Aluízio em Natal: convite aceito e bastidores da ‘desavença’ com o irmão Agnelo (Foto: Arquivo Pessoal)
O telefone fixo toca numa mesinha na sala do apartamento em que sou estranho em Natal. Porém, bem-vindo, que se diga.
“Com licença, Carlos Santos“, pondera o ex-governador Aluízio Alves, antes de se levantar para atender à ligação.
Do outro lado, o jornalista e seu irmão Agnelo Alves, ex-prefeito de Natal e prefeito de Parnamirim. A conversa entre ambos é breve, mas com direito a sorriso do lado de cá. Do lado de lá, também, creio.
De volta ao sofá, retomamos conversa sobre a política e um convite que lhe fiz para lançamento do seu livro, “O que eu não esqueci”, em Mossoró, num evento patrocinado pelo Jornal de Fato. O ano? 2001, se eu não esqueci.
Proposta aceita, solto essa para o jornalista, advogado, político e escritor Aluízio Alves:
– “E há quem diga por aí na imprensa, que você e Agnelo estão sem se falar, hein?”
Braços cruzados sobre o peito, leve sorriso, Aluízio graceja: “É, sempre tem disso; a gente não dá importância.”
E o bate-papo retoma sua trilha.
Lembro desse episódio que não estava escrito.
Lançamento do livro “O que eu não esqueci em Mossoró” (Foto: arquivo pessoal)
Rose em momentos diversos, como ao lado de Henrique, Aluízio e Edith Souto; com Ozelita Cascudo como “senadora” (Fotomontagem do BCS)
Faleceu nesta terça-feira (11), em Mossoró, Rose Marie da Silva Cantídio, 83. O óbito veio como desdobramento de intercorrências a partir de uma queda com fratura de fêmur, que ela sofreu na sexta-feira (07). Estava internada no Hospital Wilson Rosado, em Mossoró.
Rose Cantídio era filha do representante comercial João Cantídio de Oliveira (Apodi) e professora Ildérica da Silva Cantídio (Macau), já falecidos.
Durante décadas foi uma pessoa que granjeou admiração e respeito em Mossoró e além dos limites do município, sobretudo por seu envolvimento com a atividade política. Era aluizista histórica, integrante do movimento denominado de “As senadoras”, que defendia em Mossoró o nome de Aluízio Alves (in memoriam), ex-governador potiguar. O ex-deputado federal Henrique Alves, herdeiro político de Aluízio, virou seu “filho”.
Não obstante as diferenças políticas e os embates muitas vezes radicais, em Mossoró, Rose Cantídio conseguiu a proeza de sobreviver até mesmo à fase do radicalismo, a ponto de virar vice na chapa de um Rosado. Foi em 1988, quando acabou convencida a ser candidata (única vez) a vice-prefeita do médico e deputado estadual Laíre Rosado (veja resultado final no boxe abaixo:
Também não deixou que se criasse um fosso com os Maias, que durante muitos anos pontificaram na política do RN. Um bom exemplo a gente resgata com esse episódio abaixo, da série “Só Rindo”, de autoria do editor desta página:
Dinheiro para Aluízio Alves
Aluizista de quatro costados, Rose Cantídio é informada que foram enredar ao ex-governador Tarcísio Maia que ela estaria usando comissões da venda de terrenos seus no financiamento de campanha do ex-governador Aluízio Alves ao governo.
O ano é 1982.
O adversário de Aluízio era justamente o engenheiro civil José Agripino, ex-prefeito de Natal e filho de Tarcísio.
Disposta a passar a conversa a limpo, Rose vai ao encontro de Tarcísio. Bota sobre a mesa um calhamaço de documentos relativos ao loteamento do ex-governador e desabafa:
– Olhe aqui, Tarcísio, é verdade mesmo o que estão contando para você. Só que o dinheiro das comissões como corretora é meu e eu faço dele o que bem quiser. Pode ficar com os seus terrenos – brada.
Após deixar escapar um leve sorriso, com os lábios presos, Tarcísio sentencia:
– Vá vender meus terrenos, Rose!
Velório, Missa, Encomendação do corpo e Sepultamento
Velório começa às 14h desta terça-feira no Ginásio Carecão, do Colégio Diocesano Santa Luzia (CDSL). Às 19h30, missa de corpo presente no mesmo local.
Já na quarta-feira (12), encomendação do corpo às 8h30, também no Carecão. O sepultamento será às 10h, no Cemitério São Sebastião, Centro, Mossoró.
Nota do Blog – Que perda lamentável. Rose era de “nossa casa.” Amizade com meus velhos foi transferida para mim. Fidalguia, simpatia, generosidade. Descanse em paz, minha querida.
Se voltarmos um pouco ao passado e ouvirmos com a devida atenção a cantoria, encontraremos pérolas poéticas surgidas nos mais acalorados improvisos dos nossos repentistas nordestinos.
É evidente que, em um breve artigo não seria possível destacarmos todos os iluminados repentistas do Nordeste e seus respectivos repentes memoráveis. São momentos memoráveis, que proporcionaram alegria e admiração, a tantas plateias que os ouviram pelo interior do nosso semiárido.
De onde vem tanta inspiração? As estrofes em seus desempenhos poéticos muitas vezes eram surpreendentes. Vejamos: certa vez, Severino Lourenço Pinto da Silva, o Pinto do Monteiro, também denominado a “Cascavel do repente”, cantava com um determinado repentista que tentou subjugá-lo em uma conclusão de estrofe, com o desfecho: “eu sou rico, você pobre, não gosto mais de você.” Pintou retrucou:
“Ainda vejo você
Pedindo esmola no trem,
Ou então num beco estreito
Onde não passa ninguém
E se passar seja um cego
Pedindo esmola também.”
João Batista Bernardo, mais conhecido como João Furiba, marcou gerações com sua poesia irreverente e dentre alguns famosos repentistas de sua época, foi parceiro também do genial repentista Pinto do Monteiro. Com ele desbravou o Nordeste e outras regiões do nosso país, deixando estrofes memoráveis por onde passaram e realizaram grandes cantorias.
