domingo - 15/02/2026 - 12:26h
Despedida

Dona Luzia Pinto deixa saudades em Mossoró

Dona Luzia Pinto estava internada há vários dias (Foto: reprodução)

Dona Luzia Pinto estava internada há vários dias (Foto: reprodução)

Faleceu neste domingo (15), no Hospital Wilson Rosado, em Mossoró, dona Luzia Pinto Leite, 78.

Estava internada há vários dias, em luta contra um câncer.

Que descanse em paz.

Velório e Sepultamento

O velório começa às 14h30, no Centro de Velório Sempre, na Rua Melo Franco, em frente ao Tiro de Guerra. O sepultamento está definido para as 17h, no Cemitério São Sebastião, Centro de Mossoró, também hoje.

Nota do BCS – Nossos pêsames ao querido Chico Leite, seu marido, e à sua filha Lariza Leite. Que consigam administrar essa grande perda.

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domingo - 15/02/2026 - 12:10h

Nem nós

Por Bruno Ernesto

Telefones fixos antigos (Foto do autor da crônica)

Telefones fixos antigos (Foto do autor da crônica)

A despeito da praticidade, os esmartefones serão a nossa desgraça.

A verdade é que gostamos do que nos tira o sono, a paciência, a atenção e atrasa a vida.

Não tente me convencer: você está lendo este texto de um.

Disseram isso também quando Samuel Morse criou o telégrafo em 1837; e o mesmo em 1875 quando Alexander Graham Bell criou o telefone; e o mesmo quando Philo Farnsworth, em 1927, concebeu o que hoje conhecemos como televisor.

Até mesmo a Acta Diurna, criada pelo imperador romano Júlio César, por volta do ano 59 antes de Cristo, e é considerada a precursora do que temos hoje como jornal impresso, já foi ameaçada no início dos anos de 1990 com a criação da internet.

Se bem que ainda lemos jornal impresso.

Aliás, nada mais gratificante como sentir o cheiro de um livro recém-aberto e um jornal recém-impresso.

A desgraça a que me refiro, é que somos diuturnamente atraídos para o que o submundo do crime chama de “O cheiro do queijo”, embora virtualmente.

Vamos checar um e-mail e, do nada, já estamos comentando uma postagem numa rede social.

Vamos verificar se a atendente do consultório médico confirmou a consulta e, do nada, caímos numa notícia espetaculosa sobre uma prévia de carnaval.

Se for um meme viral, até a consulta que acabamos de confirmar, corre o risco de ser perdida.

É bom, é útil, é prático. Porém, ao fim e ao cabo, não vai acabar bem.

Não por onde, quando ponho os olhos naqueles telefones analógicos, que cobrava a ligação por pulso – lembra ? -, lembro como o hábito era outro.

Todos nós daquele tempo, de uma certa maneira, ainda têm a mesma sensação de que não abandonamos totalmente aquele tempo.

Vadim Nikitin, o tradutor e dramaturgo russo-brasileiro, falecido no último dia sete de fevereiro, soube, como ninguém, dizer o que é pertencer a outro lugar.

Numa de suas últimas entrevistas, disse que ao traduzir cada frase, cada expressão ou situação, da língua russa para o português, percebia que, embora tivesse vindo para o Brasil aos quatro anos de idade, sente que, de fato, nunca chegou de Moscou por inteiro.

Nem nós.

Bruno Ernesto é advogado, professor, escritor e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró – IHGM

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Categoria(s): Crônica
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domingo - 15/02/2026 - 11:24h
Com Padre Sátiro Dantas

Compromisso com o bem-querer e a inteligência viva

Por Carlos Santos

Eis-me, agachado, para tentar ficar à altura de Sátiro (Fotos: Hildegard Mota)

As fotos que ilustram essa postagem tem um pouco de cabotinismo do editor do Blog. Ou muito.

Está implícita ou escancarada a vaidade de desfrutar da inteligência/cultura, serenidade e da amizade do “padreco” Sátiro Dantas.

À manhã de hoje, em sua sala no Colégio Diocesano Santa Luzia (CDSL), em Mossoró, cumpri compromisso que já tinha aprazado há algum tempo: atendi a convite seu para botarmos a conversa em dia.

Lá se foram quase duas horas ininterruptas de conversê. Entre nós, as intervenções ‘diocesanas’ de Hildegard Mota e do padre Charles Lamartine.

Sátiro Dantas – dono de uma memória privilegiadíssima – passou quase 20 dias sob cuidados hospitalares. Contudo está aí: firme e forte.

Falamos sobre os meninos arrabaldinos da Capela de São Vicente, nossa República imaginária. Entre eles, Jânio Rêgo, Marcos Porto (já falecido) e Honório de Medeiros.

Nenhum anticristo, penso. Entretanto há controvérsias sobre esse ponto.

Eu, Sátiro e Charles: o bom mestre

Escola 13 de Junho, Diocesano, filosofia, interventores, governadores. Café Filho, os Rosados, conjuntura atual, Estado Novo; Garibaldi Filho, Henrique Alves, Lula, Dilma.

Clérigos e demônios: padre Mota, Lampião.

De rádio, comunicação cibernética e imprensa no geral, também.

Sátiro, quando adentrei à sua sala, manuseava um CD com entrevista que fizera no início dos anos 70, ouvindo Terto Aires, que fora intendente (cargo equivalente à de prefeito) de Mossoró no início de século.

Com o flagrante, um acerto: quero cópia dessa preciosidade. Mas já sei que o jornalista Emery Costa, bem antes, cerca-o por igual trunfo.

Paramos por aqui. Depois a gente retoma a conversa.

Bom revê-lo!

Inté!

Carlos Santos é criador e editor do Blog Carlos Santos (Canal BCS)

*Texto originalmente publicado no dia 9 de março de 2015 (veja AQUI), às 14h18, há quase 11 anos. Nosso querido padre Sátiro Cavalcanti Dantas faleceu no dia 27 de novembro de 2023 (veja AQUI). Bateu saudades, meu querido.

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Categoria(s): Crônica
domingo - 15/02/2026 - 10:54h

Marcos era um anjo

Por Jânio Rêgo

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Marcos Porto fez uma nesga de dois metros para a boca de sino da calça jeans. Isso mesmo. Marcos era um exagerado.

Quando ele montou na moto cinquentinha lá defronte à casa dele, na lateral esquerda dessa Capela de São Vicente, sob os olhares de grande parte dos cangaceiros do Patamar, o tecido cobriu os pneus, manivela, corrente, mas ele acionou o pedal, acelerou e tomou o rumo sabe Deus de onde.

