Arquivo da categoria: Reportagem Especial

Fábio e Rogério são lançados como pré-candidatos

O ex-deputado estadual e ex-vice-governador Fábio Dantas (Solidariedade) foi apresentado oficialmente como pré-candidato a governador do RN. Evento no Hotel Holliday Inn Natal (Lagoa Nova) à manhã dessa terça-feira (19) reuniu numerosa participação de políticos da capital e interior. Mas, também foi ensurdecedora a ausência de uma série de nomes da ‘oposição’.

Lançamento foi bastante concorrido à manhã desta terça-feira (Foto: divulgação)
Lançamento foi bastante concorrido à manhã desta terça-feira (Foto: divulgação)

Fábio é o pré-candidato que fará dobradinha com o ex-ministro do Desenvolvimento Regional Rogério Marinho (PL), pré-candidato ao Senado, umas das estrelas do encontro político.

Nos discurso, a pregação foi contra o Partido dos Trabalhadores (PT) e a governadora Fátima Bezerra (PT). “Fora, Fátima”, disse o ministro das Comunicações e deputado federal licenciado Fábio Faria (PP). Em sua ótica, a administração dela “nada fez” pelo RN.

“Teremos a maioria da oposição em todo o Estado, especialmente nos municípios, que é onde a vida brota, onde o sofrimento pela ausência estatal é mais presente”, disse Fábio Dantas.

Marinho previu que iria “se espalhar uma corrente” por todos os municípios do RN, para a mudança.

Presenças

O salão de eventos do Hotel Holliday Inn teve além de Fábio Dantas, Rogério e Fábio Faria, a participação de alguns deputados estaduais, como Kelps Lima (Solidariedade), Cristiane Dantas (Solidariedade), Eliabe Marques (Solidariedade), Nelter Queiroz (PSDB), Galeno Torquato (PSDB), Getúlio Rego (PSDB), Gustavo Carvalho (PSDB) e Tomba Farias (PSDB).

O ex-governador Robinson Faria (PL), de quem Fábio Dantas foi vice (2011-2014), circulou no evento, posando ao lado de vereadores, prefeitos, vice-prefeitos e outros nomes da política da capital e interior.

Ausências

Os prefeitos de Natal e Mossoró, respectivamente Álvaro Dias (PSDB) e Allyson Bezerra (Solidariedade), não participaram do evento. O primeiro, previamente já avisou que não apoia a pré-candidatura de Fábio Dantas; o segundo optou por tratar de questões administrativas em Mossoró, mesmo o pré-candidato a governador sendo de sua sigla.

Nenhum deputado federal tido como oposicionista compareceu. A versão da organização do evento é que eles estariam em Brasília, priorizando sessões importantes da Câmara dos Deputados.

Presidente do União Brasil, o ex-senador José Agripino já revelou recentemente falta de sintonia com a pré-candidatura (veja AQUI).

Porém, talvez a ausência e o silêncio mais perturbadores sejam os provocados pelo presidente do PSDB no RN e da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB). Não deu as caras, não mandou representante ou qualquer recado. Até bem poucos dias era o nome “certo” da oposição para a disputa contra Fátima Bezerra.

Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo Twitter AQUI, Instagram AQUI, Facebook AQUI e Youtube AQUI.

Você lembra o que eles fizeram na pré-campanha passada?

Jornal em fevereiro de 2018 anunciava um 'capital' que Fábio levou a sério (Print: reprodução)
Jornal em fevereiro de 2018 anunciava um ‘capital’ que Fábio levou a sério (Print: reprodução)

Cá para nós e o povo da rua:

Confirmando-se o que se especula na imprensa da capital, o nome do ex-vice-governador Fábio Dantas (Solidariedade) como pré-candidato a governador da oposição à Fátima Bezerra (PT), ele não terá apoio (veja AQUI) do prefeito natalense Álvaro Dias (PSDB) nem qualquer empolgação, mínima que seja, do executivo mossoroense Allyson Bezerra (Solidariedade).

E não adianta acreditar que vão lhe cobrir de meios à concorrência contra a governadora.

O filme se repete, como em 2018. Muitos dos atores, de então, reaparecem em cena agora.

Alguém aí lembra da manchete do jornal impresso Agora RN, com burlesca oferta para ele ser candidato à sucessão à época, do próprio governador  – desgastadíssimo – Robinson Faria (PSD, hoje no PL)? Foi no dia 27 de fevereiro daquele ano:

Recordar é viver: Ezequiel oferece 89 prefeitos e 14 partidos para o vice-governador Fábio Dantas concorrer ao Governo.

Em nossa página sapecamos a postagem Indigência política do RN produz mais uma notícia hilariante.

Em 2018 já foi assim

E perguntamos, naquele momento:

– Se o atual presidente da Assembleia Legislativa – Ezequiel Ferreira de Souza (PSDB) – tem todo esse capital, por que ele mesmo não é candidato ao Governo do RN?

– Quem entra com o voto?

Posando de dissidente do governo Robinson Faria, Fábio Dantas filiou-se ao PSB no dia 17 de março (veja AQUI), após período como ‘comunista’ no PCdoB. Em sua marcha, não conseguiu fazer sequer um evento de peso para lançamento da tal pré-candidatura. A enxurrada de prefeitos e deputados não deu as caras.

Adiante, no dia 18 de abril do mesmo ano, período de pré-campanha ao governo estadual, veiculamos a matéria Fábio Dantas segue ‘intubado’, mas com esperança eleitoral.

Fábio (centro, de camisa branca) foi anunciado como pré-candidato ao governo em março de 2018, com Ezequiel ao lado (Foto: arquivo)
Fábio (centro, de camisa branca) foi anunciado como pré-candidato ao governo em março de 2018, com Ezequiel ao lado (Foto: arquivo)

No dia 18 de maio de 2018 reforçamos a provocação: “Fake” produzido por Ezequiel Ferreira tenta sobreviver à piada. Descrevíamos a inanição da pré-candidatura.

Em 25 de julho, Fábio Dantas anunciou (veja AQUI e AQUI) que retirava sua pré-candidatura, aquela que nunca existiu. A trama urdida para levar o governador Robinson Faria à renúncia de mandato ou desistência do projeto de reeleição, para ele entrar no vácuo, não emplacou.

Nesse interim, sequer chegou a levar a cabo a promessa feita à imprensa de que percorreria cerca de 40 municípios para se apresentar como opção à sucessão de Robinson Faria. Mal circulou entre Natal e São José de Mipibu, sua principal base eleitoral. Visto como homem articulado, inteligente e sagaz na política, não entendia a bobagem em que estava metido. Mas, acordou em tempo.

Fim de oligarquias e déficit zero da previdência

Entretanto, ainda foi capaz de produzir algumas pérolas que vão pro index do folclore político e da desfaçatez, como defender o fim das oligarquias (sério, ele disse) – veja AQUI -, além de garantir zerar o déficit da previdência estadual que seria da ordem de R$ 3,6 bilhões (veja AQUI).

Resumindo o que aconteceu em 2018: Ezequiel apoiou a chapa Robinson-Tião Couto (PR, hoje PL) no primeiro turno, que ficou em terceiro lugar; no segundo ficou com a senadora Fátima Bezerra – eleita ao governo. Já o vice que receberia 89 prefeitos e 14 partidos para disputar a governança do RN trabalhou para eleição de sua mulher, Cristiane Dantas (PPL, hoje no Solidariedade), à Assembleia Legislativa. Obteve êxito.

Praticamente os mesmos personagens, quatro anos depois, rebobinam enredo parecido, com a certeza de que o RN coletivamente tem memória fraca. Nem todo mundo no estado potiguar anda esquecendo onde botou as chaves da porta. A piada segue sem graça.

Leia também: Um adversário dos sonhos de Fátima.

Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo Twitter AQUI, Instagram AQUI, Facebook AQUI e Youtube AQUI.

O que a pesquisa Difusora/AgoraSei diz sobre o futuro de Fátima

O que realmente dizem os números da Pesquisa Rádio Difusora de Mossoró/Instituto AgoraSei, além do que é visível a todos nós? A sondagem divulgada dia passado pela emissora mossoroense, como resultado de trabalho do AgoraSei sobre o cenário eleitoral do RN, vai além da visão óbvia sobre quem aparece na frente, quem aparece atrás.

Eleita, Fátima é entrevistada ao lado de Jean-Paul Prates, Zenaide Maia, Antenor Roberto e Ezequiel Ferreira 28-10-18 (Arquivo Canal BCS)
Eleita, Fátima é entrevistada ao lado de Jean-Paul Prates, Zenaide Maia, Antenor Roberto e Ezequiel Ferreira 28-10-18 (Arquivo Canal BCS)

É preciso também que compreendamos: no atual estágio da pré-campanha, que começou há tempos, é sempre oportuno linkar dados divulgados nesse momento, com o passado. Daí começamos a compreender e tentar decifrar o que existe além dos números.

O conceito mais simples e verdadeiro sobre pesquisa é aquele que fala sobre seu instantâneo, o agora. Ela não é um oráculo, não diz quem vai vencer ou perder.

– Pesquisa é um retrato do momento!

Ponto.

Nesse momento, é fácil perceber que a governadora Fátima Bezerra (PT) tem boa dianteira sobre hipotéticos adversários, mas nem de longe pode se considerar “em férias” ou “confortável”. Perder faz parte e é uma suposição absolutamente possível de acontecer.

Estimulada (Difusora/AgoraSei)

Fatima Bezerra (PT) – 36,5%
Styvenson Valentim (Podemos) – 7,4%
Ezequiel Ferreira (PSDB) – 6,2 %
Brenno Queiroga (Solidariedade) – 6,2%
Rosália Fernandes (PSTU) – 2,7%
Clorisa Linhares (Brasil 35) – 0,5%
Nenhum/B/N – 24,3%
NS/NR – 16,2%

Hoje, ela venceria o pleito; não teria sequer segundo turno. Porém, as eleições serão apenas em 3 de outubro, daqui a pouco mais de seis meses. O tempo não para, não vai ficar congelado nesse quadro.

Em 2018, Fátima concorreu ao governo e foi eleita em dois turnos liderando todas as pesquisas, absolutamente todas, da pré-campanha à campanha. Nunca teve expressivos percentuais de intenções de voto, mas venceu seus adversários.

O principal deles era Carlos Eduardo Alves (PDT), que agora é seu aliado. O então governador Robinson Faria (PSD) foi mero figurante desde o começo, sem nunca ter ameaçado sequer ir ao segundo turno, como de fato não chegou.

Numa pesquisa de março de 2018 (veja AQUI), portanto há quatro anos, Robinson Faria sem se apresentar ainda como pré-candidato à reeleição, atingiu 85% de “desaprovação” de governo e 51% de “rejeição” eleitoral. Fátima acumulou 27,12% de intenções de voto, contra 13,29% de Carlos Eduardo e apenas 5,35% do governador (veja AQUI).

O peso da rejeição

Dessa feita, a liderança de Fátima Bezerra segue a rotina da pré-campanha de 2018, mas o momento é outro. Fátima agora é governo, com todos os seus bônus e ônus. Entre os ônus, o aumento da rejeição, que na pesquisa Difusora/AgoraSei bateu em 29%.

Em período similar, março de 2018, era de apenas 11,2% (contra 11,3% de Carlos Eduardo).

Dois dias antes do pleito do primeiro turno daquele ano, que ocorreria dia 7 de outubro, pesquisa mostrou rejeição de Fátima Bezerra (a líder das sondagens com 36,10%) na casa dos 14,66%. Enquanto isso, Carlos Eduardo só tinha a ojeriza de 8,34% dos eleitores (veja AQUI) e 25,82% de intenção de voto.

A então senadora Fátima Bezerra foi eleita ao governo estadual dia 28 de outubro de 2018 (veja AQUI), mesmo chegando numa das últimas pesquisas com alto percentual de rejeição (42,41%), contra 41,42% de Carlos Eduardo (veja AQUI). E por que houve tamanha elevação nesse item? Constatação evidente demais: o confronto direto apenas entre eles dois, Fátima e Carlos. Como se fosse um ABC x América, Potiguar x Baraúnas.

Ter 29% de rejeição hoje não é um grande problema, que fique claro. Boa parte desse índice é decorrência de uma cristalização antipetista. O do contra majoritariamente não é um neoconvertido à oposição, contra Fátima, contra a sua administração, mas sempre foi do contra e daí não sai.

Wilma de Faria quase bateu casa de 50% de rejeição e venceu disputa ao Governo do RN contra Garibaldi Filho (Foto: arquivo)
Wilma de Faria quase bateu casa de 50% de rejeição e venceu disputa ao Governo do RN contra Garibaldi Filho (Foto: arquivo)

Em 2006, por exemplo, Wilma de Faria (PSB) em sua campanha à reeleição ao Governo do RN venceu o “imbatível” senador Garibaldi Filho (PMDB) com rejeição que chegou a topar entre 46 e 48%. Fátima Bezerra está longe disso e é difícil que chegue a tal patamar num primeiro turno.

Ter puxado Carlos Eduardo para perto de si, sendo seu futuro candidato ao Senado, foi um movimento tático eficiente de Fátima Bezerra. Reduziu forças do outro lado e adiante saberá a dimensão do que ele soma. Se vai virar estratégia correta e eficaz saberemos adiante. O provável ‘pior adversário’ foi retirado do tabuleiro.

Ciente de que a campanha não é fácil, a governadora trabalha incessante para atrair mais forças potencialmente adversárias para seu palanque. Entre eles, mais alguns Alves e até mesmo o híbrido presidente da Assembleia Legislativa do RN, Ezequiel Ferreira (PSDB), que pode ser seu concorrente principal. Ou não.

O perigo é pensar que um ‘WO’, como o então deputado federal Henrique Alves (PMDB) tentou fazer em 2014, e se deu mal, seja a panaceia.

Bom observar que 40,5% dos eleitores – afirma a pesquisa Difusora/AgoraSei – não tem qualquer candidato até o momento. O número é maior do que os 36,5% das intenções de voto em Fátima Bezerra.

A campanha vai catalisar essa multidão, dando-lhe vida efetiva e capaz de decidir realmente quem será ou quem não será eleito (a) ao Governo do RN.

Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo Twitter AQUI, Instagram AQUI, Facebook AQUI e Youtube AQUI.

