domingo - 15/03/2026 - 15:22h
Mossoró - 174 Anos

Uma história que orgulha o Brasil

Em vídeo da página oficial da Prefeitura de Mossoró, o historiador e pesquisador Geraldo Maia faz um resumo da história do município que completa 174 anos neste domingo (15).

Foi aqui que aconteceram alguns dos maiores atos de coragem do nosso país:

A resistência ao bando de Lampião;

O primeiro voto feminino do Brasil;

A libertação dos escravos antes da Lei Áurea e O Motim das Mulheres

Tantos e tantos acontecimentos colocaram nossa cidade no mapa da história nacional.

Terra de gente valente, de mulheres e homens que nunca tiveram medo de fazer diferente.

Celebrar Mossoró é lembrar de tudo o que já foi conquistado e acreditar em tudo o que ainda podemos construir.

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Categoria(s): Cultura / Gerais
domingo - 15/03/2026 - 12:24h

Lembranças da campanha eleitoral de 1982

Por Odemirton Filho

Arte de Cássio Costa da Agência Senado

Arte de Cássio Costa da Agência Senado

O ano era 1982. Eu tinha somente dez anos de idade. Em ano de eleição, vem à memória campanhas eleitorais que presenciei. Ao lado dos meus pais, que sempre gostaram de ver as movimentações eleitorais, principalmente, os comícios, acompanhávamos pelas ruas de Mossoró as passeatas e carreatas dos candidatos.

Talvez, daí eu tenha herdado o hábito de, até hoje, ficar nas esquinas, “curiando” as movimentações eleitorais dos candidatos de todas as tendências partidárias, em ano de eleição. Como o voto ainda é secreto, somente eu e a urna conhecemos os meus “eleitos”.

Naquela eleição, a disputa para o Governo do Rio Grande do Norte foi entre Aluízio Alves e José Agripino. Foi a primeira campanha eleitoral guardada na minha lembrança. Antes, no entanto, houve campanhas memoráveis, sobretudo as realizadas pelo “cigano feiticeiro”. “Rio Grande do Norte, cem anos avançou, depois que Aluízio Alves se elegeu governador” .

Cabe um regaste histórico: Aluízio Alves foi governador entre 1961 e 1966; Monsenhor Walfredo Gurgel de 1966 a 1971; Cortez Pereira governou de 1971 a 1975; Tarcísio Maia de 1975 a 1979 e Lavoisier Maia de 1979 a 1982. Em 15 de novembro de 1982 houve a eleição para governador. Apurados os votos, depois de dias de expectativa, Zé Agripino obteve 389,677 (57,59%) e Aluízio Alves 283.366 (41,88%).

Na campanha eleitoral de 1982 se falava muito sobre o voto “camarão”. Eu, ainda criança, não entendia bem essa questão, e indagava: que danado é o voto “camarão”? Meus pais devem ter explicado, ou, pelo menos, tentaram explicar.

Lembro que esperamos o candidato, no caso Zé Agripino, para acompanhá-lo na movimentação, no aeroporto de Mossoró. Depois, saímos em carreata/passeata pelas ruas. Era uma ruma de gente; o povo bebendo e cantando as músicas.

Parecia uma festa. E era, na verdade, pois cantores consagrados nacionalmente faziam showmícios, na década de oitenta. Não lembro se à época já tocava a famosa ‘lambada”, música que, até hoje, embala quase todas as campanhas eleitorais.

Como já contei em crônicas anteriores, o ato final da movimentação, o comício, era realizado no largo do Jumbo ou da Cobal. Ali, os candidatos, fossem “bacuraus ou bicudos”, usavam toda a sua oratória para envolver a multidão, falando bonito, utilizando frases de efeito. A retórica permanece a mesma de lá pra cá, apenas saiu das ruas para as redes sociais.

Foi há quarenta e quatro anos. O povo esperava por dias melhores. E ainda espera.

Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos

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Categoria(s): Crônica / Política
  • Repet
domingo - 15/03/2026 - 11:50h

A dona da rua

Por Marcelo Alves

Rive Gauche (Reprodução do WIkipedia)

Rive Gauche (Reprodução do WIkipedia)

Minha estada na festiva Paris, quando jovem, não se resumiu a café e cafeterias. Até acho que, de longe, a coisa que mais fiz foi caminhar. Muitas vezes sem destino, apenas pelo simples prazer de flanar. Pela Rive Droite (a tal margem direita do Sena), do Louvre à Opéra Garnier e pelos bulevares que dali partem. Pela Avenue des Champs-Élysées até o Arc de Triomphe. Pelo entorno do Centre Georges-Pompidou. Pelo agradabilíssimo Marais. E por aí vai.

Entretanto, a minha praia mesmo era a Rive Gauche, especialmente as regiões de Saint-Germain-des-Prés (onde morava) e do Quartier Latin. Sempre que podia, saía do meu hotel na Rue Madame, rezava um Santo Anjo na Igreja de Saint-Sulpice e passava na pertíssima livraria La Procure. Observava muitos rostos no Boulevard Saint-Germain. Chegava no Boulevard Saint Michel. Ali xeretava as enormes livrarias Gibert Joseph e Gibert Jeune. Voltava em direção à Notre Dame e à Shakespeare & Cia. Bisbilhotava os bouquinistes do Sena. E fazia tantas outras coisas que retornava, já tarde da noite, qual o elefante do poeta, invariavelmente fatigado.

Já na mistura de Saint-Germain-des-Prés com Montparnasse, havia uma jornada que eu fazia todos os dias, animado, para assistir aula na Alliance Française, no Boulevard Raspail, 101. E não demorei para descobrir que esse caminho passava em frente a um dos mais significativos endereços da Paris literária: a antiga casa de Gertrude Stein (1874-1946), na Rue de Fleurus, 27.

Conhecia Gertrude Stein de fama e, em especial, das suas memórias “A autobiografia de Alice B. Toklas”, de 1933. Na edição que tenho em mãos (L&PM, 2006) consta: “Mais moderna do que todos os modernos, mais vanguardista do que os cubistas cujos quadros forravam as paredes da sua casa, Gertrude Stein – mulher de opiniões inusitadas, opção sexual heterodoxa, americana auto-exilada na Europa – embebeu sua literatura com o caráter experimental da sua vida”.

Inteligentemente, ela “redigiu a autobiografia da sua amante, apenas para nela aparecer como personagem e narrar suas próprias experiências na terceira pessoa”. E essa sacada, um dos mais coloridos retratos da vida intelectual e artística de Paris, “transformou a influente escritora, crítica e colecionadora de arte Gertrude Stein em um dos célebres nomes da literatura norte-americana da primeira metade do século XX”.

De fora, a famosa habitação, com aquela placa indicando a ex-moradora, logo me pareceu elegante, mas não chique. Mas dizem que era apenas a escritora ou a sua amante abrirem a porta e o visitante quedava impressionado. O interior era luxuoso, com móveis em estilo renascentista italiano. Pouco confortáveis, também dizem. As paredes eram preenchidas, chão a teto, com quadros e telas. E aquele salão, sábado à noite, estava sempre “repleto de gênios, quase gênios e futuros gênios”, nas palavras da própria Gertrude.

De início, gente como Apollinaire, Picasso, Matisse, Braque e Juan Gris, tirando o primeiro, todos pintores, com obras expostas ali. Mas foi com o fim da 1ª Guerra Mundial, na virada de 1919 para os anos 1920, que a coisa, para o meu gosto, tornou-se mais interessante. Como anota Jessica Powell, em “Literary Paris: a Guide” (The Little Bookroom, 2006), uma nova leva de “americanos havia chegado em Paris e novos rostos logo encheram o seu apartamento térreo, entre eles Sherwood Anderson, Ernest Hemingway, Scott Fitzgerald, Robert McAlmon e Ford Madox Ford.

