“A ditadura não é um regime de autoridade, e sim de facilidade” (Burdeau, em “Tratado da Ciência Política”)
Volta à pauta na Grande Imprensa o tema “terceiro mandato” para o presidente Lula da Silva (PT). Uma nova eleição, sob amparo de emenda constitucional, ensejaria a permanência do petista por pelo menos mais quatro anos no Palácio do Planalto.
Na verdade, seria um golpe contra a imberbe democracia brasileira. Os propagandistas do terceiro mandato misturam má-fé com estupidez, na sustentação desse casuísmo.
Tentam fazer eco na imprensa para que assim a massa-gente seja contaminada.
Subliminarmente, apenas lutam pela manutenção de privilégios pessoais e de seus grupos. Em momento algum enxergam os interesses da nação. Não se trata de uma cruzada cívica, mas intestina. De umbigo.
Não há nada que justifique dilatação no tempo de poder do presidente, mesmo se levando em conta sua altíssima aceitação popular e vitórias importantes do governo nos campos econômico e social.
Caso venha a prosperar – o que não acredito – será o alicerce de uma ditadura, sob o disfarce do voto “livre”. Modelo copiado do caudilhesco Hugo Chavez (Venezuela), que também não chega a ser original. A história vive se repetindo, pregava o filósofo Hegel, sustentado adiante por Karl Marx.
A ditadura nasceu na república romana, quase 500 anos antes de Cristo, mas com outro fundamento. Seu sentido primário era de concentrar poderes na mão de alguém de confiança, para condução da pátria em períodos de conturbação, como guerras. O ungido tinha mandato mínimo de seis meses.
O general e cônsul Júlio César – visto como gênio militar e bom governante – gostou tanto de ser ditador que só largou o cargo a facadas, em 44 A.C. Não é isso que desejamos para Lula. Nem para o Brasil.
A república brasileira tem pouco menos de 120 anos de existência e raros momentos de aparente democracia. O mais longo é este que vivemos. Foi iniciado canhestramente com a eleição indireta de Tancredo Neves em 1984. De 1889 até 1930 tivemos a República Velha herdando os vícios da monarquia, como o coronelismo; o Estado Novo de Getúlio Vargas calou a imprensa, fechou os outros poderes e perseguiu desafetos de 1930 a 1945.
Depois passamos pela instabilidade “democrática” de 1945 a março de 1964. Em seguida veio a barbárie militar com um elenco de presidentes em verde-oliva até março de 1985.
O retrocesso não pode ser bancado justamente por Lula, uma das vítimas do regime, preso no final dos anos 70 por comandar greves de trabalhadores. Certamente ele não se curvará à tentação que consumiu Júlio César há mais de 2 mil anos.
O governo precisa ser impessoal, produtivo e transitório. A alternância no poder oxigena o regime e a divinização de Lula – como alguém “insubstituível” – é absurda, além de nociva ao país.
George Washington, primeiro presidente dos Estados Unidos, deu um “basta” quando quiseram fazer o mesmo em relação a si, com mandatos sem fim. Ben Gurion, “pai” do moderno Estado judeu, conduziu seu povo à criação e consolidação de Israel, mas nunca se apresentou como herdeiro do rei Salomão, apesar da popularidade extraordinária.
Terceiro mandato, nem pensar.
* Este artigo abre a série “Pauta do Internauta”, que atende a sugestões de webleitores e oferece oportunidade para amplo debate.
Participe.
A consolidação de um regime democrático se faz com alternância do poder. A perpetuação legal de Lula na presidência, com um terceiro mandato, desfigura o instituto da democracia, conquistada a duras penas pelo povo brasileiro.
Votei em Lula nos 2 mandato mas, basta, ele tem que dar lugar a outro (que não seja a Dilma).
