“Quando um homem é bom amigo, também tem amigos bons.”
Nicolau Maquiavel
Jornalismo com Opinião
“Quando um homem é bom amigo, também tem amigos bons.”
Nicolau Maquiavel
Neste domingo (04), engarrafamento de alguns quilômetros em pista duplicada marcou, ainda à noite, o retorno de centenas de veículos à cidade de Mossoró.
A grande maioria partiu principalmente de Tibau (a 42 Km), para onde afluiu no fim de ano.
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Por Cid Augusto
Pedalei durante anos, até ser vítima de um assalto na Duodécimo Rosado, à época já uma das ruas mais movimentadas de Mossoró. Depois, ao superar o trauma, caí na Amaro Duarte. Estabaquei-me no chão feito jaca madura. Recentemente, por ordem da minha junta médica – ortopedista, endocrinologista, cardiologista e psiquiatra – matriculei-me na musculação e ressuscitei a bicicleta.
Um dos poucos exercícios físicos com os quais me identifico é o pedal e, mesmo assim, nem tanto. Minha vocação de “mermo-mermo” é o sedentarismo. Sou sedentário convicto e militante desde a infância. Se dependesse de mim, passaria o dia lendo e escrevendo. Aliás, embora cumprindo a obrigação de paciente bem-comportado, ainda não estou convencido da real necessidade de tanto esforço corporal.
No primeiro dia do recomeço, a bike me conduziu por 10 quilômetros. No segundo, cravei 13 em 50 minutos – e aqui não vai qualquer mensagem subliminar como o disco da Xuxa tocado de trás para frente ou a suposta guinada comunista das Havaianas. Poderia ter feito percurso maior, mas preferi não forçar a barra. Lembrei-me de Trupizupe interpretado por Nonato Santos: “Devagar com a ligeireza, que a vagareza se cansa”.
Fiz as duas últimas rotas em vias de Capim Macio e de Ponta Negra, a primeira em um início de noite e a segunda hoje de madrugada. Natal tem ótimas ciclovias, embora várias delas não me tranquilizem nem um pouco, por congregarem, no mesmo espaço, as faixas de ônibus e de bicicletas. O ciclista se sente o próprio Capitão Ahab desafiando uma Moby Dick a cada cinco minutos, no oceano de carros.
Desculpa se a comparação parece antiecológica. Reconheço que as baleias são criaturas inocentes. Elas não criam problemas, a não ser quando provocadas, diferentemente dos ônibus enfurecidos e dos carros e motos inconsequentes, que invadem a “ciclo-bus-faixa” e ultrapassam quase se esfregando em nós, para evidenciar a relação de poder desigual entre o Senhor Volante e o Senhor Pedalante.
“Ok”, “ok”, “ok”, tomo por empréstimo a expressão do grande Afonso Lemos para anunciar que devo testar áreas menos caóticas nos próximos dias. A Via Costeira – entre Ponta Negra e a Ponta do Morcego – parece segura quanto ao risco de atropelamento. Há também a Rota do Sol. Posso ir ao Pium e voltar sem maior sacrifício, suponho. Só temo o vento. Na hora em que esse camarada se lança com as quatro patas nos peitos de um indigitado, parece até que as catracas estão engatadas em marcha a ré.
Qualquer coisa, se eu não aguentar o tranco, peço a Clarisse Tavares que me resgate na estrada, circunstância previsível que me lembra certa viagem que tentei fazer, com um grupo de ciclistas turbinados, de Mossoró a Assú, em Noite de Lua Nova, na contramão da ventania. Antes da metade do caminho, arreguei e pedi ajuda ao repórter fotográfico Luciano Lellys, que logo saiu em meu socorro no Fiat Uno do jornal O Mossoroense.
Para não ficar esperando na BR-304 – passava das 21h e eu ainda estava assustado com o assalto –, continuei pedalando na expectativa de alcançar Zé da Volta. De repente, vi Luciano passar, lépido e fagueiro. Gritei, gesticulei… e nada. Chegando ao posto, a cerca de 40 quilômetros de distância de Mossoró e 30 de Assú, consegui um telefone emprestado e liguei para Lellys, que há tempos acompanhava o comboio do qual eu me separara por falta de preparo físico e de velocidade.
Meu amigo voltou, ajudou-me a arrumar, no bagageiro do carro, a bicicleta que depois vendi a Gilson Cardoso. Arriamos o banco traseiro do Uno e tiramos o pneu dianteiro da bike para caber. Na volta, já na zona urbana, perguntei se o socorrista, ao passar, não havia me visto no acostamento. E ele respondeu: “Não! Eu vi um babaca quase morrendo, pedalando sozinho, e fui embora”. Pois bem, o babaca era eu.
Cid Augusto é jornalista, advogado, professor, poeta e escritor
Por Honório de Medeiros

Cônego Bernardino José de Queirós e Sá em imagem refeita com recursos de Inteligência Artificial para o BCS
Muitos anos depois, ao recordar, com a leitura de As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley, o relato do desaparecimento lento e inexorável da cultura celta na Bretanha do ciclo Arturiano, substituída pela opressiva aliança entre o cristianismo, tal qual o entendia a Igreja Católica de então, e o poderio do Estado romano, associei o sentimento quanto a essa perda à minha própria amargura com a extinção, também impossível de ser detida, da antiga tradição cultural sertaneja nordestina, iniciada no ciclo do gado, nos idos do século XVI.
Rcordei, então, enquanto caminhava, garoto, pelas ruas da minha infância, tangido suavemente por meu pai, a cumprimentar, tímido, os vizinhos, dentre eles seu colega de trabalho, Francisco Alves Cabral (Seu Chico Cabral), a quem eu conectava imediatamente, por ser filho de Pedro Alves Cabral, com a Casa Grande da Fazenda São João, uma das três ou quatro construídas no “início das eras” naquela Região, o Alto Oeste Potiguar, de onde os Fernandes, todos descendentes de Mathias Fernandes Ribeiro, filho de portugueses, se espalharam pelo Brasil.
Pedro Alves Cabral nasceu lá, na lendária Casa Grande que Lampião recusou atacar, por artes de Massilon, quando invadiu o Rio Grande do Norte dirigindo-se a Mossoró, e ouvira suas histórias e estórias nos serões familiares, testemunhou algumas e foi, ele mesmo, o epicentro de um evento contado aos sussurros entre os adultos Fernandes, mas escutados por meninos de ouvidos ávidos, que atribuía seu nascimento em 1879, no dia de São Pedro, às infidelidades do Capitão Childerico José Fernandes de Queirós e Sá, então proprietário do solar senhorial, por casamento com Maria Amélia Fernandes, a Dona Marica do João Gomes, única herdeira de todo o patrimônio do Tenente Coronel Epiphanio José Fernandes de Queirós, conhecido como Major Epiphanio, falecido em 1884, e seu construtor.
