Por Inácio Augusto de Almeida
Era uma vez uma vaquinha chamada vitória.
A vaquinha morreu.
Acabou-se a estória.Leu e releu, mas não deu para entender a estória que não dizia do que a vaquinha tinha morrido. Apenas dizia que a vaquinha morreu.
Muito complicado.
Fez um longo comentário exigindo do autor da estória que explicasse, com riqueza de detalhes, a causa da morte da vaquinha vitória.
Como não recebeu resposta, imaginou que um mistério enorme existia por trás do que parecia ser uma estoriazinha sem pé nem cabeça.
Deu asas à imaginação e concluiu tratar-se de uma mensagem dirigida a um grupo que poderia estar colocando em risco a segurança nacional.
Respirou fundo e olhando as estrelas, cheias de brilho daquela noite de verão, teve a certeza de que a estória da vaquinha era uma mensagem deixada por alienígenas para outros extraterrestes que já estavam entre nós preparando a invasão.
A morte da vaquinha era os longos soluços dos violinos de outono do poema do Paul Verlaine.
Riu e sentiu-se mais inteligente do que Arquimedes.
Pensou em sair gritando pelas ruas, na madrugada quente de Mossoró; descobri, descobri, DESCOBRI! Lembrou-se dos assaltantes e se consolou dizendo para si que não seria original se assim o fizesse, que logo iriam aparecer os caçadores do calcanhar de Aquiles para dizer que seu gesto era um arremedo do que fizera Arquimedes.
Resolveu deixar para revelar a bomba tão logo o dia amanhecesse.
Na calçada viu duas crianças esperando o transporte escolar. Falavam da vaquinha vitória com tristeza porque a tia encerrou a estória dizendo que a vaquinha morreu e a estória acabou.
Inácio Augusto de Almeida é jornalista e escritor
Superando em sensibilidade a cada domingo.
Parabéns..
Faz parte de minha rotina esperar para ler suas e de todos crônistas do Nosso Blog.
Um abraçaço.
Qualquer semelhança com o perfil da vetusta oligarquia politico-familiar numerada de Mossoró não terá sido nada coincidência. Isso sem falar na famosa “galinha dos ovos de ouro”. Decifra-me ou te devoro. Ah tá !. Ah ! – Às Atas !.
Vc viveu os anos de chumbo.
Certamente conheceu tipos que enxergavam chifre em cabeça de cavalo. Era o desejo de mostrar serviço. E por conta destes patifes muitos jovens estudantes, principalmente os universitários, sofreram perseguições inimagináveis.
Minha filha sempre me conta a curtíssima estória da Vaquinha Vitória. Ela percebeu que eu durmo com facilidade e quando lhe peço para contar uma estória…
Daí eu resolvi aproveitar a Vaquinha Vitória para RIDICULARIZAR os que, naqueles anos negros e ainda hoje, em tudo e em todos enxergavam uma ameça…
Claro que, em escala menor, os grupelhos que mantém o poder por décadas e décadas em estados e cidades, se utilizam destes tipos desprezíveis.
Você, com sua inteligência exuberante, captou a mensagem.
Um abraço