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Sem Rosados divididos e sem Rosados unidos, apenas sem Rosados

Por Christianne Alves

Sandra, Rosalba e Larissa em convenção municipal do PP em 5 de agosto de 2016 (Foto: arquivo)
Sandra, Rosalba e Larissa em convenção municipal do PP em 5 de agosto de 2016: união de ocasião (Foto: arquivo)

As eleições municipais já batem à porta, e está bem perto de fechamento de chapas, ou seja, definição de nomes; e um fato incomum na política de Mossoró está prestes a acontecer: nenhum Rosado concorrerá à prefeitura e, ao que tudo indica, nem ao menos integrará como vice qualquer chapa entre as pré-candidaturas já anunciadas.

O rosadismo, que por décadas comandou a segunda maior cidade do estado, não tem, atualmente, sequer um representante no legislativo municipal. A última tentativa de se manter no poder veio em 2020 com a então prefeita Rosalba Ciarlini (PP), que disputou a reeleição com o então deputado estadual Allyson Bezerra (SDD), tendo este vencido, jogando assim o que pode ter sido a última pá de cal no rosadismo em Mossoró, que teve que se contentar com Larissa Rosado (PSDB, hoje no PSB) eleita vereadora.

Esse ano, o grupo da pediatra Rosalba Ciarlini, quatro vezes prefeita, ex-senadora, ex-governadora, liderado pelo seu marido, o ex-deputado Carlos Augusto Rosado, até demonstrou intenção de ir mais uma vez ao embate com o prefeito Allyson Bezerra (UB), mas, não encontrando condições mínimas para seu intento, desistiu. Ou seja, não obteve o apoio que desejava, não irá.

É o que indica o quadro atual até o fechamento dessa postagem. Essa semana, o Blog Carlos Santos publicou (veja AQUI) que o deputado federal João Maia, presidente estadual do Progressistas, partido que abriga a ex-prefeita, afirmou que ainda faria a última tentativa de convencer Rosalba a ir à disputa. Entretanto, alguns interlocutores ligados ao casal Carlos Augusto e Rosalba garantem que tal possibilidade é próxima de zero. Então, dentro de poucos dias, Rosalba deverá anunciar apoio a alguma candidatura de oposição. Ao menos é que se espera.

O ex-deputado federal Beto Rosado, sem mandato, hoje vice-presidente do Progressistas no estado, não esboçou intenção nenhuma de concorrer ao Executivo. O nome de sua esposa, Katherine Bezerra, surgia em conversas, ora para o Executivo, ora para o Legislativo. Tudo descartado pelos dois.

Já o grupo liderado pela ex-deputada Sandra Rosado, o Sandrismo, este ano não lançará nome para concorrer à Câmara Municipal de Mossoró. Larissa Rosado, que teve seu mandato de vereadora cassado em maio de 2023, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não conseguiu em tempo hábil um partido para se filiar.

Hoje, Larissa comanda o PSB em Mossoró, que poderá compor a vaga de vice na chapa com Lawrence Amorim, já que seu partido decidiu pelo apoio a pré-candidato tucano, mas, segundo familiares, essa é uma possibilidade descartada. Ou seja, o Sandrismo para as eleições de 2024 jogou a toalha.

A ex-prefeita Fafá Rosado até demonstra vontade de voltar à cena, mas é brecada por parte de sua família, que não a quer mais em disputas eleitorais.

Hoje, o único Rosado dado como certo na disputa a uma vaga na Câmara Municipal é o ex-vereador Vingt-un Neto (PL), mas não é ligado a nenhuma ala da família, nem rosalbista e nem sandrista. Corre em raia própria.

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Para uma família que estava no poder desde 1948, quando das eleições de Dix-sept Rosado a prefeito e seu irmão, Vingt Rosado, a vereador, exatos 72 anos de poder, é um baque e tanto, não é mesmo? Quem se acostumou com o poder, agora precisa desacostumar, o que é bem mais difícil.

A lição que tiramos disso tudo é que assim como na vida tudo passa, e tem seu momento, e que a política é também feita de ciclos. Concorda?

Christianne Alves é editora do Blog da Chris Alves

Todos contra Allyson

Prefeito Allyson alcançou aprovação tão expressiva que obriga oposição a antecipar cerco (Foto: Adriano Abreu/TN/Arquivo)
Prefeito Allyson alcançou aprovação tão expressiva que obriga oposição a antecipar cerco (Foto: Adriano Abreu/TN/Arquivo)

Coxa, a oposição ao prefeito Allyson Bezerra (Solidariedade) parte na frente na sucessão municipal 2024, mesmo que desengonçada. Quem será o candidato (a) a prefeito ou quais serão, não vem ao caso agora.

