O primeiro debate entre quatro dos sete candidatos ao Governo do RN, ocorrido neste domingo (9) em Natal, no estúdio da TV Band RN, não deu sinais de que causará qualquer mudança abrupta no cenário formado na pré-campanha, dias antes do início oficial da disputa. Inaugura, porém, uma nova etapa do pleito.
É pouco provável que tenhamos, de imediato, alguma migração em massa de intenções de voto. O conteúdo, com infindáveis recortes e interpretações, é farto material para propaganda dos marketings em redes sociais, com um vencedor para cada militante. Você escolhe.
Mais do que forjar um vencedor, o debate serviu para mostrar a estratégia de cada um e seus objetivos no programa mediado com energia e equilíbrio pela jornalista Anna Ruth Dantas.
Allyson Bezerra (União Brasil-UB) foi bombardeado pelos três oponentes, confirmando o que mais de 30 pesquisas apontaram até o momento: é o primeiro colocado, favorito e o nome a ser confrontado. Cerco esperado. A postura dos adversários endossa essa avalanche de números em favor dele. Precisava atuar na defensiva para não sofrer perdas e assim o fez, mas ainda reagiu com estocadas contra os oponentes que pareciam “combinados”, como julgou. Cumpriu sua estratégia relativamente bem.
Robério Paulino (Partido Socialismo e Liberdade-Psol) cumpriu o papel de força auxiliar, ou esteira, do candidato Cadu Xavier (PT) — o “Cadu de Lula”, codinome político que o ex-secretário da Fazenda do Estado adotou para a campanha. Foi “Tigrão” para cima de Allyson Bezerra e Álvaro Dias (PL), repetindo acusações e juízos de valor. Com Xavier, o tratamento foi diametralmente oposto: suavizou nas perguntas e até no tom de voz, além de repetir algumas vezes que votava em Lula (PT) para presidente, a fim de não desagradar aos companheiros petistas. Versão “Tchutchuca”. Paz e amor.
Álvaro Dias foi recorrente de não conseguir completar qualquer raciocínio, acusação ou defesa dentro do tempo regrado pelo programa. Parecia impaciente e focou obsessivamente sua presença em tentar encurralar Allyson Bezerra. Não percebeu que por enquanto, ao olhar pelo “retrovisor”, que o seu problema é Cadu Xavier, e não Allyson Bezerra.
Cadu Xavier tabelou com Álvaro Dias quando foi oportuno para ambos. Repetiu que era honesto, reiterou que daria continuidade ao Governo Fátima Bezerra (PT), chegou a criminalizar o empresariado e tentou colar em Allyson Bezerra, de forma implícita e direta, o conceito de desonesto. Foi seu alvo prioritário do começo ao fim.
Porém, irritou-se quando foi confrontado pelo adversário do União Brasil, que mostrou às câmeras cópia de documento de um processo no Tribunal de Contas do Estado do RN (TCE-RN). Cadu é investigado – disse – por ter assinado uma resolução em 2021, no âmbito da gestão estadual, que teria inflado indevidamente os seus próprios ganhos remuneratórios.
O debate deixou claro que a tese da polarização nacional como pauta local, não se confirma nem vai vingar, como durante meses têm pregado Álvaro Dias e Cadu Xavier. Nesse primeiro grande laboratório, o experimento não prosperou.
Eles mesmos e o coadjuvante Robério Paulino optaram por satanizar Allyson Bezerra em vez de lapidar a ladainha do “nós contra eles”, que petistas e bolsonaristas tabelam desde 2018. Faz sentido: Dias já afirmou que não era bolsonarista e Xavier é petista noviço, filiado há poucos meses.
O desenho que se forma é o de uma campanha triplamente plebiscitária. Em julgamento, as gestões municipais de Álvaro e Allyson, além do governo estadual de Fátima Bezerra. Em torno delas, como no debate, vai se desenvolver o duelo pelo voto.
Acesse nosso Instagram AQUI.
Acesse nosso X (antigo Twitter) AQUI.
Acesse nosso Threads AQUI.
Acesse nosso Facebook AQUI.
Acesse nosso YouTube AQUI.
















































