Por Marcos Ferreira
Agora vejo que a semana expirou. A labirintite, um tanto de esquecimento e outro de preguiça findaram por prejudicar o envio de meu texto para o BCS — Blog Carlos Santos. Não bastasse, nocauteado pelos antipsicóticos, hoje só me acordei às nove e quinze da madrugada. É dia 6 de março. Noite veloz. Há pouco eu estava no mercado fazendo umas compras, gêneros alimentícios, quando súbito ouço um bipe. Peguei o telefone. Meu editor (lacônico) havia deixado uma mensagem no WhatsApp me cobrando a fatura.
Foi só aí que esta tarefa me veio à lembrança. “Mais tarde eu mando”, respondi também de modo telegráfico. Sendo franco, não tenho muita convicção disso: tirar da cartola algo dessa ordem assim, em cima da hora. Às sextas, tipo uma poção mágica, é o dia que tacitamente estabelecemos como prazo. Meu laboratório de escrita possui umas fórmulas pouco criativas quanto surradas.
Não tenho, ao contrário de Otto Lara Resende, redação fluente. Escrevo deveras a custo; inicio um parágrafo e por vezes fico sem o que dizer no período seguinte. Quem sabe este pequeno manual para se escrever uma crônica seja útil a alguém. Vou me afundando no lugar-comum, e a necessidade de produzir literatura de qualidade ao menos razoável descamba para o brejo. Estou às voltas com um exercício autopunitivo e sigo tocando esta barca furada a duras penas.
Nem tudo, entretanto, é só engodo e fracasso. É possível, embora apresentando um recurso batido, repisado, avançar no manejo desta sopa de letrinhas. O sabor é de fato ruim, todavia o caldo pode se tornar nutritivo. Claro que ninguém é forçado ou manipulado a consumir este miojo pouco substancial, inapetente. No que se refere ao improviso, contudo, desconfio de que o resultado será exitoso.
Porque uma narrativa deste naipe pode ser elaborada com boa quantidade de rodeios e delongas. Indivíduos de alto coturno no universo das letras passaram e passam por esse tipo de aperto e quase todos, para não faltarem aos seus espaços culturais, optaram por esta velha receita de escrever sobre a falta do que escrever. Então, conforme mencionei algumas linhas atrás, essa malandragem inócua vai devagarinho ganhando peso.
Estou, podem crer no que lhes digo, resignado para receber uma chuva de canivetes. Dou a cara à tapa sem ressentimento algum. Fico imaginando o semblante do solene editor deste blogue diante da minha artimanha palavrosa. O que dirão (ou tão só farão vista grossa) determinados habitantes deste ilustrado recinto de opinião e cultura? Tenho para mim que, no mínimo, devem exibir um ar de decepção. Não lhes condeno os resmungos ou apenas o silêncio. Fazer o quê?! Depois de todo este circunlóquio, após um nariz de cera sem tamanho, posso assegurar que já escrevi algumas coisas bem piores. O que sempre me incomoda é requentar o pão.
Entrementes, assim maculando a pureza desta página, noto que sobrevivi à complexidade da missão: fugir da guilhotina. Meus colegas de blogue (alguns nunca vi mais gordos) podem perfeitamente concluir que sou um escriba de menor estatura, de cabedal nitidamente limitado. Não reúno, por exemplo, o misto de erudição e didática do escritor e causídico Marcos Araújo, meu xará, que é mais difícil de se ver do que um político reeleito.
Existe também, entre outros, a mansuetude cativante do cronista Odemirton Filho. Quanto ao meu tiquinho de leitores, cujos nomes prefiro não citar, de modo a não cometer o pecado da omissão, conto com a tolerância e o carinho deles. Isso não é pouca coisa. Classifico esse tratamento ou indulgência para comigo como um grande privilégio, um voto de confiança de especial nobreza.
De resto, para aqueles que padecem com a falta de assunto, de inspiração, recomendo que não se desesperem. Tomem um gole de café e, por que não, façam uso deste pequeno manual para se escrever uma crônica. Não têm nada a perder. Talvez isto dê certo e lhes salve o pescoço da guilhotina.
Marcos Ferreira é escritor
























…Enquanto isso, vou controlando a minha maluquez, misturada á sua lucidez, na busca incontida por uma tal l Sociedade Alternativa” – coisa dificil de atingir as paralelas da causticante concreude. Haja e aja malucis nesta seara da escrita. Tenho dito.
Prezado xará,
Grato por suas considerações e recomendações.
Uma semana abençoada para você.
Muita saúde e paz.
Abraço.
A compulsão um tanto quanto tragicômica, geralmente é contida pelo crescimento constante dos fantásticos Simões Bacamartes, comansanso suas fantásticas fábricas de “Rapaduras Pretas”, geralmente consumidas junto a punhados de farinha caroçuda, colhidos disfarçadamente nas Feiras-Livres do interior potiguar., Eita !.
…Simões Bacamartes comandando…
Quando eu não conseguir escrever uma crônica, certamente vou me socorrer desse pequeno manual. Como sempre, Marcos Ferreira nos brinda com um texto primoroso. Obrigado pela deferência, amigo.
Um forte abraço e uma semana abençoada.
Querido Odemirton,
Confesso (só a você) que entrei num oito e quase não consegui sair. Apesar dos pesares, dei à luz esse manual pouco recomendável. Grato por sua leitura e depoimento.
Forte abraço.
O BLOG CARLOS SANTOS, atualmente, é o único espaço literario que nos permite encurtar os domingos, dada a oportunida que nos eferece de sair das politicagens e pendengas diárias das TVs, e, com isso, poder “mastigar” satisfariamente, uma diversidade de formas literárias patrocinada por escritores tipicamente mossoroenses, entre os quais, destacamos os dois MARCOS, o Araújo e o Ferreira. Contudo, dada a preguiça do primeiro, eu fico com o segundo que, todos os domingos, nos presenteia com boas crônicas.
Brincadeira a parte, todos nos torna digno a leitura.
Marcos Araújo, de quem tive a oportunidade de conhecer-lhe os primeiros passos, o senhor Marcos Ferreira, que, orgulhosamente se identifica como Cohabeano, Bruno Ernesto, o caçador de coisas raras, Odeirton Filho, o Bairrista e Tibauense de carteirinha, o senhor Honorio Medeiros e, por último, o clássico de histórias antigas o senhor Marcelo Alves. A todos o meu muito obrigado
Prezado Luiz Soares Filho,
Que bom poder contar com sua leitura e opinião. Suas palavras são um grande estímulo. Desejo uma semana abençoada para você, muita saúde e paz.
Abraço.
É o poeta brincando de escrever. Dedilhando seus solilóquios verbais.
Caro poeta Francisco Nolasco,
Muito obrigado, mais uma vez, por sua leitura e mensagem de incentivo. Muita saúde e paz para você e sua família.
Forte abraço.
Você deixa pro último minuto do segundo tempo porque tem segurança que tem bagagem, até pra improvisar. Relaxa e não se deixa pressionar. Sabe que domina. Quem não tem conhecimento de causa, nem se arrisca. É assim que eu percebo! O seu sensor interno é que é muito rigoroso e tenta atrapalhar; mas não vence!
Querida Bernadete Lino,
Ganhei o meu dia com esse seu comentário. Confesso, embora com os pés no chão, que me sinto envaidecido com suas palavras. Que esta semana lhe seja de bênçãos, saúde e paz.
Forte abraço.