“Um líder jamais deve iniciar uma guerra motivado pela ira.”
Sun Tzu
Jornalismo com Opinião
“Um líder jamais deve iniciar uma guerra motivado pela ira.”
Sun Tzu

Barragem tem capacidade total de 742 milhões de metros cúbicos e pode atender até 2 milhões de pessoas (Foto: Igarn)
A Barragem Oiticica, segundo maior reservatório do RN, localizada em Jucurutu, região Seridó, ultrapassou 61% da capacidade. Acumula mais de 456 milhões de metros cúbicos de água.
O aumento do volume está associado às chuvas recentes, segundo o Governo do Estado. A governadora Fátima Bezerra (PT) visitou nesta segunda-feira (20) o complexo e destacou a importância da obra para o abastecimento e o desenvolvimento da região.
Ela afirmou que a barragem é uma das principais obras hídricas do estado, com impacto na segurança hídrica e na qualidade de vida da população.
Crescimento
Dados recentes indicam o crescimento contínuo do volume armazenado. Em fevereiro, o reservatório acumulava 110,3 milhões de metros cúbicos, o equivalente a 14,86% de sua capacidade. Em março, o volume chegou a 168,7 milhões. Em abril, houve um avanço para 371,7 milhões (50,06%), seguido de 430,7 milhões (56,6%) e, mais recentemente, de 456 milhões de metros cúbicos, atingindo a marca de 61%.
O secretário estadual de Recursos Hídricos, Paulo Varela, lembrou que a barragem tem capacidade total de 742 milhões de metros cúbicos e pode atender até 2 milhões de pessoas.
A obra do governo federal foi concluída após 12 anos, com investimento de R$ 893 milhões, beneficiando cerca de 294 mil pessoas em 22 municípios.
De acordo com o Instituto de Gestão das Águas do Estado do Rio Grande do Norte (IGARN), o manancial acumulado vem das chuvas e da transposição do Rio São Francisco.
O órgão também explicou que a presença de plantas aquáticas no reservatório é causada pelo acúmulo de matéria orgânica trazida pelas chuvas.
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Ainda sonolento, o “Leão” sabe que o foco de seu apetite é hábil nos dribles (Imagem: Unsplash/Reprodução)
Pela primeira vez, os números da Receita Federal sobre a arrecadação do novo imposto sobre dividendos foram divulgados. Pelo visto, por enquanto, o efeito esperado pelo governo na arrecadação ainda não apareceu.
Em janeiro e fevereiro, a cobrança da alíquota de 10% na fonte sobre dividendos acima de R$ 50 mil pagos por empresas às pessoas físicas rendeu R$ 121,7 milhões aos cofres públicos.
A expectativa da Receita é — e continua sendo — uma arrecadação de R$ 30 bilhões para este ano. A ideia é que esse montante compense a isenção do IR para quem recebe até R$ 5 mil por mês, também criada pelo governo.
Por que isso importa? A União enfrenta uma questão fiscal, com um rápido crescimento da dívida pública, que já beira os R$ 9 trilhões, enquanto os gastos públicos continuam superando a arrecadação federal — o déficit foi de R$ 61,7 bilhões no ano passado.
Na visão do presidente Lula da Silva (PT), um dos caminhos para aumentar a arrecadação e equilibrar as contas é taxando os “super-ricos”. Mas esses dados indicam a dificuldade de arrecadar sobre esse grupo, que tende a “driblar” e fugir de impostos.
Efetividade
Tanto que muitos empresários anteciparam a saída de dividendos para dezembro, evitando o impacto da tributação. Algumas empresas, inclusive, já anteciparam saída de dividendos até 2028 a seus acionistas.
Por outro lado, isso também indica que a efetividade da medida deve aumentar até o final do ano, uma vez que os números desses primeiros meses não representam a realidade de médio/longo prazo da nova lei.
Os números não significam que é impossível taxar, e que a medida não vai ter efeito. No entanto, a projeção de R$ 30 bilhões já para 2026 ainda parece muito distante perto do que os dois primeiros meses do ano mostraram.
Com informações do The News para o BCS.
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Expectativa é que o feriado de Tiradentes nessa terça-feira (21) deve fazer com que quase 900 mil pessoas passem por aeroportos em voos comerciais, no Brasil.
Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e Minas são os endereços mas agendados entre os estados federados.
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Jornalista por formação, o publicitário baiano João Santana deve fazer consultoria de marketing político-eleitoral para a campanha ao Governo do RN do ex-prefeito mossoroense Allyson Bezerra (UB). Conversa avançou diretamente com o partido do pré-candidato, o União Brasil (UB)
Faltam filigranas para que seja batido o martelo.
Marqueteiro e pré-candidato estiveram conversando em Salvador-BA à semana passada.
Com projeção internacional ao comandar campanhas presidenciais vitoriosas no Brasil e no exterior, sendo peça-chave nas eleições de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2006, por exemplo, além de jornadas em pleitos na América Latina e África, Santana trabalhará este ano também na campanha de ACM Neto (UB) ao governo baiano.
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Será na próxima quarta-feira (22), às 17h30, na Catedral de Santa Luzia em Mossoró, a Missa de 30º dia em memória de José Belarmino de Azevedo (Teteca), 91.
Convite para esse ato litúrgico é feito por seus familiares.
Teteca faleceu dia 22 de março último, após complicações cardíacas.
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A Academia Mossoroense de Letras (AMOL) vai empossar o acadêmico Bruno Ernesto na próxima sexta-feira (24). Evento ocorrerá às 19 horas, no Auditório América Fernandes Rosado Maia, da Biblioteca Ney Pontes Duarte.
A doutora Taniamá Vieira da Silva Barreto fará a apresentação de recepção ao novo acadêmico.
Bruno Ernesto Clemente é professor, advogado, escritor e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró (IHGM). Ele também integra o elenco de colaboradores dominicais do Blog Carlos Santos (veja AQUI).
