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Carlos Augusto se livra de “Ravengar” para ser governador

Carlos assume outro papel por força atávica

O que teria levado o ex-deputado estadual Carlos Augusto de Souza Rosado (DEM) a abandonar sua conhecida discrição, para assumir a delicada posição de “governador de fato” do Rio Grande do Norte? O salto dos bastidores à infantaria aconteceu por quê?

A resposta para essa mudança de 180 graus em seu estilo, que hoje embaraça sua mulher, a governadora de direito Rosalba Ciarlini (DEM), talvez tenha mais explicações psicológicas do que políticas. Mas não estão dissociadas, que se diga.

O comedimento na própria visibilidade pública que Carlos sempre tivera, desde os tempos em que fez nascer – ao lado do jornalista Canindé Queiroz, em 1988, o “fenômeno” Rosalba, a “Rosa”, dissipou-se em poucos meses de governo estadual. Carlos converteu-se – como um mutante – noutro Carlos.

Agora, por sua imprevidência, é obrigado a desencadear uma delicada operação para recauchutar a própria imagem de Rosalba, para lhe devolver ao pedestal de “gestora competente” e proativa. Foi assim que o estado a conheceu nos últimos anos, em campanhas vitoriosas ao Senado e ao Governo do Estado, mesmo que em seu berço político, Mossoró, a cultural local e o faz-de-conta sempre escamoteassem essa “verdade”.

Alter-ego

Carlos sempre foi o alter-ego da prefeita (três vezes) de Mossoró. Sua cabeça. Agora, tinha passado também a ser seu corpo, com despachos diretos com secretários na residência oficial do governo, a voos em aeronaves do Estado, pra lá e para cá, com ou sem a governadora, tratando de assuntos do interesse da gestão estadual.

A “delação” de Carlos Augusto veio pela voz supostamente etílica do ex-secretário-chefe do Gabinete Civil do Estado, Paulo de Tarso Fernandes, que o acusou de governar em nome da mulher. “Foram 10 meses de governo onde todas as decisões do Estado foram do marido da governadora”, declarou. Veja AQUI.

Um pouco antes, ao romper com o governo, o vice-governador Robinson Faria (PSD) já apontava essa distorção, mas sem o peso das palavras de Paulo, que há décadas gozava da amizade muito próxima do casal. O testemunho do ex-secretário virou uma sentença, em vez de murmúrio de um ressentido, tom que pareceu ter o depoimento de Robinson.

Ex-deputado por quatro mandatos, Carlos sempre alimentou o sonho de ser deputado federal, nunca concretizado. Mas foi através de Rosalba, pediatra e mãe de seus quatro filhos, que projetou um sonho atávico que viu começar e ser amputado duramente ainda na infância.

Ele tinha pouco menos de 7 anos (nasceu em 31 de outubro de 1944), quando em 12 de julho de 1951, o seu pai Jerônimo Dix-sept Rosado Maia (nascido em 25 de março de 1911), governador do Estado, eleito em 3 de outubro de 1950, morreu em acidente aéreo. O sinistro aconteceu em Sergipe.

Rosalba é a completude. Mas não é Rosado. Rosado é ele, Carlos. Seu tio, ex-prefeito Dix-huit Rosado, por duas vezes durante o regime militar chegou a ser cotado para governar o Rio Grande do Norte, como governador nomeado. “Forças ocultas” comandadas pelo primo, Tarcísio de Vasconcelos Maia, o alijaram do processo.

Carlos virou governador, como se atendesse a um desgínio divino, pela ascensão da mulher. Um projeto calculado e cartesianamente montado por ele, com ousadia e raro talento político, durante cerca de duas décadas.

Dix-sept: tragédia

No poder, entretanto, parece que ele viu-se afetado por um transtorno dissociativo de personalidade. Deixou de ser o marido-líder e ideólogo da carreira de Rosalba, para praticamente se investir do cargo de governador. É como se pegasse de volta o que o destino sinistramente tirara do pai, no início dos anos 50. Agora ele é o Dix-sept Rosado, governador.

Nas três administrações que Rosalba figurou como prefeita, Mossoró aprendeu a tratar com jocosidade ou respeito em tom de reverência, o papel que Carlos cumpria com denodo: administrar a prefeitura da política à gestão pública.

O escárnio dos primos oposicionistas até lhe imputou a pecha de um conselheiro novelesco, o “Ravengar”, extraído da dramaturgia global: “Que rei sou eu?” AQUI. Astuto, ele não o vomitou. Adotou-o para se tornar um personagem real e quase lendário em Mossoró.

No Governo do Estado, essa personificação carregada de sagacidade deu lugar a outro ser: o próprio Carlos. Ou um Dix-sept Rosado reencarnado. A dupla personalidade expurgou da vida do ex-deputado o irreal Ravengar, pois ele não o tinha mais como necessário, por trás das cortinas.

A personalidade do Ravengar ardiloso, frio e recatado, para não eclipsar a própria imagem construída para a mulher, não existe mais. Ele foi assim no passado e não parecia incomodado como homem e político, mesmo quando pesquisas que encomendava assinalavam que sua exposição, ao lado da “Rosa”, tirava votos dela.

O Carlos Augusto, governador, passa a sofrer as consequências danosas dessa personificação do governo, num momento em que a gestão estadual vive profundo desgaste. Por isso, que nos últimos dias a ordem é pulverizar a imagem de Rosalba em poses como gestora. São centenas de fotos dela no gabinete de trabalho, comandando reuniões, liderando.

Regressão

Ao mesmo tempo, ninguém espere que Carlos passe por algum tipo de dissociação do poder. Isso não ocorrerá. Mas é óbvio que precisará recuar, num exercício de regressão política e psíquica – a um passado mais próximo, em que era o todo-poderoso sem holofotes. Brilhava até muito mais, sem sair nas fotos.

O pecado que Carlos cometeu é o mesmo que seu primo Gustavo Rosado (PV), prefeito de fato de Mossoró, assumiu publicamente desde os primeiros dias das gestões da irmã, a prefeita de direito Fátima Rosado (DEM), a “Fafá”. A diferença, é que Gustavo pelo menos tem portaria à formalização de cargo como chefe de Gabinete, para se sentir autorizado a mandar no lugar da mana que na maioria dos casos apenas aparece para fotos e assinar documentos.

O recato de Carlos, aliado à sua engenhosidade e arrojo, é que levou Rosalba a ser o que é, fazendo-o se realizar através dela, como político. A mudança de modus operandi, pode gerar efeito diametralmente oposto.

Carlos, com Henrique Alves e Agripino, em Brasília, como "governador"

Em Mossoró, por exemplo, Gustavo passou praticamente sete anos com a irmã enclausurada no próprio gabinete, como se fora uma condenada ao esquecimento. Em parte, esse abuso, ajudou o governo a viver níveis de enorme antipatia popular. Quando Fafá passou a fazer o que gosta e ser o que é, naturalmente, espontânea e carismática, o governo reduziu seu desgaste.

A vaidade do irmão que nunca se destacara em nada na vida, apenas montara um boteco e uma butique quando mais jovem, levando ambos à falência, puxou para baixo Fafá e o governo. Agora, pouco menos de dois anos para acabar seu ciclo, percebe que a estrela é ela e não ele.

Carlos e Gustavo são bem diferentes na arte da política. O primeiro chega a ser genial; o outro, babaquara deslumbrado com o poder episódico que nunca tivera.

Mas, nesse momento, Carlos Augusto de Souza Rosado nivela-se com o primo: a vaidade e essa força inconsciente, do passado, deixam em xeque o próprio império que nasceu de seu cérebro privilegiado.

Paulo de Tarso diz que Rosalba não é a governadora de fato

O blog mais acessado do Rio Grande do Norte, da jornalista Thaísa Galvão, apresenta algumas postagens neste sábado, em sequência, com declarações insuspeitas. São do ex-secretário-chefe do Gabinete Civil do Estado, advogado Paulo de Tarso Fernandes.

Abaixo estão os principais trechos de sua fala e das postagens. É uma radiografia do poder constituído e encetado no Rio Grande do Norte, revelado por quem o viveu até poucas horas e era um de seus expoentes.

Não estamos diante de afirmações rancorosas ou ilações de um adversário, de alguém sem qualificação ou ressentido político. É de um homem que os próprios donos do poder reputam como uma referência e ajudou sobremodo a levar a ex-prefeita mossoroense Rosalba Ciarlini (DEM) ao governo do Estado, ao lado do seu marido – ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado (DEM).

Paulo estimulou Robinson a ser vice de Rosalba e agora viu que cometera grande erro

Motivo de sua saída

“Saio em solidariedade ao vice-governador Robinson Faria. Eu não sou nada. Não sou homem público. E a minha solidariedade é com o vice-governador Robinson Faria. Porque quem quiser que ache grave, mas eu considero o que está acontecendo, gravíssimo”.

Veto ao retorno de Robinson a Recursos Hídricos

Segundo Paulo, foram 3 tentativas, onde ele tentou oficializar a nova nomeação de Robinson.

“Primeiro fui à governadora e ela me disse que eu resolvesse com Carlos Augusto. Fui a ele e ele me falou: você não tem uma viagem a Brasília? Vá e volte porque isso não é prioridade”, contou Paulo de Tarso, que foi a Brasília num bate-volta que saiu de Natal às 3 da tarde e deixou Brasília às 9 da noite.