Marcos depois virou Menino Jesus em procissão da Catedral. Sempre foi performático e criativo.

Ousado, sem limites convencionais.

Uma vez devoramos uma caixa inteira de chocolates Sonho de Valsa debitada na Cooperativa Popular, na conta dos nossos pais. Eu angustiado com culpas, ele se divertindo com leveza de um anjo.

Marcos era um anjo.

Memórias da São Vicente que você não admite. Mas são reais.

Jânio Rêgo é jornalista

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Categoria(s): Crônica
  • Art&C - PMM - Fevereiro de 2026
domingo - 15/02/2026 - 10:06h

O freio de arrumação que falhou – a barbárie do pós-pandemia

Por Marcello Benevolo

Arte ilustrativa com recursos da Inteligência Artificial para o BCS

Arte ilustrativa com recursos da Inteligência Artificial para o BCS

Durante a pandemia, confinados pelo medo e cercados pelo luto, nutrimos uma esperança coletiva: a de que a crise sanitária mundial serviria como um “freio de arrumação” para a humanidade.

Acreditávamos que a dor em escala global nos obrigaria a parar, repensar nossas ações e mudar nossa relação com o próximo e com o meio ambiente. A promessa repetida à exaustão era a de que sairíamos pessoas melhores.

A realidade, no entanto, atropelou a teoria. Não saímos melhores; saímos profundamente danificados. O que se vê hoje é uma sociedade adoecida, imersa em uma epidemia silenciosa de depressão, ansiedade e suicídios. O tecido social parece ter perdido sua elasticidade. Tornamo-nos uma coletividade intolerante e agressiva, onde qualquer faísca gera uma explosão. Uma simples discussão no trânsito ou um desentendimento entre vizinhos, que antes terminaria em palavras ríspidas, hoje vira crime de homicídio.

A capacidade de dialogar desapareceu. Nas redes sociais, o debate de ideias foi substituído pela beligerância pura e simples. Pensar diferente tornou-se uma ofensa intolerável. Pessoas atacam umas às outras gratuitamente, transformando qualquer postagem ou comentário em um tribunal implacável onde o outro é sempre o inimigo a ser abatido.

É nesse cenário de adoecimento crônico que a barbárie ganha contornos trágicos no mundo real. A imprensa noticia atônita o caso de um pai que, diante da suspeita de uma traição conjugal, decide assassinar os dois filhos menores e cometer suicídio em seguida. É o ápice do desespero humano, a aniquilação total de uma família motivada pela incapacidade absoluta de lidar com a dor e a frustração.

Como se não bastasse a tragédia adulta, vemos o espelho dessa agressividade refletido na juventude, no recente e revoltante caso do cão comunitário Orelha. Espancado de forma letal supostamente por um grupo de adolescentes, o animal indefeso tornou-se vítima da crueldade banalizada. Quando nossos jovens, que deveriam representar o futuro, agem como algozes por puro sadismo, é sinal de que falhamos miseravelmente na transmissão de valores cristãos básicos de empatia e respeito à vida.

Em que sociedade estamos vivendo? Se a maior tragédia do século não foi suficiente para nos fazer repensar nossos atos, que outro alerta precisaremos receber? Precisamos urgentemente resgatar a nossa humanidade, reaprender a debater e a tolerar. Caso contrário, o freio de arrumação nunca virá, e continuaremos acelerando rumo à nossa própria destruição.

Marcello Benevolo é advogado e jornalista

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Categoria(s): Artigo
domingo - 15/02/2026 - 09:20h

Vou de filme

Por Marcelo Alves

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Já disse aqui algumas vezes que é meu costume, antes de viajar para o exterior, ler um livro cuja história/estória esteja ambientada na cidade/país para onde eu vou. É muito bom, asseguro.

Não seria diferente neste verão, já que tinha/tenho uma viagem programada, para o período do Carnaval, com destino ao Marrocos. Portanto, em janeiro, fui para Pirangi/RN misturado na seguinte lógica: litoral, praia e calor. Marrocos: litoral, praia, deserto e, talvez, até mais calor. Mas não achei o livro ideal sobre o Marrocos. Então, escolhi um livro ambientado na Argélia. São países alegadamente com geografia e urbanização comuns, litorâneos, vizinhos, calorentos, ali no Magrebe africano.

O livro escolhido: “La peste” (1947), de Albert Camus (1913-1960), nesse caso com o adendo de ser uma edição em francês (edição de poche da coleção “Folio” da editora Gallimard, 2003), o que, de quebra, ajudaria na proficiência desse idioma ainda falado por aquelas bandas. Daria certo. Afinal, como consta do primeiro parágrafo deste clássico de Camus: “Os curiosos acontecimentos que são o tema desta crônica ocorreram em 194., em Oran. (…) À primeira vista, Oran é, crucial que se diga, uma cidade comum, nada mais que uma administração francesa no litoral argelino”.

“A peste”, rivalizando com “O estrangeiro (1942), é o mais badalado romance de Albert Camus. É muito provavelmente o mais célebre romance sobre “epidemias”. O título ajuda bastante, é verdade. É impactante. Mas o conteúdo é também excepcional.

Em 1940, substituindo os horrores da 2ª Guerra Mundial, uma peste bubônica devasta a cidade de Oran, na costa argelina. A verdadeira Oran foi outrora tomada por outras pragas, a bubônica e a cólera entre elas, mas a narrativa de Camus supera os fatos. Namora com o absurdo. Romance existencialista, é a crônica de uma luta, a dos habitantes da cidade, subjugados pela natureza humana e pelo destino, contra a doença que se torna cada dia mais assustadora. E, claro, há o prestígio do autor.

Camus, argelino, órfão de pai, crescido entre o mar e o sol, resistente francês, diretor da revista Combat, filósofo e ficcionista, prêmio Nobel de literatura em 1957 e falecido muito jovem, em 1960, em um acidente de carro tão absurdo como foi sua própria vida. Tudo isso junto faz de “A peste” um clássico das letras francesa e universal.