Ele ocupará a cadeira 29 que tem como patrono dom João Batista Portocarrero Costa, segundo bispo da Diocese de Mossoró. O primeiro ocupante foi dom José Freire de Oliveira Neto. O último integrante foi padre Guimarães Neto.
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Lula tem 40% das intenções de voto dos jovens de 16 a 24 anos. Na mesma época, há 4 anos, esse número era de 62% (Foto: Breno Esaki/Metrópoles)
The News para o BCS
No último sábado (18), o Datafolha divulgou sua mais recente pesquisa eleitoral para a disputa à Presidência da República — e os resultados não foram tão bons para Lula.
O atual comandante da República teve uma avaliação negativa de 40% dos entrevistados, enquanto apenas 29% consideram seu governo positivo.
A percepção dos leitores têm se refletido nas intenções de voto: Nos cenários de 2° turno, Lula aparece tecnicamente empatado com Flávio, Zema e também com Caiado (veja AQUI).
Juventude larga a mão de Lula
Mas o ponto curioso está aqui: o que poucos destacam é como a geração nascida entre 1997 e 2010 tem “largado a mão” de Lula. Na pesquisa, o presidente apresenta cerca de 40% das intenções de voto dos jovens de 16 a 24 anos. Na mesma época há 4 anos, esse número era de 62%.
Uma pesquisa recente da Atlas/Intel ainda indicou que quase 73% daqueles que possuem entre 16 e 24 anos desaprovam o governo Lula.
Por que isso importa: Os jovens representam cerca de 14% do eleitorado brasileiro. Mas, mais do que isso, sempre foram uma base importante para a esquerda — principalmente de Lula. Só que a situação parece ter mudado…
Alguns fatores podem ter afastado o presidente das gerações mais novas, como:
Falta de representatividade dos mais jovens no PT, que possui uma bancada na Câmara com média de idade próxima a 60 anos.
Ascensão de nomes de direita nas redes sociais, com linguagem que conversa mais com o perfil da nova geração.
Desemprego da população entre 16 e 24 anos, que atingiu 11,4%, valor bem acima dos 5,1% da média nacional.
Tentando reverter o cenário, nos últimos dias, o PT investiu quase R$ 400 mil em impulsionamento de posts no Instagram e Facebook.
Do ano passado para cá, o partido desembolsou mais de R$ 2 milhões com artistas e influencers para promover programas do governo.
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“Comandar muitos é o mesmo que comandar poucos. Tudo é uma questão de organização.”
Sun Tzu
Por Honório de Medeiros

Da esquerda para a direita: Fred Câncio, Paulo Maia, Hélton, eu, Fernando Negreiros, Segundo Paula, Lenilson Fernandes, Anchieta Medeiros, Delevam Gurgel, Jânio Rêgo. Turma da Quarta Série Ginasial, 1972, Colégio Diocesano Santa Luzia, reunidos em 2011, Mossoró (Foto: Reproduçao)
Paulo Maia dizia que era baixinho por minha culpa: eu tinha roubado o leite dele, quando recém-nascido.
Tudo porque eu nasci três dias depois do 23 de abril de 1958, no qual ele veio ao mundo, ambos na Maternidade Almeida Castro, em Mossoró.
Como mamãe não conseguia matar minha fome com seu pouco leite, valeu-se da generosidade da mãe dele, Manolita Pereira, que nos alimentou.
Manolita dizia que é minha mãe de leite. Eu respondo, sempre respondi, que eu e Paulo tínhamos que ser irmãos, estava escrito no livro da vida, e beijo a mão dela, reverente.
Entre idas e vindas, altos e baixos, seguimos próximos vida afora, sempre muito próximos.
Amigos desde a maternidade.
Um dia, eu lá pelas bandas de São João do Sabugi, no Seridó, em busca das misteriosas raízes genealógicas do meu avô paterno, acordei cedo, abri o celular, e li a devastadora notícia de sua morte.
Um baque.
Botei o carro na estrada e fui calado de lá até Mossoró, rasgando o centro do Estado, percorrendo um mundão de terra em um tempo que sequer vi passar.
Michaela respeitou meu silêncio.
Uma espécie de solidão amarga, ensimesmada, uma onda de tristeza que teimava em vir, tomou conta da gente.
Sensação de impotência. Solidão, tristeza e impotência.
Falam que há conforto na partida de alguém que lutou bravamente por dois anos contra essa maldita doença cujo nome amedronta tanto, que o abreviaram.
Pode ser. Sei que lutou ele, a esposa, filhos, a família toda, os amigos, os amigos dos amigos. Rezamos muito.
Luta vã.
Que seja feita a vontade de Deus.
Descansou, então, e por fim.
E a saudade?
Paulo, você se lembra daquele dia em Tibau no qual Antônio de Bé nos levou em sua jangada, começo da madrugada, para além da última visão de terra, como companheiros de pescaria?
Lembra das tardes de cerveja e Belchior, lá no Asfarn, em Natal?
Lembra dos veraneios em Tibau? Do jipe, das meninas, dos amigos comuns, das pescarias no Arrombado?
Do Diocesano e da turma da quarta série ginasial de 1972?
Lembra como decidimos, junto com Delevam, quem seria o padrinho de Paulinha?
Lembra daquele dia no qual fomos barrados na ACDP?
Lembra daquele dia… não, não, melhor não contar, não é?
Ê, Paulo, são tantas e tantas memórias.
Um dia eu conto para meus sobrinhos! As que eu puder, claro.
Paulo, aguarde aí. Um dia, chego.
Descanse em paz, meu irmão.
Estamos juntos!
Vou juntar as imagens desse tempo que passou tão rápido…
Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura de Natal e do Governo do RN
Por Bruno Ernesto

Pedro Bezerra Sobrinho tem 95 anos e é um mestre em ofício que parece estar desaparecendo (Foto: Bruno Ernesto)
Pedro é atemporal. Tanto pode ser Seu Pedro, quanto Pedrinho. Mas chamo o meu de Dandão.