“Quando voltei falei de novo com o deputado Carlos Augusto e ele me disse: ‘Esse assunto não tem pressa. O vice-governador foi à minha cidade (Mossoró) e fez 3 discursos contra a minha mulher. Minha mulher foi para os Estados Unidos e ele foi pra rua humilhar a governadora”…

Segundo Paulo, o telefonema a Carlos Augusto teve 3 testemunhas, entre elas o adjunto da Casa Civil, Francisco Carvalho e o secretário da Copa e titular do DER, Demétrio Torres.

Paulo de Tarso contou que se deu um prazo: se até ontem, às 4 da tarde, a nomeação de Robinson não fosse oficializada, o vice-governador poderia até ficar, mas ele deixaria o governo.

Garantia a Robinson Faria

A decisão de Paulo, se antecipando a Robinson, tem um motivo: o ex-chefe da Casa Civil foi quem deu garantias ao vice-governador para que ele deixasse o grupo da ex-governadora Wilma de Faria, declinasse de apoiar a candidatura do ex-governador Iberê Ferreira de Souza, e fosse integrar o grupo liderado pelo senador José Agripino Maia, compondo a chapa articulada pelo democrata-articulador Carlos Augusto.

Sentindo-se avalista sem prestígio, Paulo decidiu sair, afirmando repetidamente: “em solidariedade ao vice-governador Robinson Faria”.

Demissão

O ex-chefe da Casa Civil Paulo de Tarso Fernandes não escreveu uma carta de demissão. Segundo contou ao Blog, escreveu poucas linhas, muito mais um comunicado à governadora sobre sua saída.

Ficou em casa ontem durante o dia inteiro, e dentro do prazo dado a ele mesmo, das 4 da tarde, diante da não confirmação da nomeação do vice-governador como secretário de Recursos Hídricos, enviou o comunicado para a Casa Civil.

Segundo Paulo, o comunicado foi entregue ao adjunto da pasta, Francisco Carvalho, que teria informado à governadora, e dito a PTF que a governadora teria ficado surpresa.

“Aí eu tomei a decisão de telefonar para a governadora e comunicar minha decisão. Conversamos longamente”.

Oposição das ruas

“Eu disse a ela que a oposição ao governo não está mais na Assembleia. Está nas ruas. A oposição é o povo, é o funcionalismo, é o sindicalismo”, declarou Paulo de Tarso, que numa conversa dura com a governadora Rosalba, chegou a definir a gestão de 10 meses como sem sucesso.

Injustiça contra servidor

“Eu disse a ela que é por essas e outras que o governo está aos frangalhos. Que a gente critica os governos de Wilma e Iberê, mas a gente não tem condições sequer de sanar as contas do governo. A gente não tem condições sequer de acertar”, revelou Paulo de Tarso Fernandes, que à minha pergunta sobre o crescimento da arrecadação, disse não entender como, apesar do registro do crescimento da arrecadação, o governo não tem como botar as contas em dia.

“Não é justo que a gente tire dos servidores, aperte daqui e dali e não consiga acertar”, afirmou Paulo.

Assinatura de empréstimo aumentou estresse

Para a não-nomeação do vice-governador Robinson Faria ao cargo de secretário de Recursos Hídricos, o ex-chefe da Casa Civil, Paulo de Tarso Fernandes, revelou outro possível motivo que fez com que o ex-deputado Carlos Augusto Rosado tivesse optado por não nomear mais o vice: a sanção da Lei do Empréstimo, assinada por Robinson no exercício do governo, durante viagem da governadora Rosalba Ciarlini aos Estados Unidos.

Aprovado pela Assembleia o pedido de empréstimo, o então governador foi à Assembleia para sancionar a Lei diante dos deputados.

Tudo devidamente combinado com a governadora titular, como revelou o ex-chefe da Casa Civil, Paulo de Tarso Fernandes.

“Falei com ela pelo telefone em Nova York e ela me disse que Robinson podia sancionar. Quando falei com o deputado (Carlos Augusto) ele me disse que eu trancasse a lei na gaveta e não entregasse. Dissesse que a lei estava em qualquer lugar. Em Tibau ou em qualquer lugar. Mas aí o governador era Robinson e a governadora Rosalba estava sabendo, não havia nada que ela não soubesse, então decidi não atender ao deputado”, disse Paulo de Tarso.

Ricardo Motta foi “peitado” para constranger Robinson

Segundo Paulo de Tarso, Carlos Augusto Rosado também teria ligado para o presidente da Assembleia, deputado Ricardo Motta (PMN), e pedido que ele não entregasse a Lei a Robinson para ele sancionar. Segundo Paulo, Motta também teria dito que não iria atender o pedido de Carlos, que estava em um SPA na praia de Rio do Fogo durante a viagem da esposa-governadora aos Estados Unidos.

Carlos é o governador de fato

“Foram 10 meses de governo onde todas as decisões do Estado foram do marido da governadora”, declarou Paulo de Tarso na mesa com testemunhas, onde o discurso foi, o tempo inteiro, alinhavado por afirmações como “não estou pedindo off porque tudo o que estou dizendo eu disse tanto à governadora Rosalba quanto ao deputado Carlos Augusto. São assuntos públicos que não têm porque serem escondidos”…

Governo “funciona” em casa e não na Governadoria

Paulo reclamou que, por causa da interferência familiar, a governadora tem trocado seu gabinete na Governadoria pelos terraços de sua casa.

Carlos e Robinson, campanha-2010, em São Miguel: racha certo

“Ela despacha em casa. Governa de casa. Mas o lugar do governador é no gabinete. Até porque um deputado, um prefeito ou um secretário que quiser falar com a governadora não vai para a casa dela sem ser chamado, mas na Governadoria ele chega. Eu mesmo como chefe da Casa Civil só ia quando era chamado”, revelou Paulo, afirmando que a opção pela residência oficial se dava pelo fato de, na Governadoria, não ter como o ex-deputado Carlos Augusto participar das decisões.

Nota do Blog do Carlos Santos – Boa parte dos webleitores potiguares que lê este material deve ficar perplexo.

Eu, não.

Em três mandatos de prefeita de Mossoró, Rosalba sempre foi o estandarte, a “imagem” no andor, o produto de marketing feito laboratorialmente.

Carlos sempre foi o governante de fato. Tinha uma sala contígua à da prefeita de direito, no Palácio da Resistência, sede do governo, em que despachava com secretários e outras pessoas.

Cabia a Rosalba assinar o que ele instruía, aprovava ou reprovava. Normalmente, sem sequer olhar o que estava assinando.

Qualquer pessoa medianamente bem-informada em Mossoró, sabe disso.

O RN, em boa parte, descobre agora. E aqui não existe qualquer excesso. Eis o próprio Paulo de Tarso, saído da “barriga” do próprio governo, dando detalhes, esmiuçando esse “fenômeno”.

Depois o Blog focalizará os últimos acontecimentos, em material analítico e com informções reveladoras de bastidores.

Multidão, sem rumo, faz imprevisível sucessão em Mossoró

"Fafá", quase sumindo, vê sucessão com maioria atordoada

O que os números da pesquisa Consult/Blog do Carlos Santos revelam de mais interessante? O que as entrelinhas sinalizam e exigem de nós, maior atenção, ao seu entendimento?

Como toda e qualquer pesquisa de opinião pública, sobre cenário político-eleitoral, essa sondagem realizada entre os dias 09 e 10 deste mês em Mossoró, pelo Instituto Consult de Natal (no mercado desde 1987), também produz diversas interpretações. Opiniões podem ser produzidas aos borbotões e para todos os gostos, com passionalidade ou não.

O cabedal de informações obtidas, ouvindo-se 600 pessoas, é extremamente interessante porque oferece a pouco mais de um ano das eleições municipais de Mossoró, uma ideia da complexidade da disputa que se aproxima. Existem muito mais interrogações do que certezas.

Uma certeza inquestionável?

O eleitor mossoroense anda em círculos, previne-se e aposta na melhor observação do quadro em movimento, para tomar uma posição mais firme. Se ele tem dúvidas, elas são alimentadas pela própria classe política, que está em convulsão. Também anda em círculos.

Apenas 17,83% dos eleitores têm preferência de nomes entre os que vêm à sua memória, conforme a pesquisa no ítem “Espontâneo”. Os “Indecisos” chegaram a 78,67%, além de 3,50% que não querem “Nenhum”.

Para simplificar como a disputa está aberta, sem favorito, é só simplificarmos: em cada 100 eleitores, apenas “quase” 18 manifestam preferência por essa ou aquela opção.

Esses números já foram menos alarmantes. Aumentaram vertiginosamente em sete meses, tempo que separa essa pesquisa da anterior do mesmo Instituto Consult, ocorrida entre os dias 12 e 14 de fevereiro último. Os indecisos eram 51,83%. Saltaram para 78,67%, ou seja, um aumento de 26,84%.

Ocorre um fenômeno: à medida que a campanha se aproxima, aumentam as dúvidas. E são dúvidas coerentes do eleitor, pois veja só mais um detalhe. Atente bem. Na pesquisa de fevereiro, o mossoroense citou 22 opções na “Espontânea” a prefeito. Agora, apenas 11. O próprio eleitor depurou suas escolhas, mas mesmo assim suas dúvidas se alargaram.

Na “Estimulada”, quando o eleitor tem opções apresentadas, há confirmação desse atordoamento. Os indecisos saíram de 6,33%  para R$ 18,83%. Houve uma triplicação.

