Produção de petróleo teve 5,4% de aumento em comparação com mês anterior (Foto: Agência Brasil)
A Agência Nacional de Petróleo (ANP) divulgou nessa segunda-feira (1/9) o Boletim Mensal da Produção de Petróleo e Gás Natural de julho de 2025. O mês registrou recorde histórico na produção total de petróleo e de gás, atingindo 5,160 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d) e superando, pela primeira vez, a marca dos 5 milhões de boe/d.
Com relação ao petróleo, foram extraídos 3,959 milhões de barris por dia (bbl/d), um aumento de 5,4% na comparação com o mês anterior e de 22,5% em relação ao mesmo mês de 2024.
Já a produção de gás natural em julho foi de 190,89 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d). Houve crescimento de 5,1% frente a junho e de 26,1% na comparação com julho de 2024.
Pré-sal
Também houve novo recorde na produção de petróleo e gás natural no pré-sal, que foi de 4,077 milhões de boe/d. Trata-se de um aumento de 5,6% em relação ao mês anterior e de 24,2% se comparado a julho de 2024.
A produção do pré-sal, que ocorreu por meio de 169 poços, correspondeu, no mês, a 79,1% do total nacional.
Separadamente, a produção de petróleo foi de 3,148 milhões de bbl/d (pela primeira vez ultrapassando os 3 milhões de bbl/d) e a de gás natural, de 147,66 milhões de m³/d.
Origem da produção
No mês, os campos marítimos produziram 97,7% do petróleo e 86,1% do gás natural. Os campos operados pela Petrobrás, sozinha ou em consórcio com outras empresas, foram responsáveis por 89,78% do total produzido. A produção teve origem em 6.601 poços, sendo 568 marítimos e 6.033 terrestres.
Campos e instalações
Em julho, o campo de Tupi, no pré-sal da Bacia de Santos, foi o maior produtor, registrando 799,37 bbl/d de petróleo e 40,53 milhões de m³/d de gás natural. Já a instalação com a maior produção foi o FPSO Guanabara, na jazida compartilhada de Mero, com 184.383 bbl/d de petróleo e 12,09 milhões de m³/d de gás natural.
Maior empresa brasileira e uma das gigantes mundiais no ramo de petróleo, a Petrobras tomou um novo rumo no governo Bolsonaro ao acelerar a venda de parte de seu patrimônio — uma mudança de perfil que deve ser revista no terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a partir de janeiro de 2023.
Iniciada durante o governo de Dilma Rousseff, a política que permitiu o surgimento de novos atores privados no mercado ganhou um forte impulso com o atual governo, responsável por vender a maioria dos ativos negociados pela Petrobrás até o momento.
Quem liderou essas aquisições foi uma pequena e até há pouco tempo desconhecida petrolífera, a 3R Petroleum, que tem em sua cúpula alguns ex-diretores da Petrobras e atua exclusivamente em campos comprados da estatal.
Fundada em 2014, a 3R Petroleum tornou-se expoente do novo mercado adotando uma velha prática do setor, a chamada porta giratória – quando executivos envolvidos em uma ponta do processo passam para o outro lado do balcão, atuando em companhias privadas que compram justamente espólio da estatal da qual vieram.
Pelo menos 12 profissionais da 3R vieram da Petrobrás, inclusive o ex-presidente da estatal, Roberto Castello Branco, responsável por alavancar o programa de desinvestimento no governo Bolsonaro. Castello Branco é o atual presidente do Conselho de Administração da 3R.
O caso chama a atenção por iluminar os bastidores de um mercado e seus novos atores privados, admitidos no país desde a edição da Lei do Petróleo, em 1997, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, responsável por derrubar o monopólio da Petrobrás. Quando a legislação entrou em vigor, o país extraía 1 milhão de barris de petróleo por dia. Hoje, são mais de 2,8 milhões de barris por dia, produzidos por mais de 40 empresas – a Petrobrás é a gigante absoluta, respondendo por 93% da produção.
Além de diretores experientes e o aproveitamento no programa de desinvestimento da Petrobrás, o que impulsionou a 3R foi o preço competitivo de algumas das aquisições. A companhia comprou nove polos de gás e petróleo ofertados pela estatal – três deles, ainda em fase de transição.
Todos os ativos foram negociados no governo Bolsonaro, cujo ministro da economia, Paulo Guedes, é um declarado entusiasta da privatização da Petrobras e ex-sócio (e fundador) do BTG Pactual, banco que detém uma pequena parte (3,68%) do capital social da 3R. O BTG Pactual também ajudou a levantar dinheiro para o grupo adquirir ativos.
Mudança de cenário
A primeira tentativa da 3R de comprar um espólio da Petrobrás ocorreu no final do governo Michel Temer, presidente cuja agenda liberalizante acelerou ainda mais o programa iniciado no governo Dilma.
O alvo era o polo de Riacho da Forquilha, no Rio Grande do Norte, com alguns dos maiores poços onshore (extração de gás ou petróleo realizada em terra) do Brasil. Mas a companhia renunciou ao direito de compra. Segundo noticiou-se à época, exatamente pela desconfiança do mercado em relação ao faturamento e à inexperiência da 3R no setor.
O cenário mudou desde então. A companhia estreou na bolsa de valores há dois anos e chamou a atenção do mercado financeiro exatamente num momento em que o barril de petróleo valorizou por causa da invasão na Ucrânia e da alta da inflação em todo o mundo. Nos canais de jovens investidores no YouTube, a 3R é comparada à Petrorio, outra petroleira nacional, em atividade há mais tempo, que cresceu comprando campos maduros (aqueles que já passaram do pico de produção) da Petrobrás.
