Galeno falou também sobre afinidades históricas e familiares (Foto: Eduardo Maia/Arquivo)
Em entrevista a Rádio Cultura de Pau dos Ferros na tarde de quinta-feira (08/02), o deputado estadual Galeno Torquato (PSDB) confirmou que está em processo de migração partidária.
Galeno afirmou que aguarda a abertura da janela de transferência para definir seu rumo.
Deve encaminhar sua saída do PSDB e seu rumo será o União Brasil.
“Dentro do PSDB é possível que eu não fique e a tendência é de ir para o União Brasil” destacou Galeno.
O deputado justificou a aproximação com o União Brasil pelo distanciamento mantido entre o grupo do ex-deputado Getúlio Rego e Agripino e pela proximidade histórica mantida com o ex-senador que lidera a sigla no Rio Grande do Norte.
“É uma aproximação que começou do meu pai (José Torquato de Figueiredo) com Tarcísio Maia (pai de José Agripino e ex-governador do RN)”, reforçou o deputado.
O certo é que Galeno já atua no processo de articulação destinada a fortalecer o União Brasil que deverá receber alguns prefeitos da região como consequência da sua chegada.
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Por Tárcio Araújo (95 FM Mossoró, especial para o BCS)
Souza Luz nasceu em Areia Branca e faleceu aos 65 anos (Foto: Relembrando Mossoró)
Neste dia 07 de Novembro, quando se comemora no Brasil o Dia do Radialista, o Blog Carlos Santos (BCS) registra a data mergulhando num passado distante da radiofonia mossoroense. Num quadrante de tempo do século passado, a gente resgata a figura de José Maria de Souza Luz (1927-1992, 65 anos), radialista que dava voz ao programa “O Prato do Dia”, que entre as décadas de 50 e 60 teve seu ápice na Rádio Tapuyo (hoje, RPC).
Parte desse conteúdo é extraído do livro a ser lançado no início do próximo ano – “Memórias do rádio mossoroense” (Tárcio Araújo). O trabalho reúne pesquisa de 05 anos, num mergulho em fontes primárias e labirintos diversos, passando por livros, revistas, áudios, jornais antigos, bem como inúmeras entrevistas com familiares e ex-radialistas de Mossoró.
O Prato do Dia foi o programa político mais efervescente do rádio mossoroense durante a década de sessenta. Veiculado ao meio-dia pela Tapuyo, era apresentado pelo polêmico radialista areia-branquense “Souza Luz,” seu nome artístico e adotado no cotidiano da sociedade. Teve início em meados de 1956.
O seu nome sugestivo foi idealizado pelo notável jornalista e escritor Jaime Hipólito. Era dele que vinha o editorial diário lido e interpretado pela voz inconfundível de Souza Luz. Eram crônicas e artigos com duração média de 05 minutos, tendo como alvo preferencial os políticos adversários dos irmãos Rosado (Vingt e Dix huit), figuras mais proeminentes desse clã, desde a morte do governador Dix-sept Rosado em 1951 – irmão de ambos.
Jaime esquentava o texto para Souza Luz tocar fogo (Foto: Relembrando Mossoró)
Dupla com Jaime Hipólito
Aluízio Alves, que veio a ser governador do RN, tinha cadeira cativa no programa, sendo objeto das críticas, eventuais denúncias e questionamentos. O programa foi um caso de amor e ódio em razão de sua linha editorial ácida e impetuosa. De um lado, milhares de ouvintes seguidores dos Rosados; do outro, adversários.
Naquela época o Rio Grande do Norte vivenciava o tempo da política a ‘ferro e fogo’, e não havia limites para as hostilidades. A crônica mordaz de Jaime Hipólito se potencializava na voz ressoante de Souza Luz com sua dramatização impecável, robustecida de ênfases, pausas estratégicas e transpirações que passavam uma ‘imagem’ do que era focalizado. Numa analogia coloquial, Jaime acendia o fogaréu e Souza Luz espalhava as brasas.
“(…) O locutor Souza Luz, que não tinha o timbre aveludado de Jorge Ivan Cascudo Rodrigues, nem como este escandia sílabas, lendo a crônica denominada ‘Boa noite para você’, nem o timbre cristalino da voz de Genildo Miranda, estrela da emissora concorrente, fazia com sua voz roufenha leituras verdadeiramente memoráveis, abusando da ironia, pontuando palavras, valorizando pausas e acentuando imagens dramáticas,” lembra o escritor Tarcísio Gurgel, um ouvinte diário à época.
Texto e voz que se casavam na Rádio Tapuyo, nesse ‘prato’ diário servido à mesa do mossoroense, era mesmo recheado de ironias, imitações jocosas de políticos e comparações com criaturas do reino animal. A receita era um grande sucesso.
“O ex-senador Teodorico Bezerra, por exemplo, era reportado no programa como Rato Branco”, conta o radialista J.B de Andrade que trabalhou como operador de áudio da rádio Tapuyo neste período.
O ápice de O Prato do Dia foi nos anos de superlativo sucesso político nas urnas, na comunicação e no apelo de massas de Aluízio Alves, no governo estadual. O ‘cigano feiticeiro’ ameaçava o domínio dos irmãos Rosados em Mossoró e expandia no município uma crescente força que precisava ser combatida à moda daquele período: de forma radical, claro.
“(…) É fato que durante a campanha de 60 e depois da campanha, Aluízio dividia as famílias. A gente via casos de rompimento entre pai e filho por conta do acirramento político daquela época, e o Prato do Dia retratava bem isso aqui em Mossoró. Quem era partidário de Aluízio odiava o programa. Mas quem era contra o governador se deleitava com as crônicas narradas por Souza Luz,” rememora Laíre Rosado, genro do deputado estadual Vingt Rosado.
O ‘resgate’ de Souza Luz
Durante a campanha eleitoral para o governo do Estado em 1960, o radialista Souza Luz recebera constantes ameaças de surras dos eleitores de Aluízio Alves revoltados com as críticas que ele desferia ao político. Quando estava próximo ao encerramento da contagem dos votos, o resultado apontava vitória do candidato ‘bacurau’ contra Djalma Marinho. Nessa ocasião, Souza Luz transmitia a apuração do primeiro andar do prédio da União dos Artistas Mossoroenses, na praça Antônio Vigário Joaquim.
Do lado de fora, uma multidão se aglomerava em frente ao edifício ameaçando linchar o radialista. Era uma espécie de vingança coletiva pela campanha difamatória impetrada pela rádio Tapuyo durante todo o processo eleitoral, tendo Souza Luz como figura mais representativa. Para sua sorte, alguns soldados do Exército, que garantiam a segurança do pleito, foram acionados pela direção da emissora, conseguindo resgatá-lo. Souza Luz desceu rindo, escoltado, e sob xingamentos impublicáveis.
O fim
Em 1978, o então governador Tarcísio Maia escolhera o primo Lavoiser Maia para o substituir no poder, num tempo em que a ascensão à governadoria era indireta, sob nomeação do regime militar. Os nomeados eram denominados de “governadores biônicos.”
Dix-huit, candidato ao Senado em 1958, tem Souza Luz ao microfone (Foto: Cedida)
Essa decisão gerou enorme insatisfação para Dix Huit Rosado que também pleiteava o posto. No rosadismo, a sua escolha era vista como “natural” e certa, tamanho seu currículo. Ex-deputado estadual Constituinte, ex-senador, ex-prefeito de Mossoró, Dix-Huit encomenda uma crônica inflamada contra Tarcísio Maia e encaminha o conteúdo para que Souza Luz a apresentasse no programa.
Mossoró inteira sabia que a voz e a interpretação de Luz ampliavam o poder da mensagem. E Dix-Huit Rosado tinha convicção de que o conteúdo da crônica só alcançaria o efeito desejado se fosse transmitido na voz do locutor-âncora da Tapuyo.
Para não desagradar nenhuma das partes, Souza Luz se recusou a narrar a crônica, mesmo a mando do patrão. Pediu para o colega François Paiva executar a missão, e foi embora pra casa passo a passo.
Ao tomar conhecimento que não era Souza Luz quem estava na apresentação, Dix-Huit, ordena a suspensão imediata do programa e o convoca à conversa olho no olho.
No entanto, apesar dos apelos, o radialista manteve a posição e por consequência desse fato deixou o trabalho na Tapuyo. Encerrava assim uma carreira de 23 anos dedicados à emissora.
“Dias depois Tarcísio Maia o procurou para agradecer a solidariedade. Noguchi Rosado (sobrinho de Dix-huit e Vingt Rosado) também foi lá em casa pedir pra ele voltar ao trabalho, mas ele já estava decidido. Meu pai não queria se indispor com nenhum dos lados. Tinha uma boa amizade e consideração pelos dois, tanto Tarcísio quanto Dix Huit, que se sentia traído naquele momento. Foi uma decisão muito coerente da parte dele,” relata o filho do comunicador Souza Luz, José Maria de Souza Luz Filho, o “Zezinho.”
Depois disso, o radialista decidiu não atuar por outra emissora da cidade, apesar dos convites. Sua vida e trajetória estavam intimamente ligadas a rádio Tapuyo desde a fundação da emissora em 1955.
Nos anos 60, o radialista e o prazer, também, da Lambreta (Foto: cedida)
Três paixões
“Meu pai tinha três grandes paixões: a família, a política e a rádio Tapuyo,” aponta Zezinho.
Depois de deixar a rádio Tapuyo de forma prematura, aos 48 anos, Souza Luz deu sequência à atividade profissional de servidor público na coletoria do Estado. Permaneceu ligado politicamente à família Rosado até sua morte no ano de 1992.
Souza Luz foi um dos grandes nomes do rádio local, atuando no jornalismo político daqueles tempos, ao seu modo e de acordo com o método de comunicação exigido para a época.
Quer saber mais sobre histórias como essa, aguarde em 13 de Fevereiro de 2024 (quando se comemora o Dia Mundial do Rádio), o lançamento do nosso livro ‘Memórias do Rádio Mossoroense.
Com a posse dos novos deputados federais nesta quarta-feira (1º), em Brasília, às 10h, Mossoró passa a ter um vácuo em sua representação nesse poder, após 78 anos. O fim ou interrupção desse ciclo ocorre com o término do mandato do deputado federal Beto Rosado (PL), no dia passado.
Veja a íntegra abaixo. É um documento para a história, estudiosos, pesquisadores, jornalistas, diletantes da política. Esperamos apenas que, material sendo usado, seja dado o crédito a trabalho tão exaustivo:
Vingt Rosado colecionou 7 mandatos e seu lado familiar totalizou 13 desde 1962 (Foto: arquivo/reprodução)
Que lástima. O segundo maior colégio eleitoral do Rio Grande do Norte, com um total de 183.285 eleitores aptos ao voto, não elegeu sequer um deputado federal este ano. É, de verdade, uma situação inusitada, se computados os pleitos desde a retomada do Estado Democrático de Direito, pós-Estado Novo, ditadura de Getúlio Vargas.
Levantamento em primeira mão e exclusivo do Canal BCS (Blog Carlos Santos) mostra como Mossoró sempre esteve presente na Câmara dos Deputados, desde uma época em que a Capital Federal ainda era o Rio de Janeiro.
Essa trajetória de eleições e eleitos está listada abaixo, tendo início há 77 anos, precisamente no pleito de 1945:
1945 – Mota Neto
1950 – Dix-huit Rosado e Mota Neto (Ficou na suplência, mas assumiu com a eleição a vice-presidente do natalense Café Filho, também eleito deputado federal, simultaneamente)
1954 – Dix-huit Rosado
1958 – Xavier Fernandes e Tarcísio Maia (Nascido em Catolé do Rocha-PB, mas radicado em Mossoró)
1962 – Vingt Rosado
1966 – Vingt Rosado
1970 – Vingt Rosado
1974 – Vingt Rosado
1978 – Vingt Rosado
1982 – Vingt Rosado
1986 – Vingt Rosado e Wilma de Faria
1990 – Laíre Rosado
1994 – Laíre Rosado e Betinho Rosado
1998 – Laíre Rosado, Betinho Rosado e Múcio Sá
2002 – Sandra Rosado e Betinho Rosado
2006 – Sandra Rosado e Betinho Rosado (Ficou na suplência de Nélio Dias, mas com morte desse em 20 de julho de 2007, assumiu o mandato)
2010 – Sandra Rosado e Betinho Rosado
2014 – Beto Rosado
2018 – Beto Rosado (Assegurou mandato judicialmente, em decisões liminares. O eleito foi Fernando Mineiro, do PT)
2022 – Nenhum
O empresário Mário Rosado, filho do ex-prefeito Dix-huit Rosado, chegou a assumir mandato interinamente no dia 1º de janeiro de 1995, final da legislatura eleita em 1990.