Larissa: sinal amarelo

Larissa Rosado

A deputada estadual Larissa Rosado (PSB), praticamente posta à concorrência à prefeitura pela terceira vez consecutiva, desde as eleições de 2008, ganhou nutrientes nos sete meses de uma pesquisa para outra. Mas não tem muito o que comemorar. “Abra do olho”, diria uma expressão popular.

A atenção redobrada deriva justamente da dilatação espantosa dos indecisos.

Na Espontânea, por exemplo, ela caiu 3,60%.  Saiu de 12,17 para o recúo de 9,67%. Já na Estimulada ganhou 6%, ao saltar de 29,33% para 33,33%.

Quanto à “Rejeição”, aí o sinal amarelo é aceso. Tem 9%. Só fica atrás do histriônico Miguel Mossoró (PTC), que empina 13,83%.

Outro aspecto que os números não mostram, é o distanciamento do PT do seu arco de alianças. O partido ofertou-lhe o vice (Tércio Pereira) em 2008, mas deve marchar em faixa própria outra vez em 2012. Tende a lhe causar alguma anemia eleitoral. A profundidade dessa suposta desnutrição é impossível de ser estimada agora. E, além disso, é uma conjectura.

Governismo

Chico da Prefeitura (DEM), pré-candidato ligado ao grupo governista, que aparece em melhor performance na Estimulada, subiu 2,67% (de 14,50% para 17,50%), mas é na Espontânea que revela estar – provavelmente – em seu limite pessoal. Em fevereiro tinha 3% na Espontânea e agora caiu para 1,67%.

Cláudia: nome de Fafá e Rosalba?

Cláudia Regina (DEM), vereadora como Chico e integrante também do governismo, apresentou oscilação nos dois quesitos, mas ganhou ânimo num aspecto “qualitativo”: é a preferida do eleitorado que vota no governo, quando existe a soma de apoio da governadora Rosalba Ciarlini (DEM) e da prefeita de direito Fátima Rosado (DEM). Alcançou 23,67%.

Ela empalma 13,17% na Espontânea de fevereiro, ficando agora com 11,6%.

Sua rejeição também está num patamar menor do que Larissa, com 4%. Chico da Prefeitura, é verdade, tem menos: 2,17%.

Ruth Ciarlini (DEM), vice-prefeita, enfrenta uma corrida de obstáculos ainda mais complicada. Caiu na Estimulada (de 8,33% para 6,33%), não avançou na Espontânea (2,67% para 1,33%) e é o terceiro nome mais rejeitado (7,17%, atrás de Miguel Mossoró com 13,83% e Larissa com 9%).

Fora do que os números mostram, que tem relação direta com a vontade popular, há o agravante das dificuldades políticas no governo: ela precisa que a prefeita de direito, Fátima Rosado (DEM), a “Fafá”, renuncie. Só assim estará habilitada a ser candidata.

Governo X Oposição

A pesquisa, atual, também ajuda a desmitificar uma ilusão muito comum entre leigos e passionais que gostam de ver esse tipo de trabalho conforme sua vontade e não com base no que os números apontam. O fato de existir uma série de pré-candidatos ligados a um mesmo sistema, não significa dizer que todos se somem quando for escolhido apenas um.

A prova disso é que na primeira pesquisa, na Estimulada, fevereiro, o deputado federal Betinho Rosado (DEM), ex-deputado estadual Francisco José (PMN) e deputado estadual Leonardo Nogueira (DEM), afinados com o governismo municipal, somaram 14,50% de intenções de votos. Nessa pesquisa nova, seus nomes foram retirados e os “votos” não migraram para os que ficaram, como Chico da Prefeitura, Cláudia Regina, Alex Moacir (PMDB), Kátia Pinto (DEM), Ruth Ciarlini (DEM) e Chico Carlos (PV).

Nessa sondagem de setembro, o “pipoco” foi no percentual de indecisos (aumentou 26,84%). Ruth Ciarlini, vice-prefeita, por exemplo, perdeu fôlego na Estimulada. Desceu de 8,33% para 6,33%; Cláudia Regina deixou os 13,17% por 11,67%.

O todo-poderoso secretário da Cidadania, Chico Carlos, conseguiu a proeza de ficar “atolado” no microscópico índice de 0,67% nos dois levantamentos da Estimulada e 0,17% na Espontânea. Descobre que o poder não pode tudo.

Somente Chico da Prefeitura  teve “engorda” tímida.

Se formos somar as intenções de votos dos pré-candidatos governistas contra os oposicionistas (Larissa, Miguel Mossoró e Josivan Barbosa-PT), nessa pesquisa recente, há um empate praticamente numérico. O “time” de pré-candidatos governistas acumulam 36,34% de intenções de voto e a oposição com 36,16%. “Pau a pau”, como se fala na linguagem popular.

Cadê a soma, a pura transferência de votos num mesmo grupo? Ela não existe como fundamento matemático, cartesiano, quando tratamos de política, de eleições.  Bobagem de quem pensar diferente. É querer enganar ou se enganar, o que é mais grave.

Fator Josivan

Josivan em faixa própria ( Cézar Alves)

O pré-candidato do PT à Prefeitura de Mossoró, reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA), professor Josivan Barbosa, pela primeira vez é incluído em pesquisa de divulgação pública. Está na “mídia” há pouco mais de 40 dias, como tal.

Na pergunta “Espontânea” ele apareceu com 0,33%. Em fevereiro fora citado por  0,17%. Na “Estimulada”, há sete meses, ele não fora incluído. Agora, aparece com 1,33%. Sua “Rejeição” é de 2,67%.

É  um nome que já sinaliza para a vida, no campo eleitoral, com tendência a se capitalizar com o que historicamente o PT tem para si e pode crescer sobremodo entre jovens e classes média e alta, num primeiro momento. Chegar na periferia é outro problema, em face do enraizamento do clientelismo e assistencialismo político-cultural.

Enfim, todo e qualquer futuro candidato, grupo, partido e coligação que se cuidem. O prélio de 2012 avizinha-se diferente de tudo que tivemos até o momento. Pelo menos a essa distância, é essa a visão que temos.

“Xis” da questão

Interessante que todos fiquem atentos aos 7.400 (4%) votos nulos do pleito de 2008. Não deixem de perscrutar os 3.678 (2%), além das 18.701 abstenções. Também Bote na conta de análises, os 11.306 (9%) de votos dados ao candidato oposicionista Renato Fernandes (PR) e 400 para Heronildes da Silva (PRTB).

Só para ajudar nesse quebra-cabeça: a maioria de Fafá sobre Larissa, em 2008, foi de 19.180 votos. As abstenções, na mesma eleição, chegaram a 18.701. Ou seja, os eleitores que deixaram de comparecer às secções eleitorais foram apenas 479 a menos do que a vantagem da prefeita reeleita sobre a segunda colocada.

A sorte está lançada. Hoje, sem vencidos ou vencedores.

Sucessão natalense é uma “gororoba” de efeito insondável

A sucessão da prefeita de Natal, Micarla de Sousa (PV), é um dos quadros mais confusos e repleto de variáveis, que a política da capital já experimentou em décadas. Pode tudo. Nada é impossível.

Rosalba, com Carlos Eduardo ao fundo, pode tê-lo como aliado. Ou não.

Com um governo extremamente desgastado, Micarla não é vista como nome forte à própria sucessão, ou seja, a um projeto de reeleição. No grupo governista estadual, que costuma ter peso considerável em eleições em Natal, o cenário também não é dos melhores em termos de prestígio popular.

A governadora Rosalba Ciarlini (DEM), depois de ser a mais votada para o Senado em 2006 e ao Governo do Estado em 2010, aparece em declínio vertiginoso em termos de avaliação de governo. Qualquer pesquisa mostra esse quadro.

Mas basta um passeio comum por qualquer ponto de concentração humana da capital, para se identificar essa situação, sem necessidade de aferição científica. O Governo do Estado já tem problemas demais.

Nesse ambiente em que as maiores forças institucionais, no estado, estão fragilizadas, a própria união de Micarla e Rosalba não está descartada. Nos últimos dias, declarações de porta-vozes do governo estadual alimentaram essa hipótese. Um “balão-de-ensaio” ou apenas um “me engana que eu gosto”, segurando a prefeita em suas esperanças de receber reforço à própria reeleição.

Na verdade, o grupo da governadora não tem candidato próprio à Prefeitura do Natal. Ninguém. Aspira pegar embalo e conseguir esse feito, por tabela, na aposta de um nome que tenha condições de vitória.

Para arrimar a tese de que a sucessão natalense pode tudo ou quase tudo, não se descarte a possibilidade de apoio ao pedetista e ex-prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT), via influência familiar através do PMDB do ministro e senador Garibaldi Filho (PMDB).

Contabilize-se ainda, a influência do deputado federal Henrique Alves (PMDB), que declarou empenho em “ajudar” o governo da “Rosa”, desinteressadamente. Por vocação pública, digamos.

Primos de Carlos Eduardo, mesmo que em partidos distintos, os peemedebistas Garibaldi e Henrique atrairiam o ex-prefeito para ser também o candidato de Rosalba. Uma forma de distanciá-lo por completo da ex-governadora e também ex-prefeita Wilma de Faria (PSB).