Em uma das excussões, onde exibia a arte do repente, a dupla discernia sobre a natureza, se referindo ao gorjeio das aves e seus movimentos no próprio habitat, quando Furiba improvisa os seguintes versos:
“Admiro o Pica-pau
Pelos galhos do Angico:
Ao dia é tico taco
E a noite é taco tico,
Não sente dor de cabeça
Nem quebra a ponta do bico”.
Onésimo Pereira da Costa, também de saudosa memória, identificado com o nome artístico “Onésimo Maia”, com quem duplei no Projeto Viola na Escola, na década de noventa, onde realizamos mais de duzentas apresentações em escolas públicas estaduais e municipais em Mossoró, numa parceria UERN/Prefeitura, deixou seu nome no cenário da Arte do Repente,
Foi um dos mais brilhantes repentistas do Rio Grande do Norte.
O repentista costumava se apresentar em palanques políticos e tinha uma forte ligação com os Queiroz de Jucurutu. Por vezes foi convidado pelo saudoso deputado estadual Nelson Queiroz, para cantar em reuniões políticas em sua fazenda. Em uma dessas oportunidades se encontrava a cúpula do PMDB, composta pela Governador Aluízio Alves, deputado Federal Henrique Eduardo, senador Geraldo Melo, dentre outros.
No momento, foi sugerido ao poeta improvisar versos com os convidados, como forma de presenteá-los com sua boa cantoria, e, em contrapartida, os anfitriões do deputado Nelson Queiroz, realizavam o pagamento do cachê ao poeta. Todos colaboraram e quando chego a vez do ex-governador Aluízio Alves, Onésimo agradeceu com o repente inesquecível:
“Doutor Aluízio Alves
Agora compareceu;
Foi conferir no meu bolso
O valor que ele me deu…
Aluízio é muito vivo
Pode ter levado o meu”.
São pérolas assim da cantoria nordestina, que devem ficar na memória de muitos.
Aldaci de França é poeta Repentista, escritor, cordelista e coordenador dos Festivais de Repentistas do Nordeste no Mossoró Cidade Junina
Campanha do “Touro” nas ruas de Mossoró em 1968 (Foto: Arquivo Relembrando Mossoró)
Depois de 56 anos, acho, que todos os fatos importantes daquela eleição já foram registrados, analisados, discutidos.
O que não diminui a importância do episódio político para hoje e para o futuro.
O assunto fluiu porque – na minha opinião – foi a maior expressão eleitoral que o RN viveu nos últimos 200 anos.
Não tenho notícia de eleição mais disputada e com tanta participação. – Em todos os sentidos.
Começando pelas lideranças politicas do município, num confronto de vida e morte: Rosados X Aluízio Alves.
Os Rosados liderados pelo senador Dix-huit, então Presidente do INDA (criador da ESAM), Escola Superior de Agricultura de Mossoró, hoje Universidade Federal Rural do Semi Árido. E candidato ao Governo do Estado em 1970
Aluízio se preparando para volta ao Governo do Estado em 1970.
A participação dos candidatos começava pelo apelidos: Vingt-un (21 no Jogo do bicho chamado de “Touro”), e Antônio Rodrigues, ex-prefeito de Mossoró, o “Capim”, personagem de um popularismo personagem de um programa de rádio do Ceará, com um personagem do Ferroviárío, o Ferrim, que virou Capim– “é o Capim, meu filho”.
Foram as maiores disputas da história. Até a apuração.
Vitoria do Capim: 98 votos.
Eleições de 1968 (Fonte: Vingt-un Rosado, Coleção Mossoroense):
– Antônio Rodrigues (Aena 2/verde) – 11.132 votos;
– Vingt-un Rosado (Arena 1/vermelho) – 11.034 votos;
– Maioria – 98 votos a favor de Antônio Rodrigues.
Eleito, Antônio Rodrigues fez um Governo, discreto. Formado em Direito, concluiu o curso de Medicina e tornou-se Médico. Ainda disputou eleição a estadual, mas sem êxito. Preferiu atuar em trabalho voluntário.
Vingt-un Rosado, assumiu a condição de intelectual da família Rosado, professor, escritor, palestrante e não disputou mais nenhum cargo público, à exceção da vereança em 1973, e sempre atuando ao lado dos irmãos Dix-huit e Vingt.
Para os cientistas políticos das nossas universidades, o que não falta é pauta. Começando por 56 anos depois não ter sobrado ninguém (ou sucessor) com o discurso daquela campanha inesquecível.
Antônio Rodrigues foi o nome de Aluízio à disputa memorável (Foto: Arquivo do Relembrando Mossoró)
E pela primeira vez, em muitos anos, em Mossoró, se está iniciando uma campanha eleitoral sem nenhum Rosado candidato, nem nenhum sucessor de Aluízio.
Estou próximo de completar 39 anos de atividade continua no jornalismo e 17 desta plataforma – www.blogcarlossantos.com.br. Dei-me conta há poucos dias que os 40 estão rondando por aí. Sinceramente, não sei se chego lá. Dobrei o Cabo da Boa Esperança e estou na etapa final, quase uma prorrogação.
De verdade: nunca imaginei tanto nessa longa estrada da existência terrena e numa atividade profissional que não estava nos meus planos mais primários.
Até pensei, menino mirrado e asmático que fui, adolescente também, que jamais chegaria tão longe na vida. E, nesse ofício, menos ainda.
O jornalismo me salvou, me abduziu, me deu a chance de viver com apetite e querendo viver mais. De ser feliz, mesmo quando os manchetes do meu íntimo diziam: “Não. Não vai dar certo.” É meu lazer, meu parque de diversões. Onde me encontro e reencontro-me todos os dias.
Sigo aprendiz, sobretudo porque gosto da companhia e dos ensinamentos dos mais jovens. Mas, impossível esquecer o encantamento com professores como Cassiano Arruda Câmara, Dorian Jorge Freire, Jaime Hipólito Dantas, Givanildo Silva, Aluízio Alves e Vicente Serejo, por exemplo. Ricardo Kotscho, Luiz Fernando Imediato, Hélio Fernandes, Mauro Santayana, Elio Gaspari, Sylvio Costa, David Nasser, Gilberto Dimenstein, Carlos Lacerda…
Quero mais e mais fazer o que faço no webjornalismo, no rádio e televisão. Sem esquecer a escola do jornal impresso, a experiência inovadora e surpreendente do Herzog Press (jornal via fax que lancei em fins dos anos 90).