A casa de Gertrude Stein (1874-1946)

A casa de Gertrude Stein (1874-1946)

A tradição do velho salão de Stein seria substituída nos anos 1920 por essa ‘geração perdida’ (um termo mais tarde atribuído a Gertrude mas que ela alegava lhe ter sido dito por um gerente de hotel francês). Stein, então aproximando-se dos 50 anos, era tida por alguns desses jovens escritores como a ‘mãe de todos nós’, em parte pelo seu papel de mentora”. Consta, para dar um exemplo, que Hemingway lhe era grande devedor na formatação dos seus primeiros contos.

Nunca entrei no endereço da Rue de Fleurus. Apenas sonhava com o café e a conversa naquele salão avant-garde, de ideias radicais e geniais, numa Paris de outrora. Paciência. Devo me contentar em reler “A autobiografia”. Há muitas fofocas e meias-verdades no livro, dizem. Os americanos adoraram. Alguns ilustres franceses também. Outros nem tanto, Braque, Matisse e Tzara entre eles. Amigos romperam com a autora. Bom, eu não tenho nada com isso. Acreditarei em tudo. E vai ver Miss Stein, assim como fez com Hemingway, procede à minha instrução.

Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República e doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL

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Categoria(s): Crônica
domingo - 15/03/2026 - 10:50h

E se Boechat estivesse vivo?

Por Cesar Amorim

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Domingos têm um ritmo próprio. Não são apenas a pausa entre duas semanas; são também um breve intervalo de contemplação, quando o ruído da política parece baixar alguns decibéis e o país respira antes de retomar sua habitual turbulência.

​​São nesses momentos que percebemos a falta de certas vozes, entre elas, a de Ricardo Boechat.

​​Diante das recentes controvérsias envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o chamado “Caso Master, é inevitável imaginar como Boechat reagiria a mais um episódio em que poder, evidências e narrativas se entrelaçam no palco da vida pública.

Não porque ele oferecesse respostas definitivas, esse, aliás, nunca foi o seu método. Seu talento residia em algo mais raro e mais incômodo: formular, com ironia peculiar, as perguntas certas.

​​Boechat não era um moralista de ocasião, tampouco um comentarista inclinado a aderir às paixões instantâneas da política brasileira. Havia em sua voz uma lucidez desconcertante. Tratava temas graves com a clareza de quem conversa com o ouvinte comum, mas sem abrir mão da densidade que os assuntos públicos exigem.

Num episódio como o atual, é provável que ele começasse pelo essencial, aquilo que frequentemente se perde no labirinto de versões, notas oficiais e disputas partidárias: a confiança pública.

Instituições vivem de credibilidade. E poucas no Brasil concentram tanta autoridade quanto o Supremo Tribunal Federal. Não se trata apenas de um tribunal que interpreta a Constituição; trata-se de um dos pilares da arquitetura institucional do país. Por isso mesmo, qualquer dúvida que alcance um de seus ministros deixa de ser apenas pessoal. Torna-se, inevitavelmente, institucional.

​ ​Boechat costumava lembrar algo simples e, por isso mesmo, poderoso: transparência não é favor do poder, é exigência da democracia.

Não se trata de presumir culpa, tampouco de estimular julgamentos precipitados. Trata-se de reconhecer que quem exerce enorme autoridade pública carrega também uma responsabilidade proporcional.

O problema é que, no Brasil contemporâneo, as crises raramente percorrem esse caminho sereno. Escândalos e suspeitas logo se transformam em munição política. O debate se organiza em trincheiras: de um lado, os que condenam antes da apuração; de outro, os que tratam qualquer pergunta como conspiração.

Era justamente nesse terreno que Boechat se destacava.

Ele desconfiava das unanimidades e das torcidas organizadas. Sabia que a verdade raramente floresce em ambientes dominados pela paixão partidária.

Se Boechat ainda estivesse entre nós, provavelmente faria o que sempre fez. Colocaria a pergunta certa no centro da conversa.

E lembraria, com sua serenidade crítica, que a legitimidade das instituições não se sustenta apenas na autoridade formal de seus cargos, mas na confiança silenciosa da sociedade que as observa.

Domingos têm mesmo esse efeito curioso. Entre uma semana e outra, olhamos para o país com um pouco mais de distância e percebemos que, em meio ao barulho constante do debate público, certas vozes continuam fazendo falta.

​Fazem falta porque tinham algo cada vez mais raro no Brasil: a coragem simples de perguntar.

Cesar Amorim é advogado militante e especialista em Direito Administrativo.

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Categoria(s): Crônica
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domingo - 15/03/2026 - 09:30h

Lembranças do meu avô bossa-nova

Por Marcello Benevolo

José Benévolo Xavier e JK (Foto colorizada com uso de IA)

José Benévolo Xavier e JK (Foto colorizada com uso de IA)

José Benévolo Xavier nasceu em 29 de outubro de 1903, em Caicó (RN). A cidade, carinhosamente apelidada de “Meu Pedacinho do Céu”, fica encravada no Seridó, o coração do sertão potiguar. Caicó é famosa por sua carne de sol, pela linguiça sertaneja, pelos queijos de manteiga, pelos doces e pelos finos bordados.

Seresteiro e tocador de bandolim, casado com dona Maria Amália, ele tocou noite adentro quando do nascimento de minha tia Ana Teresa, a caçula e ponta da rama. O festejo veio após vovó parir uma sequência digna de um time de futebol de salão, composto pelo meu pai, Edmar (babá), e meus tios Ismael (do Bandern) e José (da gata), já falecidos, João (palha) e Cornélio (ou Nelhão).

Vovô Benévolo — ou Benevinho, como vovó Amália carinhosamente o chamava (certamente quando estavam de bem) — foi um comerciante conhecido e respeitado. A Bodega de Zé Benevolo funcionava na esquina do Mercado Central, na rua Felipe Guerra. Abastecia Caicó em um tempo no qual supermercados ainda não eram realidade por aquelas bandas. Segundo o Censo de 1950, a população local girava em torno de 24 mil habitantes.

De fala mansa, cordial e conciliador, como eu ouvia mamãe dizer, ele conquistou a prefeitura da cidade entre os anos de 1954 e 1958. Foi um candidato de consenso pelo então PSD, contando inclusive com as bênçãos da oposição udenista. Zé Benévolo transitava bem no meio político e, com sua facilidade em cultivar amizades, foi eleito para comandar Caicó.

Prefeito de um mandato só — numa época em que não existia reeleição e o mandato durava um quinquênio —, li em pesquisas na internet que foi considerado um gestor eficiente e, acima de tudo, honesto. Com ele, dois mais dois sempre dava quatro, repetia mamãe, orgulhosa do sogro querido.

Aqui e acolá, ainda encontro entre os pertences deixados por minha mãe, falecida há três anos, fotografias antigas de Caicó. Meus tios também contribuem com registros no grupo de WhatsApp da família Benévolo. Para mim, que amo fotografia, é uma verdadeira viagem no tempo.

Essas imagens revelam a importância política e estratégica de Caicó para o Rio Grande do Norte e, por vezes, para o cenário nacional. O “Pedacinho do Céu” era – e ainda é – sempre parada obrigatória para os grandes nomes da política. Vovô recebeu figuras de peso: mamãe relatava almoços e jantares na residência humilde de Zé Benévolo e Maria Amália, na antiga Rua do Serrote.

Alguns desses registros fotográficos flagram as visitas do futuro Presidente Bossa-Nova, o mineiro Juscelino Kubitschek. Em outra oportunidade, os Benevólosreceberam o então candidato à presidência da República pelo PSD, Juarez Távora, acompanhado do governador de São Paulo, Jânio Quadros, e sua comitiva — conforme anotado no verso de uma foto enviada por um amigo do meu avô, Sílvio Bezerra Filho.