O terceiro mandato seria um tiro no pé e colocaria em xeque a nossa democracia que já cheia de defeitos. Não me sinto vivendo numa democracia num lugar onde direitos básicos como saúde e educação não funciona. A culpa tb é da população. Omissa/covarde que sabe dos seus direitos e deveres, mas faz vista grossa se preocupando apenas com o próprio umbigo. Em Mossoró o quadro ainda é pior tem essa buraqueira e ng diz nada e qd diz nossos governantes insinuam que estão fazendo isso patrocinado como um cachê. Uma lástima! quanto ao seu texto: brilhante! sou seu fã. vc só perde pra Tio Emanoel. kkkkkk
Meu caro Carlos Santos:
A possibilidade de um terceiro mandato para cargos políticos executivos, mudaria completamente o quadro que começa a ser desenhado no Rio Grande do Norte. Sim, porque se for permitida mais uma reeleição não será somente para Presidente da República, mas para Governadores e Prefeitos. Assim, com a caneta na mão, Dona Vilma, com certeza, seria candidata a permanecer mais quatro anos no palácio Potengi. Em 2112, teriaamos a candidatura da enfermeira Fátima Rosado, para mais um mandato na Prefeitura de Mossoró. Já imaginou isso?
Um forte abraço.
Assis Costa
Superastes as expectativas.Concordo em número,gênero e grau.
Caros, sou militante do PCdoB e a discussão quanto a um possível mandato de Lula é travada no âmbito do Partido. Uma coisa que temos bem clara é que um terceiro mandanto não contribui para a consolidaçao do projeto Brasil, que se caracteriza pela implantação de um novo modelo de gestão. Nós entedemos que o governo Lula é um governo de transição que abriu espaços políticos para as frentes progressistas e de cunho socialista. Diante disso, não podemos acreditar que um terceiro mandato seja plausível para nossa cambaleante democracia. Outro ponto importate que gostaria de tratar é quanto a Reforma Política, que precisa ser feita de forma ampla e não fragmentada como está posta, ou seja, todas essas anomalias que denigrem a imagem do nosso sistema político-partidário precisa ser regulamentado e não aconchambrado como foi proposto pelo próprio governo, haja vista que os projetos foram encaminhado pelo executivo. Pois bem, uma Reforma Política séria é a solução para sanar distorçoes como essas de um eventual terceiro mandato.
Não sou nenhum conselheiro, mas alerto o quanto as más companhias fazem mal, às vezes somente a quem as têm e muitas vezes a uma Nação. Desde criança, ouço falar em Fidel Castro, pergunto, ele é um democrata?, vamos para mais perto no tempo, Hugo Chavez é o que????, para mim, um louco que sabe o que quer, O PODER, e o nosso Presidente deles ouve conselhos.
Lembro-me muito bem quando a reeleição foi inventada e implantada por um MINISTRO, na época, os que hoje querem o terceiro mandato para LULA, adjetivaram de “GOLPE”, FHC foi reeleito como sabemos e não fizeram nada para acabar com a reeleição tão odiada e combatida. Agora, querem um terceiro mandato para ele. Afinal, o que querem???? pergunto porque uma hora tudo é podre, em outra hora, o podre cheira bem. Tudo a troco de R$ 90,00 por es para 12 milhões de famílias.
UFA!!!! ainda bem que tenho mais com o que me preocupar, refiro-me à cariada Mossoró.
É o cúmulo da ironia. Lula sofreu tanto com o autoritarismo de uma ditadura e hoje quer ser um ditador. É esse “o cara” a quem Barak Obama se referiu? Acho que o presidente dos Estados Unidos não sabe que Lula ouve os conselhos de Hugo Chaves.
Vire essa boca pra lá, mas 4 anos de FAFA, nem pensar. O que seria de nós pobres mossoroenses, se esse desatre administrativo viesse acontecer. Arre…..
Se Lula nao tinha condicoes de governar o Pais, por ser um operario, imagino que temos muitos doutores que possam tocar essa tribo adiante.
Quando optaram pela reeleicao, deveriam ter copiado o modelo americano, podendo ser reeleito somente uma vez e depois nao poderia jamais concorrer ao mesmo cargo. Isso quer dizer, muitos prefeitos e governadores que ficaram se revezando no poder por muito tempo. Prejudicando muitissimo a nossa tribo (os municipios e estados). Lula ja nao estaria pensando em 2014.