Em nota enviada à TV Ponta Negra nesta segunda-feira (04), o ex-jogador de basquete e estudante de Ciências Contábeis, Igor Eduardo Pereira Cabral, 29, manifesta arrependimento pelos acontecimentos recentes que “causaram sofrimento a diversas pessoas,” especialmente a Juliana, namorada a quem agrediu com mais de 60 socos. O caso aconteceu dia 26 de julho (veja AQUI), no elevador de um condomínio na Zona Sul de Natal.
Reconhece que sua conduta, influenciada por uso de substâncias e instabilidade emocional, contribuiu para a situação.
A mulher agredida passou por cirurgia para reconstrução da face com múltiplas fraturas.
Veja a nota em print acima nesta postagem.
Prisão e denúncia
Transferido no dia 1º para a Cadeia Pública Dinorá Simas, em Ceará-mirim, no último dia 1º, Igor Cabral teria sido agredido fisicamente e com spray de pimenta, por policiais penais. Seus advogados formalizaram denúncia.
Igor empregou violência para matar a namorada (Foto: reprodução)
Nota do BCS – A nota deve ter sido produzida por advogado. Ele está preso em Ceará-mirim, sem acesso algum a meios à produção dessa defesa.
Normal o posicionamento. Procura atenuar a imagem que existe dele na opinião pública, já com uso de mais uma versão. Primeiro, teria sofrido surto devido claustrofobia (trancado no elevador), depois acrescentou que era autista (vá entender). Agora, substâncias e instabilidade emocional teriam o levado à fúria.
Cadeirada não teve consequência traumática grave, apesar do empenho de Marçal em propagar maior dimensão (Foto: reprodução do BCS)
Do Canal Meio e outras fontes
A cadeirada de José Luiz Datena (PSDB) contra Pablo Marçal (PRTB) durante debate na TV Cultura no domingo saiu da esfera da política e migrou para a policial. Os advogados do ex-coach tentaram classificar o caso como tentativa de homicídio, mas o 78º Distrito Policial (Jardins) o registrou lesão corporal e injúria real. O Ministério Público Eleitoral abriu uma investigação, já que agressões verbais ou vias de fato podem ser enquadradas no artigo 326 do Código Eleitoral. (Estadão)
Marçal chegou a gravar um vídeo com uma máscara de oxigênio dentro de uma ambulância, mas uma foto dele já no Hospital Sírio-Libanês o mostrava usando uma pulseira verde, que significa “casos pouco urgentes”. Em live ainda no hospital, o candidato classificou o ocorrido como deprimente e afirmou que “foi só um esbarrão”. Após sua alta, o Sírio-Libanês informou que ele sofreu traumatismo na região do tórax à direita e em punho direito, sem complicações associadas. (Globo e g1)
A defesa do candidato tucano pretende processar Marçal por calúnia. O estopim da agressão foi uma referência do candidato do PRTB a um processo contra o apresentador por assédio sexual, extinto por ter sido denunciado fora do prazo legal. Datena perdeu o controle ao ser chamado de “Jack”, gíria para estuprador em presídios. (Estadão)
Datena reconheceu em nota que errou, mas não se arrepende da agressão. “Preferia, sinceramente, que o episódio não tivesse ocorrido. Mas, fossem as mesmas circunstâncias, não deixaria de repetir o gesto, resposta extrema a um histórico de agressões perpetradas a mim e a muitos outros por meu adversário”, disse o apresentador de TV. (CNN Brasil)
E temendo que algo parecido volte a acontecer, a RedeTV! anunciou ontem que vai fixar no chão as banquetas que serão usadas pelos candidatos à Prefeitura de São Paulo durante o debate que realizará hoje às 10h20. Datena e Marçal confirmaram presença, assim como Guilherme Boulos (PSOL), Ricardo Nunes (MDB), Tabata Amaral (PSB) e Marina Helena (Novo). Cada candidato terá um segurança dentro do estúdio. (UOL)
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Postagem de Damária Jácome justifica sua decisão (Reprodução do BCS)
A candidata à Prefeitura de João Dias, Damária Jácome (Republicanos), saiu da cidade ao lado de familiares. O presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE/RN), desembargador Cornélio Alves, deu a informação em primeira mão nessa quarta-feira (29), em entrevista coletiva em Natal. Escolta policial a escudou na mudança para local não revelado.
