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Pode ser que sim; pode ser que não

A política brasileira ganhou uma “dinâmica” nova em meio ao lamaçal da Operação Lava Jato. De Brasília ao Rio Grande do Norte, é dificílimo se fazer uma previsão para a semana seguinte, imagine esquadrinhamos o possível cenário de 2018.

Tudo é muito movediço e volátil.

Quase ninguém é certo para essa ou àquela disputa.

A corrida eleitoral do estado, por exemplo, é exatamente o modelo desse amontoado de interrogações.

O governador Robinson Faria (PSD) concorrerá à reeleição? Nem ele tem certeza.

Pode ser que sim; pode ser que não, tentando novo mandato à Assembleia Legislativa, onde passou muitos anos.

O atual prefeito natalense Carlos Eduardo Alves (PDT) será mesmo o candidato dos “Alves”, Rosado, Melo, Maia etc. ao governo?

Pode ser que sim; pode ser que não, optando por concluir seu mandato. Unanimidade na família ele não é.

Mais do que nunca parece não termos nenhum “governador em férias” ou “governador imbatível”.

Diga-se até: a prioridade por parte de alguns poderosos caciques é muito particular.

Garibaldi Filho (PMDB), senador, tem no filho e deputado federal Walter Alves (PMDB) o grande foco. Muito mais do que sua reeleição ao Senado.

Henrique Alves (PMDB), ex-presidente da Câmara Federal, sonha desesperadamente em retornar a Brasília e à Casa que comandou e onde ficou acantonado por mais de 40 anos.

Vencer o governo do estado com o primo e ex-desafeto por muito anos, Carlos Eduardo Alves, não é exatamente a “pedra angular” dessa construção político-familiar.

Carlos Eduardo deve saber disso muito bem. Sabe!

Quanto a Robinson,  não ser pior do que a antecessora Rosalba Ciarlini (PP) tem sido o projeto de agora. Sonhar com a reeleição é-lhe um direito, mas por enquanto não passa de um pesadelo. Para ele, muito mais para os cidadãos potiguares.

Poderemos ter surpresas de um lado e de outro? É possível e não deve ser descartado. Daí o alto grau de imprevisibilidade para 2018.

O ambiente convulsionado da política e da gestão pública ajudam no aparecimento de ‘novidades’, alternativas ou hipotéticos salvadores da pátria, populistas etc.

Caso atual emblemático, é o prefeito paulistano João Dória (PSDB). Surgiu do nada, encorpa sua própria imagem e eclipsa até donos do partido, como o governador Geraldo Alckmin e os desgastados senadores Aécio Neves e José Serra.

Mas não nos esqueçamos: a atmosfera é propícia ainda para velhos alquimistas da palavra, com o lero-lero de sempre. São do ramo.

Lá embaixo, a plateia que parece catatônica, como se coletivamente fosse tomada pela “Síndrome de Estocolmo” (estado psicológico em que a vítima se identifica com seus captores/algozes), precisa ser melhor entendida e analisada.

Talvez, nada seja como antes, mesmo que não mude muito e termine no mesmo.

Tom Jobim dizia: “O Brasil não é para principiantes”.

A política do RN, também.

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‘Consórcio’ Alves-Maia-Rosado planifica poder para 2018

Nos intramuros da política, é possível se ouvir sussurradamente que o senador Garibaldi Filho (PMDB) não concorrerá à reeleição ao Senado em 2016. Recuará para se acomodar politicamente em Natal mesmo.

Saúde em jogo, além de projeto de reengenharia política do clã Alves, está à mesa.

Seu primo Henrique Alves (PMDB), por mais de 40 anos ocupante de assento na Câmara Federal, poderá ser substituto como candidato ao Senado. Está sem mandato, desde que perdeu eleições ao Governo do Estado em 2014. Garibaldi pode apostar num recuo aos primórdios: a Assembleia Legislativa – seu ‘lar’ no início político nos anos 70.

Garibaldi e Rosalba em Brasília (ontem): reengenharia feita esquadrinhando a política do RN (Foto: cedida)

Walter Alves (PMDB), filho do senador, seria mantido como candidato à reeleição à Câmara Federal em 2018, sem a concorrência de Henrique na mesma faixa de eleitor, algo já profundamente desgastado.