Mota Neto, o “Motinha”, abriu a série de mandatos (Foto: Reprodução)
Xavier Fernandes, com a morte do deputado federal Aristófanes Fernandes no 8 de dezembro de 1965, no Rio de Janeiro, acabou efetivado para seu segundo mandato parlamentar federal.
Outra curiosidade, entre tantas outras, é que de forma contínua o clã Rosado tinha eleições à Câmara dos Deputados desde 1962, quando foi eleito Vingt Rosado. Ele também é o segundo político do RN com mais mandatos federais, num total de 7, só perdendo para o ex-deputado Henrique Alves que somou 11 a partir de 1970 – consecutivamente.
21 mandatos Rosados
Os Rosados cumulativamente foram eleitos 21 vezes à Câmara dos Deputados e ainda assumiram mais duas, em virtude de falecimento de um titular e renúncia de outro.
Desde a eleição de 1945, Mossoró teve entre eleitos e suplentes o total de 30 mandatos federais.
A ala Rosado do tronco familiar de Vingt Rosado somou desde 1962 o total de 13 mandatos: ele, com sete; além de Laíre Rosado e Sandra Rosado com três legislaturas cada um.
DTV
Em 1958 há um fato muito interessante sobre a eleição de Tarcísio Maia. Ele foi eleito deputado federal, seu único mandato obtido pelo voto direto. Aliado aos primos Vingt Rosado e Dix-huit Rosado, ele formou chapa ‘não oficial’ denominada de DTV – Dix-huit/Tarcísio e Vingt,
Dix-huit foi eleito ao Senado e Vingt à Assembleia Legislativa do RN, além do próprio Tarcísio Maia à Câmara dos Deputados.
Três
Em 1998, dos oito deputados federais eleitos pelo Rio Grande do Norte, três foram de Mossoró. Uma marca única até hoje: na lista de vitoriosos, Laíre Rosado, Betinho Rosado e Múcio Sá.
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Escrevi um artigo com trechos do discurso que proferi, em 8 de dezembro de 1967, como orador oficial da chamada Turma da Liberdade, da Faculdade de Direito de Natal, de 1967, que completou 55 anos de conclusão do curso.
Os trechos do discurso refletiam posições contrárias aos atos institucionais e medidas autoritárias da Revolução de 1964 (veja AQUI).
Cortez Pereira enfrentou forças da própria Arena, seu partido, no governo e política (Foto: reprodução)
Um internauta enviou-me mensagem e entendendo que o fato de anos depois ter sido eleito deputado federal pela ARENA e PFL, caracterizou incoerência política, comparado com o discurso da Turma da Liberdade. Ou seja, teria me afastado dos valores democráticos que proclamei na formatura da Turma da Liberdade
Devo, portanto, uma explicação sobre a minha vida pública.
Deus me deu a vocação política e cultivei essa tendência, desde os bancos escolares nos movimentos estudantis.
Sem ter tradição política era quase impossível ser candidato sem legenda.
A estrutura dos partidos “pertencia” às oligarquias locais (ainda pertence).
Abriu-se uma janela, quando o deputado Ulysses Guimarães fundou o MDB, em oposição ao regime de 1964.
Fui um dos fundadores no RN.
Disputei a minha primeira eleição, em 1966.
Dizia-se que o MDB era tão pequeno que “cabia num fusca”.
Tive expressiva votação, mas não foi atingido o quociente eleitoral.
A linguagem que usei na campanha eleitoral de 66 é a mesma que me acompanhou em todos os mandatos e cargos que exerci: a defesa intransigente da democracia.
O RN foi um dos poucos estados no Brasil onde após 1966 não se estruturou partido de oposição.
Apenas, grupos dispersos.
A ARENA, do governo revolucionário, passou ao comando dos dois líderes estaduais: Dinarte Mariz e Aluízio Alves.
Ambos apoiaram os militares no poder.
Nesse período desfiliei-me do MDB e fiquei sem partido.
Com a cassação de Aluízio Alves, em 1969, o MDB passou ao comando do seu grupo político, porém sem perder as ligações revolucionárias, as quais se revelaram fortes e decisivas durante “aliança” no governo Tarcísio Maia, com o objetivo de afastar Cortez Pereira e seu grupo da vida pública.
Amigo do Professor Cortez Pereira, eleito governador do estado, aceitei convite para ser o seu chefe da Casa Civil, em 1971.
Nenhum governo em nossa história foi montado com tanto rigor ético e de renovação de quadros como o de Cortez.
Cabe destacar a figura humana e o espírito público de Cortez Pereira. Para chegar ao governo era inscrito naturalmente na ARENA.
Porém, ele jamais teve o comando político do partido, que continuou nas mãos dos seus oponentes, inclusive para cassá-lo.
A sua obsessão era o desenvolvimento do RN e deixou marcas do seu talento na administração que realizou
Entusiasmado com as ideias renovadoras de Cortez, que era da ARENA, candidatei-me a deputado federal e ganhei a eleição (1976).
O primeiro projeto que apresentei foi a criação do crédito educativo no Brasil.
Para evitar o crescimento político inevitável de Cortez e seu grupo, as lideranças oligárquicas locais, com amizades na cúpula revolucionária, superaram até divergências políticas e pessoais entre elas (famílias Alves, Maia e Rosado) e exigiram tacitamente a aplicação do AI 5 no Estado contra o próprio Cortez e seus aliados, mesmo não existindo inquéritos instaurados.
Era o temor do surgimento de um grupo novo na política estadual, cujo único compromisso seria com a democracia.
Em razão do “fechamento partidário”, que até hoje prevalece na política do RN, não teria como exercer a minha vocação política, senão através da tolerância, que significa “suportar”, ter condescendência, perante a realidade que não se quer ou que não se pode impedir.
Tive que optar pela ARENA, partido do meu amigo Cortez.
O outro partido era propriedade fechada da família Alves.
Por todas essas razões e circunstânciastransigi, sem jamais fazer concessões que ferissem a ética.
Sempre fui na política um liberal social e admirador da Doutrina Social da Igreja.
A tolerância é uma atitude fundamental, que não conduz a negar as próprias crenças e convicções. Ao contrário, é forma de preservá-los.
Já se disse que julgar o outro é não enxergar a verdade de cada um.
Todos sabemos que nenhum barco é suficiente para atravessar o rio da vida.
As situações mudam e com eles os barcos que nos conduzem, sem que isso signifique negativa dos valores e sentimentos que defendemos.
Agradeço ao leitor a indagação feita. Foi uma forma de esclarecimento.
Hoje, na maturidade, não me arrependo de nada.
Sigo o conselho de Sócrates: “O segredo da mudança é não focar toda sua energia em lutar com o passado, mas em construir o futuro”.
Tenho certeza que ajudei modestamente a construir uma pequena parte do RN e do Brasil.
É a sensação do cumprimento do dever.
Ney Lopes é advogado, jornalista e ex-deputado federal
A década de 80 dos anos 1900 representa, sem dúvida, uma “virada de chave” na história econômica e política brasileira. Em matéria de economia, de 1930 a 1980, o Brasil cresceu uma média de 6% ao ano, ou seja, foram cinquenta anos de crescimento exuberante, a partir do qual o Brasil deixou de ser um País rural – 70% da população morava no campo em 1940 – e se tornou uma das quinze maiores potenciais industriais do mundo – o PIB brasileiro expandiu em participação da indústria de 20% em 1947 para 36% nos anos 90 de 1900[1]. Porém, 80 representara o fim desse ciclo de crescimento iniciado na década de 30, período que ficou (acertadamente) conhecido como a “década perdida”.
Lavoisier Maia, Tarcísio Maia e José Agripino Maia (com o filho Felipe), a tríade Maia em 1982 (Foto: autoria não identificada)
No que tange à política, é de mister contextualizar.
O golpe militar de 1964, que ocorrera no final de março/início de abril, manteve na legalidade os partidos registrados. Porém, nas eleições diretas de 1965, o governo perdeu em cinco Estados, dentre os quais estavam a Guanabara[2] e Minas Gerais, dois importantes colégios eleitorais.
A retaliação da ditadura militar se deu através da edição do Ato Institucional n° 2 no dia 27 de outubro de 1965, que, dentre outras medidas, extinguiu todos os partidos políticos e proibiu a eleição direta para presidente, senador, governador e prefeito.
Com efeito, no final da década de 70 dos anos 1900, Geisel e Golbery forjaram a fórmula “abertura lenta, gradual e segura”, de modo que, no período logo subsequente, sob o tacão de João Figueiredo, o Brasil experimentaria a primeira eleição majoritária – a bem da verdade, existiu um arremedo de sufrágio a partir de 1972, porém, as manipulações no processo eleitoral tornariam a caracterização das eleições como abertas num equívoco conceitual elementar.
Propaganda da campanha de Aluízio em 1982 (Reprodução/Arquivo do Canal BCS)
Sob muitos aspectos, as eleições gerais de 1982 representaram uma quebra de paradigma. No plano nacional, o direito ao sufrágio retomara fôlego e, pela primeira vez em quase duas décadas, os cidadãos(ãs) poderiam escolher os governantes do seu Estado de forma livre e direta, ademais da nova sistemática pluripartidária, encerrando o ciclo bipartidário que caracterizou a ditadura militar; no plano estadual, os sintomas dessa nova conjuntura estavam evidentes.
No Rio Grande do Norte, por duas décadas, Dinarte Mariz e Aluízio Alves, aliás dois dos maiores líderes populares da história do Estado, protagonizaram a cena política potiguar. Com a abertura, iniciam-se as movimentações das peças no tabuleiro estadual. Aluízio Alves logo se estabeleceu como candidato natural pelo PMDB; o PT lançou Rubens Lemos; o PTB Vicente Cabral de Brito e o PDS o mossoroense José Agripino Maia.
A candidatura de José Agripino Maia ao governo do estado em 1982 não se deu de modo natural, como a Aluízio Alves. O jovem engenheiro vinha da experiência política de ser prefeito de Natal nomeado pelo seu primo e então governador, o almino-afonsense Lavoisier Maia Sobrinho – à época, os governadores, que eram nomeados pela ditadura militar, indicavam os prefeitos das respectivas capitais.
Contudo, enfrentou oposição dentro do próprio partido, especialmente porque existia uma ala que não queria “o terceiro Maia” no governo – o pai de José Agripino (Tarcísio Maia) e primo (Lavoisier Maia) governaram o RN entre 1975 e 1983, quando este entregou o bastão ao Maia mossoroense –, algo que, pelas minhas pesquisas, nunca ocorrera.
O “Pacto de Solidão” [3] nasce justamente disso, com o desiderato de obstar a candidatura de José Agripino. Esse acordo foi forjado entre os pedessistas Geraldo Melo (vice-governador), Wanderley Mariz, Martins Filho (Senador), Vingt Rosado (deputado federal) e o anfitrião Dinarte Mariz. Mas, Dinarte Mariz, em função do pragmatismo político e certamente orientado pela bílis que caracterizava a disputa com o seu figadal opositor, Aluízio Alves, optou por apoiar José Agripino Maia, cujo resultado foi o desfazimento do grupo.
Com isso, o deputado federal Vingt Rosado, mesmo optando por ficar entre os quadros pedessistas, resolveu não apoiar Agripino e defender o voto em branco, episódio que ficou conhecido como “voto camarão”[4] – tecnicamente, era denominado pela legislação de voto vinculado –, episódio esse que será objeto de texto à parte. Já o homem do “vento forte no Rio Grande do Norte”, Geraldo Melo, renunciou à vice-governadoria para apoiar Aluízio Alves.
A última vez que os potiguares votaram diretamente para governador foi na eleição de 1965, que elegeu o monsenhor Walfredo Gurgel com o apoio do então governador Aluízio Alves. Em 15 de novembro de 1982, o resultado das urnas impôs à então imaculada ficha curricular política do mito Aluízio Alves uma acachapante derrota para o “Terceiro Maia”, o jovem José Agripino, com quase 107 mil votos de maioria, diferença essa nunca vista até aquela data.
