Num jornal mossoroense, edição de hoje, capa, bem no alto da página, uma manchete deprime. Abate-me como indivíduo e jornalista:
"Mulher de 71 anos é presa em supermercado". Assim mesmo. Cortante, direta, seca. A legenda complementa o golpe citando o nome da "bandida" e o crime hediondo. Furto.
Disseca a banalidade. Só que envolve uma idosa, sem sobrenome corado, nada de parentes importantes ou abastada – vista como se fosse uma criminosa de grande envergadura.
Enquanto isso, rico sujo ganha foro privilegiado e outros podem furtar bolsa sem medo, em festa fina, com direito a lugar na coluna social. Subtrair o alheio é doença, tadinho.
A patologia tem nome quase impronunciável, mas pomposo, glamouroso como o meio requer: cleptomania. Lindo! "In!" Bacana, hein!?
Isso é o que eu chamo de exclusão policial.
Um dia essa terra ainda vai cumprir seu ideal.
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