Ledo engano. A praia e o calor de Pirangi não estavam propensos à leitura, sobretudo de um livro em francês de um autor existencialista. Cansei nas primeiras páginas. Fui tomar banhos de mar com o pequeno João e, quando podia, “pernas pro ar”, que ninguém é de ferro. No mais, divaguei, xeretei, pensei e me lembrei de Casablanca, a cidade (que seria/será a primeira parada do nosso périplo pelo Marrocos) e, em especial, do filme homônimo. Fui de filme. Ingrid Bergman

Casablanca é considerado um dos melhores filmes de todos os tempos, um clássico do ano de 1942 (direção de Michael Curtiz e vencedor de três Oscars), um drama romântico que busca, em tempos de guerra, traçar a saga dos que tentavam fugir da Europa e África, ocupadas pelos nazistas, para regiões livres do mundo. E talvez nada no filme chame mais atenção do que o fato de a personagem de Humphrey Bogart (Rick) abrir mão do amor de Ingrid Bergman (Ilsa), sob um aparente sentimento patriótico, que ele parecia não possuir. “Sempre teremos Paris”, disse. É um tanto revoltante. Só podiam ser tempos de guerra...

De toda sorte, pesquisando sobre Casablanca” (o filme), descobri num curioso livro que possuo, “Film Facts” (Aurum Press, 2001), de Patrick Robertson, o seguinte: “Crédito único para uma única versão de Casablanca é o caso da violação de Copyright por João Luiz Albuquerque. O dito cineasta brasileiro recortou o filme para uma exibição privada no antigo FestRio. Na célebre cena do aeroporto, Ingrid Bergman não toma o avião que deixa Casablanca e, sim, volta para os braços de Humphrey Bogart”.

Bom, assim irei ao Rick’s Cafe Americain de Casablanca na (vã) esperança de que despedidas eternas nunca mais aconteçam.

Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República, doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras – ANRL

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Categoria(s): Crônica
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domingo - 15/02/2026 - 08:00h

Sobre o cotidiano

Por Odemirton Filho

A retratada em pose com o autor da crônica (Foto: Marcos Ferreira)

A querida “Juju”, cria do escritor Marcos Ferreira, já foi retratada por ele em crônicas diversas (Foto: Marcos Ferreira)

Entregar aos webleitores um bom texto, por vezes, torna-se uma difícil missão, hercúlea, diga-se. Até o nosso competente cronista, contista, romancista e poeta, Marcos Ferreira, padece da falta de inspiração, vez ou outra, como já confidenciou. Sei que me faltam o conhecimento jurídico do professor Marcos Araújo, a bagagem histórica do advogado Bruno Ernesto, os textos reflexivos do escritor Honório de Medeiros e a sensibilidade literária do Procurador da República, Marcelo Alves. Sem esquecer do editor deste Blog, exímio jornalista e cronista.

Desse modo, eu escrevo sobre o cotidiano e, de vez em quando, resgato fatos do passado. Escrevo sobre o que parece banal, o simples da vida. Às vezes, quando estou andando pelas ruas, vejo algo que me chama atenção, inspirando-me, a exemplo de um voo de um pássaro, como faziam as andorinhas da Igreja de São Vicente, ou um homem que caminha, apressado, rumo ao seu destino, como se não tivesse tempo a perder.

Por falar nisso, ao parar em um posto de combustível, lá em Areia Branca, terra do saudoso cronista José Nicodemos, pedi um pouco de chá ao frentista. Ele me olhou e disse: “você sabe trabalhar o tempo, né”? Confesso que fiquei espantado com a afirmação. Creio que ele quis dizer que eu não perdia tempo, pois eu estava esperando pra abastecer o carro, conferindo os mandados judiciais a serem cumpridos e tomando chá num pequeno copo descartável.

Eu gosto de escrever sobre o cotidiano, sobre sentimentos, sobre o passado. Na verdade, ao escrever neste Blog cada colaborador deixa um pouco de si. Desnudamos nossa alma, entregamos textos que refletem um pouco de nós, o que somos e pensamos.

Enfim, “o professor Antônio Cândido definiu o cronista como um cão vira-lata, livre farejador do cotidiano, e a crônica como a vida aos rés do chão, pela sua busca ao comum. Exige-se estilo, graça, uma voz própria e todos os demais adereços inerentes à insustentável leveza de ser crônica”. (prefácio do livro Um século em cem crônicas, por Joaquim Ferreira dos Santos).

Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos

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Categoria(s): Crônica
domingo - 15/02/2026 - 06:30h

Popular não é sinônimo de menor

Por Tácito Costa

Jorge Amado em sua casa, escrevendo em sua velha máquina datilográfica (Foto: reprodução)

Jorge Amado em sua casa, escrevendo em sua velha máquina datilográfica (Foto: reprodução)

O preconceito é uma desgraça mesmo. E, ao contrário do que muita gente imagina, não mora apenas entre ignorantes ou fanáticos. Ele também circula entre letrados, acadêmicos, gente com diploma na parede. Pensei nisso depois de ler Gabriela, Cravo e Canela, a segunda obra de Jorge Amado que encaro e que me encantou.

Durante décadas, parte da crítica o classificou como popular demais: narrador “fácil”, mais contador de histórias do que estilista. Folclorizava a Bahia, exotizava o regional, fazia literatura “para exportação”, diziam. No fundo, operava ali uma hierarquia silenciosa: de um lado, a “alta literatura”, formalmente inovadora; de outro, a narrativa ampla, marcada pela oralidade e pelo coloquial.

Eu comprei essa conversa sem perceber. Demorei a chegar a ele por causa desse preconceito herdado, que já foi mais forte na academia. Pesava também sobre ele — e sobre outros autores nordestinos — o rótulo de “regionalista”, muitas vezes usado como diminutivo crítico, como se toda grande literatura não nascesse de um lugar específico e não alcançasse o universal justamente a partir dele.

Jorge Amado não é um experimentalista da linguagem, como Clarice ou Guimarães Rosa. É um grande narrador social, com vocação épica e popular. E eu gosto desse tipo de literatura. Isso talvez diga mais sobre mim do que sobre ele: sou leitor de histórias antes de ser leitor de experimentações formais.

Há aí também uma questão sobre como se constroem reputações literárias. Quando se fala no cânone nordestino, lembram logo de Graciliano, José Lins, Rachel, José Américo, Ariano. Jorge está ali — reconhecido, estudado, traduzido no mundo inteiro. Ainda assim, curiosamente, some das conversas literárias informais.

O preconceito literário muitas vezes nasce desse gesto automático: não ler a obra — e repetir o que disseram sobre ela.