A disposição física não é aquela de décadas. Mas, o apetite em aprender, a curiosidade, a febre da reportagem, o detalhismo da textualização, o foco no título, o zelo nas legendas e fotos, tudo continua como antes.
Tive frustrações, tentei largá-lo, senti-me atraído pela advocacia, mas a paixão e um pouco da razão de viver me chamaram de volta. Puxaram-me uma, duas, três vezes ou mais às redações.
Desisti de desistir. Chega.
Eloísa, meus filhos, netos, amigos, webleitores, por favor não fiquem com ciúmes. Essa não é uma crônica que menospreza vocês, mas uma confissão de amor para me sentir vivo.
Já disse e repito: enquanto der, dará.
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Hillary e Louise Penny em livro (Fotos: Evan Agostini/Invision/AP/Jean-Francois Bérubé/AP/picture alliance)
Por esses dias, ainda xeretando o Goodreads (o tal “maior site do mundo para leitores e recomendações de livros” – veja crônicas anteriores AQUI e AQUI) e suas sugestões de romances de suspense e mistério, dei de cara com um romance que me chamou muito a atenção – “State of Terror” (2021), por Hillary Rodham Clinton (1947-) e Louise Penny (1958-) –, em princípio não tanto pelo seu conteúdo, mas por se tratar, uma das suas autoras, da mui famosa outrora primeira-dama e secretária de Estado dos EUA. Hillary Clinton é autora de livros diversos, memórias em especial, eu tinha já ciência. Mas não sabia que ela havia se metido nessa coisa de suspense e investigações.
Madame Clinton, obviamente, entende das coisas da política como poucos, podendo, assim, ser mais que imaginativa para fins de uma ficção relacionada a conspirações dentro de um governo. Sem querer especular demais, talvez tenha sido por isso que o livro é escrito em coautoria com a canadense Louise Penny, que efetivamente é do ramo (literário-ficcional, deixo claro).
De toda sorte, isso de um político célebre se meter com a literatura, incluindo a ficcional, não é algo incomum. Dessa bivalência, temos exemplos que vêm de longe, no tempo e no espaço.
Na antiga Roma, o “divino” Júlio César (100a.C.-44a.C.) escreveu o famoso “De Bello Gallico”, até hoje obra de referência para o estudo do latim, embora ele reconhecesse invejar a poesia moderna e maledicente de Catulo (84a.C.-54a.C.). E ali teve, claro, o enorme Cícero (106a.C.-43a.C.), jurista, filósofo, político, escritor e orador, que nos deixou dezenas de obras, nunca superadas, nem ontem, nem hoje.
Na querida Inglaterra, Benjamin Disraeli (1804-1881), um dos mais importantes Primeiros-Ministros do Reino Unido, homem de solidez intelectual (com formação em direito), tem seu lugar na história da literatura do país. Ele escreveu inúmeros romances – “Vivian Grey” e a trilogia “Coninasby”, “Sybil” e “Tancred”, por exemplo – alcançando grande fama. A citada trilogia é tida pelo “The Oxford Companion to English Literature” como iniciadora da ficção política em língua inglesa. Já Winston Churchill (1874-1965), que dispensa apresentações, foi um orador brilhante, com seus discursos considerados como clássicos dessa arte (quem não se lembra de “sangue, suor e lágrimas” ou de “nunca tantos deveram tanto a tão poucos”?).
Mas ele foi também um historiador/escritor de imenso talento. Viveu das rendas de seus livros e artigos em jornais e revistas. Contados apenas os publicados em vida, sua obra passa dos 50 títulos. São destaques “A History of the English-Speaking Peoples” e “The Second World War”, que certamente tiveram um peso decisivo para a obtenção do Prêmio Nobel de Literatura em 1953.
Aqui no Brasil, numa passada rápida, tivemos o “Águia de Haia”, o polímata Rui Barbosa (1849-1923), jurista, diplomata, jornalista, filólogo, tradutor, político, orador e escritor, várias vezes candidato à Presidência da República, que foi o nosso Cícero, ouso dizer. Temos José Sarney (1930-), que, embora não tão brilhante quanto Rui, chegou à Presidência e é um ficcionista de inegável talento. E ainda Fernando Henrique Cardoso (1931), que, além de ex-Presidente do país, é um intelectual, sociólogo, cientista político e memorialista de importância deveras reconhecida.
Mais próximo de nós, Pernambuco nos deu, a título de exemplo, Joaquim Nabuco (1849-1910), entre outras coisas biógrafo/memorialista como poucos no Brasil. “Um estadista do Império” e “Minha formação” são maravilhas, sem dúvida. Aqui no Rio Grande do Norte, guardadas as proporções da nossa província, consigo lembrar dos governadores/ficcionistas Antônio José de Melo e Sousa/Polycarpo Feitosa (1867-1955) e Geraldo Melo (1935-2022), e de Elói de Souza (1873-1959), José Augusto Bezerra de Medeiros (1884-1971) e Aluízio Alves (1921-2006), que, embora não ficcionistas, escreveram livros de importância regional incontestável.
Mas disso de político escrever literatura/ficção em coautoria, com a marcante ajuda de outrem, como em “State of Terror”, não tinha ainda me dado bem conta. Tem seu lado bom, claro.
Imaginem os “insights” ou as “inside informations” que podem ter sido oferecidas por Hillary Clinton para um livro intitulado “Estado de terror”, cuja personagem principal é exatamente uma jovem secretária de Estado dos EUA? Contanto que ela não tenha vasado informação realmente sensível, que seja tudo tecnicamente público, às claras, maravilha das maravilhas.
Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República e doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL
Por Vicente Serejo (Coluna Cena Urbana/Tribuna do Norte)
Os olhos das gerações jovens enxergam em Aluízio Alves só o político e o jornalista, mas é nos olhos temperados pelo tempo que esse homem se ergue por inteiro. O político lutou com o poder e o jornalista com a palavra. Ele sabia que a política e a palavra se completam, e que ambas são poderosas como armas de conquista. Tão poderosas que esconderam na memória coletiva a grandeza de um personagem que foi um grande semeador na história intelectual da província.
Peças do Memorial Aluízio Alves (Foto: Reprodução)
O pequeno jornal datilografado na máquina do seu pai, com as notícias da sua aldeia, a Angicos do fim dos anos trinta, logo ficou pequeno para caber seu talento precoce. Em outubro de 1940, aos 19 anos, é convidado a fazer uma conferência na Semana de Cristo Rei, em Angicos. Ao invés de um simples discurso, escreve um verdadeiro ensaio voltado para retratar não só os traços religiosos, mas a visão inovadora do panorama social, cultural e econômico do seu povo.
Poderia ter sido algo episódico, nascido da sua forte vocação política. Não foi. E tanto não foi que no mesmo ano de 1940 retira da gaveta seu primeiro livro: Angicos, edições Pongetti, Rio, sua revelação de semeador. E cria a ‘Biblioteca de História Norte-Riograndense’, a primeira coleção planejada para cumprir, com um pioneirismo inédito no Estado, um amplo conjunto de visões planejadas para que retratassem a história do Estado nos diversos ângulos e percepções.
Convidou José Augusto Bezerra de Medeiros a escrever o título inaugurador: ‘Famílias Seridoenses’. Seu livro ‘Angicos’ foi o segundo título e ‘Mossoró’, de Vingt-un Rosado, o terceiro. Manoel Dantas escreveu ‘Homens de Outrora’ e Adauto Câmara biografou Nísia Floresta. José Augusto ampliou com ‘Seridó’ e ‘O sal na economia norte-riograndense’. Com um detalhe: as obras eram subscritas por autores e leitores, garantindo a independência da coleção.
Eleito deputado constituinte em 1946, a tintura épica da palavra política começa a vencer o lírico da expressão literária. Mas, nos anos sessenta, já governador, retorna às velhas e boas raízes, e lança a ‘Coleção Jorge Fernandes’, reveladora de nomes como Dorian Gray, Sanderson Negreiros, Miriam Coeli, Celso da Silveira, Augusto Severo Neto – com projeto gráfico moderno – dimensões iguais, capas e manchas impressas padronizadas, numa grande e bela semeadura.
Foi Aluízio que sugeriu a Câmara Cascudo uma nova ‘História do Rio Grande do Norte’, nos anos quarenta, e que seria lançada em 1955, com apoio do então governador Sylvio Pedroza. A Eloy de Souza, sugeriu as ‘Memórias’. E fez outras sugestões que o tempo realizou.
Fascinado pela palavra, fundou esta TN há 73 anos e realizou um governo inovador que a História preserva como marco revolucionário. Só os pensadores são bons semeadores e vivem além do seu tempo.
Walter e Fátima Bezerra na transmissão de cargo dia passado (Foto: Governo do RN)
A oligarquia Alves e o MDB estão de volta ao topo do Executivo no Rio Grande do Norte, embora de forma interina. Ontem à noite (domingo, 26), o vice-governador Walter Alves (MDB) assumiu o Governo do Estado, com a viagem administrativa à Europa da governadora Fátima bezerra (PT).
Filho do ex-governador, ex-ministro e ex-senador Garibaldi Filho (MDB), Walter Alves permanece no comando do Estado até domingo (5). Assim, a oligarquia Alves volta a governar o Rio Grande do Norte pela primeira vez em mais de vinte anos.
Eleito em 1994 e reeleito em 1998, ainda na sigla PMDB, Garibaldi foi governador até abril de 2002, quando renunciou para concorrer ao Senado. Assumiu, na época no PPB, o vice Fernando Freire.
Desde então, o MDB dos Alves viu ascender ao Governo do Estado Wilma de Faria (eleições de 2002 e 2006 – nesta, derrotando o próprio Garibaldi); Iberê Ferreira (com a renúncia de Wilma para disputar o Senado, em 2010); Rosalba Ciarlini (2010); Robinson Faria (2014) e Fátima Bezerra (2018).
Em 2022, o MDB indicou Walter Alves como vice da governadora. A assunção ao Governo do vice-governador, portanto, coroa essa aliança exitosa para a oligarquia Alves.
Ainda fazem parte dessa ala político-familiar o ex-deputado federal Henrique Alves (PSB) e o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT) – ambos derrotados em 2022, respectivamente, à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal. Carlos Eduardo também perdera ao Governo do Estado, em 2018.
Oligarquia longeva
Aluízio e Agnelo abriram caminho (Foto: Arquivo da TN)
Todos são produtos do grupo político criado por Aluízio Alves (1921-2006), que consolidou poder ao vencer a disputa pelo Governo do Estado, em 1960. Também foi expoente dessa ala política o jornalista Agnelo Alves (1932-2015), ex-deputado estadual, ex-senador, ex-prefeito de Natal e de Parnamirim.
Aluízio, pai de Henrique, e Agnelo, pai de Carlos Eduardo, são irmãos do ex-senador Garibaldi Alves (1923-2022), pai de Garibaldi Filho.
Walter Alves, pois, compõe a terceira geração dessa oligarquia política, que se mantém ativa há pelo menos 78 anos, quando, em 1945, Aluízio Alves foi eleito deputado federal.
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O clã Alves foi praticamente destroçado nas urnas de domingo (2). Sobrou a eleição a vice-governador do deputado federal Walter Alves (MDB), puxado pela governadora reeleita Fátima Bezerra (PT).
Garibaldi, Carlos e Henrique tiveram nova reprovação nas urnas (Foto: jornal Agora/arquivo)
Rachados, divididos, carregados de mágoas, os primos-irmãos Garibaldi Filho (MDB) e Henrique Alves foram para a primeira campanha distantes um do outro, candidatos pela primeira vez na mesma faixa de concorrência.
Ambos perderam.