Os primeiros movimentos neste 2023 revelam indícios de orquestração em ataques, com fabricação de factoides e denuncismo em grosso e varejo.

São expedientes corriqueiros em toda e qualquer pré-campanha por essas bandas. Nada estranho, portanto. Allyson Bezerra que procure se esquivar. Defenda-se. Contra-ataque, se conveniente. Trégua não terá.

Todos estão contra ele. É o nome a ser batido, por estar no topo: no Palácio da Resistência.

A oposição tem motivos para partir na frente, pelo próprio esvaziamento do campo político tradicional, os Rosados, que reconhecem antecipadamente a falta de fôlego à disputa – veja AQUI e AQUI.

Serão peças acessórias, provavelmente. Hoje, assim já se portam.

As mais recentes pesquisas de avaliação de governo mostraram a administração Allyson Bezerra com 86 pontos percentuais de aprovação. Foram sondagens divulgadas pelo Grupo TCM e Blog do Barreto. Casaram os números.

Daí, a meta número um nessa fase é tentar demolir parte considerável dessa ‘torre’, para fragilizá-la ao máximo. E, sejamos claros: não é tarefa para poucos nem do dia para a noite.

Começou. Está claro.

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Mandato federal retroalimenta poder Rosado

máquina, retroalimentar, retroalimentação, engrenagem, indústriaEleger um deputado federal Rosado não é apenas objetivo político, vaidade ou demonstração de força para o clã rosadista que já chegou a ter três integrantes na Câmara dos Deputados simultaneamente, nos anos 90.

O deputado federal retroalimenta esquema eleitoral e empresarial, azeitando o grupo de meios à perpetuação do poder. É uma máquina que precisa estar azeitada.

Depois explico em números.

Recapitulo histórias.

Veremos.

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O vice de Rosalba Ciarlini e seu cronograma até 2022

Por Vicente Serejo (Tribuna do Norte)

A prefeita Rosalba Ciarlini (PP) tem um cronograma: sair reeleita das eleições de 2020, com um vice de absoluta confiança. 

Cumprida essa etapa, governar Mossoró mais dois anos, renunciar e disputar novo mandato de senadora.

O vice ideal: empresário Elviro Rebouças.

Destino

A sua vice atual, Nayara Gadelha (PP), vai tentar a eleição para vereador e deve ser eleita, nas previsões do bunker de Carlos Augusto Rosado.

A estratégia até lá, é manter a ex-deputada federal Sandra Rosado (PSDB) refém do mandato de vereador e as oposições divididas.

Nota do Blog Carlos Santos – “Isso, isso, isso”, diria o personagem “Chaves”, do humorista mexicano Roberto Bolaños, naquele seu conhecido bordão.

Está tudo escrito, meu caro. Ou reescrito. Ano passado, os planos passavam pela eleição do rebento Kadu Ciarlini (PP) a vice-governador. Não deu certo.

Agora, novo recomeço. Não pode ter erro.

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Gastos em expansão atormentam futuros governadores

Por Josivan Barbosa

Não só a União, mas também os Estados enfrentam problemas fiscais muito graves. O crescimento dos gastos em ritmo superior à expansão das receitas é o principal pesadelo. A recessão econômica refreou o aumento da arrecadação ao mesmo tempo em que ampliou a demanda por serviços públicos, especialmente de saúde e educação, porque a população também viu sua renda cair com o desemprego e a informalidade.

Contribuiu para gravar o quadro o explosivo aumento dos empréstimos entre 2011 e 2014, muitos estimulados irresponsavelmente pelo governo federal e garantidos pelo Tesouro, por conta dos preparativos para a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. O Rio Grande do Norte junto com mais 15 Estados formam a lista negra das contas públicas das unidades da federação. Os 16 Estados que fecharam o segundo quadrimestre com despesas de pessoal acima do limite prudencial de 46,55% da RCL são Acre, Amazonas, Alagoas, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Santa Catarina, Sergipe, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, Rio de Janeiro e Tocantins, sendo que ultrapassaram os 49% os Estados de Roraima e Tocantins.

Dentre os 26 Estados, apenas dois romperam o teto de endividamento, estabelecido pela legislação em 200% das receitas no fechamento do segundo quadrimestre. Um deles é o Rio, com dívida de 270,2%; e o outro é o governo gaúcho, com endividamento de 226,52%.