Do mais Pedro já foi pescador, apóstolo, navegador, ator, escultor, estudante e tantos outros.
Admiro tanto o significado deste nome, que é simbólico e ao mesmo tempo simples, que meu filho é Pedro.
Parece que simbólico, tive uma conversa reservada abaixo do altar principal e do Baldaquino de Bernini.
Os demais Pedros, encontro todos os dias; cada um com a sua importância e simbolismo.
Há um Pedro, todavia, com quem posso interagir e observar de uns anos para cá, e cuja a simplicidade e aparente fragilidade, me fazem, vez ou outra, passar à sua porta, nem que seja para dar um oi.
Exceto na hora da sua siesta.
Seu Pedro Bezerra Sobrinho é um senhor de noventa e cinco anos de idade.
Natural de Campo Grande/RN, foi criado no Sítio Laje, vizinho ao Sítio Chafariz, na zona rural de Mossoró.
Encontrei Seu Pedro enquanto procurava um sapateiro para consertar um sapato que estimo muito.
Nos fundos da Catedral de Santa Luzia, me apontaram o dedo em direção ao famoso beco das frutas.
-Ali, naquela esquina. Praticamente o último sapateiro da cidade.
-Fale alto, e pausado, que ele não escuta bem.
-É flamenguista.
Há mais de sessenta anos é sapateiro, está no atual há cinco anos.
Mora lá sozinho, num pequeno anexo, que muito me lembrou o anexo da casa de Anne Frank. Pelo menos a sensação que tive foi a mesma, quando vi um e outro.
Trabalha e mora no prédio, tem oito filhos, dos quais apenas seis vivos.
Nessa minha última visita, além do filho que o ajuda no ofício, o mais velho também estava lá, mas se despediu avisando que precisaria voltar para Natal.
Trabalhou muito tempo como vendedor da A Passarela, percorrendo o Vale do Jaguaribe (Russas), Paraíba e o próprio Rio Grande do Norte.
Falou com uma certa nostalgia que trabalhou para várias fábricas locais, mas que a sola subiu de preço e a de borracha arruinou o mercado de vez.
-Entrou a sola de borracha, e veio o tênis. Acabou com tudo.
Fazia sapato por encomenda para os moradores de Mossoró, mas contou que a última encomenda foi há 40 anos.
Ficou viúvo há dezoito anos. Casou só 1 vez.
-Dá certo não!
Seu Pedro Bezerra é o Pedro que nos lembra a simplicidade da vida.
Apesar da longa estrada, ainda segue firme no ofício de sapateiro, rumando para os noventa e seis anos de idade no próximo dia treze de maio.
Não é que não se precise mais de sapateiros. O que precisamos é de mais Pedros.
Bruno Ernesto é escritor, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró – IHGM e curador do portal cultural marsertao.com @ihgmossoro @marsertaoblog
Por Deborah Bizarria
Nos últimos meses, o debate sobre o mundo do trabalho voltou ao centro da política brasileira. A escala 6×1 e o trabalho por plataformas estão na agenda do Congresso e do governo, embora a discussão sobre pejotização esteja paralisada no Supremo. À primeira vista, parecem discussões distintas. Na prática, elas esbarram no mesmo problema: em um país marcado por informalidade alta, renda instável e proteção desigual, mudar a regra não basta para garantir que ela alcance a maioria dos trabalhadores.
Então, para além de conversarmos sobre como repartir a riqueza existente, também precisamos considerar quais são as condições que permitem ampliá-la de forma duradoura. Quando economistas falam obsessivamente sobre produtividade, a preocupação vem dessa tentativa de entender por que algumas sociedades conseguem sustentar salários mais altos, mais proteção aos trabalhadores e mais oportunidades, enquanto outras seguem marcadas por baixa renda, informalidade e relações de trabalho mais frágeis.
Produtividade é a medida desse processo de enriquecimento: quanto valor se gera por trabalhador ou por hora trabalhada. Ela depende de qualificação, gestão, tecnologia, organização do processo produtivo, capital físico e instituições. Durante muito tempo, porém, a explicação da riqueza de uma sociedade passou sobretudo pela acumulação de trabalho e capital. No exercício clássico de Robert Solow para os Estados Unidos, apenas cerca de um oitavo do aumento do produto por hora entre 1909 e 1949 podia ser atribuído ao aumento de capital por trabalhador; o restante aparecia como mudança técnica, isto é, um ganho de eficiência não explicado pela maior quantidade de insumos.
Ou seja, dizer que a produtividade brasileira é baixa, portanto, não é dizer que o trabalhador brasileiro se esforça pouco. É dizer que a sociedade usa mal trabalho, capital, tecnologia e gestão. Entre 1981 e 2022, a renda per capita cresceu 0,9% ao ano, enquanto a produtividade por hora avançou apenas 0,5%; boa parte do crescimento de renda foi sustentada pela maior participação da população em idade ativa, um impulso demográfico que não se repete indefinidamente. Ao debater jornada, formalização, pejotização ou plataformas, convém compreender em que condições esses direitos se tornam viáveis e abrangentes numa economia heterogênea marcada por desigualdades persistentes.
Uma das formas de se aumentar a produtividade é por meio da educação, seja aumentando os anos de estudo via universidade e formação técnica, seja através da melhoria da qualidade. Claro que a educação básica importa não só por dignidade e autonomia, mas porque amplia a capacidade de ler, escrever, resolver problemas e desenvolver todas as potencialidades. O Brasil avançou muito no acesso e praticamente universalizou a entrada das crianças na escola. O problema é que estar na escola não virou aprendizagem na mesma proporção. No Pisa 2022, o país ficou em torno do 65º lugar em matemática, 52º em leitura e 62º em ciências, entre 81 participantes. Então, conseguimos colocar quase todos na escola, mas ainda entregamos uma formação básica fraca demais para sustentar ganhos mais consistentes de renda para os jovens e suas famílias.