“Em razão desse momento crítico, preferimos, minha família e eu, nos ausentarmos da cidade, porém nos colocando à disposição das autoridades responsáveis pela investigação. Agradeço a compreensão de todos e reitero minha confiança na força da lei,” postou a candidata no dia passado, usando suas redes sociais.
Na terça-feira (27), João Dias e o RN foram impactados por duplo homicídio bárbaro (veja AQUI); o prefeito e candidato à reeleição Francisco Damião de Oliveira (UB), 38, conhecido por “Marcelo Oliveira”, foi executado com mais de dez tiros. Seu pai, Sandi Alves de Oliveira, também morreu na execução e um segurança saiu ferido. Cerca de oito homens estariam envolvidos diretamente no crime.
Damária foi eleita como vice-prefeita de Marcelo Oliveira em 2020, chegou a assumir a municipalidade com renúncia dele, mas uma série de acontecimentos (veja em link abaixo) a expurgou do cargo e deixou série de tragédias em sua família.
Isolda é autora de uma proposição simples, direta e importante (Foto: Assessoria)
Foi sancionada a Lei Nº 11.891 de 14.08.2024, de autoria da deputada estadual Isolda Dantas (PT), que dispõe sobre a obrigatoriedade das empresas públicas, sociedades de economia mista e concessionárias de serviços públicos, de água, energia elétrica e gás do Estado do Rio Grande do Norte, inserirem nas faturas de consumo os telefones para denúncia de violências. Os contatos divulgados serão da Central de Atendimento à Mulher – 180, Disque Denúncia Nacional – 100 e Disque Denúncia Estadual – 181.
A iniciativa se dá devido a importância da população ter pleno conhecimento sobre os números de telefones elencados. Isolda destaca que a matéria tratada no projeto é de direito do consumidor, estando elencadas no Art. 24 da Constituição Federal de 88.
A Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência – Ligue 180 – é um serviço de utilidade pública gratuito e confidencial (preserva o anonimato), oferecido pelo Governo Federal desde 2005; atualmente, vinculado ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. O Ligue 180 tem por objetivo receber denúncias de violência, reclamações sobre os serviços da rede de atendimento à mulher e de orientar as mulheres sobre seus direitos e sobre a legislação vigente, encaminhando-as para outros serviços quando necessário.
O Disque 100 pode ser considerado como – pronto socorro – dos direitos humanos, pois atende também graves situações de violações que acabaram de ocorrer ou que ainda estão em curso, acionando os órgãos competentes, possibilitando o flagrante. O Disque 100 recebe, analisa e encaminha denúncias de violações de direitos humanos relacionadas a diversos grupos e/ou temas.
O Disque Denúncia Estadual (181) permite que a população possa denunciar qualquer tipo de irregularidade, ilegalidade ou repassar informações que ajudem as polícias na elucidação de delitos ou infrações de forma anônima. Isolda destaca que essa é mais uma lei para preservar a vida das mulheres e incentivar a denúncia de violações.
Nota do Blog Carlos Santos – Excelente iniciativa, deputada. Simples, direta e importante. Parabéns.
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Fabiana foi morta possivelmente por alguém que ela conhecia (Foto: redes sociais)
A psicóloga Fabiana Maia Veras, 45, foi morta no interior da Clínica Dalva Maia, em Assú, onde atendia, no bairro Dom Elizeu. Pulsos cortados, amordaçada, sem vida, ela foi encontrada no início da noite dessa terça-feira (23).
Vídeo coletado de câmeras usadas nesse endereço de trabalho, onde tinha casa contígua, revela que ela recebeu um homem por volta de 16h44 e abriu a porta para ele. De máscara cirúrgica, luvas, o interlocutor parecia ser alguém de seu relacionamento, mostram imagens.
Fabiana atuava em Paraú, Assú, Mossoró e outras cidades, tendo largo conceito profissional. Também era conhecida pela fidalguia e leveza na convivência social, com raízes familiares entre Janduís, Campo Grande e Paraú.
Desportista, fisiculturista, Fabiana deixou uma filha especial em idade adolescente.
Nota do BCS – Que a investigação chegue à autoria desse crime bárbaro.