Um Alves a menos na chapa proporcional, serve para descongestionar a disputa nessa costura política que também envolve o rosalbismo-Rosado em Mossoró e o grupo do senador José Agripino (DEM).

Na mesma formatação “tática” está o prefeito reeleito de Natal – Carlos Eduardo Alves (PDT), além do grupo da ex-deputada federal e vereadora eleita de Mossoró Sandra Rosado (PSB).

Essa costura política em andamento não começou agora, que fique claro. O “primeiro turno” do arranjo ou rearranjo político passou pelas eleições municipais de Natal e Mossoró, postas em sincronismo pelos Alves, Maia e os Rosado.

Marcelo Queiroz

O próprio Blog assinalou essa tessitura há alguns meses, através de postagens elucidativas (veja AQUI). Na montagem da chapa à sucessão municipal de Natal, o então presidente licenciado da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do RN (FECOMÈRCIO/RN), Marcelo Queiroz (PMDB), estava “definido” para ser vice de Carlos Eduardo Alves. Era o preferido do prefeito.

Queiroz: descartado em nome da reengenharia (Foto: arquivo)

Nos intramuros da negociação, Queiroz perdeu vez para o deputado estadual Álvaro Dias (PMDB), que tem sua base eleitoral assentada de verdade na região Seridó e não Natal. O acerto que escanteou Marcelo, nasceu da necessidade de se puxar a deputada estadual suplente Larissa Rosado (PSB) para a Assembleia Legislativa, com a inserção de Álvaro ou o também deputado Hermano Morais (PMDB) na chapa governista natalense.

O senador José Agripino interveio e Carlos Eduardo acabou cedendo à pressão, aceitando Álvaro Dias. O reflexo em Mossoró permitiu que o rosalbismo freasse o ímpeto de Sandra Rosado em impor o nome do vereador e seu filho, Lahyrinho Rosado (PSB), como vice à Prefeitura, da ex-governadora Rosalba Ciarlini (PP).

Na hora de negociar a adesão de Sandra e seu grupo à candidatura de Rosalba, o ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado – marido da ex-governadora – deixou claro: “o seu problema já está resolvido em Natal”. A ex-deputada federal entendeu a mensagem e flexibilizou as negociações, para também ter condições de ser eleita a vereador num “chapão” (veja AQUI) que foi montado à Câmara Municipal com PP, PMDB, PDT e PSB.

Sobrevivência

Todo esse delicado quebra-cabeça passou por um entendimento para unir os grupos de Carlos Augusto e Sandra, após quase 30 anos de litígio (veja AQUI). Mais do que afinidade, em jogo está a necessidade de sobrevivência dos Rosado, Maia e Alves, que se descapitalizaram nos últimos anos com a ascensão de nomes como Wilma de Faria (PTdoB) e o atual governador Robinson Faria (PSD).

Henrique e Agripino: está favorável (Foto: Câmara Federal)

Passado o susto e contabilizada as perdas, eles montam um consórcio político de olho em 2018. Esquadrinham o cenário político para acomodar peças de cada um dos seus consorciados, fechando a porta a novas surpresas. Por enquanto e até aqui, tudo está bem encaminhado, principalmente com a continuada esqualidez da gestão Robinson Faria e o esvaziamento do poder de fogo de Wilma e outros atores fora da tríade Alves-Maia-Rosado.

Para 2018, dando tudo certo e “combinado” com o povo, Henrique e José Agripino concorrem às duas vagas ao Senado da República e a chapa à Câmara Federal fica desobstruída à reeleição de Walter, Beto Rosado (PP) e Felipe Maia (DEM). Larissa terá meios a novo mandato de deputada estadual e Carlos Eduardo Alves será o nome de todos ao Governo do Estado.

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Prefeito faz culto à própria imagem numa fuga da realidade

O culto à personalidade, que podemos tratar sob o olhar da psicologia como “egolatria”, é uma das mais comuns manifestações da exacerbação do “eu” no indivíduo que chega ao poder político – com raras exceções. Em Mossoró, então… é quase regra àqueles que se aboletam na cadeira de prefeito.