Das muitas lembranças que guardo, as mais afetivas envolvem sua paixão pela leitura. Contos e poesias matutas eram seus temas preferidos; papai costumava presenteá-lo com livros todo final de ano.

Vovô amava declamar, mas não bastava a voz: ele precisava encenar. Certo dia, em nossa casa no Recife, pediu que mamãe trouxesse um facão da cozinha. Empunhando uma almofada do sofá, encenou a história (cujo nome não me lembro) de uma donzela que morria por amor. Contudo, a performance mais clássica e imbatível era “Flor de Puxinanã”, do paraibano Zé da Luz. O poema matuto narra a formosura das três irmãs Augusta, Guilhermina e Maroca.

Eu, criança, morria de rir quando ele falava das “três cachorra da moléstia”— expressão que só anos mais tarde entendi significar como irresistíveis. Eu chorava de rir na parte em que ele declamava: “A tercêra, era Maroca. Cum um cóipo muito má feito. Mas porém, tinha nos peito dois cuscús de mandioca.”

Lembro-me também de seu cuidado com a saúde, especialmente após duas operações na cabeça. Raramente andava descalço e vestia a camisa logo após tomar sopa para evitar a friagem. Já velhinho, mas sempre bom de boca, traçava o que viesse no prato. “Tenho fastio não”, repetia.

Juarez Távora e Jânio Quadros com a companhia de “Vovô Benévolo” (Foto colorizada com recursos de IA)

Juarez Távora e Jânio Quadros com a companhia de “Vovô Benévolo” (Foto colorizada com recursos de IA)

Devoto de Sant’Ana, rezava o terço com frequência diante de um pequeno oratório com algumas imagens de santos organizado dentro de um guarda-roupa, no quarto de visitas onde passava boa parte do dia deitado na rede. Isso já em sua casa em Natal, na Rua Estácio de Sá (Lagoa Nova), hoje renomeada Rua José Benevolo Xavier em sua homenagem.

Curiosamente, aquele guarda-roupa abrigava, em perfeita harmonia, o sagrado e o profano. Na porta ao lado do oratório, repousava sempre uma garrafa de uísque — o segundo melhor presente, atrás apenas dos livros. Ele batia no rótulo e dizia ao meu pai: “Esse é do bom, meu filho”. Antes do almoço, vinha a chamadinha. Bastava vovó anunciar a refeição para ele dar um pulo da rede e tomar um dedinho de uísque caubói, que ele garantia ser prescrição médica.

Vovô Benevolo partiu em uma tarde de 26 de agosto de 2002, aos 98 anos. Não chegou aos sonhados 100 — marca superada por sua mãe, que viveu até os 101. Na época, eu morava em Brasília e não pude comparecer ao sepultamento em Natal.

Ficam as lembranças e a saudade de Zé Benevolo, que nos deixou um legado de retidão, fé e, acima de tudo, um imenso amor à família.

Marcello Benevolo é advogado e jornalista pernambucano radicado em Natal

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Categoria(s): Crônica
domingo - 15/03/2026 - 08:40h
Religião e voto

O muro entre evangélicos continua de pé

É necessário aprofundar no país a compreensão da política e dos campos religiosos
Mudanças profundas reconfiguram uma multidão que precisa ser entendida (Foto: Miguel Schincariol / AFP)

Mudanças profundas reconfiguram uma multidão que precisa ser entendida (Foto: Miguel Schincariol / AFP)

Por Ana Carolina Evangelista, do Canal Meio, para o BCS

O Brasil vai para a eleição presidencial de 2026 com as forças partidárias e ideológicas ainda presas a velhos dilemas em relação ao voto evangélico. O primeiro deles é também o mais recorrente: tratar o “voto evangélico” assim mesmo, no singular, como se fosse uma categoria única.

A ideia de um “voto evangélico” homogêneo sempre foi um equívoco analítico. O segmento evangélico é social, denominacional e politicamente diverso. Essa diversidade atravessa renda, escolaridade, território, práticas religiosas e orientações ideológicas. Mas é assim, no meio dessa diversidade, que o segmento tem mudado a cara da política brasileira.

Reconhecer essa multiplicidade, porém, não significa ignorar padrões eleitorais consistentes. Desde 2018, um deles se tornou particularmente visível: quando a disputa envolve o PT ou candidaturas claramente identificadas com o partido, a preferência majoritária entre eleitores evangélicos tem se dirigido ao campo bolsonarista, acompanhada de um alinhamento com pautas ultraconservadoras e simbologias que evocam ameaças morais.

Os dados das últimas eleições presidenciais ajudam a dimensionar essa tendência. Eles sintetizam estimativas das pesquisas do Datafolha, Ibope e Ipec, realizadas na véspera do 2º turno das disputas presidenciais:

Boxe do Canal Meio

Boxe do Canal Meio

Como se vê, foi a partir de 2018 que essa clivagem se tornou especialmente marcada. No segundo turno daquele ano consolidou-se o número que ficou conhecido como o “70 a 30”: cerca de 70% dos eleitores evangélicos declararam voto em Jair Bolsonaro e aproximadamente 30% em Fernando Haddad (PT-SP). Em 2022, houve apenas uma pequena variação, com o padrão permanecendo próximo de 65% para Bolsonaro e pouco mais de 30% para Luiz Inácio Lula da Silva.

Hoje, ao observarmos pesquisas mais recentes de intenção de voto para o primeiro turno presidencial, constatamos que a estrutura geral desse comportamento eleitoral permanece semelhante. Levantamentos que simulam disputas envolvendo nomes associados ao bolsonarismo, como Flávio Bolsonaro (PL-RJ), indicam proporções entre eleitores evangélicos próximas daquelas observadas nas duas últimas eleições presidenciais: 61%-65% para o candidato bolsonarista e 31%-33% para Lula.

Outras pesquisas que recortam especificamente o eleitorado evangélico, como Meio/Ideia, Datafolha e Quaest, ainda mostram níveis elevados de indecisão e variações dependendo do cenário testado, com nomes como Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro ou Tarcísio de Freitas. Ainda assim, um padrão se mantém: candidaturas associadas diretamente à família Bolsonaro ou apoiadas pelo ex-presidente seguem com ampla vantagem nesse segmento.

Em cenários como o que opõe Flávio Bolsonaro a Ratinho Jr. (PSD-PR), por exemplo, Lula tende a manter desempenho mais equilibrado entre eleitores do Nordeste, católicos e pessoas de menor renda e escolaridade, enquanto o candidato bolsonarista se destaca entre evangélicos e eleitores das regiões Sul, Sudeste e Norte/Centro-Oeste, reproduzindo em grande medida o perfil sociodemográfico que sustentou Jair Bolsonaro desde 2018.

Outros indicadores ajudam a compreender essa estabilidade. Segundo pesquisa recente da Quaest, por exemplo, 61% dos evangélicos desaprovam o trabalho do presidente Lula, enquanto 34% aprovam. O perfil desse grupo se aproxima, em grande medida, do eleitorado que sustentou o bolsonarismo nas últimas eleições: maior presença nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, predominância masculina, eleitores mais jovens e segmentos com renda mais elevada.

Esses dados não indicam uniformidade, mas revelam que, dentro de um segmento plural, existem regularidades que ajudam a compreender seu comportamento político.

Diferentes denominações e lideranças passaram a reivindicar maior presença no debate público e nas instituições políticas

Também é necessário situar esse fenômeno em um processo social mais amplo. O crescimento da população evangélica nas últimas décadas alterou profundamente o cenário religioso brasileiro e ampliou o peso político desse grupo. Ao mesmo tempo, diferentes denominações e lideranças passaram a reivindicar maior presença no debate público e nas instituições políticas.