Wilma e Garibaldi conseguiram reeleição (Foto: reprodução/Arquivo)
Dessarte, um mito da política potiguar teve de submeter-se à derrota imposta pelas urnas. É de ressaltar, ainda, que José Agripino Maia conseguiu feitos políticos que o colocam em lugar de destaque na história política do RN: i) desde a segunda república (1946), Agripino foi o primeiro político a ocupar, por duas vezes, a cadeira do governo, feito repetido, apenas, por Garibaldi Filho e a também mossoroense Wilma de Faria (fora Maia também), ou seja, de 1946 até a presente data, os únicos que repetiram a titularidade das rédeas do Estado foram três potiguares sendo dois oriundos da terra da resistência, simetria que pode ser quebrada pela reeleição da paraibana Fátima Bezerra nas eleições gerais desse ano (2022); ii) venceu quatro eleições majoritárias seguidas, feito não repetido por nenhum outro político do Estado.
As eleições gerais de 1982 têm, simbólica e concretamente, a tarefa de reformar o País através do voto direto e livre, ademais de colecionar as singularidades abordadas ao longo dessas linhas; as eleições gerais de 2022, sob circunstâncias diferentes, também se revelam com potenciais idiossincrasias, tanto no âmbito nacional – com a possibilidade de, pela primeira vez desde à redemocratização, o chefe do executivo federal não conseguir a renovação do seu mandato –, como no RN, que pode reeleger a paraibana Fátima Bezerra governadora, fato que repetido apenas por Garibaldi Alves Filho – o mais mineiro dos políticos potiguares – e Wilma de Faria no pós-Constituição de 1988.
[1] BAER, Werner. A Economia Brasileira. 2ª ed. São Paulo: Ed. Nobel, 2005.
[2] O Estado da Guanabara durou apenas 15 anos. A cidade do Rio de Janeiro foi a capital do Brasil de 1763 até 1960, data da interiorização da capital da república para recém-criada Brasília. Assim, quando o antigo Distrito Federal se deslocou para o centro do País, este se converteu em Estado, denominado de Guanabara. Uma curiosidade: a Constituição de 1946 trazia, no seu ADCT, a previsão da interiorização da capital federal para o planalto central. Portanto, JK cumpriu, apenas, um mandamento constitucional expressamente imposto,
[3] “Solidão” era o nome da fazenda do ex-senador, ex-governador e líder político Dinarte Mariz.
[4] Pela legislação do período, os eleitores eram a obrigados a votar “porteira fechada” num mesmo partido, do vereador ao governador, de modo que se alguém optasse por votar em branco na cabeça ou votasse em candidatos de partidos diferentes, o voto seria considerado nulo.
Faleceu na tarde desta segunda-feira, 25, nem seu apartamento no Rio de Janeiro a ex-primeira dama do Rio Grande do Norte, D.Teresa Maia, aos 98 anos.
Viúva do ex-governadora Tarcísio Maia, a baiana dona Teresa foi primeira-dama do RN entre 1974 a 1979. Lúcida e matriarca atuante, ela estava com pneumonia e o organismo fragilizado pela idade não resistiu.
Deixa três filhos; o embaixador Oto Maia, o ex-senador José Agripino Maia e Ana Silvia Maia.
Nota do Blog Carlos Santos – Conversava há alguns poucos meses sobre ela e como vivia no Rio de Janeira, de forma autônoma, ativa e muito lúcida.
Na verdade, seu nome completo era “Joseresa Tavares Maia”, baiana de origem.
Que descanse em paz.
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Aluizista de quatro costados, Rose Cantídio é informada que foram enredar ao ex-governador Tarcísio Maia que ela estaria usando comissões da venda de terrenos seus no financiamento de campanha do ex-governador Aluízio Alves ao governo.
O ano é 1982.
O adversário de Aluízio era justamente o engenheiro civil José Agripino, ex-prefeito de Natal e filho de Tarcísio.
Disposta a passar a conversa a limpo, Rose vai ao encontro de Tarcísio. Bota sobre a mesa um calhamaço de documentos relativos ao loteamento do ex-governador e desabafa:
– Olhe aqui, Tarcísio, é verdade mesmo o que estão contando para você. Só que o dinheiro das comissões como corretora é meu e eu faço dele o que bem quiser. Pode ficar com os seus terrenos – brada.
Após deixar escapar um leve sorriso, com os lábios presos, Tarcísio sentencia:
– Vá vender meus terrenos, Rose!
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Conheci e admirei Osmundo Faria, pai do governador Robinson Faria (PSD). Lembro-me dos dois em vários e variados episódios. Osmundo quase foi governador, nomeado pelo regime militar. Estava tudo certo.
Viajou a Brasília para encomendar o terno da posse. Seu avalista era o general Dale Coutinho, ministro do Exército. Não havia contestação.
Numa manhã daquela semana, após barbear-se, o general sofre um infarto fulminante e morre. Com ele morreu a posse de Osmundo Faria.
Robinson Faria tomou posse no Governo do RN no dia 1º de janeiro de 2015 (Foto: Arquivo/Assessoria)
O resto é outra história, e acho que o Estado saiu perdendo, pois o nomeado foi Tarcísio Maia, paridor de mais uma oligarquia a explorar o Rio Grande do Norte. E deu no que aí se mostra.
Também é outra história. Quadro décadas, se não erro, após Osmundo ter perdido a chance de assumir o governo, seu filho Robinson Faria torna-se governador num pleito historicamente atípico.
Derrotou o maior conjunto de apoio oligárquico e político a um candidato ao governo, Henrique Alves, em quem votei.
Votei e declarei meu voto. Sou surpreendido por um apelo do jornalista Alex Medeiros e do Publicitário Jenner Tinoco, amigos que não serão inimigos nem que queiram, para montar o discurso de posse de Robinson Faria.
Num restaurante onde nunca eu estivera, encontrei Robinson. Ele disse: “Sei que você não votou em mim, mas preciso da sua colaboração”. Respondi: “O que precisar para você a para o Estado, conte comigo”.
Foi tudo muito improvisado. Pedi papel ao garçom, ele trouxe uma caderneta de páginas minúsculas. Pedi folhas de ofício ou pautadas. O dono ou gerente, não sei, providenciou as folhas. Tudo muito apressado.
Robinson foi explicando sua plataforma, e eu anotando. Espécie de taquigrafia. Num certo momento, já quase no fim das suas informações, eu falei: “Se você fizer dez por cento do que eu vou expor no discurso, já é suficiente para eu me arrepender de não ter votado em você”.
Três dias depois, o discurso estava pronto. Vinte e tantas laudas. Esse foi o discurso que ele pronunciou, na sua posse. Com o acréscimo de uma lauda e meia que ele fez agradecendo o apoio de Mossoró e exaltando a aliança com PT, que não foi da minha lavra.
Nem Mossoró nem o PT foram contemplados no meu texto. Também é outra história.
Faltam quinze dias para o fim do governo cujo discurso de posse eu escrevi.
Sou ficcionista. Ruim, mas sou. Já escrevi contos, romances, novela policial, uma peça de teatro inédita, crônicas de invenção e outras mogangas.
Tudo na saudável invenção da literatura.
Porém, nunca menti tanto quanto no discurso de posse do governador Robinson Faria.
Té mais.
François Silvestre é escritor
* Veja AQUI a íntegra do discurso de Robinson Faria no dia 1º de janeiro de 2015.
No início de fevereiro de 2019, a Assembleia Legislativa do RN, já com seus novos ocupantes à legislatura 2019-2022 vai escolher os membros de sua nova Mesa Diretora. Até lá, não faltarão favoritos e nome “certo” à presidência da Casa. Mas o adjetivo “certo’ nem sempre se encaixa nos fatos.
Ezequiel conseguiu eleição surpreendente em 2015, quando Ricardo Motta estava "certo" (Foto: João Gilberto)
É comum em eleições internas no parlamento, que aconteçam surpresas, reviravoltas e decisões alheias a prognósticos antecipados com muita antecedência. A história é quem conta.
O atual presidente da Casa e tido como provável eleito-reeleito em fevereiro, deputado Ezequiel Ferreira de Souza (PSDB, à época no PMDB), é a prova viva de que está com eleição certa não é uma garantia. Ele correu por fora e foi eleito em 2 de fevereiro de 2015 à unanimidade dos votos.
Costuras silenciosas descartam Ricardo Motta
Até algumas horas antes, Ricardo Motta (PSB, à época no Pros) estava certo de sua eleição/reeleição. A contabilidade variava entre 16 e 18 votos assegurados. Nos bastidores, uma costura política silenciosa envolveu até o governador Robinson Faria (PSD), que antecipou retorno de viagem a Natal e fechou alguns apoios a Ezequiel.
Nessa narrativa, o prefeito mossoroense à época, Francisco José Júnior (PSD, hoje sem legenda), cumpriu missão pontual para reforçar a eleição de Ezequiel. E assim aconteceu. Motta ficou praticamente sozinho.
Depois, Ezequiel foi reeleito para o atual biênio, sem maiores dificuldades ou mínima oposição.
Em 1989, o deputado Vivaldo Costa surpreendeu Paulo de Tarso Fernandes, num tessitura nos intramuros desse poder, que teve como um dos principais arquitetos o deputado Carlos Augusto Rosado. Fernandes estaria eleito por aclamação, porém saiu derrotado. Sua decepção com os acontecimentos que marcaram esse episódio foram tão grandes, que acabou até mesmo desistindo da política.
Carlos Augusto: gosto dos Maias (Foto: AL)
Nunca mais foi candidato à nada.
Eleição perdida num almoço e a força dos Maias
Em 1987, o deputado Nelson Freire foi eleito presidente da AL como “zebra”, numa chapa fechada em tempo recorde. O então deputado Valério Mesquita costuma contar, até em tom jocoso, que enquanto foi a Macaíba para almoçar, perdeu a presidência para Freire.
No pleito interno de 1981, as costuras políticas partiram do próprio Palácio Potengi (então sede do Governo Lavoisier Maia) e da Fazenda São João (endereço do ex-governador Tarcísio Maia). Os Maias tinham interesse na eleição do deputado Carlos Augusto Rosado. Queriam fortalecer seu grupo em Mossoró e região, provocando racha no rosadismo.
Marcílio Furtado e o ex-presidente Alcimar Torquato duelavam pelo cargo, mas Carlos acabou ungido. Adiante, distanciou-se da liderança dos tios Dix-huit Rosado (prefeito) e Vingt Rosado (deputado federal).
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Segue a maldição do vice de Mossoró. Kadu Ciarlini (PP), filho da prefeita Rosalba Ciarlini (PP), candidato derrotado na chapa de Carlos Eduardo Alves (PDT), é mais um nome saído da cidade que não consegue ser vice-governador. A série já é numerosa e vem de longe, como o Blog Carlos Santos postou no dia 15 de junho de 2010: A “maldição” de ter vice de Mossoró.
Em 1950, o médico e ex-prefeito mossoroense Duarte Filho foi vice na chapa governista de Manoel Varela. Perderam para o mossoroense Dix-sept Rosado e Sílvio Pedrosa. Em 1960, deputado estadual Vingt Rosado foi vice de Djalma Marinho: perdeu para a dupla Aluízio Alves-Walfredo Gurgel.
Em 1965, o ex-deputado federal Tarcísio de Vasconcelos Maia (pai do senador José Agripino) apresentou sua candidatura para vice-governador de Dinarte Mariz, mas ambos foram derrotados por Walfredo e Clóvis Motta.
Em 1994, a então ex-prefeita de Mossoró Rosalba Ciarlini concorreu como vice do ex-governador Lavoisier Maia e a chapa levou a pior para a composição senador Garibaldi Filho-deputado federal Fernando Freire.
Em 2002, a urucubaca veio em dose dupla: o deputado federal Laíre Rosado foi vice do governador Fernando Freire e o ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado ocupou a mesma posição na chapa do senador Fernando Bezerra. As duas chapas foram derrotadas pela ex-prefeita natalense Wilma de Faria-deputado estadual Antônio Jácome.
Em 2022 teremos mais uma tentativa?
P.S – 10h38 de 30-10-18 – O professor Walter Fonseca acrescenta mais um ingrediente a essa postagem de abertura da coluna: “Amigo, em 1986, Antonio Florêncio, que era de Pau dos Ferros mas tinha base eleitoral por Mossoró, representando eleitoralmente a cidade, foi vice de João Faustino. Também perdeu”. Nota do Blog – De fato, caro Walter. Mas não o incluí na lista por um critério duvidoso que adotei, o fato de ele não ter uma vida regular vinculada ao município naqueles tempos, com a escolha para vice sendo por outros critérios e não necessariamente sua base política. Abraços.