Tácito Costa é jornalista

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Categoria(s): Crônica
  • Art&C - PMM - Fevereiro de 2026
domingo - 15/02/2026 - 04:16h

Quando menos esperamos

Por Marcos Ferreira

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Transitória. Fugaz. Assim é a vida. Então é preciso viver cada dia com a maior intensidade. Como se diz popularmente, não deixemos para amanhã (ou depois de amanhã) o que podemos fazer hoje. De repente, quando menos esperamos, a gente se depara com a notícia de alguém que, de maneira natural ou trágica, despediu-se deste plano físico, terreno. Pois é. Nunca sabemos, não fazemos ideia de qual será o dia de cerrarmos os olhos para sempre. Aproveitemos o agora ao máximo. Ainda que esse máximo signifique boas horas de simples repouso, ou ócio criativo. Mas abracemos aquele amigo (decerto no plural) enquanto podemos. Não aprontamos as malas, entretanto, como é de praxe, o nosso passaporte já está carimbado.

Sei, e isto é uma grande obviedade, que estou chovendo no molhado. Não há nada de novo na minha advertência, nesta página carregada de uma saudade recorrente. Todos temos ciência disso. Espero que minhas palavras tenham ao menos o valor de um lembrete, de um carinhoso puxãozinho de orelha. Recordo-me de que outro dia meu xará Marcos Araújo escreveu acerca da frieza contida nessas figurinhas abreviadoras do WhatsApp. Ou seja, eliminamos até as palavras, uma mensagem de texto concisa, curtinha. Estamos sempre tão apressados, tão cheios de afazeres, de compromissos, sem tempo para abraçar familiares e indivíduos que estimamos. Vamos nos contentando só com os aplicativos das redes sociais. Sem calor humano.

Tenho amigos que vez por outra me dizem algo desse tipo: “Hoje eu vou tomar aquele cafezinho com você.” Depois de alguns minutos ou horas, porém, enviam uma mensagem de áudio ou texto desmarcando o encontro. Porque, segundo justificam, surgiu um imprevisto, qualquer coisa mais importante, urgente, certa situação impeditiva. Aí me sinto um tanto frustrado. Pois não raro dou uma arrumada na casa, mesmo às pressas. Removo a poeira fininha da mesa, deixo-a limpa; preparo as xícaras e canecas para receber a visita muito bem-vinda. Há ocasiões em que mais de um amigo se compromete para comparecer a esta Casa Branca da Euclides Deocleciano, 32, aqui no periférico Walfredo Gurgel. Todavia, por motivo justo, não vêm.

Assim, por uma razão ou por outra, postergamos o abraço afetuoso, o bate-papo leve, descontraído. Apesar disso, da ausência de pessoas às quais quero bem, tenho plena certeza de que estamos conectados, embora à distância. Sei que a nossa amizade é sólida e benéfica não só de corpo presente. É verdadeira, edificante. Contudo, volto a dizer, nossa existência é imprevisível. Vivemos sob a ameaça da Moça da Foice. Está à espreita, de tocaia. Súbito, implacável, sem pena, sem dó, a Indesejada nos alcança, põe termo aos nossos planos, intenções, projetos, sonhos. Vou ficando por aqui. A reflexão está exposta. Torço que nos reencontremos em breve. Antes que a cortina do palco da vida desabe, desça em definitivo. Aí será tarde demais.

Marcos Ferreira é escritor

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sábado - 14/02/2026 - 23:50h

Pensando bem…

“As coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.”

Carlos Drummond de Andrade

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sábado - 14/02/2026 - 18:50h
Viagem

Alunos da rede municipal de Mossoró farão intercâmbio em Londres

Alunos passam por preparo intenso para viagem do programa “De Mossoró para o mundo” (Foto: Wilson Moreno)

Alunos passam por preparo intenso para viagem do programa “De Mossoró para o mundo” (Foto: Wilson Moreno)

Mais um programa inédito criado pela Prefeitura de Mossoró, através da Secretaria Municipal de Educação (SME), dentro do programa “Mossoró Cidade Educação”, está prestes a ser posto em prática. Na manhã desta quinta-feira (12), alunos selecionados para realizarem o intercâmbio internacional do programa “De Mossoró para o Mundo” participaram da última aula do curso de inglês que faz parte do programa.

O curso de inglês foi ofertado a 200 alunos da Rede Municipal de Ensino, numa parceria entre a Prefeitura de Mossoró e a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), por meio da Faculdade de Letras e Artes (FALA). “Eu quero agradecer a oportunidade que a Prefeitura de Mossoró está dando à nossa Universidade em participar desse programa magnífico de conexão da juventude com a educação. O programa vai levar de Mossoró para o mundo 10 jovens que, com certeza, terão a oportunidade de vivenciar outra cultura, conhecerem outras pessoas e trazerem na bagagem muito conhecimento e quero dizer que todas as parcerias que dizem respeito à educação para fortalecer à juventude nós estaremos sempre de portas abertas”, destacou a reitora da Uern, Cicília Raquel Maia.

A primeira viagem do programa “De Mossoró para o Mundo” será para Londres – Inglaterra e neste último dia do curso de inglês, os professores prepararam uma aula especial onde os alunos tiveram a oportunidade de ver alguns dos principais pontos turísticos de Londres. A última aula foi toda ministrada em língua inglesa, para que os alunos pudessem treinar o idioma que vão precisar falar durante os 17 dias do intercâmbio em Londres.

Investimentos

Secretário municipal de Educação, Leonardo Dantas reforça a importância dos investimentos feitos na educação pública municipal com a criação de programas voltados para garantir ensino público de qualidade no âmbito municipal.  De acordo com o secretário, o programa “De Mossoró para o Mundo“ tem um significado muito grande para a educação do município. “Esse programa foi muito bem pensado e ganhou uma robustez que a gente nem consegue dimensionar. Inicialmente nós pensamos em um curso de inglês e num intercâmbio e agora nós temos 10 alunos que vão para Londres e será uma vivência que vai ficar marcada na vida desses alunos que também vão passar a mensagem para os outros alunos de que é possível. E tudo que é preciso fazer para participar é estudar”, explicou o secretário Leonardo.

Secretário Leonardo Dantas mostra força do investimento (Foto: WIlsono Moreno)

Secretário Leonardo Dantas mostra força do investimento (Foto: WIlsono Moreno)

O intercâmbio internacional do programa “De Mossoró para o Mundo” é todo custeado pela Prefeitura de Mossoró. Do curso de inglês a todas as despesas com a viagem quem incluem passagens de avião, hospedagem, traslado, alimentação, uniforme padronizado, moletons e malas para todos os alunos e para a comitiva que vai acompanhar o grupo.

