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Pão nosso de cada dia

Por Marcos Ferreira

Foto do autor da crônica
Foto do autor da crônica

Presumo que poucas pessoas se interessem por esse conteúdo, por essa informação. Pois se trata, a bem da verdade, de uma sensaboria, algo de quem parece não ter coisa melhor para dizer. Teimoso, porém, vou contar esta história insípida. É que hoje acordei cedo. Cedinho mesmo: pouco depois das quatro da madrugada. A bexiga estava de fato nas últimas, então fui ao banheiro e não consegui reaver o sono. Volta e meia isso acontece; uma emergência fisiológica. Ainda assim, com o quarto na penumbra e naturalmente frio, retornei para a minha rede e os cobertores.

Vocês sabem que em ocasiões dessa ordem, quando a gente se encontra insone por inteiro ou parcialmente, mil e uma maluquices nos vêm à cabeça. Então nos alcança um monte de besteirol, pessoas e meio mundo de lucubrações. No meio disso, fato corriqueiro, vêm ao meu juízo determinados temas que julgo aproveitáveis, com certo potencial para converter em uma crônica garranchosa.

Recordei-me, por exemplo, de uma dúzia ou mais de amigos que têm (coloco-me no meio deles) esse alumbramento visceral, comunhão, enlace com o exercício da escrita. Sim. É o que estou dizendo. Somos, de forma saudável, reféns espontâneos e um tanto orgulhosos dos vencilhos, das amarras da escrita. Como no verso de Camões, é estar preso por vontade, é servir a quem vence o vencedor. O bardo caolho é fora de série, extraordinário, um fenômeno da poesia. É incomparável.

Então penso, após todo esse nariz de cera, nos meus pares, nos meus amigos literatos, homens e mulheres dominados pelo micróbio da literatura. Alguns desses indivíduos inéditos em livro (por razões que a própria razão desconhece) seguem fugindo da raia, fazem ouvidos moucos ao chamado da Literatura. Lembro, mas que isso fique apenas entre nós, de figuras preciosas e cheias de hesitações como nosso querido arquivo ambulante Rocha Neto. E não apenas o Rocha. Há outros desertores da tinta e do tinteiro nesta Macondo nordestina. Faço aqui a vez de dedo-duro.

O que tanto esperam (insisto que esse assunto fique só entre nós) os senhores Marcos Araújo, Bruno Ernesto, Odemirton Filho, Ailson Teodoro, Raquel Vilanova e, entre outros, Bernadete Lino? Pois é, meus caros. A senhora Bernadete Lino, pernambucana que mora em Caruaru, tem o que verter para o papel. Ela, que me oferece a honra de sua amizade e tem um forte elo com nossa terra, possui uma biografia muito bonita. Estou certo de que um livro seu de memórias, considerando a clareza de seu pensamento e intimidade com nosso idioma, seria uma ótima contribuição às letras. João Bezerra de Castro, gramático vocacionado, pode afiançar o que digo.

A labuta da escrita, perdoem esta metáfora talvez de mau gosto, representa o nosso pão de cada dia, mesmo em se tratando (repito) de personagens que ainda não estrearam em livro. De repente alguém pode saltar e dizer que estou cobrando dos outros uma produção que eu próprio não reúno. Quem isto afirma não está de todo errado, considerando que sou autor de um só livro publicado.

Todavia, para quem não sabe, possuo quase dez títulos inéditos nos gêneros romance, contos, poesia e crônicas, tudo isso à espera de melhores horizontes financeiros ou da possibilidade de ser pego no pente-fino de concursos literário que oferecem premiação em dinheiro e, no mais das vezes, publicam a obra vencedora. Este é o caminho que percorro há tempos.

Ressalto, claro, que estou a anos-luz da fecundidade, da prenhez e dos recursos econômicos de autores de minha estima como Clauder Arcanjo, Ayala Gurgel e o prolífero e versátil Marcos Antonio Campos, três mosqueteiros, três espadachins bem-sucedidos nos salutares duelos com a arte do fazer literário.

Além desses três, e não menos meritórios, temos no País de Mossoró e no estado manejadores da língua portuguesa bem-aventurados como Vanda Maria Jacinto, Fátima Feitosa, Dulce Cavalcante, Margarete Freire, Lúcia Rocha, Júlio Rosado, Caio César Muniz, Cid Augusto, Jessé de Andrade Alexandria, Crispiniano Neto, François Silvestre, Carlos Santos, Inácio Rodrigues Lima Neto, Airton Cilon, Thiago Galdino, Marcos Pinto, Francisco Nolasco, David Leite, Honório de Medeiros, Antonio Alvino e, devido às condições da memória, outros mais que ora não recordo.

Todos, com um nível maior ou menor de arrebatamento, buscam esse pão nosso de cada dia que resulta em crônicas, contos, romances, poemas. No que me toca, enquanto cativo deste mister de arranjar palavras e exibi-las em páginas com um mínimo de qualidade, produzo coisas desse tipo: uma crônica um tanto quanto prolixa, mas sempre com a mão na massa do verbo do qual nos alimentamos.

Marcos Ferreira é escritor

Os habitantes do BCS

Por Marcos Ferreira

Imagem ilustrativa da Web – Creative Sign
Imagem ilustrativa da Web – Creative Sign

Duvidar, não duvido. Pois decerto existe no Brasil e no mundo quem desconheça o significado da nossa familiar sigla BCS, tão notória, por exemplo, quanto SUS, FBI, CIA, ONU ou a temida e extinta KGB, agência de espionagem e polícia secreta da igualmente morta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

Alguém ariscará dizer, entre outros equívocos, que se trata de Banco Central da Suíça. É possível, portanto, que existam indivíduos neste planeta que nunca tenham ouvido falar no Blog Carlos Santos (BCS). Além disso, alguns terráqueos não têm conhecimento (ignorância não menos grave) do rol de colaboradores do referido Blog.

Todo domingo, desde tempos imemoriais, cabeças singulares da intelectualidade mossoroense e de além fronteiras do RN exibem as suas tintas neste ilustrado espaço de opinião, arte e cultura. Temos aqueles que marcam presença de modo bissexto, esporádico, contudo há um punhado de articulistas que muito raramente deixam uma lacuna nestas manhãs domingueiras que contam ainda com o brilho e categoria de um sem-número de leitores e comentaristas de alto nível.

Os habitantes do BCS, tanto os cronistas, os poetas, os ficcionistas e, repito, o precioso rol de leitores e comentaristas, mantêm uma sintonia e fidelidade admiráveis. Encontramos neste gueto das palavras várias cucas talentosas, beletristas de responsa. Ninguém pode se queixar da produção intelectual que os homens de engenho deitam dominicalmente entre as quatro linhas desta vitrine da prosa, do verso e, como não poderia deixar de ser, com informes do atacado e do varejo da política norte-rio-grandense, nacional e mundial. Aqui, no tocante à informação e à cultura como um todo, os leitores dispõem de grande sortimento de ideias e debates.

Sendo um pouco indiscreto, permito-me citar os nomes de expressivos escribas que têm concorrido para o brilho e sucesso do BCS. Falo, entre outros, de malhadores de teclados como o próprio Carlos Santos, Marcelo Alves Dias de Souza, Honório de Medeiros, David Leite, William Robson, Marcos Pinto, Odemirton Filho, Bruno Ernesto, François Silvestre, Marcos Araújo e, mais recentemente, surge para enriquecer o escrete um tal de Ayala Gurgel. Este último, a meu ver, representa uma das mentes mais engenhosas e prolíferas da nova ficção norte-rio-grandense.

Quem quiser que diga que estou puxando o saco do BCS e dos seus habitantes dominicais. Não tem problema. O aplauso e a vaia são livres. Vivemos (ao menos até o momento) num país democrático. Sim. A democracia esteve seriamente ameaçada no governo anterior, todavia não sucumbimos ao golpismo.

Creio que em breve o “mito” (o espírito de porco, a degradante alma sebosa que infectou o Brasil, fez pouco-caso dos mortos pela pandemia e zombou de famílias enlutadas) está prestes a conhecer as acomodações de Bangu 8 ou da Papuda. Deixem estar.

Voltando à audiência e relevância do Blog, penso que não existem por aí muitos espaços assim, com tantos e tão bons poetas e prosadores. É um ambiente digital dos mais procurados pelo público leitor. Enfim, agora parodiando aquele frevo do Caetano Veloso, digo que só não vai atrás do BCS quem já morreu.

Marcos Ferreira é escritor

Do Estatuto da Ribeira às Histórias de Trancoso

Por Marcos Pinto

Fotografia ilustrativa de Paulo Romão
Fotografia ilustrativa de Paulo Romão

Os antigos alpendres sertanejos são envolventes repositórios de lendas, superstições, costumes e ditados forjados e disseminados à farta pelos ermos rincões nordestinos. A contação de histórias e estórias ocorria geralmente ao redor de uma ruma de vagens de feijão seco, espalhadas sobre “tangas” de antigas redes de dormir.

Os participantes da “debulha” postavam-se ao redor do amontoado iluminado por fumegante lamparina sertaneja conhecida popularmente como “piraca”, que tinha um anteparo de vento a proteger o fumacento pavio, abastecido por querosene. Neste ajuntamento para debulha do feijão e, também do milho seco, servia-se saborosas batatas-doces e macaxeira cozida, saboreadas com café sertanejo, feito de grãos devidamente torrados em fogões à lenha e pilados até ficarem reduzidos ao pó.

Foi neste cenário simples e humilde que surgiu o famoso “Estatuto da Ribeira”, vinculado à “indústria do criatório” nos sertões do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Bahia. Este fantástico Estatuto da Ribeira busca salientar lógicas vernáculas intrínsecas e relacionadas aos ditames da honra e do costume sertanejo. É comum ouvir-se do sertanejo a afirmativa que resume o senso de Justiça impregnado: “Aqui nesse sertão justiça só mesmo no cano da espingarda ou na ponta da lambedeira. A gente não pode ‘confiá’ em ninguém a não ‘sê’ na gente mesmo.”

O Estatuto da Ribeira, a contação das Histórias de Trancoso e, também de Camões (diz-se “Camonge” na corruptela sertaneja), estão literalmente atreladas à zona destinada ao criatório de gado no nordeste. Foi dividido por Capistrano de Abreu (1907/1954) em dois sertões: o “De dentro” e o “De fora”.

Se a Bahia ocupava os “Sertões de Dentro”, escoavam-se para Pernambuco os “Sertões de Fora”, começando na Borborema e alcançando o Ceará, onde confluíram a corrente baiana e pernambucana. Ao cunhar a expressão “civilização do couro,” Capistrano de Abreu eternizou o cotidiano dos “sertões de dentro” e “de fora” da Serra da Borborema, dando pistas fundamentais para compreendermos esse cenário e costumes.

Aqui em nosso sertão Oeste do potiguar temos dois emblemáticos e exponenciais referenciais toponímicos conhecidos como “Sertões do Patu de fora” e “Sertões do Patu de Dentro.” Neles destacaram-se dois grandes patriarcas: o velho “Lino da Mapironga”, homem virtuoso e de humildes posses, e o irascível, temido e respeitável “Lino da Gameleira” cujo nome civil (se não me falha a memória) é Lino José Felipe.

Dentro dessas almas rudes, a grandiosidade da honra sobrepujava tudo. Aceitavam a inexorável morte com uma alma puramente sertaneja. Talvez vivessem intensa contenda íntima diante alguns desafios de sangue e de honra.

As histórias de Trancoso

O termo “Trancoso” surgiu no séc XVI com o português Gonçalo Fernandes Trancoso (1520-1585) escritor que provavelmente viveu em Lisboa, e escreveu sua obra “Contos e Histórias de proveito e exemplos.” Teve sua primeira edição em 1575, com dois capítulos, só se encontrando completa com três capítulos em sua edição de 1595.

Os contos narrados dentro da tradição envolvem a abstração, fantasia e subjetividade. É do ser humano esse caráter imaginativo, criador de realidades, com intenções fantasiosas ou não.

Inté.

Marcos Pinto é advogado e escritor

A historiografia do cangaço

Por Marcos Pinto

Massilon, coronel Isaías Arruda do Ceará e Lampião fazem parte de um enredo ainda incompleto (Fotomontagem BCS)
Massilon, coronel Isaías Arruda do Ceará e Lampião fazem parte de um enredo ainda incompleto (Fotomontagem BCS)

Nunca é demais repetir: é densa e vastíssima a bibliografia historiográfica da temática cangaço, no que consiste ao ataque lampionesco a Mossoró. Mas, nunca houve aprofundamento sobre os autores intelectuais do malogrado ataque.

Os dois principais jornais de Mossoró abordaram o episódio com manchetes instigantes, porém sem referenciar que o assalto à cidade fora objeto de complô formado por Tilon Gurgel, seu genro Décio Holanda, desembargador Felipe Guerra casado com uma irmã de Tilon Gurgel, que se acumpliciou com Jerônimo Rosado, seu amigo íntimo e compadre (vide Livro “Jerônimo Rosado” de autoria do consagrado historiador Câmara Cascudo – páginas 24/25 – coleção mossoroense – série C -vol XVIII. Editora Pongetti – RJ – ano 1967).

À página 35, o renomado mestre Cascudo tira carta de seguro: “Todas as frases ‘históricas’ têm uma documentação negativa, desmentidos formais de pesquisadores. Mas o real é que não foram ditas, mas foram programas subsequentes de veracidade indiscutível”.

Após o ataque, os jornais “O nordeste” – edição de 26.06.1927 estampa manchete ridícula e inverídica: “Jararaca falecera em viagem para Natal”, quando toda a cidade já sabia, à boca miúda, que cangaceiro fora assassinado à meia noite, no cemitério, por componentes da Polícia Militar, como queima de arquivo.

Na manhã do mesmo dia em que foi eliminado, ele  recebera a visita de uma senhora, à qual pediu para dizer ao prefeito Rodolfo Fernandes que tinha assunto confidencial para tratar com o mesmo. A imprensa nunca citou o nome desta senhora e qual a razão da mesma não ter dado o recado ao prefeito.

O mesmo jornal “O nordeste” estampa em edição de 09.07.1927, a Manchete “Massilon no Brejo,” referência ao Brejo de Pedra das Abelhas (atual cidade e município de Felipe Guerra-RN), onde residia Tilon Gurgel, também amigo íntimo do farmacêutico Jerônimo Rosado.

Este prestigioso jornal estampou somente dois anos e dez meses depois do ataque (edição de 12.04.1930) a elucidativa Manchete: “Isaías Arruda perto de Mossoró no dia 13 de junho de 1927,” referência a influente coronel cearense, de estreita relação com o cangaço. Indaga-se: por que o dono do “Nordeste” omitiu o fato de que Isaías era hóspede de Jerônimo Rosado em seu sítio “Canto”?.

Ouvi esta assertiva reiteradas vezes feita pelo tabelião Romeu Rebouças, que não pedia ressalvas.

Não resta dúvidas de que os historiadores Câmara Cascudo, Raimundo Nonato da Silva e Raimundo Soares de Brito (Raibrito), eram visceralmente vinculados à elite política dominante no Estado.

Câmara Cascudo privou da amizade de todos os governadores do ano de 1920 à 1955. Raimundo Nonato cerrou fileiras com Dinarte Mariz, desde o golpe getulista de 03 de outubro de 1930, tendo sido nomeado juiz de direito da comarca do Apodi no ano de 1957 pelo amigo/governador Dinarte Mariz. Observe-se que o prestígio e amizade de R. Nonato com o Dinarte era imensurável, que o R. Nonato assumiu a comarca do Apodi e no mesmo dia uma plêiade de amigos de Mossoró foram para a solenidade de posse. Foi organizada grande festa, sendo certo que o R. Nonato já havia sido professor em Apodi na década de 40 (1940).

Uma semana após a sua posse, o celebrado historiador R. Nonato solicitou aposentadoria como juiz de Direito, valendo-se dos seus 36 anos de exercício como professor da rede estadual de ensino. Ao saber, da aposentadoria, o governador Dinarte esboçou um sorriso, dando a entender que o astuto e novel juiz de Direito lhe passara a perna.

Alguns historiadores/pesquisadores apropriam-se da história para torná-la oficial, elidindo ou ocultando o papel dos demais protagonistas que, no caso, são condenados ao esquecimento mediante a fragmentação de “fatos” e “verdades.” É um modelo que serve aos objetivos dos “protagonistas” oficiais.

Certas forças autênticas e criativas dos processos históricos são dissimulados por uma narrativa que acentua a ação da vontade de alguns sujeitos privilegiados.

Costumo enfatizar que o historiador escreve fundamentado em documentos oficiais irrefutáveis. Já o memorialista escreve o que quer, na maioria das vezes para agradar as elites dominantes, ocultando, deturpando, e dissimulando, atendendo assim às hostes políticas e partidárias as quais está visceralmente vinculado.

Inté.

Marcos Pinto é advogado e escritor

Cangaço no RN – A fantasiosa “estória do gato vermelho”

Por Marcos PintoCangaço - ilustação do Brasil paralelo

A envolvente história do cangaço lampionesco encontra-se repleta de fatos referenciais que não resistem ao mínimo cotejo com a realidade existente à época do protagonismo. A análise sucinta capta o cenário redimido, mesmo permanecendo no imaginário popular as falácias, o engodo, a débil transfiguração das elites egoístas e predatórias.

Antes de consolidar-se como historiador, o admirável caraubense Raimundo Soares de Brito cerrara fileira política seguindo fervorosamente as hostes partidárias comandadas pelos truculentos irmãos Benedito e Quinca Saldanha, proprietários da Fazenda “Setúbal” no município de Caraúbas. Antes, residiram no município de Brejo do Cruz, onde Quinca era dono da Fazenda “Amazonas”.

Benedito era dono da Fazenda “Várzea Grande”, encravada no município de Limoeiro do Norte-CE, isto já no ano de 1923. Observe-se que o ainda pouco conhecido cangaceiro Massilon Leite/Massilon Benevides cometeu crime de homicídio na feira de Belém do Brejo do Cruz -PB, no ano de 1923, matando um fiscal de feira. Daí, passou a protegido dos irmãos Quinca e Benedito. Acabou sendo acolhido na casa da Fazenda de Benedito, no Vale do Jaguaribe.

Em 1926, Massilon ataca a cidade de Brejo do Cruz na Paraíba, onde mata Manuel Paulino de Morais, Dr. Augusto Resende (juiz municipal) e fere Dr.Minervino de Almeida, o “Joca Dutra (juiz municipal) e Severino Elias (telegrafista). O Quinca Saldanha aparece como um dos autores intelectuais.

No início de Maio de 1927, Lampião encontrava-se “acoitado “ na , Fazenda “Bálsamo”, pertencente ao Décio Holanda, genro de Tilon, quando deu-se o encontro com o cangaceiro Massilon, protegido dos Saldanhas, Quinca e Benedito, ocasião em que Décio entregou duas mil balas de fuzil para serem usadas no ataque a Mossoró.