Garibaldi conseguiu votação expressiva para a Câmara dos Deputados, com 92.753 votos (4,96%), sendo o quinto mais votado. Porém, sua nominata não o impulsionou à vitória. Em 2018 enfrentou o insucesso da reeleição ao Senado.
Situação de Henrique Alves foi mais penosa. Depois de 11 mandatos federais, tentava retornar a Brasília, mas naufragou com uma campanha famélica que resultou em apenas 11.630 votos (0,62%). Foi o terceiro em seu novo partido, que não elegeu ninguém a deputado federal ou estadual. Antes, fora derrotado ao Governo do RN em 2014.
Favorito ao Senado, puxado pela governadora Fátima e o PT, o ex-prefeito natalense Carlos Eduardo Alves (PDT) tombou nas urnas para Rogério Marinho (PL). Foi o segundo colocado na disputa de uma única vaga (veja AQUI). Em 2018, tentara sem êxito chegar ao Governo do RN.
Carlos teve 565.235 votos (33,40%), enquanto o vitorioso chegou a 708.351 votos (41,85%). Maioria de 143.111 (8,45%) para Marinho.
É um adeus dos Alves na política, história começada no fim dos anos 40 por Aluízio Alves? Provavelmente, não. Porém, é mais um sinal claro de fim de ciclo.
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Garibaldi evitou salamaleque e ficou quase mudo; Henrique falou e gesticulou muito em rápido encontro (Reprodução de vídeo de Matheus Peres)
Primos e parceiros políticos por mais de 50 anos, o ex-deputado federal Henrique Alves (PSB) e o ex-senador Garibaldi Alves Filho (MDB) estão rompidos há alguns meses. E passam a vivenciar uma campanha à Câmara dos Deputados que é experiência incomum para eles.
Antecipar a eleição de ambos ou de um deles, hoje, é precipitado. Não está fácil para nenhum dos dois.
Disputam a mesma faixa de eleitor, por partidos diferentes e com questões pessoais e políticas não sanadas. Dia 3 de janeiro deste ano (veja AQUI), Garibaldi proclamou: “Não existe nenhuma possibilidade de conciliação com Henrique este ano.”
Henrique foi praticamente expulso (veja AQUI) do MDB (sua única legenda desde início da carreira) e Garibaldi prometeu ainda “tirar” votos dele, se preciso (veja AQUI).
No último dia 16, os dois tiveram um encontro casual de pouco mais de um minuto em Caicó, na Granja Caiçara, do prefeito de Natal e origem caicoense, Álvaro Dias (PSDB). De um lado, Garibaldi monossilábico; do outro, Henrique com gestual carregado e falante. Cumprimentaram-se em tom polido e conciliatório diante de alguns interlocutores.
Depois, cada um foi para seu lado.
Em 1990, Henrique e o pai Aluízio Alves conseguiram o feito no mesmo partido – o PMDB. Em 1998, Henrique e a irmã gêmea Ana Catarina Alves repetiram a façanha também no peemedebismo.
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O marketing do pré-candidato a senador, ex-ministro Rogério Marinho (PL), transformou ataque pejorativo atirado contra ele pelo presidenciável Lula (PT), ontem em Natal (veja AQUI), numa peça de propaganda positiva.
De um limão, Marinho tenta fazer uma limonada.
Rogério já usa em suas peças de divulgação o escárnio proferido por Lula: do limão, uma limonada (Reprodução do Canal BCS)
Em discurso no pátio da Arena das Dunas na quinta-feira (16), Lula ironizou a própria existência do ex-ministro, sua origem potiguar e o tratou por “baixinho” e “desgraçado”.
Ele agora é o “Baixinho”. Assume e assume-se satisfatoriamente, com sorriso de orelha a orelha.
O apelido depreciativo deverá se tornar um símbolo à própria campanha, para criar rápida empatia popular.
Nas redes sociais e já nas ruas, a propaganda corre solta.
É o “Mito e o Baixinho”, ou seja, Jair Bolsonaro e Rogério Marinho.
Desdém faz bem
Vale lembrar que em 2008, fazendo campanha para Fátima Bezerra à Prefeitura do Natal, Lula soltou impropérios em discursos, na direção da adversária Micarla de Sousa (PV). Foi um combustível aditivado para a ‘baixinha’ arrancar de vez à vitória, como vítima.
Na história da política, em todos os tempos, a conversão do menosprezo em peça de propaganda favorável, não é algo raro. No RN, por exemplo, os casos mais emblemáticos são os de Aluízio Alves e Geraldo Melo, que protagonizaram em 1960 e 1986 duas vitórias históricas.
Aluízio foi ridicularizado como “Cigano Feiticeiro” e seu eleitor como “gentinha”, pela campanha do adversário Dinarte Mariz. Venceu.
Geraldo foi humilhado como “Tamborete” pelo marketing de João Faustino, seu principal contendor, em face da baixa estatura. Fez da humilhação com peça do mobiliário sertanejo no maior símbolo de seu triunfo.
Enfim, não é incomum o bullying político se voltar contra quem o arremessa.
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Ex-presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, um dos quadros históricos do MDB, vai deixar a sigla nesta quarta-feira para se filiar ao PSB no Rio Grande do Norte.
O ex-cacique emedebista tornou-se uma figura isolada no partido e decidiu buscar novos rumos após escrever uma carta aos apoiadores. Emocionado, ele diz que avisou a Michel Temer e ao presidente da sigla, Baleia Rossi, da decisão.
Henrique sai desejando boa sorte a quem fica no MDB do RN (Foto: Marcelo Camargo)
A carta do ex-deputado:
“Prezadas e Prezados conterrâneos! Queridas e Queridos bacuraus!
Queria, por um milagre, que todos vocês pudessem me ver agora, escrevendo essas palavras.
Uma emoção intensa, imensa.
Um filme passando diante de meus olhos, em câmera lenta… MDB, a minha história.
1966, 56 anos de vida do MDB. 1970, início do meu caminhar.
Naqueles tempos difíceis, eu, um jovem de 21 anos, segurava a bandeira verde do MDB, com a coragem do mundo… porque aprendi cedo, com meu pai, que a luta é constante e a esperança não morre…
Nunca estive só, pois sempre esteve ao meu lado o bacurau solidário, polegar para cima, camisa verde, o abraço, o aconchego. GRATIDÃO!!!!