A data e os detalhes da primeira viagem do intercâmbio internacional do programa “De Mossoró para o Mundo” serão divulgados durante a cerimônia de entrega dos certificados de conclusão do curso de inglês. A solenidade certificará os primeiros duzentos alunos que participaram do curso e acontecerá no Teatro Municipal Dix-huit Rosado, no próximo dia 23.

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Categoria(s): Educação
sábado - 14/02/2026 - 18:02h
Delação premiada

Careca do INSS pode entregar esquema milionário com “Lulinha”

Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Reprodução)

Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, saiu do país quando escândalo emergiu; mora na Espanha (Foto: Reprodução)

Por Andreza Matais (Metrópoles)

O operador do esquema de desvio de dinheiro de aposentados e pensionistas, Antônio Carlos Camilo Antunes (Careca do INSS), prepara uma proposta de delação premiada. O Careca do INSS, como ficou conhecido, está preso desde 12 de setembro do ano passado.

A coluna apurou que a disposição em delatar cresceu após familiares dele virarem alvo das investigações, especialmente depois da prisão de seu filho, Romeu Carvalho Antunes. Ele foi capturado em dezembro do ano passado, acusado de ser o braço do pai no esquema.

A CPMI do INSS também mira Tânia Carvalho dos Santos, mulher do Careca do INSS. No ano passado, os parlamentares aprovaram requerimento para tomar o depoimento dela, mas a oitiva ainda não foi agendada. O que tirou o operador do sério.

Lobby

Nas últimas semanas, Careca reuniu advogados para colocar no papel uma proposta de delação. A coluna apurou que ele está disposto a entregar seus negócios com o filho do presidente Lula, Fábio Luiz Lula da Silva. Seus interlocutores dizem que as operações envolvem o lobby nas áreas de educação e saúde, bem como o próprio esquema do INSS.

O relator das investigações é o ministro André Mendonça, do Supremo. O mesmo que irá relatar o caso do Banco Master, com a saída de Dias Toffoli.

Os negociadores de uma eventual delação têm dúvidas, contudo, se uma proposta seria aceita. O MP não consentiu, por exemplo, a delação de Beto Louco sobre esquema de corrupção envolvendo adulteração de combustíveis.

Lulinha e muitos milhões

Como revelou a coluna, Lulinha se mudou para Madri, na Espanha, desde que as investigações sobre o esquema do INSS avançaram.

“Eu chamei meu filho aqui, e falo isso para todo mundo. Olhei no olho do meu filho e falei: ‘Você sabe a verdade, só você sabe a verdade. Se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço de ter alguma coisa. Se você não tiver, se defenda’”, afirmou ao UOL.

Segundo um colaborador da PF, Lulinha teria recebido R$ 25 milhões de Careca, além de uma mesada de R$ 300 mil.

Saiba mais AQUI.

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Categoria(s): Política
  • Art&C - PMM - Fevereiro de 2026
sábado - 14/02/2026 - 17:28h
ALRN

Plataforma Legis Vídeos chega ao Paraná como referência no país

Diretor de Tecnologia da Informação da Assembleia do RN, Mário Sérgio Gurgel (Foto: Eduardo Maia)

Diretor de Tecnologia da Informação da Assembleia do RN, Mário Sérgio Gurgel (Foto: Eduardo Maia)

O trabalho desenvolvido pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN) na área de tecnologia ganhou novo destaque nacional com a implantação da plataforma Legis Vídeos pela Assembleia Legislativa do Paraná, que entrou em funcionamento no dia 2 de fevereiro. A ferramenta integra o ecossistema e-Legis, sistema criado integralmente pela equipe técnica da ALRN e reconhecido como campeão em premiação da União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (UNALE), consolidando a Casa potiguar como referência em soluções digitais para o Legislativo.

O Legis Vídeos foi apresentado oficialmente em coletiva de imprensa pelo presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, deputado Alexandre Curi, e repercutiu na imprensa legislativa daquele estado. A plataforma permite o acesso organizado a vídeos, áudios, transcrições e atas das sessões plenárias e das reuniões da Comissão de Constituição e Justiça, ampliando a transparência e facilitando o acompanhamento das atividades parlamentares por jornalistas, assessores e pela população em geral.

Orgulho

Desenvolvido a partir de cooperação técnica entre as Assembleias do Paraná e do Rio Grande do Norte, o sistema utiliza recursos de inteligência artificial para organizar os conteúdos e oferecer buscas por data, tema, tipo de reunião ou parlamentar, além de navegação por linha do tempo interativa e possibilidade de download de trechos específicos. Segundo o diretor de Tecnologia da Informação do Paraná, Carlos Luiz Albuquerque Maranhão Neto, a ferramenta “fortalece o acesso à informação e contribui diretamente para a transparência do Poder Legislativo”.

“É motivo de orgulho ver um software desenvolvido internamente pela ALRN, sem parcerias externas, ser adotado por Assembleias de grande porte”, ressaltou o  diretor de Tecnologia da Informação da Assembleia do RN, Mário Sérgio Gurgel.

Atualmente, na região sul, além do Paraná, o sistema já é utilizado pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina, enquanto o Rio Grande do Sul demonstrou interesse em aderir à solução. Para ele, esse avanço é resultado do incentivo institucional do presidente da ALRN, deputado Ezequiel Ferreira, e do diretor-geral Augusto Viveiros, que apoiaram a formalização dos termos de cooperação.

Mário Sérgio destacou ainda que, nas próximas semanas, as Assembleias do Piauí e do Ceará irão conhecer o e-Legis, enquanto a Assembleia do Paraná deverá ampliar o uso da tecnologia ao conhecer outras funcionalidades do sistema desenvolvido no Rio Grande do Norte.

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Categoria(s): Gerais / Política
sábado - 14/02/2026 - 16:28h
Curso na OAB/RN

Inteligência Artificial na Prática da Advocacia será focalizada

Felipe Damous estará em Natal no dia 6 de março (Foto: divulgação)

Felipe Damous estará em Natal no dia 6 de março (Foto: divulgação)

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RN) vai receber o advogado Felipe Damous, referência no uso de Inteligência Artificial, para um curso no dia 6 de março, em Natal. Promovida por meio da Escola Superior de Advocacia, a qualificação “Inteligência Artificial na Prática da Advocacia” é voltada para profissionais e estudantes de direito interessados em aplicar soluções de IA no exercício da profissão.

O curso será realizado na sala de aula da Seccional, das 8h às 12h, com uma abordagem prática do uso estratégico da inteligência artificial na rotina jurídica, incluindo automação de tarefas, produção de peças, análise de dados e ganhos de produtividade com segurança e ética.

