Por Bruno Ernesto
Não é só impressão sua, o final do ano também muda no sertão. A caatinga tem essa beleza peculiar.
Aliás, de tudo que já vi, não há bioma mais bonito que ela. Até o seu cheiro é melhor.
O que olhos de quem não está acostumado mostram, nunca foi, não é, e nunca será morta.
Sua aparência, especialmente de setembro em diante, é um contraste entre cinzas, marrons, amarelos, vermelhos e surpreendentes verdes pontuais.
Quando passar por ela em dezembro, estenda o seu olhar e verá belos pereiros, juazeiros e cactáceas verdes, como o Cereus Jamacaru que tanto encantou Frans Post.
Se Claude Monet, Van Gogh e Rembrandt tivessem seguido os passos de Frans Post, a história da arte teria sido outra. Muito mais impressionante, que se diga.
Embora os incautos ainda julguem que a seca nos cerca como uma ferida que nunca cicatriza, como bem disse Neruda, há feridas que abrem a nossa pele; já outras, os nossos olhos.
Bruno Ernesto é advogado, professor, escritor e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró (IHGM)
























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