Garibaldi é pai do vice-governador (Foto: Twitter)
O ex-deputado estadual, ex-prefeito de Natal, ex-governador e ex-senador Garibaldi Alves Filho (MDB) postou em redes sociais uma manifestação de apoio à governadora Fátima Bezerra (PT). Sua palavra é de solidariedade na luta contra ataques de facção criminosa no estado, que ocorrem desde terça-feira (14).
“Quero me dirigir ao povo norte-rio-grandense e a governadora Fátima Bezerra, para prestar solidariedade nesse momento de crise. Vossa excelência age com altivez e dignidade, repelindo os atos criminosos que atingem nossos setores público e privado em todo o estado. Governadora, confiamos em suas diretrizes e no vigor das forças de segurança, respaldadas pela ótima relação com o governo federal”, assinalou.
“A senhora conta com nosso apoio e de nossa população. O Rio Grande do Norte vencerá. Sempre!”.
Garibaldi também é pai do atual vice-governador do RN, Walter Alves (MDB).
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O caso não é de alarmismo, mas de boa dose de prudência, regada à informação de fontes credenciadas.
A madrugada e dia que se aproximam são cruciais à segurança pública do RN. Faça sua parte. O problema não passou. O aparente silêncio não é sinônimo de calmaria.
Pausa nas aulas presenciais, é a ordem (Foto ilustrativa)
Universidade Federal do RN (UFRN), Universidade Potiguar (UnP) e Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA) também suspenderam suas aulas, como rede estadual de ensino.
Seguem decisão tomada também pela Universidade do Estado do RN (UERN) bem mais cedo, além de várias prefeituras potiguares, como a de Mossoró.
Todos preocupadas com a violência que se espalhou desde a madrugada pelo estado, provocada por facção criminosa.
Jair Bolsonaro (PL) será o líder de oposição ao presidente diplomado Lula (PT)?
Se for, que líder a oposição terá?
Um ressentido, incendiário e inconsequente?
Diplomático, propositivo, questionador?
Faça suas apostas.
Talvez as respostas às minhas dúvidas tenham sido respondidas preliminarmente no domingo (8 de Janeiro de 2023), com o ataque bolsonarista aos três poderes da República (veja AQUI):
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Mais de 20 dias de bloqueios de estradas, confrontos com policiais rodoviários e militares, depredações, tiros, agressões físicas e ataques com coquetéis incendiários e não sabemos quem comanda isso?
Tem gente prevaricando na ‘apuração’ ou é incompetência?
*Prevaricação – Prevaricação é um crime funcional, praticado por funcionário público contra a Administração Pública. A prevaricação consiste em retardar, deixar de praticar ou praticar indevidamente ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal.
*Vídeo mostra ataque a policiais rodoviários federais em Novo Progresso, no Pará (veja AQUI).
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Próximo alvo da fúria do bolsonarismo delirante, aquele que vai às ruas e rodovias, falando em “intervenção militar”, serão as Forças Armadas. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi acuada à bala e pedras segunda-feira (7) no Pará (veja AQUI).
Em Santa Catarina (veja AQUI), também saíram na porrada com a corporação que antes era sua aliada, mas agora é inimiga.
Caso não é de política ou polícia, mas de psicologia social/psiquiatria.
Essa gente é movida por crenças recalcitrantes, resistentes à argumentação racional. Não vai retroceder. E a frustração por não ver as Forças Armadas dando golpe, atendendo sua vontade, a levará à nova paranoia, fazendo-as também sua inimiga.
Basta acompanhar os primeiros surtos diante da frustração do relatório do Ministério da Defesa quanto às urnas eletrônicas. Como não encontraram mínimo indício de fraude, a piração só aumenta, além do desapontamento com a força verde-oliva.
Quem venceu nas urnas, quem está distante, se alimenta de um monte de bizarrices desses bolsonaristas, ao deboche. Mas, entenda: temos algo mais sério do que mimimi, choro de derrotado. Esse delírio afeta famílias, amizades, coabitação civilizada e a democracia rasa que temos.
Vai piorar. Anote.
* Cena do vídeo é no muro do Centro de Instrução de Operações Especiais (C I Op Esp) em Niterói-RJ. Trata-se de uma unidade militar do Exército. Na sequência, cena de uma mulher que usa mordaça e apelo para Forças Armadas salvarem país, no Rio de Janeiro-RJ.