Reflexos

Qualquer pessoa medianamente atenta à política natalense sabe: hoje, a composição entre Carlos e Wilma praticamente nomearia o ex-prefeito para retorno à Prefeitura do Natal. Uma união com reflexos diretos nas eleições de 2014, em que Rosalba deve tentar a reeleição e Henrique aspira uma vaga ao Senado. Garibaldi projetaria o filho, deputado estadual Walter Alves (PMDB), à Câmara Federal.

Nesse jogo de interesses, há pouco espaço para outros atores coadjuvantes. É o caso do deputado federal Rogério Marinho (PSDB), que faz um esforço sobre-humano para ser adotado por Rosalba e pelo ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado (DEM), marido da governante e seu mentor político.

A aspiração de Rogério depende do casal. Ele só é deputado porque Betinho Rosado (DEM), titular do mandato, cunhado de Rosalba e irmão de Carlos, foi convocado para a Secretaria Estadual da Agricultura.

Carlos só aposta em Rogério se não aparecer outra alternativa mais viável

Ninguém esqueça, nesse enredo, o vice-governador Robinson Faria (PMN), sitiado pelo casal Carlos-Rosalba. Claro que ele não vai ficar de braços cruzados, assistindo a tudo passivamente. Nem pretende meter a mão na mesa e ofertar argumentos para ser enxotado oficialmente.

Robinson já entregou ao deputado estadual Agnelo Alves (PDT), pai de Carlos Eduardo Alves, o controle do nascente PSD, em Parnamirim, principal reduto do parlamentar.

Ao mesmo tempo, com o PSD, que deverá ser o terceiro maior partido da base da presidente Dilma Roussef (PT), o vice-governador ganha passaporte direto à sombra do governo, ao contrário de Rosalba que precisa de intermediários. Outro complicador para a governadora, é que o senador José Agripino (DEM), presidente do seu partido, é o mais feroz adversário da presidente no Congresso Nacional.

Robinson, Wilma e Carlos Eduardo Alves, na esfera nacional, são da base de Dilma Roussef. Só para lembrar. Rosalba, não. Rogério Marinho, também não. Micarla só chega lá pelas mãos de Henrique Alves. O PT tem acesso livre e deve ter postulação própria à prefeitura.

Com o fim do bipartidarismo, o desmanche das correntes “verde” e “encarnada”, o desaparecimento das grandes lideranças populares e a confusão para se identificar quem é oposição e governo, é difícil se fazer previsão para a corrida sucessória em Natal.

Está tudo junto e misturado. Dessa “gororoba” pode sair qualquer coisa, com qualquer cara. E no caso específico do governismo estadual, não fazer o prefeito de Natal pode causar estrago ainda maior em seus planos políticos. Administrativamente, o degaste anda rápido e corrosivo.

Livro é bem recebido por público diversificado em Natal

O “Só Rindo 2 – A política do bom humor do palanque aos bastidores” desembarcou em Natal. Sem estardalhaço, mas com firmeza. Com a receptividade de xarias e canguleiros, além da colônia mossoroense e de outras cidades, residente na capital.

O lançamento deste segundo livro do editor deste Blog, Carlos Santos, aconteceu nessa quinta-feira (25), às 19h, no restaurante La Tavola, no coração do charmoso bairro Petrópolis.

Jornalistas, advogados, políticos, escritores e outros segmentos sociais prestigiaram o acontecimento, que foi concluído próximo das 23h.

Autor faz a fila andar; autografa para ex-secretário Leonardo Arruda (Foto Márlio Forte)

“Seu livro também é uma forma de reencontro”, mediu o engenheiro civil Carlos Alberto Lopes, de origem mossoroense, mas há alguns anos residindo na capital.

Para o deputado estadual Walter Alves (PMDB), que representou ainda seu pai, o ministro e senador Garibaldi Filho (PMDB), o conteúdo do livro que folheara, era a garantia de leitura prazerosa.

A mesma opinião foi do publicitário Tertuliano Pinheiro – titular da pasta do Turismo na Prefeitura do Natal. “Já sei o que fazer no final de semana”, assinalou.

A publicação é uma coletânea de histórias hilariantes que envolvem políticos e outras pessoas que povoam o universo da atividade pública. São micos, disparates e tiradas inteligentes que dão a pitada de bom humor a cada uma das 160 histórias. As situações narradas são atemporais, ocorridas em tempos distintos e que sobreviviam pela cultural oral, agora documentada em livro.

– Eu disse que viria; estou aqui para prestigiá-lo – alardeou o jornalista Vicente Serejo do Jornal de Hoje.

Poeta consagrado e visto como uma de nossas melhores expressões no gênero, Paulo de Tarso Correia de Melo também aterrissou no lançamento. Fez-se acompanhar dos também escritores Chico Rodrigues, Clauder Arcanjo e David Leite. “Quero que você faça uma dedicatória com o bom humor que já vi”, pediu. “Como um escritor ‘mundialmente desconhecido’, como você mesmo diz”, completou sorrindo.

Deputados Hermano Morais e Walter Alves com o Só Rindo 2 (Foto Márlio Forte)

A ex-governadora Wilma de Faria (PSB) foi uma das primeiras a chegar ao La Tavola. Aproveitou para cumprimentar os presentes, além de conversar com jornalistas e outros interlocutores. Sobrou oportunidade ainda para ser clicada por várias lentes, em conversa amistosa com o ex-prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT), que fora seu vice na eleição de 2000 e depois prefeito, apoiado por ela.

– Tenho certeza que vou me divertir muito com seu livro; você merece esse sucesso pela coragem de dizer o que pensa, mesmo que por vezes não agrade – comentou Wilma de Faria.

A noite também foi de música. O grupo “Flor de Manga” encantou os circunstantes com repertório de clássicos da MPB e composições suas, com afinação e simetria entre voz e instrumento. “Espetacular”, avaliou o escritor, professor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Governo do Estado, Honório de Medeiros. Ele assina prefácio do livro.

Túlio Lemos (centro) ouve Ricardo Rosado e Jânio Vidal (Foto Márlio Forte)

Numa noite de autógrafos, de um livro ambientado na política, mas tendo como insumo básico o humor, não podiam faltar casos e mais casos que podem ser incluído em futuras publicações. O autor ouviu vários. Entretanto o mais inusitado foi um pedido do ex-juiz de Direito em Mossoró, Francisco Pinto.

Além do seu exemplar, ele adquiriu outro dedicado a Delúbio Soares (petista que surgiu em meio ao chamado escândalo do Mensalão no Governo Lula).

– É que ele é muito amigo de Mário Rosado (ex-deputado federal filho do falecido prefeito mossoroense Dix-huit Rosado). Mário pediu o livro para presenteá-lo – justificou “Chico” Pinto, com a primazia de ser o primeiro autógrafo da noite.

O Só Rindo já fora lançado antes em Mossoró, Areia Branca e Apodi.

No próximo mês será lançado dentro da programação do “Cariri Cangaço” que ocorre a partir das cidades de Crato e Juazeiro, evento de repercussão nacional. Há perspectiva ainda de igual iniciativa no Rio de Janeiro (RJ), no mês de outubro deste ano.

VEJA ABAIXO A GALERIA DE FOTOS (Clique sobre imagem para ver álbum completo)

Alves e Maia tentam manter “seleção natural” em vigor

Henrique (centro), em pose de "senador", atende a Carlos e Agripino

O que está por trás da fina sintonia que se estreita entre o DEM e o PMDB no Rio Grande do Norte? Quais suas consequências? Que efeitos colaterais podem surgir dessa hipotética ou iminente composição? Essas são perguntas fundamentais, na política contemporânea potiguar.

O almoço que reuniu na quarta-feira (10), em Brasília, os primos senador-ministro Garibaldi Filho (PMDB) e deputado federal Henrique Alves (PMDB), com os primos senador José Agripino (DEM) e ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado (DEM), efusivamente divulgado pelas assessorias dos protagonistas, conseguiu seu primeiro objetivo: causou impacto.

Provoca não apenas uma marolinha, mas uma série de círculos concêntricos que podem formar uma tisunami. Os quatro, obviamente, não tinham qualquer interesse em se esconder ou camuflar o encontro. Tiveram apenas o cuidado de vender um álibi fajuto: estavam discutindo temas do interesse do Rio Grande do Norte no Congresso Nacional. Ah, tá.

A versão não cabe na série “me engana que eu gosto”, porque não mexe com amadores nos subterrâneos da política nativa. Nesse enredo, não há inocentes ou babaquaras. Todos são “escolados” na arte da política, onde a dissimulação, como diria o cardeal italiano Jules Mazarin, é arma imprescindível

Estão à mesa vários interesses que se conciliam e certas diferenças que precisam ser podadas.

Abraçados

Esses líderes políticos, na verdade, esperneiam diante de outra nova ameaça ao desmanche do modelo político que há décadas perdura no Rio Grande do Norte, feito por um restrito “clube fechado”. Num passado não muito remoto, Wilma de Faria (PSB) foi o problema, que levou Alves e Maia a uma espécie de “join-venture” (acordo de ocasião, para fim específico), nas eleições de 2006, para derrotá-la. Caíram abraçados.

Agora, é o vice-governador Robinson Faria (PMN) que cria dificuldades, querendo ir pro andar de cima, para enxerga a planície potiguar do alto, na colina do poder.

Alves e Maias repetem a essência da chamada “Paz Pública” de 1978, quando o ex-governador Aluízio Alves, ainda cassado pelo regime militar, fez um acordão com os Maia, que o perseguiam, para a eleição de Jessé Freire ao Senado, em detrimento do empresário Radir Pereira, do MDB (sigla de seus aliados).