PRIMEIRA PÁGINA
Senadores potiguares ocuparão assentos até então intocáveis – As eleições deste ano produziram várias surpresas, novidades e fenômenos. Algo diferente será a formação da representatividade potiguar no Senado. Na próxima legislatura teremos no Senado o Capitão Styvenson (Rede), Jean-Paul Prates (PT) e Zenaide Maia (PHS). Nomes como José Agripino (DEM) e Garibaldi Filho (MDB) saem de cena após mais de 30 anos entre passagens pelo governo estadual e esse poder. Sinal dos tempos.
Prates (em pé, à direta) substituirá Fátima (Foto: divulgação)
Bancada governista de fácil formação, mas de difícil controle – A governadora eleita Fátima Bezerra (PT) não terá dificuldades em montar bancada majoritária na Assembleia Legislativa. Apesar de apenas três deputados terem sido eleitos por sua coligação, apoios recebidos no segundo turno e migrações “naturais” que vão acontecer, lhe darão boa maioria na Casa. Difícil será controlar tanta gente, em mais de uma dezena de partidos, com boa parte deles acostumada a uma forma de apoio pouco republicana.
Os descontentes com um e com outro na disputa presidencial – Dados da Justiça Eleitoral apontam que o percentual de votos nulos no segundo turno das eleições presidenciais de 2018 chegou a 7,4%, o maior registrado desde 1989, totalizando 8,6 milhões. Foi um aumento de 60% em relação ao 2º turno da última eleição presidencial, em 2014, quando 4,6% dos votos foram anulados. Os votos brancos somaram 2,4 milhões (2,1%), neste 2º turno, pouco acima do 1,7% da última eleição presidencial. Ao todo, 31,3 milhões de eleitores não compareceram às urnas, o equivalente a 21,3% total, proporção similar ao do 2º turno presidencial de 2014. Somando os votos nulos e brancos com as abstenções, houve um contingente de 42,1 milhões de eleitores que não escolheram nenhum candidato, cerca de um terço do total.
O ciclo de eleições 2018 no RN ainda não está concluído
A corrida pelo voto no RN não terminou nesse domingo (28), com as eleições no segundo turno. Ainda vão existir eleições suplementares para prefeito e vice em dois municípios no dia 25 de novembro: Água Nova e Pendências. Em ambos, prefeito e vice foram cassados por abuso de poder econômico. Este ano já aconteceram também eleições suplementares em João Câmara, Pedro Avelino, Galinhos, Parazinho e São José de Campestre no último dia 3 de junho. P.S – Às 13h32 de 31 de outubro – O TRE/RN decidiu nessa terça-feira (30) que haverá eleição suplementar em outro município: Guamaré. Será dia 9 de dezembro.
Candidaturas e vitórias eleitorais para 2020 começam a ser antecipadas – Mal terminou a apuração de votos das eleições 2018, já é possível ouvirmos e lermos sobre nomes “certos” às eleições municipais em 2020. Os mais empolgados antecipam vitória de “A” ou de “B”. Calma, turma. As urnas deram uma mensagem retumbante não apenas para quem foi derrotado, mas também para os eleitos. Está todo mundo no fio da navalha. Compreensível, mas cedo e precipitado se falar em tom assertivo e premonitório sobre eleições que vão acontecer daqui a quase dois anos. Numa era analógica, há algumas décadas, o governador mineiro Magalhães Pinto definiu: “Política é como uma nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Você olha de novo e ela já mudou”. Imagine hoje, num mundo cibernético.
Carlos: nome para 2022 (Foto: divulgação)
Carlos Eduardo Alves não é opção para disputa de prefeitura – Bom alertarmos para quem acredita numa nova candidatura do ex-prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT), à Prefeitura do Natal, que ele está alijado de disputa em 2020. Por ter renunciado ao segundo mandato consecutivo para ser candidato ao governo estadual, não pode tentar emendar outro (seria o terceiro em série). O ex-prefeito só retomará a trilha de candidaturas mais adiante, em 2022, se quiser ser de novo candidato ao governo ou outro cargo eletivo.
O presidente eleito pode e deve desestimular excessos – Muita gente alimenta pregação de que o país marcha para uma ditadura ou outra forma de intervenção não constitucional. Sinceramente, não temo um regime de exceção, mas percebo que precisamos nos contrapor à restrição de direitos individuais, patrulhamento de costumes, violação da liberdade de expressão e cerco ao exercício jornalístico. Algumas escaramuças nesse sentido incomodam desde já. Porém espero que o próprio presidente eleito seja voz discordante e desestimuladora de excessos entre familiares, votantes e militantes-patrulhadores mais exaltados. Na oposição, também não faltam aloprados, é bom que se diga. Não votei nele, mas torço demais para que acerte e possa contribuir à retomada do desenvolvimento, à luta contra as profundas desigualdades sociais e à corrupção endêmica. Nesse caso, também tenho o Brasil como meu partido e pátria amada.
Nomes saem fortalecidos em meio ao tsunami eleitoral – Em contraponto à onda de votos contra políticos tradicionais, os deputados estaduais Vivaldo Costa (PSD) e Nelter Queiroz (MDB) têm motivos para comemorações. Sobreviveram e bem ao tsunami que varreu boa parcela da velha guarda da política potiguar este ano. Vivaldo, com 32.638 votos; Nelter, com 40.717. Outras figuras precisaram se reinventar, como o atual prefeito do Natal, Álvaro Dias (MDB). Paralelamente, começam a surgir outros nomes na tabuleiro, sobretudo num momento em que também está em aberto o comando da própria prefeitura, com o afastamento do prefeito Robson Araújo (PSDB), o “Batata”.
EM PAUTA
Banda H – A Banda H com seu pop-rock de alta qualidade vai animar a noite que antecede o feriado de finados, com música ao vivo nas piscinas do Hotel Thermas, na quinta-feira (1º de novembro). Sucesso, rapaziada. Se der, apareço.
Finados – A Diocese de Mossoró divulgou o horário das missas que serão celebradas na sexta-feira, dia 2, Dia de Finados. Cemitério São Sebastião, às 5h30 e às 16h30; Capela de Santa Teresinha, às 6h e às 9h; Cemitério Novo, às 8h e às 17h. Missa na Matriz Imaculada Conceição às 19h. A Rádio Rural transmite a Missa de Finados das 16h30 com Bispo Dom Mariano Manzana.
Palco Giratório – O espetáculo teatral “Os cavaleiros da triste figura” do grupo Boca de Cena, do Sergipe, vai se apresentar em três palcos do Rio Grande do Norte: Caicó (11/11), Mossoró (14/11) e em Natal (18/11), dentro da 21ª Edição do Palco Giratório do Sesc.
Jegue Folia – A cidade de Marcelino Vieira na região Oeste do RN terá entre os dias 4 e 6 de janeiro de 2019 a 18ª edição do Jegue Folia. A micareta é uma das mais consolidadas e longevas do estado. Psirico, Chicabana e Cláudia Leitte serão as atrações.
Catedral – A banda Catedral está de volta a Natal em sessão extra. O show “Catedral 30 Anos e Você”, em comemoração aos seus 30 anos de carreira, acontece no dia 21 de novembro, no Teatro Riachuelo, às 21h30.
Saraiva – No Dia Nacional do Livro, 29 de outubro, uma péssima notícia: a Livraria Saraiva do Partage Shopping em Mossoró não abriu. Foi desativada, como outras mais 19 unidades dessa marca no país (veja AQUI). Lamentável.
SÓ PRA CONTRARIAR
As urnas eletrônicas são confiáveis ou não, capitão Bolsonaro?
GERAIS… GERAIS… GERAIS…
Nesta quarta, 31/10, das 14 às 17h, vai acontecer a Mostra de Arte e Educação 2018 da Casa Durval Paiva. A instituição fica situada na Rua Prof. Clementino Câmara, 234 – Barro Vermelho, em Natal e o acesso ao público é gratuito. A entidade atende à criança e ao adolescente com câncer e doenças hematológicas crônicas (veja AQUI).
Obrigado à leitura do Nosso Blog a Juscelino Rêgo (Pau dos Ferros), Carlinhos Silveira (Mossoró) e Carlos Sérvulo (Natal).
Veja a edição anterior da Coluna do Herzog (22/10) clicando AQUI.
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Tem-se divulgado como tese insofismável, que as eleições deste ano são divisoras de águas. E, ao mesmo tempo, o juízo final para uma manada de políticos da esquerda à direita e vice-versa.
No Rio Grande do Norte, quase nenhum político está tranquilo quanto ao pleito que se avizinha. Há tensão quanto ao chamado “veredicto das urnas”.
"Jô-sé", como soletradamente o tratava seu pai Tarcísio Maia, é um dos políticos mais influentes do país (Foto: arquivo DEM)
Na verdade, urna não julga. Nem pune nem inocenta. Isso é pura retórica; coisa de falastrão politiqueiro que nomeia a massa-gente inorgânica para prolatar sentença que não lhe cabe.
Mas é visível que o pleito que se aproxima é a luta por um mandato de sobrevida ou a morte severina para muito figurão. Não há meio-termo à vista.
O senador José Agripino (DEM), 72 anos (23 de maio de 1945), está no índex dos nomes mais questionados e a perigo de não-reeleição. Nem assim está fora do páreo. Quem quiser que corra atrás.
Sua sobrevivência até aqui é por si só um feito. A projeção nacional como um dos políticos mais articulados e influentes do país, supera em muito o que se preconizava para ele no final dos anos 70, quando ascendeu como prefeito indireto do Natal.
Agripino, de uma linhagem familiar com história no Rio Grande do Norte e Paraíba, é um espécime que escapou da era PT-Lula. Foi um rara liderança do PFL (hoje, DEM) a sobreviver à feroz poda petista.
Agora, o desafio não é contra PT, Alves (antigos e ex-antagonistas) ou qualquer “novidade”. Enfrenta um inimigo sem rosto e revoltado, que prega mudança, parece querer algo diferente, mas até aqui não passa de um espectro.
Seu maior inimigo é um só: o povo.
PRIMEIRA PÁGINA
A migração do vice-governador dissidente Fábio Dantas do PCdoB para o PSB é comemorado pelo grupo da ex-deputada federal e vereadora Sandra Rosado (PSB) e da deputada estadual Larissa Rosado (PSB). Luz no fim do túnel para sobrevivência política do rosadismo. Há tempos que ambas retrocederam de desembarque no MDB, como era compromisso firmado desde a pré-campanha de 2016. A prisão do líder Henrique Alves e outros fatores pesaram no freio.
Conseguir informações no Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF), em Recife-PE, sobre processos relacionados a políticos potiguares, é uma tarefa hercúlea. Além do Labirinto de Creta do seu portal, também existem outras barreiras. Temos que recorrer a advogados até de outros estados, como intermediários, na busca de dados mais seguros.
Gustavo prestigiou Izabel no evento da "Rosa" (Foto: Web)
O deputado estadual Gustavo Fernandes (MDB) apareceu na Câmara Municipal de Mossoró na quarta-feira (28) à tarde, para leitura da mensagem anual da prefeita Rosalba Ciarlini (PP). Ninguém imagine que tenha sido para prestigiá-la. Na verdade, o parlamentar é um nome que pode ser apoiado em Mossoró à reeleição pelo grupo da presidente da Casa, Izabel Montenegro (MDB), em detrimento do escolhido pela prefeita. A vereadora já mandou recado ao rosalbismo no inicio do ano (Leia: Prioridade de Izabel é o MDB e não Rosalba).
O governador Robinson Faria (PSD) não pode ficar amuado com a escapulida do seu vice Fábio Dantas (PCdoB) para a oposição e com o projeto que anuncia, de se candidatar ao governo. Robinson fez o mesmo em relação à então governadora Rosalba Ciarlini (DEM) em 2014. Quatro anos antes (2010), a “vítima” já tinha sido Wilma de Faria (PSB), que não o escolheu para sucedê-la, mas optou por Iberê Ferreira (PSB). Presidente da Assembleia, ele passou a travar matérias do interesse do final das gestões Wilma-Iberê, além de compor chapa com Rosalba ao governo estadual, na condição de vice. A história se repete, como farsa ou como tragédia, mas se repete.
A ex-primeira dama do estado e secretária de Estado do Trabalho e Ação Social (SETHAS) Julianne Faria (sem partido) teve sua imagem falseada em redes sociais. Criaram um endereço utilizando sua foto e nome, criminosamente.