Ainda na fazenda de Décio Holanda, este informou ao Lampião que o Massilon era cabra de confiança e protegido dos Saldanhas. Acrescentou que o Massilon vivia homiziado vezes em Caraúbas com o seu padrinho Quinca, e ainda no Ceará, na fazenda de Benedito Saldanha.

Reportando a estória

Valendo-se da sua consagrada fama de historiador, Raimundo Soares de Brito (Raibrito) forjou a esdrúxula “estória do gato vermelho”, disseminando-a no imaginário popular como um fato histórico verossímil concreto. Observe-se que durante o mês de maio de 1927 o convívio diário de Lampião com o Massilon o fez usufruir da estreita amizade dos Saldanhas com o Décio Holanda e o Massilon, descartando-se desde logo qualquer investida a Caraúbas, onde predominava a liderança política dos irmãos Saldanhas.

Certa vez, indaguei ao historiador Raibrito, se ele sabia informar o nome do informante que, supostamente presenciara e ouvira o Lampião afirmar, quando se encontrava no sítio “Santana Várzea do Apodi”, que “não atacaria Caraúbas porque lá tinha o gato vermelho”. O historiador esboçou um sorriso e disse desconhecer qualquer informação sobre essa versão.

Confrontando com a realidade histórica, esta estória morre à míngua de veracidade. Não passa de “resto”, sobrevivência anacrônica e ridícula no imaginário popular, “silêncio” cuidadosamente mantido ou simples ruído ocultado no silêncio.

Em verdade, individualmente os irmãos Quinca e Benedito nunca foram valentes. Quando Benedito exercia o cargo de prefeito nomeado do Apodi, no ano de 1933, teve uma conversa áspera com o famoso temido apodiense Joaquim Ferreira Lima (Quinca Amarelo). Esse puxou de sua faca e chamou Benedito para o embate físico, que preferiu se esquivar, resmungando estridentemente.

Todas as análises acuradas conduzem à certeza irredutível de que os Saldanhas só tinham coragem quando se faziam acompanhar da sua jagunçada, espécie de milícia particular. Ressalte-se que esses jagunços eram acoitados em Caraúbas (na Fazenda Setúbal) e na zona rural de Limoeiro do Norte-CE (Fazenda Várzea Grande).

À luz dos jornais das décadas de 20 e 30 (1920-1939) constata-se a existência de três grupos de jagunços/cangaceiros. Era a milícia particular dos Saldanhas, a de Décio Holanda (genro de Tilon Gurgel) acoitada no “Brejo do Apodi” até maio de 1925 quando foi expulsa por um contingente policial do Estado comandado pelo Tenente Napoleão Agra. O episódio é conhecido como “O fogo de Pedra de Abelhas”, objeto de publicação de plaquete pela coleção mossoroense, de nossa autoria.

O terceiro grupo de jagunços pertencia ao virulento Balthazar Meireles, acoitado em sua fazenda situada no município de Luis Gomes. Existiam dois subgrupos esporádicos, pertencentes a Juvêncio Barreto, que os acoitava em sua Fazenda “Unha de gato” à época município de Apodi, e depois ao município de Itaú-RN.

Vez por outra este subgrupo  atrelava-se aos grupos dos Saldanhas e do Décio Holanda. O outro subgrupo pertencia ao sr. Joaquim Cirilo de Andrade, com várias incursões criminosas nos sertões do Vale Jaguaribano, conforme consta nos jornais do RN e do Ceará.

Há uma curiosidade reinante nesses grupos armados, concernente ao fato de que alguns donos dessas milícias aproveitavam o gasto no acoitamento desses elementos criminosos utilizando-os na lida do campo, quer seja na agricultura ou na pecuária extensiva. Os mais afoitos e ousados eram eliminados sumariamente como queima de arquivo e sepultados nas caatingas de suas fazendas.

Inté.

Marcos Pinto é advogado e escritor

*Ilustração da postagem do Brasil Paralelo

Entre a cruz e o credo – uma história para a História

Por Marcos Pinto

Ilustração
Ilustração

Nos anais da história da escravidão humana sobressaem-se dois tipos. Nos primórdios da colonização e fixação do elemento branco europeu, houve um violento processo de preagem/captura de indígenas, principalmente das nações e etnias que habitavam as solidões vastas e desoladoras dos sertões quase que indevassáveis.

Os violentos e temidos sargentos-mores de entradas valiam-se dos raros conhecedores das veredas indígenas do interior, conhecidos como “práticos do sertão”.

A indiada capturada e vilipendiada em seu habitat natural era conduzida amarrada uns aos outros, em fila indiana. Era o embate, a luta feroz e desigual entre a flecha, a borduna, e o tacape contra a pólvora e o ferroviril/espada dos que compunham a expedição colonizadora, batizada de entradas e bandeiras. O comércio humano era consumado ao chegarem na cidade grande, famintos e maltratados, onde já os esperavam os compradores/mercadores.

Pagava-se o imposto de um quinto sobre o valor total da “mercadoria” cobiçada. Logo descobriu-se que a indiada era avessa e hostil a mão de obra utilizada na cultura canavieira, predominante no século XVI, XVII e XVIII. A escravidão do indígena aconteceu principalmente na extração do pau Brasil.

Os historiadores estimam que, ao longo da história da escravidão no Brasil colonial, foram trazidos cerca de quatro milhões de africanos para pindorama, o que viria a ser o Brasil. O flagelo da escravidão Africana maculou com o sangue derramado durante os açoites as páginas da nossa história.

A Lei Eusébio de Queiroz aprovada em 1850 determinou a proibição definitiva do tráfico negreiro no Brasil. Contudo, continuou violento o comércio humano entre as províncias brasileiras. Prova insofismável está contida na consagrada obra intitulada “Os escravos na história de Mossoró” de autoria dos pesquisadores/historiadores Sebastião Vasconcelos dos Santos e Nancy/Neyza Wanderley de Oliveira.

Na Coleção mossoroense – vol CL XXI, ano 1981, pág 175, encontramos o traslado de uma escritura de compra e venda (ano de 1874) de uma escrava pertencente ao tenente-coronel Luís Manoel Filgueira, rico fazendeiro em Caraúbas-RN, tendo como comprador o estrangeiro Gustavo dos Prazeres Breyner, cujos escravos por ele comprados eram revendidos para os engenhos pernambucanos.

O pior é a constatação de, não raro, os renomados sacerdotes serem donos de escravos, descritos nos inventários e testamentos dos mesmos, vide testamento do padre Faustino Gomes de Oliveira, pernambucano, que durou na Paróquia do Apodi no período de 1813-1856, em cujo documento consta ser dono de 05 escravos muito bem avaliados. (Vide livro “velhos inventários do Oeste Potiguar” – Marcos Antonio Filgueira – pág 88 – coleção mossoroense – série c – volume 740 – ano 1992).

Dentre o vasto martirológio dos cativos africanos, na região Oeste Potiguar, destaca se a dolorosa história da escrava Tereza e seus filhos, objeto de ação de liberdade que tramitou na então Vila do apud ano 1860, termo judiciário da comarca da maioridade (atual Martins-RN). Tenho cópia integral deste triste capítulo da escravidão africana, que, dissecado, daria origem a um dolente filme. A infeliz escrava Tereza teve como curador e advogado o Dr. Joaquim José Mendes Ribeiro.

Esta história tem início com a chegada do padre José Pereira da Ponte ao cais da povoação de Areia Branca-RN, no ano de 1810, ocasião em que ele trazia consigo a escrava Lourença, alforriada pelo padrinho pernambucano. Já desembarcou nomeado para pastorear a Paróquia do Apodi, onde exerceu o ofício durante o período de 1810 a 1813.

Conforme testemunhas inquiridos no processo, a escrava forra (alforriada) era amásia do padre José Pereira da Ponte, supondo-se assim que os filhos de Lourença seriam filhos do padre, que os pôs em escola particular para aprenderem a ler. A partir do ano de 1814 o padre Ponte residiu em São Sebastião de Mossoró durante o período de 10 anos, em companhia de Lourença e seus filhos.

Tempos depois, a Lourença fugiu para um Quilombo, o que irritou profundamente o clérigo, que lançou mão da Carta de liberdade de Lourença e a rasgou, contando com a certeza de que tal carta de alforria nunca fora registrada em cartório competente. Valendo-se desta realidade, pagou a um capitão do mato para resgatá-la, ao que logrou êxito.

O reverendo não cita o Quilombo. Há a possibilidade de ter sido na Serra de Portalegre-RN.

Esta comunidade quilombola situada no cimo da Serra de Portalegre existe até os dias atuais com a denominação toponímica  de comunidade do “Pega”. Em tempos remotos, este Rincão era habitado pelos índios tapuias paiacus oriundos da missão jesuíta instalada na aldeia do Apodi em 10 de Janeiro de 1700.

Como a Serra de Portalegre era lugar ermo e distante, passou a ser coito para escravos fugidos dos seus Senhores, logo houve o entrelaçamento entre negros e índios, consolidando o perfil físico-facial predominando a cor preto escura com cabelos lisos e corredios, o conhecido elemento cafuzo.

Em Apodi, São Sebastião de Mossoró, e Mossoró, era público e notório que o reverendo padre José Pereira da Ponte era homem de má conduta e sem escrúpulo. A alforriada Lourença ganhara sua carta de liberdade pela espontânea generosidade do seu padrinho então residente em Pernambuco. Lourença teve os filhos José, Martinho, e Ana. De Ana nasceu Tereza, que foi mãe de Januário, Tertuliano, Epifânio e Odílio.

Todas as testemunhas ouvidas no processo de Ação de liberdade de Tereza e filhos foram unânimes ao afirmarem que Lourença era livre, e como tal eram livres seus filhos e netos. Que por volta do ano de 1840 o malévolo padre Ponte  convenceu Ana, filha de Thereza a acompanhá-lo montada em seu cavalo, com destino à fazenda São Lourenço, onde residia o tenente José de Góis Nogueira. Lá deixou penhorada a criança Ana por determinada quantia que pedira por empréstimo. A infeliz Lourença ainda tentou alcançar o satânico padre para reaver a sua filha Ana, tendo-o seguido ao longe até a fazenda das Aguilhadas onde parou para descanso.

Para provar que o endiabrado padre Ponte nunca vendera Ana para o tenente José de Góis Nogueira falecido e inventariado no ano de 1857, o curador da infeliz Tereza e seus 4 filhos requereu certidão dos bens constantes no dito inventário, tendo sido expedida a certidão constando que não existia nenhuma escrava de nome Tereza e seus filhos como pertencentes ao finado inventariado.

Prova cabal de que Tereza nascera liberta por ser filha de Lourença (liberta por carta de alforria) e como também nasceram libertos ditos filhos de Tereza. Nos autos do processo não consta se o truculento padre Ponte era vivo e qual o seu desiderato. Durante os trâmites do processo, a infeliz escrava Tereza e seus filhos foram depositados em dez residências diferentes, sofrendo toda sorte de humilhações discriminatórias, verdadeiros crimes de racismo.

Um padre reprovável

Após conduta eivada de ilicitude no Rio de Janeiro, onde disfarçou-se a tal ponto que chegou a casar-se com moça de família, mas temendo ser descoberto nesta estripulia, o Padre Ponte fugiu para Pernambuco, onde agilizou sua indicação para cura da freguesia eclesiástica das Várzeas do Apodi, dando inicio ao auto isolamento social, decorrente de um afastamento estratégico.

Contudo, não escapou do fato imprevisível do aparecimento na freguesia do Apodi, de um curandeiro apelidado vulgarmente de “o cirurgião de Domingos Alves”, o qual dizia ser baiano e que admirava-se por ouvir falar do Padre Ponte, que no Rio de Janeiro era objeto de opulenta oferta de contos de réis para quem informar o paradeiro do desonesto e truculento sacerdote.

O longo martírio da escrava Lourença e seus filhos e netos teve fim definitivo com a sentença do juiz municipal do termo do Apodi, comarca de Imperatriz (atual Martins-RN), Francisco Luis Correia de Andrade, peça jurídica fantástica que restituiu a liberdade às sofridas escravas, decisão datada de 20 de novembro de 1861. Contudo, já dizia o grande jurista Rui Barbosa: “Justiça tardia não é justiça. É injustiça manifesta.”

Assino embaixo.

Inté.

Marcos Pinto é advogado e escritor

Subsídios para a história da família Rêgo

Por Marcos Pinto

Antônio Florêncio, de Pau dos Ferros, quatro mandatos (Foto: Arquivo)
Antônio Florêncio, de Pau dos Ferros, quatro mandatos (Foto: Arquivo)

A saga da indômita família Rêgo, nordestina, revela luta medonha. Percorre caminhos que não passavam de picos rasgando sertões nunca antes habitado, atravessando matas e caatingas fechadas, varando elevações como a “Serra da Micaela” e a “Serra dos Quintos,” vadeando as nascentes do rio Apodi e com destaque na performance colonizadora/povoadora dos estados do Ceará, Pernambuco, Bahia, Piauí e Rio Grande do Norte.

A consagrada obra genealógica “Nobiliárquia Pernambucana” do celebrado genealogista Antonio José Vitoriano Borges da Fonseca enfoca relevante presença do Capitão Alberto de Morais Rêgo, natural da Bahia, nos volumes I (pág 223) e vol. IV (pág 474) sem, contudo, envidar pela descendência deste laborioso patriarca. Este capitão era filho legítimo do capitão-mor Pedro de Souza Rêgo, natural de Oeiras, no Piauí.

Foi agraciado com uma sesmaria denominada de “Campo Grande” medindo três léguas de comprimento por uma légua e meia de largura, cujas terras estão encravas nas áreas territoriais de Portalegre e Pau dos Ferros. O Capitão Alberto faleceu no ano de 1821 e foi inventariado de forma amigável no ano de 1822, na vila de Portalegre-RN, comarca do RN.

Era casado com Josepha Rita Cavalcanti que na “nobiliarquia pernambucana” aparece como Josepha Cavalcanti de Albuquerque (vol. I. pág 223) (vol IV. Pág 474). O casal teve a seguinte prole: F.01 a F.06: Lourenço José de Morais Rêgo, Vicente de Morais Rêgo, José Cavalcanti de Morais Rêgo, José Cavalcanti de Morais Rêgo, Félix Manoel de Morais Rêgo, Antonia Maria Cavalcanti, Joana Rita Cavalcanti.

A prole conhecida como “os albertos” herdou terras denominadas de “Aroeira”, Campo Grande, São Miguel, “Tesoura”, “Cachoeira”, e “Jatobá”. Dominaram vastidões de terras na antiga ribeira do Apodi, marcando o chão que iam pisando com tacões das suas botas, onde uma palavra, um obscuro domínio possessório fora firmado pela lei da força e da violência.

Até hoje são lembradas e relembradas as famosas desavenças surgidas na família de forma ferrenha na disputa às vezes por um ou 2 palmos de terras situados em seus lados confinantes detentora de uma acentuado ranço sertanejo vinculado a tradições. Destacaram-se e ainda destacam-se pelo relevante espírito da iniciativa e a formidável capacidade de trabalho.  Daí o destaque da existência de um ente familiar que chegou ao pomposo cargo de governador do estado, Garibaldi filho, descendente do casal Vanice Chaves do Rêgo e Garibaldi Alves,  tendo inclusive presidido o Congresso Nacional uma vez que presidia o Senado federal.

Outro expoente referencial familiar foi o inteligente Antônio Florêncio de Queiroz, eleito deputado federal na década de 70 e 80 (quatro mandatos), bem como o professor universitário Francisco Canindé Queiroz e Silva, que foi dirigente da Fundação Universidade Regional do RN (FURRN), com genitora que foi admirável e destacada matriarca de família nos rincões pau-ferrense.  É certo afirmar-se que seu perene espírito de luta laboral familiar foi inutilizado pela subserviência de uns e pela intolerância de outros. Alguns envidaram esforços em sentido contrário aos ditames do bom senso.

Adentremos aos primórdios da família. Há que se efetuar um sucinto histórico da famosa “data de sesmaria Campo Grande”, feudo de Souza Rêgo, com parte histórica acima descrita.

Assim é que já no ano de 1825 foi inventariado pelo falecimento de Domingos Rodrigues da Silva, a viúva meeira Maria Francisca de Oliveira. Em 1832, a viúva Maria Francisca vendeu a sua meação aos Srs. Zacarias Ferreira  da Silva e a Francisco Antonio de Souza, casado com Tereza Maria de Jesus, que é a mesma Tereza Ferreira de Souza, falecida e inventariada no ano de 1835, deixando o esposo e 11 filhos:

  1. 01 a F. 10: Francisca Tereza de Jesus, André Avelino de Souza, Zacarias Raimunda, Tereza, Joel, Cecílio Alcino de Souza, Francisca Moisés de Souza, e Ana Tereza de Jesus, casada com Manoel Rêgo Leite (aqui o início dos Souza Rêgo).

O Patriarca Manoel do Rêgo Leite (filho de Luís do Rêgo Leite – o 2°/ e de Ana Ferreira do Rêgo) casou em segunda núpcias com Ana Rodrigues, filha de Zacarias Ferreira da Silva, inventariado no ano de 1853. A segunda esposa de Francisco Antonio de Souza faleceu no ano de 1867, deixando os filhos Florêncio Valamira de Souza Rêgo e Francisco Antonio de Souza Rêgo, e os co-herdeiros Florêncio do Rêgo Leite e Francisco França Fernandes Pimenta. Aqui a origem do ramo familiar “Valamira do Rêgo”.

A memória dos antigos da família evocam a bravura e o destemor do velho patriarca  sertanejo Antonio Francisco de Souza, falecido no ano de 1875, deixando viúva a terceira esposa Ignácia Etelvita de Giralifa e os filhos:

  1. 01 – Maria Thereza de Jesus (3° esposa de Manoel do Rêgo Leite).
  2. 02 – Antonia Maria do E. Santo – casada com Zacarias Ferreira da Silva (o 2°)
  3. 03- Simforosa Maria do E. Santo – casada com Manoel Francisco do Nascimento.
  4. 04 – Raimunda Tereza de Jesus – casada com Antonio Manoel Filgueira.
  5. 05 – Josefa Adelina de Souza Rêgo – casada com Zacarias de Freitas Guimarães. F. 06 – Paulina Avenida de Souza – casada com Norberto do Rêgo Leite.
  6. 07 – Carolina Querubina de Souza Rêgo.

Há um manancial de subsídios histórico-genealógicos nos vetustos arquivos dos cartórios judiciários das comarcas do Apodi, Portalegre, Pau dos Ferros e Martins. À luz do inventário do ano de 1787, resta comprovado que o inventariado tenente José Pereira do Rêgo é o referencial mais antigo desta nobre e tradicional estirpe. Segundo a tradição oral, ele seria pernambucano.