Childerico I se casou duas vezes. A primeira com Guilhermina Fernandes Maia, filha do primeiro casamento de Diogo Alves Fernandes Maia com Maria Fernandes Maia. Desse casamento nasceram:
1. Adolpho José Fernandes, conhecido por Sinhô, casado com Primitiva Fernandes;
2. Marcionila Fernandes;
3. Childerico José Fernandes Filho;
4. Maria Fernandes Ferreira;
5. Joana Fernandes Ribeiro;
6. Levina Fernandes;
7. Guilhermina Fernandes de Queiróz;
8. Honorina Fernandes;
9. Francisca Fernandes de Souza.
Do seu segundo casamento, com Maria Amélia Fernandes (Dona Marica do João Gomes), teve os seguintes filhos:
1. João Câncio Fernandes;
2. Ernesto Fernandes de Queiróz;
3. Umbelina Fernandes da Silveira;
4. Francisca Fernandes Távora.
A história de Dona Marica é, por si mesma, uma lenda na família Fernandes.
Consta que Antônio Fernandes da Silveira Queirós (o Major do Exu) teve vários filhos, dentre eles o Major Epiphanio e o Cônego Bernardino José de Queirós e Sá, que foi vigário de Pau dos Ferros de 1849 a 1884.
O Major Epiphanio não teve filhos; o Padre, dez a doze, segundo alguns, dezesseis, dizem outros, de várias mulheres, dentre eles Dona Marica, a primogênita, adotada por seu irmão e dele futura e única herdeira.
Ao assumir a fazenda João Gomes, o Capitão Childerico, ao que consta, segundo as lendas, manteve a tradição inaugurada pelo Cônego Bernardino de povoar os oitões, sótãos e porões da Casa Grande, e dele nasceu Pedro Alves Cabral, pai de Seu Chico Cabral, a quem eu sempre associei ao lendário Solar da família e a proteção que recebeu, ao longo da vida, dos Fernandes descendentes do seu avô.
Bem como lembro, imediatamente, de outras tantas e preciosas histórias e estórias que o pó do tempo insiste em sepultar, lentamente encaminhando toda uma cultura da qual, hoje, quase não há mais testemunhas vivas, para o desaparecimento.
Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura de Natal e do Governo do RN
Por Odemirton Filho
O barco estava ancorado. Seria o barco do velho pescador Tidó? Quem sabe.
O que sei é que eu e alguns primos estávamos na adolescência, e ficávamos conversando sobre a possibilidade de irmos até lá. Tomávamos coragem, e íamos. Eram cinco ou seis meninos púberes. Vez ou outra, um tio ou um primo maior de idade ia nadando à frente. Nadávamos o mais rápido que podíamos.
Medo? Sim, tínhamos. No entanto, o desejo de se aventurar era maior. Para um menino entrando na primeira adolescência o medo é de somenos importância. O que realmente importava era desbravar o novo, fazendo-se homem, com uma coragem inabalável; nenhum de nós queria ser tachado como um frouxo.
Não foi uma ou duas vezes. Inúmeras vezes fomos aos barcos que estavam ancorados na praia de Tibau, pois o mês de Janeiro era o momento de se libertar dos compromissos escolares. Era o momento de curtir as férias; de nadar, de jogar bola na areia; de “pegar ondas”, principalmente no período da lua cheia, quando o mar ficava agitado e perigoso. Não conto as vezes que nadava para sair da água, e o mar me puxava, como se tivesse mãos.
Quando chegávamos ao local, subíamos na embarcação e ficávamos mergulhando, sob um sol de rachar o juízo. Conversávamos sobre as próximas aventuras, sobre as paqueras que já começavam a despontar, enfim, conversávamos sobre assuntos de adolescentes.
Depois de um certo tempo, nadávamos de volta pra areia da praia. Estávamos exaustos, queimados pelo sol e com sede. Comprávamos um picolé e íamos para casa, à espera do almoço. À tarde, ficávamos deitados nas redes, no alpendre, jogando conversa fora e aguardando passarem na rua vendendo grude e gelé.
No dia seguinte, tudo de novo. Eram dias de imensa alegria. Sem pressa. A areia da praia e o mar eram nossos amigos inseparáveis.
Hoje, entretanto, “o mar não está pra peixe”. Quando estou à beira-mar, apenas vislumbro o horizonte e os barcos ancorados, mas já não tenho coragem, nem fôlego, de nadar até lá. Então, recordo-me da minha juventude; são lembranças açucaradas, ou melhor, salgadas, daqueles dias de aventuras.
Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos
Por Marcelo Alves
Os romances de formação são um tipo de “gênero literário”, muito comum na literatura alemã, cujo enredo está centrado na evolução moral e psicológica de um protagonista, geralmente desde a sua juventude até a idade adulta. “Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister” (1795-1796), obra seminal de Goethe (1749-1832), é o seu marco referencial, ao mesmo tempo um ponto de chegada e de partida, que exerceu enorme influência sobre a subsequente literatura ficcional no estilo. No mais, eles são universalmente designados pela expressão alemã “bildungsroman”, que, “desconstruída” para o português, nos dá “romance de formação” ou “romance de educação”.
Embora típico da literatura alemã, os “bildungsromane” não são desconhecidos em outras literaturas. Em inglês, por exemplo, podemos apontar “Jane Eyre” (1847) de Charlotte Brontë (1816-1855), “David Copperfield” (1850) e “Grandes Esperanças” (1861) de Charles Dickens (1812-1870) e “As aventuras de Huckleberry Finn” (1884) de Mark Twain, entre tantos outros.
Outrossim, muito embora “estritamente falando o termo não possa ser aplicado a texto anterior ao Wilhelm Meister”, o “bildungsroman”, de fato, como bem registrado na “Benét’s Reader’s Encyclopedia” (HarperCollins Publishers, 1996), “representa a culminância de uma longa tradição”. E podemos citar, como grande exemplo de “romance de formação” anterior ao “Wilhelm Meister”, nada mais nada menos que a “Divina Comédia” (1321), de Dante Alighieri (1265-1321), texto fundador da língua italiana e, de resto, uma das obras fundamentais da literatura mundial. Nela, como consta da minha edição da “Comédia” (Martin Claret, 2015), “acompanhado por Virgílio [seu mentor e guia], o poeta percorre o Inferno, o Purgatório e o Paraíso” em busca da verdade revelada. Dante, claro, também vai ao encontro da amada Beatriz.
Noves fora a Bíblia e Shakespeare, nenhum outro autor ou obra é tão badalado e dissecado quanto Dante e a sua “Comédia” (não só nas letras, mas também na arte pictórica, tendo ela assim formado a nossa visão – falo aqui de imagem mesmo – do mundo, dos céus ao inferno e vice-versa). Há inúmeras maneiras de se ler a “Comédia”, todas elas, como não poderia deixar de ser com esse tipo de monumento-esfinge do saber, incompletas. E numa dessas leituras, a Comédia é interpretada como “um épico do aprendizado”.
