O ano? Não lembro. Era comecinho da década de 90, redação do jornal Gazeta do Oeste. Ao lado do repórter político Gutemberg Moura e do repórter fotográfico Raimundo Nunes, desabei para a Fazenda São João, coisa aí de uns seis quilômetros – a partir do Centro de Mossoró, às margens da RN-015, rodovia até Baraúna.
Missão: fazermos uma entrevista à estreia da série que criei na Editoria Geral do periódico, denominada de “Conversando com…”. Teríamos bate-papo “pingue-pongue” (perguntas e respostas diretas), para publicação em página inteira no domingo. À nossa espera, o ex-governador Tarcísio de Vasconcelos Maia.
Chinelos de couro, cadeira de balanço, pernas cruzadas, sem nenhuma alteração de voz, com a mesma modulação, ele premiou-nos com uma conversa que fez o Gazeta do Oeste pipocar no interesse do leitor. Gutemberg Moura, assim recordamos há pouco, também não esquece a mesa pro almoço com carneiro e tudo que gostamos da culinária sertaneja. À mesa, ainda, o deputado estadual Carlos Augusto Rosado.
Por que mesmo todo esse nariz de cera (jargão do jornalismo que indica uma abertura longa que não chega ao assunto que interessa)? Por um detalhe que me remete aos dias de hoje, com essa avalanche de pesquisas para todos os gostos e muitas descrenças e dúvidas.
“O que diz a rua?” Assim Doutor Tarcísio emendava a prosa, off da entrevista, assuntando sobre o jogo do poder, a luta pelo voto. Sempre atento a pesquisas, ele conhecia números e o pensamento popular por emaranhados de dados. Mas jamais, jamais mesmo, deixava de ouvir a voz que vinha da massa-gente, do povo.
Era importante o que se dizia pela boca do engraxate, no Café e Bar Mossoró, no Posto Cinco, entre as paredes do Alto do Louvor, na pedra do Mercado Central, no Buraco do Tatu ou Praça do Pax. O rádio e o jornal impresso valiam, claro.
Celular e essa barafunda das redes de horrores sociais não existiam, é importante sublinharmos.
Quando hoje alguém me pergunta se essa ou aquela pesquisa é a certa, calado estou e calado fico. Lembro de Doutor Tarcísio.
“O que diz a rua?”
P.S – No dia 10 de abril de 1998, Tarcísio Maia faleceu no Rio de Janeiro, aos 81 anos. Coincidência essa postagem. Estamos em 10 de abril de 2026.
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