Ação contra Rosalba dorme há quatro meses na ‘gaveta’ da Justiça

Há exatos quatro meses hiberna como se fosse um rotundo urso polar, em alguma “gaveta virtual” da Secretaria Judiciária potiguar, a Ação Civil de Improbidade Administrativa nº. 0860384-32.2019.8.20.500. E de lá não sai. Foi movida pela 60ª Promotoria de Justiça de Natal em desfavor da ex-governadora Rosalba Cialini (PP) e do ex-secretário de Estado do Planejamento e Finanças Francisco Obery Rodrigues Júnior.

Ao lado do marido Carlos Augusto, Rosalba aparece na foto em uma viagem internacional (Foto: arquivo)
Ao lado do marido Carlos Augusto, Rosalba aparece na foto em uma viagem internacional (Foto: arquivo)

A ação, que traz denúncia de “Improbidade Administrativa, Dano ao Erário e Violação aos Princípios Administrativos” durante a gestão da então governadora Rosalba Cialini no Governo do RN (2011-2014) – portanto há quase dez anos, foi protocolada em dezembro de 2019. Ufa!

Está assinada por cinco promotores de Justiça, após demorado inquérito civil público. Tramita sob a titularidade do juiz Cícero Martins de Macedo Filho, da 4ª Vara da Fazenda Pública do Natal.

Até agora, os dois demandados não foram localizados para serem notificados, ou seja, tomarem conhecimento formal da ação e apresentarem contestação.

A última movimentação processual data de 16 de novembro de 2021, quando um oficial de Justiça em Mossoró devolveu o mandado sem este ter sido entregue ao destinatário, no caso, a ex-governadora Rosalba Ciarlini. Simplesmente foi impossível à Justiça do RN localizá-la nos endereços informados. Em Natal, Obery Júnior é outro que ninguém sabe, ninguém viu.

Esconde-esconde 

O jogo de esconde-esconde começou no dia 11 de novembro de 2021 (veja AQUI). Oficial de Justiça deu a largada em périplo por endereços os mais improváveis possíveis até chegar naqueles onde ela, realmente, reside episodicamente ou de modo regular. Exemplo: Condomínio Varandas do Nascente, apartamento 801 B, Rua Dalton Cunha, número 1003, CEP 59.611-270, bairro Abolição I – Mossoró.

Porém, de lá pra cá o processo não teve mais nenhuma movimentação. O juiz natural nem ao menos foi comunicado da certidão do oficial de Justiça, que no dia 16 de novembro concluiu as diligências (veja AQUI o relatório na íntegra).

Não é a primeira vez que Rosalba se torna invisível. Como jurisdicionada, precisa ser estudada pela física e sensitivos. Ou no mínimo, indiretamente, pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), como um case de insucesso judicial.

Respondendo a dezenas de ações judiciais, a inencontrável e ‘incondenável’ Rosalba chegou a ficar cerca de um ano e dois meses ‘desaparecida’ aos olhos do judiciário do RN. A ‘melada’ foi para evitar tomar ciência de movimento processual em que é denunciada por desvio de cerca de R$ 12 milhões do Hospital da Mulher Parteira Maria Correia, em Mossoró (veja AQUI).

Aconteceu após o fim do seu mandato de governadora (concluído em 2014) e antes da posse como prefeita em janeiro de 2017. Até então, ela possuía o foro privilegiado a seu favor, espécie de ‘câmara fria‘ de processos contra políticos influentes.

Será que agora a “Rosa” bate o próprio recorde? Veremos.

Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo Twitter AQUI, Instagram AQUI, Facebook AQUI e Youtube AQUI.

MPF recorre contra reitora Ludimilla; juiz vê “patrulhamento ideológico”

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou recurso para pedir a condenação da reitora da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), Ludimilla de Oliveira, pelos crime de ameaça à aluna Ana Flávia de Lira, além de prevaricação. O pedido deve ser apreciado pelo Tribunal Regional Federal da 5a Região (TRF5).

Ludimilla foi absolvida em sentença da 8a Vara da Justiça Federal no Rio Grande do Norte (JFRN).

Juiz Orlan Donato rejeitou ação contra Ludimilla, mas procurador Emanuel usa recurso no TRF (Fotomontagem BCS)
Juiz Orlan Donato rejeitou ação contra Ludimilla, mas procurador Emanuel faz recurso ao TRF (Fotomontagem BCS)

Segundo o autor do recurso, o procurador da República Emanuel de Melo Ferreira, Ludimilla proferiu grave ameaça à aluna Ana Flávia de Lira ao mencionar a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) em resposta a comentário crítico da estudante em uma rede social.

A ação é baseada em precedente do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconheceu grave desvio de finalidade das atividades de inteligência, mediante a utilização do aparato estatal para produzir relatórios e dossiês de pessoas identificadas como sendo antifascistas, em ato de perseguição política e ideológica (ADPF 722). O recurso ressalta que “a ameaça em torno da utilização da Abin era algo real e não meramente imaginário, com potencialidade lesiva. O mal injusto e grave consiste, precisamente, na busca pelo silenciamento no debate público a partir da possível elaboração de dossiês que poderiam ser compartilhados por todos os órgãos da Administração Pública que compõem o sistema de inteligência, como reconhecido pelo STF”.

Juiz vê “patrulhamento ideológico” do MPF

Na decisão de primeiro grau, o titular da 8ª Vara, com sede em Mossoró, Orlan Donato Rocha, destacou que “a presente ação penal, como um todo, retrata muito mais um patrulhamento ideológico sobre a ré do que um efetivo exercício de fiscalização da lei por parte do parquet denunciante, o que não é admissível e foge à competência do Poder Judiciário”.

O mesmo magistrado também exumou que “a questão do posicionamento ideológico em ações judiciais quanto ao membro do MPF denunciante, inclusive, está sob investigação dentro do âmbito do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP)”.

O procurador também reforça que a reitora cometeu o crime de prevaricação ao adiar a colação de grau da Ufersa, em janeiro de 2020, com o objetivo de evitar protestos, alegando ser uma medida de prevenção à covid-19. A cerimônia já seria realizada virtualmente, pelo YouTube, e a reitora chegou a publicar uma portaria proibindo qualquer protesto de estudantes no chat da plataforma.

Somente quando uma decisão judicial acatou pedido da Defensoria Pública da União e anulou a portaria pela clara violação à liberdade de expressão, a reitora decidiu cancelar o evento e a colação de grau foi realizada posteriormente sem cerimônia.

Nota do Canal BCS (Blog Carlos Santos) – O procurador da República Emanuel Ferreira é um dos autores da polêmica Ação Civil Pública (ACP) contra a União “por danos morais coletivos causados pela atuação antidemocrática do ex-juiz Sérgio Fernando Moro na condução da chamada Operação Lava Jato” (veja AQUI). O assunto ganhou notoriedade nacional.

Ele também  foi coautor – ao lado de outros seis procuradores – de outra ACP, em 2019, contra o então ministro da Educação, Abraham Weintraub e a União, por supostos danos morais coletivos causados à honra e à imagem de alunos e professores das instituições públicas federais de ensino. Weintraub, entre outras declarações, disse à imprensa que as universidades deveriam “melhorar desempenho acadêmico”, em vez de fazerem “balbúrdia”.

Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo Twitter AQUI, Instagram AQUI, Facebook AQUI e Youtube AQUI.

O grande feito de um comandante e um time escalado para vencer

A Câmara de Dirigentes Lojistas de Mossoró (CDL) divulgou no dia 23 de dezembro passado uma pesquisa administrativa com várias avaliações sobre gestões públicas federal, estadual e local. Entre os números, a “aprovação” do governo municipal de Allyson Bezerra (Solidariedade) com 73,8% (veja AQUI) – segundo números do Instituto TS2.

Sem dúvidas, um feito. Sobretudo por ser o primeiro ano de uma gestão que não teve direito a transição de poder, formada por uma equipe sem vivência na municipalidade e comandada por um jovem eleito aos 28 anos: o prefeito Allyson.

Prefeito e equipe encerram apresentação de realizações de governo em 2021 (Foto: 21/12/2021/Web)
Prefeito e equipe encerram apresentação de realizações de governo em 2021 (Foto: 21/12/2021/Web)

O êxito exponencial do primeiro ano desse time é algo surpreendente. Contraria as ‘cassandras’ da oposição que previam, torciam e prepararam a máquina pública para implodir em poucas semanas. A bomba-relógio foi desarmada a tempo.

O novo baque político dos adversários é equivalente ao resultado das urnas de 2020. É a segunda e mais retumbante derrota do rosalbismo, seus próceres e apêndices.

Para os donos do poder – há décadas – foi uma hecatombe perder eleições ‘certas’. Porém, perceber um ano depois que o governo sucessor funciona, tem aprovação popular maciça e traciona com robustez para o segundo ano, é de causar calafrios. A tentativa de sabotagem vai continuar, com ações ‘endógenas’ e ‘exógenas’, como diria um especialista em biologia.

Sob outra ótica, a administrativa, e não tão somente a política, o nome que aparece em relevo (com justiça) nessa façanha de plena superação em 2021, é do prefeito Allyson Bezerra. Figura emergente na política local e do RN, até 2018, ele era um desconhecido em sua própria casa – Mossoró. Um invisível como tantos outros milhares de cidadãos.

Contudo, o elenco de auxiliares que formou para acompanhá-lo na missão hercúlea de botar nos trilhos uma máquina desgovernada, diz muito sobre esse sucesso, que é o seu sucesso. Compreensível.

Escalou gente de matizes ideológicos distintos, da direita à esquerda, indo buscá-la sobretudo na inteligência universitária local. Moveu peças, reordenou posições, distribuiu tarefas, cobrou resultados. E todos sabem: ninguém é ‘imexível’ ou ganhou passaporte para passar quatro anos na administração. Com certeza, não nomeou qualquer pessoa que não tivesse força para exonerar, regra geral para quem governa.

Um detalhe: Allyson é quem realmente governa. Não tem tutores, “prefeito de fato” ou eminências pardas por trás da cortina ou na sala contígua ao gabinete em que despacha no Palácio da Resistência, algo raro na história recente da municipalidade mossoroense.

Talvez outro grande diferencial para fazer essa tropa ‘rodar’ no ritmo do seu comandante, é o fato de ele ter escolhido um a um, realmente por critério técnico. Nenhum aliado ou grupo impôs preferidos. Paralelamente, está aí uma de suas principais dificuldades no período, ou seja, justamente conciliar as injunções administrativas com as demandas, cobranças e amuos de aliados, sobretudo vereadores.

Se o governo tem avaliação gerencial notável como a própria pesquisa CDL-TS2 atesta, o mesmo não se pode dizer da performance política. Nessa área tão delicada, não faltaram abalos, defecções e choques internos e externos. Não conhecer a política ou “não ser político”, como se definem alguns auxiliares, não resolve arestas com aliados, por exemplo. Tudo desaba nos ombros do prefeito. Ele é político.

Para o segundo ano de governo que está apenas começando, período eleitoral, Allyson e seu time serão novamente testados, encouraçados pelos desafios de 2021 e crédito popular recebido. São outros enfrentamentos. Se o primeiro ano foi de conhecimento e controle, como destacamos na avaliação dos primeiros 100 dias de gestão (veja AQUI), 2022 será de teste de força.

É provável que Allyson Bezerra não esteja familiarizado com a história de Andrew Carnegie (1835-1919), imigrante escocês que venceu na América (Estados Unidos). Transformou-se num industrial bilionário, mecenas e filantropo com realizações que chegam a nossos dias. É dele uma frase lapidar para quem é líder, perfil que parece estar em permanente e acelerada maturação no prefeito mossoroense:

– À medida que envelheço, presto menos atenção ao que as pessoas dizem; simplesmente observo o que fazem.

Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo Twitter AQUI, Instagram AQUI, Facebook AQUI e Youtube AQUI.

Justiça tenta localizar e notificar a ‘incondenável’ Rosalba Ciarlini

A Justiça do RN não está localizando a ex-prefeita Rosalba Ciarlini (PP) para lhe entregar notificação relativa a mais uma Ação Civil de Improbidade Administrativa em que é ré. O endereço assinalado como de sua moradia é o do Sítio Cantópolis, onde há cerca de duas décadas não reside mais, à rua Almir de Almeida Castro, número 5, centro de Mossoró, CEP 59610-010.

Porém, é difícil acreditar que uma pessoa pública, que reside em Mossoró, e que nas últimas semanas começou trabalho nas ruas e em redes sociais para nova campanha eleitoral, não seja encontrada.

Rosalba Ciarlini é um fenômeno de invisibilidade, mesmo sendo figura pública de fácil localização (Foto: José Aldenir/Arquivo)
Rosalba Ciarlini é um fenômeno de invisibilidade, mesmo sendo figura pública de fácil localização (Foto: José Aldenir/Arquivo)

Vamos dar uma força aos oficiais de Justiça: atualmente, a jurisdicionada Rosalba Ciarlini Rosado está albergada no Condomínio Varandas do Nascente, apartamento 801 B, Rua Dalton Cunha, número 1003, CEP 59.611-270, bairro Abolição I. É seu terceiro endereço em Mossoró, nos últimos quatro anos.

O processo sob o número 0860384-32.2019.8.20.5001 foi desencadeado a partir de denúncia da 60ª Promotoria de Natal do Ministério Público do RN (MPRN), onde são descritas decisões dela à época como governadora do RN (2011-2014), caracterizando “Improbidade Administrativa, Dano ao Erário e Violação aos Princípios Administrativos”. Além da ‘Rosa’, é réu o ex-secretário do Planejamento e Finanças Obery Rodrigues Júnior.

A demanda corre na 4ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Natal, com o valor da causa sendo estabelecido em R$ 100 mil.

Irregularidades e atraso salarial

Nos autos, o MPRN afirma: “O que se observou foi uma grande irresponsabilidade fiscal, por meio de atos comissivos e omissivos dolosos, no gerenciamento dos restos a pagar, notadamente diante da ausência de saldo positivo na disponibilidade de caixa líquida na sua respectiva fonte de recurso para inscrição em restos a pagar não processados; disponibilidade de caixa bruta menor do que o valor das obrigações financeiras referentes aos empenhos de despesas já liquidadas; pagamento de despesas indicando a utilização de fonte de recursos com disponibilidade de caixa líquida inferior ou negativa.