“Quando a Petrobras decide vender é que se inicia. Construímos a 3R para esse tipo de oportunidade. Somos a empresa que mais assinou contratos de compra com a Petrobras. Foi muito trabalho nessa primeira fase, onde o segredo é precificar corretamente”, afirmou o CEO da empresa, Ricardo Savini, em entrevista ao jornal O Globo neste ano. Ele é geólogo, formado na Petrobrás, tendo trabalhado lá por mais de uma década.
Empréstimos
Além do BTG Pactual, a companhia conta com outros fundos e bancos para capitalizar e realizar novas aquisições. E tem atraído parceiros de peso como a família Gerdau, dona de 10,9% do capital da empresa, por meio da Gerdau Investimento.
Castello Branco teve embate com Bolsonaro em momento delicado do governo (Foto: Tomaz Silva, Agência Brasil)
Neste ano, a 3R contraiu dois empréstimos de 500 milhões de dólares cada para poder pagar o polo Potiguar, o maior e mais valioso ativo da Petrobrás que entrará para o portfólio do grupo. O acordo de compra e venda foi assinado em janeiro deste ano – o preço supera 1,3 bilhão de dólares. No primeiro empréstimo, anunciado num comunicado ao mercado em agosto, a 3R informou que o valor foi emprestado por um grupo de credores que conta com Morgan Stanley, Citibank, Banco do Brasil, Itaú, Deutsche Bank, entre outros. O segundo, firmado dois meses depois, foi com o BTG Pactual.
As cifras poderão ser pagas em até cinco anos, mas os bons resultados mostram que o débito deve ser honrado bem antes.
No último balanço divulgado, a 3R registrou receita líquida no terceiro trimestre deste ano de R$ 502 milhões, um aumento de 161% em relação ao mesmo período de 2021. Já o lucro líquido foi de R$ 469 milhões, um fabuloso crescimento de 1.364%, comparado ao trimestre anterior.
Nos dois anos e três meses da gestão de Castello Branco na Petrobrás, a estatal vendeu 37 campos de petróleo. Só com a 3R, nesse período, os campos negociados renderam cerca de R$ 3,8 bilhões, em valores atuais.
Castello Branco virou presidente da Petrobrás após as eleições de 2018. Foi indicado por Guedes e ocupou o cargo de janeiro de 2019 até 12 de abril de 2021. No discurso de posse, ele – defensor da privatização da estatal, assim como seu padrinho político – criticou a existência de monopólios e pregou menor intromissão do Estado na economia.
Durante a gestão Castello Branco, a Petrobrás realizou sucessivos reajustes no preço da gasolina e do diesel provocando um choque direto com Bolsonaro, que desejava controlar os preços dos combustíveis. O presidente demitiu o executivo. Em resposta, Castello Branco acusou Bolsonaro de usar a empresa como se fosse dele e deu a entender que tinha mensagens em seu telefone corporativo que poderiam incriminá-lo.
Sigilo de 100 anos
Seguindo uma praxe que se tornaria recorrente ao longo do mandato, Bolsonaro colocou o assunto sob sigilo e decretou o prazo de 100 anos para acesso às mensagens.
Menos de um ano depois de ser demitido, em março de 2022, o mercado tomou conhecimento de que o ex-chefe da Petrobrás assumiria o cargo máximo no conselho de administração da 3R Petroleum. Apesar de ter suscitado críticas, a ida do executivo para a petrolífera não é ilegal, já que foi respeitada a quarentena de seis meses prevista em lei para evitar conflito de interesses. A restrição temporária também vale para ministros, “presidentes e diretores de empresas públicas ou sociedades de economia mista”.
A Petrobrás informou ao Intercept que o descumprimento dos princípios e compromissos internos (os mesmos previstos na lei em questão, nº 12.813/2013) podem acarretar medidas disciplinares, mas ressaltou que não “comenta casos específicos”.
Em nota enviada ao Intercept, Castello Branco ressaltou que o desinvestimento de “um ativo está sujeito a rigorosas normas de governança requerendo aprovação” de diferentes órgãos da empresa, além de auditoria do Tribunal de Contas da União, sendo um processo decisório do qual participam pelo menos 40 pessoas. “É incorreto dizer que a decisão é do presidente [da Petrobrás]”, afirmou.
A 3R, também em nota, informou que a escolha de Castelo Branco se deu por sua experiência no setor de óleo e gás e por sua atuação como diretor de grandes companhias — como a Vale e o Banco Central.
Outro caso de porta giratória verificado na relação entre a Petrobras e a 3R envolve o engenheiro elétrico José Luiz Marcusso, que trabalhou por 38 anos na estatal e ocupou posições como a gerência de recursos humanos e da área de produção e exploração no Espírito Santo — estado onde se encontra o polo Peroá, um dos ativos colocados à venda no programa de desinvestimento.
Marcusso deixou a Petrobras em março de 2021, um mês antes da empresa vender o polo. Após cumprir os seis meses de quarentena previstos em lei, o engenheiro assumiu, já no primeiro mês livre, o cargo de gerente de ativos na 3R, que acabou por fechar o negócio em Peroá.
Quando as operações foram finalmente transferidas à 3R, em agosto passado, quem representava a companhia era o mesmo Marcusso, que tinha comandado as operações na área pela Petrobrás uma década antes.
“Ele é o caso mais cristalino disso tudo”, ressaltou Etory Sperandio, diretor do Sindipetro, o Sindicato dos Petroleiros, do Espírito Santo.
O negócio foi vantajoso, segundo o relatório de produção publicado no site da 3R, dona de 85% do polo, ao custo de 55 milhões de dólares.
Foram mais de 78 mil barris de petróleo extraídos em agosto deste ano, primeiro mês de operação, quando o valor do barril superou os 90 dólares no mercado internacional. O faturamento bruto da empresa chegou à casa de 7 milhões de dólares nos primeiros 30 dias. Em oito meses, com os preços e a produção mantidos no mesmo patamar, a 3R terá faturado no Peroá mais do que todo o valor que gastou na aquisição do ativo: 56 milhões de dólares.