Esse movimento vai além do Brasil. Nas últimas décadas, diferentes democracias têm assistido ao fortalecimento de identidades religiosas na arena pública e eleitoral. No caso brasileiro, esse processo coincidiu com um momento de forte polarização política e de reorganização do sistema partidário. Foi nesse contexto que o bolsonarismo se consolidou como um campo político capaz de articular diferentes demandas conservadoras, muitas delas associadas a disputas morais, culturais e identitárias. A partir de então, esse alinhamento passou a se expressar de forma relativamente estável entre parcelas significativas do eleitorado evangélico.

Uma pista interessante sobre essa dinâmica apareceu nas eleições municipais de 2024. Em capitais onde a candidatura oposicionista era percebida como diretamente vinculada ao campo petista, como no caso de Guilherme Boulos (PSOL) em São Paulo, a clivagem entre eleitores evangélicos permaneceu próxima da proporção observada nas eleições presidenciais.

Já em capitais onde a candidatura em oposição ao campo bolsonarista não era claramente identificada com o PT ou apoiada explicitamente pelo partido, alguns candidatos conseguiram reduzir a altura desse muro entre eleitores evangélicos. Foi o caso de Eduardo Paes (PSD), no Rio de Janeiro, e João Campos (PSB), em Recife. Paes quase empatou com o segundo colocado entre evangélicos, enquanto João Campos praticamente inverteu a proporção de 70 a 30 a seu favor.

Esse tipo de variação levanta uma pergunta relevante: trata-se de um voto predominantemente bolsonarista ou de um voto essencialmente antipetista? Responder a essa questão exige cuidado com simplificações.

Diferenças profundas

Ninguém é apenas evangélico. Assim como ninguém é apenas católico, apenas mulher ou apenas trabalhador. As identidades religiosas coexistem com outras identidades sociais e políticas. Dentro do universo evangélico existem diferenças profundas de renda, escolaridade, pertencimento denominacional e posicionamento ideológico.

Ainda assim, um fato permanece: desde que o bolsonarismo se estruturou como polo político organizado e passou a aglutinar demandas conservadoras em torno da figura de Jair Bolsonaro, a distribuição do voto evangélico em disputas nacionais mudou muito pouco. Ou quase nada.

Ao mesmo tempo, o debate público passou a ser dominado por outra pergunta recorrente: como dialogar com os evangélicos? A formulação virou um mantra que, muitas vezes, reforça estereótipos. Ela acaba nomeando o problema do muro que se consolidou dentro do próprio segmento evangélico entre quem vota em Lula (ou em candidatos da esquerda mais associada ao PT) e quem vota em integrantes da família Bolsonaro ou em nomes do campo bolsonarista.

Repetida desde 2018, essa pergunta – “como dialogar com os evangélicos?” – muitas vezes simplifica mais do que esclarece. Em vez de contribuir para uma análise mais precisa do fenômeno, tende a reforçar estereótipos tanto sobre o campo religioso quanto sobre os campos políticos em disputa.

De um lado, constrói-se a narrativa de uma esquerda incapaz de dialogar com esse eleitorado. De outro, a ideia de que a direita teria simplesmente aprendido a fazê-lo melhor. Ambas as interpretações reduzem um processo social muito mais complexo.

A clivagem eleitoral que se consolidou entre parte do eleitorado evangélico não pode ser compreendida apenas como resultado de estratégias de comunicação ou de disputas morais. Ela também é produto de transformações sociais, institucionais e religiosas que vêm redefinindo as relações entre religião, política e esfera pública no Brasil. Talvez por isso a insistência na mesma pergunta tenha produzido poucos avanços analíticos.

O desafio é compreender as transformações de uma sociedade em que a religião voltou a ocupar um lugar central nas disputas políticas

O problema não é apenas como dialogar com os evangélicos. O desafio é compreender as transformações de uma sociedade em que a religião voltou a ocupar um lugar central nas disputas políticas.

Precisamos mudar as perguntas e os caminhos de análise. É necessário aprofundar a compreensão tanto da política quanto dos campos religiosos, ambos em mutação constante, e ao mesmo tempo realizar as autocríticas necessárias no campo progressista.

Talvez a pergunta precise ser recolocada de outra forma: como a política, entendida como seus agentes e instituições, precisa se adaptar para escutar uma sociedade em transformação?

O muro continua lá. Mas possivelmente a tarefa agora seja menos perguntar como superá-lo e mais entender por que ele foi construído, por que permanece de pé, o que já sabíamos há anos e o que mudou, e quais dinâmicas sociais continuam sustentando sua existência. Isso exige dados mais detalhados sobre um eleitorado de peso crescente e novas perguntas sobre uma sociedade que também está mudando. Enquanto insistirmos nas mesmas perguntas, o muro provavelmente continuará lá.

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Categoria(s): Política / Reportagem Especial
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domingo - 15/03/2026 - 07:02h

Cumprimos bem a nossa missão?

Por Passos Júnior

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Hoje acordei com esse questionamento e busquei respostas nas estatísticas oficiais para me certificar, tecnicamente e com base sólida, de uma resposta para mim mesmo. Estou falando de filhos – ou melhor, da educação dos filhos.

Não é raro ouvir que a educação não tem preço, e hoje reconheço essa realidade diante de tantos sacrifícios, renúncias, “tira dali para pôr acolá”, enfim, malabarismos de quem tem apenas duas tampas para cobrir três garrafas. Com esse argumento simplório, que retomarei mais adiante, volto à educação.

Quem me conhece sabe que temos três filhos. Hoje, todos graduados no ensino superior: Fisioterapia, Ciência da Computação e Ciências Sociais. Um deles já concluiu mestrado e doutorado, e os outros dois estão com o mestrado em curso, sendo que um ingressou no mestrado antes mesmo de colar grau como cientista social – motivo que reforça a reflexão a que me debruço.

Diante dessa realidade familiar, dados do Censo 2022 (PNAD/IBGE) apontam que apenas 13% dos jovens brasileiros conseguem concluir o ensino superior. Em se tratando de pós-graduação, esse percentual cai para entre 2% e 2,5%, e, no caso do doutorado, para menos de 1%, ficando entre 0,5% e 0,8%. Devemos considerar ainda que, na região Nordeste, esses percentuais são ligeiramente menores do que a média nacional.

Essa realidade significa que apenas cerca de um em cada 10 jovens nordestinos, entre 25 e 30 anos, consegue chegar ao ensino superior público. E, se falarmos de mestrado e doutorado, estamos tratando de uma elite educacional: cerca de um jovem em cada 100 com mestrado e 1 jovem em cada 300 a 500 com doutorado.

Analisando esse cenário nacional, dou-me conta de que a minha realidade acadêmica familiar não é apenas uma estatística satisfatória, mas também um projeto de vida de pais que souberam administrar apenas duas tampinhas para três garrafas. Um projeto construído com fé na educação como o caminho mais seguro para transformar destinos.

Hoje, ao me preparar para participar da solenidade de colação de grau do nosso último filho como cientista social, somos tomados pela sensação de dever cumprido, de caminhada reta, de coerência entre discurso e prática e, sobretudo, de muitos renascimentos.

Esse sentimento que nos toma, a nós, pais, faz brotar lágrimas nos olhos e nos gratifica por saber que todo o esforço não foi em vão. Como pai e mãe, como cidadãos, contribuímos para formar pessoas mais qualificadas, que prestarão melhores serviços à sociedade. E, como seres humanos, acreditamos deixar um legado que ultrapassará gerações, com a consciência tranquila de que cada esforço valeu a pena.

