domingo - 04/01/2026 - 10:40h

Dias de aventuras

Por Odemirton Filho

Foto de Jânio Rêgo (Arquivo)

Tibau e suas “naus”, em foto de Jânio Rêgo (Arquivo/2018)

O barco estava ancorado. Seria o barco do velho pescador Tidó? Quem sabe.

O que sei é que eu e alguns primos estávamos na adolescência, e ficávamos conversando sobre a possibilidade de irmos até lá. Tomávamos coragem, e íamos. Eram cinco ou seis meninos púberes. Vez ou outra, um tio ou um primo maior de idade ia nadando à frente. Nadávamos o mais rápido que podíamos.

Medo? Sim, tínhamos. No entanto, o desejo de se aventurar era maior. Para um menino entrando na primeira adolescência o medo é de somenos importância. O que realmente importava era desbravar o novo, fazendo-se homem, com uma coragem inabalável; nenhum de nós queria ser tachado como um frouxo.

Não foi uma ou duas vezes. Inúmeras vezes fomos aos barcos que estavam ancorados na praia de Tibau, pois o mês de Janeiro era o momento de se libertar dos compromissos escolares. Era o momento de curtir as férias; de nadar, de jogar bola na areia; de “pegar ondas”, principalmente no período da lua cheia, quando o mar ficava agitado e perigoso. Não conto as vezes que nadava para sair da água, e o mar me puxava, como se tivesse mãos.

Quando chegávamos ao local, subíamos na embarcação e ficávamos mergulhando, sob um sol de rachar o juízo. Conversávamos sobre as próximas aventuras, sobre as paqueras que já começavam a despontar, enfim, conversávamos sobre assuntos de adolescentes.

Depois de um certo tempo, nadávamos de volta pra areia da praia. Estávamos exaustos, queimados pelo sol e com sede. Comprávamos um picolé e íamos para casa, à espera do almoço. À tarde, ficávamos deitados nas redes, no alpendre, jogando conversa fora e aguardando passarem na rua vendendo grude e gelé.

No dia seguinte, tudo de novo. Eram dias de imensa alegria. Sem pressa. A areia da praia e o mar eram nossos amigos inseparáveis.

Hoje, entretanto, “o mar não está pra peixe”. Quando estou à beira-mar, apenas vislumbro o horizonte e os barcos ancorados, mas já não tenho coragem, nem fôlego, de nadar até lá. Então, recordo-me da minha juventude; são lembranças açucaradas, ou melhor, salgadas, daqueles dias de aventuras.

Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos

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Categoria(s): Crônica

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