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Dizem (sujeito indeterminado) que até as pedras se encontram. Não duvido. Mas não afirmo que sim. Logo que pegou a calçadinha da Ponte Jerônimo Rosado, num horário em que o trânsito subindo a Presidente Dutra era o mais intenso e caótico possível, Jaime topou com o sebista Antoniel Silva, dono do Sebo Verdugo, o segundo maior do município, cidade esta que possui apenas dois sebos. O maior e melhorzinho é o Bate-Bucha, pertencente ao xilógrafo Gotardo Lins.
Foto ilustrativa
Tanto Antoniel quanto Gotardo fazem as vezes de editor e ambos lançaram certas obras com o selo dos seus respectivos comércios. Conforme já foi dito, ao menos creio que sim, o Bate-Bucha situa-se na Rua Jerônimo Rosado. Nessa mesma rua, consintam que eu me repita, também encontramos a loja de carros do senhor Mauro Mosca, vulgo Rato Branco.
Muito bem. Lá caminhava, a passos largos, o escritor Jaime Peçanha, ora alçado à condição de assassino, além do delito de posse ilegal de arma de fogo. Subia a calçadinha da Ponte Jerônimo Rosado com a sua mochila nas costas, a tal mochila contendo a cópia impressa da obra A Cidade que Nunca leu um Livro. Súbito, então, aparece-lhe à direita, sempre a direita!, o sebista falacioso Antoniel Silva. Este vinha assim como quem viesse da pequena e íngreme rua do ponto de ônibus.
Não foi possível ao escritor fazer de conta que não avistou o sebista magricelo por trás daqueles óculos de fundos de garrafa. Nem o sebista, apesar da acuidade visual não ser das melhores, se permitiria simular que não fora visto. Um a par da presença do outro, portanto, o diálogo entre os dois cordiais desafetos foi inevitável. E já nas primeiras palavras, com sua peculiar gagueira, como era de se esperar, o atrevido Antoniel Silva não perdeu tempo e pôs o dedo na ferida política de Jaime Peçanha: o seu imbróglio com os mandachuvas locais, notadamente os senhores Wallace Batista (prefeito) e Leonardo Jardim (presidente da Câmara). Sem rodeios, mas com meias palavras, Antoniel asseverou que estava por dentro das novidades e que ele, se estivesse no lugar de Jaime Peçanha, já teria desaparecido de Mondrongo há muito tempo.
— Sua batata com os políticos agora vai assar.
— Acho melhor batata assada que batata crua.
— Tem uma história por aí cheirando à pólvora.
— Você está botando verde para colher maduro.
— Mas, sendo franco, não creio em tal história.
— Está sendo bonzinho, ou me subestimando?
— Só acho que você não tem pulso para tanto.
— Então está me subestimando. Isso é um erro.
— Quer dizer que confessa o que estão dizendo?
— Não. Até porque ninguém me acusou ainda.
— Já existe um corpo e um crime a ser esclarecido.
— É bom que tome mais cuidado com sua língua.
— Isso por acaso é uma ameaça, Jaime Peçanha?
— Não. Porém você não sabe do que sou capaz.
— Eu não sei de certeza. Apenas já ouvi falar.
— Mesmo assim ainda duvida? Me subestima?
— Eu não tenho medo de você, escritorzinho.
— Deveria ter. Sobretudo com esses rumores.
— Como já disse, talvez isso seja apenas fofoca.
— Suponho que você perdeu a noção do perigo.
— Eu não, e sim você, que mexeu com políticos.
— Eles que tomem cuidado comigo, Antoniel.
— Olhe só para você, Jaime! É um zé-ninguém.
— Melhor que ser um capacho público e notório.
— O que você tem é inveja das minhas amizades.
Jaime gargalhou e bateu no ombro de Antoniel:
— Que amizades?! Você é um puxa-saco oficial!
— Hum! Pelo menos não sou um alvo ambulante.
— Claro que não. Porque você é um mosca-morta.
— Nossa conversa acabou, Jaime. Minha casa é nessa rua. Espero ainda vê-lo (vivo!) para batermos outro papo desses qualquer dia.
— Não posso dizer que foi um prazer reencontrá-lo, mas eu também espero que esta não seja a nossa última conversa. Apesar dos pesares.
Antoniel Silva pegou a rua da casa dele, que ficava ali pertinho, enquanto que Jaime prosseguiu subindo a Avenida Presidente Dutra.