Permanece ainda nítida em minha memória a metáfora das duas tampas para três garrafas, tantas vezes utilizada na direção da antiga escola CELM Zona Sul (Centro Educacional Libânia Medeiros), em Nova Parnamirim, ao tentar sensibilizar o professor Carlos Bola (diretor/sócio) para obter descontos de 50% e até 100% na mensalidade de um dos filhos, garantindo que o trio permanecesse na escola e participasse das atividades esportivas, que também eram pagas.

A cada final de ano, quantos décimos terceiros salários foram destinados exclusivamente à compra de material escolar, livros e renovação de matrículas. Em contrapartida, também foram muitas as exigências – que digam eles – no acompanhamento rigoroso da vida escolar dos nossos meninos. Criamos até um método pedagógico-financeiro nada convencional: para cada nota 10, uma recompensa de R$ 10,00, com valor proporcional até a nota 7,0. Mas havia uma condição: bastava uma única nota abaixo de 6,0 para que todo o saldo fosse automaticamente zerado. Que Paulo Freire me perdoe por essa invenção inversamente pedagógica.

Para não me alongar ainda mais no despertar dessas memórias familiares, quero apenas registrar, com serenidade, que sentimos orgulho, sim – essa alegria mansa que nos invade – e, acima de tudo, uma imensa gratidão a Deus pela missão cumprida e, principalmente, por termos acreditado no poder da educação, da família e do afeto. Choramos. Sorrimos. Agradecemos. Porque, no fim das contas, cada esforço valeu a pena. “A educação não transforma o mundo. A educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo.” (Paulo Freire).

Passos Júnior é jornalista da Ufersa

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Categoria(s): Crônica
domingo - 15/03/2026 - 05:20h

Eudaimonia

Por Bruno Ernesto

Foto ilustrativa produzida por Larissa Amorim

Foto ilustrativa produzida por Larissa Amorim

A par do que os “livros” de autoajuda têm pregado aos quatro ventos nos últimos anos, abarrotando livrarias duvidosas, fertilizando cal, pedra, além de regar filosofias de vida com água destilada, viver de forma plena e virtuosa, como a verdadeira filosofia aristotélica eudaimônica ainda é um desafio.

Se não pessoal, ao menos prático, diria.

Embora gostemos em grande parte de pequenas poções de felicidade, que, de fato, são as que mais nos marcam, esse prazer passageiro também pode representar um sério perigo a longo prazo.

O bom é – seria – a realização plena.  Pequenas poções de felicidade plenas.

A despeito disso, sempre gosto de tomar como exemplo um fato que um amigo norueguês me contou quando fui visitá-lo em Oslo.

Seu pai, um grande apreciador de vinhos, sempre o alertava que poderia tomar os vinhos que quisesse da adega. Salvo, um tal rótulo.

O tal rótulo era de uma safra específica; com corpo, acidez e perfil aromático que só enólogos sabem comentar.

Aliás. Confesso que de vinho, só sei falar com propriedade da ressaca.

Foi então que meu amigo, nos arroubos das juventude, numa noite descontraída com uma turma de amigos, após tomarem várias salvas de vinhos; garrafas após garrafas, resolveram beber o tal rótulo.

No dia seguinte, seu pai – muito atento -, percebeu que seu vinho especial havia sido deliberadamente bebido na noite anterior.

Como a autêntica estabilidade emocional de um norueguês, ele aguardou meu amigo acordar e queria saber se o vinho do tal rótulo havia sido bebido primeiro que os demais.

Meu amigo, ainda sonolento, respondeu negativamente.

-Então vocês sequer o degustaram?

-Não.

Claro que seu pai entendeu que o que ele e seus amigos fizeram era naturalmente esperado de uma turma de jovens ávidos por uma boa noite – gélida – regada a vinho e, provavelmente, brunost.

Seu desapontamento foi maior, pois aquela pequena felicidade engarrafada, efêmera, de uns poucos goles; aquela pequena poção de felicidade, se desfez na ebriedade imotivada.

Não foi pelo vinho.

Bruno Ernesto é advogado, professor, escritor e presidente do Instituto Histórico e Geográf

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Categoria(s): Crônica
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domingo - 15/03/2026 - 04:00h

Justiça Plutófila

Por Marcos Araújo

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

No início de Os Miseráveis, Victor Hugo narra a história de um homem que roubou um pão. Jean Valjeannão era um criminoso profissional, nem um conspirador contra o Estado. Era apenas um trabalhador miserável tentando alimentar a família. Por esse gesto, foi condenado a cinco anos de prisão — pena que se transformaria em dezenove após sucessivas tentativas de fuga.

​Um pão. Dezenove anos.

​Victor Hugo resumiu esse encontro brutal entre a lei e a miséria em uma frase que atravessou os séculos: “Houve um momento em que a lei e a miséria se encontraram. A lei esmagou a miséria.” O romance é, acima de tudo, uma denúncia contra uma justiça capaz de exercer seu peso máximo sobre os mais fracos, enquanto frequentemente hesita diante do poder social.

​Seria reconfortante imaginar que essa crítica pertence apenas à literatura do século XIX. Infelizmente, a realidade jurídica contemporânea continua a oferecer exemplos desconfortáveis de uma justiça sensível às hierarquias sociais. No Brasil — como em praticamente todas as democracias constitucionais — a lei promete igualdade. A Constituição Federal ecoa o espírito das grandes revoluções liberais ao afirmar que todos são iguais perante a lei. Mas, a prática institucional raramente acompanha a promessa constitucional.

 ​A história demonstra que, fora do texto da lei, multiplicam-se exceções. Elas surgem muitas vezes em forma de deferências silenciosas quando o acusado pertence às elites econômicas ou políticas. Foi justamente essa distorção que levou o criminólogo Edwin Sutherland a formular o conceito de white collar crime, os chamados crimes de colarinho branco — delitos praticados por indivíduos de alto status social que frequentemente recebem tratamento institucional distinto daquele aplicado aos crimes associados às classes populares.

​A sociologia jurídica também se debruçou sobre esse fenômeno. Pierre Bourdieu demonstrou que o direito funciona como um campo de poder simbólico no qual prestígio social, capital econômico e reputação institucional podem influenciar percepções jurídicas. O sistema penal, que deveria funcionar como instrumento de igualdade republicana, pode transformar-se, assim, em espaço de reprodução das próprias hierarquias sociais que a lei afirma combater.

​A literatura percebeu essa realidade muito antes da academia. Anatole France ironizou a igualdade formal das leis ao afirmar que “a majestosa igualdade das leis proíbe tanto os ricos quanto os pobres de dormir sob as pontes.” Charles Dickens foi ainda mais incisivo ao observar que a lei frequentemente funciona como uma teia de aranha: prende os pequenos e deixa escapar os grandes.

​A história jurídica contemporânea oferece inúmeros episódios que alimentam esse debate. Nos Estados Unidos, o caso Ethan Couch tornou-se emblemático quando um adolescente rico que matou quatro pessoas dirigindo embriagado recebeu liberdade condicional sob o argumento de que sofreria de affluenza, uma suposta incapacidade psicológica de compreender limites decorrente de uma vida de privilégios. O famoso julgamento de O. J. Simpson, com sua estranha absolvição, expôs de forma dramática como equipes jurídicas milionárias podem transformar processos penais em batalhas altamente técnicas nas quais os recursos disponíveis influenciam significativamente o resultado.

​Alguns autores descrevem esse fenômeno por meio de um termo pouco utilizado no vocabulário jurídico, mas revelador do problema: plutofilia. A palavra deriva do grego ploutos (riqueza) e philia (afinidade), significando, literalmente, uma inclinação ou simpatia social pela riqueza.

​Trata-se de uma tendência psicossocial pela qual sociedades passam a admirar, reproduzir e legitimar os comportamentos das elites econômicas. No campo penal, essa inclinação pode manifestar-se como uma espécie de deferência institucional diante do prestígio social, transformando garantias jurídicas legítimas em privilégios seletivos.