Além disso, constatou-se que o Governo do Estado do Rio Grande do Norte utilizou-se do artifício de lançamentos de pagamentos de despesas que, na realidade, não eram revestidas de lastros financeiros, com fonte sem disponibilidade de caixa representando, assim, despesas sem empenho e sem autorização legislativa e, sobretudo, comprometendo os recursos do orçamento corrente (…).

“Conforme apontamentos da DDP/TCE que evidenciam a gravidade da questão: ‘ao que tudo conduz a causa da falta de recursos financeiros para pagamento dos servidores públicos estaduais foi a utilização de recursos ordinários e referente à receita orçamentária do exercício de 2013 para pagamento de despesas que não faziam parte do orçamento’”, acrescenta o MPRN. Ou seja, com procedimentos irregulares, a governadora acabou levando Estado a atrasar salários de forma continuada por mais de um ano.

Fenômeno da invisibilidade

Sem mandato eletivo desde 1º de janeiro deste ano, em face de ter sido derrotada em 15 de novembro do ano passado, quando tentava a reeleição como prefeita de Mossoró pela quinta vez, Rosalba de novo consegue a proeza de se tornar invisível, pelo menos aos olhos do judiciário.

Não é a primeira vez que ela incorpora esse fenômeno da física, como se fosse um metamaterial ou figura de filme de ficção científica de Hollywood.

Respondendo a dezenas de processos, a ‘incondenável’ Rosalba (próxima de bater a casa dos 70 anos de idade) chegou a ficar cerca de um ano e dois meses ‘desaparecida’ entre o fim do mandato de governadora e posse como prefeita em janeiro de 2017.

Hospital da Mulher é um caso de corrupção que se arrasta há mais de 9 anos (Foto: arquivo)
Hospital da Mulher é um caso de corrupção que se arrasta há mais de 9 anos (Foto: arquivo)

Foi esse o tempo que um batalhão de oficiais de Justiça levou para intimá-la, em um dos processos que tratam de desvio de algo em torno de R$ 12 milhões do Hospital da Mulher Parteira Maria Correia, em Mossoró. O Inquérito Civil Público (ICP) foi instaurado dia 30 de agosto de 2012, portanto há mais de 9 anos. Segue num encolhe-estica sem fim. Provavelmente, sem fim mesmo.

Seu patrimônio já chegou a ser bloqueado algumas vezes (veja AQUI). Várias, que se diga. Mas, conforme declaração de bens à Justiça Eleitoral, a ex-prefeita ‘pobrezinha’ não tem sequer uma casa para morar ou conta poupança. Constam apenas dois carros velhos na garagem, um deles até encostado em oficina em Natal.

Mão na Bola e Polícia Federal

A dificuldade sobrenatural que a Justiça do RN tem para abordar a ex-prefeita e ex-governadora é diametralmente oposta à competência da Polícia Federal para outro fim.

No dia 10 de dezembro de 2019, por exemplo, em um apartamento no bairro Nova Betânia em Mossoró, alugado em nome de terceiros, Rosalba teve que abrir a porta para agentes dessa autarquia, que tinham mandado de busca e apreensão em mãos (veja AQUIAQUI).

Foi a eclosão pública da Operação Mão na Bola, que investiga corrupção na edificação e gestão da Arena das Dunas em seu governo estadual.

Leia também: Processo de desvio do Hospital da Mulher segue se arrastando.

Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo Twitter AQUI, Instagram AQUI, Facebook AQUI e Youtube AQUI.

Eleições de 2022 vão dizer se seguiremos ou não a tsunami de 2018

Qual o perfil que emergirá das eleições 2022 em termos de Câmara Federal e Senado no país? E no RN? Em 2018, últimas eleições gerais da Presidência da República às assembleias legislativas, testemunhamos modificações profundas, com grande renovação.

A direita e até a chamada extrema-direita saíram muito forte no pleito de 2018, puxadas pela vitória (veja AQUI) das urnas eletrônicas (sem registro impresso, que se diga), do então deputado federal Jair Bolsonaro (PSL, hoje sem legenda). A esquerda até conseguiu crescer na Câmara e preservou espaços no Senado.

Gráfico mostra formação da Câmara Federal após eleições de 2018, com coligações (Arte G1)
Gráfico mostra formação da Câmara Federal após eleições de 2018, com coligações (Arte G1)

O chamado “centro” ou “Centrão”, acabou sendo achatado e partidos como MDB e PSDB definharam. Passamos a ter um Congresso Nacional mais diverso, heterogêneo, bastante renovado em nomes e representativo, com mais mulheres, gente com necessidades especiais, mais negros etc.

De ex-ator pornô, caso de Alexandre Frota (PSL-SP), à primeira mulher indígena, Joênia Wapichana (Rede-RR), a Câmara Federal recebeu de tudo um pouco.

Segundo dados do mais importante site político do país, o Congresso em Foco, em levantamento feito à época, dos 32 senadores candidatos à reeleição, apenas oito se elegeram. A taxa de derrota eleitoral, portanto, foi de 75%, índice excepcionalmente alto e muito superior ao previsto por todas as pesquisas de intenções de votos.

A renovação também foi grande na Câmara, onde 157 deputados (43% dos 362 que eram candidatos à reeleição) não tiveram a aprovação dos eleitores para continuar em Brasília.

A voz da mudança varreu o Congresso Nacional, mesmo com legislação protecionista feita por seus integrantes, para conter “novidades”. O “ajuste” foi implodido por uma tsunami popular nunca antes vista. A vontade do povo.

RN

Em termos de RN, as duas vagas ao Senado foram abocanhadas por candidatos que surpreenderam velhas raposas.. O capitão da Polícia Militar, Styvenson Valentim (Rede, hoje no Podemos), deixou para trás nomes tradicionais como Garibaldi Filho (MDB), que tentava a reeleição, e o ex-senador Geraldo Melo (PSDB). Foi campeão de votos, tendo a outra vaga sido ocupada pela deputada federal Zenaide Maia (PHS, hoje no Pros), com verniz de esquerda e no cós da senadora e governadora eleita Fátima Bezerra (PT).

O senador José Agripino (DEM), sequer se arriscou à tentativa de eleição, mas mesmo assim foi derrotado ao tentar chegar à Câmara Federal. Veja como foi o resultado AQUI.

Câmara Federal

Quanto à Câmara Federal, o PT foi o único partido a eleger dois deputados – Natália Bonavides e Fernando Mineiro. Apenas três deputados que cumpriam mandato foram reeleitos: Rafael Motta (PSB), Walter Alves (MDB) e Fábio Faria (PSD).

Bancada teve cinco novos parlamentares: Benes Leocádio (PTC), Natália Bonavides (PT), Mineiro (PT), General Girão (PSL) e João Maia (PR) – que tinha sido candidato a vice-governador em 2014, na chapa de Henrique Alves (MDB), sendo derrotado àquela época.

O deputado federal mais votado foi Benes Leocádio (PTC), com 125.841 votos (7,82% dos votos válidos).

Rogério Marinho (PSDB) e Beto Rosado (Progressistas) não se reelegeram. Porém, esse conseguiu pela via judicial barrar posse de Fernando Mineiro e está até hoje com o mandato (veja AQUI).

Bancada do RN das eleições 2018. Mineiro não tomou posse (Fotomontagem BSV)
Bancada do RN das eleições 2018. Mineiro não tomou posse (Fotomontagem BSV)

Dos oito deputados federais eleitos em 2014, três não tentaram a reeleição: Zenaide Maia (PHS) e Jácome (Podemos) se candidataram ao senado; e Felipe Maia (DEM) não se concorreu, para abrir caminho ao pai (José Agripino), que não obteve vitória. Veja como foi o resultado AQUI.

Assembleia Legislativa

Na Assembleia Legislativa, as eleições de 2018 não desalojaram a maioria dos parlamentares que foi à reeleição. As alterações foram menores do que o ocorrido no plano nacional.

Quinze dos 24 deputados que cumpriam mandatos foram reeleitos: Ezequiel (PSDB), Gustavo Carvalho (PSDB), Tomba Farias (PSDB), Vivaldo Costa (PSD), Galeno Torquato (PSD), Albert Dickson (PROS), Raimundo Fernandes (PSDB), George Soares (PR), José Dias (PSDB), Nelter Queiroz (MDB), Hermano Morais (MDB), Getulio Rêgo (DEM), Souza (PHS), Kelps (Solidariedade) e Cristiane Dantas (PPL).

Nove foram os novatos: Dr. Bernardo (Avante), Isolda Dantas (PT), Kleber Rodrigues (Avante), Coronel Azevedo (PSL), Francisco do PT (PT), Eudiane Macedo (PTC), Allyson Bezerra (Solidariedade), Ubaldo Fernandes (PTC) e Sandro Pimentel (PSOL). Veja como foi o resultado AQUI.

Bem, 2022 aproxima-se. A onda ‘reformista’ continuará, teremos arrefecimento ou reversão? Mais atenta, a massa-gente de eleitores dirá, avaliando principalmente o que os eleitos no passado fizeram (ou não fizeram) até aqui.

Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI e Youtube AQUI.

Há um ano debate político apontava rumo de vitória histórica

Toda campanha político-eleitoral tem vida própria, marcas próprias, metabolismo próprio. Seu espírito, o ‘espírito do seu tempo’. São jingles, cores, retóricas, novos e velhos personagens, promessas antigas com roupagem recauchutada, incidentes naturais e fatos fabricados, além de lugares-comuns que nunca saem de moda e da boca dos políticos, como o substantivo masculino “povo”.

Debate TCM-Telecom juntou os seis candidatos a prefeito de Mossoró no dia 22 de outubro de 2020 (Foto: Arquivo BCS)
Debate TCM-Telecom juntou os seis candidatos a prefeito de Mossoró no dia 22 de outubro de 2020 (Foto: Arquivo BCS)

Mas, também, são disputas que ao desfiarmos sua cronologia identificamos um ponto, aquele momento onde o resultado começou a ser gerado, para ser parido nas urnas.

No caso da eleição do então candidato à Prefeitura de Mossoró, servidor público federal, engenheiro e deputado estadual Allyson Bezerra (Solidariedade), 28 anos em 2020, poucos têm dúvidas – entre especialistas e leigos que viveram esse certame político tão próximo – que o debate TCM-Telecom foi o divisor de águas (veja AQUI). Foi o start, a centelha propulsora de sua vitória contra a “imbatível” prefeita Rosalba Ciarlini (PP). Até então, uma “inderrotável” nas lutas paroquiais em Mossoró.

Hoje, sexta-feira, 22 de outubro de 2021, faz exatamente um ano desse acontecimento jornalístico e político promovido pelo grupo administrador da TV Cabo Mossoró (TCM-Telecom). Os seus desdobramentos foram vesuvianos. Paulatinamente soterraram a ‘vitória certa’ do rosalbismo e agregados. Em dois momentos desse duelo de vozes, gestuais, argumentos e do marketing eleitoral, Allyson foi capaz de tirar completamente do jogo quem ainda tentava polarizar com a prefeita, a ex-prefeita Cláudia Regina (DEM), e deixar cambaleante a própria Rosalba.

Mediado pelo jornalista Moisés Albuquerque, o debate começou de forma surpreendente, após apresentação pessoal de cada um dos seis debatedores-candidatos a prefeito. Cláudia Regina, com rosto cerrado, olhos vítreos na direção de Allyson Bezerra, foi para o ataque sob instrução de uma “cola” (pergunta por escrito) no púlpito onde estava.

Na ânsia de associar o adversário à imagem do ex-prefeito Francisco José Júnior, julgando-o como um jovem despreparado e produto de marketing virtual cosmético, cópia de “Silveirinha” (citou depreciativamente), Cláudia acabou desfigurada por ele (veja vídeo mais abaixo). A partir daí, vagou sem prumo e rumo. Os dias seguintes, até as eleições de 15 de novembro (24 dias depois), a rebaixaram à quarta colocação em votos.

Momento decisivo

O debate de quase 3 horas estava próximo do fim, quando Rosalba soltou um comentário que soou a deboche. Tratou o deputado nascido no Sítio Chafariz, zona rural do município, como “pobrezinho”. Balbuciava explicações sobre cerca de R$ 12 milhões desviados (segundo denúncias processuais que a envolvem) do Hospital da Mulher Parteira Maria Correia, quando se atreveu à zombaria inconsequente.

Loquaz, de raciocínio ágil e inteligência política, Allyson deixou a adversária grogue ao definir aquela postura como uma visão “preconceituosa”, mexendo com o inconsciente de milhares de pessoas.

Mesmo antes do fim do debate, a provocação da “Rosa” foi transformada em combustível para a arrancada dele. Allyson Bezerra virou o “Menino pobrezinho”, com trechos do debate e jingles popularizando o episódio nas redes sociais (mais de 400 mil visualizações em várias plataformas como no Instagram – veja AQUI – em poucos dias) e ruas. A virada começou ali.

Bastidores

Rosalba precisava ir ao debate? Uma corrente de integrantes da cúpula de sua campanha entendia que não. E tinham até a justificativa prontinha e arrumada. A prefeita teria sofrido um mal-estar no dia anterior (21 de outubro) e foi internada no Hospital Wilson Rosado (HWR) – veja AQUI. Até horas antes do programa havia a dúvida: ela vai ou não vai?

Metendo a mão com força numa mesa que era rodeada por integrantes do grupo rosalbista/campanha, Cadu Ciarlini – filho da candidata e dublê de marqueteiro – deixou claro quem mandava. “Ela vai!”

Quando a mãe-candidata disparou a asneira do fim do debate, Cadu baixou e apertou a cabeça com as mãos, acusando o golpe numa sala próxima do estúdio, na TCM-Telecom. Desde então, a campanha foi descendo a ribanceira até se precipitar à derrota histórica. Nem mesmo a importação de pessoal de marketing, como o consagrado marqueteiro Raimundo Luedy, nos últimos dias, ressuscitou a candidatura cadavérica e insepulta de Rosalba.

Comemoração e arrancada

A reação da retaguarda de assessoria e marketing de Allyson Bezerra foi inversamente proporcional. O clima foi de euforia. Sentia-se que prefeita tinha dado o ‘mote’ para o restante da campanha.

Na preparação do candidato ao debate, por longas horas, discutindo os mais variados temas e estratégias (ataque e defesa), inclusive sob a hipótese de ausência da prefeita, em momento algum ninguém poderia imaginar tamanho escorregão da favorita. Nem o candidato. Contudo, ele não deixou passar.

