sábado - 13/11/2021 - 11:52h
Procura-se

Justiça tenta localizar e notificar a ‘incondenável’ Rosalba Ciarlini

Outra vez a ex-prefeita mossoroense não é encontrada para apenas receber uma comunicação

A Justiça do RN não está localizando a ex-prefeita Rosalba Ciarlini (PP) para lhe entregar notificação relativa a mais uma Ação Civil de Improbidade Administrativa em que é ré. O endereço assinalado como de sua moradia é o do Sítio Cantópolis, onde há cerca de duas décadas não reside mais, à rua Almir de Almeida Castro, número 5, centro de Mossoró, CEP 59610-010.

Porém, é difícil acreditar que uma pessoa pública, que reside em Mossoró, e que nas últimas semanas começou trabalho nas ruas e em redes sociais para nova campanha eleitoral, não seja encontrada.

Rosalba Ciarlini é um fenômeno de invisibilidade, mesmo sendo figura pública de fácil localização (Foto: José Aldenir/Arquivo)

Rosalba Ciarlini é um fenômeno de invisibilidade, mesmo sendo figura pública de fácil localização (Foto: José Aldenir/Arquivo)

Vamos dar uma força aos oficiais de Justiça: atualmente, a jurisdicionada Rosalba Ciarlini Rosado está albergada no Condomínio Varandas do Nascente, apartamento 801 B, Rua Dalton Cunha, número 1003, CEP 59.611-270, bairro Abolição I. É seu terceiro endereço em Mossoró, nos últimos quatro anos.

O processo sob o número 0860384-32.2019.8.20.5001 foi desencadeado a partir de denúncia da 60ª Promotoria de Natal do Ministério Público do RN (MPRN), onde são descritas decisões dela à época como governadora do RN (2011-2014), caracterizando “Improbidade Administrativa, Dano ao Erário e Violação aos Princípios Administrativos”. Além da ‘Rosa’, é réu o ex-secretário do Planejamento e Finanças Obery Rodrigues Júnior.

A demanda corre na 4ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Natal, com o valor da causa sendo estabelecido em R$ 100 mil.

Irregularidades e atraso salarial

Nos autos, o MPRN afirma: “O que se observou foi uma grande irresponsabilidade fiscal, por meio de atos comissivos e omissivos dolosos, no gerenciamento dos restos a pagar, notadamente diante da ausência de saldo positivo na disponibilidade de caixa líquida na sua respectiva fonte de recurso para inscrição em restos a pagar não processados; disponibilidade de caixa bruta menor do que o valor das obrigações financeiras referentes aos empenhos de despesas já liquidadas; pagamento de despesas indicando a utilização de fonte de recursos com disponibilidade de caixa líquida inferior ou negativa.

Além disso, constatou-se que o Governo do Estado do Rio Grande do Norte utilizou-se do artifício de lançamentos de pagamentos de despesas que, na realidade, não eram revestidas de lastros financeiros, com fonte sem disponibilidade de caixa representando, assim, despesas sem empenho e sem autorização legislativa e, sobretudo, comprometendo os recursos do orçamento corrente (…).

“Conforme apontamentos da DDP/TCE que evidenciam a gravidade da questão: ‘ao que tudo conduz a causa da falta de recursos financeiros para pagamento dos servidores públicos estaduais foi a utilização de recursos ordinários e referente à receita orçamentária do exercício de 2013 para pagamento de despesas que não faziam parte do orçamento’”, acrescenta o MPRN. Ou seja, com procedimentos irregulares, a governadora acabou levando Estado a atrasar salários de forma continuada por mais de um ano.

Fenômeno da invisibilidade

Sem mandato eletivo desde 1º de janeiro deste ano, em face de ter sido derrotada em 15 de novembro do ano passado, quando tentava a reeleição como prefeita de Mossoró pela quinta vez, Rosalba de novo consegue a proeza de se tornar invisível, pelo menos aos olhos do judiciário.

Não é a primeira vez que ela incorpora esse fenômeno da física, como se fosse um metamaterial ou figura de filme de ficção científica de Hollywood.

Respondendo a dezenas de processos, a ‘incondenável’ Rosalba (próxima de bater a casa dos 70 anos de idade) chegou a ficar cerca de um ano e dois meses ‘desaparecida’ entre o fim do mandato de governadora e posse como prefeita em janeiro de 2017.

Hospital da Mulher é um caso de corrupção que se arrasta há mais de 9 anos (Foto: arquivo)

Hospital da Mulher é um caso de corrupção que se arrasta há mais de 9 anos (Foto: arquivo)

Foi esse o tempo que um batalhão de oficiais de Justiça levou para intimá-la, em um dos processos que tratam de desvio de algo em torno de R$ 12 milhões do Hospital da Mulher Parteira Maria Correia, em Mossoró. O Inquérito Civil Público (ICP) foi instaurado dia 30 de agosto de 2012, portanto há mais de 9 anos. Segue num encolhe-estica sem fim. Provavelmente, sem fim mesmo.

Seu patrimônio já chegou a ser bloqueado algumas vezes (veja AQUI). Várias, que se diga. Mas, conforme declaração de bens à Justiça Eleitoral, a ex-prefeita ‘pobrezinha’ não tem sequer uma casa para morar ou conta poupança. Constam apenas dois carros velhos na garagem, um deles até encostado em oficina em Natal.