Do inventário depreende-se que faleceu em sua fazenda “Prados Finos” município de Pau dos Ferros a 25 de junho de 1786, deixando a viúva D. Ana Eufêmia Ferreira e os filhos:

  1. 01- Francisco Pereira do Rêgo (nasceu em 1763) – casou com Bárbara Maria de Jesus.
  2. 02 – Luís (nasceu em 1764)
  3. 03 – Benta (nasceu em 1769) – casou com Luís do Rêgo Leite (o 2°) – no sítio “Malhada de Areia”. Faleceu em 1834 deixando os filhos Umbelina e José.
  4. 04 – Manoel Pereira do Rêgo (nasceu em 1772).
  5. 05 – Josefa (nasceu em 1774).
  6. 06- Paula (nasceu em 1777).
  7. 07 – Antonio Pereira do Rêgo.

Foi Sesmeiro no lugar chamado “Panati”, Ribeira do Apodi (atual Marcelino Vieira). (Víde sesmaria n°378 – pag 118 – 3°vol/sesmarias do RN 1742-1764).

Ainda referindo às datas de sesmarias do RN, na petição de Marçal Francisco de Brito, fundador de Pau dos Ferros, datada de 15 de junho de 1753, consta que suas três léguas de terras por uma légua e meia de largura encostam com as terras de Manoel do Rêgo Leite, o que significa que eram vizinhos/confinantes (fonte: sesmarias do Rio Grande do Norte / sesmaria n° 392 – 3°vol – período 1742-1764/ coleção mossoroense – fundação Ving-Tun Rosado/Março 2000).

Compulsando inventários de Pau dos Ferros deparei-me com o inventário de Bárbara Maria de Jesus do ano de 1857, casada que foi com Francisco Pereira do Rêgo (filho do tenente José Pereira do Rêgo e de Ana Eufêmia Ferreira). Consta que o casal Francisco e Bárbara encontrava-se separado, posto que Bárbara residia no seu sítio denominado de “Capoeira Grande” em Pau dos Ferros, e Francisco residia na povoação de São Miguel-RN. O casal deixou a seguinte prole:

  1. 01 – Faustina Maria de Jesus.
  2. 02 – Bernardina Maria de Jesus.
  3. 03 – Marcos Pereira do Rêgo.
  4. 04 – Ana Maria de Jesus.
  5. 05 – Isabel Maria de Jesus – casou com seu parente Agostinho de Souza Rêgo, filho de Manoel do Rêgo Leite e Ana Tereza de Souza Rêgo. Pais de (dentre outros) F. 01 – Jeremias Félix da Costa Rêgo (é o mesmo Jeremias de Souza Rêgo) que casou com Marcionila Adélia do Rêgo, filha de Francisco Severiano da Costa e Cecília Adélia do Rêgo. São os bisavós maternos do pesquisador apodiense Marcos Pinto. Nasce daí a estirpe dos “Severiano do Rêgo” através de João Severiano da Costa, casado com Thereza Maria de Jesus, (por sua vez filha de Francisco Thomaz de Aquino e Isabel Maria da Silva) pais de Francisco Severiano já citado.

Para que não ocorra um hiato de gerações, há que se adentrar no inventário do capitão Simão do Rêgo Leite, natural de Goiana, em Pernambuco. Inventário do ano de 1824 – cartório/comarca do Apodi-RN. Simão faleceu em sua fazenda “Santa Cruz” (Apodi-RN) no dia 09 de outubro de 1823, casou em Apodi, em primeira núpcias com Lourença Ferreira da Mota (filha do português Antonio da Mota Ribeiro e Josefa Ferreira de Araújo) nascida na fazenda “Santa Cruz” no ano de 1752, e faleceu na mesma fazenda em 10.09.1807, aos 55 anos de idade, deixando os filhos:

  1. 01 – José do Rêgo Leite e Araújo – residia na fazenda Sta. Cruz.
  2. 02 – Isabel Maria da Conceição – casou com Francisco Pedro de Carvalho, natural do Aracati.
  3. 03 – Josefa do Rêgo Leite – casou com Antonio da Mota Ferreira, filha do português Manoel Antonio da Costa e Thereza Maria de Jesus.
  4. 04 – Maria da Conceição do Rêgo Leite – casou com o Português Luís da Costa Mendes e foram pais de: N. 01 – símplicio da Costa Leite (aqui a origem dos “Ferreira Leite” do Apodi e Mossoró-RN.
  5. 05 – Antonio do Rêgo Leite e Araújo – por ocasião do inventário do pai, era escrivão do crime e do cível e tabelião na Vila Nova da Princesa (Assu-RN) de onde outorgou poderes para os filhos, sem procuração, Vicente Ferreira Leite e Araújo e José Ferreira Leite e Araújo.

O Patriarca Simão do Rêgo Leite contraiu segunda núpcias com a sua cunhada Damiana Antonia da Mota, nascida a 15.12.1757, que era viúva do português Cristóvão José de Souza. Simão não teve prole deste segundo casamento. Damiana faleceu a 09 de abril de 1822.

A vastidão de subsídios genealógicos desta honrada família sertaneja requer continuidade, abordando as vertentes Rêgo/Gameleira, Rêgo/ Santos Rosa/ Peixoto do Rêgo/ Aquino- Rêgo/ Albuquerque/Nunes do Rêgo/ Rego-Nobre/ Hermógenes do Rêgo/ Guedes do Rêgo/ Lopes do Rêgo/ Rêgo-Monte/ Rêgo-Lemos/ Rêgo Almeida/ Rêgo Mota/ Rêgo Feitosa, etc.

Inté.

Marcos Pinto é advogado e escritor

Santa Maria Gaga

Por Marcos Pinto

Documento que registra óbito de  Santa Maria Gaga (Reprodução do autor)
Documento que registra óbito de Santa Maria Gaga (Reprodução do autor)

O doloroso flagelo das secas tem forjado espíritos nobres e santificados em seus imensuráveis dons de resignação. Representa uma quadra de incompreensão e conflitos contextuais materiais, dominando a alma dos sertanejos em labaredas de ansiedades que atingiram e atingem dimensões cósmicas em forma de tristeza e dor. A fé revela-se consistente quanto à dinâmica de força interior que informa a dimensão do equilíbrio misterioso da alma sertaneja.

A calamitosa seca dos dois setes (1877) emoldurou as família nordestinas em um palco para uma revolução silenciosa de comportamentos, impondo desvios para uma espécie de escambo sexual. Moças ainda imberbes para conjunções carnais viam-se obrigadas a enojantes concupiscências libidinosas de inescrupulosos comerciantes, vorazes tarados diante à barata oferta da virgindade de magras moçoilas, em troca de gêneros alimentícios, geralmente farinha e carne seca, conduzidos pelas inditosas virgens para salvarem suas famílias das garras da fome seguida de morte.

Foi neste cenário de tristeza e dor que a inditosa Maria Gaga nasceu na zona rural da então povoação de Caraúbas, no ano de 1865, segundo consta no seu assento de óbito de n° 64, do livro de registro do cartório único da comarca do Apodi, lavrado aos 18 de agosto de 1911. Conta a tradição oral, que Maria Gaga aportou em Apodi acompanhando a sua família, durante a atroz seca de 1877, onde instalaram-se na margem da lagoa, no lugar conhecido como “Garapa.” No local já se achavam várias famílias oriundas de longínquos rincões, até da Paraíba.

A lagoa do Apodi representava um óasis em pleno sertão nordestino. Passados alguns dias, eis que a família de Maria Gaga resolveu fugir da inclemente seca, seguindo em demanda para Mossoró, sendo certo que Maria Gaga afeiçoara-se a uma das famílias também retirante, optando por ficar naquele aprazível lugar, no que contou com a aquiescência dos seus pais. Tempos depois a jovem Maria Gaga soube que os seus pais e irmãos haviam falecido à míngua, sob os tristes estertores da fome, durante o percurso entre Apodi e Mossoró.

Maria Gaga aprendeu a orar na infância sem perspectivas, marcando na alma sensível o sentimento de fé, que superou em essência todas as tentações ateístas surgidas durante o seu martírio existencial. A sua imensurável fé só aumentava diante tantas e cruéis dificuldades, evidenciando disciplina e amor ao próximo – uma forma subjetiva de amor a Deus. Sucediam-se as secas, aumentando os suplícios existenciais da sua extremada pobreza franciscana.

Só Deus penetrava no seu grau de sofrimento, perdoando-lhe o comércio do seu corpo para não sucumbir ao martírio da fome e da miséria. As aves de rapina, travestida em forma de sádicos comerciantes, consumavam seus instintos libidinosos sem atentar para os inevitáveis castigos divinos. Confundiam os gemidos de represadas angústias da infeliz moça, com reflexos de pecaminoso e odiento prazer.

Sugavam-lhes a alma e a mocidade em conta-gotas extraídas do seu frágil corpo magro e pálido, exposto sobre uma esteira de palha de carnaúba, estendida sobre o chão de barro batido da sua humilde choupana situada na margem da lagoa, feita com troncos de carnaubeiras e coberto com suas folhas. Dormia-se na dita esteira e cozinhava-se em rústica trempe com panela de barro tingida de preto pelo fogo dos maravalhos.

A infinita resignação imprimia-lhe características próprias da pureza espiritual, exalando odor de santidade. Da sua boca nunca se ouvia imprecações cheias de revolta. Submissa aos desígnios do destino, vibrava cheia de fé em oração estilizada em forma de simplicidade emblemática e abrangente.

Santa Maria Gaga avulta na tradição oral do Apodi como uma mulher que muito sofreu e morreu com perfil de santidade. Segundo sua fiel devota Tonha de Lucas de Bréu (do Apodi), Santa Maria Gaga tem obrado muitos milagres ao longo desses 112 anos do seu encantamento/falecimento. Conta-se que ao falecer, ao meio-dia de 18 de agosto de 1911 houve uma grande ventania que derrubou muitas árvores na cidade, como se a natureza estivesse em transe, com o triste e humilde desenlace de Santa Maria Gaga. Houve um tipo de explosão emocional coletiva, contagiando a todos.

A tradição oral não é uma construção do pesquisador. Nenhum conhecimento distancia-se da teologia quanto à real história elencada em minudências transmitidas de geração à geração, ao longo de mais de um século do encantamento da Santa Maria Gaga. O seu registro de óbito comprova a existência da sua sacrossanta trajetória. O conteúdo das narrativas da tradição oral vem do homem, das imperfeições humanas, incompatíveis com a perfeição concebível somente pela fé em um ser supremo e absoluto, onisciente e onipotente.

O último dia

Encantou-se fulminada por infarto fulminante, aos 46 anos de idade, sem que se soubesse qual a família de Caraúbas-RN que compunha. Ao falecer residia em humilde casinha de taipa que caridosa pessoa a acomodara, vizinha à residência do Sr. João Pereira de Siqueira, então chefe da repartição dos Correios e Telégrafos, e que foi o declarante do assento de óbito de Santa Maria Gaga.

Deixou-nos com um certo olhar melancólico, evidenciando santa transfiguração em forma de sutil sorriso em sua santa e pálida face. Roguemos à Santa Maria Gaga para interceder por nós em todos os nossos momentos, junto ao supremo arquiteto do universo. Minha benção, Santa Maria Gaga!

Marcos Pinto é advogado e escritor

Nas pegadas da família Maia

Por Marcos Pintotestes-geneticos-genealogia-960x540

Em Genealogia o começo é sempre hoje. Por ser uma temática instigante e elucidativa, desperta infinitas atenções que adentram o túnel do tempo, onde o retiro e a solidão dão livre curso à ansiedade cognitiva. As abordagens histórico-genealógicas restringir-se-ão aos sertões do Apodi, Itaú, Martins, Tabuleiro do Norte, Pereiro-CE e Catolé do Rocha-PB.

Mantém-se assim a coletividade da tradicional família Maia em sintoma com o tempo. Há muito da tradição oral norteando apontamentos genealógicos dignos de nota, observando-se, porém, vez por outra, algumas incongruências cronológicas. Ao certo, temos a tradição oral informando a chegada do Sr. Antonio Alves de Araújo Maia ao Apodi, oriundo do Tabuleiro da Areia (atual Tabuleiro do Norte-CE), vetusto rincão da Ribeira do Jaguaribe, da freguesia das Russas. Antonio casou em Apodi com Antonia Barbosa de Amorim, filha de João Barbosa Corrêia (2° deste nome e neto do 1°) e de Josefa Martins de Macedo (esta por sua vez filha do Tenente Manoel João de Oliveira, do Assu-RN, e Antonia Maria de Jesus).

A honrada descendência de Antonio Alves de Araújo Maia e Antonia Barbosa de Amorim está disseminada na cidade e município de Itaú-RN, de cujo casal nasceu Vicente Alves de Araújo Maia em 05 de fevereiro de 1825. Em 1844 nascia outro filho deste casal, de nome Joaquim Alves Maia, que veio a casar em primeira núpcias com Laurinda de Holanda Cavalcanti (filha de Laurindo de Holanda Cavalcanti e Josefina Oliveira…) e foram pais de Manoel Alves Maia, nascido no ano de 1879. Enviuvando, Joaquim casou em segunda núpcias com Maria Luiza Maia, que lhe sobreviveu e foram pais de:

F.01- José Alves Maia – casado com Josefa Maia Pinheiro.

F.02- Francisco Alves Maia – casado com Maria do Carmo Maia.

F.03- Cristalino Alves Maia –

F.04- Raimundo Alves Maia (nasceu a 04/01/1889)

F.05- Antonio Alves Maia.

F.06- Adelino Alves Maia.

F.07- Gonçalo Alves Maia.

Em minhas incontidas pesquisas nos inventários apodienses encontrei o inventário de José Sebastião Maia (o 2° deste nome) falecido no sítio ‘Caboclo’ (Apodi) a 25/02/1921, casado com Josefa Carlota de Oliveira (falecida a 30/12/1910) filha legítima de Joaquim Felício Maia, natural do Limoeiro do Norte-CE, e Carlota Antonia de Oliveira. Deixaram os filhos:

F.01- Ana Josefa de Oliveira, casada com Francisco Porfírio de Oliveira.

F.02 a F.09 – Joaquina (casada com Manoel Moreira Filho), Pedro, José, Carlota, Francisco, Maria Cota, Maria, Catarina e Raimundo (gêmeos).

Encontramos no denso inventário da lendária e arrojada matriarca Rosa Maria do Espírito Santo (Apodi, ano 1840) filha do português Manoel Raposo da Câmara e Antonia da Silva), casada que foi com Caetano Gomes de Oliveira. Dentre os filhos deste vetusto casal encontramos Tereza Maria de Jesus, casada com Ildefonso Alves Maia, de quem não conseguimos encontrar dados biográficos. No mesmo inventário encontramos uma neta de Dona Rosa, de nome Catarina Francisca das Flores, casada com o Sr. Antonio Freire da Silva Maia.

A antiga povoação denominada de “Angico” encravada na antiga data de sesmaria “Gitirana” emancipou-se do Apodi com a denominação de “Itaú” onde nos deparamos com o óbito de Vicente Martins da Silva, falecido a 13/09/1912 aos 61 anos de idade, tendo casado em primeira núpcias com Úrsula Doricélia da Câmara, com quem teve os filhos Eduardo Alves Maia, Patrício Alves Maia. Vicente casou em segunda núpcias com Amélia de Oliveira Maia, filha do Prof. Francisco Alves de Oliveira Maia, com quem teve dois filhos: F.01- Francisca Amélia de Oliveira, casada com Euclides Pinheiro da Silva, e o F.02- Cícero Alves Maia.

A fonte de pesquisa e documentação é como cacimba de areia, quanto mais produz, mais espontâneo se torna o manancial, fluindo perenemente, como que desobstruindo o veeiro de abastecimento. Daí que encontramos nas conversas dos alpendres sertanejos da ribeira e freguesia do Apodi a constatação de que existem duas vertentes da família Maia, conhecidos como sendo da família “Maia Fogo” e “Maia Bofe”.

O liame genealógico dos “Maia Fogo” advém da lendária matriarca Francisca das Chagas do Amor Divino, que por ter gerado uma prole de 16 filhos, tendo criado diligentemente e com muito amor esta notável prole, evidenciando notória carga de libido, atribuíram-lhe o apelido de “Dona Chica Fogo”. Era filha de João Alves de Oliveira e Francisca das Chagas de Oliveira.

Na celebrada obrada intitulada “Velhos inventários do oeste potiguar” – coleção mossoroense- série c- vol 742- ano 1992- de autoria do consagrado genealogista potiguar Marcos Antonio Filgueira, as p[aginas 79 a 86 consta a transcrição do inventário do padre Faustino Gomes de Oliveira, pernambucano, de Olinda, cavaleiro professo da ordem de Cristo, que foi vigário na Paróquia de Apodi no período de 1813-1856. No dito inventário encontra-se um testamento do Padre, lavrado a 05/01/1853 no qual afirma textualmente ter mantido relacionamento com mulher solteira de nome Francisca das Chagas do Amor Divino com quem teve uma prole de 07 filhos, os quais nominou-os.

Nesse ano do testamento Dita encontrava-se casada em primeira núpcias com Manoel de Jesus de Oliveira. Enviuvando, Dona Chica Fogo casou em segunda núpcias com o meu trisavô paterno Manoel Félix Ferreira, filho de Joaquim Félix Ferreira e Joana Batista do Nascimento (vide livro “memorial da família Maia do Ceará- pág114- 1717-2022, autor: José Nelson Bessa Maia. Nasce daí os “Maia Fogo”. O padre Faustino faleceu em Apodi a 05/02/1856.

O patriarca da família “Maia Fogo” Manoel Félix Ferreira nasceu em Catolé do Rocha-PB no ano de 1819. Manoel e Francisca das Chagas foram pais de 11 filhos:

F.01- Manoel Félix Ferreira Júnior

F.02- Izaías Alves de Oliveira- casado com Francisca Gomes de Oliveira.

F.03- Vicente Alves de Oliveira- casado com Antonia de Oliveira Maia.

F.04- Eufrosina Benigna de Oliveira- casada com Manoel Antonio de Souza.

F.05- Aquilino Alves de Oliveira- casado com Emilia Rosenda de Oliveira.

F.06- Felino Alves de Oliveira- casado com Maria Francisca das Chagas.

F.07- Felinto Alves de Oliveira- casado com Maria Gomes de Oliveira.

F.08- Jovino Alves de Oliveira- casado com Filomena Amélia de Oliveira.

F.09- Deodato Jovino de Oliveira- casado com Maria Lima de Oliveira (do Pará);

F.10- João Alves de Oliveira.

F.11- Benjamin Alves de Oliveira- casado com Maria Filadélfia Maia (meus bisavós paternos).