Como anota George Steiner (em “Lições dos mestres”, Record, 2005), “as fontes, o moto spirituale da Comédia, são as da pedagogia. O poema instrui no seu desenrolar e isso se dá através de sucessivas lições e master classes. As condições e ações de mestre e discípulo são essenciais à jornada”.
Lembremos sempre que, para Dante, o seu maestro supremo é uma “Divindade Suprema”, mas o seu mestre/guia, como peregrino do aprendizado, pelo Paraíso, Purgatório e Inferno, é o grande pagão Virgílio (70aC-19aC). De fato, “o grande achado de Dante, radical e determinante de sua obra, foi fazer do autor da Eneida o guia do peregrino, figura paterna, exemplar. A parceria eletiva entre Mestre e discípulo torna-se o eixo da jornada.
A densidade da interação, articulada e subconsciente, é tal que qualquer abordagem adequada requer, virtualmente, uma releitura verso por verso tanto do Inferno quanto do Purgatório. A condição de pupilo é declarada desde o início: ‘Tu sei lo mio maestro e ‘l mio autore’. (…) A Comédia é a anatomia dessa natureza de rapport. Mais do que qualquer outro texto a partir de então, ele é o nosso Bildungsroman”.
De toda sorte, há algo de curiosamente trágico na interpretação da “Divina Comédia” como “bildungsroman”, em especial no final da relação entre Dante e Virgílio, entre o pupilo e seu mentor/guia: a negação a Virgílio, por parte de Dante, de qualquer possibilidade de salvação na vida em Cristo. Como se cumprindo o seu fatum ao mesmo tempo teológico e literário, Virgílio, o mestre/pagão, que guia seu pupilo à luz, é, ao final da peregrinação de ambos, condenado ao limbo, o primeiro círculo do Inferno.
E nos resta a questão: não havia mesmo jeito de Dante “salvar” o seu “dolicissime patre” Virgílio? Ou estamos diante, como se referiu o já citado George Steiner, da “sombra da traição projetada onde mais se concentrava a luz da felicidade [paternidade]”?
Sobre essa “tragédia da comédia” nós conversaremos na semana que vem. Paciência.
Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República, doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras – ANRL
Por Bruno Ernesto
Não é só impressão sua, o final do ano também muda no sertão. A caatinga tem essa beleza peculiar.
Aliás, de tudo que já vi, não há bioma mais bonito que ela. Até o seu cheiro é melhor.
O que olhos de quem não está acostumado mostram, nunca foi, não é, e nunca será morta.
Sua aparência, especialmente de setembro em diante, é um contraste entre cinzas, marrons, amarelos, vermelhos e surpreendentes verdes pontuais.
Quando passar por ela em dezembro, estenda o seu olhar e verá belos pereiros, juazeiros e cactáceas verdes, como o Cereus Jamacaru que tanto encantou Frans Post.
Se Claude Monet, Van Gogh e Rembrandt tivessem seguido os passos de Frans Post, a história da arte teria sido outra. Muito mais impressionante, que se diga.
Embora os incautos ainda julguem que a seca nos cerca como uma ferida que nunca cicatriza, como bem disse Neruda, há feridas que abrem a nossa pele; já outras, os nossos olhos.
Bruno Ernesto é advogado, professor, escritor e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró (IHGM)

Fachi e Moraes compõem o STF, centro de muita polêmica, um mundo próprio sem controle (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
Por Breno Pires (Revista Piauí)
Desde que assumiu a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Edson Fachin passou a trabalhar pela adoção de um código de conduta para os ministros da Corte, de modo a estabelecer parâmetros claros, explícitos e próprios de comportamento.
Inspirado no código de conduta do equivalente ao STF na Alemanha, Fachin fez a sua defesa mais explícita à proposta no discurso de encerramento do Ano Judiciário de 2025, em 19 de dezembro. Na ocasião, a reputação institucional do STF passara a ser questionada no caso do Banco Master. Fachin disse que a corte, para 2026, tem um “encontro marcado” com temas entre os quais estão as “diretrizes e normas de conduta para os tribunais superiores, a magistratura em todas as instâncias e no Supremo Tribunal Federal”.
“Cabe-nos exercer nossas atribuições com rigor técnico, sobriedade e consciência histórica. Não poderia, nessa direção, deixar de fazer referência à proposta, ainda em gestação, de debatermos um conjunto de diretrizes éticas para a magistratura. Considerando o corpo expressivo que vem espontaneamente tomando o tema no debate”, disse o presidente do STF, cuja proposta tem um único aliado público até agora entre os membros da corte: a ministra Cármen Lúcia.
A reação foi imediata. Oito ex-presidentes do STF defendem a adoção do código de conduta. Em outubro, o ex-ministro Cezar Peluso foi um dos subscritores de um documento da Fundação FHC com propostas para o aprimoramento do judiciário, incluindo, entre os pontos, um manual de conduta para o STF. Em 22 de dezembro, Ayres Britto, Carlos Velloso, Celso de Mello, Marco Aurélio Mello e Rosa Weber expressaram apoio à ideia, em reportagem de Rafael Moraes Moura, no jornal O Globo.
O ex-ministro Joaquim Barbosa, relator da ação penal do mensalão, afirmou à piauí que “apoia 100%” a criação do código, e que o caso Master reforça a necessidade de fazê-lo. “As duas coisas estão entrelaçadas. Código de conduta é o mínimo que se pode fazer neste momento”, disse Barbosa, em sua primeira declaração sobre o assunto.
Além deles, o antecessor de Fachin na presidência, Luís Roberto Barroso, apoia a iniciativa, mas ainda não se pronunciou publicamente. “Não é difícil imaginar o que eu penso. Mas desde que saí do Supremo, estou procurando ficar abaixo do radar e evitando declarações”, disse à piauí.
Internamente no STF, os demais ministros têm evitado falar do assunto, mas por outro motivo. “O silêncio da bancada desconfortável com o código de conduta é o sinal mais gritante da sua conveniência, para não dizer necessidade”, escreveu o colunista Elio Gaspari, dos jornais O Globo e Folha de S.Paulo.
Gilmar acha tudo “bobagem”
O principal – e até agora único – porta-voz da resistência é o decano do tribunal, Gilmar Mendes, que falou sobre a proposta de Fachin em conversa com jornalistas de diversos veículos, na segunda-feira, 22. O ministro sustentou que já existem regras suficientes para regular a conduta de magistrados no Brasil, o que torna desnecessário adotar um código próprio para o STF.
Na conversa com os jornalistas, o decano chamou de “bobagem” as cobranças da imprensa sobre participações de magistrados em eventos e expressou seu desacordo em relação à ideia de moderação nas manifestações públicas de ministros, inclusive sobre processos em julgamento. “Eu travei toda aquela batalha contra a Lava Jato falando, denunciando. Se eu não tivesse falado, certamente nada teria mudado”, afirmou.