Outro canal de melhoria está na qualidade das instituições. A literatura de Daron Acemoglu, Simon Johnson e James Robinson mostrou que diferenças de desenvolvimento não decorrem apenas de mais trabalho, mais capital ou mais escolaridade, mas da qualidade das regras que organizam a vida econômica. Quando direitos de propriedade são frágeis, contratos são pouco previsíveis, o Estado regula mal ou concede privilégios, investir, inovar e contratar se torna menos atraente. Robert Hall e Charles Jones organizaram esse argumento ao tratar essas condições como parte da “infraestrutura social” que torna a atividade produtiva mais ou menos vantajosa. Isto é, segurança jurídica, qualidade regulatória e clareza tributária não são detalhes técnicos. Quando não funcionam bem, travam a possibilidade de empresas surgirem e novos empregos aparecerem.
Acesso e desenvolvimento de tecnologia também entram nessa conta. Mercados mais abertos tendem a pressionar firmas a se adaptar, incorporar métodos mais eficientes e abandonar práticas menos produtivas. No Brasil, a abertura comercial dos anos 1990 foi um dos choques que empurraram esse tipo de ajuste. Seus efeitos não foram uniformes, mas ajudam a mostrar que a produtividade também depende do ambiente competitivo em que as empresas operam. Em alguns casos, esse tipo de mudança teve inclusive efeitos distributivos relevantes. Guilherme Hirata mostra que o aumento da concorrência reduziu o diferencial salarial entre trabalhadores brancos e negros no Brasil, sugerindo que mercados mais fechados e concentrados podem preservar ineficiências que não são apenas econômicas, mas também distributivas.
Um mercado de trabalho dividido
O mercado de trabalho brasileiro chegou a 2025 aquecido, com taxa anual de desocupação de 5,6% — a menor da série iniciada em 2012 —, encerrando o quarto trimestre em 5,1%. Nem por isso deixou de ser um mercado segmentado: a informalidade ainda atingia 37,6% da população ocupada ao fim do ano, e mesmo entre os empregados do setor privado, 25,6% seguiam sem carteira assinada.
A informalidade não aparece só entre empresas inteiramente fora do sistema, na chamada margem extensiva, como aponta o pesquisador Gabriel Ulyssea em um estudo do Ipea. Ela também aparece dentro de firmas formalizadas, que mantêm parte da força de trabalho sem a proteção correspondente. Isso significa que aqui não separamos apenas o informal está também no interior das próprias empresas, o que faz com que a cobertura da legislação seja desigual mesmo dentro de um mercado aparentemente organizado. Nesse contexto, ampliar direitos no papel não produz automaticamente ampliação equivalente de proteção na prática.
Esse retrato enquadra o debate atual sobre a escala 6×1. Na Câmara, a PEC 221/2019 recebeu parecer favorável à admissibilidade na CCJ, mas a votação foi adiada por pedido de vista. Ela prevê reduzir a jornada das atuais 44 para 36 horas semanais em dez anos. Em paralelo, o governo Lula enviou o PL 1838/2026, em regime de urgência, reduzindo a jornada legal para 40 horas semanais, garantindo dois descansos remunerados por semana e vedando redução salarial. Dado o provável custo político de se opor ao projeto, é razoável supor que algo nessa linha seja aprovado. Mas o que levar em conta para que a mudança faça sentido num mercado com tantas desigualdades?
Há uma razão substantiva para que a revisão da 6×1 mobilize apoio. Tempo fora do trabalho não é apenas lazer: é descanso, cuidado, estudo e recuperação física e mental. A defesa da mudança parte da ideia de que uma economia melhor também depende de trabalhadores menos exaustos e com mais controle sobre o próprio tempo. O problema é que esse ganho potencial não opera no vazio: seus efeitos dependem do desenho da política, da transição e da estrutura do mercado em que ela incide.
De um lado, em coluna no Valor, o economista Naercio Menezes Filho argumentou que a redução de 44 para 40 horas não deve ser tratada como sinônimo automático de desemprego ou retração econômica. Ele se apoia em nota técnica recente do Ipea, assinada por Felipe Pateo, Joana Melo e Juliana Círiaco, segundo a qual a mudança para 40 horas elevaria em média em 7,84% o custo do trabalho celetista, mas com impacto inferior a 1% do custo operacional em grandes setores empregadores, como indústria e comércio. Na coluna, Naércio também recupera a experiência brasileira de 1988, analisada pelo estudo dele próprio com Gustavo Gonzaga e José Márcio Camargo, que concluiu que a redução constitucional de 48 para 44 horas diminuiu a jornada efetiva, elevou o salário real horário e não teve efeito negativo sobre o emprego no curto prazo.
De outro, o também economista Gabriel Ulyssea sustentou, em artigo no Globo, que a versão mais ambiciosa da mudança, de 44 para 36 horas em arranjo de 4×3, sem redução salarial, pode produzir o efeito oposto ao desejado. Em um contexto onde a informalidade já atravessa inclusive empresas formalizadas e 68% das empresas são de pequeno porte, uma redução brusca da jornada pode aumentar fortemente o custo do trabalho formal e empurrar o ajuste para a margem menos protegida do mercado. Esse processo ocorreria por meio de demissões, maior rotatividade, compressão salarial na entrada e mais informalidade.
A literatura internacional reforça essa necessidade de separar o desejo legítimo de melhorar a qualidade de vida do trabalhador do desenho institucional concreto da política. Na pesquisa de Marcello Estevão e Filipa Sá sobre a França, a redução de 39 para 35 horas não teve efeito significativo sobre o emprego agregado, mas aumentou a rotatividade e levou parte dos trabalhadores diretamente afetados a buscar segundos empregos ou a migrar para firmas menores, sugerindo que a política restringiu escolhas em vez de apenas ampliar bem-estar. Isso não prova que uma redução de jornada fracassará no Brasil. Mostra apenas que o efeito depende da transição, da capacidade de organizar escalas, do porte das firmas e, no caso brasileiro, do peso da informalidade.
