgados, ou seja, “mortadelas” e “coxinhas”.

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Os cordões

Por François Silvestre

Ivo de Cidinha é do cordão encarnado, organiza sua barraca embandeirada de rubro vivo.

Canindé de Olavo é do cordão azul, nem põe a lona de cobertura para usar o céu como teto da sua barraca.

Na hora da dança, no patamar, eles nem se cumprimentam. Desdenham um do outro. Detestam-se. Entre eles, a Diana, cujas vestes ostentam as duas cores; a banda da saia azul virada para o cordão encarnado e a banda vermelha da saia virada para o cordão celeste.

Ivo ver tudo vermelho, na sua vida. Gosta de carne quase crua, de beterraba e suco de melancia. Prefere os dias nublados pra não ver o azul do céu. E gosta de apreciar o por do sol, quando as quebradas do Poente fazem as nuvens avermelhadas e tingem de chumbo o sossego do Nascente.

Canindé detesta carne vermelha, de melancia só aprecia a fruta intacta, pra não ver seu miolo. O céu é sua paisagem preferida, principalmente com as nuvens recolhidas, onde o azul se espalha como lona perene da sua barraca. Seu carro é azul e as portas da sua casa também.

Os dois se odeiam. Nos tempos normais, sem a festa das barracas, odeiam-se cordialmente. Na época da festa, a desavença torna-se incontrolável.

A Diana, com suas duas cores, não merece a confiança de nenhum dos dois. Cada um acha que ela se rebola mais animada para o lado da saia do cordão contrário.

“Ela é azulada”, diz Ivo. E a olha com desdém. “Ela nunca desencarnou”, afirma Canindé. E a trata com desconfiança.

E assim, intolerantes, levam a vida num inferno de disputa sem trégua. Não há bandeira branca, que é mistura das cores; nem preta, ausência dos matizes.

Ou o céu escancarado ou o sangue derramado. Não frequentam o mesmo bar, a mesma igreja nem torcem pelo mesmo time. Nas Copas do Mundo, um veste camisa azul e o outro camisa amarela. Ivo reclama de não ter vermelho na nossa bandeira. E Canindé adora quando o Brasil joga com o terno azul.

Se o padeiro português deixar o pão mais tostado, Canindé o acusa de barraqueiro avermelhado. Se o pão ficar pálido, Ivo o acusa de traíra. “É preciso tostar bem pra casca ficar vermelha”.

A vida deles não comporta neutralidade nem isenção. Ou é tudo do seu lado, ou é tudo do lado oposto. Ninguém pode apreciar mérito algum nos dois cordões. Nem defeitos. Ou cada cordão é a cor agregada feito tatuagem ou é a cor a ser expelida, sem a menor chance de convivência. Té mais.

François Silvestre é escritor

Um morreu, o outro esperneia

Por François Silvestre

O stalinismo morreu. Ponto. O comunismo nunca existiu; teve o nome associado a uma caricatura por repetir como oração o Manifesto do Partido Comunista de Marx e Engels.

Foi uma ilusão a pensar numa humanidade do porvir. Mas prestou um grande serviço. A quem? Ao capitalismo.

Todo idiota que detesta a palavra socialismo usa o “comunismo” como desculpa para babar-se de espuma hidrofóbica contra toda e qualquer manifestação humana de liberdade não convencional.

São os fascistas.

O fascismo vive.

Vive na repulsa à liberdade. Vive no ódio à fraternidade. Vive a aspergir a gosma do preconceito.

A depender deles, a burca das mulheres árabes deveria chegar aqui. Mesmo que eles as despissem para serem violentadas no esconderijo das suas taras. É isso.

O fascismo é o estuário das taras. E a primeira delas é a incapacidade de conviver com opiniões contrárias.

Stalin morreu e foi sepultado. Felizmente.

Hitler vive, a iluminar o epitáfio de um túmulo inexistente.