No mesmo dia, o gabinete de Gilmar Mendes divulgou aos jornalistas um levantamento comparativo para demonstrar que tudo aquilo que o código alemão exige de seus juízes — independência, imparcialidade, cuidado com a vida privada, recusa de benefícios, moderação na comunicação pública, quarentena depois da aposentadoria — já está contemplado, de uma forma ou de outra, no ordenamento jurídico brasileiro.
O levantamento divulgado por Mendes cita a Constituição brasileira, a Lei Orgânica da Magistratura e o Código de Ética da Magistratura Nacional do Conselho Nacional de Justiça, além das regras previstas no Código de Processo Civil e no Código de Processo Penal. “Não há vácuo no ordenamento jurídico brasileiro quanto à disciplina da conduta, independência e imparcialidade dos juízes”, conclui o texto.
Entre os críticos da falta de contenção no comportamento de alguns magistrados, há aqueles que concordam que talvez não haja “vácuo” nas leis brasileiras. O problema, na verdade, está em outro lugar: o descumprimento das normas existentes, que vem sendo justificado por uma interpretação cada vez mais elástica das próprias normas.
Afinal, o próprio comparativo divulgado por Gilmar afirma que o código de conduta alemão recomenda que os magistrados divulguem os rendimentos obtidos por palestras e eventos. Até hoje não se sabe quanto cada ministro recebeu ao participar de eventos como os fóruns do Lead, Esfera, grupos econômicos do setor dos bancos, planos de saúde e mesmo em eventos como o bancado pela Refit em Nova York neste ano. Neste ponto, o vácuo é explícito: nenhuma norma brasileira exige a divulgação de remuneração.
O código da Alemanha também veda que os juízes se envolvam em eventos que provoquem “dúvidas sobre independência, imparcialidade e integridade”. Mesmo assim , aqui no Brasil, Dias Toffoli pegou carona no jatinho do advogado do Master para ver a final da Libertadores em Lima, no Peru. E, ao desembarcar de volta, puxou para si o caso do Master e decretou sigilo sobre o assunto. Solicitado a explicar sua atitude, Toffoli disse que só recebeu o processo do Master depois da viagem e que não conversa sobre processos em ocasiões como essa. No entanto, o ministro já estava na capital do Peru quando foi sorteado relator do caso.
Ocaso que tornou o debate sobre código de conduta mais urgente envolve o ministro Alexandre de Moraes e, mais uma vez, o Banco Master. Primeiro, a jornalista Malu Gaspar*, de O Globo, revelou que o escritório de advocacia da mulher do ministro, Viviane, tinha um contrato milionário com o Master. Ganhava 3,6 milhões de reais por mês. Se o contrato não tivesse sido rompido depois do escândalo do Master, renderia um total de 129 milhões — um valor fora do padrão do mercado .
O escopo do contrato do Master com o escritório da mulher do ministro era amplo: representar os interesses do banco nos Três Poderes, em órgãos como o Banco Central, a Receita Federal e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica. Mensagens apreendidas pela Polícia Federal indicavam que os pagamentos ao escritório eram tratados internamente pelo Master como prioridade absoluta. Até agora não surgiram registros formais de atuação do escritório da mulher de Moraes junto ao Banco Central ou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica em favor do Master. O ministro Alexandre de Moraes e o escritório foram procurados pela imprensa, mas não responderam aos questionamentos.
Depois do contrato, a repórter Malu Gaspar revelou que o ministro manteve ao menos quatro contatos (três telefônicos e um pessoal) com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante o período mais sensível da crise do Master. Segundo a reportagem, o ministro Moraes buscou informações sobre o andamento da compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB). Ouviu do regulador que havia indícios de fraude que inviabilizavam a transferência de mais de 12 bilhões de reais de crédito do Master para o BRB.
Moraes lançou duas notas em menos de 24 horas. Na primeira, afirmou que as reuniões com dirigentes do sistema financeiro ocorreram “exclusivamente” para tratar dos impactos da Lei Magnitsky – e não fez nenhuma menção ao Master. A jornalista Daniela Lima, do UOL, antecipou a versão de Moraes, mas divergiu em um ponto da nota: afirmou que, sim, houve menção ao Master em conversa com Galípolo.
Na segunda nota, Moraes foi mais explícito e disse que “em nenhuma das reuniões jamais foi tratado qualquer assunto ou realizada qualquer pressão referente à aquisição do BRB pelo Banco Master”. Admitiu dois encontros com Galípolo, em seu próprio gabinete no STF, em 14 de agosto e 30 de setembro. Disse também que “jamais esteve no Banco Central e que inexistiu qualquer ligação telefônica entre ambos, para esse ou qualquer outro assunto” e que “o escritório de advocacia de sua esposa jamais atuou na operação de aquisição BRB-Master perante o Banco Central”. Sobre este último ponto, ninguém havia dito o contrário.
Segundo uma nova reportagem, agora do jornal O Estado de S. Paulo, Moraes chegou a ligar seis vezes em um único dia para Galípolo. Em sua resposta, o Banco Central não mencionou números, mas afirmou que todas as interações foram documentadas e que a instituição está à disposição para prestar esclarecimentos. Em coletiva de imprensa, em 18 de dezembro, Galípolo declarou publicamente que o BC registrou reuniões, telefonemas e trocas de mensagens relacionadas ao caso.
A única nota à imprensa divulgada pelo Banco Central, em 23 de dezembro, diz: “O Banco Central confirma que manteve reuniões com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, para tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky”. Nada do que se discute no caso Banco Master desmerece ou contamina os julgamentos dos envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro, conduzidos pelo ministro Alexandre de Moraes com base em um conjunto robusto e incontroverso de provas.
Confundir esses planos significa politizar as suspeitas, criando uma equivalência inexistente entre investigações sem relação entre si — algo distinto do que ocorreu em episódios como o da Lava Jato, em que a condução dos processos por Sérgio Moro violou os próprios princípios da operação.
Paradoxalmente, quem caiu na armadilha de criar a falsa equivalência entre o caso Master e o julgamento dos golpistas foi a própria esquerda, que invadiu as redes sociais atacando Malu Gaspar, como se suas revelações fizessem parte de um complô para desmoralizar o ministro que condenou Bolsonaro e seus militares.
A onda chegou a tal ponto que a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI) lançou uma nota em defesa da jornalista. “Infelizmente, nos últimos anos, se tornaram comuns os ataques misóginos a mulheres jornalistas que fazem reportagens sobre pessoas que ocupam importantes espaços de poder”, diz a nota. “Quando qualquer jornalista sofre intimidação por exercer o seu ofício, perde a sociedade como um todo.”
