domingo - 25/01/2026 - 04:30h

Domingo produtivo

Por Marcos Ferreira

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Amanheceu. Levantei-me a fim de urinar e não encontrei mais sono para retornar à cama. A preguiça me largou, desapareceu. São precisamente quatro e quarenta e sete aqui na telinha do computador. O efeito dos psicofármacos teve fim bem antes do corriqueiro. Os remédios me deixam fora de combate até por volta das nove. Às vezes mais que isso. Chega fácil às dez ou às onze.

Ontem não escrevi. Sentia-me desmotivado, sem ânimo para a redação. Há pouco fiz café, deixei a cafeteira trabalhando e fui cuidar das minhas abluções. A temperatura está amena. O dia se mostra deliciosamente nublado. Não digo que há (ao menos por enquanto) indícios de chuva. As nuvens não estão cheias, com aquele aspecto carregado, exibindo um cinza uniforme. Mesmo com a quantidade de nuvens, o céu se encontra azul. Penso que não seria nada mau se caísse uma tranquila, ampla e duradoura garoa. Quem me conhece, ou tem o hábito de ler certas coisas que escrevo, sabe que tenho preferência por dias chuvosos ou tão somente frios.

Eis que súbito o vento se intensificou. A aragem traz um cheirinho bom. Será que vem água por aí? Indago a mim próprio. O domingo fica interessante. Ainda não comi nada, todavia estou aqui bebericando um cafezinho. Sinto-me confortável usando camisa de algodão de mangas compridas e uma surrada e macia bermuda jeans. Ainda não enviei o meu texto dominical para o BCS — Blog Carlos Santos. Quem sabe esta metade de página prospere e finde em uma crônica.

Este é o último domingo de janeiro, dia 25. Imagino que desta feita me darei bem na escrita. Os pequenos cães da vizinha da esquerda se puseram a latir não sei por qual motivo. Minha cachorrinha, que agora está com um ano e dois meses de idade, também começa a ladrar. Suponho que não viu coisa alguma, contudo acompanha os cachorros vizinhos. Parece-me tão só camaradagem.

Juju é de raça absolutamente pura: uma legítima vira-lata. Trata-se de uma criaturinha cativante e manhosa, carente em excesso. Enquanto escrevo estas linhas, ela ronda a cadeira no intuito de pular no meu colo. Aqui e acolá abandono o teclado para atender aos seus anseios. De igual forma é quando estou na rede na sala vendo tevê à noite, ou à mesa da cozinha fazendo alguma refeição. Abana a cauda e fica me fitando com um ar irresistível, os olhos como se lacrimosos.

Esqueçamos Juju. Abri a porta da frente e a de trás. O vento se intensifica, continua trazendo um agradável perfume de chuva. Vejo que o céu está tomado por nuvens cinza. Contudo não pinga uma gota d’água. Fui ao muro frontal conferir isso. De repente, “não mais do que de repente”, um trovão ribombou ao longe. Mais outro (pelo que me pareceu) explodiu sobre este domicílio. Fico logo animado com a possibilidade de uma precipitação pluviométrica. Noto que os cãezinhos da vizinha emudeceram. Percebo que minha cadela acompanha essa quietude.

Dou mais uma olhada no relógio e constato que passam trinta e dois minutos das seis horas. Deixei a cadeira do computador e fui comer um pão francês com manteiga e café. A ventania açoita a mangueira da moradora aos fundos desta residência. Decorridos alguns minutos, enfim, começou a garoar. Entretanto não passou disso. De qualquer modo, apesar dos pesares, ganhei o meu dia. A crônica está pronta. É o momento de enviar este escrito para o e-mail do meu editor.

Marcos Ferreira é escritor

Compartilhe:
Categoria(s): Crônica

Faça um Comentário

*


Current day month ye@r *

Home | Quem Somos | Regras | Opinião | Especial | Favoritos | Histórico | Fale Conosco
© Copyright 2011 - 2026. Todos os Direitos Reservados.