A segmentação também atravessa as zonas cinzentas criadas pela pejotização, pelo MEI e pelo trabalho por plataformas. Tratar esses arranjos como se fossem uma coisa só atrapalha. O mesmo rótulo pode encobrir fraude trabalhista, arbitragem entre regimes jurídicos e tributários distintos ou arranjos que, embora incompletos, são de autonomia.

Discussão da folga maior é complexa, longe da simplificação do contra ou a favor que uma banda partidária quer impor (Arte ilustrativa)
Há, sem dúvida, casos em que a pejotização é apenas uma forma de mascarar a relação de trabalho e subordinação. A distinção jurídica continua sendo: quando há pessoalidade, habitualidade, onerosidade e subordinação, a contratação como pessoa jurídica não muda a natureza do vínculo. O aumento do contencioso indica que esse problema está longe de ser irrelevante. Com base nas estatísticas do CNJ, as ações trabalhistas pedindo reconhecimento de vínculo passaram de 167 mil em 2020 para 443 mil em 2024. Ou seja, tem muita gente trabalhando fora das regras por necessidade e imposição do empregador.
Ao mesmo tempo, a fraude não dá conta do processo de pejotização por completo. Em artigo, Nelson Marconi mostra que os trabalhadores por conta própria com CNPJ tinham escolaridade média mais alta: 34% dos pejotizados tinham nível superior ante 23% entre os celetistas. No mesmo estudo, Marconi mostra que a remuneração média dos trabalhadores com CNPJ supera a dos empregados com carteira em vários segmentos, inclusive em áreas como mídias, atividades profissionais, científicas e técnicas e educação. Assim, existe um segmento mais qualificado, mais bem pago e concentrado em ocupações de projeto, consultoria, aula, parecer ou produção intelectual. Nesses casos, a escolha entre renda maior acompanhada de flexibilidade e cobertura menor de direitos sociais pode ser realmente livre, e não apenas imposição patronal.
A própria sondagem do FGV IBRE sobre trabalhadores por conta própria aponta nessa direção: 67,7% disseram que gostariam de ter carteira assinada, 55% podem ser classificados como autônomos por opção e 44,9% afirmaram não saber ao certo quanto ganharão no mês seguinte. O regime do MEI reforça essa ambiguidade. De acordo com o Sebrae, 76% dos microempreendedores individuais têm na atividade empresarial sua única fonte de renda e 33% estavam na informalidade antes da formalização. Ou seja, o MEI serviu, em parte, como porta de entrada para a formalidade, mas também criou uma moldura jurídica barata que pode ser usada tanto por empreendedores genuínos quanto por empresas que desejam deslocar custos e riscos para o trabalhador.
O trabalho por plataformas também é reflexo dessa complexidade. Como observa a OIT, a gestão algorítmica passou a organizar, distribuir, monitorar, supervisionar e avaliar o trabalho. O trabalhador até mantém alguma margem para decidir quando se conectar, mas os elementos centrais da coordenação continuam nas mãos da plataforma. Por isso, a relação não cabe bem nem na ideia de autonomia plena nem na noção clássica de subordinação.
O quadro das empresas ganha outra dimensão no caso brasileiro, como mostram Nicholas Bloom e John Van Reenen. Parte das diferenças sobre a efetividade da gestão entre países decorre da presença de uma parcela expressiva de firmas mal geridas. Temos aqui uma grande fatia de empresas muito ineficientes, então, dado o contexto, a expansão de vínculos cinzentos não resulta apenas de inovação organizacional. Ela também reflete empresas que, diante de custos elevados, baixa capacidade gerencial e regras rígidas, buscam saídas laterais de contratação. Daí por que uma resposta regulatória única tende a errar o alvo: fraude exige coibição, arbitragem tributária exige revisão de incentivos, e vínculos descontínuos exigem formas de proteção compatíveis com essa realidade.
Uma agenda de produtividade
No fim, o ponto não é só mudar a regra trabalhista, mas criar as condições para que ela possa valer para mais gente. Num mercado de trabalho segmentado, a proteção tende a alcançar com mais força quem já está em posições mais estáveis e a chegar de forma mais fraca a quem circula entre informalidade, ocupações precárias e renda irregular. Por isso, a discussão sobre jornada, vínculo e direitos precisa desembocar em outra pergunta: que agenda econômica torna essas mudanças sustentáveis fora de um grupo restrito?
Parte da resposta passa pela educação, mas não por uma visão mecânica de escolaridade. Como mostram Eric Hanushek e Ludger Woessmann, anos de estudo dizem pouco quando não vêm acompanhados de aprendizagem real e habilidades cognitivas. Isso ajuda a entender por que o avanço educacional brasileiro não se converteu automaticamente em ganho sistêmico de produtividade. Melhorar a escola continua sendo central, mas com foco em qualidade e em desenvolvimento de habilidades relevantes para o mundo do trabalho.
Também é preciso um ambiente econômico mais favorável ao investimento e à adaptação produtiva. Isso inclui regras mais claras, menos insegurança jurídica, sistema tributário menos confuso, abertura maior à concorrência, incorporação de tecnologia e difusão de inovação. Sem esses elementos, a economia reage pior a mudanças regulatórias, e a distância entre o direito formal e sua aplicação concreta tende a continuar grande.
Há ainda uma frente decisiva para quem está mais distante do mercado de trabalho estável: a inclusão produtiva. O trabalho de Abhijit Banerjee, Esther Duflo e coautores mostra que políticas que combinam transferências de renda, ativos produtivos, capacitação e acompanhamento podem gerar efeitos sobre renda e capacidade de gerar meios de vida. Afinal, para muitos trabalhadores, proteção e formalização dependem antes de tudo da possibilidade concreta de sobreviver muito antes de encontrar bons empregos ou criar pequenos negócios.