Agora, os dois clãs tentam, uma troca de favores que os mantenham fortalecidos e exorcizem Robinson.

Garibaldi, já firmara uma aliança pessoal com o DEM de Agripino e da governadora Rosalba Ciarlini (DEM), mulher de Carlos, quando marchou com ela na campanha de 2006, ele derrotado ao governo por Wilma, mas com força para puxá-la ao Senado . De lá para cá, a afinação só aumentou.

Com Henrique é diferente. Ele é a porta de entrada do governo rosabista no Palácio do Planalto, pela liderança que exerce na Câmara Federal e acesso direto a presidente Dilma Roussef (PT).

Sua contrapartida é ter o DEM aplainando caminho para realizar o sonho de ser eleito ao Senado em 2014, empalmando a única vaga a ser colocada em jogo.

Robinson e Rosalba, o poder em duas vias

Agripino e Carlos têm aspirações praticamente iguais. Praticamente. Agripino, artífice dessa coalizão, reaparece no governo de Rosalba, para voltar a influir. Até aqui vinha sendo um qualquer. Ou nem isso. Carlos, que é o ideólogo e cabeça pensante do governismo, necessita de suporte à sua condução, que passa pela via do PMDB unido com Henrique e Garibaldi a apoiá-lo.

Ao mesmo tempo, Carlos Augusto Rosado procura frear o ímpeto de Robinson, que em sua ousadia e frieza, atua como um governante paralelo, autônomo, que sustenta projeto próprio de chegar ao Senado.

Garibaldi, puxando Henrique pelo braço à companhia de Rosalba, aumenta seu próprio cacife.

Eminência parda

Está tudo muito bom, está tudo muito bem, mas realmente é importante perguntar: e Robinson? Já combinaram tudo com o povo e outras forças políticas excluídas ou vitimadas por esses superpoderes concentrados?

Robinson, bem antes, começara aproximação com o PDT do  ex-prefeito Carlos Eduardo Alves e com o destemor de um panzer alemão, avançou em várias frentes, reforçando seu capital político no também no interior. Além disso, é a “eminência parda” até hoje, na Assembleia Legislativa. Tem voz ativa, sem aparecer.

Não se deixemos fora dessa engrenagem, a própria ex-governadora Wilma de Faria (PSB), que teoricamente fragilizada, pode ser içada pelo próprio Robinson. Aí existiria um escambo: um serviria aos propósitos do outro.

Significativo, ainda, perguntar que visão tem o Palácio do Planalto dessa bigamia política esdrúxula do PMDB de Henrique com Rosalba e Dilma. Em 2014, Henrique candidato ao Senado e Dilma provavelmente à reeleição, terão palanques comuns no Rio Grande do Norte, numa miscelânea improvável com PT e DEM?

O grande segredo da sobrevivência no ambiente politico, é a lógica da biologia sob a visão de Charles Darwin. Nesse ecossistema, o mais forte é o que melhor se adapta às circunstâncias e à atmosfera adversas.

Daí, a seleção natural que faz de uns predadores implacáveis; outros, somente presas indefesas.

PT tem chance de sair dos escombros em Mossoró

A costura política que caminha para transformar um projeto pessoal, numa aposta partidária, na sucessão mossoroense, através do professor Josivan Bezerra, pode gerar várias consequências. É o fato novo da política paroquial.

Josivan desembarcou há poucos dias no PT, apresentando-se logo como pré-candidato a prefeito. Apesar dos naturais questionamentos internos e seu assembleísmo inato, o partido deve confirmar sua postulação. A situação atípica, nesse caso, não deriva tão somente da projeção particular do eventual candidato.

Josivan é a chance do PT reordenar seu foco (Foto: Cézar Alves)

O professor Josivan, reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA), é a oportunidade que o PT de Mossoró tem de se reoxigenar, passar uma borracha no passado recente e calibrar discurso. Chance de sair dos próprios escombros em que está soterrado há algum tempo, sem sequer possuir um vereador na cidade e ter apagada presença política.

A opção por candidatura própria, como nas eleições de 1982, 1988, 1992, 1996, 2000 e 2004, quando sempre teve presença eleitoral discreta, ou em alguns casos até apagada, dá ao PT os meios para recomeçar. Em 2008, o partido foi praticamente “arrendado” pelo PSB do grupo da deputada federal Sandra Rosado, para servir de arrimo à candidatura à prefeitura da deputada estadual Larissa Rosado (PSB), graças a marca Lula, carregada pelo petismo.

Em relação a 2012, há interesse do PSB em insistir na composição. A chegada de Josivan, por exemplo, viria a calhar. Um nome a vice à medida do aspirado por essa banda do clã Rosado, para enfrentar o DEM da prefeita de direito Fátima Rosado (DEM), a “Fafá”.

Entretanto é muito pouco provável, quase impossível mesmo, que o reitor da Ufersa deixe a confortável posição gestora-acadêmica, onde tem reeleição viável, para ser penduricalho. Esse papel que coube ao petista Tércio Pereira em 2008, vice de Larissa, não se encaixa no perfil de Josivan.

Existe também a própria vontade de fora para dentro, com peso da hierarquia partidária, para o PT voltar marchar em faixa própria, entre os gigantes dos Rosado, que são governo e oposição em Mossoró. O reitor não será apenas um candidato chancelado pelo diretório municipal. Tende a ser candidato do próprio Planalto.

Esvaziamento

Com uma costura que pode atrair alguns partidos da base aliada da presidente Dilma Roussef (PT), como PR e PCdoB, o petismo mossoroense visa abocanhar uma fatia considerável do eleitorado local. É aquela multidão que costuma ficar distante das forças tradicionais, manifestando sua insatisfação de várias formas: da abstenção ao voto em qualquer candidato não-Rosado.

Larissa e Tércio, em 2008, somaram

Para se ter uma ideia da “bolha” de votos sem dono em Mossoró, em 2008 houve registro de 18.701 eleitores que se abstiveram de ir às urnas. Multidão capaz de decidir um pleito. Prova disso é que a maioria da vencedora, a prefeita reeleita Fafá Rosado, sobre Larissa Rosado, foi de 19.180 votos. Ou seja, apenas 479 votos a mais das abstenções.

E a candidata à nova tentativa de chegar à prefeitura, deputada Larissa, que trate de se mexer. O afastamento do PT do centro de gravidade do PSB, além de dificuldade de atrair siglas de alguma representatividade, pode dilapidar seu capital de intenções de voto.

Essa “erosão” tende a ocorrer até mesmo antes de atingirmos o período de convenções e campanha. As peças, em movimento, isolam-na gradativamente.

A visão preliminar, dessa lonjura ainda da campanha de 2012, é que o PT está no jogo, com uma engrenagem capaz de mexer com a sucessão mossoroense.

Tem chance de vencer? É possível, sem que pareça provável, por enquanto. Mas acima de tudo, há meios para marcar posição e oferecer finalmente um projeto alternativo a uma cidade que passa por veloz transformações sociológicas, como o fato de ser um polo acadêmico.

Bom ficarmos atentos. Vem mais novidade por aí.

O voo solitário da “borboleta” na difícil arte de governar

Na cidade do sol, Micarla tenta uma sombra para seguir em frente

 

Desde 1985, no fim do ciclo dos prefeitos “biônicos” de Natal, ou seja, escolhidos indiretamente pelo regime militar, no período de exceção no Brasil, que ninguém conseguia o feito atingido até aqui pela jornalista Micarla de Sousa (PV). Ela é quase uma unanimidade negativa.

Campeã de rejeição pessoal em pesquisas que sondam disputa sucessória de 2012, Micarla também tem seu governo reprovado maciçamente pela população.

Como explicar tamanha catástrofe?

Em seus discursos em forma de ladainha, desde o princípio da gestão em janeiro de 2009, só aparece um espectro em sua frente: o ex-prefeito, de quem chegou a ser vice, Carlos Eduardo Alves (PDT).

A “síndrome do retrovisor” e o “complexo da transferência de culpa” fazem parte do cardápio de justificativas que gestores costumam apresentar, à opinião pública, conforme a cultura política deste país. É sempre mais fácil do que fazer um “mea culpa”.

Com Micarla não é diferente. Entretanto a estratégia virou psicose, rapidamente rejeitada pela opinião pública de uma cidade conhecida por sua indolência diante de amarras. “Natal não é de ninguém”, rotulou-a tão bem o então candidato a governador em 1960, deputado federal Djalma Marinho.

A mesma cidade que Micarla conquistou numa campanha emblemática em 2008, lutando contra forças do município, Estado e até o presidente Lula em palanque adversário, com sinais de embriaguez, já a vomitou. Não a suporta mais e reage à sua permanência na prefeitura, das mais diversas formas.

Da Internet às ruas, de manifestações democráticas e ordeiras a atitudes de submundo, a revolta popular deixou de ser pontual e político-partidária, para rapidamente ser uma manifestação orgânica e cívica.

A gestão de Micarla talvez comece a ser entendida por sua retaguarda e “entourage”. Em momento algum, nesse tempo de governo, ela revelou capacidade de liderança e preparo à gestão. Além disso, chegou à municipalidade sem quadros técnicos e políticos de sua confiança, à tarefa que nunca tinha empalmado.

De saída, ficou refém do DEM do senador José Agripino e outras forças que a apoiaram, repetindo o costumeiro loteamento do poder. Sem respostas às principais demandas sociais, com o passar do tempo foi submergindo mais ainda em suas próprias limitações, como um elefante em areia movediça. Qualquer movimento, é fatal. Continua atolada.