Quadro fiscal e o insucesso nas urnas

Ao lado de uma onda de renovação, o quadro fiscal dos Estados pode ter contribuído para o desempenho no primeiro turno dos governadores que se candidataram à reeleição. Neste ano, 20 governadores entraram na disputa para manter-se no comando de seus Estados. O número contempla os que foram eleitos como vice-governadores e que assumiram os mandatos neste ano com a desincompatibilização dos titulares.

Entre os Estados em que pode se ver uma relação forte entre o resultado das urnas e o quadro fiscal pode-se analisar Minas Gerais e Alagoas. No primeiro, a despesa de pessoal do Poder Executivo em relação à receita corrente líquida avançou de 43,5% para 48,9% do fim de 2014 para o segundo quadrimestre de 2018. Em situação financeira considerada crítica, o Estado tem atrasado pagamentos a servidores e o governador candidato à reeleição, Fernando Pimentel (PT), foi eliminado da corrida eleitoral já no primeiro turno. No segundo, a despesa com pessoal diminuiu de 49,7% para 47,1% da receita corrente líquida de dezembro de 2014 até agosto deste ano. O atual governador Renan Filho (MDB) saiu vitorioso na disputa eleitoral já no primeiro turno.

Mudança de cálculo

Estados que aderiram à renegociação da dívida com a União querem mudança no indexador que define o teto para variação das despesas primárias correntes em 2018. De acordo com André Horta, coordenador dos Estados no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) e secretário de tributação do Rio Grande do Norte, os Estados querem que o teto seja definido pela variação das respectivas receitas primárias, e não pelo IPCA. Os Estados pediram, também, a reabertura do prazo para adesão formal ao parcelamento, além da supressão da exigência de desistência de ações judiciais contra a União. Nas condições pactuadas somente quatro Estados conseguiriam cumprir o teto em 2018.

Clã Alves e Maia

O Valor Econômico na sua edição da sexta-feira deu destaque às eleições no RN. Segundo o jornal, com a derrota dos senadores Garibaldi Alves (MDB) e de Agripino Maia (DEM) nas disputa por vagas no Senado e na Câmara, a eleição para governador no Rio Grande do Norte será tudo ou nada para os clãs Alves e Maia, que dominam a política no Estado há 60 anos. Eles estão apostando todas as fichas no ex-prefeito Carlos Eduardo (PDT), que declarou apoio ao candidato Jair Bolsonaro (PSL) para enfrentar a senadora Fátima Bezerra, do PT.

O Jornal destaca ainda que um dos Estados mais violentos do país, o Rio Grande do Norte viveu dias de terror no início do ano passado, quando um massacre no presídio de Alcaçuz, na região Metropolitana, deixou 26 mortos. O episódio manchou a gestão do governador Robinson Faria (PSD), cuja mandato também ficou marcado por atraso no pagamento de salário do funcionalismo decorrente de uma crise fiscal sem precedentes. Ex-aliado do PT no Estado, Faria acabou ficando com apenas 15% dos votos no primeiro turno, em terceiro lugar.

Chance do PT

Ainda segundo o jornal paulista, nestas eleições, o PT tem a sua melhor chance de mudar esse quadro e derrotar as forças que há décadas dominam a política no Estado. Algumas vitórias importantes já foram conquistadas: a jovem vereadora Natália Bonavides (PT) elegeu-se como deputada federal mais votada em sua coligação, à frente até do veterano Fernando Mineiro (PT), que também conquistou uma vaga na Câmara.

Fátima Bezerra já foi deputada estadual duas vezes e federal por três mandatos. A petista, bastante ligada ao movimento sindical de professores, foi uma surpresa na eleição de 2014, quando se elegeu para a única vaga ao Senado. Ela já disputou a Prefeitura de Natal duas vezes, mas ficou em segundo lugar em ambas tentativas.

Petróleo

Um grande desafio para 2019 é a política dos preços do petróleo e seus derivados. O ambiente petrolífero global indica que o preço do petróleo permanecerá fortemente volátil, e essa volatilidade, assim como ocorre com o câmbio, é destrutiva da atividade econômica, como ficou demonstrado na greve dos caminhoneiros.

Outro aspecto negativo é a expansão da capacidade de refino. O Brasil vive a situação esdrúxula de exportar grandes volumes de óleo e importar quantidades significativas de derivados. Na prática, o país importa mais de US$ 1 bilhão anuais de valor agregado ao petróleo aqui produzido, deixando de gerar empregos e prejudicando nossa balança comercial. A ampliação da nossa capacidade de refino é urgente, inclusive para evitar a vulnerabilidade do abastecimento doméstico a distúrbios no mercado petrolífero global.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)

A estrela é Isolda Dantas

Ela e sua equipe calculavam que seria possível amealhar uns 23 mil votos em todo o estado. Se sua coligação elegesse uns três nomes, a terceira vaga não ficaria com outra candidatura. Erraram feio. A vereadora Isolda Dantas (PT) foi mais além, bem mais além. A Coligação Do Lado Certo (PT/PCdoB/PHS) fez três deputados estaduais e ela foi a mais votada.