STF sem controle
Nenhuma norma de conduta foi capaz de evitar todos esses acontecimentos. “Do ponto de vista institucional, não é tanto sobre a qualidade ou efetividade das normas”, diz o professor Rubens Glezer, da FGV-SP, “mas sobre a forma como o Supremo se organiza para controlar a atuação cotidiana de seus próprios ministros”. Glezer destaca que, ao reconhecer a constitucionalidade do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o próprio STF estabeleceu que seus ministros não estariam sujeitos a controle externo regular, e em razão disso o STF não tem uma instância institucional de controle sobre equívocos, atitudes abusivas, excessos e violações éticas de seus ministros.
“O controle existente é basicamente entre os próprios ministros e, no limite, o impeachment pelo Senado. E não é um bom instrumento”, afirma Glezer. Nesse contexto, de acordo com o professor, a proposta de um código de ética é uma tentativa de estruturar esse controle interno e preservar a autonomia do tribunal, evitando que a única resposta possível a crises recorrentes seja a intervenção externa ou soluções excepcionais.
Além disso, em 2023, o STF derrubou um dispositivo do Código de Processo Civil que ampliava as hipóteses de impedimento de juízes quando escritórios de seus parentes advogassem junto à corte. A decisão reduziu restrições criadas para prevenir conflitos indiretos de interesse e reforçou a aposta na autocontenção individual dos magistrados. Hoje, Brasília está tomada por parentes de ministros com escritórios de advocacia. De alguma forma, tornou-se comum que familiares de ministros do STF que já advogaram ou advoguem na corte – entre eles, as mulheres de Moraes, Toffoli e Cristiano Zanin, a ex-mulher de Gilmar Mendes, o filho do ministro Luiz Fux e a irmã do ministro Kassio Nunes Marques.
Um dos pontos que o caso Master evidencia é o despautério da presença frequente de ministros do STF em eventos patrocinados por empresas com causas bilionárias na corte. Antes disso tudo, entre 2022 e 2024, o Banco Master bancou ao menos cinco eventos — dos quais quatro no exterior: Nova York, Paris, Londres e Roma –, que contaram com a presença de ministros do STF, como Moraes, Gilmar, Toffoli, Luís Roberto Barroso e Ricardo Lewandowski, segundo levantamento do Poder360.
Um dos episódios mais citados ocorreu em 2022, durante a Brazil Conference, quando o controlador do Master, Daniel Vorcaro, ofereceu um jantar em Nova York que reuniu ministros do STF. No Fórum Jurídico Brasil de Ideias, realizado em Londres em abril de 2024, Moraes, Gilmar e Toffoli compareceram, assim como o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, que foi indicado recentemente por Lula para o STF e aguarda sabatina e votação de seu nome no Senado.
Nestes eventos, não há registro de encontros ou reuniões paralelas, não há divulgação de agendas, nem comunicação prévia de potenciais conflitos. A resistência a transformar esses escrúpulos em norma obrigatória revela mais do que divergências técnicas ou jurídicas, segundo o professor Davi Tangerino, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Ela reflete um traço estrutural da vida pública brasileira: o patrimonialismo. “Muitos agentes públicos se sentem donos do cargo”, afirma Tangerino. Segundo ele, isso se manifesta em decisões moldadas por visões pessoais, na construção de posições de poder em relação a outros Poderes e, em casos extremos, há risco de corrupção.
Editoriais
A leitura dos editoriais publicados nos últimos dias por O Globo, Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo revela enfoques distintos, mas convergentes. O Estadão afirmou que conexões pessoais mal explicadas de ministros do Supremo com o Banco Master “arriscam a credibilidade do STF” e colocam a Corte em “terreno pantanoso”, ao converter episódios individuais em um problema institucional. A Folha enquadrou o episódio como expressão de um déficit mais amplo de controles, advertindo que a ausência de freios institucionais favorece excessos e reforça a percepção de que “poderosos se protegem”.
Já o Globo, em editorial intitulado STF fracassa em transparência e prestação de contas, destacou que a corte demorou duas semanas para se manifestar sobre o vínculo entre Moraes e o Master. O jornal carioca classificou como “inaceitável” a continuidade do segredo imposto por Toffoli e defendeu explicitamente a adoção de um código de conduta para os ministros do Supremo, como forma de “dirimir todas as situações que gerem conflito de interesse” e preservar a integridade institucional da Corte.
No centro do debate não está um banco, nem um contrato, nem um voo, nem um telefonema. Está uma questão mais ampla: se um tribunal que cobra transparência dos demais poderes está disposto a submeter a si mesmo a regras capazes de transformar princípios éticos em procedimentos objetivos. Enquanto essa resposta não vier na forma de normas claras, casos como o do Master continuarão a explicitar que confiança pública é uma construção permanente.
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Por Marcos Ferreira
Consultou o reloginho de aço que ganhou de presente do falecido marido no Natal do ano passado. Eram nove horas e cinco minutos da manhã. Ainda não havia parado de chover por inteiro. Caía uma garoa em meio a um vento frio. O sol permanecia oculto. Alguns postes da rede elétrica continuavam acesos desde a noite anterior. Era possível que o mau tempo voltasse a qualquer instante. Apesar disso Matilde colocou sua máscara, pegou o velho guarda-chuva, afagou a cabeça das meninas e disse que não abrissem a porta para ninguém. Exceto se fosse Das Neves, única irmã de Euclides, ou a antipática senhora Esmeralda, mãe do morto. Incomodava-a o fato de se ver obrigada a deixar as filhas sozinhas.
Naquele momento, porém, não tinha opção. No armário da comida restara apenas massa de milho, um pouco de açúcar e um pacote de café. Apreensiva, olhos tristonhos, seguiu para o armazém do senhor Euzébio Suassuna, uma das vendas mais sortidas do pequeno município de Curral dos Porcos.
O bairro de Boa Vista se encontrava quase deserto. Poças d’água e lama logo atingiram as sandálias de Matilde, sujando seus dedos e calcanhares. O bairro não tinha pavimentação, contudo se encontrava distante das áreas inundadas. Pendurada no ombro direito, para a eventualidade de que o comerciante lhe confiasse a compra dos mantimentos, conduzia uma bolsa de palha de tamanho médio.
Ruas quase desertas. Aqui e acolá, debaixo dos seus guarda-chuvas e usando máscaras de proteção contra o vírus, alguns moradores se aventuravam na garoa. Decerto por força das circunstâncias. É evidente que não estariam ali por espontânea vontade; vultos em meio à neblina. Ninguém parava para conversar com ninguém àquele instante. Outros simplesmente observavam o mínimo movimento com os cotovelos apoiados sobre o parapeito de suas janelas. Pássaros dispersos riscavam o céu escurecido. O vento foi ficando mais forte, sibilando nos fios do posteamento.