“Queima”

Como no futebol, a administração pública cobra bom “técnico” e equipe afinada, sincronizada, preparada, para vencer. Micarla promoveu ao longo de pouco mais de dois anos, o maior “queima” de auxiliares da história pública natalense. Mudou secretários no atacado e varejo; nomeou, exonerou e remanejou peças freneticamente. São cerca de 50 nomes na dança de cadeiras.

Hoje, ela está praticamente só.

Resta-lhe o que sobrou de suas forças, agora baseadas tão somente no que a caneta pode proporcionar a vassalos e chacais, além de uns poucos seguidores com fidelidade de eunucos. Mas está nua, como na fábula “As roupas novas do rei”, do dinamarquês Hans Christian Andersen.

Falta-lhe alguém para chamá-la à realidade, pois vive um mundo de fantasia, batendo asas como uma “borboleta” entre margaridas. Poliniza o caos. Um lepidóptero do apocalipse na “cidade do sol.”

A jornalista bem-articulada, que inspirava confiança e tinha pleno domínio da palavra e da câmera, em sua TV Ponta Negra, está acuada. A abundante campanha institucional para alavancar seu governo e maquiar sua imagem parece infrutífera, porque ela já perdeu literalmente o capital de apreço, obtido em 2008. Agora procura reduzir perdas.

A recuperação parece uma utopia.

Filha do ex-senador Carlos Alberto de Sousa, Micarla é herdeira política de quem colecionou vitórias de forma meteórica, mas sem nunca ter ocupado cargo executivo. Seu pai – radialista campeão de audiência – saiu da condição de vereador em Natal, para senador da República, em pouco mais de dez anos.

Ao tentar dar o pulo do gato em 1985, com a candidatura de sua mulher Mirian de Sousa, a prefeito, contra Alves e Maia, respectivamente Wilma Maia (PDS) e Garibaldi Filho (PMDB), sofreu derrota humilhante. Garibaldi venceu e ele quase sumiu.

Capivara fora do bando é comida de onça – definiu, certa vez, para explicar a dificuldade de sobreviver na política potiguar sem ficar à sombra de Alves ou Maia.

Carlos: carreira meteórica

Experiência ainda mais traumática teve a própria Micarla. Em 2010, seu marido Miguel Weber (PV) e a irmã Rosy de Sousa (PV) foram lançados a deputado estadual e deputado federal com seu apoio. Nenhum se elegeu.

Seu desempenho como “cabo-eleitoral” e liderança ficou aquém até mesmo do ex-prefeito Aldo Tinoco (1993-1996), até então uma referência negativa em termos de gestão da capital. Aldo pelo menos elegeu um irmão deputado estadual, enquanto era prefeito. E só.

Quanto à própria sucessão, Micarla é uma incógnita. Foi abandonada pelo DEM e o PR do deputado federal João Maia. A governadora Rosalba Ciarlini (DEM), também em baixa cotação perante a opinião pública, lhe oferta um apoio administrativo. Só.

A borboleta está nua e só.

Clã Rosado sofre com efeitos do “gigantismo” no topo

O clã Rosado vive um momento paradoxal em sua existência: como grupo político de raiz eminentemente familiar, está no topo. É a mais bem-sucedida e longeva oligarquia em atividade no Rio Grande do Norte, com seu poder espraiado por todos os poros.

Mesmo assim está em xeque.

Como explicar que com tantos ventos soprando a favor, os Rosado estejam em dificuldades? E que dificuldades são estas?

Tudo é resultado do seu próprio modelo de fazer política. Adota visão reducionista, concentradora e que costuma selecionar “tropa” pelo critério da fidelidade cega e não da qualificação ao fortalecimento de seus próprios projetos de manutenção do poder. Quase ninguém prospera politicamente à sua volta, se não possuir o mesmo sobrenome.

Mas a grande ameaça aos Rosado, agora, não é o surgimento de qualquer força alternativa ou convulsão social em Mossoró. A corrosão da oligarquia é endógena, de suas entranhas, com a luta por espaços internos e supremacia de comando.

A crise não é, em si, uma anomalia. Faz parte de toda história de ascensão e gigantismo político. Quanto maior o “bolo”, maiores as tentações, conspirações e interesses conflitantes. Sempre foi assim. Dos impérios milenares no Oriente, às cortes medievais europeias.

Gustavo vai pro tudo ou nada

É Gustavo Rosado, que nos anos 80 e início dos anos 90 teve projeção pessoal na cidade como “agitador cultural”, a ameaça a esse poderio. Arqueado sobre sua mesa de trabalho na antessala da prefeita de direito Fátima Rosado (DEM), a “Fafá”, sua irmã, no Palácio da Resistência, ele desenhou para si uma ambição pessoal. Não estabelece limites ou artifícios.

Quer ser o novo todo-poderoso da família. O preço, não importa.

Prefeito de fato, Gustavo – chefe de Gabinete da prefeitura – passou a exercer a liderança do governo, nos campos político e administrativo. Eclipsou até mesmo irmãos mais conceituados socialmente, além de vitoriosos no campo empresarial. E a prefeita de direito foi posta numa redoma, apenas para aparecer em fotos e solenidades.

Ele é o cara. Dá as cartas.

Essa ousadia lhe deu combustão para sonhar mais alto, agindo muitas vezes como uma centrífuga: tritura tudo à sua volta, depois, se for o caso, tenta juntar os cacos. Um comportamento que torna tudo movediço e minado sob seus próprios pés.

Carlos Augusto Rosado (DEM), seu primo, quatro vezes deputado estadual, marido da governadora Rosalba Ciarlini (DEM), que ganhou a reputação de líder frio e incontestável, é um “aliado” a ser suplantado. Nesse mesmo espaço geopolítico, não é possível essa diarquia (governo de dois reis). É um ou outro.

A sucessão municipal é o teatro de guerra desse duelo surdo, que os dois lados do governismo tentam disfarçar com sorrisos amarelos e entrevistas açucaradas. Em tudo há uma sincera hipocrisia, que os ajuda a conspirar contra o outro.

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“Dono” do Estado, papel que repete como fez na época das três gestões da mulher, Rosalba, na Prefeitura de Mossoró, Carlos Augusto não abre mão de comandar a sucessão de Fafá, que aboleou na cadeira de prefeita em 2005. Gustavo, também não.

Quem vai se submeter à liderança do outro? Um indica e conduz nome à sucessão de Fafá e o outro endossa e ajuda? Quem ficará com o papel de comandante-em-chefe?

Na outra extremidade dessa briga fraticida, ainda tem a deputada federal Sandra Rosado (DEM), adversária oposicionista, que há anos não experimenta o doce sabor da prefeitura. Quer fazer a filha e deputada estadual Larissa Rosado (PSB), na terceira tentativa consecutiva, prefeita de Mossoró.

Prima de Carlos, com quem mantém ótimo relacionamento social e familiar, ela não conserva a mesma simpatia ou sequer um sorriso protocolar, para Gustavo. A recíproca é verdadeira. Esse é um primo que sempre vivera a expensas de mesadas familiares ou empregos públicos, arranjados por tios e primos políticos como Sandra e Carlos. A deputada e Gustavo não são apenas adversários.

Larissa Rosado

Desse emaranhado de interesses, ressentimentos e vaidades sairá o resultado das urnas em 2012. Entre as várias conjecturas à mesa, existe hipótese de Carlos e Gustavo se afinarem. Um aceitaria a posição de lugar-tenente do outro. Outra possibilidade, é que o Palácio da Resistência tenha candidato próprio, enquanto Carlos e Rosalba escolham outro.

O prognóstico de um racha, que leve Carlos e Rosalba a acenarem para Larissa, por ser um mal menor, não deve ser afastado. Mesmo que seja algo de difícil.

Num passado relativamente distante, os Rosado já tiveram problema parecido. Outros tempos, outra conjuntura. Filho do então prefeito Dix-huit Rosado, o industrial Mário Rosado pontificou na última gestão do pai (1993-1996). O período rachou a família a ponto de gerar várias interpelações judiciais entre seus líderes, provocações através da imprensa e até incidentes truculentos.

Mário passou com a morte do próprio pai no poder, em pleno mandato, no dia 22 de outubro de 1996. Mas até hoje  é lembrado pelo estilo “arrasa-quarteirão”, ou “passando a limpo”, como era o título de um programa de rádio que apresentou, em que arrancava as vísceras da própria família.

Carlos e Sandra: afinação para se evitar o pior

Com Gustavo, a história se repete. O desiderato é o mesmo: mandar, desmandar. Ser único a reinar no “país de Mossoró”.

Quem conhece bem a natureza, perfil e história do clã Rosado, sabe que Carlos, Sandra e Gustavo representam a própria essência dessa oligarquia. Cada um com suas idiossincrasias, centralizadores e onipotentes.

O que talvez torne o primo Gustavo letal, é o fato de experimentar uma situação única de mando e esteja disposto a não largá-lo facilmente. Deve sentir calafrios ao pensar que voltará a ser um personagem periférico, longe do Palácio da Resistência.

Passional e colérico como é, se mexe como um homem-bomba. Não se intimida diante dos primos. Pode mandar tudo pelos ares.

Ele quer o meu lugar – ruminou Carlos Augusto a uma interlocutora da própria família, há alguns meses, se referindo ao agitador cultural.