Isolda foi a 13ª mais votada entre os 24 eleitos à Assembleia Legislativa, no pleito do último dia 7 de outubro. Ao todo, a parlamentar da Câmara Municipal de Mossoró, originária de Patu, obteve 32.963 votos.

Acabou sendo votada em 166 dos 167 municípios do Rio Grande do Norte. Só em João Dias na região Oeste, é que não ninguém lembrou de digitar o número 13.123 dessa socióloga de 44 anos.

Isolda Dantas foi votada em 166 dos 167 municípios do Rio Grande do Norte no dia 7 (Foto: Wigna Ribeiro)

Tem mais: em Natal, chegou a somar 9.172 votos, ficando em 9º lugar. Foi mais votada na capital do que 17 dos eleitos, ficando para trás também alguns deputados que não conseguiram se reeleger, como Jacó Jácome (PSD) e Márcia Maia (PSDB). Até Adjuto Dias, filho do prefeito natalense Álvaro Dias (MDB), totalizou menos votos do que ela em Natal e não se elegeu.

Em Mossoró, outro feito obtido por Isolda: foi o quarto nome mais bem votado, com 11.031 votos e quebrou uma sina que perdurava desde os anos 90. O último vereador local a ser eleito deputado estadual foi Francisco José (pai) pelo PFL, em 1994, portando há 24 anos.

A eleição de Isolda Dantas é relativamente uma surpresa. Os números, contudo, indicam que não exatamente.

Eleita à Câmara Municipal de Mossoró em 2016, Isolda Dantas também conquistou a presidência local do PT logo em seguida, enfrentando correntes internas antiquadas, modorrentas e que transformaram o partido num paquiderme sem qualquer mobilidade.

Ela chega à Assembleia Legislativa como um tônico partidário no plano estadual, mas também dando mostras no ambiente local de que rejuvenesceu e tornou o partido mais dinâmico e audaz.

União com “Bonas”

Em sua estratégia de campanha, Isolda Dantas intensificou mobilização ao lado de movimentos sociais e organizações populares. Mas dilatou sobremodo seu capital, ao tabelar com Natália Bonavides (PT), vereadora em Natal também em seu primeiro mandato, sendo içada à pulverização de votos em praticamente todo estado.

A performance na capital advém daí, da simbiose com “Bonas”, como carinhosamente a militância trata Natália Bonavides, eleita à Câmara Federal como primeiro nome na mesma coligação.

Isolda Dantas tem diante de si um latifúndio político incomum para ela, para a esquerda e para a oposição não-Rosado em Mossoró, em toda sua história. É muita responsabilidade.

Outro deputado estreante

Ocupará esse espaço com mais um novato na Casa, o servidor público federal e engenheiro Allyson Bezerra (SD), outro caso surpreendente de vitória eleitoral a partir de Mossoró. Os dois, mesmo que em faixas políticas diferentes, têm uma missão representativa incomensurável no legislativo potiguar.

O sobrepeso aumenta porque pela segunda eleição consecutiva os Rosados não conseguem eleger ninguém para a AL, também perdendo o assento que possuíam na Câmara dos Deputados com Beto Rosado (PP). E o vácuo é bem maior do que parece, porque na oposição também há perdas.

Os insucessos eleitorais expressivos de Tião Couto (PR) e Jorge do Rosário (PR) – veja AQUI alargam o território que precisa ser ocupado. Não há vácuo em política.

Contudo é precipitado se preconizar um papel de protagonismo para um deles ou ambos, mais adiante. A conjuntura à época da eleição municipal em 2020, o quadro administrativo da gestão Rosalba Ciarlini (PP) até lá e os desdobramentos das eleições ao governo estadual/federal no próximo dia 28, é que formarão parte do cenário que existirá adiante.

Por enquanto, vale comemorar muito. Merecem.

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Antirrosalbismo ganha corpo numa campanha de “exclusão”

“(…) É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem”. Belchior, Como Nossos Pais.

