quarta-feira - 24/12/2025 - 21:44h
Noite feliz

A Estrela de Belém

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

O que eu aprendi com o Natal é algo essencialmente humano e levou muito tempo à minha compreensão. Depois de longos anos que atravessam décadas, da infância à idade outonal, passei a ver seu principal significado nas emoções alheias. No outro. Nos outros.

Não escrevo aqui uma exaltação à data. Esse texto também não é uma “mensagem natalina” para atender a qualquer imposição da atmosfera festiva de hoje. Nem me prendo diretamente à religiosidade e à natividade representada pelo Menino Jesus. À cabeça vem seus personagens lúdicos, como aquele senhor de barba grisalha e gorro vermelho que tem uma gargalhada farta e calorosa (Ho-ho-ho!). Aparecem crianças, muitas crianças. Gente, gosto de gente.

Do apelo comercial quem consegue fugir? Eu não faço nenhum esforço para me desvencilhar dessa pressão, porque adoro dar presentes, principalmente aos pequeninos e pequeninas. De receber, não mesmo. Acho desnecessário, mas não desdenho o gesto da lembrança. É o meu jeito. Aceite-me assim.

O Natal que sinto nessa quadra da existência é um pouco reflexo de minha cura afetiva e espiritual. E muitos, sem saber, colaboraram comigo.

Avanço, compreensão, maturidade… Não sei definir com clareza. Apenas sinto-me bem melhor, leve e feliz. Sentimentos opostos ao que carreguei por muito tempo, mergulhado em mim mesmo, isolado ou sozinho; arredio à festa, ao burburinho. No meu canto.

Avanço, compreensão, maturidade… não sei.

Passei a encontrar na felicidade de quem eu gosto, a minha razão natalina. Eis o ponto de virada. Anos, anos, décadas, décadas, para perceber que eu também poderia nascer e renascer, no Natal. Mesmo assim, sem deixar de gostar do sossego que diz muito de mim no cantinho silencioso de casa – espichado no sofá, com livros, música baixinha, minhas memórias e planos.

Daqui a pouco vou à janela espiar o céu. Quem sabe não aparece lá em cima a Estrela de Belém, hein?

Feliz Natal.

Acesse nosso Instagram AQUI.

Acesse nosso Threads AQUI.

Acesse nosso X (antigo Twitter) AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Blog

Comentários

  1. Naide Maria Rosado de Souza diz:

    Que texto lindo, meu filho. Apraz-me ver seu amadurecimento gentil pois não machuca. Às vezes, quando ficamos no nosso quadrante esquecemos dos outros, mas eles existem! Que a sua maneira de aguardar a estrela de Belém seja a perfeita, assim como a inteligência com que foi abençoado. Beije Eloísa por mim e tenha bons sonhos, nesse Natal, no Ano Novo e sempre. O maior abraço, Naide, Sergio, filhos e netos.

  2. Marcos Pinto. diz:

    Feliz Natal bicho véio matuto, sempre ensimesmado, isolado por opção, arrredio por sentimento claustral, mesmo sem estar isolado por grossas e úmidas paredes de um Mosteiro mais que secular, nos moldes do Mosteiro de São Bento, na misteriosa e envolvente Olinda quinhentista. Que sigamos o brilho envolvente das Estrelas de primeira grandeza – espiritual ou com viés da metafísica. Que me socorra o Erasmo de Roterdam, em seu consagrado “Elogio da Loucura”, sob assédio odorífico das “Flores do Mal”, do jardim do inconfundível Baudelaire. Nas prefiro mesmo o cheiro bom do marmelriro, viçoso em sua veste invernal – acordes florais, em plena caatinga da minha amada “Serra do Apodi” e seus mistérios envolventes. Dane-se o tempo, urgindo e rugindo em tugúrio sepulcral. Já visualizo o umbral do tempo, com matiz ebúrneo de ocaso de poeta delirante, ciclotímico. Valei-me Torquemada !. – Já não existe Dulcinéia, pois Inês já é morta. Da libido, Rei morto, Rei posto. Cáspite !.

  3. Aldaci de França diz:

    Texto belíssimo, focando a suas impressões de períodos natalinos e sua felicidade natural. Parabéns garoto bem vivido

Faça um Comentário

*


Current day month ye@r *

Home | Quem Somos | Regras | Opinião | Especial | Favoritos | Histórico | Fale Conosco
© Copyright 2011 - 2026. Todos os Direitos Reservados.