quinta-feira - 05/03/2026 - 23:24h
Descanse em paz

Cultura nordestina perde a voz e o talento de Marcus Lucenna

Lucenna tinha longa trajetória na defesa das tradições nordestinas (Foto: Reprodução)

Lucenna tinha longa trajetória na defesa das tradições nordestinas (Foto: Reprodução)

Cantor, compositor, radialista, poeta e músico por profissão, o mossoroense Marcus Lucenna, 68, conhecido como “O Cantador dos Qu4tro Cantos”, pela sua trajetória no ramo artístico e andanças pelo Brasil, faleceu à noite desta quinta-feira (05), no Rio de Janeiro (RJ), onde residia desde os anos 70. As primeiras informações apontam que sofreu uma parada cardíaca. Casado, pai de cinco filhos, Lucenna será velado e sepultado no RJ.

Com atividade artística diversificada e militância pela cultura nordestina sendo pontos fortes de sua trajetória, Marcus Lucenna era cidadão fluminense e cidadão carioca.

Natural da cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte, adquiriu gosto pela música por influência do pai, que, além de radialista, era poeta, repentista e cordelista. E também do seu “heroivô”, como costuma chamar seu avô, com quem ouviu, em um showmício na cidade natal, em 1968, “Asa Branca” pela primeira vez. A música vinha diretamente da voz daquele que viria ser a sua principal inspiração: Luiz Gonzaga do Nascimento, o Rei do Baião.

Chegada ao RJ

Em 1977, aos 16 anos, desembarcou no Rio de Janeiro com o sonho de fazer carreira na vida artística. Além de Luiz Gonzaga, sua inspiração vinha dos cantadores-repentistas, dos emboladores de coco, dos cordelistas e de nomes como Jackson do Pandeiro, Raul Seixas, Belchior, Fagner, Ednardo, no Brasil, e Bob Dylan, Charles Aznavour etc., no exterior.

Começou cantando no calçadão de Copacabana, onde com seu carisma e qualidade musical encantou cariocas e turistas. Ali conheceu gente influente do meio musical e da sociedade carioca. Entre eles, os atores e cantores Mário Lago e Zezé Mota, Zé do Norte – o autor de “Mulher Rendeira”, trilha do filme O Cangaceiro, premiado em Cannes – e Jaguar, editor dO Pasquim, jornal que lhe prestou os primeiros louros da carreira.

O primeiro LP (Cantolínia Psicordélica) veio em 1989, pela Polygram, uma das maiores gravadoras do mundo à época. O álbum foi gravado na companhia de grande artistas da MPB, como Joca de Natal, Zé Américo e Severo do Acordeon. O disco foi o pontapé inicial para uma produção fonográfica que envolve 4 vinis e 11 CDs.

Parcerias

Embora se considere um artista um tanto solitário, acumula na carreira diversas parcerias importantes. Musicou letras ou teve poemas musicados por nomes como Luiz Vieira, Mirabô, Capinam, Mario Lago Filho, Maria Rio Branco, Vicente Telles, Zé Lima, Roque da Paraíba, Edson Show, Chico Pessoa e Zé do Norte.

Marcus Lucenna dividiu o palco com diversos artistas como Fagner, Elba Ramalho, Ednardo, Geraldo Azevedo e Tânia Alves.

Mas além da trajetória musical, Marcus Lucenna se destacou pelo engajamento em ações que valorizavam e davam visibilidade ao seu ofício – a música e a poesia – e a cultura popular.

Na mídia

No rádio, dirigiu e apresentou os primeiros programas regulares de forró em horário nobre no Rio, em emissoras como Imprensa FM e Tropical FM. Também esteve à frente dos programa “Nação Nordeste”, na Rádio Viva Rio, do Sistema Globo, e “Marcus Lucenna – a Voz do Povo”, na Rádio Carioca AM. Na TV, dirigiu, produziu e apresentou “Marcus Lucenna De Repente”, programa da NGT (canal 17 da NET). E em jornal, assinou a coluna “Canto do Povo Nordestino”, do Povo do Rio, e fundou o “Nação Nordeste”.

Também esteve “do outro lado do balcão”, como entrevistado e artista convidado em importantes programas televisivos, como Jô Soares e Domingão do Faustão, da TV Globo.

Artista multifacetado, Marcus Lucenna morada há décadas no RJ (Foto: Reprodução)

Artista multifacetado, Marcus Lucenna morada há décadas no RJ (Foto: Reprodução)

Feira de São Cristovão

Idealizador de projetos de valorização da cultura popular e em defesa das causas do migrante nordestino, ocupou por 6 anos o cargo de gestor do Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, a famosa feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Não só impediu que a Feira fosse retirada do bairro por força da especulação imobiliária, como liderou o movimento que a levou para dentro do Pavilhão de São Cristóvão, onde está localizada até hoje.

Amante das letras, principalmente das manifestações literárias nordestinas, Marcus Lucenna ocupa a cadeira número 7 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC). Morador do bairro do Flamengo, no Rio, foi condecorado com os títulos de Cidadão Fluminense, pela Assembléia Legislativa, e Cidadão Carioca, pela Câmara de Vereadores.

Nota do Blog – Descanse em paz, poeta.

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Categoria(s): Cultura / Gerais

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