Revista na primeira pessoa: eu (Foto: reprodução)

O Dicionário Aurélio Buarque de Holanda Ferreira define o que é Egolatria, para nos situar melhor:

1) Sentimento excessivo da própria personalidade;

2) Tendência a monopolizar a atenção, mostrando desconsideração pelas opiniões alheias.

As duas características que se fundem, acabam por se acoplar como uma nova epiderme ao prefeito Francisco José Júnior (PSD), que promete construir um santuário para a padroeira cristã da cidade – Santa Luzia – no alto da Serra Mossoró, mas talvez intimamente se sinta o próprio Deus vivo; a reencarnação do faraó Ramsés, que reinou pensando ser uma divindade do velho Egito.

“O cara”

Sua mais nova demonstração de zelo excessivo e expansivo da própria imagem, em contraposição à prioridade que deveria ser governar e governar bem, está numa revista. Pago com recursos de cerca de 144 prefeituras associadas à Federação dos Municípios do RN (FEMURN) – presidida por ele – o impresso não economiza na lapidação do prefeito.

A publicação em policromia e 40 páginas denominada de “Femurn em Dia” é um incenso em celulose ao presidente e prefeito, ao gestor, ao “cara”. Francisco José Júnior aparece em destaque em 19 fotos. O ‘ritual’ deifica o prefeito em praticamente metade de suas páginas.

Milhares de exemplares são distribuídos gratuitamente em Mossoró desde o dia passado, onde seu reinado parece não ter “súditos” muito satisfeitos com a propaganda e menos ainda com a administração municipal. Há um conflito entre auto-imagem e realidade. Na verdade, um abismo.

O mais do mesmo

Essa abundância de divulgação superdimensionada, num ano eleitoral e com dinheiro alheio, reitera como nada mudou com o sobrenome “Silveira” em vez de Rosado no Palácio da Resistência. O mais do mesmo. Seis por meia dúzia em termos de personalismo.

O novo nada mais é do que o comum há décadas, feito para criar a sensação de que o inquilino da sede da Prefeitura é o “centro de tudo”. A crença é de que tudo se converte em votos, sob a lógica do marketing político e eleitoral.

A personalização não obedece apenas a uma suposta tese marqueteira. Na verdade é um embuste que faz cócegas prioritariamente no ego do próprio prefeito.

Ele acredita com fervor no que é exposto de forma desmedida na revista cuidadosamente feita para agradá-lo, encomendada para agradá-lo e banhada com fotos que são do seu agrado. Daí a prevalência da egolatria, muito mais do que dos fatos narrados na publicação.

Reprovação e rejeição

A super-exposição é como o “bronze” que a adolescente deseja ganhar sob o sol. Sem filtro solar e parcimônia diante do astro-rei, que no caso de Francisco José Júnior é a ausência de bom senso, tudo queima.

Por isso que ele não consegue entender como uma recente pesquisa o reprovou administrativamente com 80,33% (veja AQUI) e identificou 53,12 de rejeição eleitoral a seu nome (veja AQUI).

Mas vá dizer isso a ele. Ególatra detesta ser contrariado. Vê tudo sempre na primeira pessoa: “Eu!”

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Na dúvida, pró-Rosado! Tem sido assim

Há seis eleições consecutivas que apenas Rosado “briga” contra Rosado em Mossoró. Vem desde 1988. Em 2010, a receita é a mesma, com duas bandas do clã se digladiando. Em tese,  não há como perder.

Nada é por acaso. Isso é resultado de uma estrutura de poder bem enraizada, desde o início do século XX.

No inconsciente coletivo ocorre uma inclinação comum: o novo e desconhecido assustam. Somos, por natureza, cautelosos e refratários à ousadia.

Mas a humanidade só avançou com o ímpeto da minoria “louca”, pois do contrário ainda estaríamos vivendo em cavernas e matando bicho com paus e pedras.

Na política impera o tradicionalismo, como é conservadora a nossa mente. Para comprar um sapato ou cortar o cabelo, costumamos ir aos mesmos lugares. Uma alteração de percurso é algo raro e precisa de forte motivação, uma margem de segurança. Na política também agimos assim.