Carlos e Rosalba são acuados; Ruth é descartada

O DEM ferve em Mossoró. Como prefixo, a sigla ganha a corruptela de “demo”, ou seja, “demônio”, gente de comportamento “turbulento”, segundo seus detratores proclamam.

Na política mossoroense é um caldeirão perto de transbordar. Caudaloso. A temperatura é vulcânica. O jogo de poder, vaidades, ressentimentos e “altos” interesses econômicos dão combustão maior às intrigas e cotoveladas nos seus bastidores.

O ambiente interno, no momento, parece de difícil coabitação. Mas todos procuram disfarçar bem as animosidades, porque há consenso quanto a um ponto, não obstante as divergências: dividido, o grupo governista pode ser presa fácil aos adversários.

O DEM está mesmo rachado. O que antes era uma peça monolítica e sólida, sob o comando onipotente do ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado (DEM), hoje é um corpo trincado. “Ravengar” (apelido que o ex-deputado adotou) não é mais unanimidade.

Carlos e sua mulher, a governadora Rosalba Ciarlini (DEM), querem que a vice-prefeita Ruth Ciarlini (DEM) seja a candidata à Prefeitura de Mossoró, à sucessão da prefeita de direito Fátima Rosado (DEM), a “Fafá”. Para isso, esboçam uma engenharia que além de esdrúxula, é depreciativa da própria política e suas instituições de Estado.

A aposta é que Fafá denuncie ao cargo, para habilitar legalmente Ruth, irmã de Rosalba, à disputa, sem problemas quanto à legislação que trata de casos de inelegibilidade. Para compensar o “sacrifício” da prima prefeita, Carlos  a colocaria no Tribunal de Contas do Estado (TCE), na condição de conselheira. Cargo vitalício.

Um “plus” é garantir a reeleição do marido de Fafá para deputado estadual em 2014, médico Leonardo Nogueira (DEM) e “espaços” de sua facção no próprio governo municipal de Ruth.

Mas tem uma pedra no meio do caminho, há uma pedra – também Rosado – no meio do caminho dessa arrumação canhestra.

Gustavo aproveita instabilidade do Governo Rosalba e monta estratégia para ampliar seu poder

Prefeito de fato de Mossoró, o agitador cultural Gustavo Rosado, que sequer é do DEM, mas sim do PV, afasta peremptoriamente essa hipótese. E já tem debaixo do braço um “Plano B”. Seu nome à prefeitura, em substituição à irmã, de quem é chefe de Gabinete, é o da vereadora Cláudia Regina (DEM).

Fafá fica na Prefeitura de Mossoró até o dia 31 de dezembro de 2012 – afirma ele para qualquer interlocutor próximo. Marca posição clara quanto ao pleno cumprimento do mandato de sua irmã.

A princípio, Gustavo investiu todas as fichas na postulação do professor Chico Carlos (PV), uma espécie de ideólogo do próprio governo, titular da pasta da Cidadania. Não vingou. Apesar de todos os aditivos de marketing político, ele não saiu do chão.

Cláudia não é digerida por Carlos e Rosalba. Mas é um nome menos ruim do que o de Chico, aos olhos do casal. Mesmo assim, recheado de restrições de passado e para o futuro, além de relativa autonomia que demonstra. E o fato de ser uma preferência de Gustavo, não aplaca esses senões. É agravante.

Voz ativa

Ela é historicamente ligada ao senador José Agripino (DEM). Fez parte de administração municipal de Rosalba, por indicação dele. Está no primeiro mandato eletivo, conquistado em faixa própria, como um nome de “José” e não de Carlos e Rosalba.

Com sacrifícios político-pessoais assumidos na Câmara de Vereadores, em que foi líder de bancada do governo, Cláudia credenciou-se à confiança de Gustavo e ao apoio de Fátima Rosado.

Cláudia: nome viável

Eleita prefeita, os seus compromissos basilares estarão, logicamente, atrelados ao próprio Gustavo e por extensão a José Agripino. Carlos e Rosalba sabem disso. Os dois tiveram participação distanciada nas gestões de Fafá e estão conscientes que não serão voz ativa num eventual governo de Cláudia.

A robustez de Gustavo, a ponto de partir à imposição de Cláudia, não é apenas pela sua natureza beligerante e o fato de comandar um orçamento que só este ano deve chegar a R$ 500 milhões. Há um aditivo à sua força.

É reflexo, principalmente, da fragilização do Governo Rosalba Ciarlini (DEM). Se Rosalba estivesse com aceitação nas alturas, o enredo seria outro.

Submerso em greves, sem nada para mostrar e acuado por diversos problemas administrativos, o governo estadual está politicamente descapitalizado para se impor. De forma inversamente proporcional, o governo municipal tem reduzido sobremodo seu desgaste e rejeição. Aí engrossa a voz.

Mesmo com esse cenário de instabilidade, o todo-poderoso Carlos Augusto Rosado ainda tem muita “bala”. O DEM, por exemplo, é amplamente comandado por ele. Sem a disposição de oferecer a legenda para Cláudia, ela não poderá ser candidata por outro partido, sob pena de ser punida por infidelidade partidária.

Até o final de setembro deste ano é imprescindível que Cláudia tenha a garantia de que será candidata. Se Carlos e Rosalba não abraçarem sua “causa”, não terá como concorrer por outro partido. A menos que se arrisque à migração partidária. O DEM, se isso ocorrer, pode pleitear sua cassação.

Ousadia

Sempre interessado em se impor como nova liderança dentro e fora da família, Gustavo investe em Cláudia por uma questão pragmática: ela é viável. Não é uma predileção. As pesquisas constantes que são feitas mostram que a vereadora é capaz de crescer e vencer sobretudo a deputada estadual Larissa Rosado (PSB), concorrente visível.

Rosalba e Carlos: na pressão (Robson Pires)

A aposta é que Cláudia seja eleita, além de ter Chico Carlos desembarcando na Câmara Municipal para presidir essa Casa. Os dois poderes, indiretamente, sob seu bastão. Como já aconteceu num passado não muito remoto, com Carlos Augusto Rosado.

Como Carlos Augusto vai reagir a essa situação inusitada, no papel de líder político do seu grupo, é uma incógnita. Perturbadora, que se diga.

Existem algumas conjecturas a serem feitas. Contudo serão o centro de outras matérias analítico-informativo-opinativas deste Blog, mais adiante.

O DEM ferve em suas profundezas!

E muito.

Rosalba Ciarlini pode sofrer com o “Efeito Orloff”

A ressaca do poder, que parece onipotente e infindável, é terrível

Nunca antes na história político-administrativa do Rio Grande do Norte, um governante viveu um início de gestão tão confuso, sem rumo e gerando enorme desapontamento. Essa é uma síntese dos primeiros meses do governo Rosalba Ciarlini (DEM).

O comum, diante de um cenário tão castastrófico, é que ocorra comparação com algum antecessor. É o caso do ex-governador Geraldo Melo (PSDB), que administrou o Estado de 1987-1990. Existem algumas semelhanças, mas várias discrepâncias no encontro histórico entre os dois.

Rosalba, como Geraldo, chegou à Governadoria envolta em grande expectativa e crédito de confiança, movida por montanha de votos construídos numa retórica emocional e nenhum projeto concreto. Só blablabá.

Em relação à governadora, a conjuntura nacional e estadual é bem diferente da encontrada por Geraldo Melo no início de gestão em 1987. Ela, apesar de adversária do governo central, presidente Dilma Roussef (PT), não sofre nenhum tipo de boicote e chegou a receber visita de mais de oito ministros.

Rosalba precisa ter mais do que fé espiritual

Geraldo Melo, à ocasião, enfrentou o desmanche do “Plano Cruzado”, plataforma principal do seu discurso de campanha. O presidente José Sarney, que o apoiava, conseguiu eleger 22 dos 23 governadores, a grande maioria dos senadores e deputados federais/estaduais.

Foi uma avalanche baseada no ufanismo desse programa econômico, que logo após as eleições foi enterrado pelo próprio Sarney.

Hoje existe a estabilidade da moeda, o país em franco desenvolvimento econômico e controle inflacionário. Com Geraldo Melo era tudo inverso. Greves, especialmente na educação, passaram a fazer parte do cotidiano do RN a partir de 1988. Desde então o governo foi-se arrastando até o final.

Ele sequer conseguiu fazer o sucessor.  À ocasião, não existia o instituto da reeleição para governador e outros cargos executivos.

Rosalba desembarcou na Governadoria utilizando um velho e surrado discurso de “terra arrasada”, para começar a ganhar tempo. Só que sua estratégia foi rapidamente descontruída e hoje ela enfrenta uma onda de greves, a administração praticamente paralisada e nenhuma ação visível de governo.

As poucas notícias boas que vende, advêm justamente de realizações nascidas na era Wilma de Faria (PSB)-Iberê Ferreira (PSB) e do Governo Federal. Entretanto, esconde esse detalhe da opinião pública.

A crise que a governadora enfrenta, parece ser muito mais de mentalidade e método do que financeiro-administrativa. Revela traços de intolerância, arrogância e autosuficiência, além de frieza em relação a questões cruciais do serviço público.

Com Geraldo Melo, a “metástase” começou depois do primeiro ano de governo. Da mesma forma que fora beneficiado com fatores exôgenos (externos) à eleição, passou a pagar o preço pelo fim do Plano Cruzado. Em alguns momentos,  ele partiu pra litigância e bateu frontalmente com categorias de servidores que na campanha tinham lhe dado apoio decisivo.