A prefeita mossoroense Rosalba Ciarlini (PP) superou-se na quarta-feira (28), ao admitir ter o dom da onisciência, algo divino. Fitou olhos na direção de vereadores da oposição, em especial Petras Vinícius (DEM), e passou o ‘batido’ nos parlamentares. Avisou que não havia necessidade de eles fiscalizarem equipamentos públicos da saúde, escola e de outros setores. Segundo a prefeita, nada lhe escapa. “Eu sei de tudo!” Torcer para que ao aparecer outra denúncia, ela não encarne o ex-presidente Lula da Silva (PT) e sua defesa-clichê: “Eu não sabia de nada!”
Rosalba: poder divino. "Sabe de tudo" (Foto: Web)
A vereadora grossense Clorisa Linhares (PSDB), prefeito natalense Carlos Eduardo Alves (PDT), governador Robinson Faria (PSD), vice-governador Fábio Dantas (a caminho do PSB) e senadora Fátima Bezerra (PT) são pré-candidatos “certos” à disputa ao governo do RN em 2018. Outros virão, provavelmente. Mas não estranhe que tenhamos desistência (as) antes das convenções partidárias até 5 de agosto. Anote, por favor.
O anúncio (veja AQUI) no sábado (3) da candidatura do ex-candidato a prefeito de Mossoró Gutemberg Dias (PCdoB), à Assembleia Legislativa, antecipa que será ainda mais pulverizada a votação no município nessa faixa de disputa. Em 2014, o nome mais votado foi Larissa Rosado (PSB), que empalmou 24.585 (23,38%) votos, algo difícil de se repetir com ela ou outro disputante em 2018. Em 2014, Mossoró não teve um único candidato nativo eleito ou reeleito à Assembleia Legislativa. Nessa mesma eleição, 209 candidatos a deputado estadual foram votados em Mossoró. De Larissa (campeã de votos) a 25 ‘concorrentes’ que obtiveram apenas “um voto”. Leia também: Vários fatores pesam para frear votações expressivas que publicamos dia 20 de novembro do ano passado.
Em 2014, o senador José Agripino (DEM) precisou priorizar a chapa proporcional (em especial a reeleição do filho Felipe Maia-DEM à Câmara Federal), em detrimento do projeto de reeleição (dificílima) da então governadora Rosalba Ciarlini (DEM, hoje no PP). Agora em 2018, o governador Robinson Faria (PSD) também vive a dificuldade de levar o filho Fábio Faria (PSD) à reeleição à Câmara Federal. Ser ou não ser candidato a reeleição? Eis a questão.
Apesar de estar preso na Academia da Polícia Militar do RN desde 6 de junho do ano passado, o ex-deputado federal Henrique Alves (MDB) não está distante e sem ser ouvido em relação à campanha eleitoral 2018. Ele continua sendo a maior liderança do seu grupo, mesmo que manietado em boa parte por essa situação delicada.
EM PAUTA
Arcanjo – A sexta-feira (2) à noite foi um momento mágico na vida do escritor Clauder Arcanjo. Infelizmente não pude prestigiá-lo pessoalmente, mas reitero meu aplauso por sua posse na Academia Norte-rio-grandense de Letras (ANL). Parabéns, meu caro. Leia: Clauder Arcanjo na Academia.
Academia Norte-rio-grandense de Letras recebeu Clauder Arcanjo na última sexta-feira (Foto: cedida)
Gentil – O Grupo Gentil de Natal, que é controlador da rede O Boticário em Mossoró e outros municípios na região, vai inaugurar na próxima quinta-feira (8), às 16h, sua loja-âncora na cidade, à Praça Rodolfo Fernandes. O Sexteto do Instituto Gentil e o grupo de dança Diocecena vão abrilhantar o evento. Obrigado pelo convite.
Vinho – A Festa do Vinho de São Miguel está definida em mais uma versão. Acontecerá no Vila Nova Club no dia 29 de março.
Carnapau – Está no ar o site do Carnapau 2018, em sua 13ª edição, que acontecerá de 6 a 8 de julho. Pode acessar clicando AQUI. O evento promete ser um dos mais marcantes de sua história.
Valéria Oliveira – A cantora natalense Valéria Oliveira vai se apresentar em Parnamirim e Caicó. Os shows vão acontecer respectivamente nos dias 16 e 23. “Mirá” é o título do espetáculo musical.
Valéria: boa música (Foto: Web)
Palavras – O projeto da trupe Casa das Palavras estará em Caicó nos dias 15 e 16 deste mês. É o terceiro ano consecutivo. Oficinas de Teatro, Mamulengo e Grafite farão parte da programação no Teatro Adjuto Dias. Tudo gratuito e com inscrições no próprio teatro.
Serras – As cidades de Martins e Portalegre estão dividindo as atenções na região Oeste nesse inicio de ano, em meio à expectativa de bom inverno. Chuvas e clima suíço atraem públicos numerosos. Tem melhorado também programações diversas, que agregam valor, além do sistema hoteleiro. Quantas às belezas naturais, elas estão ainda mais encantadoras nesse período.
Uern do Brasil – Você sabia que 89% dos estudantes da Universidade do Estado do RN (UERN) são oriundos de escolas públicas? Você sabia que 92% de seus pais não tiveram acesso ao ensino superior? Não saber ajuda a formar um juízo de valor depreciativo da Uern do Brasil.
SÓ PRA CONTRARIAR
Escrever é o meu lazer. Se fosse para escrever o que interessa ao status quo, seria a diversão deles.
GERAIS…GERAIS…GERAIS
A impressão que fica, circulando de carro em Natal, é de maior dificuldade de tráfego à medida que são feitas obras justamente com o propósito de melhorá-lo. Coisa de louco.
Até quando os banheiros da Praça da Convivência serão tratados como a latrina da cidade de Mossoró? Por mais que alguns permissionários desse logradouro invistam, a municipalidade precisa saber que esse equipamento é público e referência da boa ou má gestão estatal. Se lá tudo fede, fede muito mais a gestão municipal. Argh!
Obrigado à leitura do Nosso Blog a Glauber Diniz (Natal), Teresa Almeida (Currais Novos) e Francisco Nóbrega (Mossoró).
Veja a Coluna do Herzog do domingo (25/02) passado, clicando AQUI.
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Acordos e desacordos marcaram Aluízio Alves, Tarcísio Maia, Dinarte Mariz e Lavoisier Maia na "Paz Pública" (Foto: reprodução)
Por Tiago Rebolo (Do Agora RN)
As duas famílias políticas mais tradicionais do Rio Grande do Norte deverão repetir nas eleições deste ano uma aliança nada original. Juntos mais uma vez, os Alves e os Maia – desta vez, representados pelos senadores Garibaldi Filho e José Agripino, além do prefeito Carlos Eduardo, que pretendem ser candidatos – planejam reeditar no pleito de outubro (ver box) uma prática que tem origem em quatro décadas atrás.
Há exatos 40 anos, as duas famílias decidiam convergir pela primeira vez os interesses, mudando a configuração política do estado dali em diante.
Conhecido como “Paz Pública”, o fenômeno chama a atenção de cientistas políticos e historiadores. É o caso do professor Sérgio Trindade, que se debruça sobre o tema há vinte anos. O pesquisador conta que a união entre as famílias Alves e Maia em 1978 provocou alterações significativas no quadro político.
“Com o resultado das eleições, houve uma reformulação na política estadual, tendo em vista que ‘novas’ lideranças políticas surgiram, outras decaíram e outras, ainda, ‘ressurgiram’ após anos de ostracismo”, conta o historiador, lembrando ainda que a “Paz Pública” coincidiu com a abertura democrática do país.
Entenda a história
Em 1978, conta Trindade, com o sistema bipartidário, as principais lideranças políticas do estado estavam na Arena (Aliança Renovadora Nacional) e no MDB (Movimento Democrático Brasileiro). O MDB, que fazia oposição ao governo militar, era o reduto da família Alves; enquanto que a Arena tinha o senador Dinarte Mariz, que dominava a política potiguar até então, e a emergente família Maia.
Naquele ano, percebendo o avanço do MDB principalmente em Natal, o governador arenista Tarcísio Maia decidiu arquitetar uma manobra para evitar surpresas na eleição para o Senado, já que quatro anos antes o feirante Agenor Maria havia derrotado o candidato da Arena, Djalma Marinho, refletindo uma tendência nacional, que era de perda de capital político dos adeptos ao regime militar.
Sérgio Trindade mostra mudanças (Foto: José Aldenir - Agora Imagens)
Apenas uma vaga para o Senado estava em disputa em 1978, já que Dinarte Mariz, mais alinhado com o governo central, seria nomeado “senador biônico” (eleito indiretamente) e Agenor Maria tinha mandato até 1983.
A Arena, que vinha de uma cisão interna gerada nas eleições indiretas de 1974 (que resultou na nomeação de Tarcísio Maia para o Governo do Estado, para a insatisfação de Dinarte Mariz), não tinha consenso em torno de um nome. O empresário Jessé Freire era a preferência do governador Tarcísio, mas Dinarte não o apoiava. Foi então que o governador foi buscar o apoio da família Alves, rival de Mariz, para vencer a disputa.
“Tarcísio se aproximou de Aluízio e conseguiu fazer com que a família Alves apoiasse Jessé. Isso é a Paz Pública”, registra o professor.
O historiador lembra que Aluízio Alves (que foi governador até 1969, quando foi cassado pelo regime militar) decidiu aderir à candidatura de Jessé Freire em detrimento do candidato do seu próprio partido (MDB), o também empresário Radir Pereira. Em troca, os Alves puderam indicar o vice do futuro governador Lavoisier Maia: o empresário Geraldo Melo.
O curioso na história é que Radir Pereira também recebeu apoio dos “adversários”. Setores da Arena ligados a Dinarte Mariz descontentes com a candidatura de Jessé Freire decidiram apoiar o nome do MDB. Além de Jessé, esses arenistas não engoliam a vitória de Tarcísio Maia na indicação do sucessor para o Governo, que acabou sendo Lavoisier Maia, em detrimento de Dix-Huit Rosado, apoiado por Mariz.
A estratégia de Tarcísio, no final das contas, após uma campanha agressiva, foi vitoriosa. No dia 15 de novembro de 1978, aproximadamente 710 mil eleitores foram às urnas no Rio Grande do Norte, e Jessé Freire venceu Radir Pereira com 76 mil votos de maioria. O professor Sérgio Trindade frisa que, após isso, Tarcísio ganhou mais protagonismo, e Dinarte Mariz (que viria a morrer em 1984, durante mandato de senador) começou a declinar.
“Quem emerge como força política após a eleição de Jessé Freire é Tarcísio Maia, já que a estratégia eleitoral foi dele. E, além disso, temos a volta de Aluízio Alves à vida pública, dez anos após sua cassação pelo regime militar. Foi a maior aliança política feita no RN desde 1954, quando a UDN e o PSD se uniram para eleger Dinarte Mariz e Georgino Avelino. Combinou as forças da Arena no interior e a liderança de Aluízio na capital”, completa o professor.
União desfeita em 1982
Pesquisador do assunto, o professor Sérgio Trindade registra que a “Paz Pública” articulada por Tarcísio Maia (vide página ao lado) tinha, além da eleição de Jessé Freire em 1978, outro objetivo que acabou prejudicando a aliança com os Alves nos anos seguintes. Tarcísio queria, na verdade, diminuir a influência da família “aliada” em Natal e se tornar a grande força política do estado, ocupando o espaço deixado por Dinarte Mariz.
O historiador relata que Tarcísio havia indicado Lavoisier para sua sucessão desde que o novo governante nomeasse o engenheiro José Agripino Maia para o cargo de prefeito de Natal. “Por que Natal? Porque, para os Maia, era necessário obter um determinado número de votos na capital para cobrir a diferença que existia em relação à liderança dos Alves. Daí, José Agripino acaba sendo nomeado, faz uma gestão na Prefeitura com apoio do Governo do Estado e se fortalece para ser candidato a governador em 1982”.
É neste momento em que a aliança entre os Alves e Maia feita quatro anos antes se enfraquece.
Campanha de 1982- Carlos Alberto de Sousa, Lavoisier Maia, Tarcísio Maia e José Agripino Maia em comício (Foto: reprodução)
“Agripino disputa contra Aluízio em 1982 e é eleito. Os Alves, então, foram traídos ao firmarem a aliança lá atrás. Agnelo Alves (ex-prefeito de Natal e Parnamirim) dizia que, não fosse Tancredo Neves, a família Alves tinha se acabado politicamente. Isso porque Tancredo, quando eleito governador de Minas Gerais, chamou Aluízio para trabalhar como secretário. Depois, quando Tancredo se elegeu presidente, Aluízio se tornou ministro”, diz o professor, acrescentando que, a partir disso, outros membros da família Alves conseguiram ter êxito na política.