Nas fantásticas pegadas dos “Maia”surge a vertente “Maia Bofe” através dos admiráveis patriarcas João Alves Maia (João Bofe) nascido em 1819 em Tabuleiro da Areia (Tabuleiro do Norte-CE). Casou na matriz do Apodi a 04/02/1845 com Antonia Maria de Jesus (falecida a 08/12/1920 aos 90 anos) filha de Manoel Pinto da Cruz e Thereza Maria da Conceição,pais de: F.01 a F.05: Mafalda, Thereza, Marina Honorina, Henrique, Onofre. João Bofe faleceu no “alto da missão em 28/01/1913” e era filho de José Alves Maia e Maria da Conceição Paiva.

Na fértil várzea do Apodi, lugar denominado de “baixa fechada” faleceu a 20 de setembro de 1913 o respeitável patriarca Galdino Alves Maia (Galdino Bofe) natural de Russas, filho de João Alves Maia e de Maria Inácia da Conceição. Era casado com senhorinha Maria da Conceição. Galdino faleceu aos 84 anos de idade (nasceu no ano de 1819). Do primeiro enlace deixou uma prole de 06 filhos:

F.01- Lúcio Alves Maia- casado com Cândida.

F.02- Antonia Senhorinha da Conceição- viúva (1° vez) de Joaquim Ferreira Lima e (2°) vez de Simão Corrêia Lima.

F.03- Luzia- casada com João Domingos do Nascimento.

F.04- Francisca Senhorinha do Amor divino (falecida) casou com Julião Escolástico Benevides.

F.05- Maria- casada com Manoel Domingos do Nascimento.

F.06- Lucia Maria da Conceição- casou com Pedro José Marinho (são avós maternos do ex-prefeito do Apodi Sr.Isauro Camilo).

Prolífico, laborioso e inteligente, Galdino Bofe casou em segunda núpcias com Ana Maria de Jesus(filha do cearense Simão Corrêia Lima e Maria do Espírito Santo) tendo falecido no sítio “estreito” (margem da lagoa do Apodi) a 29/09/1934 aos 80 anos, deixando a seguinte prole:

F.01- Manoel Alves Maia.

F.02- Praxédia Maria da Conceição.

F.03- Maria Matildes da Conceição- casou com Julião Escolástico Benevides (pais de Galdino Julião).

F.04- Damásia.

F.05- Joaquim Alves Maia.

F.06- Pia.

F.07- Galdino Alves Maia Filho.

F.08- Alvino Alves Maia.

F.09- Pedro Alves Maia.

F.10- Antonio Alves Maia.

Há que se observar a existência de um outro Galdino Alves Maia, natural de Tabuleiro de Areia (Tabuleiro do Norte-CE) nascido no ano de 1837, filho natural de Ana Alves Maia (filha de Antonio Alves de Araújo Maia e Maria Clara Ferreira Maciel, da freguesia de Russas-CE). Galdino faleceu na cidade do Apodi a 24/09/1929 e era viúvo de Francisca de Tal, deixando as filhas: Maria Galdina, Caetana, Rita, Sebastião e Antonia.

Do vetusto casal Gabriel Joaquim de Barros e Luíza Francisca do Espírito Santo (inventário do ano de 1868):

Gabriel era filho de João Álvares Camelo e Maria Cleofa do E.Santo. João casou em 27 de jinho de 1725, era filho de Pedro da Silva Camelo e Josefa da Conceição de Jesus. Gabriel faleceu no ano de 1813 e Luiza faleceu no sítio Umari, onde residia, aos 26 de fevereiro de 1868, deixando uma prole de 07 filhos:

F.01- Quitéria Maria de Jesus, moradora do Pereiro, Ceará, representada pelo filho Thomaz Alves Ferreira Maia.

F.02- Rita Franklina de São Pedro, falecida, representada por sua filha Luzia Idalina dos Passos, casada com Claudino Dias da Cunhas, moradores no Pereiro.

F.03- João Alves Ferreira Maia, casado com Quitéria Vieira da Silva, moradores no Pereiro.

F.04- Maria Cleofas de Jesus, falecida, casada com seu primo Manoel Alves Ferreira Maia, com descendência em Catolé do Rocha-PB.

F.05- Antonio Gabriel Ferreira Maia- residia no seu sítio Umari (Martins-RN).

F.06- Joaquim Félix Ferreira Maia- casado com Joana Batista do Nascimento.

F.07- Ruberto Alves Maia- casado com Luíza Francisca do E.Santo. Moradores no Catolé, pais de:

BN.01- Maria Filadélfia Maia (mãita)- nasceu em Catolé em 1870. Casou com seu primo Benjamin Alves de Oliveira, filho de Manoel Félix Ferreira e Francisca das Chagas do Amor Divino (chica fogo). Pais de:

TN.01- Cleonice Maia de Oliveira (dona Nicinnha)- nasceu em Apodi a 26/04/1910. Faleceu viúva de Aristídes Ferreira Pinto a 18/08/2004. São os avós paternos de Marcos Pinto… e assim brilharam e brilham prolíficos e laborosos homens e mulheres desta tradicional família.

Marcos Pinto é advogado e escritor

Apontamentos para a história da família Marinho

Por Marcos Pinto

A primeira notícia de um componente desta tradicional família a pisar o solo Apodyense data de 17 de novembro de 1688, quando o Ouvidor Marinho inseriu em vilas os índios Tapuias Paiacus, encarregado para esse fim, na margem esquerda da Lagoa Itaú, antiga denominação da atual Lagoa do Apody. O local em que os índios foram vilados recebeu mais tarde a denominação de “Córrego da Missão de São João Batista.”Genealogia

Compulsando o livro denominado de “Atestados de Óbitos das Várzeas do Apody 1766-1776” lavrado pelo 1° Cura das Várzeas do Apody, o Pe. João da Cunha Paiva que se encontra sob veneranda guarda do IHGRN- Pasta n°32, encontrei o Sr. João Dantas Marinho residindo na Aldeia do Apody em 1776. Já em 18 de novembro de 1739 o Tenente-Coronel Gaspar Barbosa Marinho recebia a concessão de Carta de Data e Sesmaria, ganhando a doação de três léguas de comprimento por uma de largura nas paragens conhecidas como Riacho do Canto e Riacho dos Quintos, entre duas serras, na Ribeira do Apody. Apesar de incontidas investidas nos liames toponímicos dos sertões do Apody não nos foi possível localizar estas terras como também o elo genealógico deste intrépido desbravador. Em sua petição requerendo esta data de Sesmaria consta que residia no distrito da Ribeira do Apody (vide Sesmaria n°195- 2° Vol – FVR – CM).

Outra vertente da família Marinho encontra-se na descendência do Ten-General Francisco de Souza Falcão e do Capitão Leandro Bezerra da Cunha. De certo temos um filho de Leandro por nome de Gonçalo Marinho Cavalcanti. Na concessão de Carta de Data e Sesmaria ao Tenente-General. Francisco de Souza Falcão, datada de 05/10/1745, consta que o mesmo era morador na Aldeia da Missão do Apody. (vide sesmaria n° 352- 3° vol – FVR –CM – maio de 2000).

Adentrando os liames genealógicos temos de concreto a origem dos Marinho que encontram-se dispersos em Apody e Caraúbas, partindo de documentos oficiais irrefutáveis, tais como inventários, livros de batizados e de óbitos existentes no 1° Cartório do Apody e, na Matriz da mesma cidade.

Sobre Manoel da Costa Travassos: filho do Cel. Carlos de Azevedo do Vale e Isabel Barros de Oliveira (da Bahia). Isabel era filha de João de Barros de Oliveira e Mariana da Costa Travassos.

Nos vetustos inventários Apodyenses de 1830 encontrei referência a este, dando conta de que o mesmo residia na Província da Paraíba, contudo, sem identificar a cidade ou vila. Na contemporaneidade deste ano, encontrei em pesquisa efetuada na “Enciclopédia dos Municípios Brasileiros (vol. XVII)” que traz a resenha histórica dos municípios do RN e da PB, editada pelo IBGE em 1960, referência a Manoel da Costa Travassos à fls.269, na resenha histórica da cidade de Ingá-PB:

“…afirma Coriolano de Medeiros, no seu “Dicionário Corográfico do Estado da Paraíba”: “Ingá tem sua história sujeita a controvérsias, de vez que diferem as opiniões a respeito de seus fundadores. Asseguram uns que um certo português Manoel da Costa Travassos obtivera em tempo remoto, permissão para explorar àquelas terras, ali fixando residência, dedicando-se à criação de gado e agricultura.”

Casou-se com Leandra Martins de Macedo, entre os anos de 1745 a 1750, filha de João Marinho de Carvalho (residente no Assu) e Ana Martins de Macedo.

Manoel e Leandra foram pais de:

F.01- Tenente Manoel João de Oliveira – casou-se com Antonia Maria de Jesus, filha do Alferes José Fernandes Pimenta e Josefa Maria da Conceição (segundo o Historiador Raimundo Soares de Brito, em seu célebre livro “Alferes Teófilo Olegário de…, Manoel João residia no sítio “boqueirão do brejo do Apody.”). São pais de:

N.01- Tenente Francisco Marinho de Oliveira

  1. 02- Joaquina Mariana de Jesus – casada com Vicente Ferreira Pinto (1°)

N.03- Ana Martins de Oliveira- nasceu a 20/05/1776, casou-se com o Sr. Francisco Xavier Cavalcanti no sítio “Brejo do Apody” a 27/11/1805.

N.04- Maria do Ó- nasceu a 13/04/1772, casou-se com Francisco José de Albuquerque em Apody a 08/05/1801.

N.05- José Simões de Oliveira – nasceu a 08/02/1784, casou-se com Ana Borges de Andrade (filha de Gonçalo Borges de Andrade e Maria de Jesus Martins) em 27/09/1803.

Do Tenente Francisco Marinho de Oliveira:

Aqui começa o extenso rol de descendentes com a denominação familiar Marinho. Nasceu o Tenente a 04/07/1794 no sítio “Boqueirão do Brejo do Apody” e faleceu no sítio “Joazeira” – Várzea do Apody, a 04 de Janeiro de 1859.

Casou-se com Josepha Maria da Conceição, filha de Francisco da Costa de Morais e Ignácia Maria da Conceição. Este Francisco de Morais era filho do Capitão Antonio de Morais Bezerra e Maria José da Cunha, fundadores, com Sebastião Machado de Aguiar, da povoação de São Sebastião de Mossoró. (vide “Velhos Inventários do Oeste Potiguar – Marcos Filgueira – CM – séria c – vol. 740 – pág 37 – 1992).

Francisco da Costa Morais faleceu em 1849 e sua esposa Ignácia faleceu em 1854.

Do casamento do Tenente com Josepha tem origem a vastíssima família Morais Marinho, dispersos nas várzeas do Apody como areia no deserto, e Marinho da Mota, d. Josepha Maria da Conceição faleceu no sítio Joazeiro a 08 de maio de 1863.

Francisco Marinho e Josepha são pais de: 

F.01- Antonio Marinho de Oliveira:

  • Casou-se com Francisca Florentina.
  • Residiam no sítio “Boa Vista”, termo do Assu e Freguesia do Campo Grande-RN. 

F.02- Carlota Joaquina de Oliveira:

  • Casou-se com Joaquim Felício de Souza.
  • Residiam no sítio “Cabôclo” – Apody-RN.

F.03- Francisco Marinho de Oliveira Júnior:

  • Casou-se com Joana Gomes ou Joana Antonia da Costa
  • Residiam no sítio “Joazeiro”.

F.04- Antonia Carolina de Oliveira:

  • Nasceu em 1829.
  • Em 1859 ainda encontrava-se solteira.

F.05- Augusta Joaquina de Oliveira:

  • Casou-se com João Fernandes Vieira, filho de João Fernandes Vieira e Isabel Maria do Espírito Santo.
  • Residiam no sítio do Padre (Apody).

F.06- Maria Leopoldina de Oliveira:

  • Casou-se com Vicente Ferreira de Freitas.
  • Residiam no sítio “Boa Esperança”, termo do Assu, freguesia do Campo Grande-RN.

F.07- Manoel João de Oliveira (2°) – vulgo “Manoel Marinho”

  • Repete o nome do avô paterno.
  • Nasceu em 1832.
  • Em 1859 encontrava-se solteiro com 28 anos.
  • Casou-se com Joana Baptista de Oliveira.
  • Residiam no sítio “Joazeiro”.

F.08- Martiniano Marinho de Oliveira:

  • Nasceu em 1833. Residiam no sítio “Joazeiro”.
  • Casou-se com Maria Ferreira da Mota.

F.09- Francisca Joaquina de Oliveira:

  • Casou-se com Manuel Daniel de Brito, filho do Capitão Simão Gomes de Brito e Maria Madalena de Medeiros.
  • Residiam no sítio “Joazeiro” (Apody).

F.10- João Marinho de Oliveira:

  • Nasceu em 1835.
  • Casou-se com Antonia Maria de Oliveira.
  • Residiam no sítio “Joazeiro”.

F.11-Domingos Marinho de Oliveira:

  • Casou-se com Maria Francisca da Conceição ou Mariada Costa da Conceição.
  • Residiam no sítio “Joazeiro”. 

F.12- José Marinho de Oliveira (1° deste nome):

  • Nasceu em 1836.
  • Casou-se em 1° núpcias com Antonia Ferreira da Mota (filha de Antonio Manoel da Mota e Josefa Maria da Conceição).

São pais de: 

N.1- Pedro José Marinho: casado com Lúcia Maria Conceição.

São pais de:

BN.1 – Francisca Maria da Conceição: casou-se com Raimundo Casado de Oliveira. Faleceu de parto no sítio “Baixa Fechada” a 22/06/1915, aos 27 anos de idade.

São pais de:

TN.1 -Isauro Camilo de Oliveira – nasceu em 1906.

  1. 2- Maria
  2. 3-João.

TN.4-Ricarte.

N.02- Manoel Marinho de Oliveira – casado com Antonia Rufina de Oliveira.

São pais de:

BN.02- Silvério Morais Marinho casado com Guiomar..(do Ceará).

N.03- Maria- casada com Simplício Ferreira Lima.

(obs: o Sr. José Marinho de Oliveira faleceu na “várzea do Junco (Apody)” a 09/01/1908, aos 73 anos de idade. Casara-se em 2° núpcais com a cunhada Francisca da Mota Ferreira, com quem teve 10 filhos).

F.13- Sebastião Balbino de Oliveira ou Sebastião Marinho de Oliveira:

  • Nasceu em 1838.
  • Residia no sítio “Joazeiro”.

F.14- Francisco das Chagas de Oliveira:

  • Nasceu a 22/07/1840.
  • Residia no sítio “Joazeiro”.

F.15- Bárbara Maria de Oliveira:

  • Nasceu a 04/12/1842.
  • Residia no sítio “Joazeiro”.

F.16- Isabel Balbina de Oliveira:

  • Nasceu em 1844.
  • Residia no sítio “Joazeiro”.

OBS: Estes filhos deixaram vasta descendência em Apody, Caraúbas, Assu e Campo Grande.

OBSERVAÇÃO:

O F.12- José Marinho de Oliveira casou em 2° núpcias com Francisca da Mota Ferreira, irmã de sua 1° esposa, ambas filhas de Antonio Manoel da Mota e Josefa Maria da Conceição. José faleceu no lugar denominado “Várzea do Junco”, zona rural de Apody, a 09/01/1908, aos 73 anos de idade, e sua esposa 2° Francisca faleceu no sítio “Baixa Fechada” a 04/05/1931 aos 81 anos de idade.

José e Francisca são pais de:

N.01- Vicente Marinho de Oliveira – casou com Maria Francisca da Mota.

N.02- Joana Marinho – é a mesma Joana Antonia de Oliveira.

N.03 – Braz Marinho de Oliveira – são pais de Júlio Marinho. Casous-e com Francisca Ferreira da Mota.

N.04 – Rosa Amélia – faleceu em estado de solteira.

N.05 – Maria Conceição de Oliveira – casou com o Sr. José Carlos da Costa, natural da cidade de Almino Afonso- RN, antiga Vila Caieira.

N.06 – Maria Mercês de Oliveira – casou com João Batista da Mota.

N.07 – José Marinho da Mota – casou com sua sobrinha Zulmira Marinho, filha de seu irmão Pedro José Marinho e Lúcia Maria da Conceição.

N.08 – Angélica Francisca da Mota – casou em 1° núpcias com Manoel Antonio da Mota. Casou em 2° núpcias com Pedro Lúcio da Silva Alencar.

N.09 – Maria do Patrocínio – casou com José Antonio da Mota.

São pais de:

BN . 01 – Raimundo Mota: casou com sua prima Camila, filha de Raimundo Marinho e…

N.10 – Ana Marinho: casou com Manoel Matoso do Nascimento. Residiam no Ceará, no lugar denominado “Pereiro”.

Vê-se assim que, a tradicional família Marinho, do Apodi e região Oeste, tem origem no Capitão João Marinho de Carvalho e Ana Martins de Macedo. Apodi tinha vasto relacionamento com o Assu, dado as investidas do terço dos paulistas instalado no Assu desde 1698, com parte instalado em Apodi durante a famosa “Guerra dos Bárbaros”.

Dado que o vastíssimo entrelaçamento com as família Mota e Morais representa a maior família da Vetusta e Histórica Ribeira do Apodi. O respeitável comerciante apodiense estabelecido na Praça de Mossoró, Salvador Marinho costumava enfatizar – em suas costumeiras poucas e boas –

Que “Mota, Morais e ‘Marim’ cada vez mais ruim”.

Marcos Pinto é escritor

Sob a égide da confissão

Por Marcos Pinto

Foto ilustrativa
Foto ilustrativa

Dentre os estados da alma em transe sobressai-se a confissão, arrebanhando palavras em espectros transcendentais. Ninguém é mais fiel à sua própria alma senão quando imerso na sisudez da confissão. Ela, a confissão, rasga o ventre do tempo com seus olhos de lâmina esculpindo palavras, em um esgar tétrico e cúmplice à atroz “mea culpa, mea máxima culpa”.

É incontestável que, até nos silêncios súplices, encontramos os mistérios sagrados e/ou profanos da confissão. O seu inconfundível e inexpugnável contexto sussurra, confidencia segredos, descobertas e, a relíquia de nossos compassos existenciais, traçados em exímia destreza com régua e compasso, fabricados com esmero e sutileza na Escola da Vida.

Um dia alguém disse que “há pessoas que coreografam a despedida em forma de silêncios. Confissões ‘de Luais’ que se eternizam na imprescindível preciosidade de ser visto, conquistado, revisitado.”

Não há dúvidas de que a pior das confissões é aquela moldada pela necessidade de se manter vivo em um ambiente de constantes e imprevisíveis ameaças.

Sempre que me encontro com alguns amigos, que são clérigos, abordo a temática da “confissão individual”, amplamente adotada pela tradicional e respeitável Igreja Católica Apostólica Romana. Confesso-lhe que tal ritual assume e revela contornos de uma beatice piegas, atreladas ao devotado confitente.