​Não é coincidência que as prisões brasileiras sejam povoadas majoritariamente por jovens pobres, negros e periféricos, enquanto crimes econômicos de grande escala frequentemente percorrem trajetórias processuais mais complexas e menos punitivas.

​Rui Barbosa já advertia, em uma de suas mais célebres reflexões sobre a igualdade jurídica, que “a regra da igualdade não consiste senão em aquinhoar desigualmente os desiguais, na medida em que se desigualam.” A frase recorda que a justiça republicana não pode servir para proteger privilégios sociais, mas para equilibrar desigualdades.

​Pierre Bourdieu observou que o direito pode funcionar como instrumento de reprodução das hierarquias sociais. Quando juízes e tribunais internalizam — ainda que inconscientemente — o prestígio de determinados indivíduos, o sistema jurídico passa a produzir distinções invisíveis. Não mais entre culpados e inocentes, mas entre aqueles que pertencem às elites e aqueles que acabam convertidos em estatísticas carcerárias.

​O episódio recente envolvendo a prisão do empresário Daniel Vorcaro reacendeu esse debate. Mais do que o destino individual de um acusado, o que se discute é a percepção pública de que determinadas posições sociais parecem produzir deferências institucionais incomuns. Quando decisões judiciais passam a transmitir a impressão de que riqueza e prestígio geram tratamentos diferenciados, o dano institucional ultrapassa em muito o caso concreto.

​E é nesse ponto que surge o maior risco institucional.O Poder Judiciário possui um único capital real: a confiança pública. Tribunais não dispõem de votos nem de exércitos; dependem da crença coletiva de que aplicam as mesmas regras para todos.

​Quando a sociedade começa a perceber que riqueza, prestígio ou influência produzem deferências jurídicas especiais, essa confiança começa a se deteriorar. Porque, no fim das contas, a pergunta que permanece é a mesma que Victor Hugo insinuou há quase dois séculos: a lei continua sendo severa com quem rouba pão — e indulgente com quem domina o moinho? Se a resposta for positiva, então a igualdade perante a lei não passa de uma promessa escrita.

​E a justiça, quando se torna plutófila, deixa de ser justiça. Passa a ser apenas poder social exercido sob a proteção das togas.

Marcos Araújo é advogado, escritor e professor da Uern

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domingo - 15/03/2026 - 03:18h

Drama antigo

Por Marcos Ferreira 

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Certo dia, isto há mais ou menos um mês ou um pouco além, tive a infelicidade de ver um desses vídeos que se propagam na internet, tornam-se “virais”, eis a palavra da moda e também a mais apropriada. Com um aparelho celular, vejam só, alguém gravou de dentro de um carro uma pessoa (não sei até que ponto posso dizer que se trata de ser humano) que acabara de abandonar um cão à margem de uma estrada.

O sujeito pegou o seu automóvel e partiu sem a menor piedade, sem compaixão alguma. Pura malvadeza! O pobre do animal, aflito, usando todas as suas forças, saiu na carreira tentando alcançar aquele elemento insensível, mau-caráter.

Fiquei arrasado com aquela imagem, o cachorro correndo desesperadamente, perseguindo o veículo de seu desalmado dono durante não sei quanto tempo. Não me agrada ver ou tomar conhecimento de ações desse tipo. Prefiro não saber. É que dói no coração, sabe? Um sentimento de impotência me machuca demais o espírito. Desvio a vista, por exemplo, quando no meu caminho me deparo com um animalzinho atropelado em algum ponto deste município, sobretudo gatos.

Houve um certo tempo em que muitas coisas me comoviam menos. Hoje em dia está tudo mudado. Tornei-me, como se costuma dizer, um tipo de manteiga. É isso, me derreto fácil perante ocorrências dessa espécie e de várias outras. No passado, repito, aquelas imagens naturalmente me tocavam, entretanto não como agora. Sinto bastante pena dos excluídos, de gente ou bichos, que vagam por esta urbe sem a proteção de ninguém, ao léu, desnorteados, no mais das vezes com fome e sede.

Está cada vez mais difícil fazer de conta que não temos nada a ver com isso. O número de animais de rua, de homens e mulheres rifados em toda parte é imenso.

Tenho a impressão, falando de modo realmente amplo, de que tivemos um coração melhor, menos frio, mais empático. Nos tempos atuais, apesar da carestia não ser tão abrangente como antes, quase toda a gente lava as mãos para a desgraça alheia; a ruína de nossos semelhantes e animais abandonados mundo afora. É mesmo uma pena que sejam tão poucos os que pratiquem a caridade.

Não é a primeira vez que escrevo acerca dessas coisas lamentáveis. Decerto há elementos que não gostam disso, acham que estou aqui sendo demagogo ou hipócrita. Querem (não todos) apenas historinhas felizes. Sim, um bom número de cidadãos não curte essa temática, espera-se ler unicamente um conteúdo positivo, deseja-se acessar o blogue no domingo e se deparar com textos ricos em otimismo e narrativas brandas. Nada de queixumes, nada de cenas tristes do dia a dia. Essas almas empedernidas, tão calorosas quanto uma pedra de mármore, estão mais a fim é de, volto a dizer, amenidades, relatos edificantes, sem notícias melancólicas.

Não vou me alongar nesta temática soturna, incômoda. No entanto fico na torcida, na esperança de que aquele cachorro rejeitado tenha descoberto em algum lugar um tutor sensível, pessoa de coração gentil, caridosa. E que São Francisco de Assis, santo padroeiro dos animais e da natureza, oferte alguma proteção a esses bichinhos desamparados, sem acolhida, que vivem ao deus-dará.

Marcos Ferreira é escritor

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sábado - 14/03/2026 - 23:44h

Pensando bem…

“A beleza é uma luz no coração.”

Gibran Khalil Gibran

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sábado - 14/03/2026 - 22:40h
Política do RN

Kleber Rodrigues demonstra força em filiação ao Progressistas

Kleber e Allyson chegaram juntos a evento político (Foto: Print de vídeo)

Kleber e Allyson chegaram juntos a evento político (Foto: Print de vídeo)

O deputado estadual Kleber Rodrigues migrou do PSDB para o Progressistas (PP). Filiação ocorreu num expressivo evento político nesse sábado (14), no município de Monte Alegre, na região Agreste do Rio Grande do Norte.

”Gratidão, esse é meu sentimento”, afirmou o novo progressistas.

O ato de filiação foi realizado na residência do ex-prefeito de Monte Alegre Severino Rodrigues, pai de Kleber Rodrigues, uma das principais lideranças políticas do Agreste potiguar.

A mobilização reuniu lideranças políticas de mais de 50 municípios potiguares, entre prefeitos, vereadores e parlamentares de diferentes partidos.

A cerimônia contou com a presença dos deputados federais João Maia (PP) e Robinson Faria (PL), além do ex-senador José Agripino Maia, presidente estadual do União Brasil. Também participaram do encontro a senadora Zenaide Maia (PSD) e os deputados estaduais Neílton Diógenes (PSD) e Hermano Morais (PV).

Pré-candidato a governador, o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), foi apresentado por Kleber Rodrigues como seu nome à governança estadual. Em discurso, Bezerra exaltou o papel do parlamentar para o crescimento de sua postulação e mandou recado para os diversos prefeitos presentes:

– “Eu cumprimento a todos os prefeitos aqui presente e quero dizer que vou bater na porta de todos vocês para discutir o nosso RN.