Portanto, o que acontece em Mossoró não deve ser visto como anomalia. A psicologia social e a sociologia política explicam. Outras ciências acrescentam argumentos a essa tese.

Na dúvida, pró-Rosado.

Compreensível. Aceitável. Tem sido assim.

De caciques e oligarquias numa mistura de óleo e água

Do Blog do Barbosa

Se fala tanto no Rio Grande do Norte sobre os poderes dos caciques e das oligarquias políticas papa-jerimum, que me vejo na obrigação de perguntar por que será que um membro de uma oligarquia – Carlos Eduardo Alves, no caso -, vem liderando as pesquisas de intenção de voto à sucessão municipal na capital potiguar com uma larga margem de diferença sobre os demais candidatos? Por que é que uma manda-chuva da política local – no caso a ex-governadora Wilma de Faria – constava em segundo lugar quando seu nome estava posto como pré-candidata a prefeita de Natal?

Eu mesmo respondo: A grande massa, que é quem elege, está alheia a isso. Esse é o problema. O povo está se lixando pra quem é “cacique” ou oligarca. Aliás, não sabe nem o sentido destas duas palavras. Essa é a verdade! Para o povo tanto faz ser Maia, Alves, Faria ou Rosado. Tudo é japonês, ou seja, igual. Daí a mistura de óleo com água no Rio Grande do Norte fazer tanto sucesso.

Veja, caro leitor: A fórmula da eleição de 2000 será repetida agora. Ou seja, 12 anos depois em que Carlos Eduardo Alves – então no PMDB – foi eleito vice-prefeito de Wilma de Faria para administrar Natal, a chapa apenas é invertida. Desta vez com Carlos Eduardo Alves na cabeça e Wilma de Faria sendo sua vice. E Wilma vai usar Carlos como trampolim para tentar chegar ao Poder novamente. Caso, óbvio, ele seja eleito novamente prefeito de Natal.

Diz-se que seu projeto político já não é mais o Senado, e sim retornar ao governo do estado com a ajuda do seu grande cabo eleitoral que hoje é a governadora Rosalba Ciarlini (DEM). Aliás, o mesmo está fazendo Carlos Eduardo Alves, que tem na prefeita Micarla de Sousa (PV) um grande cabo eleitoral. Os caciques e oligarquias do Rio Grande do Norte costumam queimar a foto de quem não faz parte desse meio para tirar proveito disso.

Wilma de Faria, por exemplo: Hoje ela critica Micarla de Sousa, que teve o apoio do senador José Agripino Maia para se eleger prefeita de Natal. Mas esquece que em eleições passadas apoiou um seu auxiliar – Aldo Tinôco – para sair candidato a prefeito da capital potiguar que acabou se elegendo. Tal qual Micarla de Sousa, Aldo Tinôco também foi um desastre como prefeito. Mas a massa eleitora esquece disso. Esse é o problema!

Portanto, devo dizer que a eleição para prefeito de Natal este ano tem dois representantes da fina flor das oligarquias e dos caciques da política potiguar que são Carlos Eduardo Alves, que evita usar o sobrenome para não atrapalhar a sua carreira “solo”, e Wilma de Faria, nascida politicamente no berço do malufismo e que cresceu a custa dos apoios dos Maia e dos Alves.

Depois não reclamem que as oligarquias e os caciques continuam a mandar na política local. A fórmula para voltar ao poder só foi invertida. É como se a bula fosse lida de cabeça pra baixo. E os alquimistas cuidam dessa fórmula com todo cuidado e carinho para fazer chegar ao povo o mundo das ilusões. Que as cabeças pensantes, pelo menos, estejam atentas a isso. A conferir!

Negociata da família Rosado ‘inova’ na política do RN

Governadores, comumente, sempre indicaram parentes e compadres para o Tribunal de Contas do Estado (TCE). É imoral, sem dúvidas. Mas estranhamente, legal.

O que se costura agora – bolinando o TCE – é de uma imoralidade sem precedentes na política estadual. Não está em jogo uma simples nomeação de parente ou comadre.

O que família Rosado promove é uma negociata com o apelido de “acomodação política”. Isso mesmo. A palavra é esta: negociata.