Entram em cena os famosos pecados mortais e pecados veniais. Mete-se um pecado venial quando, em matéria leve, não se observa a medida prescrita pela Lei Moral ou quando, em matéria grave, se desobedece à Lei Moral, mas sem pleno conhecimento ou sem total consentimento. Os pecados graves estão elencados em Marcos, 10:18.

Nos primeiros séculos da Igreja Católica a confissão era puramente facultativa, e não havia senão a confissão comunitária. Os cristãos mais fervorosos confessavam suas faltas aos seus irmãos, e esta confissão, exigida somente aos neoconversos. Não era coisa extraordinária, pois que já existia entre cá pagãos.

O Mestre de Saint Gilles perdoava os pecados de todos que se arrependiam, independente da confissão. Saint Gilles foi um Prior franco-flamengo que trabalhou principalmente em Paris, por volta de 1500. São João Crisóstomo recomendava que se confessassem a Deus e não aos homens.

A História revela que nos primórdios do Cristianismo o penitente era obrigado a dar uma moeda ao confessor. No correr dos tempos os padres criaram a obrigação de consciência de deixarem uma parte de seus bens à Igreja, e aqueles que não cumpriam esse dever a igreja se recusava a dar-lhes os Sacramentos Cristãos até a sepultura.

Desde então, a posição de confessar tornou-se extremamente importante e lucrativa, o que deu lugar a mais encarniçada luta entre o Clero Secular e o Clero Regular para a direção da consciência. Praticava-se assim a famosa “venda das indulgências” que significava a venda do perdão dos pecados.

Somente em 1567 a Igreja Católica proibiu a venda das indulgências.

“inté”.

Marcos Pinto é escritor

Cabra marcado para morrer

Por Marcos Pinto

(Em memória do coronel Lucas Pinto).

A história é a mestra da vida, aludindo personagens em seu tempo e em lugar determinado. Patenteia rumos e prumos, alinhando-os com as forças presentes nos sustentáculos do Universo. O título que encima este despretensioso artigo vincula-se à icônica figura do coronel Lucas Pinto, do Apodi-RN (11.10.1899/ 06.02.1981).

Coronel Lucas Pinto ao lado do presidente Juscelino Kubitschek (Foto: cedida)
Coronel Lucas Pinto ao lado do presidente Juscelino Kubitschek (Foto: cedida)

Jovem ainda, participou da eleição do ano de 1922, em que o seu fantástico irmão coronel Francisco Ferreira Pinto (1895-1934)  disputou e foi eleito o Intendente municipal mais votado, o que o fez também eleito para ocupar a Presidência da Intendência, cargo que em Agosto de 1926 passou a denominação  de Prefeito Municipal.

Sempre pautou a sua vida cultuando a honestidade e o trabalho como elementos dignificantes da trajetória traçada pelo Supremo Arquiteto do Universo. Foi o único apodiense a participar ativamente da Revolução Constitucionalista de 1932.

De estatura mediana, físico raquítico, contrastava com a sua extraordinária capacidade de trabalho e a grandeza dos seus triunfos nas atividades que abraçou. Aprendeu as envolventes nuances da política sertaneja na velha escola do seu primo, o famigerado e respeitado coronel João Jázimo Pinto, sogro do seu irmão coronel Francisco Pinto.

Era articulado, manso e meticuloso no trato com os seus humildes e laboriosos conterrâneos. Trazia no sangue o determinismo e a pujança do seu bisavô paterno o capitão Vicente Ferreira Pinto (primeiro deste nome), que no ano de 1817 já comandava os destinos do Partido Conservador em Apodi (Vide Livro “A Zona do Por do Sol” – Raimundo Nonato).

Como magnânimo benfeitor, o coronel Lucas Pinto foi o único apodiense a comandar os destinos do município por quatro gestões.

Com o advento do Golpe Getulista de Outubro de 1930,  a oligárquica família Pinto perdeu o mando e o comando administrativo do Apodi. Os antigos opositores Tilon Gurgel, Juvêncio Barreto e Martiniano Porto, acumpliciados pelos bandoleiros e irmãos Quincas e Benedito Saldanha  galgaram o poder.

Já em 30 de Outubro de 1930, o truculento Tilon Gurgel foi nomeado prefeito-Interventor, o que  para ele representou uma espécie de desforra política, haja vista ter perdido  fragorosamente a eleição do ano de 1928 para a Presidência da Intendência do Apodi para o seu  figadal adversário político coronel Francisco Pinto.

A gestão de Tilon não teve nenhum fato administrativo digno de nota, gestão que durou apenas sete meses e cinco dias. Era tenaz e truculenta a oposição política à família Pinto, sendo certo que já no ano de 1922, o desembargador Felipe Guerra traficou influência para nomear um Juiz de Direito estritamente vinculado a ele, por estreita amizade, com objetivo único de perseguir os coronéis João Jázimo Pinto e seu primo e genro o coronel Francisco Pinto.

Este  tendencioso Juiz de Direito atendia pelo nome de João Francisco Dantas Sales, cuja atuação durou o período de 1922 a  1925, tempo em que hospedava ostensivamente em sua residência o famoso chefe de cangaceiros Benedito Saldanha, que inclusive foi nomeado Prefeito-Interventor do Apodi  em 10 de Janeiro de 1933, tendo sido demitido em 23 de Julho de 1933.

Ocorre que em 16 de Janeiro de 1933, os irmãos coronéis Francisco Pinto e Lucas Pinto se encontravam em Natal a convite dos ex-governadores José Augusto e Juvenal Lamartine, para participarem da fundação do Jornal “A razão”, que seria o porta-voz do Partido Popular, criado meses depois.

Eis que em uma edição do mês de Abril de 1933 foi veiculada extensa reportagem descrevendo a caótica situação vivida na cidade e município de Apodi, que tinha como prefeito-interventor o célebre bandoleiro Benedito Dantas Saldanha.

Tendo chegado às mãos do prefeito-bandoleiro um exemplar do dito Jornal , desencadeou um intenso processo de retaliação aos componentes da família Pinto. O certo é que no dia 18 de Abril de 1933, por volta das 10 horas da manhã, Benedito Saldanha despachou dois de seus jagunços, ostensivamente  armados de fuzis,  para irem buscar o Lucas Pinto em sua casa de comércio, e trazê-lo à sua presença para prestar esclarecimentos sobre informações de que os Saldanhas comandavam e acoitavam uma espécie de milícia  particular em sua fazenda em Caraúbas-RN.  Ao ser intimado pelos jagunços, Sêo Luquinha não se fez de rogado, acompanhando-os sem delongas.

Nesse ínterim, um circunstante que presenciara tão humilhante cena de condução coercitiva, logo localizou o afilhado do Sêo Luquinha – o destemido e intemerato Deca Cavaco (Manoel Ferreira Gama). Imediatamente se dirigiu ao prédio da Prefeitura, onde estavam postados os ditos dois jagunços, obstruindo a entrada de quem quer que fosse. O Deca era um sujeito alto, espadaúdo, saruê, e de temperamento em constante ebulição.

Ao pressentir  que os dois  desavisados jagunços iriam  impedir o seu acesso ao prédio e escadaria que conduzia ao pavimento superior, logo tratou de dar duas vigorosas mãozadas nos peitos dos dois jagunços do Benedito Saldanha. Eles caíram ruidosamente no chão, sem esboçarem nenhuma reação, dado a famosa valentia do Deca Cavaco.

O Deca irrompeu aos gritos na sala do prefeito Saldanha, tendo encontrado o mesmo com um rebenque (chicote) à mão, mandando Sêo Luquinha engolir três bolas de papel, feitas com o dito exemplar do jornal “A razão”. E sentenciou:  “Vim buscar o meu padrinho e quero ver se tem homem que me empate de levar comigo. Como o falso valentão Benedito Saldanha já tivera uma altercação com o Deca Cavaco, que lhe “agarguelara” pelo pescoço e o levantara com as duas mãos, deixando-o com as pernas balançando, não teve outra saída a não ser ficar resmungando, ruminando sua raiva entre esgares.

Três meses depois, o Benedito Saldanha era demitido do cargo de prefeito-interventor.

O certo é que o Benedito só apresentava valentia quando se encontrava comandando sua jagunçada composta por cerca de 40 cabras, geralmente foragidos de distantes lugares da Paraíba e de Pernambuco.

Com o covarde assassinato do seu irmão, coronel Francisco Pinto, ocorrido em 03 de Maio de 1934, o coronel Lucas Pinto empunhou a bandeira de luta e passou a comandar a política e os destinos administrativos do Apodi. Sua derrocada política aconteceu em 1962, quando o seu filho – doutor Newton Pinto – perdeu a eleição para o Sr. Isauro Camilo, cria político dele. Camilo havia rompido com o antigo  líder, após pegar todas as manhas e artimanhas da velha raposa política da ribeira do Apodi.

Inté.

Marcos Pinto é advogado e escritor

Histeria coletiva versus amnésia seletiva

Por Marcos Pinto

O     período     momesco     foi, é,     e     sempre     será     o período     mais  propício  para  os prefeitos  e  governadores  massagearem  o  ego  da  plebe  ignara, contando   com a  colaboração  de suas  forças  de  mídia, distorcendo os fatos e  a realidade. O  povo  encarna perfeitamente  a  figura  do  bobo  da  Corte. No  decurso  do  carnaval  há  um  intenso  e  imensurável  conúbio  do  silêncio da  conivência  com os  fatos  que  instigam  o  caos  social  em  estado  de  metástase, principalmente na  saúde  e  segurança  pública.carnaval-em-2021

Ajustam     o  retrovisor   com  precisão  cirúrgica, para  focar  exatamente  no  ponto  cego  da  efêmera  ilusão  momesca, criando  um  clima   adequado  para  a  disseminação  da  estratégica  desculpa  esfarrapada.  Há     como    que um  surrealismo  dominante  da  ilusória  alegria,  correndo  célere  para  o  estuário   da  histeria    coletiva, acompanhada  por  danosa  amnésia  seletiva.  Tudo  efeito  repleto  de  ilusão.

No  meio  desse  alinhavado  cenário, o  medo  e  a  Angústia  dos  dias  tumultuosos  e  violentos  dos   assaltos  e  crimes   hediondos  são  pisoteados  por  manobras  estratégicas,  que  por  sua   produzem  uma  fantasia  enganosa  de  equilíbrio  do  custo  de  vida  e  da   falsa   tranquilidade  das  ruas.  Divorciam-se     dos  saudáveis   hábitos  da  prevenção  e  do  comedimento.

Encenam  de  forma  exímia  a  coreografia  da  madrugada  dos  vira-latas,  ampliando  o  pecado  capital  arrimados na   devassidão  dos  desvios  sexuais, além de  se  sentirem  tutelados  pela  rubrica  da  alegada  normalidade.  Potencializa medíocres  ações  emergenciais  adormecidas  em  hábitos  e  manias  pretéritas.

A  contratação   de  bandas  e  trios  elétricos  pagos  sob  estipulação  de  preços  superfaturados  reflete  o  empenho  sub-reptício  desses  gestores   em  persuadir  e  aliciar  a  população,  usada  como  elemento  de  marketing  enganoso  e  massa  de  manobras  nada  republicanas.  Consolidam  conquistas  eleitorais  e  instigam  indecisos  e  obedientes  a  participarem,  cerrando  fileiras  no  famoso  “cordão  dos  puxa-sacos”.   É muito  ludibrio  concentrado.

São  gestores  que  esboçam  pérfidos  sorrisos  quilométricos –  os  famosos  sorrisos  de  orelha  à  orelha.  Nessa  empreitada,  escondem  de  forma  sutil  um  maquiavélico  coração.  Sorrisos  que  representam  mais  esgares  de  hienas  famintas  do que   propriamente  lampejos  de   felicidade.

Eis  que  na  frívola   ostentação  da  vivência  carnavalesca,  o   desfecho  da  azáfama   deixa  um  logro   de  amargo   tormento,  evidenciando  que   não  há  mais  tempo  para  corrigir  o  prumo, achar  o  seu  norte, caminhar  sem  sobressaltos.  Das   muitas  andanças  e   desvios  éticos   e  etílicos  dos  foliões, resta-lhes  pesados  contratempos.

Por que   não  esperou  pelo  tempo,  que  é  mestre  na    escola  da  vida, que  tudo  apura?.  Com   cega   precipitação,  abraça  a  mentira, virando  as  costas  à  verdade, atropelando  a   suposta  inocência.  Comedido   e  às  vezes  apaixonado, assiste-lhe  grande  confiança  para  se  defender  sofrendo, tendo  por  amas  a  tranquilidade  e  por  escudo  o  silêncio  dos  arrependidos.   Termina  se  sobressaindo  o  errado  e  o  caricato.

Percebe-se  no  comedimento  muita  ciência  e  discrição  nas  coisas  de  Deus, do  crédito, da  reputação  e  da  honra.  Como  é  gratificante  a  convivência  com  espíritos  elevados,  de  ardentes  caridades, de  suma  honestidade, austeras  penitências  e  profunda  humildade.  Tenhamos inteligência  para  considerar  e  juízo  para  deliberar.

Inté.

Marcos Pinto é advogado e escritor

Entre o Silencio dos Longes e o Peso das Sandálias de Chumbo

Por Marcos Pinto

* (Ao primo Antonio Noronha Pinto – Intelectual da família)

A análise deste escrevinhador provinciano nas cento e sessenta e cinco coisas – Terço dos espíritos reflexivos, do intelectual primo Antonio Noronha Pinto – pinço a essência das letras e um vasto elenco de valores dignificantes, timbro em ser amigo, não apenas com o convencional aperto de mãos, porém com uma espontaneidade cativante e um interesse incomum ao ponto de buscar ligações de parentesco, aliás, em um povo como o apodiense, cuja prestimosidade para com todos, configura característica comum.Antônio Noronha Pinto - Livros para crônica de Marcos Pinto

Povo hospitaleiro, dotado do espírito de iniciativa e da formidável capacidade de trabalho.

Tudo começou com “O Silêncio dos Longes” obra magnífica do intelectual da família, que em autêntico instigante memorial descritivo da sua árdua e difícil trajetória, a faz repositório de fatos pretéritos que analogava um instante nos momentos da retina do tempo. Reúne páginas fantásticas em minudências espirituais.

Seu fio condutor é a história de vida, o recrudescimento das fustigantes recordações, carimbadas pelas cruciantes vicissitudes vividas, impôs a necessidade de se condensar em novo livro, que recebeu o emblemático titulo de “Sandálias de Chumbo”. O consagrado autor constitui um vulcão cultural em perenes erupções de reminiscências.

Os fatos e as coisas registradas e desenhadas na emulsão da memória fotográfica sentenciaram para a eternidade uma livre analogia com a literatura pacienciosa do tempo cristão, surgindo daí mais uma avaliação da obra, que foi rebatizada com o litúrgico título de “cento e sessenta e cinco coisas”. É indiscutível afirmar que existe um vocabulário especifico de representação pelo qual se reproduz no túnel do tempo, as memoras guardadas na retentiva da saudade, visualizada no cadinho constante e vigoroso do coração.

A percuciente leitura nos permite elaborar interpretações a como as recordações engrandecem a ideia que o autor faz dos protagonistas para os leitores. O tempo congelado o tempo fugaz.

As entrelinhas das transcendentes recordações das obras elencadas estão na riqueza das características ambíguas entre o que são realidade e o que é supervalorizado, ou seja, a linha que separa o real e a possível adaptação, a maximização da realidade retratada é imperceptível, é fonte primária de paradigmas ligadas ao espírito de uma época, o parâmetro de recepção das memórias resgatadas.

A leitura nos traz a rostos, semblantes, atitudes, cenários, assimilando algo de comportamento vários. A obra desempenha a função de filtro cultural da realidade captada, nua e crua, sem nuances. Representa um rito social, exercício para reflexões, onde cada leitor constrói um retrato de si mesmo, uma coleção emoldurada no álbum da retina do tempo, testificando realidades incontestáveis, entre ontem e hoje, entre hoje e amanhã, é preciso traçar fronteiras.

Sempre estamos diante dessas escolha entre romper com o passado, mesmo recente, ou conservar – mas até quando? – Velhas roupas e velhas coisas que ocuparam um lugar em nossa existência e são para nós com amigos defuntos.

Os fatos reúnem um autêntico compêndio memorialístico de uma época. Obra a qual, devidamente apreciada, nos faz ultrapassar a fronteira do folhear e analisar limites dos protagonistas e dos seus modos de vida e do viver suas crises existenciais, suas páginas abrigam elementos da cultura espiritual, que permitem ver os estados da alma.

Após a porteira da saudade encontramos personagens dispersos nos espirais do tempo, como recurso simbólico de um passado observado em sua totalidade.

Inté!

Marcos Pinto é advogad0 e escritor

Apontamentos para a história dos sítios Passagem Funda e Brejo

Por Marcos Pinto

O  processo  de  colonização  e  povoamento  dos sítios Passagem Funda e Brejo  foi  efetivado  de forma  lenta  e gradual, tendo  o  rio  Apodi  como  fator  de  atração  e  fixação  do  povoador inicial  –  o conhecido  fenômeno  denominado  HIDROTROPISMO.

O  sítio  “Passagem  funda”  teve  no paraibano  DOMINGOS  ALVES  FERREIRA  CAVALCANTI   o  seu  primeiro  povoador, tendo chegado  por  volta  do  ano  de  1780, através  de  convite  que  lhe  fora  feito  pelo  seu  primo, Capitão  LEANDRO  BEZERRA  CAVALCANTI, pernambucano  do Cabo, fundador  de  Caraúbas-RN, onde  era  possuidor  da  fazenda  “Cachoeira”.

Ruínas de antigo casarão em Passagem Funda, rota importante no comércio até Mossoró durante muitas décadas (Foto: reprodução)
Ruínas de antigo casarão em Passagem Funda, rota importante no comércio até Mossoró durante muitas décadas (Foto: reprodução)

Leandro  era casado  com  Brites  Lins de Vasconcelos, falecida  a  18.12.1791,filha do Tenente-General Francisco  de  Souza  Falcão, pernambucano  do  ramo  familiar  MARINHO  FALCÃO.

Dois  irmãos de  Domingos participaram  ativamente  da  Revolução  de  1817  no  RN  –  Os  Srs. Capitão  Antonio  Alves Ferreira  Cavalcanti, comandante  do  Regimento  de  Cavalaria  da  Vila de Portalegre-RN, e Manuel  Januário  Bezerra  Cavalcanti, que  foram  presos  e  depois  anistiados em  1821.

Esses intrépidos  revolucionários  tinham  contato  direto  com  os também  revolucionários  do Apod, Capitães  Manoel  Freire da  Silveira, José  Francisco  Ferreira  Pinto  e  José  Ferreira  da  Mota. A famosa  “Data do Boqueirão” foi o centro irradiador de  todo o processo de povoamento da  “Várzea  do  Apodi”, começando  do  sítio  “Passagem  Funda”, indo  até  as  ilhargas  das  Datas de  Sesmaria  “Santa  Rosa”  e  “Santa  Cruz”.