Esse exemplo foi citado no levantamento realizado pelo Sindipetro do Espírito Santo, que levanta casos de conflito de interesses e critica a política de “desmontar” a Petrobrás.
Expertise em formar profissionais
A estatal criada em 1953 desenvolveu ao longo dos anos uma grande expertise na formação de profissionais, o que ajuda a entender o porquê de tantos executivos e diretores de carreira serem cobiçados por outras empresas – nacionais e estrangeiras. Alguns estão perto da aposentadoria e veem as ofertas como oportunidade para ganhar excelentes dividendos e estender o tempo útil da carreira. A Petrobrás diz possuir “uma política de remuneração e benefícios alinhada às melhores práticas de mercado”.
O Intercept encontrou outro caso de porta giratória do ano passado que envolve um ex-diretor-executivo da Petrobras. Diferente dos demais casos citados, este recebeu uma reprimenda da Comissão de Ética Pública da Presidência por conflito de interesses e, por coincidência, justamente durante a gestão de Roberto Castello Branco.
Onshore tem foco do setor privado, por uma necessidade da Petrobras priorizar o Pré-sal (Foto: Arquivo)
No início do governo Bolsonaro, houve uma troca na cúpula da estatal. Na diretoria de desenvolvimento da produção e tecnologia, saiu Hugo Repsold Júnior – que iria trabalhar para a 3R, abandonando o posto meses depois – e entrou Rudimar Andreis Lorenzatto.
Lorenzatto atuou na Petrobras por quase 25 anos e foi um dos profissionais formados em Macaé, no Rio de Janeiro, participando das descobertas do pré-sal, em 2006 (no final do primeiro mandato de Lula).
O processo na Comissão de Ética Pública ocorreu após ele deixar a empresa no primeiro semestre de 2021. Atualmente, Lorenzatto atua na Karoon Energy Brasil, como vice-presidente de operações.
“Essa porta giratória faz parte do mercado, pelo menos desde os anos 1990. O estado se encarrega de formar e qualificar o profissional, que depois é contratado por uma empresa. Assim, ele ganha muito dinheiro e ajuda a capitalizar uma empresa nova”, contou Cloviomar Cararine, economista do Dieese.
Uma característica dessas pequenas e médias empresas, segundo o economista Eduardo Costa Pinto, pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, é nortear a produção de acordo com o preço do barril do petróleo no mercado internacional: quando ele sobe, a produção automaticamente aumenta; quando cai, a produção segue o mesmo ritmo. “Elas vivem na dependência do mercado internacional”, ressaltou Cararine.
Venda de ativos se justifica
A venda de ativos da Petrobrás se justifica pela necessidade de focar a produção na exploração do pré-sal. O objetivo dos desinvestimentos é reduzir a dívida da empresa, algo que já preocupava muito antes da Lava Jato, operação que puxou um grande novelo de corrupção na estatal e que serviu de estímulo para acelerar as vendas.
São três os perfis das empresas que adquirem os ativos: gigantes multinacionais, como Shell ou Exxon; as empresas controladas por estatais de outros países, como China e Noruega; e as companhias de pequeno e médio porte nacionais ou estrangeiras, fundadas há não muito tempo — neste grupo está a 3R.
A Petrobras informou em nota enviada ao Intercept que já concluiu mais de “50 transações com um valor total acumulado de mais de 40 bilhões de dólares”. Elas incluem campos de petróleo, gás, refinarias e terminais, além da venda da BR Distribuidora, rebatizada de Vibra.
Com o retorno de Lula, espera-se por mudanças nesse modelo de negócio. O próprio presidente eleito afirmou durante a campanha, e tem repetido nos últimos dias, que as empresas públicas brasileiras serão respeitadas e que a “Petrobrás não vai ser fatiada”. Da esquerda, muitos criticam Dilma Rousseff pelas “concessões” feitas ao mercado no seu segundo mandato, interrompido precocemente.
O debate que se iniciará nas próximas semanas mostrará as diferentes visões políticas do mundo do petróleo: uma ala, mais liberal, vê o produto meramente como uma commodity, um bem para exportação; a outra o encara como algo estratégico para a soberania nacional e o financiamento de políticas públicas.
Para os aliados de Lula, que estendem a crítica até os anos Dilma, o programa de desinvestimento em curso nada mais é do que um eufemismo para a privatização em pedaços da empresa, um símbolo do desenvolvimentismo brasileiro.
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A Prefeitura de Mossoró direcionou 100% dos recursos da cessão onerosa do pré-sal para amenizar a dívida milionária que acumula com o Instituto da Previdência dos Servidores Públicos Municipais de Mossoró (Previ-Mossoró).
No dia 2 de janeiro foi repassado para a autarquia R$ 4.757.852,29 (quatro milhões, setecentos e cinquenta e sete mil, oitocentos e cinquenta e dois reais e vinte e nove centavos).
Mesmo assim, a Prefeitura ainda segue com uma dívida de R$ 26 milhões, fruto do atraso no repasse da contribuição patronal.
“Temos cobrado insistentemente a prefeita Rosalba o repasse desses débitos” afirmou o presidente da Previ, Elviro Rebouças, em entrevista ao Enfoque Político (Super TV) dessa segunda-feira (6).
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Terminou quase 2 horas desta terça-feira (1º), reunião da governadora Fátima Bezerra (PT) e outros governantes nordestinos, com o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
Fátima, Rodrigo, João Azevêdo (Paraíba), Paulo Câmara (PE), Rui Costa (Bahia) e Wellington Dias (Piauí) (Foto: Twitter)
A peleja dela e de outros governadores em Brasília tem uma pauta crucial que tramita no Congresso Nacional, vista como crucial para o equilíbrio fiscal dos entes estaduais.