Desde então, paralelamente atraiu a atenção de grande margem de indecisos, além de galvanizar centenas e milhares de potenciais eleitores de Cláudia e da deputada Isolda Dantas (PT). Ambas, a propósito, terminaram como forças-auxiliares de Rosalba, promovendo campanhas anti-Allyson no rádio-TV, redes sociais e ruas. As urnas deram seu veredito (veja AQUI).

Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI e Youtube AQUI.

Possível disputa entre Larissa e Beto angustia ainda mais o rosalbismo

A possibilidade crescente e iminente de que a ex-deputada estadual e atual vereadora, Larissa Rosado (PSDB), concorra a uma vaga à Câmara Federal (veja AQUI), amplifica mais ainda a dificuldade à reeleição do primo e hoje adversário Beto Rosado (PP). Vão concorrer no mesmo campo político e colégio eleitoral primário de ambos: Mossoró.

Adversários históricos por cerca de 30 anos, os grupos político-familiares de Larissa e de Beto fizeram um arranjo de “união” em 2016, em torno da campanha à Prefeitura de Mossoró da então ex-governadora Rosalba Ciarlini (PP). O entendimento durou a curta existência da corrida eleitoral daquele ano até o fim do mandato da eleita, em dezembro do ano passado.

Em 2018, Beto contou com apoio satisfatório de Larissa e seu grupo; em 2022, não ((Foto: arquivo)
Em 2018, Beto contou com apoio satisfatório de Larissa e seu grupo; em 2022, não o terá ((Foto: arquivo)

Em 2018, na luta pela reeleição por seu segundo mandato de federal, Beto contou com o recuo da ex-deputada federal e mãe de Larissa, Sandra Rosado (PSDB), na pretensão propagada de candidatura à Câmara Federal (veja AQUI, AQUI, AQUI, AQUIAQUI e AQUI). O temor da época do seu sistema político era o mesmo que paira agora: embate por votos no mesmo espaço e campo geopolítico.

Àquele ano, vereadora, Sandra forçava o rosalbismo a casar a dobradinha Beto-Larissa (federal-estadual). Contudo, de verdade mesmo, a sua desistência (de uma pré-candidatura natimorta, que se diga) só beneficiou Beto Rosado, que se reelegeu, apesar de sub judice até hoje, graças a recurso de operação judicial.

Polarização fratricida

Larissa teve apoio meia-boca de Rosalba e seu esquema. Na apuração dos votos, não passou da segunda suplência em sua coligação. Não foi prioridade, ao contrário do primo, para conseguir vitória nas urnas.

Confirmando-se a candidatura de Larissa, ela e Beto Rosado podem ter uma polarização fratricida em reduzido contingente votante. Possível candidato governista do prefeito Allyson Bezerra (Solidariedade), o presidente da Câmara Municipal, Lawrence Amorim (Solidariedade), caminha para ocupar faixa própria e mais ampla no eleitorado, sem maiores obstruções, contando – se assim continuar – com a alta aprovação do governante (veja AQUI).

Allyson e Lawrence marcham em faixa própria e ampla (Foto: Arquivo/26-11-2018))
Allyson e Lawrence marcham em faixa própria e ampla (Foto: Arquivo/26-11-2018))

É pouco provável que Beto e Larissa repitam duelos que o clã Rosado fermentou no passado com candidatos à Câmara Federal de um lado e de outro, criando uma ‘rivalidade’ que fazia bem aos dois lados. Exemplo de 2010, só para ilustrar: o pai de Beto, Betinho Rosado (DEM, á época), teve vitória nas urnas com 109.627 votos no estado, enquanto Sandra Rosado (no PSB) conseguiu o mesmo êxito com 92.746 votos.

Em Mossoró, Betinho empalmou 32.245 votos (28,17%) e teve atrás de si a prima Sandra com 25.072 votos (21,9%). Ou seja, os dois somaram quase 50% dos votos válidos à Câmara Federal, no município.

A ‘Caldeira’

Nas eleições anteriores, em 2006, Betinho tinha totalizado 28.709 votos (25,43%) e Sandra chegou a 19.859 votos (17,59%)  em Mossoró.

Para 2022, sem o rosalbismo ser alimentado pela ‘caldeira’ da Prefeitura Municipal de Mossoró, o comum durante várias eleições, será bastante difícil Beto Rosado ultrapassar a barreira dos 16.241 votos (14,79%) recebidos em 2018 em sua terra natal. O rebaixamento pode se acentuar.

Larissa Rosado, que contabilizou com 17.753 votos (15,08%) a deputado estadual nesse mesmo pleito, é franca atiradora, não tendo muito a perder ao assumir uma missão partidária (PSDB).

O primo Beto e seu grupo, com certeza gostariam de rebobinar a história para contar com ela e Sandra Rosado de lado, mais uma vez. Foram úteis em 2016 e 2018.

Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI e Youtube AQUI.

Juíza revoga prisão de comerciante que espancou quilombola

O comerciante Alberan de Freitas Epifânio, 52, está solto. Acusado de torturar o quilombola Francisco Luciano Simplício da Silva à tarde do sábado (11) no centro de Portalegre (373,3 km de Natal), região Oeste, ao lado do servidor público André Diogo Barbosa, 39, ele foi preso na sexta-feira (17). Porém, ganhou liberdade no dia seguinte (ontem, sábado, 18).

Alberan, segundo inquérito, manifestou vontade de matar o quilombola enquanto o surrava em público (Foto: redes sociais)
Alberan, segundo inquérito, manifestou vontade de matar o quilombola enquanto o surrava em público (Foto: redes sociais)

A revogação da preventiva e o alvará de soltura foram determinados pela juíza juíza Mônica Maria Andrade, titular da comarca de Martins em substituição na Comarca de Portalegre. A magistrada é quem decretara a prisão de ambos, inclusive contrariando parecer do Ministério Público, que fora contra a preventiva de Alberan e Diogo (que conseguiu evadir-se).

Em audiência de custódia à tarde desse sábado, em sistema virtual, a juíza entendeu – a partir de arrazoados do advogado de defesa de Alberan, Genilson Pinheiro, bem como da manifestação do promotor público Ricardo Formiga – “não haver mais a presença dos requisitos autorizadores da preventiva”.

Apesar da liberdade, ela estabeleceu medidas cautelares para serem cumpridas pelos dois acusados de crime de tortura:

1 – Proibição de ausentar-se da Comarca em que reside por um período superior a 15 dias sem prévia autorização judicial;

2 – Não mudar de residência, sem prévia permissão do Juízo competente;

3 – Não se aproximar ou manter qualquer contato com a vítima e testemunhas oculares – 100 metros (exceto se as testemunhas forem fazer compras em seu comércio).

4- Deverá se apresentar mensalmente em juízo e deverá se recolher na sua residência a partir das 19h até às 04h30.

Salientou, ainda, na mesma decisão: “Fica o investigado advertido de que o descumprimento das condições acima impostas poderá acarretar nova decretação da prisão preventiva, com amparo nos §§ 4º e 5º do art. 282 c/c parágrafo único do art. 312, todos do CPP”.

Os fatos

Os delegados da Polícia Civil do RN, delegados Inácio Rodrigues e Cristiano Gouvêa da Costa, pediram a prisão preventiva de Alberan e Diogo após apuração dos fatos que ganharam repercussão nacional em redes sociais e imprensa. No Inquérito Policial sob o número 792/2021, os dois ouviram testemunhas, anexando exame forense feito na vítima, vídeo que viralizou nas mídias, áudios do próprio Alberan de Freitas e imagens de câmeras de segurança na área do incidente.

Os dois delegados firmaram convicção da necessidade de prisão preventiva de ambos.

“Fiz e faço quantas vezes for preciso”

“Nada demais, isso é só movimento, movimento. Isso aí já era esperado, não estou arrependido não. Para defender o que é meu, é construído em cima de amparo legal, não é com droga, com coisas ilícitas, eu faço isso. Fiz e faço e quantas vezes for preciso”, falou Alberan em áudios que foram prospectados pela investigação.

O pedido foi atendido pela juíza Mônica Maria de Andrade. Na sexta-feira houve prisão de Alberan de Freitas sem qualquer resistência, quando ele estava trabalhando normalmente em seu comércio, o Mercadinho Eduarda. Já Diogo conseguiu fugir.

Segundo os delegados, o quilombola – que tem problemas mentais – arremessou uma pedra contra uma das portas de madeira do Mercadinho Eduardo, após discussão com Alberan (o proprietário). Não se constatou dano ao patrimônio privado. Contudo, sobre uma moto pilotada por Diogo, o comerciante saiu à caça de Luciano Simplício, enfurecido.

Barbárie sem piedade

Em frente ao depósito de bebidas do “Galego de Dadá”, na área urbana central da cidade, Luciano Simplício foi derrubado por Diogo. A partir daí, começou uma sessão de pancadaria desenfreada. Eles amarraram-no, pisotearam-no e o chutaram diversas vezes.

Ainda não satisfeito, Alberan de Freitas arrastou a vítima pela rua.

Algumas mulheres prestaram depoimento aos delegados. Afirmaram que os maus-tratos duraram cerca de 30 minutos. Mesmo com o apelo para que cessassem aquela barbárie, os dois não arrefeceram a tortura. “Eu vou matar ele”, teria dito Alberan de Freitas.

– Venha para cá que eu bato até em você também”, disse uma testemunha, no inquérito, repetindo manifestação do comerciante, que não aceitava intervenção moderada de ninguém (…) .

Consta no inquérito, mais esse trecho: “(…) A mesma depoente ainda reproduziu: “não faça isso não, Alberan”, que ele respondeu: “faço sim, para defender meu patrimônio eu posso até matar”, que em seguida Alberan levantou Luciano pela corda e soltou ele violentamente no chão e que a depoente perguntou a Alberan como é que ele poderia fazer uma coisa daquela, que Alberan respondeu: “fiz e faço de novo”.

A vítima pedia clemência, chorava e continuava sendo surrada, a ponto de cuspir sangue – disse uma segunda testemunha. Após largado ao chão, sem condições físicas de ficar em pé, Luciano foi socorrido por populares para receber cuidados emergenciais.

Judicialmente, o comerciante Alberan de Freitas Epifânio já responde a processo por “injúria racial”, em outro episódio. Na cidade, é bem relacionado social e politicamente, além de ter extração familiar respeitada – os Freitas-Epifânio.  Visto como “um homem de bem”, que se diga.

Leia também: Comerciante amarra, espanca e arrasta quilombola pela rua;

Leia também: Polícia prende acusado de tortura; outro envolvido está foragido.

Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI e Youtube AQUI.

Bolsonaro afaga Alexandre de Moraes e pede desculpas por excessos

Do Metrópoles, Veja, UOL, G1 e Canal BCS

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) divulgou uma nota (leia a íntegra abaixo) na tarde desta quinta-feira (9/9) na qual diz que às vezes fala “no calor do momento” e que nunca teve “nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes”.

A nota, um claro recuo no tom das últimas semanas, foi publicada no site do Palácio do Planalto logo após encontro dele com o ex-presidente Michel Temer (MDB) – veja AQUI.

Bolsonaro conversou ao telefone com Alexandre, após sondagem de Temer ao ministro do STF (Foto: arquivo)
Bolsonaro conversou ao telefone com Alexandre, após sondagem de Temer ao ministro do STF (Foto: arquivo)

Temer, o pacificador

Em sua coluna online, o jornalista Lauro Jardim (O Globo) acrescentou:

A nota oficial que Jair Bolsonaro divulgou há pouco, recuando de forma radical das bravatas que tem proferido nas últimas semanas contra o Supremo, notadamente o discurso do dia da Independência, foi escrita pelo marqueteiro Elsinho Mouco sob a supervisão de Michel Temer.

A ideia da nota surgiu ontem à noite quando Temer e Bolsonaro conversaram pelo telefone. Em seguida, Mouco, que atuou como marqueteiro de Temer, redigiu o texto, sob a supervisão do ex-presidente.

Hoje, de manhã, às 7h30, um avião da FAB levou os dois a Brasília para se encontrar com Bolsonaro. O texto foi apresentado ao presidente e aprovado.A propósito, foi Elsinho quem, no dia 18 de maio de 2017, no dia seguinte à divulgação da explosiva delação de Joesley Batista escreveu o discurso em que Temer disse: “Não renunciarei”.

Declaração à Nação

No instante em que o país se encontra dividido entre instituições é meu dever, como Presidente da República, vir a público para dizer:

1. Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar.

2. Sei que boa parte dessas divergências decorrem de conflitos de entendimento acerca das decisões adotadas pelo Ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das fake news.

3. Mas na vida pública as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de “esticar a corda”, a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia.

4. Por isso quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum.

5. Em que pesem suas qualidades como jurista e professor, existem naturais divergências em algumas decisões do Ministro Alexandre de Moraes.

6. Sendo assim, essas questões devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no Art 5º da Constituição Federal.

7. Reitero meu respeito pelas instituições da República, forças motoras que ajudam a governar o país.

8. Democracia é isso: Executivo, Legislativo e Judiciário trabalhando juntos em favor do povo e todos respeitando a Constituição.

9. Sempre estive disposto a manter diálogo permanente com os demais Poderes pela manutenção da harmonia e independência entre eles.

10. Finalmente, quero registrar e agradecer o extraordinário apoio do povo brasileiro, com quem alinho meus princípios e valores, e conduzo os destinos do nosso Brasil.

DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA

Jair Bolsonaro – Presidente da República federativa do Brasil

Bolsonaro conversa com quem ele agrediu

O jornalista Igor Gadelha, do portal Metrópoles, noticiou que o presidente Jair Bolsonaro conversou por telefone com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (9/9), antes de divulgar uma “declaração à nação”, em tom de pacificação.

Ainda na noite de quarta, o ex-presidente afirmou que “falou rapidamente” com Moraes, principal alvo de Bolsonaro nos discursos durante os atos de 7 de setembro.

Na ocasião, Temer também sondou a disposição de Moraes em dialogar com Bolsonaro. A conversa telefônica, então, ocorreu enquanto o ex-presidente estava reunido com o atual mandatário no Planalto, hoje.

Segundo relatos, Moraes teria repetido a Bolsonaro num diálogo ‘cordial’ (veja AQUI) o que disse para Temer na noite anterior: que age apenas nos termos jurídicos e que não tem nada pessoal contra o atual presidente e seus apoiadores (veja AQUI).