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Ex-deputado estadual (dois mandatos), ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e ex-secretário de governos no RN, Manoel de Medeiros Brito é um arquivo vivo. Dono de memória privilegiada e próximo de completar 90 anos de vida (6 de julho de 1928), ele deu entrevista a Rádio Cabugi do Seridó, em que fala sobre livro que pretende lançar ainda este ano, vida e política.
Filho de Jardim do Seridó, metido e enfurnado na política provinciana desde tenra idade, ele é conhecido ainda por fino bom humor, como diria o jornalista João Batista Machado, que o trata até hoje por “Brito Velho.”
Seus pais eram proprietários do “Jardim Hotel”, em Jardim do Seridó. O mundo político-econômico do estado e muitos nomes da vizinha Paraíba passavam por lá, sob seu testemunho ainda imberbe. Ponto de partida para uma vida inteira nesse universo, mas com espaço também à formação em Direito no Rio de Janeiro.
Udenista, amigo e parente do governador Dinarte Mariz, preferiu seguir Aluízio Alves na célebre campanha ao governo de 1960. Em 1978, Brito foi um dos operários na construção da “Paz Pública” que juntou o proscrito (cassado pelo regime militar) Aluízio Alves e o governador Tarcísio Maia.
Mas no racha em 1982, ficou com os Maias, sem nunca ter perdido a amizade com os Alves. O radicalismo jamais o contaminou.
Veja abaixo uma síntese desse bate-papo:
Manoel de Medeiros Brito aproxima-se de 90 anos, sem nunca ter sido contaminado pelo radicalismo (Foto: Magno César)
Qual o título do livro? Já está escolhido e qual a previsão de data do seu lançamento?
Eu vou completar 90 anos e este livro relata desde a minha infância, a convivência que eu tive com as figuras mais importantes do RN, figuras de expressão nacional, e o serviço que eu pude prestar à minha terra. Desde muito cedo eu convivi com figuras muito importantes da vida política municipal, estadual e nacional. Por isso é que eu faço esse relato e dou ao livro o titulo de “Tempos Marcantes”. Está praticamente concluído. Desejo lançar no dia em que eu completo 90 anos: 6 de Julho deste ano. Vamos ver se dar tempo.
De quantos governos o senhor foi auxiliar?
Eu participei efetivamente de oito governos Estaduais, a começar pelo de Silvio Pedroza (governador do estado do Rio Grande do Norte entre 16 de julho de 1951 e 31 de janeiro de 1956). Fui o primeiro titular da representação Federal na capital da República, que nessa época era no RJ, depois eu fui auxiliar do Governador Aluizio Alves, do Governo Monsenhor Walfredo Gurgel. Também fui secretário-chefe de Gabinete Civil do Governo Lavosier Maia, além de titular da pasta do Interior e Justiça no Governo José Agripino. Posteriormente no novo governo dele (1991-1994), passei pela Secretaria de Segurança.
O que o levou após tantos anos discorrer sobre fatos marcantes da vida administrativa e política do nosso estado, escrevendo um livro?
Como eu participei de muitas gestões de políticas estaduais. Eu tenho muito o que contar. Foram governos empreendedores. O RN saía de um regime ditatorial em 1945 quando elegeu sua primeira Assembleia Constituinte de modo que eu conheci todos os atuantes. Eu tinha 17 anos. Não era nem eleitor mas participava das atividades políticas de modo que foi um período muito importante para historia do Brasil e sobretudo para historia do RN.
O que o senhor guarda em sua memória sobre todo esse período de serviços prestados ao estado, a esses governos?
De todos os governos que participei eu guardo muitas lembranças, porque foram governos operosos e normalmente em condições precárias, com poucos recursos. Dependíamos principalmente da ajuda federal. Tanto Sílvio Pedroza como os que o sucederam. Todos eles eram dependentes da ajuda do governo federal. O único que não dependeu expressivamente desse recurso foi o governador Aluizio Alves, porque foi favorecido com o programa “Aliança para o Progresso” que foi trazido ao país através do presidente norte-americano John Kennedy. Resultou em um grande trabalho que ele executou que foi a criação da Cidade da Esperança (conjunto habitacional em Natal), que foi a primeira e única obra do programa Aliança para o Progresso porque logo depois Kennedy foi assassinado, lamentavelmente,
Qual, na sua opinião, as características mais marcantes do governo e do governante Dinarte Mariz? Deixando os detalhes para o livro que o senhor está concluindo sobre a sua convivência com o ex-governador e politico
Brito: livro em breve (Foto: Web)
Dinarte foi um empreendedor, um empresário que sacrificou sua empresa em favor do RN porque ele era um homem muito bom, de muitos recursos e utilizou quase todos eles no exercício de sua atividade política. Realizou algumas obras que marcaram seu governo como a consolidação da Universidade Federal do RN (UFRN), graças ao apoio da bancada federal e ao desempenho competente do professor Onofre Lopes da Silva.
Qual sua opinião sobre o Governo Robinson Faria?
Eu tenho que ser sincero a dizer que sou amigo pessoal de Robinson Faria (PSD). Eu o apoiei. Ele tem feito um esforço muito grande para dar conta do trabalho mais o RN precisa entender que ele recebeu o Governo do Estado falido.
Quais os caminhos que o governo deveria dar para tentar minorar a situação caótica em que o estado mergulhou, ou não há mais tempo de mandato?
Administrar não tem segredo. Quem tem competência para gerir bem o patrimônio público, na minha opinião quem governa o Estado, município ou a nação tem que ter compreensão e disposição para não gastar mais do que arrecada. A despesa não pode ser maior do que a receita.
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Meu domingo (27) foi especialmente agradável. Além de ótimo papo, a companhia de um artista incomum. Falo sobre seu Valdemar Gomes da Silva, 75.
Esse paraibano que adotou Mossoró ainda em tenra idade, é um showman.
Recém-chegado da Espanha, onde encaminha estudos de doutorado, o advogado-professor David Leite proporcionou-nos tal presente. Levou-o para uma reunião recheada de múltiplas alegrias.
A apresentação de “Valdemar dos Pássaros” foi no apartamento do advogado André Luís de Oliveira/bióloga Patrícia, em Mossoró. “Entrada” para o almoço.
Causos, músicas, imitações e seu jeito simplório no manuseio de instrumentos de fabricação própria encantaram a adultos e crianças. Fizeram nosso domingo muito maior.
Deu margem ainda à narrativa do próprio David sobre o sucesso de Valdemar há 20 anos, na estreia do “Domingão do Faustão”, da Rede Globo de Televisão.
Os bastidores nos levaram ao riso incontido.
Diante da Xuxa, Valdemar permitiu-se a um comentário mordaz à época: “Ela não é essas coisas toda não”.
Abraçado pelo cantor-compositor Gilberto Gil, logo após aparecer diante das câmeras, recebeu elogios:
– O senhor é um grande artista! Meus parabéns.
Olhar desconfiado, incomodado pelo abraço caudaloso, perguntou a David – que o acompanhava:
– Quem é esse neguim?
E completou, depois de não associá-lo à condição de estrela da Música Popular Brasileira (MPB): “Ele devia é apanhar algodão lá no RN”.
Antes de aparecer ao vivo no Faustão, em 1999, Valdemar teve direito a conhecer o Cristo Redentor e Copacabana, sob os auspícios da própria Globo. Foram pedidos pessoais.
No calçadão da praia poética e cartão postal do Brasil, deparou-se com o ex-governador Tarcísio Maia em caminhada mansa:
– O que você está fazendo por aqui, Valdemar?
Peito estufado, voz rouca inconfundível, nosso personagem bradou: “Vim me apresentar na Globo”.
Valdemar em disco gravado no ano de 1991
Despedindo-se do nosso artista e do acompanhante, David Leite, Tarcísio não ouviu seu desabafo. “Pensei que ele fosse deixar algum dinheiro. Miserável”, protestou.
– Eu achava que Valdemar sequer tinha conhecido doutor Tarcísio, pois às vezes divaga mesmo. “Num é o governador, homem!?”, esclareceu ao próprio David, antes de resmungar da munheca fechada do ex-governador.
Antes mesmo de voltar a Mossoró, em avião, Valdemar ainda teve tratamento de pop-star na aeronave. Foi reconhecido por passageiros e tripulantes. Tocou e fez imitações em meio às poltronas, sob aplauso intenso. De quebra visitou a cabine de comando.
– O que você achou, Valdemar?
– É buracão grande! – exclamou, depois de se deparar com o céu sem fim ao lado de piloto e co-piloto.
Ao chegar a Mossoró, interpelado de como tinha sido seu encontro com Fidel Castro, que visitava o Memorial da América Latina em São Paulo, onde ele também fez show, titubeou. Desconhecia-o.
Alertado quanto a detalhes físicos do comandante da revolução cubana, Valdemar despertou com vivacidade:
– Ah, sim! Sei quem é. É aquele soldadão grande, né?!
Carlos Santos é criador e editor desta página
* Texto originalmente publicado no Blog Carlos Santos no dia 28 de setembro de 2009, às 12h10. É nossa singela homenagem a esse artista, falecido no último dia 22 (veja AQUI) em Baraúna.
Campanha para senador em 1978. Uma espécie de substituição democrática, posto que o “governador” era “eleito” pelo “colégio eleitoral”, sob o controle do regime militar. “Governador” era apenas o delegado da Ditadura, nos Estados.
O que todos esperavam era uma chapa do MDB imbatível, após a vitória, quatro anos antes, de Agenor Maria sobre o candidato da Arena, Djalma Marinho. Nessa eleição, de 1974, eu estava preso. A chapa dessa espera, em 1978, seria formada por Odilon Ribeiro Coutinho, Radir Pereira e Varela Barca.
Seria um banho de água gelada na fervura do regime de mentira, aqui no jerimunzal. Ficou na ilusão. O MDB, sob o comando da Família Alves, mesmo com três irmãos cassados, resolveu fazer um acordo com o regime que os punira.
Nesse acordo, o MDB aluizista lançou, para a convenção, três candidatos ao Senado, tudo de faz de conta. Olavo Montenegro, Paulo Barbalho e Chico Rocha. Os três renunciariam e o MDB apoiaria a candidatura de Jessé Freire, candidato da Ditadura. A motivação desse acordo será tratada noutro texto.
O grupo autêntico do MDB potiguar, sob a liderança de Roberto Furtado e Odilon Ribeiro Coutinho, não se resignou e lançou as candidaturas de Odilon e Radir Pereira. A luta teria desfecho na convenção.
Contando os votos dos delegados, chegamos à constatação de que, mantidas as duas postulações, os autênticos não indicariam ninguém. O desprendimento de Odilon, retirando a candidatura, garantiu a candidatura de Radir Pereira contra o acordão. (Autêntico foi o nome dado ao bloco emedebista, no Congresso, em oposição ao bloco Moderado).
Resultado da convenção: saíram candidatos Radir Pereira, Olavo Montenegro e Chico Rocha. Olavo Montenegro cumpriu o acerto do acordo e renunciou. Chico Rocha manteve a candidatura.
Radir perdeu as eleições para o Senado, mas venceu em Natal por quase quinze mil votos de maioria. Contra tudo e todos. Governo federal, governo estadual, prefeitura da Capital, federação de indústrias, de comércio, Alves e Maias no mesmo palanque.
Os Maias não tinham votos naquele momento, a invenção de Aluízio Alves os colocou no patamar de liderança. E o inventor pagou caro por isso.
Quatro anos depois foi derrotado para governador. O voto vinculado explica a derrota no interior; mas na Capital, em que ele fora o eleitor maior, desde os anos Sessenta, apenas empatou com o candidato dos Maias.
Radir teve melhor desempenho.
Na casa de Radir, após a conquista da candidatura insurgente, reunimo-nos, naquela noite, para comemorar e montar “estratégias”.
Casa lotada. Todos os ambientes cheios. Delegados do partido, assessores, jornalistas, lideranças municipais, puxa-sacos, espiões, o escambau.
Numa mesa larga, dona Alda, mulher de Radir, nos colocou. O Próprio Radir, o ex-governador Cortez Pereira, primo e concunhado de Radir, Odilon Ribeiro Coutinho, Júnior Targino, Rubens Lemos, Agenor Maria e eu.
Essa mesa ficava o tempo todo cercada de perus. Como se estivessem peruando um jogo de cartas.
Muito uísque Bells, vinho, caipirinhas. E tome papo. Não me lembro do começo da confusão que deu. Ocorre que Cortez Pereira, num certo momento, dirigiu-se a mim. Tínhamos referências anteriores de afetos e brigas.