Pacto Federativo (com Reforma Fiscal), cessão onerosa do pré-sal (distribuição com estados e municípios) e Plano de Equilíbrio Financeiro (PEF – o “Plano Mansueto”) são alguns dos pontos conversados em Brasília.
Antes, essa delegação de governadores (incluindo alguns da região Norte e senadores do Nordeste também) já tinham se reunido com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) – veja AQUI.
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A governadora Fátima Bezerra (PT) levou falta no desfile do 30 de Setembro em Mossoró, que fechou ciclo de eventos em torno da data magna do município.
Governadores, como Fátima, conversaram hoje com Alcolumbre (Foto: Vinícius Borba)
Justificável.
A instalação do governo estadual desde a última quinta-feira (26), acabou tendo desfecho antecipado no dia passado (domingo, 29) porque Fátima Bezerra (PT) precisou viajar a Brasília nesta segunda-feira (30).
Tinha agendas reuniões importantes na Capital Federal. Ela e mais sete governadores do Nordeste e dois do Norte, além de alguns senadores das duas regiões, estiveram com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).
Em discussão, temas como Pacto Federal, cessão onerosa do pré-sal, Plano de Equilíbrio Financeiro (PEF – o “Plano Mansueto”) e outros pontos.
Em em seguida, havia compromisso com o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
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A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Federal vai retomar as discussões sobre a cessão onerosa, para garantir que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que assegura a divisão dos recursos do pré-sal com estados e municípios seja aprovada antes do próximo leilão do pré-sal, marcado para novembro.
Cessão onerosa determina que recursos do pré-sal sejam distribuídos entre União, estados e municípios (Foto: Agência Brasil)
A pauta terá prioridade no colegiado já a partir de terça (24) ou quarta-feira (25). Afinal, mesmo depois de o Senado ter ajustado o texto para garantir uma divisão mais equilibrada desses recursos, os estados do Sul e Sudeste seguem pedindo uma fatia maior da verba que será arrecada com a exploração do petróleo.
O presidente da CCJ, deputado Felipe Francischini (PSL-PR), explicou que depois de a Câmara aprovar esta PEC, o governo ainda precisa enviar um projeto de lei regulamentando a divisão dos recursos do pré-sal. Por isso, para ter validade no leilão de 6 de novembro, o ideal era que a PEC precisa fosse promulgada até o próximo dia 15.
No RN
O Governo Fátima Bezerra tem interesse direto no assunto. A cessão onerosa faz parte daquele leque de “recursos extraordinários” pretendidos pelo estado para cobrir débitos com fornecedores/prestadores de serviço e aliviar (ou zerar) débitos salariais.
A tentativa de antecipação dos royalties do petróleo não vingou. A venda da folha de servidores finalmente emplacou, mas com valores finais aquém do esperado (veja AQUI), em face de dívida já existente com o Banco do Brasil.
O Plano de Estabilidade Fiscal (PEF), conhecido como Plano Mansueto, não ganhou celeridade. Em sua natureza, os estados que aderirem poderão contrair novos empréstimos em instituições nacionais e internacionais, com aval do Governo Federal. Porém atendendo algumas exigências quanto ao ajuste fiscal.
No Congresso Nacional e em reuniões de governadores, a proposta de securitização da dívida ativa dos estados (veja AQUI) entrou na pauta logo que os novos governadores assumiram. Fundos financeiros teriam endosso à aquisição desses débitos, que no caso do RN passariam de R$ 7,5 bilhões.
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O Senado aprovou nesta terça-feira (3) a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê que a União dividirá com estados e municípios parte dos recursos oriundos de leilões de petróleo.
Por acordo de líderes partidários, as votações em primeiro e em segundo turno aconteceram nesta terça. Com isso, a PEC seguirá para a Câmara dos Deputados.
Senadores reunidos em plenário durante a sessão desta terça-feira (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)
O acordo da chamada “cessão onerosa” foi fechado pela Petrobras com a União em 2010 e permitiu à estatal explorar 5 bilhões de barris de petróleo em campos do pré-sal na Bacia de Santos (SP), sem licitação. Em troca, a empresa pagou R$ 74,8 bilhões.
O governo estima, porém, que a área pode render mais 6 bilhões de barris e fará um megaleilão, marcado para novembro, que pode render R$ 106 bilhões aos cofres públicos.
Como ficam os recursos
De acordo com a PEC:
R$ 33 bilhões serão descontados para cobertura de uma dívida que o governo federal tem com a Petrobras;
R$ 10,95 bilhões (15%) serão repassados a estados, via Fundo de Participação dos Estados (FPE);
R$ 10,95 bilhões (15%) serão repassados aos municípios, via Fundo de Participação dos Municípios (FPM);
R$ 2,19 bilhões (3%) serão distribuídos para os estados onde estiverem localizadas as jazidas de petróleo;
R$ 48,9 bilhões ficarão com a União.
A PEC define que os recursos devem ser usados em investimentos e em aportes em fundos previdenciários, vedado o pagamento de folha.
Alteração
Inicialmente, o texto previa o repasse de 15% dos recursos para estados e mais 15% para municípios.
Pelos critérios que regem o FPE e o FPM, contudo, que privilegiam os locais menos desenvolvidos e com menor renda per capita, o Rio de Janeiro, estado produtor de petróleo, ficaria com R$ 326 milhões, valor inferior ao que receberiam, por exemplo, Bahia (R$ 905 milhões) e Ceará (R$ 692 milhões).
Parlamentares do Rio de Janeiro, descontentes com a parcela, apresentaram uma emenda para destinar 3% para os estados onde estão localizadas as jazidas de petróleo. A emenda foi acolhida pelo relator, Cid Gomes (PDT-CE), aumentando, na prática, o repasse para o RJ.