Reações

Nas redes sociais e imprensa formal, as reações à posição de Bolsonaro foram as mais variadas. Muita incredulidade, outras vozes aplaudindo o sinal de pacificação e muitos aliados decepcionados ou sem entender nada ainda.

“O leão virou um rato”, ironizou o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). “É um frouxo e covarde”, provocou o deputado federal Rodrigo Maia, ex-presidente da Câmara dos Deputados.

“Continuo aliado, mas não alienado”, disse o pastor Silas Malafaia. “Ele não vai parar sozinho. Só com Impeachment. Não há outra forma de sair deste pesadelo!”, mostrou Guilherme Boulos (PSOL), ex-candidato a presidente da República.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), destacou que a “harmonia entre os Poderes é uma determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar”. Enquanto isso, o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos jogou a toalha, para ele, é o “fim do jogo”. Veja outras reações de aliados AQUI.

Nota do Blog – Presidente Bolsonaro dá um passo atrás. Recua para não desabar de vez. Os babaquaras da infantaria, que topam tudo, é que estão na pior. Daqui a pouco ele voltará ao normal. Porém, mesmo que por conveniência, vale esse armistício. O país precisa de paz para sair disso.

No andar de cima, o presidente fuma cachimbo da paz (agora, taokey?) com quem ele agrediu verbal e moralmente. Claro que não é sincero nem reconhece excessos, mas por necessidade de sobrevida ou sobrevivência. Já Zé Trovão e outros manés não escapam do xilindró.

Estúpido, inconsequente, Bolsonaro é aquele do discurso (veja AQUI) em 7 de setembro. O da nota de hoje é o que precisa ser agora. Sua ‘normalidade’ não demora a eclodir novamente.

Leia também: ‘Caminhão sem freio’ do bolsonarismo ameaça o próprio governo.

Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI e Youtube AQUI.

Rosalbista e comparsa envolvidos em furto de trator fazem acordo

Para não se submeterem a processo judicial, que iria tramitar e caminharia provavelmente à condenação de ambos, Nivaldo Ferreira da Silva e Josenildo Leão firmaram “Acordo de não persecução penal” com a 8ª Promotoria de Justiça da Comarca de Mossoró, ocupada pelo promotor Paulo Carvalho Ribeiro.

Nivaldo fez acordo com Ministério Público, o que é admissão de envolvimento no furto qualificado (Foto: reprodução BCS)
Nivaldo fez acordo com Ministério Público, o que é admissão de envolvimento no furto qualificado (Foto: reprodução BCS)

Eles admitiram participação direta no furto qualificado do trator marca/modelo Budny, BDY-7540B, ano 2020, cor laranja.

O veículo da Prefeitura Municipal de Mossoró desapareceu do pátio da Secretaria Municipal da Agricultura (bairro Costa e Silva), no dia 9 de janeiro de 2021 (um sábado), segunda semana da gestão Allyson Bezerra (Solidariedade). Houve constatação do desaparecimento na segunda-feira (11).

No dia 14, uma quinta-feira, por volta de 19h15, equipe de investigação comandada pelo titular da Delegacia de Furtos e Roubos (DEFUR), bacharel Rafael Arraes, localizou o trator a 155 km de Mossoró, no município de Guamaré (veja AQUI).

Com o acordo, Nivaldo e Josenildo vão pagar, cada um, 5 (cinco salários mínimos), com parcelamento que podem chegar respectivamente a 15 e 12 meses. Assim, livram-se do pior.

Equipamento do município estava em Guamaré, em perfeito estado de conservação (Foto: cedida)
Equipamento do município estava em Guamaré, em perfeito estado de conservação (Foto: cedida)

História

Nivaldo é um velho conhecido na política mossoroense, como seguidor fiel e de confiança da cúpula do rosalbismo. Na gestão da ex-prefeita Rosalba Ciarlini (PP) que foi até o dia 31 de dezembro, do ano passado, era comissionado na justamente na Secretaria Municipal de Agricultura, desde a nomeação em 13 de novembro de 2017 para Chefe de Divisão, Símbolo CD.

Nivaldo era cargo comissionado justamente onde houve furto do trator (Reprodução BCS)
Nivaldo era cargo comissionado justamente onde houve furto do trator (Reprodução BCS)

Inclusive, Nivaldo Ferreira postou várias fotos há poucos meses, ao lado dos líderes Carlos Augusto Rosado-Rosalba (veja AQUI), que lhe visitaram em sua casa no dia 15 de maio.

Ele, posteriormente, acabou recebido por ambos.

O irônico desse enredo, é que logo que foi divulgado o furto, o deputado federal Beto Rosado (PP) utilizou suas redes sociais para cobrar o elucidamento do crime e criticar o prefeito por ser omisso em termos de segurança patrimonial.

“A notícia que o prefeito retirou os guardas municipais da proteção do patrimônio público, alertou os criminosos para uma ação como essa que foi feita”, disse (veja AQUI).

Aliado fiel, Nivaldo recebeu visita do casal e depois retribuiu o agrado (Fotomontagem BCS)
Aliado fiel, Nivaldo recebeu visita do casal e depois retribuiu o agrado (Fotomontagem BCS)

Apesar da rápida e eficiente ação policial, Beto não tocou mais no assunto. Hoje, tudo faz sentido. Seria atirar no próprio pé parabenizar a Polícia Civil por pegar seu colaborador político, Nivaldo, e o comparsa, mesmo não tendo – possivelmente – qualquer envolvimento com o caso,

Como foi o furto

O delegado Rafael Arraes colheu depoimento de que Nivaldo teria oferecido o trator à venda. Mas, ele acabou fechando negócio parcelado por R$ 80 mil, conforme o outro envolvido – Josenildo Leão – contou.

Josenildo pegou o veículo na Feira do Bode, área da Secretaria Municipal da Agricultura, mas Nivaldo não acompanhou a retirada dele do local. Apenas orientou como fazer para levá-lo.

De lá, por volta de 15h do sábado (9 de janeiro), o trator foi levado até Guamaré. Josenildo Leão dirigiu uma picape de pequeno porte como ‘batedor’, indo à frente, enquanto um amigo pilotava o veículo, sem saber se tratar de um furto.

No inquérito policial, ainda há depoimento de um amigo de Nivaldo Ferreira que é bastante delicado. Ao delegado, esse depoente assegurou que ouviu dele a afirmação de que “caso fosse preso iria acusar mais gente; e disse inclusive que havia político envolvido…”.

Para o delegado, é pouco provável que tenha acontecido comercialização ilegal do trator. Os dois – Nivaldo e Josenildo – foram sócios no furto qualificado.

Veja abaixo, vídeo em que o delegado Rafael Arraes explicou no dia 18 de janeiro como foi a rápida investigação e solução do furto do trator da municipalidade. Ele dá detalhes do trabalho policial e a sustentação comprobatória do que posteriormente apresentou no inquérito sob o número 0802956-97.2021.8.20.5106, na 2ª Vara Criminal da Comarca de Mossoró:

O que é o Acordo de Não Persecução Penal? – Trata-se de um instituto de caráter pré-processual, que  representante do Ministério Público e o investigado formalizam, quando a prática de infração penal é admitida e se identifica que aconteceu sem violência ou grave ameaça e com pena mínima inferior a 4 (quatro) anos.

Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI e Youtube AQUI.

Rosalba fará campanha empinando ‘atestado de honestidade’

Entre outros capitais à campanha à Assembleia Legislativa em 2022, mesmo longe da Prefeitura de Mossoró, onde esperava estar agora, a ex-prefeita Rosalba Ciarlini (PP) tem um trunfo em especial: ostentará suposto ‘atestado de honestidade’.

Rosalba movimentou somas extraordinárias e milionárias no seu último ano de gestão (Foto: PMM/arquivo)
Rosalba movimentou somas extraordinárias e milionárias contra a Covid-19 no seu último ano de gestão (Foto: PMM/arquivo)

Com franco favoritismo para ser campeã de votos em seu berço político, Mossoró, além de provável eleição para uma das 24 vagas disponíveis à AL, Rosalba coleciona demandas judiciais e investigações à sua conduta como gestora. Porém, com relação à condução de milionários recursos para enfrentamento à Covid-19, em 2020, está se safando.

Esse discurso ela prepara para empinar em 2022. Com razão, que se diga. Faz sentido como retórica, mesmo que talvez não espelhe a verdade.

Até aqui, não há qualquer sinalizador de pedido de Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara Municipal, para prospectar informações e identificar supostas irregularidades na gestão de mais de 51 milhões destinados ao enfrentamento da pandemia. Apenas o vereador governista Tony Fernandes (Solidariedade) chegou a falar sobre o assunto, mas foi ignorado efusivamente (veja AQUI).

Em face da excepcionalidade do período, houve enxurrada de contratos de serviços, à contratação de pessoal e aquisição de produtos sem licitação alguma. Não faltaram questionamentos na imprensa e seguem muitas interrogações quanto à destinação dessa montanha de dinheiro. E daí? Se nada é oficialmente questionado, ‘bola para frente‘.

Só sei que nunca tivemos CEI

Enquanto isso, em Brasília a temperatura esquenta com a CPI da Covid-19 que coloca o Governo Jair Bolsonaro (sem partido) no paredão. No RN, a administração Fátima Bezerra (PT) é pressionada por instrumento investigativo semelhante.

Até o blindado prefeito Álvaro Dias (PSDB), do Natal, é acossado por tentativa de uma CEI, num legislativo majoritariamente favorável à sua administração.

Em Mossoró, há quadro inverso: a ex-prefeita não reeleita tem apenas três vereadores – Francisco Carlos (PP), Didi de Arnor (Republicanos) e Lucas das Malhas (MDB) -, dos 23 componentes da Câmara Municipal. Mesmo assim, só tem razões para sorrir.

Um antecedente histórico é bastante favorável à “Rosa”: nunca a Câmara Municipal de Mossoró instalou e fez andar uma CEI. Nunca mesmo. A própria Rosalba esteve ameaçada em pelo menos duas ocasiões e salvou-se.

Nos anos 90, vereadores tentaram emplacar a CEI do Relatório Marpe. Trataria de supostas irregularidades em seu primeiro governo municipal (1989-1992), que o sucessor Dix-huit Rosado levantou em auditoria, mas não conseguiu puni-la.

O último ensaio foi há pouco mais de 3 anos, a “CEI do Lixo”, quando seriam investigados contratos que passavam de R$ 52 milhões na limpeza urbana de Mosoró. Foi sepultada no dia 5 de junho de 2018 (veja AQUI). Com maioria em plenário, a então prefeita evitou a pretensão de minoria parlamentar, em sessão presidida pela então vereadora Izabel Montenegro (MDB) – veja vídeo abaixo.

Em Mossoró, vale um trocadilho com célebre frase do filósofo Sócrates: “Só sei que nunca tivemos CEI!”

Conheça um pouco sobre a “quase” CEI do Lixo

Leia também: Bancada de Rosalba acaba com a “CEI do Lixo”;

Leia tambémCâmara Municipal começa ‘funeral’ da CEI do Lixo;

Leia tambémEm reunião fechada, vereadores apressam fim da CEI do Lixo;

Leia tambémCarlos Augusto ordena o fim da CEI do Lixo;

Leia tambémGoverno Rosalba tenta desesperadamente ‘enterrar’ CEI do Lixo;

Leia tambémRosalba acerta mais alguns milhões em contratos suspeitos.

Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI e Youtube AQUI.

Lawrence sofre ataque antecipado em disputa que só ocorrerá em 2022

O presidente da Câmara Municipal de Mossoró, Lawrence Amorim (Solidariedade), consegue um feito incomum nesses tempos de mudança no protagonismo da política de Mossoró.

Em menos de 72 horas, ele foi alvo de sete postagens em sequência, o atacando, em uma única página virtual controlada pelo rosalbismo.

Nome que se encaminha à ocupação de espaço, Lawrence começa a ser atacado cedo e freneticamente (Foto: Marcos Garcia/De Fato/Arquivo
Nome que avança à ocupação de espaço, Lawrence é atacado freneticamente (Foto: Marcos Garcia/De Fato/Arquivo

Superou até mesmo o prefeito Allyson Bezerra (Solidariedade), vítima diária e obrigatória de notas/matérias/comentários depreciativos em endereços anônimos (fakes), onde não se poupa sequer sua família e honra pessoal. Coisa da esgotofera.

A blitz contra Amorim tem uma explicação ou, justificativa, para quem a promove: o vereador é pré-candidato à Câmara Federal e deverá polarizar com o rosalbista e atual federal Beto Rosado (PP) em Mossoró. Prioridade é desmanchá-lo antecipadamente.

Na campanha de 2018, Beto não teve adversário direto equivalente em Mossoró e empalmou 16.241 (14,79%) votos. Tinha atrás de si a superestrutura da municipalidade, onde sua tia-afim Rosalba Ciarlini (PP) estava aboletada. Foi o mais votado. O segundo colocado foi Natália Bonavides (PT) com 11.558 (10,53%) votos.

Lawrence Amorim ficou em terceiro com 10.153 (9,25%) votos, ou seja, apenas 6.088 votos a menos do que Beto.

O embate caseiro entre os dois mossoroenses à Câmara dos Deputados promete esquentar em 2022. Entretanto, será diferente do que ocorreu durante várias eleições.

Rosado x Rosado

A partir de 1994, quando o antagonismo no mesmo campo político local já era estritamente familiar – entre Rosado x Rosado -, as duas bandas da família que se dividiu a partir dos anos 80 tiveram frente a frente os primos Laíre Rosado (PMDB) e Betinho Rosado (PFL). Ambos saíram vitoriosos na luta federal.

A fórmula deu certo para os dois lados ainda em várias eleições: em 1998 (Laíre e Betinho), 2002 (Sandra Rosado e Betinho), 2006 (*Sandra e Betinho*) e 2010 (Sandra e Betinho). Começou a ruir em 2014, quando  Sandra não se reelegeu após três mandatos consecutivos e Betinho não pode concorrer devido impedimento legal, colocando o filho Betinho Segundo, o “Beto” Rosado, em seu lugar.

A anemia eleitoral acabou se agravando em 2018. Sandra sequer tentou retornar à contenda (já cooptada pelo grupo familiar adversário) e Beto conseguiu novo mandato em meio a ruidosa celeuma judicial, conhecida como “Caso Kerinho” (veja AQUI).