Todos  os  que trazem  o  sobrenome  familiar Cavalcanti em  Felipe  Guerra  e  Apodi  descendem do patriarca  DOMINGOS ALVES FERREIRA CAVALCANTI,  que  faleceu  no  seu  sítio  “Passagem  Funda”  em  20  de  Outubro de 1830.

Reza  a  tradição  oral  que  a  Capela  deste  sítio  foi  edificada  no  ano  de  1800, com recursos econômicos  de  Domingos, que  tinha  também  outro  irmão  com  expressiva  atuação em Assu-RN  o  Capitão  José Joaquim Bezerra Cavalcanti, nascido  na  Paraíba (Bananeiras)  no  ano  de  1777  e  falecido  no  Assu  em  1859, onde  recebeu  concessão  de  Data  de  Sesmaria.

Domingos  e seus  irmãos  eram  filhos  legítimos  do  Capitão  André  Cavalcanti  de Albuquerque e Rosa Maria de Albuquerque. (FONTE: “Nobiliarquia  Pernambucana”  – Autor: Borges  da  Fonseca).

Enfatizando  os  liames  genealógicos, resta  comprovado  que  o  renomado e prestigiado  Coronel ANTONIO  FERREIRA  PINTO, do  Apodi,  era  casado (Em  1º núpcias) com  uma neta materna deste Capitão José Joaquim, de nome MARIA  LUÍZA  DE  SÃO  BRAZ  BELTRÃO.

Domingos  era  avô  materno  deste  Coronel  Ferreira  Pinto. A família  Cavalcanti   é  a  mais  famosa  e  numerosa  do  Brasil, principalmente  no  Nordeste, onde  foram  abastados  senhores  de engenho e detentores  dos  melhores  cargos  das  Capitanias, que  depois  passaram  a  Províncias.

A  família  Cavalcanti   da  cidade  do  Icó-CE   tem  origem  em  dois  filhos  deste  DOMINGOS CAVALCANTI, nascidos  no   sítio  “Passagem  Funda”:  Domingos  Alves  Ferreira  Cavalcanti  Jr., nascido  em  1810, que  veio  a  casar  a  08.03.1834  na  Matriz  de  N. Sra.  da  Expectação  do  Icó, dispensado  o  4º  grau  de  consanguinidade  com  a  noiva Maria Felícia de Jesus Maia, natural de  Tabuleiro  do  Norte-CE, antiga  Tabuleiro  de  Areia, filha de  José  Moreira de  Souza  e  de  Luzia  Francisca  Maia.

O outro  filho  foi  o  Sr. Antonio  Alves  de  Alcântara  Landim, nascido  no  ano  de  1814,  que casou  na  Matriz  de  N. Sra. da  Expectação  do  Icó  a  08.07.1834  com Luzia Francisca Maia Neta, natural  de  Russas-CE, filha  de  José  Moreira  de  Souza  e  de  Luzia   Fca. Maia.

Como  vê-se, casaram-se  dois  irmãos  com  duas  irmãs. (FONTE: Vide  livro “BESSA  E  MAIA” pág. 117 – Autor:  Fco. Augusto, Sócio-Correspondente  da  Academia  Apodiense  de  Letras – AAPOL).

Sítio “Brejo do Apodi”

Nasceu  como  extensão  do  feudo  territorial  da  família  OLIVEIRA  e   MARINHO, por  seu patriarca  o Tenente MANOEL JOÃO DE OLIVEIRA, natural do Assu-RN, filho  do  Capitão Manoel  da  Costa  Travassos e Leandra  Martins de  Macedo (Por sua vez  filha  do  Capitão João  Marinho  de  Carvalho  e  Ana  Martins  de  Macedo).

Manoel  João  fixou  residência  na  “Data  do  Boqueirão”  após  casar  com Antônio Maria de Jesus, filha  do  Alferes  José  Fernandes  Pimenta e de Josefa  Maria  da  Conceição.

A  fertilidade  destas  terras  proporcionaram  a  criação  extensiva  do  grande  rebanho  de  gado deste  patriarca.  As sedes  dos  sítios  “Passagem  Funda”  e  “Brejo”  situam-se  ao  longo  da estrada  que  ligava  as  regiões  do  Médio e Alto Oeste potiguar ao efervescente comércio mossoroense, permitindo  o  contato  diário  com  as  notícias  dos  grandes  centros.

Manoel  João  e  Antonia  foram  pais  de: F.01- Tenente  FRANCISCO  MARINHO  DE OLIVEIRA:Nasceu  no  sítio  “Boqueirão”  a  04.07.1794  e  faleceu  em  seu  sítio  “Joazeiro”, na várzea  do  Apodi  a  04.01.1859, deixando  a  viúva  Josefa  Maria  da  Conceição (Falecida  a 08.05.1863)  e  16  filhos, os  quais  casaram  e  tiveram  grandes  proles, sendo  hoje  a  família mais numerosa da fértil e rica “várzea” do Apodi.

Inté.

Marcos Pinto é advogado e escritor

Apontamentos para a genealogia nordestina

Por Marcos Pinto

A  Genealogia  tem  se  constituído  em  um  dos  pilares  mais  relevantes  a  sustentar  o  arcabouço  dos umbrais  da  história.  Quer  seja  nos  preceitos  bíblicos,  ao  elencar  a  descendência  das  doze  tribos  de  Judá, quer  seja  nas  expressivas  obras  que  descrevem  ás  heroicas  e  primitivas  famílias, desbravadoras  dos  mais  recônditos  rincões  do  Brasil. Predominam  as  forças  naturais  e   hereditárias  referenciando  normas  e   ditames   com  elos  ancestrais  seculares.

É  certo que,  nestes  últimos  anos, tem surgido  elementos  inescrupulosos  posando  de  genealogistas, pseudos  pesquisadores  que  só  almejam  angariar   exorbitantes  remunerações  para  efetuar  pesquisas, na  maioria  das  vezes  forjando  nomes  e  cronologias, ao  ponto  de  citar  inventários  setecentistas (Séc. XVIII) e   Oitocentistas (Séc. XIX) existentes  em  antigos  Cartórios   da  região  nordestina,  geralmente  dos  estados  do  Ceará, Paraíba  e  Rio  Grande  do  Norte.  Não raro,  estes Personas   cometem  quando  da  aplicação  das  nominatas  no  esboço  genealógico, observando-se  grosseiros  erros  cronológicos, configurando, assim,  um  cometimento  de  estupro  da  verdade  histórico-cultural da  nossa  terra.genealogia - árvore genealógica

Não  há história  sem  DNA  genealógico.  Não  há   genealogia  sem  a  moldura  exata  da  história,  descrita  sem  as  matizes  do  memorialismo  oficial  deturpador.  Representam  as  linhas  mestras, confluentes, que  entreteceram  as  nossas  individualidades  ancestrais.   Revelam  heranças  mentais, evidenciando  atavismos  acumulados  das  taras, dos  legados  mórbidos, num  deslumbramento  a  romper  a  bruteza  pré-histórica  das  nossas  assombrosas  e  misteriosas   ascendências.  Nada  mais  que  componentes  insustentáveis  da  alma  bravia e  desordenada. Se  nos  apresenta  como  duas  figuras  dignas  de  serem  agudamente  observadas.

Os  referenciais  genealógicos   amplamente  contidos  em  famigeradas  obras  da  Genealogia  dos  colonizadores enfatiza  um  manancial  de  conclusões  convincentes,  amalgamando   nominatas   de  bravos  homens  e  mulheres. É  memória   demonstrada  de maneira  irrefutável.   Formam  uma  corrente  etnográfica  sedutora  e  inexpugnável.

E  foi  assim,   com  altanaria  indômita, baseada  no  enriquecimento  oriundo  da  exploração  das  nossas  riquezas  naturais, que  o  elemento  europeu, geralmente  o  português, enfrentou  toda  sorte  de  perigos  e   anseios  na  longa  e  penosa  travessia  do  Atlântico, transcorrendo  o  cansativo  tempo  de  três  meses  para  aportar  na  famosa  “Terra   Brasilis.

É  certa,  a  afirmativa  deveras  incontestável,  de  que  as  Capitanias  do  Rio  Grande  do  Norte,  Ceará  e  Paraíba   começaram  a  ser  povoadas e  a  nascer  para  a   civilização  já  sob  o  inteiro  domínio  da  Capitania  de  Pernambuco. Cresceram  sob   a  concentração  de  povoadores  do  Rio  São  Francisco  e  com  vínculos  bem  profundos  com  os  sertões  pernambucanos.

Naqueles  tempos (Sécs. XVII  e  XVIII)  quase  tão  próximas  de  Olinda, via  Itabaiana-PB, dado  o  grande  intercâmbio  comercial  decorrente  da  compra  de  rebanhos  de  gado  em  Pernambuco. Posteriormente, no Séc. XIX,  este  movimento  comercial   passou  a  ser  efetuado   em  Oeiras-PI.   Este  desiderato  levou  o pernambucano  Capitão  Francisco  Pinto  da  Cruz  a  requerer  Data  de  Sesmaria  no  Ceará,  explorando  pessoalmente  a  região  de  Milagres.  Neste  mesmo  contexto,  vieram  da  região  dos  açores (Portugal)  para  o  Rio  Grande  do  Norte  as  famosas  e  tradicionais  famílias  RAPOSO  DA   CÂMARA   e   MEDEIROS (Vide  Livro “Um  Ramo  Judaico dos  Medeiros  no  Seridó” –  Luiz  Fernando  Pereira  de  Melo)  para  fixarem-se  nas   Ribeiras  do  Apodi  e  do  Seridó.

Depois  de  Natal  foi  a  região  do  Assu  que,  ainda  no final  do  séc. XVI, passou  a  ser   polo  irradiador  da  colonização  da  região  Oeste  potiguar.  A  fixação  do  famoso  “Terço dos  Paulistas” no  Assu   constituiu  meio  atrativo  para  assentamento  de  Praças  e  Soldados, onde  alguns casaram  e  deixaram  vasta  descendência.  De   Portugal  para  o  Assu-RN  vieram:  O  Coronel  Carlos  de  Azevedo  do  Vale;  o  Licenciado  Manoel  Lopes  de  Macedo, nascido  a  24.09.1670, filho  de  outro  de  igual nome  e  de  Adelaide  Cabral  de  Macedo (Origem da  família  Cabral no  RN), tendo  embarcado  para  o  Brasil na  cidade  do  Porto  a  12.10.1706  com seus  oito  filhos.  Era  casado  com  D. bárbara  Freire  de  Amorim, filha  de  Antonio  Freire  de  Amorim  e  Bárbara  Freire  de  Amorim.

Outro português  a radicar-se  no  Assu  foi  o  Capitão  João  de  Souza  Pimentel, que  casou  com Josefa  Lins  de  Mendonça, bisneta  de  Gaspar  Wanderley. Vindos  de  Pernambuco, chegaram  à  terra  assuense  em meados  do  Séc. XVIII.  Tereza   era  filha  de  Tereza   Wanderley, pernambucana, e  de   Silvestre  de  Mendonça, residentes  nas  Alagoas.

Já  a  tradicional família  Cavalcanti,  do  Assu,  veio  da  Paraíba  através  de  José  Joaquim  Bezerra  Cavalcanti e  Domingos  Alves  Ferreira  Cavalcanti, que  casou  com D. Maria  Joana  do  Espírito  Santo, irmã  de  José  Joaquim, e  foram  residir  no  lugar  “Brejo  do  Apodi”, onde deixaram  numerosa  descendência, espraiada  no  Icó-CE (Vide  Nobiliarquia  Pernambucana, Vol. IV, pág.474 – Coleção  Mossoroense – Série  C – Volume  823 –  Ano  1993.

Residindo  em  terras  à  margem do  rio  São  Francisco, Manuel  Filgueira  de  Carvalho   veio  para  o  Assu   com  muito  gado, procurando  viver  em paz  com  os  indígenas que  eram  sempre  entrave  no  povoamento  das  terras  assuenses.

Para  o  sertão  do  Apodi  vieram  os  portugueses Alexandre  Pinto Machado, natural  de  São  Miguel  de  Caldas  de  Vizela, do Bispado  de  Lamego, filho  de João  Machado  e  Maria  Pinto,  que  casou  na  Matriz  de  Apodi  a  22.11.1768   com  Francisca  Barbosa  de  Amorim, natural  do  Icó-CE, filha  do  Capitão-Mor  o  português  João  Barbosa  Corrêia, natural  de  Ponte  do  Lima,  e  de  Rosa  Maria  de  Jesus, natural  da  Freguesia  da  Várzea, em  Pernambuco.(Origem da  família  PINTO,  do  Oeste  potiguar).

O  português  Antonio  da  Mota  Ribeiro  nasceu  a  13.06.1710  na  Freguesia  de  São  Clemente, Arcebispado  de  Braga e  falecido  em  Apodi  a  19.08.1796.Era  casado  com Josepha  Ferreira  de  Araújo,  filha  do  porruguês Carlos  Vidal  Borromeu  e  da  índia  Isabel  Araújo (Vide  livro “Velhos  Inventários  do  Oeste  Potiguar – Marcos  Antonio  Filgueira –  Coleção  Mossoroense  –  Série  C – Vol. 740, ano  1992.

Temos , ainda, o  entrelaçamento  da  família do português  MOTA   com  os  portugueses:  Antonio  da  Rosa Machado,  natural  da  Freguesia  de  Santa  Bárbara,  casou  com  Cosma  Ferreira  da  Mota (Nasceu  a  19.12.1757); José  Luiz  Vieira  de  Veras, natural  da  Vila  de  Setúbal, filho de  Luiz José  Vieira  e  Josefa  Maria  de  Jesus (de  Setúbal);  Já  o  Capitão  José  Ferreira  da  Mota (Nasceu  em  1768) casou  em  06.05.1791  com  Florência  Maria  de  Jesus, filha  do  português  José  de  Paiva  Chaves  e  Ignácia  Maria  do  Rosário.

Florência  nasceu na fazenda  Patu de  Fora  a  01.02.1770  e  faleceu  na  fazenda  Santa  Cruz (Apodi)  em  1823.  José  de  Paiva  Chaves  era  natural  de  Vizeu, e sua  espoa  Ignácia  era  natural  do  Piancó,e  moradora  no  Patu  de  Fora. Florência  era  neta  materna de  Antonio  Pimentel  de  Araújo, natural  do  Assu, e  de  Isabel  Soares da  Silva, natural da  Freguesia  de  Nossa  Senhora  do  Desterro  de  Itambé-PE.

Inté!

Marcos Pinto é advogado e escritor

Um icônico referencial cultural na serra do Martins

Por Marcos Pinto

“…Falar  de  coisas   que  só  batem  nos  que

Conjugam   a  metáfora  do  peso  dos  anos”.

(José   Sarney).

Nada  mais  impressionante  na   região  do  alto  Oeste  potiguar  do  que  a  fantástica  serra  do  Martins,  cuja  denominação  toponímica  atrela-se  ao  seu   fundador  Francisco  Martins  Roriz.  Suas  matas  nativas  revelam  mistérios  circundantes,  aromatizados  por  clima  ameno, instigante   e  salutar,  emoldurando   misterioso  e   sepulcral  silêncio.

As  suas  contagiantes  belezas  naturais  tem  proporcionado  o  surgimento  de  expressivas  intelectualidades  em  todos  os  contextos  dos   valores  humanos   do  país.  Desde  os  primórdios,  evidencia   a  rubrica  de  ser  feudo  e  celeiro  de  intelectuais.

Júnior Marcelino, densidade intelectual sem afetação e zelo pela cultura e conhecimento (Foto: reprodução BCS)
Júnior Marcelino, densidade intelectual sem afetação e zelo pela cultura e conhecimento (Foto: reprodução BCS)

Sobressai-se   como  manancial  de  valorosos  homens e  indômitas  mulheres,  enchendo  de  vivas  ações  de  acentuado  cunho  espiritual  as   páginas  que  marcam  os  anais  da  sua  arraigada   história.  A  sua  vasta   panorâmica  sociocultural   embeleza-se  pela  correção  da  linguagem  a  colorir  os  pensamentos  do  seu  pacato  e  hospitaleiro  povo.  Revela-se  numa  tessitura  simples   e  natural, ao   todo  desprovida  de  apelos  eruditos.  Sob  estes  matizes  envolventes, surge  a  cativante  e  referencial  figura  humanista  e  icônica  em   intelectualidade,  de  nome  Júnior Marcelino.

Homem  de  profunda  fé  e  sólidas  convicções  religiosas, características  peculiares  que   induziram  os  seus  amáveis  genitores  a  encaminhá-lo   ao  famoso  Seminário  Santa   Terezinha,  em  Mossoró-RN, lá ele  amealhou vastíssimos  conhecimentos  em  Humanismo, Classicismo, Geografia  Histórica  e  História  local,  Genealogia, Corografia, Ordenamentos  Políticos  e  Jurisprudência.  O  renomado  Seminário  foi  a  fonte   primordial  e  precípua  da  sua  sua  imensurável  e  respeitável  erudição.

Nesta  conspícua  instituição  eclesiástica  foi  aprovado  com  destaque e  Grau  Superior  em  todas  as  matérias:  Latim, Leitura, Canto, Gramática, Missa  e  demais  cerimônias.  O  Consuetudinário  e  metódico  rigor  aplicado  no  desenvolvimento  espiritual  dos  notáveis  Seminaristas  incluía  matérias  de  casos  de  consciência  e  dos  sacramentos   contidos  na  famosa  Obra  litúrgica  denominado  de  “Breviário”  e, também,  o   “Manual dos Confessores”,  do   Aspilcueta   Navarro.

Pela  sua  acentuada  desenvoltura  intelectual,  deve  ter  participado  das  percucientes  e  famosas  “Visitações Pastorais”,   do  eminente  e   reverendíssimo  Bispo  Diocesano  da  sua  contemporaneidade  de  admirável  seminarista, época  em  que  era  comum  o  vestir-se  com  batina  preta, o  que  imprimia uma  circunspecta  impressão  visual   litúrgica.

Apesar  das  culminâncias  intelectuais  e  espirituais  condensadas  no  seminário,  o  jovem  seminarista  não  resistiu  aos  encantos  de  uma  recatada  e  competente  professora, visão  alicerçada  em  seu  espírito  durante  suas  férias  de  final  de ano,  em  sua  amada  e  nunca  esquecida  Martins.  O  coração  falou  e  calou  mais  alto.

Após  longa  explanação  ao  seu  genitor   quanto  às  razões  de  cunho  sentimental,  de  certa  forma  inesperado, da  sua   firme  decisão  de  desistir  da  sua  iminente  ordenação  sacerdotal, teve  incontinenti  acolhida  do  seu  compreensivo  genitor.  Desfecho  com  emblemático  consórcio  matrimonial  com  a  ditosa  e  elegante  mestra  Perpétua.

