Por Bruno Ernesto

Exposição “Reflexões, conexões e afetividade”, de Flávio Cerqueira, CCBBRJ (Foto de autoria de Bruno Ernesto, 01/2026)
Por acaso, você brinca com a sorte? De quem?
De tempo em tempo, algum evento histórico parece surgir como algo original, sem precedentes.
Todavia, a história tem mostrado de forma clara, que, além da mera repetição, trata-se de uma reiterada e contínua condição que ganha força, recrudescendo a tal ponto, que nem a sorte ajudará.
Por acaso, você sabia que Adolf Hitler, antes de se materializar no que foi, tentou, com grande esforço e dedicação, por duas vezes, ingressar na Academia de Belas Artes de Viena?
Pelas regras da academia, a primeira reprovação ainda lhe possibilitava uma última tentativa.
Seus desenhos foram considerados de baixa qualidade, e a segunda rejeição sepultou seu sonho de ser pintor – um grande pintor, deve ter pensado -, pois em 1907, a regra da Academia era de total impossibilidade de reabilitação do candidato rejeitado.
Daí, seguiu o rumo que seguiu, e aconteceu o que aconteceu.
Quem teve sorte?
Sair antes da chuva, passar o sinal antes de fechar, desligar o leite antes de ferver, jogar no bicho, lembrar do nome do personagem e a senha do cadeado da mala na fila da imigração, talvez não sirva como parâmetro.
Nem mesmo lembrar o nome do seu interlocutor após mais de quarenta minutos de conversa franca – porém tensa, pelo esquecimento -, lhe trará uma boa sensação.
Sorte que é sorte, tanto dá quanto tira. Tanto cura quanto oprime.
Ora é pura, ora é poder. Ora sombria, ora velada.
O que é sorte, afinal?
Bruno Ernesto é escritor, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró – IHGM e curador do portal cultural marsertao.com @ihgmossoro @marsertaoblog























Faça um Comentário