Tarcísio Maia e Cortez Pereira em 1974 (Foto: arquivo)
Ele fora meu professor. Eu fizera aquele discurso na Casa do Estudante, em que Dona Aída Cortez fez uma visita de proselitismo político para o marido governador.
Estraguei a festa e fui preso no dia seguinte. Não fui preso pelo governo estadual, que não tinha força para prender nem prestígio para soltar. Tempos do torturador Médici. A Polícia Federal me prendeu, sob as ordens do DOPS.
Pois bem. Cortez dirigiu-se a mim e disse: “Nós fomos punidos pelo mesmo regime”. Hoje, eu ficaria caldo. Naquela noite, fui grosseiro e respondi: “Fui punido por um regime que sempre combati. Você foi punido pelo mesmo regime ao qual serviu da forma mais torpe”. Desse jeito.
Eu era muito cabeludo. Meus cabelos desciam sobre os ombros. Ele respondeu: “Só desculpo a infâmia da sua fala porque a inteligência contida nela não tem a mesma dimensão da sua cabeleira”.
Confusão ao redor da mesa. Eu maneirei: “Tudo bem. Eu retiro o torpe”. Cortez aceitou as desculpas. Mas Odilon interveio: “Retire não. Foi muito bem colocado”.
Cortez vira-se para Odilon: “Você declarou que a ditadura se redimira, no Rio Grande do Norte, quando me escolheu governador”.
Radir Pereira (Foto: arquivo)
Odilon rebate: “É verdade, mas depois eu fiz autocrítica e disse que você entrara no Palácio pela porta dos fundos”. Cortez retruca: “Eu li e respondi que entrara pela porta dos fundos para abrir a porta da frente do Palácio a empresários mal sucedidos como você”.
Aí a confusão tomou conta. Todos os ambientes da casa vieram para esse local. Dona Alda, coitada, pedia quase gritando: “Vocês estão de que lado? Do lado dos adversários”? Radir pedia calma. Rubens Lemos cofiava o bigode e ria. Targino sugeriu: “Vamos enchiqueirar eles”.
Serenados os ânimos, houve o enchiqueiramento. Puseram uma mesa ao lado oeste do quintal, longe da festa, onde ficamos Odilon, Cortez, Targino e eu. Varamos a madrugada, entre reflexões de direito, filosofia, história e muita birita.
Cortez e eu, por sugestão de Odilon, combinamos a abertura de um escritório, em Natal, de advocacia criminal. Targino faria parte. Tempos depois, Targino me disse que nunca acreditou naquele empreendimento.
Ele estava certo. O “escritório” nasceu e morreu naquela madrugada. O tempo passou, como é imposição do destino, não ampliou a inteligência da minha fala, mas engoliu a minha cabeleira. Té mais.
Em sua estada em Mossoró na última segunda-feira, o jornalista e escritor Vicente Serejo relembrou seus tempos de Diário de Natal (o maior jornal impresso que o RN já teve).
Em palestra no Teatro Municipal Dix-huit Rosado, focado no tema “Vingt-un: Uma militância Editorial”, em que tratou sobre a vasta produção de livros e plaquetes da “Coleção Mossoroense”, Serejo pegou um atalho para a política.
Citou manchete que emplacou, a partir de entrevista com o então deputado federal Vingt Rosado, que resolveu romper com o primo Tarcísio Maia e definiu assim a gestão dele:
– “É o governo do ócio, do ódio e do negócio”.
O que diria Vingt hoje, espiando o cenário político de Natal a Mossoró?
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O deputado Manoel Cunha Neto, o “Souza” (PHS), deu boas e más notícias sobre a Saúde pública em sua região de atuação política, a Costa Branca e Oeste do estado. Foi em pronunciamento hoje na tribuna da Assembleia Legislativa. Ele resumiu informações colhidas do próprio Governo do Estado.
Robinson viu in loco o que é o Tarcísio Maia, em 2015 (Foto: Ivanízio Ramos)
Souza queixou-se da demora na liberação de recursos para obra no Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM). Lembrou que apesar de ter garantido todas as suas emendas parlamentares para esse empreendimento, no valor de R$ 1,8 milhão, o Governo não destravou a burocracia. “Considero que estou frustrado com as ações governamentais em relação ao Hospital Regional Tarcísio Maia”, admitiu.
“No governo passado foi anunciada uma reforma no valor de R$ 4.000.000,00 e a obra tão importante não andou. Mais de cinco anos de uma obra de valor até modesto, para tamanho alcance social, não anda, não é entregue, não funciona”, criticou.
“Agora, se renovou a expectativa com o novo governo. O projeto que era de R$ 4.000.000,00 foi readequado para R$ 2.000.000,00. A obra sequer foi licitada, devido ainda pendências de ordem financeiras do governo anterior com o projeto executivo de engenharia. Débitos de pouco mais de cem mil reais estariam impedindo que o projeto ficasse pronto para ser licitado”, relatou.
“Tenho que relatar que o Tarcísio Maia continua na expectativa. Sobrecarregado, quase exaurido em suas forças, tocado por uma direção capaz e equipe dedicada, mas que não podem fazer muito mais sem maiores condições de trabalho”, salientou.
Hospital Regional da Mulher
O parlamentar chegou a afirmar que “estive com o governador Robinson Faria (PSD). Relatei tudo que estou aqui expondo. O governador disse que iria atender esse pleito da cidade de Mossoró, mas segundo o Dr. Ricardo Lagreca (secretário da Saúde) – faltam recursos para execução da obra”.
Por outro lado, Souza adiantou que “em relação ao futuro Hospital Regional da Mulher”, haverá licitação ainda este ano para a obra que ficará localizada em terreno destinado pela Universidade do Rio Grande do Norte (UERN), em Mossoró.
“Fui cientificado que teremos um hospital modelo e referência no atendimento materno-infantil, para todos os municípios da região. Além disso, servirá de campo de estágio para os estudantes do curso de Medicina da UERN”, disse. “Esse hospital terá 130 leitos”, acrescentou.
O Sindicado dos Trabalhadores da Saúde do Estado do Rio Grande do Norte (SINDSAÚDE-RN)) organiza movimento amanhã em frente ao Hospital da Polícia Militar em Mossoró. Mobilização contra sua iminente desativação. Será às 14h.
Desde a semana passada que o Governo do Estado determinou a transferência de todos os seus funcionários civis para o Hospital Regional Tarcisio Maia (HRTM) – veja AQUI.
Essa unidade hospitalar tem prestado apenas serviços ambulatoriais desde a gestão Rosalba Ciarlini (PP), pois não dispõe de equipe suficiente para ampliar atendimento.
O Hospital da Polícia foi inaugurado em 1977 no Governo Tarcísio Maia.
Sinal amarelo para Mossoró. Sinal amarelo em relação à disputa à Câmara Federal.
Pela primeira em quase 70 anos contínuos, o município com o segundo maior colégio eleitoral do Rio Grande do Norte pode ficar sem eleger um nome nativo à chamada Baixa Câmara. Concorrentes mais competitivos como Sandra Rosado (PSB), Betinho Rosado Segundo (PP) e Fátima Rosado (PMDB) têm semanas decisivas pela frente. Período delicadíssimo.
Fafá e Sandra: direções distintas e um só foco (Foto: Cézar Alves)
Atualmente, Mossoró conta com Sandra e o primo e adversário partidário Betinho Rosado (PP) com mandatos em Brasília.
Porém enfrentam consideráveis dificuldades. Sandra, principalmente, de recursos financeiros elementares para fazer campanha andar até em sua terra natal; Betinho, de mobilidade e sobretudo de transposição de nome.
Sandra é candidata à reeleição; Betinho sequer é candidato. Seu nome foi indeferido pela Justiça Eleitoral e lançou às pressas o filho Betinho Rosado Segundo, “Betinho Segundo”. Praticamente teve que começar nova campanha com o herdeiro, testado pela primeira vez num embate eleitoral.
“Motinha”
Quem estreia também na empreitada federal é a ex-prefeita Fafá Rosado, prima de Sandra e Betinho. Já esteve no grupo de um e de outro parente, mas marcha em faixa própria.
A exemplo dos primos, faz e refaz contas, precisando “estourar” votação em Mossoró e catar apoios expressivos fora. Não é fácil.
Mossoró começou a fincar os pés na Câmara Federal em sequência, ainda à época em que o Distrito Federal era o Rio de Janeiro. Por lá, na sede desse poder, o Palácio Tiradentes, desembarcou Vicente da Mota Neto, “Mota Neto”, o “Motinha” para os mais próximos.
Mota Neto: constituinte de 46 (Foto: Reprodução)
Foi deputado federal Constituinte de 1946 e ganhou outro mandato, com a eleição de Café Filho para vice-presidente de Getúlio Vargas, em 1950. Era seu suplente. Na época, a legislação permitia concorrer a mais de um cargo eletivo e com o duplo sucesso eleitoral de Café, houve abertura de vaga à sua titularidade.
Depois Mossoró teve ainda Dix-huit Rosado, Tarcísio Maia, Vingt Rosado, Laíre Rosado, Múcio Sá, Mário Rosado etc.
Há várias legislaturas, Mossoró vêm mantendo duas cadeiras e já chegou a ter três das oito vagas representativas do Rio Grande do Norte na fase de Brasília como Capital da República.
Eleições difíceis
Na atual campanha, nenhum dos nomes de Mossoró, com mandato ou não, figura entre potenciais eleitos ou favoritos. Podem “surpreender”.
A eleição de Betinho Segundo e Fafá é possível, mas difícil. A reeleição de Sandra, também.
Outros nomes estão registrados, tendo Mossoró como bastião, casos dos advogados Carlos Santana (PSL) e Wellington Barreto (PPS), além do ex-sindicalista Valmir Alves (PT). Bote na conta também Miguel Mossoró (PTC). Procuram somar para suas coligações e sabem como é distante o sonho do Planalto.
Sandra e Fafá fazem parte da mesma coalizão de partidos que apoiam a candidatura do presidente da Câmara Federal, Henrique Alves (PMDB), ao Governo do Estado. Uma pode terminar servindo indiretamente e à contragosto à eleição da outra, na soma de votos.
Com Betinho Segundo há outra situação indigesta e complicada. Virou candidato porque o pai não pode ser candidato. Entra na campanha com o “bonde andando” e está numa coligação por não ter outra escolha. Não é caso de opção, mas de compulsória necessidade.
Está na Coligação Liderados pelo Povo, do vice-governador dissidente Robinson Faria (PSD), adversário político do grupo do seu pai e da governadora Rosalba Ciarlini (DEM).
Os três candidatos do clã Rosado parecem dividir para somar, em veredas diferentes. Contudo podem ver a sentença das urnas promover a subtração de espaços de Mossoró na Câmara Federal. Todos sabem disso, mesmo que disfarcem com discursos triunfalistas, a tese de uma vitória certa.
Eventuais eleitos
Hoje, em qualquer lista de eventuais eleitos, aparecem Walter Alves (PMDB), Rafael Motta (PROS), Felipe Maia (DEM) e Zenaide Maia (PR) da Coligação União Pela Mudança.
Sávio Hackradt (PDT), Antônio Jácome (PMN), Sandra Rosado, Rogério Marinho (PSDB), Fafá Rosado, Abraão Lincoln e Paulo Wagner viriam numa escala decrescente correndo atrás de duas cadeiras na mesma aliança.
Betinho Segundo com Robinson: gesto que sobrou (Foto: Divulgação)
Na Coligação Liderados pelo Povo, apenas um candidato tem motivos para sorrir antecipadamente: deputado federal Fábio Faria (PSD). Com possível eleição de dois candidatos a deputado federal, a segunda vaga pode ser de Adriano Gadelha, nome do bolso da candidata ao Senado e atual deputada federal Fátima Bezerra (PT).
À medida que Fátima sobe, puxa Adriano.
Um terceiro nome pode prosperar, mas não é fácil. Betinho Segundo luta para ser na verdade o segundo dessa coligação, visto que uma terceira cadeira seria algo mais dramático.
Sobrinho-afim da governadora Rosalba Ciarlini (DEM), Betinho é a última esperança dela de ficar, mesmo que indiretamente, com algum mandato. Sairá do governo sem direito à reeleição, não possui mais direta ou indiretamente a Prefeitura de Mossoró e ninguém a representando na Assembleia Legislativa. Betinho Segundo é sua aposta total.
Olhando tudo por outro ângulo diametralmente oposto, os Rosado sairiam bastante fortalecidos sob outra realidade: a eleição de Sandra, Betinho Segundo e Fafá, apesar de tantos percalços recentes. Não é impossível, mas é pouco possível.