Se com Rosalba o slogan de campanha era “para fazer acontecer”, em relação a Geraldo Melo um eficiente conjunto de marketing eleitoral prometia “Novos ventos, novos tempos” no Rio Grande do Norte. Levaria o povo ao desenvolvimento social e crescimento econômico. Nem uma coisa nem outra.

Populismo

Um traço comum à Rosalba e a Geraldo Melo é o discurso populista, ufanista e carregado de retória. Mas nesse ingrediente, ela perde de forma acachapante. O “Tamborete” (apelido ganho em campanha) era o rei da retórica. Prendia multidões diante do palanque.

Também conta a favor de Geraldo Melo, uma reconhecida inteligência diferenciada. Qualquer dúvida é só comparar sua passagem pelo Senado, com a presença da “Rosa”. Ele chegou à vice-presidência da Casa, com importantes intervenções e forte influência. Rosalba quase não foi notada.

Geraldo Melo construiu sua chegada ao Governo do Estado sob um bem-arquitetato plenajamento. Já fora vice-governador de Lavoisier Maia e coordenou a campanha vitoriosa do deputado estadual Garibaldi Filho (PMDB) à Prefeitura do Natal em 1985.

Entrou na campanha como azarão. A previsão do grupo Maia, que apoiava o deputado federal João Faustino ao governo, era de que seu candidato venceria com mais de 200 mil votos de vantagem. Com desempenho impressionante, Geraldo atingiu a vitória com pouco mais de 14 mil votos de dianteira.

Geraldo pós-governo: Pai nosso...

Fenômeno? Sim, mas em parte.

O ex-vice-governador foi parte de um fenômeno nacional e não um caso específico, da conjuntura estadual. O Plano Cruzado içou-o até um certo patamar. A partir daí, ele e seu partido (PMDB) fizeram o restante.

Com Rosalba, a conquista começou bem antes, ainda em 2006, ao vencer Fernando Bezerra (PTB) ao Senado, numa corrida muito disputada, com pouco mais de 11 mil votos de maioria. Desde então, a engenharia politica foi desenhando sua chegada à Governadoria, enfrentando adversários debilitados até fisicamente – caso do governador Iberê Ferreira (PSB), que teve câncer diagnosticado na pré-campanha.

O que parece deixar Rosalba e Geraldo à semelhança um do outro, é que nenhum se preparou para governar. O projeto elementar era de poder. Geraldo ainda se elegeu ao Senado uma vez, mas perdeu até a hegemonia em Ceará-mirim, sua base política.

Rosalba, com a erosão de imagem que enfrenta, deve olhar bem para Geraldo e ter cuidado com o “Efeito Orloff” (eu sou você amanhã).

Lançamento concorrido marca chegada de novo livro

Noite de autógrafo juntou público numeroso e diversificado para o "Só Rindo 2"

Por William Vicente (TCM) e Redação do Blog do Carlos Santos

O lançamento do livro “So Rindo 2 – A política do bom humor do palanque aos bastidores” levou políticos, jornalistas, artistas, empresários e outras pessoas dos mais diversos matizes sociais às dependências da TV Cabo Mossoró (TCM)), à noite de autógrafos nesta terça-feira (21).

O evento se dilatou até próximo de meia-noite, devido fila para dedicatórias do autor. Nem a chuva que banhou a cidade em boa parte do período arrefeceu o fluxo de pessoas, que prestigiaram a iniciativa, em ambiente de descontração.

Estavam presentes à cerimônia personagens da política local, como os vereadores Genivan Vale (PR), Francisco José Júnior (PMN) e Jório Nogueira (PDT); deputada estadual Larissa Rosado(PSB). O reitor da Universidade do Estado do RN (UERN), professor Milton Marques fez a apresentação da obra e autor.

O “Só Rindo 2” nasceu quase nove anos depois do primeiro título lançado por Carlos Santos. A nova publicação tem o mesmo perfil: resgata historias  do universo político, especialmente do Rio Grande do Norte, da capital ao sertão. Retrata disparates, rompantes inteligentes, gafes e cenas picarescas, como se fossem esquetes teatrais.

No entanto, o livro não tem interesse no escárnio da imagem dos políticos, e sim, documenta o que o autor considera inusitado e pitoresco em 160 historias, extraído da cultura oral do meio.

O lançamento da obra será veiculado na TCM em formato de programa especial, em data e horário a ser definido.

No evento, em si, o marcante foi a informalidade, a partir do ceriomonial conduzido pelo jornalista Givanildo Silva, que atendeu a convite especial de Carlos Santos. “Ninguém aqui é autoridade. A proposta é realizarmos um encontro de amigos”, disse. E assim aconteceu.

Milton Marques destacou a tenacidade do jornalista, que gosta de ser tratado como “repórter”. Salientou a importância do trabalho em questão e elogiou-o pela capacidade de juntar tanta gente, dos mais diversos matizes sociais, para um evento dessa natureza.

Padre Sátiro exalta valor documental do livro (Foto: Ricardo Lopes)

Convidado especial para falar, o padre Sátiro Dantas foi aplaudido. Salientou que Carlos é “perseguido” por setores intransigentes, por “sua coragem” e por falar algumas “verdades”. Salientou que o “Só Rindo 2” tem a capacidade de juntar um apanhado de situações, de forma documental, para preservar esse lado da política local e regional.

Em seu discurso, também rápido como os demais, Carlos agradeceu a presença de todos, justificou a informalidade e desmitificou qualquer selo de “mártir”, “herói” ou “vítima” para si. “Sou apenas um repórter”, grifou.

Veja abaixo, em galeria de fotos, uma mostra do que foi o lançamento do “Só Rindo 2”. Basta clicar sobre qualquer uma delas e acionar a sequência pra frente ou para trás para ver todas.

Veja, clicando AQUI, crônica do autor sobre essa noite.

Novo Blog é apresentado com boa receptividade em evento

Weber Chaves no lançamento no Novo Blog

Renovada, sem perder a essência. É assim que a nova página do Blog do Carlos Santos foi vista, em primeira mão, por um grupo de convidados à sua apresentação. A novidade foi revelada à noite dessa terça-feira (7), no estande de vendas do “Mont Blanc Residence”, da WSC Empreendimentos, em Mossoró.

O encontro informal aglutinou representantes do setor empresarial, agências de propaganda e amigos do editor-criador do blog, jornalista Carlos Santos. Atenderam convite para conhecer a nova roupagem desta página que abriga a “Coluna do Herzog”.

– Vocês conseguiram me surpreender além do que eu esperava, admitiu o jornalista Sérgio Levy, da WH6 Propaganda. “O forte que é o conteúdo textualizado está mantido e ampliado, mesmo com maior opção de conteúdo. O lay-out manteve-se limpo,” avaliou.

Representando a Câmara de Mossoró, o seu presidente Francisco José Júnior (PMN) parabenizou a Agência Herzog, responsável pelo Blog. Ao mesmo tempo, saudou o projeto desenvolvido pela Zenitech, ao cumprimentar um de seus diretores, Alexandre Azevedo. “Merece aplausos, sim. Está ótimo”, exaltou.

O engenheiro Weber Chaves (foto principal, no alto), da WSC, um dos primeiros parceiros comerciais do Blog, ainda em seus primórdios, deu depoimento sobre esse canal de mídia e seu potencial mercantil. “O Blog do Carlos Santos, sem desmerecer outras mídias, foi uma aposta que fizemos e que nos deu excelentes resultados, mostrando sua influência, alcance e repercussão”, assegurou.

Em sua exposição técnica sobre a página, Alexandre Azevedo previu que o Blog logo ampliará sua média de acessos e fidelização. “As novas ferramentas de busca e opções de informação e serviços apontam para esse caminho”, comentou. “O Blog mantém a linha editorial, amplia mecanismos para maior aproveitamento publicitário e oferece mais comodidade ao internauta”, resumiu.

Ao falar para os convidados, Carlos Santos assinalou que a nova página não tem a pretensão de ser “revolucionária”, mas sem dúvida é moderna, funcional e assinala para o terceiro estágio de um projeto plurianual traçado há mais de quatro anos.

– Primeiro veio a fase do “conhecimento”, em seguida da “fidelização” e agora avançamos com a “profissionalização”. São etapas estanques, mas que se interligam e que nunca estão conclusas, pois conhecimento, fidelização e profissionalização são tarefas permanentes e crescentes – argumentou.

Antes da apresentação da nova página, com uso de recursos multimídias, os convidados assistiram a um vídeo motivacional (veja no centro desta postagem). “É  uma metáfora da própria vida do ser humano, algo que pode ser convertido para nós como ensinamento, representativo da nossa existência terrena”, ponderou Carlos Santos.

Sobre a apresentação formal da página na infovia, Carlos disse que ela aconteceria em poucas horas, haja vista a complexidade do projeto. Ao mesmo tempo, Alexandre comentou que seu funcionamento ao longo de dias e semanas determinaria o aproveitamento pleno dos recursos disponíveis.

– Leva um tempo para que tudo possa funcionar a contento, como desejamos e como Carlos cobra. Ele é perfeccionista e nós achamos isso ótimo, pois nos ajuda na busca da excelência – disse o representante da Zenitech.

Após Carlos, Alexandre e Weber falarem aos presentes, foi servido um coquetel, num clima bastante descontraído.