Indiferente às condições climáticas, a jovem mulher seguiu seu rumo exposta à possibilidade de a chuva cair de vez e alcançá-la no meio do trajeto. Quando dobrou na esquina da farmácia, Matilde empalideceu. A mercearia do senhor Euzébio estava de portas fechadas. Ocorreu-lhe chamá-lo na casa contígua ao comércio, residência do homem, e explicar-lhe o momento de sufoco em que se encontrava. Considerou, entretanto, que seria audácia importunar alguém naquelas condições para comprar sob promessa de pagamento. Com os pés enlameados e roupas enxovalhadas, deu meia-volta levando a bolsa de palha. Não tinha outro lugar onde pudesse conseguir crédito. Recordou-se de que era sábado e que talvez o senhor Euzébio tivesse resolvido não abrir por causa disso. Aquelas chuvaradas representavam um motivo a mais.
Parou sob a marquise da farmácia e se pôs a refletir.
— E agora, meu Deus? — murmurou.
Precisava engolir o orgulho e pedir ajuda a quem ela não gostaria. Embora não fosse muito bem-vinda ali, restava-lhe a casa da sogra, com a qual nunca tivera boa relação. E os problemas pioraram após a morte de Euclides. A senhora Esmeralda, como é comum entre as famílias do interior, desejava que o filho namorasse e se casasse com uma certa prima. Contudo ele se encantou por Matilde desde quando a conheceu trabalhando em casa do senhor prefeito Gilberto Pedrosa. Ela fora recomendada à família do político por uma irmã deste, a senhora Albertina, residente em Aroeira Santa e patroa dos pais de Matilde. Os genitores da moça haviam morrido num desastre com um ônibus na estrada de Aroeira Santa para a capital, Belo Jardim.
Não tardou e Euclides e Matilde começaram a namorar. Ele tinha à época seus vinte e oito anos e ela contava apenas vinte e três. Após dezoito meses de relacionamento, contrariando todos os cuidados, ela engravidou e deu à luz a primeira filha, batizada com o nome Vanda. Na metade da gravidez Matilde precisou deixar o trabalho na casa do prefeito. Depois do parto, dispondo da ajuda de Das Neves, dedicou-se a cuidar da filha e da casa.
O imóvel foi adquirido graças à generosidade do patrão, que lhes vendeu o terreno por uma pechincha e deu baixa na carteira de Euclides, de maneira que este pudesse fazer uso da verba rescisória. Pouco depois o senhor Gilberto o readmitiu no serviço da olaria. Euclides, apesar da contrariedade da mãe, foi ajudado pela própria senhora Esmeralda e pelo pai, o senhor Adonias, funcionário aposentado da Receita, morto também no ano passado em decorrência de um enfarto.
Claro que a saída de Matilde da residência do senhor Gilberto causou frustração. O prefeito nutria expectativas de ter um caso com a moça. Esta, contudo, sempre se esquivou das indiretas e diretas do empregador.
Do modesto lar de Euclides e Matilde, entretanto, foi concluída tão só a parte estrutural, algo que consideravam uma grande vitória. Pois, ao contrário de muita gente, não estavam no cabresto do aluguel nem morando com os pais de Euclides, suportando os humores da senhora Esmeralda. “Vamos fazendo o restante aos poucos”, dizia o oleiro. Assim passaram a residir na modesta casa dispondo do básico. Estavam felizes com essa nova fase de suas vidas, em particular pela chegada de Vanda. O piso, o reboco, revestimento do banheiro, entre outras pendências, planejavam fazer mais adiante com as economias que pudessem manter em uma caderneta de poupança. Mas veio Ritinha (segunda filha) e as melhorias do domicílio emperraram.
Quase dez horas. A ventania açoitava o guarda-chuva com mais força. Matilde chegou à casa da sogra e esta a recebeu de cenho trancado. A velha já supunha que a moça estava ali por necessidade. Do contrário não teria saído de casa naquelas condições. Logo pôde concluir, para aumentar-lhe o ranço gratuito, que outra vez a nora deixara suas netas sozinhas. Demorou alguns segundos para abrir a porta.
— O que faz aqui, com esse tempo? — resmungou.
— Vim lhes pedir ajuda. Estamos sem comida. O dinheiro acabou e não disponho de nada para dar às meninas de hoje para amanhã.
— Podemos ajudar — antecipou-se Das Neves, sua cunhada.
— Agradeço. Só me abalei até aqui por causa disso.
— Claro que vamos ajudar — confirmou a sogra. — Não vou deixar as minhas netas com fome. Não sou tão cruel como você pensa. Bata os pés no capacho e pode entrar. Sinta-se em casa — disse com alguma ironia.
— Eu nunca falei que a senhora é cruel.
— Pelo seu olhar, é como se imaginasse.
— Que olhar? Está enganada. Sou muito grata a vocês.
— Chega dessa conversa — interveio Das Neves. — Venha, Matilde, vamos à cozinha. Podemos lhe arrumar algumas coisas. Não é muito, mas irá lhe socorrer até que consiga dinheiro para fazer umas compras.
— Fui ao comércio do senhor Euzébio Suassuna, mas estava fechado. Eu queria saber se ele me venderia algumas mercadorias no fiado.
A senhora Esmeralda transferira a entrega dos víveres para a filha. Continuou na sala, na cadeira de balanço, manejando as agulhas de tricô. Apesar da cara trancada de costume, sentia que precisava ajudar a nora e, sobretudo, as netinhas. No íntimo, como de outras vezes, gostava que Das Neves tomasse a iniciativa de ir à despensa e arranjar alguns alimentos para aquelas pobres necessitadas.
Das Neves encheu a bolsa de palha com gêneros alimentícios, inclusive leite em pó, e a entregou sorridente. A outra parecia ter os olhos marejados. Quando passou pela sala, a viuvinha disse “obrigada” à sogra. A velha fez de conta que não ouviu. Matilde deu um abraço em Das Neves e voltou para casa. Ao abrir a porta encontrou as meninas no sofá, diante da televisão, que ela deixara ligada.
As crianças notaram que a mãe trazia a bolsa cheia de mantimentos, todavia não imaginavam a origem das coisas. Matilde já havia batido os pés na calçada, de modo que a terra caísse das sandálias, mas ainda assim deixou os calçados perto da porta, pois os recolocaria somente após tomar um banho.
Pendurou o guarda-chuva em um armador de rede da sala, retirou a máscara de proteção e começou a distribuir o conteúdo da bolsa sobre a mesa da cozinha. Em seguida, ao respirar fundo, foi guardando os gêneros no armário de metal fixado na parede, entre a geladeira e o fogão. Sentia-se aliviada com o fato de que teria alimento para si e para as filhas por mais três ou quatro dias.
Marcos Ferreira é escritor
“Todo o ser humano é um estranho ímpar.“
Carlos Drummond de Andrade
A vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio Grande do Norte (OAB/RN), Bárbara Paloma F. de Vasconcelos Bezerra, assume interinamente a presidência da Seccional Potiguar no período de 31 de dezembro de 2025 a 19 de janeiro de 2026. O anúncio foi feito pela OAB do RN nessa sexta-feira (02).