Que venha agora 2022.

  • Em 2006, Betinho não se reelegeu, mas foi beneficiado com o falecimento do reeleito Nélio Dias (PP) em 20 de julho de 2007, assumindo a titularidade.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo  TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI e Youtube AQUI.

Mossoró precisa se ver além do ‘marketing eleitoral cosmético’

Nota do Editor: Veja abaixo conteúdo de postagem especial nossa veiculada no dia 23 de outubro do ano passado, às 7h38 (veja AQUI). Faltavam 23 dias para as eleições de 15 de novembro. Resolvemos resgatar esse texto hoje quinta-feira, 10 de junho de 2021. Não devemos esquecer o quanto Mossoró tem de potencial e que é possível, sim, ‘alterar o curso do rio’.

Leia (ou releia), por favor:

Por que é tão difícil se discutir programa de governo numa campanha municipal de Mossoró? Essa pergunta faz parte de nossas pautas à cada corrida eleitoral e, sempre ao fim da disputa, fica a sensação de que nunca o vencedor esteve preocupado em fazer algo, mas apenas em vencer.

O ‘marketing eleitoral cosmético’, que é feito para enganar, é sempre mais relevante no processo eletivo, a partir da foto oficial do disputante. Com ele, a mentalidade de se triunfar a qualquer custo (aqui, no sentido financeiro e da ausência de caráter).

Infelizmente, Mossoró não é pensada para ser um lugar melhor para se viver e se produzir. A Prefeitura não funciona para tratar os desiguais na medida de suas desigualdades, zelar pela ‘res publica’ (coisa do povo, em latim) e ser eficiente.

Município, com sua área urbana, ocupa aproximadamente 2 100 km², sendo o maior do RN (Foto: arquivo BCS)

Existe uma pressa frenética em se conquistar e se manter o poder, em vez de se considerar que esse ganho talvez seja até mais fácil de se obter, com uma gestão competente.

A retórica da enganação, a promessa da empulhação e as realizações de fachada e eleitoreiras, acabam determinando o que é prioridade e o que não deve passar de propaganda da tapeação.

A cada campanha, outra vez surgem o messianismo, a falácia, a mentira e a garantia de reconstrução disso ou daquilo. Ufanismo, promessas vãs e demagogia compõem um enredo imutável.

Mossoró não oferece o básico para seus munícipes. Não trata com  generosidade mínima quem aporta aqui todos os dias, aos milhares, em busca de serviços de saúde, educação e outras necessidades, também em seu comércio e indústria, lazer etc.

Promessas vãs

Toda campanha avisam que o rio Mossoró será limpo, que irão duplicar a Avenida Francisco Mota etc. É certeza que não vão faltar médicos, remédios e atendimento cordial no sistema de saúde pública. Criam intimidade com a palavra honestidade e dissertam sobre transparência.

O município transformou-se num polo acadêmico com mais de 22 mil estudantes em universidades e faculdades, virou um núcleo de saúde – inclusive com três faculdades de Medicina. É a principal referência urbana e de negócios numa região de mais de 1 milhão de habitantes, com influência no Vale do Jaguaribe (Ceará), Vale do Açu, Costa Branca, Sertão Central, Médio e Alto Oeste, além de conexão com sertão paraibano.

Zona rural é um espaço de descaso continuado (Foto: arquivo)

Temos potencial econômico ainda com o petróleo, calcário, fruticultura, indústria da castanha, criação de bovinos, caprinos e ovinos; carcinicultura, sal, riquezas inexploradas das águas-mães e formatação de polo cloroquímico. Poderíamos ser um polo calçadista, cerâmico, têxtil. Temos meios para atração de público com o turismo cultural, de eventos e religioso.

A inteligência das academias pode gerar ambiente para multiplicação de milhares de pequenas empresas voltadas à alta tecnologia. As energias limpas têm espaço e poderiam ter mais incentivo e meios à expansão em seu território.

O potencial é enorme e incomensurável. Parte dele, por exemplo, foi apresentado num amplo e denso estudo no início desse século, trabalho realizado pela empresa de consultoria Natrontec, que levantou viabilidades econômicas de Mossoró e região. Quase ninguém deu atenção a essa bússola para o desenvolvimento, inclusive a prefeita da época, Rosalba Ciarlini (PFL, hoje no PP).

E daí?

Comprometo-me mais uma vez a reconstruir e transformar a nossa Cidade de Mossoró, para possibilitar a sua volta aos patamares de desenvolvimento já alcançados em nossas administrações e ir além, por meio de uma gestão que primará, sobretudo, pelo bem-estar do cidadão mossoroense”. Sabe quem deu essa garantia? A atual prefeita Rosalba Ciarlini, em 2016.

Agora, em 2018, é candidata à reeleição com a promessa de “fazer a melhor  administração” de sua vida.

O único trecho verdadeiro de suas declarações, que apresentaram seu programa de governo àquele ano, é esse preâmbulo em negrito, marcado no parágrafo acima. Foi mais uma promessa, outra vez falando em reconstrução, inflando o próprio ego e exercitando a mitomania.

DEPOIS DE PASSAR PELO GOVERNO DO RN como a pior governante do país, Rosalba retornou à prefeitura com o discurso de sempre. Quem leu seu programa de governo? Quem se deu a esse trabalho? Quase ninguém, claro. Mas se alguém resolver fazê-lo hoje, com um pingo de visão crítica, logo terá um choque.

Nepotismo, empreguismo, aumento expressivo do endividamento público, falta de transparência, comprometimento previdenciário, relação conflituosa com servidores, atrasos contínuos em pagamentos a prestadores de serviços e fornecedores, infraestrutura precária, ausência de fomento à atividade produtiva, deficiência em transporte público, sistema de saúde onde falta desde insulina a gazes, além de não ter praticamente nada que enxergue Mossoró para o futuro, é o conjunto da obra real que a propaganda oficial esconde.

Quando deixou a prefeitura para o sucessor Dix-huit Rosado, após seu primeiro governo (1989-1992), Rosalba tinha uma Mossoró com pouco mais de 192 mil habitantes. Passados 28 anos, é um município com mais de 300 mil pessoas (além de população flutuante expressiva).

O maior território do RN, com 137 comunidades rurais, é vítima da favelização, possui um aterro sanitário saturado, lida com grande violência urbana e no campo, saneamento e drenagens aquém de suas necessidades, está afetado por perdas econômicas expressivas – como o desinvestimento da Petrobras -, fechamento de indústrias e comércios, e sem um planejamento capaz de reconfigurar e potencializar sua economia, enxugar a máquina pública e melhorar a qualidade de vida do seu povo.

Este ano, com a pandemia, prefeitura abriu covas às pressas num terreno anexo  ao cemitério ‘novo’, sem qualquer muro, para sepultar algumas vítimas da doença (Foto: BCS)

Coloque ainda no débito, um aeroporto fechado, transporte público pífio e até cemitérios públicos lotados.

Convive com um Plano Diretor ultrapassado, que chega a ignorar até mesmo corrosivas indústrias de moagem de sal no centro da cidade. Não preparou seu Distrito Industrial para abrigar com o mínimo de estrutura, quem pense em se instalar. É desbravador investir na área que já precisaria de maior espaço.

Qual o programa de governo para os próximos quatro anos? Quem tem o que oferecer de verdade, como objeto de estudo e factível, capaz de sair dessa fanfarrice?  A imprensa, em seu papel de informar e formar, deve explorar o tema e rebobinar o que já foi prometido, confrontando passado e presente, para podermos enxergar o futuro.

Entidades de classe precisam se envolver num debate, sem compadrio ou facciosismo partidário e conveniências particulares. Os colegiados de controle social vão funcionar agora? As universidades e faculdades não podem assistir a tudo passivamente.

O cidadão comum, esse, coitado, não deve entender nada disso que estamos postando e acha tudo uma chatice. Nem quer saber de nada mesmo. Com certeza, só leu o título ou no máximo o primeiro parágrafo desse material. Não por acaso, que esse modelo de política e de político continua se dando bem. A cidade, o município, o povo e a prefeitura que se lasquem.

* INSCREVA-SE em nosso canal no Youtube ( AQUI) para avançarmos projeto jornalístico.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo  TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUIYoutube AQUI.

Rosalba é denunciada mais uma vez por improbidade administrativa

Dezenas de postagens, em poucos dias, com a "Rosa" sempre divulgando a própria imagem em espaço público (Fotomontagem BCS)
Dezenas de postagens, em poucos dias, com a “Rosa” divulgando a própria imagem em espaço público (Fotomontagem BCS)

A ex-prefeita Rosalba Ciarlini (PP) vai responder a mais uma demanda judicial por improbidade administrativa. O Ministério Público do RN (MPRN) protocolou Ação Civil Pública (ACP) sob o número  0804752-26.2021.8.20.5106, em que pede sua condenação.

A petição inicial deu entrada às 15h55 do dia 13 de março último. O titular da 7ª Promotoria de Mossoró, promotor público Fábio de Weimar Thé, denuncia que Rosalba em “reiteradas postagens na rede social Instagram, ao longo de toda a sua gestão, especialmente em dezembro/2020, após Recomendação do Ministério Público, promoveu em favor de si promoção pessoal na divulgação de propaganda institucional, a custo do erário público (…)”.

Em face da violação de princípios administrativos, em que a máquina pública lhe servira como se fosse um bem particular, o MPRN pede perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos, além de pagamento de multa civil de até cem vezes o valor da remuneração percebida pelo agente. Também pleiteia proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de três anos, com base no art. 12, inciso III, da Lei n.º 8.429/92 , lei de Improbidade administrativa.

Dinheiro público e promoção pessoal

Segundo narra a ACP, “diversos vídeos de divulgações de obras – em execução – e de aumento salarial, produzidos sob o pretenso manto da publicidade institucional, utilizou a pretensa então candidata à reeleição como porta-voz das publicidades. Os mesmos vídeos, produzidos para propaganda institucional e publicados na página oficial do Município e rede social deste – facebook e instagram -, materiais publicitários realizados com verbas públicas, além de não poderem utilizar a imagem da Sra. prefeita, igualmente estão postados na rede social pessoal de Rosalba”.

A então prefeita chegou a ser provocada em “recomendações” do MP para remover as postagens, flagrantemente ilegais, mas mesmo assim as ignorou.

“Em verdade, a postura adotada por Rosalba Ciarlini foi diametralmente oposta, consoante é possível inferir das postagens contidas no Instagram da Prefeitura Municipal de Mossoró (@prefeiturademossoro) e que estão colacionadas no doc. n. 1202215. Registre-se que as postagens listadas se referem apenas ao mês de dezembro/2020 e totalizam 64 (sessenta e quatro) publicações contendo a imagem da então Prefeita Rosalba Ciarlini Rosado. Um número que ultrapassa a razoabilidade e que demonstra, sem qualquer dúvida, o intento de vincular as obras realizadas à sua pessoa, além de ressaltar o interesse espúrio de se autopromover e destacar sua imagem pessoal, a custa do erário público, violando frontalmente os princípios constitucionais da administração pública”, descreve a promotoria.

“Válido ressaltar que a REQUERIDA ROSALBA CIARLINI JÁ É REINCIDENTE EM MATÉRIA DE VIOLAÇÃO A IMPESSOALIDADE, promoção pessoal por meio de publicidades e propagandas institucionais, uma vez que restou CONDENADA PERANTE A VARA DA FAZENDA PÚBLICA DE MOSSORÓ, NO PROCESSO Nº. 0003307-35.2002.8.20.0106 (…)”, aponta Fábio de Weimar Thé.

Em 2012, avião do Estado desembarcou quase 60 vezes em um mês na gestão de Rosalba (Foto: Web)
Em 2012, avião do Estado desembarcou quase 60 vezes em um mês na gestão de Rosalba (Foto: Web)

Histórico pesado

O histórico da ex-prefeita mistura segurança na impunidade com desfaçatez. Tem motivos de sobra para considerar que sairá mais uma vez sem problemas que possam comprometer sua marcha política.

Como prefeita, em administração passada, ela banhou piso de prédios públicos e de praças com logo de sua  campanha eleitoral (uma rosa). Nem o Palácio da Resistência (veja AQUI), imóvel histórico, escapou de sua mão personalista, hábeis manoplas que misturam o público com o privado com bastante destreza.

Governadora do RN, em 2012, ela utilizou aeronave pública para pousar quase 60 vezes em Mossoró (veja AQUI), num espaço de 30 dias, na campanha municipal local – considerada a mais corrupta de todos os tempos.

Esse mesmo avião Bandeirante de prefixo E 110 P1 (prefixo PP-ERN) esteve 98 vezes no Aeroporto Dix-sept Rosado durante todo o ano de 2011.

Ainda tem, de lambuja, processos relativos ao estádio multiuso Arena das Dunas (veja AQUI) e o escandaloso Hospital da Mulher Parteira Maria Correia (veja AQUI) onde aparece como ré.

No acesso à escadaria do Palácio da Resistência, o circunstante-passante se depara com esse abuso (Foto: cedida)
No acesso à escadaria do Palácio da Resistência, o circunstante-passante se depara com esse abuso (Foto: cedida)

Nota do Blog – Particularmente, acho que a ex-prefeita não tem com o que se preocupar. Prioridade é ser eleita deputada estadual (veja AQUI) o próximo ano, para ganhar outra vez a couraça do “foro privilegiado” e empurrar qualquer processo para posição inercial.

É o que se chama no jargão judicial por “embargos de gaveta”. Não existe no ordenamento jurídico, mas é comum na prática.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo  TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI e Youtube AQUI.

‘Sem dono’, Mossoró atrai apetite de muitos nomes a deputado estadual

vote-em-mimMuitos deputados estaduais que devem concorrer à reeleição fazem fila em direção a Mossoró, costurando apoios estratégicos para 2022. O tempo não para. E o apetite é grande e necessário.

Só essa semana, por enquanto, passaram Ubaldo Fernandes (PL) – veja AQUI, e Coronel Azevedo (PSC) – veja AQUI.

O principal foco de atenção deles é a Câmara Municipal, onde a maioria dos vereadores é novata e está de braços abertos à colaboração.

Nas eleições de 2018, dos dez mais votados à Assembleia Legislativa em Mossoró, nove eram naturais ou tinham ligação muito próxima com o município (veja boxe abaixo). O eleito coronel Azevedo foi a exceção nesse rol.