Construímos, ao lado de tantos companheiros, de ontem e de hoje, uma casa linda, aconchegante, fraterna e democrática.
Nesse caminhar de lutas e ideais, o reconhecimento do meu estado, que na minha décima primeira eleição, em 2010, me presenteou com a maior votação da minha história: 191 mil votos!
Nessa estrada de muito trabalho e serviços prestados, sofri também derrotas, percalços e provações, mas sem jamais esquecer minha origem e fortaleza: o ninho bacurau.
Até que Deus, com sua bênção, me deu a maior vitória no Judiciário nacional: a absolvição, por unanimidade, de uma acusação absurda. Justiça foi feita!
Do Brasil, recebi o parabéns respeitoso. Do Rio Grande do Norte, o carinho e a solidariedade pelo reconhecimento da minha inocência. Bacurau verdadeiro, livre, enfim, para voar…
Sobreveio, então, um estranho e inesperado gesto: a direção estadual do MDB não reconheceu os meus longos anos de militância no partido. Passou a não me ver, não me ouvir, não me falar. Não me querer…!
Infelizmente, aquela casa que construímos se apequenou. Não falo de números, falo de sentimentos. O querer bem e fazer o bem.
Saio hoje do MDB ao qual dediquei toda a minha vida. Porque a escolha, como disse Nelson Mandela, “tem que refletir a esperança e não o medo.”
Sigo movido pela esperança que nunca me faltou.
Agradeço aos partidos Cidadania, PSB, Republicanos, PL, Avante, pelos convites tão honrosos que demonstram respeito pela nossa história e correção.
Aos que ficam, sem ressentimentos, desejo boa sorte!
Vou buscar meus caminhos de paz, porque tem muito Rio Grande do Norte pela frente!
E, na saudade abençoada do meu pai, “sem ódio e sem medo.”
Nota do Canal BCS (Blog Carlos Santos) – O ex-deputado vai chegar ao PSB para um desafio incomum: ser Henrique do MDB longe do MDB, onde divergências com o primo Garibaldi Filho e o filho deste, Walter Alves, levaram-no a um expurgo. Isso, mesmo que há poucos dias o MDB do RN, através deles, tenha sinalizado que não estaria colocando vetos à sua permanência. Quem acreditou?
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O ex-deputado federal Henrique Alves (MDB) não demorou a reagir às declarações duras (veja AQUI) do primo Garibaldi Filho (MDB), sobre decisão de distanciamento político entre ambos. O racha político é também familiar.
“Só gratidão e respeito a Garibaldi. Sabemos o que vivemos juntos!” – prefere pacientar.
Henrique evita confronto, reforça laços, rebobina o passado, e repete o pai e líder de ambos, Aluízio Alves: segue “sem ódio e sem medo”.
Veja depoimento de Henrique na íntegra, abaixo:
Aluízio, o pai e líder de Henrique, inspiração levantada hoje pelo filho (Foto: arquivo)
Diz o ditado popular; “quando um não quer, dois não brigam”.
Por isso não esperem de mim uma resposta sequer agressiva em relação ao primo, amigo, companheiro de MDB de 51 anos.
Só gratidão e respeito a Garibaldi. Sabemos o que vivemos juntos!
Surpreso, sim.
Até porque nos falamos no meu aniversário em dezembro, Natal e Ano Novo quando nos desejamos fraternalmente boas festas e felicidades.
A vida e suas circunstâncias…
Realizei a vida política, partidária e pública na escola de meu pai.
Até no se levantar, no resistir às injustiças e vencê-las.
Assim, a bandeira verde, da esperança, sempre a tremular nas minhas mãos sob o julgamento do povo do Rio Grande do Norte, que me deu 11 mandatos de deputado federal.
Hoje não é diferente.
O carinho, o abraço e emoção no reencontro são alegrias que me fortalecem e estimulam na luta que sempre continua.
Sem ódio e sem medo. Como Aluízio, meu pai, nos ensinou desde 1970.
Em tempo, a única campanha que não pude ajudar a Garibaldi foi a última de 2018, quando ainda sofria absurdas limitações de brutal injustiça. O RN também sabe disso.
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Ana e Henrique: embate e reconciliação (Foto: Web)
O abalo nas relações política do sistema Alves, que ganha dimensão ainda difícil de ser medida com segurança, não é algo novo. Nem deve-se atribuir ao ex-prefeito natalense Carlos Eduardo Alves (PDT) o “pioneirismo” nesse comportamento arredio.
Filha do ex-governador Aluízio Alves e Ivone Lira Alves, Ana Catarina Alves, irmã do ex-deputado federal Henrique Alves (MDB), causou racha familiar e político ainda nos anos 80 do século passado.
Eleita vereadora em Natal pelo PTR em 1988, ela acabou atraída para o PFL dos adversários figadais de seu clã, os Maias.
Em 1992, Ana bateu de frente na disputa da Prefeitura do Natal com o irmão Henrique, que foi para o segundo turno, mas acabou derrotado pelo engenheiro sanitarista Aldo Tinoco Filho (PSB)..
A reconciliação política e familiar só aconteceu alguns anos depois, em 1997, com a “mana” de Henrique filiando-se ao PMDB (hoje, MDB). Em 1998 foi reeleita à Câmara Federal no PMDB. Até então, ela estava no mandato da legislatura anterior, em face da morte do titular Carlos Alberto de Sousa.
Um dos últimos grandes grupos oligárquicos sobreviventes na política do RN, o clã Alves está fracionado em três pedaços. Num passado bem remoto era monolítico e sólido; virou possessão de três ramos da família nesse período de pré-campanha.
Garibaldi, Carlos e Henrique já formaram sistema monolítico no passado remoto (Foto: jornal Agora/arquivo)
Ninguém se entende.
O sistema que nasceu da liderança e “costela” do ex-governador Aluízio Alves, o maior fenômeno popular do estado em todos os tempos, não fala a mesma língua. O que antes poderia ser tratado como estremecimento pontual e sanável, já é nitidamente um racha acentuado.