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sábado - 14/03/2026 - 22:22h
Saúde

Internado, Bolsonaro tem piora em seu quadro renal

Bolsonaro está sob julgamento de colegiado do STF (Foto: Antonio Augusto)

Bolsonaro continua sendo tratado de uma broncopneumonia (Foto: Antonio Augusto/Arquivo)

Do Metrópoles

O pré-candidato à Presidência da República e senador Flávio Bolsonaro (PL) visitou o pai, Jair Bolsonaro, no Hospital DF Star, na noite desse sábado (14/3). Em entrevista na saída da unidade médica, disse que o ex-presidente apresentou piora no quadro de saúde.

“Os médicos me informaram ali que além da questão do pulmão também de ontem para Hoje foi o rim que também foi afetado, né, sobrecarregado aí com em função da reação do corpo dele”, disse o senador.

Mais cedo, o hospital emitiu boletim médico informando uma piora na função renal e aumento dos indicadores inflamatórios de Jair Bolsonaro, apesar do quadro estar “estável clinicamente”. Ele continua na UTI tratando uma broncopneumonia bilateral grave e sem previsão de alta.

Segundo Flávio, a sobrecarga no rim é em decorrência da quantidade de líquido no pulmão. “É uma sobrecarga sobrecarga do em função do pulmão dele ainda tá com bastante líquido, tá? Eles me disseram mais uma vez ali, mostraram até uma imagem do pulmão dele bastante comprometido em função do do líquido, né, que foi broncoaspirado”, explicou.

O senador afirma que não é a primeira vez que o pai enfrenta esse problema. “Tem que filtrar o sangue que tá com tá com contaminações ali vindo do pulmão, por isso que eu entendi. Então, mas assim, mais uma vez disseram para não preocupar, mas que era um uma coisa para ficar em observação ali para acompanhar melhora daqui pra frente”, disse.

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sábado - 14/03/2026 - 21:44h
Empréstimos consignados

Projeto proíbe negativar servidores estaduais no Serasa

Farias mostra dificuldade injusta com o servidor (Foto: ALRN)

Farias mostra dificuldade injusta com o servidor (Foto: ALRN)

O deputado estadual Tomba Farias, líder do PL na Assembleia Legislativa, apresentou um projeto de lei que estabelece indenização a servidores públicos prejudicados por inadimplência do governo do Rio Grande do Norte no repasse de empréstimos consignados. A proposta determina que o Estado responda objetivamente por danos causados a servidores ativos, aposentados e pensionistas quando houver desconto da parcela do empréstimo no contracheque sem o repasse do valor à instituição financeira credora.

Pela Lei Tomba Farias, as instituições financeiras também ficam proibidas de incluir o nome do servidor em cadastros de inadimplentes, como Serasa e SPC Brasil, quando a parcela tiver sido regularmente descontada em folha e o atraso decorrer exclusivamente da falta de repasse pelo Poder Executivo.

O projeto prevê ainda o pagamento automático ao servidor de indenização administrativa por danos morais equivalente a 50% do valor da parcela ou das parcelas que motivaram a restrição de crédito. O Estado também deverá ressarcir integralmente juros, multas e demais encargos cobrados pela instituição financeira em razão do atraso.

Para solicitar a compensação, o servidor deverá enviar, por meio de portal oficial ou aplicativo do governo, o comprovante da negativação. A administração pública terá prazo de até dez dias úteis para verificar a divergência entre o desconto em folha e o repasse ao banco. Confirmada a falha, a indenização e os encargos deverão ser creditados na folha de pagamento seguinte.

O projeto também prevê que o descumprimento dos prazos estabelecidos resulte em comunicação ao Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte e à Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Norte para eventual adoção de medidas judiciais.

Na justificativa, Tomba Farias afirma que a proposta busca proteger os servidores de prejuízos decorrentes da retenção de valores destinados a empréstimos consignados sem o devido repasse às instituições financeiras.

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sábado - 14/03/2026 - 17:54h
Economia

Fiern visita Grossos e destaca potencial econômico do município

Serquiz vê oportunidades para diversificação produtiva (Foto: Allan Phablo)

Serquiz vê oportunidades para diversificação produtiva (Foto: Allan Phablo)

O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN), Roberto Serquiz, participou de visitas técnicas a empresas de Mossoró e Grossos, nesta sexta-feira (13). Acompanhado do diretor 1º secretário da entidade, Heyder Dantas, ele compõe a comitiva do Conselho Deliberativo do Sebrae-RN que está na região Oeste Potiguar.

Durante a visita, Serquiz destacou o potencial econômico do município, que combina empreendimentos consolidados no setor salineiro com oportunidades para diversificação produtiva. “Nos deparamos com todo o potencial do município, que tem empreendimentos consolidados no setor salineiro, mas também muito espaço para o desenvolvimento de outras atividades”, afirmou.

Segundo Serquiz, medidas voltadas à modernização da política ambiental e à maior eficiência nos processos de licenciamento podem contribuir para impulsionar investimentos e ampliar a competitividade das atividades produtivas no estado.

Na quinta-feira (12), a comitiva de conselheiros visitou projetos apoiados pelo Sebrae no Distrito de Irrigação do Baixo Açu (DIBA), principal polo de agricultura irrigada do estado.

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sexta-feira - 13/03/2026 - 23:59h

Pensando bem…

“Em um mundo onde existe uma riqueza de informação, existe frequentemente uma pobreza de atenção.”

Ken Mehlman

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sexta-feira - 13/03/2026 - 20:14h
Mossoró

Dia Nacional da Poesia tem evento no Memorial da Resistência

Evento será às 17 horas desse sábado Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS)

Evento será às 17 horas desse sábado (Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS)

Neste sábado (14), Dia Nacional da Poesia, tem tem programação em Mossoró para lembrar a data. A atividade cultural acontece no Memorial da Resistência, às 17h.

Na programação do Banco do Nordeste Cultural, em parceria com a Poetas e Prosadores de Mossoró (POEMA), acontecerá um recital de poesias e shows musicais.

“Desde 1997, celebramos o Dia Nacional da Poesia em Mossoró. É algo que já se tornou tradição. Em alguns anos com mais força, como agora com o apoio do BNB Cultural, outros nem tanto, mas estamos aqui, resistindo e enaltecendo mais uma vez a arte dos nossos poetas”, diz Caio César Muniz, um dos fundadores da Poema.

O poeta mossoroense fará intervenções e convidará versejadores presentes a também recitarem suas produções. Um varal de poesias estará disponível no local para incentivar e inspirar novos poetas a escrever, compartilhar e expor seus poemas na hora. Além disso, haverá a distribuição do tradicional Encarte Poético, produzido pela Poema com o apoio da Fundação José Augusto e Secretaria Estadual de Cultura.

O recital aberto, aos poetas e ao público, ganha o recheio da musicalidade de Genildo e Geová Costa, da vizinha cidade de Grossos.

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sexta-feira - 13/03/2026 - 16:46h
Concursos e seleções

IFRN segue recomendação do MPF para garantir cotas raciais

Ilustração do Correio Braziliense

Ilustração do Correio Braziliense

O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) acatou integralmente recomendação do Ministério Público Federal (MPF) para corrigir a aplicação de cotas raciais em seus certames. A mudança, que teve origem em um processo seletivo para professor substituto de desenho técnico no Campus São Paulo do Potengi, passa agora a ser adotada de forma institucionalizada em todos os futuros concursos e seleções do instituto.

O MPF recomendou a retificação da lista de convocados para que candidatos negros aprovados em ampla concorrência sejam chamados nessa condição, enquanto a vaga destinada a cotistas seja preenchida pelo próximo classificado na lista de cotas. Foi recomendada, ainda, a inclusão de candidato adicional na lista reservada, para manter o percentual legal.