No fim, a agenda do trabalho não se sustenta sem uma agenda de produtividade mais ampla. Isso envolve educação que gere aprendizagem, ambiente de negócios menos hostil, segurança jurídica, tecnologia e inclusão produtiva para quem hoje só encontra espaço em vínculos frágeis. A pergunta, então, é política: quem está disposto a defender esse pacote mais completo, e que coalizão é capaz de levá-lo adiante?
Deborah Bizarria é economista pela UFPE e especialista em gestão pública no Insper. Estudou economia comportamental na Warwick University (Reino Unido)/Do Canal Meio especial para o BCS
Por Odemirton Filho
Ao longo do tempo as campanhas eleitorais foram se modificando, acompanhando as mudanças da sociedade. Se, noutros tempos, as campanhas eram realizadas somente nas ruas, no corpo a corpo, no contato pessoal com o eleitor, hoje, as batalhas são travadas com mais ênfase nas redes sociais.
É no mundo virtual que candidatos se tornam conhecidos, ou cancelados, para usar um termo em voga. Diante dessas vicissitudes, a Justiça Eleitoral tem se desdobrado para acompanhar essa evolução social, editando Resoluções condizentes com a era tecnológica na qual vivemos.
Nesse sentido, a Resolução n. 23.755/26, dispõe que “a utilização na propaganda eleitoral, em qualquer modalidade, de conteúdo sintético multimídia gerado por meio de inteligência artificial ou tecnologia equivalente para criar, substituir, omitir, mesclar ou alterar a velocidade ou sobrepor imagens ou sons, impõe ao responsável pela propaganda o dever de informar, de modo explícito, destacado e acessível, que o conteúdo foi fabricado ou manipulado e qual tecnologia foi utilizada”.
Esclareça-se que conteúdos sintéticos são mídias, como textos, áudios, vídeo, imagens, softwares, gerados por Inteligência Artificial (IA), sem a participação direta do ser humano. A técnica do deepfake, na qual se criam conteúdos falsos, é uma realidade. Aliás, não é novidade que as mentiras e ofensas trocadas entre candidatos sempre foram marca registrada nas campanhas eleitorais, da era analógica a digital.
Assim, “ficam vedadas a publicação e a republicação, ainda que gratuitas, bem como o impulsionamento pago de novos conteúdos sintéticos produzidos ou alterados por inteligência artificial ou por tecnologias equivalentes que utilizem imagem, voz ou manifestação de candidata ou candidato ou de pessoa pública, mesmo que rotulados e em conformidade com as demais exigências deste artigo, no período compreendido entre as 72 (setenta e duas) horas que antecedem e as 24 (vinte e quatro) horas que sucedem o término do pleito”.
Com efeito, não se pode negar a influência da IA no mundo atual, sendo uma realidade inescapável da vida contemporânea. Reputações podem ser construídas, no entanto, muito mais rápido é a desconstrução da honra e imagem das pessoas, sobretudo, dos candidatos, que são expostos diariamente. Imagine-se a modificação de um vídeo de um determinado candidato, alterando-se o conteúdo de suas palavras. Pode ser “fatal” para a sua campanha.
Como bem salientou uma matéria da revista Veja: “fato é que a mentira, elemento intrínseco à estratégia eleitoral desde os primórdios da política, alcança novos patamares de potencial nocivo com a proliferação dos deepfakes. Sem mecanismos eficientes de controle e conscientização, não há nenhuma barreira para que agentes mal-intencionados tentem sequestrar o debate político e colher frutos nas urnas”.
No mesmo sentido, foram as palavras do professor Conrado Hübner Mendes: “o objetivo não é comunicar ideias ou fatos, apenas instigar a emoção tribal, a pulsão de pertencer a um grupo. Não está preocupado com pensar e argumentar, apenas a sentir e agredir”.
Por fim, destaque-se que a violação do que está disciplinado na referida Resolução no tocante ao uso da IA poderá ensejar a adoção de medidas coercitivas destinadas a assegurar a efetividade da ordem judicial, inclusive, a fixação de multa diária.
A Justiça Eleitoral, certamente, terá muito trabalho.
Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos
Por Marcelo Alves
Parte em resposta à fracassada “invasão da Baía dos Porcos” de 1961, parte em contrapartida à presença de mísseis balísticos norte-americanos na Europa (Itália e Turquia em especial), a “crise dos mísseis cubanos” foi um confronto entre os Estados Unidos e a União Soviética, entre os dias 16 e 28 de outubro de 1962, relacionado à implantação de mísseis balísticos soviéticos em Cuba. Mais do que em qualquer outro momento, chegamos ali muito próximo de um confronto nuclear entre as superpotências da Guerra Fria. Resultado de tensas negociações, um acordo foi alcançado entre os líderes de então, John Kennedy e Nikita Kruschev, dando assim mais um prazo de validade à nossa civilização. Ufa!
Sobre a “crise dos mísseis”, o economista e diplomata (entre muitíssimas outras coisas) John Kenneth Galbraith, em “The Age of Uncertainty” (“A era da incerteza”, Pioneira, 1980), nos conta uma interessante história, que há de nos servir de lição (tenho ainda essa esperança).
Por essa época, “generais [e outros afoitos de ocasião] faziam discursos ameaçando os comunistas com o extermínio atômico”, lembra Galbraith. Conclamavam os americanos a embarcar na empreitada. E mostravam – pelo menos eles pensavam que sim – uma suposta coragem pessoal. Durante alguns dias angustiantes, a perspectiva de uma guerra nuclear – reciprocamente suicida, para dizer o mínimo – tornou-se clara e iminente.