As vagas são limitadas e as inscrições estão abertas e podem ser feitas no site da ESA pelo site esaoabrn.org.br, com investimento de R$ 200 para o público geral e R$ 100 para advocacia iniciante e estudantes.

O palestrante

Felipe Damous é juiz do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), graduado em Direito pela UFMA, pós-graduado em Direito Processual Civil (Anhanguera-Uniderp) e em Direito e Tecnologia (ENM). Possui MBA em Inteligência Artificial para Negócios pela Faculdade Exame e especialização em Generative AI for the Legal Profession pela UC Berkeley Law. Damous é formador credenciado pela ENFAM e atua como instrutor da ESMAM e do TJMA, sendo referência na interface entre Direito e tecnologia.

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  • Art&C - PMM - Fevereiro de 2026
sábado - 14/02/2026 - 16:00h
BNDES

RN recebe projeto de monitoramento e restauração de corais

Parrachos de Rio do Fogo é uma das belezas naturais do RN (Foto: Web)

Parrachos de Rio do Fogo é uma das belezas naturais do RN (Foto: Web)

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assinou nesta sexta-feira (13/02) o contrato do primeiro projeto do BNDES Corais, que inclui o Rio Grande do Norte no mapeamento e monitoramento dos recifes rasos ao longo do litoral brasileiro.

Executado pelo Instituto Nautilus de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade, o projeto SER Corais terá duração de 36 meses e realizará mergulhos científicos, análise ambiental e produção de mapas técnicos para apoiar políticas públicas de conservação marinha.

Ação integra a iniciativa BNDES Azul e conta com R$ 5,5 milhões do Fundo Socioambiental.

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sábado - 14/02/2026 - 15:28h
Reconhecimento

João Marcelino recebe o Prêmio Funarte Mestres das Artes

João Marcelino agradece e divide o reconhecimento (Foto: divulgação)

João Marcelino agradece e divide o reconhecimento (Foto: divulgação)

O cenário cultural potiguar e brasileiro celebra uma importante conquista: o diretor de arte, figurinista, cenógrafo, aderecista, diretor teatral, dramaturgo, visagista e cineasta João Marcelino, natural do Rio Grande do Norte, foi agraciado com a 2ª edição do Prêmio Funarte Mestras e Mestres das Artes 2025. A distinção nacional reconhece sua trajetória de mais de quatro décadas de dedicação ininterrupta ao teatro, à formação de novas gerações de artistas e à preservação e construção da memória cultural do Estado e do País.

Conhecido carinhosamente como um “arquiteto de miragens, tecelão de redes, mestre de gerações”, Mestre João Marcelino é uma figura central e inspiradora no universo teatral potiguar. Sua atuação no Rio Grande do Norte é marcada por uma profunda paixão e um talento multifacetado, dirigindo espetáculos aclamados como o icônico “Chuva de Bala no País de Mossoró”, uma obra que se tornou um marco e ressoa profundamente na cultura local.

Além de sua brilhante carreira como artista de palco e diretor, João Marcelino é o visionário fundador da Cia. A Máscara de Teatro. Este grupo, sob sua liderança, transformou-se em uma referência na formação de talentos e na difusão da cultura popular, solidificando seu legado como um verdadeiro pilar para o desenvolvimento artístico e cultural do Nordeste e do Brasil. A premiação pela Funarte coroa não apenas sua excelência artística, mas também sua inestimável contribuição para o fortalecimento do teatro brasileiro.

Ao receber a notícia, Mestre João Marcelino expressou sua emoção: “Este prêmio é um reconhecimento não apenas do meu trabalho e de minha paixão pelo teatro, mas de todos aqueles que, ao longo dos anos, compartilharam comigo o palco, os ensaios e a dedicação à arte. É uma honra imensa ver a cultura potiguar sendo celebrada em nível nacional e saber que contribuímos, com cada espetáculo e cada formação, para tecer a rica e diversa tapeçaria da cultura brasileira.”

João Marcelino nasceu em 1959, em Macaíba/RN, numa casa onde a costura era linguagem cotidiana. Filho de uma mãe costureira, cresceu entre tecidos, linhas e bordados que se transformavam em vestidos e fardamentos para a comunidade. Esse ambiente de criação manual e afetiva forjou o seu olhar para o detalhe, para o gesto e para a potência estética contida no ato de confeccionar. Ainda adolescente, descobriu-se no palco do Cine Teatro Cometa, quando, interpretando versos de Carlos Drummond de Andrade, percebeu que sua vida seria guiada pelo teatro.

Aos 20 anos, em 1980, iniciou profissionalmente sua trajetória no Grupo Manacá, sob a direção de Costa Filho, como ator, figurinista e cenógrafo. Dois anos depois, integrou o Teatro da Esquina Colorida e a Stabanada Cia. de Repertório, consolidando- se como artista múltiplo. Desde então, construiu uma carreira de 45 anos, atuando como Diretor de Arte, Figurinista, Cenógrafo, Aderecista, Diretor Teatral, Dramaturgo, Visagista e Cineasta.

Percurso

Seu percurso soma 158 trabalhos em diversas regiões do Brasil, em especial no Nordeste, Sudeste e Sul. Seus figurinos estiveram presentes na Quadrienal de Praga (2015), maior evento internacional de cenografia e indumentária. Em cada criação, João compreende o figurino como uma pele prolongada do ator, uma dramaturgia visual que carrega memória e afeto.

Trabalhou com grupos de referência nacional como o Grupo Imbuaça (SE), Clowns de Shakespeare (RN), Armazém Companhia de Teatro (RJ) e Coletivo Alfenim (PB). Manteve parcerias continuadas com a Casa de Zoé, o Grupo Estação de Teatro e a Bobox Produções, além de importantes coletivos do RN, como Máscara de Teatro, Pão Doce, Estandarte e a Casa da Ribeira.

Idealizou e dirigiu grandes espetáculos de caráter popular e comunitário, como “Chuva de Bala no País de Mossoró”, dirigido por 13 anos, o “Auto da Liberdade” e o “Oratório de Santa Luzia”, todos de grande impacto na cena potiguar e que envolveram centenas de artistas e milhares de espectadores.

De 2002 a 2009, foi diretor do Centro Experimental de Formação e Pesquisa Teatral da Fundação José Augusto, onde coordenou oficinas permanentes, ciclos de leituras dramáticas e montagens que reuniram mais de 2.500 alunos em sete anos. Esse espaço tornou-se um marco na formação de artistas potiguares, revelando nomes que hoje atuam em todo o Brasil.