Com a proximidade das eleições de 2022, essa crise babélica só se aprofunda, a ponto de ter projetos paralelos e distintos, que não se conjugam. As ramificações excluem-se.
O ex-senador Garibaldi Filho (MDB) e seu filho. deputado federal Walter Alves (MDB), tratam de negociar aliança com o PT do ex-presidente Lula, no RN. Nessa mesa de acertos, não entra o ex-deputado federal Henrique Alves (MDB).
Henrique pode ser novamente candidato à Câmara Federal, casa onde esteve por 11 mandatos. Porém, não tem o controle partidário nem é estimulado por Garibaldi. A legenda está nas mãos do ressentido primo-segundo Walter Alves.
Noutra frente, o ex-prefeito natalense Carlos Eduardo Alves (PDT) pavimenta seu próprio caminho alheio à desafinação dos primos Henrique e Garibaldi (com Walter). Na verdade, de dissidência familiar Carlos entende, pois se chocou com eles outras vezes.
Garibaldi, filho de Garibaldi Alves; Henrique, filho de Aluízio Alves; Carlos Eduardo, filho de Agnelo Alves. A política e os Alves não são mais os mesmos.
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No passado era assim a relação entre Henrique e Walter: só sorrisos (Foto: web)
Na próxima disputa à Câmara Federal no Rio Grande do Norte, outra vez com oito vagas disponíveis, é muito difícil que tenha espaço ao sucesso de dois Alves.
Se o ex-deputado Henrique Alves resolver ser outra vez candidato para chegar ao 12º mandato, talvez o primo Walter Alves (MDB) acabe sobrando.
Está aí uma parte da carregada atmosfera familiar no clã Alves.
Foi-se o tempo em que elegia pai e filho (Aluízio Alves e Henrique Alves) à Câmara Federal, como em 1990.
Ou os irmãos gêmeos Henrique e Ana Catarina Alves, em 1998.
Acompanhemos.
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Jaime Hipólito Dantas, natural de Caicó, escolheu o chão de Mossoró para viver, trabalhar e fazer amigos. Promotor de Justiça, professor, escritor, prosador brilhante, crítico literário, grande intelectual da terrinha, era redator de um programa político veiculado na Rádio Tapuyo de Mossoró de nome “O Prato do Dia”.
Era campeão de audiência no horário, graças à ironia picante do grande escritor caicoense.
Era apresentado por Souza Luz, que motivado pelo sarcasmo de sua voz, era detestado pelos adversários de sua corrente política.
Por ser seguidor fiel de Vingt-Rosado, (à época inimigo de Aluízio Alves), o programa tinha uma linha editorial sempre voltada para detratar Aluízio e mostrar as virtudes de Vingt. Isso durante muito tempo até enquanto durou o afastamento político de ambos, tão grande que transformou adversários em ferrenhos inimigos.
Com o passar do tempo e o amadurecimento político dos desafetos, aconteceu o que era tido como praticamente impossível: Aluízio e Vingt fumaram o cachimbo da paz.
Com o fato ocorrido, o “Prato do Dia”, passou a encontrar em Aluízio grandes qualidades até então desconhecidas.
Questionado sobre o porquê da mudança tão brusca no programa, por que Jaime Hipólito vivia esculhambando Aluízio Alves e de repente passou a elogiá-lo, diariamente, o redator não titubeou:
– Mandamos apurar e descobrimos que era tudo mentira.
Morreu o ex-deputado federal Wanderley Mariz, 79. Estava internado na Casa de Saúde São Lucas, em Natal, com Covid-19. Nessa quinta-feira (2), já ocorrera constatação de morte cerebral pela manhã (veja AQUI). À tarde, veio o desfecho de seu óbito.
O jornalista Cassiano Arruda, no blog Território Independente, escreve sobre sua trajetória. Reproduzimos abaixo:
Por Cassiano Arruda (Território Independente)
Nos anos 60′ e 70′, em pleno “Milagre Brasileiro”, nosso Rio Grande do Norte era unânime com os governos militares, mas mantinha uma arenga interna, cada lado com uma bandeira própria.
Mariz: ontem e hoje (Fotomontagem Território Livre)
A bandeira verde de Aluízio Alves e a bandeira vermelha de Dinarte Mariz.
As duas bandeiras cabiam na legenda da Arena (Aliança Renovadora Nacional), o partido governista, quando a Arena-verde, perdeu a expressão, com a cassação de Aluízio Alves, Garibaldi Alves e Agnelo Alves, único caso de uma mesma família ter sido toda cassada.
A Arena-verde virou MDB, e o partido que cabia num fusca recebeu os estudantes Henrique Eduardo e Garibaldi Filho, que se elegeram com grande votação e levaram a mensagem da oposição ao povão, já em 1970, quando a Arena teve seu melhor desempenho.
Outra disputa
Faltava um nome novo para enfrentar o MDB.
E a Arena vermelha atraiu o filho mais novo de Dinarte, que estudava no Rio de Janeiro, Titi, que tinha 34 anos. Vigolvino Walderley Mariz, o filho mais novo de Dinarte que fez dobradinha com Moacyr Duarte, um dos parlamentares mais experientes, genro de Dinarte Mariz.
Wandeley elegeu-se Deputado Federal em 74 e 78, pela Arena, e, em 1982 pelo PDS. Em 1986 foi candidato a Senador, mas não se elegeu.
Wanderley não voltou mais para o Rio, ficou em Natal e ganhou a missão de preservar “Solidão“, a fazenda do pai, em Serra Negra palco de muitos acontecimentos da política potiguar.
O menino do Rio virou um seridoense de Natal.
Do Rio, manteve uma única paixão, o Fluminense, o seu time. E daqui acompanhou de longe, o êxito dos filhos, Wanderley, que elegeu-se Vereador, Vitor, Procurador da República e o advogado Rubem Mariz.
Ainda foi Secretário da Justiça no Governo Geraldo Melo, e depois mesmo sem ocupar nenhum cargo não perdeu a ligação com a política.