SEM PREFEITURA – Vale ser assinalado, que depois de mais de 40 anos contínuos como inquilino direto ou indireto da Prefeitura de Mossoró, espécie de “Casa Grande” e símbolo de seu poder paroquial, os Rosado estão do lado de fora da Municipalidade. O prefeito Francisco José Júnior (PSD), após ser aliado de todos, sentou na cadeira de prefeito e tem candidatos próprios à Câmara Federal e Assembleia Legislativa. São “importados”, sem ligação alguma com o clã ou familiaridade com Mossoró e seu entorno.
É um novo tempo?
O passado já está escrito, como o distante ano de 1958, quando os irmãos Vingt e Dix-huit Rosado foram respectivamente candidatos a deputado estadual e Senado da República, sendo eleitos, ao lado do primo Tarcísio Maia, ungido à Câmara Federal.
Tomando Mossoró como base, os três formaram uma chapa informal conhecida como “DTV” (iniciais de Dix-huit, Tarcísio e Vingt), botando Mossoró no mapa da representatividade nas três casas legislativas. Estavam juntos, que se diga.
Quanto ao futuro, é aguardar. Ele pertence às urnas.
Foi encarado por muita gente como “ato falho”, ou seja, um pequeno deslize, a forma com que a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) tratou a deputada federal adversária Fátima Bezerra (PT), nessa sexta-feira (21), em evento ocorrido em Natal.
Fátima, com a "Rosa", contra Wilma? Sim, por que não? (Foto Tribuna do Norte em 10 de março de 2012, em que aparece também o então ministro da Educação, Aloízio Mercadante)
No lançamento da “Rede Simples”, no Sebrae, com a presença do ministro Guilherme Afif Domingos, a governadora utilizou a primeira pessoa do plural (nossa) para tratar a parlamentar, acrescentando uma “nomeação” popular ao possessivo:
Rosalba vive um inferno astral como administradora e no campo político. Transformou-se num estorvo para a maioria dos caciques, em especial aqueles que a apoiaram na eleição ao Governo do Estado em 2010.
É pouco provável até que seja candidata à reeleição, por força de questão judicial (inelegibilidade). Se insistir, não deve passar na convenção do DEM, que botou como prioridade a eleição e reeleição de seus candidatos à Assembleia Legislativa e Câmara Federal.
Por que, então, esse afago em Fátima Bezerra, sua adversária histórica?
Simples.
Fátima concorrerá ao Senado da República, tendo como principal dificuldade ao projeto, a concorrência da ex-governadora Wilma de Faria (PSB).
A deputada (ou “senadora”, segundo Rosalba) é sua adversária. Wilma, não. Transformou-se em inimiga política, imersa em picuinhas e troca de ofensas veladas ou explícitas.
Ecossistema político
Proclamar Fátima Bezerra, que do ponto de vista ideológico está diametralmente oposta à conduta e pensamento político seu, foi um recado de Rosalba. Recado aos senadores José Agripino (DEM) e Garibaldi Filho (PMDB), à própria Wilma e ao deputado federal e pré-candidato a governador Henrique Alves (PMDB).
Acuada, excluída e extirpada do topo da cadeia alimentar do ecossistema político potiguar, Rosalba pode agir como uma força centrífuga, triturando tudo em sua volta.
Com o resto de capital que lhe resta, sobretudo em seu berço político e cidadela, Mossoró, a “Rosa” tende a apostar num nome que lhe seja “menos ruim”. Fátima Bezerra, é o caso.
Tivemos no passado (1982), a criação dos votos “camarão” e “cinturão”, quando o instituto do “voto-vinculado” obrigava o eleitor a votar em todos os candidatos de um mesmo partido. Era um casuísmo “legal” criado pelo regime militar em seus últimos dias de poder, para manutenção do “voto de cabresto”.
Aluízio e Vingt
Além disso, havia a faculdade da “sublegenda”, outra armação, que permitia que o mesmo partido pudesse ter mais de um candidato a prefeito.
Em Mossoró, rompido com o primo e ex-governador Tarcísio Maia (PDS), o deputado federal e líder do rosadismo (até então um grupo praticamente monolítico), Vingt Rosado (PDS), pregou que ninguém votasse na cabeça de chapa, deixando-a em branco.
Aluízio e Dix-huit: ajuda mútua
Como não podia votar em Aluízio Alves (PMDB), os seguidores de Vingt anulariam o voto a governador que era imposto por Tarcísio, com a candidatura do filho José Agripino (PDS). Eis o “voto camarão”, cortando a cabeça.
Em troca, Aluízio defendeu o “voto cinturão”: seus eleitores deveriam deixar em branco o voto a prefeito (que ocorria na mesma eleição).
Pelo menos em Mossoró, o protesto deu certo. Aluízio foi o nome a governador mais votado com 21.037 votos (40,76%), com Agripino ficando em segundo lugar com 17.571 (34,05%). No estado, o “bacurau” perdeu por mais de 107 mil votos de maioria.
A prefeito, o irmão de Vingt Rosado, Dix-huit Rosado (PDS), foi eleito pela segunda vez ao cargo com 21.510 votos (41,68%) e o pemedebista que na prática não teve apoio de Aluízio, João Batista Xavier, foi o segundo mais votado, com 15.466 votos (29,97%). Canindé Queiroz, da sublegenda do PDS, lançado para puxar votos para Agripino, teve 4.388 votos (8,50%).
Eleições a prefeito de Mossoró em 1982 (Fonte: Blog Carlos Santos):
O eleitorado habilitado ao voto era de 67.041, em 275 secções. Compareceram 51.606 (76,98%) eleitores. As abstenções foram de 15.435 (23,02%) votantes.
Para as eleições de 2014, o eleitor está livre para misturar, votando em quem bem desejar de cabo a rabo. Não há voto vinculado ou sublegenda.
Vingt serviu "camarão"
O “rosalbista” pode ficar sem uma preferência ao Senado, diante do racha no próprio DEM que termina de afundar Rosalba. Não significa dizer que ela fique sem opção. Fátima pode ser uma forma de vindita de Rosalba, ajudando a não eleger Wilma, de quem já foi aliada no passado nos anos 80 e início dos anos 2000.
Estranho?
Nem um pouco.
Lembre-se: “a política é dinâmica”.
A frase é surrada, mas continua atualíssima na política caprichosa e sinuosa do Rio Grande do Norte, onde o feio é perder. O próprio Vingt Rosado costumava dizer que voto de aliado e de adversário (ou “bandido”) tinha o mesmo valor.
Aluízio Alves e Vingt Rosado tiveram embates homéricos e nem sempre muito leais. Mas em determinado ponto da história no século XX, passaram à composição à margem da lei e, em seguida, formalizada em comunhão numa única sigla, o PMDB, em meados dos anos 80.
Portanto…
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O diretor-geral do Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM), pela terceira vez, médico Eider Medeiros, desabafou. Despejou o que queria dizer à própria governadora Rosalba Ciarlini (DEM). De corpo presente.
Eider: apelo pelo Tarcísio Maia (Jornal de Fato)
Recebido na Governadoria, em Natal, disparou com aquele seu jeito compassado no falar: se o governo tivesse botado mais de R$ 2 milhões/mês no HRTM e Hospital da Polícia, em vez de despejá-los na aventura do Hospital da Mulher, o quadro de saúde pública em Mossoró e região daria resultados infinitamente maiores, inclusive à imagem governista.
A conversa entre ambos deixou Rosalba desconsertada. Como é de praxe, ela voltou a prometer mudanças, novidades e investimentos.
Eider – com a proximidade política que possui – falou o que muitos temem comentar ou afirmar claramente, para não desagradar a governante e o líder do seu grupo, chefe de Gabinete Civil e ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado (DEM).
O HRTM, apesar de sua enorme importância, ficou em segundo plano nos projetos do governismo, que enxergou na implantação do Hospital da Mulher um meio de se capitalizar mais politicamente. Essa era a prioridade, não a saúde.
O diretor Eider não entende tamanho desatino, porque seu olhar não alcança as estepes frias do pensamento político do rosalbismo. A criação do Hospital da Mulher surgiu para fazer frente à Casa de Saúde Dix-sept Rosado (CSDR), em termos de resultados e conceito público, para produzir resultados eleitoreiros imediatos.
A meta foi alcançada, do ponto de vista político-eleitoral e com um custo milionário. O próprio governo admitiu, numa auditoria interna, que mais de R$ 8,4 milhões foram desviados.
Tarcísio Maia
Esse equipamento de saúde foi usado fartamente como peça de divulgação na campanha municipal do ano passado. Paralelamente, uma rede de comunicação-propaganda satanizava e tentava fechar a CSDR, controlada por esquema político adversário.
Noutra frente, com saúde municipalizada, a Prefeitura de Mossoró criava dificuldades de manutenção da CSDR. Chegou a segurar por cerca de nove meses a liberação de cerca de R$ 560 mil, comprometendo vidas e espalhando ressentimentos de médicos e outros servidores da institituição.
Na verdade, utilizar essa estratégia de manipulação da Saúde não é algo raro ou isolado na história política de Mossoró e Rio Grande do Norte.
O próprio Tarcísio Maia, que “nasceu” com o nome de “Tancredo Neves”, foi parido com um objetivo prioritariamente político-eleitoral pelo grupo Maia, gestão do governador José Agripino (PFL, hoje DEM) – em 1986.
Hospital da Mulher (foto Carlos Costa): Imagem nobre, manipulação torpe e milhões desviados
“Remédio”
Brigado com o sistema político do primo e deputado federal Vingt Rosado, o ex-governador Tarcísio Maia e seu filho Agripino identificaram a saúde como umas das principais forças catalizadoras de votos adversários durante décadas. Precisava ser combatida.
O “remédio” a ser usado para aplacar essa influência seria na mesma moeda.
Daí veio a ideia do hospital regional, que pesquisa de opinião pública reforçou como necessário. Coube ao então secretário da Saúde, Leônidas Ferreira, agilizar providências para implantação desse equipamento.
De lá para cá, como sempre, milhares e milhares de pessoas indefesas, manipuladas e usadas, sofrem com essa guerra pelo poder.
As maiores e contínuas baixas não estão de um lado nem do outro. A patuleia indefesa – no meio das batalhas – paga às vezes com a própria vida por tamanho desatino.
Um retrato do atraso em que o sistema pluripartidário nacional mergulhou pode ser medido pela relação existente entre político e partido. Os papeis estão invertidos. Para pior.
Há algumas décadas ouvíamos a citação: “Aluízio Alves do MDB”, “Tarcísio Maia da Arena”. Hoje, é “o PMDB de Henrique Alves”; “o DEM de José Agripino” e até “o PT de Lula”.
Os partidos deixaram de ter filiados, simpatizantes e candidatos para serem lembrados pelo nome de seus proprietários, donos, gente que andaria com a chave da porta do diretório no cós da calça. Só entra e sai quem ele quer. As siglas parecem funcionar numa pasta 007 ou bisaco; são itinerantes.
Em vez de partidos fortes, existe alguém com força para ter partido, dando-lhe o jeito e personalidade com sua cara e digital.
Com 30 partidos regularizados, o Brasil ainda engatinha na democracia porque insiste em não fortalecer as instituições, como o próprio partido. O problema não é a quantidade, mas a fragilidade do sistema, sempre ajustado para facilitar o contorcionismo político, o atalho e a gambiarra.
Na prática, paradoxalmente, a desvalorização partidária nos remete à época da República Velha (1889-1030), em que tínhamos o instituto da “candidatura avulsa” e o indivíduo podia ser candidato sem qualquer inscrição partidária.
Mais estranho ainda é identificarmos que no período de regime militar, com o modelo bipartidário MDB-Arena, os partidos eram muito mais consistentes, ideologizados e estranhamente mais democráticos.
Esse fenômeno de partido sob a propriedade particular é uma inversão de valores injustificável e inaceitável. Só se explicaria sob o princípio da razoabilidade, se certos chefes tivessem maior dimensão do que o próprio partido. Exemplo que podemos extrair do futebol. “O Santos de Pelé”. O jogador estelar virou instituição pessoal a ponto de ser a referência do time e de uma época. Ficou maior do que o clube.
Na política contemporânea, poucos são os políticos que atingem esse feito. Lula, certamente, inflou mais do que o PT. Mas, vaidoso, passou a comprometer sua própria cria, com a ideia de que é um deus do Olimpo brasileiro e pode tudo. Pode porque é dono.