O tempo continuava agradável, contudo sem indícios de chuva. Tal condição, a temperatura daquele jeito, favorecia o uso do colete à prova de balas e também suavizava o contato da mochila nas costas. A mochila continha o original de A Cidade que Nunca leu um Livro, cópia esta que Jaime havia imprimido no escritório de Luciano Aires e nem teve tempo de imprimir o restante na Copiadora Expressa.
A tarefa foi delegada ao seu amigo impressor, funcionário da Copiadora, Raimundo Gilmar. Dessa forma, com o colete bem ajustado por baixo da jaqueta jeans e com o trinta e oito também oculto no cós da calça, subiu a Presidente Dutra e seus passos pareciam mais largos do que quando vinha conversando com o sebista Antoniel Silva. Em certo momento, ao passar por um tipo mal-encarado, lembrou-se da frase de Antoniel:
“Pelo menos não sou um alvo ambulante.”
Um frio lhe correu pela espinha. Discretamente olhou para trás. Da mesma forma, agora espiando um pouco por cima do ombro, virou a cabeça para o outro lado e passou a mão no cós. Conferiu, pelo tato, o volume do revólver de oito culatras. Talvez temesse, por alguma razão inexplicável, que a arma houvesse sumido, desaparecido da sua cintura. Também começou a prestar atenção nos veículos, sobretudo em picapes cinza, como o modelo usado por Rato Branco e os seus comparsas.
De onde se encontrava até a sua casa, no Conjunto Walfredo Gurgel, calculou que restassem uns dois quilômetros. Seu coração batia acelerado. De quando em vez olhava para trás. Cogitou se não seria prudente àquela hora recorrer aos serviços de um mototaxista. Sempre havia um ou dois na esquina da bodega do poeta Francisco Nolasco. Entretanto, recordando-se do que teria que gastar no dia seguinte com a impressão, encadernação e embarque dos originais nos Correios, achou melhor economizar aqueles possíveis dez reais da corrida com o mototaxista. Trajava calça também jeans, tênis marrons de cadarços e um boné preto do New York Yankees.
A frase do sebista Antoniel Silva, aquela sobre “alvo ambulante”, ainda o perturbava. Contrariava-o assim como uma espécie de insulto, um motejo ou brincadeira de mau gosto. Tal coisa, portanto, não tinha graça. Nesse instante, opondo-se às condições climáticas, seu sangue quase entrou em processo de ebulição. Isto é, esteve perto de ferver. Sua preocupação com o que pudesse atingi-lo pelas costas era frequente. Podia ser qualquer um armado até com uma faca, um elemento a mando de Rato Branco.
Depois de uns trinta minutos, sem perder o ritmo, já se encontrava próximo de casa, quase na esquina da drogaria. Nesse instante, quem sabe para aliviar a tensão, resolveu entrar na drogaria para se pesar: oitenta e seis quilos na balança digital. Enfim, agora com os passos mais relaxados, ele deixara a altibaixa e atordoante Presidente Dutra. Entrou no Conjunto Walfredo Gurgel pela primeira esquina. Uma sensação de segurança e bem-estar o dominava. Pegou a rua de paralelepípedos da praça.
Local ruidoso. A fumaça dos espetinhos de carne assada subia feito uma névoa naquele trecho do conjunto. Agora Jaime se sentia em casa, são e salvo, como prometera o advogado Luciano Aires ainda no escritório.
Quase oito horas. Dois flanelinhas maltrapilhos disputavam a atenção e as gorjetas dos motoristas que circulavam o setor a fim de estacionar os seus veículos. Havia barulho promíscuo de música no entorno. Um jogo de futebol era transmitido por um projetor para um telão afixado no que restou da grade de ferro que devia proteger a quadra de esportes. Quase a praça inteira, como é comum ocorrer da segunda até o domingo, tomada pelas mesas e cadeiras de plástico dos comerciantes. Ali se vende toda sorte de comidas, refrigerantes e bebidas alcoólicas.
Aquele, de maneira informal, é o ponto de recreação do bairro. Não raro há um jogo de bingo cujos apostadores costumam marcar as suas cartelas com caroços de milho ou grãos de feijão. Área esta também disputada por duas igrejas evangélicas e um terreiro de umbanda.
