Da revista Jornalistas & Cia e BCS
Uma equipe de historiadores, arqueólogos e arquitetos encontrou a sala onde foi encenado o falso suicídio do jornalista Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura militar em 1975 em São Paulo-SP. A pesquisa, feita pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), conseguiu encontrar o local exato da encenação, um mistério que durava mais de 50 anos.
A descoberta ocorreu graças à análise de estruturas do prédio do Destacamento de Operações de Informações, Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), incluindo paredes, piso e teto. Após essa análise, os pesquisadores fizeram o cruzamento dessas informações com registros históricos e imagens da época.
Eles destacaram que o som oco de uma parede ajudou a revelar um espaço escondido e levou à identificação do ambiente. A pesquisa também encontrou, escondidas sob camadas de tinta e azulejo, marcas feitas por um prisioneiro para contar os dias no cárcere.
Os pesquisadores analisaram principalmente a foto histórica do suicídio forjado de Herzog, na qual ele aparece pendurado em uma corda. A ideia era conseguir identificar onde a foto teria sido tirada.
O grupo mergulhou nas minudências da encenação. Foco no piso de madeira, a janela com blocos de vidro e grade, marcas na parede e dobradiças de porta que não foram substituídas.
Destacaram ainda que, devido a reformas no prédio, as estruturas originais foram alteradas, o que dificultou a identificação do local.
Quem foi Vladimir Herzog
Nascido em 1937, na então Iugoslávia (hoje Croácia), ele morreu em São Paulo-SP dia 25 de outubro de 1975, torturado em órgão de repressão da ditadura militar. Jornalista, professor e cineasta, diretor de jornalismo da TV Cultura, à época, com formação em filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), Herzog (ou “Vlado”, como era conhecido) foi um intelectual respeitado, com passagem pela BBC em Londres e atuação acadêmica na USP.
Naturalizado brasileiro, tornou-se um nome importante do jornalismo crítico durante a ditadura militar. Em outubro de 1975, ele foi convocado pelo DOI-CODI, órgão repressivo do Exército, para depor sobre supostas ligações com o Partido Comunista. Compareceu voluntariamente, mas acabou preso, torturado e morto poucas depois. Versão do governo militar: ele cometera suicídio com uso de uma corda.
Investigações posteriores (inclusive internacionais) concluíram que ele foi torturado e assassinado pelo Estado. Em 2013, o atestado de óbito foi corrigido para indicar morte por tortura. A Corte Interamericana condenou o Brasil pelo caso e em 2025, o Estado brasileiro reconheceu oficialmente sua responsabilidade no crime hediondo.
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