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A capacidade da Petrobrás na exploração no mar, somada à crise da petroleira, colocou em segundo plano a produção de petróleo em terra firme. Recentemente, a empresa oficializou seu objetivo de atuar em águas profundas e colocou à venda centenas de áreas de produção. O efeito, entretanto, já havia sido sentido: a produção de petróleo em terra do Brasil, o chamado onshore, caiu pela metade entre 2000 e 2019.
A exploração em terra é concentrada sobretudo no Nordeste, que abriga mais de 80% das reservas provadas do Brasil e 70% da produção. Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostram que a produção desse segmento caiu da média de 209,1 mil barris de petróleo por dia, no ano 2000, para 107,4 mil barris diários, em 2019 (média de 12 meses até maio).
Na direção oposta, alavancada pelo pré-sal, a produção total brasileira mais do que dobrou no mesmo período, de 1,2 milhão de barris para 2,6 milhões de barris por dia.
“O Rio Grande do Norte chegou a produzir 60 mil barris por dia”, diz Gutemberg Dias, presidente da Redepetro RN, entidade com sede em Mossoró que reúne empresas da cadeia produtiva do petróleo no Estado.
“Hoje, são 38 mil barris. Infelizmente, várias empresas fecharam as portas.”
Segundo a Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPIP), se a estatal tivesse o mesmo ritmo de crescimento dos concorrentes privados nas bacias de Recôncavo, Sergipe/Alagoas, Potiguar e Espírito Santo, ela teria produzido 311,8 milhões de barris em terra a mais, em quase duas décadas.
Carência
Para a entidade, ter colocado a exploração em terra firme em segundo plano tirou R$ 11,8 bilhões em investimentos na região, o que poderia ter gerado até R$ 1,2 bilhão em royalties a municípios do interior nordestino.
A estimativa indica que 386 mil postos de trabalho poderiam ter sido criados.
Segundo Anabal Santos Júnior, secretário executivo da Abpip, a posição praticamente monopolista da Petrobrás é a razão para a derrocada do petróleo em terra firme.
Para ele, o Brasil tem um grande potencial a ser explorado, já que o País concentra uma das maiores áreas em bacias sedimentares do mundo.
A escolha da Petrobrás pelo mar, porém, pode ser explicada em números. Em média, um poço em terra produz 15 barris por dia no Brasil.
No pré-sal, o volume diário alcança 40 mil. Ou seja: um único poço em águas profundas produz mais que toda a extração onshore da Bahia ou do Rio Grande do Norte.
Competição
A menor produtividade, porém, não inviabiliza a produção em solo firme – e a atividade se mostra particularmente atraente a empresas menores. Enquanto o petróleo é encontrado a poucas centenas de metros em terra, no mar os poços podem superar seis quilômetros de profundidade.
Mais barata, a extração onshore é um negócio que atrai pequenas e médias empresas. Seu potencial de gerar receita cresce com a escala. Enquanto o Brasil tem cerca de 23 mil poços perfurados em terra, nos Estados Unidos o número está na casa dos 2 milhões. Diante de medidas de incentivo ao setor, há poços viáveis e lucrativos com produção de apenas um barril por dia nos EUA, algo difícil no Brasil por causa da legislação, segundo especialistas.
A demanda para que campos terrestres da Petrobrás sejam oferecidos a operadores privados é uma briga antiga da Abpip.
Em 2016, a estatal divulgou a inclusão de bacias terrestres maduras dentro do seu programa de vendas. Três anos e diversas prorrogações depois, a meta ganhou velocidade apenas após setembro, quando a ANP selecionou 254 campos para que a Petrobrás decidisse se voltaria a investir ou se devolveria para serem vendidos à iniciativa privada. A Petrobrás decidiu ficar com 71 e vender 183.
Procurada, a Petrobrás apenas confirmou o processo de venda de 183 concessões e disse que “essa operação está alinhada à otimização do portfólio e à melhoria de alocação do capital da companhia, visando à geração de valor para os nossos acionistas”.
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Durante agenda em Mossoró nesta sexta-feira (28), ao inaugurar as novas instalações do Escritório do Empreendedor, a governadora Fátima Bezerra (PT) prometeu pagar os salários atrasados do Estado até dezembro deste ano.
“Estamos em buscar de receitas extras para quitar o passivo até dezembro. A venda da folha está em processo avançado, mas não é só isso. As receitas extras de maior volume deverão vir da cessão onerosa do Pré-Sal, bônus de assinatura e da inclusão do RN no programa de ajuda fiscal aos estados”, explicou.
O Governo do RN pretende arrecadar cerca de R$ 250 milhões com a venda do gerenciamento da folha de pagamento ao Banco do Brasil. Já o chamado Plano Mansueto (socorro federal aos estados) pode possibilitar o RN a obter cerca de R$ 1,3 bilhão em até quatro parcelas.
No total, o governo deve quase R$ 900 milhões em salários atrasados, quando somadas as folhas de novembro, dezembro e 13º salário de 2018.
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O aumento dos gastos dos municípios com saúde, que hoje equivalem a cerca de 20% de suas receitas é um comprometimento grande e isto não é questão ideológica.
Os municípios é que pagam as contas, compram remédios e equipamentos, contratam equipes. Mas não estão ofertando serviços de acordo com as necessidades básicas de atendimento.
A situação poderá ficar pior se o consórcio bolsonarismo resolver aprovar no Congresso Nacional a PEC do Pacto Federativo, que desvincula as despesas do Orçamento.
Na prática, a ideia é dar liberdade aos parlamentares para manejar a distribuição dos recursos para estados e municípios – o que acaba com as obrigações constitucionais de investimento mínimo em previdência, saúde e educação.
Se nem o básico for garantido, com a desvinculação o efeito vai ser bem pior. As mortes preveníveis vão aumentar.
Os nossos representantes em BSB precisam se posicionar para o conhecimento e julgamento da população.