Jaime retirou o boné. Enfiou os dedos no cabelo e sentiu que, apesar da temperatura amena, havia um pouco de suor na cabeleira já um tanto crescida. Pôs o boné de volta e aprumou os óculos. Olhou novamente para trás, pela derradeira vez, e logo em seguida contemplou toda aquela gente aglutinada na praça. De repente, “não mais do que de repente”, imaginou que numa daquelas mesas poderia haver um pistoleiro ou dois à sua espera. Por conta disso tornou a acelerar os passos.
Desceu por uma das laterais da praça e virou à esquerda. Entrou na obscura e desértica Padre Mota, onde reside com a enfermeira Laura Gondim. Nessa noite Laura se encontrava de plantão no hospital e só retornaria por volta das sete horas do dia seguinte. Percorreu cerca de cinquenta metros na própria rua e daí a pouco uma picape cinza (como se houvesse surgido do nada) freou praticamente em cima dele.
Três homens encapuzados logo o puseram sob a mira de pistolas. Num átimo, então, concluiu que estava rendido, em menor número e sem qualquer possibilidade de reação. Portanto, deu-se conta de que tentar puxar o seu trinta e oito seria uma grande tolice. Ordenaram que tirasse a mochila e a jogasse para perto deles, e assim Jaime o fez.
Supôs que quisessem apenas o livro, porém recebeu dois tiros seguidos no peito. Ao rastejar, tomou um balaço nas costas, à queima-roupa. Fingiu-se de morto e ouviu a picape arrancar, cantando pneus. O colete o salvou.
Episódio teria acontecido dia 28 (Reprodução da Web)
Em pronunciamento em sessão ordinária da Câmara Municipal de Mossoró nessa terça-feira (30), a vereadora oposicionista Marleide Cunha (PT) declarou que não pode tolerar conduta errada de um servidor público. Citou caso ocorrido no domingo (28), em que guarda municipal e agente de trânsito agrediram fisicamente dois jovens na Avenida Rio Branco.
O episódio foi filmado por passantes e jogado nas redes sociais.
“Não podemos tolerar e ser cúmplices desse tipo de conduta em nossa sociedade”, afirmou, defendendo a educação como ferramenta de mudança.
O líder governista, Genilson Alves (Pros), defendeu punição aos envolvidos.
O outro lado
A Secretaria Municipal de Segurança Pública, Defesa Civil, Mobilidade Urbana e Trânsito (SESDEM) da prefeitura prometeu apuração do incidente. Ao mesmo tempo, garantiu que os servidores passam por permanente reciclagem e tudo será averiguado pela Corregedoria da pasta.
Nota do Canal BCS (Canal Blog Carlos Santos) – Vi melhores imagens sobre o episódio (veja AQUI) e, confesso, repugnância com essa violência gratuita, por sadismo. Só a espécie humana se deleita em barbarizar a vida alheia. Esperar que a municipalidade tome providências à altura e os protagonistas desses excessos busquem a “cura”, através de tratamento especializado. Cuidem-se.
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Versão para o crime é de que o jornalista Gabriel Luiz foi vítima de assaltantes (Foto: redes sociais)
Do UOL
A Globo anunciou que dois suspeitos de esfaquear o repórter Gabriel Luiz foram detidos hoje no Distrito Federal. Segundo a emissora, um deles é menor de idade e o outro tem 19 anos, e a principal hipótese da polícia é que tenha sido uma tentativa de roubo.
Gabriel foi esfaqueado cerca de dez vezes no fim da noite de ontem quando chegava em casa, no Sudoeste, região administrativa do Distrito Federal. Os golpes atingiram regiões como abdômen, braços e pescoço.
Segundo boletim médico, o estado de saúde é grave, porém estável, e o jornalista corre risco de morte devido às perfurações em órgãos vitais, como pulmão e veias no pescoço e estômago.
Em postagem em sua coluna Território Livre, a jornalista Laurita Arruda destaca:
Gabriel morou e estudou em Natal durante a adolescência.
Ele concluiu o ensino médio no Marista de Natal em 2010.
Passou no curso de Jornalismo da UFRN e da UNB em Brasília. Como tinha familiares na capital federal, seguiu para viver o grande sonho; jornalismo televisivo.
Nota do Canal BCS – Na torcida para que esse jovem profissional supere esse momento tão dramático, mais um, de violência.