Com simplicidade  e  modéstia, criou  e  instalou  em  sua  residência  um  vultoso  museu   com  relevante  acervo  de  fósseis  animais  milenares, destacando-se  como  sendo  o  único  do  estado  do  Rio  Grande  do  Norte  que  tem  em  seu  acervo  um  osso  fóssil  constitutivo  da  mandíbula  do  Mamute,  o  ancestral  do  Elefante.  Como  intelectual  polivalente,  desfruta  de  largo  prestígio  em  todos  os  segmentos  sociais  e  administrativos  do  Estado  do  RN,  e   também  em   âmbito  nacional.

Tudo  em  decorrência  do  seu   arquétipo. Homem  atuante,  embora  comedido. Liberal  sem  demagogia, tradicionalista sem  fanatismo;  construtivo  sem  imprudência.

Impelido  por  um ardoroso  ânimo  de  trabalho,  sabe  aproveitar  as  oportunidades  na  consecução  dos  virtuosos  propósitos.  Sou  testemunha  da  austeridade  e  probidade,  perenes  e  inexpugnáveis  em  seu  “modus  vivendi”, repudiando   tenazmente  o  chamado  e  detestável  ‘culto à personalidade’, configurador  de  asqueroso  vedetismo.

Nunca  se  deixou  vencer   pelas  circunstâncias  adversas, sempre  vencendo  as  barreiras  do   desânimo.  Como  “cultor  da  história”,  lança  mão  do que  tem  na  memória  para  vestir  suas  ideias  acerca  do  processo  evolutivo  da  sua  amada   terra   natal.  A  sua  excepcional  simplicidade  de  estilo  desperta   intensa   empatia, dado  o  seu  boníssimo  coração.

O  nobre  amigo  Júnior Marcelino   contextualiza-se  na  assertiva   de  que  é  uma  pessoa  brilhante, discreto,  justo,  sempre  intervindo  com  maestria  nos  momentos  mais  difíceis  da  pesquisa  em  vetustos  documentos   cartoriais  ou  eclesiásticos.

Visitar  a  inesquecível   cidade  de  Martins  e  não  procurar  conhecer  o icônico intelectual  Júnior Amorim equivale  a    ir  a  Roma   e  não  ver  o  Papa.

Habemus Junius Marcelinus!

Inté!

Marcos Pinto é advogado e escritor

Um livro que emblematiza um século

Por Marcos Pinto

Nestes últimos meses, há uma flagrante e instigante constatação de alavancagem nos anais da Bibliografia potiguar, de cunho  imensurável. Neste contexto, evidencia-se um vasto cabedal de conhecimentos que ampliam a nossa visão, no sentido de que somos detentores de acentuadas  e  variadas  paralelas e dotes  culturais. Esta Bibliografia tem sido inserida em ínclita   performance, enfocando e  enfatizando  a certeza de que estamos ampliando novos e importantes   meridianos  em  termos  de  pesquisa  em  fontes   primárias.Sertão nordestino - foto ilustrativa

Em  sua  própria  definição,  a  bibliografia  projeta  a  essência  do  que representa.  Emoldura  autores  cujas  lutas  envidadas  para  a  concretude  do  prelo  não  conheceram  tréguas ou  armistícios de  ordem  temporal  ou econômica.  Às vezes, ampliam a  nossa conscientização  de  que  somos detentores de  intenso  e  extenso potencial  da  cultura  e  da  intelectualidade, variada  em  suas  origens.

Argamassam valores  humanos, projetando  homens  e  títulos  como  fermento  da  história  e  da  pujança  da  inteligência.  É  certa  a  assertiva  de  que  a  bibliografia  potiguar revela  fases  distintas  quanto  a  sua  evolução  referencial  aos  títulos  estoicamente  publicados  e  efusivamente   celebrados.  Intimamente  se  entrelaçam  na  comunhão  dos  fenômenos  que  regem  a  natureza  das  projeções  culturais.  Q

uanto  nos  comove  o  extenso  rol  de  títulos  publicados, englobando  atividades  culturais  as  mais  variadas, componentes  do  concerto  geral  da intelectualidade.  A  emblemática  obra intitulada  “CÔNICA  DO  SERTÃO  DO  APODI”,  resultado  de  densa  e  abissal  pesquisa  efetivada  pelo já  consagrado  historiador  e  genealogista  potiguar, Luiz  Fernando  Pereira  de  Melo,  provocou  ressonâncias  históricas  contextuais  nos  quatro  cantos  do  país, dado  a  sua  extensa  abordagem  temática  abrangendo  referenciais que  despertam  interesses  de  ordens  genealógicas  e  biográficas.

Com esmero  retórico, perfilo o   eminente  autor  da  já  famigerada  obra  “CRÔNICA  DO  SERTÃO  DO  APODI”  como  lição  de  determinação, coragem, grandeza  de  objetivos  e  paciência, virtudes  imprescindíveis  para  qualquer  caminhada.  Com  invejável  verve   e  retórica, eis  que  o  autor  adentra  o   limiar  da  longa  vida.  Aconselha  a  ética  o  evocar  a sua  idade. Quando  esta  longa  vida  é  atingida  com  a  lucidez  e  a  fortaleza  do ânimo (No  caso  do  lépido  e fagueiro  Luiz  Fernando)  melhor  ainda  para  a  celebração  efusiva.

Adentremos  ao  título   do  presente  artigo.  A  magnânima  obra  “CRÔNICA  DO SERTÃO  DO  APODI”  condensa  acendradas  pesquisas  efetivadas  ao  longo  de  mais  de  quatro  décadas. O  título  é  instigante  e  auspicioso  em  suas  373  páginas,  obra  conclusa  com  denodado  esforço  em  Setembro  de  2020.

Cabe-nos  ressaltar  que  o  profícuo  historiador  e  genealogista  já  publicara  duas  memoráveis  e reverenciais  obras  intituladas  “UM  RAMO   JUDAICO  DOS  MEDEIROS  NO SERIDÓ (Maio  de  2020)  e  o   não  menos  celebrado  livro  “OS  FERNANDES  PIMENTA” (Julho  de  2020). A  obra  ora  elencada  foi  finalizada  em  Setembro  de  2020.  Orgulha-nos  a  fecunda  produção  de três  memoráveis  e  imprescindíveis  obras  em  apenas  cinco  meses.  A  prodigalidade  merece  alvíssaras  de  toda  intelectualidade  potiguar.

A   vastíssima  e  já  celebrada  obra  “CRÔNICA  DO  SERTÃO  DO  APODI” arrancou  do  olvido  documentos  oficiais  denotativos  de  fatores  que  proporcionaram  a  ocupação  do  solo  na  extensa  e  fértil  RIBEIRA  DO  APODI,  cujas  áreas  limítrofes  com  o  Ceará  e  a  Paraíba  eram  cobiçadas  pelos  potentados  reinóis  dos  séculos  XVII  e  XVIII.

Conclui  um  cenário de  periodicidade  para  contar  e  separar o  tempo  histórico  através  da  ocupação  do  solo  via  potentados  sesmeiros  e seus   prepostos.  Vastas  extensões  de  terras  eram obtidas na  maioria  das  vezes  através  de  tráfico  de  influência  e  de  poder,  como  denota  a  concessão  feita  ao  Conde   de  Alvor  Francisco  de  Távora em  21.07.1706,  que  nunca  saiu  de Portugal para  ocupar  suas  três  léguas  de  terras  de  comprimento  por  uma de  largura  no  lugar  “Pau  Ferro”,  Ribeira  do  Apodi.

Hoje,  não  há  como  se  efetivar   estudo  preciso  e  conciso  sobre  o  processo  histórico  da  região  Oeste  potiguar  sem  compulsar  esta valorosa  “CRÔNICA  DO  SERTÃO  DO  APODI”,  manancial  repositório  dos  registros  da  crônica  social  e  econômica   das  inóspitas   paragens.

É  um  trabalho  de  resgate  e  valorização  histórica. “Não  se  inventa  iniciativa  espiritual. São  produtos  e  maneiras de  ser  de  um  povo, de  uma raça”. (Sílvio  Romero). Inté.

Marcos Pinto é escritor e advogado

O predestinado e uma vitória histórica

Por Marcos Pinto

Dentre  o  processo  de  similaridades  históricas, há  que  se  concentrar  em  escoimar  e  compulsar  notas  e  efemérides  dos  fatos  relacionados   à  predestinação.   Nos  Anais   Históricos,  sobressaem-se,  com  acentuada   relevância, as  exponenciais  figuras  do   bíblico  José  do  Egito  e  o  célebre    Abraham  Lincoln.

José  do  Egito   foi  o  décimo-primeiro  filho  de  Jacó, nascido   de  Raquel, citado  no  antigo  Testamento,, em  Gênesis, 37. Considerado  o  fundador  da  Tribo de  José, constituída  por  sua  vez, da  tribo  de  Efraim  e  da  tribo  de  Manassés (Seus  filhos. A  figura  de  José  inspirou  vários  autores  e  artistas  ao   longo  da  história. Minudências  históricas  instigantes.

O  fenomenal  Abraham Lincoln  (12.02.1809- 15.04.1865)  tem sido  estudado  e  cultuado  por  todos  aqueles  que  interagem  com  a  história  dos  grandes nomes  que  marcaram  a    humanidade. Criado  em uma  família  carente  da  zona  rural,   na  fronteira  Oeste  dos  Estados  Unidos, exerceu  árduos   trabalhos – como  lenhador.Conta-se  que,   certo  dia,  cumprindo  o  seu   cansativo  trabalho   em  uma  fazenda   pertencente  a  opulento  comerciante, fora   interpelado  pelo  mesmo  nos  seguintes  termos: Como  o  senhor   vê  o  seu  futuro   sendo  um  simples  lenhador?

Revestido  de  sublime  postura  de  um  iluminado, o  jovem  lenhador  respondeu-lhe  fazendo  uma  emblemática  e  intuitiva  observação:  “Recomendo-lhe  que  guarde  e  zele  com  muito  cuidado  estas  toras  que  acabei  de   cortá-las, pois  no futuro  poderás  apontá-las  como  fruto  do  suor  de  um   pobre  lenhador  que  chegou  a  ser  eleito presidente da República dos Estados Unidos.

Dito  e  feito. A  história  universal  registra.  Autodidata, Lincoln lia  intensamente  nas  horas  vagas.  Predestinado  a  vencer,  abandonou  o  ofício  de  lenhador  e  mudou-se  para  a  cidade, onde  ingressou  nos  estudos  e  tonou-se  advogado.  Líder  de  Partido,  Deputado  Estadual   por  Illinois  durante  os  anos  de  1830  e  Membro  do  Câmara  dos  Representantes  por  um  mandato  durante  a  década  de  1840.

Sendo  um  moderado  de  um  Swing State  (Estado  decisivo), garantiu  a  postulação  para  a    candidatura presidencial  de  1860  pelo  Partido  Republicano.  Com  quase  nenhum  apoio  do  Sul,  ele  percorreu  o Norte  e  foi  eleito  Presidente.  Sua  brilhante  trajetória  política   foi  brutalmente  interrompida com  o  seu  assassinato  ocorrido   em   Whasington  D.C.   a  15  de  Abril de  1865, aos  56  anos  de  idade.

De  forma   emoldurada  em  paradigmas,  a  história  tem  evidenciado  fatos  análogos   que  se  repetem  ao  longo  do  tempo.

Heródoto  já  afirmara  que  “A  História  é  a  Mestra  da   vida”.  Guardadas  as  devidas  proporções, observo  no  jovem  Allyson  Bezerra  um aureolado  espírito  predestinado  à   bem-aventurança.  Alguém  já  disse  que  “O  homem  é  a  sua  história”.  A  exemplo  do  grande  Lincoln, o  jovem  Allyson  tem  a  sua  história  de  vida  vinculada  de  forma intrínseca  à  humilde  família  da  zona  rural.

É  certo que  todo o  conhecimento  do  passado  não  pode   ser  completo  ao  conhecimento  do  presente  de  modo  a  autorizar   a  dedução do futuro. O que  interessa   às  gerações  futuras, na  apreciação  dos  fatos  do  passado, é  menos  o  seu  conteúdo  material  do que os  motivos  de  sua superveniência, que  dão  aos  testemunhos  deixados  o  caráter   de  documento  marcado.

As  biografias  destes  três predestinados interrelacionam-se com  outros  fatos  históricos,  a  serem   minuciosamente  evocados  em  um  futuro relativamente  próximo, quando  for  estudada e elaborada a biografia do jovem Allyson  Bezerra.  O  terreno  é   fértil e o futuro é  alvissareiro  e  promissor.

Das variadas  expressões da curiosidade do homem pelo  que  há  de  humano, nas  suas  realizações, tem sido possível penetrar  na  razão de  ser de movimentos aparentemente explosivos e  subitâneos, de  iminente derrocada   política de uma família  oligárquica, que  há  cerca  de  70  anos comandava  os  destinos  políticos  e  administrativos  de  Mossoró.  Na  realidade,  precisava-se  de  um  jovem  predestinado  para  alavancar   uma  realidade  de  necessidade  de  mudança  que  vinha  sedimentada e avolumada na imperceptibilidade de um crescimento  ininterrupto.

As  hostes  governistas  lideradas  pelo  Carlus  Augustus  Rosadus tentaram   de  todas  as  formas    macular  a  imagem  do  jovem   predestinado, com o  intuito  exclusivo  de  abafar e  evitar a  expansão  do  perigo  iminente  de  uma  avassaladora  vitória  do  candidato  Allyson.

No tocante  à Rosalba  Rosadus, havia   superlativos  referenciais  em  profusão, destacando-se  a   rubrica  da  mesma  ser  considerada  ‘imbatível’.  E  faziam  questão  de  frisar  que ela  havia  tido  uma vertiginosa  ascensão   política, à  nível  de  estado,  saindo  da  prefeitura  de   Mossoró para  ser  eleita senadora e   logo  a  seguir  governadora.

Olvidaram  que  existia  um  jovem   arrojado  construtor  do  futuro, respaldado  em  seu  popularíssimo  mandato  de   deputado  estadual,  eleito que  fora, enfrentando  poderosas  estruturas  econômicas da  oligarquia  político-familiar  numerada  de  Mossoró.  O  novel  político  trazia  consigo  um  discurso  coerente  traduzido  em  linguagem  clara  e  precisa.

Com  o  desenrolar  da  campanha  política,  constatou-se  estranho  acirramento  no  acampamento   rosadista.  Os  mandatários  do   poder  municipal  pensavam  e  agiam   como  semideuses,  espécies  iluminadas  à  força  dos  cifrões  de  origem   duvidosa.  Alardeavam   nos  quatro  cantos  da  cidade  que  a   prefeita  seria  reeleita,  não  com   grande  maioria, mas  que  seria  a  vencedora  do  pleito. Isto  tudo  com  objetivo  único  de  desencadear  um  processo  de  descrença  na  vitória  do  ‘Menino pobrezinho’.

Havia  um  elemento-base  e  eivado  de  surpresa  a  ser  configurado  pelas  asas  do  destino,  durante  o  segundo  grande  debate  televiso   entre  os  candidatos  a  prefeito  de  Mossoró.  Há  um  ditado  popular  que  diz  que o  uso  do   costume  faz  a  boca  torta.  Pois  bem.

Durante  o  tão  esperado debate, o  candidato  Allyson  formulou  uma  pergunta  à  candidata  Rosalba  Rosadus  a  respeito  da  malversação  de  12  milhões  de  Reais, do período em que ela era a governadora  do  Estado, respondendo a demandas judiciais.

Surpresa  com  a  pergunta  sobre  a   destinação  dos  tais  12  milhões,  a prefeita  sapecou  uma  humilhante  frase  voltada  ao   candidato  Allyson:  “O  candidato  é  tão  pobrezinho…”

Como  os  componentes  das  classes  sociais  mais  humildes  sentem-se  como  “pobrezinhos”, revoltaram-se  com  o  humilhante  tratamento  ao  candidato  Allyson e passaram a manifestarem o voto  no  já  famoso ‘Menino Pobrezinho’.   Até  hoje  a  oligarquia  político-familiar  não  se  conforma  com  tão   retumbante  vitória  deste  menino  egresso  da  zona  rural  mossoroense.

Inté mais ver.

Marcos Pinto é advogado e escritor

Crime contra a Lagoa de Apodi segue impunemente

O advogado e escritor Marcos Pinto denuncia, através do Blog Carlos Santos, que conforme  vídeo contante nesta postagem, a Prefeitura  Municipal  do  Apodi – através  de  sua  Secretaria  de  Serviços Públicos – tem fornecido  caçamba  e  retroescavadeira para  promover  aterramento  do  leito  da  Lagoa do Apodi,  objetivando construir imóveis  de  alvenaria. 

“Dominado  por  tamanha  estupefação  é  que  me  dirijo  ao  amigo  para  solicitar  a  divulgação  em  nosso  prestigiado  Blog a  respeito  de  um  violento  crime  ambiental  cometido  contra  a  lendária  Mãe-lagoa  de  Apodi”, justifica.

“É  inconcebível  a  prática  de  tamanha  agressão  ao  já  bastante  assoreado  leito da  lagoa.   Estranho  que  até  agora  o  douto  Representante  do  Ministério Público   da  Defesa  do  Meio  Ambiente  da  Comarca  do  Apodi  não  tenha  adotado enérgicas  medidas  coibitivas  contra  tão  danoso  crime  ambiental”, afirma ele.

Antecipadamente  agradecido.

Marcos  Pinto – OAB/RN-2252.

Nota do Blog – Estamos à disposição da PMA, caso queira se pronunciar sobre a denúncia em epígrafe.

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Entre a cruz e a espada – Genealogia indígena potiguar

Por Marcos Pinto

A sistemática  e  truculenta  colonização  e  povoamento  dos  ermos  sertões  potiguares  traz  em  seus  anais  históricos  a  detestável   configuração  eivada  de  interesses  escusos, de ordem  econômica  da  Corte  portuguesa. Nesta singularidade, sobeja a  ostensiva  participação  da  religião  católica  entremeando   a  sua  emblemática  e  poderosa  cruz, protagonizando  acentuada  conivência  voluntariosa  diante  as  atrocidades  cometidas  pelas  incursões  exploradoras, geralmente  de cunho  militar  e  exterminador  do  gentio  indígena. Eram comandadas  por  Sargentos-Móres  e  Capitães-Móres, auxiliados  por  pessoas  de  menor  patente e  também  recrutadas  entre  o  próprio  gentio  tornado  cativo.  No  fundo  estava  o  ciúme  do  mando  e  o  interesse pecuniário  em  jogo.