Em 2008 disputou – também sem êxito – a Prefeitura de Caicó. Na última campanha, apoiou Bolsonaro, falando aos dinartistas…
Hoje à tarde, depois de ter comprovada a morte cerebral, o coração de Titi parou de bater. Foi mais um derrotado pelo terrível Covid-19.
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Assistindo pelos noticiários televisivos a chegada das águas do rio São Francisco ao estado do Ceará, portanto podemos dizer que às portas do Rio Grande Do Norte, algumas recordações afloraram em minha memória, de muita coisa que vivi nos anos 90 ao lado do ministro Aluízio Alves.
Foi Aluízio quem resgatando um sonho antigo deu forma ao projeto de transposição que hoje é uma realidade. Foram muitas resistências ao projeto, uma luta grande que só um gigante como ele tinha coragem para enfrentar, mas sua capacidade de ação venceu todas as adversidades e no dia 21 de dezembro de 1994, em solenidade no Palácio do Planalto, ele entregava ao presidente Itamar Franco o projeto todo concluído, e o presidente assinou, tornando-o irreversível.
Aluízio Alves, no ministério de Itamar Franco, apresenta mapa com delineamento da transposição (Foto: arquivo JDN)
Lembro-me entre muitas autoridades presentes nesse momento, senadores, ministros, deputados, governadores, a presença do ex presidente José Sarney que ao terminar a solenidade veio até Aluízio, parabenizou-o e disse: “Sem você esse projeto durará mais 100 anos para se concretizar”.
Durou 26 anos para chegar até o dia de ontem no Ceará.
Quanto tempo mais irá durar para chegar ao RN ? Se não fossem os interesses contrariados e a pequenez política de grupos da Bahia e Pernambuco, que se posicionaram contra a obra, que certamente é um marco na história do Brasil, Aluízio teria deixado esta grande realização em pleno funcionamento, em apenas um ano.
Seu interesse e entusiasmo pelo projeto era tanto, que parecia um jovem enfrentando seu primeiro grande desafio de vida. Não desanimou um só minuto! Sua palavra de ordem para todos era tocar e vencer.
Aliás, não existia derrota em seu vocabulário, mesmo quando os ventos sopraram contrário, quando teve insucesso eleitoral, Aluízio sempre se saía vencedor. Lembro-me também que em seu discurso no Palácio do Planalto, ao entregar ao presidente o projeto concluído, ele sugeriu que fosse dado ao principal canal da transposição, o nome de Canal da Esperança.
Hoje, quase três décadas depois, e nas vésperas do seu centenário, eu na condição apenas de brasileiro, gostaria de sugerir que seja dado o nome dele ao menos ao braço que trará a água ao RN. A sua luta, a sua história, fazem jus a essa e a muitas outras homenagens que ele possa vim a ter.
Quero aqui também resgatar e homenagear o empresário Abelírio Vasconcelos da Rocha, carinhosamente chamado de “ Bira”, que foi por ele convocado para essa luta e não se negou. Ocupou a Secretaria Nacional de Irrigação e muito se doou pela causa. Bira, assim como Aluízio, era um incansável, dia e noite no ministério; ambos deram alma ao projeto.
Lembro dele em todas as viagens, a nascente do rio São Francisco, a Petrolina (PE), a Fortaleza(CE), sempre com uma palavra oportuna e uma opinião inteligente para contribuir. Juntamente com Bira, trabalharam também no projeto Rômulo Macedo e Alexandre Firmino. Também quero destacar para esse momento atual o trabalho do deputado Henrique Eduardo Alves, que com seu prestígio, sua atuação muito contribuiu para a continuidade do sonho que seu pai muito bem sonhou, ser realidade.
Presidiu a Comissão Extraordinária da Transpiração na Câmara dos Deputados, brilhou na condução dos trabalhos e sempre que o assunto no Congresso Nacional era transposição, lá estava Henrique contribuindo e procurando uma solução para que o projeto pudesse ter saído do papel.
Por tudo isso não poderia deixar passar esse momento sem minha humilde homenagem ao meu querido e saudoso mestre, que absorveu muito bem o provérbio chinês que diz: “ Não existe nenhuma tarefa impossível se existir persistência”.
Assim como a transposição, Aluizio foi um marco em nossa história. Sua falta é imensa, sua saudade não se define, mas sei que aí do céu você intercedeu e torceu para que as águas do São Francisco banhassem as secas terras do semi-árido nordestino e matassem a sede de muitos irmãos.
Joaquim Duarte Neto é ex-assessor executivo do então ministro Aluízio Alves
Elas são tudo, mas sempre relegadas ao secundário imerecido. Pois é da condição do polegar opositor aos outros dedos que o ancestral nosso diferenciou-se dos seus primos macacos para evoluírem até onde chegamos. Sem esse polegar tocando a ponta dos outros dedos nós não existiríamos. Nem a tecnologia.
Mas, como tudo que parece fácil e simples, as mãos raramente ocupam lugar de destaque na preocupação médica. Elas pegam as coisas, sustentam a arrumação, tocam punheta. Tudo muito natural. Tão natural que são esquecidas. As unhas, que são os cascos dos dedos, as mulheres enfeitam, os homens cortam e os exóticos exibem.
Mas isso é outra história. Vou tratar das minhas mãos. Sou um dependente de bebida alcoólica. Não vivo sem o álcool. Melhor dizendo, sem cerveja. Bebo quando quero, mas quero todo dia. Não abro mão da cerveja da tarde.
Quando preciso não beber por qualquer motivo, tiro de letra a abstinência. Para tratamento médico ou cirurgia, que já fiz duas de catarata. E cumpro sem problema. Ou como dizia Aluzio Alves, nas campanhas que fizemos, do mesmo lado ou de lados opostos, “você é um bebo manso”. E sou.
Até agora reclamavam da bebida o fígado, o pâncreas, o pulmão, o intestino, o esôfago, o reto, os rins e até o fiofó. Hemorroidas que o digam.
As mãos? Só pra levantar os copos. Excluindo suas atividades eróticas. Mas em matéria de farra alcoólica, foram sempre secundárias. Chegou a vez delas. banhadas de álcool constantemente. Rindo dos órgãos de dentro.
E as vejo alegremente limpas pedindo mais…
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