No mesmo forno onde o fascismo cremou judeus, agora os fascistas convocam o sionismo para cremar opiniões.

François Silvestre é escritor

Quanta carência de tolerância e empatia

Por Odemirton Filho

Vivemos tempos delicados. O mundo, tão evoluído em alguns aspectos, parece-me está retrocedendo. O homem, apesar de todo o conhecimento, pouco amadureceu.

Se volvermos o olhar para cada aspecto de nossas vidas veremos quão difícil estão os relacionamentos pessoais. Intolerância e falta de empatia são marcas registradas do homem contemporâneo.

A intolerância “é uma atitude mental caracterizada pela falta de habilidade ou vontade em reconhecer e respeitar diferenças em crenças e opiniões”.

Por outro lado, a empatia significa a “capacidade psicológica” para sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. Consiste em tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente outro indivíduo”.

Tomemos, como exemplo, o Brasil das redes sociais.

Atualmente, muitos se escondem no mundo virtual para disseminar o ódio e a intolerância. Revelam-se da pior forma. Não se trata de não aceitar o pensamento do outro, pois a divergência de opiniões é salutar para a convivência humana, mas de ofensas que nada acrescentam.

Na seara política o debate entre a extrema esquerda e a extrema direita revela-se não uma discussão ideológica, mas de cunho eminentemente político-partidário, fragilizando, mais ainda, a incipiente democracia brasileira.

Partidários de A e B digladiam-se de forma irracional, sem ponderar os pontos positivos e negativos de seus candidatos.

Nessa “guerra” insana perdemos a oportunidade de discutir com racionalidade os melhores quadros para o país.

Noutra ponta, a religião é discutida de forma intolerante, sem abertura ao diálogo. Poucos buscam o ecumenismo como forma de conciliar divergências e de formatar um mundo melhor. Discutem qual é a melhor interpretação da Bíblia ou qual é a religião ideal para se chegar a Deus.

O ódio, de igual modo, é disseminado contra pessoas que, para alguns, não estão de acordo com o padrão social que idealizam. Agridem sem o menor pudor ou respeito.

São tempos difíceis.

Aproveitemos a celebração do tempo quaresmal e, em especial, este domingo de Páscoa para rever nossas atitudes. Independentemente da religião que professemos, ou não, é momento para uma profunda reflexão.

Um pouco de tolerância e empatia, por favor.

Odemirton Filho é professor e oficial de Justiça

Um dia essa terra ainda vai cumprir seu ideal

O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), o prefeito paulistano João Dória Júnior (PSDB) e o ex-presidente Lula (PT) fazem périplo pelo país.

Mexem-se à maior visibilidade e de olho na campanha eleitoral de 2018.

Todos os três sofrem hostilidades de segmentos radicais organizados.

Pequena mostra do que nos aguarda para o próximo ano.

Estamos num país rachado. Seguimos fracionados, extremados no ranço. Não aparece ninguém capaz de liderar o Brasil em cima de uma agenda realista, desenvolvimentista e humanizadora.

Vociferam! Rosnam! Populismo, oportunismo e marketing de ocasião prevalecem.

Os próprios protagonistas políticos ajudam na construção desse cenário de intolerância: os três, sem exceção, usam discursos divisionistas e promovem pregações que nos jogam num fosso ainda mais profundo.

Mas eles não estão isolados.

Essa gente consegue o apoio de uma manada de estúpidos nessa tarefa continuada de nos impossibilitar de ser uma nação de verdade, com todo nosso sincretismo político, religioso, étnico, cultural etc.

Pátria amada Brasil!

Até quando continuaremos sendo isso, dependendo dessa gente e de outros personagens incapazes de enxergarem o país com suas diferenças, mas acima de tudo com a exigência de ser uno?

Um dia essa terra ainda vai cumprir seu ideal.