Quer pagar a atual prefeita de direito de Mossoró, enfermeira Fátima Rosado (DEM), a “Fafá”, para ela renunciar ao mandato – usando sua nomeação ao TCE. Escambo de esgoto.

Fafá acena contente, pois vê tudo azul no "céu" do TCE: "Uh-huuu!!" (Foto: Ricardo Lopes)

Negociata é negociata, negócio é outra coisa. Na semântica e na etimologia, negociata é negociata. Não é uma palavra polissêmica (com sentidos distintos), não.

Negociata só tem um sentido, tão somente um: é “negócio suspeito em que geralmente há trapaça”. Simplesmente isso.

O que o povo norte-riograndense testemunha é algo moralmente insalubre. O cargo de conselheiro do TCE é vitalício e de salário (além de outras inúmeras vantagens) muito vantajoso. O TCE é o “céu” na terra potiguar. Fafá pode ganhar um ‘lote’ desse Éden.

Portanto, tudo não passa de uma trapaça, própria de vigaristas – nunca um comportamento digno que o cidadão espera de seus agentes públicos, principalmente aqueles ungidos pelo voto popular.

Trata-se de uma vergonha para Mossoró, ‘exportadora’ dessa indecência que insulta todo o estado.

Pobre Mossoró! Pobre RN!

Veja AQUI declarações da própria prefeita Fafá Rosado, confirmando ‘arrrumação’ em andamento.

Imposição de candidatura revela desprezo pelos “párias”

A manobra acrobática dos Rosado para fazer a vice-prefeita Ruth Ciarlini (DEM) prefeita de Mossoró, revela, com crueldade, como essa elite trata seus liderados: não passam de vassalos, lenha para sua caldeira.

Mostra que só eles, Rosado e derivados, têm valor e méritos para cargos de comando, mandatos de expressão.

O restante cumpre tarefas menores. Alguns mais espertos, até ganham chance de enriquecimento rápido e melhoria no padrão material de vida. Desde que não inventem de aspirar postos eletivos e continuem fornecendo energia para a ‘locomotiva’ Rosado.

A grande maioria dos militantes é mesmo subproduto humano, a serviço da Casa Grande. Deixam-se escravizar, numa servidão voluntária derivada da fraqueza ou da mais pura ignorância. Conformam-se com migalhas, às vezes uns trocados ou nem isso.

Esse modelo centralizador, espoliador, excludente e reducionista de ver o mundo parece ter chegado ao paroxismo da arrogância e insulto à maioria dos mossoroenses.

Com enorme contorcionismo, para fugir às amarras da lei, impõe-se uma postulação baseada na vontade de um casal. Eles querem, os vassalos murcham as orelhas e cumprem suas ordens.

Nas últimas décadas não há qualquer cargo eletivo de expressão, conquistado pelas facções dos Rosado, que não tenha sido destinado a seus próprios integrantes. Nenhum. De vereador a governador do Estado. Todos, sem exceção.

E mesmo assim, boa parte de seus seguidores ainda se sente valorizada, sem perceber que faz parte de uma engrenagem que reproduz o sistema de casta indiano.

Os liderados, sem chance ao topo, são os párias. O lixo. Seus líderes encarnam o papel da divindade: seres superiores.

Quem se rebela contra a dominação é visto como ‘ingrato’, ‘recalcado’ ou ‘doido’.

Pobre Mossoró!

 

PT participa de “roda de bobo” discutindo “relação”

Há incontáveis semanas que o PT de Mossoró não faz outra coisa: “discute a relação”. Não é exatamente um “papo cabeça”.

Revela falta de tato, foco, sensibilidade política, bom senso. Cai na armadilha que as forças tradicionais montaram sem maior esforço, com aparelhamento de parte da imprensa, objetivando fazê-lo correr em círculos.

A estratégia tem dado certo. O PT está na “roda de bobo”.

Ocupa espaços privilegiados na mídia convencional para expor arengas, rosnar, dar explicações, participar de futricas laboratoriais e indiretamente revelar suas fraturas internas e fragilidades.