Deputado estadual – Os dez mais votados em Mossoró (2018)

– Larissa Rosado (PSDB) – 17.753 (15,08%)
– Allyson Bezerra (SD) – 13.095 (11,13%) *
– Jorge do  Rosário (PR) – 12.017 (10,21%)
– Isolda Dantas (PT) – 11.031 (9,37%)*
– Bernardo Amorim (Avante) – 4.543 (3,86%)*
– Flávio Tácito (PPL) – 4.279 (3,64%)
– Souza (PHS) – 3.073 (2,61%)* Eleito
– Daniel Sampaio (PSL) – 2.881 (2,45%)
– Gutemberg Dias (PCdoB) – 2.205 (1,87%)
– Coronel André Azevedo (PSL) – 1.910 (1,62%) *
– Brancos – 7.816 (5,42%)
– Nulos – 18.691 (12,96%)
Válidos (nominais e legenda) – 117.698 (81,62%)

*Eleitos

Desse total, apenas um tinha mandato, Larissa Rosado (PSDB), mesmo assim obtido porque o titular (Álvaro Dias) havia sido eleito vice-prefeito de Natal em 2016, abrindo vaga para ela que era suplente.

Apesar de ter obtido 17.753 votos, Larissa não conseguiu novo mandato na Assembleia Legislativa.

Ao todo, houve soma de 117.698 (81,62%) votos válidos a deputado estadual nesse mesmo pleito e esse volume foi distribuído entre 259 candidatos que foram votados em Mossoró.

Como é um município polo e segundo maior colégio eleitoral do estado, que em 2018 tinha 174.189 eleitores cadastrados, é mais do que natural esse assédio de nomes já com mandatos e outros tantos, em busca de votos.

Porém, num comparativo com o comportamento do votante em 2018, com a eleição anterior, em 2014, observa-se que houve um surto bairrista, o que não ocorrera no pleito antecedente. Se em 2018, o eleitor fez nove candidatos ‘da terra” os mais votados, num elenco de dez, em 2014 foi diferente (veja boxe abaixo):

Deputado Estadual – Os dez mais votados em Mossoró (2014)

Larissa Rosado (PSB) – 24.585 (24,35%)
Galeno Torquato (PSD) – 12.306 (12,19%) *
Leonardo Nogueira (DEM) – 9.111 (9,02%)
Souza (PHS) – 4.186 (3,98%) *
Fernando Mineiro (PT) – 3.914 ( 3,88%) *
Getúlio Rego (DEM) – 3.496 (3,46%) *
Adenúbio Melo (PSC) – 3.471 (3,44%)
Bispo Francisco de Assis (PSB) – 2.130 (2,11%)
Kelps Lima (SD) – 2.111 (2,09%) *
Jacó Jácome (PMN) – 1.929 (1,91%) *
Brancos – 13.592 (9,54%)
Nulos – 23.760 (16,67%)
Válidos (Nominais e Legenda) – 105.149 (73,79%)

* Eleitos

Entre os que receberam maior votação, pelo menos sete eram ‘forasteiros’ (termo pejorativo que sobretudo o clã Rosado sempre utilizou para demarcar Mossoró como possessão sua): Galeno Torquato, Fernando Mineiro, Getúlio Rêgo, Adenúbio Melo, Bispo Francisco de Assis, Kelps Lima e Jacó Jácome.

O ex-vereador, ex-vice prefeito (duas vezes) e ex-prefeito (duas vezes) de Areia Branca, Manoel Cunha Neto, o “Souza”, não deve ser rotulado como um estranho a Mossoró.

Essa alteração brusca num espaço de quatro anos, em parte pode ser explicado pela maior opção de nomes locais fortes, fora da política de ‘eugenia rosadista’ (conceito de purismo e superioridade familiar dos Rosados). Cresceu também um movimento político nacional de contraposição à elite política, aos sistemas tradicionais, que inclusive promoveu a maior mudança de todos os tempos no Congresso Nacional.

Em Mossoró, não deve ser deixado de lado e estudo precisa ser aprofundado, quanto ao fenômeno negativo da votação maciça em 2014 em favor de Galeno Torquato (PSD), eleito com a força da máquina municipal e prestígio, à época, do então prefeito Francisco José Júnior (PSD). Ele empalmou 12.306 (12,19%) sem ter mínima identidade com o local. Depois, sumiu.

Talvez encontrasse dificuldades em sair a pé do adro da Catedral de Santa Luzia e chegar à margem esquerda do rio Mossoró, que fica pouco mais de 500 metros. Apesar disso, acabou como segundo mais votado no município.

Agora, 2022

Para 2022, há outro cenário bem diferente de 2014 e 2018. Contudo, ele deve confirmar essa tendência de voto maciço do eleitor nativo em “candidatos da terra”.

Allyson Bezerra é um fato novo antecipado que se acrescenta ao cenário de 2022 em Mossoró (Foto: Allan Phablo/arquivo)
Allyson Bezerra é um fato novo antecipado que se acrescenta ao cenário de 2022 em Mossoró (Foto: Allan Phablo/arquivo)

Entre as peculiaridades do próximo pleito, há o ocupante do Palácio da Resistência, sede da municipalidade: prefeito Allyson Bezerra (Solidariedade), talvez maior fenômeno em muitas décadas da histórica política mossoroense, eleito deputado estadual em 2018 e prefeito em 2020, sem nenhum apoio relevante. Duas vitórias incomuns, inesperadas e como “azarão”.

É provável que ele não repita o pecado mortal de “Silveira”, o prefeito em 2014, ‘importando’ alguém de outras plagas. Contudo, precisará ungir nome a estadual e até mesmo a federal, que representem a cara e os conceitos que prometeu empregar na gestão pública e na política. Eis a questão.

Outro aspecto a desenhar essa inclinação para o voto castiço em gente de DNA de Mossoró, ou de profunda afinação com o município, é a própria legislação: partidos precisarão de mais e mais candidatos que impulsionem votação e eleições. Existem exigências da legislação para alcance de patamares da chamada clausula de barreira (ou cláusula de desempenho – veja AQUI), ou muitos partidos perderão espaços em propaganda política, representatividade parlamentar em Brasília e milhões em recursos financeiros.

Portanto, 2022 deverá existir uma enxurrada de candidatos locais à Assembleia Legislativa e bom número também à Câmara dos Deputados. Uma “boa casadinha” pode resultar em votações significativas.

Mossoró não tem dono, mas cobra

Saliente-se, que nenhum pretenso nome a estadual ou federal longe dos limites de Mossoró deve esmorecer ou desistir de investir em nacos de votos nesse colégio eleitoral. Primeiro, porque é legítimo; segundo, pela abundância de eleitores. E, terceiro, porque Mossoró não tem dono.

Galeno e Francisco: dupla desterrada após 2014 (Foto: arquivo)
Galeno e Francisco: dupla desterrada após 2014 (Foto: arquivo)

Mais: não seguir o péssimo exemplo de Francisco José Júnior e de Galeno, só fará bem a quem for votado em Mossoró.

Vale lembrar, que depois de obter 12.306 votos em 2014, o deputado foi reeleito em 2018 com apenas 315 votos dos mossoroenses. Punido pelos desdém.

Francisco José Júnior, pior ainda. Após ser eleito à prefeitura em disputa suplementar em maio de 2014, com 68.915  (53,31%) votos, na tentativa de reeleição em 2016 não conseguiu concluir a campanha. Desistiu.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo  TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI e Youtube AQUI.

Combate à pandemia vira guerra política com ‘culpados e inocentes’

Rodou, rodou, rodou e desabou em Mossoró a crise política entre a governadora Fátima Bezerra (PT) e o prefeito natalense Álvaro Dias (PSDB). Coube a infantaria da governante se apressar em criminalizar alguém, pela escassez e falta da D2 (segunda dose) de vacina Covid-19 em solo mossoroense, escudando Fátima. E, por analogia, reforçando erros ou hipotéticas falhas do executivo de Natal.

Na quinta-feira (22) e sexta-feira (23) passadas, em entrevistas a importantes programas e canais de comunicação como o Jornal da Tarde (Rádio Rural) e Cenário Político (TV Cabo Mossoró), a vereadora Marleide Cunha (PT) avaliava a gestão do prefeito Allyson Bezerra (Solidariedade) como boa, em especial na Saúde. Era justamente o combate à pandemia da Covid-19, segundo ela, esse destaque.

– Ele (Allyson) está indo bem, está enfrentando bem os desafios da pandemia; vacinação está fluindo, não estamos perdendo tempo com vacina estocada (…). A gente não tem o que criticar – disse Marleide, textualmente, ao Cenário Político do dia 22 (quinta-feira) – veja AQUI e no boxe acima. Na sexta-feira no Jornal da Tarde, a mesma análise.

No domingo (25), a vereadora surtou. Com a eclosão pública do problema da falta de vacina, ela mudou radicalmente o discurso e a apreciação dos fatos. Orientação vinda da Governadoria levou Marleide a culpar o prefeito e a “falta de planejamento” pelo problema. Saiu de cena aquela vereadora moderada e sensata, para entrar no palco a militante que cumpre ordens cegamente.

Importante assinalar, que nesse período de tensões com a pandemia, Alysson topou o alinhamento com medidas restritivas adotadas por Fátima, mesmo pontualmente pensando diferente. Inclusive, conversou diretamente com vários prefeitos, defendendo necessidade desse esforço comum.

Marleide mudou completamente o discurso, sob pressão da Governadoria (Reprodução BCS)
Marleide mudou completamente o discurso, sob pressão da Governadoria (Reprodução BCS)

Assumiu desgastes com setores produtivos em Mossoró, sem bônus algum e sem compor sistema político de Fátima Bezerra. Não quis jogar para a “plateia”, como parece ser o caso de Álvaro Dias em Natal com atrasos há três semanas.

A comparação Natal-Mossoró que o PT, Marleide e também a deputada estadual Isolda Dantas (PT) tentam fazer, é um mero exercício politiqueiro, sem pensar no todo. Em questão de horas, ambas mudaram de opinião.

Imprescindível passou a ser blindar a governadora, principalmente após pesquisa recente veiculada no final da semana passada, em que o prefeito apareceu com estonteante aprovação em Mossoró.

A mudança do petismo não levou em conta nada além de proteger a Fátima Bezerra e cálculos para 2022. Em momento algum se parou para pensar, por exemplo, na necessidade de se continuar a vacinação. Em tese, essa deveria ser a prioridade.

Rosadismo e rosalbismo

A pressão político-partidária e social para se utilizar a segunda dose da CoronaVac também fez parte do arsenal do rosadismo e do rosalbismo. Botou sua tropa amestrada para culpar o prefeito, insinuando até que o município não o utilizava àquele momento, por pura ‘maldade’.

O vereador Francisco Carlos (PP) empunhou bandeira para uso da reserva técnica. Veja no print abaixo (dia 1º de abril) uma de suas postagens. A vereadora Larissa Rosado (PSDB) foi outro nome a advogar essa tese, cobrando o prefeito. Em redes sociais, militantes foram ao ataque de forma orquestrada, jogando opinião pública contra Allyson Bezerra.

Vereador rosalbista, Francisco Carlos cobrava utilização de todas as vacinas e pressionava governo (Reprodução BCS)
Vereador rosalbista, Francisco Carlos cobrava utilização de todas as vacinas e pressionava governo (Reprodução BCS)

Agora, muitos dos que adotaram essa posição de ataque, calam-se. Fazem pose de estátua.

Outros, acabam adotando o discurso lavrado na Governadoria, como se fosse um memorando.

E tem os que apenas estão preocupados em promover o caos, espalhar cizânia e solapar qualquer coisa que possa funcionar minimamente no município. O povo que se dane.

Solução nacional virou problema

No dia 19 de março, a Frente Nacional de Prefeitos (FNP) mandou um ofício ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ao ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e ao então indicado para o ministério, Marcelo Queiroga. Pedia que pelo menos 90% das doses da CoronaVac pudessem ser usadas para a primeira dose.

Dia 20 de março Governo Federal dá orientação que hoje preocupa (Reprodução BCS)
Dia 20 de março Governo Federal dá orientação que hoje preocupa (Reprodução BCS)

Acabaram atendidos além disso. Poderiam utilizar 100%, segundo o Governo Jair Bolsonaro. Pouco mais de um mês depois o cenário é outro.

No dia 20 de março (veja AQUI), textualmente o Governo Federal proclamou orientação a estados e municípios para que não guardassem a segunda dose. Podiam utilizá-las que não faltariam os imunizantes.

Já dia passado, segunda-feira (27), o novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, admitiu preocupação com o que tinham decidido em março.

O problema vai se agravar por mais alguns dias, falou:

Leia também: Governo não tem CoronaVac e lamenta ter estimulado uso da 2ª dose.

A falta da D2 não está restrita a Mossoró e Natal. Vários outros municípios, centenas e provavelmente milhares, no país, entraram na mesma situação.

Veja outro caso dessa anomalia nacional: o município de Nova Santa Rita no Rio Grande do Sul, com pouco menos de 30 mil habitantes, queixa-se publicamente de falta de vacinas. Está com paralisação no serviço e cobra o Governo Federal pelo problema.

Em Mossoró, o culpado é o prefeito, segundo o PT e a banda Rosado da oposição.

No RS encontraram outro culpado (Reprodução BCS)
No RS encontraram outro culpado (Reprodução BCS)

O prefeito do município gaúcho é  Rodrigo Battistella (PT), vale lembrar.

Lamentavelmente, no caso de Mossoró a politicalha ocupa o lugar da razão e da negociação elevada, como vinha ocorrendo diretamente entre o prefeito e a governadora.

Prioriza-se o sofisma.

Muda-se de opinião e joga-se a opinião pública contra A ou B, por oportunismo. Puro cinismo. Favor não confundir com “desonestidade intelectual”, eufemismo produzido nas academias para suavizar condutas de má-fé.

Agilizar vacinação, como foi feito em Mossoró, inclusive sob elogios de quem agora amaldiçoa seus responsáveis, foi diligência diferenciada – assim falavam os detratores de agora.

Leia também: Mossoró vacina 2.348 pessoas, mas não tem estoque à 2ª dose.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo  TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI e Youtube AQUI.