Orçamento impositivo
O Congresso trilha um caminho de emancipação em relação ao Executivo enquanto avançam a tramitação do orçamento impositivo e da proposta que permite repasse direto de recursos das emendas parlamentares individuais (PEC 61/2015, originária do Senado) a Estados e municípios. Porém, há riscos de que essa autonomia legislativa possa prejudicar e paralisar investimentos, sobretudo em pequenas cidades, e que se instale uma nova modalidade de clientelismo.
Os municípios pequenos que recebem essas emendas não têm nenhuma estrutura física e condições técnicas de realizar projetos. Muitas vezes não têm nem engenheiro. Para obras de pavimentação, saneamento, drenagem, quadra de escola, posto de saúde, essas prefeituras têm dificuldades na apresentação do projeto, na execução da obra. O papel da Caixa acaba sendo de acompanhamento técnico ao município.
Com aprovação relâmpago no Senado em dois turnos, o texto final aprovado da PEC 61/2015 também torna impositivo o pagamento das emendas parlamentares individuais e estabelece duas modalidades para a transferência direta dos recursos aos entes federados: ou via doação, ou via transferência com “finalidade definida”. No primeiro caso, de doações, o governador ou o prefeito podem usar o dinheiro da emenda para pagamento de pessoal e inativos.
GNV
Nos próximos dias, a Fiat anunciará a retomada da produção de veículos movidos a GNV (gás natural veicular). O primeiro modelo movido a GNV a ser lançado pela Fiat, ainda neste mês, será o Siena, um sedã que está no mercado há 20 anos e que há 13 já foi produzido na versão que aceitava gás, além de álcool, gasolina ou a mistura de ambos. Por esse motivo o veículo era chamado de “tetrafuel”. Não há informações, ainda, de como será a especificação do próximo Siena movido a gás natural. A montadora sediada em Betim (MG) vai lançar também versões dos veículos Fiorino e Strada movidos a GNV.
O gás natural é uma alternativa para quem roda muito em curtas distâncias. Estima-se que o custo do GNV seja 40% menor que o da gasolina, dependendo do Estado da Federação. Em geral, com R$ 50 é possível rodar 195 quilômetros em um veículo movido a gás, contra 117 quilômetros em carros a gasolina.
BR 304
A alternativa de concessão de rodovias que estão sendo feitas por vários Estados da Federação parece não ser a melhor alternativa para a duplicação da BR 304. A rodovia serve a uma parcela de municípios do Sertão Central, Médio Oeste e Alto Oeste, sendo a maioria de baixo IDH e assim, fica muito difícil o pagamento de pedágio.
Já estão em estudo quais lotes de rodovias poderiam ser transformados de forma sustentável em concessões puras. As PPPs são difíceis de ser colocadas em prática, uma vez que exigem contrapartida do Estado.
A crise fiscal tem levado diversos Estados a planejar concessões e Parcerias Público-Privadas. São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Piauí e Bahia são alguns dos governos com projetos de rodovias, portos, mobilidade urbana e aeroportos que poderão ser licitados nos próximos anos.
A maioria dos projetos está na área rodoviária: mais de R$ 30 bilhões em recursos poderão ser aplicados pelas concessionárias de diversos Estados. Hoje o Brasil tem cerca de 20 mil km de estradas sob gestão privada (9,2% das rodovias pavimentadas do país); cerca de 9,6 mil km estão com a União e a outra metade está nos Estados. São Paulo é o maior destaque, com pouco mais de oito mil km concedidos. A fatia dos outros Estados nessa conta deverá crescer.
Royalties do pré-sal
Dificilmente os Estados e os municípios poderão contar ainda em 2019 com os recursos da cessão onerosa dos royalties da cessão onerosa dos royalties do pré-sal.
O secretário especial da Fazenda, Waldery Rodrigues admitiu a partilha com Estados e municípios dos recursos a serem obtidos com o leilão de excedentes decorrentes da renegociação, previsto para este ano.
Os números usados na discussão em 2018, como o de uma receita de R$ 100 bilhões, não tinha embasamento técnico. Pode ser mais ou menos. O que sabemos é que os campos são altamente demandados.
Salário mínimo
No Brasil, o salário mínimo é usado como base para a definição de benefícios assistenciais e previdenciários, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o abono salarial. Segundo o Ministério da Economia, cada R$ 1 acrescido ao mínimo impacta os gastos públicos em cerca de R$ 298,2 milhões.
Com isso, as despesas da Previdência no próximo ano devem subir R$ 12,5 bilhões. Atualmente, 65,4% dos beneficiários (equivalente 22,9 milhões de pessoas) recebem um salário mínimo.
O governo federal deve enviar ao Legislativo nova proposta de cálculo do reajuste a ser seguida. Pela fórmula em vigor até o decreto de Bolsonaro, o reajuste anual era baseado na variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado no ano anterior, somado à taxa de crescimento real do PIB de dois anos antes.
Medida provisória (MP) aprovada pelo Congresso em 2015, no governo de Dilma Rousseff, prorrogou as regras de 2016 até janeiro deste ano. Na tramitação da MP, os congressistas incluíram no texto original enviado pelo Executivo a previsão de estender os reajustes a aposentadorias e pensões pagas pela Previdência.
Cartões consignados
A Caixa Econômica Federal tem como meta alcançar 10 milhões de cartões consignados em quatro anos. No fim desse intervalo, a expectativa é que a carteira ativa dessa nova linha do banco some R$ 15 bilhões.
O aposentado ou pensionista que solicitar o cartão poderá comprometer até 5% do valor de seu benefício, que não concorre com o limite de 30% do empréstimo consignado. O cartão pode ser usado para compras, disponibiliza 95% do limite para crédito em conta, não tem cobrança de anuidade e pode ser usado no exterior. Os beneficiários poderão contratar sem necessidade de receber o benefício na Caixa.