Nesse ínterim, poderia estar debatendo a gravíssima crise na saúde, a guerra civil disfarçada ocorrida na cidade (que ano passado contabilizou mais de 190 homicídios), desmanche do Programa do Leite, a falta de um projeto de desenvolvimento social para o município, a priorização do “circo” em vez da Educação, obras de mobilidade em vez de avalanche de lombadas/semáforos e indústria de multas, o subaproveitamento dos nossos recursos hídricos, a imoralidade administrativa etc.

Tem faltado tempo para encetar política de alianças, acomodação de chapas majoritária e proporcional, exposição de um projeto alternativo de gestão plurianual que o diferencie dos Rosados do A e do B, além de partir para uma pré-campanha ostensiva – corpo a corpo nas bordas da sociedade.

Ei, psiu! Acordem!

O cartel do poder

Muitos já fizeram um inventário sobre a crise política no Rio Grande do Norte, que expurgou o vice-governador Robinson Faria (PMN) do governo estadual. Daí vem as previsões as mais variadas, oscilando entre o possível e o pouco provável.

Ninguém ou quase ninguém tem observado, que se forma um modelo de oligarquia, integrada, com gigantismo capaz de varrer do mapa tudo ou qualquer coisa que cheire a oposição. O que é péssimo para a democracia. Um atraso.

Um exemplo está na Assembleia Legislativa, em que o governo logo formou maioria folgada e pode ampliar mais ainda essa margem.

Maia e Alves juntam-se no governo. O grupo Rosado é hegemônico e os têm como sócios por lá. Sócios minoritários, que se diga. Em sua cidade-base, Mossoró, os Rosado conseguem até o feito de ser oposição e governo.

No governo estadual, esse clã começa a expandir seus tentáculos, mas o faz com a força de um blindado alemão, sem medir conseqüências. Passa por cima de tudo.

Se antes tínhamos pelo menos com o extremismo entre Maia e Alves, o que se avizinha é angustiante: um cartel do poder. Clube de poucos, em detrimento da maioria. Robinson Faria (PSD) e Wilma de Faria (PSB) que o digam.

Sucessão, fenômeno e o Cometa Halley

O cenário sucessório mossoroense é o mais confuso das últimas décadas. Qualquer aposta hoje, com “segurança”, é algo precipitado.

As definições são raras.

Mas algo não muda.

Anote.

Quem quiser desbancar a oligarquia Rosado, precisará de bem mais do que uma boa biografia.

Tolice raciocinar pensando que outro sobrenome, aspiração de mudança no inconsciente popular etc. vão alterar o curso da história.

Para desbancar os Rosado é fundamental competência e profissionalismo na política, além do principal: um bom candidato.

O resto é bobagem, digressão que não leva a nada.

Claro que temos ainda o impoderável! O fenômeno. Mas não vejo, daqui dessa distância, ninguém com esse cajado messiânico.

Claro que, se a massa quiser, ela altera os rumos. Mas isso, já falei e volto a repetir: é como o Cometa Halley. A cada 114 anos ele passa sobre nossas cabeças.

Josivan Barbosa, no PT, inibe aliança com PSB

A inscrição do reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA), Josivan Barbosa, no PT mossoroense, no sábado último (23), é o fato novo da política paroquial.

O partido adiante deverá fazer uma movimentação festiva para marcar seu ingresso.

Mas por enquanto não é questão fechada na sigla a apresentação do nome de Josivan como candidato a prefeito, pretensão pessoal do reitor.

Vale lembrar que nas eleições de 2008, o PT saiu da tradicional posição de franco atirador e crítico da oligarquia Rosado, para ser um apêndice de uma das bandas desse clã. Teve Tércio Pereira como candidato a vice da deputada estadual Larissa Rosado (PSB).

Nova composição entre os dois partidos não deve ser descartada. Contudo se acontecer, já alijará o próprio discurso de Josivan que é em defesa de uma nova via política, fora do sobrenome Rosado.

Caminhos de um novo modelo de vida para Mossoró

"Bolo" não para de crescer, mas cidade continua incapaz de discutir suas mazelas

A oposição em Mossoró praticamente não existe. É massa dispersa, time de amadores que se reúne na borda do campo faltando minutos para o jogo começar. Os Rosado comandam Mossoró desde 1948 porque exercem a política como profissão diuturna. São do ramo.