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Valdetário morreu aos 44 anos em 2003 (Foto: reprodução)
O maior portal de notícias da América Latina, o UOL, tem postagem especial nessa quinta-feira (11) focando Valdetário Carneiro, morto em operação policial no dia 10 de dezembro de 2003, no sítio Pau de Leite, município de Lucrécia-RN, região Oeste do RN.
A matéria assinada pelo colunista Josmar Jozino faz um resumo da vida errante do mecânico José Valdetário Benevides Carneiro, natural de Caraúbas-RN, que morreu aos 44 anos de idade. Ele é considerado o precursor do chamado “novo cangaço”, fenômeno criminógeno que eclodiu na região e ganhou extensão nacional, caracterizado por assaltos ousados, formação de numerosas quadrilhas e armamento pesado.
Segundo Josmar Jozino, livro-reportagem lançado em 2013 sobre ele (“Valdetário Carneiro – A essência da bala”, escrito pelos jornalistas Rafael Barbosa e Paulo Nascimento) será relançado.
Também existe em curso projeto para produção de um longa-metragem, com roteiro a partir desse livro.
Gente corajosa essa que sai de casa para estádio, com mulher e filhos, vestindo a camisa do seu time.
Vândalos, falsos torcedores, estão no meio do caminho.
Nota de clube apenas pedindo paz, se solidarizando com vítimas, estimula impunidade.
Punam os bandidos.
No sábado (9), alguns torcedores do América jogaram pedras em ônibus com equipe adversária e tentaram invadir hotel onde estava a delegação do Campinense, que empatou em 0 x 0 com o alvirrubro natalense pela Série D – veja AQUI. Os vídeos mostram cenas lamentáveis.
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Policiais civis durante operação na manhã dessa quinta-feira (6) no Jacarezinho, no Rio de Janeiro (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)
Num estado democrático de direito, com forças bem treinadas, não pode ser considerado “sucesso”, operação com saldo de 28 mortos – sendo 27 prováveis traficantes.
Meu sentimento de pesar é pelo policial morto.
Mas, um único inocente entre as vítimas, dói bastante.
Diz o governo federal que é mérito seu a redução da criminalidade no Brasil. Mentira. Não é culpa do governo atual essa violência mas é sua responsabilidade a continuação dela.
Diz o governo estadual que reduziu a violência no Estado. Mentira. Não deu causa, mas é ineficiente no combate à mesma. Mentem os dois governos. A “redução” ou diminuição de atos violentos dá-se por várias causas, e nenhumas dessas causas têm nos governos o protagonismo alardeado.
O acirramento ou redução da violência cumpre um ritual de fluxo e refluxo, com determinantes fora do controle oficial. O único controle oficial eficiente é o jogo de números e estatísticas.
Da mesma forma como manipulam dados de inflação e outas mogangas. Algumas prisões emblemáticas, transferências de presos, brigas internas de facções, táticas do estado paralelo, mortes de alguns bandidos, isso tudo produz uma redução momentânea da violência.
Só momentânea. Por quê? Porque não se vislumbra uma política de inteligência policial eficiente. Nem ações preventivas que evitem a sua deflagração.
A exemplificação empobrece o raciocínio abstrato, mas às vezes ela se impõe. Ontem estouraram a agência do Banco do Brasil em Umarizal. A terceira vez. Quantos dos assaltantes das duas vezes anteriores foram presos? Quem assaltou? Ninguém sabe. Sabe-se que foram os mesmos. Só pode ser.
A próxima será Martins. Falta um assalto pra empatar com Umarizal. Quem estourou duas vezes a de Martins? Ninguém sabe. Sabe-se que foram os mesmos. Hoje, a estrada de Pau dos Ferros deve estar cheia de policiais revistando carros e pedindo documentos.
A bandidagem estoura o banco e a polícia no dia seguinte estoura a paciência das pessoas comuns, que trafegam nas estradas por onde os bandidos trafegaram tranquilamente no dia anterior. Onde está a mão oficial na redução do violência?
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Por enquanto, esta terça-feira (15) já tem somatório de três homicídios em Mossoró.
Carlos Freitas de Sales Júnior teve corpo recolhido no Belo Horizonte (Foto: Fim da Linha)
Como estamos em 20h58, ainda há tempo para mais mortes.
Infelizmente.