O produto será oferecido inicialmente para os beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Brasília. A taxa de juros do cartão será de 2,85% ao mês e o limite de crédito será de até 1,4 vez o valor do benefício em questão.
Agricultura Irrigada
A microrregião polarizada pelo município de Apodi deve continuar atraindo os produtores de frutas tropicais do vizinho Ceará em função da pouca recarga dos reservatórios da Bacia Hidrográfica do Rio Jaguaribe. Faltando pouco mais de 45 dias para o fim da quadra chuvosa, a situação permanece de alerta nos 155 reservatórios monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (COGERH).
Se por um lado há motivos de festa pelos 32 açudes que atingiram o nível máximo, por outro permanece preocupante a situação de grandes reservatórios como Banabuiú, Orós e Castanhão. No geral, há ainda sete açudes secos, 19 em volume morto e outros 81 com menos de 30% de suas capacidades.
Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido
A atividade petrolífera foi responsável pela geração de vários empregos e de renda para os norte-riograndenses. Com a descoberta da camada pré-sal, a Petrobras perdeu o interesse pela exploração dos chamados campos maduros, o que gerou a demissão de várias pessoas do setor.
Para discutir de forma ampliada, a retomada desses investimentos no Estado, a deputada estadual Larissa Rosado (PSB) propôs a realização de audiência pública, dia 14 de agosto, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte.
A iniciativa vai ao encontro do que propõe o Ministério de Minas e Energia através do Programa de Revitalização das Atividades de Exploração e Produção de Petróleo e Gás em Áreas Terrestres (REATE).
Com informações da Assessoria de Imprensa de Larissa Rosado.
Coordenadora da bancada do Nordeste na Frente Parlamentar Mista em Defesa da Petrobras, a senadora Fátima Bezerra (PT/RN) participou sábado (16), em Natal, do 30º Congresso Estadual dos Petroleiros do RN, realizado pelo Sindipetro/RN. Na fala, a senadora Fátima expôs sua posição favorável em relação a manutenção da Lei da Partilha (Marco Regulatório do petróleo do Pré-sal), que determina a participação mínima (não poderá ser inferior a 30%) da Petrobras nos consórcios de exploração
Fátima disse que será iniciada caravana (Foto: divulgação)
“Com a Lei da Partilha o país passou a ter mais soberania sobre a produção do petróleo. Essa mudança no regime de exploração garante mais investimentos para o desenvolvimento social e regional, a exemplo da Lei dos Royalties que destina recursos para educação e saúde”.
“Revogar a Lei da Partilha é inaceitável, é não apostar na defesa da Petrobras enquanto empresa com a trajetória e experiência profissional que tem, e pelo que representa: 10% do PIB e 19% dos investimentos do país. Desse modo, a posição estratégica da empresa precisa ser reforçada para garantir o fortalecimento da indústria do petróleo e gás, bem como o fortalecimento do setor energético no Brasil”, afirmou a senadora.
Reforma
Fátima Bezerra também opinou sobre temas como a derrubada do PL 4330, que trata da Terceirização. A petista evidenciou ainda a necessidade do Brasil realizar a sua reforma política popular e democrática, com o fim do financiamento empresarial a campanhas e partidos, eleições proporcionais em dois turnos, proporcionalidade na representação por homens e mulheres e fortalecimento da participação da sociedade em decisões nacionais importantes.
“Temos que lutar para que não prosperem iniciativas como voto distritão, e a constitucionalização do financiamento empresarial de campanhas, pois essa combinação aprofundará mais ainda as distorções, os vícios, os desvios éticos e a desigualdade no processo político brasileiro”, acrescentou Fátima.
Sobre a Frente Mista, a senadora informou que será iniciada uma caravana nos estados para discutir os temas que estão na pauta nacional e, na próxima semana, a coordenação se reunirá com o ministro de Minas e Energia para reafirmar a posição de defesa do Marco Regulatório do Pré-e sal.
Presentes no evento: deputado estadual Fernando Mineiro (PT), vereador Eraldo Paiva (São Gonçalo do Amarante), Moacir Soares (CTB), Marquinhos (CUT) Valdik (FUP), Canindé Soares (PCdoB) e George Câmara (sec RN).
Em tempos de corte de investimentos, a Petrobras beneficia-se da maior produtividade do poços do pré-sal, que jorram um volume maior de óleo do que o previsto.
Desse modo, são necessários menos recursos para a compra de equipamentos, instalação de plataformas e perfuração de novos poços. Ou seja, a estatal produz mais com menores investimentos.
Quando a exploração dos campos da bacia de Santos (a mais importante do pré-sal) foi planejada, em 2010, a estimativa era de uma produtividade média de 15 mil barris por dia em cada poço.
Retorno rápido
A produção atual, porém, é de 25 mil barris/dia, em média, em cada um dos 17 poços perfurados nos dois campos ativos – Lula e Sapinhoá.
Prioridade máxima da companhia diante do retorno rápido, o pré-sal é, assim, também uma ferramenta para a estatal reduzir investimentos diante das dificuldades de caixa e do custo maior de captar recursos após a perda do grau de investimento.
A companhia não fala em valores a serem investidos nem no tamanho no corte de seu orçamento. Diz apenas que seu plano está sob revisão e que “os poços em produção têm apresentado potencial acima do previsto”, o que “otimiza investimentos”.
Diante do sucesso do leilão de blocos de petróleo e gás realizado na semana passada, o governo anunciou nesta quinta-feira (23), no “Diário Oficial da União”, que decidiu antecipar o primeiro leilão de blocos de petróleo na região do pré-sal da bacia de Santos, previsto inicialmente para dezembro.
Prates (Rodrigo Sena, Tribuna do Norte): vê caminho como acertado
Será a primeira experiência do Brasil no modelo de partilha, que, ao contrário do modelo de concessão, implantado desde 1999, não prevê disputa por preços, mas pelo maior volume de petróleo que o investidor aceitar compartilhar com a União.