Até divididos, somam. Política é coisa muito séria. E eles transformaram esse ofício em ganha-pão, meio de vida.

Ninguém, de fora do sistema Rosado do A ou do B, tomará o “fascio” desse clã só com bla-bla-blá e  sobrenome diferente. Tem que ter foco e conteúdo, ousadia e capacidade de luta. É fundamental um trabalho de médio e longo prazos,  que podedar resultado mais rápido do que muitos imaginam.

Tem que cair, levantar, seguir em frente.

Em 2008, por exemplo, o vereador Renato Fernandes (PR) foi candidato a prefeito. Perdeu, sumiu. Aportou em Brasília, em seguida ancorou em Natal. Cadê a continuidade?

O PT de Mossoró, depois de décadas de combatividade, foi “arrendado” pela banda Rosado de Sandra Rosado (PSB). Hoje luta para eleger um vereador e olhe lá.

Os Rosado vivem momento de grande estresse político, mas sabem que sobram mesmo divididos. A luta fraticida, quase silenciosa, que eles vivem agora, é resultado do próprio esgotamento da fórmula oligárquica que cultuam há décadas, onde não cabem novidades fora do círculo consanguíneo.

A oposição é cooptada ou demolida. Não avança. Parece aquele sujeito que monta uma bodega e quer, em poucas semanas, ter a dimensão de um Carrefour. Aspira o poder em forma de aclamação, sem sangue, suor e lágrimas. Como uma benção divina.

Conservador

A discussão política em Mossoró é sempre em cima de nomes ou sobrenomes. Ninguém tem projeto para presente ou futuro do município. É fato. Os próprios Rosado se revelam assim. Há permanente empenho pelo poder e quase nenhuma ideia do coletivo.

Por sua natureza, o ser humano é conservador, não costuma dar passo adiante sem perscrutar bem o ambiente. Mossoró é conservadora. Com razão. Tem mantido os Rosado no poder porque quase nada diferenciado, consistente e confiável surgiu em décadas.

Qualquer projeto político em Mossoró, de força alternativa, precisa pensar Mossoró bem adiante, com foco e atuação continuada na sociedade. Levar em conta, por exemplo, que somente este ano e o próximo, a Prefeitura de Mossoro vai movimentar mais de R$ 1 bilhão. O Estado, comandado também por outra fatia do clã Rosado, terá em mãos mais de R$ 20 bi.

Não acho que devamos fazer campanha contra os Rosado. O trabalho é a favor de Mossoró, mudança de ordem, definição de outro modelo gestor e de política. Existem Rosado capazes, competentes, bem-intencionados e com espírito público, sim.

Mossoró transformou-se em centro acadêmico, a iniciativa privada muda sua face econômica, a intervenção pública tem hoje um efeito menor. Precisamos pelo menos eleger um prefeito que realmente exerça o cargo e não seja tutelado por irmão, esposa ou chefete político. O que temos há vários anos é o suprasumo do atraso.

São mais de 250 mil habitantes, população flutuante superior a 30 mil pessoas, quase 100 mil veículos automotivos; riquezas múltiplas, posição geopolítica estratégica, mas mesmo assim somos uma comuna refém do compadrio, do interesse espúrio, da ganância de predadores e da voracidade de gente que se acha iluminada.

Mossoró há anos que sequer tem um seminário para discutir seu modelo de crescimento econômico e sua pobreza de desenvolvimento humano. Faculdades e universidades fecham-se em copa, não conseguem chegar ao cidadão comum e abrem mão do estratégico poder da extensão acadêmica.

Discutir Mossoró é fundamental para entendê-la, compreender seu progresso econômico e atraso político; vocação à vassalagem e pobreza crítica. Mas discutir sem dogmatismo, ouvindo para ter direito à voz, falando para ser escutado.

Os que berram nada têm a dizer, porque só ouvem o que seus senhores determinam como certo ou errado.

Mossoró está aí, pronta para ser conquistada. E a tese de crescer o bolo, para dividi-lo, não cola mais. O bolo não para de crescer, mas da mesa farta de seus captores, só caem migalhas à grande maioria, além de “circo”.