A condução ao cargo ocorre em razão do afastamento temporário do presidente Carlos Kelsen, durante o recesso institucional, conforme portaria publicada pelo Conselho Seccional da OAB/RN em 29 de dezembro de 2025.
Ao assumir a Presidência, Bárbara Paloma destacou o sentimento de honra e responsabilidade que marca o início da nova missão.
“É com imenso orgulho e profundo senso de responsabilidade que inicio essa missão. Servir à advocacia e à nossa instituição nunca foi apenas uma função, mas uma vocação, um propósito e uma crença. Acredito que o mundo só se transforma quando cada um de nós decide fazer a sua parte, com coragem, ética e compromisso com o coletivo”.
Bárbara Paloma é mossoroense, graduada em Direito pela Faculdade de Ciências e Tecnologia Mater Christi (2007), possui MBA em Holding, Planejamento Patrimonial e Sucessório (EBPOS) e Especialização em Recuperação de Tributos (IBIJUS).
É sócia fundadora do FSV Advogados e atua há 18 anos na área empresarial.
Bárbara atuou como Presidente da OAB Mossoró/RN no triênio 2019-2021, além de ter sido membro do Conselho e Secretária-Geral da Subseccional Mossoró da OAB. É membro do IAP – Instituto dos Advogados Potiguares e da ABMCJ – Associação Brasileira das Mulheres de Carreira Jurídica.
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Maduro é ditador e Trump mostra força do imperialismo (Foto: Jesus Vargas e Aaron Schwartz/CNP/Bloomberg/Getty Images)
Do G1 e CNN
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (3) que forças americanas realizaram um ataque de grande escala contra a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro. A declaração foi feita em uma rede social.
“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea.”
De acordo com Trump, a ação foi conduzida em conjunto com as forças de segurança americanas. O presidente não informou para onde Maduro e a mulher foram levados.
Trump afirmou ainda que mais detalhes sobre a operação serão apresentados durante uma coletiva de imprensa marcada para as 13h, horário de Brasília.
Uma série de explosões atingiu Caracas, capital da Venezuela, na madrugada deste sábado. Segundo a Associated Press, ao menos sete explosões foram ouvidas em Caracas em um intervalo de cerca de 30 minutos.
Moradores de diferentes bairros relataram tremores, barulho de aeronaves e correria nas ruas. Parte da cidade ficou sem energia elétrica, principalmente nas proximidades da base aérea de La Carlota, no sul da capital.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram colunas de fumaça saindo de instalações militares e aeronaves sobrevoando Caracas em baixa altitude.
Venezuela acusa os EUA
Logo após as explosões, o governo da Venezuela publicou um comunicado afirmando que o país estava sob ataque. Segundo a nota, o presidente Nicolás Maduro convocou forças sociais e políticas a ativar planos de mobilização.
“O presidente Nicolás Maduro assinou e ordenou a implementação do decreto que declara o estado de Comoção Exterior em todo o território nacional, para proteger os direitos da população, o pleno funcionamento das instituições republicanas e passar de imediato à luta armada”, diz o texto.
“O país deve se ativar para derrotar esta agressão imperialista.”
O governo venezuelano afirmou ainda que o objetivo da operação americana seria tomar recursos estratégicos do país, principalmente petróleo e minerais. No comunicado, Caracas disse que os EUA tentam impor uma “guerra colonial” e forçar uma “mudança de regime”.
Por fim, a Venezuela declarou que se reserva ao direito de exercer legítima defesa e convocou governos da América Latina e do Caribe a se mobilizarem em solidariedade ao país.
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“Os otimistas são ingênuos, os pessimistas são amargos, mas vale ser um realista esperançoso.”
Ariano Suassuna
No núcleo duro do PT do RN, precisamente no entorno da governadora Fátima Bezerra, ninguém acredita que o vice-governador Walter Alves (MDB) dê passo atrás, na decisão de não assumir governo em março deste ano.
A prevista rodada de conversas em Brasília entre executivas do PT e MDB, além da intervenção direta do presidente Lula da Silva (PT), é encarada como tentativa de diminuir o estrago.
Leia também: Fátima e Walter se reúnem, mas não se entendem, para 2026
Leia também: Um mal necessário aos olhos do petismo
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Quando se fala em inteligência artificial, talvez a primeira coisa que venha à sua mente seja Big Techs e Vale do Silício. Mas tem empresa brasileira que também tem crescido neste mercado. Uma delas é a NoHarm, startup de AI criada por dois irmãos brasileiros para reduzir erros médicos. Ana Helena Ulbrich (Farmacêutica) e Henrique Dias (cientista da computação) são esses nomes.
Atualmente, a NoHarm está presente em cerca de 200 hospitais e analisa milhões de prescrições por mês — além de funcionar gratuitamente no SUS.
Como funciona: A tecnologia cruza dados clínicos e identifica riscos em receitas médicas antes do medicamento chegar ao paciente. A AI não decide sozinha: alerta, e o farmacêutico avalia.
Em um hospital público de Minas Gerais, por exemplo, a taxa de prescrições analisadas saltou de 0,6% para 49%, enquanto os erros caíram de 13% para apenas 0,3%.
Por que isso importa? Erros de prescrição estão entre as principais causas de falhas evitáveis no cuidado médico no Brasil. Estimativas apontam que 829 pessoas morrem todos os dias por falhas desse tipo — cerca de 3 óbitos a cada 5 minutos.
Curiosidade: Mesmo reconhecida globalmente — a cofundadora Ana Helena Ulbrich entrou para a lista da TIME das 100 pessoas mais influentes do mundo em AI — a NoHarm recusou até R$ 10 milhões em investimentos para manter o acesso gratuito no sistema público.
O projeto é todo financiado por investimentos sociais e por contratos com hospitais privados.
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Veículo com Bolsonaro sai de hospital, em Brasília, direto para a PF (Foto: Nathália Sarmento/Poder 360)
Do Poder 360
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu alta do Hospital DF Star, em Brasília, na noite desta 5ª feira (1º.jan.2026). Ele volta agora para a Superintendência da Polícia Federal, onde cumpre pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado.
Bolsonaro estava internado desde 24 de dezembro, quando deu entrada para realizar uma cirurgia para correção de hérnia inguinal bilateral. Além da cirurgia de hérnia, Bolsonaro também foi submetido a procedimentos médicos para tentar conter as crises de soluço. A equipe médica responsável pelo acompanhamento do ex-presidente afirmou na 4ª feira (31.dez) que ele passou a fazer uso de medicação antidepressiva, a pedido.
A defesa de Bolsonaro havia pedido ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), para ele ficar em prisão domiciliar por razões humanitárias. O magistrado negou a solicitação e determinou que Bolsonaro vá direto para a sua cela na PF ao receber alta.