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Um não, lá atrás, contra a intolerância de hoje

Há exatamente quatro anos este Blog teve postagem com o seguinte título: “Um não, lá atrás, contra a intolerância de hoje“. Era dirigida ao webleitor Rui Nascimento, mas que servia para que analisássemos o extremismo entre pessoas durante a campanha municipal de Mossoró àquele ano.

Passado esse tempo, estamos em nova campanha e o cenário parece se repetir. Intolerância e estupidez permeiam o comportamento de muita gente esclarecida e teoricamente de bem.

Veja o que foi postado no dia 27 de Setembro de 2012:

Rui Nascimento e tantos outros webleitores deste Blog:

Meu caro Rui, sei de casos de amizades de infância-adolescência desfeitas após décadas, devido baixarias, ressentimentos e o besteirol de provocações na atual campanha eleitoral.

Quanta intolerância. Quanta insensatez.

Sei de casal que trocou tapas num shopping, com plateia à vista, também devido a radicalização dessa campanha em Mossoró. A família em xeque, por nada.

Meu Blog é um termômetro disso.

Diariamente chegam postagens – boa parte com nomes falsos – promovendo agressões etc. Muitas são feitas contra mim e até familiares meus. Lamentável.

Gente incapaz de ouvir, geralmente não fala: rosna e late. Pode morder também.

Quem não tem argumentos costuma atacar o argumentador. Como o leão, não para de rugir para intimidar, na crença de que tem razão sempre, por parecer que tem a força para sempre.

Pobres diabos!

A sabedoria que vem da África, atravessa o Atlântico, para nos auxiliar na compreensão ou no entendimento de tanta estupidez.

– Meu pai sempre dizia: não levante a sua voz, melhore seus argumentos (Bispo Desmond Tutu, Nobel da Paz, uma voz em defesa da igualdade, contra o apartheid na África do Sul).

Recordo que há vários anos eu circulava entre gôndolas de um supermercado, em Mossoró, e vi uma criança de no máximo dois a três anos dando um espetáculo de choro, espichada ao chão. Contorcia-se, avermelhada, à cata de atenção da mãe. Ela ignorava-a.

De repente, vendo que não teria o iogurte pedido em tom de pressão emocional, pura chantagem, a criança emudeceu. Beicinho desfeito, pegou novamente a mão de sua mãe e continuou o périplo de compras.

Pensei comigo: essa menininha crescerá entendendo o que é “limite”; saberá bem o significado do “não”; será tolerante.

A mãe, orgulhosa, vai afirmar: “Essa é minha filha!”

Boa parte de tanta virulência tem explicações no passado. Os intolerantes – quase sem exceção – cresceram acreditando que podem tudo, que merecem tudo, que nada pode lhes barrar. Não aceitam ser contrariados.

Um “não”, lá atrás, poderia nos poupar de muita agressividade que testemunhamos hoje. Preservaria amizades, por exemplo.

Ah, por favor, não me venha com aquele raciocínio: “Fulano faz isso porque tem um cargo; tem o que perder…!”

Existem dezenas e centenas de pessoas com cargos comissionados, com privilégios, fartas vantagens em jogo, mas nem todas – ou a grande maioria – não desce ao lamaçal, mesmo tendo o que perder.

O problema não é o que se tem a perder, mas o que não se conquistou antes: a capacidade de ouvir.

Um “não”, lá atrás, poderia nos poupar das agressões.

Agressão não se rebate. Revida-se. Ou não.

No meu caso, o silêncio e a indiferença são infalíveis diante dos que espumam de ódio e vassalagem doentia. Como aquela criancinha, o indivíduo hidrófobo deseja chamar a atenção. Quer notoriedade, para que lhe façam os gostos. O gosto de ser visto e paparicado como algo melhor e superior.

Ao me calar, não manifesto consentimento. Digo, sem voz, que não troco juízo com estúpidos.

Continuarão esperneando, espichados no pântano em que vivem há tempos, como vermículos. Esse é seu ambiente. Lá ficarão.

É isso, Rui e demais amigos webleitores.

Abração.

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