Houve  Padre  catequizador  dos  índios  do  Jaguaribe  que, instado  acerca  dos  crimes  cometidos  contra  a  indiada  hostil, respondia  que  as  Expedições  deveriam  queimar  madeira  seca  e  também a  madeira  verde, ou seja,  os  catequizados  e  os  não  catequizados, mesmo  já  tendo  sido  batizados  por  eles.  Estas  incursões  promoviam    constantes  deslocamentos  de  tribos  indígenas  belicosas, permutando  índios  dos  sertões  do  Apodi  com os  dos  sertões  do  Jaguaribe.

Os historiadores  cearenses  citam  como  exemplo  a  fixação  de  tapuias  paiacus  para  povoar  a atual  região  de  Pacajus-CE, oriundos  da  Lagoa  do  Apodi, de  onde  foram coercitivamente  arrancados do seu  feudo  natural  e  conduzidos por  força  militar  comandada  pelo  Desembargador  Soares   Reymão.

Em  1694  o  Capitão  Francisco  Dias  de  Carvalho  comandou  uma  expedição  na  qual  adotava  as  mais  terríveis  e  cruéis  táticas  de  dominação  e  extermínio,  com  fim  específico  de  ocultação  das  tiranias  cometidas. Geralmente  faziam  uma  espécie  de  triagem  na  preagem, preferindo  Columins  e  Cunhãs, além  de  robustos  índios  de  meia  idade, muito  procurados  pelos  senhores  de  Engenho  de  Cana-de-Açúcar,  para utilização  de  mão-de-obra  no  campo  e  na  moagem.

A  Coroa  portuguesa  dava-lhes  cobertura  para  que,  com  a  venda  dos  índios  feito  cativos  na  tal  “Guerra  Justa”,  ser  pago  O  quinto  do  total  da  venda  à  Coroa.  Estes  traslados  indígenas  eram  guiados  por  uma  pessoa  que  tinha  a  função  denominada  de  “Prático  do  Sertão”, personagem  conhecedor  dos  caminhos  e  estratégias  indispensáveis  à  mobilidade  das  Expedições.

Em 1740 o  português  Domingos  João  Campos  foi  enviado  pelo  Capitão-Mór da  então  Capitania  do  Rio Grande,  Francisco  Xavier  de  Miranda  Henriques,  para  efetuar  medições  e  demarcações  nas  terras  que  compreendiam  a  Ribeira  do  Apodi. O  seu  Ofício  de  Agrimensor  era  feito  mediante  escolta  militar, feita  pelo  célebre  Sargento-Mór  Manoel da  Silva  Vieira,  famanaz  preador  de  índios  nos  sertões  do  Apodi  e  do  Jaguaribe.

Dentre as famosas  escaramuças  promovidas  por  este  diabólico  patenteado  Vieira  destaca-se  a  que  se  deu  quando  o  Agrimensor  encontrava-se  demarcando  em fase  final  a famosa  e  fértil  “Data de  Sesmaria  “Boqueirão”,(Apodi-RN), cuja medição  totalizava  três léguas  de  comprimento  por  uma  de  largura, começando  dos  lugares  Brejo  e  Boqueirão,  e  terminando no  lugar  Várzea  da  Salina, vizinho  à  Data  “Santa  Rosa”.

Conta a  tradição  oral  que  o  agrimensor   vira  passar  bonita  Cunhã  em  terreno  descampado  perto  do  lugar  “Lagoa  Redonda”, tendo  de  imediato  determinado  ao  ajudante  militar  que  empreendesse  meios  para  apreender  tão  garbosa  adolescente, no que  o  mesmo  obedeceu  saindo  em  desabalada  carreira  montado  em  seu fogoso  cavalo  alazão, tendo  alcançado  logo, descendo  do  cavalo  e  a  imobilizando  pelas  mãos  e pés  com  cordas  que trazia  à  tiracolo. A  partir  deste  evento  de tormentoso  sequestro  da  indiazinha  tapuia, tal  lugar  ficou  sendo   conhecido  como  a  “Várzea  da  Carreira”.

A  conclusão da  Demarcação  da  Data do  “Boqueirão”  deu-se  a  2.04.1740. Com o passar  dos anos  e  dos  sucessivos  entrelaçamentos  entre ocorridos entre índios  e  elementos  componentes  das  famílias  pioneiras, as  terras  que  ficam  nos  arredores  da  Várzea  da  Carreira   passaram a  receber  a  denominação de  “Tabuleiro  dos  Caboclos”, passando  depois  à  atual  denominação  de  sítio  “Bico  Torto”. Como  já  tinha  uns  índios  feitos  cativos, o  Sargento-Mór  Vieira  incorporou dita  índia  à essa  turma  de  cativos  indígenas.

Ao  chegar  à  cidade  do  Natal  o  Sargento-Mór  Manoel  da  Silva  Vieira  vendeu  a  dita  Cunhã  ao  Capitão  Hilário  de  Castro  Rocha, que  para  ocultar  a  etnia  da  mesma  fez  constar  nos  registros  da  Igreja  como  tendo  sido  exposta  em  sua  residência, dando-lhe  nome  familiar  da  sua esposa Maria  Madalena de  Mendonça,  passando a  índia  a  ter o  nome de   Rosa  Maria  de  Mendonça.

Surge fato histórico  emblemático  quando  o  português  Domingos  João  Campos  se  casa  com  a  referida  índia  Rosa  Maria  de  Mendonça  em   24.11.1745, tendo  prole  de  08  filhos..  Outro  fato  histórico  digno  de  menção  refere-se  ao  casamento  de  um  filho  do  Domingos  o  Sr. José  Fernandes  Campos (O  1º) com  uma  filha  do  tal  Sargento-Mór  Manoel  da  Silva  Vieira,  de nome  Ana  Antônia  da  Conceição.  Desse  venturoso  casal  nasceu  José  Fernandes  Campos (o  2º), que nasceu em  Natal  a  15.08.1775, tendo  casado  casou  com Joana  Gomes  de  Jesus, e  passado  a  residir  em  Apodi  no  seu  sítio  “Baixa Grande”, perto  do  feudo  indígena dos  Fernandes  Campos, denominado de  “Lagoa Redonda”, perto do lugar onde  nascera  a  sua  avó  raptada.

Este segundo  José  Fernandes  Campos  faleceu  em seu  sítio  em  Julho  de  1848, deixando  a  viúva  e  nove  filho (Tenho  cópias do inventário, para quem interessar  possa). Esta iniciativa do  neto  de  Domingos  João  Campos  fixar  residência  nas terras  de  origem da  sua  avó  paterna  conduz  à  certeza  de  que  a  tradição  oral  corrente  no  seio  dos  “Fernandes  Campos”  do  Apodi    concretiza  a  veracidade  da  etnia  indígena  desta  tradicional  família  do  rincão  apodiense.

Café Filho: origem indígena (Foto: arquivo)

Uma  irmã  deste  segundo  José  Fernandes  Campos, de  nome  Ana  Clara  de  Jesus, casa-se  em  09.07.1789  com  Francisco  Xavier  da  Câmara, filho  de  Antonio  Câmara da  Silva, que  por  sua  vez  era  irmão  tio paterno  de  João Paulo  da  Silva  Câmara, João Pedro da  Silva  Câmara e  Francisco  Paulo  da  Silva  Câmara, residentes  no  sitio  “Santa  Rosa”, em  Apodi, onde faleceram e foram inventariados.

Esta honrada e tradicional  família  apodiense  Fernandes Campos  é  conhecida  popularmente  como  sendo  a  família dos “FONOM”, apelido que  surgiu  devido  ao  fato  da  maioria  de  seus  membros  apresentar  a  voz  anasalada.

O Ex-Presidente da  República  João  Café  Filho, natural  de  Natal-RN, cujo nome  civil  oficial  era  João  Fernandes  Campos  Café  Filho  fez  retificação  judicial  do  seu  nome, que  passou  a  ser  João  Café  Filho, retirando, assim,  o  referencial  familiar  tradicional  FERNANDES  CAMPOS, quem sabe  com  objetivo  de  dar   continuidade  a    encoberta da  etnicidade.

Café Filho descende  de  um  filho  do  português  Domingos  João  Campos/Rosa  Maria de  Mendonça, de nome   Manuel  Fernandes  Campos,(F.1) que  por sua  vez  foi  pai  de  Lourenço  Fernandes  Campos (N.1),  que  foi  pai  de  Lourenço  Fernandes  Campos  Júnior (BN.1), que  foi  pai   de  João  Fernandes  Campos  Café (TN.1 – * 16.04.1865), que foi  pai  de  João  Fernandes  Campos  Café  Filho (Café  Filho –  Natal *03.02.1899/ Rio de  Janeiro  + 20.02.1970).  E  assim, resta  comprovado  o  parentesco  da  humilde  família  apodiense  Fernandes  Campos (Fonom)  com  o  renomado Ex-Presidente da  República.

Louvo a plenitude da razão, presente na figura do historiador  de  nomeada  Manoel  Rodrigues  de  Melo, Quando  faz  a  exortação  para  a  importância  da pesquisa, sobre o quanto  existe  de  labor, sacrifício, desgosto, alegria, entusiasmo,tudo  ficando  no  bojo  silencioso  da  história, sem  a  compreensão  devida  pelos  que  vivem  a  posteridade.  Inté.

Marcos Pinto é advogado e escritor

Família Câmara – a etnicidade encoberta

Por Marcos Pinto

Na alternância dos fatos históricos, a pesquisa reúne mecanismos  ligados  ao  tempo, à pessoa e ao  meio, por razões  que  pré-existiam  ao  acontecimento.  Dado  esta conclusão, não  devemos  nos  limitar  à  tarefa  de  preencher  vazios  e  lacunas  existentes  na   historiografia. Constata-se  uma  espécie  de  indução ao  caldeamento  da  raça,   que  resultou  em  investidas  para  a  ocupação  e  fixação  de  famílias  pioneiras, em  terras  nunca  dantes imagináveis à  presença  do  elemento  branco, afirmando  homens  e  mulheres  pela  inteligência, amadurecimento  e  idealismo.

Formaram-se  relações  tão  fortes  na  comunhão  dos  destinos  de  bravas  famílias, muitas  vezes  apurando  o  gosto  da  amizade no  prazer  da  convivência  nos  ermos e  rústicos  sertões.

A primeira notícia da presença de  um  componente da  família  Câmara  nos  sertões  do Assu  e  do  Apodi  remonta  ao  ano  de  1687, quando o  Coronel  Antonio  de Albuquerque  da  Câmara  recebera Provisão  de  06  de  Setembro  de  1687  determinando  que  ele reunisse  todo  o  pessoa  disponível  das  Ordenanças  e  as  forças  que  viessem de Pernambuco  e  Paraíba e  seguisse  sem  demora  a  combater  as  tribos  indígenas  sublevadas  do  Assu  e  do  Apodi.  Estas  expedições  militares  de  cunho  repressor desencadeou  um  detestável  processo  de  abuso  de  autoridade  que  geralmente  culminava em  preagem  e  sequestro  de  jovens  índias  para  mancebia  ou  casamento.

Há  um  relevante  trabalho  de  pesquisa  genealógica  sobre  a  presença  da  família  Câmara  no  Ceará  e no  Rio  Grande  do  Norte, publicado  na Revista  do  Instituto  Histórico  e  Geográfico  do  Rio  Grande  do  Norte (IHGRN) Vols. LXXV-LXXVI – Anos  11983-1984, de  autoria  do  famoso  historiador  cearense Eduardo  Bezerra  Neto, com o  título “Um  estudo  inédito  de  Câmara  Cascudo  (I)”.

Analisando  de  forma  minuciosa a  ascendência  remota  da  família  Câmara, encontrei  indícios  que  sinalizam para  a possibilidade  de  que  a  matriarca  Antonia  da  Silva, que  veio  a  casar  com  o  português  Manoel  Raposo  da  Câmara  fora  uma  índia  da  Aldeia  Jesuíta  do  Padre  Philipe  Bourel, que  a  fundou  em  10 de  Janeiro  de  1700.  Suponho  que  a  mesma  tenho  sido uma  das  muitas  índias  raptadas pelas  expedições militares feitas  aqueles  ignotos  rincões, principalmente pela  Entrada  comandado  pelo  Sargento-Mór  Manoel  da Silva  Vieira  em  1689, quando  acompanhou  o  retorno  do  também  Sargento-Mór  de  Entradas  Manoel  Nogueira  Ferreira, que  fundara  aquelas  plagas  em  19 de  Abril  de  1680.

Dentre os  filhos  de  D. Antonia  destaco  os filhos  Vitorino  da  Silva  Câmara  e  Rosa  Maria  do  Espírito  Santo. Em seu testamento, Antonia da Silva omite os  nomes  de seus pais, deliberadamente  ocultando  a  sua  etnia  indígena, tendo  falecido  a  25.07.1785.  Seu  assento  de  óbito  revela,  mais  uma  vez,  a  omissão  dos nomes  dos  genitores:  “Faleceu da  vida  presente  D. Antonia  da  Silva, mulher  viúva, de  idade  de  cem  anos,  pouco  mais  ou  menos”.(FONTE: Revista  acima citada –  pág. 16). Um filho  da índia  Antonia da  Silva  e  Manoel  Raposo  da  Câmara, de nome  Vitorino da  Silva  Câmara, seguindo  a linhagem  étnica  materna  casa-se  com a  índia, também  do  Apodi, Joana  Maria  de  Jesus  Monte.  Novamente  os  historiadores  omitem os  nomes  dos pais  dela.   O  Barão  de  Sudart  informa,  apenas, que  eram  naturais  do  Rio  Grande  do  Norte.(FONTE: Dicionário  Biobibliográfico  Cearense, Vol. 2, pág. 26).

Para  responder às  lacunas  genealógicas  suscitadas  quanto  à  paternidade  indígena  de  Joana Maria  de  Jesus  Monte, faço  a  seguinte  abordagem: Em  1689  o  soldado  João do  Monte  “tomou  parte  na  marcha  que se fez  do  Olho  D’água (Assu-RN)  aos  rios  Paneminha  e  Panema  Grande, até  a  lagoa  Pody”.  (FONTE:  “A  Guerra  nos  Palmares” – Ernesto  Enes – Vol. 127 – Coleção  Brasiliana”,  e  “Gente  do  Séc. XVII  na  Ribeira  de  Mossoró” –  Vingt-Un  Rosado, Jornal  “O  Mossoroense”, edição  de  01.12.1946).

Corroboro  estas  minudências  com  minha  pesquisa  efetuada no  primeiro  livro de  Óbitos  da  Igreja-Matriz  do  Apody, do período  1766-1776, da  lavra  do  primeiro  Cura  das  Várzeas  do  Apody,  o pernambucano João  da  Cunha  Paiva, que  intitulou  dito  livro  como  “Atestados  de  Óbitos  das  Várzeas  do  Apody”.  Este  Tomo  reúne  um  manancial   histórico-genealógico, que  compõe  o  acervo  do  IHGRN.  Neste  livro  consta  o  óbito  de  “Maria,  falecida  em  1776, filha  de João  de  Montes (Índio)”.

Supõe-se, pois, que  o  soldado  João  do  Monte, acima  citado, tivera  relacionamento  amoroso com  uma  índia,  quando esteve  em Apodi, em  confronto  com  a  indiada  Tapuia  Paiacus.   Desse  conúbio  amoroso  teria  nascido  esse  índio  João  de  Montes  e  Joana  Maria  de  Jesus  Monte, que  veio  a  casar  com  Vitorino  da  Silva  Câmara. (Vide  “Anotações  do  Primeiro  livro  de  Óbitos  da  Ribeira  do  Apodi”, por  Marcos  Filgueira, e que  está  disponível  na  Net.

Em  seu  notável  trabalho  genealógico  intitulado  Câmaras”,  o  Mestre  Câmara Cascudo (Vide Revista  citada)  faz  referência  a  um  filho  de  Vitorino  da  Silva  Câmara, de  nome  João  Paulo  da  Silva  Câmara, que alguns  historiadores  afirmam  ter nascido  em  Aracati, no  vizinho  estado  do  Ceará.  Em pesquisa  que  fiz  em  um  livro  de  batizados  da  Igreja-Matriz  de  Apodi,  do  período  1820-1827, lavrado  pelo  erudito  Padre  Faustino  Gomes  de  Oliveira, encontrei  o  assento  de  batismo  de “ RICARTE, batizado  na  Matriz  de  Apody  a  11.07.1826, nascido  a  04.02.1826, filho  de  João  Paulo  da  Silva  e  Antonia  Maria, Padrinhos  Caetano  Gomes  de  Oliveira  e  Isabel  Maria.

Estranha-se  o  fato  do  Padre  Faustino  ter  omitido  o  referencial  familiar  Câmara  no  nome  de  João  Paulo.  Este  Caetano  era  casado  com  Rosa  Maria  do  E. Santo, irmã  de  Vitorino,  e  filhos  do  português  Manoel  Raposo  da  Câmara  e  Antonia   da  Silva.  Caetano e  Rosa  residiam  em  seu  sítio  de nome  Santa  Rosa (Apodi), tendo  Caetano  falecido  no  seu  sítio  a  26.04.1839, e  Rosa  falecido  a  01.06.1840.  A  madrinha  Isabel Maria é  a  mesma  Isabel  Maria  de  Jesus, filha  de  Caetano/Rosa, que  veio  a  casar  com  Manoel  Gomes  do  Rêgo, e foram  pais  do  renomado  historiador  apodiense  Manoel  Antonio  de  Oliveira  Coriolano (05.01.1835/ 28.12.1922).

O patriarca  João  Paulo  da  Silva  Câmara  casou  com  a  sua prima  legítima  Antonia  Maria da  Conceição, filha de  Caetano  Gomes  de  Oliveira  e  Rosa  Maria  do  Espírito  Santo.  João  Paulo  faleceu  em  Apodi  e  foi  inventariado  no  ano  de  1876.  Ricarte  Soares  da  Silva  Raposo  da  Câmara  residia  em  Apodi  e  casou  em  26.09.1848  com sua  prima  legítima  Maria  José  do  Nascimento, filha  do  irmão  do  seu  pai  o  Sr.João  Pedro  da  Silva  Câmara  e  de  Francisca  Maria  da  Conceição (Inventariada  em  Apodi  em  1830. (FONTE:  Relação  dos  inventários  do  1º  Cartório  Judiciário de  Apodi).  A quem  interessar  tenho  cópias  dos inventários  de  Caetano  Gomes de  Oliveira  e  sua  esposa  Rosa  Maria  do  E. Santo.

“Homens do campo ou preadores de índios, combatentes  ou  sesmeiros, todos  fixado  ali  os  rumos  da  sobrevivência  pelo  espírito  da  resistência  com que  nossos  antepassados  souberam  enfrentar  as  adversidades  de  uma  longa  campanha,  espécie  de  guerra  sem quartel, que  fora  o  levante  dos  índios  do  Assu  e  o  combate da  Lagoa  do  Apody.(Raimundo  Nonato  –   “Zona  do  Por  do  Sol” –  pág. 44).

Inté!

Marcos Pinto é advogado e escritor