Entretanto, como especialmente ressalta John Kenneth Galbraith, “algo mais evidenciou-se nessa crise, pelo menos para o Presidente dos Estados Unidos. Foi a de que homens de pouca coragem moral, quando se veem forçados a uma decisão, ficam com medo de resistir ao ponto de vista consagrado, não importando quão catastrófico ele possa ser. Assim, paradoxalmente, por covardia, com receio de divergir ou parecer fracos, eles concitam a tomar-se o curso mais perigoso. Durante a crise dos mísseis, foram esses homens que advogaram um ataque às bases de lançamento dos mesmos, no que chamaram de golpe cirúrgico. Ninguém poderia dizer que a eles faltasse coragem ou determinação, acusação essa que mais eles temiam. Os homens de coragem não comprometida – Adlai Stevenson, George Ball, Robert Kennedy – recomendaram comedimento, prudência. Ao voltar da Índia, alguns dias após o fim da crise, fui uma noite ao teatro com o Presidente e a Srª Kennedy. Durante o intervalo (…). Ele contou-me, com emoção, dos conselhos imprudentes que havia recebido no transcorrer da crise cubana. Os piores, asseverou, vieram daqueles que tinham medo de ser sensatos”.
Foi Karl Marx quem disse, desenvolvendo uma ideia de Hegel, que a “história se repete como farsa”. Para quem não sabe, Marx analisava como Luís Bonaparte, o Napoleão III ou Napoléon le Petit, assumiu o poder na França emulando o seu tio, Napoleão Bonaparte, dito le Grand, resultando assim em uma versão “farsesca” do original.
Por estes dias, em que se fecham caminhos já deveras estreitos e se ameaça exterminar civilizações, muito se tem de farsa – e de tragédia também, infelizmente. Eu só espero que, nesse novo teatro, em que não podemos mais contar com um poder civil de coragem não comprometida (os Kennedy, Stevenson e Ball da história), tenhamos generais prudentes que não se deixem lambuzar com os porcos.
Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República, doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras – ANRL
Por Marcos Ferreira
Achava-me no banheiro, enxugara-me parcialmente e estava prestes a passar o desodorante roll-on. Aí escuto umas pancadinhas no portão. Quem seria a essa hora? Momento de sol forte, calor demais. Imediatamente, como autoridade constituída, Juju se pôs a latir com teatral bravura, engrossando a voz de modo a me parecer autêntica protetora deste domicílio. Isso foi ontem, por volta das quatorze horas. Vesti-me da cintura para baixo com a toalha e fui ver o que havia.
Não abri, limitei-me a espiar e falar pela minúscula fresta entre o muro e o portão corrediço. Não estava em condições de receber ninguém semivestido com uma toalha. Já procedi assim algumas vezes com certas pessoas cuja voz não me pareceu familiar. Perguntei sobre quem era e o que desejava. Felizmente, talvez pela proximidade, fui logo visto e ouvido através da referida frincha. Um tanto surpreso, então, com o pouco cabelo despenteado e o corpo com bolhas d’água em determinados pontos, pude ver o recorte de um rostinho feminino. Pois é. Estava ali uma garota que se anunciou como testemunha de Jeová.
Tive, pelo timbre daquela voz, a impressão de que não tivesse nem dezoito anos. Julgando o falatório confuso do outro lado, presumi que a mocinha não estava só. Ela disse se chamar Luana e revelou que andava em companhia de outras duas moças cujos nomes não os recordo. Amigas talvez tão jovens quanto ela, quem sabe adolescentes. Indaguei de mim para comigo como alguém tão jovem possa se dizer testemunha de uma história tão velha quanto o próprio mundo.
É isso, a mocinha esperava ser recebida de maneira mais apropriada. Esforçava-se para usufruir do nosso mínimo campo de visão e diálogo. Eu não tinha o menor intuito de convidá-las a entrar, oferecer água ou café. Por isso dei um jeito de encurtar a conversa e me livrar daquela situação inoportuna para os dois lados. Uma lateral da armação dos óculos de grau dela tocava a parede do muro.
Imagino que Luana tenha visto ao menos que eu estava sem camisa. Educadamente, enfim, ela agradeceu pela atenção e disse que poderíamos conversar melhor em outra oportunidade. E lá se foram as testemunhas do Criador. Fico aqui imaginando se este relato pode interessar a quem quer que seja. Entrementes quero supor que a história sirva de exemplo, ao menos para que vejamos que ainda há neste planeta pessoas voluntariosas e de bom coração. Aquelas meninas não tiveram a chance de me transmitir a sua mensagem de fé e amor, porém acho justo fazer o registro dessas três boas almas que tentaram me catequizar na tarde de ontem.
Lembro que certa feita, há coisa de dois ou três anos, despachei sumariamente dois jovens mórmons que me encontraram em outro tipo de circunstância na qual não pude lhes dar maior atenção. Apareceram-me justamente quando eu ia chegando em casa apertado por uma perigosa dor de barriga. Argumentei às pressas sobre a impossibilidade do diálogo e por pouco não borrei as calças.
Marcos Ferreira é escritor
O industrial Francisco Vilmar Pereira assumiu interinamente a presidência da Federação das Indústrias do Estado do RN (FIERN), em cerimônia conduzida pelo presidente Roberto Serquiz, durante reunião com diretores do Sistema Fiern, nessa sexta-feira (17).
A mudança ocorre em razão da participação de Serquiz na missão empresarial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), à Alemanha, entre 18 e 25 de abril.
Um grupo de mais de 260 representantes da indústria brasileira embarca na missão para participar da Hannover Messe. É a maior feira de tecnologia industrial do mundo, e do 42° Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA), o principal fórum bilateral do setor produtivo dos países.
Empresário nos ramos petrolífero, de gás natural e imobiliário, Francisco Vilmar Pereira é diretor-presidente das empresas Vipetro, Petroforte Factoring e Petroimóveis.
Também atuou durante trinta anos no ramo da aviação com a Viação Aérea São Paulo (VASP).
Atualmente, é 1º vice-presidente da Fiern, foi presidente do @simetalrn, da Câmara de Dirigentes Lojistas de Mossoró (CDL) e da Associação Comercial e Industrial de Mossoró (ACIM).
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Nota do BCS – Você é o que os americanos chamam de self made man, @vilmarvp. Fez-se pelos próprios esforços, saindo do nada, da pobreza. Parabéns, meu caro! Aplausos!
“Nunca é tarde demais para ser aquilo que você deveria ser.”