Espaço de memória coletiva

Recentemente, estreou em dezembro de 2025, o espetáculo “Sonho de uma Noite de Natal” produzido pela Bobox Produções e realizado pela Prefeitura do Natal, percorrendo 5 (cinco) bairros pelas quatro regiões da cidade.

Ao longo de quatro décadas e meia, João Marcelino construiu um arquivo cênico feito de tecidos, volumes, adereços e imagens que atravessam gerações. Sua obra se apresenta como um gesto político e poético: transformar a costura em linguagem, o ateliê em território de invenção e o teatro em espaço de memória coletiva.

O Prêmio Funarte Mestras e Mestres das Artes tem como objetivo valorizar e dar visibilidade a artistas e grupos culturais que se destacam por sua notável contribuição à cultura brasileira, especialmente aqueles com longa trajetória, profundo conhecimento e impacto significativo em suas comunidades e no cenário nacional.

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Categoria(s): Cultura
  • Repet
sábado - 14/02/2026 - 07:30h
Infraero

Concessão de hangares tem edital para o Aeroporto de Mossoró

Obras em andamento chegam a R$ 80 milhões (Foto: William Santos)

Obras em andamento chegam a R$ 80 milhões (Foto: William Santos)

A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (INFRAERO) lançou edital para concessão de uso de áreas destinadas a hangares no Aeroporto Dix-sept Rosado, em Mossoró. A oportunidade envolve os Hangares 1 e 2 e contempla atividades ligadas à aviação civil.

As áreas poderão ser utilizadas para hangaragem de aeronaves próprias e/ou de terceiros, manutenção aeronáutica, operação de táxi aéreo e instalação de escola de aviação civil.

O recebimento das propostas ocorre até as 9h do dia 5 de março de 2026. A abertura da sessão pública está marcada para a mesma data, às 9h, com início da disputa de preços às 10h.

O edital e os anexos estão disponíveis no Portal de Licitações do Banco do Brasil (www.licitacoes-e.com.br), sob o número 1087082, e também no Portal da Infraero (licitacao.infraero.gov.br), pelo ID 177466.

Dúvidas e consultas podem ser encaminhadas até cinco dias úteis antes da data do certame para o e-mail licitabr@infraero.gov.br, com a identificação do processo nº 157/ADLI-2/SBMS/2025. Também estão disponíveis os telefones (61) 3312-2673 e 3312-3748 para atendimento.

A iniciativa amplia as possibilidades de operação no aeroporto de Mossoró e abre espaço para novos investimentos no setor aéreo local.

O aeroporto está recebendo uma grande reforma e ampliação no valor de R$ 80 milhões, o que deve viabilizar o retorno dos voos comerciais em Mossoró.

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sábado - 14/02/2026 - 06:24h
Missas

Diocese de Mossoró divulga programação da Quarta-Feira de Cinzas

Dom Francisco de Sales conduzirá missa das 19 horas na Catedral (Foto: Diocese)

Dom Francisco de Sales conduzirá missa das 19 horas na Catedral (Foto: Diocese)

A Diocese de Mossoró informa os horários das celebrações da Quarta-feira de Cinzas, no próximo dia 18 de fevereiro, marcando o início do Tempo da Quaresma — período de oração, penitência e conversão na Igreja Católica.

A programação contempla as paróquias de Mossoró e a cidade de Tibau (RN).

Em todas as missas será realizado o rito da imposição das cinzas, sinal do chamado à conversão e à vivência do Evangelho, conforme a exortação: “Convertei-vos e crede no Evangelho.”

Na Catedral de Santa Luzia, as celebrações acontecerão às 17h e às 19h. A missa das 19h será presidida pelo bispo diocesano, Dom Francisco de Sales, com transmissão pela Rádio Rural de Mossoró e pelo canal da Paróquia de Santa Luzia no YouTube.

Além da Catedral, paróquias e quase-paróquias de Mossoró também realizarão celebrações ao longo do dia, possibilitando a participação dos fiéis em suas comunidades.

Programação com imposição das cinzas

Mossoró
• 6h – Matriz de Nossa Senhora da Conceição (Alto da Conceição)
• 17h – Catedral de Santa Luzia
• 17h – Matriz de São José (Bom Jardim)
• 19h – Catedral de Santa Luzia
• 19h – Matriz de São Manoel (São Manoel)
• 19h – Matriz do Menino Jesus (Santa Delmira)
• 19h – Matriz de São Paulo (Nova Betânia)
• 19h – Matriz de Nossa Senhora de Fátima (Abolição II)
• 19h – Quase-Paróquia São João Paulo II (Sumaré)
• 19h – Galpão de Etinho (próximo à Matriz de São João Batista – Boa Vista)
• 19h – Matriz da Sagrada Família (Vingt Rosado)

Tibau (RN)
• 17h – Igreja Rainha da Paz

A Diocese convida todos os fiéis a participarem das celebrações em suas comunidades, iniciando a caminhada quaresmal com espírito de fé, reflexão e renovação espiritual.

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  • Repet
sexta-feira - 13/02/2026 - 23:54h

Pensando bem…

“Afaste-se de pessoas negativas. Elas têm um problema para cada solução.”

Bruce Lee

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sexta-feira - 13/02/2026 - 15:12h
Drama

Motoboy atacado com golpes de capacetes relata caso

O motoboy Felipe Brito, que no domingo (08) à noite foi agredido com golpes de capacetes por dois desconhecidos, após discussão de trânsito, recupera-se do ataque. Em depoimento a Isaías Fernandes, do Portal Mossoró Urgente, ele fala sobre o caso, cirurgias a que foi submetido, família e outras questões.

Pernambucano de origem, pai, o motoboy sente-se mossoroense e diz não desejar minimamente o que sofreu, contra quem o atacou. Episódio aconteceu na Avenida João da Escóssia, bairro Nova Betânia, em Mossoró, a cerca de 200 metros da Praça do Rotary.

Polícia Civil apura o crime que tem características de tentativa de homicídio. A categoria de motoboys já fez pelo menos dois protestos públicos. Cobra punição dos agressores.