É a realidade de Mossoró que atinge marca de 166 homicídios este ano, segundo páginas especializadas como O Câmera e Fim da Linha.
P.S – 23h52 – Foram mortos os seguintes jovens: Carlos Freitas de Sales Júnior, 18 anos, no Belo Horizonte; Francisco Ariel da Silva Bernardo, 18 anos, no Dom Jaime Câmara; Michael Douglas Silva Oliveira, 24 anos, no Santa Delmira.
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Reportagem especial do site BBC News Brasil traça perfil de uma das cidades mais violentas do Brasil: Mossoró. O material foi postado na manhã desta segunda-feira (29). É assinado pelo jornalista Leandro Machado, enviado especial ao município potiguar.
Homicídios cresceram 247% em Mossoró entre 2003 e 2018, diz dados do Observatório da Violência do RN (Foto: Cézar Alves)
“As três facções e o ciclo de vinganças por trás da epidemia de homicídios em cidade do Nordeste” é o título da reportagem.
“A violência em Mossoró é uma espécie de símbolo do que aconteceu no Nordeste nos últimos anos. O crescimento econômico e populacional foi acompanhado pela chegada de redes criminosas do Sudeste, como o paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) e o carioca Comando Vermelho (CV)”, descreve a reportagem densa e fartamente editada com fotos, números e depoimentos.
Falta de policiamento e impunidade
Uma das referências à consulta da BBC News Brasil sobre o assunto é o jornalista Cézar Alves do portal “Mossoró Hoje”, que “cobre a violência na cidade desde os anos 1990”, assinala. Ele também assina algumas fotos na matéria.
Quem também é ouvido é o coronel da Polícia Militar, Alvibá Gomes, que fala redução do efetivo policial no município, além do promotor público Ítalo Moreira: “Problemas de investigação e, por consequência, a impunidade, são outros fatores que estimulam as vinganças em Mossoró, garante o promotor criminal”.
Segundo o delegado Rafael Gomes Arraes, hoje, a Delegacia de Homicídios de Mossoró (DEHOM), criada em 2012, tem 700 inquéritos sem resolução. “A gente se sente incapaz”, comenta ele.
As páginas virtuais especializadas em cobertura de crimes, em especial os homicídios, têm sofrido este ano com a redução nos casos de mortes violentas – em Mossoró, e no próprio RN.
É um trabalho árduo, sempre em situações extremadas. Algo difícil de se relatar aos webleitores. Mexe com vidas e sentimentos extremos.
Tem que caçar pauta do gênero em outras cidades e estados para atender seu público.
O 100º homicídio em Mossoró em 2019, por exemplo, ocorreu apenas dia 16 deste mês (julho). Hoje, já são 103.
Em 2018, o registro de número 100 tinha acontecido dia 15 de maio (veja AQUI) e em 2017 no dia 17 de maio (veja AQUI).
Queda vertiginosa.
É um fenômeno nacional com em todos os estados federados, com raras exceções, que se firma desde o ano passado.
* Mossoró contabilizou 249 homicídios em 2017 (recorde), contra 217 em 2016.
Em 2018, os números ficaram em 227.
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No dia em que o principal acusado pela morte da universitária Zaira Dantas Silveira Cruz, 22, o policial militar Pedro Inácio de Maria foi preso em Currais Novos (veja AQUI), a mãe da vítima, Ozanete Dantas, teve um misto de sentimentos.
“Estou com o coração aliviado, porém muito triste, porque sei que minha filha não vem mais”, disse.
Em entrevista ao Sistema Rural de Comunicação, ela fez questão de reconhecer o esforço da Polícia na elucidação da morte de sua filha, ocorrida no dia 02 de março em Caicó.
Companhia
Para Ozanete, o único defeito de Zaira foi ter se envolvido com a pessoa errada, e procurou na entrevista desmentir muitas informações divulgadas, principalmente nas redes sociais, sobre a suposta conduta de sua filha no dia do crime.
“Minha filha não estava bêbada, não usava drogas, era doadora de sangue. Minha filha brincava como todo adolescente normal; apenas se envolveu com a pessoa errada. Como mãe, só tenho a agradecer a todos que se empenharam e dizer que a Justiça está sendo feita. Que ele pague pelo que fez e quando deitar a cabeça no travesseiro, que ele pense nas noites que passei sem dormir”, comentou.
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