George Eliot
No próxima quinta-feira (23), o Teatro Municipal Dix-huit Rosado será palco de mais uma apresentação da Orquestra Sinfônica de Lisboa. A exemplo da edição anterior, alunos da Rede Municipal de Ensino de Mossoró, que integram o projeto de Musicalização, farão parte do espetáculo “O Sítio da Amizade”.
No último dia 13 de março, a Prefeitura de Mossoró, por meio da Secretaria Municipal de Educação, reuniu supervisores e diretores de unidades para uma formação com técnicas de musicalização a serem repassadas aos professores da rede municipal.
O trabalho executado nas unidades do município fará parte da apresentação da Orquestra Sinfônica de Lisboa, no dia 23, ás 8h30 no teatro Dix-huit Rosado com acesso livre.
Musicalização
A musicalização infantil é um processo pedagógico que utiliza atividades lúdicas, como canções, jogos rítmicos e instrumentos de percussão, para estimular o desenvolvimento integral da criança. O projeto visa estimular a percepção sonora e criatividade, além de aprimorar a coordenação motora, a socialização, a concentração e expressão corporal das crianças.
A Orquestra Sinfônica de Lisboa esteve anteriormente em Mossoró no dia 9 de setembro do ano passado.

Dia 9 de setembro do ano passado, a Sinfônica teve um espetáculo com casa cheia no Dix-huit Rosado (Foto: Wilson Moreno/Arquivo)
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O debate sobre jornada de trabalho rompeu a barreira técnica e entrou no campo político-eleitoral. Passa a ser pauta de disputa, narrativa e convencimento. Compreensível num ano em que teremos eleições.
No RN, ainda aparece como reflexo de Brasília – porém de modo muito superficial, tangido mais pelo partidarismo do governo e seu braço sindical, do que por qualquer outra razão.
Mas tende a ganhar corpo rapidamente, sobretudo com o afunilamento do calendário eleitoral, que ainda está no estágio de pré-campanha.
Quem entender primeiro o alcance desse tema pode sair na frente.
Não apenas entender, óbvio. Como lidar e ser convincente em posicionamentos e argumentos.
Leia também: Trabalhar mais, ou menos; o Brasil discute sua jornada
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Por Diógenes Dantas (Diário do RN)
A convite do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, a vereadora Thabatta Pimenta vai palestrar no Brazil Forum UK 2026, em Oxford (Inglaterra).
O evento será realizado nos dias 16 e 17 de maio, na Blavatnik School of Government.
Na pauta, o debate sobre desigualdades sociais.
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Converso numa roda de amigos sobre amenidades, abobrinhas e nada muito sério. Um daqueles momentos em que nos reunimos porque temos um monte de coisas para não fazer. Desplugamos para continuarmos ligados, humanamente ligados.
Contudo aí, por deslize de um dos nossos circunstantes, a tal da política é jogada inoportunamente à mesa. Alguém fala sobre ‘polarização’ e as manadas que se digladiam em casa, na rua, na chuva, na fazenda, mas principalmente em redes sociais. Cada uma incensa seu semideus e vomita no contendor.
Polarização existe desde a maior parte da nossa existência como gênero Homo, o caçador-coletor, aquele indivíduo das cavernas a 2,5 milhões de anos. Ou agora mais próximo, por volta de 300 mil anos – o homo sapiens na África. Entretanto, o fenômeno do confronto nesse nível como estamos testemunhando, reportando e participando, ganha dimensão grandiloquente por força desse mundo conectado em que vivemos.
No campinho de futebol de várzea, no tablado do teatro, num centro comunitário, no bar, no galpão da fábrica, em todo lugar em que existimos, existe alguma modalidade de polarização e ela nem sempre é pelo topo, pelo comando, pelo controle, mas algum outro tipo de supremacia, proeminência, destaque. Está acima não mudará o mundo, a política ou qualquer componente vital à vida em sociedade.
Um exemplo de fácil entendimento: em boa parte dos campeonatos estaduais de futebol que acompanhei no RN, Potiguar e Baraúnas polarizaram forças e raramente no topo, mas para saber quem ficaria à frente do outro na competição. Um duelo paroquial, que se diga.
A polarização é quando opiniões, grupos ou visões de mundo se afastam e se concentram em polos opostos, com pouca zona de racionalidade no meio. O diálogo diminui, a identidade e pertencimento de grupo aumentam; discordar vira “ser inimigo”. Regra, não exceção. A política é só o palco mais visível.
A elite política tem mais microfones, organização com capacidade de arrebanhar gente e marketing mais profissional, além de despudor para patinhar no submundo. Redes sociais reforçam o que você já é induzido a pensar e expõem o pior do “outro lado”, acelerando sentimento de ódio e dando o start para repulsa um pelo outro.
Nada muito racional, como nossos antepassados das cavernas.
Voltemos à nossa conversa nada séria com um monte de coisas para não fazer.
Depois falamos sobre política.
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Notícia triste, mas temos que dá-la. Nessa quinta-feira (16), à noite, faleceu no Hospital Wilson Rosado, em Mossoró, o professor de educação física aposentado Francisco Djalma Frota, 82, pai de cinco filhos e com dez netos.
Ex-integrante dos quadros da Universidade do Estado do RN (UERN), onde foi diretor da Faculdade de Educação Física (FAEF) de 1989 a 1992, da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), além das redes estadual e municipal de ensino, Frota residia em Tibau e estava internado há semanas com uma série de complicações de saúde, que se interligavam.
Seu velório ocorre no Centro de Velório Sempre no Centro da Cidade, em frente ao Tiro de Guerra 07/010.
Sepultamento está marcado para as 17 horas desta sexta-feira (17) no Cemitério São Sebastião, Centro da cidade
Nota do BCS – Através de Djalma Júnior, transmito minhas condolências. Conhecia Djalma Frota há muitos e muitos anos. Parte com legado de ser, em essência, um cidadão de bem.
Descanse em paz.
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