Citou “reiterados descumprimentos das medidas cautelares diversas da prisão e de atos concretos visando a fuga, inclusive com dolosa destruição da tornozeleira eletrônica”.
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O novo salário mínimo para 2026, no valor de R$ 1.621, passa a vigorar nesta quinta-feira (1º). O valor representa um reajuste de R$ 103, ou 6,79% em relação aos R$ 1.518 de 2025.
Com isso, os trabalhadores passam a receber o novo salário a partir do pagamento de fevereiro. O valor mínimo da diária de trabalho corresponde a R$ 54,04, com o mínimo da hora trabalhada em R$ 7,37.
Além da remuneração efetiva, a alta do piso salarial também eleva diversos benefícios sociais que estão atrelados ao piso, como pagamentos previdenciários do INSS, seguro-desemprego, abono salarial e BPC (Benefício de Prestação Continuada). Com isso, os gastos públicos crescem.
Segundo cálculo da equipe econômica, a cada R$ 1 de aumento do salário mínimo, cria-se uma despesa de aproximadamente R$ 429,3 milhões. Com isso, os cofres do governo terão novos gastos obrigatórios de cerca de R$ 44,2 bilhões para 2026.
O cálculo para aumento do salário mínimo considera o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de novembro, que cresceu 4,18% no acumulado de 12 meses. Além deste índice, entra em conta o crescimento da economia de 2 anos anteriores.
Para 2026, o cálculo considerou o Produto Interno Bruto de 2024, que cresceu 3,4%. No entanto, o arcabouço fiscal estabelece uma trava de que o ganho acima da inflação seja limitado a um intervalo de 0,6% a 2,5%.
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No último dia do ano de 2025, hora de agradecer pela convivência contigo, internauta-webleitor.
Renovemos esse laços para 2026.
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A informação é do Sindicato do Comércio Varejista de Mossoró (SINDIVAREJO Mossoró): comércio mossoroense funciona até às 14h deste dia 31 de dezembro, véspera do ano novo.
Dia 1º de janeiro de 2026 não haverá funcionamento do segmento mercantil de rua e shoppings.
A retomada da normalidade será na sexta-feira (02).
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“Mantenha os seus olhos nas estrelas e os seus pés na terra.”
Theodore Roosevelt
Apesar do aumento da produção do petróleo em terra no RN (veja postagem abaixo ou AQUI), a arrecadação estadual não acompanhou o mesmo ritmo. O Rio Grande do Norte recebeu R$ 58,27 milhões em royalties no trimestre mais recente em 2025, uma queda de 10,27% na comparação anual.
A redução está associada a uma combinação de fatores. Entre eles, preços de referência menos favoráveis no mercado internacional, maior participação do gás natural — que possui valor unitário inferior ao do petróleo — e a expansão da produção em campos maduros, que operam com alíquotas reduzidas.
Além disso, a redistribuição dos royalties do gás tende a favorecer mais os municípios do que o governo estadual, alterando a dinâmica das receitas públicas.
Grossos lidera ranking
Enquanto o Estado sentiu o impacto negativo, os municípios potiguares registraram avanço significativo. No total, as cidades receberam R$ 107,79 milhões em royalties no terceiro trimestre.
A concentração foi elevada. Apenas 20 municípios ficaram com cerca de 96% do total distribuído. Grossos liderou o ranking, com R$ 17,97 milhões, seguido por Tibau, Serra do Mel, Alto do Rodrigues, Mossoró e Felipe Guerra.
Somando os repasses ao Estado e aos municípios, a distribuição total de royalties de petróleo e gás no RN alcançou R$ 159,06 milhões no período, crescimento de 7,75% em relação ao mesmo trimestre de 2024.
No recorte exclusivamente municipal, os repasses chegaram a R$ 100,79 milhões, uma alta expressiva de 21,9%, evidenciando o peso crescente da atividade petrolífera nas finanças locais, mesmo em um ambiente de preços menos favoráveis para o petróleo.
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A produção de petróleo em terra voltou a ganhar ritmo no Rio Grande do Norte durante o terceiro trimestre de 2025.
Mesmo diante de um cenário internacional de preços menos favoráveis, o estado registrou crescimento tanto no petróleo quanto no gás natural, reforçando a retomada gradual da atividade onshore.
De acordo com o Boletim de Petróleo e Gás do RN, divulgado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, da Ciência, da Tecnologia e da Inovação, a produção terrestre de petróleo passou de 2,61 milhões para 2,71 milhões de barris entre o segundo e o terceiro trimestre. O avanço foi de quase 99 mil barris, equivalente a uma alta de 3,8%.
No mesmo período, o gás natural apresentou desempenho ainda mais robusto. A produção saltou de 93,89 milhões para 100,85 milhões de metros cúbicos, crescimento de 7,4%, consolidando o recurso como vetor cada vez mais relevante na matriz energética estadual.
Empresas
Na comparação com o terceiro trimestre de 2024, os números também foram positivos. A produção de petróleo cresceu 1,6%, enquanto a de gás natural avançou 7,69%. O resultado aponta para maior estabilidade operacional e para uma expansão simultânea dos dois recursos, característica que vem marcando a nova fase do setor no estado.
Atualmente, sete produtoras independentes atuam em terra no RN. A Brava Energia, antiga 3R Petroleum, lidera com ampla vantagem, respondendo por 68% da produção total de petróleo.
Na sequência aparecem PetroRecôncavo, Mandacaru Energia, Níon Energia, Petrosynergy, Phoenix Óleo & Gás e Petro-Victory.
Campos maduros são referência
Entre julho e setembro, a produção média diária atingiu 29,46 mil barris de petróleo e 1,09 milhão de metros cúbicos de gás natural. O Campo de Canto do Amaro manteve a liderança como principal polo produtor, com mais de 600 mil barris no trimestre.
Logo depois surgem os campos de Estreito e Salina Cristal, que seguem sustentando o desempenho do petróleo em terra. No segmento de gás natural, o destaque ficou com o Campo de Lorena, responsável por mais de 20 milhões de metros cúbicos, seguido por Livramento, Brejinho e Boa Esperança.
Esse cenário reforça o papel dos campos maduros, que, embora operem com produtividade menor por poço, garantem estabilidade e continuidade à produção estadual.
No mar, o movimento foi distinto. A produção marítima de petróleo apresentou queda de 21,37% em relação ao mesmo período de 2024, com redução de 53,4 mil barris. O dado reflete o declínio natural de campos maduros offshore.
Em contrapartida, o gás natural produzido no mar avançou 9,74%, com acréscimo de 1,22 milhão de metros cúbicos. A leitura do boletim indica uma transição em curso, na qual o gás assume papel crescente como ativo energético estratégico.
Com informações da Click Petróleo e Gás.
Reportagem continua na próxima postagem.
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