Encorpa-se em Mossoró um espontâneo e crescente movimento que a prefeita Rosalba Ciarlini (PP) com o carisma pessoal, militância, mídia amestrada e a máquina pública não está conseguindo refrear: o antirrosalbismo. A angústia aparece em seu rosto crispado e em palavras cada dia mais amargas e raivosas (veja vídeo ao final desta postagem).

É importante que fique sublinhado: esse fenômeno não é artificial, repentino ou circunstancial. Não é “coisa de adversário”, tão somente. A própria “mistura” ou “união” da família Rosado nas eleições de 2016 deixou patente essa agonia, que recrudesce nesse momento, dois anos depois.

São sinais que há muitos se formam para espelhar um diagnóstico que não tem como ser escamoteado: aproxima-se o fim de um ciclo.

Rosalba discursa no Sítio Cantópolis para um público com poucos jovens e repetindo retórica surrada (Foto: cedida)

Ao se amontoarem no mesmo palanque, após cerca de 30 anos de beligerância e acordos tácitos, os Rosados deram uma demonstração de fraqueza em vez de materializarem ampliação de força.

Antes, rachavam a cidade ao meio para ficarem com o todo. Hoje, são parte de uma porção em atrofia.

A vitória de Rosalba nas urnas em 2016, ao lado da prima, ex-deputada e ex-adversária Sandra Rosado (PSDB), representou uma tentativa de resistência e manutenção de um protagonismo que pode mudar de mãos, lado e tendência em breve.

Vexame

Ela e seu grupo talvez amarguem um vexame homérico em 2018. Todas as pesquisas já divulgadas e outras tantas de consumo interno apontam para um grande embaraço paroquial: a chapa ao governo encabeçada por Carlos Eduardo Alves (PDT), com seu filho Kadu Ciarlini (PP) a vice, está longe de ganhar o pleito “em casa”.

Caminha para perder para a petista Fátima Bezerra, que sequer tem palanque e apoios expressivos em Mossoró.

Porém é importante frisarmos, que o papel da “oposição” nesse cenário não compreende o sentido político-partidário da palavra, mas sua essência etimológica, derivada do latim. Temos uma onda de contrariedade e incompatibilidade catalisando a sociedade.

O governo parece paralisado, incapaz de funcionar com o minimo de eficiência e ninguém inspira um pingo de confiança. A própria conjuntura nacional dá sua parcela de contribuição a esse inferno astral.

Há uma massa cada dia mais indócil, questionadora e capaz de fazer sua própria revolução por segundos e bites, diante da tela de um smartphone/tablet/computador. Essa é a oposição que asfixia Rosalba e o rosalbismo. Sem sigla, sem rosto, sem líderes, inorgânica e avassaladora. Talvez, incontrolável. Capaz de votar contra, para deixar claro que não é a favor. Não por outra opção, mas para exclusão.

O perigo da oposição social

Em 11 de abril de 2017 antecipávamos esse quadro para 2018 e alertávamos a própria prefeita, ao postarmos a matéria O perigo da “oposição social” que ronda Rosalba Ciarlini. “O problema que ganha corpo de forma lenta, gradual e expressiva é a “oposição social”, muito mais letal do que a político-partidária. É a voz das ruas”, assinalamos.

Rosalba e cia. enfrentam em seu reduzido espaço geopolítico de influência (Mossoró), um ranço parecido com o espectro do antipetismo nacional. Guardam certas semelhanças, mas com algumas peculiaridades próprias.

Pesquisas dizem que a base antirrosalbista borbulha nas classes médias, avança entre emergentes e passou a germinar em cinturões de pobreza, como no antes intocável “Santontõe” (vício de linguagem para o bairro Santo Antônio), tido como o “Canteiro da Rosa” (veja AQUI em nota na última Coluna do Herzog desta página).

O grupo e seus seguidores envelheceram; as ideias e métodos dos seus líderes, mais ainda. Não conseguem fazer uma leitura eficiente desses novos tempos, teimam em não se adaptar e acreditam que a repetição do que “sempre deu certo” dará certo sempre. Pecado mortal. Não está dando mais certo. 

Paralelamente, pela primeira vez desde os anos 70, época do bipartidarismo consentido entre Arena x MDB, os Rosados enfrentam uma oposição partidária com o mínimo de organização, quadros e disposição de luta. Seus principais atores pegam o vácuo deixado pela banda de Sandra Rosado, depois que ela virou neorosalbista.

Como não se modernizaram, não se reciclaram, não se oxigenaram e não têm mais o poder de controlar quase tudo nesse espaço, do juiz ao gari, Rosalba e seu rosalbismo entram em parafuso.

“O novo sempre vem”, escreveu o compositor cearense Belchior.

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