Por Keillha Israely
A única certeza que temos nessa vida é a de que um dia iremos morrer. Porém, a morte é algo tão ruim e temido que se torna difícil discorrer sobre ela. Sem falar nas perdas, todos nós tememos perder alguém que amamos, e em qualquer profissão ou espaço de atuação, é desafiador lidar com a morte, as perdas e despedidas, pois, não estamos preparados para enfrentá-las.
O câncer carrega significados pesados, e muitas vezes, está arraigado ao diagnóstico a sua relação com a morte. Entretanto, sabemos que ao longo do tempo e com o avanço da medicina e diagnóstico precoce, os índices de cura têm crescido. Porém, ainda hoje lidamos com muitos pacientes que chegam com diagnóstico tardio, avanço da doença, e as perdas são grandes, o número de óbitos é bem considerável, e não são apenas números, são vidas, pessoas queridas, amadas.
Durante atuação como assistente social na Casa de Apoio à Criança com Câncer Durval Paiva, tive e tenho sempre que aprender a lidar com as perdas, e não é algo fácil. Na nossa convivência cotidiana nos tornamos próximos, com preocupações, e também carinho. É como se nos tornássemos uma grande família.
Lidar com a morte, com o luto, requer do profissional uma espécie de controle que é difícil de explicar, pois nós sentimos, mas naquele momento é necessário que a intervenção profissional seja realizada da melhor forma possível. Isso, por mais simples que seja: no contato telefônico com a família, na articulação com o município para conseguir o benefício eventual de auxílio funeral, quando a família não possui condições financeiras de arcar com os custos do funeral, até no abraço, ou no silêncio que acolhe, quando já está tudo organizado para despedida.
O suporte social é fundamental antes, durante e após o tratamento, e o acompanhamento no luto é importante, pois o paciente partiu, mas deixou a família, que adoece e sofre junto. Essa necessita de apoio não só do assistente social, mas também do psicólogo e dos demais profissionais de apoio. Retomar a vida sem um filho ou qualquer ente querido não é fácil, considerando que muitos pais e acompanhantes pararam suas vidas por um determinado tempo para se dedicarem ao cuidado. E muitos relatam a dificuldade em retomar atividades antes realizadas, o retorno ao trabalho, ao cotidiano familiar.
É necessário um suporte e acolhimento para família, assim como, para nós profissionais, pois, também precisamos aprender a lidar com a morte, e com esse luto que é compartilhado.
Keillha Israely – Assistente Social na Casa Durval Paiva
























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