O leilão será realizado no mês de outubro e colocará à venda unicamente o gigantesco campo de Libra, em águas ultraprofundas, cujas reservas recuperáveis superam as reservas brasileiras de petróleo. É o maior campo já descoberto no país.
De acordo com o diretor da consultoria Expetro, Jean-Paul Prates, o anúncio é positivo e indica que o governo está querendo fazer um teste de venda do pré-sal, aproveitando o aquecimento conseguido com a 11ª rodada de licitações.
“O governo quer aproveitar o fluxo trazido pela última rodada e deve juntar com o leilão do gás não convencional, que também será em outubro, não teria sentido fazer dois leilões”, avalia.
O governo marcou também para 30 e 31 de outubro o primeiro leilão específico para áreas de gás natural convencional e não convencional.
Parceiros
De acordo com Prates, o leilão é, na verdade, uma busca de parceiros para a Petrobras, que foi contratada pela ANP para perfurar o campo. A Petrobras tem compulsoriamente 30% de todos os campos do pré-sal como operadora.
Ele prevê uma disputa forte pelo ativo, que tem perfil sob medida para empresas chinesas, que gostam de comprar blocos nos quais a produção seja rápida e, por este motivo, não participaram da 11ª rodada.
“Vai haver competição, é uma compra de petróleo ‘in situ’, os chineses gostam disso”, prevê, listando também as grandes petroleiras, instituições de financiamento e empresas de tecnologia de ponta.
“Vai ser um teste também para as empresas conhecerem mais a região para futuros leilões”, prevê.
Ele observa que é positivo o fato de o teste do leilão do pré-sal ser feito em Libra, porque a oferta de novas áreas para exploração no pré-sal, com a Petrobras como operadora, poderia comprometer o sucesso do leilão.
“Em nenhum lugar do mundo o sistema de partilha funciona assim (com operadora desde o começo). Primeiro se vende, depois a empresa vencedora se associa ao governo. Ir para o leilão sabendo que não vai poder operar deve afastar algumas petroleiras”, explicou.
Nota do Blog – Vale lembrar que Prates, entrevistado nessa reportagem, foi secretário do Governo Wilma de Faria (PSB), sendo responsável por novos horizontes à economia e política energética do Rio Grande do Norte, sobretudo com a fonte eólica.
Há poucos dias, o secretário-adjunto do Desenvolvimento Econômico do RN, Sílvio Torquato, deu entrevista ao Bom Dia RN, da InterTV Cabugi, em que falou de medidas do Governo do Estado para atenuar efeitos de recuo de investimentos da Petrobras no estado.
Seus argumentos foram tão patéticos, que o entrevistador antecipou o fim do bate-papo.
Torquato garantiu que o Rio Grande do Norte está vivendo um “ciclo de otimismo”.
Também disse que a energia eólica aproveitaria muito da mão-de-obra que fosse descartada do setor petrolífero, além de garantir que cadastamento de desempregados era outro encaminhamento, para agilizar novos empregos.
Três bobagens que só uma pessoa medianamente idiota ou completamente estúpida pode levar a sério.
A Petrobras ensejou a demissão de centenas e centenas de pessoas nos últimos meses, vários contratos com terceirizadas foram encerrados, levando-as para longe da região de Mossoró.
O que a estatal vende como “investimento”, não passa de potoca.
São projetos em andamento há cerca de cinco anos.
Governo do Estado, setor empresarial e sindicatos engolem moscas e funcionam como carro velho: de segunda.
É fácil ouvirmos relatos sobre dezenas de jovens e gente mais experiente no setor, que após demissão bota uns trapos na mochila e corre para Macaé-RJ (preferencialmente), tentando a sorte em projetos ligados ao Pré-sal.
Mossoró sente claramente esse “desmanche” em sua economia.
Amadorismo, desleixo e despreparo de pessoas que deveriam enxergar bem antes esse problema iminente agravam mais ainda o problema.
Estima-se que, até 2020, a Baixada Santista receberá investimento da ordem de R$ 22 bilhões, grande parte direcionada ao porto de Santos e outra aos empreendimentos da Petrobras.
Os recursos devem atrair 400 mil novos habitantes, numa região onde vivem atualmente 1,6 milhão.
Dessa forma são necessários planejamentos adequados para um desenvolvimento sócio-econômico de qualidade.
São desafios do desenvolvimento sócio-econômico na Baixada Santista com o bom de investimentos decorrentes do setor portuário e do pré-sal.
O tema tem sido objeto de constantes estudos e discussões, como o o 38º Fórum de Debates Brasilianas.org – Planejamento da região metropolitana de Santos com investimentos do pré-sal, que ocorrerá dia 9 de abril, em Santos-SP, no Hotel Mendes Plaza Santos.
Enquanto isso… Em Mossoró e no Rio Grande do Norte, deve ocorrer situação inversamente proporcional.
Enquanto isso… em Mossoró e região não se discute nada em relação a essa crise anunciada e já iniciada, com recuo de investimentos da Petrobras.
O ciclo do petróleo está se esvaindo e pouca gente trata do tema.
Este Blog há tempos e tempos provoca o assunto e pede o envolvimento das forças organizadas da sociedade, universidades, clubes de serviços, faculdades, entidades de trabalhadores e do setor empresarial.
Quanta omissão.
Por isso que somos vítimas de tantas pilhagens e deliramos com o epíteto de “terra da liberdade” e outras idiotias.
Segundo o deputado federal Henrique Alves (PMDB), a partilha dos royalties do petróleo, no pré-sal, não tem acordo à vista. Situação complicada.
– Recebi ligação do ministro Guido Mantega. Reunião amanhã, no Ministério da Fazenda, às 14h30, sobre os royalties do petróleo – citou ele agora há pouco em seu endereço no Twitter.
– Governo vai no seu limite. Problemão – complementou.