Saúde é referência em números, mas falta ser eficiente e humana

O Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) registra que Mossoró possui 468 empresas do ramo instaladas na cidade, entre hospitais e clínicas, por exemplo.

São três faculdades de Medicina em plena atividade.

Estrutura de saúde pública e privada e quantidade de médicos desenham polo de saúde em Mossoró (Foto ilustrativa)
Estrutura de saúde pública e privada e quantidade de médicos desenham polo de saúde em Mossoró (Foto ilustrativa)

Pelo menos nove hospitais (privados, filantrópicos e públicos) estão em atividade em Mossoró, desde o de perfil geral como o Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM) ao que tem especialização no câncer – o Hospital da Solidariedade.

O Hospital Maternidade Almeida Castro (HMAC), sob intervenção federal desde 2014, realiza cerca de 580 partos/mês. A maioria chega de outros municípios. São em média 55% de parturientes de mais de 50 municípios (incluindo Ceará) e 45% de Mossoró.

O Conselho Regional de Medicina (CRM) assinala que oficialmente são  799 médicos atuantes/residentes nesse endereço geográfico, mas se sabe que há número bem acima disso trabalhando diariamente em plantões ou clinicando ocasionalmente, em Mossoró.

Muitos médicos

“Estimo que pelo menos 30% a mais de médicos atuem em Mossoró como flutuantes, que não foram captados pela pesquisa do CRM”, comenta um profissional da área. “Isso daria 1.040 médicos”, complementa.

No RN, ao todo, o CRM tem 10.995 médicos cadastrados. Cerca de 7,9% deles em Mossoró.

O Brasil tem hoje mais do que o dobro de médicos que tinha no início do século. Em 2000, eram 230.110 médicos. Em 2020, eles somam 502.475 profissionais. Nesse período, a relação de médico por mil habitantes também aumentou significativamente, na média nacional. Passou de 1,41 para 2,4.

É o que mostra o estudo Demografia Médica no Brasil 2020, resultado de uma colaboração entre o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Universidade de São Paulo (USP) – veja AQUI.

Se Mossoró tiver avaliação apenas pelos médicos registrados no CRM, essa relação é exponencial e bem acima da média nacional. Chega a 3,46 médicos/1000 habitantes.

A média de médico/habitantes em Mossoró é superior a países de patamares significativos em Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), como Chile (2,5), Estados Unidos (2,6), Canadá (2,7) e Reino Unido(2,8).

Serviço público

Essa mostra explica – mesmo superficialmente – como Mossoró transformou-se num polo de saúde nos últimos anos, sendo referência para população que vai muito além de seus limites territoriais. Para a cidade migram pacientes de dezenas de municípios, incluindo áreas no sertão paraibano e Vale do Jaguaribe (CE).

Prédio está em escombros, coberto pelo lixo,mato, com esgoto à porta e plana 'novinha em folha' (Fotos: BCS)
UBS no bairro Pereiros foi deixada em escombros, mas com divulgação de obras, pela administração passada (Fotos: BCS/arquivo)

A sobrecarga no serviço público de saúde, sem pactuação entre as prefeituras, concorre para esgotamento do atendimento ao paciente nativo. Porém, é certo, que em boa parte não justifica a falta de médicos em várias Unidades Básicas de Saúde (UBS’s), problema que se arrasta há muitos anos.

Na atual gestão, a promessa do prefeito empossado há pouco mais de 60 dias, Allyson Bezerra (Solidariedade), é de que esse holocausto diário da periferia à zona rural chegou ao fim (veja AQUI). Que assim seja. Uma medicina eficiente e humana, é o que sobretudo o povão espera.

Se funcionar, será bom para todos em vez de ser excelente para poucos.

Seus antecessores brincaram e negligenciaram com o sofrimento alheio. Em parte, a razão é de que sempre que precisaram (e seus familiares), eles tinham a estrutura privada para servi-los. A massa-gente que se virasse ou morresse mesmo à míngua.

“A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”, assinala a Constituição do Brasil.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo  TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI e Youtube AQUI.

Prefeitura de Mossoró tem dívida que passa dos R$ 855 milhões

A equipe econômica da Prefeitura Municipal de Mossoró detalhou o consolidado de dívidas contraídas nos exercícios anteriores. O montante passa de R$ 855 milhões. Os secretários detalharam a gravíssima situação do erário municipal, em entrevista coletiva à imprensa na manhã dessa quinta-feira (28), no auditório da Estação das Artes Elizeu Ventania.

Secretários fizeram apresentação hoje pela manhã, de dados coletados de fontes oficiais (Foto: PMM)
Secretários fizeram apresentação hoje pela manhã, de dados coletados de fontes oficiais (Foto: PMM)

De acordo com os secretários de Planejamento (Frank Felisardo), de Administração (Kadson Eduardo, que acumula com Gabinete), de Finanças (Edmilson Júnior), da Controladoria Geral do Município (Humberto Fernandes) e da Procuradoria Geral do Município (Raul Santos), a dívida consolidada é de R$ 855.012.292,97. A maior parte é com fornecedores e prestadores de serviço. Ela chega a mais de R$ 252 milhões. O passivo com o Instituto Municipal de Previdência Social dos Servidores de Mossoró (Previ-Mossoró) ultrapassa os R$ 233 milhões.

Para chegar a esse conteúdo de informações e seu detalhamento, o atual governo consultou diversos órgãos, autarquias e fontes oficiais, para ter o exato tamanho das obrigações existentes.

“Nós tivemos uma dedicação árdua ao longo desses 27 dias, para identificação de sua estrutura. Consultamos a Receita Federal, Tesouro Nacional, a Fazenda Nacional, os próprios relatórios do sistema orçamentário, financeiro e contábil da Prefeitura e ao longo desse período nós fomos juntando informações e captando de fontes reais e verdadeiras e mapeando toda a situação da Prefeitura”, explicou o secretário de Planejamento Frank Felisardo.

Ele enfatizou há o empenho de todos para que as contas sejam equacionadas.

Situação complexa

“É uma situação complexa e que nos deixa numa situação relativamente delicada, porém já existe um grande compromisso da Prefeitura de Mossoró e de toda a equipe econômica, jurídica, de nós traçarmos estratégias e planos de ação, analisando as questões financeiras, orçamentárias, contábeis e jurídicas para que a gente consiga equacionar a realidade de dívidas que nós temos de mais de 855 milhões com o orçamento que foi previsto para 2021”, reforçou Felisardo.

O chefe de Gabinete, Kadson Eduardo, disse que toda a equipe concentra esforços para sanar as dívidas. “A partir de agora nós estamos concentrando todas as nossas forças em fazer o processo de reconhecimento dessa dívida. Infelizmente, não é algo tão rápido, tão simples de fazer, tendo em vista que conforme já foi divulgado, houve anulação de empenhos, houve anulação de liquidações, algumas dívidas estão surgindo no decorrer desse mês”, relatou.

Calendário de pagamentos

Kadson Eduardo também disse que até o próximo dia 22 de fevereiro será apresentado o calendário de pagamento dos salários atrasados dos servidores, como também de fornecedores.

Maldade

“A Administração está num esforço muito grande para que nós possamos cumprir com as nossas obrigações e que o povo e os fornecedores não venham a ser prejudicados por atos que, lamentavelmente, caracterizam verdadeira maldade”, avaliou.

Presença

Alguns vereadores compareceram à coletiva de imprensa: Isac da Casca (Vice-presidente da CMM), Carmem Júlia, Cabo Tony Fernandes, Genilson Alves, Didi de Arnor, Edson Carlos, Costinha, Ricardo de Dodoca e Omar Nogueira. Gideon Ismaias e Pablo Aires enviaram representantes.Prefeitura de Mossoró - Governo Allyson Bezerra - Secretários mostram dívida superior a R$ 855 milhões 28-01-2021. RESUMO das dívidas em banner

Veja a composição da dívida:

Dívidas judiciais saúde: R$ 20.121.212,45
INSS aposentadoria: R$ 91.469.986,89
Previ/aposentadoria: R$ 233.168.328,03
Salários, 13° salário, férias: R$ 16.701.509,61
Fornecedores e prestadores de serviços: R$ 252.146.307,52
Afim: R$ 12.000.517,98
PASEP: R$ 7.552.513,68
Caern e Cosern: R$ 41.630.409,61
Bancos: R$ 169.031.829,63
Precatórios: R$ 10.965.659,00
Restituições: R$ 224.018,57
Total da dívida: R$ 855.012.292,97 milhões.

INSCREVA-SE em nosso canal no Youtube (AQUI) para avançarmos projeto jornalístico.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo  TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI e Youtube AQUI.

‘Meu amor passou por aqui’, um circuito de belezas e sabores

Por Carlos Santos

Ideia dele. Coisa dele. Sim, do jornalista e produtor de eventos Chrystian de Saboya.

Há muito ele aterrissou de vez (de vez mesmo?) em Natal, tangendo sua vida e de sua família com mil ideias, eventos, arrumações (aqui no sentido mais amplo e polissêmico da palavra).

Lugares simples, impactados pela beleza da natureza e das pessoas, além das arrumações de Chrystian (Fotos divulgação)
Lugares simples, impactados pela natureza e pessoas, além das arrumações de Chrystian (Fotos divulgação)

Mas, quem disse que largou o sertão e o mar desse lado, das banda de Mossoró e Tibau? Nada de Tibau do Norte, por favor. Isso é invenção de quem não conhece minimamente os topônimos potiguares.

Irrequieto, Chrystian não parou na quarentena, sessentena, noventena… A partir de Tibau, por meses vem percorrendo a beira-mar do Rio Grande do Norte, nesse pedaço do Atlântico, até à vizinha Icapuí, pedaço cearense que até parece uma extensão do próprio RN.

Esse périplo não é só para desfrutar de belezas naturais tão idílicas. Seu olhar, tato de midas, vai mais além. Criou o projeto “Meu amor passou por aqui”. Transformou lugares, motivou gente empreendedora e atrai o olhar, paladar, olfato e todos os sentidos de muitos que não sabiam existir tanto para se desfrutar nesse pedaço de terra idílica.

“Já podemos fazer um circuito gastronômico entre Tibau no Rio Grande do Norte e Icapuí no Ceará, aproveitando também muitas belezas e o carinho das pessoas”, diz ele.

Oito locais receberam sua visita e foram modificados, arrumados, ajustados, embelezados para que se tornassem ainda melhores. Sua intervenção inclui decoração, mobília, cardápio, treinamento e uso de redes sociais, por exemplo. Quanto aos sabores….Delícias, que se diga!

Ao longo de cerca de 40 quilômetros de costa, com acesso pela BR-304 e RN-013 (Mossoró-Tibau) duplicada, Chrystian fez uma pequena revolução no visual, nos costumes, sem tirar o charme e o sabor da boa mesa. Esses pontos de sua iniciativa podem ser conhecidos a partir de Mossoró, distante 42 quilômetros de Tibau.

Ele mesmo fala e descreve os lugares em Tibau e Icapuí, que fazem a diferença no “Meu amor passou por aqui”. Que fique claro: passaram por seu teste rigorosíssimo de qualidade e abuso (tem que ter, claro).

Tibau

A Casa dos Ventos, Restaurante Nolasco e Junny’s lanches estão em Tibau, bem localizados e com boas credenciais. “Esses dois últimos há décadas estão brilhando sobre o mar da praia cantada.

“Pão & Sopa do empresário Nilo Nolasco, também abriu suas portas para o verão 2021”, avisa ele.

“São lugares carregadas de afeto, com comida deliciosa, arrumadinhos que dão gosto e merecem, de verdade, a presença de todos nós”, canta Saboya.

Para limpar a 'vista' em Redonda, na Casa da Gil (Foto: divulgação)
Para limpar a ‘vista’ e forrar o bucho em Redonda, eis a Casa da Gil (Foto: divulgação)

Icapuí

Saindo em direção à cidade Icapuí, você escolhe se quer trecho asfaltado ou beira-mar. Pela CE-261, cerca de 20 quilômetros separa seu núcleo urbano de Tibau. Rapidinho a gente chega num canto e noutro.

“Na praia da Placa, a barraca de dona Chaguinha é um sucesso. Na Mutamba, encontramos dona Irene e o seu lindo Icapuí Bom Café. Na Requenguela temos o maravilhoso João Velho”, vai descrevendo Chrystian de Saboya.

“Na praia da Redonda, que tem um dos visuais mais lindos desse planeta, o que era o restaurante ‘Bela Vista’ se transformou, para homenagear a sua dona, mulher guerreira, que já rodou o mundo e tem uma comida excepcional,  no Casa da Gil”, aponta.

E quando você pensar que já não tem mais nada, ainda se depara com o maravilhoso Garfo com Letras, em Ponta Grossa, “de Vanessa e Timóteo. O restaurante é de uma lindeza sem igual”, avaliza.

Olhar e paixão

“Todas as ‘reformas’, cobertas de cores e de respeito ao ser humano, aos seus ofícios, foram bancadas pelos meus eventos e por um mar de amigos”, diz Chrystian.

Sobre o projeto em si, o “Meu amor passou por aqui”, é uma aposta que ele conduz há cerca de oito anos. Poético, Chrystian justifica o que fez e faz: “Essa ideia abraça a vida e o ofício de pessoas alcançadas pelo meu olhar, vagabundo coração”.

O turismo na região denominada há poucos anos de “Rota das falésias”, com articulação de empresários do Ceará e do Rio Grande do Norte, é muito mais presente na banda cearense. Infraestrutura – como estradas, hotéis/pousadas, restaurantes, formação profissional – não para de ser melhorada por lá.

Chrystian: é ele, por ele mesmo (Auto-retrato)
Chrystian: é ele, por ele mesmo (Auto-retrato)

Na parte do Rio Grande do Norte, tudo parece teimar e concorrer para refrear o enorme potencial do que se denomina de “Costa Branca”, em que Tibau está incluída. A praia dos mossoroenses, é também de muitos paraibanos, outros tantos potiguares e mesmo cearenses.

Chrystian é um, entre outros, fazendo sua parte, dando sua contribuição, não esperando apenas sombra, sol, água fresca e mar.

Não satisfeito, complementa o porquê dessa dedicação: “Basta eu olhar e me apaixonar. Apaixone-se também!”

Tá tranquilo, tá favorável.

Vamos!

INSCREVA-SE em nosso canal no Youtube (AQUI) para avançarmos projeto jornalístico.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo  TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI e Youtube AQUI.