Por Josivan Barbosa
Diante da ausência da Universidade do Semiárido, do Instituto Nacional do Semiárido (INSA), da EMPARN e do Governo do Estado, O Centro Nacional da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) Semiárido (Petrolina) resolveu assumir a instalação de área experimental na microrregião de Apodi para testar a adaptabilidade de frutos temperados.
Até o momento os trabalhos estão sendo desenvolvidos na região de Petrolina – Juazeiro e no Ceará (Vale do Jaguaribe). Os resultados são promissores e o nosso Estado ainda não percebeu a importância dessa pesquisa para ampliar as alternativas de frutos produzidos na região.
Os principais frutos testados são maçã, pêra e caqui.
A microrregião de Apodi está mostrando bons resultados na produção de uva, o que pode ser uma excelente alternativa para diversificar a produção de frutas que está concentrada em melão, melancia e mamão.
Felipe Guerra
Aos poucos o município de Felipe Guerra está avançando na atividade da agricultura irrigada. Após a chegada de produtores para o cultivo de melão, melancia, mamão e banana, agora uma grande empresa da região planeja instalar uma área de acerola de cerca de 300 ha. Será a maior área cultivada com a cultura no Estado do RN, mesmo sem o apoio do setor público. A área a ser cultivada será no sistema orgânico, o que representa uma grande inovação para toda a região.
O cultivo de frutos orgânicos (mamão orgânico) em Felipe Guerra foi iniciado há cerca de seis meses com uma parceria de um produtor local (Mossoró) com uma empresa tradicional na produção e comercialização do produto do grupo Formosa.
Acerola orgânica
O cultivo de acerola orgânica tem se destacado no Vale do Jaguaribe e nas regiões serranas do Ceará.
Em Jaguaruana – CE está instalada a maior empresa produtora de acerola orgânica, cujo projeto tem a perspectiva de chegar a 1000 hectares. O cultivo é o mais moderno e, aos poucos, a empresa avança em novas tecnologias para melhorar a qualidade do produto para a colocação nos mercados interno e externo.
Safra do melão
Conversei com vários produtores de melão durante esses últimos dias. Apesar das incertezas frente à pandemia, as perspectivas para a safra 2020/21 são boas. A valorização cambial favorece os contratos de exportação, cujo mercado responde por cerca de 50% do melão e da melancia produzidos na região.
Além do câmbio, o inverno regular e com precipitação acima da média contribuiu para a recuperação da água do lençol freático calcário Jandaíra (baixa profundidade e elevado teor de sais), o que fará com que a água do Arenito-Açu (alta profundidade e baixo teor de sais) seja menos utilizada em relação aos últimos anos. Esse equilíbrio no uso dessas duas fontes de água e de uma terceira que é a água armazenada nas barragens torna a nossa atividade da agricultura irrigada sustentável e muito atrativa para novas empresas.
Perenização da Lagoa do Apanha Peixe
Um dos principais projetos de agricultura familiar do Médio Oeste do Rio Grande do Norte pode se tornar realidade. Nesta semana um grupo de abnegados pela Lagoa do Apanha Peixe, o mais importante manancial da microrregião do Vale do Apodi formou um fórum que levará ao Governo do RN proposta de priorização da perenização da referida lagoa.
Infelizmente, o nosso Rio Grande do Norte não consegue avançar na gestão. Um projeto dessa natureza deveria ter sido incluído no RN Sustentável (RN Cidadão) que pulverizou cerca de mais de R$ 1,5 bilhão durante os três últimos governos e não conseguiu fazer com que mudasse a realidade do agricultor familiar do Médio e Alto Oeste do RN.
A perenização dessa lagoa é um projeto simples, de baixo custo e não ultrapassa R$ 1 milhão.
Perenização da Lagoa do Apanha Peixe II
Em função do baixo custo do projeto e do alcance que representa para a agricultura familiar da região, o Governo do RN deveria urgentemente recomendar ao secretário da pasta que contratasse uma empresa especializada para elaborar em caráter de urgência o projeto básico e, ainda, fizesse a diferença em relação aos antecessores, de abrir o processo licitatório e aproveitar que a lagoa está com o volume máximo para que a comunidade não fosse prejudicada com os cultivos que dependem da água armazenada.
Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)
















































