
Lula foi tratado por “ladrão”, em fala de Milei, na convenção nacional do PL que oficializou o senador Flávio Bolsonaro como candidato (Foto: Sérgio Lima/AFP)
A crise diplomática entre Brasil e Argentina se aprofundou neste início de semana, com o governo brasileiro atuando de forma conjunta para criticar o presidente argentino Javier Milei por suas falas em que chama o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “presidiário” e “ladrão” na convenção nacional do PL que oficializou o senador Flávio Bolsonaro como candidato do partido à Presidência. Após as declarações, Lula reuniu-se com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e autorizou o Itamaraty a endurecer a reação pela via diplomática.
Segundo auxiliares do presidente, a orientação é evitar um confronto público de Lula com Milei e preservar a relação histórica entre Brasil e Argentina. Nos bastidores, auxiliares de Lula afirmam que o governo vê Milei como um aliado, ou “capanga”, do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e avalia que o argentino tenta, há meses, atrair o presidente brasileiro para um embate político. (Folha)
“É a maior [crise] desde a redemocratização”. Foi assim que Celso Amorim, assessor de assuntos internacionais do Palácio do Planalto, definiu a situação com a Argentina. Para ele, este é o pior momento desde a grande crise entre os dois países em 1973, quando o Brasil assinou o Tratado de Itaipu com o Paraguai. (CNN Brasil)
O presidente Lula se limitou a ironizar Milei, ao ser questionado sobre os ataques do último fim de semana. Ao deixar uma cerimônia de recepção ao presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, no Palácio do Itamaraty, em Brasília, Lula foi perguntado por jornalistas sobre as falas do argentino e respondeu de forma breve: “Quem é esse cara?”. (Poder360)
O PT, por sua vez, por meio da federação Brasil da Esperança, formada com PV e PCdoB, protocolou uma notícia de fato na Procuradoria-Geral Eleitoral pedindo a abertura de investigação sobre a participação de Milei na convenção nacional do Partido Liberal. Na ação encaminhada ao procurador-geral eleitoral, Paulo Gonet, a federação afirma que Milei pode ter interferido de forma indevida no processo eleitoral brasileiro. (Metrópoles)
Já Javier Milei não se intimidou com a reação e voltou a atacar o governo brasileiro e o presidente Lula, ao acusar o Brasil de financiar uma suposta campanha internacional contra a Argentina durante a Copa do Mundo de 2026. Milei afirmou que o governo brasileiro foi o principal financiador da alegada ofensiva, respondendo por cerca de 25% dos recursos utilizados. Segundo ele, a campanha também teria contado com apoio do governo do México, liderado por Claudia Sheinbaum, e do Partido Democrata dos Estados Unidos. O presidente argentino, no entanto, não apresentou evidências para sustentar as acusações. (g1)
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