Mão na Bola e Polícia Federal

A dificuldade sobrenatural que a Justiça do RN tem para abordar a ex-prefeita e ex-governadora é diametralmente oposta à competência da Polícia Federal para outro fim.

No dia 10 de dezembro de 2019, por exemplo, em um apartamento no bairro Nova Betânia em Mossoró, alugado em nome de terceiros, Rosalba teve que abrir a porta para agentes dessa autarquia, que tinham mandado de busca e apreensão em mãos (veja AQUIAQUI).

Foi a eclosão pública da Operação Mão na Bola, que investiga corrupção na edificação e gestão da Arena das Dunas em seu governo estadual.

Leia também: Processo de desvio do Hospital da Mulher segue se arrastando.

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Categoria(s): Justiça/Direito/Ministério Público / Política / Reportagem Especial

Comentários

  1. Wendell Stewart da Costa Silva diz:

    Eu estou com vontade de comer laranja 🍊, muitas laranjas pois são ricas em vitamina C. E vocês?

  2. Fernando diz:

    Ra ra ra , nem me pega!

  3. Inácio Augusto de Almeida diz:

    Estou vendo a comédia PROCURA-SE SUSAN DESESPERADAMENTE.
    Para quem gosta de rir recomendo, com empenho, este filme.

  4. Inácio Augusto de Almeida diz:

    Quando é que vão procurar PACHECO para que explique não ter feito a doação de 15 milhões de reais para a construção do Santuário de Santa Luzia.
    Pacheco disse que recebeu uma mensagem divina.
    Nunca Pacheco vai ser localizado para explicar o porquê de ter desistido da doação?

  5. Francisco diz:

    Esse Oficial de justiça é uma VERGONHA

    • Inácio Augusto de Almeida diz:

      Menos, Francisco, menos.
      Ou você desconhece que luzes estranhas estão aparecendo nas noites mossoroenses.
      Não podemos descartar um caso de abdução.
      Ou podemos?

  6. Inácio Augusto de Almeida diz:

    Mossoró tem incondenável?
    E eu pensando que Mossoró só³ tinha imprendível.
    Santa inocência a minha.
    Aqui do lado Zé Buchudinho me pede para avisar que todos devem colar os ouvidos ao chão.
    Índios, cara pálidas, amarelos, negros e brancos. TODOS!
    E mais Zé Buchudinho não disse.

  7. M.D.R. diz:

    A EX-GOVERNADORA ROSALBA, tem que explicar ao judiciário que durante os 04 anos de GOVERNO, não deu reajustes ao funcionalismo e que por Lei tem direito. E, os anos dos aumentos foi destinado para qual setor do serviço público.

  8. Carlos diz:

    Toda essa celeuma pra continuar dando em pizza.

  9. heytor george diz:

    Omissão por parte do Poder Judiciário, o CNJ – Conselho Nacional de Justiça, há muito tempo, Bastante tempo, regulamentou a citação, intimação via aplicativo de Mensagem, assim causa estranheza a não intimação, enquanto isso a Policia Federal, processo que tramita na justiça Federal, cumpriu mandado de busca e apreensão na residência da ex- prefeita, bateu bem cedinho no seu AP, NÃO TEVE NENHUMA DIFICULDADE DE ENCONTRA-LA, o oficial de justiça poderá buscar informações frente a PF, para que seja cumprida a determinação Judicial, para que não responda por improbidade administrativa, prevaricação.

  10. Naide Maria Rosado de Souza diz:

    Esse “pobrezinha” da Reportagem Especial tem aspecto denotativo ou conotativo?

    • Inácio Augusto de Almeida diz:

      Esta sua pergunta me lembrou um fato que presenciei numa pequena cidade maranhense.
      A mesa cheia de garrafas de cerveja vazias e o jornalista Conversinha discutindo com o fotógrafo se o certo era dizer a rural se atolou ou a rural atolou-se.
      Na mesa estava o prefeito da cidade, alguém tinha que pagar a despesa.
      Quando a discussão já estava virando briga, eu entrei de bombeiro e sugeri que o prefeito decidisse.
      O prefeito não se fez de rogado e perguntou com ar professoral:
      – A rural atolou os pneus da frente ou os trazeiros?
      Conversinha disse que a eural tinha atolado os 4 pneus.
      O prefeito decidiu a parada:
      -Se a rural tivesse atolado os pneus dianteiros o certo seria dizer a rural se atolou. Se tivesse atolado apenas os pneus trazeiros o certo era a rural atolou-se. Como o atolamento foi total o certo é A RURAL SE ATOLOU-SE.
      Ohei para o Conversinha que parabenizava o prefeito e pedia mais uma cerveja.
      Aproveito a resposta deste prefeito e dou sua pergunta, Sra. Naide Rosado, como respondida.
      O Artur continua estudioso e torcendo pelo Fluzão?

  11. Naide Maria Rosado de Souza diz:

    Artur não tem estudado o quanto eu gostaria, mas sabe a diferença entre o sentido denotativo e conotativo das palavras.
    Quanto ao Flu, dedicação sempre!

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