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  • San Valle Rodape GIF
sexta-feira - 13/02/2026 - 09:50h
Jurista Ivan Maciel opina

Exclusão de Toffoli pode melhorar imagem do STF

Reprodução de postagem no Facebook

Reprodução de postagem no Facebook

Espiando os acontecimentos em torno do “Caso Banco Master”, em especial no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), o professor, jurista e escritor Ivan Maciel de Andrade faz essas observações:

“A máquina que fez o ‘sorteio’ do novo relator do caso
Master (que tramita, em fase de investigação, anomalamente no STF) é muito inteligente e algo maquiavélica: escolheu um ministro nomeado pelo ex-presidente Bolsonaro – André Mendonça, o
“terrivelmente evangélico”. Com isso, vai silenciar as críticas do bolsonarismo – nas redes sociais – aos novos passos que vêm por aí relativos à apuração desse turbulento e temido escândalo. Foi criado um clima de insuspeição que contribui significativamente para estancar a crise que se abateu sobre o STF e restaurar a médio prazo a credibilidade e a boa imagem do órgão de cúpula do Judiciario. Pelo menos, foi tomada uma decisão que deve conter a enxurrada de medidas antijurídicas que vinham sendo determinadas por Toffoli – com evidente prejuízo para a apuração dos fatos e responsabilização dos culpados.”

Leia tambémMinistro milionário do STF é afastado do “Caso Master”

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sexta-feira - 13/02/2026 - 08:44h
Brasília em pânico

Ministro milionário do STF é afastado do “Caso Master”

Toffoli está enrascado e não segurou pressão; Mendonça assume responsabilidade (Foto: AFP)

Toffoli está enrascado e não segurou pressão; Mendonça assume responsabilidade (Foto: AFP)

Do Canal Meio para o BCS

Após meses de desgaste e uma longa reunião entre todos os integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), que avançou até o início da noite desta quinta-feira, o ministro Dias Toffoli deixou a relatoria das investigações sobre o Banco Master no STF. Seu substituto, decidido por sorteio, será André Mendonça, a quem caberá decidir se o caso volta inteiro ou em partes para a primeira instância. Ao longo de todo o dia, Toffoli vinha sendo pressionado a deixar a relatoria e até mesmo o Supremo, por conta da divulgação de um relatório da Polícia Federal sobre conversas entre ele e o dono do Master, Daniel Vorcaro.

Em nota, o STF informou que Toffoli, “considerados os altos interesses institucionais”, pediu a redistribuição do caso a outro ministro. No mesmo comunicado, o Supremo afirmou que não há fundamento para arguição de suspeição, reconheceu a validade de todos os atos praticados por Toffoli e manifestou apoio pessoal ao magistrado, destacando a inexistência de impedimento formal. (UOL)

A saída de Toffoli da relatoria do caso Master foi resultado de um acordo costurado ao longo da tensa e prolongada reunião entre os ministros do STF. Segundo ministros, o relator percebeu rapidamente que não havia maioria para sua permanência. Inicialmente resistente, acabou cedendo após ouvir manifestações de colegas que avaliaram ser inevitável a continuidade das pressões — internas e externas — caso insistisse em seguir à frente do inquérito. (Globo)

Para ler com calma. As informações contidas nos relatórios da PF entregues a Fachin ainda não são públicas, mas pequenos detalhes burocráticos dão a entender que a relação entre Toffoli e Vorcaro pode ter consequências bem mais ruidosas do que a simples saída do ministro da relatoria do caso. (piauí)

O ministro, aliás, vem acumulando um considerável patrimônio com imóveis. Somados, os imóveis registrados em Brasília em nome de Toffoli, da filha Pietra, de 25 anos, e de sua ex-mulher, Roberta Rangel, alcançam cerca de R$ 26,5 milhões em valor de mercado. A aquisição mais recente envolve um apartamento de alto padrão, comprado em fevereiro por R$ 2,5 milhões por Pietra Ortega Toffoli. A escritura não registra financiamento bancário, o que indica pagamento à vista. Procurado, Toffoli afirmou, por meio de sua assessoria, que “todas as receitas e patrimônios do ministro estão devidamente declarados e aprovados em suas declarações anuais à Receita Federal”. (Metrópoles)

Toffoli passou o dia tentando se defender e buscando maneiras de angariar apoio para se manter na relatoria do caso. Fracassou. Sua última ação como relator foi determinar à Polícia Federal que encaminhasse ao seu gabinete os relatórios sobre o Master, incluindo os dados extraídos dos telefones de Vorcaro, que, vale destacar, foram entregues ao presidente da Corte, Edson Fachin, no início da semana.

Toffoli ainda divulgou uma nota admitindo ser sócio da empresa Maridt, que recebeu pagamentos do Master na venda de uma participação no resort do qual os irmãos de Toffoli são os controladores. (g1)

Lula teme por sua campanha 

A crise teve reflexos na campanha eleitoral. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que indicou Toffoli ao STF em 2009, disse a aliados que o ministro estava desgastando a imagem do Supremo e deveria se afastar do caso Master.

Lula convocou reunião; Toffoli é seu indicado (Foto: Evaristo Sá/AFP)

Lula convocou reunião; Toffoli é seu indicado (Foto: Evaristo Sá/AFP)

Pela manhã, Lula se reuniu informalmente com o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Em seguida, fez saber que o Planalto considerava que a insistência de Toffoli em seguir no caso contaminava o governo — por conseguinte, sua campanha à reeleição.

Pelo lado da oposição, conta o Painel, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi aconselhado a “jogar parado”, não se envolvendo com o tema. Segundo seus assessores, a situação desgasta o governo, e uma crítica de Flávio ao Supremo azedaria mais as relações da família com a Corte num momento em que se pleiteia a transferência de Jair Bolsonaro para prisão domiciliar. (Folha)

Eliane Cantanhêde: “O Supremo tentou uma ‘solução salomônica’, ao afastar Toffoli da relatoria do escândalo Master como se fosse ‘a pedido’, o que não é exatamente verdade, mas essa saída foi tarde demais e óbvia demais, já que Toffoli era indefensável e estava, ou está, afundando a Corte num abraço de afogados. O estrago já está feito”. (Estadão)

Malu Gaspar: “O caso Toffoli escancara desconfiança entre a PF, a PGR e o Supremo no inquérito do Master. Paulo Gonet só soube do conteúdo do relatório da PF na quinta-feira, depois que vários detalhes já tinham se tornado públicos”. (Globo)

Polícia Federal não confia no STF (Foto ilustrativa)

Polícia Federal não confia no STF (Foto ilustrativa)

Vinicius Torres Freire: “Há medo e confusão em Brasília, medo de ‘lavajatização’, pois ‘começou a voar papel’, diz um parlamentar das antigas, se referindo a vazamentos de investigações. Quanto mais gente abatida, maior o risco de delação ou revanche”. (Folha)

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Categoria(s): Política
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