Segundo apuração do MPF, o candidato negro, aprovado em terceiro lugar na ampla concorrência, havia sido mantido também como o único classificado na cota para negros, contrariando o edital e a Lei de Cotas (Lei nº 12.990/2014). A legislação estabelece que candidatos negros aprovados na ampla concorrência não devem ocupar vagas reservadas. O entendimento já foi confirmado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

De acordo com o procurador da República Camões Boaventura, autor da recomendação, a mudança “aprimora a transparência do certame, permitindo o controle pelos candidatos e pelo MPF do correto preenchimento da vaga reservada para negro, atendendo a finalidade da política afirmativa de reserva de vagas e evitando judicializações individuais e/ou coletivas”.

O procurador destaca que “o IFRN não apenas corrigiu a interpretação que gerou a denúncia no caso específico, mas também institucionalizou o entendimento do MPF por meio de normas internas que vinculam todos os futuros processos seletivos e concursos públicos da autarquia”.

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sexta-feira - 13/03/2026 - 13:24h
Fiscalização no RN

Bombas de combustíveis têm problemas, mas sem fraudes

As multas podem chegar a R$ 1,5 milhão, avisa o Inmetro (Foto: divulgação)

As multas podem chegar a R$ 1,5 milhão, avisa o Inmetro (Foto: divulgação)

Uma operação coordenada pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO) reprovou 100% dos 226 bicos de bombas de combustíveis fiscalizados nos postos do Rio Grande do Norte.

As principais irregularidades encontradas foram mau estado de conservação dos equipamentos e instalações elétricas irregulares. Não foram encontradas fraudes eletrônicas.

O estabelecimento em que for detectada irregularidade tem prazo de até 10 dias para apresentar defesa ao órgão que expediu a autuação. As multas podem chegar a R$ 1,5 milhão, dependendo do porte da empresa, do grau de reincidência e da gravidade da irregularidade.

Os números foram divulgados nesta sexta-feira e fazem parte do balanço nacional da operação “Tô de Olho no Abastecimento Seguro e na Medida Certa”. Foi realizada entre os dias 10 e 12 de março em diversos estados do país.

“A Operação Tô de Olho reforça a importância dos postos de combustíveis estarem atentos à conservação das bombas de combustíveis, garantindo a segurança de trabalhadores e consumidores. Bombas sem manutenção adequada e com instalações elétricas irregulares representam sérios riscos, como vazamentos, choques elétricos e até explosões”, afirma o diretor-geral do Ipem-RN, Itamar Ciríaco.

A operação foi realizada pelo Inmetro, com apoio de órgãos da Rede Brasileira de Metrologia Legal e Qualidade do Inmetro (RBMLQ-I), incluindo o Instituto de Pesos e Medidas do Rio Grande do Norte (Ipem-RN), em parceria com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A ação integrada foi coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Denúncias

Em caso de suspeita de irregularidades, o consumidor pode registrar manifestação no Fala.Br, entrar em contato com a Ouvidoria do Inmetro pelo telefone 0800 285 1818 (de segunda a sexta-feira, das 8 h às 16 h 30 min) ou pelo endereço gov.br/inmetro/ouvidoria, além de procurar o órgão da RBMLQ-I em seu estado.

No Rio Grande do Norte deve-se procurar a Ouvidoria do Ipem/RN pelo e-mail: ouvidoria@ipem.rn.gov.br ou via WhatsApp (84) 98802-0364.

Também é possível acionar a ANP pelo telefone 0800 970 0267.

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sexta-feira - 13/03/2026 - 12:26h
Cerimônia

“TV Uern” terá lançamento de sinal aberto quinta-feira

Reprodução de logomarca da TV Uern

Reprodução de logomarca da TV Uern

A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) realizará cerimônia de lançamento do sinal aberto da “Uern TV.” Será sintonizada no Canal digital 20.1.

A solenidade será na próxima quinta-feira (19), às 16h, no Campus Mossoró (próximo à Biblioteca Central).

Este marco representa um novo passo na democratização da informação e do conteúdo acadêmico para toda a comunidade – destaca nota oficial da instituição.

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sexta-feira - 13/03/2026 - 10:36h
Comércio e Indústria

Acim empossa novo presidente e Diretoria Executiva

Marcos, Nilson, Michelson, Itamar e Genilson: evento na Acim (Foto: reprodução de redes sociais)

Marcos, Nilson, Michelson, Itamar e Genilson: evento na Acim (Foto: reprodução de redes sociais)

O empresário Michelson Frota assumiu nessa quinta-feira (12) a presidência da Associação Comercial e Industrial de Mossoró (ACIM). Solenidade ocorreu no fim da tarde na própria sede da entidade, Centro da cidade.

Com ele também foram empossados os membros da nova Diretoria Executiva. O primeiro vice-presidente é o ex-presidente Nilson Brasil Leite.

“Assumir a condução de uma entidade centenária como a Associação Comercial e Industrial de Mossoró, uma das instituições de classe mais antigas e respeitadas do Rio Grande do Norte, é, para mim, motivo de imenso orgulho e, sobretudo, de profunda responsabilidade”, assinalou.

O presidente do Conselho Deliberativo Estadual (CDE) do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do RN (SEBRAE/RN), Itamar Maciel, participou do evento.

Também prestigiaram a posse o vice-prefeito Marcos Medeiros (PSD), presidente da Câmara Municipal Genilson Alves (UB), representantes de outras entidades e associados da Acim. Também esteve na posse a diretora-presidente da Agência de Fomento do Rio Grande do Norte (AGN), Márcia Maia.

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Categoria(s): Gerais
sexta-feira - 13/03/2026 - 09:30h
Hemocentro

Cirurgias ficam comprometidas por escassez de sangue

Arte ilustrativa

Arte ilustrativa

O Hemocentro de Mossoró convoca doadores com urgência. Com seu centro de coleta localizado ao lado do Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM), há necessidade de repor o estoque do banco de sangue, que se encontra neste momento quase “zerado.” Existe comprometimento iminente para pacientes que estejam precisando fazer cirurgias eletivas.

“Estamos com esta dificuldade aqui em Mossoró e em outros hemocentros da rede estadual, o período não está ajudando, muita gente gripada, muita gente com virose, muita gente com dor de garganta e as pessoas terminam se afastando porque sabem que não vão estar dentro dos critérios para fazer a doação”, enfatiza Micheline Fernandes, assistente social do Hemocentro Mossoró.

Ainda segundo ela, a escassez de sangue tem dificultado até mesmo a coleta de plaquetas. “A plaqueta é um componente que conseguimos extrair da bolsa de sangue quando é captada normalmente. Se não tiver essa pessoa para doar, todos os dias vai diminuir a coleta de plaquetas, porque precisamos de 8 a 10 bolsas para fazer uma única bolsa de plaquetas”. Atualmente temos pacientes oncológicos tomando plaquetas de 6h em 6h, outros de 12h em 12h, inclusive crianças.”

O Hemocentro Mossoró funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 18h, sem fechar para almoço, e aos sábados das 7h às 17h. Antes da doação, o voluntário passa por uma entrevista composta por 20 perguntas a respeito da saúde, estilo de vida da pessoa e, dependendo das respostas, ela estará apta ou não para prosseguir o procedimento.

Confira outros critérios para submissão ao processo de doação de sangue:

– Apresentar documento de identificação original com foto;
– Ter entre 16 e 69 anos (entre 16 e 17 devem estar acompanhado dos pais);
– Pesar mais de 50 quilos;
– Estar bem alimentado;
– Estar em boas condições de saúde;
– Não estar tomando medicamentos que podem afetar a saúde;
– Não ter contraído hepatite após os 11 anos de idade;
– Não ter feito cirurgia recentemente;
– Não ter feito tatuagem ou piercing nos últimos 12 meses;
– Não ter feito endoscopia nos últimos 06 meses;
– Não estar gripado ou ser portador de doença contagiosa;
– Não estar exposto à situação de risco, como ter praticado sexo sem proteção ou ser usuário de drogas.

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