Por Marcos Ferreira
Verdade seja dita. Não vales o que os gatos ocultam dentro de minúsculas covinhas, aquelas que eles logo cobrem com um pouco de terra. És podre, mau, execrável. Existe uma cambada de políticos talvez tão escrotos quanto o senhor, malandro que hoje se diz debilitado, precisando de cuidados médicos desde a prisão domiciliar na sua portentosa mansão cinco estrelas, lá no bem-bom. Ainda ontem, cheio de audácia, atrevimento e vigor, ocupavas palanques com discursos ferozes contra a democracia, instigado e aplaudido por um sem-número de alienados bajuladores.
Num passado bastante recente, portanto, participavas de motociatas em diversas capitais, além de se exibir sobre motos aquáticas, mais conhecidas como jet-ski.
Hoje, depois de muito aprontar pelos quatro cantos do Brasil, de agredir jornalistas verbalmente, de cuspir para cima e fazer pouco-caso até de famílias enlutadas, gente que perdeu entes queridos na pandemia, estás no lugar onde deverias estar há bastante tempo: na Papudinha. Assim mesmo estás no lucro. Deverias cumprir tua pena na própria Papuda ou no completo penitenciário de Bangu 8.
De qualquer jeito, ainda que gozando de mordomia, pois ora ocupas uma cela que mais parece um apartamento todo equipado e mobiliado, sentimos um gostinho de vitória, aquele sentimento de que a justiça foi feita, uma agradável sensação de que não ficaste impune por tantos crimes cometidos e outros notoriamente arquitetados. Ah, senhor Percevejo, a casa caiu para ti, que te achavas imbatível e intocável, acima de tudo e de todos. Cadê aqueles teus patriotas, a caterva de vândalos fidelíssimos e raivosos que apoiavam o pseudo-mito?
Ninguém saiu às ruas para protestar contra o teu encarceramento. Todo mundo está em suas casas cuidando da própria vida. Tu que te fodeste, estrepado de verde e amarelo. Cadê o malandro que se queixava de possuir histórico de atleta, que se gabava dizendo que, se contraísse o vírus, sentiria tão só um resfriadinho, uma gripezinha, porém tomaste a vacina às escondidas? É bom que peças a Deus para que Adélio Bispo, o ninja, não seja transferido para a Papudinha. Aí o senhor Bispo vai cancelar teu CPF, pois, segundo tu, bandido bom é bandido morto.
Não te queixes, não maldigas tua sorte. Embora no xilindró, desfrutas de regalias que noventa e nove por cento dos presidiários deste país não experimentam. É melhor ires te acostumando. Onde está o cara arrochado? Cadê o valentão que, segundo tu, não teme nada? Cadê, senhor Percevejo, o soldado cuja especialidade é matar? Nos últimos tempos tens chorado lágrimas de crocodilo. És um réptil soluçante, um saco de estrume, uma pústula escancarada. O Nove-Dedos puxou cadeia durante quinhentos e oitenta dias sem derramar uma lágrima. Chega de mi-mi-mi! Mais pareces um bebê chorão. Curta o teu novo endereço. Bem-vindo à Papudinha.
Marcos Ferreira é escritor
























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